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Parte 16   Sinopses regionais

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MALIGNOS 
CARCINOMA ESPINOCELULAR 
Localizado, quase sempre, no lábio inferior. Inicia-
se como queilite actínica crônica (Figura 89.8), ocor-
rendo posteriormente infiltração; a lesão desenvolvida 
é pápulo-nodular, nódulo-ulcerosa ou vegetante. As 
vezes, tem aspecto verrucoso. Quando a diagnose é 
precoce, a exérese cirúrgica possibilita boa prognose. 
No lábio inferior, há uma drenagem linfática abun-
dante e ocorrem metástases nos linfonodos subman-
dibulares. O carcinoma do lábio superior é raro mas, 
quando ocorre, é mais grave, com metástases mais 
precoces nos linfonodos pré-auriculares. 
F1G. 89.8. Queilite actínica. Erosão e queratose. À histopatologia, 
verificou-se carcinoma espinocelular superficialmente invasivo. 
F1G. 89.9. Afta major. Grandes úlceras na mucosa labial. 
AFECÇÕES DOS L ÁB IOS E DA MUCOSA ORAL 
DOENÇAS E AFECÇÕES DA 
CAVIDADE ORAL 
DERMATOSES COM 
LOCALI ZAÇÃO ORAL 
AFTA 
Doença recorrente caracterizada por surtos de ul-
cerações de tamanho e número variáveis, poupando, 
em geral, as áreas queratinizadas de mucosa. As le-
sões surgem espontaneamente, podendo ser desenca-
deadas por estresse emocional ou pequenos traumas 
(patergia) . Pode haver um período prodrômico, com 
disestesia e posterior eritema, que dura, em média, 3 
a 4 dias. A lesão fundamental é ulceração rasa ou pro-
funda, de halo eritematoso e centro necrótico amare-
lo acinzentado, variando de um a vários milímetros 
de diâmetro, bastante dolorosa, resolvendo com ou 
sem cicatriz, de acordo com a profundidade. Podem 
atingir toda a mucosa oral, sendo mais freqüentes na 
borda da língua e sulcos gengivo-labiais. Classifi.ca-
se clinicamente em afta minor com lesões pequenas, 
superficiais e em pequeno número, afta major - doen-
ça de Sutton - periadenite necrótica recorrente com 
lesões nódulo-ulcerativas profundas de difícil cicatri-
zação espontânea) (Figura 89.9) e afta herpetiforme 
com lesões pequenas, agrupadas, subentrantes (Figura 
89.10). Casos intensos podem ser acompanhados de 
ulcerações genitais e de manifestações gerais como 
febre, artralgia, eritema nodoso e púsrulas cutâneas 
(aftose complexa) . A doença de Behçet é quadro sis-
témico recorrente e grave que associa, em diferentes 
F1G. 89. 1 o. Afta herpetiforme. Múltiplas ulcerações agrupadas no 
assoalho bucal. 
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DERMATOLOGIA 
graus, aftas orais e genitais, uveíte, vasculite cutânea 
e do sistema nervoso central. A afta pode acometer o 
indivíduo por muitos anos, não devendo ser confun-
dida com lesão aftóide esporádica, em geral pós-trau-
mática, comum em indivíduos jovens. 
É doença de causa não esclarecida, admitindo-
se atualmente fatores imunológicos locais e sistêmi-
cos pela freqüente associação com AIDS, doença 
de C rohn, doença de Behçet e pioderma gangrenoso. 
Fatores locais são importantes, pois a afta é rara em 
fumantes, pela queratinização reacional da mucosa. A 
afta pode evoluir por muitos anos. 
O exame histopatológico mostra uma úlcera com 
inflamação aguda e crônica. 
As lesões da afta minor, involuem em média em 
dez dias e não deixam cicatriz, ao contrário da afta 
major, periadenite necrótica recorrente, que chega a 
perdurar por um mês e deixa cicatriz. 
A afta deve ser diferenciada da lesão aftóide, ulce-
ração da mucosa, esporádica, em geral pós-traumática 
e única, comum em indivíduos jovens, que pode ser 
recorrente, porém sem a repetição constante dos sur-
tos, que caracteriza a afta verdadeira. 
TRATAM E N TO 
Depende da intensidade dos sintomas. Os cáus-
ticos que, destruindo as terminações nervosas locais, 
diminuem a dor, são, atualmente, contra-indicados, 
visto que provocam aumento da úlcera, demora maior 
na cicatrização e maior possibilidade de infecção se-
cundária. Q uando já instalada, bochechos com tetra-
ciclina podem abreviar a duração e são geralmente 
associados a anti-histamínicos locais pelo efeito anes-
tésico discreto que podem ter. O ideal é a prevenção 
da infecção que prolonga o surto, através de boche-
chos com solução à base de clorhexedina a 2%. Os 
demais colutórios devem ser usados com cuidado, 
por serem mais sensibilizantes e menos efetivos como 
anti-sépticos. Na fase prodrômica, pode ser usado o 
corticóide em base adesiva (Omcilon orabase®), porém, 
já, na úlcera aberta, tal veículo, por ser muito áspero, 
pode ser muito doloroso para aplicação, sendo prefe-
ridos os bochechos com corticóides (xaropes diluídos 
em água ou puros). 
Tratamento sistémico: Q uando o tamanho das le-
sões e a freqüência dos surtos justificar, instituir o 
tratamen to sistêmico. A primeira opção é a solução 
de corticóide por via oral, em bochechos, 3-4 vezes 
por dia conjuntamente com solução de micostatina. 
Outra terapia é a dapsona (100 mg/dia), por períodos 
prolongados, de três a seis meses, com diminuição da 
dose após dois a três meses. A talidomida ( 100 mg/ 
dia), quando possível, é a terapia mais eficaz para as 
formas resistentes de afta. Outras opções são a colchi-
cina (0,5-2 mg/dia) e a pentoxifilina (400 mg, três 
vezes por dia). 
LÍQUEN PLANO 
Avalia-se que de todos os casos da doença, 1/3 seja 
somente cutâneo, 1/3 seja cutâneo-mucoso e 1/3 so-
mente mucoso. O líquen plano cutâneo ocorre em 
geral por surtos autolimitados e nisso diverge do lí-
quen plano mucoso, que é crônico. Na mucosa oral 
as lesões podem assumir diversas apresentações, sendo 
em geral bilaterais e simétricas. Na forma pápulo-que-
ratótica observam-se pápulas opalinas esbranquiçadas 
isoladas ou confluentes com aspecto reticulado arbo-
riforme; é forma assintomática. Na forma eritêmato-
atrófica ocorre, em associação com as pápulas, áreas 
de atrofia m ucosa e despapilação lingual; pode haver 
ardor bucal principalmente ao contato com alimentos. 
O líquen plano erosivo é forma bastante sintomática 
onde ocorrem erosões brilhantes bem demarcadas, cir-
cundadas por lesões brancas típicas (Figura 89.11). É 
freqüente a associação com lesões cutân eas. O líquen 
plano atrófico-erosivo da gengiva é parte da síndrome 
de gengivite descamatíva. A diagnose diferencial é feita 
com outras lesões brancas (leucoplasia, sífilis, candi-
dose) ou erosivas (lúpus eritematoso, farmacodermias, 
doenças bolhosas). 
PRURIGO ACTÍNICO 
Fotodermatose rara em nosso meio, é mais comum 
em países andinos e M éxico. Caracteriza-se por le-
sões cutâneas intensamente pruriginosas localizadas 
nas áreas expostas à luz. Q ueilite exuberante é quase 
sempre observada (Figura 89.12). O tratamento com 
a talidomida é eficaz. 
PÊNFIGO VULGAR 
Na maioria dos doentes o quadro inicia-se na ca-
vidade oral com bolhas flácidas que logo se rompem 
deixando erosões que se disseminam pela mucosa, cau-
sando grande desconforto. O sinal de Nikolsky é cons-
tante. Comprometimento gengival é freqüente, com 
lesões que persistem mesmo após o controle do restante 
do quadro. Eventualmente, a doença permanece locali-
zada somente na mucosa retardando a diagnose. 
F1G. 89. 1 1. Líquen plano erosivo. Erosões na mucosa jugal. 
PENFIGÓIDE DAS MEMBRANAS MUCOSAS 
Também conhecido como penfigóide cicatricial, 
representa um grupo de afecções predominantemen-
te mucosas (às vezes mucocutâneas) onde há auco-
imunidade contra diversos antígenos da membrana 
basal. Acredita-se que o grau de comprometimento e 
a extensão possam ser relacionados com o antígeno 
envolvido em cada caso. Inicialmente observam-se 
AFECÇÕES DOS L Á BIOS E DA M UCOSA ORAL 
F1G. 89. 1 2. Prurigo actínico. Queilite extensa. 
Notar lesão no dorso do nariz. 
bolhas mucosas tensas que se rompem em erosões, 
localizadas preferencialmente nas gengivas, mucosa 
jugal e palato; o quadro tende a ser mais localiza-
do que no pênfigo. Outras mucosas podem estar 
comprometidas como a esofágica, genital e ocular. A 
doença pode evoluir com sinéquias cicatriciais