DTCI - Apostila - Parte II
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DTCI - Apostila - Parte II

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CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES 
Classificação entre escritas e não escritas 
Escritas: como a constituição do Brasil. Chamadas de \u201cconstituição instrumental\u201d. Subdividem-se em codificadas (sistematizada em um único documento normativo) ou legais (contida em mais de um documento).
Não escritas: há vários documentos esparsos e fortes costumes como, por exemplo, o governo por parte do primeiro ministro e não por parte do rei \u2013 iniciou-se a tradição com o rei George I - ou a garantia de imunidade tributária às igrejas. A Constituição da Inglaterra é um exemplo. Na Inglaterra há um conjunto de leis ordinárias (esparsas) que tratam de matéria constitucional, compondo, assim, em conjunto, a Constituição.
Classificação quanto ao modo de elaboração:
Históricas ou costumeiras ou consuetudinárias: surgem de um longo processo histórico, da evolução dos costumes da própria sociedade, que recebem aos poucos regulamentação legislativa. Por exemplo: a constituição da Inglaterra.
Dogmáticas: surgem em um determinado momento histórico como um dogma, ou seja, a partir de uma ideologia pré-concebida. Por exemplo: Brasil. Nossa Constituição é dogmática, pois o preâmbulo traz uma ideologia pré-concebida, já que demonstra os valores da sociedade, propondo-se, o texto constitucional, a concretizar esses valores.
OBS: O STF menciona que o preâmbulo da CF não possui conteúdo normativo (ADIn 2076). Menciona que são os valores da sociedade colhidos pelo constituinte originário que através do texto normativo procura satisfazê-la. O preâmbulo tem finalidade interpretativa, a interpretação das normas deve ser com o intuito de atender aos valores fundamentais nele expressos.
Classificação quanto à origem:[1: OBS: Há autores que apresentam, ainda, as classificações: a cesarista, feita pelo chefe do Estado e aprovada pelo povo pelos intrumentos de plebiscito e referendo (objetivo de somente legitimar \u2013 formalmente - a presença do detentor do poder, como a Constituição de Pinochet no Chile); a heterodoxaI, imposta por um país a outro (exemplo: Inglaterra para a Nova Zelândia).]
Outorgadas: são referidas como cartas políticas, porque são constituições impostas, cuja elaboração não encontra participação popular. Normalmente quando os detentores do poder impõem ao povo uma nova ordem política e jurídica, uma nova ordem constitucional. Exemplos: CF brasileiras de 1824, 1937, 1967 e EC 01 de 1969.
Promulgadas (populares ou democráticas): há a participação do povo nas decisões políticas fundamentais (participação direta ou participação indireta, representativa). É fruto de uma Assembléia Nacional Constituinte, composta de representantes do povo, eleitos para essa finalidade. Exemplos: CF brasileiras de 1891, 1934, 1946, 1988.
Classificação quanto ao conteúdo
Constituição material (ou substancial)
Concebida como o conjunto de normas, inseridas ou não em um documento escrito, que regulam a estrutura do Estado, organização dos seus órgãos e os direitos fundamentais. São as normas de conteúdo tipicamente constitucional.
Teoricamente, podem-se imaginar normas que tratem de conteúdo constitucional fora da constituição. Nesse caso, teríamos normas materialmente constitucionais, embora não sejam formalmente constitucionais.
Constituição formal (ou procedimental)
Conjunto de normas inseridas no \u201ctexto constitucional\u201d, independentemente do conteúdo das normas, se de cunho constitucional ou não. O que não significa que uma Constituição formal não terá normas materialmente constitucionais (a brasileira, por exemplo, que é formal, em seu artigo 2º, entre tantos outros, demonstra conteúdo constitucional)[2: Tomemos como exemplo o parágrafo 2º do artigo 242 da CF de 1988, que diz \u201co Colégio Pedro II localizado na cidade do Rio de Janeiro, será matido na órbita federal\u201d. Está inserido na constituição e, por isso, sendo nossa Constituição formal, é norma constitucional, embora materialmente em nada se relacione a um conteúdo, uma matéria, um assunto constitucional.]
A constituição formal é necessariamente escrita e rígida. Espelha o conjunto de normas, reduzidas sob a forma escrita em um ou mais documentos, solenemente estabelecidos pelo poder soberano, através de um processo legislativo mais dificultoso, diferenciado e mais solene do que o processo legislativo de formação das demais normas do ordenamento.
A Constituição formal também revela: 
A força normativa dos preceitos constitucionais, procriados por um poder de maior força impositiva, qual seja, o constituinte originario e;
A superioridade hierárquica de tais preceitos em face das prescrições infraconstitucionais.
 
O STF já se pronunciou na ADIn 815-3 que as normas constitucionais não possuem hierarquia entre si. Todas, independentemente de seu conteúdo, possuem o mesmo nível hierárquico \u2013 Tese da idêntica hierarquia das normas constitucionais.[3: Essa Ação Direta de Inconstitucionalidade foi proposta pelo governador do Rio Grande do Sul (Alceu Collares, na época) postulando pela declaração de inconstitucionalidade do art. 45, parágrafos 1º e 2º da CF. Mencionou que fere uma cláusula pétrea (art. 60, §4º, I, CF), pois rompido o equilíbrio federativo na proporcionalidade dos deputados. Argumentou, ainda, que as regras do artigo 45 da CF contrariavam o princípio da igualdade do voto (art. 14) e da soberania popular (art. 1º). Referiu que o art. 60, §4º (cláusulas pétreas) era uma norma superior ao art. 45, também da CF, suposta superioridade que não foi reconhecida pelo STF, ainda porque se tratam de normas constitucionais originárias, entre as quais não há hierarquia, e as cláusulas pétreas são apenas que limites ao poder constituinte reformador.]
Tradicionalmente, a constituição brasileira é vista como constituição formal.
Não obstante, ganha força, no Brasil, a noção de BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE. Idéia surge originariamente na França, país em cuja constituição não há uma lista de direitos fundamentais. Há, antes do texto normativo da constituição francesa, a incorporação da declaração universal dos direitos do homem e do cidadão. Surge a necessidade de serem tratados esses comandos, que não estão na constituição, como dotados de força constitucional (constrói-se a idéia de bloco de constitucionalidade). No Brasil, os tratados internacionais sobre direitos humanos podem ser considerados normas de direitos fundamentais caso haja a aprovação interna para a vigência desse tratado conforme rito previsto no parágrafo 3º do artigo 5º da CF/88, que estudaremos mais a frente.
MOMENTO HISTÓRICO ATUAL: conquista de nova geração de direitos que estabelece a primazia da norma que melhor cumpre com direitos e garantias fundamentais \u2013 seja no âmbito interno, seja no âmbito internacional.
Classificação quanto à estabilidade (ou alterabilidade):
Rígidas: são aquelas que exigem, para reforma do texto constitucional, um processo legislativo distinto do processo legislativo ordinário comum, mais exigente, mais dificultoso, complexo. Em tese, as normas constitucionais são normas mais importantes do Estado e normas não dotadas de mutabilidade.
Flexíveis ou plásticas: não possuem essa exigência. Alteram-se as normas constitucionais pelo mesmo procedimentode alteração de uma lei ordinária, sem distinções no processo legislativo. 
No caso de ordenamentos com normas constitucionais flexíveis, não se pode falar em ordenamento jurídico hierarquizado, não se tem normas superiores e inferiores. Não há normas constitucionais e nem infraconstitucionais. Em consequência, não há um controle de constitucionalidade, já que inexistem parâmetros para tanto.
Constituição mitigada, semi-rígida ou semi-flexível: Há algumas normas que exigem, para elaboração, um processo mais rigoroso e complexo que são as de matéria constitucional/fundamental do Estado, da organização estatal. E há outras se modificam da mesma forma que as normas ordinárias. Ex: Carta imperial de 1824 do Brasil, na qual a própria constituição recusava a natureza constitucional \u2013 era uma constituição material, pois