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Abordagem ao diagnóstico da síncope cardiogénica em cães e gatos

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finais 
 
O estágio realizado permitiu adquirir e consolidar conhecimentos fundamentais para a prática 
da clínica de pequenos animais. A ajuda fundamental e a disponibilidade constante de toda a 
equipa permitiram o meu crescimento como médica veterinária, mas também a nível pessoal. 
De cada elemento desta equipa levo um ensinamento precioso para a prática futura. A todos, 
não posso deixar de fazer um agradecimento especial por tudo, obrigada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Capítulo II 
Síncope cardiogénica 
Mariana de Magalhães Dissertação de Mestrado Integrado em Medicina Veterinária, FMV- UL 
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1. Síncope 
 
1.1. Definição de síncope 
 
A síncope é a perda de consciência repentina com perda do tónus postural e recuperação 
espontânea (Minors, 2005). Alguns autores descrevem também a pré-síncope como fraqueza 
dos membros posteriores, fraqueza generalizada ou ataxia, mas neste caso não há perda de 
consciência [Kraus & Calvert (2009) e Ware (2007)]. 
A síncope é conhecida pelo leigo como desmaio e, por vezes, é confundida com o colapso. 
O colapso é definido como "condição de prostração extrema, similar ou igual a choque 
hipovolémico e devido às mesmas causas; estado de depressão física profunda (…)" 
(Setdman's Medical Dictionary, 2006, p.408, tradução livre). 
A síncope é definida como "perda de consciência e do tónus postural devido a diminuição do 
fluxo cerebral" (Stedman's Medical Dictionary, 2006, p. 1887, tradução livre). 
Ambos os conceitos são semelhantes ao descreverem uma perda do tónus postural e 
prostração profunda. No entanto, no colapso não é referida a perda de consciência ao 
contrário da síncope. Nesta dissertação será considerado o conceito síncope, ou seja, 
pressupõe uma perda de consciência. 
Na literatura anglo-saxónica, a síncope, no seu significado já evidenciado, é referida como 
syncope, faint, pass out. 
Este episódio está geralmente associado com excitação ou exercício e é acompanhado por 
perda do tónus muscular, o que leva o animal a ficar repentinamente em decúbito esternal 
(Kraus & Calvert, 2009) ou lateral (Ware, 2005). Normalmente tem uma duração de segundos 
e recuperação rápida, sem desorientação após o episódio. No entanto, em casos mais graves, 
pode mesmo conduzir à morte do doente. 
A síncope não é uma doença nem um diagnóstico, é apenas um sintoma que ocorre em 
diferentes doenças, sendo mais frequente em cães do que em gatos (Dukes-McEwan, 2012). 
Contudo Bandinelli, Cencetti, Bacalli e Lagi (2000) referem que a síncope pode ser 
considerada uma doença se não estiver associada com outras alterações patológicas, como a 
síncope neuro-mediada. A sua avaliação de forma a chegar a um diagnóstico final é um 
desafio. Este é um episódio esporádico e infrequente que pode facilmente ser confundido com 
fraqueza muscular, narcolepsia/cataplexia e convulsão. É assim da maior importância 
perceber antecipadamente qual o sintoma que o animal apresenta de forma a realizar o 
diagnóstico mais correcto e, por sua vez, o tratamento mais adequado e precoce. 
 
 
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1.2. Fisiopatologia da síncope 
 
A síncope está directamente relacionada com a necessidade do cérebro ter um aporte 
constante de oxigénio e glucose para o normal funcionamento. Uma diminuição do seu 
fornecimento leva a síncope (perda de consciência e relaxamento muscular). 
Os mecanismos fisiopatológicos associados à síncope são, normalmente, diminuição aguda do 
débito cardíaco, obstrução do fluxo sanguíneo de saída do coração, hipóxia ou hipoglicémia 
com fluxo cerebral normal ou diminuição da resistência vascular relacionada com reflexos 
neurocardiogénicos (Ware, 2007). Embora outros mecanismos possam estar presentes 
geralmente a síncope está associada a uma diminuição do fluxo sanguíneo cerebral que, por 
sua vez, diminui o aporte de oxigénio e de outros nutrientes, como a glucose, ao cérebro. 
O fluxo sanguíneo cerebral tem como principal determinante a pressão cerebral de perfusão 
(CPP- Cerebral Perfusion pressure). Esta depende da pressão sanguínea arterial (MAP- Mean 
arterial blood pressure) e da pressão intracraniana (ICP – Intracranial Pressure) ou 
resistência cerebrovascular. Davidow, Woodfield e Proulx (2001) descrevem assim a seguinte 
equação: CPP = MAP – IPC. Esta indica que a CPP diminui e a síncope pode ocorrer quer 
devido a uma diminuição da MAP ou a um aumento da ICP. A redução da pressão sanguínea 
cerebral está normalmente relacionada com doenças cardíacas em que o débito cardíaco está 
comprometido. Já o aumento da ICP está normalmente relacionada com causas neurológicas. 
Contudo, a MAP e a ICP podem ter valores normais mas ocorrer síncope. Esta deve-se a 
causas metabólicas em que há redução de nutrientes essenciais (por exemplo: glucose) ou de 
oxigénio. 
O fluxo sanguíneo cerebral é assim influenciado pela pressão arterial e pela pressão 
intracraniana. A pressão arterial está dependente do débito cardíaco e da resistência vascular 
sistémica. A pressão intracraniana ou resistência cerebrovascular é influenciada por regulação 
metabólica, química ou autorregulação (Henderson & Prabhu, 1997). A autorregulação 
consiste na dilatação dos vasos e permite, até a um certo limite, manter um fluxo cerebral 
adequado independentemente da alteração da pressão arterial sanguínea. Ao contrário de 
outros órgãos que perdem precocemente a sua função, o cérebro mantém o aporte adequado a 
uma média de pressão arterial de 60-70 mmHg (milímetros de mercúrio). A redução do aporte 
cerebral de oxigénio, produção de dióxido de carbono e utilização de glucose está associada a 
uma diminuição de 40 mmHg na pressão arterial (Skrodzki & Trautvetter, 2008). Abaixo 
deste valor a autorregulação é ultrapassada, ficando os vasos sanguíneos cerebrais no máximo 
da sua dilatação. No entanto, no caso de doentes hipertensivos o limite da autorregulação 
ocorre a uma pressão arterial mais elevada (Henderson & Prabhu, 1997). Ultrapassando assim 
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este limite, uma diminuição da pressão arterial diminui imediatamente o fluxo cerebral e 
ocorre a síncope. 
Apesar de ser possível ocorrer síncope por outras alterações, na sua maioria, este episódio 
resulta de uma diminuição do fluxo sanguíneo cerebral por diminuição da pressão arterial, 
consequência de uma alteração cardíaca. 
 
2. Diagnóstico diferencial de síncope 
 
Ao abordar um doente com síncope é necessário, inicialmente, diferenciar síncope de outros 
episódios de alterações de consciência ou fraqueza muscular. 
 
2.1. Será síncope?

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