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Comportamento reprodutivo e sexual Prof.ª Ma. Graziele Amorim Comportamento sexual Lent (2010) afirma que sexo é um comportamento motivado, um impulso interior que leva o indivíduo a escolher um parceiro sexual, realizar inúmeros comportamentos para conquistá-lo e concretizar atos sexuais prazerosos. Esses comportamentos possuem dimensão biológica (reprodução), mas também podem ser motivados pela busca do prazer (LENT, 2005; MACHADO, 2006). Homens e mulheres têm, geralmente, um modelo diferente de resposta sexual, começando pelo desejo, não somente nas formas de orgasmo Você sabia? Que o cérebro feminino é diferente do masculino. Do ponto de vista anatômico, as diferenças entre os cérebros masculino e feminino estão relacionadas às dimensões de regiões específicas; Durante o desenvolvimento do concepto, os núcleos do dimorfismo sexual e áreas como a periventricular anteroventral da área pré-optica inicialmente contêm o mesmo número de neurônios; Entretanto, com o aumento na apoptose celular mediada pelo estradiol na mulher, o núcleo do dimorfismo sexual torna-se menor; Ao contrário, no sexo masculino o estradiol tem efeito antiapoptótico nesse mesmo núcleo, tornando-o de 3 a 5 x maior. Já o núcleo paraventricular anteroventral é maior nas mulheres, sendo menor nos homens devido ao efeito pró-apoptótico do estradiol nessa área 3 Desenvolvimento e diferenciação dos órgãos sexuais Durante o desenvolvimento como o feto diferencia-se para um sexo ou outro? Como o genótipo da criança leva ao desenvolvimento de gônadas masculinas ou femininas? Diferenciação sexual no embrião – determinação do sexo Até a sexta semana de gestação os fetos são idênticos, ou seja as glândulas reprodutivas são idênticas e indiferenciadas; A diferenciação se inicia a partir da 7ª semana; Antes da diferenciação os tecidos embrionários são considerados bipotenciais; A genitália interna consiste de 2 pares de ductos acessórios: os ductos de Wolff e ductos de Muller (sistema wolffiano e mulleriano) A partir de 6 semanas intrauterinas: Se o feto tiver um cromossomo Y, e um gene SRY, haverá a diferenciação sexual (desenvolvimento de testículos); testosterona será produzida e o ducto de Wolf se desenvolverá como sistema reprodutivo masculino.Hormônio anti-mulleriano: impede o desenvolvimento do ducto de Muller. 5 Somente no 3º mês de gestação um dos órgãos se desenvolve e o outro atrofia; o que determina se o embrião será do sexo feminino ou masculino é o cromossomo Y ou gene SRY; No caso do feto ser do sexo masculino o sistema mulleriano – vinculado ao sexo feminino é atrofiado pelo hormônio antimulleriano secretado pelo testículo; O testículo também irá secretar os hormônios androgênios que estimulam o desenvolvimento wolffiano (sistema masculino) e a genitália externa masculina. Diferenciação sexual no embrião – determinação do sexo A partir de 6 semanas intrauterinas: Se o feto tiver um cromossomo Y, e um gene SRY, haverá a diferenciação sexual (desenvolvimento de testículos); testosterona será produzida e o ducto de Wolf se desenvolverá como sistema reprodutivo masculino.Hormônio anti-mulleriano: impede o desenvolvimento do ducto de Muller. 7 Reprodução e desenvolvimento sexual Tanto o homem como a mulher produzem gametas; Gametas são células sexuais (espermatozoides e óvulos cada um possui 23 cromossos) O sexo genético é determinado no momento da fecundação – sexo cromossômico; Hormônios e comportamento sexual O controle neural do comportamento sexual se dá através de controle (secreção) hormonal, que afeta mecanismos neurais por todo o corpo; Algumas das estruturas cerebrais que controlam a resposta sexual e hormonal Hipotálamo que estimula a Glândula endócrina a secretar hormônios sexuais Hipófise anterior – estimula secreção hormonal (hormônio luteinizante e folículo estimulante) Hipófise posterior: ocitocina Sistema límbico (emoções, comportamentos sociais e consequentemente comportamento sexual) Mesencéfalo Hipotálamo que estimula a Glândula endócrina a secretar hormônios sexuais (hormônio liberador de gonadotrofina-GnRH) 9 Papel dos hormônios no comportamento sexual São responsáveis pela ativação dos circuitos cerebrais envolvidos na programação e organização dos padrões de comportamento sexual dismórficos; Também estão envolvidos na maturação sexual periférica; Hormônios sexuais: estrogênio e progesterona (predominante no mulher); testosterona (predominante no homem); A influência dos esteroides sexuais na organização do cérebro masculino é bem conhecida. Tanto a testosterona como o estrogênio participam da organização do cérebro no sentido masculino. A 1ª “onda” da testosterona ocorre entre a 6º e 8º semanas da gestação proveniente da gônada masculina e será responsável pela diferenciação da genitália. No cérebro, a testosterona é convertida em dihidrotestosterona, responsável por organizar as conexões cerebrais no sentido masculino, promovendo grande variedade de comportamentos masculinos que diferenciam os dois sexos; Controle do comportamento sexual 11 Também atua no cérebro em sua forma original, na área pré-optica (APO), região do cérebro responsável pelo comportamento sexual masculino e feminino; A APO é rica em receptores dos esteroides sexuais, o que possibilita a conversão da testosterona em estrogênio, sendo este crucial para o processo de masculinização do cérebro masculino; O estrogênio promove a desfeminização, o que leva à supressão das funções cerebrais femininas no homem, induzindo-o a assumir atitudes e exercer funções tipicamente masculinas (este mecanismo é muito complexo). Efeito da Testorena sobre o comportamento sexual masculino A 2ª “onda” de esteroides sexuais ocorre na puberdade e é considerada a fase de “refinamento” da diferenciação sexual; É quando ocorre a organização dos circuitos neurais sexuais no cérebro do adolescente em desenvolvimento, facilitando a expressão do comportamento sexual típico do adulto dentro do contexto social específico; Efeito da Testorena sobre o comportamento sexual masculino A formação da consciência da mulher de ser um ser feminino (identidade de gênero feminino) é um processo também complexo e ainda pouco conhecido. Entretanto, há indícios de que seja este também um processo ativo secundário aos fenômenos mediadores da feminização. O núcleo ventromedial (NVM), localizado no hipotálamo médio basal, é a região chave para o controle do comportamento sexual feminino comportamento sexual feminino A ação dos esteroides sexuais perdura até o período pós-natal imediato (1–3 meses) quando ocorre o aumento nos níveis da testosterona22 no sexo masculino. Na menina, durante o primeiro ano de vida, os níveis da testosterona permanecem os mesmos, enquanto nos meninos a testosterona aumenta e reduz rapidamente, mantendo-se em níveis pré-puberais23. Não se sabe ao certo as implicações desse fenômeno na definição da identidade de gênero. Parece que a concentração de testosterona no sangue e líquido amniótico de mães com crianças masculinas normais tem correlação com a identidade de gênero da criança9 14 Ferormônios - Pherein (conduzir) e horman (excitar) Substâncias químicas que transmitem mensagens de um animal para um outro. Algumas dessas substâncias afetam o comportamento reprodutivo. Os efeitos sobre os ciclos reprodutivos parece ser mediado pelo órgão vomeronasal (pequeno grupo de receptores sensoriais, neurônios quimiossensíveis). Os ferormônios parecem ativar regiões cerebrais correspondentes ao núcleo sexualmente dimórfico do hipotálamo anterior. ocitocina A Ocitocina é produzida pelo hipotálamo e armazenado pela hipófise posterior Acelera e intensifica o orgasmo e aumenta o desejo sexual ou libido; Melhorar a ligação/conexão entre os amantes. Considerado hormônio do amor Quando liberada perifericamente pela hipófise posterior, atua estimulando a produção de leite materno e a contraçãouterina no parto, já quando é liberada centralmente, a oxitocina age como um neuromodulador de diversos processos, tais como modulação da ansiedade, da libido, da interação social e regulação das respostas neuroendócrinas e cardiovasculares. Considerada o ‘’hormônio do amor’’, é alvo de recentes pesquisas, pois melhora a interação social e a realização de vínculos afetivo 18 Ocitocina em mulheres Nas mulheres a ocitocina pode melhorar o libido feminino; Aumenta a lubrificação e o tônus vaginal; Intensifica a experiência do orgasmo e a memória de experiências prazerosas. o aumento do cortisol, “hormônio do estresse”, provoca problemas sexuais Ocitocina em Homens Pode aumentar a sensibilidade do pênis durante o contato sexual e aumenta a frequência das ereções. A liberação de espermatozóides também é reforçada pela ocitocina. Após o orgasmo induz a sonolência nos homens Melhora a ejaculação pela contração estimulante das vesículas seminais, túbulos seminíferos, epidídimo e da próstata. 20 Desejo sexual, ciclo menstrual e menopausa O desejo sexual, a excitação genital e a resposta emocional ao estímulo sexual mudam, conforme a etapa do ciclo de ovulação nas fêmeas. Mulheres relatam que seu desejo sexual aumenta, de forma constante, durante a semana que antecede a ovulação e ocorre, em picos, ao redor do momento da ovulação (RUPP et al., 2009). A capacidade de ativação de estruturas límbicas e corticais é reduzida após a menopausa, mas pode ser restaurada a níveis pré-menopausa, após tratamento combinado de estradiol e testosterona, com subsequente recuperação do desejo sexual e da atividade sexual; Os hormônios esteróides parecem “preparar o terreno” para modificações na síntese de neurotransmissores, envolvidos nos mecanismos de excitação sexual. Estradiol facilita a liberação de dopamina e potencializa a síntese de óxido nítrico que controla a liberação de dopamina em ratos 21 Neurotransmissores e comportamento sexual - NT responsáveis pelo estímulo do desejo e na excitação subjetiva: noradrenalina, dopamina, melanocortina, ocitocina, serotonina. - NT relacionados com a sensação de saciedade; sendo estes inibitórios ou negativos: GABA e serotonina O desejo sexual constitui fase importante da RSH, mas seus mecanismos biológicos ainda são pouco conhecidos O desejo sexual constitui fase importante da RSH, mas seus mecanismos biológicos ainda são pouco conhecidos Melanocortinas são neuropeptídeos derivados da Pró-Opiomelanocortina (POMC) e incluem a β endorfina, o hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) e o hormônio estimulador α-melanócito (α-MSH). 22 Padrões de atividade sexual e comportamento reprodutivo Cortejamento – cuidar de alguém de maneira delicada Acasalamento – coito ou união para juntar os gametas e gerar novo ser Cuidados parentais – todo comportamento materno ou paterno para com o novo ser; Resposta sexual humana Em ambos os sexos é dividida em 4 fases: Excitação – estímulos eróticos preparam a genitália para o ato da cópula; Platô – mudanças que se iniciaram na fase de excitação atingem seu pico máximo chamado de orgasmo; Orgasmo – contrações musculares, acompanhada da sensação de prazer intenso, aumenta da FC e FR; Resolução – parâmetros fisiológicos aos poucos volta ao estado de repouso; centro do prazer Inclui estruturas corticais e subcorticais constituintes do sistema mesolímbico que envolve: área tegmentar ventral do mesencéfalo Hipotálamo corpo estriado ventral giro do cíngulo córtex pré-frontal Distúrbios genéticos Pseudo hermafroditismo Influência dos hormônios sexuais no encéfalo dos fetos antes do nascimento Distúrbios genéticos