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Política Externa Dutra, Vargas e JK. Política Externa Independente

Aula sobre Política Externa brasileira (Dutra, Vargas e JK). Trata paradigmas — americanismo pragmático e ideológico, globalismo/PEI — e detalha o governo Dutra: alinhamento aos EUA, adesão ao TIAR, rompimento com URSS, não reconhecimento da RPC, questões econômicas e fontes (RBPI, jornais).

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Política Internacional
Aula 1 - Política Externa Dutra, Vargas e JK. Política Externa Independente (PEI)
Tradição de Política Externa:
Na Política Externa Brasileira, temos dois principais paradigmas:
Americanismo, que vai desde o início da República até a década de 50. Pode ser 
dividida em dois tipo:
Americanismo Pragmático: Alinhamento ao EUA com vantagens. Temos como exemplo 
principal Gestão do Barão do Rio Branco (1902 - Carnaval de 1912). Doutrina Monroe 
(1823)
1. Objetivo de estar aliado ao EUA para ter vantagens no componente subregional.
2. Proteção contra ameaças do imperialismo europeu.
3. Diplomacia do prestígio. Primeira embaixada em Washington. Primeiro embaixador: 
Joaquim Nabuco. Primeira embaixada sul-americana no Rio de Janeiro.
Americanismo Ideológico: Alinhamento gratuito ao EUA sem vantagens. Temos como 
exemplo o Governo de Eurico Gaspar Dutra.
Globalismo ou Universalismo: Brasil atua à margem do alinhamento das outras nações. 
Ideia de autonomia. Estratégia de diversificação de parcerias diplomáticas. Brasil não 
exclui qualquer parceiro (viaja para a África, Leste Europeu, etc).
Dicas: Provas de PI são totalmente voltadas para atualidade (últimos 3 anos). Leitura de 
jornal: evitar globo, veja, diplomatas aposentados, geralmente governo FHC, Luiz Felipe 
Lampreia e outros; buscar revista de política externa (trimestral), RBPI - revista brasileira 
de política internacional (internet).
Governo Dutra (1946-1951):
PEB é fortemente influenciada pelo contexto internacional da época:
1. Guerra Fria: começa oficialmente em 1947, com lançamento da doutrina de contenção 
ao comunismo (primeiro sinal de uma guerra fria oficialmente lançada). 
2. Doutrina Truman (1947): Função do EUA na proteção da democracia liberal capitalista 
aonde quer que ela se visse acossada pela União Soviética e a ideologia comunista.
3. Plano Marshall (1947): ajuda financeira dos países capitalistas da Europa.
4. OTAN (1949): assinatura do tratado de Washington para criação da organização do 
tratado do atlântico norte.
Posição de alinhamento com os EUA, alinhamento automático do governo Dutra e da 
chancelaria:
1. 1947, o Brasil adere ao TIAR - tratado interamericano de assistência recíproca, visando 
a defesa coletiva a qualquer agressão perpetradas pelos membros do tratado. Fica 
desmoralizado com a guerra das Malvinas, em que os EUA apóiam à Inglaterra em 
detrimento da Argentina. Brasil é um dos articuladores do tratado, assinado em 
Petrópolis (palácio Quitandinha). Chanceler Raul Fernandes como um dos relatores do 
tratado.
2. 1949, não reconhecimento por parte do governo Brasil da República Popular da China 
(Revolução Maoísta por Mao Zedong, também em outra tradução Mao Tsé-Tung). Brasil 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
passa a ter relações com a República da China, governo do Kuomintang, em Taiwan 
(até 1974, início do governo Geisel), para onde migra o governo de Chian Kai-shek.
3. Rompimento de relações diplomáticas com a União das Repúblicas Socialistas 
Soviéticas - URSS, em 1947, não resultou de alinhamento político-ideológico com os 
EUA, o qual resultou em surpresa americana, que censura a decisão brasileira. Por 
questões de política interna, Presidente Dutra vai banir o Partido Comunista Brasileiro, 
perseguindo os políticos eleitos da legenda, entre eles Jorge Amado. Jornal soviético 
critica a ação do governo e a pessoa do presidente Dutra, o qual exige retratação do 
governo da URSS. Diante da recusa da URSS de não se retratar, o Brasil é levado a 
romper relações coma URSS, que irá perdurar até novembro de 1961, já no governo de 
João Goulart.
4. Apesar do profundo alinhamento do governo Dutra, no plano econômico e comercial, o 
Brasil se permite algumas diferenças em relação ao EUA. Quem defende esse 
argumento é Paulo Roberto de Almeida (Diplomatizando) no livro 60 anos de Política 
Externa. Em1947, na conferência de Havana de lançamento a OIC, a delegação 
brasileira apoia o livre comércio, mas solicita tratamento especial aos países em 
desenvolvimento, facultando a estes alguma margem de protecionismo visando 
favorecer à industria nacional nascente.
5. Em 1948, na conferência interamericana de Bogotá da qual resultou na criação da 
organização interamericana - OEA. O Brasil demanda pragmaticamente um plano de 
ajuda econômica, nos moldes do plano Marshall, para os países da América Latina.
6. No plano de política econômica interna, o Governo Dutra embora favoreça a entrada de 
capital internacional, o governo condicional o investimento deste capital a setores que 
estimulassem o desenvolvimento nacional.
Artigo de Paulo Roberto de Almeida (PRA), diplomacia econômica do governo Dutra. 
Coleção de política externa, José Augusto. 60 anos de Política Externa.
Não obstaste o alinhamento político-ideológico profundo com os EUA, o Brasil saiu de 
mãos vazias no período, sem vantagens, benefícios ou concessões.
Professor Gerson Moura, especialista em governos Vargas, Dutra, Vargas, JK 
(1937-1960) e pioneiro em PE, caracteriza o governo Dutra como um governo 
alinhado sem recompensas. Como exemplo, o Brasil não consegue implantar o plano 
Marshall para America Latina, não é atendido nos financiamentos solicitados no âmbito 
multilateral. 
Nesse momento, Truman e o seu sucessor, Eisenhouwer, não estão preocupados com a 
América Latina, que é vista pelos EUA como uma área sobre controle, estando 
naturalmente sobre a órbita de influência americana. A atenção do governo americano 
está voltada para Europa e, em seguida, para a Ásia, devido a guerra da Coreia. A Ásia 
recebe um plano aos moldes do plano Marshall, chamado de plano Colombo. EUA só 
volta para a América Latina após a ameaça do socialismo de Cuba, com a revolução 
cubana em 1959. Isso cria um sentimento de frustração no governo brasileiro.
Foram muito poucas as iniciativas americanas que alcançaram o Brasil. Exemplo disso, 
temos:
• Como resultado da missão Abink, chefiada por Jonh Abink, a comissão técnica mista 
Brasil-EUA. Inaugurada em 1948, substituída em 1950 por outra comissão, era presidida 
pelos economistas John Abink e Otávio Gouveia de Bulhões, e encarregada de elaborar 
relatórios e estudos econômicos. Frusta o governo brasileiro, mais interessado em ajuda 
financeira efetiva. Nesse momento a CEPAL pelo lado da ONU também irá iniciar a 
elaboração de estudos. 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
• Em 1949, o presidente dos EUA, Henry Truman, lança o chamado ponto-quatro. Em que 
os EUA reconhecem o deve de prover assistência técnica para ajudar o mundo 
periférico. Especificamente para o Brasil, temos como resultado deste ponto-quatro a 
criação da comissão mista Brasil-EUA para o desenvolvimento econômico, substituindo 
a comissão anterior. Essa comissão é encarregada de elaborar projetos e captar 
recursos voltados para o desenvolvimento econômico. Esta comissão só começa a 
funcionar no governo seguinte, governo Vargas.
• No final do governo Dutra, Chanceler Raul Fernandes entrega ao embaixador do EUA 
no Rio de Janeiro, Heryson Jonson, um relatório das relações bilaterais Brasil-EUA no 
governo Dutra, que entra para a história como memorando da frustração.
OBS importante: O presidente Dutra foi o primeiro presidente a visitar os EUA.
Governo Vargas ( 1951-1954):
Governo curto, que é caracterizado pela tentativa de retomada do alinhamento 
negociado (termo também cunhado por Gerson Moura para o primeiro governo de 
Vargas durante o Estado novo). 
No primeiro governo de Vargas, o Brasil se alinha ao EUA em busca de benefícios e 
vantagens. Nesse momento o Brasil tem argumentos de barganha para oferecer ao EUA, 
como o fim das relações com a Alemanha, a entrada na II Guerra Mundial, criação de 
bases militares no nordeste (campanha no norte da África), fornecimento de material 
estratégico para o programanuclear americano (areias monazíticas). Os EUA oferecem 
um financiamento que viabilizou o projeto siderúrgico brasileiro (CSN - Siderúrgica de 
Volta Redonda), e os equipamentos para re-equipar as forças armadas.
No segundo governo, passados 10 anos, Vargas tem dificuldades para reativar o 
alinhamento negociado, sem ter as condições materiais para oferecer algo como moeda 
de troca. No entanto começa de forma satisfatória:
• Em 1951 tem-se o inicio das atividades da comissão mista para o desenvolvimento 
econômico, elaborando 41 projetos e captando um volume financeiro de 180 milhões de 
dólares. Exemplo: criação do BNDE em 1952 como produto da comissão mista. 
• Ainda em 1951, temos acerto com o EUA para fornecimento de material estratégico, 
como as areias monazíticas, recebendo em troca um financiamento de 300 milhões de 
dólares. 
• Em 1952, teremos um dos momentos principais da relação Brasil-EUA na época, acordo 
militar Brasil-EUA, que vigora por 25 anos (até 1977), ano em que será denunciado pelo 
governo Geisel. Esse acordo militar vai resultar em grandes críticas da sociedade 
brasileira, principalmente segmentos nacionalistas, preocupados com essa crescente 
dependência ideológica e política dos EUA. A grande preocupação desses setores, 
principalmente militares, também seria a entrada do Brasil na guerra da Coreia (Dutra 
no final do governo chega a prometer enviar tropas). Segmentos nacionalista civis, 
criticam o acordo por ter sido firmado sem contrapartidas econômicas específicas, 
diferentemente dos acordo celebrados no período da II Guerra Mundial. Pressionado por 
esses setores nacionalistas, Vargas adota a partir de 1952 como resposta as críticas 
diversas medidas nacionalistas: Lei 2004 de 1953, cria a Petrobras, nacionalizando a 
exploração de petróleo no Brasil; decreto que limita a remessa de lucros para o exterior, 
ampliando a margem de reinvestimento no território brasileiro. Além disso, tem-se a 
famosa instrução 70 SUMOC (Superintendência da moeda e do crédito), que vai limitar 
a entrada de manufaturas estrangeiras que tivessem semelhantes nacionais. Essas 
medidas desagradam o EUA, e o setor da sociedade conhecida como “entreguistas”.
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
Posse do Presidente Eisenhower (1953), marcando o fim do ponto 4 e o fim da comissão 
mista Brasil-EUA.
Final do governo Vargas (agosto de 1954), o presidente apoia a intervenção militar dos 
EUA na Guatemala, reforçando a ideia de não questionamento do alinhamento político-
ideológico. Argentina e Chile não apoiam a intervenção americana.
Resumindo: Governos Vargas é marcado pelo alinhamento, mas não tão bem sucedida 
como o do primeiro governo Vargas. Não é um governo sem recompensas, diferenciando-
se do governo Dutra , mas podemos dizer que foi uma tentativa frustada de reativação do 
alinhamento negociado.
Relação Brasil-Argentina:
Presidente da Argentina, Juan Domingo Perón (1946-1955), contemporâneo dos 
governos Dutra e Vargas. A relação no plano da política externa não se apresenta 
alinhada, pois o Brasil é marcado pelo alinhamento com os EUA e a Argentina pela 
estratégia chamada de terceira posição. Perón define a terceira posição como “mediantes, 
marxistas, peronistas”, mantendo-se à margem da guerra fria. De certa forma a Argentina 
se mostra alinhada com os EUA, mas com pouco entusiasmo, tentando manter sua 
autonomia no alinhamento (alinhamento ortodoxo com os EUA). Como exemplo, a 
Argentina não assina o TIAR e resiste entrar nas organizações de Breton Woods. A 
Argentina teme a ameaça de sub-imperialismo brasileiro. Chega a propor o pacto ABC 
(Argentina-Brasil-Chile), o qual teve a simpatia de Vargas, mas foi rejeitado pelo Itamaraty 
temendo uma articulação de republicas mais sindicalistas.
Pode-se concluir que embora houvesse alinhamento ideológico entre Vargas e Perón 
(amizade), este alinhamento não ocorre no plano bilateral.
Governo Café Filho (1954-1955):
Promove reformas liberais que favorece o capital estrangeiro e melhoraram a relação 
econômica com os EUA. Como exemplo temos a instrução 113 da SUMOC, que revoga a 
instrução 70, liberando a entrada de manufaturas estrangeiras, mesmo aquelas com 
similares nacionais.
Governo JK(1956-1960):
Características: Em termos econômicos marcado pelo desenvolvimentismo associado, o 
governo JK busca o desenvolvimento nacional a partir de uma firme associação com o 
capital internacional. Entrada significativa de investimento estrangeiro produtivo. O Brasil 
tem facilidade de captação de empréstimos e financiamentos. Exemplo: setor automotivo.
No ponto de vista de política externa, também podemos falar em alinhamento com os 
EUA. Teremos o apoio brasileiro ao levante na Hungria (1956), levante caracterizado 
como anti-comunista, mas na realidade anti-soviético. Brasil participa da intervenção da 
ONU em Suez (primeira missão de paz da ONU - batalhão Suez - durou 10 anos), 
respondendo ao estimulo dos EUA. Acordo para instalação de base militar americana 
para rastreamento de foguetes em Fernando de Noronha (já utilizada durante a segunda 
guerra mundial) em 1957.
Em 1958, teremos uma missão de técnicos do FMI preocupados com os efeitos colaterais 
do plano metas, principalmente a inflação fora de controle. Apresentam um receituário 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
monetarista, como limitação do crédito, corte dos gastos públicos, elevação dos tributos. 
Essa medidas iam de encontro com a política desenvolvimentista do governo JK. 
Em1959, insatisfeito com o receituário monetarista, JK rompe com o FMI, demostrando 
um sinal claro de que o Brasil não se curvaria às imposições do fundo.
Complicando o quadro internacional brasileiro, o pais começa a perder espaço nas 
exportações para os EUA, principalmente com café, e para a Comunidade Econômica 
Européia (criada pelo tratado de Roma em 1957). Brasil e EUA não se entendem quanto 
ao preço mínimo do café imposto pelo Brasil, levando os EUA a comprarem café de 
outros produtores. Em 1957, surge a CEE, espaço preferencial para os seis países que a 
compõe, que cria barreiras para a entrada de produtos estrangeiros. CEE lança a TAC 
(tarifa agrícola comum). Resultando perda de divisas, levando ao Brasil, no final do 
governo JK, a buscar mercados alternativos. O Brasil aproxima-se dos países do leste 
europeu, aproximação exclusivamente comercial (não política ou ideológica): exemplo, 
Alemanha oriental e União Soviética.
No momento mais importante do governo JK (1958), temos o lançamento da OPA 
(operação Pan-americana), resumida na frase de JK: pobreza gera subversão. Ainda em 
1958, o vice-presidente americano (Richard Nixon) vem a América do Sul para 
acompanhar a posse do presidente Arthur Sandine (Argentina), fazendo algumas paradas 
em algumas capitais: Caracas e Lima. Sendo muito mal recebido. Na volta a Washington, 
alerta o presidente sobre o sentimento anti-americano percebido na América Latina, 
principalmente por conta da indiferença dos EUA referente as mazelas que afligiam a 
América Latina. Os EUA recebe a proposta da OPA também com indiferença, com frieza. 
Teremos poucos resultados práticos decorrentes da OPA, o principal destes foi a criação 
do comitê dos 21 (órgão ad hoc, no âmbito na OEA, com objetivo de analisar e estudar a 
viabilidade da OPA), o única resultado direto do comitê dos 21 foi a criação do BID (1959). 
O BID fica muito aquém da expectativa brasileira para a OPA. O Brasil pedia via OPA 
mais investimentos diretos, mais assistência técnica, mais investimentos a prazos maiores 
e taxas de juros menores, mais financiamentos. 
Mesmo percebendo uma diversificação de parcerias no final do governo JK, não podemos 
questionar o alinhamento estratégico com os EUA. Podemos destacar na diversificação 
de parcerias por parte do Brasil o reforço da relação com a América Latina: criação da 
ALALC em 1960(Associação Latino Americana de Livre Comércio - Tratado de 
Montevidéu de 1960); reforço da relação com a Argentina, governada por Arturo Frondizi, 
com a criação de um grupo de cooperação industrial Brasil-Argentina.
O que muda a relação dos EUA com a América Latina é a revolução cubana de 1959. Em 
1961, presidente Kennedy (democrata) lança a aliança para o progresso baseada na 
OPA.
ISEB (instituto superior de estudos brasileiros) criado em 1955 (banido pelos militares na 
década seguinte), fundado por grandes intelectuais brasileiros. A essência do pensamento 
isebiano vai influenciar a diplomacia brasileira no governo seguinte: nacionalismo e 
desenvolvimento. Mesmo após sua extinção, finca raízes profunda no pensamento 
político brasileiro, principalmente em política externa.
Política Externa Independente (1961-1964): Paradigma Globalista
Tem como pilares fundamentais: autonomia, diversificação de parcerias e 
desenvolvimento. Primeira vez que o Brasil deixa de lado a ideia de alinhamento. Neste 
momento também teremos uma estratégia consolidada de diversificação de parcerias.
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
Governo Jânio Quadros(1961):
Tem como chanceler Afonso Arinos de Melo Franco, diplomata de carreira. Jânio Quadros 
(eleito com apoio da UDN, segmento mais conservador da sociedade brasileira) e Afonso 
Arinos tem um perfil conservador (proibir uso de biquíni na praia e o uso de lança perfume 
no carnaval, etc).
Apesar do perfil excêntrico de Jânio Quadros, a PEI tem uma postura inovadora, 
vanguardista e corajosa, buscando uma posição de autonomia em um contexto de guerra 
fria. Invasão da baia dos porcos (JQ), Crise dos mísseis, (JG), momentos críticos da 
guerra fria voltados para Cuba e a América Latina.
Linhas da PEI:
África: criação da divisão de África no Itamaraty; primeira viagem de um chanceler 
brasileiro ao continente negro (Afonso Arinos, visita Gana); abertura de novas 
embaixadas na África no governo JQ (Senegal, Etiópia, Nigéria e Costa do Marfim); 
nomeação do primeiro embaixador negro da história diplomática do Brasil (Raimundo 
Souza Dantas - escritor, não era diplomata de carreira), em Acra - Gana, mais antiga 
embaixada brasileira na África; No entanto, o Brasil mantém uma postura leniente em 
relação ao Aphartaid (só revista no governo Geisel, final da década de 70). Outro ponto é 
a crítica a política colonialista, apesar de vários indicativos que passaríamos a votar 
contra Portugal, isso não acontece (JQ muda de ideia após telefonema de Salazar - livro 
de Afonso Arinos filho). O Brasil defende a descolonização, mas em relação a Portugal, o 
Brasil se abstém.
Leste Europeu: estabelecimento de relações diplomáticas com vários países do leste 
europeu. Brasil restabelece relações com Hungria, Tchecoslováquia, e estabelece com 
Romênia, Bulgaria, entre outros. Ainda não com a União Soviética, ocorrida somente em 
novembro de 1961 no governo João Goulart.
China: temos uma visita do vice-presidente (João Goulart) a China comunista (República 
Popular da China). A visita tem interesses comerciais e não políticos (relações 
diplomáticas ocorrem apenas em 1974 no governo Geisel).
Cuba: governo JQ homenageia Che Guevara. Mas isso não representa qualquer 
compartilhamento político-ideológico entre o revolucionário e o presidente brasileiro. 
Representa apenas um sinal de autonomia. Condecora também Yuri Gagarin (oficial da 
aeronáutica da URSS), primeiro cosmonauta a orbitar em torno da terra. Em relação a 
Cuba, o que importa é a nota oficial do Brasil censurando o desembarque dos exilados 
cubados, treinados e financiados pelo EUA, na baia dos porcos, em 1961. O Brasil se 
demonstra fiel as tradições diplomáticas de soberania e não intervenção. 
Argentina: tem-se uma ótima relação com o presidente argentino Arthur Frondizi. Tem-se 
o famoso encontro em Uruguaiana (1961) de JQ e AF, onde é assinando o convênio de 
amizade e consulta Brasil-Argentina (espírito de Uruguaiana).

 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
Governo João Goulart (1961-1964):
Para resolver o problema político da época, durante o governo de João Goulart adota-se 
o parlamentarismo, nomeando-se Tancredo Neves como primeiro ministro. Considerada 
uma Política de Estado e não de Governo, a PEI fica marcada pela figura do presidente, 
pouco se falando sobre a atuação do primeiro ministro no período.
Chanceleres do Governo João Goulart: San Tiago Dantas. Considerado formulador da 
PEI. Hermes Lima e Evandro Lins e Silva também ocuparam o cargo de ministro de 
relações exteriores. Se destaca também o diplomata Araújo Castro (ocupou o cargos de 
Ministro das Relações Exteriores, Embaixador em Washington e Embaixador do Brasil na 
ONU).
No governo de JG, podemos identificar as mesmas característica da PEI do final do 
Governo Jânio Quadros: autonomia, diversificação de parcerias e desenvolvimento.
Em Novembro de 1961, teremos a retomada de relações diplomáticas do Brasil com a 
URSS (interrompidas no governo Dutra, 1947), nunca mais interrompidas (inclusive 
durante o período militar).
É importante notar as iniciativas do governo Goulart sobre o leste europeu. 
Fundamentalmente a criação da COLESTE (Comissão Espacial de Comércio com o Leste 
Europeu), órgão interministerial sediada no Itamaraty.
Aprofundamento do diálogo com a República Popular da China, mas com caráter 
estritamente comercial.
Em Janeiro de 1962, o Brasil abstém-se de apoiar a suspensão de Cuba na OEA por 
motivações pragmáticas. O Brasil não encontra nenhum dispositivo na Carta de Bogotá 
que justifica-se a suspensão de Cuba por não se um Estado democrático, demostrando 
sinal de autonomia. Outros seis Estados (outer six), Brasil, Argentina, México, Bolívia, 
Equador e Chile, também recusam a apoiar a proposta dos EUA. A suspensão foi 
aprovada por causa da mudança do voto do Haiti. A OEA revoga a suspensão em 2009, 
mas o governo de Raul Castro decide não voltar a OEA.
Em outubro de 1962, governo João Goulart apoia a quarentena sobre Cuba. Momento 
mais dramática da Guerra Fria, conhecido como crise dos mísseis. Dá-se o nome de 
quarentena o bloqueio naval proposto pelo governo Kennedy à ilha de Cuba.
Em 1963, tem-se o famoso discurso dos três Ds (Desenvolvimento, Desarmamento e 
Descolonização), proferido pelo chanceler Araújo Castro. Desenvolvimento: a política 
externa sempre vai servir a causa do desenvolvimento nacional. Desarmamento: acabaria 
levando a concentração de poder na mão de poucos, acentuando ainda mais as 
assimetrias no plano internacional. A corrida armamentista representava um desperdício 
de recurso financeiros, que poderiam ser revertidos a causas mais nobres, como o 
desenvolvimento dos países periféricos. Se uma parcela desse recurso fosse investido 
para o desenvolvimento dos países periféricos, teríamos como resultado uma ordem 
internacional mais simétrica, equânime, e mais estável. Araújo Lima destaca que quanto 
menores as assimetrias econômicas entre Norte e Sul, maior a estabilidade internacional, 
apontando em seu discurso para uma política de segurança econômica internacional. 
Descolonização: Brasil defende a colonização, mas recusa-se a votar contra Portugal.
Relações com os EUA:
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
Não indenização por parte do Brasil para as empresas norte-americanas encampadas por 
governos regionais. Ainda no final do governo JK, o governador do Rio Grande do Sul, 
Leonel Brizola, decide nacionalizar a AMFORPE, notável empresa americana de energia 
elétrica. Também foram nacionalizadas empresas como a Hanna Mining Company 
(mineração), uma subsidiária da ITT (telecomunicações), entre outras. A nacionalização é 
permitida como ato de soberania do pais. No entanto, as quebras de contrato devem ser 
indenizadas. Presidente Kennedy envia seu irmão, Robert Kennedy, secretário de justiça, 
para discutiressa questão com o governo brasileiro. Teremos ainda a assinatura de um 
acordo no campo bilateral conhecido como acordo Dantas-Bell. No período, Dantas 
ocupava o cargo do ministro da fazenda e firma um acordo com o representante do 
tesouro dos EUA, Bell, no qual se previa a concessão de empréstimos ao governo 
brasileiro e facilidade na capitação de financiamentos pelo Brasil (como juros menores), 
mas em contra partida o Brasil deveria primeiro pagar as indenizações e, em segundo, 
adotar metidas de estabilização macro-econômica, essencialmente de fundo monetarista. 
O governo Goulart não cumpre nenhum dos dois compromissos, levando a uma redução 
dos investimentos americanos e dificuldades para capitação de empréstimos, a fim de 
aumenta o grau de reinvestimento. Além disso, o presidente Goulart também aprova um 
decreto que limita a emissão de lucros ao exterior. Estas medidas acabam por criar uma 
celeuma ainda maior nas relações econômicas e comerciais com os EUA.
Em 1964, a América latina passa a ser vista como uma área de atenção. Preocupação 
com a cubanização. Observa-se no Brasil atos nacionalistas e um discurso reformista e 
populista, assustando os EUA, podendo representar uma esquerdização da política 
brasileira. Em março de 1964, teremos um discurso de tom reformista do presidente João 
Goulart na Central do Brasil que proclama as massas, o qual é mal recebido pelo 
embaixador americano, que relata o tom do discurso a Casa Branco, assustando ainda 
mais os EUA. Tem-se uma resposta imediata da ala conservadora brasileira, a TFP 
(Tradição, Família e Liberdade) organiza a marcha com Deus, pela Família e pela 
Liberdade. A marcha acaba sinalizando aos militares um caminho aberto para o golpe. 
Poucos dias depois, inicia-se a movimentação militar que resulta no golpe de 31 de março 
de 1964, denominado pelos militares de revolução democrática, que visava livrar o Brasil 
de um governo de esquerda.
Aula 2 - A política Externa dos Governos Militares
Política Externa dos governos militares:
Embora não tenha uma participação efetiva dos EUA no golpe, pode-se falar que existiu 
um apoio. O embaixador americano, Lincoln Gordon, e o adido militar, Vernon Walters 
notável general americano, tem encontros frequentes e documentados com autoridades 
militares brasileiras. Logo, podemos afirmar que havia o conhecimento das autoridades 
americanas sobre o movimento que estava sendo organizado, havendo no mínimo um 
apoio tácito. A operação Brother Sam, força tarefa da marinha dos EUA, que acaba 
enviando navios ao litoral brasileiro com o objetivo de garantir todo o apoio material e 
logístico aos golpistas. No entanto não precisou entrar em operação, pois o golpe em 
nenhum momento correu riscos de fracasso.
Governo Marechal Castelo Branco (1964-1967):
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
Castelo Branco faz parte da elite intelectualizada do exército, teve uma ampla formação 
ideologia-estratégica na ESG, esta profundamente influenciada pelas técnicas na National 
War College dos EUA, levando Castelos Branco a incorporar de forma efetiva uma 
preocupação ampla com segurança nacional, que levará seu governo a integrar-se de 
forma efetiva no jogo bipolar da guerra fria, adotando-se uma estratégia de alinhamento 
aos EUA. O governo Castelo Branco vai deixar de lado a política de autonomia da PEI, 
alinhando-se inclusive economicamente aos EUA. 
Roberto Campos, ministro do planejamento, e Otávio Golveia de Bulhões, ministro da 
fazenda, ambos os ministros vão desenvolver uma orientação muito próxima de 
Washington, adotando medidas de estabilização macroeconômicas (reformas 
monetaristas para estabilizar a economia: controle do crédito, aumento de tributos, 
arrocho salarial, corte de gastos públicos; exigidos pelo FMI) que fundamentalmente 
favorecer os credores brasileiros e o capital internacional. Também adotam uma 
orientação liberal, desfazendo medidas nacionalistas de governos anteriores, como a 
limitação de remessas de lucros ao exterior, e decidindo pelo pagamento das dívidas as 
empresas americanas pleiteadas nos governos anteriores. Adoção de um modelo de 
desenvolvimentismo associado, mesmo conceito adotado para o governo JK.
Em 1964, nos teremos o rompimento de relações diplomáticas com Cuba, esse 
rompimento dura até o fim do governo militar.
Em 1965, tem-se a participação de tropas brasileira na intervenção na república 
dominicana, implementa pelos EUA contra John Bosh, um dos ícones da esquerda latino-
americana. Essa missão é aprovada e apoiada pela OEA. Mas de mil militares brasileiros 
participaram da força interamericana de paz, que foi chefiada pelo General Meira Matos.
O governo de Castelo branco defende a criação de uma força interamericana de paz 
permanente, proposta altamente polêmica, representando a constituição de um braço 
militar na OEA, não encontrado respaldo nem nos EUA. Castelo Branco buscava maior 
capacitação das tropas brasileiras e o fornecimento de equipamentos militares.
Essa proposta leva o Brasil a se distanciar dos seus vizinho latino-americanos, que iriam 
desconfiar do profundo alinhamento do Brasil aos EUA, considerando o Brasil um agente 
do subimperialismo americano.
Apesar do alinhamento, teremos um aprofundamento das relações com as repúblicas 
socialistas soviéticas. Exemplo marcantes: viagem de Roberto Campos à Moscou, 
chefiando uma missão comercial; Criação de uma comissão mista Brasil-URSS, com o 
objetivo de estabelecer um canal de diálogo aberto e permanente entre o governo 
brasileiro e Kremlin. Nesse período vivia-se a Détente, distensão da rivalidade bipolar 
entre EUA e URSS durante a guerra fria. A preocupação americana na época era Cuba e 
também a Republica Popular da China (nesse momento temos relações apenas com 
Taiwan, interrompendo o diálogo comercial iniciado com a China comunista).
Brasil não dá ênfase a variável terceiro mundista, tendo participação limitada na primeira 
conferência da UNCTAD, em 1964. No entanto tem maior participação na II UNCTAD, 
durante o governo Costa e Silva.
Segundo Chanceler do governo Castelo Branco, Juraci Magalhães, (primeiro foi Vasco 
Leitão da Cunha). A frase de Juraci Magalhães resume o alinhamento brasileiro: “O que 
é bom para os EUA, é bom para o Brasil”. Amado Cervo caracteriza a política de 
castelo Branco como sendo um passo fora da cadência, pois é o único momento a partir 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
da década de 60 que o Brasil vai voltar ao alinhamento aos EUA, perdendo sua visão 
universalista, autonomista, sem alinhamento e sem subordinação.
Governo Costa e Silva (1967-1969):
Não é um castelista, não fazendo parte da da elite intelectualizada no exército, sendo um 
militar linha-dura que vai adotar uma política fortemente repressiva contra os movimentos 
considerados subversivos. Costa e Silva deixa como legado o AI-5, aprovado em 
dezembro de 1968, sendo o símbolo maior da repressão dos governos militares. Isso no 
entanto, não representa um alinhamento com os EUA.
Em relação a economia do governo costa e silva, teremos como ministros Delfim Neto e 
Hélio Beltrão, ministros de planejamento e fazenda, respectivamente. Estes adotam uma 
postura desenvolvimentista, ou seja, revertem as decisões tomadas por Campos e 
Bulhões e vão voltar a dar ênfase a política nacional-desenvolvimentista que já tinha sido 
adotada em governos anteriores.
Sua política externa será batizada de diplomacia da prosperidade, sendo executada 
pelo chanceler Magalhães Pinto. Essa diplomacia aponta necessariamente para a busca 
do desenvolvimento em política externa. Isso significará uma grande mudança em relação 
ao governo anterior, em que a segurança estava acima do desenvolvimento. Retomada 
parcial dos pilares da PEI.
No que tange a relação com os EUA, podemos pensar numa rivalidade emergente com 
os EUA (termo trabalho peloprofessor Luiz Alberto Moniz Bandeira): embates comerciais 
(iniciados no final do governo JK); ênfase terceiro-mundista que incomoda o EUA (Brasil 
prioriza a articulação com os países em desenvolvimento); perspectiva de autonomia 
crescente adotada pelo Brasil; orientação econômica nacionalista, bem diferente do 
governo anterior, mais comprometido com capital internacional.
A literatura caracteriza esse período como uma rivalidade emergente entre Brasil e EUA, 
por conta da orientação desenvolvimentista e terceiro mundista do Brasil, postura 
autonomista em relação a algumas questões, entre elas o TNP, e fundamentalmente pela 
continuidade de problemas no plano bilateral, com uma política economica que não se 
preocupa muito com a estabilidade, orientação monetarista, política comercial que entra 
em choque várias vezes com os EUA, principalmente no âmbito do café.
Exemplo que apontam para ações universalistas e autonomistas:
Rejeição ao TNP (tratado de não-proliferação de armas nucleares), lançando em 1968. A 
chancelaria Magalhães Pinto rejeita o TNP, embasando sua decisão em 3 fatores 
fundamentais: caráter injusto e desigual (assimétrico) do tratado; ideia de congelamento 
do poder mundial; fato de já termos firmado o tratado de Tlatelolco, no ano anterior;
1. O Brasil considerava o tratado injusto e desigual entre países armados e não-armados, 
pois o tratado proibia os países não-armados de produzirem qualquer tipo de artefato 
nuclear. Os países armados, na época, eram, coincidentemente, os cinco membros 
permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, URSS, Reino Unido, França e 
China), alcançados pelo artigo 6 do tratado, considerado pelo Brasil muito brando. 
Segundo o artigo 6, os Estados nuclearmente armados devem de boa-fé promoverem 
iniciativas para progressivamente alcançarem o desarmamento nuclear. O Brasil só vai 
aderir ao tratado no governo FHC, em 1998.
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
2. Embaixador Araújo Castro afirma que o TNP é um instrumento de congelamento do 
poder mundial na medida em que permitiria aos países armados a manutenção de seus 
armamentos nucleares e impediria os demais de terem suas armas nucleares.
3. O tratado de Tlatelolco proíbe a proliferação de armas nucleares na América Latina, no 
entanto só é ratificado pelo Brasil em 1994, no governo Itamar Franco.
Inicialmente não só o Brasil, como muitos países ficaram de foram do TNP, só ganhado 
maior adesão a partir de 1970, sendo o Brasil um dos últimos a assinar o tratado. 
Atualmente apenas 4 países não assinaram o tratado: Israel, Índia, Paquistão e Coreia do 
Norte. Irã já assinou o tratado.
Na política externa do período, também chama atenção o protagonismo do Brasil em 
fóruns terceiro-mundistas, em um contexto claro de conflito norte-sul. O Brasil se 
reconhece como pais do sul e questiona as imposições que vem do norte, a assimetria 
consagrada pelos países centrais, adotando uma política defensiva em relação ao norte, 
exigindo vantagens e concessões do norte. O brasil volta a agir à margem das fronteiras 
político-ideológicas da guerra fria.
Em exemplo do protagonismo brasileiro é sua participação na segunda conferência da 
UNCTAD (conferencia das nações unidas para comércio e desenvolvimento ) realizada 
em 1968, em Nova Delhi na Índia. O Brasil faz um histórico discurso na UNCTAD, a partir 
desse momento emergindo como uma liderança do chamado grupo dos 77 (G77), mesmo 
não integrando o grupo dos não-alinhados. Brasil exige no âmbito do GATT maior 
igualdade de tratamento comercial entre os países norte e sul.
Também podemos identificar no governo Costa e Silva uma lógica de diversificação de 
parcerias. Um bom exemplo é a ampliação do diálogo do brasil com a Índia. Em 1968 
temos a visita de Indira Gandhi ao Brasil e, alguns meses depois, uma visita de 
Magalhães Pinto a Índia. Em 1968, Brasil e Índia firmam um acordo de cooperação na 
área nuclear (que acaba não dando em nada, devido a denuncia do brasil ao acordo).
Também começa a dar ênfase nas relações com a América Latina. Ênfase dada a 
CECLA (Comissão Especial de Coordenação Latino Americana) em detrimento da OEA, 
ou seja, uma ênfase no latino-americanismo em detrimento do panamericanismo.
Governo Médici (1969-1974):
No final de 1969, Costa e Silva é acometido de uma doença que o faz deixar o cargo 
(falecendo logo depois), sendo sucedido pelo General Médici, também integrante da linha 
dura do Exército. No Governo Médici teremos o auge da repressão aos chamados 
subversivos.
Delfim Neto é o principal nome na economia, com a política econômica que vai levar ao 
milagre brasileiro. Nesse período o Brasil passa a apresentar elevadas taxas de 
crescimento, passando a ser considerada a 8ª economia mundial, as exportações 
brasileira passam a ser composta por mais produtos manufaturados do que produtos 
agrícolas. Consolidando o plano do Brasil potência, do “ame ou deixe-o”. Grande 
crescimento econômico assentado em três pilares: Estado (participa como empresário da 
industria de base e provedor de infraestrutura), capital nacional (cuida dos bens de 
consumo não duráveis) e o capital privado internacional (cuida dos bens de consumo 
duráveis). Delfim Neto: “vamos fazer o bolo crescer para depois dividir”. Milagre é 
caracterizado pelo aumento do poder de compra da classe média, mas não acontece nas 
camadas mais baixas. A classe média, ligada diretamente ao milagre (burocratas, 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
técnicos, profissionais liberais, etc), consome bens de consumo duráveis, ao contrário das 
classes mais baixas, que consomem bens de consumo não duráveis. O Brasil busca 
exportar os excedentes (bens de consumo duráveis não consumidos pelas classes mais 
baixas).
No âmbito de política externa, influenciada pela prosperidade econômica, tem-se maior 
busca por mercados. Por exemplo:
A África passa a aparecer como prioritária na pauta de política externa brasileira. Mário 
Gibson Barbosa, chanceler brasileiro, faz uma viagem história a 9 países africanos, 
indicando a vontade de estreitar os laços com os países africanos em busca de mercado 
para os produtos manufaturados brasileiros. Pode-se citar o encontro de Gibson com o 
mandatário português, Marcelo Caetano, com o intuito de facilitar a independência das 
colônias portuguesas africanas (Angola, Moçambique, Guiné Bissau, São Tomé e 
Príncipe, e Cabo Verde). 
A mesma coisa acontece com o Oriente Médio, também com o interesse de conquistar 
mercados. Como exemplo teremos a criação da COARABE (comissão especial de 
coordenação do comércio com os países árabes) criada em 1969.
Teremos ainda uma série de acordos bilaterais com países Latino-americanos: 1973 - 
acordo de Itaipú, entre Brasil e Paraguai.
Nesse período teremos um momento dramático nas relações bilaterais entre Brasil e 
Argentina, desde o séc. XIX, em conta diretamente do tratado de Itaipú. A Argentina alega 
que o Brasil firmou o tratado com o Paraguai sem ter respeitado o compromisso de 
consulta prévia, compromisso derivado de costume internacional de consulta a todos os 
países envolvidos no caso de utilização de rios internacionais, o que inviabilizaria a 
construção da usina de Corpus Christi de parceria Argentina-Paraguai. Além disso, os 
setores mais exaltados acusavam a usina de Itaipú de ser um risco a segurança nacional 
argentina, tendo em vista que um acidente na usina poderia causar a inundação do país 
vizinho. Essa crise Itaipú-Corpus só será resolvida no governo Figueiredo. Jogo de soma 
zero (perspectiva realista na relação entre Brasil e Argentina, ambas regidas por governos 
militares orientados por componentes estratégicos).
O Brasil recua na presença junto a fóruns terceiro-mundistas, privilegiando relações 
bilaterais e não multilaterais com esses países, devido a projeto do Brasil potência 
(justificar a opressão transformandoo Brasil em país de primeiro mundo). Brasil evita a 
bandeira terceiro-mundista, que poderia comprometer a imagem de Brasil potência.
Olhando para a República popular da China, teremos a primeira missão empresarial 
enviada ao país, missão empresarial de Horácio Coimbra, em 1972, com apoio claro do 
ministro da agricultura, Pratini de Morais. Médici tem ojeriza a China e a Mao Zedong 
(Mao Tsé-Tung) - em 1971, o Brasil havia votado contra ao reconhecimento pela ONU da 
República Popular da China -, sendo convencido por Pratini de Morais. Em 1972, será o 
primeiro ano que o Brasil exportará açúcar brasileiro a China Comunista.
Também no governo Médici teremos uma aproximação comercial com a URSS, tendo 
também em 1972 o início da exportação de açúcar para a URSS.
Brasil-EUA:
Relações satisfatórias com os EUA, o que não indica alinhamento automático, mas a 
vontade de manter uma diálogo aberto com os EUA. O nome que se dá a diplomacia de 
Gibson Barbosa é a diplomacia do interesse nacional. Em grande medida isso permite 
mantermos uma política próxima de Washington, mas obrigará em alguns momentos a 
divergir dos EUA. Ex.: em 1970, o Brasil estende seu mar territorial de 12 para 30 milhas, 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
claramente divergindo dos EUA que passam a sofrem restrições econômicas (depois 
discutida de forma multilateral com o tratado de Montegobay). O governo Nixon olha o 
Brasil de forma estratégia (frase marcante de Nixon: “Para onde for o Brasil, irá a América 
Latina”), ideia que vinha também de seu secretário de estado Henry Kissinger, que via 
Brasil como ator decisivo na geopolítica latino-americana. Temos nesse contexto o 
lançamento da doutrina Nixon, início dos anos 70, ideia dos EUA repassarem a 
potências regionais aliadas as responsabilidades pela contenção ao comunismo. O Brasil 
apoia os golpes na Bolívia (Hugo Banzer), Chile (Pinoché) e Uruguai (Bordaberry) durante 
o governo Médici. O Brasil não participa diretamente dos golpes, com o envio de tropas, 
mas dá sustentação política aos golpista, reconhecendo prontamente esses governos. No 
entanto o Brasil não age dessa forma por subserviência aos EUA, mas de certa forma por 
interesse nacional. O Brasil apoio os golpes para mostrar coerência com o governo de 
repressão no Brasil, em interesse da política interna.
Governo Geisel (1974 - 1979):
Geisel é da ala castelista, integrando a chamada sorbone do Exército, mas vai optar por 
política externa autônomo muito diferente da de Castelo Branco.
Contexto internacional é marcado pela detente, que cria maiores oportunidades para a 
inserção internacional do Brasil. Também temos uma crise econômica na Europa e nos 
EUA, além do segundo choque do petróleo. Há um estimulo a diversificação de parcerias.
PE: Pragmatismo responsável e ecumênico, coordenada pelo chanceler Azeredo da 
Silveira. Recupera e aprofunda os pilares da PEI.
Pragmatismo nesse contexto é agir conforme o interesse nacional, maximizando os 
ganhos nacionais, em que o Brasil agirá sempre analisando custos e oportunidades. A 
responsabilidade indica não apenas manter a segurança nacional, mas que também há 
limites na busca do interesse nacional, devendo-se agir de forma prudente. O 
ecumenismo representa uma política universalista, independente da orientação política, 
cultural, religiosa, histórica e linguista, não se excluindo qualquer autor nas relações 
externas.
África: senso de oportunidade, aproveitando o momento legado da revolução dos cravos 
(abril de 1974), provocando o fim do regime autoritário em Portugal e a descolonização 
dos territórios portugueses na África. A chancelaria de Azeredo da Silveira, aproveitando o 
senso de oportunidade, o Brasil será o primeiro país no mundo a reconhecer a 
independência de Angola. Chama atenção o fato de Angola ser governada no momento 
da independência por Agostinho Neto, figura revolucionário de figura ideológica marxista. 
MPLA (movimento para libertação de angola) é marxista. Isso ajuda a reverter a imagem 
ruim do Brasil junto as colônias portuguesas.
No governo Geisel, teremos críticas ao regime de Aphartaid na África do Sul. Momento 
marcante no período foi o embargo do Concelho de Segurança da ONU ao Aphartaid 
sobre a venda de armas para a África do Sul, com adesão Brasileira, grande exportador 
de armas com uma das maiores industrias armamentista do mundo no período. No 
governo Geisel, teremos um afastamento da África do Sul e uma aproximação aos demais 
países africanos.
Oriente Médio: o principal parceiro comercial brasileiro no oriente médio será o Iraque. O 
Brasil exporta armas, produtos primários e serviços, com grandes empreiteiras entrando 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
no mercado do oriente médio. Importa manufaturados de médio e alto valor agregado 
(exemplo do passati fabricado no Brasil e exportado para o Iraque). O Choque do petróleo 
leva a esse interesse, com a captação de petro-dolares para financiamento do II PND. É 
no governo Geisel que o Brasil autoriza a organização para libertação da Palestina a 
instalar escritório de representação em Brasília. O brasil passa a ter pouco tempo depois 
um escritório de representação em Ramallah, capital “virtual” da Palestina. Além disso, 
tem-se o apoio ao voto anti-sionista, que considera o sionismo como forma de racismo, 
aprovado em conjunto na resolução da ONU contra o racismo.
América Latina: ênfase na relação com os visinhos sulamericanos, apesar da 
continuidade da crise Itaipú-Corpus com a Argentina. Geisel busca uma aproximação com 
a América Latina, rebatendo a crítica histórica de que o Brasil estaria de costas para a 
América Latina. Em 1978, temos o tratado de cooperação amazônica entre Brasil, Bolívia, 
Peru, Equador, Colombia, Venezuela, Guiana e Suriname, com objetivo de promover o 
desenvolvimento regional, estreitando as relações comerciais entre os países signatários 
com vista a alavancar esse desenvolvimento. Até esse momento, as relações do Brasil 
com esses países amazônicos eram mínimas, pois o relacionamento historicamente se 
limitava a Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai. Outro dato interessante quando se pensa 
no TCA é a preocupação em afirmar a soberania dos estados na gestão dos recursos 
amazônicos, preocupação da chancelaria de Azeredo da Silveira. Em termos comerciais, 
o TCA poderia ajudar o Brasil a superar as perdas provenientes da criação do Pacto 
Andino no final da década anterior (do TCA, 5 países são andinos).
Argentina: Nesse período temos uma crise no relacionamento com a Argentina em virtude 
do projeto de criação da usina de Itaipú. A gestão da política externa brasileira em relação 
a Argentina vai marcar o fim da chamada cordialidade oficial, termo historicamente 
presente na PE brasileira. No governo Geisel podemos perceber um certo desprezo pela 
relação com a Argentina, com um Brasil que percebe uma Argentina decadente e 
enfraquecida (volta dos civis e novo golpe dos militares em 1976).
Ásia: O Brasil desenvolve relações comerciais com dois países do extremo oriente: 
República Popular da China com relações diplomáticas estabelecidas em 1974, o que 
resultou no fim das relações diplomáticas de Taiwan. No entanto, o Brasil estabelece de 
imediato relações comerciais com Taiwan, alinhado com a visão pragmática da diplomacia 
brasileira (Taiwan emerge na década de 80 como um dos tigres asiáticos, junto com 
Cingapura e Coreia do Sul), instalando um escritório de representação em Taipei. 
Importante também no período é a relação com o Japão. Teremos a primeira visita de um 
presidente brasileiro ao Japão, visita que vai muito além do protocolo, carregada de 
pragmatismo, na medida que o Japão se consolida como grande investidor para o 
mercado brasileiro em áreas estratégicas, como patrocinadora de investimento agrícolas 
(PRODECER-I, programa de desenvolvimento do cerrado, introduzindoo cultivo da soja 
no cerrado brasileiro). Mais importante ainda é a presença japonesa na área de 
mineração do Brasil, com grandes investimentos na usiminas e no projeto carajás, 
lançado no início da década de 80.
EUA: Durante o governo Geisel, teremos uma relação em certa medida marcada pela 
confiança, mas na medida em que o Brasil tem uma postura autonomista, se permite 
discordar dos EUA em algumas questões e em alguns momentos podemos perceber certa 
tensão. Como exemplo de confiança teremos a assinatura de um memorando de 
entendimentos entre os dois países, firmado por Silveira e Kissinger, que aponta para a 
confiança mutua e mecanismos de consulta bilateral. Num momento de tensão, podemos 
citar o acordo nuclear com a Alemanha, que é buscado pelo Brasil como parceiro 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
substituto para o EUA, embora o acordo de 1975 não tenha sido o esperado, resultou na 
construção de Angra II. Outro exemplo de tensão se dá em torno dos Direitos Humanos: 
mesmo diante do lema do governo Geisel “Abertura lenta, gradual e segura”, não uma 
política ampla de DH. AI-5 só é revogado em 1978. Lei de anistia de 1979. Nesse período 
o Brasil enfrenta ainda uma época de afronta aos DH. A Casa Branca no final da década 
60, já podemos perceber críticas ao governo militar brasileiro, e durante o governo Geisel, 
passam a não tolerar mais as violações de DH no Brasil, e a própria ditadura militar 
brasileira. Durante o governo do presidente Carter, nos EUA, discutia-se no congresso 
americano um projeto de lei que visava a suspensão da ajuda militar e econômica aos 
países que não promovessem os DH. Sentido-se afetado por essa discussão, repelindo 
qualquer ingerência interna, o presidente Geisel decide reagir, demonstrando que o Brasil 
não sucumbiria a pressões desse tipo, horas depois do conhecimento dessas discussões 
no congresso americano, teremos o rompimento histórico do acordo militar de 1952, 
denunciado unilateralmente pelo Brasil em 1977. Quando as pressões multilaterais 
aumentam, inclusive na ONU, o Brasil em 1977 entra para a comissão de direitos 
humanos da ONU.
Governo Figueiredo (1979 - 1985):
Contexto internacional, temos uma retomada das tensões de bipolaridade, denominada 
pelos historiadores como segunda guerra fria, que certamente vai influenciar as relações 
e a PE dos estados. Como exemplo de segunda guerra fria podemos citar a invasão da 
URSS ao Afeganistão, que vai desencadear uma série de respostas dos EUA, que vão 
boicotar as olimpíadas de Moscou nos anos 80. Em resposta, a URSS boicota as 
olimpíadas de Los Angeles em 1984. Teremos nesse período a retomada da intervenção 
americana na América Latina e no Caribe, é emblemática a intervenção norte-americana 
em Granada em 1983 para evitar a cubanização desse país caribenho. Tivemos uma 
série de guerras civis na América Latina influenciados pela guerra fria, como podemos 
lembrar da guerra civil na Nicaragua, onde teremos sandinistas de uma lado, com 
orientação marxista, e os contra de outro lado, patrocinados pelos EUA. Teremos ainda 
nos primeiros anos do governo Reagan o projeto Star Wars, que previa o estabelecimento 
no espaço sideral de tecnologia de defesa ante-mísseis.
Contexto interno, temos uma crise econômica severa. Estamos entrando na década 
perdida, com elevação dos juros e aumento da dívida externa. Temos ainda instabilidade 
política marcada pela pressão dos setores que visavam acelerar a reabertura política, 
emblemático o movimento das diretas já!, como também dos setores mais conservadores 
que não queriam a reabertura, com episódios marcantes como a explosão da bomba no 
shopping rio-centro, bomba na OAB, plano de explosão do gasômetro, visando boicota a 
reabertura.
Na PE, Figueiredo dá continuidade a linha autonomista e desenvolvimentista do governo 
anterior. Dá-se o nome de universalismo à PE de Figueiredo, conduzida pelo chanceler 
embaixador Saraiva Guerreiro.
América Latina: AL continua tendo destaque na PE, como exemplo temos o apoio 
brasileiro à ALADI (Associação Latino Americana de Integração) criada em 1980. Além 
disso, como sinal de proximidade entre AL e o Brasil, o apoio do Brasil a criação do grupo 
de contadora, 1983, (iniciativa centro-americana e caribenha) criado por Colômbia, 
Venezuela, Panamá e México, com o objetivo de contribuir para a estabilidade da América 
Central. O Brasil também participa do Consenso de Cartagena, 1984, parceria firmada 
pelos países latino-americanos como forma de ação coordenada para o enfrentamento da 
dívida externa (sem muito sucesso). Podemos citar ainda como exemplo, as visitas feitas 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
aos países da região, como visitas inéditas a Venezuela, Peru e Colombia. Em relação a 
Argentina, passa-se pela primeira vez a reconhecer uma estabilidade estrutural no diálogo 
entre os dois países marcada pela colaboração, termo consagrado pelo diplomata 
brasileiro Alessandro Warley Candeas. Um divisor de águas é o acordo tripartite de 1980, 
firmado pelo chanceler Saraiva Guerreiro, pondo fim a crise das hidrelétricas. Teremos 
ainda o acordo nuclear entre Brasil e Argentina também 1980. Durante a guerra das 
Malvinas, 1982, Brasil se mantém neutro no conflito, mas o Brasil faz tudo ao seu alcance 
para ajudar a Argentina, como a cessão de aeronaves e defendo o direito argentino de 
soberania sobre esses território, opondo-se ao EUA, que apoia a Inglaterra, marcando o 
fracasso total do TIAR, assim também como o Chile que dá apoio logístico aos britânicos 
permitindo o uso de seus território e espaço aéreo.
Empenho brasileiro com o diálogo com a África, sendo Figueiredo o primeiro presidente 
brasileiro a visitar a África, dando continuidade ao processo iniciado no governo anterior. 
No caso da África do Sul, teremos uma anulação nas relações comerciais com o país.
Teremos a URSS como ponto importante também, com acordos comerciais e técnico 
científicos, acordos que iram permitir o intercâmbio de pesquisadores e cientistas e 
recorde no fluxo de comércio bilateral no ano de 1983, só superado em 1997, com a 
Rússia.
Teremos também um destaque nas relações com a RPC, com uma visita inédita 
presidencial brasileira a China comunista. Nesse período, final de 70 e início de 80, a 
China esta iniciado sua política de reforma econômica, reconhecidas como políticas das 4 
modernizações (agricultura, indústria, infra-estrutura e tecnologia), implementadas por 
Deng Xiaoping.
Oriente Médio: Coincide com o governo figueiredo a guerra Irã-Iraque, em que o Brasil 
será importante parceiro do Iraque no conflito, vendendo armas (fundamentalmente 
veículos militares), mantendo a continuidade das relações intensas com a região.
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
Aula 3 - A Política Externa da Nova República (Sarney). Os anos 90 – autonomia pela 
participação. Os anos 2000 – autonomia pela diversificação
Governo Sarney (1985 - 1990)
Sarney assume no lugar de Tancredo Neves, que morre pouco antes de tomar posse. 
Governo de transição democrática, com dois grandes desafios de ordem política e 
econômica: compromisso com a recuperação das franquias democráticas (consagração 
do pluripartidarismo, fim da censura no plano político, convocação de uma assembleia 
constituinte, convocação de eleições diretas para presidente); enfrentamento da crise 
econômica com a elaboração de vários planos (cruzado, verão, bresser-pereira), não 
havendo sucesso (inflação mensal no final do governo Sarney era na ordem de 80%).
No plano de política externa:
Argentina: fortalecimento das relações com a Argentina, dando continuidade as ações do 
governo Figueiredo (principalmente o acordo tripartite, 1979). Podemos dar como 
exemplo a declaração ou ata de Iguaçu em 1985, que lança o compromisso de 
aprofundamento das relações econômicas e comerciais, sendo apontada peloestudiosos 
como o primeiro passo para o Mercosul; temos um novo acordo nuclear entre Brasil e 
Argentina no bojo da declaração de Iguaçu, sugerindo maior confiança mutua entre os 
dois países; temos um tratado de integração, cooperação e desenvolvimento de 1988 
(primeiro tratado de integração entre Brasil e Argentina), estabelecendo um prazo máximo 
de 10 anos para que se efetivasse o livre comércio. Havia uma relação de alinhamento 
entre os presidentes Sarney e Raúl Alfonsín, ambos presidentes civis pós-ditadura militar.
América Latina: ênfase nas relação com a América Latina. Em 1985 temos a criação do 
Grupo de Apoio a Contadora (Grupo de Contadora foi criado em 1983, sem a presença do 
Brasil e composto por Colombia, Venezuela, Panamá e México com objetivo de dar apoio 
aos países da América Central, que viviam um momento de grande instabilidade, por 
exemplo com o Sandinismo da Nicarágua). O Brasil, reconhecendo a importância do 
Grupo de Contadora, decide articular um grupo de apoio composto por Brasil, Argentina, 
Uruguai e Peru para dar sustentação política ao Grupo de Contadora. A participação no 
Grupo de Apoio reflete a preocupação do Brasil em relação a América Latina. Em 1986 
teremos a criação do Grupo do Rio, resultante da fusão dos dois grupos anteriores; grupo 
que existiu até final de 2011, quando foi efetivada a implementação da CELAC. Ainda 
1986, podemos citar a retomada de relações diplomáticas com Cuba (interrompidas 
durante o governo Castelo Branco) passando a defender desde então a reinserção de 
Cuba no Sistema Interamericano. Sarney também privilegia a América Latina através de 
visita a todos os países da América do Sul, além de países latinos, como México.
África: reforço das relações com a África. Temos em 1986 o lançamento da ZOPACAS 
(Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul), revitalizada recentemente no governo Lula, 
que promove a articulação de países da América do Sul com Países da Costa Ocidental 
da África. Também podemos falar em maior diálogo com os PALOP (Países Africanos de 
Língua Oficial Portuguesa), com a primeira cúpula de países de língua portuguesa em 
1989, na cidade de São Luis do Maranhão, levando a criação do Instituto Internacional de 
Língua Portuguesa (IILP), estabelecida na cidade de Praia, capital de Cabo Verde 
(instituto precursor da CPLP).Vale ressaltar o papel do ministro da cultura José Aparecido 
de Oliveira, mais tarde embaixador do brasil em Lisboa, na aproximação do brasil com os 
países de língua portuguesa. Em relação a África do Sul, durante o governo Sarney 
teremos um afastamento ainda maior em face da África do Sul por causa do Aphartaid, 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
como fator principal, mas também sobre o controle da Namíbia (profundamente 
censurado pelo Brasil). Presidente Sarney anuncia perante a ONU em 1985 a interrupção 
de toda e qualquer forma de cooperação cultural e esportiva com a África do Sul.
China: Estreitamento das relações com a República Popular da China, com a visita de 
Sarney a China comunista em 1988 e fechamento das bases do acordo CBERS (acordo 
na área de satélite). Brasil e China já lançaram 3 satélites com tecnologia binacional (um 
no governo FHC e 2 no governo Lula, previsão de novos no governo Dilma), sendo 
considerado por especialistas como o mais ambicioso acordo técnico científico entre dois 
países emergentes.
URSS: Podemos citar um acordo de longo prazo de cooperação em ciência, tecnologia, 
economia e comércio, firmado em 1987, por ocasião da visita do chanceler soviético 
Edward Shevardnadze. Sarney também faz uma viagem a URSS no final do governo em 
1989.
Europa: relações econômicas e comerciais difíceis com a comunidade europeia por conta 
da crise econômica no Brasil (crise da dívida: Brasil decreta a moratória em 1987). Há 
contudo adensamento nas relações políticas com os países europeus, graças ao 
processo de transição democrática.
EUA: encapsulamento de crises na relação com os EUA, conceito utilizado pelo 
embaixador Seixas Correa. Conceito que revela o entendimento brasileira de que 
desavenças eventuais com o governo americano não devem interferir na estrutura da 
relação como um todo. Teremos crises no plano comercial, em que o Brasil será colocada 
sob investigação na seção 301 do chamado American Trade Act (seção que pontua a 
sessão de comércio livre para aqueles que praticam comércio livre)., sendo um dos 
principais pontos da visita do presidente Sarney aos EUA. Podemos citar o caso das 
patentes farmacêuticas, em que o Brasil não se ajustava ao estabelecido pelos EUA no 
que tange a proteção de patentes; o Brasil também desagradou os EUA na promulgação 
da lei de informática que fazia reserva de mercado nacional para os produtos de 
informática e feria os interesses de livre mercado dos EUA. Podemos também citar 
diferenças na rodada Uruguai, com os EUA dando muita ênfase aos novos temas e o 
Brasil adotando uma postura mais conservadora. A moratória também é motivo de crise 
econômica com os EUA. O brasil de Sarney mantém uma postura autônoma e critica o 
intervencionismo americana, como no caso da intervenção no Panamá.
Outro ponto de interesse na PE de Sarney é a ideia de renovação de credenciais (termo 
utilizado pelo embaixador gilson fonseca junior), referindo-se aquilo que acontece na PE a 
partir do governo sarney, governo de transição democrática. A renovação de credenciais 
vem a ser a nova postura do Brasil na cena internacional, apresentando-se de forma mais 
cooperativa e positiva, revelando um novo perfil na cena internacional: no plano dos 
Direitos Humanos, Sarney anuncia a adesão brasileira à convenção de contra a tortura e 
inicia a ratificação dos pactos de Direitos Humanos da ONU de 1966 e no pacto de San 
José da OEA de 1969; também chama atenção o artigo 4 da CF de 88, que apresenta os 
princípios que regem as relações internacionais do Brasil, sendo o segundo principio a 
prevalência dos direitos humanos; a também sinal de renovação em relação ao Meio 
Ambiente, em que Sarney lança a proposta de cidade do Rio para sediar a conferencia da 
onu para meio ambiente.
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
Embora tenha tido muitas dificuldades na condução de questões internas políticas e 
econômicas, temos uma avaliação positiva do governo sarney em política externa, servido 
de pavimento para a política externa da década de 90.
Política Externa Brasileira nos anos 90 (Collor, Itamar e FHC)
Podemos dividir a PEB no período em 3 pilares:
1) Renovação de credenciais, com a aproximação brasileira dos regimes internacionais. 
Exemplos: 1992, ratificação dos pactos de Direitos Humanos da ONU de 1966 e do 
Pacto de San José de 1969; 1992, Brasil como sede da CINOMAD (RIO92); 1998, 
adesão brasileira ao TNP com 30 anos de atraso; 1998, adesão brasileira ao protocolo 
de Kyoto; 1998, Reconhecimento da jurisdição obrigatória da corte de San José (Corte 
Interamericana de Direitos Humanos); Nos anos 90 o Brasil adota a estratégia da 
autonomia pela participação em substituição a velha autonomia pela distância, 
conceitos do embaixador Gerson Fonseca. A renovação de credenciais é instrumental 
pra a estratégia da autonomia pela participação.
2) Integração regional, com ênfase integracionista na América Latina. Iniciativas 
anteriores foram a criação da ALALC em 1960 (governo JK) e a ALADI em 1980 
(governo Figueiredo), mas nada se aproximada aos anos 90, com o lançamento do 
Mercosul em 1991, estando sempre em prioridade da PEB desde então. É por meio da 
integração regional que o Brasil alcança uma maior inserção competitiva na economia 
mundial. No entanto, a estratégia integradora não se limita ao Mercosul: temos a ALSA 
(Área de Livre Comércio Sul-Americana) de 1993, proposta pelo presidente Itamar 
Franco, que não veio a prosperar; a partir de 1994, temos a proposta da ALCA (Área 
de Livre Comérciodas Américas), com o Brasil participando das negociações; teremos 
a percepção de que o governo FHC é inserido numa lógica de autonomia pela 
integração: conceito trabalhado pelo professor Tullo Vigevani, de SP. Sem dúvida, 
podemos dizer que a integração regional é fundamental para o Brasil na década de 90.
3) Multilateralismo. Não é uma novidade neste momento, mas é sem dúvida algo 
enfatizado e maximizado durante a década de 90. Podemos afirmar que o 
multilateralismo é fonte de legitimidade para as ações internacionais do Brasil, pois, por 
ser um pais que não tem excedentes de poder, é crucial que conquiste a legitimidade 
de suas ações, bem como a coerência de seus planos (afirmação do embaixador 
Gelson Fonseca Jr.). Podemos relacionar a lógica multilateral a inserção principista 
brasileira, que respeita os grandes princípios do direito internacional e do 
multilateralismo, defendo princípios como soberania, não-intervenção, solução pacífica 
de controvérsias, transparências, etc. Exemplos: participação em operações de paz; 
defesa da reforma da ONU e do Conselho de Segurança; a participação ativa na OMC, 
entre outros. O multilateralismo é a expressão jurídica da multipolaridade.
Muitos acusam o governo FHC de ser submisso ao governo americano. Na década de 90 
a PEB prioriza uma maior participação na cena internacional com a busca de credibilidade 
e legitimidade, mas sem alinhamentos ou relações especiais com quaisquer parceiros 
(como afirmava Amado Cervo).
Na relação com os EUA a autonomia aparece nas negociações da ALCA. No final do 
governo FHC, já se fazia duras críticas à ALCA por esta não atender aos interesses dos 
países sul-americanos.
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
Também não se pode falar em subserviência no governo Collor, mesmo a postura mais 
neoliberal do governo não é adotada para agradar os EUA.
Política Externa: Últimos 10 anos (Lula e Dilma)
Política externa do governo Lula (2002 - 2010)
No governo Lula temos a retomada de uma lógica desenvolvimentista, algo que não 
teve muito peso na década de 90, mas que apresentou precedentes em governos 
anteriores, nas décadas de 60 e 70. Lula assume um compromisso internacional com o 
desenvolvimento no combate a fome, a miséria, etc. Outro ponto é a lógica de um 
revisionismo soft: o Brasil defende uma nova ordem internacional com maior 
participação dos países emergentes, mas não se quer uma revolução (por isso soft). 
Abandona-se a perspectiva de confrontação, de ruptura Norte-Sul em favor de um diálogo 
construtivo Norte-Sul, de modo a consolidar novas estruturas de governança global 
menos assimétricas. O Sul tem uma presença muito mais forte do que na década de 
60/70, que busca se consolidar e ganhar espaço no cenário internacional.
Por isso não podemos compara a PE de Lula com a PEI e com o pragmatismo 
responsável, há semelhanças mas também diferenças. Podemos dividir as iniciativas de 
PE em 4 iniciativas principais:
Desenvolvimento: assumir responsabilidades no combate a fome e a pobreza. Temos 
como exemplo as ações brasileira no continente Africano: Embrapa e Fiocruz na África; 
Fundo IBAS, que destina recursos a países menos avançados (Haiti, Palestina e Guiné-
Bissau); também temos o perdão de dívidas como fator importante.
Cooperação Sul-Sul: ênfase na articulação de grupo de concertação entre países 
emergente para ganhar presença e legitimidade. Nos 8 anos de governo Lula, o Brasil foi 
o principal articulador de grupos variados: G-20 (OMC 2003), IBAS (2003), BRICS (2008), 
BASES (2009); atendendo aos interesses de maior participação internacional e maior 
legitimidade de suas ações. A cooperação Sul-Sul hoje não se limita a uma atuação 
defensiva e demandante mas revelando postura pró-ativa, cooperativa e propositiva.
Diversificação de parcerias. Nos remete a governos anteriores (PEI, pragmatismo 
responsável de Geisel, Universalismo de Figueiredo), mas nunca chegamos ao ponto em 
que estamos hoje. O Brasil tem atualmente relações diplomáticas com todos os membros 
da ONU (meta atingida já no final do governo Lula); temos durante o governo Lula a 
abertura de 30 embaixadas. O comércio brasileiro com os países do Sul já superam o 
comércio com os países do Norte. Não se trata de motivação ideologia apenas, mas de 
pragmatismo visando dar maior estabilidade as relações comerciais brasileiras. Também 
reflete a vocação universalista da política externa brasileira: o Brasil não exclui qualquer 
parceria, mesmo aquelas de países que não possuem afinidades políticas, ideológicas e 
culturais com o Brasil. Tivemos críticas ao governo nas visitas de Lula a Guiné Equatorial 
e Burkina Faso (regimes não democráticos); encontros com Gaddafi, Cuba, Ahmadinejad, 
com visita ao Irã, reconhecimento da palestina como Estado, etc. O Brasil reconhece que 
é através do diálogo que se pode colaborar para o desenvolvimento desses países e até 
mesmo para a democracia e maior respeito aos direitos humanos.
Democratização dos fóruns internacionais: defesa da reforma do Conselho de Segurança 
na ONU, e defesa da redefinição das cotas no FMI e Banco Mundial. O Chanceler Celso 
Amorim falava em multilateralismo de reciprocidade. O Brasil defende via G4 a presença 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
de 6 novos membros permanentes no CSONU, dos quais 4 seriam para países 
periféricos. Do mesmo modo, o Brasil defende uma reforma no FMI, conseguindo uma 
reforma em 2010 com o aumento do peso das cotas da China, Brasil, Rússia e África do 
Sul. Essa democratização é base para a legitimidade desses fóruns. Como exemplo de 
conquista de democratização é o G20 financeiro, que já existia desde 1999, passa a ser o 
foro principal em 2009 para discutir assuntos financeiros, em substituição do G8.
Durante o governo Lula, o Brasil ganha presença na cena internacional pautando-se pela 
não diferença e pela disposição em assumir crescentes responsabilidades. Celso Amorim 
afirmava que não é por causa de sermos pobres que devemos ser indiferentes. 
Disposição também para assumir responsabilidades em outras frente: como a 
participação brasileira no comando militar do MINUSTAH (desde abril de 2004); 
capitalização brasileira ao FMI; participação nas questões climáticas. Isso leva a algumas 
situações curiosas, como a oferta brasileira de ajuda na questão do estado Palestino: 
tivemos em jan de 2009 uma viagem de Celso Amorim a região durante o conflito Israel-
Hamas; tivemos em 2010 uma viagem de Lula a região, também oferecendo o Brasil 
como possível mediador. Também tivemos a participação brasileira nas negociações com 
o Irã em torno do programa nuclear iraniano.
Governo Dilma (2011 - x)
Governo que adota lógica de continuidade em face do governo anterior, preservando as 
principais iniciativas de política externa. Então reconhecemos também os mesmos pilares 
do governo Lula: desenvolvimento ativo, lógica da cooperação Sul-Sul, lógica da 
diversificação de parcerias e lógica de democratização de fóruns.
Podemos reconhecer alguns momentos marcantes desse início de governo: viagem a 
Argentina em jan de 2011; viagem de Obama ao Brasil em mar de 2011; a viagem a China 
em abr de 2011, IV cúpula do BRICS; discurso na Assembleia Geral da ONU em set de 
2011; a V cúpula do IBAS em out de 2011; a 4ª cúpula do BRICS em mar de 2012; a 5ª 
cúpula do BRICS em mar de 2013; VI cúpula do IBAS em jun de 2013.
A visita a Buenos Aires serviu para afirmar a prioridade da Argentina na Política Externa, 
sendo a Argentina o terceiro maior parceiro comercial.
A visita de Obama, antes de Dilma visitar os EUA, significou o reconhecimento de um 
Brasil fortalecido. Afirmou em seu discurso que os EUA já deveriam olhar para o Brasil 
como já olha para China e Índia, devendo haver entre Brasil e EUA uma relação entre 
iguais; declarou inclusive simpatia pelo pleito brasileiro como membro permanente noCSONU.
A viagem a China para participar da reunião de cúpula do BRICS, aproveitando para 
estreitar os laços comerciais com a China, negociando pragmaticamente os 
investimentos chineses mais diversificados, negociando-se a criação de montadoras 
chinesas e a fabricação de tablets no Brasil. A China é desde de 2009 o maior parceiro 
comercial do Brasil, seguido dos EUA.
O discurso na ONU foi marcante por ser a primeira vez que uma mulher fazia o discurso 
de abertura (o Brasil sempre tem a honra de abrir os trabalhos). Um dos pontos 
importantes foi a ideia de responsabilidade ao proteger, que complementa a lógica 
estabelecida pela responsabilidade de proteger. A responsabilidade de proteger é do 
Estado e caso este não o faça, esta passará à comunidade internacional, conceito 
desenvolvimento pelo ex-chanceler australiano Gareth Evans. Diante de excessos 
cometidos na Líbia pela OTAN, Dilma apresentou o conceito de responsabilidade ao 
proteger, dizendo que a responsabilidade não deve se limitar ao lançamento da proteção, 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
mas também deve ser observada durante o exercício da proteção, podendo ser uma 
grande contribuição do Brasil para a segurança internacional.
Presença na cúpula do IBAS, onde reafirmou a importância do fórum IBAS e a 
necessidade de reforma do CS ONU e do FMI e Banco Mundial; necessidade do FMI 
fiscalizar as contas dos países ricos; seguida de viagem a Angola.
Presença na cúpula do BRICS, servindo para os cinco países defenderem as reformas do 
FMI, ainda não implementadas, sendo notável uma maior articulação entre os Bancos de 
Desenvolvimento Nacionais, com o objetivo de melhorar os indicadores sociais.
A presidente Dilma logo após a eleição e antes da posse já havia dado declarações sobre 
a postura do Brasil diante do regime internacional do direitos humanos, afirmando a 
importância dos direitos humanos na PEB e a importância do Brasil ter uma postura mais 
dura e mais crítica em relação a violação dos DH. Logo após a posse o Brasil de fato 
começou a mostrar algumas posições que não ocorreram no governo Lula, mostrando-se 
mais disposto a apoiar condenações. No entanto continua a priorizar o diálogo, sendo as 
sanções adotadas em última medida. Como exemplo, temos o voto a favor da suspensão 
da Líbia do Conselho de Direitos Humanos da ONU; o Brasil apoio o envio de um relatório 
especial para avaliar a situação dos direitos humanos no Irã.
Falou-se também em mudança de posicionamento em relação ao Irã, mas o Brasil 
continua defendendo o direito do Irã de desenvolver tecnologia nuclear para fins pacíficos.
Aula 4 - Organizações Internacionais
Conceito
Organizações internacionais são um tipo ou espécie de instituição internacional. Logo não 
são sinônimo de instituição internacional, são uma espécie de instituição internacional, 
sendo todo e qualquer mecanismo que promove a interação entre Estados com vista a 
alcançar a estabilidade internacional. Podemos considerar como instituição internacional: 
o direito internacional, sistematizado ainda no séc. XVII pelo holandês Hugo Grócio, a 
diplomacia, o comércio internacional, a guerra e as Organizações Internacionais, entre 
outros.
Podemos afirmar que as organizações internacionais são dotadas de grande 
institucionalização, apresentado variáveis próprias que não se observam em outras 
instituições internacionais. Toda e qualquer OI possui: sede, aparato burocrático, carta 
constitutiva (podendo ser um tratado internacional), orçamento, órgão representativo, etc.
Existem fundamentalmente dois tipo de OI: de caráter governamental (ONU, OEA, OTAN, 
União Europeia, Mercosul, OMS, OIT), representadas por seus Estados e governos; e as 
não-governamental (GreenPeace, WWF, Human Right Wacth), não compostas por 
Estados e de caráter privado.
Histórico
As primeiras organizações internacionais surgem na segunda metade do século XIX. 
Podemos reconhecer no final do século XIX as uniões públicas internacionais. Em 1865, 
surge a União Internacional de Telégrafos (atual União Internacional de 
Telecomunicações), e em 1871, nasce a UPU (União Postal Universal), no contexto do 
avanço das telecomunicações e transportes gerando a necessidade de negociação entre 
Estados. Pouco tempo depois, temos o surgimento de OI para conter as epidemias, 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
também influenciado pela evolução dos transporte com fluxo crescente e acelerado de 
pessoas, inclusive para locais mais remotos.
Podemos citar também o surgimento da cruz vermelha que surge em 1864 a partir dos 
esforços de um banqueiro suíço, Jean Henri Dunant, que testemunha a Batalha de 
Solferino (1959), organizando de imediato um serviço de primeiros socorros, nascendo 
anos depois a Cruz Vermelha. A cruz Vermelha também dá origem a uma organização 
irmã chamada crescente vermelho para permitir o acesso a países não cristãos. Muitos 
autores do Direito Internacional negam a posição da Cruz vermelha como organização 
internacional, mas em Política Externa esta é considerada a primeira organização 
internacional não-governamental.
Ainda no final do século XIX e início do século XX, temos o início das conferências de 
Haia. Tivemos duas conferências de Haia (1899 e 1907), uma terceira era prevista para 
1915, mas não ocorreu devido a IWW. Embora não sejam propriamente OIs, eram 
conferência dedicadas a paz, sendo as primeiras conferências de paz em tempos de paz. 
As conferências de Haia, não possuem características suficientes para serem 
consideradas uma OI. Falta-lhes uma carta constitutiva e aparato burocrático suficiente, 
embora tenha sede e representatividade dos Estados. No entanto são os primeiros 
esforços mais significados no início do séc. XX para tentar discutir a paz em termos 
interestatais. Na segunda conferência de Haia, uma das figuras mais importantes é Rui 
Barbosa, defendendo a igualdade soberana entre as nações quando se discutia uma 
corte internacional de arbitragem, valendo a Rui Barbosa o título de águia de Haia.
Liga das Nações
A primeira organização internacional governamental devotada a causa da paz será a Liga 
das Nações criada em 1919, vai existir oficialmente até 1947. É criada pelo artigo primeiro 
do Tratado de Versalhes (tratado de paz que impõe uma série de humilhações a 
Alemanha). A liga é idealizada por Woodrom Wilson, presidente dos EUA, nos quatorze 
pontos de Wilson. O décimo quarto ponto de Wilson propunha a criação de uma 
Sociedade das Nações. A liga tem como objetivo principal a promoção da paz e da 
segurança internacionais, buscando evitar uma nova guerra mundial. Atuaria como um 
sistema de segurança coletiva, articulando esforços coletivos no combate a determinadas 
agressões aos países; é fundamentalmente um instrumento de persuasão. A Liga vai se 
empenhar também no controle de armamentos (proibindo bombardeios aéreos, utilização 
de armas químicas, etc). Consagra a diplomacia pública, também prevista nos 14 pontos 
de Wilson; a diplomacia secreta, prática comum na Europa, é considerada um dos fatores 
que contribuíram para a primeira guerra.
Na Liga também reconhecemos outros objetivos, como o controle do tráfico de 
entorpecentes (combate ao ópio como grande desafio); oferecer proteção a minorias e 
refugiados (divisão do império astro-húngaro); sistema de mandatos, voltado para os 
territórios não independentes (seriam entregues para administração de potências, se 
tornando territórios mandatários);
Fragilidades da Liga das Nações
Falta de universalismo: embora tenha chegado a 60 países membros, faltava-lhe 
representatividade. Podemos observar isso com a não participação dos EUA, com o 
tratado de Versalhes não sendo ratificado pelo senado americano. A Alemanha, mesmo 
derrotada na primeira guerra, era a potência mais forte política e economicamente, sendo 
impedida de participar da Liga das Nações como punição.A Alemanha só entra na Liga 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
em 1926, após o tratado de Locarno. Quando a Alemanha entra, o Brasil sai, pois o 
assento permanente pleiteado pelo Brasil é cedido a Alemanha. A União Soviética só 
entra na década de 30, sendo expulsa logo depois devido a crise com a Finlândia. 
Faltando representatividade, também falta legitimidade.
As decisões tomadas por consenso: o consenso atribui poder de veto a todos, 
provocando uma paralisia em questões de paz. A ONU vai aprender com isso, dando o 
poder de veto no CS apenas para 5 países potência.
As decisões tomadas pela liga não tinham força vinculante: o que era decidido possuía 
apenas caráter recomendatório. O objetivo era não ferir a soberania dos estados.
A Liga era toothless: falta-lhe o poder de impor sanções.
Inércia da Liga: podemos reconhecer a inércia da Liga em momentos como o avanço 
alemão sobre a Tchecoslováquia, diante da invasão Japonesa sobre a Manchúria, diante 
do avanço italiano no norte na África (Etiópia). A inércia é fatal, levando a II WW.
Uma observação importante é um menor entendimento entre França e Grã-Bretanha 
sobre o papel da Liga das Nações, provocando a ruína da Liga. A frança é a grande 
responsável pelo tratado de Versalhes, impondo duras penas a Alemanha (proibição de 
ter exército profissional, pesada indenização sobre a forma de carvão, a perda das 
colônias, a proibição de entrada na Liga, artigo de culpa de guerra, etc), o que com o 
tempo passa a ser questionado pela Inglaterra. Os britânicos também consideram como 
letra morta o artigo de desarmamento já que apenas a Alemanha havia sido obrigada a se 
desarmar, decidindo não fazer nada quando esta volta a ser armar. Os britânicos também 
reconhecem em determinadas inversões da Alemanha o princípio de autodeterminação 
dos povos, presente no tratado de Versalhes, argumento usado pela Alemanha na 
invasão da Tchecoslováquia e Áustria buscando a unificação germânica. O melhor A 
política de apaziguamento, lançada por Neville Chamberlain, primeiro ministro britânico, 
prevê nada fazer diante do avanço alemão: em nome da paz, deveria-se evitar qualquer 
medida de contenção a Alemanha, pois essas medidas levariam a guerra contra a 
Alemanha. O que esta por trás da política de apaziguamento é levar a Alemanha contra a 
União soviética, não prevendo a astúcia de Hitler que propõe um pacto de não agressão 
com a União Soviética.
Antecedentes para a ONU
Em 1941, teremos a Carta do Atlântico, assinada por Churchill e Roosevelt, pontua uma 
série de princípios que estaria presente mais a diante na carta de São Francisco.
Em 1942, teremos a Declaração das Nações Unidas, assinada por 26 Estados, 
comprometendo-se na guerra contra o Eixo (Berlim-Roma-Tóquio), Brasil não participa 
ainda da declaração.
Em 1943, teremos a conferência de Moscou, com a participação de 4 Estados (EUA, Grã-
Bretanha, União Soviética e China), assumindo-se o compromisso com a criação de uma 
nova organização internacional para substituir a Liga das Nações.
Em 1944, teremos a conferência de Dumbarton Oaks, com a participação dos EUA, União 
Soviética e China, onde vai se rascunhar a carta de Sao Francisco. Nessa conferência 
Roosevelt propôs o Brasil como sexto membro permanente na ONU.
Em 1945, teremos a conferência de Yalta, na Crimeia, conta a presença dos EUA, União 
Soviética e Grã-Bretanha, decidindo-se pelo veto por exigência da União Soviética.
Em abril de 1945, teremos a conferência de São Francisco, em que teremos a 
oficialização da Carta de São Francisco. Participa da conferência 50 países, incluindo o 
Brasil. No entanto, não houve a discussão do conteúdo da carta, apenas a adesão dos 
Estados. A ONU entra em funcionamento no dia 24 de outubro e 1945, com 51 membros 
(a polônia assina a carta no período, mesmo não participando da conferência).
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
Objetivos da ONU
Artigo 1º da Carta da ONU
Os objectivos das Nações Unidas são:
1. Manter a paz e a segurança internacionais e para esse fim: tomar medidas colectivas eficazes para 
prevenir e afastar ameaças à paz e reprimir os actos de agressão, ou outra qualquer ruptura da paz e 
chegar, por meios pacíficos, e em conformidade com os princípios da justiça e do direito internacional, a um 
ajustamento ou solução das controvérsias ou situações internacionais que possam levar a uma perturbação 
da paz;
2. Desenvolver relações de amizade entre as nações baseadas no respeito do princípio da igualdade de 
direitos e da autodeterminação dos povos, e tomar outras medidas apropriadas ao fortalecimento da paz 
universal;
3. Realizar a cooperação internacional, resolvendo os problemas internacionais de carácter económico, 
social, cultural ou humanitário, promovendo e estimulando o respeito pelos direitos do homem e pelas 
liberdades fundamentais para todos, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião;
4. Ser um centro destinado a harmonizar a acção das nações para a consecução desses objectivos 
comuns.
A Carta da ONU é o primeiro tratado internacional da história que apresenta de forma 
ampla o compromisso com os Direitos Humanos lato sensu. Já existiam compromissos 
com categorias dos Direitos Humanos, a OIT fundada em 1920 se preocupa com os 
direitos trabalhista apenas.
Princípios da ONU
Artigo 2º da Carta da ONU
A Organização e os seus membros, para a realização dos objectivos mencionados no artigo 1º, agirão de 
acordo com os seguintes princípios:
1. A Organização é baseada no princípio da igualdade soberana de todos os seus membros;
2. Os membros da Organização, a fim de assegurarem a todos em geral os direitos e vantagens resultantes 
da sua qualidade de membros, deverão cumprir de boa fé as obrigações por eles assumidas em 
conformidade com a presente Carta;
3. Os membros da Organização deverão resolver as suas controvérsias internacionais por meios pacíficos, 
de modo a que a paz e a segurança internacionais, bem como a justiça, não sejam ameaçadas;
4. Os membros deverão abster-se nas suas relações internacionais de recorrer à ameaça ou ao uso da 
força, quer seja contra a integridade territorial ou a independência política de um Estado, quer seja de 
qualquer outro modo incompatível com os objectivos das Nações Unidas;
5. Os membros da Organização dar-lhe-ão toda a assistência em qualquer acção que ela empreender em 
conformidade com a presente Carta e abster-se-ão de dar assistência a qualquer Estado contra o qual ela 
agir de modo preventivo ou coercitivo;
6. A Organização fará com que os Estados que não são membros das Nações Unidas ajam de acordo com 
esses princípios em tudo quanto for necessário à manutenção da paz e da segurança internacionais;
7. Nenhuma disposição da presente Carta autorizará as Nações Unidas a intervir em assuntos que 
dependam essencialmente da jurisdição interna de qualquer Estado, ou obrigará os membros a 
submeterem tais assuntos a uma solução, nos termos da presente Carta; este princípio, porém, não 
prejudicará a aplicação das medidas coercitivas constantes do capítulo VII.
Exceção ao item 4 é o artigo 51, que permite o uso da força diante de uma agressão 
externa (legítima defesa, individual ou coletiva). No entanto, os Estados também podem 
usar a força quando convocados pelo conselho de segurança, como foi por exemplo na 
guerra do Golfo, em 1990; nas ações da OTAN na Líbia, em 2011. A invasão dos EUA no 
Iraque não foi nenhum dos dois casos, sendo abuso de poder.
O item 7 é um corolário do princípio de soberania. A exceção é o capítulo VII, das 
sanções.
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
Órgãos da ONU
Artigo 7º
Ficam estabelecidos como órgãos principais das Nações Unidas: uma Assembleia Geral, um Conselho de 
Segurança, um Conselho Económico e Social, um Conselho de Tutela, um Tribunal  Internacional de Justiça 
e um Secretariado.
Poderão ser criados, de acordocom a presente Carta, os órgãos subsidiários considerados necessários.
Não existe hierarquia entre esse seis principais órgãos.
Assembleia Geral (AGNU)
Composta por todos os Estados membros da ONU, cada um com um voto (princípio da 
igualdade soberana). Isso significa dizer que independente do poder militar, político e 
econômico, todos são iguais no AGNU.
Tem como funções principais: fazer recomendações sobre qualquer questão prevista na 
Carta de São Francisco (inclui também assuntos relativos a paz e segurança). Não é 
válida a ideia de que o AGNU não pode aprovar resoluções sobre paz e segurança, no 
entanto essas resoluções são apenas recomendações, não tendo o caráter obrigatório 
das resoluções do CS.
Art 12 versa que o AGNU deve se abster de fazer recomendações sobre assuntos 
tratados pelos CS. O objetivo não é criar uma relação hierárquica, mas sim evitar uma 
contradição entre os dois órgãos.
Cabe também à AGNU eleger os membros do rotativos do CS, os membros do ECOSOC 
e os juízes da CIJ (neste caso, juntamente com o CS). Cabe também à AGNU nomear o 
secretário-geral (o nome é proposto pelo CS, mas a nomeação é feita pelo AGNU).
Resolução United for Peace, resolução 344 de 1950, também conhecida como resolução 
Ben Acson, secretário e estado do governo Truman responsável por formulá-la. Essa 
resolução é aprovada na AGNU durante a guerra da Coréia em 1950. A guerra da Coréia 
eclodiu em torno do paralelo 38, que dividia as duas coréias, quando as tropas 
comunistas da coréia do norte invadem a coréia do sul, acionando a ONU. Nesse 
momento a URSS esta boicotando o CS por não reconhecer a revolução Maoísta na 
China, que conta apenas 4 membros permanentes (EUA, Franças, Reino Unido e 
República da China - Taiwan), aprovando-se a intervenção militar. No entanto, em seguida 
a URSS volta ao CS para evitar que a intervenção militar ocorra. Diante do mais que 
previsível veto da URSS, Ben Acson propõe uma resolução em que possibilita a AGNU 
tomar para sí um assunto que esta paralisada no CS (burlando o Art 12), visando dar 
continuidade à ação militar pela ONU.
Este artigo é invocado poucas vezes. Guerra da coréia, crise de Suez em 1956, uma 
guerra no Congo em 1960 e outras poucas vezes, caindo em desuso na década de 1960.
Com a mudança da AGNU na década de 60, com a entrada de um grande número de 
países da África e da Ásia, nenhum país do CS passa a ter maioria no AGNU para apoiar 
suas propostas. Foi feito um acordo de cavalheiros em que os países do CS se 
comprometem a nunca mais invocá-la.
 Processo decisório
Existem dois córums possíveis: dois terços para assuntos considerados importantes e 
maioria simples para os demais assuntos. Embora não esteja explícito o que seriam 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
assuntos importantes, alguns temas já foram consagrados na prática pela votação em 
dois terços: assuntos de paz e segurança, entrada de novos membros e votação do 
orçamento por exemplo. No entanto pode causar certa insegurança, como no caso da 
aprovação de novos membros que nem sempre foi de dois terços, sendo proposta uma 
alteração dos EUA no momento do reconhecimento da China Comunista (que só passa a 
ser reconhecida em 1971).
Conselho de Segurança (CS)
O CS é composto por 15 membros: 5 permanentes (EUA, Reino Unido, França, China e 
Rússia) e 10 rotativos que cumprem mandatos de 2 anos não renováveis. O Brasil, 
juntamente com o Japão, é o país que mais vezes ocupou o assento rotativo.
Tem como função aprovar resoluções vinculantes sobre questões relativas a paz e a 
segurança (diferente da liga das nações e da AGNU). Cabe também ao CS participar da 
escolha dos 15 juízes da CIJ e propor o nome do Secretário-geral, entre as funções mais 
importantes.
 Processo decisório
Previsto no artigo 26: necessidade de nove votos para as chamadas questões 
processuais ou procedimentais e nove votos incluindo os P5 para as questões de fundo 
ou substantivas. No primeiro caso, percebe-se que não há veto. Só existe a possibilidade 
de veto na exigência dos P5 nas matérias substantivas.
Consenso ou unanimidade do P5: no consenso não exige voto negativo do P5, já a 
unanimidade exige o sim dos P5. Pela prática, o que vale é o consenso, sendo possível a 
abstenção de membros permanentes. Por exemplo a resolução 1973 de 2011 relativa ao 
uso da força na Líbia, em que temos abstenções da Rússia e China, além de Brasil, 
Alemanha e Índia, mesmo assim sendo aprovada. Muito embora a leitura do artigo da 
carta de São Francisco dá a entender que seja unanimidade (votos afirmativos), fazendo-
se uma interpretação contra lege (contra o que esta escrito), também iniciado durante a 
guerra da Coréia.
Conselho Econômico e Social (ECOSOC)
É composto por 54 membros com funções de fazer recomendações e iniciar atividades 
sobre temas econômicos e sociais, por exemplo desenvolvimento sustentável, direito da 
mulher, comércio internacional, entorpecentes, etc.
Outra função é de coordenar as atividades das agências funcionais (organizações 
especializadas): FMI, Banco Mundial, FAO, Unesco, UPU, UIT, etc.
Ressalta-se que a ECOSOC não consegue cumprir bem nenhum dos dois papéis: no 
primeiro caso pela concorrência com outros órgãos mais especializados da ONU e no 
segundo caso porque não tem ascendência hierárquica sobre as agências funcionais. 
Corte Internacional de Justiça (CIJ)
Composta por 15 juízes escolhidos a título pessoal para mandatos de 9 anos renováveis 
por igual período. Estes juízes não tem vínculo com o país.
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
Funções consultivas e contenciosa. A primeira visa esclarecer dúvidas sobre alguma 
norma ou tratado internacional, a segunda visa resolver conflitos.
As decisões tomadas pela CIJ só terão ação vinculante aos países que assinaram a 
cláusula facultativa (não é o caso do Brasil). É possível que um estado não membro da 
ONU, possa assinar o estatuto da corte podendo fazer uso da CIJ.
Secretariado
É o aparato burocrático da ONU (composto por 25000 funcionário), chefiado pelo 
secretário-geral em um mandato de 5 anos, renováveis por mais 5. A função principal do 
secretariado é dar assistência aos demais órgãos da ONU, administrando suas políticas e 
programas. Possui poderes (art 99) para levar qualquer questão que julgue importante 
para apreciação do CS.
Conselho de Tutela
Não atua mais. É um órgão histórico (previsto no cap. 13), com último atuação em 1994, 
cabendo a ele cuidar do processo de independência dos territórios tutelados, com a 
independência o último território tutelado - Palao - em dezembro de 1994.
Aula 5 - ONU
Com o fim da guerra fria temos uma perspectiva mais otimista, dentro da tendência 
neoliberal. Francis Fukuyama desenvolve a tese “O fim da história”, em que defende que 
estaríamos entrando numa fase definitiva da história, com todos os países evoluindo para 
uma democracia liberal capitalista, não havendo espaço, portanto, para conflito entre 
países.
A ONU tenta se encaixar nesse contexto já otimista e acredita que poderia finalmente 
desempenhar as suas funções. Dentro dessa perspectiva, reconhecemos o artigo de 
Boutros Boutros-Ghali, Secretário-Geral da ONU, na revista Foreign Affairs intitulado 
empowering the UN (1992). Na década de 90, percebe-se uma maior ênfase da ONU nos 
temas sociais, caracterizada como década das conferências: 1990 - Conferência sobre os 
direitos das crianças, realizada em Nova Iorque; 1992 - Conferência sobre meio ambiente 
e desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro; 1993 - Conferência sobre direito 
humanos, realizada em Viena; 1994 - Conferência sobre população, realizada no Kali; 
1995 - Conferência sobre os direitos da mulher, realizada em Beijing e Conferência sobre 
desenvolvimento social, realizada em Copenhagen; 1996 - Conferência sobre 
assentamentos humanos (ONU-HABTAT), realizadaem Istambul;
Essa década das conferências vai deixar um legado conceitual utilizado pela ONU até 
hoje: Desenvolvimento social ou humano, embora a ideia de desenvolvimento não seja 
um conceito novo, remontando aos primórdios da criação da ONU, o conceito de 
desenvolvimento social ou humano trás uma nova dimensão de desenvolvimento para a 
ONU, que passa a se preocupar com um desenvolvimento mais amplo, além do 
desenvolvimento meramente econômico. Em 1990, teremos o surgimento do IDH, da obra 
de Amartya Sen. Também nessa época se destaca a ideia de desenvolvimento 
sustentável, não surgindo na década de 90 - aparecendo primeiramente em 1987 no 
relatório “Nosso futuro comum” ou Relatório Brundtland. No entanto, a partir da RIO92 é 
que o conceito é consagrado, assumindo-se um compromisso com as gerações futuras ao 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
incentivar a exploração dos recursos naturais sem esgotá-los. Outro conceito 
interessante, legado da década de 90, é o conceito de Segurança Humana, que passa a 
estar centrada no indivíduo, na pessoa humana. A ONU e a comunidade internacional não 
devem se limitar a proteger o Estado, sua integridade territorial ou sua soberania, mas 
também devem se preocupar com a pessoa humana que vive dentro daquele Estado. 
Isso significa dizer na prática que no caso de um eventual choque ou embate entre 
Estado e indivíduo, cabe a ONU priorizar a figura do indivíduo. Passa a ser plausível 
desde a década de 90 a promoção de intervenções de força dentro dos Estados a revelia 
desses Estados (em casos excepcionais, como genocídio). Podemos perceber nos 3 
conceitos a prioridade da ONU a uma agenda mais social, dando ênfase a prioridade 
humana.
O conceito de segurança humana também modifica a agenda tradicional da ONU sobre 
segurança internacional. Com o fim da guerra fria, percebe-se novas ameaças no plano 
de segurança internacional: avanço de conflitos étnicos, conflitos nacionalistas, 
rivalidades tribais ou religiosas, terrorismo transnacional, narcotráfico, crime organizado 
internacional, degradação ambiental, pobreza, entre outros pontos. A segurança 
internacional deixa de estar ligada aos temas tradicionais que justificam conflitos e 
guerras, passa a haver uma perspectiva de segurança internacional que vai muito além 
das análises de Clausewitz em sua obra clássica sobre a guerra. Vemos uma série de 
rivalidades e tensões de caráter intraestatais, não implicando no fim dos conflitos 
interestatais (em meados de 2008 tivemos uma guerra entre Rússia e Geórgia), mas sim 
uma multiplicação dos conflitos intraestatais, levando a instabilidades internas. 
Teremos uma mudança no perfil da ONU e o surgimento de algumas novidades 
conceituais e práticas que acabam guiando o funcionamento da organização de lá para 
cá. Um dos primeiros esforços da ONU para se adaptar a essa nova realidade 
internacional, foi em 1992 com a chamada agenda para paz: documento produzindo pelo 
Secretário geral Boutros Boutros-Ghali, com o objetivo de ajustar a ONU a nova realidade 
internacional, introduzindo conceitos e instrumentos que permitiriam a ela ter um papel 
protagônico na nova ordem mundial, estando capacitado para lidar com os novos desafios 
e ameaças.
Cinco conceitos chaves da agenda para paz: diplomacia preventiva, peacemaking - 
promoção da paz, peacekeeping - manutenção da paz, peace-enforcement - imposição 
da paz, peacebuilding - consolidação ou construção da paz.
Diplomacia preventiva: se remete as ações da ONU de caráter preventivo, ou seja, a ONU 
deve se valer de todos os meios diplomáticos a disposição para evitar que eventuais 
rivalidades ou tensões desemboquem em eventuais conflitos.
Peacemaking: ações de promoção da paz em casos de guerra, em que a ONU deve 
buscar soluções que levem os lados conflituosos a um acordo de paz.
Peacekeeping: caso já tenha havido um acordo de paz, teremos ações para manter a 
paz. Ações tradicionalíssimas da ONU, remontando a década de 50, com a primeira 
operação de paz da ONU em Suez em 1956, conceito que será incorporado na agenda 
para paz. Objetivo principal de evitar a retomada do conflito, fazendo-se cumprir os 
acordos de cessar fogo. É por isso que os integrantes de uma peacekeeping corporation - 
PKC portam armamento que o uso só esta autorizado para uso de defesa, só podendo 
ser deslocada após consentimento das partes envolvidas no conflito. No plano prático, 
temos a Somália reconhecemos um Estado falido onde temos dezenas de clãs lutando 
pelo poder. É inviável solicitar autorização ou consentimento para dar início a uma ação 
de defesa da paz. Neste caso, vinculando-se ao capítulo sete, temos aqui a dispensa de 
obrigatoriedade do consentimento das partes.
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
Peacebuilding: ações que visam superar a lógica da ação imediata de fazer a paz, criando 
uma situação duradoura, mantendo-se o tempo necessário para lançar base para uma 
paz. Temos uma ação multidisciplinar, com um efetivo que não se limitar a militares e 
policiais, mas também por professores, engenheiros, médicos, políticos, diplomatas, etc. 
que orientem no processo de construção e desenvolvimento da paz nesses países. Em 
2006, surge a comissão para construção da paz (peacebuilding comission), chefiado 
inicialmente pelo Brasil. A ação do Brasil no Haiti se encaixa na lógica do peacebuilding, 
que busca o compromisso com a paz e o desenvolvimento do Haiti.
Peace-enforcement: o capítulo 7 da carta da ONU é criado para lidar com conflitos 
interestatatais. O que se usa do capítulo sete para lidar com conflitos intraestatais são 
conceitos fabricados na década de 90 que tenta fazer uma ponte entre as novas ameaças 
e a lógica do capítulo sete. Por exemplo: 
Conceito de direito de ingerência: surge ainda na década de 90 e afirma que a 
comunidade internacional tem o direito de ingerência diante de genocídios (o próprio 
estado é o agente responsável pela eliminação de minorias étnicas ou religiosas) e 
estados falidos (estados em que falta o controle da ordem interna ou que o governo não é 
capaz de manter o controle da ordem interna, perdendo na prática sua soberania), como 
a Somália e o Haiti.
No início do ano 2000, surge o princípio de responsabilidade de proteger (R2P), conceito 
criado pelo ex-chanceler australiano Gareth Evans, derivado do conceito anterior de forma 
mais branda, afirmando que a responsabilidade primária de proteger o indivíduo é do 
Estado, passando subsidiariamente a comunidade internacional no caso de não 
cumprimento dessa responsabilidade pelo Estado. O Brasil sempre demonstrou 
preocupação com o uso do peace-enforcement, sempre evitou participar de operações de 
paz pautadas no capítulo sete (operações de paz robustas). Em setembro de 2011, na 
assembleia geral da ONU, trás um novo conceito de responsabilidade ao proteger (RwP), 
ou seja, no exercício da proteção é fundamental também ter responsabilidade, evitando 
que a intervenção provoque ainda mais danos a situação do Estado, como na ação da 
OTAN na Líbia (resolução 1973), em que o Brasil se absteve por não concordar com o 
uso de “todos”os meios necessários.
Em 2005, aparece o relatório In Larger Freedom, produzido pelo secretário-geral na 
época, Kofi Annan, que afirma que existem três liberdades: a liberdade para viver sem 
medo, a liberdade para viver sem miséria, e a liberdade para viver com dignidade, 
afirmando que para ser verdadeiramente livre, deve-se ter as três liberdades, tendo-se 
dignidade da escolha, condições materiais para usufruir dessa escolha, e condições de 
gozar pacificamente dessa escolha. No plano internacional isso implica em viver uma 
interdependência entre segurança, desenvolvimento e direitos humanos, afirmando 
categoricamente que não se pode ter segurança, sem desenvolvimento, e não se pode ter 
segurança e desenvolvimento, sem direitos humanos. O Brasil é um entusiastadessa 
visão, como ações do Brasil de combate a pobreza, buscando estabilidade nesses 
territórios.
Reforma da ONU
Quando se fala em reforma da ONU, estamos pensando em duas linhas de reforma: 
financeira e institucional. Quando se pensa em reforma financeira, busca um maior 
equilíbrio nas contas da ONU. Com o fim da guerra-fria, tem-se um gasto crescente das 
despesas, com o aumento do número de operações de paz, sem o crescimento 
proporcional das receitas. Há uma dificuldade em aumentar o valor das contribuições dos 
Estados, havendo casos inclusive de países inadimplentes seja por problemas financeiros 
dos Estados ou por pressão política sobre a ONU. No caso, há um esforço de 
concientização dos países mais desenvolvidos em aumentar suas contribuições.
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
Em relação a reforma institucional da ONU, a o interesse de ajustar as instituições da 
ONU a nova realidade. Fala-se em reforma da assembleia geral da ONU, transformando 
seu funcionamento, dando mais celeridade ao órgão, melhorando seu funcionamento. Em 
relação ao CSONU, busca-se uma reforma na composição do concelho, dando maior 
representatividade ao conselho. Outro órgão que se propõe reforma é o ECOSOC, que 
não consegue cumprir o papel para o qual foi criado, pois existem outros órgãos 
especializadas mais capacitadas para atuarem nas áreas (econômicas e sociais) em que 
o ECOSOC se propõe a atuar. Também não consegue exercer seus papel de 
coordenação das agências funcionais da ONU, já que não existe uma hierarquia entre as 
organizações. Logo, propõe-se por alguns países a extinção da ECOSOC ou, por outros, 
a reformulação das funções do órgão, ajustando suas funções a realidade. Uma das 
propostas de maior peso, apoiada pelo o Brasil, seria transformar a ECOSOC num órgão 
voltado para a promoção do desenvolvimento (não há na ONU um órgão voltado para 
deliberações o desenvolvimento; existe o PNUD que é um programa de 
desenvolvimento). Existe ainda a comissão de direitos humanos, que já foi reformada, 
sendo extinta, dando lugar ao Conselho de Direitos Humanos. Outra reforma que esta 
acontecendo é a criação em 2006 da Comissão para a Construção da Paz.
Reforma no CSONU
Quando se fala em reforma no CS, a primeira observação é que o conselho foi reformado 
uma única vez ao longo dos 70 anos de ONU. A reforma, aprovada em 1963 e 
implementada em 1965, aumentava a composição do conselho de 11 para 15 membros, 
aumentando os membros rotativos de 6 para 10, não havendo aumento no número de 
membros permanentes.
Nos anos 90, diante de uma nova realidade internacional, cenário pós-guerra-fria, teremos 
algumas propostas de reforma do CS. As duas principais propostas são:
Quickfix: proposta apresentada pelo os EUA em meados da década de 90, que defendia a 
entrada de dois novos membros - Japão e Alemanha. Proposta conservadora que apoiava 
aliados, parceiros econômicos e militares dos EUA. Também como países desenvolvidos, 
poderiam dividir melhor os custos da ONU.
No entanto, essa proposta dificilmente seria aceita pelos países periféricos, uma vez que 
para qualquer reforma é necessário uma emenda a carta da ONU, especificamente seu 
artigo 23, que por sua vez só pode ser feita por aprovação e ratificação por dois terços de 
seus membros, incluindo os membros permanentes.
Razali: segunda proposta surgida na década de 90, defendia a inclusão de dois países 
desenvolvidos e três países em desenvolvimento (Ásia, África e América Latina), 
aumentando para 10 as vagas de membros permanentes. Proposta mais representativa, 
por promover maior representatividade regional no CS. Também não prosperou, pois uma 
reforma dependeria também da aprovação dos 5 membros permanentes, o que 
dificilmente ocorreria.
Nos anos 2000, por força do 11 de setembro, o tema de reforma do CS deixa de ser um 
tema central. A atenção da ONU passar a ser as ações de combate ao terrorismo. Em 
2002, o tema é totalmente negligenciado. Em 2003, temos a invasão dos EUA e tropas 
aliadas ao Iraque, sendo um golpe duro a credibilidade da ONU, pois os EUA agem a 
revelia do CS. Teremos depois um atentado contra a representação da ONU em Bagdá, 
no Iraque, onde teremos a morte do brasileiro Sérgio Vieira de Melo, que era alto 
representante da ONU para direitos humanos, chefiando a representação da ONU no 
Iraque. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, afirma que a ONU estava em uma 
encruzilhada, devendo fazer uma escolha de manter-se uma instituição de pouco 
relevância mundial, ou se lançar a uma ampla reforma em suas instituições. Kofi Annan 
lança no final de 2003 o High Level Panel, composta por 16 especialista em relaçoes 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
internacionais, entre eles o embaixador aposentado João Clemente Baiana Soares, com 
objetivo de apresentar propostas para adequar a ONU aos novos desafios e mudanças. 
No final de 2004 é apresentado um relatório final com 101 propostas de reforma. Duas 
delas nos interessam, relacionadas ao CS: a) aumento de 15 para 24 os membros do CS, 
em que os membros permanentes passariam de 5 para 11, e os não permanentes de 10 
par 13, com o diferencial de que os 6 novos membros permanentes não teriam poder de 
veto. b) mantém a quantidade de membros permanentes, mas cria uma categoria de 
membros semi-permanentes, que seriam 8, e um aumento de membros não permanentes 
para 11, totalizando 24 membros. Os semi-permanentes, seriam estados escolhidos para 
um mandato maior, de 4 anos ao invés dos 2, e poderiam ser reeleitos indefinidamente.
O Brasil, apoia a proposta A, afirmando que a proposta B seria ruim para a integração 
regional sul-americano. Elaborando também sua própria proposta apresentada em abril 
de 2004 via G4, composto por Brasil, Índia, Japão e Alemanha, criado em setembro de 
2004, passando de 15 para 25 membros, com os permanentes de 5 para 11 e não 
permanentes de 10 para 14. Os seis novos membros permanentes entraria com poder de 
veto, sendo por esse motivo muito criticado. O G4 reformula a proposta em junho de 
2005, entrando num primeiro momento sem poder de veto, permanecendo por um período 
de 15 anos, sendo após 10 ou 15 anos reavaliada a proposta e obrigatoriamente discutida 
a questão do veto, podendo conceder ou não o poder de veto. Nesse momento também 
surge o grupo unidos pelo consenso, formado por México, Argentina, Coreia do Sul, Itália, 
Paquistão e Espanha, países que não querem que os países do G4 entrem no CS, com 
uma proposta de não admitir novos membros permanentes, mas defendendo maior 
representatividade no CS, inclusive defendendo a reeleição indefinida e com mandatos 
maiores.
Apesar de toda essa discussão, o tema não evoluiu de 2005 para cá. Um dos principais 
motivos é a falta de consenso entre EUA e China sobre o Japão.
 Aula 6 – Os Novos Temas I: Meio Ambiente
Primeiras discussões sobre meio ambiente datam do pós segunda guerra mundial, antes 
disso não havia de forma sistemática uma discussão sobre o tema. Nos anos 50, a FAO - 
agência funcional da ONU para alimentação e agricultura, sediada em Roma, organizou 
duas conferências para discutir questões relacionadas ao uso do solo. Nessas 
conferências acabou sendo discutida de forma indiretas a questão ambiental. Nos 60, se 
inicia um debate ambiental, que podemos considerar um debate pioneiro, tratou de 
assuntos específicos como desmatamento, uso de recursos comuns, poluição, etc. 
Podemos citar nesse período em 1968 a organização de uma conferência internacional 
sobre biosfera, realizada em Paris, pela UNESCO - educação, ciência e cultura; o 
conceito de biosfera aponta para o entendimento de que homem e natureza dividem o 
mesmo espaço, o mesmo locus, e entre eles há uma relação de interdependência, com as 
ações do homem tendo efeito sob a natureza, e esse reflexo na natureza acaba refletindo 
também na vida do homem; não é possível dissociaresses dois atores. Na década de 70, 
há uma consolidação do tema. A ONU vai organizar uma grande conferência em 
Estocolmo dedicada a temática ambiental, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio 
Ambiente Humano, de 1972. Nessa conferência temos a presença de apenas dois chefes 
de Estado, Suécia e Índia - Indira Gandh, e a participação de organizações não 
governamentais, revelando que já na década de 70 a sociedade civil já participava do 
debate ambiental. Podemos reconhecer três pilares no debate ambiental: cientistas, 
sociedade civil, e os Estados. Um outro dado interessante que reconhecemos na 
conferência de Estocolmo é a declaração sobre princípios ambientais. Outro conceito 
importante de Estocolmo é o de ecodesenvolvimento, que irá contribuir para o conceito 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
futuro de desenvolvimento sustentável, que denota que para sustentarmos um 
desenvolvimento de meio e longo prazo, é fundamental combater os problemas 
ambientais no curto prazo, ou seja, o desenvolvimento futuro depende do combate a 
degradação ambiental no curto prazo. Ainda no contexto da conferência de Estocolmo 
teremos a criação em 1973 do PNUMA, Programa das Nações Unidade para o Meio 
Ambiente, sediada em Nairobi, escolhida como sede por considera-se que os maiores 
impactos ambientais seriam na África. O Brasil participa da conferência de Estocolmo com 
uma postura extremamente defensiva, soberanista, pois o Brasil resistia e evitava 
qualquer intervenção nos assuntos nacionais, vale dizer que teremos um debate 
conceitual e político em curso nesse momento: teremos de um lado os preservacionistas 
e de outro lado os conservacionistas, refletindo a divisão norte-sul. Os preservacionistas 
defendiam que os recursos naturais deveriam se manter intocáveis, seria preciso 
preservá-los, rejeita-se qualquer tipo de exploração dos recursos naturais ainda 
existentes; visão defendida pelos países do Norte. O que se tem é uma tentativa de 
empurrar as responsabilidades pela preservação ambiental para os países do Sul, que 
ainda mantêm boa parte de seus recursos ainda inexplorados, ao contrário dos países do 
Norte, que já esgotaram seus recursos naturais. Essa visão não interessa aos países do 
Sul, pois estes países dependem do uso e exploração de seus recursos para os seu 
desenvolvimento, levantando a bandeira do conservacionistas, defendendo o conceito de 
que os recursos naturais podem e devem ser explorados, desde que observados limites e 
padrões, dentro de uma razoabilidade. Por isso que os conservacionistas são também 
chamados de desenvolvimentistas, relacionando a tese de conservacionismo com 
desenvolvimento. Os preservacionistas também são chamados de zeristas, porque 
defendem o desenvolvimento zero; aproveitam-se das teses malthusianas, chamado 
neomalthusianismo, afirmando que o crescimento demográfico desordenado contribui 
para a degradação ambiental. Podemos dar como exemplo dos preservacionistas o 
chamado Clube de Roma, que é um dos principais expoentes do preservacionismo, 
composto por cientistas, políticos, acadêmicos, defendendo a lógica neomalthusiana e a 
intocabilidade dos recursos naturais. Temos no contexto da conferência de estocolmo 
uma divisão Norte-Sul, não se limitando a comércio e finanças, mas também no tema 
ambiental. O Brasil adota uma postura conservadorista, alinhada com os países do Sul.
Ainda na década de 70, o Brasil lança uma iniciativa interessante em conjunto com seus 
vizinhos sulamericanos, em 1978, durante o governo Geisel, teremos a assinatura do 
tratado de cooperação Amazônica - TCA. A ideia do TCA era promover o desenvolvimento 
regional através de maior cooperação entre os 8 países amazônicos, Brasil, Bolívia, Peru, 
Equador, Colombia, Venezuela, Guiana e Suriname. Com o tratado têm-se o 
compromisso com o desenvolvimento regional, alcançada através de uma maior 
cooperação econômica e comercial desses países, adotando-se naturalmente uma visão 
conservacionista, com a gestão soberana dos recursos naturais, rejeitando-se qualquer 
ingerência externa.
Nos anos 80, teremos uma avanço ainda maior da temática ambienta. Em 1982, houve 
uma conferência em Nairobi para comemorar os 10 anos da conferência de Estocolmo, 
que buscava fazer uma avaliação dos resultados positivos após a conferência de 
Estocolmo. Em 1985, teremos a convenção de Viena sobre Camada de Ozônio. A 
convenção de Viena acaba sendo um acordo vazio, pois falta a convenção uma agenda 
mais específica, com prazos e metas. Mas é o primeiro esforço normativo de caráter 
vinculante para tratar de um tema ambiental, tendo um significado histórico (a convenção 
de Estocolmo tinha caráter declaratório). Em 1987, teremos o protocolo de Montreal, 
protocolo adicional à Convenção de Viena, trazendo compromissos específicos, incluindo 
metas, prazos e compromissos específicos, entre eles a proibição do uso do CFC. A 
importância do protocolo de Montreal, no entanto, não esta nos resultados alcançados, 
até porque não existe consenso sobre os resultados alcançados, mas na confirmação da 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
capacidade dos Estados de se articularem politicamente, em favor de uma soberania 
compartilhada, para combater um desafio comum, neste caso o tema ambiental. Em 
1987, também teremos a publicação do relatório “Nosso Futuro Comum”, pela comissão 
chefiada pela norueguesa Gro Harlem Brundtland. Alguns pontos importantes desse 
relatório: afirma que as responsabilidades são comuns; conceito de desenvolvimento 
sustentável - conceito que afirmar que devemos buscar o desenvolvimento hoje através 
da exploração dos recursos naturais, sem privar as gerações futuras de também fazerem 
o aproveitamento futuro dos recursos naturais;
Nos anos 90, começamos com a conferência do Rio de Janeiro, Conferência das Nações 
Unidas Sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento - UNCED, CNUMAD, RIO92, ECO92. O 
presidente José Sarney, em 1989, com vistos a mostrar um comprometimento maior do 
Brasil com o regime internacional de meio ambiente, propõe a cidade do Rio de Janeiro 
para sediar essa conferência. Tivemos dois grandes pontos nessa conferência: no Rio-
Centro, Cúpula da Terra, e outra no aterro do Flamengo, Fórum Global. Cerca de 2000 
organizações não governamentais participaram do Fórum Global. Além disso, tivemos 
uma grande presença de chefes de Estado e de Governo, o que amplia a importância da 
conferência. Temos como dado importante na esfera da conferência a criação da CDS - 
Comissão de Desenvolvimento Sustentável, ligada ao ECOSOC. Passou-se a ter dois 
mecanismos institucionais centrais no âmbito da ONU, o PNUMA e a CDS. Termos ainda 
como legado da conferência do Rio de Janeiro, cinco documentos: 
Agenda 21: (questão de TPS) é um plano de ação para o século 21, contendo ações de 
curto, médio e longo prazo, com temas variados como desmatamento, biodiversidade, 
biotecnologia, financiamento, entre outros.
Declaração do Rio ou declaração dos princípios ambientais do Rio de Janeiro: contendo 
princípio que deveriam orientar a implementação da Agenda 21. podemos citar o princípio 
número 7 que fala sobre as responsabilidades comuns, porém diferenciadas, ou seja, os 
Estados devem assumir compromissos diferenciados segundo o seu perfil. Esse princípio 
embasa a leitura histórica que deve se fazer do problema ambiental.
Declaração sobre florestas ou sobre princípios florestais: vai levantar muita polêmica 
durante sua discussão, afetando diretamente ao Brasil. A política brasileira foi 
extremamente pragmática, rejeitando todo e qualquer princípio que pudesse resultar em 
uma relativização excessiva da ideia de soberania.
Temos ainda dois documentos vinculantes: Convenção-quadro sobre mudanças 
climáticas e a Convenção-quadro sobre biodiversidade. Convenções-quadro são 
convenções que servem de base ou quadro normativo para futuros avanços normativos, 
nãoapresentado compromissos concretos em termos de metas e prazos. Poderíamos 
reconhecer que estas convenções também são acordos vazios, mas elas já conseguem 
de fato o lançamento de um regime de mudanças climáticas e sobre biodiversidade. Muito 
embora ela em si não resolvam a questão, pois possuem uma superficialidade normativa, 
servem de base para o estabelecimento desses regimes internacionais.
A conferência do Rio de Janeiro é uma conferência de referência, pois evidencia o 
momento ápice em termos de discussão política na temática ambiental, inserindo-se num 
contexto de pós-guerra fria e na década das conferências, contribuindo para aquilo que 
virá no contexto ambiental.
Biodiversidade
Quando pensamos em biodiversidade existe uma questão fundamental a ser observada 
que é a discussão relativa a acesso e repartição. Os países ditos megadiversos (Brasil 
entre eles), aqueles países que detêm um grande volume de diversidade biológica em 
seus territórios, defendem a repartição justa dos ganhos oriundos da exploração da 
biodiversidade, ganhos divididos entre aqueles que exploram, possuem condições 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
técnicas e financeiras de explorar, e os que detêm a biodiversidade. Já os países ricos, 
que possuem a capacidade de explorar, defendem o acesso aos territórios megadiversos. 
Defendem o direito ao acesso ao território dos megadiversos para poderem em nome de 
um interesse geral da humanidade explorar estes recursos na esperança de se alcançar, 
por exemplo, algum princípio ativo que permita o combate a enfermidades, etc.
A convenção-quadro de 1992 sobre biodiversidade tinham como objetivo estabelecer um 
protocolo que estabelecesse essa relação entre repartição. Devido a grande polaridade 
entre países ricos e megadiversos, apenas em 2010, durante a décima conferência das 
partes sobre biodiversidade, realizada em Nagoya, alcançasse o protocolo de Nagoya 
sobre acesso e repartição. Esse protocolo finalmente consegue estabelecer uma relação 
entre o acesso e repartição justa e equitativa dos ganhos oriundos da exploração da 
diversidade biológica, seu nome oficial. No entanto, ainda não foi ratificada por não atingir 
o número mínimo de signatários necessários para sua entrada em vigor. Na COP10 
também se estabeleceu um plano de ação para 2020 com 20 metas, das quais podemos 
destacar: o estabelecimento de 10% das zonas marítimas como áreas de preservação; 
estabelecer 17% das zonas terrestres como área de preservação. Quando a conferência 
é realizada, apenas 1% das zonas marítimas eram áreas de preservação e apenas 10% 
das zonas terrestres.
Além do protocolo de Nagoya, temos um outro protocolo relativo a biossegurança, 
Protocolo de Cartagena sobre biossegurança, do início do ano 2000. Esse protocolo 
regula a circulação de OGL, organismos geneticamente modificados, conhecidos como 
transgênicos. O Brasil durante o governo Lula autoriza a utilização e comercialização de 
sementes transgênicas no países, o que como signatário do tratado, reflete alguma 
contradição. No entanto essa contradição se reflete nos próprios ministérios: ministérios 
da saúde e do meio ambiente são contra os transgênicos e o os ministérios da agricultura, 
ciência e tecnologia, comércio, etc apoiam os transgênicos.
Mudanças Climáticas
Quando pensamos em mudanças climáticas, a referência obrigatória que teremos que 
partir, além da convenção-quadro do rio de janeiro, do protocolo de Kyoto, COP3 de 
mudança climática realizada em Kyoto em 1997, que é um protocolo adicional a 
convenção quadro do rio de janeiro. O protocolo de Kyoto trás o compromisso global de 
reduzir em 5,2% a emissão de gases de efeito estufa (dióxido de carbono, gás metano, 
etc) entre 2008 e 2012 com base nos níveis de 1990. No entanto, no anexo I temos os 
países com metas individuais de redução dos níveis de emissão de gases de efeito 
estufa, no caso apenas os países de industrialização antiga. Podemos dizer que o 
protocolo de Kyoto incorpora a lógica do princípio 7 da carta do Rio de Janeiro: 
responsabilidades comuns, porém diferenciados. Por exemplo, a China, que já é um dos 
maiores poluidores do mundo, não consta no anexo I, assim como Índia, Brasil, México, 
etc. O protocolo entra em vigor apenas em 16 de fevereiro de 2005, após a ratificação 
russa. Exigia-se para entrada em vigor do protocolo a ratificação de países que 
correspondessem no mínimo 55% das emissões totais globais, só atingido após a 
ratificação Russa, pois os EUA, responsáveis por 25% da emissão global, nunca 
ratificaram o protocolo. Um ponto fundamental que devemos relacionar com o protocolo 
de Kyoto são os mecanismos de desenvolvimento limpo - MDL, proposta pelo Brasil. 
Embora a proposta inicial fosse a criação de um Fundo de desenvolvimento limpo - FDL, 
mas o resultado acaba sendo a criação de MDL. Mesmo com a mudança da proposta, o 
Brasil é considerado o grande idealizador da proposta. O MDL é a ideia de que com o 
lançamento de mecanismos de desenvolvimento limpo no mundo periférico, esses países 
obteriam crédito de emissão de carbono que poderiam ser negociados internacionalmente 
a países do anexos I que tem dificuldades de cumprir suas metas; seria um estímulo para 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
que países de fora do anexo I, lancem projetos de desenvolvimento limpo reduzindo suas 
emissões em troca de créditos de carbono que serão vendidos a países do anexo I. 
Acaba-se criando um círculo virtuoso, com países centrais interessados no 
desenvolvimento de projetos nos países periféricos para futura compra de créditos (visão 
da diplomacia brasileira). Os críticos falam de uma venda do direito de poluir, 
transformando a poluição numa comôdite internacional. O Brasil é o terceiro maior país 
em número de projetos de desenvolvimento limpo, atrás de China e Índia.
COP10 realizada em 2004 na cidade de Buenos Aires, com grande ativismo do Brasil, 
que busca uma postura extremamente participativa. Já no governo Lula, o Brasil reafirma 
que deve ser respeitada a lógica de responsabilidade comum, porém diferenciadas. 
Nesse momento, já se tinha uma pressão da UE para incluir os grandes países 
emergente no Anexo I do protocolo de Kyoto. O Brasil afirma nesse momento que quer 
fazer alguma coisa para diminuir seu número de emissões, mas para tanto dependemos 
da ajuda dos países centrais (financiamentos e conhecimento técnico). O Brasil também 
afirma que os países emergente não devem ser tratados da mesma forma, não poderiam 
ser equiparados por possuírem diferentes perfis de poluidores, por exemplo: O Brasil 
apesar de ser um grande poluidor, ele polui por motivos diversos da China, no caso, a 
China possui uma matriz energética muito poluente pautada em termoelétricas a base de 
carvão, o Brasil emite muito por causa das queimadas. Nesse momento, cerca de 70% da 
emissão de carbono do Brasil vinha do desmatamento das queimadas amazônicas. Hoje 
essa porcetagem diminuiu para cerca de 50%. A matriz elétrica do Brasil é uma matriz 
limpa, baseada em hidroelétricas.
COP12 em 2006 na cidade de Nairobi, em que se discute a possibilidade de um fundo de 
adaptação. Nesse momento é a primeira vez que se discute fazer algo pela adaptação. 
Até esse momento, tudo que se discutia em termos de mudanças climática ficava no 
plano da mitigação. A grande contribuição que se faz a partir de Nairobi é que se deve ter 
ações também no plano da adaptação, ou seja, ações voltadas para adaptar os países 
aos efeitos já visíveis e já existentes do aquecimento global. Por exemplo: a erosão 
costeira, a mudança nos regimes de chuva, nos regimes de marés. Nesse contexto faz 
sentido a criação de um fundo de adaptação para auxiliar os países menos desenvolvidos 
dotados de menor capacidade financeira e tecnocientífica.
COP13 em 2007 na cidade de Bali - Indonésia. Foi uma das COP mais importantes 
porque havia já nessemomento a ideia capaz de suceder o protocolo de Kyoto. Em Bali 
se produz um roadmap, que seria o mapa a ser percorrido até se chegar em um novo 
protocolo. Este mapa partiria de Bali em 2007, passaria por Poznam na Polônia em 2008, 
onde aconteceria a COP14, até chegar a COP15 de Copenhague em 2009. Além disso, 
na COP13 em Bali assume-se o compromisso com ações MRV - mensuráveis, 
reportáveis e verificáveis. Isso aponta um compromisso maior com a transparência. O que 
se destaca em Bali é uma postura cooperativa do grupo G77/China, que chega a apoiar 
inclusive a lógica do MRV. Também durante a conferência de Bali teremos a inclusão da 
Austrália ao protocolo de Kyoto e com isso os EUA ficam totalmente isolados, sendo o 
único país central que fica de fora do protocolo.
COP14 em Poznam em 2008, é interessante porque teremos algumas posturas 
individuais que se destacam, mas não avança em nada para a elaboração de uma novo 
protocolo. A UE apresenta o plano de three times planning, três metas a serem cumpridas 
até 2020: reduzir em 20% a emissão de gases de efeito estufa com base nos índices de 
1990; alcançar uma economia no consumo de energia da ordem de 20%; alcançar uma 
matriz energética 20% limpa. O Brasil apresenta o plano nacional de mudanças 
climáticas, que previa alguns compromissos interessantes como reduzir em 70% o 
desmatamento amazônico até 2018; A China já tem uma postura mais cooperativa, mais 
disposto, sendo o país que mais investe no mundo em mudar a sua matriz energética.
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
COP15 em Copenhague em 2009, foi frustrante por não ter se alcançado um novo 
acordo, não sendo um fracasso completo por ter uma acordo final não consensual e não 
vinculante. **Articulasse durante a COP15 em 2009 um grupo formado por 4 países 
emergentes: Brasil, África do Sul, Índia e China - BASIC. Graças ao emprenho do BASIC 
é que temos um acordo, chamando EUA e UE para negociações. O acordo não conta 
com uma aprovação consensual: Venezuela vota contra por não ter sido convidada a 
participar das negociações; Turva Lu achou o acordo fraco, por estar sendo engolido 
pelas águas, etc. O Acordo trás ações interessantes, como a criação de um fundo de 30bi 
entre 2010 e 2012, em EUA, Japão e UE se comprometem a dar 26bi, o Brasil se 
ofereceu para ajudar no cumprimento desse montante, havendo a possibilidade de 100bi 
por ano a partir de 2020. Define-se ainda como limite máximo para elevação da 
temperatura 2 graus centígrados considerando a temperatura da era pré-industrial.
COP16 em Cancún em 2010. Com poucas expectativas, tem-se um sentimento de 
avanço. Conferência voltada para operacionalizar as propostas do acordo final de 
Copenhague, COP15. Por exemplo: criação do fundo verde, fundo de 30bi até 2012, com 
funções que iriam da mitigação a adaptação; confirmação dos 2 graus centígrados. O 
acordo foi consensual, embora não vinculante. Em termos de novas negociações, não 
houve avanços.
COP17 em Durban, África do Sul, em 2011. Aprovasse a prorrogação do protocolo de 
Kyoto para um segundo período de vigência de 2012 a 2017. O Brasil na COP16 já 
tinham apresentado essa proposta, mas rejeitada. A intenção era prorrogar para se ter um 
acordo em vigor frente a ausência de um novo acordo. No entanto, Japão, Canadá e 
Rússia, decidem ficar de fora do novo período de vigência. Com a saída dos 3, os países 
com metas no protocolo passam a representar pouco mais de 20% das emissões globais 
(antes de 55%). Além disso, tem-se o compromisso de se negociar novo acordo 
vinculante com metas obrigatórias para todos a partir de 2015 para entrar em vigor em 
2020.
RIO+20 - Economia verde e movimento sustentável, tema mais amplo do que mudança 
climática.
Aula 7 - Direitos Humanos
No final do século XVIII, no contexto das Revoluções liberais, teremos o aparecimento 
dos chamados Direitos Civis. Seriam fundamentalmente as Liberdade Civis, ou seja, o 
conjunto de direitos garantidos aos indivíduos em face do Estado. Durante a Revolução 
Francesa, teremos a importância da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, 
que é um dos principais legados deixados pela Revolução Francesa.
No Século XIX, teremos uma sistematização dos direitos políticos, relativos a participação 
da vida política do Estado, podendo votar e ser votado. Ainda não temos um sufrágio 
universal, o direito do voto é restrito aos homens com renda definida (camadas mais 
pobres e as mulheres ficam fora nesse momento).
No Século XX, teremos direitos econômicos e sociais, fruto das lutas operárias europeias, 
que buscavam a consagração de determinados direitos, principalmente trabalhistas.Em 
1920, temos a criação da OIT - organização mundial do trabalho.
Podemos reconhecer três gerais de direitos humanos: Direitos Humanos de primeira 
geração são os direitos civis e políticos; Direitos Humanos de segunda geração são 
direitos econômicos, sociais e culturais; Direitos de Terceira geração, que surgem mais 
recentemente, no final do século XX, são os direitos solidários ou difusos: paz, meio 
ambiente saudável, desenvolvimento, etc, gozados coletivamente.
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
No plano interno ou doméstico, desde o final do século XVIII, com as revoluções liberais, 
já há de fato a consagração de um conjunto de direitos humanos que evolui ao longo da 
história.
Os direitos humanos latus censo, só para a ter um tratamento internacional após a 
Segunda Guerra Mundial. A segunda guerra revela ao mundo uma violação ampla e 
profunda dos direitos humanos mais elementares, com massacres variados de judeus, 
negros, ciganos, etc, que eleva os direitos humanos para a escala universal.Percebeu-se 
naquele momento que os direitos humanos não poderiam ficar somente na alçada 
doméstica, sendo importante a busca de uma proteção internacional dos Diretos 
Humanos.
A partir da Segunda Guerra Mundial, chegasse a conclusão de que países que protegem 
os direitos humanos são países mais afeitos ao diálogo, a colaboração, a cooperação. A 
teoria liberal acredita que quando os Estados adotam compromissos com os Direitos 
Humanos, também assumem uma postura mais pacífica em relação a outros Estados.
Após a segunda guerra, em função de uma violação de direitos humanos, Aphartaid é 
exemplo, vai dar início ao tratamento internacional dos direitos humanos. Já 1945, com a 
criação da ONU, temos em seu artigo 1, o compromisso com a promoção dos direitos 
humanos e das liberdades fundamentais. O artigo1 é o que apresenta os objetivos da 
ONU. A carta de são francisco é o primeiro tratado internacional da história a apresentar 
um compromisso com os direitos humanos latus censo, compromisso esse de ordem 
vinculante. Já havia antes da Carta documentos que tratavam de assuntos específicos de 
direitos humanos: em 1920, temos a criação da OIT, consagrando-se uma série de 
direitos trabalhistas.
A carta de São Francisco não elenca quais são ou o que são esses direitos humanos. Em 
10 de dezembro de 1948, teremos a declaração universal dos direitos humanos. 
Declaração composta por 30 princípios que veem a ser os direitos humanos. A declaração 
de 48 não tem caráter, pelo menos no seus lançamento, vinculante, embora alguns em 
DIP considerem que por força de costume já possam ser considerados vinculantes. Em 
1966, teremos dois documentos: o pacto internacional de direitos civis e políticos, e o 
pacto internacional de direitos econômicos, sociais e culturais; esses dois pactos tem 
caráter vinculante. Os pactos foram assinados em um contexto de guerra fria, em que as 
duas potências mundiais, EUA e URSS, têm visões bem distintas de direitos humanos: os 
EUA pelo seu contexto liberal consideram que os direitos humanos são 
fundamentalmente os direitos civis e políticos; já a URSS pelo seu contexto socialista 
relativisa as liberdades civis e políticos, e considera os direitos econômicos, sociais eculturais.
Quando pensamos em direitos civis e políticos, estamos pensando fundamentalmente em 
direitos de caráter negativo, ou seja, direitos que para serem assegurados dependem de 
uma abstenção ou inação do Estado; basta o Estado não fazer que o direito estará 
assegurado (liberdade de expressão, liberdade de ir e vir, etc). Os direitos de primeira 
geração são reconhecidos pela literatura como de cobrança imediata. Os direitos de 
segunda geração são fundamentalmente direitos positivos, ou seja, exigem do Estado 
uma ação efetiva (saúde, educação, etc); são direitos de realização progressiva. Pelas 
características positivas e negativas dos direitos de primeira e segunda geração, o rigor 
no monitoramento e cobrança desses direitos devem ser cobrados de forma diferente: os 
direitos imediados devem ser cobrados com maior rigor, enquanto os programáticos 
devem ser cobrados de forma mais branda. Isso sugere a necessidade de dois 
mecanismos de monitoramento distintos de cobrança, por isso temos que negociar dois 
pactos distintos. No caso do pacto de direitos civis e políticos, teremos o Comitê de 
Direitos Humanos, e no caso do pacto de direitos econômicos, sociais e culturais, teremos 
o Comitê de Direitos Econômicos Sociais e Culturais. O apoio a esses pactos foi pequeno 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
no primeiro momento, por terem caráter vinculante; os Estados temem perder soberania. 
Por esse motivo, esses pactos só entraram em vigor 10 anos depois, em 1976.
Considerando em conjuntos a declaração de 1948 e os pactos de 1966, temos em 
conjunto o que chamamos de Carta Internacional dos Direitos Humanos.
Quando pensamos na estrutura normativa dobre direitos humanos, temos como base a 
carta de direitos humanos, mas também temos dezenas de convenções de direitos 
humanos sobre temas específicos: convenção contra genocídio, final dos anos 40; 
convenção sobre discriminação racial, 1965; convenção sobre o direito da mulher, 1979; 
convenção contra a tortura, 1984; convenção sobre o direitos da criança, 1989; etc
Estrutura institucional do regime internacional dos direitos humanos, nós temos no seio da 
ONU o ECOSOC e dentro do ECOSOC a comissão de direitos humanos, criada em 1946 
e inalgurada em 1947. Podemos reconhecer a história da comissão em dois momentos 
principais: de 1947 a 1966, chamado de período abstencionista; e outro período que vai 
de 1967 a 2006, período intervencionista. Em 2006 a comissão é extinta.
O primeiro período a comissão absteve de investigar casos de violação de direitos 
humanos. A primeira presidente da comissão, Eleanor Roosevelt, anunciou que o objetivo 
da comissão nÃo seria de investigar casos de violação dos direitos humanos. A comissão 
se limita na elaboração de normas sobre direitos humanos e na divulgação ampla dos 
direitos humanos. A partir de 1967, entramos num período de maior atividade, em que a 
comissão vai intervir nos Estados, investigando casos de denúncias de violação dos 
direitos humanos.
O que justifica a postura inicial da comissão é conciliar com a postura soberanista dos 
Estados num contexto inicial de guerra fria, evitando o boicote dos Estados a comissão. 
Na década de 60, temos uma mudança importante na composição da ONU com o 
ingresso de diversos países oriundos da descolonização afro-asiática. Isso acontece em 
todos os órgãos da ONU. Os países africanos tem uma grande preocupação com os 
rumos da política na África do Sul, de segregação racial. Esses países pressionam a ONU 
e o ECOSOC por ações mais efetivas, levando a comissão a mudanças resultando numa 
resolução em 1967 que autoriza a comissão de direitos humanos a investigar casos de 
violação dos direitos humanos (resolução ECOSOC 1245 de 1967), sendo um marco para 
a comissão de direitos humanos. Em 1970 teremos a resolução ECOSOC 1503, que 
autoriza a comissão de direitos humanos a receber denúncias individuais, só sendo 
facultada a denúncia a comissão nos casos de esgotamento do direito interno dos 
Estados. Na década de 70, surgem os chamados relatórios ou grupo de trabalho para 
países específicos: são mecanismo de investigação individual (relatório) ou coletivo 
(grupo de trabalho) sobre direitos humanos. O primeiro exemplo da história, foi a criação 
de um relatório para investigar a situação de direitos humanos no Chile de Pinochet em 
1975, inalgurando os chamados relatórios geográficos. O Brasil de Geisel fica preocupado 
de ser o próximo da lista, vendo como saída para se livrar de uma eventual investigação 
fazer parte da comissão. Logo, em plena ditadura militar, convivendo com violações 
amplas de direitos humanos, principalmente no que tange os direitos civis e a participação 
política, vai se candidatar a comissão em 1976 e será eleito membro de 1977. Nos anos 
80 a comissão criou os relatórios ou grupo de trabalho para grupos específicos, 
chamados de temáticos. O primeiro exemplo é de 1980, com o grupo de desaparecimento 
forçados. Esse mecanismos difere do anterior porque não se limita a um único Estado, 
centrado num tema e atuando sobre qualquer Estado em que haja suspeitas sobre o 
tema. Esses dois mecanismos fortaleceram muito o papel investigativo da comissão, nem 
por isso é a comissão é exemplo de sucesso, sendo extinta em 2006 por causa do seus 
fracasso, não conseguindo contribuir para uma melhora de direitos humanos mundo a 
fora. Uma primeira fragilidade é uma seletiva nas ações da comissão, como dois pesos e 
mediadas - double standart, agindo com muito rigor com determinados países e em outros 
casos não agindo em situação análoga de violação de direitos humanos em outros 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
países. Isso se explica pela prevalência de critérios políticos sobre os critérios técnicos na 
comissão, composta por Estados representados por diplomatas, os quais se 
posicionavam politicamente em relação a Estados amigos e parceiros. Por exemplo, na 
década de 70, Uganda foi presidida por Idi Amin Dada, um dos maiores facínora do 
século XX. No entanto, Uganda nunca foi objeto de resolução condenatória no âmbito da 
comissão de direitos humanos, por sua influência no âmbito africano. Uganda, na 
presidência de Idi Amin, vai ocupar a presidência da União Africana, tendo grande 
influência e ascendência sobre os vizinhos, que dificilmente votaria contra o pais na 
comissão de direitos humanos. Outro exemplo mais recente é em relação a China, com a 
violação de direitos trabalhista entre várias outras violações. A China sempre recebeu 
várias resoluções condenatórias, mas a partir de 2001, a comissão perdeu o empenho em 
condenar a China, não por haver melhoras no direitos humanos na China, mas pela China 
ter se tornado um país muito influente internacionalmente, não apenas economicamente 
mas em agendas cruciais para os EUA, como o combate ao terrorismo. Os EUA que 
lideravam as proposta de resolução com a China, passam a perder o interesse em 
apontar violações dos direitos humanos na China. Em 2004 e 2005, o Brasil também se 
absteve em votar resoluções condenatórias contra a China devido a parceria estratégica 
com a China. Outra fator de fracasso da comissão foi a presença constante de Estados 
violadores. A representação da comissão é regional, com a escolha de Estados 
representativos de sua região, mas que são violadores de direitos humanos. Exemplos 
são a participação de Cuba, do Brasil ainda durante a ditadura, Arábia Saudita, a China, a 
Líbia de Kadafi, que chegou a presidência da comissão. Em 2006, a comissão será 
extinta e substituída pela conselho de direito humanos, num contexto de reforma da ONU.
O conselho apresenta mudanças tanto institucionais quanto de funcionamento. Primeiro 
comentário diz respeito ao vínculo institucional: o conselho de direitos humanos reporta-
se a AGNU. O próprio nome “conselho” aponta para uma maior importância hierárquica, 
pois os conselhos são órgãos principaisna ONU. Outra diferença é sua formação, com 47 
membros, seis a menos do que a antiga comissão. A escolha dos membros se dá por 
maioria simples no plenário da assembleia geral, ou seja, todos votam, não apenas os 
países da região. O EUA havia feito uma proposta pela eleição por dois terço, que acabou 
não sendo acatada, o que levou ao presidente Bush Filho a boicotar o novo órgão, 
ficando alguns anos fora do conselho. A grande diferença em termos de escolha está no 
fato de que todos votam para a escolha dos membros, não apenas os países da região. 
Outro ponto importante, é a criação do mecanismo de revisão periódica universal. (Essa 
talvez seja a maior novidade em termos de funcionamento). O mecanismo de revisão 
periódica universal é um mecanismo que impõe a todos os países membros da ONU a 
obrigação de elaborarem relatórios periódicos relatando a situação interna de diretos 
humanos. Esse mecanismo vem para combater a seletividade no plano dos direitos 
humanos dentro da ONU, pois agora todos, independentes de sua influencia política, 
militar e econômica, terão que elaborar relatórios periódicos. O novos órgão apresenta a 
possibilidade de suspensão de membro no caso de se constatar uma violação sistemática 
dos direitos humanos. Essa cláusula já foi usada no caso da Líbia, em 2011, com votação 
da suspensão da líbia na AGNU. Embora o conselho seja recente, algumas críticas já 
foram feitas: em 2010 foi lançado um livro em que se critica a seletividade do conselho de 
direitos humanos; um indicador da seletividade é o apontamento de Israel como líder no 
ranking de condenações. Da mesma forma, ainda encontramos grandes violadores como 
participantes no conselho e acabam comprometendo o perfil do novo conselho.
Conferências internacionais sobre direitos humanos
A primeira conferência sobre direitos humanos foi realizada em Teerã, no ano de 1968, 
sendo a primeira conferência internacional sobre direitos humanos da história. Ela 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
acontece no momento em que a ONU entrava nunca fase de maior ativismo sobre direitos 
humanos, fase em que a comissão já estava em sua fase intervencionista. Essa primeira 
conferencia é marcada pelo impasse. Tem-se um apego excessivo a soberania por parte 
dos Estados, o que fácil de se explicar num contexto de guerra fria. Os Estados adotam 
postura mais soberanista, assim como o Brasil (em 1968 temos o AI-5). Além do 
relativismo cultural, que vem a ser a divisão cultural entre os Estados em matéria de 
direitos humanos. Alguns Estados irão criticar os direitos humanos alegando que seriam 
uma criação do Ocidente, um instrumento de manipulação do ocidente sobre os demais 
povos e culturas. Alega-se que o modo como são formatados os direitos humanos reflete 
o pensamento ocidental, refletindo na sua formatação os aspectos culturais do ocidente, 
sendo um instrumento estranho a realidade cultural desses países. Alguns chegam a 
apontar os direitos humanos como instrumento de imperialismo cultural imposto pelo 
ocidente. Marcada por esses problemas, a conferência de Teerã fracassa.
Teremos uma segunda conferência internacional sobre direitos humanos realizada em 
1993, em Viena. Essa segunda conferência se insere num contexto internacional 
totalmente diferente, marcado pela décadas das conferências, contexto pós-guerra fria, 
realidade mais favorável aos direitos humanos. Teremos um legado conceitual importante: 
Ideia de universalismo dos direitos humanos. Na conferencia de Viena, tanto no artigo 
primeiro como no artigo quinto, afirma-se categoricamente sobre o universalismo dos 
direitos humanos, ou seja, os Estados não podem mais alegar diferenças culturais para 
violar direitos humanos. O artigo 5 da declaração final afirma que “devem ser levadas em 
consideração as diferenças históricas, culturais, lingüísticas que não podem, contudo, 
justificar a violação dos direitos humanos”. 
Tratamento dos direitos humanos como tema global. Isso significa dizer que os direitos 
humanos são legitimamente tratados em bases internacionais, não sendo tema de 
soberania estatal exclusiva. Sendo considerado um bem público global, os direitos 
humanos exigem um tratamento multilateral, global, internacional. Isso indica que os 
mecanismos da ONU, da OEA, do conselho da Europa, da União Africana, de fiscalização 
e monitoramento dos direitos humanos são legítimos, ou seja, os estados não podem 
mais se esconder atrás da soberania.
Indivisibilidade e interdependência dos direitos humanos. Por exemplo: de que vale 
assegura o direito fundamental a vida e não assegura o direito econômico e social de 
acesso a saúde? Um depende do outro.
Na esfera da conferência de Viena, cria-se o cargo de alto comissário das nações 
unidades para direitos humanos. A primeira vez que se tentou a criação do cargo foi na 
década de 50 (proposta uruguaia) por conta da postura soberanista dos estados. A 
atuação do alto comissário deve ser necessariamente escolhido a título pessoal (Mary 
Robison, Irlanda; Sérgio Vieira de Melo, Brasil; Navanethem Pillay, África do Sul). 
Passados quase 20 anos esse cargo ainda não mostrou a que veio, as nações são muito 
mais voluntaristas, não contribuindo ainda como poderia contribuir.
Posição do Brasil
Podemos identificar uma posição soberanista e defensiva durante os governos militares. 
Durante o governo Geisel, por causa das pressões do governo Carter em relação a 
direitos humanos, houve um recrudecimento da relação Brasil-EUA. Em 1977, o Brasil 
entra na comissão de direitos humanos, mas não entra para contribuir, entra em bases 
defensivas e acautelatórias. Quem afirma isso é um embaixador brasileiro, um dos 
grandes estudiosos sobre o tema dentro do Itamaraty, José Augusto Lindgren Alves, em 
seu livro escrito na década de 90, ‘os direitos humanos como tema global’. Outro 
comportamento do Brasil, é que durante as discussões da comissão sobre violações de 
direitos humanos, o Brasil se ausentava da sala, demonstrando dessa forma o desagrado 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
em relação a postura da comissão. Com a nova república, a partir do governo Sarney, o 
Brasil busca renovação de credenciais. Já no início do governo Sarney, o Brasil 
demonstra que estava mudando sua postura em matéria de direitos humanos quando 
Sarney discursando na ONU anuncia a adesão do Brasil a convenção contra a tortura e o 
início do processo de ratificação dos pactos de 1966. A constituição federal de 1988 
também é marco importante por conta principalmente de seu artigo 4, que elenca os 
princípios internacionais do Brasil, com destaque para os direitos humanos (segundo 
princípio do artigo). Em 1992, durante o governo Color teremos a ratificação dos pactos 
da ONU de 1966 e do pacto de San José da OEA de 1969 (convenção interamericana de 
direitos humanos). Em 1993, no governo Itamar, teremos uma notável participação do 
país na convenção de Viena sobre direitos humanos, atuando como protagonista pelo 
exercício da presidência do comitê de redação da declaração final (quem exerce a 
presidência é o embaixador brasileiro Gilberto Sabóia). No governo FHC, o Brasil 
reconhece a jurisdição obrigatória da Corte Interamericana de Direitos Humanos - Corte 
de San José. Ainda em 1998, é criada uma secretaria nacional voltada para direitos 
humanos, com status de ministérios. Durante o Governos Lula e Dilma, muitas crítica tem 
sido levantadas ao Brasil, sendo acusado de ser condescendente com regimes violardes 
de direitos humanos com o presidente Lula, e também com a presidente Dilma (quando 
desembarcou em Havana e não fez nenhum comentário sobre direitos humanos na ilha 
caribenha). O grande ativismo do Brasil na criação do conselho de direitos humanos, o 
Brasil inclusive cumpriu dois mandatos consecutivos no conselho, não ocupando no 
momento cadeira no conselho por não poder se reeleger uma terceira vez.O Brasil é um 
dos idealizadores do mecanismo de relatório periódico universal, lutando por maior 
seletividade nos procedimentos do órgão. O Brasil evita alinhamentos automáticos no 
conselho de direitos humanos, ainda que com países periféricos: é falsa a ideia de que o 
Brasil sempre vota alinhado aos países periféricos, inclusive países violadores. Uma 
situação em que o Brasil atua de maneira indecente, o Brasil apoiou a continuidade dos 
relatórios geográficos desde que criados por motivos objetivos e transparentes, 
demostrando o caráter técnico da posição brasileira. Brasil também apoia um relator para 
apurar violações de direitos humanos no Irã. Outra característica importante do Brasil no 
âmbito do conselho, é que o brasil defende uma maior compromisso dos Estados com a 
promoção e efetiva melhora dos direitos humanos nos países violadores - assistência 
técnica e financeira. Na percepção da diplomacia brasileira, o conselho não deve ser um 
órgão inquisitório, mas deve reunir esforços para mudar a situação dos países violadores, 
pois a simples condenação não ajuda em nada. O Brasil evitou condenações ocaso do Sri 
Lanka, do Zimbábue, Guiné Bissau, não por achar que a violação era pequena, mas por 
defender uma postura de diálogo. Em relação, podemos dizer que o governo Dilma 
mostra-se mais disposto a aceitar condenações, mas também como último recurso.
Aula 8 - Segurança Internacional
Não proliferação de armas nucleares
Nosso ponto de partida é a guerra fria. Mesmo antes da guerra fria os EUA já tinha 
desenvolvido a bomba atômica, inclusive usado em Hiroshima e Nagasaki. Já num 
contexto de corrida armazenista na guerra fria, temos em 1949 a URSS empata esse jogo 
criando sua bomba atômica. Em outubro de 1962, termos aquilo que muito analistas 
consideram o momento mais crítico da guerra fria - a crise dos mísseis, momento em EUA 
e URSS entravam em choque, quase sendo deflagrado uma guerra nuclear. A partir da 
crise dos mísseis, passa-se a ter conhecimento da importância da não proliferação, uma 
vez as duas potências, atores maduros, quase entraram em choque, preocupa-se com o 
que outros atores não tão maduros possam fazer com armamentos nucleares. A partir da 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
crise, os EUA e URSS estimulam uma limitação a chamada proliferação horizontal de 
armamento nuclear. 
Já em 1963, teremos a assinatura do TPTN - Tratado sobre proibição parcial de testes 
nucleares (proibi, por exemplo, testes atmosféricos, mas permite os subterrâneos). 
Em 1968, temos o TNP - Tratado para Não Proliferação de Armas Nucleares. Esse tratado 
é a base do regime de não proliferação: entra em vigor em 1970 para durar 25 anos. É 
um tratado que se pauta em três pilares fundamentais: Não proliferação - necessidade de 
impor aos países não militarmente armados a não proliferação de armamento militar; 
desarmamento nuclear - contido no artigo sexto, faz uma convocação aos estados 
militarmente armados para um desarmamento progressivo; uso pacífico de tecnologia 
militar - assegura a possibilidade de uso pacífico da tecnologia nuclear. O TNP se 
preocupa também com o desarmamento embora dê um tratamento muito mais superficial 
a esse objetivo (artigo 6), considerando que os estado devem de boa fé desenvolver 
mecanismos para promover progressivamente o desarmamento nuclear, que acaba não 
tendo resultado prático. O TNP reconhece 5 estados nuclearmente armados, 
considerados até janeiro de 1967: EUA (45), URSS (49), Reino Unido (52), França (60) e 
China (64); desde então nenhum deles promoveu o desarmamento nuclear. Exatamente 
esse caráter assimétrico nas imposições do TNP, levaram o Brasil a rejeitar o TNP, num 
sinal de autonomia do brasil no governo costa e silva e chancelaria de Magalhães Pinto, 
demonstrando a retomada da PEI. No início da década de 70, Araujo Castro vai justificar 
a rejeição do brasil ao TNP forjando o conceito de “congelamento do poder mundial”. O 
TNP no início é amplamente rejeitado, ganhando adeptos durante a década de 70 e 80, e 
durante a década de 90, teremos a adesão dos retardatários, como Brasil (98) e 
Argentina.
É um contexto internacional em que EUA e URSS já estão dialogando melhor. Durante a 
detente, teremos a assinatura dos acordos SALTE I (69-72) e SALTE II (73-79) - acordos 
para limitação de armas estratégicas. Os acordos não buscam o desarmamento nuclear, 
mas uma limitação, a imposição de termos para limites máximos para a proliferação 
vertical dos dois países. No âmbito do SALTE I, temos a negociação do tratado ABM que 
proíbe os mísseis antibalísticos (mísseis de defesa, interceptação de outros mísseis), a 
lógica é de preservar a lógica da destruição mútua assegurada - MAD.
Ao final da década de 70, temos uma deterioração desse cenário internacional, com a 
invasão soviética ao Afeganistão, levando ao fim da detente e a retomada das rivalidades 
máximas entre EUA e URSS. 
A primeira metade da década de 80 é marcada por tensões (alguns historiadores chamam 
esse momento de segunda guerra fria). Podemos dar como exemplo disso o projeto 
guerra nas estrelas, lançada pelo presidente Reagan, levando para o espaço um escudo 
antimísseis capaz de bloquear qualquer ataque da URSS. Retomada de corrida 
armamentista e do intervencionismo dos EUA, inclusive na América Latina, como por 
exemplo a invasão de granada em 1983. Esse projeto burla o ABM, levando para o 
espaço o armamentos antibalísticos. Já a segunda metade da década de 80 é marcada 
pelo desmonte progressivo da guerra fria, até a queda do muro de Berlim em 1889. 
Teremos nesse cenário, um diálogo crescente entre os EUA de Reagan e a URSS de 
Gorbachev, com encontros marcantes entre os dois presidentes (muitos historiadores 
consideram o projeto guerra nas estrelas como responsável pelo fim da guerra fria, 
fazendo Gorbachev desistir da corrida armamentista e dar início a abertura política e 
econômica da URSS, Perestroika e Glasnost). Em 1887, teremos o Tratado INF 
(intermediate-range nuclear forces), que proíbe os mísseis (vetores) de curto e médio 
alcance.O objetivo do tratado era justamente diminuir as tensões na Europa, evitando-se 
possíveis ataques da URSS a Europa Ocidental, e também dos EUA em Cuba; no 
entanto, são preservados os mísseis intercontinentais, para ataques hipotéticos entre 
EUA e URSS.
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
Já num cenário pós-guerra fria na década de 90, No ano de 1990, teremos a famosa 
declaração de Londres da OTAN que alega que a união soviética e o pacto de Varsóvia 
não eram mais inimigos. Teremos os acordos START (STrategic Arms Reduction Treaty) I 
de 1991, e II de 1993. O acordo START I entra em vigor em 1994, mas o START II nunca 
entrou em vigor por falta de ratificação dos dois países. Temos o lançamento em 1996 do 
CTBT (Comprehensive Nuclear Test Ban Treaty), Tratado para a proibição completa dos 
testes nucleares, ainda não em vigor porque faltam algumas ratificações específicas como 
EUA e China (o Brasil prontamente ratifica o tratado). 
É importante analisarmos também as conferências de exame do TNP (são realizadas a 
cada 5 anos):
V conferência de exame de 1995. Foi nessa conferencia que se decidiu pela prorrogação 
por tempo indeterminado do tratado. Teremos ainda a proposta de realização de 
conferência para tornar o Oriente Médio Zona Livre de Armas Nucleares - ZLAN. Havia 
alguns esforços para paz no Oriente Médio em curso: 1991 - conferência de Madri; 1993 - 
acordo de Oslo.
ZLANs: Tratado da Antártida, de 1959, torna a Antártida área livre de armas nucleares; 
tratado de Tlatelolco, de 1967, torna a AL área livre de armas nucleares; Tratado de 
Rarotonga, de 1985, torna o Pacífico Sul em área libre de armas nucleares; Tratado de 
Bangkok, de 1995, torna o Sudeste Asiático numa zona livre de armas nucleares; e por 
fim o Tratado de Pelindaba, de 1996, que torna África zona livrede armas nucleares. 
Podemos afirma que o hemisfério Sul é totalmente livre de armas nucleares (Índia e 
Paquistão estão no hemisfério Norte).
A proposta de torna o Oriente Médio em ZLAN nunca foi atingida. Com a morte de Isaac 
Rabin em 1995, temos uma paralisia no processo de paz entre Israel e Palestina. No final 
da década de 90, teremos com o início do governo de Benjamin Netanyahu um retrocesso 
ainda maior. Já nos anos 2000, teremos novas dificuldades com o 11 de Setembro.
VI conferência de exame de 2000. Teremos a aprovação do documento de 13 passos 
práticos para o artigo sexto do TNP (compromisso de desarmamento). Foi fundamental 
nesse sentido a Coalizão da Nova Agenda, criada as vésperas da VI conferência (1999) 
com o objetivo de se alcançar uma nova agenda em matéria nuclear, que enfatizasse não 
apenas a lógica de não proliferação, mas também a lógica de desarmamento. A coalizão 
é composta por sete países notáveis: Brasil, México, Egito, África do Sul, Suécia, Irlanda 
e Nova Zelândia. É uma coalizão híbrida, conjugando lado a lado países centrais e 
periféricos. São países que tiveram experiências com material nuclear para fins pacíficos, 
como o Brasil, África do Sul (que chegou a ter a bomba pronta, mas não chegou a testá-
la) e Egito.
Já em 2001, teremos o 11 de Setembro, que desfaleceu os ânimos e a disposição em 
avançar num desarmamento nuclear, resultando em paralisia e retrocesso.
Em 2002, EUA e Rússia firmam o Acordo de Moscou que reduz para 2220 ogivas os seus 
arsenais nucleares mobilizados. O que mostra certo avanço no plano bilateral.
VII conferência de exame de 2005. Presidida pelo embaixador brasileiro Sérgio Duarte, 
sendo um enorme fracasso por não haver clima para avançar nos termos. Marcada por 
pressões dos países não nuclearmente armados sobre os nuclearmente armados pelo 
desarmamento e estes sobre aqueles pela não proliferação. O Oriente Médio já se 
encontra numa situação complicada com a guerra do Afeganistão a partir de 2001 e a 
invasão do Iraque em 2003, além da polêmica em relação ao Irã, que acusa Israel de 
armas nucleares (temos apenas 4 países fora do TNP: Israel, Paquistão e Índia, que 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
jamais participaram do TNP, e a Coreia do Norte, que rompeu com o TNP em 2003 em 
resposta a pressões Norte Americana).
Em 2009, teremos o discurso de Barack Obama em Praga, em que diz sonhar com um 
mundo livre de armas nucleares. Em dezembro de 2009, caduca o START.
Em 2010, teremos um acordo entre Rússia e EUA para reduzir em 30% o arsenal nuclear 
para 1550, chamado de novo START, já ratificado.
Em 2010 ainda, teremos uma conferência sobre segurança nuclear em Washington, para 
discutir medidas de segurança para armazenamento e circulação de material nuclear. A 
conferência é uma Cúpula que reúne 30 países, entre eles o Brasil.
VIII conferência de exame de 2010. Podemos perceber nessa conferência um grande 
protagonismo da coalizão da nova agenda, implicando também protagonismo do Brasil, 
com a retomada das discussões relativas a desarmamento nuclear na figura dos 13 paços 
práticos. Teremos também a rejeição da proposta de obrigatoriedade do protocolo 
adicional ao TNP, que prevê um aumento no rigor das inspeções nos países, visitando 
tanto instalações nucleares ativas quanto inativas, além de serem avisadas num prazo 
mínimo de 2h. O Brasil esta fora do protocolo adicional, e com a proposta de 
obrigatoriedade, há uma postura firme de vários países de bloquear essa proposta. Houve 
também uma proposta alternativa limitar parcerias para desenvolvimento nuclear apenas 
para países que tivessem firmado o protocolo adicional, que também foi rejeitada. No final 
da conferência teremos o compromisso com o desenvolvimento da tecnologia nuclear 
para fins pacíficos. Outro ponto interessante, é a nova proposta de realização de 
conferência para tornar o Oriente Médio uma ZLAN.
Brasil
No contexto da renovação de credenciais, o país promove ampla aproximação com o 
regime de não proliferação. Já 1988, a constituição federal impõe uma limitação ao 
desenvolvimento de tecnologia nuclear para fins pacíficos. Em 1991, no governo Color, a 
criação da ABACC - Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle, com sede 
no Rio de Janeiro, organização internacional com objetivo motivar o programa nuclear 
Brasil-Argentina para assegurar o seu caráter pacífico. Na ABACC temos um mecanismo 
de salvaguarda regional, o que único no Mundo. No governo Color, o fechamento do poço 
da Serra do Cachimbo, que seria utilizado para testes nucleares. Em 1994, teremos a 
adesão plena e sem reservas ao Tratado de Tlatelolco de 1967. Havia algumas condições 
do tratado que dificultavam a sua entrada em vigor, como o compromisso das potências 
nuclearmente armadas de nunca usarem armamentos nucleares nos países da América 
Latina, além de se comprometer a não desenvolver qualquer tipo de atividade para fins 
não pacíficos na região. O Brasil, assim como vários de seus vizinhos, apresenta a 
chamada declaração de dispensa que permite a entrada em vigor imediata do tratado 
uma vez que dispensa esses compromisso, muitos deles inviáveis. Em 1998, temos a 
adesão ao TNP. Muito criticaram o Brasil, afirmando que deveria manter essa carta na 
manga. Mas essa decisão se encaixa na lógica de renovação de credenciais da política 
externa brasileira. O Brasil também adere ao NTCR (regime para o controle da tecnologia 
de mísseis) e ao CTBT (tratado para proibição completa de testes nucleares), já assinado 
em 1996, além de integrar o NSG (grupo de supridores nucleares), grupo formado por 
cerca de 30 países com tecnologia nuclear e capacidade de produção e exportação de 
material nuclear. O Brasil já é a sexta maior reserva de urânio do mundo, com apenas 
metade do território prospectado, com potencial para a ser a terceira maior reserva. 
Apenas Brasil, EUA e Rússia possuem a característica de grandes reservas e tecnologia 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
nuclear. O Brasil busca contribuir para o avanço do regime se oferendo como mediador da 
crise com o Irã. Em 2010, Brasil e Turquia negociam a declaração de Teerã, uma vitória 
da diplomacia brasileira, pois o tratado previa exatamente as mesmas condições 
oferecidas anteriormente ao Irã em 2009 pela OIA, em que o Irã se comprometia a 
transferia a maior parte de suas reservas para o exterior (2200 kg de urânio), que seria 
enriquecida (3 a 5% para fins energéticos, até 20% para fins médicos, e acima de 20% 
fins militares) e devolvida de forma parcelada ao Irã. Mas os EUA decidem passar por 
cima do acordo e no mesmo dia em que é assinada a declaração, a secretária de estado 
Hilary Clinton propõe uma nova rodada de sanções ao Irã, que na prática demonstra um 
desprezo pela declaração. As sanções acabam sendo aprovadas, com votos contrários de 
Brasil e Turquia, além de abstenção da Líbia. Se o acordo tivesse sido prestigiado, 
certamente teríamos algum avanço com as negociações com o Irã, estando hoje na 
estaca zero. O problema em relação ao programa nuclear iraniano é a falta de 
transparência. Outra situação que preocupa é a relação com a Coreia do Norte, que já 
tem a bomba. Já foram realizados dois testes (1/10/06 primeiro teste), e agora estão 
testando vetores de curto alcance.
Terrorismo
Quando pensamos em terrorismo transnacional, devemos atentar para o conceito de 
terrorismo: é um conceito antigo da era do terror da revolução francesa de Robespierre, 
em que o Estado impõe o terror para alcançar os objetivos políticos; com o passar do 
tempo ganha outras conotações, no séc. XX passar a ser usado como resistência as 
ações do próprio estado, quanto a ocupação estrangeira, etc. Fato é que sempre foi 
tratado como uma questão doméstica, interna, que diz respeito fundamentalmente aos 
estados. Apenas na década de 70, que o terrorismo será incorporadoa agenda da ONU, 
revelando duas interpretações: visão jurídico-política e visão jurídico-normativa. A visão 
jurídico-política discute terrorismo levando em consideração as causas par ao terrorismo, 
é uma discussão política do termo, procurando entender os atos que levam ao terrorismo. 
Essa visão prevalece pelos países do Sul. A visão jurídico-normativa busca a repressão, 
focando na reação a qualquer forma de terrorismo, independente da razão, que prevalece 
nos países do Norte. Essa discussões na ONU vão levar a resolução 3034 de 1972 da 
AGNU, que a primeira resolução na história da ONU relativa à terrorismo. Aprovada dias 
depois dos atentados das olimpíadas de Munique contra a delegação de Israel. Essa 
resolução revela uma perspectiva jurídico-política, porque se mostra de certa forma 
tolerante, não busca a punição ou repúdio inequívoco ao terrorismo, o que mostra a 
prevalência dessa visão na ONU nos anos 70. A década de 80 vai revelar novos casos de 
terrorismo internacional, marcada pelo sequestro de aeronaves civis, como o caso do ato 
terrorista a um avião da Pan Am em 1988, atentado de Lockerbie, planejado pelo governo 
da Líbia. Na década de 50 e 60, o ETA (Espanha) e o IRA (Grã-Bretanha) são terrorismo 
de caráter fundamentalmente doméstico, sabe-se quais os motivos e razões que vão se 
dar os atentados. Nos 70 e 80 começam a aparecer formas diferentes de terrorismo. Nos 
anos 90, isso vai levar a ONU a rever sua posição, e em 1993 teremos a resolução 4960 
da AGNU que faz um repúdio inequívoco de todas as formas de terrorismo e convoca 
para operação internacional contra essa nova ameaça, revelando uma visão mais jurídico-
normativa. Ao longo dos anos 90, teremos várias convenções contra terrorismo, por 
exemplo: Convenção internacional contra atos terroristas a bomba; Convenção contra o 
financiamento ao terrorismo; entre outras. Antes do 11 de Setembro, já era um tema 
incorporado a agenda internacional de segurança da ONU. Em 1993 teremos um 
atentado de carro-bomba ao world tarde center. O 11 de Setembro é um divisor de águas, 
em que o CSONU adota resoluções histórias contra terrorismo. O que o 11 de setembro 
faz é elevar o tema ao CS. Podemos destacar a resolução 1368 e 1373 do CS. A 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
resolução 1368 aprovada poucos dias após o atentando, autoriza a utilização de todos os 
meios necessários contra os responsáveis pelo atentado. Essa resolução é tomada como 
base para os ataques contra o Afeganistão, o regime Taliban e a Al-Qaeda. Já a resolução 
1373 impõe uma série de responsabilidades aos estados de combate ao terrorismo: diz 
que os estados não podem servir de santuário para refúgio de grupos terroristas; diz que 
os estados não podem apoiar politicamente grupos terroristas; diz que os estados nÃo 
pode financiar atividades de grupos terroristas; diz que os estados devem combater o 
recrutamento para grupos terroristas; diz que os estados devem obrigatoriamente 
cooperar nas investigações policiais contra o terrorismo; etc. O que aliás foi muito 
criticado por especialistas em direito internacional, pois a resolução estarei legislando no 
contexto internacional, impondo uma série de obrigações ao estados, o que deveria vir 
através de uma resolução que o estado poderia assinar ou não. Além de tudo isso, a 
resolução 1373 cria o chamado CAT - Comitê de antiterrorismo, que fiscaliza os estados 
no cumprimento das obrigações descritas na resolução. O CAT já fez algumas pressões 
no Paraguai, sendo defendido pelo Brasil. A resolução 1368 é pautada no capítulo sétimo 
da carta de São Francisco, elevando a aplicação deste capitulo contra o terrorismo.
Apesar do fortalecimento do regime contra o terrorismo pós 11 de Setembro, ainda 
encontramos algumas fragilidades, sendo a falta de uma definição conceitual objetiva e 
consensual um desses fatores de fragilidade. Isso leva diferenças marcantes na definição 
de determinados grupos como terroristas ou não. Por exemplo, nos EUA reconhecem as 
FARC como grupo terrorista, mas para o Brasil não são. Outro ponto importante, quando 
se olha para o mundo palestino, defende-se a ideia de que a resistência contra a 
ocupação estrangeira é legítima, não seriam atos terroristas.
Quando olhamos para o Brasil nesse cenário, encontramos um país cooperativo 
enfatizando o multilateralismo como melhor estratégia. O Brasil coopera com o CAT, no 
âmbito do CSONU, com o CICT - comitê interamericano de combate ao terrorismo, no 
âmbito da OEA, que atua de forma responsável na tríplice fronteira através do comando 
tripartite da tríplice fronteira Brasil, Argentina e Paraguai. O comando tripartite tem um 
diálogo permanente com os EUA. O Brasil com seus parceiros na região faz uma 
fiscalização e monitoramento inclusive dos fluxo financeiros que saem daquela área, pois 
a grande preocupação é em Foz do Iguaçu, em que há uma grande comunidade árabe, 
inclusive alguns fundamentalistas, pudesse ser usada para financiar células terroristas 
mundo afora. Nesse sentido, um dos principais esforços do Brasil é monitorar fluxos 
financeiros, sendo inclusive recomendação da ONU. O que o Brasil não aceita os 
excessos no combate ao terrorismo, por exemplo Guantanamo, em que 2012 a presidente 
Dilma, desembarcando em Havana, a falta de respeito aos direitos humanos.
Conceito de Terrorismo transnacional
John Urry caracteriza o terrorismo transnacional como sendo um fluido global, porque o 
terrorismo internacional não tem forma, assumindo perfis e características diversos.
Narcotráfico
Não é um tema novo. Em 1909 foi realizada a Conferência Internacional de Xangai, 
voltada para o combater o tráfico internacional de órgãos. 
No contexto da Liga das Nações, já há um combate ao narcotráfico, em que serão 
realizadas duas convenções sobre o tema. 
A ONU vai impulsionar o tratamento do tema. Em 1961 teremos a convenção única sobre 
tráfico de entorpecentes. Em 1988 a convenção contra o trafico ilícito de entorpecentes e 
substâncias psicotrópicas, que é tida como uma regência até hoje, fruto da conferência de 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
Viena, sobre o mesmo tema. Em 2000, teremos a convenção de Palermo contra crime 
organizado transnacional, sendo uma das forma o narcotráfico.
O tema é tratado em várias esferas multilaterais. Na ONU temos o escritório das Nações 
Unidades contra as drogas e crimes, que centraliza as ações da ONU contra tráfico de 
drogas e crimes relacionados, como lavagem de dinheiro, já apontado na convenção de 
Palermo. No seio do ECOSOC, a comissão sobre drogas narcóticas ou entorpecentes, 
que discute a questão da droga no âmbito social e econômico. A ONU trás abordagem 
social do tema, consagrando a expressão “problema mundial das drogas”.
No âmbito da OEA, temos a comissão interamericana do controle ao abuso de drogas - 
CICAD.
Na UNASUL, criado em 2009, temos o conselho Sul-Americano sobre o problema mundial 
das drogas, com apoio total do Brasil.
O Brasil não é um ator qualquer, tendo uma participação ampla no tráfico mundial de 
drogas, servindo de rota de passagem para distribuição de drogas, além de contribuir no 
processo de refinamento da droga e mercado consumidor de cocaína e maconha.
O Brasil chama a atenção para a três ideias:
Co-responsabilidade, em que a responsabilidade recai não apenas sobre as áreas 
produtoras, mas também sobre as áreas consumidores. Logo, os EUA também tem papel 
fundamento no combate; desenvolvimento alternativo, adotando uma dimensão social e 
econômica, acredita que não basta reprimir, tem que criar condições para um 
desenvolvimento alternativo para aqueles países que sobrevivem da produção de drogas; 
multilateralismo como melhor caminho, concentrado esforços para combater não só as 
drogas, mas também o crime organizado.
Aula 9 - Gatt 47
Após a segunda guerra mundial a ênfase sobre o multilateralismo. Em 1944 temos aconferência de Breton Woods, com a criação do FMI e do BIRD. O Fundo Monetário 
Internacional é um mecanismo multilateral criado para manter o equilíbrio 
macroeconômico entre os estados e também estabilidade na cotação de moedas. O 
Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento, funcionando como banco de 
fomento para reconstrução dos estados afetados pela segunda guerra.
Em 1945, teremos a conferencia de São Francisco, responsável pela criação de um 
mecanismo multilateral voltada para a paz e segurança internacional - ONU. No entanto, 
faltava ainda uma organização voltada para o comércio internacional.
Em 1947, teremos a organização da conferência de Havana, organizada justamente para 
tentar criar a organização internacional de comércio.
Quando olhamos para os século anteriores, o comércio sempre organizado pela via 
bilateral. No entanto, a via bilateral trás preferência exclusiva em relação ao Países 
envolvidos e excludentes para os demais países. Isso pode gerar rivalidades entre os 
países, podendo levar a conflitos como observado no neo-imperialismo do século XIX que 
levou à primeira guerra mundial. Logo, concluí-se que a via bilateral é ruim para a 
estabilidade entre os Estados. A via multilateral passa então a ser a opção a via bilateral, 
sendo mais adequada para evitar as rivalidades entre estados.
Conferência internacional sobre comércio e emprego: realizada em Havana em 1947, 
tendo como produto a chamada carta de Havana, dividida em duas partes principais: 
parte normativa, que impunha um conjunto de normas como por exemplo normas sobre 
comércio e emprego, normas sobre comércio e desenvolvimento, e normas sobre boa 
conduta comercial; e parte institucional, voltada para a regulação da criação e 
funcionamento da organização mundial de comércio (OMC). No entanto, o senado dos 
EUA não ratificam a carta de Havana, sendo essa uma das condições indispensáveis 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
para a criação da OMC. O Senado dos EUA critica o caráter intervencionista da carta e da 
OMC, e afirma o comércio exterior como material de soberania nacional exclusiva. 
Nessas condições, entra como alternativa o Gatt 47. O Gatt era um acordo provisório 
estabelecido pelos estados para reger o comércio internacional em bases multilaterais 
enquanto a carta de Havana não entrasse em vigor. Diante da impossibilidade de ratificar 
a carta, o Gatt passa a ser a única opção possível, vigorando de 1947 até janeiro de 
1995, quando entra em funcionamento a OMC.
Justamente por ter sido pensado para ser provisório, apresenta simplicidade normativa 
para reger o sistema multilateral de comércio. Algumas características do Gatt 47: acordo 
provisório; acordo executivo (não passou pelo crivo dos congressos nacionais); versão 
abreviada e pragmática da carta de Havana (conjunto de normas de boa conduta 
comercial, não possuindo parte institucional, nem norma de desenvolvimento e emprego); 
natureza contratual e não institucional. Podemos a partir desse comentários, dizer que o 
Gatt tem um baixo adensamento de juridicidade (superficial no quesito normativo).
Objetivos do Gatt
O primeiro objetivo tem haver como o próprio momento histórico (final da segunda 
guerra): objetivo de promover o livre comércio. Isso interessa aos EUA pela necessidade 
de mercado, inserido numa lógica liberal.
Segundo objetivo é regular o comportamento dos Estados em mateira comercial. Esse 
objetivo está ligado ao primeiro, estimulando comportamentos que se alinham à lógica de 
livre comércio e desestimular comportamentos contrários a essa lógica.
Princípios do Gatt
Primeiro princípio: nação mais favorecida (mais importante principio do sistema 
multilateral de comercio). É base do multilateralismo e denota que toda e qualquer 
vantagem dada a um estado, deve necessariamente ser estendida a todos os demais 
(lógica de incluir). O Brasil oferece vantagens especiais a Argentina, Paraguai e Uruguai, 
mas é exceção a OMC.
Princípio do tratamento nacional. Afirma que se deve estender as mercadoras 
estrangeiras, as mesmas condições aplicadas às mercadorias nacionais, cumpridas as 
exigências alfandegárias.
Princípio de eliminação de restrições quantitativas. Entendemos como restrições 
quantitativas a emissão de cotas. Para o Gatt as cotas são ainda mais prejudicais ao livre 
comércio do que as tarifas, pois podem levar a interrupção do livre comércio.
Princípio da reciprocidade. Compromisso dos estados de reciprocarem os benefícios 
comerciais que recebem.
Princípio da transparência. Os Estado se obrigam a agir de forma transparente. Todos os 
acordo comerciais devem ser públicos, transparentes e de fácil entendimento e 
interpretação.
Exceções a esses princípios
Nação mais favorecida: 
Art 24 do Gatt, que autoriza acordo regionais de comércio. No âmbito desses acordos, 
esses países poderão trocar vantagens comerciais que não serão estendidas aos países 
de fora desses acordos.
Cláusula de habilitação: surge em 1979 e habilita os estados a concederem vantagens 
exclusivas a países em desenvolvimento. Também habilita estados periféricos a 
considerem vantagens exclusivas a outras nações menos favorecidas.
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
Waivers (derrogação de obrigações): suspensão temporária de obrigações. O estado que 
é contemplado com um waver fica isento de cumprir as obrigações de livre comércio em 
relação a mateira em que foi concedido o waiver.
Tratamento nacional:
É possível discriminar contra práticas ilegítimas de comércio. Por exemplo, o antidumping 
e anti-subsídios.
Eliminação de restrições quantitativas:
Artigo 11 do Gatt, prevê a possibilidade dos estados adotarem cotas (restrições 
quantitativas) com o objetivo de assegurar o fornecimento de produtos essenciais em 
caso de desabastecimento (limitando a saída de produtos - exportação).
Artigo 12 do Gatt, prevê a possibilidade de restrições quantitativas para limitar a entrada 
de produtos importados com vistas a assegurar o superavit comercial que contribua para 
equilibrar o balanço de pagamentos.
Artigo 19 do Gatt, permite a aplicação de restrições quantitativas para proteger o produtor 
local da invasão súbita, crescente e inesperada por produtos importados. (salvaguardas)
Artigo 20 do Gatt, prevê a possibilidade de aplicação de restrições quantitativas para 
proteger a saúde pública, a moral pública, patrimônio histórico, artístico, ambiental, 
arqueológico nacional. Exemplo: limitação da importação de cigarro e bebida alcóolica; 
quantidade de material de conteúdo pornográfico; saída de obras de arte; exportação de 
animais silvestres; etc.
Reciprocidade
Não reciprocidade esta prevista na parte IV do Gatt, incluída em 1964. A parte IV dispõe 
sobre comércio e desenvolvimento, algo que estava previsto na carta de Havana, mas 
não constava inicialmente do Gatt. Um dos pontos mais importantes é relativo a não 
reciprocidade, que define a possibilidade de estados em desenvolvimento receberem 
vantagens comerciais sem devolverem nada em troca, visando favorecer o mundo 
periférico.
Transparência
Não tem exceções.
Evolução do Gatt 47: rodadas de negociação comercial (oito rodadas ao todo). 
Atualmente estamos na primeira rodada da OMC, rodada Doha, que já dura mais de 11 
anos.
O GATT teve durante sua existência oito rondas de negociações comerciais, a saber:
Ronda Genebra (1947), com a participação de 23 países.
Rondada Annecy (1949), com a participação de 13 países.
Rondada Torquay (1951), com a participação de 38 países.
Rondada Genebra (1956), com a participação de 26 países.
Rondada Dillon (1960-61), com a participação de 26 países.
Rondada Kennedy (1964-67), com a participação de 62 países.
Rondada Tóquio (1973-79), com a participação de 102 países.
Rondada Uruguai (1986-94), com a participação de 123 países.
Até a rodada Dillon, teremos uma prevalência dos países desenvolvidoe uma atuação 
marginal dos países em desenvolvimento. Pela prevalência dos países do Norte, temos 
temas típicos, como acesso a marcados para produtos manufaturados.
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
A partir da década de 60, reconhecemos muito mais uma lógica de embate, com ativa 
participação do Sul, com caráter defensivo e demandante. Podemos destacar a 
participação da UNCTAD e do Grupo dos 77, criados em 1964, respondendo em grande 
medida as articulações dos países em desenvolvimento.
As primeiras rodadas eram mais curtas, passando a demorar mais a partir da rodada 
Dillon. Isso se deve a complexidade temática e ao aumento do número de atores 
participantes.
Devemos analisar com cuidado a rodada Uruguai, que serviu de transição do Gatt 47 para 
a OMC, com o tratado constitutivo de Marrakech.
Fatores que levaram a convocação da rodada do Uruguai e a substituição do Gatt 47 pela 
OMC
O primeiro fator que devemos apontar é a fragilidade do Gatt (baixo adensamento de 
juridicidade): é um acordo lançado para ser provisório; natureza meramente contratual; 
versão abreviada da carta de Havana; mero acordo executivo. Além disso, acaba 
contribuindo para o surgimento de marcos normativos contrastantes. Jamais conseguiu 
levar a uma uniformidade jurídico-normativa entre os Estados, por vários fatores: os 
waivers, que proporcionam privilégios a alguns países; figura do Gatt à la carte, em que 
as negociações comerciais se dão como se tivesse uma série de opções sobre a mesa, 
decidindo quais acordo desejam aderir, o que resulta em marcos normativos 
contrastantes; cláusula do avô, que permitia aos estados uma vez invocada aplicarem as 
normas internas em detrimento das normas do Gatt; a ineficácia do sistema de solução de 
controvérsia, que não conseguia resolver as disputas comerciais entre os estados devido 
ao critério do consenso - as decisões apontada por especialista só entram em vigor após 
a aprovação de todas as partes, inclusive as partes em conflito (nenhuma disputa chegou 
a ser implementada).
O segundo fator é justamente a maior complexidade da realidade internacional, 
mudanças na economia política internacional. Teremos um novo paradigma produtivo, em 
que saímos do modelo fordista para o modelo pós-fordista, ou desmembramento da 
cadeia produtiva, que vai levar ao comércio de componentes; diversificação dos fluxos 
internacionais, que além dos comércio de bens, teremos comércio de serviços, 
investimentos transnacionais, revelando a diversificação dos fluxos, aparecem como 
novos temas do comércio mundial, como serviços, investimentos; surgimento como 
inovação tecnológica como principal vantagem comparativa, que passará ser a base para 
a posição e competitividade das mercadorias no mercado internacional, gerando a 
necessidade de proteger a propriedade intelectual, passando a ser também um novo 
tema; proliferação de barreiras não tarifárias para ao comércio, ou seja, outras categorias 
além da tarifária como normas técnicas, medidas sanitárias e fitosanitárias, antidumping, 
entre outras.
Terceiro fator é a própria crise do comércio mundial. Essa crise no comércio mundial 
também vai justificar a criação de uma nova rodada, para dar fôlego ao setor. Nos anos 
70, teremos os choques do petróleo; o fim do prado ouro (padrão de Breton Woods); a 
estagnação econômica na Europa; crise nos EUA também; aparecimento dos tigres 
asiáticos - novos países industrializados da Ásia, colocando em check os produtos 
tradicionais; Nos anos 80, podemos reconhecer a década perdida na América Latina, que 
também afeta o mercado mundial.
Rodada Uruguai
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
A Rodada Uruguai é lançada pela Declaração de Punta de Leste de 1986, para durar 4 
anos. Deveria ser encerrada em 1990, no entanto, dura até 1994. O principal gargalo nas 
negociações foi a agricultura. Há uma polarização, de um lado os chamados novos temas: 
serviços, investimentos, propriedade intelectual, compras governamentais; e de outro 
lado, agricultura e têxteis.
A Rodada Uruguai pauta-se pelo single undertaken (lógica do tudo ou nada, pacote 
fechado): ou seja, não há mais a lógica do Gatt à la carte. O país não pode mais escolher 
quais acordos participar dentro do pacote de acordos. Por um lado é positivo, por levar a 
uma uniformidade das regras comerciais, mas, por outro lado, há um aumento na 
dificuldade nas negociações, justificando a extensão da rodada.
Acordo sobre agricultura (AOA): acordo tímido, que prevê basicamente limites máximos 
para tarifas, sem compromissos amplos de redução. Há uma cláusula da paz, que vigorou 
até 2002, que previa que os Estados se abstiam de levar qualquer questão relativa a 
subsídios agrícolas para o mecanismo de solução de controvérsia até 2002. Cria-se 
também uma negociação mandatária para 1999, ou seja, tinha consciência que o acordo 
carecia de negociação futura para aprofundar o acordo (continua sendo tema na rodada 
Doha).
Acordo sobre têxteis (novo acordo multifibras): impõe o compromisso com a eliminação 
total e escalonada das cotas até 2005. Isso foi cumprido, o que demonstra que o acordo 
foi favorável para tema.
Acordo sobre Comércio de Serviços (GATS): acordo que consagra os princípios de 
tratamento nacional e transparência para o comércio de serviços. Mas em termos 
práticos, o acordo é tímido, sem compromisso efetivo de liberação do comércio de 
serviços, ou seja, uma nova legislação que regule o setor (continua sendo tema na 
rodada Doha).
Acordo sobre investimentos (TRIM): acordo que também consagra o princípio de 
tratamento nacional em relação a investimento. Os EUA defendiam uma discriminação as 
avessas, ou seja, regalias e prerrogativas exclusivas para investidores estrangeiros, o que 
não foi atendido no acordo TRIM. Essa é a proposta americana no chamado acordo MAI 
(acordo multilateral de investimentos) no âmbito da OCDE, aparecendo em acordo 
regionais como o NAFTA.
Acordo sobre propriedade intelectual (TRIPS): impõe o compromisso com a adoção de 
leis de proteção a propriedade intelectual, bem como com a tipificarão da pirataria como 
crime.
Acordo sobre compras governamentais (GPA): acordo plurilateral, impõe aos estados a 
obrigação de abrirem as licitações para livre participação de empresas estrangeiras. O 
acordo plurilateral impõe direitos e obrigações apenas para as partes contratantes, e não 
para todos (diferentemente com os acordo multilaterais). Por ser um acordo avulso, o 
Brasil pôde ficar de fora, por não ter interesse na participação estrangeira em todas as 
suas licitações.
Acordo sobre normas técnicas: no Brasil temos o INMETRO e a ABNT, e 
internacionalmente temos a ISO. O objetivo do acordo não proibi a regulamentação de 
normas técnicas, mas evitar a sua aplicação abusiva e com fins puramente protecionistas.
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
Acordo sobre medidas sanitárias e fitosanitárias: visa evitar a aplicação abusiva e com 
fins puramente protecionistas de medidas sanitárias e fitosanitárias.
Acordo sobre defesa comercial: irá regular as salvaguardas, as medidas antidumping e as 
medidas antisubsídios.
Medidas de salvaguarda não tem caráter punitivo, se destinando a proteger o produtor 
local da invasão súbita, crescente e inesperada de produtos importados. Critérios 
exigidos: o dano e a imprevisibilidade. As salvaguardas, pela regra, devem ser aplicada 
de forma não discriminatória, sendo contra o produto e não sobre o país (existem 
salvaguardas específicas do Brasil contra a China, mas são exceção). Medidas 
compensatórias para os países prejudicados.
Medidas antidumping e antisubsídios são medidas de caráter punitivo, visando 
desestimular práticas proibidas. São medidas punitivas, discriminatória e sem 
compensação.
Ambas as medidas são feitas em um processo legal, em que se tem o direito a ampla 
defesa e ao contraditório.A Rodada Uruguai termina em 1994 com o Acordo Constitutivo de Marrakech, que 
encerrar a rodada Uruguai e cria a OMC.
Aula 10 - OMC
A OMC é criada pelo acordo constitutivo de Marrakech em 1994 ao final da rodada do 
Uruguai. Começa a funcionar efetivamente em 01 de janeiro de 1995.
Podemos afirmar que a OMS representa um avanço normativo e institucional em face do 
Gatt 47:
Tem natureza institucional, ou seja, é uma organização internacional.
As negociações são pautadas pelo single undertaken, dando-se preferência aos acordos 
multilaterais em detrimento dos plurilaterais.
Reforço do mecanismo de solução de controvérsias, com a substituição do critério do 
consenso pelo consenso negativo ou reverso. OU seja, a decisão tomada por 
especialistas só não serão implementadas se todos os membros forem contra.
Maior rigor na aprovação de waivers, agora por 3/4 ao invés de 1/3.
Revogação da cláusula do avô. Agora os estados precisam internalizar as normas 
internacionais.
Estrutura institucional da OMC
Conferências ministeriais, estão no topo da hierarquia da OMC. São órgãos de 
convocação periódica, geralmente de dois em dois anos. Possui atribuições específicas, 
sendo um órgão decisório (por exemplo: a realização de novas rodadas de negociação, 
mudanças estatutárias, entrada de novos membros, etc).
Conselho geral, órgão de mais alta hierarquia logo abaixo da conferência ministerial. É um 
órgão permanente de alta representatividade (todos os membros da OMC) e com poder 
decisório. No entanto, existem decisões exclusivas da conferência ministerial. Decidir pela 
entrada de novos membros pode ser feita pelo conselho geral, mas a decisão de nova 
rodada de negociações não.
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
Conselhos temáticos, abaixo do conselho geral. Temos conselhos sobre comércio de 
bens, sobre comércio de serviços, e sobre propriedade intelectual. Cada conselho 
temático está subdividido em vários outros órgãos.
Órgão para revisão de políticas comerciais e órgão de solução de controvérsias, também 
subordinados ao conselho geral. 
O primeiro serve para rever a política comercial dos estados para verificar se estão ou 
não em conformidade com os princípios da organização. A periodicidade das revisões 
depende dos países: países desenvolvidos a cada dois anos; países em desenvolvimento 
a cada quatro anos; países com menor desenvolvimento relativo a cada seis anos.
O segundo órgão (OSC), possui atuação no meio do mecanismo de solução de 
controvérsias.
Funcionamento do Mecanismo de Solução de Controvérsias
Etapas
Fase de consultas bilaterais, sendo facultativa a participação de uma terceira parte.
Fase jurisdicional:
Painel ou órgão especial, composto por especialistas. Órgão ad-hoc em que são 
escolhidos especialistas no assunto em questão com base numa lista disponível. O painel 
analisa questões de fato e de direito e dentro do prazo estabelecido, proferem uma 
decisão. Essa decisão pode ser objeto de recurso ou não. Caso haja apelação iremos 
para o órgão de apelação (que não existia no Gatt 47).
Órgão de apelação, também composto por especialistas. É um órgão revisor que analisa 
questões de direito (não de fato) que também profere um decisão que pode ser 
fundamente de 3 tipos: que matem a decisão anterior, reforma a decisão do painel (mudar 
em parte) ou revoga a decisão original.
Órgão para solução de controvérsias (OSC): composto exatamente pela mesma 
composição do conselho geral, ou seja, todos os membros da OMC (não 
necessariamente estados, como é o caso de Taiwan e Hong Kong). Tem papel de filtrar as 
decisões dos órgãos técnicos (painel ou órgão de apelação) para decidir quais serão 
implementados. O critério para decidir é o do consenso negativo ou reverso.
Temos dois órgãos técnicos e um órgão político. O grande avanço do mecanismo de 
solução de controvérsias da OMC em relação ao Gatt 47 é que teremos na OMC uma 
prevalência dos órgãos técnicos sobre o órgão político, que perde a prerrogativa de 
barras as decisões técnicas.
Implementação das decisões
Temos três possibilidades fundamentais: cumprimento da decisão pela parte derrotada; 
parte derrotada não cumpre a decisão, mas oferece compensações; parte derrotada não 
cumpre e não oferece compensações, abrindo-se a possibilidade de retaliação (o objetivo 
da retaliação é causar prejuízo ao país, mas objetivando o cumprimento da decisão).
Apesar dos avanços, ainda há fragilidade no mecanismo de solução de controvérsias: 
falta de transparência, pois os processos ocorrem sem a possibilidade de outros atores no 
processo; dificuldades de acesso para países em desenvolvimento e países com menor 
desenvolvimento relativo, devido aos altos custos processuais; dificuldade de retaliação 
para países em desenvolvimento e países com menor desenvolvimento relativo, pois há 
grande dificuldade desses países de oferecer dano ao país a ser retaliado pela grande 
assimetria política e econômica, tornado a retaliação muitas vezes inviável; A base 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
normativa da OMC é o Gatt 94, que é o Gatt 47 com pequenos ajustes; Os órgãos 
decisórios utilizam um mecanismo híbrido de consenso com votação pela maioria. Ou 
seja, continuamos a ter o consenso como critério básico. Em alguns temas (de forma 
alguma em todos), não se alcançando o consenso, passa-se pela aprovação por 2/3. Por 
exemplo, a entrada de novos membros.
Evolução da OMC (análise das conferências ministeriais)
1a Conferência ministerial da OMC de 1996 em Singapura:
Análise a cerca do estágio de implementação durante a rodada Uruguai.
Negociação do Acordo sobre Tecnologia da Informação (ITA). Acordo formado em caráter 
plurilateral, em exceção a preferência por acordo multilaterais da OMC. O Brasil fica de 
fora do acordo, pois desde de os governos militares tem uma política de desenvolver 
tecnologia própria. Rejeitou o acordo dizendo que isso feria os princípios da OMC de 
realizar acordos multilaterais.
Proposta relativa a cláusula ambiental e cláusula social (chamados de novos, novos 
temas). Cláusula ambiental permitiria restringir o comércio com países que adotassem 
uma política degradante em termos de meio ambiente (dumping ambiental). Cláusula 
social permitiria restringir o comércio com países que não respeitem padrões trabalhistas 
mínimos definidos pela OIT. Essas propostas não foram aprovadas, pois houve uma 
rejeição ampla entre os países em desenvolvimento entre eles o Brasil, com medo de ser 
utilizado contra sí. O Brasil rejeitou alegando que a OMC não seria o fórum legítimo para 
discutir isso, existindo outros órgãos internacionais responsáveis por isso. Outro motivo 
seria o mero interesse protecionista dos países desenvolvidos.
Temas de Singapura: comércio e investimentos, transparência em compras 
governamentais, comércio e concorrência, e facilitação de comércio. Os três primeiros 
são temas já discutidos de interesse principalmente dos países desenvolvidos, por não 
estarem satisfeitos com os resultados da rodada Uruguai. O último tema é novo, sendo o 
único de interesse tanto dos países centrais e periféricos. Exemplo de facilitação de 
comércio: criar procedimentos simplificados para exportação de pequenos valor; criar 
mecanismos de universalização e harmonização dos códigos e denominação de 
produtos.
2a Conferência ministerial da OMC de 1997 em Genebra:
Novamente uma análise sobre os acordos da rodada Uruguai.
Nova proposta apresentação das propostas sobre cláusula social e cláusula ambiental, 
implicando em nova rejeição dos países em desenvolvimento.
Proposta de lançamento de rodada de negociações para a ministerial de Seattle em 1999, 
que seria a primeira rodada de negociações da OMC. Essa rodada seria para dar 
estabilidade e estimular ao comércio internacional.
3a Conferência ministerial da OMC em Seattle, 1999:
Marcada por um acentuado protesto antiglobalização.Impasse motivado pelo conservadorismo dos EUA (ano eleitoral), não tendo interesse em 
aprofundar alguns temas.
Retomada das discussões sobre agricultura, que também justifica o impasse.
Insistência nas cláusulas social e ambiental.
Não houve acordo para o lançamento da rodada do milênio.
4a Conferência ministerial da OMC em Doha, no Qatar, 2001:
Ocorre menos de dois meses depois do 11 de Setembro, o que criou um clima de maior 
cooperação e sensibilidade entre os estados.
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
Entrada da China na OMC.
Aprovação da declaração sobre propriedade intelectual e saúde pública, que vai autorizar 
o licenciamento compulsório de fármacos (quebra de patentes). Grande vitoria do Brasil 
(participação do ministro da saúde do governo FHC, José Serra) e dos países em 
desenvolvimento, como Índia. No governos Lula em 2007 vai declarar isso sendo 
compulsório sobre medicamento anti-retroviral utilizado no combate a AIDS.
Lançamento da rodada do desenvolvimento (rodada doha), com o compromisso de dar 
tratamento especial e diferenciado aos países em desenvolvimento e aos países com 
menor desenvolvimento relativo.
Mandato negociador da rodada doha:
Agricultura: acesso aos mercados, redução significativa dos subsídios a produção, e 
redução com vistas a eliminação dos subsídios a exportação.
NAMA: acesso a mercados para produtos não agrícolas, o que representa uma pressão a 
países como brasil e índia.
Serviços: novo acordo sobre serviços, aprofundar o acordo da rodada Uruguai e na 
reunião de Singapura.
5a Conferência ministerial da OMC em Cancún, 2003:
Marcada pelo impasse. Conservadorismo no tema agricultura principalmente no tocante a 
eliminação dos subsídios a exportação (negociadores da UE afirmavam que não seria 
possível um acordo efetivo para redução desses subsídios). Teremos como resposta a 
esse conservadorismo a criação do G20-comercial (formado exclusivamente por países 
periféricos, com liderança de Brasil e Índia, além de países como China, África do Sul, 
México, Chile, Egito, etc) pelo Brasil. A partir da criação do G20-comercial, o Brasil passa 
a ter uma participação protagonista na rodada Doha.
Em Julho de 2004, teremos a negociação do chamado pacote de Julho (July Packet). 
Conjunto de medidas conciliatórias para permitir a retomada das negociações da rodada 
Doha, como: reafirmação do compromisso com a eliminação dos subsídios agrícolas a 
exportação; ênfase em facilitação de comércio sobre os demais temas de Singapura; 
entre outras medidas.
Ao longo de 2005, pouco foi feito
6a Conferência ministerial da OMC em Hong Kong, Dezembro de 2005:
Apesar do clima de pessimismo, houve algumas conquistas.
Compromisso de eliminar os subsídios a exportação agrícola até 2013. Explicada pela 
pressão dentro da própria UE por mudanças da Política Agrícola Comum - PAC.
Tratamento especial dado ao algodão, reconhecido como tema único, discutido em 
separado da agricultura, afim de favorecer países mais necessitados, fundamentalmente 
da costa ocidental da África (Mali, Chad, Benim e Burkina Faso).
Tratamento relativo a produtos especiais e salvaguardas especiais. Produtos de 
característica singulares ligados a segurança alimentar e agricultura de subsistência, que 
merecem proteção especial para garantir o desenvolvimento. Salvaguardas especiais são 
salvaguardas de aplicação imediata através de gatilho (percentual do aumento das 
importações). Podem ser aplicadas sem autorização pelos países com população 
predominantemente rural, sempre que houver aumento dos produtos importados frente a 
produção local.
Embora não tenha havido avanço nos demais temas, houve satisfação no governo 
brasileiro com a retomada das negociações.
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
Em 2006, temos mais um ano de paralisia, até que em Julho de 2006, o diretor geral da 
OMC decide suspender as negociações da rodada Doha em função da falta de avanço e 
da ausência de ofertas nos distintos temas. Por exemplo, não se cumpre a fase de 
modalidades em relação a redução tarifária sobre a exportação agrícola definida para 
2006.
Diante da paralisia nas negociações, articula-se o G4 composto por EUA, UE, Brasil e 
Índia para buscar uma saída para a rodada (novo quad). Velho quad formado por EUA, 
UE, Japão e Canadá.
Em Julho de 2008, foi o momento em que os negociadores estiveram próximo de fechar 
um acordo (pacote de Pascal Lamy).
Ponto positivo, o Brasil concorda com um corte médio de 56% para NAMA; os EUA 
concordam com um teto para subsídios agrícolas da ordem de 12,5 bilhões por ano; mas 
a Índia rejeita o gatilho de 40% das salvaguardas especiais e propõe 10% (ponto negativo 
das negociações que acaba levando ao não fechamento do acordo).
Desde de 2008 não há avanços nas negociações da rodada Doha. A crise financeira 
iniciada em 2008 é fator agravante, pois com a crise há estímulos ao protecionismo na 
UE, nos EUA, na Argentina, no Brasil.
Houveram mais duas Conferências ministeriais:
7a Ministerial em 2009 em Genebra sem avanços no contexto de crise.
8a Ministerial em Dezembro de 2011 em Genebra com críticas ao protecionismo no 
comércio mundial. Aprovação da entrada da Rússia e outros estados na OMC. Mas a 
rodada Doha não avança.
Diante da falta de perspectiva no plano multilateral com a rodada Doha, privilegiam-se os 
tabuleiros bilaterais e regionais.
Aula 11 - MERCOSUL
Mercosul é um produto da aproximação entre Brasil e Argentina no final da década de 70, 
a partir do governo Figueiredo. Em 1979, o acordo tripartite pode ser considerado um 
divisor de águas na relação bilateral Brasil-Argentina, pois coloca um ponto final na crise 
das hidrelétricas (itapu-corpus). Em 1980, temos um acordo nuclear entre Brasil e 
Argentina. Em 1982, temos a “neutralidade imperfeita” do Brasil na guerra das Malvinas; 
embora o Brasil não tenha participado ativamente na guerra, mas declarou oficialmente 
seu apoio a Argentina, além de ajudar com a venda de armamentos.
Com o governo Sarney, essa aproximação fica ainda mais evidente. Em 1985, temos a 
assinatura da Declaração de Iguaçu, que afirma o compromisso com o aprofundamento 
das relações econômicas e comerciais entre Brasil e Argentina. No âmbito da Declaração 
de Iguaçu, teremos ainda um novo acordo nuclear entre Brasil e Argentina, mais 
ambicioso do que o anterior.
Nesse período os dois países viviam desafios comum no âmbito político e econômico: 
processo de redemocratização ocorrendo no Brasil (depois de 20 anos de ditadura militar) 
e na Argentina; no lado econômico, enfrentam um cenário de crise, no contexto da 
década perdida.
Já em 1986, teremos o lançamento do PICE - Programa de Integração e Cooperação 
Econômica, que já estabelece um programa de integração entre os dois países.
Em 1988, teremos a assinatura do Tratado de Integração, Cooperação e 
Desenvolvimento, firmado sob os auspícios da ALADI - Associação Latino-Americana de 
Integração, criada em 1980. Esse tratado possui uma relevância jurídica por ser 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
vinculante, dando um prazo de 10 anos para efetivar a integração com liberação do 
comércio e livre circulação de mercadorias.
Em 1990, na chamada Ata de Buenos Aires, teremos a antecipação do prazo para 31 de 
Dezembro de 1994.
Para Brasil e Argentina, nesse momento a integração não se limitava mais a lógica de 
enfrentar desafios comuns. Já se vislumbrava a ideia de servir como instrumentos das 
economias dos dois países em uma economia crescentemente globalizada. Esse não era 
o objetivo de Sarney, mas passa a ser objetivo do governo Color. Nesse momento temos 
várias iniciativas de integração regional em curso como APEC (Ásia-Pacífico) de 89, IPA -
iniciativa para as Américas de 90 - lançada pelo presidente Bush pai, Mercosul em 91, 
ASIAN (sudeste asiático) em 92 - área de livre comércio, UE em 92, NAFTA em 94.
Em sua origema integração era vista pela perspectiva de simetria e reciprocidade, 
havendo uma resistência muito grande do Brasil na entrada de novos membros. A partir 
de 1990, por força da lógica da economia de escala, passa-se a ter interesse na entrada 
de novos atores. Em 1990 teremos a adesão de Paraguai e Uruguai ao processo 
integrador.
Em 26 de março 1991 teremos a assinatura do Tratado de Assunção, assinado por Brasil, 
Argentina, Paraguai e Uruguai. O tratado de Assunção é o ato constitutivo do Mercado 
Comum do Sul. Esse tratado incorpora os objetivos, característica e prazos já definidos 
entre Brasil e Argentina, sem influência de Paraguai e Uruguai, não contemplando a 
assimetria entre os sócios.
Objetivos previsto no Tratado de Assunção:
Promover abertura comercial dos sócios e intensificação do fluxo de comércio.
Ampliar o comércio com o resto do mundo (lógica de regionalismo aberto).
Atrair investimentos diretos para o bloco (lógica preferência Mercosul).
Promover maior articulação entre as cadeia produtivas dos sócios (integração produtiva - 
lógica de economia de escala).
Objetivo síntese: promover a inserção competitiva dos sócios na economia global.
Exemplo que corroboram esse objetivo: Embaixador Marcos Azambuja afirma num artigo 
que o Mercosul é um pré-vestibular para a globalização. Luis Felipe Lampreia, foi 
chanceler brasileiro de 95 a 2001, chegou a afirmar que o Mercosul era um laboratório 
para a globalização.
Características propostas para o Mercosul:
Livre circulação de bens, serviços e fatores produtivas (capital e mão-de-obra).
Tarifa externa comum (TEC).
Coordenação de políticas macroeconômicas.
Concertação em fóruns internacionais (posição comum).
Hoje passado mais de 20 anos do tratado de Assunção, reconhecemos na prática apenas 
duas características: livre circulação de bens (embora não englobe todos os produtos) e a 
TEC. Os demais ainda estão para ser concertado.
Embora o Mercosul se denomine mercado comum, não é de forma alguma um mercado 
comum. Temos na verdade uma união aduaneira.
Níveis de integração:
Área de livre comércio (nafta, alca): livre circulação de mercadorias
União aduaneira (Mercosul): além da livre circulação, temos necessariamente uma tarifa 
comum.
Mercado Comum: livre circulação de mercadorias, serviços e fatores de produção, TEC, 
coordenação de políticas macroeconômicas.
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
União econômica e monetária (UE): além de tudo do mercado comum, temos moeda 
comum e uma gestão supranacional da política econômica dos estados.
As características da UA do Mercosul:
Livre circulação de bens, foi instituída em 31 de Dezembro de 1994. Temos duas 
exceções a livre circulação: açúcar e automóveis. O açúcar brasileiro chegou a atingir 
tarifas de até 80% para entrar no mercado argentino. Já o automóvel, embora já tenha 
havido esforços para a inclusão na livre circulação, mas ainda não foi implementado 
havendo um acordo em que para cada 1,6 dólares que o Brasil exportava, obrigava-se a 
importa 1,6 dólares da Argentina (um para um) estabelecido em 2000. Hoje a cada 3,6 
dólares exportados, importa 1.
TEC está em vigor desde de 01 de Janeiro de 1995. No entanto enfrenta problemas 
bastante significativos: dupla cobrança da TEC, que abala o papel de união aduaneira do 
Mercosul. No caso do Paraguai, que é um país mediterrâneo com seus produtos entrando 
pelo Brasil ou pela Argentina. Quando estar pelo Brasil, é taxado e voltando a ser taxado 
novamente quando entrar no Paraguai. Quando o Brasil importa pela Argentina, também 
temos dupla cobrança ou virce-versa; lista de exceções, admitida aos estados até 2001. 
No entanto, as listas não foram eliminadas, havendo inclusive um aumento no final de 
2012 das listas de produtos.
Esses fatores caracterizam o Mercosul como uma União Aduaneira imperfeita.
Protocolos representativos da evolução do Mercosul
Documento constitutivo o tratado de Assunção (LER): afirma que todo e qualquer país da 
ALADI pode integrar o Mercosul como sócio.
Protocolos adicionais
Protocolo de Brasília (1991): vai regular o mecanismo de solução de controvérsias do 
grupo. Estabelece o mecanismo de tribunais ad-hoc (sem tribunais permanentes).
Protocolo de Ouro Preto (1994): concede a personalidade jurídica do Mercosul (UE só 
passa a ter em 2009, com o protocolo de Lisboa). Também consagra o caráter 
intergovernamental do bloco, ou seja, não há supranacionalidade. Consagra os princípios 
de consensualidade (poder de veto para todos) e vigência simultânea (trazendo maior 
uniformidade para o bloco, mas, por outro lado, atrasa muito o processo decisório) para o 
processo decisório do Mercosul. Ainda define a estrutura institucional do bloco: Conselho 
do mercado comum; Grupo mercado comum; Comissão de comércio do Mercosul; 
Comissão Parlamentar conjunta; Fórum consultivo econômico e social; e a Secretaria do 
Mercosul.
Conselho do mercado comum é a instância decisória, sempre por consenso. As decisões 
são tomadas por propostas que vêm do grupo mercado comum.
Grupo mercado comum é quem tem iniciativa legislativa. Além disso é o órgão executivo 
do Mercosul, executando as decisões tomadas pelo Conselho do mercado comum, e 
participa do mecanismo de solução de controvérsias do grupo.
Comissão de comércio do Mercosul é um grupo mais técnico de caráter 
intergovernamental que se reune para discutir assuntos relacionados a comércio, que 
podem ser utilizadas para elaborar propostas no Grupo.
Comissão parlamentar não existe mais, sendo substituída pelo parlamento em 2007. Era 
composta de 16 parlamentares de cada país, servido como ponte com os parlamentos de 
cada país, gerando vínculo entre os países durante a integração.
Fórum consultivo econômico e social é o órgão que da voz a sociedade civil, composto 
por representantes sindicais, sociedades empresariais, entidades de classe. Ele só atuava 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
quando consultado e se consultado, sendo na maioria das vezes uma participação 
limitada.
Secretaria do Mercosul, sediada em Montevidéu, é a instancia burocrática e administrativa 
do Mercosul.
Protocolo de Ushuaia (1998): é o protocolo que vai incorporar a cláusula democrática do 
Mercosul. Esse protocolo foi negociado a partir de um susto dado pelo Paraguai em 1996, 
com a tentativa de golpe contra o presidente eleito. A entrada da Venezuela foi motivo de 
grande discussão no congresso por afirmar-se que a entrada da Venezuela feria o 
protocolo de Ushuaia.
Protocolo de Olivos (2002): que reforma o mecanismo de solução de controvérsias do 
bloco, criando o tribunal permanente de revisão (TPR), órgão de segunda instância. Na 
primeira instância ainda continua pautada em tribunais ad-hoc. O que pode ser feito é 
que, se ambas as partes estiverem de acordo, pode-se pular o tribunal ad-hoc e ir diretor 
para o TPR, o que traria maior celeridade ao processo. No entanto, da decisão tomada 
não caberia mais recurso.
Evolução do Mercosul
Reconhecemos três principais momentos:
1991-1998 Auge do Mercosul ou era de ouro: temos um grande aumento do fluxo 
comercial passa de 4 bilhões de dólares para mais de 20 bilhões; Temos um grande 
aumento dos investimentos diretos entre os sócios, passando de 80 bilhões para 400 
bilhões (o Brasil sendo o principal investidor); temos consolidação normativa e 
institucional nesse período (protocolo de outro preto, TEC, protocolo de Ushuaia);
1999-2003 Crise do Mercosul: causada início pela maxidesvalorização do real sem 
qualquer coordenação com o peso Argentina, que acusa o Brasil de tentar desvalorizar a 
moeda. A Argentina reage com medidas protecionista, que prejudicam o fluxo de comércio 
e criam contenciosos comerciais até na OMC; a instabilidade do Mercosul é agravada 
com a crise Argentina em 2001 (matem a paridade com o dólar por mais tempo), que vai 
desembocar na moratória Argentina. Isso leva a maisprotecionismo, mais contenciosos, 
nova queda no fluxo de comércio. Com a paridade do dólar, a Argentina contrai dividas 
em dólar, com o fim da paridade, a dívida da Argentina dobra, comprometendo a 
capacidade de pagar suas dívidas e decreta moratória, que leva investidores a deixar a 
Argentina, dando Início a um descompasso no fluxo de investimentos diretos entre brasil e 
argentina. Além disso, temos os sócios menores também descontentes.
Em 1999, o Brasil exporta 9 bilhões de dólares para o bloco (~17% das exportações 
brasileiras);
Em 2002, o Brasil exporta apenas 3 bilhões de dólares, um terço do exportado 
anteriormente.
Em 2004, o Brasil exporta novamente os mesmos 9 bilhões para o bloco (~ 9,5% das 
exportações brasileiras).
Em 2011, o Brasil exporta ~11% de suas exportações totais.
2004-2012 Recuperação ou relançamento do Mercosul: devemos reconhecer uma 
articulação Brasil-Argentina (Lula - Kirchner) e uma disposição do Brasil de assumir a 
posição de paymarker da integração, ou seja, pagar os custos da integração. O Brasil 
passa a apoiar uma maior institucionalização do Mercosul (anteriormente deixada de lado 
por querer mais liberdade de ação durante a década de 90, alegando este ainda estar 
numa fase embrionária). Em 2004, o presidente Lula propõe a criação de um parlamento 
do Mercosul e em Agosto de 2004 inaugura-se o terminal permanente de revisão. O Brasil 
releva disposição em ajudar os sócios menores, revela tolerância com a Argentina, apoia 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
maior institucionalização, enfatiza a dimensão social do bloco, apoia o alargamento do 
bloco.
Desafios e iniciativas lançadas em tempos mais recentes:
Desafios:
Profunda assimetria econômica entre os sócios e as críticas de Paraguai e Uruguai contra 
o Mercosul. Levam ao Uruguai a tentar um acordo de livre comércio com os EUA em 
2007. O Paraguai chegou a sugerir a saída do Mercosul.
Assimetria de competitividade entre Brasil e Argentina.
Fragilidade normativa e institucional, por exemplo a TEC.
Iniciativas:
FOCEM - Fundo de convergência estrutural do Mercosul de 2006, com objetivo de investir 
recursos nas áreas de infraestrutura, coesão social, entre outros. Recursos divididos 
segundo o peso econômico dos Estados (cabe ao Brasil contribuir com 70%, Argentina 
27%, Uruguai 2% e Paraguai 1%, de um total de 100 milhões anuais), sendo a lógica de 
distribuição inversa (Paraguai 48%, Uruguai 32%, Brasil e Argentina 10% cada).
Parlasul - Parlamento do Mercosul, proposta de Lula de Julho de 2004. É criado em 
sessão solene em Dezembro de 2006 e será lançado efetivamente em 2007. Revela um 
esforço institucional no Mercosul, podendo refletir o Início de uma suprenacionalidade no 
Mercosul (embora não tenha características do parlamento da união europeia, como 
poder decisórios e fiscalização dos demais órgãos). Em 2010, tivermos um acordo para 
eleições diretas em 2012 e representação proporcional atenuada no âmbito do 
Parlamento. Já houve eleições diretas no Paraguai em 2008. O outros países não 
conseguiram, estando previsto para 2014 no Brasil. A representação proporcional era 
inicialmente de 18, passou em 2008 de 18 para 37 no Brasil, 18 para 26 na Argentina, 
Paraguai e Uruguai continuam com 18 (proporção já valendo em 2012). A partir de 31 de 
Dezembro de 2014, o Brasil passa para 75, Argentina para 43 e Paraguai e Uruguai 
continuam com 18. 
Reforço da dimensão social da integração. O modo como Brasil enxerga a integração 
atualmente é um modo mais complexo e amplo do que a visão da década de 90. Criação 
das Cúpulas sociais do Mercosul a partir de 2006: XII cúpula social no final de 2011 (duas 
por ano) que dá voz a sociedade civil em relação ao Mercosul. Criação do instituto social 
do Mercosul criado em 2007 e lançado em 2009, mecanismo que coordenar as ações 
sociais dentro do Mercosul. Lançamento do PEIA - Plano Estratégico de Ação Social do 
Mercosul, aprovado em 2009. Que sugerem o avanço do Mercosul em relação a uma 
agenda social, além da comercial. O reforço da participação cidadã e da agenda social 
amplia a legitimidade do processo integrador.
Apoio ao alargamento do Mercosul. Venezuela assina o protocolo de adesão em julho de 
2006, ainda faltando a ratificação do governo paraguaio. Houve uma tentativa de 
colocarmos a Venezuela como membro pleno, mesmo sem a ratificação do Paraguai. A 
visão do Brasil é que a entrada da Venezuela é importante por já ser um parceiro do 
Brasil em várias frentes, com grandes reservas energéticas, membro da OPEP, etc. 
Caberia ao Brasil, neutralizar os excessos do presidente Hugo Chavez. Também já houve 
manifestação de Equador e Bolívia em se tornarem sócios plenos (todos os membros da 
sociedade andina são membros associados).
Aprovação do código aduaneiro e de acordo para o fim da bitributação da TEC (agosto de 
2010), que obedece um calendário com grupos isentos em 2012, 2014 e 2019, com todos 
os produtos isentos de bitributação.
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
Devemos reconhecer que o Mercosul volta a ter relevância, mas não como a relevância 
de 2001. No entanto, há esforços para uma integração física, social e produtiva. Mas o 
grande entrava do Mercosul continua sendo o protecionismo entre Brasil e Argentina e do 
próprio bloco como um todo. Como exemplo, mais exceções a TEC aprovadas em 
Dezembro de 2011.
Aula 12 - UE
Em 1948 é criada a organização europeia de cooperação econômica - OECE, criada logo 
após o final da segunda guerra mundial com objetivo de articular maior cooperação dos 
estados europeus no plano econômico para melhor enfrentarem a crise. Umas das ações 
importante foi, por exemplo, a administração dos recursos do Plano Marshall (lançado 
pelos EUA em 1947). O OECE não é ainda uma organização voltada para a integração 
europeia, mas apenas para a cooperação econômica para superar a crise vigente. Essa 
organização é extinta em 1961 e será substituída pela OCDE - organização para 
cooperação e desenvolvimento econômico, existente até hoje, com caráter global.
Em 1951, teremos o Tratado de Paris que irá criar a CECA - Comunidade Europeia do 
Carvão e do Aço, onde já podemos reconhecer uma primeira comunidade europeia 
voltada para a lógica integradora. São seis os países que assinam esse tratado: França, 
Alemanha, Itália e o Benelux (Bélgica, Holanda e Luxemburgo). Jean Monnet, primeiro 
presidentes, e o ministro francês de negócios estrangeiros Robert Schuman são os 
catalisadores do processo integrador da Europa. Quando olhamos para as ideias de 
Monnet e como Schuman executou essas ideias reconhecemos facilmente os objetivos 
decantados naquele momento para a criação da CECA: o objetivo político da CECA era 
neutralizar a rivalidade franco-germânica (as instabilidades na Europa tinham em grande 
medida a rivalidade franco-germânica como origem. Em 1871, por exemplo, a guerra 
franco-prussiana entre Napoleão III e Bismarck trará resultados que irão impactar 
diretamente na primeira guerra mundial; Por sua vez, o revanchismo francês no tratado de 
Versalhes irá provocar o nacionalismo alemão na segunda guerra). O objetivo econômicos 
era estabelecer um mercado comum para carvão e aço (melhor articular as industrias de 
base dos países membros, pois a escolha de carvão e aço deve-se ao fato desses 
setores serem os mais dinâmicos da Europa). Devemos reconhecer que já há 
supranacionalidade na CECA, pois temos a Alta Autoridade Europeia para Carvão e Aço 
que pairava acima dos membros na definição da política econômica para esses setores.
Em 1957 teremos uma ampliação do processo integrador com a assinatura dos Tratados 
de Roma que darão origem a CEE - Comunidade Econômica Europeia e a EURATOM - 
Comunidade Europeia do Átomo. Os tratados de Roma não revogam a CECA, mas suas 
comunidades passam a coexistir com esta, ampliando o processo integratório. CEE tinha 
objetivo amplode consolidar uma política econômica que não se limitava aos setores de 
carvão e aço, já falando por exemplo de agricultura. A EURATOM está na área sensível 
de energia atômica, visando permitir aos seis estados membros uma cooperação mais 
ampla no plano técnico-científico para fins pacíficos (esta comunidade é a única que 
ainda existe).
A década de 60 é um período muito ruim para a integração europeia, período do desafio 
francês da integração (expressão usada pelo professor Antônio Carlos Lessa que foi por 
muito tempo da banca do concurso). O presidente francês Charles de Gaulle rejeitava o 
aprofundamento da integração em bases federativas criticando iniciativas que ampliassem 
a supranacionalidade e afetassem a vontade soberana dos membros. Na verdade, 
Charles de Gaulle não era contra a integração, mas contra iniciativas que 
comprometessem a soberania dos países, defendendo uma integração com vistas a 
alcançar um Estados Unidos da Europa de base confederativa. Isso leva a França a 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
rejeitar algumas propostas, como a mudança do processo decisório de unanimidade para 
maioria qualificada, que representava, na visão francesa, um risco ao poder de veto. 
França também rejeita a ideia de dotar as comunidades europeias de maior autonomia 
financeira, criando mecanismos de autofinanciamento, alegando que a melhor maneira de 
controlar o andamento das comunidades seria contanto com a boa vontade dos estados 
para financiamento. Charles de Gaulle também rejeita a entrada do Reino Unido por duas 
vezes; para entender a postura de de Gaulle, devemos reconhecer nele a figura de um 
estadista que resiste a influência americana no mundo (chegou a retirar a França do 
comando militar da OTAN, só voltando com Nicolas Sarcozy), logo a entrada do Reino 
Unido representaria uma ameaça de influência norte-americana nas comunidades. A 
década de 60 é um período ruim, em que não observamos nem o aprofundamento, nem a 
ampliação da integração.
Em 1969 teremos renuncia de Gaulle. Nos anos 70, reconhecemos na França uma outra 
disposição, adotando uma postura euroestusiasta com os presidentes Georges Pompidou 
e Valéry Giscard d’Estaing. A pesar disso, a década de 70 também é ruim para a 
integração europeia, porque é um período de crise na Europa. A crise não se limita a 
Europa; os EUA apresentam um alto déficit fiscal, com o abandono do padrão ouro-dólar 
em 1971 (governo Nixon); crises do petróleo em 1973 e 1979. A crise na Europa é 
chamada de euroesclerose (paralisia na economia europeia), com processo inflacionário, 
desemprego estrutural, entre outros problemas. No cenário de crise a tendência dos 
estados é de adotarem medidas protecionistas, provocando um europessimismo em 
relação ao processo integrador. Nessa época os Estados buscavam soluções em bases 
individuais e não em bases comunitárias. A França de d’Estaing e a Alemanha de Willy 
Brandt são os responsáveis por manter a lógica integradora. Em 1973, teremos a entrada 
de 3 novos membros: Reino Unido, Irlanda e Dinamarca. Estes países entram por não 
haver mais resistência a ampliação das comunidades (ampliação sem aprofundamento).
Nos anos 80 temos um período mais favorável a ideia de integração. Teremos novas 
ampliações com a entrada de mais 3 membros: Grécia (1981), Espanha e Portugal (1986) 
(estes estados não entraram antes por estarem em um período de transição democrática). 
Em 1986 teremos o Ato Único Europeu, constitui-se um dos marcos da integração 
europeia, que reuni num só documento os principais dispositivos dos tratados de décadas 
anteriores. O Ato Único Europeu representa o relançamento da integração europeia, 
lançando também novos projetos.
A década de 90 tem como marcos inicial o Tratado de Maastricht de 1992, que estatele a 
criação da União Europeia com base em três pilares fundamentais: pilar comunitário, 
marcado por um caráter supranacional (ex: tratamento dado a comércio); pilar da PESC - 
política externa e segurança comum, de caráter intergovernamental; pilar da cooperação 
policial e judiciária, de caráter intergovernamental (muito embora existam esferas 
europeias - Corte Europeia, mantém os pilares da comunidade europeia, e a EuroCOP, 
promove a integração das polícias europeias). A UE é um sistema de governança 
multinível, que ora se apresenta como federação (caráter supranacional), ora se 
apresenta como confederação (caráter intergovernamental). O tratado de Maastricht que 
cria a UE contempla o compromisso com a consolidação de uma cidadania europeia e 
lança o objetivo da moeda única, ou seja, a UE deveria alcançar o nível de união 
econômica e monetária. Em 1995 teremos a entrada de 3 novos membros: Suécia, 
Finlândia e Áustria (os únicos Países representativos de uma Europa ocidental são: 
Suíça, Islândia e Noruega). Em 1997 teremos o Tratado de Amsterdã, que amplia o 
tratamento de temas sociais, incorpora o Acordo Schengen as normas comunitárias. 
Acordo Schengen de 85 que estabelece a livre circulação de pessoas nas fronteiras. No 
seu lançamento, era considerado extracomunitário (fora do arcabouço jurídico-normativo 
das comunidades europeias). Apesar disso, alguns países ficam de fora do espaço 
Schengen, Reino Unido e Irlanda, continuando não participantes até hoje. Suíça, Noruega 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
e Islândia aderiram ao longo dos anos ao acordo Schengen embora não sejam membros 
da UE. Ainda em 97, tivemos a assinatura do Pacto de Estabilidade, que prevê metas 
macroeconômicas a serem cumpridas para a adoção do Euro (três estados decidem ficar 
de fora do Euro: Reino Unido, Suécia e Dinamarca). Dos países que se comprometeram 
com o Euro, apenas a Grécia não conseguiu cumprir as metas estabelecidas até 99, só 
conseguindo em 2001. Em 99 o Euro nasce como modelo de referência, mas só passará 
a circula a partir de janeiro de 2002. Em 1998 estabelece-se o chamando Branco Central 
Europeu, na cidade de Frankfurt (exatamente porque é a Alemanha que comanda o Euro, 
sendo o marco alemão a moeda de maior peso, e o banco central europeu o ator mais 
relevante).
Em 2001 teremos a assinatura do Tratado de Nice, que vai promover ajustes e preparar a 
União Europeia para uma grande expansão em direção ao leste europeu: ampliação da 
votação por maioria qualificada, em detrimento da unanimidade (que ainda existe, mas 
para um número limitado de temas). A VMQ se pauta na lógica de voto ponderado 
segundo a população dos membros, variando muito o seu peso entre os estados. 
Alemanha, França, Reino Unido e Itália têm 29 votos cada, por serem estados com maior 
população; Espanha e Polônia, têm 27 votos cada; Portugal tem apenas 11 votos; 
Luxemburgo tem 4 votos; etc. O objetivo do VMQ é atingir o limiar de 255 votos de um 
total de 345 possíveis para aprovar uma decisão. A partir de Nice, passa a vigorar 
também o princípio da dupla maioria, ou seja, precisa-se de mais da metade dos 
membros votando a favor e mais de 62% da população votando a favor, além do limiar de 
255 votos.
Estrutura do processo decisório da união europeia:
Conselho da UE - órgão mais importantes, estando no topo da hierarquia e composto por 
ministros de estado (um de cada estado - ministros da economia, de segurança, etc; a 
depender do tema). É o órgão decisório da união europeia, com decisão por unanimidade 
ou por maioria qualificada.
Comissão Europeia - órgão mais ativo: iniciativa legislativa (elaborar as propostas que 
serão encaminhadas ao Conselho da UE); órgão executivo (responsável pela execução 
das propostas aprovadas) - mais alta autoridade executiva da UE é o presidente da 
Comissão Europeia; guardiã dos tratados (responsável pela observação e fiscalização os 
demais países). Composta por comissários (um cada estado) no interesse da integração 
da União Europeia.
Parlamento Europeu - também é um órgão decisório que representa o povo da UniãoEuropeia. As decisões aprovadas no Conselho também devem ser aprovadas no 
Parlamento (lógica bicameral).
Conselho Europeu - funciona como cúpula da UE, reunindo-se a cada seis meses em 
alguma cidade da UE e composta por chefes de Estado e de Governo da UE. Não é 
órgão decisório e possui papel político, dando orientações sobre políticas gerais.
Em 2004 teremos a entrada de mais 10 novos membros (Polônia, Hungria, República 
Checa, Eslováquia, Eslovênia, Lituânia, Letônia, Estônia, Malta e Chipre).
Em 2007 teremos a entrada de mais 2 estados (Romênia e Bulgária).
Especula-se para 2013 a entrada da Croácia.
De todos os novos membros, apenas 5 aderiram a zona do euro: Eslovênia, Estonia, 
Malta, Chipre e Eslovaquia.
Temos três países fora do espaço Schengen: Chipre, Romênia e Bulgária.
A Turquia fez seu pedido de adesão a UE em 1987. O pedido só foi protocolado em 2004 
para dar início ao processo de adesão. A Turquia, por seu contexto histórico e cultural, 
possui características que colocam em dúvida a sua adesão a UE: é um país mais voltado 
para o oriente do que para o ocidente, apenas 3% do território esta na Europa - sua 
porção asiática faz fronteira com o Irã, Iraque e Síria; embora seja um país laico, 99% da 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
população é muçulmana; possui uma grande população, o que representaria um grande 
número de votos na VMQ, e que também poderia levar a um aumento no fluxo migratório;
Tratado de Lisboa, 2009.
Tentativa frustada da aprovação do Tratado Constitucional Europeu - TCE. Era uma 
iniciativa que vinha para tentar fortalecer a base normativa da UE. Precisava da 
ratificação de todos os membros da UE para entrar em vigor, mas França e Holanda 
votaram contra o TCE. Na época havia uma grande oposição ao governo Chiraqui na 
França em 2005, que fazia campanha pela aprovação do TCE. Chiraqui na época 
defendia uma política progressiva que restringia as garantias sociais na França, sendo 
vista pelos franceses como uma ameaça. O TCE também trazia um ponto polêmico, que 
seria a redução do número de comissário, resultando na ausência de comissários de 
grandes países como Alemanha e França em determinados momentos. Falava também 
da criação do cargo de Chanceler da UE, de caráter supranacional.
O tratado de Lisboa é concluído em dezembro e 2007 e também precisava da ratificação 
de todos os membros para entrar em vigor. Diferentemente do TCE, que foi convocado 
um plebiscito para sua aprovação, o tratado de Lisboa considerado um tratado de reforma 
dispensava a aprovação por plebiscito. Somente na Irlanda seria necessária a consulta 
popular, pois a constituição irlandesa obriga a consulta em qualquer circunstância. Em 
2008, a Irlanda disse não. Em 2009, a Irlanda em nova consulta diz sim ao Tratado, que 
entra em vigor em 1 de dezembro de 2009.
O tratado de Lisboa confere personalidade jurídica para a UE e extingue as comunidades 
europeias (que também possuíam personalidade jurídica). O tratado afirma que a 
legitimidade da integração esta nos estados e no cidadão, tentando combater o deficit 
democrático. Nesse contexto, cria-se também a possibilidade de iniciativa popular, em 
que reunindo-se 1 milhão de assinaturas de um número representativo de estados, seria 
possível a elaboração de propostas legislativas. Também teremos um fortalecimento do 
parlamento Europeu, pois o Tratado de Lisboa também aumenta o número de temas 
votados por co-decisão, ou seja, mais temas devem ser aprovados também pelo 
parlamento. Teremos ainda um carta de direitos fundamentais que aparece como um 
anexo do tratado, para evitar a rejeição do tratado como um todo. Traz o direito da união 
civil casamento homossexual, direito de greve, etc, direito estes rejeitados por alguns 
países. O tratado de Lisboa extingue os pilares e cria as competências: competência 
exclusiva, competência partilhada e competência de apoio. Competência exclusiva são os 
temas em que a competência para legislar é exclusiva da UE: comércio, união aduaneira, 
concorrência, etc. Competência partilhada, a competência é do estado mas pode a partir 
de uma lógica de subsidiariedade ser partilhada com a UE: agricultura, energia, meio 
ambiente, etc. Competência de apoio, a competência é do estado e ele não tem como 
partilhar, sendo o máximo que o estado pode fazer é receber o apoio da UE: política 
externa, cultura, educação, etc. O tratado de Lisboa aumenta os temas (4o novos temas) 
votados por maioria qualificada e introduz para 2014 nova lógica de dupla maioria: 
necessidade de mais de 55% dos estados (e não mais metade) e 65% da população (e 
não mais 62%). Teremos a criação de dois cargos: Presidente do Conselho Europeu e 
Alto Representante para Política externa e Políticas de segurança.
Momento atual
A UE tem passado por grande instabilidade, principalmente nos chamados PIIBE - 
Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha, devido ao desequilíbrio fiscal e dívida pública 
desses países. Tem-se uma divisão entre austeridade, defendida principalmente pela 
Alminha, e desenvolvimento. Tivemos a criação de sanções para os países que não 
cumprem suas metas fiscais; tivemos a criação do mecanismo europeu de estabilidade, 
com recursos a serem usados para dar apoio aos países com instabilidade econômica.
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
Aula 13 - Integração Latino-americana
No pós-segunda guerra mundial, reconhecemos na década de 50 a atuação da CEPAL - 
Comissão Econômica para a América Latina, comissão econômica regional da ONU 
subordinada ao ECOSOC. A CEPAL tem uma participação importante por estimular 
processos de desenvolvimento econômico e comercial na América Latina. Contou com a 
participação de expoentes, como o economista argentino Raúl Prebisch, que será o 
primeiro secretario geral da UNCTAD em 1964, e o brasileiro Silas Furtado. A CEPAL 
apresenta a industrialização como um caminho necessário para os países da América 
Latina a fim de alcançarem o desenvolvimento econômico, um dos principais 
pensamentos cepalino diz respeito a deterioração dos termos de troca, ou seja, os países 
exportadores de produtos primários tem desvantagem frente aos países que exportam 
produtos industrializados. Outro ponto importante do pensamento cepalino é a integração 
econômica, que pode ser vista como uma condição importante para se avançar no 
processo de industrialização.
Com base no pensamento cepalino, em 1960 teremos a assinatura do primeiro tratado de 
Montevidéu, que cria a ALALC - Associação Latino-Americana de Livre Comércio. O 
objetivo era promover a integração dos países latino-americanos e estava pautada em 
alguns princípios: princípio de nação mais favorecida, ou seja, toda e qualquer vantagem 
dada a um país da região, deveria ser estendida a todos (acaba se revertendo em uma 
dificuldade).
Algumas dificuldades enfrentadas pela ALALC
Avanços de regimes militares na região. A dimensão estratégica típica dos regimes 
militares acentua rivalidades e desconfianças entre vizinhos. Por exemplo: Brasil e 
Argentina, no projeto hidrelétrico itapu - corpus já na década de 70.
Modelos de desenvolvimento em bases nacionalistas. Muito característico dos governos 
militares, no Brasil o nacional desenvolvimentismo. Isso dificulta o avanço da 
industrialização, com os países se fechando inclusive para os países da região.
Assinatura do acordo de Cartagena ou Pacto Andino de1969. Esse acordo irá representar 
uma ruptura dentro da ALALC. Um grupo de países insatisfeitos com os rumos da ALALC 
irá romper com a ALALC e lançando um conceito alternativo. O Chile é o grande 
articulador do pacto andino. A grande queixa desses países era que a ALALC era volta 
excessivamente para o comércio e não para o desenvolvimento. O Chile rompe com o 
Pacto Andino em 1976, por já viver uma realidade diferente (regime militar de Pinochet, 
adotando um perfil neoliberal). Na década de 90o Pacto torna-se comunidade e o Chile 
volta como membro associado apenas em 2008.
Nos anos 70, temos poucos avanços dentro da lógica de integração. No entanto, 
podemos citar o TCA - Tratado de Cooperação Amazônica de 1978, tratado bastante 
importante por reunir 8 países da região (Bolívia, Perua, Equador, Colombia, Venezuela, 
Guiana e Suriname) com objetivo de promover o desenvolvimento da região a partir da 
intensificação das relações econômicas e comerciais dos membros (acordo semelhante 
ao acordo da bacia do prata). O brasil não fazendo parte do pacto andino, busca com o 
TCA favorecer a entrada de produtos brasileiros nos países andinos (os resultados do 
TCA foram tímidos).
Em 1980, temos o segundo tratado de Montevidéu. Este tratado vai lançar uma nova 
lógica integradora na América Latina com a criação da ALADI - associação Latino America 
de Integração, substituindo a ALALC. A ALADI flexibiliza o compromisso com o princípio 
de nação mais favorecida (projeto integrador mais flexível), ou seja, a ALADI permite 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
acordos de alcance parcial (acordos de complementação econômica - ACE), por exemplo: 
ACE-14 entre Brasil e Argentina de 1988 (tratado de integração, cooperação e 
desenvolvimento) e ACE-18 entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai de 1991 (tratado 
de Assunção, que dá origem ao Mercosul). Podemos dizer que o Mercosul é um filhote da 
ALADI, não sendo projetos concorrentes. Além disso, a ALADI se mostra mais flexível em 
termo de objetivo e prazos. A ALADI também admite acordo de alcance regional.
Nos anos 90, o pacto andino é reformulado e se transforma na comunidade andina. A 
comunica andina apresenta problemas: A Venezuela abandona a comunidade andina em 
2005 e assina em 2006 o protocolo de adesão do Mercosul (confirmada na cúpula de 
Mendonça). Bolívia e Equador também já chegaram a demonstrar interesse em passarem 
de membros associados para membros plenos no Mercosul (necessidade de abandonar a 
Comunidade Andina). Os demais membros da CAN (Peru e Colombia) criaram a aliança 
do pacífico, juntamente com México e Chile. No início dos anos 2000, a CAN firmou 
acordo com o Mercosul, todos os membros da comunidade andina passam a ser 
membros associados do Mercosul.
O TCA é retomado e vira OTCA - Organização do Tratado de Cooperação Amazônico, 
inaugurada em 1998 com sede em Brasília.
Em 1991 temos o Mercosul.
Em 1992 temos a proposta de iniciativa amazônica (proposta do governo Itamar).
Em 1993 temos a proposta da ALSA, também durante o governo Itamar. A ideia seria 
estabelecer uma área de livre comércio na América do Sul que reunisse todas as 12 
economias sul-americanas. Isso representa uma substituição do conceito de América 
Latina pelo conceito de América do Sul na hora de se pensar em integração. Essa 
proposta acontece no momento em que o Brasil percebia um assedio muito grande dos 
estados unidos para cima do México e países da América central e Caribe (início no 
governo Bush pai, com a iniciativa para as América, e continuando no governo Clinton). 
Em janeiro de 1994, teremos o lançamento do NAFTA - Acordo de Livre comercio da 
América do norte, o que significa que o México estava sendo incluído no espaço de livre 
comércio entre EUA e Canadá. Alguns anos depois teremos o acordo de livre comércio 
para América central, também comandado pelos EUA. O Brasil, em bases bastante 
pragmáticas, decide se voltar para a América do Sul. A proposta da ALSA é deixada de 
lado pouco depois, quando surge a proposta da ALCA por Bill Clinton, lançada em 
dezembro de 1994 na primeira cúpula das América (durante o governo FHC a ALCA 
também era vista com cautela).
Nos anos 90 também temos uma mudança da lógica nacional desenvolvimentista pela 
lógica neoliberal.
Nos anos 2000, teremos a realização da primeira cúpula sul-americana em Brasília. 
Cúpula organizada pelo governo FHC, sendo a primeira vez que os chefes de governo 
sul-americanos se reúnem. Nesse cenário acontece o lançamento da IIRSA - Iniciativa 
para Integração e Infraestrutura Regional Sul-Americana. Integrar a infraestrutura é uma 
condição necessária para uma integração econômica e comercial. A IIRSA aponta para 3 
pilares: transportes, energia e comunicações. A IIRSA divide a América do Sul em 10 
eixos de integração e desenvolvimento, não leva em consideração as fronteiras nacionais, 
mas sim as necessidades de cada região. Além disso, os projetos prioritário são incluídos 
na agenda de implementação consensual - AIC.
Em 2002 houve a II cúpula sul-americana, realizada em Guayaquil.
Em 2004 houve a III cúpula sul-americana, realizada em Cuzco no Peru. Teremos a 
criação da comunidade sul-americana de nações - CASA (ideia de espaço comunitário). 
Alguns pontos fundamentais da CASA: ideia de concertação política entre os países da 
região; comércio, resgatando a ideia da ALSA (a ALCA também é abandonada em 2004); 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
infraestrutura, incorporando as propostas da IIRSA; dimensão social, impulsionada pelos 
governos progressistas.
Em 2007 no contexto da I cúpula energética da América do Sul em isla margarita na 
Venezuela, o Presidente Hugo Chavez propõe a substituição da CASA pela UNASUL - 
União de Nações Sul-Americanas. A razão por trás disso era a falta de avanço da CASA, 
colocando em pauta um projeto mais ambicioso. Na cúpula energética, o principal assunto 
foi o biocombustível em que se observou uma polarização: Brasil defendendo a utilização 
do etanol e do biodiesel, e a Venezuela com uma postura bastante conservadora, 
mostrando-se muito cética em relação aos biocombustíveis, chegando a acusar o metanol 
de ser um dos fatores de falta de alimentos no mundo e elevação dos preços, além de ter 
efeito nocivos ao ambiente com queimadas e minhoto (componente químico liberado na 
elaboração do metanol). O Brasil responde a cada uma das acusações afirmando que o 
etanol sul-americano é produzido a partir da cada-de-acuçar e não do milho (metanol 
americano), não havendo um deslocamento do cultivo tradicional para plantar cana 
(havendo ainda espaços ociosos) e nem para Amazônia; quanto a degradação ambiental 
demonstrou que já há uma preocupação ambiental na produção do metanol, pois o 
minhoto já é reaproveitado para a produção de fertilizantes, a palha é reaproveitada como 
biomassa para produzir eletricidade, etc. Isso leva a um resultado produtivo da cúpula, 
com assinatura de um documento final reconhecendo-se a importância da bioenergia no 
contexto ambiental e de desenvolvimento da região. A Argentina também é um entusiasta 
da bioenergia pois tem um grande potência para a produção de biodiesel, com o clima 
favorecendo o cultivo de espécies oleaginosas utilizadas na produção de biodiesel.
Em 2008, teremos o lançamento oficial da UNASUL com a assinatura do Tratado de 
Brasília. Só entraria em vigor após a ratificação de 9 estados, o que ocorre em dezembro 
de 2010 com a ratificação do Uruguai. O tratado entra em vigor em fevereiro de 2011 
quando o Uruguai deposita o seu protocolo de ratificação. O Brasil só ratifica o tratado em 
julho de 2011. A UNASUL preserva os pilares da CASA dando maior ênfase à dimensão 
social e identitária da integração sul-americana. A lógica é consolidar uma integração 
física (infraestrutura), social (políticas de combate a pobreza, dimensão cultural, tecno-
científica, educacional) e produtiva (estrutura produtiva conjunta).
Na UNASUL, teremos a partir de dezembro de 2008 a criação de vários conselhos 
temáticos:
Cúpula da UNASUL na Costa do Sauípe na Bahia (dezembro de 2008)
Conselho Sul-americano de defesa - CDS, fruto do empenho do Brasil, especialmente do 
Ministro da Defesa Nelson Jobim, sendo o primeiro conselho de defesa sul-americano. 
Antes, para era necessário convocar o TIAR, a OEA ou JID - Junta Interamericana de 
Defesa, ambos órgãos do continente americano,encabeçados pelos EUA. Não devemos, 
no entanto, caracterizar o CDS como antiamerocano, mas sim como um mecanismo 
pragmático que busca maior concertação entre os países sul-americanos na área de 
defesa.
Conselho Sul-americano de Energia, que confirma maior alinhamento sobre o assunto 
com visto a superar os gargalos energéticos da região
Conselho Sul-americano de Saúde, que já demonstra sua importância em 2009, com o 
surto de H1N1, que possibilitou ações conjuntas de combate ao contágio do H1N1.
Cúpula da UNASUL em Quito no Equador (agosto de 2009)
Acontece em momento delicado, em que vem a público o novo acordo entre EUA e 
Colômbia que permitiria a ocupação americana de sete bases militares na Colômbia. 
Alguns estados sul-americano, principalmente a Venezuela, reagem de forma imediata 
dando um tom de revolta à Cúpula. Brasil e Argentina agem de forma mais coerente e 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
amenizam a situação. Na seqüência, Uribe viaja a vários países dando maior 
entendimento sobre o acordo e que sua assinatura não representaria nenhuma ameaça a 
estabilidade da região.
Conselho de Infraestrutura e Planejamento - COSEPLAN, conselho que mais se projeta e 
funciona como comitê de direção executiva da IIRSA, ou seja, funciona como 
administrador dos projetos da IIRSA. Podemos dizer que a IIRSA esta subordinada ao 
COSEPLAN.
Conselho Sul-americano sobre Desenvolvimento Social, que tenta coordenar as políticas 
sociais da região.
Conselho Sul-americano sobre Educação, Ciência, Cultura, Tecnologia e Inovação, que 
busca maior compartilhamento nesses tema (apelidado de UNESCO da UNASUL).
Conselho Sul-americano sobre o Problema Mundial das Drogas, que demonstra 
alinhamento com ONU (de onde vem o termo problema mundial), explicitando uma lógica 
que vai além das políticas repressivas (militar), preocupando-se com os outros aspectos 
do problemas das drogas (saúde, social, econômica).
Novembro de 2010 teremos a incorporação de Cláusula democrática na UNASUL, objeto 
de protocolo adicional ao Tratado de Brasília. Foi motivada pela instabilidade política no 
Equador.
Em Março de 2011 teremos a última ratificação ao Tratado de Brasília (Uruguai) e a partir 
desse momento passa a ter personalidade jurídica.
Em Agosto de 2011, criação do Conselho Sul-americano sobre economia e investimentos, 
que busca maior concertação entre os países da região num contexto internacional de 
instabilidade econômica.
Em Junho de 2012, Cúpula da UNASUL em Mendonça na Argentina (em conjunto com a 
cúpula do Mercosul), tivemos a confirmação da suspensão do Paraguai na UNASUL e no 
Mercosul por conta da ruptura política no país com a deposição do presidente Lugo.
É interessante reconhecermos que durante o governo Lula, o Brasil volta a contemplar 
uma integração mais ampla, apostando no reforço de uma coalizão sul-sul, busca maior 
influencia na América Central e Caribe. Passamos a ter Cúpulas Brasil-Caribe, abrindo 
embaixadas em todos os países caribenhos.
Em dezembro de 2008 temos a I CALC - I Cúpula da América Latina do Caribe, realizada 
na Costa do Sauípe (4 cúpulas concomitantes, Mercosul, unasul, grupo do rio e calc). A 
ideia era estabelecer um mecanismo de diálogo de altíssimo nível entre os 33 países para 
discutir temas de interesses em bases próprias, sem a necessidade de convocar uma 
cúpula das Américas.
Em Fevereiro de 2010 temos a II CALC na Riviera Maia no México, em que se lança o 
projeto da CELAC - Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos. A CELAC 
substituiria o Grupo do Rio de 1996 e a CALC: espaço de concertação dos 33 países da 
região, mecanismo de projeção a estabilidade política e democrática e mecanismo de 
articulação de medidas de interesse comum notadamente voltadas para o 
desenvolvimento da região.
Em Dezembro de 2011 temos a III CALC em Caracas na Venezuela, em que se concluiu o 
processo de implementação da CELAC. Significa o fim do grupo do rio e calc. Decidiu-se 
pelo consenso conjugado com maioria e adoção de cláusula democrática. A CELAC é 
muito pouco institucionalizada (como o grupo do rio também não tinha). A visão do Brasil 
sobre a CELAC é de valioso instrumento para garantir maior coesão entre os membros na 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
discussão de tema de interesse comum.Os três temas discutidos em Caracas foram: 
desenvolvimento, narcotráfico, malvinas.
MERCOSUL, UNASUL e CELAC
A visão que devemos ter é que são projetos compatíveis e conciliares, ou seja, 
complementares.
Na dimensão comercial a UNASUL é compatível com o Mercosul pois busca uma zona de 
livre comércio. Temos o acordo entre Mercosul e Comunidade Andina.
Na dimensão política, temos compatibilidade pois ambos tem cláusulas democráticas.
Na dimensão política, temos um reforço das decisões do Mercosul na unaus. A celac 
entra também nessa lógica.
Desafios para o futuro: conciliar posições de países que apresentam características 
política e ideológicas distintos.
Aula 14 - Relação Brasil-Argentina
Eixo assimétrico de relações, países muito mais fortes: brasil-eua
Eixo simétrico de relações, países equivalentes: brasil-argentina
Cinco períodos definidos pelo Alessandro Warley Candeias 
(ler artigo de 2005 na RPI)
1810 - 1898:
Instabilidade estrutural com predomínio de rivalidade
1898: Início do segundo governo do presidente Roca, na Argentina
1898 - 1962:
Instabilidade conjuntural com busca de cooperação e momentos de rivalidade
1962: Final do governo de Artur Frondise
1962 - 1979:
Instabilidade conjuntural com predomínio de rivalidades
1979: Assinatura do acordo Tripartite
1979 - 1988:
Estabilidade estrutural pela cooperação
1988: Ano do Tratado Bilateral Brasil-Argentina de Integração Cooperação e 
Desenvolvimento
1988 - 2005 (hoje):
Estabilidade estrutural pela integração
1º período
Rivalidades do Brasil com as províncias Unidas do Prata como herança de uma rivalidade 
Portugal e Espanha em torno dos territórios da região do prata, atual Uruguai (colônia do 
sacramento e sete povos da missão).
Brasil no período Joanino decide anexar em 1821 a província Cisalpina aumentando a 
tensão. Em 1825 e 1828 temos a guerra da Cisplatina , conflito entre o Império brasileiro e 
as províncias Unidas do Prata. Nem Brasil, nem Argentina saem vitoriosos do conflito, 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
pois a guerra tem como resultado a independência do Uruguai e livre navegação da bacia 
do prata (interesse da Grã-Bretanha).
Em 1929 teremos novo momento importante com a ascensão de Rosas em Buenos Aires, 
que defendia um projeto federalista promovendo o descontentamento das províncias 
vizinhas. Esse é um período de grande instabilidade no Brasil com a transição para o 
período regencial, marcado por um imobilismo externo (ausência nas questões platinas 
para resolver os vários conflitos internos). Após o período regencial, há retomada do 
intervencionismo brasileiro no prata, que acaba levando ao conflito de 1851-1852 guerra 
contra Uribe (blancos uruguaios) e Rosas. O Império brasileiro se articula com os 
colorados uruguais e com Urquiza (rival de rosas). Em 1851 teremos a rendição de Uribe 
e em 1852 teremos a rendição de Rosas. O resultado desse conflito é positivo para o 
Brasil, pois Rosas era o grande rival político do Brasil na região. Urquiza ascender como 
presidente da Argentina de 1854-1860. Com Urquiza no poder, há uma melhora com as 
relações no período. Em 1856 firma-se um acordo de aliança e amizade com o governo 
brasileiro. No entanto, o governo de Urquiza não é um governo tranquilo, com o conflito 
interno entre Urquiza e Mitre. Na famosa batalha de pavon, teremos a vitoria de Mitre que 
irá permitir sua ascensão a presidência argentina de 1860-1868. Também é um período 
positivo para a relação com o Brasil. É um governo importante no ponto de vista histórico 
da Argentina por sero governo que consolida a centralização das províncias, a margem 
do projeto federalista. Teremos durante o governo Mitre a tríplice aliança entre Brasil, 
Argentina e Uruguai contra Solano Lopes no Paraguai de 1 de maio de 1865. De 
1868-1874 teremos a presidência de Sarnento, que caracteriza uma deterioração nas 
relações Brasil-Argentina. A presença do Brasil no Paraguai para evitar o avanço 
argentino no Paraguai quase leva a uma guerra entre os dois Países. O governo de 
Sarnento é importante para a Argentina, pois trás uma modernização para o país com 
investimento em educação e cultura. Nesse momento o império brasileiro esta em 
declínio, preocupado com a escravidão. A Argentina entra no início da benepoc, era de 
ouro da Argentina, Geração Anos 80, que coincide com o final do século XIX., que 
contrasta com o ocaso brasileiro. Destaca-se nesse período o primeiro governo Rocca de 
1880s-1886, com uma Argentina que se projeta com um sentimento de superioridade ao 
entorno regional e ao Brasil (cultural e economicamente). Podemos dizer que com a 
Proclamação da República em 1889 o Brasil inicial uma lógica de aliança com os EUA, 
quanto a Argentina de mantém afastada da órbita dos EUA. Como exemplo temos a 
conferência panamenticana de 1889 em Washington em que nos temos um Brasil, como 
Salvador de Mendonça, adota postura pró-estados unidos. A Argentina com Sans penha, 
futuro presidente do país, afirma América para a humanidade, indo na contra mão do 
morníssimo, priorizando a relação com os britânicos e com a Europa. De 1890 a 1914 a 
Argentina será o principal de investimentos britânicos no Mundo (argentina como celeiro 
do mundo). A questão de Palmas ou Missões é umas das questões lindeiras importantes 
envolvendo Brasil e Argentina: em 1888 teremos a escolha dos EUA como árbitros; em 
1890 teremos a assinatura do tratado de Montevidéu por Quintino Bocaiúva (desfavorável 
para o Brasil por dividir o território, não sendo ratificado); em 1895 teremos a decisão 
favorável para o Brasil, dada pelo presidente americano Grover Cleveland.
2º período
Em 1898 é o início do segundo governo Rocca e em 1899 é a visita de Roca ao Brasil, 
sendo a primeira visita de um presidente estrangeiro ao Brasil. Em 1900 teremos a visita 
de Campos Sales a Buenos Aires na primeira visita oficial de um presidente brasileiro ao 
exterior.
Rio Branco será o advogado brasileiro na questão de Palmas. A frente na chancelaria terá 
alguns contatos com a Argentina. Grande defensor dos interesses brasileiro, mas sem 
interesse de confrontar a Argentina. Nos primeiros dias como chanceler se depara com a 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
doutrina Drago, nome do chanceler argentino, que propunha a resistência dos países sul-
americanos a cobrança forçada de dívidas por parte das potências europeias (caso da 
ocupação dos portos da Venezuela), sendo rejeitada pelo Barão pelos seguintes fatores: 
como bom jurista que era, ele não aceita a relação estabelecida pelos argentinos 
fundamentando a doutrina Drago com a doutrina Monroe, já que não se trata de invasão, 
mas sim ocupação dos portos; também se preocupa com a uma legitimação de uma 
política de calote; a consolidação dessa doutrina daria um protagonismo a Argentina 
também não desejada pelo Barão.
Em 1906 teremos um segundo momento tenso com a negociação para a compra dos 
encouraçados. O Brasil queria o fortalecimento da sua marinha, mas a compra dos navios 
de guerra assusta os Argentinos e essa negociação é a base para a polêmica do 
chamado telegrama nº 9 de 1908, protagonizado por Estanislau Zeballos, chanceler 
argentino e principal desafeto do barão: a proposta de Zeballos é que o Brasil deveria 
comprar os encouraçados e dividir com os países vizinhos em nome do equilíbrio de 
poder naval regional. A proposta é rejeitada pelo Brasil. Em uma reunião ministerial, 
Zeballos apresenta um plano de ataque ao brasil para forçar a aceitar a proposta anterior. 
O plano vaza na impressa e o Brasil fica sabendo, levando ao pedido de demissão de 
Zeballos. Já fora da chancelaria argentina, faz publicar no jornal la prensa o telegrama nº 
9, interceptado pela argentina e enviado pela chancelaria brasileira à representação 
brasileiro no chile, solicitando uma articulação com o governo local para atacar a 
argentina. A publicação do telegrama gera reação imediata do Brasil. O Barão afirma que 
o telegrama é falso e decide publicar o telegrama original com o código para que fosse 
decifrado, demonstrando que o telegrama havia sido realmente falsificado.
Em 1909, o Barão propõe o Pacto ABC (Argentina, Brasil e Chile) para criar uma intente 
cordial entre os três países. O Pacto não tem sucesso por forte rejeição da Argentina.
Em 1910, teremos a visita do presidente eleito da argentina, Roque Saenz Penã, ao Brasil 
ainda na gestão do Barão. O presidente profere a frase clássica “tudo nos une, nada nos 
separa”.
Com a morte do Barão no carnaval de 1912, os chanceles que o sucede vão manter a 
mesma lógica de relação pragmática com a argentina. Na república velha teremos uma 
nova tentativa de pacto ABC que também não prospera.
No final da república velha, durante o governo vargas (1930-1945), teremos uma 
aproximação com o governo do general Justo, inclusive com troca de visitas em 1935 e 
1936, e haverá parceria entre os dois países na mediação da guerra do charco entre 
Bolívia e Paraguai (vale o nobel da paz a Argentina para o seu chanceler).
Já no estado novo varejista, na segunda guerra mundial, é interessante reconhecermos 
que em janeiro de 1942, logo depois do ataque japonês a pear Harbor, numa reunião no 
Rio de Janeiro, o Brasil apoia o rompimento com o eixo e se coloca ao lado dos EUA 
(alinhamento negociado, gerson moura). A Argentina por sua vez, não apoia o 
rompimento e resiste aos EUA. Só em 1945 é que a Argentina abandona sua 
neutralidade, já pouco antes do final da segunda guerra.
No momento que se segue, teremos Perón na Argentina e Dutra do Brasil, a Argentina 
adota a lógica da terceira posição (nem ianques, nem marxistas, mas peronistas), bem 
diferente da política externa brasileira (alinhado com os EUA). Temos uma argentina 
alinhada aos EUA de forma mais leve (participa do TIAR, mas resiste as instituições 
Breton Woods, nunca rompe com a URSS). A literatura chama a política argentina de 
autonomia heterodoxa. Embora houvesse um alinhamento político e ideológico entre 
Perón e Vargas, as duas presidencias revelaram diferenças marcantes: Perón buscando a 
terceira posição e Vargas buscando o alinhamento negociado; acordo militar com os EUA 
em 1954, a argentina teme o Brasil como representante do imperialismo americano 
chegando a propor um novo pacto ABC, mas rejeitado pelo Itamaraty com medo do 
estabelecimento de repúblicas sindicalistas.
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
No decorrer da Década de 50, temos uma melhora nas relações com a Argentina durante 
o governo de Artur Frondize de 1958-1962. Aproximação com JK, com o estabelecimento 
de um grupo de cooperação industrial Brasil-Argentina; com Jânio Quadros há uma 
aproximação ainda mais evidente, se encontram no encontro de Uruguaiana em 1961, 
onde se assina o Convênio de Amizade e Consulta, marco nas relações bilaterais.
A saída de Frondize irá levar a uma piora nas relações bilaterais, com o período sendo 
marcado por crescente rivalidade e tensão com os governos de Guido e Illia.
Com os golpes militares, Brasil em 64 e Argentina em 66, há aumento da desconfiança 
por conta da variável estratégica que apontam para um jogo de soma zero. Essa 
desconfiança tem um momento claro na década de 70 com a chamada crise Itapu-coreus. 
Em 1973, Brasil e paraguai firmam o tratado de itapu, ignorando a consulta prévia aos 
países interessados. A Argentina reagem afirmando que o acordo entre Brasil e Paraguai 
inviabilizaria a construção da usina de corpus christ. Alguns militaresafirmam que Itaipú 
seria um risco de segurança para a Argentina, já que um possível acidente resultaria na 
inundação do país vizinho. Esse momento nos anos 70 é marcado pelo fim da 
preocupação brasileira com o equilíbrio em relação a Argentina. Temos nesse momento 
um Brasil fortalecido e uma Argentina decadente, com grande oscilação política com a 
morte de Perón, governos de evita perón (péssimo para o Brasil), e volta do regime militar. 
Temos o fim da cordialidade oficial.
4º período
Acordo tripartite no início do Chanceler Saraiva Guerreiro, pondo fim a crise das 
hidrelétricas, reconhecendo a compatibilidade da construção das duas hidrelétricas, são 
projetos compatíveis. Deve ser visto como um divisor de águas, iniciando-se um período 
de grande estabilidade.
Teremos um acordo nuclear entre Brasil e Argentina.
Em 1982, teremos uma neutralidade imperfeita (termo do professor Luis Bandeira) do 
Brasil na guerra das Malvinas.
Em 1985, teremos a assinatura da Declaração de Iguaçu fimbrada por Sarney e Afonsin, 
apontando para a necessidade de um aprofundamento da integração Brasil e Argentina. 
Tem-se também um novo acordo nuclear.
Em 1986, teremos o lançamento do programa de integração e cooperação econômica 
Brasil-Argentina.
5º período
Em 1988, Brasil e Argentina firmam um tratado bilateral para a integração das duas 
economias. Dando início a uma estabilidade estrutural visando a integração entre os dois 
países. É firmado no âmbito da ALADI e dá um prazo de 10 anos para efetivar a 
integração.
Em 1990, teremos a assinatura da Ata de Buenos Aires, antecipando o compromisso 
integrador para 31 de dezembro de 1994.
Nos anos 90, podemos perceber duas frentes: âmbito integrador no contexto do Mercosul 
(1991) e a criação da ABACC - Agência brasileiro-argentina de contabilidade e controle 
(1991) com objetivo de monitoramento o programa militar Brasil-Argentina. Ainda em 
1991, teremos a assinatura do acordo Quadripartite, firmado entre Brasil, Argentina, 
ABACC e AIEA, estabelecendo um sistema duplo de salvaguardas do programa nuclear 
Brasil-Argentina (algo único no mundo).
Há diferenças entre Brasil e Argentina nos anos 90 quanto a lógica de inserção 
internacional. O Brasil adota uma estratégia de autonomia pela participação. A Argentina 
adota outra estratégia conhecida com aquiescência pragmática, com a tentativa argentina 
de convergir com os EUA, tendo como base o conceito de realismo periférico.
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
O Maior problema surge no final da década de 90 com a maxidesvalorização da moeda 
brasileira, provocando uma reação protecionista da Argentina, acusando o Brasil de estar 
fazendo uma valorização competitiva. Haverá contenciosos comerciais crescentes entre 
Brasil e Argentina, abalando a relação entre os dois países. Com a grave crise Argentina 
em 2001 (decretação da moratória argentina), teremos ainda mais contenciosos e 
protecionismo por parte da Argentina.
Com o início dos governos Lula e Nestor Kirchner em 2003, podemos perceber uma maior 
cumplicidade, convergência entre Brasil e Argentina. Não significa dizer que as as 
disputas comerciais não existem, mas há uma maior disposição ao diálogo e ao 
entendimento entre os países. Percebe-se uma disposição crescente do Brasil em ajudar 
a Argentina, sendo tolerante com o protecionismo argentino.
Usa-se o conceito de parceria estratégica para denominar as parcerias bilaterais no 
momento atual. Podemos considerar uma aliança estratégica entre Brasil e Argentina, 
com uma busca por maior coordenação entre os dois países. Por exemplo: criação do 
Mecanismo de Integração e Coordenação Bilateral Brasil e Argentina - MICBBA, criado no 
final do governo Lula que patrocina o diálogo; criação do SPML - Sistema de Pagamentos 
em Moeda Local, que esta em vigor desde outubro de 2008; Estabelecimento do 
Mecanismo de Promoção Comercial Conjunta.
Podemos reconhecer também uma crescente cooperação setorial entre Brasil e Argentina 
em setores diversos como energia: bioenergia, energia nuclear e energia hidrelétrica. Em 
bioenergia, tem-se um memorando de entendimento sobre bioenergia que aponta para o 
compromisso de ambos os países de promoverem o uso e a produção de 
biocombustíveis, Brasil joga papel descisico por causa do etanol e Argentina por causa do 
biodiesel; Em energia nuclear, temos a COBEM - Comissão Binacional Brasil-Argentina 
de Energia Nuclear, que desenvolve parcerias entre a CBEN - Comissão Brasileira de 
Energia Nuclear e a CNEA - Comissão de Energia Atômica; Em hidrelétrica, temos o 
projeto garabi-parambi, em fase adiantada para a construção de duas hidrelétrica para 
aproveitamento do rio Uruguai entre Brasil e Argentina. Essas parcerias são fundamentais 
considerando o gargalo energético entre Brasil e Argentina.
Além da energia, podemos considerar o setor técnico científico como um setor de 
cooperação crescente entre Brasil e Argentina. Podemos citar como exemplo: projeto 
sabiá- mar, com tecnologia dual (fins pacíficos ou não) demonstrando maior confiança na 
parceria dos dois países; Cooperação na área de saúde na Fio-Cruz na produção de 
vacinas contra a febre amarela; Cooperação militar com o veículo gaúcho para transporte 
de tropas militares.
Há também esforços na área de comércio, com o estabelecimento de um comitê 
binacional sobre o tema, cujo objetivo é evitar descompassos entre Brasil e Argentina, 
promovendo maior entendimento entre os dois países, reduzindo polêmicas provocadas 
pelo protecionismo (licenças não automáticas utilizadas de forma recorrente pela 
Argentina). Em 2011 o volume de comércio foi 40bi, com superávit brasileiro da ordem de 
5,8bi (2010 foi de 4bi).
Outro tema é a crescente concertação política, por exemplo: em torno da América do sul, 
o que fica claro nos episódios recente no Paraguai, com uma convergência entre Dilma e 
Kirchner, defendendo a estabilidade política, a democracia e a boa relação entre vizinhos; 
no G20 financeiro, tendendo a participar de forma conjunta defendendo a democratização 
dos fóruns financeiros internacionais, defendendo maior participação dos países 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
periféricos, defendendo maior regulação dos fluxos financeiros; Na ONU, na maioria dos 
temas como meio ambiente, desenvolvimento, direitos humanos (MINUSTAH), no 
conselho de segurança (não em relação a reforma) com o convite de diplomatas 
argentinos e brasileiros para participarem das delegações. É claro que a Argentina rejeita 
a entrada do Brasil como membro permanente do CSONU pois afeta a lógica de equilíbrio 
regional, mas é exceção.
Aula 15 - Brasil e EUA
Aula 16 - Brasil e Europa
Aula 17 - Brasil, Índia e África do Sul
Aula 18 - Brasil e China e Brasil e Rússia
Aula 19 - Brasil e África e Brasil e Oriente Médio
Aula 20 - Teoria das Relações Internacionais
Podemos reconhecer relações internacionais (relação entre os estados, no contexto de 
economia política, geografia política, direito internacional, história, etc) e Relações 
Internacionais (área de conhecimento). Relações Internacionais surge efetivamente após 
a primeira guerra mundial, especificamente na Universidade do País de Gales com a 
criação da primeira cadeira de RI, chamada de Woodrow Wilson (presidente dos EUA).
Quando pensamos nos estudos de RI, um ponto importante é o Estado, sendo a unidade 
básica das RI. A partir disso, podemos reconhecer que o sistema internacional de Estados 
só surge na paz de Westfália, que põe fim as guerras religiosas (guerra dos 30 anos), 
assegurando ao estados o conceito de soberania (livrando os países da influência do 
papa e do imperador do sacro império romano-germânico).
A soberania possui duas dimensões: interna, que pressupõe o controle da ordem interna 
(pressupõe hierarquia); externa, que pressupõe a possibilidade de agir autonomamente 
na cena internacional, relacionando-selivremente entre seus atores (pressuposto de 
anarquia).
Estado é uma unidade básica que conjuga algumas características fundamentais: 
território, população, poder constituído.
Teoria Liberal ou idealista (fim da primeira guerra mundial)
Antecedentes teóricos: figura de Kant, com a obra de referencia histórica “a paz 
perpétua”, escrita no final do século XVIII, em que reconhece a possibilidade da paz. Essa 
possibilidade parte do reconhecimento de tanto os indivíduos, quanto os Estados vivem 
um embate entre o egoísmo de um lado e a razão de outro. No caso dos Estados, a razão 
seria dada pelo modelo das repúblicas e o egoísmo pelo modelo das monarquias na sua 
vertente absoluta. Quando reconhecemos Kant como antecedente teórico para a teoria 
liberal, devemos reconhecer sua proposta de cosmopolitismo, na qual ele reconhece a 
importância da superação das fronteira e de uma cidadania mundial como fatores que 
contribuiriam para a paz mundial.
A teoria libera ou idealista revela expoentes como Norma Engel e Woodrow Wilson. 
Norma Engel escreve um livro importante chamado “a grande ilusão” e Wilson tem seus 
“14 pontos” como referências liberais. Norma Engel vai afirmar que a guerra é ruim para 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
quem perde e para quem ganha, deslegitimando a guerra como instrumento político. 
Woodrow vai professar uma série de princípios que devem reger as relações 
internacionais no pós-guerra. 
Podemos reconhecer como preceitos e premissas da teoria liberal: harmonia de 
interesses, cooperação entre os Estados, afirmam a superação do caráter endêmico da 
guerra, propõem a criação de organizações internacionais (caso da liga das nações).
Um dos grandes desafios da teoria liberal nesse momento é explicar as razões da 
primeira guerra mundial. Para a teoria liberal, a explicação está no imperialismo ou 
neocolonialismo, que é causa determinante da primeira guerra mundial. No entanto, essa 
prática foi exercida por estados liberais europeus, a teoria liberal vai afirmar que o 
imperialismo seria uma herança atávica do colonialismo do século XV e XVI, prática 
econômica mercantilista ligada ao absolutismo. Ou seja, a prática não liberal do 
imperialismo teria levado a primeira guerra mundial.
Essa tradição liberal ganha espaço no final da primeira guerra com a criação da liga das 
nações, que terá como uma de suas premissas a ideia de segurança coletiva, denotando 
a ideia de razão e cooperação (não egoísmo). No entanto, o período entre guerras vai 
revelar a falência desses mecanismo de cooperação liberais: a Liga das Nações fica 
inerte com a invasão japonesa da Manchuria, diante do avanço alemão na Europa, diante 
do avanço italiano no Norte da África.
A tradição do realismo vem para combater os preceitos liberal. Podemos destacar no 
realismo Edward Carr.
Antecedentes teóricos da teoria realista:
Tucídides, da Grécia antiga - História da Guerra do Peloponeso, seu livro clássico, revela 
o que seria a prática do exercício de poder (base da teoria realista). Isso fica evidente no 
diálogo entre médios (povo mais fraco) e ateniense (povo com poderio militar), trecho 
clássico do livro, em que os atenienses afirmam para os médios sua supremacia militar, 
restando ao mélios a rendição para evitar uma guerra que destruiria completamente os 
médios. Os médios tentam resistir, afirmando que poderia contar com a ajuda de outros 
povos. Os atenienses afirmam que não, pois ninguém teria coragem de combater os reis 
dos mares. Os mélios acabam não se rendendo e acabam trucidados pelos atenienses; 
Maquiavel em suas obras apresenta o conceito de estado e o papel e virtudes do 
príncipe;
Hobbes, em seu livro leviatã, trabalha com o estado de natureza, reconhecendo a lógica 
de anarquia entre os estados. Surge o papel do estado a partir de um contrato, saindo de 
uma estado de natureza para um estado político com um papel constituído, em que os 
indivíduos abrem mão de sua liberdade entregado-a ao estado que deverá preservar a 
ordem entre os indivíduos (saindo da anarquia para a hierarquia). Quando projetamos 
isso para o sistema internacional, reconhecemos a inexistência desse leviatã (anarquia 
internacional), ausência de um poder constituído internacionalmente, levando a uma 
insegurança (medo de uma guerra de todos contra todos). Isso levaria a uma busca pelo 
poder (maximização de poder). Reconhece um conflito de interesses como base do 
pensamento realista, resultando em uma impossibilidade de cooperação (o amigo de hoje 
é o inimigo de amanhã ou jogo de soma zero). Ideia de autoajuda, em que se deve agir 
sozinho sem ajuda do outro.
A partir dessas premissas, podemos citar como características importantes: teoria 
estadocéntrica, ou seja, o estado é o único ator que interessa; dilema de segurança, ideia 
de que a busca pela segurança gera mais insegurança, gerando uma corrida permanente 
pela busca do poder; ideia de equilíbrio de poder, que aponta para a possibilidade 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
estabilidade e paz pelo equilíbrio de poder entre os estados, por exemplo, no conceito 
europeu no século XIX (cinco grandes potência numa lógica de equilíbrio de poder: 
Áustria, Prússia, Rússia, França e Grã-Bretanha), e na Guerra Fria (lógica de equilíbrio de 
terror).
Edward Hauler Carr escreve o livro “1919-1939 Vinte anos de crise”, em que faz uma 
desconstrução das premissas do realismo, que ele chama de utopia. Contrapõe utopia e 
realidade, o que foi e o que deveria ser. É reconhecido como alguns como um realista 
bacana por aproveitar a ideia de princípios e valores conjugada a realidade, mas também 
por se colocar ao lado dos mais fracos. Quando defende o uso da guerra, afirma que 
aqueles que deslegitimam o uso da guerra querem na verdade querem manter o status 
quo. Para Carr, a guerra é o único caminho para se mudar o status quo, ou seja, a única 
oportunidade daqueles que estão em baixo chegar ao topo é através da guerra. Para 
Carr, o livre comércio interessa aqueles que estão no topo (estados ricos). Cita Friedrich 
List, importante para o desenvolvimento alemão, Alexander Hamilton, importante para os 
desenvolvimento dos EUA, ambos defenderam práticas protecionistas que permitiram 
seus países ascenderem ao status alcançado no século XX. Alguns autores compra essa 
ideia como no livro “kicking away the ladder” escrito pelo sul coreano Ha-Joon Chang.
Hans Morgenthau é o principal nome da teoria internacional, escreve o livro “A política das 
Nações”, política no sentido de poder, em que reconhece três tipos de política entre os 
estados: política de status quo (manutenção de poder), política imperialista (manutenção 
de poder) e a política de prestígio (demonstração de poder). Um dos princípios do livro é 
que os interesses dos estados são definidos em termos de poder, não devendo se guiar 
apenas por preceitos morais.
Na década de 70 temos a figura do secretário americano Kissinger, escreve o livro 
“Diplomacy”, que é considerada uma cartilha realista ou neo-realista.
O primeiro debate teórico nas Relações Internacionais é entre idealismo e realismo.
O segundo debate teórico é mais de caráter metodológico. Como estudar ao invés de o 
que estudar será a realidade que irá se apresentar no segundo debate. Termos os 
tradicionalistas de um lado e os cientificaste de outro lado, estes influenciados pelo 
behaviorismo (tentativa de introduzir nas ciência sociais a metodologia das ciências 
naturais).
Escola Inglesa (racionalistas)
Outra tradição que deve ser lembrada é a da Escola Inglesa. Ela trás nomes importantes 
como Hedley Bull, Martin Wight, Adam Watson, entre outros. O conceito base da escola 
inglesa é o de sociedade internacional, conceito que se diferencia de sistema 
internacional, na sociedade os estados compartilham princípios, valores, normas, regras, 
processos decisórios, por isso a ideia de sociedade,enquanto a ideia de sistema seria 
apenas de estados interagindo. Temos a lógica de muito embora tenhamos uma 
sociedade anárquica (contribuição Hedley Bull em sua obra “A Sociedade Anárquica“), a 
anarquia não significa necessariamente desordem, violência, podendo existir uma 
sociedade anárquica. Quando falamos da escola inglesa, estamos falando dos 
racionalistas da escola inglesa que revelam tradição Grociana (refere-se a Hugo Grócio, 
jurista holandês considerado pai do direito internacional).
Funcionalismo
Outra tradição é o funcionalismo, que tem como seus expoentes David Mitrany que 
dedicou-se ao estudo da ONU. O funcionalismo inseri-se dentro de um comportamento 
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
liberal mais refinado, fazendo a divisão de alta política (sobrevivência dos estados) e 
baixa política (bem estar). A tendência a cooperação estariam relacionadas a baixa 
política, mais ligada aos temas técnicos: economia, cultura, ciência e tecnologia, onde as 
organizações da ONU avançam. A altas política estariam relacionadas a assuntos de 
soberania, segurança, política externa, poder do estado.
Outro autor ligado a tradição funcionalista é Ernst B. Haas, que aproveita os conceitos de 
Mitrany par analisar processos de integração regional. Possui um livro clássico “Beyond 
the Notion-State” onde vai mostrar que a cooperação dos estados começa em low politics 
acabando por chegar em uma cooperação de high politics (spillover - trasbordamento).
Interdependência Complexa
Na década de 70, temos o aparecimento da ideia de interdependência complexa. Esse 
conceito é trabalho por dois autores Robert Keohane e Joseph Nye no livro intitulado 
“Power interdependency” de 1977. A lógica de interdependência complexa revela uma 
pluralidade de temas na agenda internacional onde vamos muito além de segurança, 
aparecendo questões como meio ambiente, investimentos transnacionais, crise 
econômica com fim do padrão ouro, choque do petróleo, entre vários outros temas que 
ganham espaço na década de 70. Temos também a multiplicidade de atores na cena 
internacional, além dos estados aparecem a sociedade civil, organizações internacionais 
não-governamentais, empresas multinacionais, avançam as organizações internacionais 
governamentais. Além disso, reconhecemos nessa realidade novidades que irão apontar 
para a lógica de interdependência: na nova realidade internacional, o recurso ao poderio 
militar não é mais tão útil para resolver problemas ambientais, crise financeira, etc; 
reconhece-se a necessidade de maior cooperação com outros atores para lidar com os 
novos desafios, ideia da impossibilidade do selfhelp;
Neorealismo
Os neorealistas (realismo estrutural) respondem as premissas lançadas por Keohane e 
Nye: o principal nome neorealista é Kenneth Waltz com seu livro “Theory of International 
Politics” (1979), em que questiona a possibilidade de cooperação entre os Estados. O 
fator que dificulta a cooperação é o medo da trapaça.
Neoliberais
Os neoliberais (estamos falando do neoliberalismo institucional), afirmam que a 
cooperação será facilitada e estimulada pelas instituições internacionais. As instituições 
internacionais reduzem o medo da trapaça, pois o aumento do fluxo de informações 
denota uma maior transparência. Teoria dos jogos é usada como argumento: dilema do 
prisioneiro - o isolamento entre os dois acaba gerando a desconfiança; Também existem 
sanções para comportamentos desviastes; mecanismos de monitoramento, próprio de 
mecanismos internacionais; a sombra para o futuro trás a ideia de que o comportamento 
de hoje trás benefícios para o amanhã; issue linked trás a ideia de que todos os assuntos 
estão interrelacionados, ou seja, a trapaça em um dos assuntos pode trazer prejuízo em 
vários outros. Todos esses fatores desestimulam a trapaça.
Para os neorealistas a instituições não importam e para os neoliberais importam.
O neoliberalismo faz uma série de concessões aos neo-realismo na década de 80 
levando a uma síntese neoneo: teremos o estado como ator fundamental, sistema 
anárquico de estados, etc. Em 1984 o Keohane “after hegemony”.
Terceiro debate
Debate dos paradigmas ou interparadigmático (debate ontológico)
 Tanguy Baghdadi
Política Internacional
Esse debate é difícil de ser precisado, sendo na realidade um conjunto de movimentos 
teóricos e críticas as teorias estabelecidas. Podemos perceber alguns paradigmas: 
neorealismo, marxismo ou radicalismo, pluralismo - ideia de interdependência. Esses 
paradigmas não combatem um ao outro, mas sim as ideias tradicionais, trazendo 
novidades conceituais.
Quarto debate (o que alguns autores chamam de terceiro, desconsiderando o terceiro)
Debate epistemológico, com as críticas pós-positivistas: reflexivistas versus racionalistas.
Temos o construtivismo como primeira teoria importante, com autores como: Nicolas 
Unufe, Kraktview, Krakstaien, Alexander Venditti. Nicolas Unufe é o precursos da teoria 
construtivista nas relações internacionais. Mas o nome mais conhecido é o de Alexander 
Venditti que escreve um livro em 1992.
Características gerais: os interesses e as identidades dos estados não são dados e sim 
construídos socialmente a partir de interações intersubjetivas (dá ênfase a ideias e 
significados produzidos a partir das interações intersubjetivas); co-constituição entre 
agentes e estrutura. Por causa dessas ideias temos perspectiva de mudança.
Venditti tem uma frase em que afirma que: a anarquia é o que os estados fazem dela. 
Essa anarquia aponta para a anarquia hobbesiana numa lógica de conflito, ele também 
diz que pode haver uma anarquia lockiana que aponta para rivalidade, além de uma 
anarquia kantiana que aponta para uma lógica de amizade.
Teoria crítica e a teoria pós-moderna
Teoria crítica tem como antecedentes teóricos a escola de Frankfurt com nomes como 
Adorno, Havermast. A teoria vai criticar a realidade externa objetiva, a separação sujeito e 
objeto, e a neutralidade cientifica. Ou seja não é possível a criação de conhecimento 
verdadeiramente objetivo, pois sempre revela os princípios e valores de quem esta 
analisando. Possui influência forte do marxismo, na Teoria de RI de Robert Kokx, Wendely 
Cleiter. É uma crítica a teoria positivista.
Teoria pós-moderna em que temos antecedentes teóricos importantes com a Foucault, 
que trabalha com a lógica pós-moderna nas relações internacionais, e Richard Asley. 
A base da teoria é a crítica a verdade, revelando que a mais de uma verdade. Trás uma 
linha pluralista. “Como é possível a verdade da história, se a própria verdade tem a sua 
história”. A verdade sempre revela uma lógica de poder.
 Tanguy Baghdadi

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