Sociedade Simples
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Sociedade Simples


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SOCIEDADE SIMPLES
ORIGEM
Sistema antigo:
Sociedades comerciais.
Sociedades civis.
Código Civil:
Sociedades empresárias.
Sociedades simples.
As sociedades simples constituem o tipo societário de organização mais elementar, correspondendo às anteriores sociedades civis.
Compreendem:
Sociedades onde a característica fundamental estaria na profissão regulamentada.
Exemplos: advocacia, arquitetura, economia, engenharia, medicina, odontologia, informática, eletricista, marceneiro, encanador, pintor, etc.
Quando as sociedades evoluem, tornam-se mais complexas, transformam-se em empresárias (Parágrafo Único do art. 966 do CC).
A Sociedade Simples assume papel de destaque no Direito de Empresa, posto que as disposições que a disciplinam funcionam, com relação aos demais tipos societários, como legislação subsidiária.
Artigo 982:
Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais.
Parágrafo Único: Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa.
TIPOS
Artigo 983:
A sociedade empresária deve constituir-se segundo um dos tipos regulados nos arts. 1.039 a 1.092; a sociedade simples pode constituir-se de conformidade com um desses tipos, e, não o fazendo, subordina-se às normas que lhe são próprias.
Assim, a sociedade simples pode assumir cinco formas distintas:
Sociedade simples comum \u2013 ou sociedade simples em sentido estrito.
Sociedade simples em nome coletivo.
Sociedade simples em comandita.
Sociedade simples limitada.
Sociedade cooperativa.
Somente a sociedade simples comum se regerá pelos artigos 997 a 1.038 do Código Civil.
CARACTERÍSTICAS
A sociedade simples, em comparação à empresária, tem como principais características:
Simplicidade de estrutura.
Presunção de pequeno porte.
É o único tipo societário que aceita sócio de serviço.
Admite, na mesma sociedade, sócios que sejam casados, entre si, ainda que pelo regime da comunhão universal de bens ou pelo regime da separação obrigatória.
A responsabilidade dos sócios pode ser limitada ou ilimitada, dependendo do que declararem no contrato social.
Não está sujeita à falência.
DIREITOS E OBRIGAÇÕES DOS SÓCIOS
Obrigações \u2013 art. 1.001:
\u201cAs obrigações dos sócios começam imediatamente com o contrato, se este não fixar outra data, e terminam quando, liquidada a sociedade, se extinguirem as responsabilidades sociais.\u201d
Ao subscrevem o capital social, os sócios passam a ser partes do contrato plurilateral, contraindo inúmeras obrigações para com a sociedade, e para com os demais sócios.
O dever primordial de um sócio de qualquer sociedade é realizar a sua contribuição para o capital social.
Sócio de serviço \u2013 art. 1.006:
Não pode, salvo convenção em contrário, empregar-se em atividade estranha à sociedade, sob pena de ser privado de seus lucros e dela excluído.
Sócio remisso \u2013 art. 1.004:
\u201cOs sócios são obrigados, na forma e prazo previstos, às contribuições estabelecidas no contrato social, e aquele que deixar de fazê-lo, nos trinta dias seguintes ao da notificação pela sociedade, responderá perante esta pelo dano emergente da mora.\u201d
Parágrafo Único: \u201cVerificada a mora, poderá a maioria dos demais sócios preferir, à indenização, a exclusão do sócio remisso, ou reduzir-lhe a quota ao montante já realizado, aplicando-se, em ambos os casos, o disposto no § 1o do art. 1.031.\u201d
Cessão de quota \u2013 arts. 1.003 e 1.005:
\u201cArt. 1.003. A cessão total ou parcial de quota, sem a correspondente modificação do contrato social com o consentimento dos demais sócios, não terá eficácia quanto a estes e à sociedade.
Parágrafo único. Até dois anos depois de averbada a modificação do contrato, responde o cedente solidariamente com o cessionário, perante a sociedade e terceiros, pelas obrigações que tinha como sócio.\u201d
No caso de cessão da quota, com a substituição do sócio, cedente e cessionário mantém-se solidariamente responsáveis pelas obrigações anteriores à averbação da alteração contratual pelo prazo de 2 anos após tal averbação.
Pelas obrigações posteriores à averbação a responsabilidade é exclusivamente do cessionário.
Direitos do sócio:
Espécies de direitos:	
Patrimonial
Pessoal
Patrimonial:
Direito eventual de crédito contra a sociedade, consistente na participação nos lucros e na participação no acervo social em caso de liquidação da sociedade.
No silêncio do contrato social, cada sócio participa dos lucros na proporção de suas quotas (art. 1.007).
Todavia, o sócio que contribui em serviços só participa dos lucros pela média do valor das quotas
Pessoal:
Fiscalização dos atos da administração, e a participação na administração, ou pelo menos na escolha dos administradores.
RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS
Nas sociedades simples, a regra geral é que os sócios respondem subsidiariamente, na proporção de sua participação no capital social (art. 1.023).
Ou seja, o patrimônio pessoal do sócio só responde na insuficiência do patrimônio social, e pela parte da dívida equivalente a parte do mesmo no capital social.
Exemplo:
Imagine-se a seguinte situação hipotética, uma sociedade simples formada por três sócios que subscreveram cotas iguais de R$ 1.000,00 (um mil reais). Considerando, que a sociedade não possua mais patrimônio, embora possua uma dívida de R$ 30.000,00 (trinta mil reais), qual seria a responsabilidade de cada sócio por essa obrigação?
R - Os sócios respondem na proporção de suas quotas, ou seja, cada sócio terá responsabilidade por R$ 10.000,00.
Embora, a princípio, não haja solidariedade entre os sócios, os mesmos podem no contrato social estipular a solidariedade entre eles (art. 1.023), de modo que qualquer sócio seria obrigado pela totalidade da dívida, e ao pagar se sub-rogaria nos direitos de credor e adquiria o direito de regresso contra os demais sócios.
O sócio que se retira ou é excluído permanece obrigado por dois anos após a averbação da sua saída, em relação às obrigações anteriores à averbação da alteração contratual. (art. 1.032).
No caso de falecimento do sócio, seus herdeiros mantêm a responsabilidade por dois anos após a averbação da resolução da sociedade, em relação às obrigações anteriores ao falecimento do sócio.
ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE
Artigos 1.010 a 1.021
Pessoa física ou pessoa jurídica.
Pessoa física: idoneidade para administrar a sociedade (art. 1.011).
Art. 1.011. O administrador da sociedade deverá ter, no exercício de suas funções, o cuidado e a diligência que todo homem ativo e probo costuma empregar na administração de seus próprios negócios.
§ 1o Não podem ser administradores, além das pessoas impedidas por lei especial, os condenados a pena que vede, ainda que temporariamente, o acesso a cargos públicos; ou por crime falimentar, de prevaricação, peita ou suborno, concussão, peculato; ou contra a economia popular, contra o sistema financeiro nacional, contra as normas de defesa da concorrência, contra as relações de consumo, a fé pública ou a propriedade, enquanto perdurarem os efeitos da condenação. 
§ 2o Aplicam-se à atividade dos administradores, no que couber, as disposições concernentes ao mandato.
Administradores: sócios e não sócios.
Indicação: contrato social, ou em instrumento separado averbado a margem do registro da sociedade.
Antes da averbação: o administrador assume responsabilidade solidária com a sociedade pelos atos praticados, pois sem a averbação, o terceiro de boa fé não tem como aferir a regularidade ou não da atuação do administrador.
Os sócios administradores nomeados no contrato social não poderão ser destituídos, salvo justa causa reconhecida judicialmente, a pedido de qualquer dos sócios (art. 1.019).
No caso de sócios administradores nomeados em ato estranho ao contrato social, ou administradores não sócios prevalece a revogabilidade a qualquer tempo, deliberada pela maioria do capital social (art. 1.019, Par. Único).
Não havendo designação dos