Prévia do material em texto
1 CENTRO UNIVERSITÁRIO REDENTOR CURSO DE GRADUAÇÃO EM MEDICINA ARTHUR LEMOS FERREIRA GUSTAVO CARVALHAL CASTRO HIANCA DE REZENDE PACHECO JAIRO DO NORTE LASMAR MARQUES KATRINA KATIUSCIA DA SILVA PARISI OXIGENOTERAPIA HIPERBÁRICA Itaperuna-RJ 2018 2 ARTHUR LEMOS FERREIRA GUSTAVO CARVALHAL CASTRO HIANCA DE REZENDE PACHECO JAIRO DO NORTE LASMAR MARQUES KATRINA KATIUSCIA DA SILVA PARISI OXIGENOTERAPIA HIPERBÁRICA Trabalho de Biofísica apresentado ao curso de graduação em medicina do Centro Universitário Redentor com o tema teste de paternidade com a orientação da ProfªMSc. Ludmilla Carvalho Rangel Itaperuna-RJ 2018 3 OBJETIVO: Aprofundarmos no conteúdo Biofísica que foi dado durante o semestre, especificamente sobre o tema da Oxigenoterapia Hiperbárica para podermos apresentar em seminário diante da turma e da professora, além de podermos vê mais profundamente a aplicação desse conteúdo na prática RESUMO: A Oxigenoterapia Hiperbárica(OTH) é uma modalidade terapêutica que se fundamenta na oferta de oxigênio puro em um ambiente, por meio de câmaras de pressão, pressurizado a um nível acima da pressão atmosférica. Com base nisso, este trabalho almejou evidenciar o conceito e a utilização da oxigenação hiperbárica, a partir de uma análise da literatura existente, com o escopo de promover discussões sobre essa técnica e ocasionar o conhecimento a respeito da viabilidade, indicações e efeitos de tal recurso terapêutico. Nesse contexto, foram citados os casos clínicos de aplicabilidade da oxigenação hiperbárica, com ênfase na administração do oxigênio para auxiliar no tratamento de lesões e patologias. Dessa forma, pretendeu-se demonstrar a Medicina Hiperbárica e seus fundamentos fisiológicos a fim de ampliar sua utilidade clínica. Palavras-chave: oxigenação hipertbárica; técnica; aplicabilidade; patologias ABSTRACT: Hyperbaric Oxygen Therapy (HBOT) is a therapeutic modality that is based on the supply of pure oxygen in an environment, through pressure chambers, pressurized to a level above atmospheric pressure. Based on this, this work aimed to highlight the concept and the use of hyperbaric oxygenation, based on an analysis of the existing literature, with the scope to promote discussions about this technique and to bring about the viability, indications and effects of such therapeutic resource. In this context, clinical cases of hyperbaric oxygenation were emphasized, with focusing on the administration of oxygen to assist in the treatment of injuries and pathologies. Thus, it was intended to demonstrate Hyperbaric Medicine and its physiological foundations in order to broaden its clinical utility. Keywords: hyperbaric oxygenation; technique; applicability; pathologies 4 SUMÁRIO RESUMO...................................................................................................................................3 ABSTRACT..............................................................................................................................3 INTRODUÇÃO........................................................................................................................5 1. OXIGENOTERAPIA HIPERBÁRICA .........................................................................7 2. MECANISMOS FISIOLÓGICOS, BIOQUÍMICOS E CELULARES.......................7 2.1 Efeitos volumétricos......................................................................................................7 2.2 Efeitos sobre a solubilidade..........................................................................................8 2.3. Efeitos Bioquímicos e Celulares.................................................................................8 3. INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS DA OXIGENOTERAPIA HIPERBÁRICA........8 3.1 Intoxicações por Monóxido de Carbono (CO)...........................................................9 3.2 Acidente descompressivo ou Doença descompressiva (DD)....................................10 3.3 Embolismo Gasoso......................................................................................................11 3.4 Mionecrose por Clostridium – Gangrena Gasosa (GG)..........................................11 3.5 Infecções necrotizantes de partes moles (não clostridiais) e outras infecções.......13 3.6 Isquemia Traumática Aguda.....................................................................................14 3.7 Pé Diabético, Úlceras isquêmicas e feridas de difícil cicatrização..........................14 4. EFEITOS SECUNDÁRIOS E CONTRA-INDICAÇÕES DA OTH...........................15 5. PERSPECTIVAS FUTURAS DA MEDICINA HIPERBÁRICA...............................17 CONCLUSÃO........................................................................................................................17 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................................19 5 INTRODUÇÃO No século XVII, profissionais variavam a pressão atmosférica na tentativa de diminuir o efeito de muitas doenças. Através de um sistema de órgãos de foles, um clérigo britânico chamado Henshaw podia ajustar a pressão dentro de uma câmara selada chamada domicilium. O princípio simplista por detrás de seu uso era que condições agudas responderiam a pressões atmosféricas elevadas, ao passo que condições crônicas se beneficiariam a partir da redução da pressão.(SHARKEY, 2000) Ao longo dos anos esses aparelhos de compressão do ar foram evoluindo. Também foi descoberto que o uso de tal técnica poderia facilitar outros métodos. Por exemplo, um cirurgião francês chamado Fontaine criou uma câmara móvel que tirava proveito da lei de Henry, a qual afirma que a solubilidade de um gás num líquido é proporcional a pressão do gás sobre a solução, fazendo com que nenhuma reação química ocorra. Ao aumentar a pressão atmosférica dentro da câmara, Fontaine foi capaz de aumentar a quantidade de oxigênio transportada pela corrente sanguínea do paciente durante a administração da anestesia com óxido nítrico. Assim, impedia que os níveis oxigênio sanguíneos caíssem muito como tipicamente ocorria com aprofundamentos anestésicos cirurgicamente aceitáveis. (MORRISON E KIRKBY, 2005). No início do século XX, Cunningham , professor de anestesia da Universidade de Kansas observou que as pessoas com doenças cardiovasculares que morassem em altitudes maiores tinham quadros piores que pacientes comparáveis vivendo mais próximos do nível do mar. A partir dessa observação Cunningham formulou a hipótese de que aumentando a pressão além de um nível de pressão atmosférico ao nível do mar conferiria um benefício ainda maior. Ele tratou com sucesso uma jovem colega com gripe que estava próxima da morte por falta de oxigênio secundário a restrição da função pulmonar. Com aquele sucesso inflando sua confiança, ele desenvolveu uma câmara hiperbárica cilíndrica de aproximadamente 3 metros de diâmetro por 27 metros de comprimento, quepodia ser usada para tratar muitos problemas. A realidade de Cunningham se transformou após a recuperação de um paciente que possuía doença renal, o qual atribuiu sua estupenda melhora na saúde a terapia hiperbárica, o paciente agradecido possibilitou a construção para Cunnigham de uma câmara perfeita para um rei. Esta câmara -- construída em Kansas City em 1921 -- era uma bola inteira de aço de aproximadamente 20 metros de diâmetro e equipada com uma sala de espera, sala de refeições, tapetes caros e quartos particulares. No entanto, devido ao alto custo, esse episódio na medicina hiperbárica chegou ao fim, os resultados não foram tão satisfatórios, então toda essa construção fora demolida. Em 1670, Robert Boyle observou a maneira que o olho de uma serpente podia emitir uma bolha de gás visível através da córnea: a membrana transluzente externa na frente do olho. Ele percebe 6 que tecidos submetidos a uma descompressão rápida podiam emitir bolhas de gases previamente dissolvidos, como retratam Morrison e Kirkby(2005). Sua conclusão está expressa em uma formula matemática, a qual declara que em uma temperatura constante, o volume e a pressão de um gás são inversamente proporcionais. Em outras palavras, um gás irá comprimir proporcionalmente a quantidade de pressão exercida sobre ele. A lei de Boyle se faz presente na explicação do que acontece quando uma garrafa de refrigerante quente é aberta. Através de umapressão, um grande volume de gás carbônico(o que faz o refrigerante borbulhar) se dissolve na bebida de acordo com a lei de Henry. No entanto, quando a tampa é retirada, a pressão sobre o líquido diminui e o fluido não consegue segurar tanto gás na solução. Assim, o gás é empurrado para fora da solução rapidamente forma bolhas. De modo análogo, quando ocorre um mergulho em mar profundo, o gás inerte inspirado em uma pressão relativamente alta se dissolve e acumula-se nos tecidos do corpo. A medida que o mergulhador volta a superfície, o gás pode formar bolhas que interferem com o processo fisiológico normal. Por exemplo, a circulação sanguínea pode se romper por bolhas que obstruem os vasos sanguíneos pequenos, e pode surgir dor quando as bolhas tentam se expandir dentro dos espaços fechados das articulações como afirmam Lemos e Passos(2009). Este problema médico é chamado de doença da descompressão ou "bends". Mas somente em 1845, que fora escrito sobre sintomas em mineiros de carvão consistentes com a doença da descompressão. Segundo MORRISON e KIRKBY: “ A exemplo da serpente de Boyle, os mineiros aparentemente não sofriam nenhum efeito patológico enquanto estavam sob pressão. Entretanto, dores musculares e caimbras ocorriam após eles deixarem as regiões pressurizadas da mina. Em 1854, Pol e Watelle escreveram que a descompressão era necessária para os sintomas se desenvolverem e -- talvez o mais importante -- que a recompressão reduzia os sintomas . Em 1876, Bert relatou que bolhas de nitrogênio se formavam no tecido durante a descompressão rápida. O nitrogênio foi assim implicado na "inclinação grega", um termo articulado pelos trabalhadores que construíram o quebra-mar da Brooklyn Bridge. A postura inclinada dos indivíduos afligidos aproximava-se da inclinação grega, uma postura da moda assumida pelas mulheres do período. A doença da descompressão mais tarde tornou-se conhecida como "as curvas". (the bends).” Nesse viés, foram registrada quatro mortes na construção da ponto no Rio Hudson pelo ar comprimido. Desse modo, da mesma forma que a recompressão ajudava aliviar determinados sintomas, quando em alta exposição ao ar comprimido ela causa a doença da descompressão. Com isso, foi investido durante décadas em projetos de compressão/descompressão com o pioneirismo militar a fim de usar nos submarinos. Estudos nos anos 30, sugeriram que o oxigênio suplementar podia desempenhar um papel importante no tratamento da doença da descompressão, porém o 7 oxigênio podia ser reativo, assim, levaram mais três décadas até construírem equipamentos que cumprissem essa finalidade. Segundo Sharkey(2000) o oxigênio hiperbárico ratificou pela primeira vez sua importância na medicina de terra firme no domínio cirúrgico holandês com o conceito de tecido encharcado, que exigia pressurização de toda a sala cirúrgica. Após alguns anos, o oxigênio hiperbárico provou ser eficaz contra infecções anaeróbias (aquelas causadas por bactérias que vivem sob condições pobres em oxigênio) e também mostrou potencial no tratamento de envenenamento por monóxido de carbono. No entanto, durante a década de 70, houve uma queda na busca da Oxigenoterapia Hiperbárica devido ao crescimento e a popularização das cirurgias cardíacas. Contudo, devido às pesquisas mais recentes tal método provou-se de grande valia para a Medicina e em março de 2000, o American Board of Medical Specialties aprovou a medicina hiperbárica e submarina como uma sub- especialidade tanto da medicina de emergência como da medicina preventiva tornando-a uma especialização que tem feito grandes avanços nos dias atuais. 1. OXIGENOTERAPIA HIPERBÁRICA A Oxigenoterapia Hiperbárica pode ser definida como modalidade terapêutica que se fundamenta na oferta de oxigênio puro (FiO2 = 100%) em um ambiente, as câmaras de pressão, pressurizado a um nível acima da pressão atmosférica, habitualmente entre duas e três atmosferas. A OHB pode ser aplicada em câmaras com capacidade para um paciente (câmara monopaciente ou monoplace) ou para diversos pacientes (câmara multipaciente ou multiplace). Tal processo, requer os cuidados de um médico e foi o fruto de um processo ao longo dos anos de evolução da física e dos conceitos médicos. 2. MECANISMOS FISIOLÓGICOS, BIOQUÍMICOS E CELULARES Segundo GUYTON (2002), todos os gases de interesse na fisiologia respiratória são moléculas simples que estão livres para se movimentarem entre si, constituindo um processo denominado difusão. No entanto, a fim de que ocorra a difusão, necessário é haver uma fonte energética, que provém do movimento cinético das próprias moléculas. 2.1 Efeitos volumétricos Nessa perspectiva, Castro e Oliveira(2003) afirmam que a pressão exercida por um gás contra uma superfície gera o constante impacto das moléculas em movimento cinético contra a mesma aumentando a energia cinética delas e com base na Lei de Boyle-Mariotte, a pressão é o inverso do volume(em temperatura constante), ou seja, o espaço ocupado por um certo volume de gás será cada 8 vez menor quanto maior a pressão. Desse modo, o oxigênio puro em alta pressão ocupa um volume menor que comparado a pressão ambiente. 2.2 Efeitos sobre a solubilidade Desse modo, também leva-se em quanta a lei de Henry, conforme Brito(2002), quanto maior a pressão, maior a solubilidade de um gás em líquido, o que seria representado pela inspiração de oxigênio puro em um meio hiperbárico o que aumentaria as taxas de oxigênio dissolvido no plasma uma vez que as hemácias já carregam praticamente o máximo desse gás, enquanto o plasma na pressão ambiente não transporta altas taxas de oxigênio. Quadro 1-> Acta medica portuguesa, v. 22, n. 4, p. 323-34 2.3 Efeitos Bioquímicos e Celulares Uma diminuição da oxigenação de tecidos(hipóxia) leva, segundo Hunt(1988), pois a capacidade de fagocitose das células de defesa é diminuída. A OTH , além de reduzir a hipóxia, aumenta inclusive a eficiência das células de defesas sobre determinadas bactérias. O oxigénio hiperbárico também atua, ele mesmo, como um bactericida para alguns anaeróbios como o Clostridium perfringens, e bacteriostático para algumas espécies de Escherichia e Pseudomonas.Assim, o uso da OTH resulta em uma série de fatores positivos, como a diminuição da morbidade, diminui o tempo da recuperação de determinadas doenças, além de diminuir também o uso de antibióticos, a redução de períodos de internamentos, logo uma redução no custo de muitos tratamentos. 3. INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS DA OXIGENOTERAPIA HIPERBÁRICA Como já dito em sua definição, a oxigenoterapia hiperbárica (OHB) é uma intervenção terapêutica que fornece oxigênio na sua forma pura (FiO2). No Brasil, as indicações foram regulamentadas pelo Conselho Federal de Medicina, mediante resolução CFM 1.457/95, descritas abaixo: 9 Foto-> TOLENTINO(2003) 3.1 Intoxicações por Monóxido de Carbono (CO) A intoxicação por monóxido de carbono ocorre por meio da inalação dos gás, produzido através da combustão de hidrocarbonetos, gerada por queima de alguns combustíveis como querosene e carvão por exemplo. Fisiologicamente, o gás possui expressiva afinidade com a hemoglobina (célula sanguínea responsável pelo transporte de gases), o que causa um acúmulo do mesmo nestas células, causando carência de oxigênio nos tecidos que receberam o sangue irrigado de hemoglobina rica em CO e dificultando diretamente o processo de respiração celular realizado pelas mitocôndrias. Os efeitos tóxicos, como registrado por Rodrigues e Moura(2011) são rapidamente expressos em tecidos sanguíneos, o que causa como sintoma primário náuseas fortes e cefaleia. Em casos de bairro risco, quando a taxa de carboxi-hemoglobina se encontra em até 25%, a indicação de tratamento é inalação de ar composto de 100% de O2 por máscara. Já em casos onde o paciente apresenta essa concentração acima de 25%, em que os sintomas já são mais graves (como perda total ou alta da consciência a longo ou curto prazo, dores torácicas) indica-se a OHB, realizada em câmara hiperbárica de 2 a 3 atmosferas de pressão com ar composto de 100% de O2. 10 3.2 Acidente descompressivo ou Doença descompressiva (DD) O acidente descompressivo é causado pela mudança rápida de pressão atmosférica exercida sobre os pulmões, gerando bolhas de nitrogênio em áreas do corpo, causando embolias. Os sintomas já aparecem logo após o mergulhador emergir da água, e os mesmos podem ser de simples dores de cabeça, tontura e fadiga, até mesmo a paralisias e morte por choque anafilático. 3.3 Embolismo Gasoso Embolia gasosa é o caso em que ocorre a obstrução dos vãos sanguíneos por bolhas de gás. A embolia pode ser tanto pode ser arterial quanto venosa, mas nos dois caos a ocorrência rara. A embolia gasosa, segundo Berger(2005) geralmente tem como causa erros na conduta medica, por exemplo, em casos de intervenções, como injeções, procedimentos cirúrgicos ou na introdução de ar através de uma seringa ou cateter. Outro caso em que ela ocorre é quando um mergulhador volta de forma brusca a superfície, uma vez que acontece uma expansão do ar nos pulmões com a dimuição da pressão durante a subida à superfície. Fisiopatologia A embolia gasosa pode ser tanto venosa quanto arterial: Embolia Gasosa Arterial: a embolização de arteiras que nutrem a musculatura esquelética ou a musculatura lisa de vísceras é bem tolerada quando comparados a embolização ocorrida no miocárdio e cérebro, uma vez que são tecidos sensíveis à hipóxia. Embolia Gasosa Venosa: subdivide-se em Embolia Gasosa Venosa Pulmonar que caracteriza-se pela obstrução na micro circulação do pulmão e pela e baixa taxa de infusão de gás. Embolia Gasosa venosa Massiva caracteriza-se pela obstrução bronco pulmonar e pela taxa de infusão de gás elevada. Sintomas A interação do sangue com ar desencadeia agregação de plaquetas, hemácias e glóbulos de gorduras às bolhas de gás promovendo a obstrução de vasos sanguíneos. Tal fato, 11 pode gerar sintomas como dispneia súbita, ansiedade, tonturas, náuseas, sintomas neurológicos: confusão, perda da consciência, entre outros. Por causar a obstrução dos vasos sanguíneos, a embolia gasosa a possui um serie de complicações. Dentre elas estão: acidente vascular cerebral, ataques cardíacos e paralisia. Diagnostico O diagnostico da embolia gasosa pode ser feito através de equipamentos que monitoram as vias aéreas e o coração ( frequência respiratória e pressão sanguínea) durante as cirurgias. Além disso, o uso da ultrassonografia, tomográfica computadorizada e ressonância magnética ajuda na determinação de onde se localiza a embolia. Tratamento O Tratamento da embolia gasosa pode ser feito através do método da oxigenoterapia hiperbárica que consiste na inalação de oxigênio puro em uma pressão maior do que a pressão atmosférica. Esse procedimento compensa a deficiência de circulação sanguínea causada pelo entupimento de vaso sanguíneos, uma vez que contem sangue muito rico em oxigênio. 3.4 Mionecrose por Clostridium – Gangrena Gasosa (GG) A gangrena gasosa - mionecrose é uma forma grave de gangrena, com necrose do músculo. É uma infecção do tecido muscular com risco à vida, progride rapidamente, destruindo os músculos em razão de sua toxicidade, causada por bactérias anaeróbica Clostridium, principalmente o Clostridium perfringens e o Clostridium novyi, que produzem exotoxinas e gases. Após certos tipos de cirurgia ou lesões, punções venosas, deficiência dos vasos ou infecção decorrente de outros microrganismos pode desenvolver gangrena gasosa. Fisiopatologia As bactérias do gênero Clostridium, causadoras da gangrena gasosa, contam com cerca de 150 espécies. As bactérias vivem alojadas e faz parte da flora normal do intestino no intestino, e podem tornar-se patogênicas em certas ocasiões. Essa bactéria, em condições anaeróbicas (sem oxigênio), produzem toxinas que causam necrose e os sintomas associados. As espécies de Clostridium produzem diversos tipos de toxinas, que causam necrose dos músculos, destruição dos glóbulos vermelhos do sangue, diminuição da circulação local 12 devido à vasoconstrição e aumento da permeabilidade vascular. As toxinas produzidas pelas bactérias são responsáveis tanto pela destruição dos tecidos locais, como pelos sintomas gerais. Sintomas A gangrena gasosa se inicia repentinamente, evolui de forma rápida e tem caráter grave, primeiramente começa inchaço tecidual no local da infecção, causa dor intensa, o que revela a presença de gás no tecido. Consistem em sudorese e muito ansiosas, frequência cardíaca e respiratória aceleram , perda de peso, palidez, confusão mental enfraquecimento e coloração amarelada na pele. Há também mau cheiro, em virtude do gás acumulado e da putrefação da matéria orgânica. Se doença estiver muito avançada sem tratamento, manifesta queda da pressão arterial, insuficiência renal, coma e morte. A gangrena gasosa possui várias complicações como alteração na frequência cardio- respiratório, insuficiência renal ,confusão mental, amputação e pode ser fatal. Diagnostico O diagnóstico da gangrena gasosa baseia-se nos sintomas, visualização direta do edema e nos resultados de um exame físico que é feito pela avaliação de um médico, exame e cultura de líquidos da ferida e às vezes, cirurgia exploratória ou biópsia para obter uma amostra de tecido. É realizado radiografias, ou é realizada uma tomografia computadorizada (TC) ou imagem por ressonância magnética (IRM) para verificar se há áreas de tecido muscular morto. Tratamento O tratamento deve se iniciar de imediato após o diagnóstico, devem ser administradas altas doses venosas de antibióticos , analgésicos e cirurgia para remoção de todo o tecido necrosado e infectadoe às vezes necessidade de amputação. O tratamento pode ser complementado com oxigenioterapia hiperbárica - câmara de oxigênio de alta pressão para inibir o crescimento das bactérias anaeróbicas. A Oxigenoterapia Hiperbárica é uma modalidade terapêutica que consiste na administração de uma fracção inspirada de oxigénio num ambiente com pressão superior à atmosférica que costuma durar em média de 2 horas. Como necessitamos de oxigênio para sobreviver, essa oferta de oxigênio puro auxilia na recuperação mais rápida do paciente. 13 3.5 Infecções necrotizantes de partes moles (não clostridiais) e outras infecções A pele é uma proteção anatómica eficaz contra a infecção, mas que pode ter infeções. Os principais causadores são microrganismos que se alojam ocasionalmente e transitoriamente a pele, assim, podendo ser uma infecção uni ou poli microbiana, podendo, também, ficar confinada mais na superfície da pele ou ampliar para as profundidade dos tecidos moles adjacentes e para corrente sanguínea com septicemia e focos metastáticos à distância, com isso, o interesse aos exames culturais. Algumas infecções da pele e tecidos moles são na superfície e melhoram sem consequências, outras são de maior gravidade, com envolvimento de locais mais profundas, como a fascia muscular e o músculo, com amplas áreas de necrose e rápida evolução para choque séptico. Sintomas Há surgimento de edema, dor e, frequentemente, gases nos tecidos, na mionecrose, o tecido muscular é visivelmente necrótico. O local da ferida pode estar inicialmente pálido, mas se torna vermelho ou bronzeado, com frequência apresentando vesículas ou bolhas. Com a progressão, o paciente parece tóxico, com taquicardia, palidez e hipotensão. Choque e insuficiência renal ocorrem, embora o paciente permaneça frequentemente alerta até a fase terminal. Diagnostico Avaliação clínica com inspeção e palpação, coloração de Gram e cultura. Radiografias podem mostrar a produção de gás local e a tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RM) descreve a extensão da necrose e do gás. Tratamento Drenagem e desbridamento, penicilina associada à clindamicina todos devem ser instituídos rapidamente. Deve ter cuidado nos pacientes alérgicos à penicilina tiverem uma infecção com risco de vida, clindamicina, com ou sem metronidazol Terapia com oxigênio hiperbárico pode ser útil na mionecrose extensa, particularmente de extremidades, como um suplemento para antibióticos e cirurgia. A terapia com oxigênio hiperbárico pode salvar o tecido e diminuir a mortalidade e morbidade se iniciada precocemente, mas não deve atrasar o desbridamento cirúrgico. 14 3.6 Isquemia Traumática Aguda A Isquemia traumática aguda pode ser resultante de diversos mecanismos como, lesão dos vasos sanguíneos, aumento da permeabilidade capilar (o que ocasiona diminuição do fluxo circulatório) e lesão consequente do aumento da pressão externa do fluído que pode ser causado por edemas, vasoconstrição, estase ou oclusão. A Oxigenoterapia Hiperbárica aumenta a oxigenação plasmática, ou seja, causa uma vasoconstrição periférica com o nível necessário de oxigênio no sangue. Isso reduz o fluxo de sangue, a diapedese e o edema. Delimita as zonas hipóxicas (baixa concentração de oxigênio) ainda viáveis das irrecuperáveis, facilitando o papel da cirurgia. Limita ainda a extensão da lesão, melhora a recuperação funcional dos tecidos afetados e aumenta a disponibilidade dos antibióticos 3.7 Pé Diabético, Úlceras isquêmicas e feridas de difícil cicatrização As feridas em diabéticos podem ser infectadas por várias espécies de bactérias com grande incidência de organismos anaeróbicos, mas além da infecção a hipoxia tecidular (insuficiência de oxigênio no tecido) também dificulta o tratamento. Esse processo não só impede a cicatrização mas também prejudica a capacidade bactericida leucocitária. Esses dois fatores em conjunto são a base para a aplicação da OTH neste tipo de patologia ocasionando efeitos positivos na isquemia, na cicatrização, na infecção e nos edemas, melhorando o fluxo sanguíneo. No entanto, a OTH não pode substituir a revascularização cirúrgica, os casos devem ser sempre avaliados para que dessa forma possam proceder da melhor maneira possível. Uma pesquisa recente registrou que o tratamento por OTH diminui o risco de amputação em diabéticos com úlceras resistentes a outros tratamentos. Os doentes que receberam OTH tinham menor probabilidade de amputação quando comparados aos que não utilizaram o tratamento por OTH. E também foi provado que através do tratamento ocorre uma diminuição no tamanho das úlceras. 15 Relativamente as lesões tratadas por OTH tem o tratamento acelerado pois aumenta a reparação de feridas de evolução tórpidas, aumenta a vitalidade de enxertos, evita amputações e melhora em grande medida a qualidade de vida do doente. Caso Clínico: No dia 23/10/2017 a paciente começou a sentir muita febre e dores pelo corpo, alguns dias depois as pernas começaram a inchar e ela começou a usar meias de compressão. Começaram a surgir bolhas e essas bolhas estouraram virando úlceras, ela foi diagnosticada com Erisipela Bolhosa, essa doença é causada por uma bactéria (Streptococcus Beta-hemolítico do grupo A). Três dias depois sua perna começou a necrosar e ela teve que fazer o debridamento (retirada do tecido necrosado), porém a necrose aumentou. Após o debridamento sem sucesso ela começou o tratamento pela Oxigenoterapia Hiperbárica, ela fez 90 sessões e não foi necessária a amputação de sua perna, sua cicatrização ocorreu normalmente após todo tratamento. Se ela não tivesse feito a OTH ou teria que amputar sua perna ou ainda estaria em processo de cicatrização. 4. EFEITOS SECUNDÁRIOS E CONTRA-INDICAÇÕES DA OTH Embora a oxigenoterapia hiperbárica seja uma técnica altamente eficiente, durante o tratamento das lesões e patologias supracitadas pode ocorrer complicações barotraumáticas. 16 Dentre estas, a mais recorrente é a lesão timpânica. Além disso, o paciente também pode sofrer com feridas nos seios perinasais, dentes, pulmões e demais cavidades ocas. Nesse contexto, pode ocorrer um stress oxidativo e um conseqüente aumento de radiacais livres em decorrência do contato com o oxigênio hirbárico. Esse impasse é combatido pela ação da hiperóixia transitória que ocasiona um aumento da quantidade de antioxidantes. Dessa forma, cria-se um mecanismo protetor para evitar recorrências de estresse oxidativo. De acordo com a teoria de Paul Bert de 1878, uma elevada pressão parcial de oxigênio pode causar irritação cortical que se manifesta em forma de crise convulsiva, em virtude da diferença de oxigênio ao qual teve acesso na máscara em comparação à pressão ambiental. Ademais, a exposição por tempo muito prolongado (geralmente por mais de seis horas) ao oxigênio hiperbárico pode causar toxidade pulmonar. Esta toxicidade manifesta-se inicialmente com sinais e sintomas de traqueobronquite (transitórios com o cessar da exposição) e que, com a exposição continuada, evolui para uma síndrome respiratória aguda e, na seqüência, para uma fibrose pulmonar intersticial. Pode-se salientar ainda outras complicações como intoxicação neurológica pelo oxigênio, em pacientes suscetíveis, caracterizada por alterações de campo visual, náuseas, vertigens. Alguns pacientes, mais comumente os idosos, podem apresentar miopia de caráter reversível. São ainda descritos na literatura, uma piora da catarata pré-existente em pacientes portadores de diabetes, com história de corticoterapia ou radioterapia da cabeça ou pescoço,quando submetidos a tratamentos extremamente longos. Desse modo, em virtude da exposição dos pacientes a pressões ambientais elevadas, durante a oxigenoterapia hiperbárica, o tratamento está contra-indicado aos portadores de pneumotórax não drenados; os portadores de asma brônquica ativa, doença pulmonar obstrutiva severa e bolhas ou cistos pulmonares contendo ar. Além disso, a técnica também não é aconselhada aos que se submeteram recentemente à cirurgia torácica ou otorrinolaringológica e os portadores de infecção de vias aéreas superiores. A oxigenoterapia pode piorar quadros infecciosos virais tais como hepatite, sarampo e varicela. Em suma, pode-se afirmar que a OTH é um tratamento seguro e que se for realizada de modo a seguir os protocolos pré-estabelecidos e a análise do risco/benefício, será 17 prioritariamente benéfico ao paciente. Entretanto, é sempre válido que os profissionais envolvidos na indicação e na execução estejam atentos às vulnerabilidades do paciente. 5. PERSPECTIVAS FUTURAS DA MEDICINA HIPERBÁRICA Com base nos múltiplos benefícios da medicina hiperbárica, essa tecnologia seria amplamente benéfica em qualquer rede de saúde. Entretanto, essa realidade ainda encontra impasses como o alto custo da câmera hiperbárica, a manutenção necessária e o conhecimento da população a respeito das indicações a fim reivindicar o uso. Nessa vertente, a utilização efetiva desse mecanismo torna-se comprometida também na rede pública de saúde em virtude de muitos hospitais brasileiros ainda não terem a câmera hiperbárica. Nesse contexto, com relação à efetivação do uso da técnica (OTH), é preciso considerar que o valor da terapia com oxigénio hiperbárico depende não só da utilização da câmara hiperbárica e dos recursos inerentes à técnica, mas também da região onde é praticada e do número de doentes tratados. Apesar dos custos-extra, associados à aquisição e utilização do equipamento, o custo total de cada doente tratado com OHB poderá ser inferior ao dispêndio com terapêutica habitual em longo prazo. Dessa forma, espera-se que a comunidade médica acadêmica e que estudiosos possam ampliar as pesquisas acerca da medicina hiperbárica a fim de ampliar sua divulgação, a sua utilização e os seus efeitos. Com isso, almejar-se-há que o maquinário das OTH sejam produzidos em maior escala, que o uso torne-se mais freqüente e que se torne economicamente mais acessível. CONCLUSÃO A oxigenoterapia hiperbárica é um método terapêutico de eficácia comprovada que atua corrigindo anormalidades fisiológicas desencadeadas por determinadas patologias, atuando no controle de infecções graves e quadro de hipoxia tissular, diminuindo danos da reação inflamatória sistêmica e auxiliando o mecanismo de recuperação tecidual. Essa técnica consiste em aumentar o nível de oxigênio sanguíneo a fim de promover uma renovação celular nos tecidos afetados e em grande parte dos casos é bem sucedida. Entretanto, ainda possui algumas contra-indicações. Daí a necessidade de o profissional, ao 18 indicá-la, fazer uma correta anamnese para então elaborar um quadro clínico e uma possível indicação. Nesses termos, há um enorme benefício para os pacientes que passam por sessões de OTH. 19 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: SHARKEY, S. Current indications for hyperbaric oxygen therapy. Adf health, v. 1, n. 2, p. 64-72, 2000. MORRISON, D.S.; KIRKBY, R.D. . Medicina hiperbárica: uma breve história. 2005. Disponível em:< http://quackwatch.haaan.com/hm01.html> Acesso em: 21/05/2018 LEMOS, M.C.; PASSOS, J.P. . Produção do conhecimento na área hiperbárica: principais doenças associadas ao mergulho profissional. Revista de Pesquisa Cuidado é Fundamental Online, v. 1, n. 2, 2009. CASTRO, J. B. A.; OLIVEIRA, B. G. R. B. Hyperbaric Oxygen Therapy in the Treatment of Tissular Lesions. Online Braz J Nurs (OBJN-ISSN 1676-4285)[online], 2003. Disponível em:<http://www.nepae.uff.br//siteantigo/objn203castrooliveira.htm>. Acesso em:22/05/2018 BRITO, Tomaz. Medicina hiperbárica, oxigenoterapia hiperbárica: uma modalidade terapêutica ainda desconhecida. Jornal de Medicina do Conselho Federal de Medicina. Ano XVII, n. 134, p. 15-16, 2002. FERNANDES, T.D.F. . Hyperbaric medicine. Acta medica portuguesa, v. 22, n. 4, p. 323- 34, 2009. HUNT, T.K. The physiology of wound healing. Ann Emerg Med 1988;17:1265-73 TOLENTINO, Eduardo Curvello et al. Oxigenoterapia hiperbárica e regeneração hepática. Acta Cirúrgica Brasileira, v. 18, p. 04-05, 2003. SÁ, Márcia Christel; RODRIGUES, Rui Paulo; MOURA, Daniel. INTERNAMENTOS POR INTOXICAÇÃO COM MONÓXIDO DE CARBONO EM PORTUGAL. Acta Medica Portuguesa, v. 24, n. 5, 2011.