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1 
 
 CENTRO UNIVERSITÁRIO REDENTOR 
CURSO DE GRADUAÇÃO EM MEDICINA 
 
ARTHUR LEMOS FERREIRA 
GUSTAVO CARVALHAL CASTRO 
HIANCA DE REZENDE PACHECO 
JAIRO DO NORTE LASMAR MARQUES 
KATRINA KATIUSCIA DA SILVA PARISI 
 
OXIGENOTERAPIA HIPERBÁRICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Itaperuna-RJ 
2018 
2 
 
 
ARTHUR LEMOS FERREIRA 
GUSTAVO CARVALHAL CASTRO 
HIANCA DE REZENDE PACHECO 
JAIRO DO NORTE LASMAR MARQUES 
KATRINA KATIUSCIA DA SILVA PARISI 
 
 
 
OXIGENOTERAPIA HIPERBÁRICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Trabalho de Biofísica apresentado ao curso de 
graduação em medicina do Centro Universitário 
Redentor com o tema teste de paternidade com a 
orientação da ProfªMSc. Ludmilla Carvalho 
Rangel 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Itaperuna-RJ 
 2018 
3 
 
 
OBJETIVO: Aprofundarmos no conteúdo Biofísica que foi dado durante o semestre, 
especificamente sobre o tema da Oxigenoterapia Hiperbárica para podermos apresentar em 
seminário diante da turma e da professora, além de podermos vê mais profundamente a 
aplicação desse conteúdo na prática 
 
RESUMO: A Oxigenoterapia Hiperbárica(OTH) é uma modalidade terapêutica que se 
fundamenta na oferta de oxigênio puro em um ambiente, por meio de câmaras de pressão, 
pressurizado a um nível acima da pressão atmosférica. Com base nisso, este trabalho almejou 
evidenciar o conceito e a utilização da oxigenação hiperbárica, a partir de uma análise da 
literatura existente, com o escopo de promover discussões sobre essa técnica e ocasionar o 
conhecimento a respeito da viabilidade, indicações e efeitos de tal recurso terapêutico. Nesse 
contexto, foram citados os casos clínicos de aplicabilidade da oxigenação hiperbárica, com 
ênfase na administração do oxigênio para auxiliar no tratamento de lesões e patologias. Dessa 
forma, pretendeu-se demonstrar a Medicina Hiperbárica e seus fundamentos fisiológicos a fim 
de ampliar sua utilidade clínica. 
 Palavras-chave: oxigenação hipertbárica; técnica; aplicabilidade; patologias 
 
ABSTRACT: Hyperbaric Oxygen Therapy (HBOT) is a therapeutic modality that is based on 
the supply of pure oxygen in an environment, through pressure chambers, pressurized to a 
level above atmospheric pressure. Based on this, this work aimed to highlight the concept and 
the use of hyperbaric oxygenation, based on an analysis of the existing literature, with the 
scope to promote discussions about this technique and to bring about the viability, indications 
and effects of such therapeutic resource. In this context, clinical cases of hyperbaric 
oxygenation were emphasized, with focusing on the administration of oxygen to assist in the 
treatment of injuries and pathologies. Thus, it was intended to demonstrate Hyperbaric 
Medicine and its physiological foundations in order to broaden its clinical utility. 
 
 
Keywords: hyperbaric oxygenation; technique; applicability; pathologies 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
SUMÁRIO 
 
RESUMO...................................................................................................................................3 
ABSTRACT..............................................................................................................................3 
INTRODUÇÃO........................................................................................................................5 
1. OXIGENOTERAPIA HIPERBÁRICA .........................................................................7 
2. MECANISMOS FISIOLÓGICOS, BIOQUÍMICOS E CELULARES.......................7 
2.1 Efeitos volumétricos......................................................................................................7 
2.2 Efeitos sobre a solubilidade..........................................................................................8 
2.3. Efeitos Bioquímicos e Celulares.................................................................................8 
3. INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS DA OXIGENOTERAPIA HIPERBÁRICA........8 
3.1 Intoxicações por Monóxido de Carbono (CO)...........................................................9 
3.2 Acidente descompressivo ou Doença descompressiva (DD)....................................10 
3.3 Embolismo Gasoso......................................................................................................11 
3.4 Mionecrose por Clostridium – Gangrena Gasosa (GG)..........................................11 
3.5 Infecções necrotizantes de partes moles (não clostridiais) e outras infecções.......13 
3.6 Isquemia Traumática Aguda.....................................................................................14 
3.7 Pé Diabético, Úlceras isquêmicas e feridas de difícil cicatrização..........................14 
4. EFEITOS SECUNDÁRIOS E CONTRA-INDICAÇÕES DA OTH...........................15 
5. PERSPECTIVAS FUTURAS DA MEDICINA HIPERBÁRICA...............................17 
CONCLUSÃO........................................................................................................................17 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................................19 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
 
 
 INTRODUÇÃO 
No século XVII, profissionais variavam a pressão atmosférica na tentativa de diminuir o efeito 
de muitas doenças. Através de um sistema de órgãos de foles, um clérigo britânico chamado Henshaw 
podia ajustar a pressão dentro de uma câmara selada chamada domicilium. O princípio simplista por 
detrás de seu uso era que condições agudas responderiam a pressões atmosféricas elevadas, ao passo 
que condições crônicas se beneficiariam a partir da redução da pressão.(SHARKEY, 2000) 
Ao longo dos anos esses aparelhos de compressão do ar foram evoluindo. Também foi 
descoberto que o uso de tal técnica poderia facilitar outros métodos. Por exemplo, um cirurgião 
francês chamado Fontaine criou uma câmara móvel que tirava proveito da lei de Henry, a qual afirma 
que a solubilidade de um gás num líquido é proporcional a pressão do gás sobre a solução, fazendo 
com que nenhuma reação química ocorra. Ao aumentar a pressão atmosférica dentro da câmara, 
Fontaine foi capaz de aumentar a quantidade de oxigênio transportada pela corrente sanguínea do 
paciente durante a administração da anestesia com óxido nítrico. Assim, impedia que os níveis 
oxigênio sanguíneos caíssem muito como tipicamente ocorria com aprofundamentos anestésicos 
cirurgicamente aceitáveis. (MORRISON E KIRKBY, 2005). 
No início do século XX, Cunningham , professor de anestesia da Universidade de Kansas 
observou que as pessoas com doenças cardiovasculares que morassem em altitudes maiores tinham 
quadros piores que pacientes comparáveis vivendo mais próximos do nível do mar. A partir dessa 
observação Cunningham formulou a hipótese de que aumentando a pressão além de um nível de 
pressão atmosférico ao nível do mar conferiria um benefício ainda maior. Ele tratou com sucesso uma 
jovem colega com gripe que estava próxima da morte por falta de oxigênio secundário a restrição da 
função pulmonar. Com aquele sucesso inflando sua confiança, ele desenvolveu uma câmara 
hiperbárica cilíndrica de aproximadamente 3 metros de diâmetro por 27 metros de comprimento, quepodia ser usada para tratar muitos problemas. 
A realidade de Cunningham se transformou após a recuperação de um paciente que possuía 
doença renal, o qual atribuiu sua estupenda melhora na saúde a terapia hiperbárica, o paciente 
agradecido possibilitou a construção para Cunnigham de uma câmara perfeita para um rei. Esta 
câmara -- construída em Kansas City em 1921 -- era uma bola inteira de aço de aproximadamente 20 
metros de diâmetro e equipada com uma sala de espera, sala de refeições, tapetes caros e quartos 
particulares. No entanto, devido ao alto custo, esse episódio na medicina hiperbárica chegou ao fim, os 
resultados não foram tão satisfatórios, então toda essa construção fora demolida. 
Em 1670, Robert Boyle observou a maneira que o olho de uma serpente podia emitir uma 
bolha de gás visível através da córnea: a membrana transluzente externa na frente do olho. Ele percebe 
6 
 
que tecidos submetidos a uma descompressão rápida podiam emitir bolhas de gases previamente 
dissolvidos, como retratam Morrison e Kirkby(2005). Sua conclusão está expressa em uma formula 
matemática, a qual declara que em uma temperatura constante, o volume e a pressão de um gás são 
inversamente proporcionais. Em outras palavras, um gás irá comprimir proporcionalmente a 
quantidade de pressão exercida sobre ele. 
A lei de Boyle se faz presente na explicação do que acontece quando uma garrafa de 
refrigerante quente é aberta. Através de umapressão, um grande volume de gás carbônico(o que faz o 
refrigerante borbulhar) se dissolve na bebida de acordo com a lei de Henry. No entanto, quando a 
tampa é retirada, a pressão sobre o líquido diminui e o fluido não consegue segurar tanto gás na 
solução. Assim, o gás é empurrado para fora da solução rapidamente forma bolhas. De modo análogo, 
quando ocorre um mergulho em mar profundo, o gás inerte inspirado em uma pressão relativamente 
alta se dissolve e acumula-se nos tecidos do corpo. A medida que o mergulhador volta a superfície, o 
gás pode formar bolhas que interferem com o processo fisiológico normal. Por exemplo, a circulação 
sanguínea pode se romper por bolhas que obstruem os vasos sanguíneos pequenos, e pode surgir dor 
quando as bolhas tentam se expandir dentro dos espaços fechados das articulações como afirmam 
Lemos e Passos(2009). Este problema médico é chamado de doença da descompressão ou "bends". 
Mas somente em 1845, que fora escrito sobre sintomas em mineiros de carvão consistentes 
com a doença da descompressão. Segundo MORRISON e KIRKBY: 
“ A exemplo da serpente de Boyle, os mineiros aparentemente não sofriam nenhum efeito 
patológico enquanto estavam sob pressão. Entretanto, dores musculares e caimbras ocorriam após eles 
deixarem as regiões pressurizadas da mina. Em 1854, Pol e Watelle escreveram que a descompressão 
era necessária para os sintomas se desenvolverem e -- talvez o mais importante -- que a recompressão 
reduzia os sintomas . Em 1876, Bert relatou que bolhas de nitrogênio se formavam no tecido durante a 
descompressão rápida. O nitrogênio foi assim implicado na "inclinação grega", um termo articulado 
pelos trabalhadores que construíram o quebra-mar da Brooklyn Bridge. A postura inclinada dos 
indivíduos afligidos aproximava-se da inclinação grega, uma postura da moda assumida pelas 
mulheres do período. A doença da descompressão mais tarde tornou-se conhecida como "as curvas". 
(the bends).” 
Nesse viés, foram registrada quatro mortes na construção da ponto no Rio Hudson pelo ar 
comprimido. Desse modo, da mesma forma que a recompressão ajudava aliviar determinados 
sintomas, quando em alta exposição ao ar comprimido ela causa a doença da descompressão. Com 
isso, foi investido durante décadas em projetos de compressão/descompressão com o pioneirismo 
militar a fim de usar nos submarinos. Estudos nos anos 30, sugeriram que o oxigênio suplementar 
podia desempenhar um papel importante no tratamento da doença da descompressão, porém o 
7 
 
oxigênio podia ser reativo, assim, levaram mais três décadas até construírem equipamentos que 
cumprissem essa finalidade. 
Segundo Sharkey(2000) o oxigênio hiperbárico ratificou pela primeira vez sua importância na 
medicina de terra firme no domínio cirúrgico holandês com o conceito de tecido encharcado, que 
exigia pressurização de toda a sala cirúrgica. Após alguns anos, o oxigênio hiperbárico provou ser 
eficaz contra infecções anaeróbias (aquelas causadas por bactérias que vivem sob condições pobres em 
oxigênio) e também mostrou potencial no tratamento de envenenamento por monóxido de carbono. 
No entanto, durante a década de 70, houve uma queda na busca da Oxigenoterapia Hiperbárica 
devido ao crescimento e a popularização das cirurgias cardíacas. Contudo, devido às pesquisas mais 
recentes tal método provou-se de grande valia para a Medicina e em março de 2000, o American 
Board of Medical Specialties aprovou a medicina hiperbárica e submarina como uma sub-
especialidade tanto da medicina de emergência como da medicina preventiva tornando-a uma 
especialização que tem feito grandes avanços nos dias atuais. 
1. OXIGENOTERAPIA HIPERBÁRICA 
 
 A Oxigenoterapia Hiperbárica pode ser definida como modalidade terapêutica que se 
fundamenta na oferta de oxigênio puro (FiO2 = 100%) em um ambiente, as câmaras de pressão, 
pressurizado a um nível acima da pressão atmosférica, habitualmente entre duas e três atmosferas. A 
OHB pode ser aplicada em câmaras com capacidade para um paciente (câmara monopaciente ou 
monoplace) ou para diversos pacientes (câmara multipaciente ou multiplace). Tal processo, requer os 
cuidados de um médico e foi o fruto de um processo ao longo dos anos de evolução da física e dos 
conceitos médicos. 
2. MECANISMOS FISIOLÓGICOS, BIOQUÍMICOS E CELULARES 
 Segundo GUYTON (2002), todos os gases de interesse na fisiologia respiratória são 
moléculas simples que estão livres para se movimentarem entre si, constituindo um processo 
denominado difusão. No entanto, a fim de que ocorra a difusão, necessário é haver uma fonte 
energética, que provém do movimento cinético das próprias moléculas. 
 2.1 Efeitos volumétricos 
Nessa perspectiva, Castro e Oliveira(2003) afirmam que a pressão exercida por um gás contra 
uma superfície gera o constante impacto das moléculas em movimento cinético contra a mesma 
aumentando a energia cinética delas e com base na Lei de Boyle-Mariotte, a pressão é o inverso do 
volume(em temperatura constante), ou seja, o espaço ocupado por um certo volume de gás será cada 
8 
 
vez menor quanto maior a pressão. Desse modo, o oxigênio puro em alta pressão ocupa um volume 
menor que comparado a pressão ambiente. 
 2.2 Efeitos sobre a solubilidade 
Desse modo, também leva-se em quanta a lei de Henry, conforme Brito(2002), quanto maior a 
pressão, maior a solubilidade de um gás em líquido, o que seria representado pela inspiração de 
oxigênio puro em um meio hiperbárico o que aumentaria as taxas de oxigênio dissolvido no plasma 
uma vez que as hemácias já carregam praticamente o máximo desse gás, enquanto o plasma na pressão 
ambiente não transporta altas taxas de oxigênio. 
 
Quadro 1-> Acta medica portuguesa, v. 22, n. 4, p. 323-34 
 2.3 Efeitos Bioquímicos e Celulares 
Uma diminuição da oxigenação de tecidos(hipóxia) leva, segundo Hunt(1988), pois a 
capacidade de fagocitose das células de defesa é diminuída. A OTH , além de reduzir a hipóxia, 
aumenta inclusive a eficiência das células de defesas sobre determinadas bactérias. O oxigénio 
hiperbárico também atua, ele mesmo, como um bactericida para alguns anaeróbios como o 
Clostridium perfringens, e bacteriostático para algumas espécies de Escherichia e Pseudomonas.Assim, o uso da OTH resulta em uma série de fatores positivos, como a diminuição da morbidade, 
diminui o tempo da recuperação de determinadas doenças, além de diminuir também o uso de 
antibióticos, a redução de períodos de internamentos, logo uma redução no custo de muitos 
tratamentos. 
3. INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS DA OXIGENOTERAPIA HIPERBÁRICA 
Como já dito em sua definição, a oxigenoterapia hiperbárica (OHB) é uma intervenção 
terapêutica que fornece oxigênio na sua forma pura (FiO2). No Brasil, as indicações foram 
regulamentadas pelo Conselho Federal de Medicina, mediante resolução CFM 1.457/95, 
descritas abaixo: 
9 
 
 
Foto-> TOLENTINO(2003) 
 
 3.1 Intoxicações por Monóxido de Carbono (CO) 
 
A intoxicação por monóxido de carbono ocorre por meio da inalação dos gás, 
produzido através da combustão de hidrocarbonetos, gerada por queima de alguns 
combustíveis como querosene e carvão por exemplo. 
Fisiologicamente, o gás possui expressiva afinidade com a hemoglobina (célula 
sanguínea responsável pelo transporte de gases), o que causa um acúmulo do mesmo nestas 
células, causando carência de oxigênio nos tecidos que receberam o sangue irrigado de 
hemoglobina rica em CO e dificultando diretamente o processo de respiração celular realizado 
pelas mitocôndrias. 
Os efeitos tóxicos, como registrado por Rodrigues e Moura(2011) são rapidamente 
expressos em tecidos sanguíneos, o que causa como sintoma primário náuseas fortes e 
cefaleia. 
Em casos de bairro risco, quando a taxa de carboxi-hemoglobina se encontra em até 
25%, a indicação de tratamento é inalação de ar composto de 100% de O2 por máscara. Já em 
casos onde o paciente apresenta essa concentração acima de 25%, em que os sintomas já são 
mais graves (como perda total ou alta da consciência a longo ou curto prazo, dores torácicas) 
indica-se a OHB, realizada em câmara hiperbárica de 2 a 3 atmosferas de pressão com ar 
composto de 100% de O2. 
 
10 
 
3.2 Acidente descompressivo ou Doença descompressiva (DD) 
 
 O acidente descompressivo é causado pela mudança rápida de pressão atmosférica 
exercida sobre os pulmões, gerando bolhas de nitrogênio em áreas do corpo, causando 
embolias. Os sintomas já aparecem logo após o mergulhador emergir da água, e os mesmos 
podem ser de simples dores de cabeça, tontura e fadiga, até mesmo a paralisias e morte por 
choque anafilático. 
 
3.3 Embolismo Gasoso 
Embolia gasosa é o caso em que ocorre a obstrução dos vãos sanguíneos por bolhas de 
gás. A embolia pode ser tanto pode ser arterial quanto venosa, mas nos dois caos a ocorrência 
rara. 
A embolia gasosa, segundo Berger(2005) geralmente tem como causa erros na conduta 
medica, por exemplo, em casos de intervenções, como injeções, procedimentos cirúrgicos ou 
na introdução de ar através de uma seringa ou cateter. Outro caso em que ela ocorre é quando 
um mergulhador volta de forma brusca a superfície, uma vez que acontece uma expansão do 
ar nos pulmões com a dimuição da pressão durante a subida à superfície. 
Fisiopatologia 
A embolia gasosa pode ser tanto venosa quanto arterial: 
Embolia Gasosa Arterial: a embolização de arteiras que nutrem a musculatura 
esquelética ou a musculatura lisa de vísceras é bem tolerada quando comparados a 
embolização ocorrida no miocárdio e cérebro, uma vez que são tecidos sensíveis à hipóxia. 
Embolia Gasosa Venosa: subdivide-se em Embolia Gasosa Venosa Pulmonar que 
caracteriza-se pela obstrução na micro circulação do pulmão e pela e baixa taxa de infusão de 
gás. Embolia Gasosa venosa Massiva caracteriza-se pela obstrução bronco pulmonar e pela 
taxa de infusão de gás elevada. 
Sintomas 
A interação do sangue com ar desencadeia agregação de plaquetas, hemácias e 
glóbulos de gorduras às bolhas de gás promovendo a obstrução de vasos sanguíneos. Tal fato, 
11 
 
pode gerar sintomas como dispneia súbita, ansiedade, tonturas, náuseas, sintomas 
neurológicos: confusão, perda da consciência, entre outros. Por causar a obstrução dos vasos 
sanguíneos, a embolia gasosa a possui um serie de complicações. Dentre elas estão: acidente 
vascular cerebral, ataques cardíacos e paralisia. 
Diagnostico 
O diagnostico da embolia gasosa pode ser feito através de equipamentos que 
monitoram as vias aéreas e o coração ( frequência respiratória e pressão sanguínea) durante as 
cirurgias. Além disso, o uso da ultrassonografia, tomográfica computadorizada e ressonância 
magnética ajuda na determinação de onde se localiza a embolia. 
Tratamento 
O Tratamento da embolia gasosa pode ser feito através do método da oxigenoterapia 
hiperbárica que consiste na inalação de oxigênio puro em uma pressão maior do que a pressão 
atmosférica. Esse procedimento compensa a deficiência de circulação sanguínea causada pelo 
entupimento de vaso sanguíneos, uma vez que contem sangue muito rico em oxigênio. 
 
3.4 Mionecrose por Clostridium – Gangrena Gasosa (GG) 
A gangrena gasosa - mionecrose é uma forma grave de gangrena, com necrose do 
músculo. É uma infecção do tecido muscular com risco à vida, progride rapidamente, 
destruindo os músculos em razão de sua toxicidade, causada por bactérias anaeróbica 
Clostridium, principalmente o Clostridium perfringens e o Clostridium novyi, que 
produzem exotoxinas e gases. 
Após certos tipos de cirurgia ou lesões, punções venosas, deficiência dos vasos 
ou infecção decorrente de outros microrganismos pode desenvolver gangrena gasosa. 
Fisiopatologia 
As bactérias do gênero Clostridium, causadoras da gangrena gasosa, contam com 
cerca de 150 espécies. As bactérias vivem alojadas e faz parte da flora normal do intestino no 
intestino, e podem tornar-se patogênicas em certas ocasiões. Essa bactéria, em condições 
anaeróbicas (sem oxigênio), produzem toxinas que causam necrose e os sintomas associados. 
As espécies de Clostridium produzem diversos tipos de toxinas, que causam necrose dos 
músculos, destruição dos glóbulos vermelhos do sangue, diminuição da circulação local 
12 
 
devido à vasoconstrição e aumento da permeabilidade vascular. As toxinas produzidas pelas 
bactérias são responsáveis tanto pela destruição dos tecidos locais, como 
pelos sintomas gerais. 
Sintomas 
A gangrena gasosa se inicia repentinamente, evolui de forma rápida e tem caráter grave, 
primeiramente começa inchaço tecidual no local da infecção, causa dor intensa, o que revela a 
presença de gás no tecido. Consistem em sudorese e muito ansiosas, frequência cardíaca e respiratória 
aceleram , perda de peso, palidez, confusão mental enfraquecimento e coloração amarelada na pele. 
Há também mau cheiro, em virtude do gás acumulado e da putrefação da matéria orgânica. Se doença 
estiver muito avançada sem tratamento, manifesta queda da pressão arterial, insuficiência 
renal, coma e morte. A gangrena gasosa possui várias complicações como alteração na 
frequência cardio- respiratório, insuficiência renal ,confusão mental, amputação e pode ser 
fatal. 
Diagnostico 
O diagnóstico da gangrena gasosa baseia-se nos sintomas, visualização direta 
do edema e nos resultados de um exame físico que é feito pela avaliação de um médico, 
exame e cultura de líquidos da ferida e às vezes, cirurgia exploratória ou biópsia para obter 
uma amostra de tecido. 
É realizado radiografias, ou é realizada uma tomografia computadorizada (TC) ou 
imagem por ressonância magnética (IRM) para verificar se há áreas de tecido muscular morto. 
 
Tratamento 
O tratamento deve se iniciar de imediato após o diagnóstico, devem ser administradas 
altas doses venosas de antibióticos , analgésicos e cirurgia para remoção de todo o tecido 
necrosado e infectadoe às vezes necessidade de amputação. 
O tratamento pode ser complementado com oxigenioterapia hiperbárica - câmara de 
oxigênio de alta pressão para inibir o crescimento das bactérias anaeróbicas. 
A Oxigenoterapia Hiperbárica é uma modalidade terapêutica que consiste na 
administração de uma fracção inspirada de oxigénio num ambiente com pressão superior à 
atmosférica que costuma durar em média de 2 horas. 
Como necessitamos de oxigênio para sobreviver, essa oferta de oxigênio puro auxilia 
na recuperação mais rápida do paciente. 
 
13 
 
3.5 Infecções necrotizantes de partes moles (não clostridiais) e outras infecções 
A pele é uma proteção anatómica eficaz contra a infecção, mas que pode ter infeções. 
Os principais causadores são microrganismos que se alojam ocasionalmente e 
transitoriamente a pele, assim, podendo ser uma infecção uni ou poli microbiana, podendo, 
também, ficar confinada mais na superfície da pele ou ampliar para as profundidade dos 
tecidos moles adjacentes e para corrente sanguínea com septicemia e focos metastáticos à 
distância, com isso, o interesse aos exames culturais. Algumas infecções da pele e tecidos 
moles são na superfície e melhoram sem consequências, outras são de maior gravidade, com 
envolvimento de locais mais profundas, como a fascia muscular e o músculo, com amplas 
áreas de necrose e rápida evolução para choque séptico. 
Sintomas 
Há surgimento de edema, dor e, frequentemente, gases nos tecidos, na mionecrose, o 
tecido muscular é visivelmente necrótico. O local da ferida pode estar inicialmente pálido, 
mas se torna vermelho ou bronzeado, com frequência apresentando vesículas ou bolhas. Com 
a progressão, o paciente parece tóxico, com taquicardia, palidez e hipotensão. Choque e 
insuficiência renal ocorrem, embora o paciente permaneça frequentemente alerta até a fase 
terminal. 
Diagnostico 
Avaliação clínica com inspeção e palpação, coloração de Gram e cultura. Radiografias 
podem mostrar a produção de gás local e a tomografia computadorizada (TC) e a ressonância 
magnética (RM) descreve a extensão da necrose e do gás. 
Tratamento 
Drenagem e desbridamento, penicilina associada à clindamicina todos devem ser 
instituídos rapidamente. Deve ter cuidado nos pacientes alérgicos à penicilina tiverem uma 
infecção com risco de vida, clindamicina, com ou sem metronidazol 
Terapia com oxigênio hiperbárico pode ser útil na mionecrose extensa, 
particularmente de extremidades, como um suplemento para antibióticos e cirurgia. A terapia 
com oxigênio hiperbárico pode salvar o tecido e diminuir a mortalidade e morbidade se 
iniciada precocemente, mas não deve atrasar o desbridamento cirúrgico. 
14 
 
 
3.6 Isquemia Traumática Aguda 
A Isquemia traumática aguda pode ser resultante de diversos mecanismos como, lesão 
dos vasos sanguíneos, aumento da permeabilidade capilar (o que ocasiona diminuição do 
fluxo circulatório) e lesão consequente do aumento da pressão externa do fluído que pode ser 
causado por edemas, vasoconstrição, estase ou oclusão. 
A Oxigenoterapia Hiperbárica aumenta a oxigenação plasmática, ou seja, causa uma 
vasoconstrição periférica com o nível necessário de oxigênio no sangue. Isso reduz o fluxo de 
sangue, a diapedese e o edema. Delimita as zonas hipóxicas (baixa concentração de oxigênio) 
ainda viáveis das irrecuperáveis, facilitando o papel da cirurgia. Limita ainda a extensão da 
lesão, melhora a recuperação funcional dos tecidos afetados e aumenta a disponibilidade dos 
antibióticos 
 
3.7 Pé Diabético, Úlceras isquêmicas e feridas de difícil cicatrização 
As feridas em diabéticos podem ser infectadas por várias espécies de bactérias com 
grande incidência de organismos anaeróbicos, mas além da infecção a hipoxia tecidular 
(insuficiência de oxigênio no tecido) também dificulta o tratamento. Esse processo não só 
impede a cicatrização mas também prejudica a capacidade bactericida leucocitária. Esses dois 
fatores em conjunto são a base para a aplicação da OTH neste tipo de patologia ocasionando 
efeitos positivos na isquemia, na cicatrização, na infecção e nos edemas, melhorando o fluxo 
sanguíneo. 
No entanto, a OTH não pode substituir a revascularização cirúrgica, os casos devem 
ser sempre avaliados para que dessa forma possam proceder da melhor maneira possível. 
Uma pesquisa recente registrou que o tratamento por OTH diminui o risco de 
amputação em diabéticos com úlceras resistentes a outros tratamentos. Os doentes que 
receberam OTH tinham menor probabilidade de amputação quando comparados aos que não 
utilizaram o tratamento por OTH. E também foi provado que através do tratamento ocorre 
uma diminuição no tamanho das úlceras. 
15 
 
Relativamente as lesões tratadas por OTH tem o tratamento acelerado pois aumenta a 
reparação de feridas de evolução tórpidas, aumenta a vitalidade de enxertos, evita amputações 
e melhora em grande medida a qualidade de vida do doente. 
 
Caso Clínico: 
No dia 23/10/2017 a paciente começou a sentir muita febre e dores pelo corpo, alguns 
dias depois as pernas começaram a inchar e ela começou a usar meias de compressão. 
 Começaram a surgir bolhas e essas bolhas estouraram virando úlceras, ela foi 
diagnosticada com Erisipela Bolhosa, essa doença é causada por uma bactéria (Streptococcus 
Beta-hemolítico do grupo A). 
Três dias depois sua perna começou a necrosar e ela teve que fazer o debridamento 
(retirada do tecido necrosado), porém a necrose aumentou. Após o debridamento sem sucesso 
ela começou o tratamento pela Oxigenoterapia Hiperbárica, ela fez 90 sessões e não foi 
necessária a amputação de sua perna, sua cicatrização ocorreu normalmente após todo 
tratamento. Se ela não tivesse feito a OTH ou teria que amputar sua perna ou ainda estaria em 
processo de cicatrização. 
 
 
4. EFEITOS SECUNDÁRIOS E CONTRA-INDICAÇÕES DA OTH 
Embora a oxigenoterapia hiperbárica seja uma técnica altamente eficiente, durante o 
tratamento das lesões e patologias supracitadas pode ocorrer complicações barotraumáticas. 
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Dentre estas, a mais recorrente é a lesão timpânica. Além disso, o paciente também pode 
sofrer com feridas nos seios perinasais, dentes, pulmões e demais cavidades ocas. 
Nesse contexto, pode ocorrer um stress oxidativo e um conseqüente aumento de 
radiacais livres em decorrência do contato com o oxigênio hirbárico. Esse impasse é 
combatido pela ação da hiperóixia transitória que ocasiona um aumento da quantidade de 
antioxidantes. Dessa forma, cria-se um mecanismo protetor para evitar recorrências de 
estresse oxidativo. 
De acordo com a teoria de Paul Bert de 1878, uma elevada pressão parcial de oxigênio 
pode causar irritação cortical que se manifesta em forma de crise convulsiva, em virtude da 
diferença de oxigênio ao qual teve acesso na máscara em comparação à pressão ambiental. 
Ademais, a exposição por tempo muito prolongado (geralmente por mais de seis 
horas) ao oxigênio hiperbárico pode causar toxidade pulmonar. Esta toxicidade manifesta-se 
inicialmente com sinais e sintomas de traqueobronquite (transitórios com o cessar da 
exposição) e que, com a exposição continuada, evolui para uma síndrome respiratória aguda 
e, na seqüência, para uma fibrose pulmonar intersticial. 
Pode-se salientar ainda outras complicações como intoxicação neurológica pelo 
oxigênio, em pacientes suscetíveis, caracterizada por alterações de campo visual, náuseas, 
vertigens. Alguns pacientes, mais comumente os idosos, podem apresentar miopia de caráter 
reversível. São ainda descritos na literatura, uma piora da catarata pré-existente em pacientes 
portadores de diabetes, com história de corticoterapia ou radioterapia da cabeça ou pescoço,quando submetidos a tratamentos extremamente longos. 
Desse modo, em virtude da exposição dos pacientes a pressões ambientais elevadas, 
durante a oxigenoterapia hiperbárica, o tratamento está contra-indicado aos portadores de 
pneumotórax não drenados; os portadores de asma brônquica ativa, doença pulmonar 
obstrutiva severa e bolhas ou cistos pulmonares contendo ar. Além disso, a técnica também 
não é aconselhada aos que se submeteram recentemente à cirurgia torácica ou 
otorrinolaringológica e os portadores de infecção de vias aéreas superiores. A oxigenoterapia 
pode piorar quadros infecciosos virais tais como hepatite, sarampo e varicela. 
Em suma, pode-se afirmar que a OTH é um tratamento seguro e que se for realizada 
de modo a seguir os protocolos pré-estabelecidos e a análise do risco/benefício, será 
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prioritariamente benéfico ao paciente. Entretanto, é sempre válido que os profissionais 
envolvidos na indicação e na execução estejam atentos às vulnerabilidades do paciente. 
 
 5. PERSPECTIVAS FUTURAS DA MEDICINA HIPERBÁRICA 
 
Com base nos múltiplos benefícios da medicina hiperbárica, essa tecnologia seria 
amplamente benéfica em qualquer rede de saúde. Entretanto, essa realidade ainda encontra 
impasses como o alto custo da câmera hiperbárica, a manutenção necessária e o conhecimento 
da população a respeito das indicações a fim reivindicar o uso. Nessa vertente, a utilização 
efetiva desse mecanismo torna-se comprometida também na rede pública de saúde em virtude 
de muitos hospitais brasileiros ainda não terem a câmera hiperbárica. 
Nesse contexto, com relação à efetivação do uso da técnica (OTH), é preciso 
considerar que o valor da terapia com oxigénio hiperbárico depende não só da utilização da 
câmara hiperbárica e dos recursos inerentes à técnica, mas também da região onde é praticada 
e do número de doentes tratados. Apesar dos custos-extra, associados à aquisição e utilização 
do equipamento, o custo total de cada doente tratado com OHB poderá ser inferior ao 
dispêndio com terapêutica habitual em longo prazo. 
Dessa forma, espera-se que a comunidade médica acadêmica e que estudiosos possam 
ampliar as pesquisas acerca da medicina hiperbárica a fim de ampliar sua divulgação, a sua 
utilização e os seus efeitos. Com isso, almejar-se-há que o maquinário das OTH sejam 
produzidos em maior escala, que o uso torne-se mais freqüente e que se torne 
economicamente mais acessível. 
 CONCLUSÃO 
 
A oxigenoterapia hiperbárica é um método terapêutico de eficácia comprovada que atua 
corrigindo anormalidades fisiológicas desencadeadas por determinadas patologias, atuando no 
controle de infecções graves e quadro de hipoxia tissular, diminuindo danos da reação 
inflamatória sistêmica e auxiliando o mecanismo de recuperação tecidual. 
Essa técnica consiste em aumentar o nível de oxigênio sanguíneo a fim de promover 
uma renovação celular nos tecidos afetados e em grande parte dos casos é bem sucedida. 
Entretanto, ainda possui algumas contra-indicações. Daí a necessidade de o profissional, ao 
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indicá-la, fazer uma correta anamnese para então elaborar um quadro clínico e uma possível 
indicação. Nesses termos, há um enorme benefício para os pacientes que passam por sessões 
de OTH. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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