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CENTRO UNIVERSITÁRIO ANHANGUERA DE SANTO ANDRÉ CURSO DE PSICOLOGIA Alessandra Mancin Campasse Allan Ricardo dos Santos Bianca A. Honorato Gomes Regina Gonçalves Renata Alexandre Gomes Marli Leite HISTORIA DA PSICOLOGIA ANALISE DO FILME “MENOS QUE NADA” SANTO ANDRÉ 2018 ANALISE DO FILME “MENOS QUE NADA” Alessandra Mancin Campasse – RA 268656613595 Allan Ricardo dos Santos – RA 134274113595 Bianca A. Honorato Gomes - RA 334014613595 Regina Gonçalves – RA 135055513594 Renata Alexandre Gomes – RA 135165813595 Marli Leite – RA 133892413594 Trabalho da disciplina História da Psicologia para o curso de graduação em Psicologia da Faculdade Anhanguera. 1º semestre – Matutino Professor Mario Aparecido Valle Cruces SANTO ANDRÉ 2018 Introdução: “Menos que nada” é a história de Dante, um doente mental internado há dez anos num hospital psiquiátrico. Ele é considerado um caso perdido, até que uma jovem médica decide tratar e estudá-lo. Ao investigar o passado de Dante, surgem três personagens importantes – seu pai, uma amiga de infância e uma importante cientista. Nem todos eles querem revelar o que sabem. A imaginação é o que nos permite criar novas realidades e desenvolver nosso potencial criativo é condição necessária para uma vida saudável. Mas, quando nossa criatividade nos desconecta de uma realidade, por mais que nos pareça insuportável, ainda que nos conforte, também pode nos adoecer. Esta face patológica da imaginação serviu de inspiração para o diretor Carlos Gerbase desenvolver a trama de “Menos que nada” que foi inspirado no texto de Arthur Schnitzler “O diário de Redegonda”. Desenvolvimento do tema: MENOS QUE NADA conta a história de Dante, sob a ótica de um estudo de caso realizado por Paula, uma residente em psiquiatria que se interessa por um paciente com diagnóstico de esquizofrenia. Dante ainda criança, está se divertindo no parque junto a uma amiguinha, quando é chamado pela mãe, que o adverte sobre a gravidade de seu comportamento “inapropriado” com a menina e que Deus o castigará caso continue a se relacionar com ela dessa maneira. Durante a brincadeira no parque com a amiguinha inocentemente passa a tomar conhecimento dos contatos sexuais e é reprimido pela sua mãe. (A mãe demonstra um comportamento inadequado ao reprimir seu filho dessa forma). Ele se encontra uma última vez e se despede da menina anunciando que não poderão mais brincar juntos. Ela pede um beijo em troca do chapéu que sempre usa e que Dante tanto gosta para guardar como lembrança desta amizade (no final há uma cena que sugere a representação desse objeto numa tentativa de elaboração dessa perda). Depois da despedida da amiga, Dante encontra sua mãe morta e neste ponto somos levados a crer que ele liga os eventos da morte da mãe com o último encontro com a amiga, onde seria a morte da mãe o castigo por ela anunciado. Dante enterra literalmente o chapéu que ganhara da amiga no próprio cemitério, numa tentativa de “enterrar” o sentimento de amor e amizade que tinha pela amiguinha. Na cena seguinte, 25 anos depois mostra o cotidiano de um hospital psiquiátrico. O impacto, causado pelas condições desumanas existentes na instituição, é o que irá conduzir o desenvolvimento da trama. Segundo Freud (1906, 1908, p.16) “...analogia existente entre o destino histórico de Pompéia (o soterramento e a posterior escavação) e os eventos mentais que lhe eram tão familiares: o soterramento pela repressão e a escavação pela análise”. Neste trecho Freud se refere a história da cidade de Pompeia que no ano de 79 d.C. fora destruída pelo vulcão Vesúvio e serviu de cenário para a história de um rapaz que se apaixona por uma mulher inatingível, mas que com as investigações devidamente apropriadas consegue desvendar os motivos pelos quais o fez se encantar por uma escultura e ao final se libertar da sua sublimação e compreender seu mecanismo de defesa. O menino Dante tenta romper o contato com amiga, mas de certo modo, desobedece sua mãe conversando com a amiga mais uma vez. A mãe morre isso o coloca numa posição de culpado por sua morte: “eis aí o castigo de Deus que ela se referia”, acredita Dante. Posteriormente ele sublima esse sentimento e se envolve em estudos relacionados à arqueologia onde a escavação é a intenção inconsciente de busca pelo objeto que simboliza seu sentimento reprimido: o chapéu. Ao conhecer a cientista, ele se apaixona. Não é uma paixão por ela em si, mas o simbolismo que ela representa, já que neste primeiro contato visual ela se mostra usando óculos e um chapeuzinho exatamente igual ao que Dante havia enterrado no funeral da mãe e que era, portanto, a evocação de um sentimento bom que na infância tivera reprimido pela amiguinha. Posteriormente ele reencontra a amiga, mas como sua fisionomia não lembra aquela menininha e já não usa mais o chapéu e está sem óculos, ele não evoca o sentimento de amizade reprimido por ela pois a mesma perdera o estereótipo que Dante guardava em seu inconsciente. A jovem psiquiatra faz investigações a respeito da história de Dante no intuito de compreender o que levara Dante aquela patologia. Ele reproduzia uma cena que a cientista havia contado a ele e que ilustrava o possível evento que explicava o histórico dos fósseis encontrados no terreno da amiga de infância. Parece que Dante vivencia o evento. Ele transa com a cadeira e depois “morre”. Poderíamos crer que ele era o homem pré-histórico descrito pela cientista e a cadeira sua parceira? Seria ele neste ato atacado por alguma fera de grandes dentes e depois morto? Parece que a narrativa contada pela cientista mexeu com ele e no seu delírio percebia todo o ambiente ameaçador e muito real. A jovem psiquiatra Paula, ao concluir seu estudo sobre Dante deixa claro que mesmo com a evolução do seu paciente, visto que ele chegou ao ponto de conseguir falar muitas coisas e assim desvendar muitos mistérios, ainda restava uma peça para esse “quebra-cabeça”. O que nos faz crer que é o chapéu enterrado no cemitério e que faz Dante escavar com tanta energia o quintal do hospital psiquiátrico que está internado a tanto tempo. Só ele sabia onde enterrara o símbolo do sentimento de amizade que tinha por sua amiga. Ele sublimou e esse evento desceu para o inconsciente. Ficou soterrado lá, como um mecanismo de defesa. Talvez encontrando o chapéu, símbolo do seu sentimento ele descansaria seu impulso e quem sabe ficaria muito mais saudável dos seus delírios que o faziam estar internado por tantos anos sem uma vida social possível dentro das suas condições. Certamente ele deveria continuar com alguns remédios é claro, mas ficaria curado do fantasma que o assombrava. O fantasma da repressão. Ficaria livre dessa obsessão por encontrar algo que nem mesmo sabia o que é. O descaso com a saúde mental é evidenciado logo no início da trama, quando constatamos que além de estar abandonado pela família e pela sociedade, na instituição não há qualquer atualização em seu prontuário. Esquecido por todos, Dante é considerado incurável e, como tantos outros, está sobrevivendo através de medicações que sequer são revisadas. A pesquisa de Paula pode ser vista como a busca de uma relação causal, que se aprofunda na história pregressa do paciente. No momento presente, seu contexto é o hospital e o abandono que dão contorno a sua condição de “irrecuperável”. Mas, a investigação quase antropológica, nos conduz ao raciocínio lógico de um detetive, que tenta encontrar o culpado. Entre verdades e mentiras, somos levados a fatos que podem ser reais ou imaginários. Afinal, a verdade do paciente é aquela que ele percebe, sente e vive. A trama nos oferece a oportunidade de refletirmos sobre diversos aspectos no que tange a doença mental. Percebemos o quanto a ciência ainda desconhece sobre psicose e como ainda estamos distantes do que foi proposto com o movimento antimanicomial. De fato, somos motivados a também imaginar, às vezes confundindo os fatos com delírios e alucinações do paciente. Por exemplo, fica claroque Dante está alucinando, quando percebe como real um objeto inexistente. Tal como acontece quando seu movimento sugere uma relação sexual com uma cadeira, seguida de luta e posterior representação de morte ou quando seu movimento sugere a escavação de um arqueólogo em seu ofício. Ainda que para nós como expectadores fique claro que o objeto é apenas uma cadeira e não uma pessoa, para Dante a percepção é real. Ou seja, alucinação é uma distorção da percepção do sujeito, enquanto o delírio é uma distorção de pensamento, constituindo uma ideia falsa, uma convicção errônea não-corrigível. Em alguns momentos do filme, a imagem nos leva a questionar o que é fato e o que é ideia, o que pode configurar um delírio de Dante. Afinal, a doença dele é resultado de um emaranhado de mentiras, ou o paciente constrói em sua imaginação uma nova realidade, ao se apaixonar por uma mulher inatingível? Esse aspecto da trama nos oferece muito mais do que a restrição ao diagnóstico. Conclusão: A relação médico/paciente merece especial atenção, pois a relação de Paula é com a pessoa que está por trás do diagnóstico, o que permite que Dante se reconecte em alguns momentos reais do seu entorno. Fato que evidencia a importância desse cuidado na evolução do paciente olhando o mesmo como um olhar humanista. Referências bibliográficas: Freud, S. (2006). "Gradiva de Jensen e ouros trabalhos (1906-0908). Rio de Janeiro: Imago. Gerbase, C. (Diretor). (2012). Menos que nada [Filme Cinematográfico] Entrevista: https://www.youtube.com/watch?v=-LjDWJ5eYSk – Acesso em 15/05/2018.