2 sem cesário Cuidados de Enfermagem à mulher em processo parturitivo.
5 pág.

2 sem cesário Cuidados de Enfermagem à mulher em processo parturitivo.

Disciplina:Psicologia da Gravidez16 materiais60 seguidores
Pré-visualização2 páginas
Cuidados de Enfermagem à mulher em processo parturitivo.

 Os cuidados de enfermagem à mulher em processo parturitivo referem-se a um conjunto de conhecimentos, práticos e atitudes, que visam a promoção do parto e do nascimento saudáveis e a prevenção da morbimortalidade materna e perinatal. Devem ser iniciados no pré-natal com uma abordagem de acolhimento da mulher e seu companheiro, incluindo o fornecimento de informações, o preparo físico e psíquico da mulher, visita à maternidade entre outros.
A atenção deve ser integral, deixando de lado os preconceitos, para favorecer uma assistência completa, técnica e humana. Deve garantir que a equipe de saúde realize procedimentos benéficos para a mulher e o bebê, preservando a privacidade, a autonomia da parturiente e os aspectos éticos. Assim, é possível favorecer que o trabalho de parto e o parto sejam vivenciados com mais tranquilidade e participação, resgatando o nascimento como um momento da família.
A atenção adequada à mulher no momento do parto representa um passo indispensável para garantir que ela possa exercer a maternidade com segurança e bem-estar, permitindo o surgimento de uma mãe e uma criança saudáveis, com o menor nível possível de intervenção. Este é um direito fundamental de toda mulher. A equipe de saúde deve estar preparada para acolher a grávida, seu companheiro e família, de preferência com práticas baseadas em evidências científicas, respeitando todos os significados desse momento. Isso deve facilitar a criação de um vínculo mais profundo com a gestante, transmitindo-lhe confiança e tranquilidade, conforto, segurança e bem-estar. A presença contínua da pessoa escolhida para acompanhá-la é capaz de transmitir-lhe conforto e encorajamento.
Além do acompanhamento pelo parente ou companheiro, existe também o acompanhamento por outra pessoa, com ou sem treinamento específico para isto, a doula. Ela presta constante apoio a gestante e seu companheiro/acompanhante durante o trabalho de parto, encorajando, aconselhando medidas para seu conforto, proporcionando e orientando contato físico e explicando sobre o progresso do trabalho de parto e procedimentos obstétricos que devem ser realizados.
O parto normal é dividido em alguns períodos clínicos como expulsão; dequitação ou delivramento; greenberg ou 1a hora pós-parto. Assim como os mecanismos - insinuação ou encaixamento; descida (rotação interna); desprendimento cefálico; rotação externa; desprendimento das espáduas e do feto como um todo.
O internamento hospitalar somente quando estabelecida a fase ativa do trabalho de parto permite que as parturientes passem menos tempo na sala de pré-parto, menor possibilidade de receber ocitócitos intraparto, reduz a necessidade de analgesia e as parturientes apresentam níveis mais elevados de controle durante o trabalho de parto. Uma política de admissão tardia evita admissões prematuras e intervenções desnecessárias (incluindo uso de ocitocina e analgesia peridural) em mulheres com fase latente prolongada, além de evitar admissões por falso trabalho de parto.
O diagnóstico do trabalho de parto se faz, em geral, pela presença das seguintes condições: presença de contrações uterinas a intervalos regulares, que vão progressivamente aumentando com o passar do tempo, em termos de frequência e intensidade, e que não diminuem com o repouso da gestante. O padrão contrátil é definido como a presença de contrações uterinas espontâneas, pelo menos duas em 15 minutos e pelo menos dois dos seguintes sinais: apagamento cervical, colo dilatado para 3 cm ou mais, ruptura espontânea das membranas. Recomenda-se uma ausculta intermitente nas parturientes de baixo risco a cada 15 a 30 minutos no período de dilatação e a cada 5 minutos no período expulsivo.
Durante a admissão hospitalar o enfermeiro deve: cumprimentar a mulher de maneira agradável e com atitude confiante, chamando-a pelo nome; orientar a gestante sobre as normas e rotinas do hospital, informando sobre os procedimentos que será submetida; apresentar a equipe permitindo que a gestante identifique cada membro da equipe e sua função; propiciar um ambiente acolhedor, limpo, confortável e silencioso; esclarecer suas dúvidas e aliviar suas ansiedades. São atitudes relativamente simples e que requerem pouco mais que a boa vontade do profissional. O jejum não é recomendado em pacientes de baixo risco, somente é necessário se existir a probabilidade de uma cesariana ou de anestesia geral (BRASIL, 2014).
O enfermeiro deve proceder a admissão com os seguintes procedimentos: anamnese, exame clínico com aferição de sinais vitais, exame obstétrico com a ausculta da frequência cardíaca fetal antes, durante e após a contração uterina, a medida da altura uterina, a palpação obstétrica para determinar a situação, posição, apresentação e insinuação - Manobras de Leopold (1º, 2º, 3º e 4º).
Nos cuidados com a bexiga o enfermeiro deve estimular o esvaziamento, registrar volume urinado, realizar cateterismo vesical somente se necessário. A tricotomia e a realização do enema não são recomendadas. A OMS considera enemas e tricotomia práticas prejudiciais ou não-efetivas que devem ser eliminadas. Providenciar higiene adequada: encaminhar para o banho; troca frequente de roupa (camisola) e forro de cama; trocar as roupas; pentear os cabelos e escovar os dentes (AMORIM, 2010)
Os exercícios de relaxamento têm como objetivo permitir que as mulheres reconheçam as partes do corpo e suas sensações, principalmente as diferenças entre relaxamento e contração, assim como as melhores posições para relaxar e utilizar durante o trabalho de parto. Os exercícios respiratórios têm por objetivo auxiliar as mulheres no controle das sensações das contrações durante o trabalho de parto. O ambiente acolhedor, confortável e o mais silencioso possível, conduz ao relaxamento psicofísico da mulher, do acompanhante e equipe de profissionais e indica qualidade da assistência. O recurso da música e das cores representa formas alternativas de abordagem que buscam desenvolver potenciais e/ou restaurar funções corporais da parturiente, acompanhante e da equipe profissional. A utilização de roupas confortáveis também é uma medida importante para favorecer o relaxamento (AMORIM, 2010; BRASIL, 2017)
A associação de algumas medidas não farmacológicas como exercícios respiratórios, técnicas de relaxamento, suporte contínuo e a deambulação auxiliam no alívio da dor durante o trabalho de parto. Outras medidas que podem ser utilizadas com frequência são o banho morno de chuveiro ou de imersão, hipnose, acupuntura e massagens feitas por acompanhante ou profissional de saúde, garantindo o conforto e bem-estar, tão desejável durante esse período.
Existe consenso atualmente de que, se algum método farmacológico for indicado para alívio da dor durante o trabalho de parto, a analgesia regional com peridural ou técnica combinada (raquidiana e peridural) deve ser empregada preferencialmente em relação ao uso de opioides sistêmicos ou analgesia inalatória. A analgesia peridural fornece alívio da dor mais significativo que outras formas de analgesia não peridural, sem efeitos adversos sobre a mãe e o feto (AMORIM, 2010).
O enfermeiro deve posicionar a parturiente, apoiando a decisão da mulher, e preencher o partograma. Salvo raras exceções, a parturiente não deve ser obrigada a permanecer no leito, devem ser encorajadas e a descobrir a posição mais confortável. Deambular, sentar e deitar são condições que a gestante pode adotar no trabalho de parto de acordo com a sua preferência e, em geral de forma espontânea, existe uma tendência à alternância de posições. A deambulação aumenta o conforto materno durante o trabalho de parto. As mulheres devem ser apoiadas na sua escolha. (LAWRENCW, 2010). Quando deitada, a gestante deve adotar o decúbito lateral, tanto direito quanto esquerdo.
O partograma na avaliação e documentação da evolução do trabalho de parto é um instrumento de importância fundamental no diagnóstico dos desvios da normalidade. É a representação