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PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio 
Distrofias Cirúrgicas 
 As doenças cirúrgicas estão mais relacionadas a feridas sujas, a contaminação. 
Abscesso ⤷	Conteúdo purulento encapsulado em tecido, pode manifestar na pele, subcutâneo e em 
qualquer outra estrutura do organismo ⤑	pus + cápsula ⤷	Composição do pus: 
 - tecido necrótico ⤑	células mortas 
 - Bactérias à quando ausentes abscesso ⤑	asséptico 
 - Neutrófilos degenerados à piócitos 
 - Exsudato ⤑	líquido inflamatório 
 
Causas ⤷ Trauma rombo ⤑	gera um coágulo muito grande que atrai neutrófilos para a região ⤷ Inoculação do contaminante ⤑ ex.: vacinação com agulha suja (contaminada) ⤷ Doenças supurativas ⤑	bactéria entra por outra via e causa o abscesso, ex.: tuberculose ⤷ Em geral: as bactérias de virulência alta, chamadas de piogênicas, são as responsáveis 
pela formação do pus. As vezes o animal é saudável, mas se tiver o contato com essas bactérias 
de virulência alta, há chances de desenvolver pus. Exemplos: 
 - Estafilococos 
 - Estreptococos 
 - Corynebacterium pyogenes (bovinos) 
 - Corynebacterium pseudotuberculosis (ovinos ⤑	linfadenite supurativa) 
 - Escherichia coli 
 - Mycobacterium tuberculosis 
 - Pseudomona aeruginosa 
 
 
Patogenia do abscesso séptico (mais comum) 
Invasão bacteriana ⟼	Toxinas citotóxicas ⟼	Necrose tissular ⟼	Inflamação 
 ��
 Neutrófilos 
 Cápsula ⟻ Migração (bridas) ⟻	Microabscesso ⟻	Macrófagos 
 � Fibroblastos 
 Restos celulares 
 Bactérias e leucócitos mortos ⟼	Expansão ⟼	Digestão das bridas 
 Líquido inflamatório � 
 Cavidade única (maturação) 
 ��
 Fistulação ⟻ Adelgamento local da cápsula ⟻ Expansão 
 
 
 Ocorre uma invasão de bactérias piogênicas (podem entrar por agulhas sujas...), essas 
bactérias possuem a tendência de produzir toxina citotóxicas, que causam morte celular, elas 
formam um pequeno tecido necrosado ao seu redor. Devido a necrose e a presença de LPS 
estimulam a inflamação, então ocorre uma serie de eventos relacionados a fase exsudativa da 
A causa principal do abscesso é 
devido a hiperatividade do abcesso 
por causa de uma inflamação. 
A membrana bacteriana dessas bactérias possuem o 
LPS, que atraem grande quantidade de neutrófilos para a 
região que se encontram, por terem uma alta virulência, 
muito neutrófilos morrem e começam a formar o pus. 
PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio 
cicatrização. Com a inflamação, são atraídas para o local os neutrófilos, depois de 3 dias já 
começam aparecer macrófagos, estes produzem citosina que atraem os fibroblastos. Esse 
aglomerado (bactéria, necrose, exsudato, neutrófilos mortos) é chamado de microabscesso 
(microscópico). Essas bactérias tendem a invadir o tecido ao redor, formando vários 
microabscessos por ondem passam, com essa migração há formação de uma rede de tecido que 
envolve vários microabcessos, essa rede de tecido são as bridas. Nessa etapa a pele que estava 
com o aspecto normal começa a ter edemaciação discreta. Os fibroblastos produzem tecido 
fibroso ao redor das bordas dos microabscessos, formando uma cápsula, que engloba 
(encapsulamento) os restos celulares, bactérias e neutrófilos mortos, e o liquido inflamatório. Esse 
encapsulamento consegue evitar o avanço das bactérias, deixando a infecção concentrada numa 
região, porém as bactérias continuam a crescer, então ocorre uma expansão da cápsula devido 
o aumento de tecido inflamatório, células de defesa e exsudato. Conforme ocorre a expansão, 
pela a ação das toxinas citotóxicas e dos radicais livres, as bridas são degeneradas, e os 
microabscessos se unem. O próprio tecido do corpo animal produz proteases que vão digerir as 
bridas, para tentar formar uma cavidade única para facilitar o combate a infecção, com o 
acúmulo de liquido, devido essa digestão das 
bridas, ocorre a expansão do tecido morto. A 
maturação do abscesso ocorre quando forma 
uma cavidade única. A medida que digere o 
tecido a cápsula expande, com isso tem o 
adelgaçamento (fica mais fina), até que ela 
perfura, que é a fistulação (abcesso maduro). 
 
Para amadurecer o abscesso: compressa de agua quente 15 minutos por pelo menos 3 vezes 
ao dia, e passar um emoliente na pele para amolecer a pele, isso estimula a fistulação. Assim que 
fistular faz a drenagem. A partir do momento que inicia as compressas já é interessante fazer 
antibióticoterapia (evitar sepse). 
Ao redor da capsula existe vários vasos ingurgitados, sendo muito comum que as bactérias 
presentes na capsula consigam atingir esses vasos e causar uma sepse no animal. 
 
Sinais clínicos dos abscessos imaturo 
Abcesso imaturo: desde a invasão bacteriana ate a formação dos microabscessos. Enquanto 
existir uma grande quantidade de bridas, é um abscesso imaturo. 
 
- sinais cardiais da inflamação bem evidentes: dor, rubor, calor, tumor 
- febre ⤑ já tem chance da bactéria ter acometido a circulação sistêmica 
- distensão leve da pele 
- limites pouco preciso ⤑	pouco preciso, não sabe onde começa nem onde termina 
- leucocitose 
 
Sinais clínicos dos abscessos maduros 
 
- contorno mais definido ⤑	consegue ver aonde realmente esta o abscesso 
- pele delgada (flutuante) 
- sinais da inflamação menos evidentes ⤑	pode ser que nem tenha mais sinais 
- fistulação 
 
 O tratamento cirúrgico é feito quando o abscesso tem esses sinais clínicos. 
 
Tratamento 
Antibióticoterapia ⤑	gentamicina, clindamicina, espiramicina (melhores para essas feridas 
sujas, infeccionadas) 
Neutrófilos produz muito radicais livres, essas bactérias 
resistem aos radicais, porem o próprio neutrófilo não 
sobrevivem. Eles morrem por esse exceto e decorrente do 
hipermetabolismo. 
 
PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio 
Estimulação da circulação com compressa de água 
quente ⤑	extrato de pimenta (capsaicina) 
Emolientes na pele 
Antiinflamatórios ⤑	ajuda a diminuir a dor 
 
Nota do Michel: capsaicina possui uma composição muito semelhante a lidocaína, existe 
estudos da capsaicina isolada como analgésico 
 
Assim que amadurecer faz a drenagem cirúrgica. 
Cuidados na drenagem: evitar contato do pus com a circulação sistêmica ⤑	abscesso muito 
profundos podem estar em contato com vasos importantes (ter cuidado na manipulação) 
Etapas para a drenagem 
 - tricotomia 
 - drena o pus até começar a sair sangue (já está próximo de vasos) ⤑	se espremer demais 
pode causar lesão da cápsula e levar uma sepse 
 - assepsia é diferente, por ser uma ferida suja faz uma lavagem com solução de iodo 
diluído repetidamente ⤑ coloca a solução numa seringa, injeta no abscesso, e espreme, depois 
repete esse processo varias vezes. A lavagem é intralesional, dentro da cápsula. 
 - incisão ampla ⤑	para facilitar a drenagem de todo o conteúdo, para evitar recidivas 
 - coleta de material para cultura e antibiograma 
 - lavagem capciosa com antisséptico ⤑	debridamento hidrodinâmico 
 - pode deixar a ferida aberta para fechar por segunda intensão ou suturar a ferida 
(principalmente se tiver estrutura importantes próxima). Se fechar ferida é importante colocar um 
dreno por 5 a 7 dias 
Antibióticoterapia, analgésico e limpeza da ferida com antisséptico. 
A cicatrização ocorre “de dentro para fora”. 
 
Abscesso “Fênix” 
Também chamado de abscesso de raiz dentária ou abscesso infraorbitário. 
Acontece comumente no quarto pré-molar no caso de cães, mas pode ocorrer em qualquer 
outro dente. 
Pode ocorrer devido doença periodontal grave, fraturas de dente (principalmente próximo a 
raiz) 
Sinais clínicos de abscesso 
Tratamento: 
 - Antibióticoterapia 
 - exodontia 
 - drenagem + lavagem 
 
Abscesso de Coto 
É uma complicação da OSH, geralmente devido a uso de fio inadequado (ex.: algodão). 
Ocorre infecção do coto com formação de pus,o abscesso formado pode se aderir a 
cavidade e fistular para a pele 
Tratamento: retirada do abscesso cirurgicamente. 
 
Pode ser confundido como uma ferida de pele, a fistula é tratada com clorexidine, pomadas 
cicatrizantes, esse “machucado” fecha, porém volta em dentro de um mês. 
Flegmão 
A infecção do flegmão não é encapsulada 
Causada por doenças que diminuem a função dos macrófagos. 
 
Esse tratamento é feito até a maturação do 
abscesso. Isso ocorre em no máximo uma semana 
após início do tratamento do abscesso imaturo 
PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio 
Exposição de 
tecidos moles 
Invasão bacteriana ⟼	Toxinas citotóxicas ⟼	Necrose tissular ⟼	Inflamação 
 ��
 Neutrófilos 
 Restos celulares ⟻ Migração (bridas) ⟻	Microabscesso ⟻	Macrófagos 
 Bactérias e leucócitos mortos Fibroblastos 
 Líquido inflamatório 
 � 
Expansão pelo tecido ⟼	Edema difuso no local ⟼	Necrose de tecidos adjacentes 
 (exotoxinas) 
 � � 
 Sepse Úlcera extensa 
������ � 
 Morte 
 
 
Normalmente acontecem em animais que possuem problemas na imunidade, por exemplo, um 
animal com diabetes. Eles possuem uma hiperglicemia, que causa vários problemas no organismo, 
dentre eles os problemas imunológicos, pois a grande quantidade de glicose interfere na 
produção dos macrófagos. 
Na cicatrização os macrófagos são importantes para o debridamento celular, na fagocitose 
de bactérias e principalmente para chamar fibroblastos. 
Os fibroblastos são importantes para a cicatrização da 
ferida, já que são eles que produzem as fibras colágenas. 
No abscesso quando há uma infecção os fibroblastos 
formam a cápsula para conter, no flegmão isso não 
acontece, então os microabscessos se espalham, pois não 
tem a cápsula. 
 
No abscesso e no flegmão vão ocorrer devido uma invasão bacteriana que produzem toxina 
citotóxicas e geram uma necrose tissular. Com isso, ocorre um processo de inflamação que chama os 
neutrófilos, macrófagos e fibroblastos. Nesse ponto ocorre a diferenciação de abscesso e flegmão. 
Os macrófagos estão com a função prejudicada, não conseguindo chamar para o local um número 
suficiente de fibroblastos. Ocorre a formação dos microabcessos e das bridas, mas não a o 
encapsulamento, então essas bridas, formadas por restos celulares, bactérias e leucócitos mortos e 
liquido inflamatório vão se espalhando. Então ocorre a expansão pelo tecido, que causa uma 
inflamação, sendo o edema difuso no local o principal sinal. Com a produção de toxinas por estas 
bactérias que estão progredindo nesse tecido vai ocorrer necrose em todo tecido, e consequentemente 
a pele tem uma necrose gangrenosa. Essa área de necrose tem tendência a cair, quando isso ocorre 
há formação de uma extensa área de úlcera, com isso, estruturas profundas ficam expostos. Essa 
infecção pode estar perto de um vaso, então tem uma grande possibilidade dessa infecção chegar no 
vaso sanguíneo e causar sepse e morte. 
 
Sinais clínicos 
Mesmos sinais clínicos relacionados a abscesso imaturo 
- sinais cardeais da inflamação: edema, rubor, calor, dor e perda de função 
- edema difuso ⤑	aumento de volume generalizado na pele, com sinal de godet positivo 
 
Tratamento 
Antibióticoterapia ⤑	gentamicina, clindamicina e espiramicina 
Tricotomia ampla do local ⤑	regra para qualquer tipo de ferida, auxilia a detectar a área do 
flegmão 
Estimulantes da circulação/perfusão com compressas quentes ⤑	faz quando o flegmão ainda não 
tenha se desenvolvido por completo, isso é feito para estimular a digestão das bridas e amadurecer 
a infecção. 
Emolientes ⤑	como a pele vai cair, é bom amolece-la para cair mais rápido 
ABSCESSO ≠ FLEGMÃO 
A diferença básica entre eles é que, 
o abscesso possui a cápsula, já o 
flegmão não, os microabscesso ficam 
espalhados na região da infecção. 
 
PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio 
Suporte para sistema imune ⤑	tratar a doença concomitante 
Desbridamento cirúrgico ⤑	não esperar a pele necrosada cair sozinha 
 
CASO CLÍNICO 
Cão, macho, SRD, tem acesso à rua, e apresenta lesão com secreção no pescoço, uma semana 
após brigar na rua. Quando foi feito a tricotomia de toda área identificou uma área de necrose 
gangrenosa. 
 
- remover todo o tecido necrosado (desbridamento) 
- fazer uma lavagem copiosa da região para diminuir a carga bacteriana 
- não fechar a ferida 
- faz um curativo oclusivo do local ⤑	pomada, gaze e esparadrapo microporoso. Estimular a 
epitelização com vitamina A e emolientes. 
- pode ser feito um flap para fechar a ferida, quando não tiver mais infecção (quando tiver 
a formação de tecido de granulação) OU deixar fechar por segunda intensão. 
 
Úlcera 
Eliminação do tecido epitelial, expondo o tecido conjuntivo. 
Pode causar distúrbio eletrolítico, pois ocorre perda de água pela ulcera. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio 
Hérnia 
 
Protrusão de um órgão de sua cavidade de origem, através de um defeito na parede de 
separação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Membrana de separação 
 
Para entender melhor: 
 Um órgão qualquer esta sua cavidade natural, e próximo de sua cavidade natural existe 
outro espaço corporal, do lado. Esses dois espaços são separados por uma membrana de 
separação. A hérnia vai ocorrer quando acontece um defeito nessa membrana de separação, e 
por uma diferença de pressão que a entre essas cavidades, o órgão tende a passar por esse 
defeito. 
 
Hérnia abdominal 
 A hérnia pode ser dividida em três partes: 
- anel: onde ocorre o defeito da membrana 
 - tem tamanho variável 
 - se hérnia crônica (de alguns anos), a tendência é que ocorra um espessamento na parede 
do anel e este diminua de tamanho ⤑	 isso causa uma compreensão das vísceras, pois elas 
continuam fora de sua cavidade 
- conteúdo: vísceras 
 - órgãos que herniam 
 - mais importante estrutura 
 - sua integridade determina o prognóstico 
- saco: peritônio 
 - envolve o conteúdo 
 - casos de traumatismo recente pode estar ausente, porque o peritônio vai romper 
 - contração tecidual tende a causa estrangulamento do conteúdo 
- se trauma antigo, no lugar peritônio pode se tecido fibroso 
 
O anel é onde ocorre o defeito da membrana, esse defeito pode ser causado por diversas 
doenças, quando ocorre então esse defeito na musculatura, tendência é que esse órgão saia, pois 
a cavidade abdominal tem uma pressão positiva, toda vez que o animal contrai a musculatura 
abdominal ocorre uma pressão sobre as vísceras, essa pressão empurra as vísceras sobre o 
defeito. O peritônio também sai formando o saco. Na maioria das vezes a pele reveste o saco. 
 
Pele 
Peritônio 
 
Vísceras 
 
Cavidade Natural Outro espaço corporal 
 
 
Órgão 
 
 
Pressão positiva Pressão negativa 
PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio 
 As hérnias podem ser congênitas ou adquiridas. 
 Nas adquiridas, um trauma rombo pode causar uma hérnia, ocorre uma eventração 
devido a ruptura das fibras musculares, outra causa pode ser a ruptura de pontos da musculatura 
(cirúrgico), porem não tem a da pele, causa então uma eventração (se pele, eviceração), e o mais 
comum é a degeneração da musculatura. 
 As causas mais comum são a degeneração da musculatura e as congênitas (hérnia 
umbilical). 
 
 A hérnia pode ser: 
- redutível ⤑	o conteúdo é facilmente devolvido para a cavidade manualmente. O anel 
herniário é grande em relação ao conteúdo. 
 
 
 
 
 
 
 
- irredutível, podem ser encarcerada ou estrangulada 
 - encarcerada ⤑	presença de aderência entre o saco e a pele, e entre o conteúdo e o 
saco herniário, ocorre devido uma inflamação que pode ocorre na região. Nãoconsegue voltar 
o conteúdo para a cavidade manualmente, e pode ocorrer obstrução. 
 
 
 
 
 - estrangulada ⤑	anel ainda menor em relação a encarcerado, ocorre isquemia do tecido 
devido a obstrução dos vasos. Animal apresenta uma dor aguda, sintoma do abdômen agudo. 
 
 
 
 
 
Sinais clínicos 
Tumefação ⤑	aumento de volume 
Palpação do anel herniário, ao exame físico nas redutíveis será fácil e indolor, já nas 
irredutíveis, o anel é pequeno, pode ter inflamação e dor. 
Em casos de hérnias traumáticas, pode não possuir o saco herniário, devido ao trauma pode 
ter uma hemorragia associada. Ocorre também sinais de abdômen aguda, devido ao trauma em 
si (a hérnia não necessariamente será estrangulada). 
Nas hérnias diafragmática não tem aumento de volume. O conteúdo herniado comprime o 
pulmão, então animal apresenta taquipneia. Dispneia ocorre quando há um grande conteúdo 
herniado. A hérnia diafragmática pode ser recente ou tardia. Aqueles que apresenta a recente 
possui uma recuperação mais fácil. Na hérnia tardia pode demorar ate anos para o sintoma 
acontecer, ocorre quando animal passa por um trauma, mas não foi detectado a hérnia naquele 
momento pois o defeito na musculatura é muito pequeno e evolui gradativamente (as vísceras 
saem gradativamente), com o tempo. Esse tipo é mais difícil de tratar, pois pode formar aderência 
no pulmão, pericárdio, veia cava e outras estruturas. 
 
Tratamento 
Herniorrafia ⤑	depende de como esta a configuração da hérnia. 
 - retornar conteúdo viável para cavidade natural ⤑	hérnia encarcerado pode ter área 
de necrose, nesses casos deve tirar o tecido necrosado 
 - eliminar anel herniário para evitar recidivas ⤑	fazer escarificacão das bordas além da 
sutura 
PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio 
 - eliminar tecido excessivo no saco ⤑	não é interessante excesso de peritônio na cavidade, 
pois pode gerar tecido fibroso, causar aderência e dor. 
 - priorizar utilização de tecido do próprio paciente ⤑	se o anel herniário for muito grande 
as vezes não é possível aproximar as duas vezes, então usa-se algum outro material para o 
fechamento. Uma das opções é o uso da tela de marlex (composto sintético, usado para 
reparação de hérnia), ela é fixa, se retirar pode causar recidivas, essa tela pode causar rejeição, 
inflamação, traumas, infecção (se não for devidamente esterilizado pode causar uma infecção 
ate depois de um ano da cirurgia), por essas razoes é mais indicado priorizar tecido do próprio 
paciente, pode ser feito por exemplo flaps de musculatura, usar cartilagem auricular. 
 
Hérnia umbilical 
Deficiência da musculatura abdominal na entrada do cordão umbilical ⤑	esse defeito será 
na região onde estava o cordão umbilical. 
Pode ser: 
- congênita (hereditariedade) 
 - adquirida ⤑ é quando o corte do cordão foi mal feito, ou cortou curto ou tracionou ele 
demais. 
 
Sinais clínicos 
Aumento de volume na região do umbigo 
Redutível: flutuantes à palpação 
- Redutível pequena ⤑	não sente as vísceras, mas tem conteúdo (omento, tecido adiposo) 
- Redutível grande ⤑ sente as vísceras 
Irredutível: rígidas 
- Irredutível pequena ⤑	presença somente de gordura 
- Irredutível grande ⤑	vísceras encarceradas, sinais de obstrução dos órgãos próximos aquela 
região (gastrointestinal – intestino ou baço) 
 
Tratamento 
Hérnias pequenas ⤑	não é necessário intervenção cirúrgica 
 - cães e gatos: conteúdo falciforme 
 - bovino, suíno e equino: resolução espontânea 
Hérnias grandes ⤑	necessita de herniorrafia 
 - vísceras encarceradas no caso da irredutível 
 - mais susceptíveis a trauma nos dois casos (redutível e irredutível) 
 - grandes animais: ruptura por peso excessivo 
Hérnia inguinal 
 Defeito no anel inguinal ⤑	causada por um defeito na musculatura local, devido a uma 
enfermidade ocorre atrofia dessa musculatura, com isso, a constrição dos próprios músculos causam 
a passagem dos órgãos. 
 Na maioria das vezes é uma hérnia irredutível. 
 Mais comum em fêmeas idosas não castradas 
 
 
Sinais clínicos 
Tumefação 
PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio 
Geralmente dolorosa ⤑	por que é irredutível, causa no mínimo compressão leve das vísceras. 
As vísceras sentem dor diante três estímulos: distenção, inflamação e isquemia. 
Sinais de obstrução: gastrointestinal, bexiga ou útero gravídico 
 - gastrintestinal: constipação, anorexia, fezes diminuídas ou ausentes 
 - bexiga: oliguria ou anuria (se parcial estranguria), hipercalemia (diminui o limiar de 
contração do miorcardio ⤑	arritmia) 
 - útero gravídico: inviável, deve ser feito a retirada para preservar vida da mae, se feto 
morto tem risco de infecção devido a decomposição. Chances vivos tem poucas chances de 
sobreviver, pois a anestesia pode causar depressão fetal. O útero também pode herniar no caso 
de útero com piometra. 
 
Diagnóstico 
Ultrassom ⤑	único que permite diferenciar tumor e abscesso de hérnia inguinal 
 
Tratamento 
Herniorragia inguinal ⤑	incisão na linha sagital mediana, entre a glândula mamaria e a perna 
do animal 
Se bexiga encarcerada ⤑	URGÊNCIA! Uremia pós renal mais hipercalemia (animal pode ter 
morte súbita, pois o cálcio causa arritmia). 
Se bexiga tiver necrose ⤑	cistotomia parcial ou total, ou anastomose ureter-colônia (sutura 
do ureter no colon) ou ureterostomia 
Se útero encarcerado ⤑ fazer OSH. Também previne uma recidiva, pois o aumento de 
estrógeno pode causar uma recidiva, já que é um dos fatores que causam a atrofia da 
musculatura. 
 
Obs.: A hérnia inguinal não tem chance de resolução espontânea. 
 
Pós-operatório 
Devido a remoção de muitas aderências, tem muita inflamação e sangramento capilar em 
excesso, com isso a formação de hematoma e/ou seroma ⤑	
importante fazer hidroterapia com compressa fria para 
prevenir a formação de hematoma e seroma. A compressa 
fria os vasos reduzem de tamanho (vasoconstrição) e com 
isso previne a formação desses dois fatores. 
Avaliar necessidade de antibióticoterapia ⤑	depende 
da classificação da ferida (houve incisão de vísceras? Teve 
extravasamento de conteúdo para cavidade? Maceração?) 
Analgesia ⤑ de acordo com o grau da dor. Dor leve – redutíveis (pouco comum em hérnias 
inguinais), dor moderada – encarcerada e dor intenso – estrangulada 
Antiinflamtório 
 
Hérnia perineal 
Frequente em cães machos, idosos e inteiros. 
Raro em cadelas, felinos, bovinos e equinos. 
 Ocorre devido uma atrofia (como todas as demais hérnias) no diafragma pélvico. 
 
 
 
 
 
Para tratar edema, o seroma, usa-se a 
compressa quente, pois permite a vasodilatação 
dos vasos linfáticos, que drenam o líquido 
intersticial. Massagem também estimula a 
drenagem e além disso tem os exercícios. 
PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio 
Tempo 
Próstata 
Relaxina 
 
Patogenia 
Fraqueza das fáscias do diafragma pélvico 
Fissuras naturais: permite passagem do nervo pudendo ⤑	por onde começa a hérnia 
Gordura retroperitoneal pressiona e atravessa diafragma pélvico. 
Motivo para não cortar cauda do animal ⤑	 o corte da cauda pode causar uma flacidez dessa 
musculatura, se cortar de forma errada 
 
Animais não castrados desenvolvem hiperplasia prostática benigna, devido a elevada 
concentração de testosterona. Essa elevação de testosterona constante tende a desenvolver com 
o tempo a hiperplasia prostática benigna (ou hiperplasia prostática cística), que é o aumento de 
volume da próstata que pode formar cavidades com líquido dentro. Os cistos prostáticos 
produzem uma substância chamada de relaxina, e esta causa atrofia muscular. 
 
 
Não castrados ⟼ Testosterona 						 Hiperplasia prostática benigna (cística 
 
 
 
 
 
 Atrofia ⟻	Diafragma pélvico ⟻	 
 � 
 Hérnia Perineal 
 
É indicado castrar o animal para evitarrecidivas. 
 
Sinais clínicos 
Sinais de herniação entre anus e ísquio 
Conteúdo mais incidente da hérnia ⤑		gordura retroperitoneal 
Próstata aumentada na maioria das vezes 
Bexiga herniada 
Desvio ou dilatação retal 
 
Tratamento 
Preparação do paciente ⤑	não é uma cirurgia emergencial, é interessante fazer esse preparo 
do animal por que envolve estruturas que podem causar infecção 
 - exame retal ⤑	fecalomas ou divertículo (o diventiculo é mole, tende a causa o fecaloma, 
este é duro) 
 - cateterização ⤑	bexiga herniada 
 - ultrassonografia ou radiografia 
 - enema (12 horas antes) 
Cirurgia 
 Herniorrafia + castração, avaliar necessidade de: 
 - colopexia 
 - cistopexia 
Complicações pós-operatorias 
 Infecção da ferida 
 Incontinência fecal 
Diafragma pélvico impede que as vísceras extravasem para for a da cavidade, e extremamente importante, 
pois nessa região não tem parte óssea. É formado por 3 musculaturas. Quando atrofiam diminuem a sua 
espessura e permite passagem das vísceras. 
PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio 
 Tenesmo 
 Prolapso retal 
 Dificuldade em urinar (sutura da uretra) 
 Paralisia do ciático 
 Recidiva 
 - pode ser de ate 50% (12 a 24 meses) ⤑	fazer acompanhamento do animal 
 - castração: diminui risco de recidivas em ate 2,7 vezes 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio 
Oncologia 
Processo de formação da neoplasia (carcinogênese/oncologênese) 
O processo de carcinogênese, em geral, se da lentamente, podendo levar vários anos para 
que uma célula cancerosa prolifere e de origem a um tumor visível. Esse processo passa por vários 
estágios antes de chegar ao tumor. São eles: 
 
1. Iniciação 
2. Promoção 
3. Progressão 
 
Iniciação 
A iniciação é o primeiro estágio da carcinogênese. Nele as células sofrem o efeito dos agentes 
cancerígenos ou carcinógenos que provocam modificações em alguns de seus genes. Nesta fase 
as células se encontram, geneticamente alteradas, porém ainda não é possível se detectar um 
tumor clinicamente. Encontram-se iniciadas para a ação de um grupo de agentes que atuará no 
próximo estágio. 
 
 
Protooncogenese ⤑	gene natural do organismo animal, quando alterado se torna oncogene 
Ex.: tumor de mama 
Possui inúmeros genes, um exemplo é o gene da produção de leite, obtenção de energia, 
proteína de membrana, indução da apoptose e do controle do crescimento celular. Se houver 
alteração no gene da produção de leite pode ter a formação de uma proteína não pertencente 
ao leite. No caso, de uma alteração no gene do controle de crescimento celular, pode ocorrer um 
distúrbio exagerado no local da alteração e formar um tumor, esse gene é considerado 
protooncogene, pois quando alterado tem a tendência de formar uma neoplasia. 
 
Agentes que podem ser um iniciador a neoplasia: 
 - radiação ionizante 
 - hormônios 
 - hereditariedade 
 - compostos químicos 
 
 
 
Promoção 
Nessa fase as células estão geneticamente alteradas, ou seja, iniciadas, sofrem o efeito dos 
agentes cancerígenos classificados como oncopromotores. A célula iniciada é transformada em 
neoplasia, de forma lenta e gradual. Para que ocorra essa transformação é necessário um longo 
e continuado contato com o agente cancerígeno promotor. A suspensão do contato com agentes 
promotores muito das vezes interrompe o processo nesse estagio. Alguns componentes da 
alimentação e a exposição excessiva e prolongada a hormônios são exemplos de fatores que 
promovem a transformação de células iniciadas em malignas. 
 
 
A célula iniciada sofre ação de um agente promotor (ex.: fumaça do cigarro), que promove 
replicação celular ao longo do tempo. Isso faz que uma célula iniciada formem grupos de células 
iniciadas. (fumo é um agente promotor completo, pois atuam nos três estágios) 
PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio 
Tempo 
Agente promotor 
Tempo 
 
Tempo 
Agente promotor 
 
Célula Neoplasia? 
Saudável Não! 
 
 
 
 
 
 
Iniciada Não! 
 
 
 
 
 
Iniciada Sim! 
 
 
 
 
 
 
Progressão 
Se caracteriza pela multiplicação descontrolada e irreversível das células alteradas. Nesse 
estágio o câncer já esta instalado, evoluindo até o surgimento das primeiras manifestações clínicas 
da doença. 
 
 
Formação de tecido organizado 
Deleção de cromossomo (mutação) à diferenciação celular 
Indiferenciação celular (teratomas) 
 
A célula iniciada tem a capacidade de invasividade tumoral, a partir que replicam podem 
causar a morte de células saudáveis. 
A neoplasia é classificada como maligno de acordo com o grau de invasividade tumoral. 
 
Característica Benigno Maligno 
Crescimento Lento Rápido 
Formato Regular e encapsulado Limite pouco definido, cacho de uva/couve-flor 
Ulceração/fistulação Raro Frequente 
Aderências Raro Frequente 
Dor Ausente ou leve Presente 
Inflamação Ausente Ausente ou presente 
Vascularização Normal Neoangiogênese e/ou crescimento próximo de 
vasos 
Metástase Ausente/raro Frequente 
 
Sistema de Estadiamento Tumoral (T.N.M) 
Determina o prognóstico 
 
 T à tumor primário 
 T0: sem evidência de tumor 
 T1: tumor restrito ao local primário 
 T2: tumor restrito ao local primário, porém rompido 
 
PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio 
 N à linfonodos 
 N0: sem evidência de envolvimento de linfonodo 
 N1: envolvimento de linfonodo regional 
 N2: envolvimento de linfonodo distante 
 
 M à metástase 
 M0: sem evidencia de doença metastática 
 M1: metástase na mesma cavidade corporal do tumor primário 
 M2: metástase distante 
 
 Estágio 
 1 à T0 ou T1, N0, M0 
 2 à T1 ou T2, N0 ou N1, M1 
 3 à T2 ou T3, N1 ou N2, M2 
 
Metástase 
Supondo que o animal tem um tumor na cauda, essa região é drenada pelos linfonodos 
poplíteo e inguinal, que carreia as células neoplásicas (drenadas por estes linfonodos) pelo sistema 
linfático ate o ducto torácico, que desemboca na v. cava, que leva a neoplasia ate o pulmão. 
 
Tumor à Drenagem linfática à Linfonodo regional à Ducto torácico à Veia Cava Cranial à 
à Coração direito à Artéria pulmonar à Coração esquerdo à A. Aorta à Corpo 
 
Tratamento 
Prognóstico (TNM) + histopatológico à OBJETIVO DO TRATAMENTO 
- Cura 
 - Prolongamento do tempo de vida 
 - Proporcionar qualidade de vida 
O tratamento vai depender do prognostico e do exame histopatológico, com isso define o 
objetivo e a forma de tratar. 
 
Histopatológico 
- Carcinoma espinocelular à risco de recidiva local alta, metástase regional possível, 
metástase longe raro. Indica-se remoção cirúrgica com margem ampla. 
- Hemangiossarcoma à na maioria dos casos o tumor geralmente inicia-se no átrio direito. 
Remoção cirúrgica + quimio/radioterapia. 
- Neoplasias mamarias malignas à indicado a mastectomia + quimio/radioterapia 
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é importante determinar qual o linfonodo drena a cadeia 
mamaria com a neoplasia. A técnica deve considerar a retirada 
da mama sem que ocorra drenagens de possíveis metástases 
para linfonodos. Sempre evitar fazer a técnica regional 
unilateral, melhor retirar total unilateral, para ter uma boa 
margem de segurança. É indicado a remoção dos linfonodos 
regionais (inguinal ou axilar). 
Mastectomia é dividido em graus, nesse caso o histopatológico é mais importante que o 
TNM para o tratamento à remoção cirúrgica mais quimioterapia. 
 
PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio 
 
 
Tumores não removíveis 
T.V.T à transmitido por contato, possui baixa evidencia de metástase (porém pode ocorrer). 
É realizado tratamento químico – vincristina na dose 0,025 mg/kg, 1vez na semana, por 4 
semanas. 
Adenoma hepatóide à neoplasia benigna que ocorre em cãesmachos. Formação de vários 
nódulos na região perineal, que são mediados por testosterona. Essa neoplasia pode evoluir para 
maligna. 
 Tratamento: 
 Benigna – orquiectomia 
 Maligna – remoção cirúrgica + orquiectomia 
Carcinoma mamário inflamatório à possui formato de placas, tem crescimento e formação 
de metástases rápido, sinais inflamatórios marcantes. Nesses casos, a mastectomia não é indicada 
pois o tumor tende a volta mais agressivo. 
 Tratamento: quimioterapia ou eutanásia (pode ser pensado quando o animal apresenta 
sinais da síndrome paraneoplásica). 
Síndrome paraneoplásica: esta relacionado a desgranulação dos mastócitos. Os 
mastócitos liberam substancias que podem causar alterações: 
 - histamina: sinais alérgicos (prurido), sinais gastrointestinais (vômito, diarreia) 
à pode administrar antihistamínico 
 - histidina: proporciona vasodilatação, com isso, ocorre queda da pressão 
arterial media (PAM) 
 - proteases: causa dificuldade de formação do colágeno, dificultando a 
cicatrização. 
Animal apresenta: anemia 
 Caquexia 
 Apatia 
 Trombocitopenia 
 Alterações no leucograma (principalmente linfopenia)

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