Prévia do material em texto
PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio Distrofias Cirúrgicas As doenças cirúrgicas estão mais relacionadas a feridas sujas, a contaminação. Abscesso ⤷ Conteúdo purulento encapsulado em tecido, pode manifestar na pele, subcutâneo e em qualquer outra estrutura do organismo ⤑ pus + cápsula ⤷ Composição do pus: - tecido necrótico ⤑ células mortas - Bactérias à quando ausentes abscesso ⤑ asséptico - Neutrófilos degenerados à piócitos - Exsudato ⤑ líquido inflamatório Causas ⤷ Trauma rombo ⤑ gera um coágulo muito grande que atrai neutrófilos para a região ⤷ Inoculação do contaminante ⤑ ex.: vacinação com agulha suja (contaminada) ⤷ Doenças supurativas ⤑ bactéria entra por outra via e causa o abscesso, ex.: tuberculose ⤷ Em geral: as bactérias de virulência alta, chamadas de piogênicas, são as responsáveis pela formação do pus. As vezes o animal é saudável, mas se tiver o contato com essas bactérias de virulência alta, há chances de desenvolver pus. Exemplos: - Estafilococos - Estreptococos - Corynebacterium pyogenes (bovinos) - Corynebacterium pseudotuberculosis (ovinos ⤑ linfadenite supurativa) - Escherichia coli - Mycobacterium tuberculosis - Pseudomona aeruginosa Patogenia do abscesso séptico (mais comum) Invasão bacteriana ⟼ Toxinas citotóxicas ⟼ Necrose tissular ⟼ Inflamação �� Neutrófilos Cápsula ⟻ Migração (bridas) ⟻ Microabscesso ⟻ Macrófagos � Fibroblastos Restos celulares Bactérias e leucócitos mortos ⟼ Expansão ⟼ Digestão das bridas Líquido inflamatório � Cavidade única (maturação) �� Fistulação ⟻ Adelgamento local da cápsula ⟻ Expansão Ocorre uma invasão de bactérias piogênicas (podem entrar por agulhas sujas...), essas bactérias possuem a tendência de produzir toxina citotóxicas, que causam morte celular, elas formam um pequeno tecido necrosado ao seu redor. Devido a necrose e a presença de LPS estimulam a inflamação, então ocorre uma serie de eventos relacionados a fase exsudativa da A causa principal do abscesso é devido a hiperatividade do abcesso por causa de uma inflamação. A membrana bacteriana dessas bactérias possuem o LPS, que atraem grande quantidade de neutrófilos para a região que se encontram, por terem uma alta virulência, muito neutrófilos morrem e começam a formar o pus. PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio cicatrização. Com a inflamação, são atraídas para o local os neutrófilos, depois de 3 dias já começam aparecer macrófagos, estes produzem citosina que atraem os fibroblastos. Esse aglomerado (bactéria, necrose, exsudato, neutrófilos mortos) é chamado de microabscesso (microscópico). Essas bactérias tendem a invadir o tecido ao redor, formando vários microabscessos por ondem passam, com essa migração há formação de uma rede de tecido que envolve vários microabcessos, essa rede de tecido são as bridas. Nessa etapa a pele que estava com o aspecto normal começa a ter edemaciação discreta. Os fibroblastos produzem tecido fibroso ao redor das bordas dos microabscessos, formando uma cápsula, que engloba (encapsulamento) os restos celulares, bactérias e neutrófilos mortos, e o liquido inflamatório. Esse encapsulamento consegue evitar o avanço das bactérias, deixando a infecção concentrada numa região, porém as bactérias continuam a crescer, então ocorre uma expansão da cápsula devido o aumento de tecido inflamatório, células de defesa e exsudato. Conforme ocorre a expansão, pela a ação das toxinas citotóxicas e dos radicais livres, as bridas são degeneradas, e os microabscessos se unem. O próprio tecido do corpo animal produz proteases que vão digerir as bridas, para tentar formar uma cavidade única para facilitar o combate a infecção, com o acúmulo de liquido, devido essa digestão das bridas, ocorre a expansão do tecido morto. A maturação do abscesso ocorre quando forma uma cavidade única. A medida que digere o tecido a cápsula expande, com isso tem o adelgaçamento (fica mais fina), até que ela perfura, que é a fistulação (abcesso maduro). Para amadurecer o abscesso: compressa de agua quente 15 minutos por pelo menos 3 vezes ao dia, e passar um emoliente na pele para amolecer a pele, isso estimula a fistulação. Assim que fistular faz a drenagem. A partir do momento que inicia as compressas já é interessante fazer antibióticoterapia (evitar sepse). Ao redor da capsula existe vários vasos ingurgitados, sendo muito comum que as bactérias presentes na capsula consigam atingir esses vasos e causar uma sepse no animal. Sinais clínicos dos abscessos imaturo Abcesso imaturo: desde a invasão bacteriana ate a formação dos microabscessos. Enquanto existir uma grande quantidade de bridas, é um abscesso imaturo. - sinais cardiais da inflamação bem evidentes: dor, rubor, calor, tumor - febre ⤑ já tem chance da bactéria ter acometido a circulação sistêmica - distensão leve da pele - limites pouco preciso ⤑ pouco preciso, não sabe onde começa nem onde termina - leucocitose Sinais clínicos dos abscessos maduros - contorno mais definido ⤑ consegue ver aonde realmente esta o abscesso - pele delgada (flutuante) - sinais da inflamação menos evidentes ⤑ pode ser que nem tenha mais sinais - fistulação O tratamento cirúrgico é feito quando o abscesso tem esses sinais clínicos. Tratamento Antibióticoterapia ⤑ gentamicina, clindamicina, espiramicina (melhores para essas feridas sujas, infeccionadas) Neutrófilos produz muito radicais livres, essas bactérias resistem aos radicais, porem o próprio neutrófilo não sobrevivem. Eles morrem por esse exceto e decorrente do hipermetabolismo. PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio Estimulação da circulação com compressa de água quente ⤑ extrato de pimenta (capsaicina) Emolientes na pele Antiinflamatórios ⤑ ajuda a diminuir a dor Nota do Michel: capsaicina possui uma composição muito semelhante a lidocaína, existe estudos da capsaicina isolada como analgésico Assim que amadurecer faz a drenagem cirúrgica. Cuidados na drenagem: evitar contato do pus com a circulação sistêmica ⤑ abscesso muito profundos podem estar em contato com vasos importantes (ter cuidado na manipulação) Etapas para a drenagem - tricotomia - drena o pus até começar a sair sangue (já está próximo de vasos) ⤑ se espremer demais pode causar lesão da cápsula e levar uma sepse - assepsia é diferente, por ser uma ferida suja faz uma lavagem com solução de iodo diluído repetidamente ⤑ coloca a solução numa seringa, injeta no abscesso, e espreme, depois repete esse processo varias vezes. A lavagem é intralesional, dentro da cápsula. - incisão ampla ⤑ para facilitar a drenagem de todo o conteúdo, para evitar recidivas - coleta de material para cultura e antibiograma - lavagem capciosa com antisséptico ⤑ debridamento hidrodinâmico - pode deixar a ferida aberta para fechar por segunda intensão ou suturar a ferida (principalmente se tiver estrutura importantes próxima). Se fechar ferida é importante colocar um dreno por 5 a 7 dias Antibióticoterapia, analgésico e limpeza da ferida com antisséptico. A cicatrização ocorre “de dentro para fora”. Abscesso “Fênix” Também chamado de abscesso de raiz dentária ou abscesso infraorbitário. Acontece comumente no quarto pré-molar no caso de cães, mas pode ocorrer em qualquer outro dente. Pode ocorrer devido doença periodontal grave, fraturas de dente (principalmente próximo a raiz) Sinais clínicos de abscesso Tratamento: - Antibióticoterapia - exodontia - drenagem + lavagem Abscesso de Coto É uma complicação da OSH, geralmente devido a uso de fio inadequado (ex.: algodão). Ocorre infecção do coto com formação de pus,o abscesso formado pode se aderir a cavidade e fistular para a pele Tratamento: retirada do abscesso cirurgicamente. Pode ser confundido como uma ferida de pele, a fistula é tratada com clorexidine, pomadas cicatrizantes, esse “machucado” fecha, porém volta em dentro de um mês. Flegmão A infecção do flegmão não é encapsulada Causada por doenças que diminuem a função dos macrófagos. Esse tratamento é feito até a maturação do abscesso. Isso ocorre em no máximo uma semana após início do tratamento do abscesso imaturo PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio Exposição de tecidos moles Invasão bacteriana ⟼ Toxinas citotóxicas ⟼ Necrose tissular ⟼ Inflamação �� Neutrófilos Restos celulares ⟻ Migração (bridas) ⟻ Microabscesso ⟻ Macrófagos Bactérias e leucócitos mortos Fibroblastos Líquido inflamatório � Expansão pelo tecido ⟼ Edema difuso no local ⟼ Necrose de tecidos adjacentes (exotoxinas) � � Sepse Úlcera extensa ������ � Morte Normalmente acontecem em animais que possuem problemas na imunidade, por exemplo, um animal com diabetes. Eles possuem uma hiperglicemia, que causa vários problemas no organismo, dentre eles os problemas imunológicos, pois a grande quantidade de glicose interfere na produção dos macrófagos. Na cicatrização os macrófagos são importantes para o debridamento celular, na fagocitose de bactérias e principalmente para chamar fibroblastos. Os fibroblastos são importantes para a cicatrização da ferida, já que são eles que produzem as fibras colágenas. No abscesso quando há uma infecção os fibroblastos formam a cápsula para conter, no flegmão isso não acontece, então os microabscessos se espalham, pois não tem a cápsula. No abscesso e no flegmão vão ocorrer devido uma invasão bacteriana que produzem toxina citotóxicas e geram uma necrose tissular. Com isso, ocorre um processo de inflamação que chama os neutrófilos, macrófagos e fibroblastos. Nesse ponto ocorre a diferenciação de abscesso e flegmão. Os macrófagos estão com a função prejudicada, não conseguindo chamar para o local um número suficiente de fibroblastos. Ocorre a formação dos microabcessos e das bridas, mas não a o encapsulamento, então essas bridas, formadas por restos celulares, bactérias e leucócitos mortos e liquido inflamatório vão se espalhando. Então ocorre a expansão pelo tecido, que causa uma inflamação, sendo o edema difuso no local o principal sinal. Com a produção de toxinas por estas bactérias que estão progredindo nesse tecido vai ocorrer necrose em todo tecido, e consequentemente a pele tem uma necrose gangrenosa. Essa área de necrose tem tendência a cair, quando isso ocorre há formação de uma extensa área de úlcera, com isso, estruturas profundas ficam expostos. Essa infecção pode estar perto de um vaso, então tem uma grande possibilidade dessa infecção chegar no vaso sanguíneo e causar sepse e morte. Sinais clínicos Mesmos sinais clínicos relacionados a abscesso imaturo - sinais cardeais da inflamação: edema, rubor, calor, dor e perda de função - edema difuso ⤑ aumento de volume generalizado na pele, com sinal de godet positivo Tratamento Antibióticoterapia ⤑ gentamicina, clindamicina e espiramicina Tricotomia ampla do local ⤑ regra para qualquer tipo de ferida, auxilia a detectar a área do flegmão Estimulantes da circulação/perfusão com compressas quentes ⤑ faz quando o flegmão ainda não tenha se desenvolvido por completo, isso é feito para estimular a digestão das bridas e amadurecer a infecção. Emolientes ⤑ como a pele vai cair, é bom amolece-la para cair mais rápido ABSCESSO ≠ FLEGMÃO A diferença básica entre eles é que, o abscesso possui a cápsula, já o flegmão não, os microabscesso ficam espalhados na região da infecção. PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio Suporte para sistema imune ⤑ tratar a doença concomitante Desbridamento cirúrgico ⤑ não esperar a pele necrosada cair sozinha CASO CLÍNICO Cão, macho, SRD, tem acesso à rua, e apresenta lesão com secreção no pescoço, uma semana após brigar na rua. Quando foi feito a tricotomia de toda área identificou uma área de necrose gangrenosa. - remover todo o tecido necrosado (desbridamento) - fazer uma lavagem copiosa da região para diminuir a carga bacteriana - não fechar a ferida - faz um curativo oclusivo do local ⤑ pomada, gaze e esparadrapo microporoso. Estimular a epitelização com vitamina A e emolientes. - pode ser feito um flap para fechar a ferida, quando não tiver mais infecção (quando tiver a formação de tecido de granulação) OU deixar fechar por segunda intensão. Úlcera Eliminação do tecido epitelial, expondo o tecido conjuntivo. Pode causar distúrbio eletrolítico, pois ocorre perda de água pela ulcera. PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio Hérnia Protrusão de um órgão de sua cavidade de origem, através de um defeito na parede de separação. Membrana de separação Para entender melhor: Um órgão qualquer esta sua cavidade natural, e próximo de sua cavidade natural existe outro espaço corporal, do lado. Esses dois espaços são separados por uma membrana de separação. A hérnia vai ocorrer quando acontece um defeito nessa membrana de separação, e por uma diferença de pressão que a entre essas cavidades, o órgão tende a passar por esse defeito. Hérnia abdominal A hérnia pode ser dividida em três partes: - anel: onde ocorre o defeito da membrana - tem tamanho variável - se hérnia crônica (de alguns anos), a tendência é que ocorra um espessamento na parede do anel e este diminua de tamanho ⤑ isso causa uma compreensão das vísceras, pois elas continuam fora de sua cavidade - conteúdo: vísceras - órgãos que herniam - mais importante estrutura - sua integridade determina o prognóstico - saco: peritônio - envolve o conteúdo - casos de traumatismo recente pode estar ausente, porque o peritônio vai romper - contração tecidual tende a causa estrangulamento do conteúdo - se trauma antigo, no lugar peritônio pode se tecido fibroso O anel é onde ocorre o defeito da membrana, esse defeito pode ser causado por diversas doenças, quando ocorre então esse defeito na musculatura, tendência é que esse órgão saia, pois a cavidade abdominal tem uma pressão positiva, toda vez que o animal contrai a musculatura abdominal ocorre uma pressão sobre as vísceras, essa pressão empurra as vísceras sobre o defeito. O peritônio também sai formando o saco. Na maioria das vezes a pele reveste o saco. Pele Peritônio Vísceras Cavidade Natural Outro espaço corporal Órgão Pressão positiva Pressão negativa PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio As hérnias podem ser congênitas ou adquiridas. Nas adquiridas, um trauma rombo pode causar uma hérnia, ocorre uma eventração devido a ruptura das fibras musculares, outra causa pode ser a ruptura de pontos da musculatura (cirúrgico), porem não tem a da pele, causa então uma eventração (se pele, eviceração), e o mais comum é a degeneração da musculatura. As causas mais comum são a degeneração da musculatura e as congênitas (hérnia umbilical). A hérnia pode ser: - redutível ⤑ o conteúdo é facilmente devolvido para a cavidade manualmente. O anel herniário é grande em relação ao conteúdo. - irredutível, podem ser encarcerada ou estrangulada - encarcerada ⤑ presença de aderência entre o saco e a pele, e entre o conteúdo e o saco herniário, ocorre devido uma inflamação que pode ocorre na região. Nãoconsegue voltar o conteúdo para a cavidade manualmente, e pode ocorrer obstrução. - estrangulada ⤑ anel ainda menor em relação a encarcerado, ocorre isquemia do tecido devido a obstrução dos vasos. Animal apresenta uma dor aguda, sintoma do abdômen agudo. Sinais clínicos Tumefação ⤑ aumento de volume Palpação do anel herniário, ao exame físico nas redutíveis será fácil e indolor, já nas irredutíveis, o anel é pequeno, pode ter inflamação e dor. Em casos de hérnias traumáticas, pode não possuir o saco herniário, devido ao trauma pode ter uma hemorragia associada. Ocorre também sinais de abdômen aguda, devido ao trauma em si (a hérnia não necessariamente será estrangulada). Nas hérnias diafragmática não tem aumento de volume. O conteúdo herniado comprime o pulmão, então animal apresenta taquipneia. Dispneia ocorre quando há um grande conteúdo herniado. A hérnia diafragmática pode ser recente ou tardia. Aqueles que apresenta a recente possui uma recuperação mais fácil. Na hérnia tardia pode demorar ate anos para o sintoma acontecer, ocorre quando animal passa por um trauma, mas não foi detectado a hérnia naquele momento pois o defeito na musculatura é muito pequeno e evolui gradativamente (as vísceras saem gradativamente), com o tempo. Esse tipo é mais difícil de tratar, pois pode formar aderência no pulmão, pericárdio, veia cava e outras estruturas. Tratamento Herniorrafia ⤑ depende de como esta a configuração da hérnia. - retornar conteúdo viável para cavidade natural ⤑ hérnia encarcerado pode ter área de necrose, nesses casos deve tirar o tecido necrosado - eliminar anel herniário para evitar recidivas ⤑ fazer escarificacão das bordas além da sutura PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio - eliminar tecido excessivo no saco ⤑ não é interessante excesso de peritônio na cavidade, pois pode gerar tecido fibroso, causar aderência e dor. - priorizar utilização de tecido do próprio paciente ⤑ se o anel herniário for muito grande as vezes não é possível aproximar as duas vezes, então usa-se algum outro material para o fechamento. Uma das opções é o uso da tela de marlex (composto sintético, usado para reparação de hérnia), ela é fixa, se retirar pode causar recidivas, essa tela pode causar rejeição, inflamação, traumas, infecção (se não for devidamente esterilizado pode causar uma infecção ate depois de um ano da cirurgia), por essas razoes é mais indicado priorizar tecido do próprio paciente, pode ser feito por exemplo flaps de musculatura, usar cartilagem auricular. Hérnia umbilical Deficiência da musculatura abdominal na entrada do cordão umbilical ⤑ esse defeito será na região onde estava o cordão umbilical. Pode ser: - congênita (hereditariedade) - adquirida ⤑ é quando o corte do cordão foi mal feito, ou cortou curto ou tracionou ele demais. Sinais clínicos Aumento de volume na região do umbigo Redutível: flutuantes à palpação - Redutível pequena ⤑ não sente as vísceras, mas tem conteúdo (omento, tecido adiposo) - Redutível grande ⤑ sente as vísceras Irredutível: rígidas - Irredutível pequena ⤑ presença somente de gordura - Irredutível grande ⤑ vísceras encarceradas, sinais de obstrução dos órgãos próximos aquela região (gastrointestinal – intestino ou baço) Tratamento Hérnias pequenas ⤑ não é necessário intervenção cirúrgica - cães e gatos: conteúdo falciforme - bovino, suíno e equino: resolução espontânea Hérnias grandes ⤑ necessita de herniorrafia - vísceras encarceradas no caso da irredutível - mais susceptíveis a trauma nos dois casos (redutível e irredutível) - grandes animais: ruptura por peso excessivo Hérnia inguinal Defeito no anel inguinal ⤑ causada por um defeito na musculatura local, devido a uma enfermidade ocorre atrofia dessa musculatura, com isso, a constrição dos próprios músculos causam a passagem dos órgãos. Na maioria das vezes é uma hérnia irredutível. Mais comum em fêmeas idosas não castradas Sinais clínicos Tumefação PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio Geralmente dolorosa ⤑ por que é irredutível, causa no mínimo compressão leve das vísceras. As vísceras sentem dor diante três estímulos: distenção, inflamação e isquemia. Sinais de obstrução: gastrointestinal, bexiga ou útero gravídico - gastrintestinal: constipação, anorexia, fezes diminuídas ou ausentes - bexiga: oliguria ou anuria (se parcial estranguria), hipercalemia (diminui o limiar de contração do miorcardio ⤑ arritmia) - útero gravídico: inviável, deve ser feito a retirada para preservar vida da mae, se feto morto tem risco de infecção devido a decomposição. Chances vivos tem poucas chances de sobreviver, pois a anestesia pode causar depressão fetal. O útero também pode herniar no caso de útero com piometra. Diagnóstico Ultrassom ⤑ único que permite diferenciar tumor e abscesso de hérnia inguinal Tratamento Herniorragia inguinal ⤑ incisão na linha sagital mediana, entre a glândula mamaria e a perna do animal Se bexiga encarcerada ⤑ URGÊNCIA! Uremia pós renal mais hipercalemia (animal pode ter morte súbita, pois o cálcio causa arritmia). Se bexiga tiver necrose ⤑ cistotomia parcial ou total, ou anastomose ureter-colônia (sutura do ureter no colon) ou ureterostomia Se útero encarcerado ⤑ fazer OSH. Também previne uma recidiva, pois o aumento de estrógeno pode causar uma recidiva, já que é um dos fatores que causam a atrofia da musculatura. Obs.: A hérnia inguinal não tem chance de resolução espontânea. Pós-operatório Devido a remoção de muitas aderências, tem muita inflamação e sangramento capilar em excesso, com isso a formação de hematoma e/ou seroma ⤑ importante fazer hidroterapia com compressa fria para prevenir a formação de hematoma e seroma. A compressa fria os vasos reduzem de tamanho (vasoconstrição) e com isso previne a formação desses dois fatores. Avaliar necessidade de antibióticoterapia ⤑ depende da classificação da ferida (houve incisão de vísceras? Teve extravasamento de conteúdo para cavidade? Maceração?) Analgesia ⤑ de acordo com o grau da dor. Dor leve – redutíveis (pouco comum em hérnias inguinais), dor moderada – encarcerada e dor intenso – estrangulada Antiinflamtório Hérnia perineal Frequente em cães machos, idosos e inteiros. Raro em cadelas, felinos, bovinos e equinos. Ocorre devido uma atrofia (como todas as demais hérnias) no diafragma pélvico. Para tratar edema, o seroma, usa-se a compressa quente, pois permite a vasodilatação dos vasos linfáticos, que drenam o líquido intersticial. Massagem também estimula a drenagem e além disso tem os exercícios. PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio Tempo Próstata Relaxina Patogenia Fraqueza das fáscias do diafragma pélvico Fissuras naturais: permite passagem do nervo pudendo ⤑ por onde começa a hérnia Gordura retroperitoneal pressiona e atravessa diafragma pélvico. Motivo para não cortar cauda do animal ⤑ o corte da cauda pode causar uma flacidez dessa musculatura, se cortar de forma errada Animais não castrados desenvolvem hiperplasia prostática benigna, devido a elevada concentração de testosterona. Essa elevação de testosterona constante tende a desenvolver com o tempo a hiperplasia prostática benigna (ou hiperplasia prostática cística), que é o aumento de volume da próstata que pode formar cavidades com líquido dentro. Os cistos prostáticos produzem uma substância chamada de relaxina, e esta causa atrofia muscular. Não castrados ⟼ Testosterona Hiperplasia prostática benigna (cística Atrofia ⟻ Diafragma pélvico ⟻ � Hérnia Perineal É indicado castrar o animal para evitarrecidivas. Sinais clínicos Sinais de herniação entre anus e ísquio Conteúdo mais incidente da hérnia ⤑ gordura retroperitoneal Próstata aumentada na maioria das vezes Bexiga herniada Desvio ou dilatação retal Tratamento Preparação do paciente ⤑ não é uma cirurgia emergencial, é interessante fazer esse preparo do animal por que envolve estruturas que podem causar infecção - exame retal ⤑ fecalomas ou divertículo (o diventiculo é mole, tende a causa o fecaloma, este é duro) - cateterização ⤑ bexiga herniada - ultrassonografia ou radiografia - enema (12 horas antes) Cirurgia Herniorrafia + castração, avaliar necessidade de: - colopexia - cistopexia Complicações pós-operatorias Infecção da ferida Incontinência fecal Diafragma pélvico impede que as vísceras extravasem para for a da cavidade, e extremamente importante, pois nessa região não tem parte óssea. É formado por 3 musculaturas. Quando atrofiam diminuem a sua espessura e permite passagem das vísceras. PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio Tenesmo Prolapso retal Dificuldade em urinar (sutura da uretra) Paralisia do ciático Recidiva - pode ser de ate 50% (12 a 24 meses) ⤑ fazer acompanhamento do animal - castração: diminui risco de recidivas em ate 2,7 vezes PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio Oncologia Processo de formação da neoplasia (carcinogênese/oncologênese) O processo de carcinogênese, em geral, se da lentamente, podendo levar vários anos para que uma célula cancerosa prolifere e de origem a um tumor visível. Esse processo passa por vários estágios antes de chegar ao tumor. São eles: 1. Iniciação 2. Promoção 3. Progressão Iniciação A iniciação é o primeiro estágio da carcinogênese. Nele as células sofrem o efeito dos agentes cancerígenos ou carcinógenos que provocam modificações em alguns de seus genes. Nesta fase as células se encontram, geneticamente alteradas, porém ainda não é possível se detectar um tumor clinicamente. Encontram-se iniciadas para a ação de um grupo de agentes que atuará no próximo estágio. Protooncogenese ⤑ gene natural do organismo animal, quando alterado se torna oncogene Ex.: tumor de mama Possui inúmeros genes, um exemplo é o gene da produção de leite, obtenção de energia, proteína de membrana, indução da apoptose e do controle do crescimento celular. Se houver alteração no gene da produção de leite pode ter a formação de uma proteína não pertencente ao leite. No caso, de uma alteração no gene do controle de crescimento celular, pode ocorrer um distúrbio exagerado no local da alteração e formar um tumor, esse gene é considerado protooncogene, pois quando alterado tem a tendência de formar uma neoplasia. Agentes que podem ser um iniciador a neoplasia: - radiação ionizante - hormônios - hereditariedade - compostos químicos Promoção Nessa fase as células estão geneticamente alteradas, ou seja, iniciadas, sofrem o efeito dos agentes cancerígenos classificados como oncopromotores. A célula iniciada é transformada em neoplasia, de forma lenta e gradual. Para que ocorra essa transformação é necessário um longo e continuado contato com o agente cancerígeno promotor. A suspensão do contato com agentes promotores muito das vezes interrompe o processo nesse estagio. Alguns componentes da alimentação e a exposição excessiva e prolongada a hormônios são exemplos de fatores que promovem a transformação de células iniciadas em malignas. A célula iniciada sofre ação de um agente promotor (ex.: fumaça do cigarro), que promove replicação celular ao longo do tempo. Isso faz que uma célula iniciada formem grupos de células iniciadas. (fumo é um agente promotor completo, pois atuam nos três estágios) PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio Tempo Agente promotor Tempo Tempo Agente promotor Célula Neoplasia? Saudável Não! Iniciada Não! Iniciada Sim! Progressão Se caracteriza pela multiplicação descontrolada e irreversível das células alteradas. Nesse estágio o câncer já esta instalado, evoluindo até o surgimento das primeiras manifestações clínicas da doença. Formação de tecido organizado Deleção de cromossomo (mutação) à diferenciação celular Indiferenciação celular (teratomas) A célula iniciada tem a capacidade de invasividade tumoral, a partir que replicam podem causar a morte de células saudáveis. A neoplasia é classificada como maligno de acordo com o grau de invasividade tumoral. Característica Benigno Maligno Crescimento Lento Rápido Formato Regular e encapsulado Limite pouco definido, cacho de uva/couve-flor Ulceração/fistulação Raro Frequente Aderências Raro Frequente Dor Ausente ou leve Presente Inflamação Ausente Ausente ou presente Vascularização Normal Neoangiogênese e/ou crescimento próximo de vasos Metástase Ausente/raro Frequente Sistema de Estadiamento Tumoral (T.N.M) Determina o prognóstico T à tumor primário T0: sem evidência de tumor T1: tumor restrito ao local primário T2: tumor restrito ao local primário, porém rompido PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio N à linfonodos N0: sem evidência de envolvimento de linfonodo N1: envolvimento de linfonodo regional N2: envolvimento de linfonodo distante M à metástase M0: sem evidencia de doença metastática M1: metástase na mesma cavidade corporal do tumor primário M2: metástase distante Estágio 1 à T0 ou T1, N0, M0 2 à T1 ou T2, N0 ou N1, M1 3 à T2 ou T3, N1 ou N2, M2 Metástase Supondo que o animal tem um tumor na cauda, essa região é drenada pelos linfonodos poplíteo e inguinal, que carreia as células neoplásicas (drenadas por estes linfonodos) pelo sistema linfático ate o ducto torácico, que desemboca na v. cava, que leva a neoplasia ate o pulmão. Tumor à Drenagem linfática à Linfonodo regional à Ducto torácico à Veia Cava Cranial à à Coração direito à Artéria pulmonar à Coração esquerdo à A. Aorta à Corpo Tratamento Prognóstico (TNM) + histopatológico à OBJETIVO DO TRATAMENTO - Cura - Prolongamento do tempo de vida - Proporcionar qualidade de vida O tratamento vai depender do prognostico e do exame histopatológico, com isso define o objetivo e a forma de tratar. Histopatológico - Carcinoma espinocelular à risco de recidiva local alta, metástase regional possível, metástase longe raro. Indica-se remoção cirúrgica com margem ampla. - Hemangiossarcoma à na maioria dos casos o tumor geralmente inicia-se no átrio direito. Remoção cirúrgica + quimio/radioterapia. - Neoplasias mamarias malignas à indicado a mastectomia + quimio/radioterapia � é importante determinar qual o linfonodo drena a cadeia mamaria com a neoplasia. A técnica deve considerar a retirada da mama sem que ocorra drenagens de possíveis metástases para linfonodos. Sempre evitar fazer a técnica regional unilateral, melhor retirar total unilateral, para ter uma boa margem de segurança. É indicado a remoção dos linfonodos regionais (inguinal ou axilar). Mastectomia é dividido em graus, nesse caso o histopatológico é mais importante que o TNM para o tratamento à remoção cirúrgica mais quimioterapia. PATOLOGIA CIRURGICA Rafaela Custodio Tumores não removíveis T.V.T à transmitido por contato, possui baixa evidencia de metástase (porém pode ocorrer). É realizado tratamento químico – vincristina na dose 0,025 mg/kg, 1vez na semana, por 4 semanas. Adenoma hepatóide à neoplasia benigna que ocorre em cãesmachos. Formação de vários nódulos na região perineal, que são mediados por testosterona. Essa neoplasia pode evoluir para maligna. Tratamento: Benigna – orquiectomia Maligna – remoção cirúrgica + orquiectomia Carcinoma mamário inflamatório à possui formato de placas, tem crescimento e formação de metástases rápido, sinais inflamatórios marcantes. Nesses casos, a mastectomia não é indicada pois o tumor tende a volta mais agressivo. Tratamento: quimioterapia ou eutanásia (pode ser pensado quando o animal apresenta sinais da síndrome paraneoplásica). Síndrome paraneoplásica: esta relacionado a desgranulação dos mastócitos. Os mastócitos liberam substancias que podem causar alterações: - histamina: sinais alérgicos (prurido), sinais gastrointestinais (vômito, diarreia) à pode administrar antihistamínico - histidina: proporciona vasodilatação, com isso, ocorre queda da pressão arterial media (PAM) - proteases: causa dificuldade de formação do colágeno, dificultando a cicatrização. Animal apresenta: anemia Caquexia Apatia Trombocitopenia Alterações no leucograma (principalmente linfopenia)