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UNIVERSIDADE FEDERAL DA GRANDE DOURADOS CURSO DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS TEORIA DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS I – Prof.º Bruno Boti ACADÊMICO (A): Emily Rafany RESUMO PARA A P1 REALISMO Surgimento das RI e narrativa dos debates As Relações Internacionais surgem e começam a se formar enquanto disciplina científica no início do século XX, inicialmente com preocupação de teorizar sobre a sociedade internacional e, sobretudo, sobre o fenômeno da guerra. A narrativa dominante dentro do campo estabelece a ocorrência de grandes debates teóricos e de vencedores. Se conta a história do campo através de uma série de batalhas entre teorias das quais saíram perdedores e vencedores. O primeiro debate é idealismo versus realismo no contexto do período entre guerras, sobretudo década de 1930. Esse debate é entre crença wilsoniana baseada na moral e na ordem jurídico-normativa, por um lado, e pensamento calcado na política (e balança) de poder (realpolitik), por outro. Esse debate é ontológico: enquanto um estuda como mudar o mundo para torná-lo mais pacífico o outro estudava os meios à disposição dos Estados para que pudessem garantir sua sobrevivência. E assim o realismo sai da 2ª. G.M. como grande vencedor (Morgenthau, 1948). Houve uma preocupação normativa de estudar o fenômeno da guerra e suas causas para evitar repetição. Edward Carr, 1939 (Vinte Anos de Crise) com essa preocupação normativa levou liberais a pensar em termos do dever ser em vez de como o mundo realmente funcionava (caracterização de utópicos/idealistas). Ele os caracterizava como sem instrumentos analíticos para perceber 2ª. G.M. Os realistas estavam sintonizados com as dimensões do poder e dos interesses. O Segundo debate (década de 1960) já é um debate metodológico entre tradicionalistas (compreensão mais histórica e filosófica, com aproximações com o direito) e cientificistas (behavioristas que buscavam se aproximar dos padrões científicos das ciências naturais – obsessão com mensuração, análises matemáticas e estatísticas). O 2º. Debate não é mais sobre o que estudar, mas como estudá-lo. Realistas científicos defendiam maior rigor científico e maior influência dos métodos das ciências exatas. Crítica à falta de rigor e metodologia subjetiva do realismo clássico. Isso se deve em grande medida à Guerra Fria: tomadores de decisão precisavam de maior grau de previsibilidade. O Terceiro debate é um debate interparadigmático entre realistas, liberais e marxistas. No Final dos anos 60/anos 70 houve desafios ao realismo e questionamento de suas premissas como a descolonização (temas que não político-militares) e novos atores não estatais (empresas multinacionais, Organizações Internacionais etc). Nesse debate há Críticas à separação doméstico/internacional, high/low politics (alta e baixa política) e à ênfase exagerada na questão da guerra em detrimento da cooperação e interdependência (temas econômicos, financeiros). Nessa fase acontece a 1ª. Onda do Transnacionalismo (71/72) e Teoria da Interdependência Complexa (77). Há então uma relativização do Estado como ator principal. O Quarto debate acontece a partir de finais dos anos de 1980. Correntes desse debate são: Construtivismo, feminismo, teoria crítica, pós-coloniais e pós-modernos (pós-positivistas) Mesmo com o surgimento de novas correntes o realismo e liberalismo continuam dominantes e com grande influência dentro das RI, porém posição relativa declinou. Boa parte dos avanços em originalidade e sofisticação das últimas décadas vieram de construtivistas e pós-positivistas. O que é teoria? Construção intelectual que nos ajuda a selecionar fatos e interpretá-los de modo a facilitar compreensão, explicação ou até predição/previsão de fenômenos. Os fatos e a realidade não falam por si sós. Para que possamos compreendê-los precisamos analisá- los obrigatoriamente a partir de um marco teórico. Desse modo é como uma lente com a qual passamos a atribuir sentidos e significados à realidade. A teoria nos ajuda a ver ordem e coerência em um universo infinito de fatos e dados que, por si sós, não têm sentido algum. Os Paradigmas teóricos oferecem uma imagem do mundo e constituem guias explicativos sobre a realidade e para a pesquisa. A teoria é necessária e inescapável: é ela que nos diz em que devemos focar e o que devemos ignorar ao tentar atribuir sentido ao mundo que nos rodeia. Sem a teoria seríamos vítimas da avalanche de fatos Teorias não se tratam de uma suposta verdade absoluta, mas de sistemas conceituais que tornam inteligível a realidade, permitindo a construção de interpretações e explicações. As Relações internacionais não dispõem de um único paradigma, ou seja, de um único quadro explicativo geral. Há vários paradigmas, com premissas (pressupostos), explicações e métodos diferentes. Essa pluralidade é característica das Ciências Sociais. O Pluralismo teórico é positivo. Quadros conceituais alternativos incentivam novas explicações e interpretações, a depender dos temas e objetos de pesquisa específicos, alimentando novas linhas de investigação e maneiras produtivas de pensar. Finalidade das teorias em RI: “Formular métodos e conteúdos que permitam compreender a natureza e o funcionamento do sistema internacional”. E ainda: “explicar os fenômenos mais importantes da política mundial” Questões levantas ao longo dos debates teóricos analisados no curso: Ontologia: “do que é feito o mundo?” Epistemologia: “o que é o conhecimento? É possível alcançá-lo? qual a classe/tipo de conhecimento?” Método/Metodologia: “quais procedimentos/ferramentas de análise serão utilizados para a construção do conhecimento?” Há três grandes correntes/ Abordagens: Realista (estadocêntrica), Liberal (pluralista ou globalista) E marxista (globalista, radical ou estruturalista). Realismo É uma Filosofia política centrada em Maquiavel e Thomas Hobbes. Buscam estudar O mundo como ele é. Há um Pessimismo em relação à natureza humana a considerando Má. Acham que Só o poder pode opor-se ao poder (sem lugar para moral, ética, normas e Direito. Principais autores: E. Carr – “Vinte anos de crise 1919-1939”, Hans Morgenthau – “Política entre as Nações” , K. Waltz – “ Teoria da Política Internacional” e Mearsheimer – “Tragédia da Política das Grandes Potências” Entre suas premissas centrais está o Estado como ator central das RI (unitário e racional), com o objetivo de manter sobrevivência (acumulação de poder é o mecanismo para tanto) em meio à ANARQUIA internacional. Modelo da bola de bilhar: Estados unitários impenetráveis e homogêneos (país enfrenta mundo exterior como unidade integrada e governo fala com uma única voz – diferenças internas não importam) em choque constante: não há normas ou regras pré-estabelecidas limitando a movimentação das bolas na mesa. Há Duas possibilidades de ação: Individual (auto-ajuda) e alianças (equilíbrio/balança de poder). Os Estados tem a função de manter a estabilidade interna e a SEGURANÇA em relação às agressões externas. Nesse aMeio-ambiente hostil com ameaças constantes há uma preocupação constante com a sobrevivência. Estado (weberiano): monopólio do uso legítimo da força, com fronteiras e população definidos. ESTADO como ator unitário e racional que atua em defesa do interesse nacional (permanência/preservação do Estado como ator internacional). Há uma Divisão rígida entre âmbito interno e externo dos Estados: não importa a política interna. Metáfora do Estado como caixa-preta. Hierarquia de agendas: Há a ALTA/High Política (questões militares, poder em prol da segurança) e a Baixa/Low Política (economia, meio-ambiente e etc). O Poderpara o realismo são capacidades materiais tangíveis: Geografia, tecnologia, exército, recursos naturais, economia, população. Anarquia Internacional: Ausência de autoridade legítima no plano internacional. Há a Coexistência de múltiplos poderes soberanos em um “estado de natureza”: RI como estado de guerra de todos contra todos. A SEGURANÇA é como bem de soma ZERO (GANHOS RELATIVOS): um Estado só pode se sentir seguro em detrimento/prejuízo dos outros (que se sentirão inseguros). Balança ou Equilíbrio de Poder (por medo e insegurança perante outros Estados) – Dilema da Segurança: medo Estado se prepara gera insegurança nos outros espiral de desconfiança e corrida armamentista. A Balança bem feita gera Estabilidade do Sistema Internacional. O SI pode ser Bipolar ou Multipolar, a unipolaridade é uma anomalia. 1) Visão pessimista da natureza humana: o desejo de tirar vantagem sobre os outros e de evitar ser dominado é universal. Ser humano quer estar no comando e não ser explorado 2) Relações Internacionais são conflituosas e esses conflitos são resolvidos por meio da guerra 3) Importância da segurança nacional e da sobrevivência do Estado 4) Anarquia internacional: falta de uma autoridade legítima e soberana no âmbito internacional que garanta a sobrevivência. Resultado é medo permanente e possibilidade eterna de conflito. 5) Pouco apreço pelos valores morais, ética e justiça 6) Impossibilidade de progresso: teoria válida para todas as épocas: fatos básicos da política internacional nunca mudam (Guerra do Peloponeso ocorreu 400 anos antes de Cristo, mas a dinâmica continua a mesma desde então) RI como reino da política de poder (realpolitik): uma arena de rivalidades, conflitos e guerras entre os Estados, envolvendo a luta e o desejo pelo poder. Essa luta e desejo pelo poder produzem um efeito colateral: medo de não sobreviver. Desigualdade de poder é inevitável e natural: nem todos terão as mesmas capacidades de dominar os outros e de se defender. Para garantir a sobrevivência, todos os Estados devem aceitar essa realidade de desigualdade e agir de maneira condizente. Há limites e constrangimentos à liberdade de ação dos Estados. O Tomador de decisões deve refletir com cuidado sobre o poder acumulado do seu Estado em comparação aos demais. O que está em jogo é a sobrevivência em um mundo extremamente perigoso e desigual. Não há espaço para moralidade e ética que pautam a vida privada das pessoas. O Comportamento estatal explicado pela natureza humana negativa e imutável. Apetites humanos egoístas por mais poder explicam a sucessão interminável de guerras: quadro incontornável. TUCÍDIDES Guerra do Peloponeso – Diálogo entre Melos e Atenas Expedição militar de Atenas contra a ilha de Melos durante a guerra do Peloponeso (Grécia antiga). Os Mélios eram colonos de Esparta até então neutros: recusavam-se a obedecer e a se aliar. Atenas queria que eles se rendessem: dimensão da força presente. Antes de usar a força, Atenas envia emissários levando propostas. Mélios: se não cedermos, haverá guerra, mas se nos deixarmos convencer, haverá servidão dimensão do poder Atenienses: pensem na sua própria salvação questão da sobrevivência Atenas: os fortes exercem o poder e os fracos se submetem Deixem de lado o direito, a justiça e a moral: na política, prevalecem os interesses e a correlação de poder Ética da responsabilidade: na política internacional, a sobrevivência está em jogo. Saber avaliar o que é possível, dadas as circunstâncias, e não se pautar por ética da convicção (vale só para indivíduos). Política é a arte do possível (Bismarck) e não tem nada a ver com justiça, certo/errado e princípios Atenas: é vantajoso que vocês se rendam Não sofrerão perdas e a dominação de Mélos aumentará o império e a segurança de Atenas Segurança e liberdade dependem da demonstração de força: os outros não atacam por medo (e não por suposta amizade ou porque seja errado atacar) Atenas: Rendição não é covardia Vocês têm que priorizar salvação e nós somos muito mais fortes. Não se preocupem com demonstrações de coragem e nem confiem na sorte, pois isso sairá caro Mélios: crença no favor divino, na justeza do seu povo e no socorro de Esparta Atenas: os homens mandam sempre que podem. É um impulso da natureza humana, uma lei eterna. Vocês agiriam como nós se tivessem a nossa força Guiar-se pelo interesse próprio é o caminho para garantir a segurança e não apelos à justiça, honra e moral No combate, é a superioridade de forças que faz a diferença e não quem está supostamente certo ou errado. Esparta sabe da sua desvantagem militar e não socorrerá Melos. Atenas: não tenham medo da humilhação Humilhação maior é escolher a guerra e a destruição inevitável Conselho: enfrente seus iguais, comporte-se em consideração aos mais fortes e trate os mais fracos com moderação Mélios decidiram se ater aos princípios Confiando na sorte, no favor divino e na ajuda de Esparta, recusaram a capitulação perante Atenas Atenas: vocês perderão tudo por serem irrealistas! Atenas atacou a ilha: mataram todos os mélios em idade militar e reduziram mulheres e crianças à escravidão Realismo Ideias centrais do diálogo meliano: sobrevivência, poder, força, medo, auto-interesse, visão negativa da natureza humana, prudência (e nunca justiça e moral) A luta e o desejo pelo poder são centrais na política internacional Tucídides: considerado o primeiro a tratar de um tema central para as RI: a guerra Melos não entendeu que era fraco MORGERTHAU Morgenthau (1904-1980), Refugiado judeu de origem alemã que foge dos horrores do nazismo e se estabelece nos Estados Unidos: condição de sobrevivente (visão trágica da história). Foi um Filósofo e jurista de formação e ainda um Personagem central para a institucionalização da disciplina de RI nas universidades americanas durante a Guerra Fria. Contribuiu para pensar, de maneira prescritiva, a hegemonia dos Estados Unidos no mundo contemporâneo. Ele Escreve primeiro tratado de teoria de Relações Internacionais – Política entre as Nações. O Livro atacava o consenso pacifista e a visão utópica de uma nova ordem mundial calcada na aliança entre Estados Unidos e União Soviética que havia prevalecido contra o nazi-fascismo. Procura Preparar formuladores de decisão e opinião pública para a Guerra Fria. Com o de Objetivo de apresentar teoria sobre política internacional. Teoria que seja empírica e pragmática e permita enxergar ordem e sentido perante os fenômenos observados. Entender a política internacional como ela é, de acordo com a sua natureza intrínseca, e não como as pessoas gostariam que ela fosse. Pensamento político sobre a natureza do homem, da sociedade e da política: 2 grandes escolas, segundo Morgenthau: Retidão da natureza humana permite alcançar ordem política racional e moral – crença no potencial positivo da razão do homem e na sua capacidade de progresso. Se não existe ainda essa ordem é por falta de conhecimento, caráter obsoleto das instituições sociais e depravação de certos indivíduos e grupos. Em vez de tentar reformar o mundo na direção de um ideal normativo (dever ser), melhor trabalhar com as forças inerentes à natureza humana. O mundo é formado por interesses contrários e opostos em choque e em conflito. Assim Não é possível a aplicação de princípios morais universais. No máximo, o que pode haver é um equilíbrio de interesses. Ele tem um duplo objetivo: tentar criar uma ciência que entendesse de maneira racional a ação do Estado no sistema internacional e prescrever padrões de comportamento a serem seguidos pelos Estados nas suas interaçõesexternas. (modelo importado das ciências naturais) Preocupação teórica com a natureza humana tal como ela se apresenta e com os processos históricos Apresenta seis princípios do realismo político: 1) Primeiro princípio: a política internacional é governada e explicada por leis objetivas (como a lei da gravidade), que têm suas raízes na natureza/essência humana. Lei no sentido científico (e não jurídico), ou seja, relação constante entre fenômenos da natureza. Há uma lei quando se observa uma regularidade, um padrão frente a um amplo conjunto de fatos. A lei vem da observação sistemática sempre regular e persistente de um fenômeno e daí se estabelece uma relação de causa e efeito que permite fazer previsões do tipo: presente X (natureza humana negativa), espera-se Y (conflito e luta pelo poder). Natureza humana leva indivíduos e Estados a se comportarem da mesma forma padronizada e regular (assim como os corpos se atraem). Essas leis são verdades que existem no mundo lá fora e uma boa teoria é aquela capaz de descobrir e acessar essas verdades sobre o mundo. Existem leis que regem a política assim como há leis que explicam a regularidade das forças da natureza na Física. Então é possível desenvolver uma teoria racional que desvende essas leis com base em provas e evidências empíricas. Isso difere de quem, com base na sua opinião e desejos sobre como o mundo deveria ser, faz juízos de valor descolados da realidade dos fatos. As leis produzem efeitos independentemente se as consideramos corretas ou não: são forças impessoais que estão fora do nosso alcance (não podem ser mudadas). Quem as desafia corre risco muito alto. Filiado ao positivismo: Formulação de leis gerais a partir de investigações empíricas, Métodos das ciências naturais/duras, Relações de causa e efeito: buscam descobrir regularidade tipo-lei, como na física newtoniana (se X, então Y), existência de verdade objetiva exterior ao investigador. Leis que são universais e se aplicam a todo e qualquer momento histórico, afinal de contas, a natureza humana é imutável e constante: é a mesma desde a Antiguidade de Tucídides. Para Morgenthau, explicação para comportamento dos Estados reside na natureza humana atemporal e imutável, que é egoísta, agressiva e direcionada à busca por dominação e à luta pelo poder, ultrapassando assim a razão e a moral. Ser humano nasce para buscar o poder e usufruir seus frutos. Há um Animus dominandi: desejo, ânsia humana pelo poder + natureza também egoísta e auto-interessada. Estados buscam espaço político seguro em que estejam livres do comando de outros e que possa servir de plataforma para projetar o poder sobre os outros (Estado independente). Essa ânsia pelo poder contribui para o conflito – a política é uma luta pelo poder sobre os homens. A Política internacional é vista como uma arena de interesses estatais em contradição. Importância de fazer a teoria na perspectiva do estadista “colocamo-nos na posição de um político que tenha de enfrentar certo problema de política externa, sob determinadas circunstâncias, e nos perguntamos quais seriam as alternativas racionais dentre as quais teria de escolher” (p. 6) 2) Segundo princípio: Conceito de interesse definido em termos de poder: a política como uma esfera autônoma de ação e de entendimento (que não pode ser reduzida à economia [marxistas] ou moral [kantianos]). Experiência da história comprova esse pressuposto. Todos os Estados têm o mesmo objetivo: o poder (capacidade de se impor frente a outro contra a sua vontade). Essa é a racionalidade que move os Estados no campo da política: esse fio condutor, essa regularidade, permite construir a teoria. Duas falácias: preocupação com os motivos e com as preferências ideológicas dos políticos Motivos dos políticos são dados psicológicos ilusórios E bons motivos não necessariamente levam ao sucesso ou à qualidade das políticas. Muitos estadistas que queriam melhorar o mundo acabaram deixando-o pior (como Chamberlain, primeiro-ministro do Reino Unido: seguia bons motivos ao tentar apaziguar Hitler Queria paz e felicidade, mas contribuiu para guerra e destruição ao contrario de Churchill: foco no poder pessoal e nacional era menos universal e nobre, mas sua política externa foi muito superior ) Não importam os motivos de um político, mas sua capacidade intelectual e racional de entender os elementos essenciais da política e de aplicar isso na ação concreta. A Racionalidade é um instrumento central do processo político: capacidade cognitiva de entender as leis objetivas da realidade por meio do uso da razão. Preferências ideológicas e simpatias políticas e filosóficas políticos devem pensar e agir em função do interesse nacional, deixando de lado desejos e valores pessoais. Devem Distinguir entre o desejável (dever ser) e aquilo que de fato é possível em determinadas condições de tempo e de lugar . Há Quatro fenômenos mentais negativos a serem evitados, pois levam a decisões equivocadas e nos afastam de uma leitura racional das leis da política entre as nações: 1. Permanecer atrelado a modos obsoletos de pensar e agir que não acompanham as mudanças das realidades sociais: substituir por novos modos de pensar e agir que permitam leitura do novo contexto 2. Interpretações que personificam os problemas sociais, identificando e demonizando pessoas como fonte do mal 3. Recusa de enfrentar situações ameaçadoras, focando-se em aspectos ilusórios 4. Crença na possibilidade infinita de mudança da realidade: crença de que nada é insolúvel com dose de boa vontade e intenções positivas (Parênteses: Instituições políticas, procedimentos diplomáticos e arranjos legais das relações internacionais pressupõem igualdade soberana de todos os Estados. Porém, a realidade é dominada por extrema desigualdade de poder entre os Estados. A Desigualdade é natural e inevitável ) Realismo: guia explicativo E prático para o estadista Elemento teórico: tornar a realidade compreensível por meio de construção mental teórica que mostra leis e racionalidade por trás da realidade política Elemento normativo: servir de guia para uma PE racional que minimiza riscos e maximiza vantagens, garantindo prudência e sucesso PE boa é aquela que se foca nos elementos da racionalidade política que a teoria revela Importância da teoria na diferença entre foto e pintura (liga-se com a metáfora do mapa de Borges): a teoria é a pintura que prioriza e enfatiza apenas certos elementos da realidade, tirando excessos de informações da foto. Revela aquilo que de fato importa e que, a princípio, não pode ser visto imediatamente na foto mostra a essência do fenômeno 3) Terceiro princípio: Conceito de interesse definido como poder é universalmente válido e é a essência da política: isso independe do tempo e lugar (auto-interesse é fato básico da condição humana). Mas sua expressão e manifestação varia no tempo e espaço: interesses mudam de acordo com o contexto George Washington: o interesse constitui o princípio que tudo governa inútil denunciar a depravação da natureza humana, a realidade é esta. Weber: são os interesses que dominam de modo direto as ações dos homens. Porém, o tipo de interesse que prevalece em um determinado período histórico depende do contexto político e cultural (as metas que me movem a impor minha vontade e controlar o outro são de N tipos) O conteúdo do poder e a maneira como o poder é utilizado também variam a depender do ambiente político e cultural. Poder envolve tudo que tem a ver com o controle do homem sobre o homem: da violência desenfreada passando pela dominação psicológica e Estado democrático de Direito. Essas diferentes formas de poder sematerializam a depender do contexto. Mudança do mundo depende de alteração das forças perenes da natureza humana que moldaram o passado e moldarão o futuro. Não passa por aplicar ideal abstrato que desconsidera e não aceita leis da realidade política 4) Quarto princípio: diferença entre ética política e a ética moral, individual e privada Há uma Tensão entre mandamento moral e exigências de uma ação política bem-sucedida. Indivíduo pode dizer “que se faça justiça, mesmo que o mundo pereça” Mas o Estado não tem esse direito porque precisa salvaguardar os seus cidadãos em primeiro lugar vem a sobrevivência nacional. Líder político é responsável pelas pessoas do seu país que dependem dele, É responsável pela segurança e bem-estar delas. Deve fazer não aquilo que é o melhor em termos morais, mas sim obter o melhor desempenho dentro das circunstâncias reais. As circunstâncias concretas devem filtrar as condições morais: não pode aplicar de modo universal e abstrato – só se e quando o contexto permitir. Não se pode falar em moral sem antes garantir a prudência, a avaliação das consequências das várias alternativas das ações políticas a prudência é a virtude suprema da política. Weber: Ética da convicção indivíduo (a ação respeita a moral e os princípios éticos?) Ética da responsabilidade (política/dos resultados) foco nas consequências, se conseguiu garantir sobrevivência O julgamento se dá frente ao sucesso ou fracasso e não envolve juízo sobre se estava certo ou errado. Há uma moral para a esfera privada e outra bem diferente para a pública. Ética política permite e exige ações não toleradas pela moralidade privada Únicos limites do Estado são as regras de prudência e de conveniência E não os imperativos morais Woodrow Wilson: Defensor de uma diplomacia aberta: nações deveriam seguir mesmos padrões de conduta dos indivíduos. Morgenthau: a defesa do interesse nacional justifica o uso de meios corrompidos: espionar, mentir, trapacear, roubar, cometer violações de direitos humanos e conspirar Tudo isso se justifica para livrar o povo de perigos desnecessários e para garantir a sobrevivência do Estado 5) Quinto princípio: as aspirações de um Estado são particulares e não podem ser confundidas com princípios morais universais Tentação que todos os países sofrem de serem os portadores das noções de bem e mal Confundir um certo nacionalismo com posição de superioridade moral produz distorções de julgamento que destroem nações e civilizações loucura política Contra a ideia de que países imponham suas ideologias sobre outros países atividade perigosa que ameaça a paz e segurança internacionais Os EUA devem ser e agir como um modelo para o resto do mundo – Mito fundador (frase de puritano John Winthrop, 1630). Excepcionalismo, missão civilizatória, Destino Manifesto (séc. XIX) 6) Sexto princípio: autonomia da esfera política (raciocinar em termos de interesse definido como poder) grande pergunta: de que modo uma política (um programa de ação) pode afetar o poder da nação? Economista pensa interesse definido como riqueza; Advogado pensa se as ações estão em conformidade com as normas legais; Moralista julga se as ações estão de acordo com os princípios morais. Cálculo político: Como a ação que planejo afetará os meus interesses? Qual a distribuição de poder prevalecente? Ela me autoriza a tomar essa ação? Que tipo de respostas dos outros Estados as minhas ações provavelmente despertarão? Como isso impactará meus interesses e a futura distribuição de poder? Se o Estado agirá ou não dependerá dessa leitura do cenário político A ação política deve se pautar por esses cálculos e não por considerações legalistas ou moralistas (o direito internacional permite? É moralmente certo fazer isso?). Levar em conta os interesses em jogo, a distribuição de poder e como a ação planejada impactará esses interesses e essa distribuição de poder. Defesa da emancipação de outras formas de pensamento e de desenvolvimento de uma ciência própria. Momento de afirmação da área de RI: especificidade justificava a necessidade de autonomia há algo de diferente sobre o internacional que não se confunde com o objeto de pesquisa das outras Ciências Sociais. É claro que o homem real é mistura do homem econômico, político, moral, religiosa. Porém, para compreender qualquer uma dessas dimensões, é preciso tratar cada uma delas de acordo com as suas especificidades, focando na dimensão que nos interessa e abstraindo todas as demais como se ela fosse a única. Precisamos nos conscientizar sobre as profundas limitações e imperfeições humanas. Esse conhecimento pessimista sobre como os seres humanos são é único caminho possível. A Boa ordem internacional é funcionamento eficaz da balança/equilíbrio de poder: dá garantia de ordem à descentralização do sistema. A Balança permite aos Estados o objetivo primordial da sobrevivência. Política internacional: natureza estática, atemporal, ahistórica: possibilidade mínima de mudança. Profundamente pessimista quanto a reformas morais e papel das instituições internacionais para alterar a natureza humana ARRON Raymond Aron (1905-1983) foi um Judeu que sobreviveu ao Holocausto e exilou-se em Londres no momento da ocupação alemã. Professor da Sorbonne e Sciences-Po: era reconhecido como principal especialista europeu de RI. Defensor de uma análise mais sociológica que leva em conta características, diferenças e interações entre os Estados, afastando determinismo e possibilidade de predição (contra esquematismo racional de autores como Morgenthau). Essa perspectiva sociológica alia o pensamento teórico, mais abstrato, abrangente e generalizante com um olhar histórico e processual que nunca elimina a incerteza e imprevisibilidade. Criou, na França, praticamente sozinho, uma disciplina autônoma de RI com influências da Ciência Política, Sociologia, História, Direito e Economia. Liberal à margem dos pensadores que se dividiam entre conservadores e marxistas. Defendia aliança com EUA, reconciliação com Alemanha e independência da Argélia (contra elites políticas francesas estatistas e antiamericanas). Inspirado pelas obras de Hobbes e Clausewitz. É atrelado à escola do realismo clássico, mas tem pontos de discordância importantes com realistas como Morgenthau. Apesar dessas diferenças concordava com a afirmação de que há uma diferença fundamental entre a política doméstica e a política internacional. E assim argumentava que essa diferença deveria ser a fundação das RI. Relações internacionais são, por definição, relações entre coletividades políticas organizadas territorialmente. Relações entre unidades políticas que, hoje, remetem aos Estados. Ao longo da história, essas unidades políticas abrangeram as cidades gregas, império romano, monarquias europeias, regimes democráticos etc. Atualmente, os Estados ocupam o papel de organizadores territoriais da vida política. Em outras épocas históricas, esse papel foi desempenhado por outras formas de unidades políticas (impérios antigos, cidades-Estado etc.). Cerne das relações internacionais se encontra nas relações interestatais, as quais apresentam característica que as diferencia de todas as outras relações sociais: desenvolvem –se à sombra da guerra, com alternância da guerra e paz. Para ele a paz é só a ausência de guerra. Há uma multiplicidade de centros autônomos de decisão e, como resultado, risco permanente da guerra, que impõe a necessidade de calcular os meios. Cada Estado reserva para si o monopólio da violência. De acordo com a definição de Weber todos os Estados se reconhecem reciprocamente e aceitam a legitimidade das guerras que fazementre si, há legalidade e legitimidade do recurso à força armada. Esse monstro terrível, o Estado, faz da guerra a continuação da política por outros meios (Clausewitz, objeto de estudos de Aron) A Política internacional é um choque constante de vontades, pois unidades soberanas não estão sujeitas a leis ou a um árbitro. Os Estados, orgulhosos da sua independência e ciosos da sua capacidade de tomar decisões sozinhos só podem contar consigo mesmos! Já Sistema internacional é o conjunto constituído pelas unidades políticas que mantêm relações regulares entre si e que são suscetíveis de entrar numa guerra geral. Estrutura dos sistemas internacionais é sempre oligopolística. Só são membros integrais os atores principais que determinam como deve ser o sistema, muito mais do que são determinados por ele (desigualdade de poder na configuração da relação de forças). Há uma hierarquia entre os Estados determinada pelas forças que cada um é capaz de mobilizar. Num extremo estão as grandes potências e no outro os pequenos países. Grandes Estados querem modelar a conjuntura e os pequenos precisam se adaptar a essa conjuntura que não depende deles. Então há duas configurações típicas de configuração da relação de forças: multipolar e bipolar. Na multipolar há rivalidade diplomática entre um certo número de unidades políticas da mesma classe/porte. Há diversas combinações de equilíbrio e reversões de alianças são normas. Na Bipolar duas unidades políticas principais ultrapassam todas as outras em importância. Para Arron o equilíbrio geral do sistema só é possível com duas coalizões, pois todos os demais Estados obrigados a aderir a um campo ou outro. Ele não queria dizer que a guerra era sempre provável ou que situação sempre degenera para conflito militar, mas sim que é legítimo usar a violência para buscar os objetivos dos Estados. Há então dois personagens centrais: diplomata e soldado, que são representantes das coletividades a que pertencem. A Diplomacia e a estratégia são dois métodos complementares e opostos por meio dos quais Estados se relacionam. Enquanto a Diplomacia é a condução do intercâmbio com outras unidades políticas, a estratégia é comportamento relacionado com o conjunto das operações militares. Desse modo a Política externa é o reino do comportamento diplomático-estratégico, porém ambos são subordinados à política à busca de determinada concepção de interesse nacional de uma coletividade. O Embaixador fala em nome de uma unidade política, responsável pela atuação exterior de um Estado assim é a unidade política falando. Já o Soldado, no campo de batalha, representa a sua unidade política, leva seu semelhante à morte.Vivem e simbolizam as relações internacionais. Em tempos de paz, a política se vale dos meios diplomáticos, sem excluir possibilidade de recurso às armas (pelo menos como uma ameaça). Na guerra, a diplomacia não deixa de existir, há relações com aliados, neutros e mesmo frente ao inimigo, ameaçando com destruição ou possibilidade de paz. Nesse caso a Diplomacia serve como arte de convencer sem usar a força e a Estratégia como arte de vencer de modo mais direto, via violência. O comportamento do diplomata e do soldado não possui uma finalidade simples e intrínseca, um objetivo único, comparáveis aos do jogador de futebol (levar a bola ao gol do adversário) ou do agente econômico (melhor uso de recursos para atingir a sua satisfação máxima). Falta esse objetivo único que poderia ser expressos em uma fórmula matemática ou em um único modelo explicativo universal: só o estudo concreto revela, a partir das características específicas dos atores e dos processos históricos, qual o objetivo perseguido, a lógica do comportamento, seus cálculos de forças e a importância que concedem a seus conflitos. Relativa indeterminação na teoria de Arron (não há um único e inequívoco objetivo – contra noção de interesse nacional de Morgenthau): precisa olhar caso a caso, em cada processo específico, e não consegue formular uma teoria global e geral (abordagem sociológica e histórica que se afasta de Morgenthau). O fio condutor e ponto de partida da teoria das RI ao pensar o comportamento do diplomata e do estrategista é que, à luz do risco permanente da guerra e do ambiente de competição entre adversários em uma rivalidade incessante, ambos se reservam o direito de recorrer à ultima ratio: a violência. As RI não podem ser definidas pelas suas finalidades, que são muitas, O que diferencia as RI são os seus meios: uso da força, da violência. O Comportamento diplomático-estratégico não tem uma finalidade evidente, mas o risco da guerra sempre obriga a calcular as forças e os meios disponíveis, aí reside a singularidade da teoria de RI. A alternância entre a paz e a guerra é o que distingue a política internacional da política interna (doméstica) dos Estados. E ainda na Política interna há monopólio da violência nas mãos dos detentores da autoridade legítima, diz respeito à organização interna de uma coletividade e submete os indivíduos ao império da lei, envolve a vida em paz no interior dos Estados. A Política internacional admite a existência de uma pluralidade de centros de poder armado, remete à sobrevivência dos Estados diante da ameaça criada pela existência dos outros Estados, Os Estados ainda não deixaram o estado de natureza e alternam estados de guerra e de paz. Ética da responsabilidade: o governante é responsável, perante o povo, pelos seus atos, vitórias e derrotas. Não importam as suas boas intenções e se respeitou ou não virtudes que só podem ser exigidas dos indivíduos. A Lei da diplomacia e da estratégia é outra. O Sistema internacional é anárquico: não há nenhum poder central com monopólio do poder coercitivo, mas não é caótico: há uma lógica construída em termos de poder. As relações interestatais ocorrem alternando a paz e a guerra, e os Estados agem para preservar o monopólio da força dentro das suas fronteiras e salvaguardar sua liberdade de ação no cenário internacional perante os rivais. Guerra, segundo Clausewitz, é um ato de violência destinado a obrigar o adversário a realizar a nossa vontade. Ela Pressupõe choque de vontades – coletividades politicamente organizadas que querem se sobrepor umas às outras. Na guerra a violência é um meio, a finalidade é a imposição da nossa vontade. A Guerra é um ato político e instrumento da política: a serviço de objetivos fixados pela política. É Importante pesar custos e benefícios e de calcular os riscos e meios à disposição. Na política, homens aplicam seu poder sobre outros homens. Sendo o Poder de um indivíduo a capacidade de influir sobre a conduta ou sentimentos de outros indivíduos. Nas RI, poder é a capacidade que uma unidade política tem de impor sua vontade às demais. Poder político envolve relação entre os homens/Estados: não é um valor absoluto (requer o outro). Recursos/força militar, econômica, moral: podem ser mensurados objetivamente, diferentemente de poder. Poder: envolve relação humana com outros e não só contagem de materiais e instrumentos de força. É a aplicação dessa força em circunstância concretas e com objetivos determinados. Para Aron, conceito de Morgenthau de interesse nacional definido em termos de poder era muito nebuloso. Os objetivos do Estado não podiam ser reduzidos a uma fórmula assim tão simples. Havia outros Objetivos possíveis como segurança, poder, glória e ideias. Quatro objetivos heterogêneos que não podiam ser reduzidos a um único conceito: isso significaria distorcer a ação diplomático-estratégica. Se a rivalidade dos Estados é comparável a um jogo, o que está em disputa não pode ser designado por um único conceitoválido para todas as civilizações em todos os momentos históricos. Estados não querem apenas sobreviver e garantir a segurança. Dada a ausência de uma fórmula simples que permita prever os objetivos dos Estados e os seus comportamentos, o melhor que se pode fazer é tentar compreender os objetivos e motivações dos Estados a partir das evidências disponíveis. Arron alerta sobre os limites do que podemos esperar da teoria. A busca de generalizações teóricas não pode perder de vista as contingências/acasos/imprevistos da história. Ele faz ainda uma Classificação das organizações de poder: império (um Estado monopoliza o uso da violência legítima), Hegemonia (superioridade incontestável de força sem a degeneração dos dominados), Equilíbrio (distribuição de poder em que as forças não são suficientes para dominar umas às outras). E assim elas formam três tipos de paz: Equilíbrio (forças das unidades políticas em equilíbrio (balança de poder)), Hegemonia (unidades políticas dominadas por uma outra), Império (uma unidade política supera tanto as forças das demais unidades que elas perdem sua autonomia e tendem a desaparecer enquanto centros de decisão política) WALTZ Kenneth Waltz (1924-2013) foi autor de dois dos mais importantes livros de teoria de RI: O Homem, o Estado e a Guerra (1959) (contribuição das 3 imagens) e Teoria da Política Internacional (1979) (inaugura neorrealismo ou realismo estrutural). Foi ainda Professor em Berkeley e Columbia, Veterano da 2ª. GM e da Guerra da Coreia e Sucessor paradigmático de Morgenthau. Em 79 repudia muitas das teses de 59: deixa de lado interações entre as 3 imagens para focar exclusivamente na estrutura anárquica do SI (não aborda primeira e segunda imagens). REALISMO Anarquia: política internacional é composta por Estados soberanos (Esses Estados não estão submetidos a nenhuma autoridade ou poder superior). Por serem soberanos possuem autoridade absoluta sobre seu território e povo e dispõem de independência internacionalmente . Mesmo que um Estado se una a uma organização internacional, como a ONU, isso não afeta a sua soberania e independência internacional. A Filiação do Estado às Ois é voluntária: podem abandoná-las se assim desejarem. Com base nesses elementos do realismo clássico, Waltz e demais realistas argumentam que os Estados se comportarão de maneira conflitiva. Embora guerras possam ser resolvidas de tempos em tempos, a sombra da guerra e a possibilidade de novos conflitos jamais poderão ser afastadas e superadas. A Questão por trás do surgimento das RI como disciplina acadêmica depois da 1ª. Guerra Mundial e a questão principal no livro de Waltz é: por que as guerras acontecem? Waltz diz que a A anarquia internacional é a causa permissiva da guerra. Anarquia se torna muito mais que o simples contexto dentro do qual os Estados conduzem seus negócios e atividades. Anarquia se torna a resposta à pergunta central do nosso campo de estudos. Em tempos de Guerra Fria, a explicação parecia se encaixar muito bem em cenário marcado pela disposição constante ao conflito entre os blocos capitaneados por EUA e URSS. Sem um governo mundial, formuladores de PE dos EUA precisavam estar preparados para confronto, aumentando suas defesas. Quando se fez essa pergunta, muitas respostas já existiam. As respostas podiam ser divididas em três categorias, chamadas de 3 imagens ou 3 níveis de análise:1) O indivíduo; 2) A organização interna do Estado; 3) O sistema de Estados. As causas da guerra devem ser encontradas nesses três níveis de análise. Nenhum deles sozinho é capaz de explicar por que as guerras ocorrem ou não. Ele Usa obras de filósofos políticos para ilustrar argumentos de cada uma dessas imagens. Na Primeira imagem o homem/indivíduo é o foco. Nela há um interesse pela natureza humana. Explicação de primeira imagem para a guerra: o lócus em que se encontram as causas da guerra está na natureza e comportamento do homem. A guerra é resultado do egoísmo, dos impulsos agressivos mal dirigidos, da estupidez humana. Eliminação da guerra depende da elevação e iluminação da natureza humana. E a Recorrência e repetição das guerras: resultado dessa maldade intrínseca e insuperável. Essa Leitura que corresponde ao argumento de Morgenthau e outros autores do realismo clássico Para os Idealistas/liberais: crença na razão dos indivíduos e na possibilidade de aperfeiçoamento e progresso moral. O homem nem sempre se comporta mal. Alguns homens parecem possuir natureza boa: agem de maneira razoável para atingir bem comum. Se essa bondade puder ser universalizada, se todos os homens puderem acessar sua própria bondade, então todos começarão a se comportar bem e positivamente e assim os Conflitos e guerras serão superados. Waltz revisa essas explicações pessimistas e otimistas sobre a natureza humana e encontra vários problemas: Exagero na atribuição de importância causal, ou seja, as Explicações baseadas na natureza humana não dão conta de explicar as variações na presença ou ausência da guerra. Waltz chega à conclusão de que não é possível dizer que a natureza humana, sozinha, cause todas as guerras. A Natureza humana é muito complexa para que seja tão diretamente ligada às guerras como a única causa. A Segunda imagem diz respeito à organização interna do Estado. A insuficiência da natureza humana para explicar o fenômeno da guerra leva Waltz a examinar a organização política, social e econômica dos Estados. Agora colocam Peso da estrutura interna dos Estados para explicar comportamento externo. Se a natureza humana é inalterável, então não é possível diminuir ocorrência das guerras incidindo nesse fator. Só nos resta olhar para as instituições sociais e políticas domésticas que variam no tempo e espaço e tentar mudá-las para diminuir chances das guerras. Do mesmo modo, se argumentamos que a natureza humana pode ser mudada, ainda precisamos prestar atenção nessa organização política e social doméstica. São as interações com essas instituições que fariam a natureza humana se modificar Nessa esfera de análise Há Estados bons e Estados maus. Estados maus fazem guerras e Estados bons preservam a paz. São Estados democráticos pacíficos versus Estados autoritários agressivos. Incidência da guerra pensada como dependente do tipo de governo nacional. Os liberais, resgatando a importância do vínculo estabelecido por Kant e Wilson entre a organização política interna dos Estados e o seu comportamento na esfera internacional, enfatizam a importância da política doméstica para os resultados produzidos no sistema internacional. Kant República (equivalente das democracias de hoje): leis e decisões têm consentimento do povo A constituição republicana é funcionalmente pacífica porque é a única que expressa a vontade dos que assumem os encargos da guerra e que por isso, provavelmente, não serão favoráveis a ela povo que sofre os efeitos da guerra não dará o seu consentimento. Paz perpétua: federação de repúblicas República: povo dá a si próprio as suas leis (precisa consentir) A constituição republicana - ou democrática - na ordem interna pode ter como consequência a paz no âmbito externo por ser determinada pela vontade daqueles que assumem o ônus da guerra e que, por isso, provavelmente, não irão querê-la. “Estados com executivos sensíveis a um corpo decisório, com competição política institucionalizada, e com a responsabilidade pela tomada de decisão difundida por múltiplas instituições ou indivíduos devem ser mais constrangidos em suas ações e, portanto, menos propensos a ingressar em conflitos”. Christopher Layne, 1994 Wilson Wilson: nações livres e democráticas teriam desubmeter suas políticas externas à aprovação da opinião pública que sempre rejeitaria a guerra Guerras e o protecionismo comercial: resultado de países não democráticos (maioria da população afetada negativamente não aprovaria essas políticas onerosas) Lênin Teoria do imperialismo Principal causa da guerra: necessidade dos Estados capitalistas de continuar a conquistar novos mercados para perpetuar seus sistemas econômicos domésticos O capitalismo no seu estágio supremo, que é o do imperialismo, conduz necessariamente a uma política agressiva e à guerra Para Waltz teóricos que trabalham com segunda imagem não têm consenso sobre o que é um Estado bom e nem sobre como transformar um Estado mau em bom. Ainda que houvesse esse consenso, nada garante que mundo de Estados bons seja pacífico: Estados bons podem às vezes fazer guerras. Mais uma vez, Waltz conclui que a segunda imagem é insuficiente. Deve-se Complementar com o nível internacional anárquico (terceira imagem): ambiente político internacional pesa muito na forma como o Estados se comportam. Na Terceira imagem ,Em uma situação de anarquia internacional, não há uma autoridade suprema equivalente a um governo internacional capaz de impedir os Estados de perseguir os seus interesses por meio do recurso à força. Guerras ocorrerão simplesmente porque não há nada para impedi-las. Há Possibilidade constante de guerra: não há órgão ou instância acima dos Estados a que possam recorrer a fim de obter proteção. Cada Estado é o juiz final da sua própria causa e pode usar a força a qualquer momento para buscar seus objetivos. Como qualquer Estado pode usar a força, todos os Estados devem estar constantemente preparados para se contrapor pela força ou pagar os custos da fraqueza. As circunstâncias em que os Estados vivem, dentro de um ambiente anárquico, impõem uma série de exigências e constrangimentos para o seu comportamento. Anarquia internacional também limita possibilidade cooperação entre os Estados. Ficam reféns dos seus auto-interesses egoístas em detrimento de interesses compartilhados e do que seria melhor para o sistema interestatal como um todo. Mas a estrutura anárquica do sistema dos Estados não leva diretamente o Estado A a atacar o Estado B: é apenas uma causa permissiva. Parábola da caçada ao cervo, de Rousseau 5 homens famintos concordam em se juntar para caçar um cervo que satisfará a fome de todos, Mas daí aparece uma lebre, que só mata a fome de 1 homem: um dos homens quebra o acordo, pega a lebre, mata a sua fome, mas deixa o cervo escapar. Interesse imediato prevalece em detrimento da consideração pelos companheiros. Não há um líder ou autoridade para punir o caçador que abandona o acordo/pacto Assim a Anarquia internacional explica por que as guerras podem ocorrer, por que são uma possibilidade causa permissiva. Os Fatores individuais e de organização dos Estados necessários para entender por quais motivos ocorrem de fato causas imediatas. Se indivíduos e Estados não buscarem políticas agressivas ou não perseguirem interesses egoístas, não haverá guerra, ainda que a anarquia internacional permita a ocorrência de conflitos. Causas imediatas de todas as guerras são encontradas nos atos dos indivíduos ou nos atos dos Estados, porém Não basta aprimorar os homens ou os Estados, as outras unidades podem continuar a agir de forma predatória, pois no ambiente anárquico não há força que as impeça de se comportar dessa forma. Resumindo: para além da anarquia internacional, sempre se necessita de um elemento adicional de primeira ou segunda imagem para que a guerra se concretize, de fato. As três imagens precisam ser consideradas juntas. O Senhor das Moscas O filme “O Senhor das Moscas” conta uma história sobre a transição de uma ordem hierárquica para a anarquia. Sugere que a anarquia é o que permite que os conflitos ocorram e, ao mesmo tempo, aborda os temas de indivíduos bons e maus, “Estados” bons e maus. Filme baseado em romance de mesmo nome de 1954. O Cenário: 2ª. GM, durante bombardeios do Reino Unido pela Alemanha. Meninos sendo evacuados para a Austrália: avião cai em ilha deserta no oceano Pacífico e todos os adultos morrem. Dois mundos: mundo perdido da hierarquia e mundo da anarquia na ilha. Hierarquia: regras, razão, lei e ordem garantidos pela presença dos adultos. Filme é história sobre como os meninos se comportam em uma situação de anarquia, sem os adultos. No início tentam criar hierarquia dentro da anarquia: elegem Ralph como líder. A concha se torna símbolo de regras e direitos. Tudo parece transcorrer bem com divisão de tarefas. Como na parábola da caça ao cervo, Jack e seus caçadores se focam nos javalis selvagens (interesse egoísta) e negligenciam a fogueira no topo da montanha: avião passa e não os vê. Na anarquia da ilha, como diz Waltz, nada podia garantir aplicação das regras ou dos objetivos comuns. Hierarquia de Ralph rompida pelo desafio de Jack. Surgem duas sociedades distintas: resgate/fogueira vs. Sobrevivência/caçada. Quase todos os meninos se juntam a Jack: comida e proteção. Conflito mortal entre os dois grupos: Piggy é morto. Oficial da marinha chega para investigar incêndio causado para tirar Ralph da floresta: anarquia dá lugar à hierarquia As três imagens no filme KISSINGER Kissinger Nascido em 1923 na Alemanha em família judia foge com a família em 38 para os EUA. E Lutou na Segunda Guerra Mundial. Ocupou ainda posições de poder na diplomacia dos EUA entre 1969 e 1977. De 1969 a 1975: Conselheiro Nacional de Segurança (presidentes Nixon e Ford) e De 1973 a 1977: Secretário de Estado. Em sua Passagem pelo governo fez Détente entre as superpotências, Abertura à China comunista, Cessar-fogo na guerra do Yom Kippur , Fim da Guerra do Vietnã. Primazia da política e do interesse nacional são centrais para a sua abordagem conceitual da política externa e da diplomacia como Foco na diplomacia europeia tradicional. Avesso ao idealismo liberal wilsoniano dos democratas e ao conservadorismo isolacionista de muitos republicanos. Ele buscou Destilar a essência imutável da política internacional a partir da análise de casos históricos e contemporâneos a fim de produzir conclusões gerais. Uma Aplicação prática das lições da história à ação política. Herdeiro da tradição clássica de teoria político-filosófica com grande carga histórica. As políticas externas dos Estados refletem o seu ambiente físico e seus recursos de poder, mas, antes de tudo, estão firmemente enraizadas no solo da história, pois a política presente é moldada pelo passado Visão filosófica trágica sobre a condição humana. Há muitos limites àquilo que a vontade humana pode mudar e os homens de Estado precisam lidar com o reino das necessidades, trabalhando com as circunstâncias possíveis colocadas. Entre lidar com o mundo como ele é ou atuar em função de como o mundo deveria ser, Kissinger recomenda a primeira opção. Assim o Conhecimento da história ilumina esse percurso: antídoto à tendência de achar que vivemos em um mundo inteiramente novo e completamente maleável/alterável. Kissinger faz uma Abordagem geopolítica e estratégica para a política internacional para Encaixar as necessidades dos tomadores de decisão. A partir dos Pressupostos de que os Estados são os atores centrais e suas ações são motivadas por preocupações com a segurança nacional. Principal preocupação da obra teórica e do seu trabalho no Estado é a estabilidade do sistema internacional e necessidade de ordem. Exercício do poder deve trazer consigo a responsabilidade de aceitar os limites da autocontenção Sua principal obra: Diplomacia (1994) se deu num contexto de fimda Guerra Fria (década de 1990) onde havia Desafio ideológico comunista e ameaça geopolítica soviético vencidos. Houve Triunfo da democracia liberal-representativa e dos livres mercados: nenhum sistema rival alternativo. Esperança de novos tempos, de uma nova ordem mundial wilsoniana (Cooperação, papel das Ois, do direito internacional, difusão da democracia e da paz, expansão do capitalismo, do livre comércio e dos livres mercados). Com a multiplicação do número de Estados e de sua capacidade de interagir, com base em quais princípios pode uma nova ordem mundial surgir? Conceitos wilsonianos substituirão o que um dia foi a política de contenção ao comunismo durante a Guerra Fria? Woodrow Wilson foi criador da visão de uma organização mundial universal, a Liga das Nações. Pressupostos do wilsonismo: Segurança coletiva; Converter rivais ao modelo estadunidense (excepcionalismo e universalidade dos valores dos EUA), Solução de disputas pela via legal, Autodeterminação dos povos. Pela Terceira vez no século XX em que tentavam refazer o mundo à sua imagem, com a aplicação dos valores internos dos EUA para o mundo inteiro (Wilson; Roosevelt/Truman: duas primeiras vezes) Por que não deu certo? Com Wilson havia a barreira do isolacionismo doméstico (EUA não ratificaram tratado de criação da Liga das Nações), com Truman: barreira do expansionismo stalinista- soviético. Nos Anos de 1990: EUA eram a única superpotência indisputável, Mas o poder ficou mais difuso e diminuíram questões em que a força militar é relevante: capacidade dos EUA de usá-lo para moldar o mundo diminuiu. Forças da política internacional farão os EUA serem cada vez menos excepcionais. Poderio militar continuará sem rival por tempo considerável, mas de difícil projeção sobre imenso número de conflitos de pequena escala. EUA continuarão a ser por bom tempo maior economia e a mais poderosa, mas haverá maior competição econômica e difusão tecnológica entre rivais. Com o tempo, uma nação entre as outras e não mais superpotência incontrastável: ascensão de outros centros de poder (na época via especialmente Europa, Japão e China). O Mundo estava cada vez mais parecido com o sistema europeu de Estados dos séculos XVIII e XIX: 5 ou 6 potências maiores buscando seus interesses nacionais imediatos. Falta uma ameaça compartilhada de dominação como havia na Guerra Fria: principais Estados não veem ameaças à paz da mesma forma e não estão dispostos a incorrer nos mesmos riscos e custos para enfrentar as eventuais ameaças que veem em comum. A Ordem terá que vir do equilíbrio desses interesses competitivos. Kissinger analisa o antigo e longo diálogo na teoria e na prática diplomática entre as perspectivas da política externa pessimista do realismo e otimista do liberalismo. As duas perspectivas são legítimas e nenhuma delas deve ser ignorada. Conceitos wilsonianos não foram sucesso absoluto nem fracasso total. Entre seus Sucessos parciais: Plano Marshall, contenção do comunismo e defesa da liberdade na Europa, malfadada Liga das Nações que foi precursora da ONU. E seus Fracassos: adoção sem crítica da autodeterminação produziu desestabilização (rivalidades e ódios acumulados desaguaram); Liga das Nações sem mecanismo de sanção militar + Pacto Briand-Kellog: limites do direito internacional; busca da democracia pela política externa gerou desastres como Vietnã. Wilsonismo não foi sucesso absoluto nem fracasso retumbante, mas as bases preferidas para uma política externa bem-sucedida para os EUA são as do realismo. Apesar de a opinião liberal ser importante, a realista sempre será a primeira em importância porque é a melhor perspectiva sobre o problema central das RI: a guerra. Além disso, o excepcionalismo, base do wilsonismo, está se erodindo: cada vez mais difícil aplicar as suas orientações. Tentativa de criar ordem mundial baseada nos seus valores não dará conta do mundo pós- Guerra Fria. Quais princípios devem então guiar a política externa dos EUA no século XXI? A Política externa dos EUA deve ser orientada por uma avaliação realista das reduzidas escolhas disponíveis e possíveis, inclusive para uma superpotência como os EUA, em um mundo diverso formado por muitos Estados independentes com diferentes interesses, culturas, ideologias políticas, sistemas de governo etc. Nos EUA há um impulso idealista e crença no potencial transformador da liberdade de ação humana, porém Kissinger sugere aprender a dosar e equilibrar essa esperança com avaliação prudente do que é possível e necessário. Os Estadunidenses sempre acharam a razão de Estado repugnante: afirmam lutar por princípios e ideais (não por interesses). Era um Doutrina da “esperança e possibilidade”. Kissinger tem um Foco histórico de compreensão e análise. Mudanças na natureza das unidades componentes do sistema internacional produzem turbulências e guerras. Por exemplo: Guerra dos Trinta Anos (guerras religiosas) (fim das sociedades feudais tradicionais e transição para o sistema de Estados) Revolução Francesa e guerras napoleônica (surgimento do Estado-nação, da ideia de nacionalismo: comunidades de língua e cultura), Guerras do século XX (fim dos impérios Habsburgo, Otomano, reação contra – e fim do – imperialismo europeu). Se o sistema internacional do século XXI ficará cada vez mais parecido com o sistema europeu de Estados dos séculos XVIII e XIX, precisamos buscar lições na diplomacia europeia clássica da política de poder desse período, anterior ao século XX. Principalmente em Figuras-chave como Richelieu e Metternich. No século XXI, defesa do interesse nacional pelo governo dos EUA terá de passar necessariamente pelo equilíbrio de poder. País precisará de sócios em várias regiões do mundo e nem sempre eles poderão ser escolhidos por considerações morais. Kissinger reconhece que, devido ao peso da tradição idealista-wilsoniana, os EUA não conseguem basear sua PE exclusivamente no equilíbrio de poder. Mas no século XXI terão que aprender que ele é fundamental, sabendo usá-lo: SI muito mais complexo que qualquer outro. EUA não podem vencer apenas pelo exemplo de suas virtudes e boas ações (sistema wilsoniano global impossível). Devem fazer avaliação cuidadosa das realidades e definir claramente o interesse nacional, valendo-se da razão de Estado e equilíbrio de poder. Cardeal Richelieu (1585-1642) foi Primeiro-Ministro da França de 1624 a 1642. Pai do moderno sistema de Estados. Sob seus auspícios, a razão de Estado substituiu o conceito medieval de valores morais universais como princípio operador da política externa francesa. Contexto histórico: império Habsburgo austríaco-espanhol tentava reviver a universalidade católica com destruição do protestantismo e tentativa hegemônica na Europa. Resultado: guerra dos Trinta Anos e paz de Westfália (1648). Como príncipe da Igreja Católica, Richelieu deveria ter apoiado a tentativa do imperador Ferdinando II, Habsburgo, de restabelecer a ortodoxia católica na Europa, Mas Richelieu colocou o interesse nacional francês acima de qualquer objetivo religioso. Percebeu que a tentativa dos Habsburgo de restabelecer a religião católica era uma jogada hegemônica e uma ameaça geopolítica à segurança da França, uma Manobra política para dominar Europa Central e reduzir França a status de segunda classe. Richelieu deu liberdade de culto para protestantes franceses e apoiou príncipes alemães protestantes e o rei protestante da Suécia contra os Habsburgo. São Atitudes que revelavam a busca de um equilíbrio de poder. Assim Richelieu apresenta um conceito central para os realistas: a raison d’état, a razão de Estado. O bem-estar do Estado justifica a utilização de qualquermeio necessário para a sua garantia. O interesse nacional suplantou a noção medieval de uma moralidade universal. Outra noção e prática central em Richelieu: o equilíbrio de poder. Substituiu a nostalgia da busca de uma monarquia universal com a consolidação da ideia de que cada Estado, na busca por seus interesses egoístas e pela conservação da sua autonomia e independência, contribuiria do seu modo para a segurança e o progressos de todos os outros comportamentos individuais dos Estados que, agregados, levam à dinâmica do equilíbrio/balança. Assim Equilíbrio de poder é uma coalizão de Estados mais fracos se forma como contrapeso ao Estado mais forte. Requer atenção constante. Richelieu: Estado não recebe créditos por fazer o que é certo, Só são recompensados por serem fortes o bastante para fazer o que é necessário. Única época na história da política internacional em que houve período pacífico mais longo foi o da balança de poder. Quando uma nação se torna muito mais poderosa em comparação ao seu oponente em potencial, o perigo da guerra emerge. Mundo melhor e mais seguro com EUA fortes e com Europa, Rússia, China, Japão e outras eventuais potências se contrabalançando uns aos outros não por meio da competição, mas de um equilíbrio igual. Um ponto central para o conceito de estabilidade internacional de Kissinger: ordem precisa estar ancorada em princípio de legitimidade e balança de forças/equilíbrio de poder. Sistema internacional com ordem mais duradoura sem um grande guerra foi o pós-Congresso de Viena: combinava esses dois elementos. A Legitimidade aqui não tem nada a ver com justiça, É apenas a existência de um framework/marco/estrutura comum da ordem internacional que é aceito e compartilhado. Um Código internacional de condutas sobre o qual os atores concordam e que se dispõem a seguir, estipulando os objetivos e ferramentas permitidos para a política externa dos Estados. Ou seja, valores comuns que restringem aquilo que as nações podem exigir. Equilíbrio: caso alguma nação insista com suas exigências para além do aceitável, o equilíbrio funcionará como barreira. Esse framework coletivo não previne os conflitos, mas limita seu alcance e intensidade. Sempre que o status quo e o seu framework legitimador forem percebidos como opressores ou injustos por um Estado, como a Alemanha depois do tratado de Versalhes, esse Estado buscará minar essa ordem internacional e seus arranjos, tornando-se um poder revolucionário. Já em períodos revolucionários, como a Guerra Fria, sequer há um único framework legítimo: a própria natureza do sistema internacional estava em disputa (conflito só pode ser resolvido com derrota total de um dos lados). Congresso de Viena (1815): ordem duradoura de 40 anos. Fim com a Guerra da Crimeia (1854), mas mesmo depois houve 60 anos relativamente estáveis. Havia um Senso de valores e sentimentos comuns de legitimidade entre monarquias conservadoras e Equilíbrio de poder bem ajustado. Tinham o Objetivo inicial de conter França pós-Napoleão. A Tragédia do século XX não foi a devastação de 2 guerras mundiais seguida por 1 Guerra Fria, segundo Kissinger mas sim que a arte de conduzir a paz de maneira moderada e mutuamente aceita que tinha existido no século XIX, com o Concerto Europeu, pós-Congresso de Viena (1815), tenha sido esquecida. Rússia: apoiar não só a reforma democrática interna (projeto wilsoniano), mas também criar pesos e obstáculos à possível expansão russa. Já antecipava retorno das tensões da Rússia com vizinhos, com destaque para Ucrânia. EUA podiam descuidar da OTAN?Adequá-la para novo contexto e papel dos EUA na Europa: evitar excessos da Rússia e da Alemanha unificada. Junto com união europeia estendida, daria segurança para países do Leste Europeu (era favorável à inclusão deles na OTAN, o que ocorreria anos mais tarde). Presença militar dos EUA deveria continuar no sudeste asiático: equilibrar China e Japão, Japão: risco de nacionalismo reaparecer (ameaças da China, Coreia e Rússia), China: potência que mais cresce, com forte sentido de coesão nacional e força militar poderosa. Não tinha clareza sobre se maior ameaça seria da China, Rússia ou Islã fundamentalista. BULL – A ESCOLA INGLESA (CORRENTE INTERNACIONALISTA / DA SOCIEDADE INTERNACIONAL) Durante a Guerra Fria, uma escola de RI no Reino Unido apresentou duas diferenças fundamentais. Negação de qualquer distinção severa entre as visões realista e liberal (primeiro debate das RI) e Enfoque de pensamento tradicional em oposição aos behavioristas/cientificistas (segundo debate das RI). Vários dos seus principais teóricos não eram exatamente ingleses, mas da Austrália, Canadá e da África do Sul. Dois grandes expoentes: Martin Wight e Hedley Bull Teóricos da sociedade internacional: conceito-chave Reconhecem a importância do poder e o papel dos Estados Mas rejeitam que a política mundial seja estado de natureza hobbesiano desprovido de normas, regras e instituições internacionais comuns que a maioria dos Estados deve cumprir durante a maior parte do tempo. Poder e as leis (normas e regras comuns) estão presentes simultaneamente (poder e interesses nacionais + normas e instituições). De fato não há um governo mundial e prevalece a anarquia Mas a anarquia internacional é uma condição social e não antissocial: a política mundial é uma sociedade anárquica com instituições, normas e regras. Fazem então uma Associação de ideias realistas e liberais clássicas, uma alternativa a ambas. Há conflito e relações de poder, mas cooperação não pode ser ignorada. Vão por uma Via intermediária: nem otimismo liberal nem pessimismo realista. O Sistema de Estados é um conceito realista e ideia de sociedade de Estados remete ao liberalismo. Éticas da prudência e do interesse nacional (poder) + obrigação de cumprir regras e procedimentos internacionais (direito). Consideram ONGs e OIs como atores marginais e Subestimam relações transnacionais. Fazem ainda uma Abordagem histórica, legal e filosófica acerca das relações internacionais. Não buscam elaborar nem testar hipóteses para construir leis científicas de RI, nem tentar explicar as relações internacionais de modo científico: buscam entender e explicar. Problemas que envolvem questões humanas são repletas de valores, não é possível haver uma resposta científica neutra nem respostas gerais ou abstratas universais. Hedley Bull (1932-1985) Nascido em Sydney, fez carreira no país de origem e no Reino Unido. Foi Professor na Universidade Nacional Australiana, LSE e Oxford e Discípulo de Martin Wight. Seu livro “A Sociedade Anárquica” é considerado a melhor expressão da Escola Inglesa. E ainda Filósofo da política mundial que tentou elaborar uma teoria sistemática da sociedade internacional. Só é possível teorizar RI dentro do contexto de eventos e episódios históricos concretos. Projeto teórico de uma teoria normativa das RI baseada na filosofia de Grotius. Centralidade da ideia de sociedade internacional, da qual virá reflexão sobre a ordem internacional (ideia de ordem vinculada à existência da sociedade internacional). Para Bull a ordem é sim parte do registro histórico das relações internacionais. Os Estados modernos formaram e continuam a formar não só um sistema de Estados, mas também uma sociedade internacional. Essa Sociedade internacional é assentada em interesses, valores, regras e instituições que geram ordem, ou seja, arranjos de atividades internacionais destinados à consecução de certos objetivos bem definidos. Assim ele junta dois conceitos que aparentam ser contraditórios: sociedade e anarquia. Sociedade pressupõe existência de um grau mínimo de valorese referências comuns entre seus membros que gera certa ordem, a anarquia vista tradicionalmente como ausência de ordem. O Ponto de partida das relações internacionais: existência de Estados. Sendo Estado uma comunidade política independente com governo soberano, território e povo, detendo soberania interna (supremacia sobre todas as autoridades dentro daquele território) e soberania externa (independência frente às autoridades externas). Quem se encaixa nessa definição de Estado? No passado, cidades-Estado da Grécia Antiga, da Itália renascentista e os modernos Estados nacionais, mais recentemente. Bull define Sistema de Estados/sistema internacional como dois ou mais Estados que têm suficiente contato entre si, com impactos recíprocos nas suas decisões, de tal forma que se conduzem como partes de um todo. Ou seja, é a junção de Contato regular e Interação que faz com que comportamento de cada um dos Estados tenha que ser levado em conta nos cálculos dos demais. Essa interação entre os Estados pode assumir a forma de cooperação ou de conflito, ou mesmo de neutralidade ou indiferença com relação aos objetivos de cada um. Essa interação pode abranger muitas atividades ou apenas 1 ou 2 delas. Existe uma sociedade de Estados/sociedade internacional quando um grupo de Estados, conscientes de certos valores e interesses comuns, consideram-se ligados por um conjunto comum de regras e participam de instituições comuns. Na sociedade internacinal há Percepção de interesses e valores comuns, ou seja, vínculo a certas regras no seu inter-relacionamento, tais como: a) respeitar independência de cada um; b) honrar acordos; e c) limitar uso recíproco da força e ainda cooperam para o funcionamento de instituições, tais como: procedimentos do direito internacional, maquinaria diplomática, costumes e convenções de guerra. (Sociedade internacional: Interesses, valores e regras comuns, com desenvolvimento de instituições compartilhadas). A Sociedade internacional pressupõe um sistema internacional, mas pode existir um sistema internacional que não seja uma sociedade internacional, 2 ou mais Estados podem ter contatos e interagir, mas sem interesses e valores comuns que os levem a perceber que estão sujeitos a um conjunto comum de regras e cooperando para funcionamento de instituições comuns. No Sistema internacional não há percepção de interesses ou valores comuns que confiram aos contatos e interações regulares uma perspectiva de permanência, não há regras sobre como interação deve prosseguir, não há tentativa de cooperar em instituições nas quais haja um interesse comum. A Ordem internacional é o padrão, arranjo das atividades internacionais que sustentam os 4 objetivos elementares de uma sociedade internacional: 1) Preservação do próprio sistema e da sociedade de Estados, 2) Manter a soberania e independência dos Estados, 3) Manutenção da paz e 4)Três objetivos comuns a toda vida social (Expectativa de segurança contra a violência (proteção da vida); Garantia de cumprimento das promessas e acordos (verdade); Estabilidade na posse da propriedade) 1) Garantir que a sociedade de Estados continue a ser a forma predominante da organização política mundial. Desafios podem vir de Estados dominantes ou com pretensões hegemônicas e imperialistas, atores supra-estatais, sub-estatais ou trans-estatais. Manter Estados como principais atores. 2) Manter soberania e independência dos Estados. Estado que participa da sociedade internacional quer o reconhecimento da sua soberania externa e interna. Admite então direitos iguais à independência e soberania dos outros Estados. Esse Objetivo está subordinado à preservação da sociedade internacional: extinção de Estados individuais para garantir equilíbrio de poder ou limitação de soberania em esferas de influência ou criação de Estados tampões. 3) Manutenção da paz: Que a ausência da guerra – e não uma paz permanente ou universal – seja a situação normal, rompida apenas em casos especiais e de acordo com princípios aceitos. Objetivo subordinado aos dois anteriores: pode ser apropriado fazer guerra para preservar SI + Estados insistem no direito à guerra para autodefesa e proteção de outros direitos 4) Três objetivos de toda vida social: Limitação da violência, cumprimento das promessas e adoção de regras que regulam propriedade. Estados cooperam para manter monopólio da violência e negam a outros o direito de exercê-la + aceitam limitações ao seu próprio direito: pelo menos não matam enviados diplomáticos + aceitam que guerra deva ser justificada por uma causa que possa ser defendida em termos de regras comuns + adesão a regras que impõem limites à prática da guerra. Princípio do pacta sunt servanda: presunção de que acordos serão cumpridos se as coisas permaneceram como são (necessário para viabilidade da cooperação). Mútuo reconhecimento da soberania estatal deriva da noção de que certas populações e territórios pertencem ao patrimônio do respectivo governante Bull conceitua três tipos de ordem: Ordem na vida social (elemento essencial de todas as relações humanas), Ordem internacional (entre os Estados em um sistema ou sociedade de Estados) e Ordem mundial (entre a grande sociedade formada pela humanidade como um todo. Poderia ser alcançada por outras modalidades de organização política universal. Unidade primária são os seres humanos individuais. Aspiração cosmopolita ainda não existente). Na fase atual a ordem na política mundial ainda consiste na ordem interna – a ordem dentro dos Estados – e na ordem internacional – a ordem entre os Estados. A ordem depende de normas para que seja mantida e um fator importante tem sido o conjunto de regras no formato de lei internacional. Mas devemos levar em conta também as normas que não se expressam como regras do direito internacional. Há regras de ordem e coexistência que pertencem à esfera da política internacional como Equilíbrio de poder, direito internacional, diplomacia, guerra e papel das grandes potências (são as instituições da sociedade dos Estados). Ois são relevantes para manutenção da ordem, mas as causas fundamentais da ordem estão nas instituições acima descritas da sociedade internacional, surgidas muito antes das Ois e que continuariam a existir mesmo sem as Ois instituições mais fundamentais e as Ois só contribuem para que elas operem melhor. Bull destaca ainda Três tradições doutrinárias e de pensamento em constante competição durante a história do moderno sistema de Estados. Hobbesiana (ou realista): política internacional como um estado de guerra. Kantiana (ou universalista): atuação de uma comunidade potencial de seres humanos para além das fronteiras dos Estados e Grociana (ou internacionalista): política internacional ocorre dentro de uma sociedade de Estados. Tradição hobbesiana Guerra e disputa pelo poder entre os Estados Conflito entre Estados: jogo de soma zero Interesses de cada Estado excluem os de todos os outros Paz é período de recuperação da última guerra e de preparação para a próxima Só valem as regras da prudência e da conveniência: liberdade para Estado buscar suas metas Direito internacional só será respeitado se for conveniente Tradição Kantiana Conflito e solidariedade transnacionais superando as fronteiras dos Estados Vínculos sociais transnacionais entre os seres humanos que existem em potência, mas que varrerão o sistema dos Estados quando aflorarem Sociedade humana divida em dois campos: os que confiam na comunidade dos homens em outras bases e os seus opositores Não há lugar para direitos de soberania Grande comunidade humana cosmopolita ou luta revolucionáriada classe trabalhadora do mundo todo Tradição grociana Política internacional em termos de uma sociedade internacional: posição intermediária Estados são os principais atores e não os indivíduos ou classes sociais Estados não vivem como gladiadores: há limite impostos a seus conflitos por regras e instituições mantidas em comum Nem completo conflito nem harmonia de interesses de uma comunidade universal dos homens O comércio – e não a guerra – é o que representa espírito dessa sociedade: intercâmbio econômico e social entre os Estados Coexistência e cooperação Tradição grociana: o elemento da sociedade internacional Estados com certos interesses em comum mutuamente vinculados por regras e normas e cooperando por meio de instituições aceitas e utilizadas por eles Mais do que simples tradições de pensamento, essas 3 visões refletem 3 elementos que convivem na política internacional e competem entre si. O elemento grociano da sociedade internacional é só 1 dos elementos e compete sempre com os elementos do estado de guerra e da solidariedade ou conflito transnacionais. Elemento da sociedade internacional não é exclusivo ou necessariamente dominante: os outros 2 também são reais. Elementos de uma sociedade internacional sempre estiveram presentes e continuam a estar presentes no sistema internacional. O problema é que, muitas vezes, de maneira precária. Na maior parte do tempo, maioria dos Estados respeita regras básicas de coexistência, de respeito mútuo pela soberania, de cumprimento dos tratados e limitação do uso da violência. Na maior parte do tempo, também participa de instituições comuns: procedimentos do direito internacional, do sistema de representação diplomática, da aceitação do papel e responsabilidade especiais das grandes potência, das OIs. Mesmo no auge de uma grande guerra ou de um conflito ideológico, a ideia da sociedade internacional não desaparece. Por exemplo: 2ª. GM: aliados respeitavam regras da sociedade internacional entre si e frente países neutros + havia grupos dos 2 lados buscando negociar a paz + observavam convenções de Genebra sobre prisioneiros de guerra. Na GF: não interromperam relações diplomáticas, reconheciam suas soberanias, não repudiaram ideia de um direito internacional comum e não provocaram ruptura da ONU Muitos argumentam que não pode existir uma sociedade internacional em razão da anarquia, ou seja, da falta de um autoridade acima dos Estados. Para Bull a anarquia não anula a existência a sociedade internacional: sociedade anárquica. Três pontos fracos dos argumentos contra sociedade anárquica: 1) sistema internacional moderno não se parece com o estado de natureza hobbesiano. Estados não investem todos os seus recursos na guerra, arruinando economia: gasto militar gera segurança e ajuda melhoria econômica. Ausência de governo mundial não impede interdependência econômica entre as nações. Noções de certo e errado e de propriedade estão sim presentes. Do estado de natureza hobbesiano, só se verifica disposição dos Estados de guerrear entre si. 2) Temor de um governo supremo não é a única fonte possível de ordem - Há outros fatores que tornam homens capazes de uma coexistência social ordenada: interesse mútuo, sentido de de comunidade ou de vontade geral, hábito ou inércia. 3) Estados são muito diferentes dos indivíduos. Pode até ser que indivíduos, sem governo, não consigam alcançar ordem, mas o mesmo não pode ser dito sobre a anarquia entre os Estados. Diferente do indivíduo, Estado não usa todas as energias na busca da segurança na anarquia, Não são vulneráveis a um ataque da mesma forma que indivíduos E nem todos são igualmente vulneráveis: diferença entre as grandes e pequenas potências. Porém, fato de que a sociedade internacional fornece certo elemento de ordem à política internacional não deve gerar complacência. Ordem é precária e imperfeita.