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Cirurgia PlásticaPeriodontal

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11. Freitas RS, Pessoa TJL, Tolazzi ARDO, Postai G. Rev Soc. Brás. Cir. Craniomaxilofac 
2006;9(1):1-5.
12. Pessoa TJL, Freitas RS, Iida AC, Beck PT. Liberação do músculo depressor do septo 
nasal para tratamento do sorriso gengival. Revista ImplantNews 2010;7(6):767-74.
183Revista PerioNews 2011;5(2):183-9
 Periodontia
RESUMO
A busca por materiais de enxerto substitutos aos tecidos autógenos se baseia, 
entre outros fatores, na redução da morbidade pós-operatória e na possibili-
dade de tratamento de áreas extensas. O objetivo deste estudo foi avaliar de 
forma inédita o enxerto heterógeno de pericárdio bovino acelular no tratamen-
to de retrações gengivais, comparando-o com o tecido conjuntivo subepitelial 
(enxerto autógeno) e com a matriz dérmica acelular, reconhecido substituto 
alógeno utilizado em diversas cirurgias mucogengivais. Para tanto, 18 retrações 
gengivais largas e com pelo menos 3 mm de altura foram tratadas, sendo seis 
em cada grupo de enxerto. Os parâmetros clínicos: retração gengival, profun-
didade de bolsa a sondagem, nível clínico de inserção e quantidade de mucosa 
queratinizada foram avaliados inicialmente e seis meses após as cirurgias. Os va-
lores de retração gengival e de quantidade de mucosa queratinizada sofreram 
melhoras estatisticamente signifi cantes em todos os grupos estudados, não 
sendo observadas diferenças relevantes entre eles. As porcentagens de reco-
brimento radicular de 78,82% para o enxerto de pericárdio bovino acelular, de 
71,67% para a matriz dérmica acelular e de 79,68% para o enxerto de conjuntivo 
subepitelial condizem com aquelas observadas na literatura científi ca, sendo 
em alguns casos até mesmo superiores. Neste contexto, se sugere a utilização 
do pericárdio bovino acelular como um possível substituto do enxerto de con-
juntivo subepitelial para recobrimento radicular, da mesma forma com que vem 
sendo utilizada a matriz dérmica acelular.
Unitermos - Retração gengival; Estudo comparativo; Periodontia.
ABSTRACT
The search for graft materials substitute to autogenous tissue is based, among 
other factors, the reduction of postoperative morbidity and the possibility of 
treating large areas. The aim of this study was to evaluate unprecedentedly 
the heterogenous graft of acellular bovine pericardium in the treatment of 
gingival recessions, comparing it to the subepithelial connective tissue (au-
tograft) and the acellular dermal matrix, recognized substitute graft used in 
several mucogingival surgeries. Eighteen large gingival recessions, measuring 
at least 3mm in height, were treated, six of them in each group. The clinical 
parameters of gingival recession, probing depth, relative clinical attachment 
level, and width of keratinized tissue were measured at baseline and 6 months 
post surgery. Gingival recession and keratinized tissue evaluations presented 
statistically signifi cant improvements in all the experimental groups, without 
statistically signifi cant differences between them. The percentages of root 
coverage was of 78.82% for the acellular bovine pericardium, 71.67% for the 
acellular dermal matrix and 79.68% for the connective tissue graft, which are 
in accordance with the results described in the scientifi c literature or even 
better. Based on this, the acellular bovine pericardium could be suggested as 
a possible substitute of the connective tissue graft in root coverage proce-
dures in the same way that has been used with the acellular dermal matrix. 
Key Words – Gingival recession; Comparative study; Periodontics.
Pericárdio bovino acelular, 
matriz dérmica acelular 
ou tecido conjuntivo para 
recobrimento radicular
*Mestre e doutora em Periodontia – Faculdade de Odontologia de 
Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo.
**Mestre e doutor em Periodontia – Faculdade de Odontologia de 
Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo.
***Professor titular – Departamento de Cirurgia e TBMF e Perio-
dontia – Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto, Universidade 
de São Paulo.
Estudo clínico
Raquel Rezende Martins de Barros*
Guilherme de Oliveira Macedo**
Arthur Belém Novaes Junior***
Acellular bovine pericardium, acellular 
dermal matrix or connective tissue for 
root coverage
Recebido em ago/2010
Aprovado em set/2010
184 Revista PerioNews 2011;5(2):183-9
de Barros RRM  Macedo GO  Novaes Jr. AB
INTRODUÇÃO
O tratamento de retrações gengivais ganhou maior evi-
dência nos últimos anos em função do aumento da demanda 
estética pelos pacientes, em uma primeira análise, mas tam-
bém devido a alta incidência deste defeito mucogengival e 
sua relação direta com a hipersensibilidade dentinária e cáries 
radiculares.
Visando alcançar altos índices de recobrimento radicular e 
alta previsibilidade de resultados, diferentes técnicas cirúrgicas 
têm sido propostas. Dentre estas, o enxerto de tecido conjun-
tivo subepitelial se destaca. Este procedimento se caracteriza 
pela interposição de um enxerto autógeno sob um retalho 
tracionado coronalmente, o que representa um avanço téc-
nico no sentido de criar um ambiente de dupla fonte de vas-
cularização para o enxerto1. Entretanto, a necessidade de um 
sítio doador que aumenta o tempo cirúrgico e o desconforto 
pós-operatório do paciente, bem como a quantidade limitada 
de material de enxerto, vêm sendo ressaltadas como desvan-
tagens inerentes a esta técnica.
O enxerto de matriz dérmica acelular foi introduzido na 
Periodontia como um potencial substituto alógeno do tecido 
conjuntivo subepitelial, com intenção de driblar as limitações 
inerentes ao uso do enxerto autógeno. O AlloDerm, como é 
conhecido comercialmente, é preparado a partir da derme de 
doadores humanos, a qual passa por um rigoroso processo de 
acelularização, capaz de preservar a integridade estrutural do 
tecido, assim resultando em uma matriz ou arcabouço apto a 
conduzir o crescimento de células e vasos sanguíneos do hos-
pedeiro2. Atualmente, já são muitos os trabalhos que susten-
tam a igualdade de resultados de recobrimento radicular com 
o enxerto autógeno ou alógeno3-8.
Na busca por outros biomateriais capazes de substituir 
os tecidos autógenos, encontrou-se um enxerto heterógeno 
derivado do pericárdio bovino que vem sendo utilizado na ci-
rurgia cardíaca, na substituição de toda válvula nativa por uma 
prótese confeccionada deste material, por exemplo9. De for-
ma geral, são considerados requisitos para estas biopróteses 
apresentar uma resistência adequada para tolerar o estresse 
mecânico em longo prazo, com reconhecidas característica de 
imunocompatibilidade, não desencadeando resposta de defe-
sa por parte do organismo9. Sob estes aspectos, o Techgraft, 
como vem sendo chamado este material heterógeno, deriva 
do pericárdio bovino e, semelhantemente ao AlloDerm, passa 
por um processo de acelularização, a fi m de torná-lo menos 
antigênico, minimizando a resposta infl amatória. Outra vanta-
gem semelhante de ambos é que o processo de acelularização 
não danifi ca a malha de fi bras de colágeno e elastina, as quais 
continuam viáveis9.
PROPOSIÇÃO
Neste contexto, o presente trabalho teve como objetivo 
avaliar este novo enxerto heterógeno como uma potencial 
alternativa no tratamento de retrações gengivais localizadas, 
comparando-o tanto com o enxerto autógeno de tecido 
conjuntivo quanto com o enxerto alógeno de matriz dérmica 
acelular.
MATERIAL E MÉTODOS
População de estudo
O desenho deste estudo foi aprovado pelo Comitê de Éti-
ca da Universidade de São Paulo (protocolo nº 2007.1.312.58.2). 
Os pacientes foram selecionados na clínica de pós-graduação 
em Periodontia da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Pre-
to, Universidade