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Faculdade de Medicina Universidade do Porto Serviço de Fisiologia Aula Prática HEMOGRAMA Texto de Apoio João Bruno, Rui Miguelote Tiago Henriques-Coelho Prof. Doutor Adelino Leite-Moreira Porto, Ano Lectivo 2001/02 2 INTRODUÇÃO O hemograma é um dos exames complementares de diagnóstico mais frequentemente requisitados e permite uma quantificação dos elementos celulares do sangue: eritrócitos, leucócitos e plaquetas. Na realidade, é o exame de primeira linha no estudo da função hematológica. Contudo, uma análise atenta e cuidada dos elementos celulares implica, para além da quantificação de cada um dos tipos de células sanguíneas, o estudo da sua morfologia. Os Eritrócitos (ou glóbulos rubros) são as células sanguíneas mais numerosas e são anucleadas. Os Leucócitos (ou glóbulos brancos), efectores da resposta imune, incluem 5 tipos de células com funções e morfologia específicas: neutrófilos, linfócitos, monócitos, eosinófilos e basófilos. As Plaquetas são fragmentos citoplasmáticos com funções na hemóstase primária. ASPECTOS PRÁTICOS DO HEMOGRAMA A realização de um hemograma envolve três passos fundamentais: a colheita/processamento da amostra, a análise da amostra e a avaliação/interpretação dos resultados. COLHEITA E PROCESSAMENTO DA AMOSTRA A colheita e o processamento apropriados da amostra de sangue são fundamentais para um hemograma correcto. O sangue é colhido por venipunctura para tubos contendo um anticoagulante. Os três anticoagulantes mais utilizados são o ácido etilenodiaminotetracético (EDTA), a heparina e o citrato trisódico. O EDTA remove o cálcio necessário à coagulação e é o anticoagulante mais indicado para contagens de células sanguíneas porque induz uma anticoagulação completa com efeitos minor sobre as células. A heparina actua pela formação de um complexo com a antitrombina, prevenindo a formação de trombina. É utilizada nos testes de fragilidade osmótica para prevenir a hemólise dos eritrócitos e nos testes funcionais e imunológicos dos leucócitos. O citrato trisódico actua pela remoção de cálcio e é o anticoagulante mais utilizado nos estudos da coagulação e das plaquetas. A concentração de anticoagulante pode afectar a análise dos estudos de concentração e mesmo distorcer a morfologia celular. A maioria das amostras são colhidas directamente para tubos comerciais de vácuo (Vacutainer®) com pressões negativas que contêm a concentração correcta de anticoagulante, minimizando as possíveis fontes de erro. Após a colheita, o sangue anticoagulado pode ser armazenado a 4ºC durante 24 horas mas, idealmente, deverá ser analisado o mais expeditamente possível. ANÁLISE DA AMOSTRA Pode ser realizada através de métodos manuais ou automáticos. Os métodos manuais recorrem à observação microscópica da amostra, enquanto os métodos automáticos baseiam-se no uso de 3 técnicas que avaliam as variações de impedância do fluxo eléctrico ou da dispersão de luz produzida pelas diferentes células. De forma genérica, podemos afirmar que os segundos fornecem medições mais precisas e completas do que os primeiros, ao mesmo tempo que aumentam a rapidez da análise. Os métodos automáticos podem fornecer alguns dados qualitativos como o volume celular, mas como se baseiam em características médias, poderão conduzir a resultados erróneos. Desta forma, uma análise por métodos manuais, reveste-se de grande importância nos casos em que é necessária uma avaliação qualitativa. AVALIAÇÃO DOS RESULTADOS Um hemograma completo inclui vários parâmetros: - contagem de GR, com os índices eritrocitários - contagem de glóbulos brancos - contagem de plaquetas - morfologia celular GLÓBULOS RUBROS Os glóbulos rubros (GR) definem-se por três parâmetros quantitativos: o hematócrito, a concentração de hemoglobina e a contagem de GR. Três índices adicionais permitem descrever características qualitativas médias e incluem o Volume Globular Médio (VGM), a Hemoglobina Globular Média (HGM) e a Concentração Média da Hemoglobina Globular (CMHG). Hematócrito (Ht) –proporção do volume da amostra de sangue que é ocupado pelos GR. A forma mais apropriada para o determinar é por centrifugação, tal como descrito originalmente por Wintrobe. Expressa-se em % ou em litros por litro (L/L). Concentração da Hemoglobina (Hb) – a hemoglobina é uma proteína dotada de uma coloração forte, o que permite a sua quantificação por métodos colorimétricos e espectofotométricos. As várias formas de hemoglobina patentes no sangue incluem a oxihemoglobina, a carboxihemoglobina e a metemoglobina, entre outras. Podem ser convertidas num único componente estável comum, a cianometemoglobina. O doseamento desta permite a determinação da concentração de hemoglobina. Expressa-se em gramas por decilitro (g/dL) do sangue total. Contagem de Glóbulos Rubros – os métodos manuais de contagem estão em desuso pela imprecisão dos resultados. De facto, os métodos automáticos fornecem contagens mais precisas e são realizados em sangue total diluído em meio isotónico. 4 Anemia - descida para valores inferiores aos normais do número de GR do sangue circulante e/ou do seu conteúdo de hemoglobina. Define-se por uma concentração de hemoblogina inferior a 13 g/dl no homem e a 12 g/dl na mulher e/ou um Ht inferior a 42% no homem e a 37% na mulher. Pode manifestar-se através de diversos sintomas como palidez mucocutânea, síncope, vertigens, taquicardia, perturbações digestivas, entre outros. Policitemia (ou poliglobulia) - aumento da percentagem de GR. Pode ser relativa (devido a perda de volume) ou absoluta (aumento da massa total de GR). Pode ser induzida por hipoxémia crónica (altitude elevada) ou ser consequência de uma doença (como nas hemoglobinopatias). Volume Globular Médio (VGM) – o volume médio dos GR é um índice útil na classificação das anemias. A anemia classifica-se como normocítica quando os valores do VGM se encontram dentro da normalidade, macrocítica quando o VGM está elevado ou microcítica quando o VGM se encontra reduzido. É geralmente determinado por métodos automáticos, mas pode ser calculado pelo quociente entre o hematócrito e o número de glóbulos rubros. Expressa-se em fentolitros (fl ou x10-15). Hemoglobina Globular Média (HGM) - medida do conteúdo de hemoglobina por GR. Pode ser calculada pela fórmula que se segue. Expressa-se em picogramas (pg ou x10-12). Concentração Média de Hemoglobina Globular (CMHG) - concentração média de hemoglobina por GR. É a base da classificação da cromia: normocromia diz respeito a CMHG dentro dos valores de referência; hipocromia traduz diminuição da coloração normal dos GR. Note-se que, salvo raras excepções (p.e esferocitose e alguns casos de hemoglobinopatias), não há hipercromia visto o CMHG nunca poder ultrapassar 36% ou 36 g/dl, que é o seu limite superior. Isto ocorre porque concentrações mais elevadas reduzem a solubilidade da hemoglobina, podendo mesma levar à sua cristalização. A CMHG pode ser calculada utilizando a fórmula apresentada. Expressa-se em g/dl ou %. Reticulócitos – contagem de GR imaturos no sangue periférico. O seu número encontra-se aumentado quando a produção medular de GR aumenta. A sua contagem é útil para distinguir situações hipoproliferativas (p.e anemia ferropénica) e hiperproliferativas (p.e. anemia hemorrágica e hemolítica) Ht(L/L) (g/dl) Hb = CMHG 10 x (n/L) GR Nº (g/dl) HbHGM = Nº GR (x1012/L) x 1000 Ht(L/L) VGM = 5 LEUCÓCITOS O estudo dos leucócitos baseia-se nos seguintesparâmetros: contagem, características morfológicas, proporções relativas, maturação e modificações na inflamação. A contagem normal de leucócitos varia entre 4,3 e 10,8 x 109/L. Deste valor, 45 a 75% são neutrófilos, 16 a 45% linfócitos, 4 a 10% monócitos, 0 a 7% eosinófilos e 0 a 2% basófilos. O aumento do número de leucócitos (>10,8 x 109/L) designa-se por leucocitose e resulta, na maioria dos casos, do aumento do número de neutrófilos (neutrofilia). As principais causas de leucocitose são: infecção/inflamação, traumatismo e leucemia/linfoma. Há algumas situações que são acompanhadas pelo aumento de um tipo específico de leucócito, pelo que a realização de um hemograma pode ter particular interesse no seu diagnóstico. Por exemplo, as infecções bacterianas acompanham-se frequentemente de neutrofilia, as infecções víricas de linfocitose e as infecções parasitárias e doenças alérgicas de eosinofilia. A diminuição do número de leucócitos para níveis inferiores a 4,3 x 109/L designa-se por leucopenia e resulta geralmente de uma diminuição do número de neutrófilos (neutropenia). As principais causas de leucopenia são o uso de fármacos que afectam a produção de leucócitos, as terapêuticas imunossupressoras e as síndromes de imunodeficiência. Sobretudo em situações neoplásicas (linfomas e leucemias), para além da contagem dos leucócitos, é fundamental o estudo morfológico e imunológico das células. PLAQUETAS A variação normal da contagem das plaquetas é de 130-400 x 109/L. O aumento do número de plaquetas (>400 x 109/L ) designa-se por trombocitose e pode ocorrer, por exemplo, em associação com doenças mieloproliferativas (linfomas e leucemias). A diminuição do número de plaquetas (< 130 x 109/L) designa-se por trombocitopenia. Em grande parte dos casos de trombocitopenia ocorre auto- imunidade para as plaquetas do indivíduo, embora não se conheça a causa de tal fenómeno (trombocitopenia idiopática). ESFREGAÇO SANGUÍNEO A avaliação de um esfregaço sanguíneo é uma parte importante na avaliação da doença hematológica. Embora um diagnóstico específico possa ser sugerido com base em resultados obtidos por métodos automáticos, muitas doenças têm uma contagem celular normal com morfologia celular anormal. Situações como anisocitose (variações do tamanho), poiquilocitose (variações da forma) ou anisocromia (variações da cor) só poderão ser avaliadas através da realização de um esfregaço sanguíneo. Se o anterior é verdade, também o é que a análise morfológica pode ser prejudicada por esfregaços mal preparados ou corados ou pela inexperiência do observador. Um bom esfregaço sanguíneo e, por consequência, o sucesso da análise morfológica exigem particular atenção na preparação e coloração do esfregaço e familiaridade com a aparência morfológica de tipos celulares normais ou patológicos. 6 CAUSAS DE ERRO NA AVALIAÇÃO DO HEMOGRAMA Para a correcta interpretação de um hemograma teremos sempre de ponderar a possibilidade de ocorrerem erros desde a colheita da amostra até à análise dos resultados. A colheita e o processamento da amostra são dois factores que determinam decisivamente o resultado de um hemograma, sobretudo pela influência que exercem sobre as etapas seguintes. Uma colheita apropriada da amostra de sangue é, talvez, o passo mais importante para que o resultado do hemograma seja o correcto. Factores como a actividade do doente, o estado de hidratação, a posição de recolha e a ansiedade aquando da colheita da amostra poderão afectar os parâmetros hematológicos e, como tal, deverão ser considerados na interpretação dos resultados. Por sua vez, durante o processamento da amostra podem ocorrer alterações nas características originais da mesma, quer em relação às células (p.e. alteração da morfologia), quer em relação ao plasma (p.e. alteração da viscosidade), podendo invalidar os resultados posteriores. Outra fonte de erro diz respeito ao método de obtenção dos vários parâmetros que fazem parte do hemograma. Se é certo que os métodos automáticos mostram grande acuidade e reproductibilidade, é também verdade que não estão isentos de erros, sobretudo em dois aspectos: instrumentação e amostra. Em relação ao primeiro são de referir os problemas relacionados com a má calibração do aparelho utilizado, assim como falhas eléctricas ou mecânicas e flutuações de voltagem. Em relação ao segundo, o volume ou as características de fluxo da amostra podem afectar negativamente a acuidade dos resultados. As características de fluxo da amostra podem ser alteradas no decurso do processamento da mesma ou serem consequência de certas doenças concomitantes (p.e. linfocitose e dislipidemia são duas situações associadas ao aumento da turbulência, causando elevações de Hb, VGM e CMHG que não correspondem à realidade). Na análise dos resultados, para além de todos os erros que poderão ter surgido em fases anteriores, teremos que ter em atenção que os valores que tomamos como referência variam com a idade, o sexo e a altitude de residência. Assim, um mesmo valor de Hb pode representar ou não uma anemia. Situações que, alterando ou mantendo a concentração dos GR por aumento ou diminuição do volume plasmático, podem simular situações de falsa normalidade, anemia ou policitemia. São exemplos o aumento do volume plasmático (e hematócrito baixo), a gravidez, a insuficiência renal, a insuficiência cardíaca e o decúbito prolongado. Pelo contrário, situações como a desidratação, a diarreia, a acidose diabética e a restrição de fluídos provocam diminuição do volume plasmático (e hematócrito alto). Por fim, são de destacar situações que podem mascarar uma anemia, ou seja, casos em que o volume plasmático acompanha a diminuição do número de GR, mantendo o hematócrito. São exemplos a hemorragia aguda e as neoplasias. Em todas estas situações é fundamental que o volume plasmático seja tido em consideração. Quando são utilizados métodos automáticos, é necessário ter em atenção outro aspecto: como se baseiam na média das características avaliadas, poderão ser fonte de erros. Desta forma, como já foi enfatizado, a análise microscópica de um esfregaço sanguíneo deverá ser realizada sempre que se suspeitar de alterações qualitativas. 7 ANEMIAS As indicações para a realização de um hemograma podem envolver qualquer um dos tipos celulares do sangue. Uma das principais indicações é, sem dúvida, o diagnóstico de anemia. Por isso, é importante conhecer a sua forma de apresentação clínica bem como a sua fisiopatologia. APRESENTAÇÃO CLÍNICA Depende da natureza da doença subjacente à anemia. De um modo geral, a sintomatologia agrava-se com a rapidez de aparecimento e gravidade da anemia e com a idade do doente. Uma anemia ligeira pode ser compensada por um desvio da curva de dissociação hemoglobina de modo a manter o aporte de oxigénio para os tecidos. Consequentemente, o desvio da curva reduzirá progressivamente a capacidade de resposta dos GR a situações de aumento do consumo de oxigénio. As principais queixas dos doentes incluem: astenia, taquicardia e dispneia de esforço. Quando os níveis de Hb se tornam inferiores a 7-8 g/dl, a capacidade física sofre uma redução acentuada: qualquer esforço estará associado a dispneia, palpitações, cefaleia e rápida exaustão. A perda aguda de sangue envolve redução súbita do volume sanguíneo e da massa eritrocitária. Em casos de hemorragia grave, o desvio da curva de dissociação da hemoglobina não é suficiente para manter o aporte de oxigénio para os tecidos e os doentes apresentarão sinais e sintomas de hipóxia tecidual e de colapso vascular, nomeadamente, confusão, dispneia, diaforese, hipotensão e taquicardia, necessitandode reposição imediata de volume. Nos doentes que desenvolvem uma anemia crónica, o volume de sangue total permanece normal (ou ligeiramente aumentado) e as alterações no débito cardíaco (por aumento da frequência cardíaca) e no fluxo sanguíneo regional (vasodilatação) ajudam a compensar a perda na capacidade de transporte de oxigénio. Ao exame físico essa compensação irá traduzir-se em pulsos periféricos amplos e sopros cardíacos. A palidez da pele e das mucosas é também um sinal importante de anemia embora em indivíduos com edema subcutâneo, redução acentuada do fluxo sanguíneo cutâneo ou pele muito pigmentada seja de valorização mais complexa. Assim, face a um indivíduo com astenia, taquicardia, taquipneia, cefaleias e palidez mucocutânea é sempre de considerar a hipótese de anemia. O diagnóstico completo dependerá, como habitualmente, de uma história clínica e exame físico detalhados e do recurso a exames complementares, nomeadamente, ao hemograma. FISIOPATOLOGIA (classificação de acordo com o defeito funcional na eritropoiese) Deficiência na produção dos eritrócitos (Anemias hipoproliferativas) – são o tipo de anemias mais frequente. Podem resultar de lesão da medula óssea, carência inicial de ferro ou falência da resposta normal da eritropoietina à anemia. Caracterizam-se por baixo índice de produção de reticulócitos e por ausência de alterações na morfologia das hemácias. Classificam-se, geralmente, em anemias normocrómicas normocíticas. 8 Distúrbios da maturação – tal como as anteriores, apresentam baixo índice de produção de reticulócitos, que é reflexo de uma eritropoiese não efectiva resultante de um defeito na maturação do precursor eritróide. Se o defeito residir na maturação nuclear, a anemia será do tipo macrocítico e levará a morfologia megaloblástica da medula óssea. Este tipo de defeito ocorre normalmente na deficiência de ácido fólico ou de vitamina B12. A primeira é particularmente comum nas grávidas e alcoólicos crónicos e a segunda pode resultar de deficiência da vitamina na dieta (p.e. dietas vegetarianas) ou de deficiente produção do factor intrínseco. Se o defeito ocorrer na maturação citoplasmática, a anemia será do tipo microcítica hipocrómica. As causas mais comuns são a deficiência grave de ferro (p.e. hemorragias crónicas, defeitos na absorção de ferro ou dietas pobres em ferro) ou os defeitos herditários na síntese da cadeia da globina (p.e. talassemias). Destruição eritrocitária aumentada (Anemias hiperproliferativas) – apresentam caracteristicamente aumento no índice de produção de reticulócitos, juntamente com morfologia eritrocitária normocítica ou apenas discretamente macrocítica. Este achado reflecte a capacidade que a medula óssea possui de compensar a anemia por perda sanguínea ou por hemólise das hemácias, aumentando a produção dos eritrócitos. As anemias hemolíticas surgem em doentes com defeitos na morfologia eritrocitária (p.e. esferocitose hereditária, anemia falciforme ou outras hemoglobinopatias) ou com patologias auto- imunes. Nas anemias por perda sanguínea o aumento do índice de produção de reticulócitos não é tão elevado como nas anemias hemolíticas, porque a resposta à perda sanguínea é limitada pela disponibilidade das fontes de ferro. VALORES DE REFERÊNCIA Índice Homem Mulher Contagem de Eritrócitos 4,15-4,90x1012/L Concentração de Hemoglobina 13-18 g/dL 12-16 g/dL Hematócrito 42-52% 37-48% Volume Globular Médio (VGM) 86-98 fl Hemoglobina Globular Média (HGM) 28-33 pg Concentração Média de Hemoglobina Globular (CMHG) 32-36 g/dL Reticulócitos 0,5-2% Leucócitos (total) 4,3-10,8x109/L Neutrófilos 45-74% Linfócitos 16-45% Monócitos 4-10% Eosinófilos 0-7% Basófilos 0-2% Plaquetas 130-400x109/L BIBLIOGRAFIA 1. Fauci AS, Braunwald E, Isselbacher KJ, Martin JB, Kasper DL, Hauser SL, Longo DL, editors. Harrison’s Principles of Internal Medicine. New York: McGraw-Hill, 1998:356-361 2. Lee GR, et al. Wintrobe’s Clinical Hematology. Baltimore: Williams & Wilkins, 1994:9-30;897-935