foca no resumo lei de drogas5
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 MARTINA CORREIA

LEI DE DROGAS (LEI 11.343/2006)
PENAL E PROCESSO PENAL

Lei de Drogas (Leis Especiais \u2013 Juspodivm) + Legislação Criminal Especial Comentada (Renato Brasileiro) +
Nestor Távora + Dizer o Direito

\uf0b7 PRINCIPAIS MUDANÇAS

- A Lei 11.343/06 revogou a antiga Lei de Drogas (Lei 6.368/76). Além de criar o Sistema Nacional de
Políticas Públicas sobre Drogas para substituir o antigo Sistema Nacional Antidrogas, a nova lei
simbolizou um novo olhar do legislador sobre a questão do tráfico de drogas.

Lei 6.368/76 Lei 11.343/06
- Repressão do tráfico de drogas.

- Foco na figura do traficante.
- Droga: questão de saúde pública.

- Tratamento brando ao usuário e dependente (PREVENÇÃO,
ATENÇÃO E REINSERÇÃO) com foco ressocializador.

- Punição mais enérgica ao traficante de drogas.
- O termo \u201cdroga\u201d utilizado pela Lei 11.343/06 está de acordo com o panorama internacional
(\u201cnarcotic drugs\u201d) e substitui o termo \u201centorpecente\u201d utilizado na Lei 6.368/76 (nem todas as drogas
são entorpecentes).
- A sucessão de leis despertou dúvidas acerca da possibilidade de combinação de leis penais (lex
tertia). A Lei 6.368/76 previa uma pena mais branda para o tráfico de drogas, mas não contava com a
possibilidade de diminuição da pena. A Lei 11.343/2006 passou a prever uma pena mais gravosa,
mas, em contrapartida, permite a redução de pena no caso do \u201ctraficante privilegiado\u201d (1/6 a 2/3).

Antiga Lei de Drogas (Lei 6.368/76) Nova Lei de Drogas (Lei 11.343/06)
3 a 15 anos de prisão

(pena mais branda, mas sem possibilidade
de diminuição de pena)

5 a 15 anos (pena mais gravosa)
Possibilidade de diminuição de pena (1/6 a 2/3)

- Se o crime foi cometido na vigência da Lei 6.368/76, pode o juiz considerar a pena mínima desta (3
anos) e a possibilidade de diminuição da pena trazida pela Lei 11.343/06, concomitantemente? Os
Tribunais Superiores entendem que não: ao combinar as leis, o juiz transforma-se em legislador,
criando uma terceira lei (lex tertia). Deve-se ponderar os benefícios e malefícios de cada lei
separadamente (PRINCÍPIO DA PONDERAÇÃO UNITÁRIA). Essa é a posição do STF (RE 600.817 e
info. 727) e do STJ (súmula 501).
- Súmula 501 do STJ: é cabível a aplicação retroativa da Lei 11.343/06, desde que o resultado da
incidência das suas disposições, na íntegra, seja mais favorável ao réu do que o advindo da
aplicação da Lei 6.368/76, SENDO VEDADA A COMBINAÇÃO DE LEIS.
- Vale registrar que respeitável corrente entende ser possível a combinação de leis para atender aos
princípios constitucionais da ultra-atividade e da retroatividade benéficas. O STF, em julgado de
2008, já decidiu nesse sentido (HC 95435), bem como o STJ, no mesmo ano (HC 101836).

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\uf0b7 CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A LEI 11.343/2006

- \u201cDroga\u201d (art. 1º) = substâncias ou produtos capazes de causar dependência, assim especificados
em lei ou relacionados em listas atualizadas periodicamente pelo Poder Executivo da União.
- Tem-se aqui uma NORMA PENAL EM BRANCO EM SENTIDO ESTRITO OU HETEROGÊNEA (lei
complementada por Portaria \u2013 Portaria nº. 344 da ANVISA).
- As substâncias e produtos que estão na lista ostentam presunção absoluta quanto à capacidade de
causar dependência (rol taxativo, não cabe prova contrária).
- Atualmente, o Cloreto de Etila (\u201clança perfume\u201d) é considerado droga. Já deixou de ser durante 8
dias (quando foi retirada do rol pela Resolução ANVISA RDC 104 de 07/12/2000). Surgiu, então, uma
abolitio criminis temporária. O STF decidiu que os agentes que praticaram qualquer conduta antes
de 07/12/2000 tiveram a punibilidade extinta (HC 94397/BA).
 - Quanto à Marcha pela Legalização, o STF priorizou a liberdade de pensamento, expressão,
informação e comunicação.
- É constitucional o confisco da propriedade em que se cultive qualquer espécie de planta da qual se
possa extrair droga (art. 243 da CF/88). O proprietário não tem direito a justa indenização. Além
disso, o STF entende que deve ser expropriada a totalidade do imóvel (RE 543.974/MG).
- A Lei dedica um capítulo a medidas de prevenção e enumera princípios e diretrizes como o
tratamento especial dirigido às parcelas mais vulneráveis da população, levando em consideração as
suas necessidades específicas e o compartilhamento de responsabilidade e a colaboração mútua com
as instituições do setor privado e com os diversos segmentos sociais.
- As ações de atenção e reinserção social são voltadas ao viciado e à sua família, visando à melhoria
da qualidade de vida e à redução de riscos e dos danos.
- A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão conceder benefícios às instituições
privadas que desenvolverem programas de reinserção no mercado de trabalho, do usuário e do
dependente de drogas encaminhados por órgão oficial.
- O dependente de drogas que estiver preso deve ter garantido os serviços de atenção à sua saúde. O
STF (HC 106477) já concedeu HC para assegurar tratamento psicológico ao paciente usuário de
drogas. Caso seja negligenciada a assistência ao preso viciado, já se entendeu ser possível o
atendimento por médico particular.

RESSALVAS À PROIBIÇÃO DAS DROGAS (art. 2º)
PLANTAS DE USO ESTRITAMENTE RITUALÍSTICO-

RELIGIOSO (caput).
 É necessária autorização legal ou regulamentar.

O dispositivo faz menção à Convenção de Viena das
Nações Unidas sobre Substâncias Psicotrópicas

(1971).

FINS MEDICINAIS OU CIENTÍFICOS (parágrafo único).
É necessária autorização legal ou regulamentar.

Local e prazo determinado.
Mediante fiscalização.

\uf0b7 ART. 28 E FIGURA EQUIPARADA

- Na Lei 6.368/76 (linha repressiva), a pena correspondente era rigorosa: detenção, de 6 meses a 2
anos e multa. O maior avanço da Lei 11.343/06 está no art. 28, que trata de acabar com a pena de
prisão para o usuário de drogas. Razões para o tratamento diferenciado:

a) A prisão não traz nenhum benefício à saúde do usuário porque impede que a ele seja
dispensada a atenção necessária (tratamento);

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b) A sociedade também perde na medida em que o usuário preso passará a conviver com
agentes de crimes muito mais graves (profissionalização de criminosos);
c) A prisão do usuário alimenta a corrupção policial.

Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para
consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou
regulamentar será submetido às seguintes penas:

ADVERTÊNCIA SOBRE
OS EFEITOS DAS

DROGAS

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À
COMUNIDADE

MEDIDA EDUCATIVA DE
COMPARECIMENTO A PROGRAMA OU

CURSO EDUCATIVO
Exaure-se em si mesma. Prazo máximo: 5 meses

*Reincidência: 10 meses
Prazo máximo: 5 meses
*Reincidência: 10 meses

É um esclarecimento que
deve ser feito pelo juiz

quanto às consequências
maléficas causadas pelo

uso de drogas.

A prioridade recai sobre entidades
que se ocupem preferencialmente

da prevenção do consumo de
drogas.

O programa não precisa ter como tema
exclusivo os malefícios causados pelo uso

de drogas, sob pena de se confundir com a
pena de advertência.

Pode ser, por exemplo, um programa
relacionado à profissionalização.

As sanções podem ser APLICADAS DE FORMA ISOLADA OU CUMULADA, BEM COMO SUBSTITUÍDAS A
QUALQUER TEMPO, ouvido o MP e o defensor.

*Para Renato Brasileiro, a reincidência é genérica, pois o dispositivo apenas referiu-se a
\u201creincidência\u201d. Todavia, parece prevalecer que as penas poderão ser aplicadas pelo prazo máximo de
10 meses em casos de reincidência específica (no crime de porte de drogas para consumo pessoal).
- A Lei não dispõe sobre a quantidade de horas que deve ser cumprida. Aplica-se a regra geral