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DIREITO PENAL CONSTITUCIONAL  CRIMES EM ESPÉCIE

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o momento da concepção (nidação) até o instante anterior 
ao início do parto, conforme se depreende da interpretação do disposto no 
artigo 123, do Código Penal, que faz expressa menção de que a mãe atuaria 
durante o parto ou logo após. 
Fins de caracterização do término da vida 
Por outro lado, para fins de caracterização do término da vida extrauterina, o 
critério a ser adotado encontra-se previsto no Artigo 3º, da Lei nº 9434/1997, 
que dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para 
fins de transplante e tratamento. 
O término da vida extrauterina se confirma com a morte encefálica, que ocorre 
com a “parada das funções neurológicas segundo os critérios da inconsciência 
profunda sem reação a estímulos dolorosos, ausência de respiração 
espontânea, pupilas rígidas, pronunciada hipotermia espontânea e abolição de 
reflexos”. (Dicionário Médico Blakiston apud CAPEZ, Fernando. Curso de 
Direito Penal. v. 2. 10. ed. p. 36). 
Homicídio – Artigo 121 do Código Penal 
Disposições gerais - O delito de homicídio caracteriza-se pela eliminação da 
vida extrauterina. Por se tratar de um delito material com a admissibilidade da 
tentativa, a consumação ocorre com a ocorrência do resultado naturalístico. 
Trata-se ainda de um crime instantâneo de efeitos permanentes. 
Homicídio Privilegiado – previsto no §1º do Artigo 121: Uma vez 
reconhecido o privilégio, a doutrina é unânime em estabelecer que se trata de 
direito subjetivo do réu a diminuição de pena. Por motivo de relevante valor 
social, pode-se entender aquilo que venha a atender os interesses da 
coletividade, como, por exemplo, o caso clássico apresentado na Exposição de 
Motivos da Parte Especial do Código Penal, item nº 39, que seria a morte de 
um traidor da pátria. Motivo de relevante valor moral seria aquele que levasse 
em conta os interesses do agente, como o caso do homicídio eutanásico ou de 
um pai que mata o estuprador da filha. A segunda parte do Artigo. 121, §1º 
apresenta a hipótese de o agente estar totalmente influenciado pela emoção, 
aliado a praticamente um ato reflexo à provocação da vítima. 
Homicídio Qualificado – previsto no §2º do Artigo 121: Ainda de acordo 
com a Exposição de Motivos da Parte Especial do Código Penal, item nº 38, in 
verbis: 
“As circunstâncias qualificativas estão enumeradas no § 2º do Artigo 121. Umas 
dizem com a intensidade do dolo, outras com o modo de ação ou com a 
natureza dos meios empregados; mas todas são especialmente destacadas pelo 
seu valor sintomático: são circunstâncias reveladoras de maior periculosidade 
ou extraordinário grau de perversidade do agente (...)”. 
Abaixo você conhecerá mais informações sobre o homicídio qualificado. 
O homicídio qualificado e a incidência dos institutos repressores da 
Lei n. 8072/1990 – Lei de Crimes Hediondos. 
Consoante expressa previsão legal, art.1º, da Lei n. 8072/1990, o delito de 
“homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de 
extermínio, ainda que cometido por um só agente, e homicídio qualificado (art. 
121, § 2o, I, II, III, IV, V, VI e VII; §2º-A, CP)” é considerado hediondo, 
consumado ou tentado, de modo a incidirem todos os institutos repressores da 
Lei de Crimes Hediondos aos condenados pelo respectivo delito. 
Concurso de pessoas e incomunicabilidade das circunstâncias de 
caráter pessoal. 
Conforme dispõe o art.30, do Código Penal, no caso de concurso de pessoas as 
circunstâncias de caráter pessoal não se comunicam. Desta forma, para que 
possamos analisar a comunicabilidade ou não, seja do privilégio, seja das 
qualificadoras, imperioso identificar a espécie de circunstância. No que 
concerne ao privilégio, este se caracteriza como motivo determinante do crime, 
logo circunstância de caráter pessoal, incomunicável. 
Em relação às qualificadoras, pode-se dizer que se subdividem em: motivos 
qualificadores determinantes, meios e modos de execução qualificadores. No 
que concerne aos primeiros, não há que se falar em comunicabilidade no caso 
de concurso de pessoas. 
Por outro lado, no caso de qualificadoras de natureza objetiva, ou seja, afetas 
aos meios e modos de execução do delito, caso o agente que concorra para o 
delito tenha conhecimento destas é plenamente possível a sua 
comunicabilidade. 
Concurso entre o homicídio privilegiado e qualificado e a 
caracterização da hediondez: O ponto nodal da questão versa sobre a 
possibilidade da incidência simultânea do privilégio, causa especial de 
diminuição de pena e a qualificadora no delito de homicídio. O entendimento 
doutrinário e jurisprudencial dominante é no sentido da possibilidade, desde 
que a qualificadora seja de natureza objetiva, como, por exemplo, os meios e 
modos de execução (art. 121,§2°, III, CP). 
Quanto a incidência ou não, no delito de homicídio qualificado-privilegiado, dos 
institutos repressores da Lei n.8072/1990 – Lei de Crimes Hediondos, 
prevaleceu o entendimento pela inaplicabilidade dos institutos repressores da 
Lei de Crimes Hediondos ao delito de homicídio qualificado-privilegiado, 
manifestou-se o Superior Tribunal de Justiça, ao utilizar a técnica de auto 
integração legislativa - analogia, de modo a aplicar a norma contida no art. 67, 
do Código Penal, segundo a qual devem preponderar os motivos determinantes 
do crime (privilégio), de modo a afastar a incidência da Lei de Crimes 
Hediondos. 
O delito de homicídio culposo e a natureza jurídica da sentença 
concessiva do perdão judicial – prevista no §5º do Artigo 121: O 
perdão judicial, causa extintiva de punibilidade prevista no Artigo 107, IX, do 
Código Penal, configura-se como direito público subjetivo do réu de caráter 
unilateral, no qual o Estado-juiz deixa de aplicar a pena em circunstâncias 
expressamente previstas em lei, como, por exemplo, nos casos de homicídio e 
lesões corporais culposas (Artigo 121, §5º e Artigo 129, §8º, ambos do Código 
Penal). 
Atenção 
Nos casos de homicídio culposo, aplica-se o perdão judicial 
quando, face ao sofrimento infligido ao agente, a sanção penal 
estatal tornar-se desnecessária. O STJ sumulou, através do 
verbete da Súmula nº 18, no sentido de que a sentença 
concessiva do perdão judicial configura decisão declaratória de 
extinção de punibilidade, não gerando qualquer consequência 
para o réu. Esse é o entendimento sumulado pelo verbete de 
Súmula nº 18 do Superior Tribunal de Justiça em consonância 
com o disposto no Artigo 120 do Código Penal. 
Ainda no que concerne ao instituto do perdão judicial, questiona-
se a possibilidade de sua incidência nos delitos de homicídio e 
lesão corporal culposos previstos no Código de Trânsito. Nesses 
casos, o entendimento predominante tem sido no sentido da 
admissibilidade da aplicação da causa de extinção de 
punibilidade. 
Causa de aumento de pena – trazida pela Lei nº 12.720/2012: 
Historicamente falando, na época do Império, os portugueses entendiam como 
“milícia” as tropas que exerciam uma reserva auxiliar ao Exército, uma espécie 
de tropa de segunda linha. Pelo fato de a polícia militar, por muito tempo, ser 
considerada uma tropa reserva do exército, utilizou-se, então, a palavra 
“milícia” para ser feita referência à polícia militar. A lei faz menção às milícias 
privadas, que inicialmente eram formadas por policiais e ex-policiais que tinham 
por objetivo proteger comunidades localizadas em certas regiões e que 
cobravam valores individuais para remunerar serviços por eles prestados. Pelo 
fato de estarem armados, eram comuns os confrontos com pequenos 
criminosos e traficantes. A referida lei trouxe ao crime do homicídio uma 
novatio legis in pejus, ao introduzir uma causa de aumento