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www.quali�cagoias.go.gov.br CURSO A DISTÂNCIAEIXO INSERÇÃO PROFISSIONAL 1ª Etapa QUALIDADE E IMPLANTAÇÃO DE 5S 2 Sumário MÓDULO I: INTRODUÇÃO À QUALIDADE .................................................................... 3 MÓDULO II: GURUS DA QUALIDADE ......................................................................... 24 MÓDULO III: PROGRAMA 5S ...................................................................................... 37 MÓDULO IV: FERRAMENTAS PARA QUALIDADE ...................................................... 47 MÓDULO V: NORMALIZAÇÃO DA QUALIDADE .......................................................... 65 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................... 80 3 MÓDULO I: INTRODUÇÃO À QUALIDADE 1.1 - CONCEITO A qualidade tem existido desde os tempos em que os chefes tribais, reis e faraós governavam. Inspetores aceitavam ou rejeitavam os produtos se estes não cumpriam as especificações governamentais. O movimento da qualidade tem contribuído de forma marcante até os dias atuais na obtenção das vantagens competitivas junto às empresas. Com o mercado mundial cada vez mais competitivo, cresce nos dias de hoje uma conscientização entre empresários e funcionários de que a qualidade é algo fundamental para o crescimento de produtos e serviços. Por isso, deve haver um investimento cada vez maior nesta área. A fidelidade dos clientes é algo almejado por todo gerente que tenha uma visão ampla e a base para o sucesso das organizações. Para que a instituição consiga mantê-la, não basta somente satisfazer seus clientes, é necessário que seus produtos e/ou serviços conquistem o seu público. Oferecer qualidade em ambos os casos é a forma mais certa de conseguir uma fidelização de seu público. São inúmeros benefícios alcançados por um sistema de Gestão de Qualidade eficaz, mas somente poderão ser alcançados pela organização que investir nesta estratégia. 4 São alguns exemplos de benefícios que podem ser alcançados: • Aumento da fidelidade e satisfação do público, porque assegura que seus requisitos são atendidos; • Redução dos custos operacionais, por meio da diminuição dos custos da qualidade e aumento da eficiência, gerado como resultado da prevenção intensificada versus correção; • Aumento da motivação dos empregados e melhoria do estado de espírito à medida que eles trabalham com maior eficiência; • Melhor transferência de conhecimento dentro da instituição. O termo qualidade vem do latim qualitate, conceito desenvolvido por diversos estudiosos e que tem origem na relação das organizações com o mercado. É usado numa infinidade de situações. Alguns exemplos: qualidade de vida, da qualidade do ensino, da qualidade de um atendimento. O que chamamos de qualidade, em qualquer situação, depende sempre de alguns fatores, que, se alterados, podem modificar a nossa percepção da qualidade. Podemos citar exemplos prosaicos: para se fazer compras, um veículo de qualidade pode ser um carro comum que tenha um bom porta-malas. Embora, de uma maneira geral, um carro superesportivo, de marca conceituada seja, quase sempre, considerado de maior valor, de maior qualidade, como um veículo em si, em situações particulares, onde se considera como importante o fator de capacidade de carga, ele com certeza será preterido em favor do veículo comum. Por outro lado, dependendo do indivíduo, a noção de qualidade pode ser diferente daquela de outra pessoa. Se, por exemplo, o preço de um produto é um fator limitante, a sua exigência pelo desempenho de um produto não será a mesma de outra pessoa que tenha limites financeiros maiores. 5 A ASQ (American Society for Quality – Sociedade Americana para a Qualidade) apresenta o seguinte conceito: Qualidade – um termo subjetivo, para o qual cada pessoa, ou setor, tem a sua própria definição. Em sua utilização técnica, a qualidade pode ter dois significados: 1. As características de um produto ou serviço, que dão suporte (ou sustentação), à sua habilidade em satisfazer requisitos especificados ou necessidades implícitas e; 2. Um produto ou serviço livre de deficiências. O termo é geralmente empregado para definir “excelência” de um produto ou serviço. Definir um produto ou serviço como “de qualidade”, além de atrair a atenção do cliente, também gera um status elevado para o produtor. Existem duas óticas por onde a qualidade pode ser vista: a do cliente, que associa a qualidade ao valor e a utilidade reconhecida do produto, muitas vezes está ligada ao preço. E a da instituição que, por sua vez, associa à concepção e produção de um produto que vá ao encontro das necessidades do cliente. Para o consumidor, a qualidade é avaliada levando em consideração várias características, como: funções que desempenha; durabilidade; cor; tempo de vida útil; design; cor etc. Isso torna difícil para o cliente definir claramente o que é qualidade, pois se torna um conceito multidimensional. Do ponto de vista empresarial, o conceito é algo importante, devendo ser definido de forma clara e objetiva, uma vez que o foco é oferecer produtos e serviços de qualidade. Os requisitos de qualidade são definidos após apurar as necessidades dos clientes. Os termos são variáveis, como: comprimento, largura, altura, peso, cor, resistência, durabilidade, funções desempenhadas, tempo de entrega, simpatia de quem 6 atende ao cliente, rapidez do atendimento, eficácia do serviço etc. Cada requisito é quantificado, a fim de que a qualidade possa ser interpretada por todos (empresa, trabalhadores, gestores e clientes) exatamente da mesma maneira. 1.2 Histórico da qualidade Quando o homem começou a plantar e colher seu próprio alimento, foi praticamente obrigado a construir abrigos duráveis, fabricar roupas, objetos, ferramentas, armas... Então, à medida que os grupos sociais iam se organizando, essas tarefas começaram a ser divididas entre os vários membros das comunidades. Aos artesãos de maior habilidade era reservada a posição de destaque que a importância do seu trabalho merecia. E eram eles mesmos que avaliavam a qualidade de seu trabalho. Mas, o que era a qualidade para aqueles trabalhadores? Talvez algo que fosse prático, como um par de sapatos; ou resistente, como uma armadura; ou durável, como uma ferramenta, mas não necessariamente bonito. Podia também ser algo que levasse muitos anos para ser fabricado, como uma porcelana chinesa, ou que sedes tacasse pela delicadeza do material com o qual era feito, como uma seda, por exemplo. Praticidade, resistência, durabilidade e beleza eram características controladas pelo próprio artesão e, juntas ou separadas, foram durante milhares de anos sinônimos de qualidade. Mas o tempo passou, essa ideia foi modificada pela Revolução Industrial que começou lá pelo fim do século XVIII, e que introduziu as máquinas na produção de alimentos e produtos. Com isso, foi possível produzir mais alimentos e mais bens para as pessoas consumirem. Isso modificou totalmente as relações sociais: as pessoas começaram a sair do campo e ir para as cidades à procura de trabalho. As cidades cresceram e novas profissões surgiram. Dentro das fábricas, a preocupação era com métodos que agilizassem a produção e diminuíssem os custos. A introdução das linhas 7 de montagem e a padronização das medidas foram consequências dessas preocupações. Durante muito tempo esse modelo de organização industrial manteve a ideia de que qualidade era ausência de defeitos. Quer dizer, o controle da qualidade era então realizado pelo inspetor de qualidade só depois que o produto estava pronto. O controle da qualidade emergiu nos Estados Unidos. A história do desenvolvimento da qualidade como sistema administrativo, ou seja, integrante dosobjetivos e metas das organizações obtivessem diferenciais competitivos, dada a utilização desse controle. 1.2.1 Desenvolvimento da qualidade Desenvolvimento da qualidade como sistema administrativo 1900 TAYLOR DEMING JURAN MASLOW MCGRWGOR HERZBERG SHEWHART JUSE Círculos de Controle da Qualidade (CCQ) 1939 1945 1980 Início da administração científica Concretização do Controle da Qualidade Total (CQT) Segunda Guerra Mundial Figura 1.1 Desenvolvimento da qualidade: http://www.bwsconsultoria.com/2010/01/os-objetivos-de- desempenho-da-producao.html Acesso em: 25/05/2013 A era do controle estatístico surgiu com o aparecimento da produção em massa, traduzindo-se na introdução de técnicas de amostragem e de outros procedimentos de base estatística, bem como, em termos organizacionais, no aparecimento do setor de controle da qualidade. Sistemas da qualidade foram pensados, esquematizados, melhorados e implantados desde a década de 30 nos Estados Unidos e, um pouco mais tarde (anos 40), no Japão e em vários outros países do mundo. A partir da década de 50 surgiu a preocupação com a gestão da qualidade, que trouxe uma nova filosofia gerencial com base no desenvolvimento e na aplicação de conceitos, métodos e técnicas adequados a uma nova realidade. 8 1.3 Princípios de gestão da qualidade De acordo com ABNT/CB 25 – Princípios de Gestão da Qualidade: “Um Princípio de Gestão da Qualidade é uma crença ou regra fundamental e abrangente para conduzir e operar uma organização, visando melhorar, continuamente, seu desempenho a longo prazo, pela focalização nos clientes e, ao mesmo tempo, encaminhando as necessidades de todas as partes interessadas.” Confira os princípios: Princípio 1 – Organização focada no cliente “As empresas dependem de seus clientes, por isso deveriam entender as necessidades atuais e futuras, atender os requisitos e se esforçarem para exceder as expectativas dos seus clientes.” Princípio 2 – Liderança “Líderes estabelecem a unidade de propósitos e a direção da organização. Eles deveriam criar e manter um ambiente interno no qual as pessoas possam se tornar plenamente envolvidas no alcance dos objetivos da organização.” Princípio 3 – Envolvimento de pessoas “Pessoas de todos os níveis são a essência de uma organização e o pleno envolvimento delas permite que suas capacidades sejam usadas para o benefício da organização.” Princípio 4 – Enfoque de processo “Um resultado desejado é alcançado mais eficientemente quando as atividades e recursos relacionados são gerenciados como um processo.” 9 Princípio 5 – Enfoque sistêmico para a gestão “Identificar, compreender e gerenciar um sistema de processos inter- relacionados para um dado objetivo melhora a eficácia e a eficiência da organização.” Princípio 6 – Melhoria contínua “A melhoria contínua deveria ser um objetivo permanente na organização.” Princípio 7 – Enfoque factual para a tomada de decisão “Decisões eficazes são baseadas em análises de dados e informações.” Princípio 8 – Relacionamento mutuamente Benéfico com o Fornecedor: “Uma organização e seus fornecedores são interdependentes, e um relacionamento mutuamente benéfico aumenta a capacidade de ambos criarem valor.” Focalização no cliente Envolvimento das pessoas Abordagem por processos Abordagem da gestão como um sistema Melhoria contínua Abordagem à tomada de decisão baseada em factos Relação mutuamente benéficas com fornecedores Liderança Qualidade Figura 1.2 Princípios da qualidade Fonte: http://www.bwsconsultoria.com/2010/01/os-objetivos-de-desempenho-da-producao.html Acesso: 25/05/2013 10 1.4 A gestão da qualidade total A gestão da qualidade total, como ficou conhecida essa nova filosofia gerencial, marcou o deslocamento da análise do produto ou serviço para a concepção de um sistema da qualidade. A qualidade deixou de ser um aspecto do produto e responsabilidade apenas de departamento específico, e passou a ser um problema da instituição, abrangendo, como tal, todos os aspectos de sua operação. A preocupação com a qualidade, no sentido mais amplo da palavra, começou com W.A.Shewhart, estatístico norte-americano que, já na década de 20, tinha um grande questionamento com a qualidade e com a variabilidade encontrada na produção de bens e serviços. Shewhart desenvolveu um sistema de mensuração dessas variabilidades que ficou conhecido como Controle Estatístico de Processo (CEP). Logo após a Segunda Guerra Mundial, o Japão se apresenta ao mundo literalmente destruído e precisando iniciar seu processo de reconstrução. W.E. Deming foi convidado pela Japanese Union of Scientists and Engineers (JUSE) para proferir palestras e treinar empresários e industriais sobre controle estatístico de processo e sobre gestão da qualidade. O Japão inicia, então, sua revolução gerencial silenciosa, que se contrapõe, em estilo, mas ocorre paralelamente à revolução tecnológica “barulhenta” do Ocidente e chega a se confundir com uma revolução cultural. Essa mudança silenciosa de postura gerencial proporcionou ao Japão o sucesso de que desfruta até hoje como potência mundial. O período pós-guerra trouxe ainda dimensões novas ao planejamento das organi- zações. Em virtude da incompatibilidade entre seus produtos e as necessidades do mercado, passaram a adotar um planejamento estratégico, porque caracterizava uma preocupação com o ambiente externo às instituições. A crise dos anos 70 trou- xe à tona a importância da disseminação de informações. Variáveis informacionais, 11 socioculturais e políticas passaram a ser fundamentais e começaram a determinar uma mudança no estilo gerencial. Na década de 80, o planejamento estratégico se consolida como condição necessária, mas não suficiente se não estiver atrelado às novas técnicas de gestão estratégica. A gestão estratégica considera como fundamentais as variáveis técnicas, econômicas, informacionais, sociais, psicológicas e políticas que formam um sistema de caracterização técnica, política e cultural das instituições. Tem também, como seu interesse básico, o impacto estratégico da qualidade nos consumidores e no mercado, com vistas à sobrevivência das organizações, levando-se em consideração a sociedade competitiva atual. A competitividade e o desempenho das organizações são afetados negativamente em termos de qualidade e produtividade por uma série de motivos. Dentre eles, destacam-se: a) deficiências na capacitação dos recursos humanos; b) modelos gerenciais ultrapassados, que não geram motivação; c) tomada de decisões que não são sustentadas adequadamente por fatos e dados; e d) posturas e atitudes que não induzem à melhoria contínua. Nos anos 80, surgiu um novo desafio: alguns países asiáticos copiavam a tecnologia ocidental, com boa qualidade e baixos custos de produção, desafiando a concorrência ocidental. Tornou-se imperiosa a criação de outro tipo de produtos: surgiu aqui o conceito de qualidade como a conformidade às necessidades latentes, isto é, produtos que vão ao encontro das necessidades dos clientes, mesmo antes de eles próprios terem essa consciência. Se uma empresa conseguir identificar as necessidades latentes de um mercado e satisfazê-las, funcionará durante um período de tempo relativamente curto, como um monopólio, podendo, portanto, praticar preços elevados e obter alta rentabilidade. O suporte deste novo conceito é a linguística, já que os clientes não se expressam por números, mas por sentimentos. 12 Analisando o passado de uma perspectiva histórica, percebemos que existiram cinco grandes preocupações que nortearam a forma como as instituições enfocavam a qualidade e tentavam, por meio de suas ações e ênfases, adaptar-se a esses novosmercados: 1. Foco no padrão: a qualidade buscava fazer com que o produto final seguisse o padrão estabelecido no projeto. Surgem as padronizações. As normas, que atendem aos interesses do produtor. A ênfase está no controle do produto; 2. Foco no uso: a qualidade buscava satisfazer ao uso que o consumidor desejava fazer do produto. Surgem as pesquisas de mercado, de opinião, que mapeiam os interesses do consumidor. A ênfase segue no controle do produto; 3. Foco no custo: a qualidade procurava associar a adequação do produto, conseguida nas fases anteriores, a custos cada vez mais baixos, que proporcionassem preços finais de venda mais competitivos. Surge a espionagem industrial, inverte-se a pirâmide hierárquica, centra-se a preocupação no controle do processo e não mais só ao final, no produto; 4. Foco no desejo: a qualidade buscava descobrir os desejos do mercado consumidor, antes que elos fossem verbalizados e explicitados pelas pesquisas; voltam-se para o consumidor, aproximam-se dele, convivem com ele, esperando assim conhecer seus anseios antes que os concorrentes; 5. Foco no investidor: a qualidade passa a ter uma visão do público muito mais abrangente e global. Investidores, acionistas, fornecedores, consumidores passam a ser vistos como parceiros e auxiliares importantes na conquista dos mercados, por meio do reconhecimento do valor do produto oferecido. Outro deslocamento importante ocorre: a qualidade passa a ser estratégica e é incorporada às questões de planejamento e de gestão empresarial. Das três eras da história da qualidade: 1. Era da inspeção: • Produtos são verificados um a um. • Cliente participa da inspeção. • Inspeção encontra defeitos, mas não produz qualidade. 13 2. Era do controle estatístico: • Produtos são verificados por amostragem. • Departamento especializado faz controle da qualidade. • Ênfase na localização de defeitos. 3. Era da qualidade total: • Processo produtivo é controlado. • Toda a empresa é responsável. • Ênfase na prevenção de defeitos. • Qualidade assegurada; sistema de administração da qualidade. Segundo Feigenbaum (1994:20-22), a evolução da qualidade pode ser analisada sobre várias etapas, conforme a figura Evolução da qualidade, tais como: 1ª etapa (1900) CONTROLE DA QUALIDADE PELO OPERADOR Um trabalhador ou um grupo pequeno era responsável pela fabricação do produto por inteiro, permitindo que cada um controlasse a qualidade de seu serviço. 2ª etapa (1918) CONTROLE DA QUALIDADE PELO SUPERVISOR Um supervisor assumia a responsabilidade da qualidade referente ao trabalho da equipe, dirigindo as ações e executando as tarefas onde fosse necessário e conveniente em cada caso. 3ª etapa (1937) CONTROLE DA QUALIDADE POR INSPEÇÃO Esta fase surgiu com a finalidade de verificar se os materiais, peças, componentes, ferramentas e outros estão de acordo com os padrões estabelecidos. Deste modo, seu objetivo é detectar os problemas nas organizações. 14 4ª etapa (1960) CONTROLE ESTATÍSTICO DA QUALIDADE Esta etapa ocorreu através do reconhecimento da variabilidade na indústria. Numa produção sempre ocorre uma variação de matéria-prima, operários, equipamentos etc. A questão não era distinguir a variação, e sim como separar as variações aceitáveis daquelas que indicassem problemas. Deste modo, surgiu o Controle Estatístico da Qualidade, no sentido de prevenir e atacar os problemas. Surgiram também as sete ferramentas básicas da qualidade na utilização da produção: Fluxograma, Folha de Verificação, Diagrama de Pareto, Diagrama de Causa e Efeito, Histograma, Diagrama de Dispersão e Carta de Controle. Esta etapa permaneceu restrita às áreas de produção e a nível de chão de fábrica, se desenvolveu de forma lenta e é aplicada nas organizações até os dias de hoje. 5ª etapa (1980) CONTROLE DA QUALIDADE A qualidade passou de um método restrito para um mais amplo, o gerenciamento. Mas ainda continuou com seu objetivo principal de prevenir e atacar os problemas, apesar de os instrumentos se expandirem além da estatística, tais como: quantificação dos custos da qualidade, controle da qualidade, engenharia da confiabilidade e zero defeito. Segundo Ferreira (1994:64), a qualidade passa para outra etapa, a Visão Estratégica Global, com o objetivo da sobrevivência da empresa e competitividade em termos mundiais para atender as grandes transformações que vêm ocorrendo no mercado. 15 Figura 1.4 Evolução da qualidade Fonte: http://www.eps.ufsc.br/disserta96/rossato/figuras/fig1.gif Acesso em: 25/05/2013 às 20h36 Embora esta evolução do conceito da qualidade ao longo dos tempos tenha sido sequencial, as instituições não devem pensar que a última é a melhor de todas. Deverão ter o cuidado de aplicar aquela ou aquelas que forem mais adequadas ao seu tipo de negócio, não esquecendo que o mundo está em constante mudança e que o próprio conceito de qualidade continuará a evoluir e a expandir-se. Assim, deverão traçar no seu próprio plano estratégico os objetivos da qualidade que pretendem obter, e nunca deverão perder de vista a ideia de que as organizações se diferenciam, cada vez mais, através da qualidade dos produtos ou serviços, por forma a atingirem a total satisfação das necessidades e expectativas dos clientes/ público. Cada vez mais os clientes querem segurança e procuram produtos de elevada qualidade técnica a preços competitivos, e exigem excelência nos serviços. A garantia de sobrevivência de uma organização está ligada à satisfação do cliente e ao atendimento de suas necessidades e desejos. Para que isso aconteça, devem ser observados os cinco atributos da qualidade em seus processos, produtos e serviços. 16 Dellaretti Filho e Drumond (1994), simulando um templo, ajustaram os atributos da qualidade, conforme abaixo: Dos cinco atributos da qualidade • MORAL Configura o alicerce para que os outros quatro atributos possam existir. É o mais importante atributo de uma organização. Indica o estado de espírito do trabalhador, considerando que o colaborador deve estar inserido em um clima de boa vontade e motivação. Deve ser considerado antes dos outros, por ser a base de sustentação dos pilares, onde deve preparar o colaborador para o desenvolvimento de suas tarefas dentro dos critérios de qualidade intrínseca, entrega, custo e segurança. • QUALIDADE INTRÍNSECA Refere-se especificamente à qualidade dos produtos ou dos serviços, com características capazes de satisfazer seus clientes internos, que desejam receber o solicitado com as especificações e dentro dos parâmetros prometidos. Trata-se de um conjunto de elementos, como ausência de defeitos, erros ou falhas e a presença de características que atraem o 17 cliente como confiabilidade, agilidade no atendimento, retorno e acompanhamento pós-venda etc. Exemplos de qualidade intrínseca são as bulas de medicamentos, manuais de produtos eletrônicos, cardápios de bares, manuais de veículos, pois o que está descrito neles corresponde com a função que o produto ou serviço deve cumprir. • SEGURANÇA Esse atributo deve ser entendido tanto como segurança interna, no processo de produtivo, quanto como segurança externa, traduzida como a garantia de segurança aos usuários dos produtos e serviços. A primeira diz respeito ao modo como os bens e os serviços são produzidos internamente na organização. Exemplos desse aspecto é a postura do trabalhador em seu posto de trabalho, bem como a adequação e a certificação de equipamentos e materiais. Já na segunda, devem ser consideradas as indicações sobre os potenciais e prováveis perigos do uso dos produtos. Brinquedos com peças pequenas que apresentam em sua embalagem um comunicado de alerta aos consumidores quanto ao perigo de serem manuseados por criançasmenores, que costumam levar tudo à boca. Devemos entender segurança também em um sentido amplo, em referência à observância das questões ambientais, o que vem sendo um forte apelo dos consumidores, independente da legislação. • CUSTO Quando se leva em consideração esse critério, faz-se referência não somente ao custo de produção, mas também ao custo que incide sobre os consumidores, os quais, por sua vez, analisam-se o preço de venda do produto que estão adquirindo representa o custo da aquisição. Para o produtor, trata-se de custo de produção, enquanto para o cliente trata-se do custo-benefício. Os custos devem possibilitar a sobrevivência da empresa no mercado, garantir o retorno aos investidores e fazer com que os produtos ou 18 serviços sejam percebidos pelos clientes como algo com o custo justo. Naturalmente que tanto os custos de produção quanto a percepção do custo de aquisição por parte dos clientes somente são mencionados aqui para demonstrar a importância desse tópico. • ENTREGA Quanto à entrega, o que o cliente espera é que se cumpram com perfeição três etapas: o produto deve ser entregue no local certo, na hora certa e com a quantidade certa. Quando existe falha em um desses pontos, resultante da não observância, a imagem da organização é manchada, gerando uma impressão ruim. O não cumprimento desse atributo tem feito decrescer muitas empresas. São comuns casos de insatisfação em relação à entrega em compras realizadas pela internet. Nada mais frustrante para o cliente do que cumprir sua parte na negociação e não ver o prazo de entrega ser cumprido. Por outro lado, quando existe um acompanhamento de cada passo da entrega, onde o cliente é informado constantemente, é transmitida uma sensação de segurança e a satisfação quando o prazo de entrega é cumprido ou antecipado gera um marketing positivo para a empresa. 1.5 Diferentes conceitos de qualidade 1.5.1 Abordagem transcendental A qualidade dificilmente pode ser definida com precisão, ela é uma característica que torna o produto aceitável, não pela análise feita, mas pela prática e muitas vezes pela experiência. Assim, pode-se dizer que a qualidade é apenas observável pela sua estética, mas não pode ser definida. Esta abordagem tem muito a ver com a beleza, o gosto e o estilo do produto. Exemplos de conceitos que caracterizam esta abordagem: “... uma condição de excelência que implica em ótima qualidade, distinta de má qualidade... Qualidade é atingir ou buscar o padrão mais alto em vez de se contentar com o mal feito ou fraudulento”. (TUCHMAN, 1980: 38). 19 “Qualidade não é uma ideia ou uma coisa concreta, mas uma terceira entidade independente das duas... Embora não se possa definir qualidade, sabe-se o que ela é” (PIRSIG, 1974:185). 1.5.2 Abordagem baseada na produção Esta abordagem está baseada na produção, concentrando-se no lado da oferta da equação, e se interessa basicamente pelas práticas relacionadas com a engenharia e a produção. A ideia é que, para produzir um produto que atenda plenamente às suas especificações, qualquer desvio implica numa queda de qualidade. As melhorias da qualidade levam a menores custos, pois evitam defeitos, tornando mais baratos os produtos, uma vez que para corrigi-los ou refazer o trabalho aumentam-se os custos. Todo produto deve atender às especificações estabelecidas pela empresa, pois qualquer desvio desclassifica o produto, resultando numa queda da qualidade. Exemplos de conceitos que caracterizam esta abordagem: Para produzir produtos bons e aceitáveis ao consumidor, o processo tem que estar organizado, passando por um sistema de controle, verificando os itens de especificação do produto estabelecido como padrão. O sistema de produção automatizado facilita a operação e consegue-se um maior controle dos produtos na produção, isto torna o processo mais confiável para o consumidor. 1.5.3 Abordagem baseada no produto Esta abordagem vê a qualidade como uma variável precisa e mensurável. A diferença da qualidade está na diversidade de algumas características dos elementos, ou de acordo com a quantidade de atributos de um produto; são características adicionais que agregam valor ao produto. 20 Segundo Teboul (1991:49), “é necessário que exista algo mais ao produto, que nos fará escolher este ao invés de outro». Esse algo mais será a diferença em relação a outro produto. Exemplos de conceitos que caracterizam esta abordagem: “As diferenças na qualidade correspondem às diferenças na quantidade de alguns ingredientes ou atributos desejados” (ABBOTT, 1955: 126-27). “Qualidade refere-se às quantidades de atributos inestimáveis, contidos em cada unidade do atributo estimado” (LEFFLER, 1982: 67). 1.5.5. Abordagem baseado no valor Esta abordagem agrega qualidade em termos de custo e preço. Enfatiza a necessidade de um alto grau de conformação a um custo aceitável, para que o produto possa ser de qualidade. Um produto é de qualidade quando ele oferece um desempenho ou conformidade a um preço que seja aceitável pelo consumidor. As organizações procuram produzir os produtos com qualidade, mas com um custo baixo para ter uma aceitação no mercado e com um baixo preço para obter lucro. Exemplos de conceitos que caracterizam esta abordagem: “Qualidade é o grau de excelência a um preço aceitável e o controle da variabilidade é um custo razoável” (BROH, 1982: 3). “Qualidade quer dizer o melhor para certas condições do cliente. Essas condições são o uso e o preço de venda do produto”. (FEIGENBAUM, 1961:1). 1.5.6. Abordagem baseada no usuário A definição da qualidade está baseada no usuário, procura-se desenvolver um produto que atenda às necessidades dos consumidores. Produtos de alta qualidade são os que satisfazem melhor as necessidades da maioria dos consumidores. Trata-se das funções básicas do produto. Exemplos de conceitos que caracterizam esta abordagem: “A qualidade é o grau com o qual um produto específico atende às necessidades dos consumidores específicos” (GILMORE, 1974: 16). “Qualidade é adequação ao uso” (JURAN, 1974: 2-2). 21 Segundo (GARVIN, 1992: 59), identifica ainda oito dimensões com vistas a identificar seus elementos básicos: 1. DESEMPENHO Refere-se às características operacionais básicas de um produto. São as características finais do produto e do uso que o cliente deseja. 2. CARACTERÍSTICAS São os adicionais dos produtos, aqueles itens secundários que suplementam o funcionamento básico do produto. Em alguns casos é difícil separar as características do desempenho, pois as duas dimensões baseiam-se no funcionamento básico do produto. 3. CONFIABILIDADE Reflete a probabilidade de um mau funcionamento de um produto ou falha em um determinado período. Envolve o conserto e a manutenção do produto. O defeito deve ser corrigido com facilidade e o tempo de manutenção deve ser o menor possível. 4. CONFORMIDADE O grau em que o projeto e as características operacionais de um produto estão de acordo com padrões preestabelecidos. Nesta fase, chegamos ao campo da industrialização e da produção. Este item está associado às técnicas de controle do processo, na verificação dos itens de controle e limites de especificações. Nesta visão, um defeito se tornará um problema. 5. DURABILIDADE Uso proporcionado por um produto até ele se deteriorar fisicamente, ou seja, o ciclo de vida útil do produto. Em certos produtos fica difícil interpretar a durabilidade, quando é possível fazer reparos ou quando 22 têm uma vida útil grande. Neste caso, a durabilidade passa a ser o uso que se consegue de um produto antes de ele se quebrar e que possa, de preferência, ser substituído por outro, em vez de se realizar constantes reparos. 6. ATENDIMENTO A rapidez, cortesia,competência e facilidade de reparo. Os consumidores atualmente não estão preocupados somente se o produto tem qualidade, mas também com a pontualidade da entrega, e com um bom relacionamento com o pessoal de atendimento. Levam também em consideração como eles reagem com as reclamações dos consumidores e as formas de tratamento da empresa devido a este fato. 7. ESTÉTICA Uma dimensão subjetiva. Relaciona-se com a aparência do produto, o que se sente com ele, qual seu som, sabor, cheiro etc. É, sem dúvida, um julgamento pessoal e reflexo das preferências individuais. 8. QUALIDADE PERCEBIDA Uma dimensão subjetiva, resultado da falta de informações completas sobre um produto ou os atributos de serviço que levam os consumidores a fazer comparação entre marcas e daí inferir sobre qualidade. Reputação é um dos principais fatores que contribuem para a qualidade percebida. Exemplo: propaganda, marca do produto, participação no mercado, divulgação informal do produto etc. 23 Essa lista das oito dimensões juntas envolve vários conceitos da qualidade. A variedade destes conceitos explica a diferença entre cada abordagem, sendo que cada uma concentra-se numa diferente dimensão da qualidade, tais como: • Abordagem baseada no produto: reúne-se com o desempenho, característica e durabilidade. • Abordagem baseada no usuário: reúne-se com a estética e a qualidade percebida. • Abordagem baseada na produção: reúne-se com conformidade e confiabilidade. Nota-se que cada autor definiu qualidade sob um ponto de vista diferente, sendo inevitáveis os conflitos entre as diversas abordagens. 24 MÓDULO II: GURUS DA QUALIDADE ABORDAGEM DE DEMING Reconhecido como o “pai do controle da qualidade” no Japão, Deming contribuiu grandemente para o êxito obtido na sua implantação nesse país. Sua abordagem é voltada para o uso de informações estatísticas e métodos administrativos para melhorar a qualidade, reduzir os custos e aumentar a produtividade. Deming focaliza a qualidade como atendimento às necessidades atuais e futuras do consumidor. Para cumprir com estas expectativas, torna-se necessário definir operacionalmente as necessidades destes clientes, para que as mesmas possam ser compreendidas por toda a organização. Outro aspecto que garante a qualidade é a melhoria dos processos produtivos. A presença de problemas nele leva a produtos sem homogeneidade, entretanto, mantendo o processo sob controle ocorre o contrário e facilita a definição de qualidade do mesmo. O Ciclo PDCA é uma ferramenta de qualidade que facilita a tomada de decisões, visando garantir o alcance das metas necessárias à sobrevivência dos estabelecimentos e, embora simples, representa um avanço sem limite para um planejamento eficaz. Ciclo PDCA . Localizar problemas . Estabelecer planos de ação . Ação corretiva no insucesso . Padronizar e treinar no sucesso . Verificar atingimento de meta . Acompanhar indicadores . Execução do plano . Colocar plano em prática Action Agir Check Checar Plan Planejar Do Fazer 25 A sigla PDCA significa: Planejar; Desenvolver; Controlar e Ajustar. É um dos elemen- tos mais difundidos em gestão da qualidade e foi adaptado, no Brasil, por Falconi para o Masp (Metodologia de análise e soluções de problemas ) As técnicas estatísticas aplicadas ao processo produtivo são utilizadas para estabilizar o processo e verificar a existência de causas inerentes ou externas ao processo, buscando sua solução. “Um dos objetivos da melhoria da qualidade é reduzir a variação do produto. O único guia seguro para detectar a causa de variação e para detectar a existência de uma causa especial, é o uso de sinais estatísticos” (DEM90). Utilizam-se cartas de controle, técnicas estatísticas e métodos gráficos dos valores de produção para avaliar se os mesmos encontram-se dentro da faixa aceitável. Uma vez que o processo está sob controle estatístico, passa-se a ter uma capacidade possível de ser definida. O uso dos métodos estatísticos requer treinamento em práticas estatísticas para todos os níveis da instituição, além do comprometimento da gerência e agilidade em solucionar problemas causados pelo sistema. Caso contrário, não serão eliminados os problemas que causam uma falta de controle no processo e os esforços dispensados serão inúteis. A responsabilidade pela implantação da qualidade recai sobre a gerência. Ainda que o êxito na implantação dos 14 pontos dependa de todos, sem a participação e comprometimento da gerência, não se conseguirá a motivação do restante do pessoal. Além do enfoque no controle do processo, Deming apresenta um programa, composto por 14 pontos, voltado para a melhoria do gerenciamento da qualidade. Sua adoção constitui um aspecto básico para a melhoria, aumento da produtividade e competitividade das instituições. 26 Os 14 pontos de Deming representam uma nova filosofia de administração. São eles: 1. Criar uma constância de propósito de melhorar produtos e serviços. A constância de propósito refere-se à aceitação de obrigações: 2. Adotar a nova filosofia. Não se pode viver mais com os níveis, comumente aceitos, de erros, de defeitos, de material inadequado e de mão de obra de baixo nível. É momento de acordar e assumir a liderança para mudar. 3. Deixar de contar com a inspeção em massa. A qualidade não se origina da inspeção, mas do melhoramento do processo. A inspeção é uma atividade dispendiosa, ineficaz, diminui a moral dos trabalhadores e, acima de tudo, não agrega valor ao produto. 4. Deixar de comprar baseando-se somente no preço. Nos negócios que procuram alcançar a competitividade na base do preço baixo, o resultado obtido é baixa qualidade e alto custo. A maioria dos problemas de má qualidade e de baixa produtividade é ocasionada pela má qualidade dos materiais e da baixa qualidade das ferramentas e máquinas. 5. Melhorar constantemente o sistema de produção e serviço. A melhoria constante significa uma redução contínua do desperdício e um constante melhoramento da qualidade em todas as atividades realizadas na empresa, tais como compras, transporte, engenharia etc. 6. Implantar métodos modernos de treinamento no trabalho. Precisa-se de uma mudança no treinamento. Os usos de métodos estatísticos geralmente ajudam a medir quando o treinamento está completo ou é insatisfatório. 7. Implantar métodos modernos de supervisão. Os métodos modernos de supervisão referem-se a: • Eliminar as barreiras que impossibilitam ao trabalhador fazer seu trabalho com orgulho; • Delegar poder e orientação aos encarregados para informar a administração superior sobre condições que precisam ser corrigidas; • Orientar as pessoas na realização de seu trabalho. 27 8. Expulsar o medo. O prejuízo econômico causado pelo medo é alto. Vários erros ou efeitos negativos derivam desta atitude. Muitos empregados têm medo de expressar problemas como: de equipamentos estragados, material inadequado, dúvidas em relação a seu trabalho, cumprimento de cotas de produção. 9. Romper as barreiras entre as áreas de Staff. É necessário coordenar as atividades de projeto, “’marketing”, engenharia, produção e vendas de forma a trabalharem em equipe, visando realizar melhorias no projeto de produto, no serviço, na qualidade e na redução de custos. 10. Eliminar “slogans”, exortações e metas para a mão de obra. Pode-se até obter alguma melhoria, com o uso de “slogans”, mas não se cria motivação contínua. Metas e exortações poderiam ter um resultado positivo, caso fossem elaboradas em conjunto com os operários e estivessem acompanhadas de um roteiro que indique o caminho. 11. Eliminar os padrões de trabalho e cotas numéricas. Eles são as principais barreiras paraalcançar a qualidade e produtividade. As pessoas preocupadas por cumprir suas cotas de trabalho deixam de lado a qualidade. 12. Eliminar as barreiras que privam o empregado do direito de ter orgulho do seu trabalho. Devem ser eliminadas barreiras que dificultam ao operário fazer um bom trabalho, por exemplo, a falta de definição de variáveis operacionais, uso de matéria-prima de má qualidade, falta de comunicação com seus superiores, entre outras. 13. Retreinamento contínuo. Um programa contínuo e permanente de treinamento é fundamental para manter o pessoal atualizado em novas técnicas, métodos de trabalho etc. 14. Criar uma estrutura na alta administração que tenha como função implantar os 13 pontos. 28 ABORDAGEM DE JURAN Juran é conhecido por sua contribuição na definição e organização de custos da qualidade e a visualização da qualidade como uma atividade administrativa, propondo formas de gerenciá-la dentro da empresa. Conduziu vários seminários no Japão com forte ingrediente gerencial. Segundo Ishikawa, a partir desse momento “o controle de qualidade foi enfocado como um instrumento de gestão da empresa”. Autor de muitas publicações na área da qualidade, seu livro “Controle de Qualidade Handbook” representa a “bíblia” para todos os interessados em promover a qualidade. A função qualidade é organizada através das atividades básicas conhecidas como trilogia de Juran, análogas a organização da área financeira. Inclui: • Planejamento; • Controle; • Aperfeiçoamento. Para Juran, a qualidade é garantida formando-se equipes para atacar os problemas projeto a projeto, para tal é requerido toda uma infraestrutura de apoio aos membros de projetos, além de treinamento na resolução de problemas. Os objetivos destas equipes de projeto é melhorar a qualidade continuamente, para tal, deve-se dispor de um programa organizado para guiar estas ações, este é apresentado à continuação: • Estabelecer a infraestrutura necessária para garantir o melhoramento anual da qualidade; • Identificar as necessidades específicas de melhorias; • Estabelecer, para cada projeto, uma equipe com clara responsabilidade para levá-lo a uma conclusão bem sucedida; 29 • Prover os recursos, a motivação e o treinamento de que as equipes necessitam para: - Diagnosticar as causas; - Estimular o estabelecimento de ações corretivas; - Estabelecer controles para manter as melhorias alcançadas. ABORDAGEM DE FEIGENBAUN Feigenbaun é amplamente conhecido pela introdução do termo “Total Quality Control”, no seu livro publicado com o mesmo nome em 1961, onde a qualidade deixa de ser responsabilidade de um departamento ou divisão de controle de qualidade e passa a ser de responsabilidade de todas as áreas da empresa. Surge o princípio “qualidade é trabalho de todos”. Este princípio é sustentado pela premissa de “que para se conseguir uma verdadeira eficácia, o controle precisa começar pelo projeto do produto e só terminar quando o produto estiver chegando ás mãos de um freguês que fique satisfeito” (Feigenbaun apud [GAR92]). Assim, cada divisão e trabalhador de cada nível são envolvidos na obtenção de um produto de qualidade. No conceito do TQC (Total Quality Control), o controle é exercido em todas as fases do produto, iniciando pelo projeto de produto e finalizando quando o produto seja entregue ao cliente. Desta maneira, as tarefas efetuadas pelo controle de qualidade são classificadas por. • controle de novos projetos; • controle de material recebido; • controle do produto; • controle de processos especiais. 30 A realização destas atividades de controle requer a participação de todas as áreas da empresa e a definição de uma estrutura que coordene as atividades de qualidade multifuncional em toda a empresa. Nasce assim a necessidade de uma estrutura sistêmica para a qualidade que integre e coordene as atividades para total satisfação do consumidor a um mínimo custo. Na abordagem de Feigenbaun identificou-se, como elemento-chave para o andamento e funcionamento do programa de qualidade, o papel desempenhado pela alta administração, o enfoque sistêmico da qualidade e as ferramentas de controle da qualidade. A responsabilidade da implantação e operacionalização do sistema recai sobre a alta administração, que tem a tarefa de integrar as atividades das pessoas e dos grupos de trabalho. Cabe também à gerência delegar as decisões administrativas e de engenharia para produzir resultados positivos. A estrutura sistêmica da qualidade possibilita a integração e coordenação das pessoas e grupos envolvidos no ciclo de fabricação. Permite também identificar, documentar e coordenar todas as atividades chaves necessárias para garantir a realização das tarefas de qualidade através da empresa e operações de fábrica. ABORDAGEM DE CROSBY Crosby é partidário da filosofia de zero defeito, que surgiu nos Estados Unidos na Martin Company no início dos anos 60. Segundo este enfoque, a qualidade é assegurada se todos se esforçarem em fazer seu trabalho bem da primeira vez. Assim, esta filosofia é voltada mais para o comportamento humano, como único meio para se garantir a qualidade. Para tal, Crosby se vale da motivação e comprometimento de todo o pessoal da empresa. Para Crosby, a qualidade é vista como “conformidade com os requisitos, como por exemplo, se um fusca está de acordo com o seu modelo padrão, ele é um carro de qualidade”. 31 Aqui, o conceito de garantia de qualidade é definido como sendo: induzir as pessoas a fazer melhor tudo aquilo que devem fazer. Se todos se empenhassem em fazer tudo bem da primeira vez, os desperdícios, retrabalhos, reprocessos, seriam eliminados. Obter qualidade não é uma atividade dispendiosa. Sabe- se que a qualidade é facilmente mensurável. A não conformidade detectada é uma falta de qualidade. Qualidade mede-se pelo custo de não conformidade – “O custo de fazer as coisas erradas”. O movimento zero defeito é fortemente criticado na medida em que deixa a responsabilidade pela qualidade aos trabalhadores e não considera outros aspectos que afetam a qualidade, e que estão fora do controle dos operários, como por exemplo: problemas de matéria-prima, erros de projeto, falhas nos equipamentos etc., além de que não oferece os métodos de solução de problemas. A qualidade é assegurada por meio do planejamento das atividades, função esta realizada pelo profissional de qualidade. Para Crosby “se o serviço for planejado e executado corretamente, segue-se que as operações da companhia terão sucesso’. Os serviços são as diferentes atividades realizadas pelas pessoas na companhia. A prevenção de problemas é obtida por meio do estabelecimento de atitudes e controles que possibilitem essa prevenção. A comunicação, fluida e sem barreiras, garante que os problemas sejam facilmente identificados e corrigidos na hora. Desta forma, é possível detectar rapidamente quem são os envolvidos no problema para que procurem sua solução. ABORDAGEM DE ISHIKAWA O trabalho de Ishikawa foi fortemente influenciado pelas visitas efetuadas ao Japão por Deming em 1950 e Juran em 1954. Os conceitos enunciados pelo autor revolucionaram as práticas tradicionais de administração. Seu enfoque é voltado para os fatores humanos e a participação de todos os membros da empresa para a obtenção da qualidade. 32 Para Ishikawa, qualidade significa busca contínua das necessidades do consumidor visando sua satisfação, aspecto que é garantido pela qualidade em seu sentido amplo: qualidade do produto ou serviço, da empresa, das pessoas, da administração, pelo custo do produto e serviço, pelo atendimento no prazo certo etc. De nada serve fabricar um produto de qualidade que cumpra com os requisitos de projeto, se não satisfaz ao consumidor. A satisfaçãodo consumidor é garantida com a integração e participação do todos os membros da empresa no programa global da qualidade. lshikawa afirma que o simples cumprimento ou adequação às normas nacionais e especificações do produto não garante a satisfação do cliente, pois os requisitos do consumidor estão em contínua mudança, por isso, é preciso manter um forte relacionamento com o mesmo. O Controle de Qualidade Total (TQC) é o sistema gerencial conduzido por toda a empresa com a participação de todos seus membros, desde a alta gerência até os operários. Os japoneses preferem chamar o TQC de Controle da Qualidade por Toda a Empresa (CWQC), para diferenciá-la do TQC defendido por Feigenbaun (1963), pois tem incorporado outros aspectos próprios da cultura japonesa. Uma das diferencias básicas é que CWQC não é conduzido por especialistas no assunto, mas disseminado por todos os escalões da empresa. Aspectos fundamentais do TQC japonês estão resumidos a seguir: • envolvimento de todos os empregados, ligados principalmente ao movimento dos Círculos de Controle de Qualidade (CCQ) e a extensão dos programas de educação e treinamento; • filosofia de melhoria contínua; • forte orientação para o cliente. 33 Ishikawa menciona os elementos a serem levados em conta na introdução do TQC nas empresas. A implantação da qualidade, segundo o autor, é feita considerando os seguintes pontos: 1. A alta gerência deve definir uma política de primazia pela qualidade, pois a perseguição de um lucro, a curto prazo, não conduz aos resultados almejados; 2. Todos dentro da empresa devem ser educados para o atendimento de todas as especificações dos clientes; 3. Destruir os seccionalismos interdepartamentais e definir claramente os clientes de cada uma das atividades; 4. Descrever os fatos por meio de dados; exigir a utilização de técnicas estatísticas; 5. Administrar, respeitando a condição humana; incentivar o trabalho através dos CCQ; 6. Implementar a gestão e comitês funcionais. Vários são os fatores que conduzem ao êxito na implantação da qualidade, sendo os mais importantes para o autor: os recursos humanos, a alta direção, a gerência de linha e a integração de atividades da empresa: • Fatores Humanos: Ishikawa tem um enfoque humanista, visando ao respeito das pessoas. A administração, segundo a filosofia do TQC, deve ser participativa, delegando autoridade e propiciando o máximo de exteriorização dos potenciais contidos em cada um de seus empregados. • Alta Direção: o papel da alta direção é básico para se implantar um programa de qualidade com sucesso, as atividades a desempenhar em função da qualidade são conforme abaixo. Para Ishikawa, o gerente deve ‘ser um chefe capaz de treinar e educar adequada- mente todos os seus subordinados, que os compreende e os apoia. Este relacio- namento harmônico faz com que, mesmo na ausência física e sem as verificações de rotina, o trabalho flua adequadamente’. O gerente tem o papel de regular as ati- 34 vidades da empresa no sentido vertical e horizontal, sua função é vital para o fun- cionamento da empresa. Deve atuar ativamente nos comitês inter funcionais para melhorar a coordenação e entendimento das funções de linha. • Integração de atividades da empresa: a obtenção da qualidade deve-se a integração das atividades da empresa que contribuem para com a qualidade. Neste sentido, devem ser eliminadas as barreiras interdepartamentais, favorecendo a comunicação e cooperação. Para lograr esta integração, é preciso que a alta gerência se responsabilize pela qualidade e coordene as atividades. ABORDAGEM DE CAMPOS Antes de discutir sobre o conteúdo da abordagem de Campos é importante salientar que o seu trabalho é apoiado praticamente nos mesmos princípios da abordagem de lshikawa, apresentando diferenças apenas quanto à estratégia e sistemática de implantação. A importância da inclusão desta abordagem no presente trabalho deve-se ao fato de que no Brasil o autor é considerado como uma das pessoas que mais têm se aprofundado no estudo das filosofias e práticas de sistemas da qualidade, de origem japonês, sendo reconhecido, por sua contribuição em dar respostas mais especificas no que se refere à condução e implantação da qualidade nas empresas. Em termos de conceitos não existe contribuição significativa, mas ele consegue traduzir os conceitos a uma linguagem mais legível e de fácil compreensão, mostra o caminho, ou melhor dizendo, o “como fazer para adotar um sistema de qualidade e obter a competitividade das empresas brasileiras, diferenciando-se de outros autores cujo trabalho está direcionado para «o que fazer”. 35 O Autor Campos define qualidade como: “um produto ou serviço é aquele que atende perfeitamente, de forma confiável, de forma acessível, de forma segura e no tempo certo às necessidades do cliente”. A definição de qualidade difere da definição tradicional em que qualidade é ausência de falhas ou defeitos. Campos incorpora outras dimensões de qualidade como custo, entrega, segurança etc. que fazem o produto mais atrativo para o usuário e permitem que o consumidor tenha preferência por seu produto em relação a seu concorrente. Dessa maneira, o critério de boa qualidade é a preferência do consumidor. Este enfoque exige um forte apoio do pessoal de “Marketing”, que vai desenvolver um papel importante na busca e percepção das necessidades do cliente. Para Campos, o sistema do TQC está composto por dois subsistemas básicos: • subsistema da rotina; • subsistema das melhorias. O subsistema da rotina visa a permanecer no rumo atual, obedecer às normas, evitar mudanças. Sempre que um problema ocorre atua-se na sua causa fundamental de tal maneira a prevenir a sua reincidência. A rotina é a parte do controle da qualidade, controle que garante a manutenção do desempenho dos processos de manufatura ou de serviço. A rotina é, na realidade, o próprio controle da qualidade exercido ao nível de cada processo. Exercer controle significa: realizar análise de processo, criar padrões, estabelecer os padrões, verificar, manter e melhorar os padrões tanto técnicos, referentes às características de qualidade, como os de procedimento. Este sistema é conduzido formalmente pelo gerenciamento funcional através da linha hierárquica da empresa até o nível de operário, [CAM90]. Por outro lado, o subsistema das melhorias visa a alcançar níveis de desempenho nunca antes alcançados, mudando os atuais padrões de desempenho. As 36 melhorias podem decorrer do levantamento dos principais problemas da empresa ou do Planejamento Estratégico como fonte de objetivos. O sistema de melhorias é conduzido pelo gerenciamento interfuncional através de um programa de administração por objetivos e pelos comitês interfuncionais. Os comitês interfuncionais se subordinam diretamente ao presidente da empresa. Dependendo do tamanho da empresa, estes comitês podem ser substituídos pelo Comitê de Implantação do TQC da empresa. O sistema é retroalimentado através de auditorias periódicas que medem: o nível de avanço das atividades, a situação atual e a adequação do sistema ao planejamento previsto. Desta forma, através de constantes auditorias, o sistema é melhorado continuamente para atender às exigências do mercado. O foco de atenção desta abordagem é voltado para os fatores humanos, gerência e sobre metodologias, técnicas e ferramentas. 1. Fatores Humanos: Os fatores humanos são os elementos básicos na condução do controle da qualidade, participando através do gerenciamento de seu posto de trabalho (rotinas e melhorias) e contribuindo na solução de problemas. 2. Gerência: Participa diretamente na condução do TQC por meio do gerenciamento das diretrizes, sua principal função é liderar o programa de melhoriasda empresa. O gerenciamento pelas diretrizes é um sistema administrativo, praticado por todas as pessoas da empresa, que visa garantir a sobrevivência da organização frente à competição internacional. Este sistema é conduzido pela alta administração e tem como objetivo melhor direcionar a caminhada eficiente do controle de qualidade, através da visão estratégica e do direcionamento da prática do controle da qualidade pelas pessoas da empresa. O gerenciamento pelas diretrizes é constituído por dois sistemas: • Gerenciamento Funcional: cuida da manutenção e melhoria contínua das operações do dia a dia de uma empresa, chamado também como gerenciamento da rotina do trabalho; • Gerenciamento Interfuncional: cuida da solução dos problemas prioritários da alta administração através do desdobramento das diretrizes e seu controle interfuncional. 37 MÓDULO III: PROGRAMA 5S CONCEITO O Programa “5S” trata-se de uma filosofia de trabalho que pretende superar antigos hábitos. O método visa obter um local de trabalho ordenado, limpo e saudável, ideal para a implantação de um sistema de gestão da qualidade na empresa. E com isso, mudar a maneira de pensar das pessoas na direção de um melhor comportamento para toda a vida. O programa deve ser liderado pela alta administração da empresa e é baseado em educação, treinamento e prática de grupo. O conceito de 5S representa as iniciais das palavras: • SEIRI = arrumar, • SEITON = ordenar, • SEISOO = limpar, • SEIKETSU = assear, • SHITSUKE = disciplina/educação. Os cinco sensos, de acordo com quem os utiliza, é uma ferramenta das mais despretensiosas e poderosas para a qualidade. É revestida de grande importância que, além de implementar a ordem organizacional, eleva a capacidade de discernimento do individuo. Os Cinco Sensos Japonês Inglês Português 1º S Seiri Sorting Senso de Utilização Arrumação Organização Seleção 2º S Seíton Systematyzing Senso de Ordenação Sistematização Classifícação 38 Japonês Inglês Português 3º S Seisou Sweeping Senso de Limpeza Zelo 4º S Seiketsu Selft-disciplining Senso de Asseio Higiene Saúde Integridade ... 5º S Shitsuke Sanitizing Senso de Auto diciplina Educação Compromisso Fonte: Adaptado de Lapa (1998) apud CANO(2006) A utilidade da ferramenta denominada “Programa 5S” surgiu por volta de 1950, logo após a 2ª Guerra Mundial, com a necessidade de combater a sujeira das fábricas e desorganização estrutural sofrida pelo Japão. Devido ao sucesso alcançado pelo Japão com essa prática, outros países come- çaram a disseminá-la em diversas situações. No Brasil, tudo começou em 1991. O ramo empresarial foi um dos primeiros a adotar a prática do programa com a finalidade de otimizar custos com a redução de desperdícios e aumentar a produ- tividade. BENEFÍCIOS As pessoas se empenham mais e dedicam-se com mais vigor a atividades cujo resultado final elas conhecem exatamente. Pois bem, é possível descrever o retorno que o desenvolvimento do Programa 5S terá para lhe oferecer em uma lista grande de benefícios aplicados tanto na empresa como em casa. A dupla aplicabilidade se dá pelo fato de que os benefícios do programa coincidem com os objetivos da educação em geral: formar cidadãos saudáveis e responsáveis, capazes de dar continuidade ao seu autodesenvolvimento. 39 Vejamos quais são os benefícios que o 5S tem a nos oferecer para melhorarmos o meio em que vivemos e trabalhamos: • Processos otimizados e racionalizados (com tempo mais otimizado possível, sequência operacional definida, número de pessoas adequadas ao processo, estrutura de layout em sequência lógica) visando à produtividade; • Bem-estar do ser humano; • Ambiente da Qualidade (satisfação); • Melhoria das habilidades pessoais; • Promoção do trabalho em equipe; • Melhoria de relacionamentos interpessoais; • Higienização física e mental do local de aplicação do programa, tornando-o um lugar melhor (ambiente mais agradável e sadio); • Liberação de espaço para diversos fins; • Reciclagem de recursos escassos; • Combate à burocracia; • Redução de custos; • Eliminação de excessos e desperdícios; • Acompanhamento do tempo de validade do material guardado (documentos, matéria-prima, alimentos, remédios etc.); • Melhoria da administração do tempo; • Melhoria do marketing pessoal; • Maior rapidez para encontrar objetos e informações; • Aumento da segurança; • Diminuição do cansaço físico e mental causado pela procura de objetos e informações; • Aumento da produtividade e satisfação pessoal e da equipe; • Melhoria do visual (boa impressão aos clientes e visitantes); • Melhoria do fluxo de pessoas e materiais; • Maior qualidade em produtos e serviços; • Prevenção contra o estresse. 40 SENSO DE UTILIZAÇÃO O primeiro senso (seiri) nada mais é do que saber definir materiais, equipamentos, ferramentas, utensílios, informações e dados necessários e desnecessários. Ele determina que seja oferecido aos funcionários os conhecimentos necessários para que tenham o discernimento entre o que é útil ao seu trabalho e o que não é. Significa retirar do ambiente de trabalho móveis, ferramentas e utensílios dispensáveis à execução normal das atividades. As vantagens dessa ação consistem no fato de que, no decorrer do trabalho, não seja preciso que o funcionário se preocupe em desviar de uma cadeira que não deveria estar ali ou com uma ferramenta que não é utilizada no setor e também está lá. Desse modo, há, efetivamente, uma clareza de pensamentos e ações, voltados para os elementos constantes no trabalho e do trabalho, evitando, assim, desperdícios e desgastes desnecessários. SENSO DE ORGANIZAÇÃO Ter Senso de Organização nada mais é que saber definir os locais apropriados e critérios para estocar, guardar ou dispor materiais, equipamentos, ferramentas, utensílios, informações e dados, com o objetivo de facilitar o uso dos mesmos. É fato que esse senso facilita o manuseio de equipamentos e ferramentas e torna tudo mais fácil de ser localizado. O segundo senso (seiton) implica que, além de serem úteis, os elementos e as ações devem estar nos locais apropriados. Se então o funcionário necessita de uma determinada ferramenta para a execução de uma ação, não deve precisar procurá- la no local de trabalho. Novamente as ações advindas da aplicação desse senso possibilitam ao funcionário formar um pensamento ordenado e estruturado em direção à prática de suas atividades. Quando isso acontece, ocorre menor gasto de tempo, pois não há ações paralelas à execução da atividade. 41 SENSO DE LIMPEZA O terceiro senso (seiso) é de simples aplicação: basta eliminar a sujeira ou objetos estranhos para manter limpo o ambiente (parede, armários, teto, gaveta, estante, piso, etc.) bem como manter dados e informações atualizados para garantir a correta tomada de decisões. Ele traduz a primeira condição visível nos setores produtivos atuais. Além da abordagem tradicional de visualização do ambiente, esse senso permite que sejam monitorados elementos que, ao se mostrarem sujos, indicam problemas, como no caso de equipamentos com vazamentos e quantidade de sobra de material além do normal. Esse senso também trazna sua aplicação uma consideração educativa: a limpeza deve ser também um estado de espírito, sendo que o funcionário, ao vir trabalhar, deve estar com a mente clara e livre de problemas. O mais importante não é o ato de limpar, mas o ato de “não sujar”. SENSO DE SAÚDE O quarto senso (seiketsu) significa criar condições favoráveis à nossa saúde física e mental. É garantir que o ambiente não seja agressivo e esteja livre de agentes poluentes. Zelar pela higiene pessoal e ter posicionamento ético, cultivando um clima de respeitomútuo nas diversas relações é também uma forma de manter boas condições sanitárias nas áreas comuns. Consolida as ações em que não basta obter tão somente a organização e a limpeza. Implica a busca da melhor organização e da mais eficiente limpeza, nos dois sentidos descritos nos Ss anteriores. Isso significa que é necessário tomar os recursos disponíveis e com eles executar o melhor, ou seja, trata-se da integração dos recursos/ações para a obtenção do melhor resultado. 42 SENSO DE AUTODISCIPLINA Podemos dizer que ter Senso de Autodisciplina é desenvolver o hábito de conservar as melhorias obtidas, visando sempre a novos desafios. Para que isso ocorra, é preciso cumprir as normas, procedimentos e regulamentos estabelecidos mesmo que estes sejam verbais. Esse senso é muito importante para o sucesso do programa. A essa altura, é preciso querer que o programa “caminhe”, saber valorizar os esforços mútuos e realizações da equipe, por isso é importante à participação de todos para que o reconhecimento das ações seja fator motivacional. O quinto senso (shitsuke) vai além das ações realizadas, fazendo com que os funcionários agora transfiram para si próprios a postura do cotidiano de trabalho obtida com os 4 Ss anteriores. Esse senso é aquele que consolida os outros quatro, propiciando, assim, um ganho permanente a organização, já que o pensamento bem ordenado e bem estruturado está a favor da organização. Para que isso aconteça, o funcionário deve levar para o cotidiano de sua vida privada o aprendizado obtido. Dessa maneira, o resultado dessa ação enseja a disciplina necessária preconizada no quinto senso. IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA 5S Considerações iniciais a) Tomar como referência a realidade atual. b) Envolver todas as pessoas. c) Trabalhar inicialmente com as pessoas dispostas. d) Escolher o Representante. 43 Plano geral a) Mobilizar para implantar. b) Definir e registrar itens de controle. c) Treinar todos os colaboradores. d) Realizar dia da grande limpeza; estabelecer sistema de ação. e) Implantar ações corretivas. Atribuições do representante 5S a) Comprometer-se com o programa 5S. b) Estimular a participação de todos os colaboradores no programa 5S. c) Facilitar e viabilizar recursos para a implantação e manutenção do programa 5S. d) Organizar o lançamento do programa 5S. e) Organizar um comitê 5S para dar sustentação ao programa. f) Agendar reuniões com os integrantes deste comitê. g) Liderar o processo de implantação do programa 5S. h) Acompanhar o desenvolvimento do programa 5S. i) Promover eventos para todos os colaboradores que estimulem a prática do 5S. Perfil do representante 5S a) Pessoa comprometida com o trabalho e com a empresa. b) Ser dinâmica. c) Ter liderança. d) Possuir boa fluência verbal. e) Estabelecer boas relações sociais com os outros colaboradores. 44 f) Ter disponibilidade de tempo. g) Gostar e acreditar na filosofia do programa 5S. h) Estar comprometido com o programa 5S e dar exemplo. Instruções para preenchimento do plano de ação O plano de ação deve ser preenchido pelo representante 5S juntamente com um grupo de apoio. Este registro, sendo cumprido na íntegra, facilita o controle do programa, envolve pessoas, divide responsabilidades e gera um maior comprometimento de todos. O proprietário da empresa deve estar integrado, executando e se responsabilizando por determinadas atividades. Devemos lembrar que o comprometimento do proprietário é muito importante para a eficácia do Programa. Cabeçalho Nome da empresa. Nome do proprietário da empresa. Nome do Representante 5S. Data de preenchimento. O que fazer • Neste quadro são registradas as ações que são necessárias à implantação e manutenção do Programa 5S. Como • De que maneira serão feitas cada uma das ações propostas. Quando • Data para finalizar a execução das tarefas programadas. 45 Quem • Nome dos responsáveis pela execução das atividades definidas. Onde • Local onde serão realizadas as atividades. Ações que se fazem necessárias para a aplicação dos 5S. Fonte: http://1.bp.blogspot.com/-0yTu-DlpTSM/T1-29TEnlHI/AAAAAAAABaI/le0z5gOLw1w/s1600/5S.jpg Seiri – Retirar do local objetos que não são utilizados rotineiramente no desempenho de uma função, devendo-se conhecer todas as peças, as ferramentas e os instrumentos para a realização do trabalho e manter somente esses elementos. Seiton – Quanto aos objetos restantes, a organização deve buscar o menor esforço de execução. Por exemplo, a ferramenta utilizada mais vezes deve está próxima dos usuários, de tal forma que não seja necessário que este se desloque para busca-la em outro local. Seiso – A manutenção de pisos, bancadas e equipamentos permite, além da localização rápida de elementos do trabalho, a identificação das situações chamadas não conformes. Locais com manchas, entulhos e outras inadequações devem ser limpos e monitorados. 46 Seiketsu – A verificação das três ações anteriores serve de alerta para o funcionário, que deve manter o estado ideal e o padrão estabelecido. Shitsuke – Os colaboradores precisam aceitar verdadeiras melhorias no trabalho. Um plano de incentivos em direção à busca dessas melhorias pode trazer bons resultados à organização e ao ambiente de trabalho. O sucesso da implementação dos 5S depende de um programa de manutenção das ações propostas, por isso não devem ser realizados somente uma vez. O programa deve ser apoiado e incentivado como parte de uma abordagem estratégica implantada pela organização. 47 MÓDULO IV: FERRAMENTAS PARA QUALIDADE São recursos utilizados que identificam e melhoram a qualidade dos produtos, serviços e processos. As ferramentas não são unicamente para solucionar problemas, elas devem também fazer parte de um processo de planejamento para alcançar objetivos. Para analisar a variabilidade nos processos, podemos utilizar várias ferramentas, sendo que as citadas a seguir não são as únicas, mas são as mais utilizadas. FOLHA DE VERIFICAÇÃO São formulários planejados nos quais os dados coletados são preenchidos de forma fácil e concisa. Registram os dados dos itens a serem verificados, permitindo uma rápida percepção da realidade e uma imediata interpretação da situação, ajudando a diminuir erros e confusões. 1. FOLHA DE VERIFICAÇÃO PARA DISTRIBUIÇÃO DO PROCESSO DE PRODUÇÃO. É usado esse tipo de folha de verificação quando se quer coletar dados de amostras de produção. Lançam-se os dados em um histograma para analisar a distribuição do processo de produção, coletam-se os dados, calcula-se a média e constrói-se uma tabela de distribuição de frequência. À medida que os dados são coletados são comparados com as especificações. Os dados coletados para este tipo de folha de verificação não podem ser interrompidos. Este tipo de folha de verificação é aplicado quando queremos conhecer a variação nas dimensões de um certo tipo de peça. Exemplo: Espessura da peça após o biscoito prensado no processo cerâmico. 48 2. FOLHA DE VERIFICAÇÃO DE ITENS DEFEITUOSOS. Este tipo de folha de verificação é usado quando queremos saber quais os tipos de defeitos mais frequentes e números de vezes causados por cada motivo. 3. FOLHA DE VERIFICAÇÃO PARA LOCALIZAÇÃO DE DEFEITO É usada para localizar defeitos externos, tais como: mancha, sujeira, riscos, pintas, e outros. Geralmente esse tipo de lista de verificação tem um desenho do item a ser verificado, na qual é assinalado o local e a forma de ocorrência dos defeitos. Bolha estourada na superfície do vidrado, nas peças cerâmica. Esta folha nos mostra o local onde mais aparece o tipo da bolha. Esse tipo de folha de verificação é uma importante ferramenta para a análise do processo, pois nos conduz para onde ecomo ocorre o defeito. 4. FOLHA DE VERIFICAÇÃO DE CAUSAS DE DEFEITOS Este tipo de folha de verificação é geralmente usado para investigar as causas dos defeitos, sendo que os dados relativos à causa e os dados relativos aos defeitos são colocados de tal forma que torna-se clara a relação entre as causas e efeitos. Posteriormente os dados são analisados através da estratificação de causas ou do diagrama de dispersão. QUANDO USAR A FOLHA DE VERIFICAÇÃO Essas folhas de verificação são ferramentas que questionam o processo e são relevantes para alcançar a qualidade. São usadas para: • Tornar os dados fáceis de obter e utilizar; • Dispor os dados de uma forma mais organizada; • Verificar a distribuição do processo de produção: coleta de dados de amostra da produção; 49 • Verificar itens defeituosos: saber o tipo de defeito e sua percentagem; • Verificar a localização de defeito: mostrar o local e a forma de ocorrência dos defeitos; • Verificar as causas dos defeitos. • Fazer uma comparação dos limites de especificação. • Investigar aspectos do defeito: trinca, mancha, e outros • Obter dados da amostra da produção • Determinar o turno, dia, hora, mês e ano, período em que ocorre o problema. • Criar várias ferramentas, tais como: diagrama de Pareto, diagrama de dispersão, diagrama de controle, histograma, etc. PRÉ-REQUISITOS PARA CONSTRUÇÃO DA FOLHA DE VERIFICAÇÃO • Identificar claramente o objetivo da coleta de dados: quais são e os mais importantes defeitos. • Decidir como coletar os dados: como serão coletados os dados? Quem irá coletar os dados? Quando serão coletados os dados? Qual o método será utilizado para coleta dos dados? • Estipular a quantidade de dados que serão coletados: tamanho da amostra. • Coletar os dados dentro de um tempo específico: decidir o tipo de folha de verificação a ser usada, decidir se usar número, valores ou símbolos, fazer um modelo da folha de verificação. COMO FAZER FOLHA DE VERIFICAÇÃO 1: Planejamento. • Por que realizar a coleta de dados: (definir os objetivos ) • O quê? quais as informações desejadas ? • Quanto? qual a quantidade e o tamanho das amostras ? • Onde? Em que formulário os dados serão registrados ? • Quando? A que período de tempo os dados devem se referir ? • Quem? Qual o responsável pela coleta dos dados ? • Como? De que maneira será feita a coleta dos dados ? 50 2: Elabore a folha de verificação ( tabela ou planilha ) onde os dados serão registrados. Folha de Verificação Data Horário Serviço Cliente Nº OS Reclamação Atendente Ação Fonte: http://www.qualidadebrasil.com.br/imagens/noticias/1272/td_folha1.png 3: Instrua que for coletar os dados. 4: Colete os dados. 51 DIAGRAMA DA PARETO O diagrama ou gráfico de Pareto é assim definido no Japão segundo Karatsuand Ikeda (1985: 25): “É um diagrama que apresenta os itens e a classe na ordem dos números de ocorrências, apresentando a soma total acumulada.” Nos permite visualizar diversos elementos de um problema auxiliando na determinação da sua prioridade. É representado por barras dispostas em ordem decrescente, com a causa principal vista do lado esquerdo do diagrama, e as causas menores são mostradas em ordem decrescente ao lado direito. Cada barra representa uma causa exibindo a relevante causa com a contribuição de cada uma em relação à total. É uma das ferramentas mais eficientes para encontrar problemas. Para traçar, deve ser repetida várias vezes para cada um dos problemas levantados, tomando os itens prioritários como problemas novos. O diagrama de Pareto descreve as causas que ocorrem na natureza e comportamento humano, podendo assim ser uma poderosa ferramenta para focalizar esforços pessoais em problemas e tem maior potencial de retorno. QUANDO USAR O DIAGRAMA DE PARETO • Para identificar problemas. • Para encontrar as causas que atuam em um defeito. • Para descobrir problemas e suas causas; problema (erro, falhas, gastos, retrabalhos, etc.) causas (operador, equipamento, matéria-prima, etc.). • Para melhor visualizar uma ação (atividade, tarefa, operação). • Para priorizar a ação (atividade, tarefa, operação). • Confirmar os resultados de melhoria implantada. 52 • Verificar a situação antes e depois do problema, devido às mudanças efetuadas no processo. • Detalhar as causas maiores em partes específicas, eliminando a causa de um problema. • Estratificar uma ação (detalhar, descrever as partes componentes). • Identificar os itens que são responsáveis por os maiores impactos. • Para definir as melhorias de um projeto, tais como: principais fontes de custo e causas que afetam um processo na escolha do projeto, em função de número de não conformidade, e outros. PRÉ-REQUISITOS PARA A CONSTRUÇÃO DO DIAGRAMA DE PARETO • Coleta de dados. • Folha de verificação. • Calcular as frequências relativa e acumulada na ocorrência de cada item. • Estratificação, separando o problema em proporções ou família. COMO FAZER O DIAGRAMA DE PARETO • Selecionar o que vai ser analisado, e o tipo de problema. • Determinar o método e o período para coletar os dados. Coletar os dados de acordo com sua causa e assunto. • Estabelecer um período de tempo para coletar dados, tais como: horas, dias, semanas, meses, etc. • Reunir os dados dentro de cada categoria. • Traçar dois eixos, um vertical e um horizontal de mesmo comprimento. No eixo vertical da direita, fazer uma escala de 0% a 100%, e na esquerda uma escala de 0% até o valor total. No eixo horizontal fazer uma escala de acordo com o número de itens. • Listar as categorias em ordem decrescente de frequência da esquerda para a direita. Os itens de menos importância podem ser colocados dentro de uma categoria “outros” que é colocada na última barra à direita do eixo. • Calcular a frequência relativa e a acumulada para cada categoria, sendo que a acumulada será mostrada no eixo vertical e à direita. 53 Exemplo de Diagrama de Pareto 40 100 30 75 20 50 10 25 0 0 Frequência por causa Problemas nos carros Rotaçã o inad equad a Barulho Vibraçã o Pressã o Outros Vedaç ão do e ixo Vibraç ões na caixa Pe rc en tu al d e ca ix as c om d ef ei to N úm er o de c ai xa s co m d ef ei to Percentual cumulativo Fonte: http://wpm.wikidot.com/local--files/tecnica:diagrama-de-pareto/imagem89.GIF DIAGRAMA DE CAUSA E EFEITO “É uma representação gráfica que permite a organização das informações possibilitando a identificação das possíveis causas de um determinado problema ou efeito.” OLIVEIRA (1995: 29). Conhecido como Diagrama de Espinha de Peixe ou Diagrama de Ishikawa, mostra- nos as causas principais de uma ação, as quais dirigem para as subcausas, levando ao resultado final. Foi desenvolvido em 1943 por Ishikawa na Universidade de Tóquio. Ele usou isto para explicar como vários fatores poderiam ser comuns entre si e estar relacionados. QUANDO USAR DIAGRAMA DE CAUSA E EFEITO Quando há necessidade de identificar todas as causas possíveis de um problema. Para obter melhor visualização da relação entre a causa e efeito delas decorrentes (de um problema qualquer). 54 Classificar as causas fatorando (decompondo) em subcausas, sobre um efeito ou resultado. Para saber quais as causas que estão provocando este problema. Identificar com clareza a relação entre os efeitos, e suas prioridades. Em uma análise dos defeitos: perdas, falhas, desajuste do produto, etc. Com o objetivo de identificá-los e melhorá-los. PRÉ-REQUISITOS PARA CONSTRUIR O DIAGRAMA DE CAUSA E EFEITO • Obter sugestões de possíveis causas do problema (Brainstorming) das pessoas envolvida no processo. • Utilizaro Diagrama de Pareto, para revelar a causa mais dominante. COMO FAZER UM DIAGRAMA DE CAUSA E EFEITO • Identificar e descrever o problema a ser analisado de forma objetiva. • Escrever o efeito ou problema em um retângulo no lado direito do gráfico, e na espinha dorsal ao lado esquerdo, as causas primárias e secundárias, fazendo a pergunta “porque isto ocorre? “. • Reunir um grupo de pessoas fazendo um Brainstorming sobre as possíveis causas do problema em estudo. • Anotar as possíveis causas e quando houver uma quantia razoável de ideias, agrupá-los por afinidade, preenchendo o diagrama. • Revisar todo o diagrama para verificar se nada foi esquecido • Analisar o gráfico no sentido de encontrar a causa principal, observando as causas que aparecem repetidas, se estas causas estão relacionadas com o efeito. Se eliminar a causa reduz o efeito, obtenha o consenso de todos do grupo. BRASSARD (1985) 55 Diagrama Causa - Efecto para Formulación de Terorías Causa Causa Causa Causa Causa Efecto Teoria Teoria Teoria Teoria Teoria Teoria Teoria Teoria Teoria Teoria Teoria Teoria Teoria Teoria Teoria Teoria Teoria Teoria Teoria Teoria Teoria Teoria Teoria Teoria Teoria Fonte: www3.uji.es/~agrandio/calidad/Espina.jpg 56 Atitude do garçons Comida Espera Ambiente Efeito Longa espera para fechamento de conta Tapetes sujos Treinamento de faxineira inadequado Programa de limpeza inadequado Assentos na área de espera Sala de jantar fria Comida servida fria Muitas mesas Mau atendimento nas mesas Apressado Garçon inexperiente Trenamento inadequado Confusa Rude Garçons incertos sobre quando a comida esta pronto Sistema da mortificação do garçon inadequado Janelas abertas Espera desconfortável por mesa Computador fora do ar Fonte:http://www.rgoconsultoria.blogspot.com HISTOGRAMA Histograma é um gráfico de barras que é usado para organizar muitos dados. O eixo horizontal mostra os valores da característica do efeito (problema), com a região entre o maior valor e o menor valor sendo subdividida em vários espaços menores. O tamanho das barras verticais reflete o número de dados que caem nesses espaços. Quando os dados referentes aos problemas são mostrados em histogramas, os seguintes itens se tornam claros, facilitando a atividade de solução de problemas: • Entendimento da distribuição dos dados. • Cálculos dos valores médios e desvio padrão. 57 • Comparações com padrões. • Comparações entre itens estratificados. Um ponto importante na solução de problemas é criar histogramas estratificados para descobrir áreas de problema e verificar resultados. Acima da média de aprovação N. de Pessoas Notas 9 15 10 5 87654321 Abaixo da média de aprovação FLUXOGRAMA É um resumo ilustrativo do fluxo das várias operações de um processo. Este documenta um processo, mostrando todas as etapas deste. GITLOW (1993: 67). É uma ferramenta fundamental, tanto para o planejamento (elaboração do processo) como para o aperfeiçoamento (análise, crítica e alterações) do processo. 58 O fluxograma facilita a visualização das diversas etapas que compõem um determinado processo, permitindo identificar aqueles pontos que merecem atenção especial por parte da equipe de melhoria. NUCLEN (85). É basicamente formado por três módulos: 1. Início (entrada) - assunto a ser considerada no planejamento; 2. Processo - consiste na determinação e interligação dos módulos que englobam o assunto. Todas as operações que compõe o processo; 3. Fim (saída) - fim do processo, onde não existem mais ações a ser conside- rada. QUANDO USAR UM FLUXOGRAMA • Para identificar o fluxo atual ou o fluxo ideal do acompanhamento de qualquer produto ou serviço, no sentido de identificar desvios. • Para verificar os vários passos do processo e se estão relacionados entre si. • Na definição de projeto, para identificar as oportunidades de mudanças, na definição dos limites e no desenvolvimento de um melhor conhecimento de todos os membros da equipe. • Nas avaliações das soluções, ou seja, para identificar as áreas que serão afetadas nas mudanças propostas. Etc. PRÉ-REQUISITOS PARA CONSTRUIR UM FLUXOGRAMA • Conhecer o processo. COMO FAZER UM FLUXOGRAMA Todas as pessoas devem estar envolvidas na montagem do fluxograma, isto é, pessoas que realmente participam do processo. • Identificar as fronteiras do processo, mostrando o início e o fim, usando sua simbologia adequada. • Documentar cada etapa do processo, registrando as atividades, as decisões e os documentos relativos ao mesmo. 59 • Fazer uma revisão para verificar se alguma etapa não foi esquecida, ou se foi elaborada de forma incorreta. • Discutir com a equipe, analisando como o fluxograma foi completado, certificando-se da coexistência do mesmo e como o processo se apresenta. 1 Solicitação do projeto 7 Fornecedores fazem as provas 2 Cópia para conformidade 3 Desenvolver ilustrações 12 Pedir materiais não não não sim sim sim 4 Ilustrações aprovadas 9 Revisão/ aprovação da GQ 8 Revisão/aprovação desenvolvimento do pacote 6 Ilustrações prontas para provadas 5 Alterar controle das especificações 10 Prova devolvida com aprovação para o fornecedor 11 Especificações assinadas (Pacote e GQ) EXEMPLO DE FLUXOGRAMA Fonte: http://www.wirelessbrasil.org/wirelessbr/colaboradores/eder_silva_e_erico_machado/fig_05.jpg BRAINSTORMING “É um grupo de pessoas na qual um tema é exposto e que através de livre associação de pensamento começam surgir ideias associadas a este tema.” Seminário: Gerenciamento estratégico para a Qualidade. 60 A filosofia básica do Brainstorming é deixar vir à tona todas as ideias possíveis sem criticar durante a sua exposição. O objetivo é obter o maior número possível de sugestões, para fazer posteriormente o julgamento. O Brainstorming, não determina uma solução, mas propõe muitas outras. QUANDO USAR UM BRAINSTORMING • Para conhecer e solucionar um problema, nas listagens das possíveis causas e soluções. • No desenvolvimento de um novo produto, e das características do produto. • E várias outras aplicações, pois é uma técnica muito flexível. PRÉ-REQUISITOS PARA CONSTRUIR UM BRAINSTORMING • Constituir um grupo de pessoas. • Designar um líder para coordenar o grupo. • Folha de verificação para anotar as ideias. COMO FAZER UM BRAINSTORMING • Organizar um grupo de pessoas. • Selecionar um líder e um secretário para o grupo. • Definir o problema a ser discutido. • Anotar todas as ideias sugeridas. • Manter todos os participantes envolvidos. • Tentar obter o maior número de ideias. • Analisar e julgar todas as ideias. Este julgamento pode ser feito no grupo ou em outra sessão. • Selecionar, com o grupo, as ideias mais adequadas ao objetivo. 61 5W1H DEFINIÇÃO É um documento de forma organizada que identifica as ações e as responsabilidades de quem irá executar, através de um questionamento, capaz de orientar as diversas ações que deverão ser implementadas. Segundo Oliveira (1995: 113) “5W1H deve ser estruturado para permitir uma rápida identificação dos elementos necessários à implantação do projeto.” Os elementos podem serdescritos como: WHAT - O que será feito (etapas) HOW - Como deverá ser realizado cada tarefa/etapa (método) WHY - Por que deve ser executada a tarefa (justificativa) WHERE - Onde cada etapa será executada (local) WHEN - Quando cada uma das tarefas deverá ser executada (tempo) WHO - Quem realizará as tarefas (responsabilidade) QUANDO USAR 5W1H • Para referenciar as decisões de cadaetapa no desenvolvimento do trabalho. • Na Identificação de ações e responsabilidades de cada um na execução das atividades. • No planejamento das diversas ações que serão desenvolvidas no decorrer do trabalho. PRÉ-REQUISITOS PARA CONSTRUIR UM 5W1H • Reunir um grupo de pessoas. 62 • Escolher um líder para orientar as diversas ações para cada pessoa. COMO FAZER UM 5W1H • Construir uma tabela com as diversas questões; What, How, Why, Where e When. • Fazer questionamentos sobre cada item. • Anotar as decisões em cada questão considerada de sua atividade. O que? (What) Quem? (Who) Porquê? (Why) Quando? (When) Onde? (Where) Como? (How) Existe uma variação desta ferramenta, chamada 5W1H+1H. Além das perguntas anteriores, adiciona-se “quanto irá custar (How Much)?” no plano. 63 Exemplo de 5W1H O quê Quem Quando Onde Por que Como Propor à enfer- meira super- visora da UTI geral a criação de uma planilha de controle de equipamento enviados a manutenção Acadêmicas do 4º ano de enfermagem 07/11/2001 Sala de enfermeira supervisora 1) agilizar a busca de informação; 2) proporcionar visão global de entrada e saída de equipamento; 3) permitir previsão e provisão de equipamen- tos; 4) melhor utilização do tempo pela enfermeira; 5) evitar extravio de equipamento para outra unidade; 6) permitir controle esta- tístico de indicadores de desempenho como: - número de equipamen- tos mensalmente envia- dos à manutenção; - frequência com que os equipamentos vão para manutenção -tempo de resolução de problemas por parte da manutenção; -motivos pelo quais houve a necessidade de manutenção de um mes- mo equipamento; - condições em que o equipamento foi enviado e retornou da manuten- ção. 7) melhorar a segurança na assistência prestada ao paciente. Reunião com a enfermeira supervisora da UTI geral a fim de: - expor os be- nefícios desta nova rotina; - discutir as necessidade da unidade quando a este processo; - esclarecer dúvidas; - solicitar su- gestões para a construção do instrumento; - Determinar prazo para a criação e implantação da planilha. Desenvolver educação em serviço com enfermeira supervisora da UTI geral. Acadêmicas do 4º ano de enfermagem 13/11/2001 Na UTI geral 1) Utilizar a planilha cor- retamente (Anexo 2). 2) Habilitar a coletar da- dos durante a execução, permitindo a verificação posterior dos resultados. 1) Através de aula prática para explicar os passos da pla- nilha; (Anexo 1) Fonte: www.inovaemgestao.blogspot.com 64 Exemplo de 5W2H PLANO DE AÇÃO Aprovados em: PROBLEMA A SER RESOLVIDO: Redução do tempo de entrega de produtos Responsável: MATA: Reduzir o tempo de tempo para três dias até junho de 2012. Medida (WHAT - O QUE) Responsá- vel (WHO - QUEM) Prazo (WHEN - QUANDO) LOCA (WHERE - ONDE) Razão (WHY - POR QUE) Procedimento (HOW - COMO) Investimen- to (HOW MUCH - QUANTO CUSTA) 1. Redimen- sionar o estoque de produtos Sr. Souza 20/4/2012 Unidade Belo Horizonte Para evitar a falta do produto. Fazer um levan- tamento das encomendas dos últimos dois anos e, através da estatística, determinar o estoque mínimo para uma confia- bilidade de 95% de certeza de atendimento. Sem custos adicionais. 2. Estabele- cer um pro- cedimento operacional padrão da distribuição Srta. Ana 30/5/2012 Unidade São Paulo Para redu- zir o tempo e o custo da distri- buição. Estabelecer o fluxograma atual, criticar em reu- nião com chefe e apoio técnico e estabelecer o novo fluxograma simplificado. Sem custos adicionais. 3. Estabe- lecer um sistema de definição do roteiro em função do roteiro em função da progra- mação da distribuição Sra. Sônia 20/6/2012 Unidade Rio de Janeiro Pra reduzir o tempo de aten- dimento, economi- zar tempo e combus- tível e utili- zar melhor a frota. Utilizar sofware disponível no mercado. R$ 8.000,00 Fonte: www.inovaemgestao.blogspot.com 65 MÓDULO V: NORMALIZAÇÃO DA QUALIDADE A normalização está presente em diversas áreas do conhecimento e também na indústria, no comércio, nos serviços, e nas produções técnico-científicas como meio de dar maior credibilidade através da qualidade gerada pelas normas técnica. Segundo Arouk (1995): normalizar é submeter algo a normas, padronizar, enquanto normatizar é estabelecer normas para alguma coisa, ação ou processo. Para todo estabelecimento é indispensável a utilização de normas para que se garanta o padrão de qualidade aos diversos produtos e processos, entretanto nem sempre foi assim, em tempos remotos, as pessoas passaram muitas dificuldades por não ter um padrão adequado ao que estavam consumindo ou produzindo. Certamente, isso gerava um desperdício por parte do produtor e uma insegurança por parte do consumidor. De acordo com ABNT ISO/IEC, Normalização é Atividade que estabelece, em relação a problemas existentes ou potenciais, prescrições destinadas à utilização comum e repetitiva com vistas à obtenção do grau ótimo de ordem em um dado contexto. A normalização da qualidade exigida pelos mercados, obriga indiretamente as organizações a se certificarem por meio de órgãos credenciados que garantem um padrão aceitável de produtos e serviço. Esse padrão é reconhecido e permite que muitas organizações possam atuar em mercados nacionais e internacionais com o número reduzido de restrições. Não garante a aceitação, porém facilita a aceitação de produtos e serviços. Segundo o INMETRO, a Formação da Estrutura da Normalização no Brasil e no Mundo tem a seguinte sequência: • 1906: criação da IEC (International Electrotechnical Commission). • 1940: criação da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). 66 • 1947: criação da ITU (International Telecommunication Union): surgiu como um comitê a ONU; em 1956 ganha status de organização; passou a ter esse nome em 1993. • 1947: criação da ISO (International Organization for Standardization). • 1961: criação da COPANT (Comissão Panamericana de Normas Técnicas): congrega as 3 Américas e o Caribe. • 1961: criação do CEN (European Committee for Standardization) • 1973: criação do CENELEC (European Committee for Electrotechnical Stan- dardization) • 1988: criação do ETSI (EuropeanTelecommunications Standards Institute) • 1991: criação da AMN (Associação Mercosul de Normalização): surgiu como Comitê Mercosul de Normalização; mudou para esse nome em 2000. Vantagens da normalização da qualidade: • Melhorar seus produtos ou serviços A aplicação de uma norma pode conduzir a uma melhora na qualidade de seus produtos ou serviços. Resultando, certamente no aumento das vendas. Alta qualidade é sempre uma poderosa proposta de venda. Consumidores são raramente tentados a comprar mercadorias de qualidade questionável. Além disso, agregar qualidade a seu produto ou serviço aumenta o nível de satisfação dos consumidores e é uma das melhores formas de mantê-los. • Atrair novos consumidores Gerar a correta percepção de seu negócio e seus produtos ou serviços é vital quando você quer atrair novos consumidores. As normas são um caminho efetivo para convencer potenciais consumidores de que você atende aos mais altos e amplamente respeitados níveis de qualidade, segurança e confiabilidade. 67 • Aumentar sua margem de competitividade O atendimento às normas aumentará sua reputação de ter um negócio comprometido com a busca por excelência. Isto pode lhe dar uma importante vantagem sobre os seus concorrentes que não aplicam as normas – Auxiliando inclusive no ganhode concorrências. Além do que, muitos consumidores em certos setores só comprarão de fornecedores que podem demonstrar conformidade com determinadas normas. • Agregar confiança ao seu negócio Acreditar na qualidade de seus produtos ou serviços é provavelmente uma das razões chave da existência de consumidores para esses produtos ou serviços. Quando o consumidor descobre que você utiliza normas há o aumento da confiança em seus produtos ou serviços. Além do que, a utilização de certas normas (por exemplo, ABNT NBR ISO 14001) pode ser muito boa para sua imagem. • Diminuir a possibilidade de erros Seguir uma norma técnica implica em atender a especificações que foram analisadas e ensaiadas por especialistas. Isso significa que você terá, provavelmente, menos gasto de tempo e dinheiro com produtos que não tenham a qualidade e desempenho desejáveis. • Reduzir seus custos de negócio A utilização de uma norma pode reduzir suas despesas em pesquisas e em desenvolvimento, bem como reduzir a necessidade de desenvolver peças ou ferramentas já disponíveis. Além disto, a utilização de uma norma de sistema de gestão pode permitir a dinamização de suas operações, tornando seu negócio muito mais eficiente e rentável. 68 • Tornar seus produtos compatíveis Aplicando as normas pertinentes, pode-se assegurar que seus produtos ou serviços são compatíveis com aqueles fabricados ou fornecidos por outros. Essa é uma das mais efetivas formas de ampliar o seu mercado, em particular o de exportação. • Atender a regulamentos técnicos Diferentemente dos regulamentos técnicos, as normas são voluntárias. Não há obrigatoriedade em adotá-las. Entretanto, o atendimento a estas pode auxiliá-lo no cumprimento das suas obrigações legais relativas a determinados assuntos como segurança do produto e proteção ambiental. Haverá impossibilidade de vender seus produtos em alguns mercados a menos que estes atendam certos critérios de qualidade e segurança. Estar em conformidade com normas pode poupar tempo, esforço e despesas, lhe dando a tranquilidade de estar de acordo com suas responsabilidades legais. • Facilitar a exportação de seus produtos A garantia de que seus produtos atendem a normas, facilita a sua entrada no mercado externo, devido á confiança gerada pela utilização de normas. • Aumentar suas chances de sucesso Incluir normas como parte de sua estratégia de marketing, pode conferir a seu produto uma enorme chance de sucesso. Isto porque – através de sua natureza colaborativa - a normalização pode auxiliar na construção do conhecimento das necessidades de mercado e dos consumidores. Iniciativas de negócios em mercados que utilizam normas reconhecidas possuem maiores chances de sucesso. 69 PADRONIZAÇÃO A padronização é um método que tem como finalidade reduzir a variabilidade dos processos de trabalho sem prejudicar sua flexibilidade. Visa definir os produtos (com base na expectativa e necessidades dos clientes), os métodos de produção destes produtos, as maneiras de atestar a conformidade de tais produtos e que os mesmos atendem às necessidades dos clientes, de maneira mais simples, ao menor custo e com menor variação possível. Num mercado com a competitividade cada vez mais acirrada e onde as exigências são cada vez maiores, as organizações dependem de sua capacidade de inovações tecnológicas dos produtos, processos e serviços. A competição internacional entre as empresas eliminou as tradicionais vantagens baseadas no uso de fatores abundantes e de baixo custo. A padronização é utilizada cada vez mais como um meio para se alcançar a redução de custo da produção e do produto final, mantendo ou melhorando sua qualidade. A implantação da gestão da qualidade total, bem como da ISO 9000, envolvem a padronização de processos. O padrão permite às organizações que imponham responsabilidades aos seus funcionários em função de exigências claras e definidas. Contudo, para manter a eficácia do padrão estabelecido, a organização deve dar conta de algunsrequisitos básicos, destacados por Ambrozewicz (2003 apud SELEME; STADLER, 2008, p. 133): 1- Ser mensurável: o padrão deve permitir que se avalie a qualquer instante, obtendo-se resultados que possibilitem comparar claramente o estado atual com o estado anterior. 2- Ser de fácil compreensão: como deve atingir muitas pessoas na organização, o padrão deve ser perfeitamente compreensível a quem faz uso dele. 3- Ser de fácil utilização: o padrão deve ser simples e de fácil aplicação. 4- Ser democrático: quando possível, o padrão deve ser estabelecido em conjunto com quem executa a atividade padronizada, permitindo uma especialização em sua execução. 5- Ser baseado na prática: O padrão que apresenta essa característica tem como base o ensaio, a realização na prática e tem sua eficácia comprovada; 70 6- Ser passível de revisão: o padrão deve permitir que as organizações possam realizar ações de melhoria sem comprometer as atividades em execução. 7- Possuir autoridade: o padrão deve ser revestido de autoridade por ser a melhor forma de se atingirem os objetivos; 8- Possuir informações de vanguarda: o padrão deve ser o “estado da arte” do processo, aquilo que de mais avançado existe; 9- Ser voltado para o futuro: o padrão deve permitir a evolução para processos que levem a um resultado que não possa ser atingido atualmente. 10- Fazer parte de um sistema de padronização: o padrão deve atender às normas específicas para cada caso. Na busca da qualidade total, a padronização é uma ferramenta fundamental, é com ela que se consegue prever e dar manutenção aos resultados da organização. A estabilidade dos resultados depende do processo de padronização, pois com ela diminuem-se as dispersões e os resultados tornam-se previsíveis. Para que se pense em melhorias é necessário ter uma base estável, sem resultados precisos não é possível notar com segurança o que deve receber manutenção. Não se consegue melhorar o que não se conhece ou o que varia constantemente. Como saber qual o nível atual de desempenho se ora tem um resultado, ora outro diferente, melhor ou pior que o anterior? A padronização também está ligada a delegação das tarefas rotineiras. Com uma base estável dos processos é possível delegar a condução dos processos às pessoas que os operam liberando a gerência para se preocupar com os projetos de melhoria que visam conferir maior competitividade à empresa. 71 Podemos perceber que o treinamento operacional, também tem como base a padronização. Tendo os procedimentos definidos torna-se mais fácil e mais simples desenvolver nas pessoas as habilidades e conhecimentos necessários para a execução das tarefas. E a execução das tarefas conforme os padrões garante a manutenção dos resultados. Esse método não se limita apenas ao estabelecimento (consenso, redação, aprova- ção e distribuição) do padrão, mas inclui, também, a sua utilização (treinamento e verificação contínua de sua observação). Isto significa que a padronização só ter- mina quando a execução do trabalho conforme o padrão estiver assegurado. NÍVEIS DE NORMALIZAÇÃO Conforme Ambrozewicz, as organizações, de uma forma geral, são estruturadas por normas, sejam internas, que refletem as necessidades de padronização da organização para o desempenho de suas atividades, sejam externas, geradas por organismos nacionais e internacionais e que deve ser seguidas para que os produtos tenham aceitação. 72 Pirâmide de Normalização ISO IEC Normas Regionas Mercosul CEN Normas Nacionais ABNT BSI AFNOR DIN Normas Associação SAE ASME ASTM Normas de Empresa Normas Individuais Internacional Regional Nacional Associação Empresa Individual Fonte: www.ebah.com.br Com base na pirâmide acima, SELEME e STADLERdefinem os níveis de normalização da seguinte forma: • Nível individual – Compreende normas do próprio indivíduo, as quais orientam suas ações, independentemente das normas gerais. • Nível empresarial – Diz respeito às normas que a organização utiliza na gestão das suas atividades internas, como normas para compra de material, escolha de fornecedores, códigos de conduta e ética. • Nível de associação – Comporta normas que as associações de entidades de um mesmo ramo elaboram para que sejam cumpridas pelos seus associados. Um exemplo são as Normas da American Society for Testingand Materials (ASTM). • Nível nacional – Abarca as normas que visam adequar os interesses do governo, das indústrias. Dos consumidores e da comunidade cientifica de 73 um país. A normalização é feita por uma organização nacional, por exemplo, no caso das normas alemãs – Associação Alemã de Normas Técnicas (DIN) e das normas brasileiras – Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT – NBR ISSO 9001 e NBR ISSO 14001). • Nível regional – Compreende as normas que representam os interesses de nações independentes de um mesmo continente ou região. Exemplares, nesse caso, são as normas elaboradas pelo Comitê Mercosul de Normalização (CMN), pelo Comitê Europeu de Normalização (CEN), pela Comissão Pan- Americana de Normas Técnicas (Copant), etc. • Nível internacional – São as normas que resultam de união, da cooperação e de acordos entre diversas nações que têm interesses comuns nas relações entre si. Como exemplo, nesse caso, podemos citar as normas ISO 9000, ISO 14000, ISO 26000, entre outras. Havendo uma boa aplicação e integração das normas, forma-se uma blindagem de qualidade nos processos e produtos da empresa. Nos dias atuais, organizações que são certificadas pelas normas, estão exigindo que seus fornecedores e distribuidores tenham certificação de qualidade adequada para fazerem parte de sua cadeia de suplementos. A adoção das normas internacionais, para as empresas, tem o significado de que os fornecedores podem desenvolver e oferecer produtos e serviços que reúnem critérios com ampla aceitação internacional, permitindo que a empresa atue em diversos meios. Quando os produtos e os serviços são baseados em normas internacionais, a uniformidade das normas internacionais é alcançada, permitindo ao cliente uma comparação mais clara entre os produtos oferecidos. Qualidade, segurança e confiabilidade são garantias de produtos e serviços que estão em conformidade com as normas internacionais. 74 Na visão governamental, as normas internacionais oferecem as bases cientificas e tecnológicas relativas à saúde, segurança e legislação ambiental. A existência de diversas normas nacionais e regionais podem criar barreiras técnicas entre o comércio. Por isso, as normas internacionais são meios técnicos pelos quais os governos podem realizar acordos comerciais. Tais situações se configuram quando se trata de países em desenvolvimento, cujos produtos estão sujeitos a diversos tipos de barreiras de entrada, sob as mais variadas alegações. Cabe ressaltar que as normas internacionais referentes à qualidade do solo, ao ar, à água, às emissões de gases e radiação e aos aspectos ambientais dos produtos contribuem para a melhoria de vida do ser humano, com vistas a preservar o meio ambiente de danos maiores e irreversíveis. INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION (ISO) A expressão ISO 9000 designa um grupo de normas técnicas que estabelecem um modelo de gestão da qualidade para organizações em geral, qualquer que seja o seu tipo ou dimensão. A ISO nasceu da união de duas organizações – a ISA (International Federation of the National Standardizing Associations) com sede em Nova York desde 1926, e o UNSCC (United Nations Standards Coordinating Committee), criado em 1944. Em outubro de 1946, delegados de 25 países, reunidos no Instituto de Engenheiros Civis em Londres, decidiram criar uma nova organização internacional, cujo objetivo seria “facilitar a coordenação internacional e unificação das normas industriais”. A nova organização, ISO, oficialmente iniciou suas operações em 23 de fevereiro de 1947. Em abril de 1947, uma reunião em Paris produziu uma lista recomendando 67 comitês técnicos da ISO, cerca de dois terços dos quais baseados em comissões ISA anteriores. Ao início dos anos 1950, os comitês técnicos da ISO estavam começando a produzir o que era conhecido na época como “Recomendações”. 75 A ideia básica da padronização internacional do pós-guerra foi derivar as Normas Internacionais das já desenvolvidas em nível nacional e, em seguida, reimplementá- las nacionalmente. As Recomendações da ISO foram, portanto, apenas a intenção de influenciar as normas nacionais já existentes. A primeira Assembleia Geral da ISO foi organizada em Paris em 1949. Foi inaugurada em reunião pública realizada no grande anfiteatro da Universidade de Sorbonne. No curso dos anos 1950 e 1960, um número crescente de novos organismos membros da ISO vieram do mundo em desenvolvimento. As normas internacionais desenvolvidas pela ISO são de alto valor para os países em desenvolvimento. Eles oferecem, na verdade, soluções práticas para uma variedade de questões relacionadas ao comércio internacional e transferência de tecnologia, porque representam um reservatório de know- how tecnológico e de especificações de produto, desempenho, qualidade, segurança e meio ambiente. No entanto, para tirar proveito dos padrões internacionais e participar na sua criação, os países em desenvolvimento tiveram que enfrentar problemas adicionais substanciais em comparação com as nações industrializadas, que iam desde a falta de infraestruturas industriais estabelecidas; passando por questões relacionadas com componentes técnicos (incluindo normas nacionais, instituições de metrologia, de testes e instalações); até a grave limitação de recursos financeiros e técnicos. O primeiro marco nas tentativas da ISO para responder às necessidades desses membros foi à criação em 1961 da Comissão DEVCO para assuntos referentes aos países em desenvolvimento (iniciada com base em um memorando para o Conselho ISO, por parte do Sr. F. Hadass de Israel). Outras iniciativas se seguiram. Em 1967, uma conferência de países em desenvolvimento foi realizada em Moscou e em 1968 uma nova categoria foi estabelecida: a de sócio correspondente, para que os países em desenvolvimento pudessem desempenhar um papel no trabalho da ISO sem incorrer no custo de uma adesão plena. 76 Uma outra categoria acabou sendo acrescentada em 1992: a de membro assinante; permitindo que economias muito pequenas mantenham uma ligação com a ISO por uma taxa mínima. Desde 1960, a composição e o papel dos países em desenvolvimento no âmbito da ISO tem sido continuamente crescente. Em paralelo, a atenção da organização para as necessidades dos países em desenvolvimento tem evoluído substancialmente, juntamente com a realização de programas que prestam assistência técnica e capacitação e uma variedade de iniciativas para facilitar a participação dos países em desenvolvimento em matéria de normalização internacional. Para a ISO, as normas devem: • Tornar o de desenvolvimento, a fabricação e o fornecimento de produtos e serviços mais eficientes, seguros e limpos; • Facilitar as trocas comerciais entre os países e torná-las mais justas; • Fornecer aos governos uma base técnica para a saúde, a segurança, o meio ambiente, bem como para a avaliação de conformidade; • Difundir avanços tecnológicos e práticas de gestão; • Difundir inovação; • Proteger consumidores e usuários em geral na aquisição de produtos e serviços; • Tornar a vida mais simples, fornecendo soluções a problemas comuns. A ISO pode ser considerada uma organização democrática, pois cada umde seus membros tem o direito de participar da elaboração de qualquer norma que julgue ser importante para seu país, porém limita-se a um voto para cada membro. Visto que é uma organização não governamental, a ISO não tem autoridade sobre qualquer país para impor suas normas, sendo adotadas de maneira voluntária pelos governos e pelos mercados, os quais se disponibilizam a aceitar suas exigências. Por isso, as normas são votadas para atender o mercado. 77 SELEME e STADLER dividem o plano de ação da ISO para países desenvolvidos em 5 partes: 1. Melhorar a sensibilização dos principais envolvidos nos países em desenvolvimento a respeito do papel da normalização no crescimento econômico, no comércio mundial e no desenvolvimento sustentável. A sensibilização das autoridades públicas, das indústrias e seus empresá- rios e de outros agentes econômicos dos países em desenvolvimento sobre a importância das normas internacionais é fundamental para o desenvol- vimento econômico desses países. Isso é particularmente para divulgação da tecnologia, para a melhoria da qualidade de produtos e serviços, bem como para a promoção de um bom negócio e práticas de gestão. Direcio- nam-se campanhas de sensibilização, visando ao reforço das infraestrutu- ras nacionais de normalização e atividades conexas, tais como metrologia, ensaios, certificação e acreditação. 2. Aumentar a capacidade dos membros da ISO e envolvidos no desenvol- vimento da infraestrutura de normalização, bem como a participação no trabalho de normalização internacional. Garantir a implementação e a utilização das normas internacionais, participando ativamente das atividades de normalização de importância direta para a economia nacional e da obtenção da informação relevante. Esse procedimento exige uma infraestrutura eficaz, ferramentas adequadas e pessoal qualificado nos organismos regionais e nacionais. 3. Aumentar a cooperação regional e nacional na troca de experiências, recursos, formação, tecnologias da informação e comunicação. A cooperação regional e nacional, em termos de normalização e matérias conexas, é a mais adequada para a troca de experiências, visto que se dá pela organização de treinamentos e, dessa forma, otimiza a participação na normalização internacional, assegura uma aplicação coerente das normas internacionais. O plano de ação visa promover as relações entre entidades dos países em desenvolvimento e organizações regionais, além de coordenar o desenvolvimento de capacidades com vistas a construir sinergias e desenvolver parcerias. 78 4. Desenvolver a comunicação eletrônica e os conhecimentos em ferramentas de tecnologias da informação (TI) para participar dos trabalhos internacio- nais de normalização e fazer chegar aos envolvidos para a utilização de forma eficiente dos e-serviços (serviços eletrônicos) proporcionados pela ISO. O objetivo aqui é estender às partes envolvidas o acesso à normalização internacional e a participação nesse processo. Isso requer a capacidade de utilização e aplicação de comunicações eletrônicas e ferramentas de TI. O plano de ação para os países em desenvolvimento tem como objetivo ajudar os membros da ISO no fortalecimento de suas tecnologias de informação e comunicação e infraestrutura, para incentivar a utilização de todos os serviços eletrônicos e ferramentas de TI desenvolvidos pela ISO e colocados à disposição dos seus membros. 5. Aumentar a participação na direção e no trabalho técnico da ISO para estabelecimento de prioridades, contribuir e influenciar o conteúdo técnico da ISO. O quinto objetivo da ISO para os países em desenvolvimento é apoiar a participação desses países na estrutura de direção da ISO no que diz respeito à elaboração de políticas e às atividades realizadas por técnicos da ISO nas comissões, nas subcomissões e nos grupos de trabalho. Ao participar desses três níveis, os países em desenvolvimento podem garantir que os seus interesses sejam levados em conta. NORMAS BRASILEIRAS No Brasil, as normas são regulamentadas pela ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, elas tem como sigla NBR que significa Norma aprovada ou adotada no Brasil. A NBR ISO 9001 especifica requisitos para um sistema de gestão da qualidade que podem ser usados pelas organizações para aplicação interna, para certificação ou para fins contratuais. Ela está focada na eficácia do sistema de gestão da qualidade em atender aos requisitos dos clientes. 79 A NBR ISO 9004 fornece orientação para um sistema de gestão da qualidade com objetivos mais amplos do que a NBR ISO 9001, especificamente no que tange à melhoria contínua do desempenho global de uma organização e sua eficiência, assim como à sua eficácia. A NBR ISO 9004 é recomendada como uma orientação para organizações cuja Alta Direção deseja ir além dos requisitos estabelecidos na NBR ISO 9001, buscando melhoria contínua de desempenho. A norma ISO 10002 é voltada para qualquer organização que deseja exceder as expectativas dos clientes, um requisito básico para empresas de todos os tipos e tamanhos, sejam elas do setor público ou privado. “Uma reclamação é uma manifestação de insatisfação feita para uma empresa, relacionada a produtos ou ao próprio processo de gestão de reclamações, onde uma resposta ou solução é explícita ou implicitamente esperada.” Definição da ISO 10002:2004. A norma NBR ISO 10002 tem por objetivo garantir o tratamento de reclamações de clientes de forma eficaz e eficiente. Destinada a organizações comprometidas com a satisfação do cliente, esta norma fortalece a imagem institucional ao garantir o adequado tratamento de reclamações. 80 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABNT / CNI / SEBRAE. Manual ISO 9000 para micro e pequenas empresas. Rio de Janeiro: ABNT / CNI / SEBRAE, 1997. 127p. ACADEMIA PEARSON, Gestão da Qualidade. São Paulo: Pearson Educacion do Brasil, 2010 (*). CAMPOS, Falconi V. Gerenciamento da rotina do trabalho do dia-a-dia. Belo Horizonte: EDG, 1998. CAMPOS, V.F. Gerência da qualidade total: uma estratégia para aumentar a competitividade da empresa brasileira. Belo Horizonte: Fundação Christiano Ottoni, Escola de Engenharia da UFMG, 1990. DAVIS, Mark M. et al. Fundamentos da Administração da Produção. 3º Ed – Porto Alegre: Bookman Cia Editora, 2001. FIEMG - Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais. Manual do programa 5S. Belo Horizonte: Superintendência de Recursos Humanos (s.d.). GAITHER, Norman e FRAZIER, Greg. Administração da Produção e Operações. 8º Ed. São Paulo : Pioneira Thomson Learning Ltda, 2001. MARANHÃO, Mauriti. ISO série 9000 – Manual de Implementação 2000. 6ª Ed. São Paulo :Quality Mark, 2000. MELLO, Carlos Henrique Pereira. ISO 9001 – 2000. Sistema de Gestão da Qualidade para Operações de Produção e Serviço. São Paulo : Ed Atlas, 2002. NORMAS DA ABNT. Disponível em <http://www.abnt.org.br/>. Acessado em 22.05.2013. SELEME, Robson e STADLER, Humberto. Controle da Qualidade. 2ª Ed. Curitiba: Ibpex, 2010 SILVA, J. M. O ambiente da qualidade na prática - 5S. Belo Horizonte: Fundação Christiano Ottoni, 1996. 260p. PALADINI, Edson, P. Gestão da qualidade: teoria e prática. São Paulo: Atlas, 2004.