Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Universidade Federal do Ceará
Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas
Disciplina: Bioquímica Clínica 2
 Roteiro da aula prática - Dosagem de glicose 
Princípio 
 A glicose oxidase catalisa a oxidação da glicose. O peróxido de hidrogênio formado reage com 4- aminoantipirina e fenol, sob ação catalisadora da peroxidase, através de uma reação oxidativa de acoplamento formando uma antipirilquinonimina vermelha cuja intensidade de cor é proporcional à concentração da glicose na amostra. 
Reagentes
Reagente 1 - Armazenar entre 2 - 8 °C. Contém azida sódica. 
Contém: tampão fosfato 30mmol/L; pH 7,5; fenol ≥ 1mmol/L ; glicose oxidase ≥12500 U/L; peroxidase ≥ 800 U/L; 4-aminoantipirina ≥ µmol/L; azida sódica 7,5 mmol/L e surfactantes.
Padrão – 100 mg/dL - Armazenar entre 2 - 30 °C.
Contém: glicose 100 mg/dL e biocida não tóxico. Após manuseio sugere-se armazenar bem vedado para evitar evaporação.
Amostra
 A amostra de sangue deve ser obtida após jejum de no mínimo 8 horas ou de acordo com recomendação médica. Realizar a colheita do sangue utilizando um anticoagulante contendo um inibidor da glicólise. Nas amostras de sangue tratadas com antiglicolítico a concentração da glicose permanece estável até 8 horas. No plasma, soro e outros líquidos separados das células, a glicose permanece estável 3 dias entre 2 - 8 C, se não ocorrer contaminação bacteriana e fúngica. As amostras de urina devem ser armazenadas entre 2 - 8 °C para evitar interferências por contaminação bacteriana.
Procedimento 
Método de Ponto Final 
Tomar 3 tubos de ensaio e proceder como a seguir: 
	
	Branco
	Teste
	Padrão
	Amostra (soro)
	---
	0,01 mL
	---
	Padrão
	---
	---
	0,01 mL
	Reagente 1
	1,0 mL
	1,0 mL
	1,0 mL
 
Misturar e colocar em banho-maria a 37 °C durante 10 minutos. O nível da água no banho deve ser superior ao nível do reagente nos tubos de ensaio. Determinar as absorbâncias do teste e padrão em 505 nm ou filtro verde (490 a 520), acertando o zero com o branco. A cor é estável por 30 minutos.
 
Métodos e critérios de diagnóstico do diabetes mellitus (DM)
Atualmente são três os critérios aceitos para o diagnóstico do DM com utilização da glicemia :
Sintomas de poliúria, polidipsia e perda ponderal acrescidos de glicemia casual ≥ 200 mg/dL. Compreende-se por glicemia casual aquela realizada a qualquer hora do dia, independentemente do horário das refeições.
Glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL (7 mmol/L). Em caso de pequenas elevações da glicemia, o diagnóstico deve ser confirmado pela repetição do teste em outro dia.
Glicemia de 2 h pós-sobrecarga de 75 g de glicose ≥ 200 mg/dL
Quadro 1: Valores de glicose plasmática (em mg/d) para diagnóstico de diabetes mellitus e seus estágios pré-clínicos.
	Categoria
	Jejum *
	2 h após 75 g de glicose
	Casual**
	Glicemia normal
	< 100
	< 140
	--
	Tolerância à glicose diminuída
	≥ 100 a < 126
	≥ 140 a < 200
	--
	Diabetes mellitus
	≥ 126
	≥ 200
	≥ 200 (com sintomas clássicos)***
*O jejum é definido como a falta de ingestão calórica por no mínimo 8 h. 
**Glicemia plasmática casual é aquela realizada a qualquer hora do dia, sem se observar o intervalo desde a última refeição. 
***Os sintomas clássicos do DM incluem poliúria, polidipsia e perda não explicada de peso. 
Nota: o diagnóstico do DM deve sempre ser confirmado pela repetição do teste em outro dia, a menos que haja hiperglicemia inequívoca com descompensação metabólica aguda ou sintomas óbvios de DM.
Em julho de 2009 foi proposta a utilização de hemoglobina glicada (HbA1c) como critério de diagnóstico para o DM. A alegação é que a medida da HbA1c avalia o grau de exposição à glicemia durante o tempo e os valores se mantêm estáveis após a coleta. As recomendações atuais são as seguintes:
 • Diabetes: HbA1c ≥ 6,5% a ser confirmada em outra coleta. Dispensável em caso de sintomas ou glicemia ≥ 200 mg/dL
• Indivíduos com alto risco para o desenvolvimento de diabetes: HbA1c entre 5,7 e 6,4%
Interferência de medicamentos em exames laboratoriais do perfil glicídico:
Aumento da glicemia Diminuição da glicemia
 Estradiol, fenitoína, tetraciclina, levotiroxina AAS, metronidazol, betabloqueadores,
 Tiazídicos, haloperidol, isoniazida , levodopa, Ácido ascórbico.
 lítio, sildenafila, quetiapina.
Testes diagnósticos com base na glicação de proteínas:
	Nível de hemoglobina glicada (hba1c)
	Nível equivalente de glicemia média
Estimada.
	Interpretação diagnóstica do resultado
	Acima de 6,5%
	140 mg/dl
	Presença de diabetes
	Entre 5,7 e 6,4%
	117 a 137 mg/dl
	Presença de risco aumentado de
Desenvolvimento de diabetes 
(pré-diabetes)
	Abaixo de 5,7%
	117 mg/dl
	Ausência de diabetes
Nathan DM et al. Translating the A1C assay into estimated average glucose values (ADAG). Diabetes Care. 2008; 31:1-6.8
Hemoglobina glicada e risco de complicações do diabetes
Referência bibliográfica: Adolfo Milech. et al. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (2015-2016). São Paulo: A.C. Farmacêutica, 2016.

Mais conteúdos dessa disciplina