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Conceito de cultura material e cultura imaterial 
Trechos retirados de um texto do site :  
http://desconversa.com.br/historia/o­que­e­cultura­material­e­imaterial/ 
 
 
As culturas material e imaterial fazem parte do patrimônio cultural de todo 
país. Patrimônio histórico e cultural é todo bem móvel, imóvel ou natural. 
Ele marca de forma significativa cada sociedade. É importante saber que 
esse patrimônio pode ser classificado tanto como parte da Cultura Material 
quanto como parte da Cultura Imaterial. 
As cinco regiões de nosso país são perceptivelmente diferentes 
culturalmente, mas todos somos considerados brasileiros, pois fazemos 
parte de uma identidade maior, a identidade nacional de algo que une a 
todos nós e faz com que sintamos que fazemos parte desse todo. Nossa 
cultura é influenciada pela herança de nossos índios nativos, por nossos 
colonizadores portugueses e também pela tão presente cultura africana 
que vinha da África, trazida tão sofrida no compartimento de um navio 
negreiro. 
 
A ​cultura material ​nada mais é que a importância que determinados 
objetos possuem para determinado povo e sua cultura. É também através 
da cultura material que se ajuda a criar uma identidade comum. Esses 
objetos fazem parte de um legado de cada sociedade. Cada objeto 
produzido tem um contexto específico e faz parte de determinada época 
da história de um país. A cultura material se aplica a quase toda produção 
humana. 
 
Todo povo possui um patrimônio que vai além do material, de objetos. 
Esse patrimônio é chamado de ​cultura imaterial​. Ou seja, cultura imaterial 
é uma manifestação de elementos representativos, de hábitos, de práticas 
e costumes. A transmissão dessa cultura se dá muitas vezes pela tradição. 
Os maiores exemplos de cultura imaterial no Brasil são o folclore, a 
capoeira etc. 
 
 
Exemplos de cultura material e cultura imaterial de 
Sergipe 
 
Trechos retirados de um texto do site :  
http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/330 
 
Sergipe possui o único testemunho dos 60 anos de união entre Portugal e Espanha do 
período colonial no Brasil, a ​Praça São Francisco, na cidade de São Cristóvão​. A Praça é 
reconhecida pela Unesco como Patrimônio Mundial desde 2010. Além disso, o Estado 
possui duas cidades históricas, ​Laranjeiras e ​São Cristóvão​, e 23 bens protegidos em 
âmbito federal, distribuídos em nove municípios: Divina Pastora, Nossa Senhora do 
Socorro, Santo Amaro das Brotas, Tomar do Geru, Riachuelo, Itaporanga D’Ajuda e 
Estância. Esse patrimônio está concentrado na região mais próxima à costa, vinculada ao 
ciclo econômico da cana‐de‐açúcar, representado por antigas capelas de engenhos, igrejas 
e casarões, tanto na zona rural como nas áreas urbanas. 
O Estado possui, também, um importante acervo de arte sacra dos séculos XVIII e XIX, 
presente principalmente em São Cristóvão e Laranjeiras. O ​Inventário de Bens Móveis e 
Integrados de Sergipe e Alagoas​, realizado entre 2002 e 2005, catalogou no estado quase 
2 mil peças. Há um grande potencial de pesquisa nos bens culturais de cidades sergipanas 
do baixo São Francisco, que começaram a ser identificados na década de 2010. Os estudos 
de patrimônio naval destacaram as canoas sergipanas encontradas no litoral entre 
Indiaroba e São Cristóvão. A ​canoa de tolda​, em Brejo Grande, foi tombada em 2010, 
integrando os quatro primeiros tombamentos de patrimônio naval no País. 
Nas páginas 90 a 92, da ​Lista de Bens Materiais Tombados e Processos em Andamento 
(1938 a 2015) ​que reúne informações sobre todo o Brasil, estão os bens tombados pelo 
Iphan, no Estado de Sergipe. 
 
 
(arquivo enviado em anexo : ​Lista de Bens Materiais Tombados e Processos em Andamento 
(1938 a 2015​) 
 
 
 
 
Patrimônio Material ­ SE 
Retirado do site:​ http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/571/ 
Os primeiros tombamentos na cidade de ​São Cristóvão ocorreram na década de 1940, e o 
do conjunto histórico, em 1967. A cidade foi a primeira capital do Estado, e é considerada 
a quarta cidade mais antiga do Brasil. Durante a invasão holandesa de 1630 a 1654, a 
cidade foi praticamente destruída. O processo de reconstrução foi lento, e a arquitetura 
religiosa desempenhou papel decisivo na nova configuração da cidade. 
Em 1996, o Iphan tombou o conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico de 
Laranjeiras e na área sob proteção federal estão cerca de 500 edificações. No município de 
Laranjeiras é um possível constatar a arquitetura colonial, onde se destacam ruas, casarios 
e igrejas, daquela que foi a mais importante cidade de Sergipe. Fundada em 1605, 
Laranjeiras recebeu a presença marcante dos jesuítas, que construíram a primeira igreja e 
uma residência conhecida como Retiro, às margens do riacho São Pedro, no Vale do 
Cotinguiba. 
 
Patrimônio Imaterial ­ SE 
Retirado do site:​ http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/572/ 
A cidade de Divina Pastora é a referência para o ​Modo de Fazer Renda Irlandesa​, uma 
técnica vinculada à aristocracia que, a partir da metade do século XX, surgiu como 
alternativa de trabalho para as mulheres e, atualmente, ocupa centenas de artesãs. Divina 
Pastora tornou‐se o principal polo de produção da renda irlandesa em razão de condições 
históricas vinculadas à tradição dos engenhos canavieiros, à Abolição da Escravatura e às 
mudanças econômicas que culminaram na apropriação popular do ofício de rendeira. 
A trama irlandesa é feita com uma agulha, que tem como suporte o lacê, cordão brilhoso 
que, preso a um debuxo ou risco de desenho sinuoso, deixa espaços vazios que são 
preenchidos pelos pontos. Estes pontos são bordados compondo a trama da renda com 
motivos tradicionais e ícones da cultura brasileira, criados e recriados pelas rendeiras. As 
“c” lideram os grupos de mulheres, traçam o risco definidor da peça, que é apropriado 
coletivamente. Fazer renda irlandesa é, portanto, uma atividade realizada em conjunto, o 
que permite conversar, trocar ideias sobre projetos, técnicas e pontos. 
 
 
São Cristóvão (SE) 
retirado do site: ​http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/358/ 
O conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico de São Cristóvão concentra o maior 
número de ações do Iphan em Sergipe. Os primeiros tombamentos ocorreram na década de 
1940 e o conjunto foi tombado em 1967. A cidade é considerada um registro único e 
autêntico de um fenômeno urbano singular no Brasil, período durante o qual Portugal e 
Espanha estiveram unidos sob uma única coroa, nos reinados de Felipe II e Felipe III, entre 
1580 e 1640. 
Em São Cristóvão, houve a fusão das influências das legislações e práticas espanhola e 
portuguesa na formação de núcleos urbanos coloniais. Primeira capital de Sergipe e quarta 
cidade mais antiga do Brasil, está situada no alto de uma encosta e, portanto, dividida 
entre cidade baixa e alta, onde as construções religiosas determinam seu traçado. O chão 
de pedra, a arquitetura colonial, as igrejas e museus compõem o seu patrimônio histórico, 
artístico e cultural. A música faz parte desse cenário secular. 
História ‐ Cristóvão de Barros fundou a povoação, sob a denominação de São Cristóvão de 
Sergipe d'EI Rei, em 1590, após construir o Forte Cotengiba,junto à foz do rio Sergipe. 
Esse local foi o centro inicial da colonização e organização da Capitania de Sergipe. Sem 
boas condições de segurança, por duas vezes o povoado deslocou‐se de lugar até se 
estabelecer definitivamente à margem do rio Paramopama, em 1607, com o nome de São 
Cristóvão. Também nessa época foi transferida para São Cristóvão a sede da capitania. 
A povoação tornou‐se distrito da freguesia de Nossa Senhora da Vitória, na Bahia, em 1617. 
Em 1636, foi invadida, assaltada e incendiada por tropas holandesas, só retornando ao 
controle do governo português, em 1645. No período da presença holandesa no Brasil 
(1630 – 1654) a cidade foi praticamente destruída e, durante seu lento processo de 
reconstrução, a arquitetura religiosa teve papel preponderante na sua nova configuração. 
Em 1763, a Bahia, Sergipe, Ilhéus e Porto Seguro foram reunidos em uma só província, e 
Sergipe tornou‐se responsável por um terço da produção açucareira baiana. 
No começo do século XIX, Sergipe tinha economia própria e o seu principal produto era o 
açúcar. Criava‐se gado e produzia‐se também algodão, couro, fumo, arroz, mandioca, 
produtos exportados para as capitanias vizinhas. Em 1823, São Cristóvão passou à 
categoria de cidade, quando foi criada a província de Sergipe. Nessa época, a cidade baixa 
se ampliou com funções de residência e comércio e a cidade alta, limitada 
topograficamente, atingia o auge de seu desenvolvimento. A partir de 1855, com a 
transferência da capital da Província de Sergipe para Aracaju, o município viveu um 
processo de despovoamento e crise, retomado nas décadas seguintes com o advento da via 
férrea e das fábricas de tecidos. 
Monumentos e espaços públicos tombados: Convento e Igreja de Santa Cruz; Convento e 
Igreja de Nossa Senhora do Carmo; Museu Histórico do Estado de Sergipe; Conjunto 
Carmelita; igrejas da Matriz de Nossa Senhora das Vitórias, da Ordem Terceira do Carmo 
(Igreja de Nosso Senhor dos Passos), de Nossa Senhora do Amparo, de São Francisco e de 
Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos; praças da Bandeira, de São Francisco, e do 
Senhor dos Passos (Largo do Carmo); ladeiras de Epaminondas (Beco da Poesia), do Porto 
da Banca, e do Açougue; Beco do Amparo; Largo do Rosário; e Engenho Poxim e Capela de 
Nossa Senhora da Conceição, entre outros. 
Praça de São Francisco ‐ Destaca‐se, entre o patrimônio tombado e apresenta um conjunto 
monumental excepcional e homogêneo, composto de edifícios públicos e privados. 
Construída entre os séculos XVI e XVII, demonstra de forma singular a fusão das influências 
das legislações e práticas espanhola e portuguesa na formação de núcleos urbanos 
coloniais. A Praça constitui um assentamento urbano que funde os padrões de ocupação do 
solo seguidos por Portugal e as normas definidas para cidades estabelecidas pela Espanha. 
Dessa forma, sua autenticidade está explícita em seu desenho, entorno, técnicas, uso, 
função, e contexto histórico e cultural. 
O entorno da Praça abriga a Igreja de Misericórdia, o Palácio Provincial e Casario Antigo, 
Igreja e Convento de São Francisco, a Capela da Ordem Terceira (atual Museu de Arte 
Sacra), Santa Casa, Museu de Sergipe e a Casa do Folclore Zeca de Noberto. Implantada de 
acordo com o comprimento e a largura exigida pela Lei IX das Ordenações Filipinas, 
incorpora o conceito de Praça Maior tal como empregado nas cidades coloniais da América 
hispânica, inserida no padrão urbano português de cidade colonial em uma paisagem 
tropical. Por isso, pode ser considerada uma simbiose notável do planejamento urbano de 
cidades de origem ibérica. Edifícios institucionais civis e religiosos relevantes ‐ o principal 
deles é o complexo da Igreja e Convento de São Francisco ‐ transmitem valor universal 
excepcional e estão intactos e completos. 
Museu Histórico de Sergipe ‐ Localizado na Praça São Francisco, é um prédio do século XVIII 
e abriga os principais elementos que ajudam a contar a história de Sergipe. O acervo reúne 
relíquias como o famoso quadro de Horácio Pinto da Hora, que retrata Ceci e Peri 
(personagens principais do romance, O Guarani, de José de Alencar), móveis, documentos, 
moedas, louças e outros objetos que revelam a importância de São Cristóvão no contexto 
histórico. 
Igreja Matriz de Nossa Sra. da Vitória ‐ Edificada no largo de um outeiro, configurou o 
núcleo inicial da cidade alta. Após a década de lutas entre holandeses e portugueses no 
território de Sergipe (1637‐1647), a cidade começou a ser reconstruída e expandida a 
partir de ligações e prolongamentos derivados da implantação do Convento de São 
Francisco (1693), do Convento e Igreja da Ordem Terceira do Carmo (1699), da Igreja e 
Santa Casa de Misericórdia (do início do século) e da Igreja do Rosário dos Homens Pretos 
(1746). 
Convento e Igreja de Santa Cruz (Convento e Igreja de São Francisco) ‐ Atual Museu de Arte 
Sacra, reúne um dos acervos mais completos do Brasil. A pedra fundamental para 
construção do convento foi lançada em 1693 e as obras contaram com as esmolas 
recolhidas entre a população da cidade. Durante o século XIX, as instalações do convento 
foram utilizadas pela Assembleia Provincial e Tesouraria‐Geral da Província, e também 
hospedaram as tropas federais que combateram os revoltosos de Canudos, em 1897. O 
convento foi reformado por frades alemães, em 1902. 
Fontes: Arquivo Noronha Santos/Iphan e IBGE 
 
Laranjeiras (SE) 
retirado do site: ​http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/357/ 
 
O conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico de Laranjeiras foi tombado pelo Iphan, 
em 1996, devido ao valor arquitetônico e histórico atribuído ao conjunto. O tombamento 
ocorreu devido à sua importância no desenvolvimento da região, identificado pela 
presença do primeiro porto, além da expressividade e da força da arquitetura antiga, 
representada pelo casario do século XIX e pelo cenário monumental religioso do século 
XVIII. O município é um dos poucos onde ainda se pode ver a força da arquitetura colonial, 
onde se destacam ruas, igrejas e outras edificações. Na área tombada estão, 
aproximadamente, 500 edificações. 
Laranjeiras foi a mais importante cidade sergipana. As praças e ruas alinham‐se, 
obedecendo ao traçado fluvial, onde estão implantados os principais edifícios, trapiches, 
sobrados comerciais e residenciais, mercado, centro administrativo e também as 
edificações destinadas ao lazer como os antigos Cine Teatro Iris e o Tetro Santo Antônio. 
Na cidade, destaca‐se as igrejas, o estilo barroco da arquitetura, a paisagem e as grutas. A 
cidade foi construída em função do rio Cotinguiba e sobre a encosta do Morro do Bonfim, a 
população estabeleceu suas residências. 
O desenvolvimento econômico ocorreu com a chegada do cultivo da cana‐de‐açúcar, no 
século XVIII, gerando um apogeu financeiro que atraiu comerciantes de várias partes do 
Estado. Na época, existiam muitas laranjeiras no local que deram origem ao seu nome.Berço da economia da província, se destacou com o comércio de escravos, que deixaram 
uma forte influência na cultura local. No início do século XIX, a cidade ainda era muito 
importante como um grande centro comercial e exportador, o que levou o governo a 
designá‐la como a primeira Alfândega de Sergipe. 
História ‐ Depois que as tropas de Cristóvão de Barros arrasaram nações indígenas da 
região, por volta de 1530, muitos colonos se fixaram às margens do rio Cotinguiba, em 
terras que pertenciam à Freguesia de Socorro. A presença marcante dos jesuítas, que 
ergueram a primeira igreja e uma residência conhecida como Retiro às margens do riacho 
São Pedro ‐ no Vale do Cotinguiba ‐ foi decisiva para fixar definitivamente o povoado, 
inicialmente denominado Vila de Nossa Senhora do Socorro. Fundada em 1605, Laranjeiras 
é a segunda cidade mais antiga de Sergipe. 
Naquela região, foi construído um pequeno porto onde havia inúmeras e frondosas 
laranjeiras à beira do rio. Moradores e viajantes começaram a identificar o local como 
porto das laranjeiras. A movimentação pelo rio era intensa e, logo, o porto passou a ser 
parada obrigatória. Em torno dele, o comércio ganhou espaço, principalmente com a troca 
de escravos. Surgiram as primeiras residências e, a partir de 1637, o pequeno povoado das 
Laranjeiras também sofreu com os ataques e depois com o domínio holandês, durante o 
qual muitas casas foram destruídas. Entretanto, o porto ‐ um ponto estratégico ‐ foi 
preservado. Apenas por volta de 1645, os holandeses saíram de Sergipe. 
O Porto das Laranjeiras fez retornar o progresso ao povoado que se reerguia com grande 
velocidade depois da passagem dos holandeses. Em 1701, os padres jesuítas construíram a 
primeira igreja com convento, no local, à margem esquerda do riacho São Pedro, um pouco 
afastada do porto. Eles procuravam sossego e deram nome de Retiro, ao lugar. Os jesuítas 
construíram outra igreja em um dos pontos mais elevados do povoado: em 1731, no alto de 
uma colina, ergueram a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Comandaroba, verdadeira 
obra‐prima da arquitetura colonial e um dos mais importantes monumentos arquitetônicos 
do Estado. 
Em 1808, a povoação possuía ‐ na sede e em suas redondezas ‐ um dos mais importantes 
núcleos de moagem e beneficiamento da cana‐de‐açúcar, do Brasil. Graças à produção e o 
comércio de cana, coco e gado, além do grande movimento do porto, Laranjeiras alcançou 
grande desenvolvimento e realizava feiras que reunia moradores de povoados e freguesias 
da região. Em 1832, a influência política dos proprietários de terras e comerciantes levou a 
Assembleia Geral da Província a transformar o povoado em vila independente e anexar o 
território de Nossa Senhora do Socorro ao de Laranjeiras, que foi elevada à cidade, em 
1848. Laranjeiras poderia ter se tornado a capital de Sergipe se não tivesse havido uma 
manobra política do Barão de Maruim, que transferiu a sede do Estado, antes em São 
Cristóvão, para Aracaju. 
Monumentos e espaços públicos tombados: Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus, 
Capela do Engenho Jesus Maria José (Capela Jesus, Maria e José), quarteirão dos 
Trapiches, casarão dos Rollemberg e sobrado ao lado, casarão de oitão da Praça da 
República, calçadão Getúlio Vargas, Avenida Municipal, e as praças Coronel José de Faro, 
Samuel de Oliveira, Sagrado Coração de Jesus, da República e do Trapiche Santo Antônio, 
entre outros. 
Casa de Ti Herculano ‐ No século XIX, Laranjeiras viveu sua idade de ouro: pelo Vale do Rio 
Cotinguiba espalhavam‐se engenhos de açúcar e uma expressiva população negra e 
escrava. Muitos dos negros, porém, residiam na cidade, trabalhando nos trapiches, no 
comércio ou em ofícios urbanos, e vários deles conseguiram sua alforria antes da Abolição 
da Escravatura. A Casa de Ti Herculano remonta à segunda metade do século XIX, e foi o 
segundo espaço em que se organizaram os cultos coletivos de matriz africana em 
Laranjeiras, seguindo a Casa de Ti Henrique, que desapareceu. Seu proprietário, 
Herculano Barbosa, era um africano liberto, que dirigiu o culto nagô de Laranjeiras até sua 
morte, em 1907. 
A casa aparece no seu inventário como um sítio, vizinho ao antigo Engenho da 
Comandaroba, com um quintal que se estendia até o rio Cotinguiba – do qual ainda resta 
um trecho. Quando a casa foi herdada pela viúva Bernarda Barbosa, os santos de Ti 
Herculano passaram aos cuidados dos seus descendentes. O cargo de chefia do grupo foi 
transmitido a Umbelina Araújo que, no início do século XX, passou a realizar parte dos 
festejos em sua casa – o Terreiro de Santa Bárbara Virgem, na Rua da Cacimba. A Casa de 
Ti Herculano permanece como casa matriz e espaço referencial da tradição nagô de 
Laranjeiras. 
Engenho Retiro: casa e Capela de Santo Antônio ‐ A casa do Engenho Retiro foi residência 
dos jesuítas, estabelecidos no local durante o século XVII. Sua construção é datada de 
1701, e a capela passou por reformas no início do século XIX. Possui dois pavimentos e 
varanda apoiada sobre colunas em madeira. No seu interior, destaca‐se o altar‐mor que 
possui colunas em estilo greco‐romano e decoração em motivos florais, entre outros 
elementos. 
Igreja de Comandaroba (Igreja de Nossa Senhora da Conceição) ‐ Localizada no distrito de 
Comandaroba, município de Laranjeiras, e tombada em 1943. Construída em 1734, 
segundo a inscrição existente em um de seus portais. Acredita‐se que, em 1731, após 
algum tempo sendo administrada pelos capuchinhos, a congregação passou a ficar a cargo 
dos jesuítas. A igreja foi restaurada no início dos anos 1950. Fazem parte do acervo, 
imagens de Nossa Senhora do Carmo, Nossa Senhora do Rosário, Santa Efigênia, São 
Benedito, São Gonçalo e o Cristo crucificado. 
Igreja Matriz do Coração de Jesus ‐ No Arquivo Público de Laranjeiras estão documentos de 
1790, contendo o pedido (em ofício) dos moradores das Laranjeiras da Freguesia de 
Cotinguaba de Sergipe d'el Rey, dirigido à Rainha D. Maria, requisitando a permissão para a 
construção de uma capela dedicada ao Coração de Jesus. Entre as pinturas, há uma que 
representa a Sagrada Família, e elas são atribuídas à José Teófilo de Jesus. Na sacristia, 
está uma arca em folhas almofadadas. O portão da capela do Santíssimo é em madeira 
trabalhada e com vedação das folhas e bandeira em vidro. 
Fontes: Iphan/Arquivo Noronha Santos, ​Sítios Históricos e Conjuntos Urbanos de 
Monumentos Nacionais ‐ Volume I: Norte, Nordeste e Centro‐Oeste ​(Iphan/Programa 
Monumenta), ​Inventário Nacional de Bens Imóveis/Sítios Urbanos Tombados ‐ Manual de 
Preenchimento – Volume 82​ (Iphan/Edições do Senado Federal) e IBGE 
Modo de Fazer Renda Irlandesa 
retirado do site: ​http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/68 
O Modo de Fazer Renda Irlandesa, tendo como referência este ofício em Divina Pastora, no 
Estado de Sergipe, este ofício é relacionado ao universo feminino e vinculado, 
originalmente,à aristocracia. A partir, especialmente, da metade do século 20, a 
confecção da renda surgia como uma alternativa de trabalho, e hoje essa tarefa ocupa mais 
de uma centena de artesãs, além de ser uma referência cultural. O Modo de Fazer Renda 
Irlandesa, tendo como referência este ofício em Divina Pastora/SE, foi inscrito no Livro de 
Registro dos Saberes, em 2009. 
Constitui‐se de saberes tradicionais que foram re‐significados pelas rendeiras do interior 
sergipano a partir de fazeres seculares, que remontam à Europa do século XVII, e são 
associados à própria condição feminina na sociedade brasileira, desde o período colonial 
até a atualidade. Trata‐se de uma renda de agulha que tem como suporte o lacê, cordão 
brilhoso que, preso a um debuxo ou risco de desenho sinuoso, deixa espaços vazios a 
serem preenchidos pelos pontos. Estes pontos são bordados compondo a trama da renda 
com motivos tradicionais e ícones da cultura brasileira, criados e recriados pelas rendeiras. 
O “saber‐fazer” é a qualidade mais característica da produção da Renda Irlandesa, a qual é 
compartilhada pelas rendeiras sob a liderança de uma mestra reconhecida pelo grupo. As 
mestras traçam o risco definidor da peça, que é apropriado coletivamente. Fazer Renda 
Irlandesa é, portanto, uma atividade realizada em conjunto, o que permite conversar, 
trocar ideias sobre projetos, técnicas e pontos. Neste universo de sociabilidades, são 
reafirmados sentimentos de pertença e de identidade cultural, possibilitando a transmissão 
da técnica e o compartilhamento de saberes, valores e sentidos específicos. 
A cidade de Divina Pastora se tornou o principal polo da renda irlandesa em razão de 
condições históricas de produção vinculadas à tradição dos engenhos canavieiros, à 
abolição da escravatura e às mudanças econômicas que culminaram na apropriação popular 
do ofício de rendeira, restrito originalmente à aristocracia. A renda irlandesa é um tipo de 
renda de agulha, dentre as muitas existentes no Brasil. Combina uma multiplicidade de 
pontos executados com fios de linha tendo como suporte o lacê, produto industrializado 
que se apresenta sob várias formas, sendo o fitilho e o cordão os mais conhecidos na 
atualidade. 
Em Sergipe, a opção das mulheres no município de Divina Pastora por trabalharem com o 
lacê do tipo cordão sedoso achatado, mesmo empregando uma técnica que é muito 
difundida no Nordeste, resultou na confecção de uma renda singular, de grande beleza, 
ressaltada pelo relevo e brilho do lacê. Isto confere ao produto do seu trabalho um 
diferencial em relação às rendas produzidas em vários estados da Região. Desse modo, a 
renda irlandesa de Divina Pastora, devido ao tipo de matéria prima empregada, apresenta 
características próprias, gerando um produto em que textura, brilho, relevo, sinuosidades 
dos desenhos se combinam de modo especial, resultando numa renda original e sofisticada. 
 
 
 
 
 
As rendeiras 
retirado do site: ​http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/834/ 
A presença da renda irlandesa na cidade de Divina Pastora, com esse diferencial dado pela 
matéria‐prima e pelo trabalho meticuloso das rendeiras, hoje se constitui numa importante 
atividade geradora de renda para mais de uma centena de mulheres, mas, sobretudo, 
numa referência cultural e elemento constitutivo de diferenciação e identidade. Por meio 
da literatura específica, é possível estabelecer vinculação direta desse tipo de renda com 
fazeres seculares que, na Europa, têm uma longa história que remonta ao século XVII. O 
transplante da técnica para o Brasil e sua inserção em diferentes localidades e contextos 
socioculturais através do tempo, cortando as classes, as etnias e assumindo feições locais, 
como ocorre em Divina Pastora, é tema instigante que permite associar esse fazer 
feminino, de longa continuidade histórica, às mudanças que vão ocorrendo na sociedade 
brasileira. 
Nessa trajetória, comum a muitas localidades nordestinas, a renda irlandesa, enquanto 
atividade de mulheres saídas dos canaviais e sem vislumbrarem outras alternativas de 
trabalho, apresenta‐se como fonte geradora de ganhos. Mas é também a expressão local 
dos processos de mudanças da sociedade brasileira, na qual as mulheres demonstram sua 
capacidade de adaptar‐se às novas situações e de apropriar‐se de velhos saberes, 
transplantados da Europa, aqui introduzidos pela tradição oral, mas também por meio de 
livros escritos em francês que, com o concurso de freiras ou senhoras da aristocracia, 
como é o caso de Divina Pastora, eram repassados para as mulheres ricas e pobres. 
Embora a renda irlandesa seja hoje produzida em outras localidades de Sergipe, é em 
Divina Pastora onde há a maior concentração de rendeiras e a atividade tem maior 
importância socioeconômica e simbólica. Presente na região desde o primeiro quartel do 
século XX, tornou‐se responsável pela ascensão social de muitas mulheres, que 
abandonaram o árduo trabalho nas roças e, fazendo rendas custearam seus estudos, 
tornando‐se professoras. Atualmente, mais de uma centena de mulheres dedica‐se à renda 
irlandesa, melhorando as condições de vida de suas famílias. Ao lado da função 
socioeconômica, a renda irlandesa é um dos sinais distintivos da identidade local, com a 
devoção a Nossa Senhora da Divina Pastora, originária do espírito pastoril espanhol, 
cultuada em majestosa igreja edificada entre os séculos XVIII e XIX, tombada em 1943 e 
atual centro de uma grande peregrinação anual. 
Transmissão do saber ​‐ Trata‐se de um saber que se transmite entre as gerações, cujas 
atoras principais conseguem (re)inventar criativamente as peças de rendas tão bem 
sumarizadas no relatório. Nessa medida, as menções ao trabalho que se inicia ainda na fase 
infantil, passando pelo modo de subsistência das rendeiras, bem como a ampla difusão 
dessa arte no cotidiano de Divina Pastora, guardam profundas ressonâncias nos dias atuais. 
As mulheres de Divina Pastora nascem e crescem vendo parentes e vizinhos às voltas com a 
renda e são também incentivadas a aprenderem, com pouca idade. Algumas das mais 
velhas iniciaram‐se na renda antes de aprender a ler. Para outras, as duas aprendizagens 
ocorreram ao mesmo tempo. Para muitas, aprender a fazer renda cedo era um modo de 
escapar dos pesados trabalhos da roça, pois tinham suas famílias ligadas ao campo, aos 
engenhos e às fazendas de plantar cana, próximas da pequena vila. 
As redes de sua iniciação na arte são formadas por mãe, avós, tias, irmãs, primas e 
cunhadas; grupos de vizinhanças e de amizade; iniciação autodidata (“fui vendo e 
fazendo”); e iniciação por meio de cursos regulares promovidos por entidades públicas ou 
particulares de apoio ao artesanato. Parentesco e vizinhança ainda hoje em Divina Pastora 
são os suportes mais fortes na relação ensinar‐aprender. Tomando‐se como referência a 
iniciação das rendeiras atuais, observa‐se uma variação no relacionamento entre as 
gerações.Praça São Francisco, na cidade de São Cristóvão               
(SE) 
retirado do site: ​http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/43 
Primeira capital do atual estado de Sergipe, São Cristóvão foi fundada em 1590, sendo 
considerada a quarta cidade mais antiga do Brasil. Durante a invasão holandesa, de 1630 a 
1654, a cidade foi praticamente destruída. O processo de reconstrução foi lento e a 
arquitetura religiosa teve papel preponderante na nova configuração. 
A Praça São Francisco, localizada na cidade, é um conjunto monumental excepcional e 
homogêneo, composto de edifícios públicos e privados que representam o testemunho 
único do período durante o qual as coroas de Portugal e Espanha estiveram unidas, entre 
1580 e 1640. A Praça constitui um assentamento urbano que funde os padrões de 
ocupação do solo seguidos por Portugal e as normas definidas para urbes estabelecidas pela 
Espanha. 
Vários edifícios históricos da cidade são tombados individualmente pelo Iphan, entre 1941 
e 1942, como a Igreja e Convento de São Francisco, a Igreja de Nossa Senhora das Vitórias, 
a Igreja do Rosário dos Homens Pretos, o Conjunto Carmelita, a Igreja de Nosso Senhor dos 
Passos e o sobrado de Balcão Corrido da Praça da Matriz, entre outros exemplares da 
arquitetura civil e religiosa. Em 1967, o conjunto urbano de São Cristóvão foi tombado. A 
Praça São Francisco foi reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco em 3 de agosto 
de 2010. 
Histórico 
São Cristóvão é a antiga capital de Sergipe Del Rey. Demonstra o processo de ocupação da 
região e o desenvolvimento de cidades fundadas durante o reino do Rei Felipe II, durante o 
período de 60 anos quando Portugal esteve sob o domínio da coroa Espanhola. 
O modelo de ocupação e assentamento do território usado pela Espanha e por Portugal em 
suas colônias americanas entre os séculos XV e XVII foi distinto. Portugal estabeleceu uma 
rede de comércio marítimo, e estava pronto para ocupar os territórios da costa da África e 
da Ásia, antes de estabelecer acordos comerciais coloniais com o Brasil. Portugal ocupou a 
costa brasileira e fundou cidades portuárias, como pontos de conexão da Metrópole com 
suas outras colônias. Os planos urbanos desses assentamentos respeitavam a topografia ao 
adaptar o desenho urbano às condições locais. 
A história de São Cristóvão está relacionada à colonização de Sergipe, quando, devido à 
forte resistência dos povos indígenas, era vital estabelecer uma comunicação constante 
entre Salvador e Olinda, os dois centros urbanos mais importantes da colônia. Também foi 
crucial por assegurar o acesso livre dos principais rios, geralmente bloqueados pelos 
contrabandistas franceses. 
Com a intenção de reforçar a colônia em seus conflitos com os indígenas brasileiros e os 
contrabandistas franceses, Crisóvão de Barros fundou a cidade de São Cristóvão no istmo 
formado pelo rio Poxim, na atual região de Aracaju. O terreno estava garantido para ele 
pelo Rei Felipe II com a expectativa de ser dividido entre os colonos, encorajando o seu 
processo de ocupação. A cidade foi transferida em 1594‐95 e, novamente em 1607, para a 
sua localização atual. 
São Cristóvão se tornou a capital de Sergipe, o centro comercial e administrativo entre 
Salvador e Recife e o ponto de partida para a colonização do interior até meados do século 
XIX. Em 1855 a capital do estado foi transferida para a cidade de Aracaju. São Cristóvão, 
com suas igrejas, conventos e casarões seculares continua a ser um testemunho do passado 
de Sergipe e do Brasil. 
Patrimônio 
Implantada de acordo com o comprimento e a largura exigida pela Lei IX das Ordenações 
Filipinas, a Praça São Francisco incorpora o conceito de Praça Maior tal como empregado 
nas cidades coloniais da América hispânica, inserida no padrão urbano português de cidade 
colonial em uma paisagem tropical. Por isso, pode ser considerada uma simbiose notável do 
planejamento urbano de cidades de origem ibérica. Edifícios institucionais civis e religiosos 
relevantes, sendo o principal deles o complexo da Igreja e Convento de São Francisco, 
cercam a praça. 
A integridade da propriedade está assegurada uma vez que em seus limites estão 
compreendidos os atributos necessários para transmitir seu valor universal excepcional, 
que estão intactos e completos e não se encontram sob ameaça. A praça e as construções 
associadas contidas no sítio inscrito são autênticas em retratar sua importância histórica e 
social para a vida da cidade. As obras realizadas no conjunto têm mantido suas 
características, melhorando a infraestrutura, comodidade e segurança dos pedestres. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Canoa de Tolda Luzitânia ­ SE 
retirado do site: ​http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/1022/ 
A canoa de tolda é o maior símbolo do rio São Francisco e só existe no Brasil. As toldas 
originais eram grandes embarcações, mas a brasileira possui somente 16 metros de casco e foi 
perfeitamente adaptada para descer o rio, a favor do vento, com o pano aberto. É composta 
de leme, tábua de bolina, moitão e a tolda que servia para abrigo da alimentação e dos 
canoeiros. A Luzitânia é um dos três últimos exemplares das canoas de tolda do rio São 
Francisco. 
Adquirida em 1999 pela Sociedade Socioambiental do Baixo São Francisco, passou por uma 
completa restauração e voltou a navegar. Apesar de a restauração apresentar uma embarcação 
com materiais diversos do original, para a população ribeirinha a sua forma continua repleta 
de significados. Essa embarcação, que na época do cangaço se chamava ​Rio Branco​, teve 
grande importância econômica no transporte de mercadorias em toda a região. 
 
 
Aracaju (SE) 
retirado do site : ​http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/247 
Aracaju ‐ capital do Estado de Sergipe ‐ conta com significativas construções históricas em 
estilos gótico, neoclássico e eclético. Apesar de ainda não possuir bens materiais tombados 
pelo Iphan, duas delas ‐ o Complexo Ferroviário e a Praça dos Expedicionários ‐ estão sendo 
recuperadas pelo Iphan. Em 2006, o Instituto adquiriu a Casa de Aracaju (Praça Camerino, nº 
225, Centro Histórico), onde está instalada a Superintendência Regional. A construção da 
residência data do início do século XX, época em que, com a chegada do capitalismo industrial 
a Sergipe, Aracaju ‐ segunda capital brasileira planejada urbanisticamente ‐ se modernizou e 
recebeu cinema, água encanada, esgoto e luz elétrica. 
As construções residenciais até as primeiras décadas desse século eram, geralmente, bem 
modestas. Com a nova realidade econômica, surgiram residências luxuosas (palacetes) 
influenciadas pelo neoclassicismo francês. A Casa de Aracaju é um desses palacetes, marcado 
pela fachada com festões (ornatos decorativos em forma de guirlanda), um exemplar de 
arquitetura em art déco e uma das poucas testemunhas da Belle Époque* no Estado de Sergipe, 
que restam no Centro Histórico. 
No século XVI, as terras de Aracaju compreendiam 160 quilômetrosde costa, da barra do rio 
Real à barra do rio São Francisco, e em toda as margens do estuário não existia uma vila 
sequer. Na segunda metade do século XVII, apenas arraiais de pescadores eram encontrados 
nessa região. Uma capelinha (Igreja de Santo Antônio) erguida no alto da colina, teria sido o 
início da formação do arraial localizado no litoral e banhado pelos rios Sergipe e Vaza‐Barris, 
em local que pertencia, juridicamente, a São Cristóvão. 
Distrito criado, em 1837, com a denominação de Aracaju (palavra que significa cajueiro dos 
papagaios, nome indígena de origem tupi), foi escolhido pelo presidente da Província, Inácio 
Joaquim Barbosa, para capital da província de Sergipe Del‐Rei, posição ocupada anteriormente 
por São Cristóvão. Barbosa assumiu o governo em 1853, com ordem de D. Pedro II para 
modernizar e acelerar o seu desenvolvimento. Em 1855, o povoado foi elevado à categoria de 
município e capital da Província. 
O engenheiro Sebastião José Basílio Pirro foi contratado para planejar a cidade, edificada sob 
um projeto que traçou todas as ruas em linha reta, formando quarteirões simétricos que 
lembravam um tabuleiro de xadrez. Com a pressa exigida pelo governo, não houve tempo para 
que fosse feito um levantamento completo das condições da localidade, criando erros 
irremediáveis que causam inundações até hoje. O projeto da cidade se resumia a um simples 
plano de alinhamentos de ruas dentro de um quadrado com 1.188 metros. Estendia‐se da 
embocadura do rio Aracaju (que não existe mais), até às esquinas das avenidas Ivo do Prado 
com Barão de Maruim, e a Rua Dom Bosco, antiga Rua São Paulo. 
Além das vantagens obtidas pela presença da administração do governo, a nova localização da 
capital beneficiou, principalmente, o escoamento da produção açucareira da época e 
propiciou, também, nesse mesmo período, a instalação da primeira fábrica de tecidos, que 
iniciou seu desenvolvimento industrial. A cidade viveu um próspero ciclo de crescimento 
econômico e social que perdurou até os primeiros e agitados anos após a Proclamação da 
República. 
A cidade cresceu inflexível dentro do tabuleiro de xadrez. Aterrou vales e elevou‐se nos 
montes de areia. Foram feitas desapropriações onerosas e desnecessárias, para que o projeto 
mantivesse a reta. A única exceção foi uma alteração imposta pelo próprio presidente, 
permitindo que a Rua da Frente ganhasse uma curva, criando a bela avenida que margeia o rio 
Sergipe. Em 1900, houve a pavimentação da cidade com pedras regulares e a execução de 
obras de saneamento e embelezamento. 
Obras do PAC Cidades Históricas 
Restauração: 
Complexo Ferroviário 
Requalificação: 
Praça dos Expedicionários (5.822,05 m²) e entorno (2.131,00 m) 
Fontes: Arquivo Noronha Santos/Iphan e IBGE

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