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Curso Teórico de Direito Administrativo para AFT 
Profº Cyonil Borges – aula 08 
 
 
Profº. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br 1 
 
AULA 08: Agentes Públicos – Aspectos 
Constitucionais 
E aí pessoal? Tudo bem? 
Nesta semana, daremos início a uma “trilogia”, a qual não é a do 
“Senhor dos Anéis”, porém é quase tão intensa! 
De fato, agentes públicos é quase um livro dentro de outro livro. O 
assunto é o mais exigido em concursos públicos. Há centenas e 
centenas de questões de prova sobre o tópico! Como nosso curso 
pretende ser completo, tivemos um enorme trabalho para selecionar 
tais questões. 
E após isso, chegamos à conclusão que seriam necessárias três aulas, 
e não apenas duas, conforme previsto inicialmente. 
Isso por que resolvemos também apresentar, em aula específica, a 
jurisprudência selecionada dos Tribunais Superiores. Além dos tópicos 
e das questões de praxe, serão apresentadas várias decisões 
judiciais, com partes destacadas, que podem ser úteis para a prova. 
Enfim, na aula de hoje, serão vistos os seguintes assuntos: 
No mais, vamos estudar! 
Grande abraço e boa aula a todos! 
Cyonil Borges. 
 
Curso Teórico de Direito Administrativo para AFT 
Profº Cyonil Borges – aula 08 
 
 
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Sumário 
1. Definição de Agentes Públicos ............................................. 3 
2. Classificação de Agentes Públicos ....................................... 4 
3. Organização Funcional ....................................................... 11 
3.1. Cargos, Empregos e Funções ........................................ 11 
3.2. Cargos Vitalícios, Efetivos e Comissionados .................... 14 
3.3. Criação e Extinção de Cargos Públicos ............................ 17 
3.4. Padrão, Classe, Carreira, Cargos Isolados, e Quadro ........ 18 
4. Acessibilidade .................................................................... 20 
4.1. Concursos Públicos ...................................................... 20 
4.2. Acumulação de cargos .................................................. 38 
4.3. Contratação Temporária ............................................... 42 
5. Estabilidade X Estágio Probatório ...................................... 46 
6. Associação sindical e direito de greve ............................... 50 
7. Direitos Sociais dos Servidores Públicos ............................ 52 
8. O Sistema Remuneratório dos Agentes Públicos ................ 53 
8.1. Figuras Pecuniárias Básicas .......................................... 53 
8.2. Fixação da Remuneração dos Servidores e Revisão Geral . 55 
8.3. Tetos Remuneratórios .................................................. 56 
8.4. Equiparações e Vinculações .......................................... 59 
 
 
 
Curso Teórico de Direito Administrativo para AFT 
Profº Cyonil Borges – aula 08 
 
 
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1. Definição de Agentes Públicos 
O Estado possui as atribuições mais diversas a serem cumpridas. 
Porém, por não ter existência física, o Estado precisa de 
“alguém” que materialize suas ações. Este “alguém” são os agentes 
públicos, os quais podem ser vistos como o conjunto de pessoas 
que, de alguma forma, exercem uma função pública, como 
“prepostos” do Estado. 
O conceito de agentes públicos é encontrado espalhado pelas 
legislações, mas nos parece conveniente recorrer à Lei 8.429/1992, 
popularmente conhecida como "Lei de Improbidade Administrativa", 
que, em seu art. 2o, assim define agente público: 
Reputa-se agente público, para efeitos desta Lei, todo aquele 
que exerce, ainda que transitoriamente ou sem 
remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação 
ou qualquer forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, 
emprego ou função nas entidades mencionadas no artigo 
anterior. 
Apesar de a Lei de Improbidade ser de natureza civil, o conceito nela 
contido pode ser utilizado para a definição geral. O conceito engloba 
dos mais altos escalões até os que executam as mais simples tarefas 
do dia a dia do labor administrativo. 
Perceba do conceito que não é necessário que o sujeito exerça a 
função em caráter permanente, para que seja considerado agente 
público. É o caso dos membros do juri, que apenas 
temporariamente realizam a função pública. E, ainda, não é preciso 
que haja remuneração para que alguém seja considerado agente 
público. É o caso dos integrantes das mesas no processo eleitoral, 
que não recebem dinheiro, mas sim compensações por participarem 
das eleições. 
Por fim, em razão de volta e meia ser utilizado em provas, veja-se, 
no essencial, a abordagem conceitual de agentes públicos, dada por 
Celso Antônio Bandeira de Mello: 
Quem quer que desempenhe funções estatais, enquanto as 
exercita, é um agente público. (...), a noção abarca tanto o 
Chefe do Poder Executivo (em quaisquer das esferas) como os 
senadores, deputados e vereadores, os ocupantes de cargos ou 
empregos da Administração direta dos três Poderes, os 
servidores das autarquias, das fundações governamentais, das 
empresas públicas e sociedades mistas nas distintas órbitas de 
governo, os concessionários e permissionários de serviço 
público, os requisitados, os contratados sob locação civil de 
serviços e os gestores de negócios públicos. 
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Apenas uma crítica ao conceito: os terceirizados (contratados em 
regime de locação civil de serviços) não devem ser considerados 
agentes públicos. A doutrina majoritária, da qual discorda o autor, 
não aponta terceirizados como agentes públicos pelo fato de estes 
manterem vínculo com uma empresa que os contratou, e não com o 
Estado. 
Fixação 
CESPE - AUFC/Apoio Técnico e Administrativo/Psicologia/2011 
À luz do disposto na Lei n.o 8.112/1990 e em suas posteriores alterações, 
julgue o item, a respeito dos agentes públicos, servidores públicos, direitos e 
deveres e responsabilidades, bem como de processo administrativo disciplinar, 
sindicância e inquérito. 
Em sentido estrito, todas as pessoas que servem ao poder público, de forma 
transitória ou definitiva, remuneradas ou não, são consideradas servidores 
públicos. 
Comentários: 
O conceito dado é de AGENTES públicos e não de servidores, observando 
tratar-se de “sentido amplo” e não “restrito”. O conceito de agentes públicos 
é amplo, é gênero, que, portanto, comporta espécies, como, por exemplo, 
os servidores estatutários, regidos, na esfera federal, pela Lei 8.112, de 
1990. 
Vamos corrigir a questão: 
Em sentido AMPLO, todas as pessoas que servem ao poder público, de 
forma transitória ou definitiva, remuneradas ou não, são consideradas 
AGENTES públicos. 
Gabarito: ERRADO. 
2. Classificação de Agentes Públicos 
A doutrina clássica, capitaneada por Hely Lopes Meirelles, apresenta 
as seguintes espécies de agentes públicos: políticos, administrativos, 
honoríficos, delegatários e credenciados. Vamos por partes. Abaixo, 
“passearemos” nos conceitos e peculiaridades de cada uma dessas 
categorias. 
Os Agentes Políticos são aqueles incumbidos das mais altas 
diretrizes estabelecidas pelo Estado. Tais agentes ocupam os mais 
elevados postos da Administração Pública, sejam cargos,funções, 
mandatos ou comissões, com ampla liberdade funcional e regidos 
normas específicas. São exemplos unânimes entre os 
doutrinadores: membros do Legislativo (Deputados, Senadores e 
Vereadores), chefes de Poder Executivo (presidente da República, 
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governadores e prefeitos), e assessores diretos destes (Ministros e 
Secretários estaduais, municipais e distritais). 
De modo mais simples, pode-se afirmar que os agentes políticos 
“transpiram” o poder. São aqueles que você se recorda quando se 
fala em Poder Constituído. Por exemplo: quando se pensa em Poder 
Executivo Federal, qual a primeira imagem que vem à lembrança? O 
presidente da República, o Ministro de Estado. São agentes políticos, 
e, assim, sucede-se no Poder Legislativo. 
Fixação 
(2013/CESPE/MPU/TÉCNICO) Os ministros de Estado são 
considerados agentes políticos, dado que integram os mais altos 
escalões do poder público. 
Comentários: 
Os Agentes Políticos são aqueles incumbidos das mais altas diretrizes 
estabelecidas pelo Poder Público, em outros termos, são aqueles que 
desenham o destino da nação, como, por exemplo, o auxiliar direto do chefe 
do Executivo Federal, os Ministros de Estado. 
Gabarito: CERTO. 
Professor, a classificação acima é dita unânime, e quais são as 
divergências? 
Há discussão doutrinária sobre a inclusão, na categoria dos agentes 
políticos, dos Magistrados, membros do Ministério Público, e dos 
Tribunais de Contas. Alguns autores mostram-se a favor; outros se 
apresentam contrários. 
Então como se comportar na PROVA? 
O STF, no Recurso Extraordinário 228.977/SP, referindo-se 
especificamente aos Magistrados, tratou-os como agentes políticos, 
investidos para o exercício de atribuições constitucionais, sendo 
dotados de plena liberdade funcional no desempenho de suas 
funções, com prerrogativas próprias e legislação específica. 
Assim, sem maiores discussões, além dos integrantes do 
Legislativo, Chefes de Executivo (e seus auxiliares diretos), os 
Magistrados podem ser enquadrados na categoria de agentes 
políticos. 
Quanto aos membros do Ministério Público, ou seja, promotores 
de justiça e procuradores da República, prevalece a corrente 
doutrinária a favor de situá-los como agentes políticos, de forma 
idêntica ao tratamento conferido aos Representantes Diplomáticos. 
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Quanto aos membros dos Tribunais de Contas, o STF classificou-
os como agentes administrativos e não políticos. Abaixo, vejamos 
parte do teor da Reclamação 6.702 do Supremo: 
A doutrina, de um modo geral, repele o enquadramento 
dos Conselheiros dos Tribunais de Contas na categoria de 
agentes políticos, os quais, como regra, estão fora do alcance 
da Súmula Vinculante nº 13, salvo nas exceções acima 
assinaladas, quais sejam, as hipóteses de nepotismo cruzado 
ou de fraude à lei. 
Abre-se um parêntese para esclarecer que o entendimento da 
Suprema Corte não se afina à doutrina majoritária, para quem os 
membros dos Tribunais de Contas são agentes políticos, mas, enfim, 
é extraída de julgado do STF. E, ainda que decisão cautelar, deverá 
ser aceita para efeito de concursos públicos. 
Duas são as principais características comuns dos agentes políticos: 
a) grande parte das competências é de extração constitucional, e 
b) de regra, tais agentes não se submetem às regras comuns 
aplicáveis aos servidores públicos. É o caso, por exemplo, dos 
juízes, os quais não se submetem à Lei 8.112/1990. 
Fixação 
(2010/CESPE/TRE-MT/Técnico) Não podem ser considerados 
agentes públicos os detentores de mandatos eletivos, pois, além de 
serem investidos nos cargos mediante eleição, e não por nomeação, 
eles desempenham funções por prazo determinado. 
Comentários: 
O agente público é conceito gênero, e os políticos espécies daquele. Os 
agentes políticos são por eleição ou nomeação. Exemplo de agentes eleitos: 
parlamentares, detentores, portanto, de mandato eletivo. Exemplo de 
agentes nomeados: ministros e juízes. Os ministros são de livre escolha e 
exoneração [ad nutum]. Os juízes são, de regra, nomeados depois da 
aprovação em concursos públicos, de provas e títulos. 
Gabarito: ERRADO. 
Fixação 
CESPE - TA (ANATEL)/2012 
A respeito dos agentes públicos, julgue o item subsecutivo. 
Os agentes políticos definem e implementam estratégias políticas para que o 
Estado atinja seus fins e sua investidura se dá, exclusivamente, mediante 
eleição. 
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Comentários: 
Lembre-se de que nem todo agente político é investido 
mediante eleição. Como sobredito, os Ministros são nomeados 
em cargos demissíveis ad nutum, e os Juízes, não são, 
igualmente, eleitos, são nomeados, depois de árduo concurso 
público de provas e títulos. 
Gabarito: ERRADO. 
Já os Agentes Administrativos constituem o maior contingente dos 
agentes públicos, e são os que exercem cargos, empregos ou funções 
públicos, no mais das vezes, de caráter permanente. Não são 
membros de Poder do Estado, sequer exercem atribuições políticas ou 
governamentais. Tais agentes integram, sim, o quadro funcional dos 
entes da Federação, bem como o das Entidades da Administração 
Indireta, como, por exemplo, autarquias e empresas públicas. 
Os agentes administrativos submetem-se à hierarquia funcional e 
ao regime jurídico estabelecido pela Entidade à qual pertencem. São 
agentes administrativos: servidores estatutários [cargos efetivos e 
comissionados], os empregados [vulgarmente conhecidos como 
celetistas], e os agentes temporários [contratados para 
atendimento a necessidades excepcionais e temporárias, conforme 
previsto no inc. IX do art. 37 da CF/1988]. 
Professor, os temporários são agentes públicos 
administrativos? 
Sim, são! Os contratados temporários são os agentes públicos 
administrativos, apesar de não ocuparem cargo ou emprego 
público. Os temporários desempenham FUNÇÃO temporária, em 
razão de necessidade pública de caráter excepcional. 
Na doutrina moderna, os agentes administrativos são catalogados 
como servidores estatais, em sentido amplo. Esse, por 
exemplo, é o entendimento de Maria Sylvia di Pietro. Vejamos: 
São servidores públicos, em sentido amplo, as pessoas físicas 
que prestam serviços ao Estado e às entidades da 
Administração Indireta, com vínculo empregatício e mediante 
remuneração paga pelos cofres públicos. 
Assim, não há problemas se você vir, em prova, expressões do tipo 
“servidor temporário”, pois, neste caso, o examinador estará a 
empregando em sentido amplo. Agora, caso a expressão servidor 
seja empregada em sentido estrito, pede-se considerar apenas 
aquele que ocupa cargo público. Nesse contexto, dispõe a Lei 
8.112/1990: 
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Art. 2o Para os efeitos desta Lei, servidor é a pessoa 
legalmente investida em cargo público. 
Enfim, a análise, em sua prova, variará de acordo coma indagação 
da ilustre banca organizadora. 
Por sua vez, os Agentes Honoríficos são cidadãos que, em razão de 
sua condição cívica, sua honorabilidade ou de sua reconhecida 
capacidade profissional, são convocados para colaborar 
transitoriamente com o Estado, sem vínculos empregatícios ou 
estatutários, e, no mais das vezes, não recebendo remuneração 
por tal atividade. Esta, aliás, é a principal característica dos 
honoríficos: não são, de regra, remunerados em espécie. 
Todavia podem receber compensações, como, por exemplo, folgas 
por terem trabalhado nas eleições como mesários. 
Os agentes honoríficos são classificados, pela doutrina moderna, 
como particulares em colaboração com o Poder 
Público. E, apesar de não serem servidores públicos, são agentes 
públicos que exercem função pública, sendo, por consequência, 
considerados funcionários públicos, ao menos para fins penais. Sobre 
o tema, dispõe o art. 327 do Código Penal: 
Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os 
efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou 
sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função 
pública. 
§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce 
cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e 
quem trabalha para empresa prestadora de serviço 
contratada ou conveniada para a execução de atividade 
típica da Administração Pública. (Incluído pela Lei nº 
9.983, de 2000) 
§ 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os 
autores dos crimes previstos neste Capítulo forem 
ocupantes de cargos em comissão ou de função de 
direção ou assessoramento de órgão da administração 
direta, sociedade de economia mista, empresa pública 
ou fundação instituída pelo poder público. (Incluído pela 
Lei nº 6.799, de 1980). 
Em razão da transitoriedade do vínculo, a função pública 
desempenhada pelos agentes honoríficos não há de ser considerada 
para efeitos de acumulação de cargos, funções ou empregos públicos. 
São exemplos de agentes honoríficos: jurados, os mesários 
eleitorais, os comissários de menores. 
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Os Agentes Delegados ou Delegatários são particulares que têm 
sob sua incumbência a execução de certas atividades, obras ou 
serviços públicos, por sua conta e risco, enfim, em seu nome próprio. 
Sujeitam-se às normas e à fiscalização permanente do Estado, em 
especial do Poder Público delegante (da Administração Direta e, 
conforme o caso, das Agências Reguladoras). 
São exemplos de agentes delegatários: concessionários, 
permissionários e autorizatários de serviços públicos; os titulares de 
cartório (tabeliães); leiloeiros; e tradutores oficiais. Lembra-se, por 
relevante, que, da lista apresentada, os tabeliães submetem-se a 
concurso público de provas E títulos (art. 236 da CF/1988). E, por 
fim, reforçar que, à semelhança dos honoríficos, os delegatários são 
classificados como “particulares em colaboração com o Poder 
Público”. 
Fixação 
CESPE - TA (ANATEL)/2012 
A respeito dos agentes públicos, julgue o item subsecutivo. 
O empregado de empresa concessionária do serviço de telefonia é considerado 
um agente público. 
Comentários: 
Lembre-se de que nem todos agentes públicos são investidos em cargo 
público. Exemplo disso são os empregados das empresas delegatárias de 
serviços públicos. 
Gabarito: CERTO. 
Professor, na lista de agentes delegatários, temos os tabeliães 
e as empresas concessionárias, certo? 
Mais ou menos! 
As concessionárias são pessoas jurídicas, logo não são agentes 
públicos. Tecnicamente, os empregados das concessionárias, 
prestadoras de serviços públicos, é que podem ser considerados 
agentes públicos. As permissionárias, prestadoras de serviços em 
nome do Estado, por sua vez, podem ser pessoas físicas, e, nesse 
caso, serão automaticamente considerados agentes públicos. 
Os tabeliães prestam serviços delegados do Estado [art. 236 da CF], 
e, bem por isso, são agentes públicos. 
Abre-se um parêntese para fazermos um paralelo entre os Tabeliães 
e Concessionárias. Vejamos: 
 Os Tabeliães são pessoas físicas, enquanto Concessionárias, 
pessoas jurídicas; 
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 Os Tabeliães são escolhidos por concurso público, de provas E 
títulos. As Concessionárias, por sua vez, são selecionadas por 
licitação; 
 Os Tabeliães são fiscalizados pelo Poder Judiciário. As 
Concessionárias submetem-se ao poder de fiscalização do 
Poder Concedente, no caso, Poder Executivo; 
 Os Tabeliães não se aposentam compulsoriamente, isso porque 
não exercem cargos ou empregos públicos, mas funções 
públicas; 
 Os cartórios são remunerados por meio de emolumentos. Já as 
Concessionárias, por meio de tarifas. 
Por fim, os Agentes Credenciados são os que recebem a 
incumbência da Administração para representá-la em determinado 
ato ou praticar certa atividade, mediante remuneração do Poder 
Público, em momento ou tempo certo. É o caso, por exemplo, dos 
peritos credenciados pela Justiça, para que elaborem laudos 
necessários à tomada de decisão por parte do magistrado. Muitas 
vezes, o magistrado precisa determinar, por exemplo, a 
indisponibilidade de bens de um particular, para fazer frente a uma 
eventual dívida que vai ser satisfeita judicialmente. Só que Juiz não 
sabe quanto custa um imóvel (“ilustrativamente falando”). Daí ocorre 
a designação do perito credenciado para fazer a avaliação. 
Há, ainda, duas questões pertinentes que aqui se impõem. 
A primeira delas é sobre os militares. Estes também são agentes 
públicos, mas de uma categoria específica, com regras que lhe são 
próprias. Não são considerados, pela doutrina, servidores públicos, 
mas são, induvidosamente, agentes públicos. Não serão estudadas 
aqui as peculiaridades do regime militar. 
Outra questão pertinente diz respeito aos agentes de fato. São 
aqueles que se investem da função pública de forma emergencial ou 
irregular. Nesse contexto, a doutrina costuma distingui-los em 
necessários e putativos. Os primeiros exercem a função em razão 
de situações excepcionais, como, por exemplo, auxílio durante 
calamidades públicas [alguém que atue como “bombeiro militar”, 
socorrendo vítimas em um deslizamento]. Já os putativos são os 
que têm aparência de agente público, sem o ser de direito. É o 
caso de um servidor que fora aprovado em concurso público anulado 
posteriormente. 
Professor, e os atos praticados pelos agentes de fato 
putativos? Serão invalidados, desconsiderados pela 
Administração? 
Em regra, os atos produzidos pelos agentes de fato devem ser 
convalidados [corrigidos], pois, apesar de a sua investidura ter sido 
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irregular, tudo levaria a crer que seriam agentes públicos. Isso deriva 
da aplicação da teoria da ‘aparência’, a qual informa que devem ser 
convalidados os atos dos agentes de fato, pois, aparentemente, 
seriam agentes públicos. 
Cumpre registrar que, embora a investidura seja irregular, os agentes 
de fato trabalharam em suas funções, e, por isso, não há que se falar 
de devolução dos dinheiros que receberam como retribuição 
pecuniária. Esse é o entendimento do STF [RMS 25.104].Por fim, é digno de reforço que as bancas utilizam-se da expressão 
‘particulares em colaboração com o Poder Público’ para 
designar as pessoas físicas que prestam serviços ao Estado, sem 
vínculo empregatício, com ou sem remuneração. Aqui estão 
abrangidos: delegatários, honoríficos, credenciados, além dos 
agentes de fato. 
Fixação 
(2010/CESPE/TRE-MT/Técnico) Não podem ser considerados 
agentes públicos os detentores de mandatos eletivos, pois, além de 
serem investidos nos cargos mediante eleição, e não por nomeação, 
eles desempenham funções por prazo determinado. 
Comentários: 
Os detentores de mandato eletivo também são agentes públicos. Não são 
servidores. Mas agentes públicos são. 
Gabarito: ERRADO. 
3. Organização Funcional 
Vamos analisar alguns conceitos fundamentais para a completa 
compreensão do tópico agentes públicos. 
3.1. Cargos, Empregos e Funções 
Os cargos públicos podem ser vistos como as mais simples e 
indivisíveis unidades de competência a serem exercidas por um 
agente regido por estatuto próprio, que, no caso federal, é a Lei 
8.112, de 1990. 
Esta definição alinha-se, por exemplo, com o disposto na Lei Federal 
8.112, de 1990, enfim, o regime jurídico dos servidores públicos da 
União, na Administração Direta, bem como nas Autarquias (inclusive 
as de regime especial) e nas fundações públicas. 
É importante destacar, desde logo, que: 
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I) A Lei 8.112, de 1990, não abrange os servidores dos demais 
entes políticos, uma vez que Estados e Municípios têm 
autonomia para tanto, devendo, assim, estabelecerem seus 
próprios regimes jurídicos de servidores; e, 
II) A Lei 8.112, de 1990, não alcança as sociedades mistas e as 
empresas públicas da União. Assim, o campo de abrangência da 
Lei restringe-se à Administração Direta [conjunto de órgãos, 
unidades desprovidas de personalidade jurídica], e à 
Administração Indireta de Direito Público [exemplo das 
Autarquias, ainda que em regime especial, como é o caso das 
Agências Reguladoras]. 
Para ilustrar, vejamos o conceito de cargo no art. 2º da Lei 
8.112/1990: 
O conjunto de atribuições e responsabilidades previstas na 
estrutura organizacional que devem ser cometidas a um 
servidor. 
O conceito da Lei é criticado pela doutrina, por ser extremamente 
evasivo. Não fosse a parte final do dispositivo, a qual consigna a 
expressão ‘servidor’, o disposto pelo diploma legal serviria para 
designar quase tudo, de cargos a funções, afinal todos possuem 
atribuições e responsabilidades. 
Por isso, parte da doutrina prefere conceituar cargo público como um 
lugar inserido na organização do serviço público, regido por norma 
própria (no caso federal, a Lei 8.112, de 1990) a ser preenchido por 
servidor público, efetivo ou em comissão, com funções próprias e 
remuneração fixada em lei. 
Perceba que os exclusivamente comissionados também ocupam 
cargos públicos, e, por isso, são, à semelhança dos efetivos, 
servidores estatutários. Os comissionados não são empregados, e, 
bem por isso, não são regidos pela CLT, apesar de, à semelhança dos 
empregados, seguirem o Regime Geral de Previdência Social (RGPS). 
O cargo público difere do emprego público essencialmente no que 
se refere ao vínculo que une o ocupante ao Estado. No caso do cargo 
público, o vínculo é estatutário; no do emprego público, o vínculo 
é contratual, sob a regência da Consolidação das Leis do Trabalho 
(CLT). Os empregados públicos não gozam de estabilidade 
semelhante a dos servidores estatutários, porém são, igualmente, 
admitidos mediante concurso público, de provas ou provas e títulos, 
como estabelece o inc. II do art. 37 da CF, de 1988. 
Aliás, quanto à estabilidade, o STF já se pronunciou, afirmando 
que os empregados públicos não a possuem. No entanto, pede-se sua 
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atenção para o fato de que não detêm a estabilidade própria dos 
servidores detentores de cargos efetivos (RE 589998). 
Professor, quer dizer que os empregados públicos gozam de 
algum tipo de estabilidade? 
Sim! Os empregados públicos podem gozar, também, de estabilidade. 
A palavra “estabilidade”, em sentido amplo, quer se referir a maior 
independência para o exercício das atribuições públicas, espécie de 
proteção para que o agente atue sem o receio perseguições. Nos 
termos da CF, de 1988, há três situações que conferem aos 
empregados públicos estabilidade provisória: dirigentes sindicais 
[inc. VIII do art. 8º], dirigentes de Comissão Interna de Prevenção de 
Acidentes (CIPA) [alínea ‘a’ do inc. II do art. 10 do ADCT], e Gestante 
[alínea ‘b’ do inc. II do art. 10 do ADCT]. 
Outra questão interessante é sobre a possibilidade de, HOJE, 
contratação sob o regime de emprego público na Administração 
Direta, Autárquica e Fundacional do DF? 
Com a EC 19, de 1998, rompeu-se com a obrigatoriedade da adoção 
de regime jurídico único [caput do art. 39 da CF, de 1988], 
conferindo-se à Administração maior flexibilidade para a 
“contratação” de seus servidores, que, no caso, poderia tanto 
submeter os novos servidores ao Estatuto, como à CLT. Ocorre que o 
caput do art. 39 da CF/1988 teve sua constitucionalidade apreciada, 
liminarmente, na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2135. 
Em tal julgado, o Supremo deferiu liminar para suspender a vigência 
do dispositivo, em razão de aparente inconstitucionalidade no rito 
formal de sua aprovação. Assim, por conta das nuances do processo 
de controle de constitucionalidade [efeitos repristinatórios], com a 
suspensão da vigência do caput do art. 39, voltou a vigorar a 
redação anterior, que dispunha: 
Art. 39 A União, os Estados, o Distrito Federal e os 
Municípios instituirão, no âmbito de sua competência, 
regime jurídico único e planos de carreira para os 
servidores da administração pública direta, das 
autarquias e fundações. 
Guardem então para a prova que com a ADI 2135, a Lei 8.112, de 
1990, voltou a ser chamada de Regime Jurídico Único. 
A Lei nº 8.112/1990 institui o chamado Regime Estatutário (legal) 
dos servidores públicos civis da União, abrangendo servidores 
públicos em âmbito federal, mais especialmente as pessoas 
jurídicas de Direito Público da União. É um sistema legal, e não 
contratual, por se tratar de uma Lei, à qual os ocupantes de cargos 
efetivos e comissionados em nível federal aderirão. 
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Seu campo de abrangência diz respeito, reforça-se, à UNIÃO e não 
aos Estados e Municípios, os quais detêm competência para editar 
suas próprias leis referentes aos servidores de sua esfera, em razão 
da autonomia concedida pelo art. 18 da CF/1988. 
Por outro lado, é digno de registro que a Lei 8.112/1990 não 
abrange, por exemplo, os agentes políticos (presidente da República, 
Deputados e Magistrados, por exemplo), tampouco os particulares 
que colaboram com o poder público (Leiloeiros, tradutores, por 
exemplo), ou, ainda, os empregados públicos (conhecidos, 
vulgarmente, como celetistas). 
Com a cautelar proferida nos autos da ADI 2135, não cabe mais a 
contratação de empregados públicos na Administração Direta,Autárquica e Fundacional. Portanto, reforça-se a conclusão: no 
âmbito federal, o Regime Jurídico Único dos servidores públicos é o 
estabelecido pela Lei 8.112/1990, a qual, contudo, não se aplica às 
sociedades mistas, empresas públicas e demais empresas controladas 
direta ou indiretamente pela União. 
Por fim, temos a Função pública, a qual pode ser definida como o 
conjunto de atribuições que não corresponde a cargo ou a emprego 
públicos. Não se pode dizer que as funções sejam excludentes em 
relação aos cargos ou empregos públicos. De fato, na clássica 
assertiva de Hely Lopes Meirelles, todo cargo tem função, mas pode 
haver função sem cargo. Por isso se diz ser possível que a função não 
corresponda a cargo, porém, todo cargo deve ter funções. Nesse 
contexto, quando se fala em funções públicas, têm-se claras, pelo 
menos, três situações: 
I) Na contratação temporária, que ocorre por necessidade 
temporária de excepcional interesse público (inc. IX do art. 37 
da CF, de 1988), 
II) No preenchimento de funções de confiança, referentes à 
chefia, assessoramento ou direção, e 
III) Os serviços notariais e registro, exercidos em caráter 
privado, são delegados pelo Poder Público. Os tabeliães não 
têm cargo ou emprego públicos, exercem funções públicas 
[art. 236 da CF, de 1988]. 
3.2. Cargos Vitalícios, Efetivos e Comissionados 
Quanto ao grau de independência e de proteção, os cargos 
públicos são escalonados em vitalícios, efetivos ou em comissão. 
Os vitalícios, por exemplo, são aqueles que conferem a seus 
detentores maior independência funcional, e, por isso, são cercados 
de maiores proteções, ao passo que os cargos em comissão não 
garantem qualquer proteção aos ocupantes, que podem, a qualquer 
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momento, sem prévia motivação [por isso chamados de 
demissíveis “ad nutum”], ser desligados da Administração. Vamos 
ao estudo de tais cargos. 
Os cargos vitalícios são os de previsão constitucional. Segundo a CF, 
depois de adquirida a vitaliciedade, somente por meio de 
processo judicial, com sentença transitada em julgado, poderá se 
decretada a perda do cargo. Os cargos vitalícios são listados, 
exaustivamente, pela CF, sendo a Constituição da República o único 
apto a, eventualmente, estender a vitaliciedade a outros agentes 
públicos. São agentes vitalícios: Magistrados [art. 95, I]; membros do 
Ministério Público [art. 128, §5º, I, “a”], e membros dos Tribunais de 
Contas [art. 73, §3º]. 
Professor, então vitaliciedade quer dizer que o servidor não se 
aposentará compulsoriamente [70 anos de idade]? Representa 
uma proteção sem limites? 
De forma alguma! A vitaliciedade não significa que o sujeito será 
agente público “para sempre”. Não é isso. Tanto é assim que o STF, 
registrou [Súmula 36]: 
“Servidor vitalício está sujeito à aposentadoria 
compulsória, em razão da idade”. 
Já cargos efetivos são aqueles que gerarão a seus ocupantes direito 
à estabilidade, nos termos constitucionais. Em sentido amplo, a 
vitaliciedade não deixa de ser “estabilidade”, pois a expressão 
“estabilidade” refere-se à proteção, segurança. Ocorre que o 
Constituinte, para divisar com nitidez a diferença entre os institutos, 
nomeou um de “vitaliciedade” e outro de “estabilidade”, e conferiu 
aos vitalícios um plus em relação aos estáveis, já que a estabilidade 
não protege, por exemplo, contra a perda do cargo na esfera 
administrativa. 
Professor, efetividade é sinônimo para estabilidade? 
A efetividade é um atributo do cargo, e pode ser utilizado para 
designar o servidor, assim que ele toma posse. Por exemplo: assim 
que a(o) amiga(o) passar no concurso público, “sentará” em cargo 
efetivo. 
Por sua vez, a estabilidade é uma proteção no serviço público 
adquirida pelos servidores detentores de cargos efetivos, depois de 
cumpridos requisitos constitucionais necessários, como, por exemplo, 
três anos de efetivo exercício. 
Prova inequívoca de que estabilidade não se confunde com 
efetividade é o art. 19 do ADCT. Vejamos o §1º: 
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Art. 19. Os servidores públicos civis da União, dos Estados, do 
Distrito Federal e dos Municípios, da administração direta, 
autárquica e das fundações públicas, em exercício na data da 
promulgação da Constituição, há pelo menos cinco anos 
continuados, e que não tenham sido admitidos na forma 
regulada no art. 37, da Constituição, são considerados 
estáveis no serviço público. 
§ 1º - O tempo de serviço dos servidores referidos neste artigo 
será contado como título quando se submeterem a concurso 
para fins de efetivação, na forma da lei. 
Perceba que a CF reconheceu a estabilidade para certos servidores 
públicos, porém deixou evidente que a “efetivação” depende de 
aprovação em concurso público. 
Enfim, efetividade não se confunde com estabilidade. São institutos 
diversos. É possível ser efetivo, sem ser estável [servidor que 
ainda não cumpriu os requisitos constitucionais]. É possível ser 
efetivo e estável [requisitos atingidos]. É possível ser estável, 
sem ser efetivo [art. 19 do ADCT – estabilização constitucional]. 
Para que o assunto fica ainda mais claro, façamos a leitura do inc. V 
do art. 37 da CF/1988: 
V - as funções de confiança, exercidas 
exclusivamente por servidores ocupantes de cargo 
efetivo, e os cargos em comissão, a serem 
preenchidos por servidores de carreira nos casos, 
condições e percentuais mínimos previstos em lei, 
destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e 
assessoramento. 
Os destaques não constam do texto original, servindo-nos para 
esclarecer que as funções de confiança são para servidores que 
ocupam cargos efetivos, enquanto que os cargos em comissão 
devem ser preenchidos por servidores de carreira, nos casos, nas 
condições e nos percentuais mínimos estabelecidos em lei. 
Vamos à breve explicação. O servidor ocupante de cargo de Auditor 
da Receita Federal, por exemplo, cumpridos os requisitos 
constitucionais necessários, é detentor de cargo efetivo e estável. 
Imagina que a Lei reserve 50% dos cargos comissionados na Receita 
para os servidores de carreira. Nesse caso, os Analistas Tributários, 
embora ocupantes de cargos efetivos, não poderiam assumir cargos 
comissionados, por não fazerem parte da carreira de Auditor. Conclui-
se que vários cargos efetivos não fazem parte de determinadas 
carreiras. 
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De outro lado, interessante notar que cargos em comissão podem ser 
ocupados por pessoas alheias à Administração, o que não ocorre com 
as funções de confiança, haja vista estas serem providas 
EXCLUSIVAMENTE por servidores de cargos EFETIVOS. 
Por fim, alguns pontos comuns entre ambos: 
I) destinam-se à Direção e ao Assessoramento Superior. É por 
isso que, recorrentemente, referem-se a tais cargos como 
D.A.S. Ressalta-se que tanto os cargos em comissão, como as 
funções de confiança, devem ter por finalidades atribuições de 
comando ou de assessoria. Um cargo de motorista não pode 
ser, por exemplo, um cargo comissionado (exclusivamente), 
pois não é de comando ou assessoria, apesar de ser um cargo 
dedireção [de volante!], 
II) são preenchidos sem a necessidade de concurso público 
prévio, não oferecendo garantia de permanência. Dispensa-se, 
ainda, a motivação para a exoneração de seus ocupantes; 
III) não há nomeação para funções de confiança, mas mera 
designação. De fato, como para ocupar função de confiança o 
servidor já tem de ser detentor de cargo efetivo, não é lógico 
ser renomeado. Vejamos o que diz o § 4o do art. 15 da Lei 
8.112, de 1990: 
O início do exercício de função de confiança coincidirá 
com a data de publicação do ato de designação, salvo 
quando o servidor estiver em licença ou afastado por qualquer 
outro motivo legal, hipótese em que recairá no primeiro dia útil 
após o término do impedimento, que não poderá exceder a 
trinta dias da publicação. 
Perceba que o início do exercício da função de confiança é 
imediato, e tem início com a publicação do ato que designa 
para tal. 
Por fim, reforça-se que os cargos comissionados são estatutários 
[Recurso Especial 621647 do STJ], isto é, regidos por Estatutos, que, 
na esfera federal, é a Lei 8.112/1990. Apesar disso, os 
exclusivamente comissionados contribuem para o RGPS, e não para 
o regime próprio dos servidores públicos. 
3.3. Criação e Extinção de Cargos Públicos 
Não há dúvida de que o instrumento a ser utilizado para a criação e 
extinção de cargos públicos é a Lei. 
Como a criação de cargos públicos dá-se por lei, a extinção ocorre, 
igualmente, por lei, como decorrência do princípio da simetria jurídica 
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ou paralelismo das formas. É dizer, como se faz, desfaz-se. Se o 
cargo público é criado por lei, por lei deve ser extinto. 
Professor, essa é uma regra sem exceções? 
No Direito Administrativo é muito incomum regras sem exceções. O 
inc. VI do art. 84 da CF, de 1988, possibilita que, por Decreto 
Autônomo, cargos públicos sejam extintos, com o detalhe de 
que devem estar vagos. 
E, quanto à criação, há outra exceção. As Casas Legislativas podem 
criar, internamente, cargos públicos, mediante Resoluções. 
Esclareça-se que essa permissão constitucional é de pouca valia, 
afinal a remuneração de tais cargos é matéria sujeita à reserva legal. 
Com outras palavras, apesar de a Resolução [ato interna corporis] 
não ser objeto de sanção ou veto pelo chefe do Executivo, 
conferindo-se ao Legislativo maior flexibilidade, como a remuneração 
é matéria de Lei, caberá ao chefe do Executivo se pronunciar sobre a 
adequação e conveniência, o que reduziu a garantia das Casas 
Legislativas. 
Por fim, esclareça-se que a competência para a criação de cargos é 
dos chefes do Executivo [art. 61, §1o, inciso II, “a”, da CF/1988], mas 
se os cargos forem da estrutura do Executivo. Ante a 
independência dos Poderes [art. 2o da CF/1988], o Judiciário tem 
competência para a iniciativa de leis para a criação de seus próprios 
cargos. 
3.4. Padrão, Classe, Carreira, Cargos Isolados, e Quadro 
Essa passagem é para que a(o) amiga(o) possa ter uma breve noção 
a respeito de como se organizam os quadros de pessoal da 
Administração Pública. Vamos lá. 
Os cargos a serem ocupados por servidores públicos organizados 
em carreira são distribuídos em padrões e classes. 
Classes constituem o agrupamento de cargos da mesma 
profissão, com idênticas atribuições, responsabilidades e 
vencimentos. Classes, portanto, constituem os “degraus” de 
crescimento em uma carreira. 
Interessante notar que PADRÃO é a subdivisão de uma classe, ou 
seja, DENTRO DAS CLASSES, TEMOS OS PADRÕES. 
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Quando um servidor ocupante de cargo organizado em carreira 
muda de CLASSE é PROMOVIDO. Já quando ele muda de padrão, 
SEM MUDAR DE CLASSE, é PROGREDIDO. 
 
Continuemos a entender a organização dos quadros da 
Administração. 
Carreira é o agrupamento de classes de uma mesma profissão 
ou atividade, organizadas sob o fundamento da hierarquia. Para 
o ingresso em uma carreira referente a cargos efetivos, o 
provimento deverá ser originário (a ocorrer por nomeação), 
devendo ser precedido, sob a égide da atual Constituição Federal, 
de concurso público (nesse ponto, uma paradinha, e leiam ao art. 
37, inc. II, CF). 
De outra parte, há cargos que não se encontram organizados em 
carreira, sendo únicos em sua categoria. São tais cargos ditos 
isolados. Um exemplo destes é o cargo de Ministro. No ano “X”, tem 
determinadas atribuições e remuneração; no ano “Y”, as atribuições e 
remuneração são as mesmas. Ou seja, não há alteração na 
complexidade das atribuições, à semelhança do que ocorre com 
os cargos organizados em carreira. 
Ao somatório de carreiras, cargos isolados, e, ainda, das funções 
de um mesmo órgão ou Poder dá-se a denominação de quadro. 
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E assim se organiza a Administração: cargos organizados em 
carreira, exemplo, técnico de controle externo do TCU, e cargos 
isolados, exemplo, auditor, o que substitui os Ministros, do TCU. 
Ah! Um último detalhe. Se um sujeito de cargo de nível médio galga 
todas as classes e níveis de sua carreira, chegando ao topo de tal 
carreira, mesmo que ele seja excelente, não poderá ser 
“ascendido” a uma carreira de nível superior, uma vez que o 
STF vem decidindo que isso é inconstitucional, por se tratar de uma 
situação que não é mais autorizada pela atual constituição. Ou seja, 
se o sujeito em questão quiser passar para uma carreira de nível 
superior, terá de prestar novo concurso. 
4. Acessibilidade 
 
4.1. Concursos Públicos 
Ao se falar em acesso a cargos públicos, o que primeiro vem à 
cabeça? Devo fazer um concurso público para isso! Pois é. De fato, 
para o acesso a cargos efetivos (ou empregos permanentes), 
devemos fazer um concurso. Mas essa regra, veremos, tem essa 
exceções. 
Repassemos, inicialmente, os conteúdos gerais a respeito do 
concurso público, a partir do regramento constitucional estabelecido 
no inc. II do art. 37 da CF: 
A investidura em cargo ou emprego público depende 
de aprovação prévia em concurso público de provas de 
provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza 
e a complexidade do cargo ou emprego, na forma 
prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo 
em comissão declarado em lei de livre nomeação e 
exoneração. 
Várias observações podem ser feitas em relação a este inciso. 
Primeiro ponto. 
A exigência de concurso público não é exclusiva para acesso aos 
cargos públicos, os empregos públicos observam, igualmente, o 
princípio do concurso público. Nesse contexto, perceba que as 
empresas estatais exploradoras de atividades econômicas (§1º do art. 
173 da CF, de 1988), como as sociedades de economia mista e as 
empresas públicas, devem contratar seu pessoal por meio de 
concurso público. Esse, inclusive, é o entendimento do STF. 
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Professor, todo o acesso a cargo público demanda concurso 
público? 
Sementrar em detalhes, um item assim estaria ERRADO, uma vez 
que, por exemplo, cargos em comissão não demandam concurso. 
Nesse primeiro ponto, ressalta-se que o inc. I do art. 37 da CF, com 
redação dada pela EC 19/98, dispõe: 
Os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis 
aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos 
em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei. 
Verifica-se a possibilidade de não só os brasileiros, natos ou 
naturalizados, terem acesso a cargos, empregos ou funções públicas. 
Os estrangeiros podem assumir cargos e empregos públicos, nos 
termos da Lei. Contudo, tal acesso dos estrangeiros não é amplo e 
irrestrito, afinal há cargos privativos de brasileiro natos. São 
cargos privativos de brasileiros natos [§3º do art. 12 da CF]: 
Presidente e Vice-Presidente da República; Presidente da Câmara dos 
Deputados; Presidente do Senado Federal; Ministro do STF; cargos da 
carreira diplomática; oficial das Forças Armadas; Ministro de Estado 
da Defesa; e seis brasileiros que compõem o Conselho da República. 
Segundo ponto. 
O concurso público só pode ser de provas ou de provas e títulos, 
não se admitindo certames só de títulos (inc. II do art. 37), pois 
o requisito objetivo para comparação entre os candidatos é a prova. 
Os títulos são qualificativos, que indicam que alguém tem um ‘talento 
diferenciado’ para o desempenho do cargo pretendido. 
Professor, e o famoso exame curricular? Não é cabível? 
Ressalta-se que as contratações temporárias referidas no inc. IX 
do art. 37 da CF/1988 não estão sujeitas à regra do concurso público, 
cabendo, no entanto, conforme o caso, processo seletivo simplificado 
mediante provas, provas e títulos, ou análise curricular. De forma 
idêntica, alerta-se para a inexigibilidade de concurso público para o 
preenchimento de determinados cargos vitalícios, tais como os de 
Ministros do STF e do Tribunal de Contas da União, dentre outros. 
Terceiro ponto. 
A aprovação de um candidato nas vagas previstas em um edital 
gera o direito subjetivo de nomeação. O concurso é um procedimento 
administrativo composto de várias etapas, tais como a inscrição, a 
aprovação e a nomeação do candidato, para citar apenas algumas. 
A inscrição não gera ao candidato o direito à realização das 
provas, haja vista que a Administração pode alterar a data ou 
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mesmo desistir de realizá-las, tratando-se, pois, de uma expectativa 
de direito dos candidatos. 
Fixação 
CESPE - ACE (TC-DF)/2012 
Com relação aos agentes administrativos, julgue o item a seguir. 
Os candidatos inscritos em concurso público não têm direito adquirido 
à realização do certame.1 
Na doutrina, boa parte dos autores tem entendido que a aprovação 
gera ao candidato expectativa de direito à investidura no cargo ou 
emprego em questão. Com outras palavras, o aprovado em concurso 
público teria mera expectativa de direito à nomeação. Contudo, esse 
entendimento doutrinário foi superado pela jurisprudência do STJ e 
do STF. 
Por uma questão de moralidade, assim se manifestou o STJ: 
Servidor público - Concurso - Aprovação de 
candidato dentro do número de vagas previstas 
em edital - Direito líquido e certo à nomeação e à 
posse no cargo. (Recurso em Mandado de Segurança 
n° 19.922) 
Confere-se tranquilidade a centenas, milhares, de candidatos, os 
quais aprovados em concurso público, nas vagas previstas no 
edital, simplesmente não eram chamados pela Administração. Com 
tais precedentes, muitos terão chance de não serem “deixados de 
lado” pela Administração. 
Professor, e nos concursos em que não há vagas, os concursos 
com cadastro reserva? 
Pois é, se não há vagas previstas no edital, não haveria como que se 
falar de direito à nomeação. Essa é, provavelmente, a razão de 
concurso com cadastro de reserva. Entretanto, isso também vem 
mudando. Mesmo quando não haja vagas previstas em um edital, ou, 
havendo, e o candidato seja aprovado fora delas, caso demonstre que 
há necessidade de sua nomeação, também passa a ter direito de ser 
nomeado. Nesse contexto, vejamos decisão do STJ (MS 18881): 
1. O princípio da moralidade impõe obediência às regras 
insculpidas no instrumento convocatório pelo Poder Público, de 
sorte que a oferta de vagas vincula a Administração, 
segundo, ainda, o princípio da legalidade. 
 
1 Gabarito: Certo. 
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2. A partir da veiculação expressa da necessidade de prover 
determinado número de cargos, através da publicação de edital 
de concurso, a nomeação e posse de candidato aprovado dentro 
das vagas ofertadas é direito subjetivo líquido e certo, tutelado 
na via excepcional do Mandado de Segurança. 
3. Tem-se por ilegal o ato omissivo da Administração que 
não promove a nomeação de candidato aprovado e 
classificado até o limite de vagas previstas no edital, por 
se tratar de ato vinculado, máxime quando expirado o 
prazo de validade do certame. 
4. In casu, a impetrante foi classificada na 81a. posição 
para o cargo de Administrador da Advocacia-Geral da 
União, cujo Edital previu originária e expressamente a 
existência de 49 vagas, acrescidos dos cargos que 
vagarem durante o período de validade do concurso 
público; diante da existência de 45 cargos vagos, além 
daqueles 49 referidos, impõe-se reconhecer o direito 
líquido e certo da impetrante à nomeação e posse no 
cargo para o qual foi devidamente habilitada dentro do 
número de vagas oferecidas pela Administração. 
Perceba que, no caso concreto, a candidata não passou nas vagas 
previstas, originariamente, no edital. Porém, com a abertura de 
novas vagas, considerando que o edital mencionava a possibilidade 
de nomeação para as vagas que viessem a abrir durante a validade 
do certame, restaria demonstrada a necessidade de nomeação, a 
qual, insista-se, mesmo não passando nas vagas previstas no 
concurso, passou a ter o direito de ser nomeada. 
Na realidade, o entendimento que devemos fazer é o seguinte: a 
realização de um concurso, a data em que ele vai ser realizado, o 
número de vagas a ser provido, tudo isso é discricionário à 
Administração. Entretanto, a partir do instante em que a 
Administração lança o edital, determinando o número de vagas a 
serem providas, isso passa a vincular sua atuação, determinando 
que haja os provimentos, até o número de vagas previsto no edital. 
Claro que esse dever de nomeação não há de se cumprir ‘a ferro e 
fogo’, isto é, há situações em que o dever de nomear aqueles que 
tenham sido aprovados em vagas previstas em um edital pode ser 
posto de lado. Nesse contexto, dispõe a jurisprudência do STF (RE 
598.099): 
Não obstante, quando se diz que a Administração Pública 
tem a obrigação de nomear os aprovados dentro do 
número de vagas previsto no edital, deve-se levar em 
consideração a possibilidade de situações 
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excepcionalíssimas que justifiquem soluções 
diferenciadas, devidamente motivadas de acordo com o 
interesse público. 
Não se pode ignorar que determinadas situações excepcionaispodem exigir a recusa da Administração Pública de nomear 
novos servidores. Para justificar o excepcionalíssimo não 
cumprimento do dever de nomeação por parte da 
Administração Pública, uma vez já preenchidas as condições 
acima delineadas, é necessário que a situação justificadora 
seja dotada das seguintes características: 
a) Superveniência: os eventuais fatos ensejadores de uma 
situação excepcional devem ser necessariamente posteriores à 
publicação do edital do certame público. Pressupõe-se com isso 
que, ao tempo da publicação do edital, a Administração Pública 
conhece suficientemente a realidade fática e jurídica que lhe 
permite oferecer publicamente as vagas para preenchimento via 
concurso. 
b) Imprevisibilidade: a situação deve ser determinada por 
circunstâncias extraordinárias, imprevisíveis à época da 
publicação do edital. Situações corriqueiras ou mudanças 
normais das circunstâncias sociais, econômicas e políticas não 
podem servir de justificativa para que a Administração Pública 
descumpra o dever de nomeação dos aprovados no concurso 
público conforme as regras do edital. 
c) Gravidade: os acontecimentos extraordinários e 
imprevisíveis devem ser extremamente graves, implicando 
onerosidade excessiva, dificuldade ou mesmo impossibilidade 
de cumprimento efetivo das regras do edital. Crises econômicas 
de grandes proporções, guerras, fenômenos naturais que 
causem calamidade pública ou comoção interna podem 
justificar a atuação excepcional por parte da Administração 
Pública. 
d) Necessidade: a solução drástica e excepcional de não 
cumprimento do dever de nomeação deve ser extremamente 
necessária. Isso quer dizer que a Administração somente pode 
adotar tal medida quando absolutamente não existirem outros 
meios menos gravosos para a lidar com a situação excepcional 
e imprevisível. Em outros termos, pode-se dizer que essa 
medida deve ser sempre a ultima ratio da Administração 
Pública. 
Enfim, é possível que a Administração Pública não nomeie alguém 
que tenha sido aprovado em vagas previstas em um edital, desde 
que se cumpram determinadas condicionantes. 
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Quarto ponto. 
A validade do concurso é delineada no inc. III do art. 37 da CF/1988: 
O prazo de validade do concurso público será de até 
dois anos, prorrogável uma vez, por igual período 
Apesar de ser uma questão mais do que batida em concurso público, 
atenta que a vigência do concurso inicia-se com a homologação 
[ato de controle a posteriori, que reconhece a legitimidade do 
procedimento], é de até dois anos, prorrogável por igual período. 
Isto é, faculta-se à Administração prorrogar a validade do concurso, 
tratando-se, portanto, de ato discricionário do Poder Público. 
Sobre o tema, três observações interessantes: 
I) o prazo inicial determina a prorrogação. Assim, um concurso 
pode ter vigência de seis meses, prorrogáveis por mais seis; 
II) o concurso só pode ter seu prazo de vigência prorrogado 
caso ainda esteja em vigor. Assim, concursos vencidos não 
podem ser prorrogados; e, 
III) a contagem de prazo de vigência ocorre a partir da 
homologação do resultado, enfim, oportunidade em que a 
Administração reconhece a legitimidade de todas as etapas do 
concurso. 
Quinto ponto. 
A questão do ingresso dos deficientes nos quadros da Administração. 
Vejamos, mais uma vez, o disposto na CF/1988: 
VIII - a lei reservará percentual dos cargos e 
empregos públicos para as pessoas portadoras de 
deficiência e definirá os critérios de sua admissão 
De pronto, perceba que o dispositivo constitucional não isenta os 
portadores de deficiência de prestar concurso para ingresso nos 
quadros da Administração. O dispositivo não fixa, ainda, qual é o 
percentual. O que se preserva, contudo, é o direito de tais pessoas de 
participarem de concursos públicos, para cargos que sejam 
compatíveis com as deficiências que portem. A propósito, a Lei 
8.112/1990, ao regulamentar a matéria, previu: 
Às pessoas portadoras de deficiência é assegurado o 
direito de se inscrever em concurso público para 
provimento de cargo cujas atribuições sejam compatíveis 
com a deficiência de que são portadoras; para tais 
pessoas serão reservadas até 20% das vagas oferecidas 
no concurso. 
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Perceba, pelo dispositivo, que o limite é máximo. Na esfera federal, 
o Decreto 3.298, de 1999, estabeleceu o limite mínimo: 
Art. 37. Fica assegurado à pessoa portadora de deficiência o 
direito de se inscrever em concurso público, em igualdade de 
condições com os demais candidatos, para provimento de cargo 
cujas atribuições sejam compatíveis com a deficiência de que é 
portador. 
§ 1o O candidato portador de deficiência, em razão da 
necessária igualdade de condições, concorrerá a todas as 
vagas, sendo reservado no mínimo o percentual de cinco por 
cento em face da classificação obtida. 
Interessante notar que, a partir de decisões judiciais, pode-se 
afirmar que nem todo concurso precisa reservar vagas para 
deficientes. Nesse contexto, o STF, no Mandado de Segurança 26310, 
considerou legítimo o edital de concurso para o preenchimento de 
duas vagas que não reservou nenhuma para deficientes. Entendeu a 
Corte Suprema que reservar uma vaga, ou seja, cinquenta por 
cento das vagas existentes, implicaria majoração indevida dos 
percentuais legalmente estabelecidos. 
A partir do entendimento do STF, pode-se dizer que nem todo 
concurso público reservará vagas para deficientes. 
Aliás, a própria definição de deficiência, por vezes, é cercada de 
polêmica, como foi o caso dos monoculares. 
O STF, ao tratar do RMS 26.071, entendeu que candidato, portador 
de visão monocular, tinha o direito de ocupar o cargo de técnico 
judiciário do Tribunal Superior do Trabalho (TST). A decisão foi 
adotada por unanimidade da Primeira Turma do Supremo Tribunal 
Federal (STF). 
No caso, os ministros da Turma concordaram com o entendimento do 
relator de que visão monocular é uma necessidade especial e legitima 
o portador a concorrer às vagas especiais nos concursos públicos. 
Perceba que o candidato, embora possuidor de visão monocular, não 
era considerado deficiente, por conta das normas que tratam da 
matéria, pois teria plena capacidade visual em um dos olhos. Ora, é 
gritante, pelo menos para nós, que tal situação deva ser considerada 
deficiência, na linha do decidido, felizmente, pelo STF. Destaca-se 
que esse é o posicionamento do STJ (visão monocular é deficiência, 
para efeitos de participação em concursos). E aqueles que tenham 
audição somente em um dos ouvidos também vem sendo 
considerados em concursos públicos como deficientes. Mas, enfim, é 
difícil, pensamos, que o examinador adentre a caracterização do que 
é deficiência, para efeito de prova de concurso. 
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A comprovação da deficiência por parte do pleiteante às vagas nessa 
concorrência própria deve ser feita na data dos demais, pois, para o 
STJ, se assim não se proceder, será ofendido o princípio da isonomia 
[MS 14.038]. 
É de incumbência da junta médica oficial a avaliação se o portadorde 
deficiência possui condições de exercer o cargo pretendido, ou, ainda, 
informar se o candidato é deficiente. Caso não seja deficiente, o 
candidato, que houver concorrido para a vaga nessa qualidade, terá 
sua aprovação invalidada, e deverá ser convocado o deficiente 
seguinte na ordem de classificação, para que se adote o idêntico 
procedimento de verificação. 
Sexto ponto. 
O estabelecimento de limitações ao acesso a cargos e empregos 
públicos. Há a possibilidade de, em determinadas situações, fixar 
exigência de altura, sexo, condição física, para acesso ao cargo ou 
emprego pretendido. 
As limitações ao acesso aos cargos e empregos públicos só devem ser 
aceitas quando razoáveis e em consonância com a ordem jurídica. No 
caso de veto à participação de candidato, deverá sempre ser 
motivada. Tal regra encontra-se consolidada na Súmula 684 do STF: 
É inconstitucional o veto não motivado à participação de 
candidato a concurso público. 
Também não devem ser admitidas, de regra, as odiosas restrições 
discriminatórias, em relação à origem, sexo, raça, religião. De toda 
forma, há necessidade de estabelecimento de requisitos que 
permitam aferir a aptidão do interessado em ingressar no serviço 
público. Tais requisitos, em virtude do princípio da legalidade, devem 
ter previsão legal, e não apenas no edital do certame. Sobre o 
tema, dispõe o Recurso Extraordinário 184.432-RS, apreciado pelo 
STF: 
O edital de concurso não é instrumento idôneo para o 
estabelecimento de limite de idade para a inscrição em 
concurso público; para que seja legítima tal exigência é 
imprescindível a previsão em lei. 
Nada impede que o edital mencione ou reproduza o que dispõe a Lei, 
a título de exigência. O que se veda é realização de exigências 
exclusivamente por meio de edital. 
O momento de exigência dos requisitos para o exercício das 
atribuições do cargo também é importante. Segundo a Súmula 266 
do STJ, os requisitos devem ser cumpridos quando da posse, e não 
no momento de inscrição. Quanto às carreiras jurídicas e do 
Ministério Público, o STF afastou a aplicação da Súmula do STJ, para, 
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por exemplo, autorizar a exigência de três anos de atividade jurídica 
no ato de inscrição do concurso público. 
Com relação às limitações de idade, o STF (Súmula 683) permite a 
sua existência, desde que a natureza das atribuições do cargo as 
exija. E este limite de idade, mínimo ou máximo, deve estar pautado 
na razoabilidade e proporcionalidade. 
Por fim, a questão da exigência dos exames psicotécnicos, que pode 
ser entendida, em certa medida, como uma espécie de limitação. 
A jurisprudência do STF é bastante rica sobre o assunto, por isso 
parece-nos suficiente a interpretação da Súmula 686 do STF: 
Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a 
habilitação de candidato a cargo público. 
Não há dúvida: só a LEI pode exigir exames psicotécnicos. Para o 
STJ, a exigência de psicotécnicos demanda a observância de três 
fatores [RMS 29087]: 
- Previsão legal: não basta, por exemplo, a simples previsão 
em Edital; 
- Cientificidade e objetividade dos critérios adotados: o que 
afasta amadorismos de teste empregados sem qualquer rigor 
científico; 
- Possibilidade de revisão do resultado obtido pelo 
candidato: o direito de uma segunda opinião é inerente à 
natureza humana. 
Fixação 
CESPE - OI (ABIN)/2008 
Na segunda fase do concurso para provimento de cargo de policial, Flávio 
matriculou-se no curso de formação, já que tinha sido aprovado nas provas 
objetivas, no exame psicotécnico e no teste físico, que compunham a chamada 
primeira fase. No entanto, a administração pública anulou o teste físico, 
remarcando nova data para a sua repetição, motivo pelo qual foi anulada a 
inscrição de Flávio no curso de formação. 
Acerca dos atos administrativos referentes à situação hipotética apresentada, 
julgue o item subsequente. 
Conforme entendimento do STF, o exame psicotécnico, para ser admitido em 
concursos públicos, deve estar previsto em lei e conter critérios objetivos de 
reconhecido caráter científico, sendo prescindível a possibilidade de reexame na 
esfera administrativa.2 
Sétimo ponto. 
 
2 Gabarito: Errado. 
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O concurso para seleção de servidores é diferente do concurso 
modalidade de licitação. Pode parecer sem sentido dizer isso, mas há 
bancas organizadoras que insistem em cobrar em provas. Os de lá 
(de Licitações) têm por objeto a escolha de um ALGO (trabalho 
técnico, artístico, científico), e os de cá (Lei 8.112/1990), a escolha 
de ALGUÉM. Portanto, não podem ser confundidos. 
Fixação 
(2013/CESPE/TELEBRAS/Analista Administrativo) O concurso é 
a modalidade de licitação utilizada para escolha de trabalho técnico e 
científico ou provimento de cargos públicos, devendo os critérios de 
seleção empregados nessa modalidade constarem em edital. 
Comentários: 
Esse item é um ‘clássico’ em provas. E essa prova é de 2013! Na realidade, 
os concursos, como modalidade de licitação, destinam-se à seleção de 
trabalhos técnicos, artísticos ou científicos (§ 5º do art. 22 da Lei 
8.666/1993). Já os concursos para seleção de ocupantes de cargos públicos 
são regidos pela Lei 8.112/1990, em âmbito federal. Daí o erro do item, já 
que se trata de concursos distintos – um, para seleção de ALGO (trabalhos), 
regido pela Lei 8.666/1993; outro, para seleção de ALGUÉM (servidores), 
regido pela Lei 8.666/1993. 
Gabarito: ERRADO. 
Oitavo ponto. 
A publicidade do edital norteador do certame. Como ato 
administrativo que é, o edital precisa ser tornado público. Quanto a 
isso, não pode mais haver dúvidas a essa hora, ok? A questão é 
saber qual o instrumento que deve ser utilizado para divulgá-lo, e, 
sobretudo, as convocações dos candidatos aprovados. Quanto ao 
edital, afirma a Lei 8.112, de 1990 (art. 12): 
§ 1o O prazo de validade do concurso e as condições de sua 
realização serão fixados em edital, que será publicado no Diário 
Oficial da União e em jornal diário de grande circulação. 
Para a doutrina, o ideal seria que o próprio edital informasse datas 
prováveis de realização das provas, de divulgação dos resultados, de 
convocação para a posse e tudo o mais. Só que isso muitas vezes não 
é possível, uma vez que a Administração, como todos nós, pode 
sofrer contingências. Daí, cumpre aos candidatos acompanhar as 
divulgações de resultado. Mas, por onde, não é? Seria o caso de ler o 
Diário Oficial todos os dias? Sobre o tema, vejamos trecho de decisão 
do STJ (AgRg/RMS 37.227): 
DIREITO ADMINISTRATIVO. DIREITO DO CANDIDATO 
APROVADO EM CONCURSO PÚBLICO A SER COMUNICADO 
PESSOALMENTE SOBRE SUA NOMEAÇÃO. 
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O candidato tem direito a ser comunicado pessoalmente sobre 
sua nomeação no caso em que o edital do concurso estabeleça 
expressamente o seu dever de manter atualizados endereço e 
telefone, não sendo suficiente a sua convocação apenas por 
meio de diário oficial se, tendo sido aprovado em posição 
consideravelmente fora do número de vagas,decorrer curto 
espaço de tempo entre a homologação final do certame e a 
publicação da nomeação. 
Nessa situação, a convocação do candidato apenas por 
publicação em Diário Oficial configura ofensa aos princípios da 
razoabilidade e da publicidade. A existência de previsão 
expressa quanto ao dever de o candidato manter atualizado seu 
telefone e endereço demonstra, ainda que implicitamente, o 
intuito da Administração Pública de, no momento da nomeação, 
entrar em contato direto com o candidato aprovado. Ademais, 
nesse contexto, não seria possível ao candidato construir real 
expectativa de ser nomeado e convocado para a posse em curto 
prazo. Assim, nessa situação, deve ser reconhecido o direito do 
candidato a ser convocado, bem como a tomar posse, após 
preenchidos os requisitos constantes do edital do certame. 
Precedente citado: AgRg no RMS 35.494-RS. 
A decisão acima cuida dos candidatos aprovados fora das vagas 
previstas no edital. Quanto aos candidatos aprovados dentro do 
número de vagas, o STJ (RMS 22.508) assim se manifestou: 
Estado é obrigado a intimar pessoalmente nomeado em 
concurso público 
A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu 
restabelecer o prazo para que uma mulher nomeada em 
concurso público apresente os documentos necessários e realize 
os exames médicos exigidos para a posse no cargo de 
assistente administrativo do estado de Roraima. A mulher 
afirmou que mora numa cidade que não tem acesso ao Diário 
Oficial e, por isso, não tomou conhecimento de sua nomeação. 
Por isso, perdendo o prazo para apresentar a documentação. 
No STJ, o recurso em mandado de segurança foi impetrado 
contra a decisão do Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR) que, 
ao negar o pedido, afirmou que não há no edital qualquer 
previsão de convocação pessoal dos candidatos para qualquer 
ato relativo ao concurso. 
A defesa da candidata alega que a manutenção da posição do 
TJRR ofende o direito individual líquido e certo dela ser 
empossada no cargo para o qual conseguiu aprovação em 
concurso público. Para tanto, citou a Súmula 16 do Supremo 
Tribunal Federal (STF), que afirma que todo funcionário 
nomeado por concurso público tem direito à posse. Afirmou, 
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ainda, que o Estado tem a obrigação de promover sua 
intimação pessoal, ainda mais porque ela é servidora efetiva do 
estado de Roraima, não devendo ser reconhecida sua 
responsabilidade pelo prejuízo causado, uma vez que tal 
intimação não ocorreu. Por fim, solicitou a restituição do prazo 
para a posse. 
Para a relatora, ministra Laurita Vaz, mesmo que no edital não 
haja norma prevendo a intimação pessoal de candidato, a 
administração pública tem o dever de intimar pessoalmente 
quando há o decurso de tempo razoável entre a homologação 
do resultado e a data da nomeação – nesse caso, mais de um 
ano –, em atendimento aos princípios constitucionais da 
publicidade e razoabilidade. 
Os ministros da Quinta Turma seguiram o voto da relatora para 
que seja restituído o prazo para a apresentação dos 
documentos. Eles levaram em consideração que, mesmo com 
as dificuldades de acesso à informação, a nomeada protocolou 
pedido administrativo de nomeação e posse no cargo, 
aproximadamente 60 dias após a publicação do edital de 
convocação. A decisão foi unânime. 
Precedentes 
O caso não é inédito, mas reforça a nova jurisprudência que o 
STJ está firmando sobre o tema. A relatora do recurso, ministra 
Laurita Vaz, citou dois precedentes do STJ. Em 2008, a Quinta 
Turma decidiu que um candidato aprovado em concurso para 
escrivão da Polícia Civil do Estado da Bahia teria direito a nova 
convocação para posse. Ele foi informado da nomeação apenas 
por publicação no Diário Oficial do estado. O relator foi o 
ministro Arnaldo Esteves Lima (RMS 22508). 
Este ano, a Sexta Turma aderiu ao mesmo entendimento. 
Seguindo voto da ministra Maria Thereza de Assis Moura, o 
órgão considerou uma violação aos princípios da publicidade e 
da razoabilidade a efetivação do ato de nomeação somente 
mediante publicação no diário oficial. No caso analisado, 
também não havia previsão expressa de intimação pessoal do 
candidato. O concurso era para procurador do estado de Minas 
Gerais e a nomeação se deu mais de três anos da data de 
homologação do concurso (RMS 21554). 
Entenda que o candidato tem o direito de ser notificado pessoalmente 
acerca de sua convocação para a posse. A mera notificação via diário 
oficial, portanto, é insuficiente para isso. 
Nono ponto. 
Não se pode atrelar o valor da inscrição ao salário mínimo. Na visão 
do STF é inconstitucional. 
Décimo ponto. 
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O controle judicial das questões formuladas para as provas de 
um concurso. 
De modo geral, tem-se entendido como indevido o controle judicial 
das questões de prova de um concurso. Entretanto, esse 
posicionamento encontra exceções. Nesse quadro, já decidiu o STF: 
MS N. 30.859-DF 
RELATOR: MIN. LUIZ FUX 
EMENTA: MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. 
ANULAÇÃO DE QUESTÕES DA PROVA OBJETIVA. 
DEMONSTRAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À ORDEM DE 
CLASSIFICAÇÃO E AOS DEMAIS CANDIDATOS. PRINCÍPIO DA 
ISONOMIA OBSERVADO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO 
COMPROVADOS. PRETENSÃO DE ANULAÇÃO DAS QUESTÕES 
EM DECORRÊNCIA DE ERRO GROSSEIRO DE CONTEÚDO NO 
GABARITO OFICIAL. POSSIBILIDADE. CONCESSÃO PARCIAL DA 
SEGURANÇA. 
1. A anulação, por via judicial, de questões de prova objetiva de 
concurso público, com vistas à habilitação para participação em 
fase posterior do certame, pressupõe a demonstração de que o 
Impetrante estaria habilitado à etapa seguinte caso essa 
anulação fosse estendida à totalidade dos candidatos, mercê 
dos princípios constitucionais da isonomia, da impessoalidade e 
da eficiência. 
2. O Poder Judiciário é incompetente para, substituindo-se à 
banca examinadora de concurso público, reexaminar o 
conteúdo das questões formuladas e os critérios de correção 
das provas, consoante pacificado na jurisprudência do Supremo 
Tribunal Federal. Precedentes (v.g., MS 30433 AgR/DF, Rel. 
Min. GILMAR MENDES; AI 827001 AgR/RJ, Rel. Min. JOAQUIM 
BARBOSA; MS 27260/DF, Rel. Min. CARLOS BRITTO, Red. para 
o acórdão Min. CÁRMEN LÚCIA), ressalvadas as hipóteses em 
que restar configurado, tal como in casu, o erro grosseiro no 
gabarito apresentado, porquanto caracterizada a ilegalidade do 
ato praticado pela Administração Pública. 
3. Sucede que o Impetrante comprovou que, na hipótese de 
anulação das questões impugnadas para todos os candidatos, 
alcançaria classificação, nos termos do edital, habilitando-o a 
prestar a fase seguinte do concurso, mediante a apresentação 
de prova documental obtida junto à Comissão Organizadora no 
exercício do direito de requerer certidões previsto no art. 5º, 
XXXIV, “b”, da Constituição Federal, prova que foi juntada em 
razão de certidão fornecida pela instituição realizadora do 
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concurso público. 4. Segurança concedida, em parte, tornando-
se definitivos os efeitos das liminares deferidas. 
Para confirmar, analisemosoutro trecho de decisão do STF: 
A adequação das questões da prova ao programa do 
edital de concurso público constitui tema de legalidade 
suscetível de exame pelo Poder Judiciário. Com base nesse 
entendimento, a Turma negou provimento a recurso 
extraordinário interposto pelo Estado do Rio Grande do Sul 
contra acórdão do Tribunal de Justiça deste Estado que, ao 
conceder parcialmente mandado de segurança, anulara 
questões relativas a concurso público para o cargo de juiz de 
direito substituto. No caso concreto, o tribunal a quo, aplicando 
a jurisprudência do STF — no sentido da inviabilidade da 
revisão de provas de concursos públicos pelo Poder Judiciário 
ou para a correção de eventuais falhas na elaboração das suas 
questões, recusara-se a rever a correção técnica da formulação 
de alguns quesitos da prova, mas, de outro lado, entendera que 
duas questões diziam respeito a assunto não incluído no 
edital, referindo-se, portanto, à matéria de legalidade 
consistente na pertinência das questões ao programa do 
edital. Asseverou-se que o edital, nele incluído o programa, 
é a lei do concurso e, por isso, suas cláusulas obrigam os 
candidatos e a Administração Pública. Por conseguinte, 
havendo controvérsia acerca da legalidade do ato e pretensão 
de direito subjetivo lesado a apurar, é cabível o acesso à 
jurisdição (CF, art 5º, XXXV). Precedentes citados: RE 
192568/PI (DJU de 7.2.97) e RE 268244/CE (DJU de 
30.6.2000). 
Enfim, não está o Judiciário impedido de controlar a formulação de 
questões de provas de concursos, desde que isso se dê nos aspectos 
de legalidade. 
Por fim, cumpre reforçar que a regra do concurso público não é 
absoluta. De fato, há situações que não demandam concurso. 
Exemplos: 
a) Cargos em comissão: já que são de livre nomeação (parte 
final do inc. II do art. 37 da CF/1988); 
b) Ocupação de mandatos eletivos: Presidente da República, 
Deputados e Senadores, por exemplo; 
c) Autoridades expressamente mencionadas pela CF/1988: 
Ministros do STF e do TCU, por exemplo; 
d) Agentes comunitários de saúde e de combate a 
endemias: dispõe o art. 198 da CF: 
§ 4º Os gestores locais do sistema único de saúde poderão 
admitir agentes comunitários de saúde e agentes de combate 
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às endemias por meio de processo seletivo público, de acordo 
com a natureza e complexidade de suas atribuições e requisitos 
específicos para sua atuação. 
Por conta disso, foi editada a Lei 11.350/2006, que exige um 
processo seletivo de provas e títulos para a seleção dos 
agentes em questão. É de causar estranheza a combinação de 
um processo seletivo com provas e títulos, à semelhança de um 
concurso, mas, enfim, é a expressão utilizada pela CF/1988. 
e) contratados por tempo determinado: mais conhecidos 
como temporários, em âmbito federal também não precisam 
passar por concursos públicos. 
Fixação 
INSTITUTO CIDADES - DP AM/2011 
Sabe-se que o concurso público é obrigatório para admissão de 
servidores na Administração Pública, podendo deixar de ser exigido 
em algumas situações, citando-se entre elas: 
a) contratação sob regime celetista em empresas estatais. 
b) contratação sob regime estatutário nas autarquias públicas. 
c) contratação por tempo determinado, para atender a necessidade 
temporária de excepcional interesse público. 
d) servidor transposto de uma carreira para outra. 
e) admissão de servidor já submetido a concurso anterior para outro 
cargo.3 
 
Fixação 
(2012/FEMPERJ/VALEC/Advogado) - Antonio de Tal prestou 
concurso público de provas e títulos para o preenchimento de cargo 
no âmbito da estrutura do Poder Executivo do Estado. O edital 
ofertava 50 vagas, sendo que a Administração Pública não procedeu à 
nomeação de nenhum dos aprovados, optando por efetivar a 
contratação temporária de outras pessoas, sob o fundamento de ser 
tal procedimento menos oneroso ao erário, já que os servidores 
ocupantes de cargos públicos gozam de vantagens não extensivas 
aos temporários. Inconformado, Antonio pretende recorrer ao 
Judiciário, procurando orientação. Nessa circunstância, é possível 
esclarecer a Antonio que o candidato aprovado em concurso público: 
(A) tem sempre direito líquido e certo à nomeação, ainda que fora do 
número de vagas do edital, porque ao publicar o edital do concurso 
oferecendo vagas, a Administração Pública vincula-se a ele; 
 
3 Gabarito: letra C. 
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(B) tem sempre direito líquido e certo à nomeação dentro do número 
de vagas do edital, porque ao publicar o edital e receber a inscrição 
do interessado, a Administração Pública celebra verdadeiro contrato 
administrativo, obrigando-se a cumprir suas cláusulas; 
(C) fora do número de vagas do edital jamais pode opor qualquer 
direito à Administração Pública, razão pela qual, na hipótese, deve 
conformar-se com a decisão administrativa, até porque não pode 
preterir a ordem de classificação. 
(D) ainda que fora do número de vagas do edital, pode reclamar sua 
nomeação para o cargo oferecido, desde que a requeira dentro do 
prazo de validade do certame; 
E) ainda que fora do número de vagas do edital, tem direito líquido e 
certo à nomeação quando a Administração Pública procede à 
contratação temporária de terceiros para preenchimento dos mesmos 
cargos ofertados no edital, durante o prazo de validade do concurso. 
Comentário: 
A questão incorpora o entendimento atual do STF acerca do assunto. 
De imediato, são eliminadas as alternativas “A”, “B” e “C”. E, ainda, nota 
que o examinador pede o ESCLARECIMENTO a ser dado a Antônio. Por isso, 
o item mais completo é a Letra “E”, já que a letra D não é bem o que STF 
pensa. 
Para arrematar, agora veja o julgado do STF: 
AG. REG. NO RMS N. 29.915-DF 
RELATOR: MIN. DIAS TOFFOLI 
Ementa: Agravo regimental em recurso ordinário em mandado 
de segurança. Concurso público. Contratação precária de 
terceirizados. Preterição de concursados. Não comprovação da 
existência de vagas de caráter efetivo. Ausência de direito 
líquido e certo. Agravo regimental a que se nega provimento. 
1. É posição pacífica desta Suprema Corte que, havendo vaga e 
candidatos aprovados em concurso público vigente, o exercício 
precário, por comissão ou terceirização, de atribuições próprias de 
servidor de cargo efetivo faz nascer para os concursados o direito à 
nomeação, por imposição do art. 37, inciso IV, da Constituição 
Federal. 
2. O direito subjetivo à nomeação de candidato aprovado em 
concurso vigente somente surge quando, além de constatada a 
contratação em comissão ou a terceirização das respectivas 
atribuições, restar comprovada a existência de cargo efetivo vago. 
Precedentes. 
3. No caso em questão, não ficou comprovada, nos documentos 
acostados aos autos, a existência de vaga efetiva durante a vigência 
do concurso, sendo necessário, para tanto, que haja dilação 
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probatória, o que não se admite em via mandamental. Ausência de 
direito líquido e certo do agravante. 
4. Agravo regimentala que se nega provimento. 
Pelo STF, seria o seguinte: no caso de contratação de temporários ou 
comissionados, em lugar de ocupantes de cargos efetivos, surgiria para 
estes últimos, aprovados em concurso público, o direito de serem 
nomeados. Entretanto, a Suprema Corte asseriu, ainda, que tal direito só 
configuraria caso se comprovasse a ocorrência de duas condições: a 
contratação de comissionados ou terceirizados para desempenho de 
atribuições correspondentes a cargos efetivos e, comprovação da existência 
de cargo efetivo vago. No caso examinado (ver julgado do STF abaixo), não 
se comprovou a última condição (ver o destaque feito). Mas, de fato, o 
problema residiu na via processual escolhida, uma vez que o Mandado de 
Segurança, por tutelar direito líquido e certo (inc. XIX do art. 5º da CF) não 
suporta dilação probatória, ou seja, discussão das provas, o que não se 
amolda ao MS, insista-se. 
Gabarito: alternativa E. 
Fixação 
CESPE - PJ (MPE PI)/2012 
Paulo, aprovado em concurso público para provimento de cargo em 
determinado órgão da administração pública direta, não foi nomeado, 
apesar da existência de cargo vago e da necessidade administrativa 
de provê-lo, dada a publicação, pelo citado órgão, de edital de novo 
certame. 
Considerando a situação hipotética acima apresentada, assinale a 
opção correta com base na jurisprudência do STF acerca da matéria. 
a) Se a administração tiver recusado a nomeação do candidato sob o 
argumento da inexistência de vaga, revelando-se essa motivação 
factualmente equivocada, em face da constatação da existência de 
cargo vago, o candidato aprovado terá direito à nomeação, com 
fundamento na teoria da vinculação do administrador ao motivo 
determinante do seu ato. 
b) Não havendo vacância do cargo para cujo provimento Paulo foi 
aprovado no citado concurso público, poderá a administração nomeá-
lo para outro cargo, presente a necessidade administrativa após a 
realização do certame, ainda que sem previsão no edital, desde que 
haja semelhança entre os cargos e estes sejam oferecidos no mesmo 
órgão administrativo. 
c) Causaria grave lesão à ordem pública decisão judicial que 
determinasse a observância da ordem classificatória no concurso 
público em questão, a fim de evitar a preterição de Paulo pela 
contratação de temporários em razão da necessidade do serviço. 
d) O não provimento, pela administração pública, do cargo vago em 
detrimento da aprovação de Paulo no concurso público deve ser 
motivado; entretanto, tal motivação, por veicular razões de 
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oportunidade e conveniência, não é suscetível de apreciação 
jurisdicional, sob pena de vulneração do princípio da separação dos 
poderes. 
e) É incabível, no caso relatado, a impetração de mandado de 
segurança, visto que a participação e a aprovação em concurso 
público não geram, em relação à nomeação, direito líquido e certo, 
mas mera expectativa de direito. 
Gabarito: Letra A 
Comentários: 
No RE 598099, o Supremo Tribunal Federal (STF) dispôs sobre a 
obrigatoriedade de a Administração Pública em nomear candidatos 
aprovados dentro no número de vagas oferecidas no edital do concurso 
público. O candidato aprovado em concurso público possui direito subjetivo à 
nomeação e não apenas expectativa de direito. 
Para o STF, a Administração Pública está vinculada ao número de vagas 
previstas no edital. O dever de boa-fé da Administração exige o respeito 
incondicional às regras do edital, inclusive quanto à previsão das vagas no 
concurso público, como decorrência, inclusive, do necessário e incondicional 
respeito à segurança jurídica. 
Quando a Administração torna público um edital de concurso convocando 
todos os cidadãos a participarem da seleção para o preenchimento de 
determinadas vagas no serviço público, gera uma expectativa quanto ao seu 
comportamento segundo as regras previstas nesse edital. Aqueles cidadãos 
que decidem se inscrever e participar do certame público depositam sua 
confiança no Estado-administrador, que deve atuar de forma responsável 
quanto às normas do edital e observar o princípio da segurança jurídica 
como guia de comportamento. 
No entanto, como registrado pelo Supremo, a Administração poderá 
escolher, dentro do prazo de validade do concurso, o momento no qual 
se realizará a nomeação, mas não poderá dispor sobre a própria nomeação, 
a qual, de acordo com o edital, passa a constituir um direito do concursando 
aprovado e, dessa forma, um dever imposto ao poder público. 
Abriu-se uma fenda para "situações excepcionalíssimas", enfim, que 
justifiquem soluções diferenciadas devidamente motivadas de acordo com o 
interesse público. Não se pode ignorar que determinadas situações 
excepcionais podem exigir a recusa da administração de nomear novos 
servidores. 
E, por excepcionais, tais situações devem apresentar as seguintes 
características, na visão da Corte Máxima do Judiciário: 
>> Superveniência - eventuais fatos ensejadores de uma situação 
excepcional devem ser necessariamente posteriores à publicação de edital 
do certame público; 
>> Imprevisibilidade - a situação deve ser determinada por circunstâncias 
extraordinárias à época da publicação do edital; 
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>> Gravidade - os acontecimentos extraordinários e imprevisíveis devem 
ser extremamente graves, implicando onerosidade excessiva, dificuldade ou 
mesmo impossibilidade de cumprimento efetivo das regras do edital; 
>> Crises econômicas de grandes proporções; 
>> Guerras; 
>> Fenômenos naturais que causem calamidade pública ou comoção 
interna; 
>> Necessidade - a administração somente pode adotar tal medida quando 
não existirem outros meios menos gravosos para lidar com a situação 
excepcional e imprevisível. 
Gabarito: alternativa A. 
4.2. Acumulação de cargos 
A regra é que se veda a acumulação remunerada de cargos, 
empregos e funções públicos, seja na Administração Direta, seja na 
Administração Indireta (inc. XVI do art. 37 da CF/1988). A regra da 
não acumulação abrange, portanto, também autarquias, fundações, 
empresas públicas, e sociedades de economia mista, em quaisquer 
esferas da federação (União, Estados, Distrito Federal, e Municípios). 
A partir da EC 19/1998, a regra da não acumulação passou a alcançar 
as subsidiárias das Entidades, acima listadas, bem como as 
sociedades controladas direta ou indiretamente pelo Poder Público. 
Perceba que o texto constitucional veda a acumulação de atribuições 
públicas, por consequência, a presente regra não é impeditiva de 
ocupações privadas por parte do servidor público, desde que, 
obviamente, tais ocupações não sejam incompatíveis com o cargo 
exercido pelo servidor (p. ex.: a Lei 8.112/1990 veda a gerência de 
sociedades empresariais). 
Por exceção, a CF, de 1988, admite acumulações, devendo, nesse 
caso, serem observados dois pressupostos: observância do teto 
remuneratório e compatibilidade de horários. Não havendo 
compatibilidade de horários, toda e qualquer acumulação de cargos e 
empregos públicos será vedada. Na jurisprudência do Tribunal de 
Contas da União, há o entendimento de que a acumulação tem de ser 
analisada caso a caso, afastando-se precedentes anteriores que 
previam jornada máxima de 60 horas. Vejamos: 
NoAcórdão 1.338/2011-Plenário, mencionado no Relatório 
precedente, prevaleceu o entendimento de que a 
compatibilidade de horários e o prejuízo às atividades 
exercidas deviam ser verificados caso a caso, ante a 
ausência de lei específica tratando desse assunto. Tal 
apuração, ademais, poderia ficar a cargo dos próprios órgãos e 
entidades a que estivessem vinculados os servidores. 
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A acumulação deve ser analisada a partir de cada circunstância, isto 
é, não há uma regra padrão. E mais: a acumulação deve ser 
verificada na posse do cargo (não na nomeação ou no exercício), já 
que este é o ato que aperfeiçoará a relação jurídica do, agora, 
servidor com a Administração Pública. 
Outro ponto a ser levado em consideração diz respeito à observância 
dos tetos constitucionais remuneratórios, estabelecidos no art. 37, 
XI, da CF, os quais, no caso de acumulação de cargos e empregos 
públicos, não poderão ser superados. 
De acordo com o inc. XVI do art. 37 da CF é permitida a acumulação 
de cargos e empregos públicos nas seguintes situações: 
a) dois cargos de professor; 
b) um cargo de professor com outro técnico ou científico; 
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de 
saúde, com profissões regulamentadas. 
Não há maiores controvérsias no que diz respeito à acumulação de 
dois cargos de Professor. Todavia, não é o que se verifica nas duas 
outras hipóteses. 
Há falta de precisão no que se refere à definição de cargo técnico ou 
científico, o que tem provocado algumas dúvidas na interpretação 
que se faz da expressão. A despeito das controvérsias, pode-se 
afirmar que há possibilidade de cargos de nível médio serem tidos 
como técnicos, desde que as características de seu exercício possam 
ser entendidas como técnicas. 
São exemplos de cargos de nível médio, entendidos como de 
características técnicas: Programador, Técnico de laboratório, Técnico 
de Contabilidade, Auxiliar de Enfermagem, e desenhista. 
Já os cargos de nível médio, cujas atribuições sejam de baixa 
complexidade, no mais das vezes fazendo parte da rotina 
administrativo-burocrática do Estado, não devem ser considerados 
“técnicos ou científicos”, não podendo, por consequência, serem 
acumulados com outro de professor. São exemplos: Agentes 
Administrativos e Agente de Portaria. 
Em idêntico sentido, pode-se afirmar que nem todos os cargos de 
nível superior são técnicos ou científicos. Por exemplo, os analistas 
administrativos que não tenham por atribuição tarefas técnicas, como 
analistas da área meio de Tribunais Judiciais. Logo, não cabe cogitar 
de acumulação neste caso, pois, ainda que se trate de um cargo de 
professor, o outro não é visto como técnico. Sobre o tema, vejamos 
uma questão de prova: 
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(2006/CESPE/TRF-5/JUIZ) Suponha que Pedro seja 
professor em uma universidade pública. Nesse caso, ele 
poderá acumular o seu cargo de professor com um 
cargo de analista judiciário, área meio, em tribunal 
regional federal. 
Como o Pedro da questão é analista da área meio, não poderia 
acumular o cargo com o de professor. Daí o erro da questão. 
Professor, e os aposentados, podem acumular cargos 
públicos? 
Havia certa controvérsia doutrinária se os aposentados poderiam ou 
não acumular os proventos da aposentadoria com a retribuição 
pecuniária do cargo, emprego ou função. Ocorre que tal dúvida foi 
resolvida pela EC 19/1998, que conferiu ao §10 do art. 37 da CF a 
seguinte redação: 
É vedada a percepção simultânea de proventos de 
aposentadoria decorrente do art. 40 ou dos arts. 42 e 
142 com a remuneração de cargo, emprego ou função 
pública, ressalvados os cargos acumuláveis na forma 
desta Constituição, os cargos eletivos e os cargos em 
comissão declarados em lei de livre nomeação e 
exoneração. 
Assim, o aposentado pode acumular os proventos recebidos com: 
I) a retribuição pecuniária de outro cargo/emprego/função, 
desde que a hipótese de acumulação fosse permitida caso em 
atividade estivesse; 
II) cargos eletivos (de Deputado, Prefeito, Governador, por 
exemplo); e 
III) cargos em comissão. 
Professor, então se sou servidor aposentado do Banco do 
Brasil ou da Caixa Econômica Federal, não poderei acumular 
os proventos com a remuneração? 
Excelente quesito! 
Dispõe a CF: “É vedada a percepção simultânea de proventos de 
aposentadoria decorrente do art. 40 ou dos arts. 42 e 142 com a 
remuneração (...)”. Perceba que não há menção ao art. 201 da CF, 
que cuida do Regime Geral de Previdência Social. A vedação alcança 
apenas os Regimes Próprios dos Servidores Públicos e o sistema 
especial dos Militares. Logo, os aposentados pelo RGPS, como é o 
caso dos empregados públicos das empresas governamentais, 
podem retornar à ativa, e, por conseguinte, acumularem, 
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regularmente, os proventos com a remuneração do cargo, emprego 
ou função. 
Há que se destacar, ainda, que as hipóteses de acumulação referem-
se a dois cargos, empregos ou funções públicos. Assim, não se 
admite o acúmulo de três ou mais cargos ou empregos, ainda que 
algum deles provenha da aposentadoria. Há apenas uma hipótese de 
acumulação de três cargos, em virtude da norma temporária contida 
no §1º do art. 17 da ADCT: dois de médico civil, com outro de médico 
militar. 
Fixação 
Em 2000, João ingressou no serviço público federal como médico 
concursado de um hospital público. Desde 2008, João é o diretor 
desse hospital e, em 2010, ele foi aprovado em concurso e nomeado 
para o cargo de professor em uma universidade federal. Em virtude 
do grande volume de trabalho nos dois cargos, João sai, 
habitualmente, da universidade, durante as aulas, para atender 
chamados urgentes do hospital. Nos momentos em que se ausenta 
da universidade, João comunica a ausência a um colega professor, 
que, então, o substitui. A filha de João ocupa cargo de confiança, 
como sua assessora, na direção do hospital, o que o deixa à vontade 
para se ausentar do hospital com frequência, pois sabe que o deixa 
em boas mãos. Com referência à situação hipotética acima, e 
considerando as normas aplicáveis aos servidores públicos federais, 
julgue o item. 
(2011/CESPE/TRE-ES/An.Administr.) João pode acumular os 
dois cargos públicos em questão. 
Comentários: 
Relembre-se o que a CF diz a respeito da acumulação de cargos, no art. 37: 
XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, 
quando houver compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o 
disposto no inciso XI. 
a) a de dois cargos de professor; 
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico; 
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com 
profissões regulamentadas; 
Certamente, alguns candidatos ficaram em dúvida com relação à situação de 
João, uma vez que os cargos que ele ocupa são de médico e de professor. 
Entretanto, veja o que diz a alínea ‘b’ do dispositivo logo acima transposto. 
O cargo de médico é de caráter técnico, sem dúvida, pois exige 
conhecimento especializado. E o outro cargo é de professor,no caso de 
João. A acumulação, portanto, é possível, à luz de tal dispositivo e o item 
está CORRETO, em consequência. 
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Gabarito: CERTO. 
Outras hipóteses de acumulação permitidas pela CF, de 1988: 
a) Mandato de Vereador com as vantagens de cargo, emprego 
ou função, sem prejuízo do subsídio do cargo eletivo. Nesse 
caso, é exigida compatibilidade de horários; 
b) Ministro do TCU com outra função de magistério (art. 73, §3º, 
da CF/1988); 
c) Magistrado com uma função de magistério (art. 95, parágrafo 
único, I, da CF/1988); e, 
d) Membro do Ministério Público com outra função pública de 
magistério (art. 128, § 5º, II, d, da CF/1988). 
Duas últimas observações: 
- Há regra específica para aqueles que acumulavam cargo ativo 
com proventos de aposentadoria antes da promulgação da EC 
19/1998. Para os inativos daquele tempo que houvessem 
ingressado antes da Emenda, garantiu-se o direito à 
acumulação, mesmo que se tratasse de cargos inacumuláveis 
na atividade. Entretanto, isso é uma situação de transição – 
quando o servidor em questão fosse se aposentar, teria de 
fazer opção, isto é, não poderia ficar recebendo as duas 
aposentadorias, mesmo que, na atividade, viesse 
recendo a remuneração pelo cargo ativo mais aos 
proventos correspondentes ao cargo da inatividade. A 
acumulação só seria possível caso se tratasse de cargos 
acumuláveis na atividade; e 
- De modo geral, cargos em comissão demandam dedicação 
exclusiva de seus ocupantes. Entretanto, pode acontecer de um 
servidor comissionado ter de exercer interinamente um cargo 
em comissão. Nesse caso, por se tratar de uma situação 
absolutamente transitória, há dispositivos legais que o 
permitam (art. 9o da Lei 8.112/1990, por exemplo). 
4.3. Contratação Temporária 
Vamos ler “juntos” o inc. IX do art. 37 da CF/1988: 
A lei estabelecerá os casos de contratação por tempo 
determinado para atender a necessidade temporária de 
excepcional interesse público. 
Para a contratação temporária há a exigência de lei. E, apesar de a 
União competir legislar privativamente sobre Direito do Trabalho, tais 
leis devem ser editadas por cada um dos Entes da Federação, isto 
é, a Lei da União (nº 8.745, de 1993) não se aplica aos demais Entes 
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da Federação. É preciso que os demais entes federativos possuam 
suas próprias leis a respeito. 
A CF, de 1988, exige concurso público para cargos e empregos 
públicos (inc. II do art. 37), por isso não há necessidade de 
concurso para os temporários. 
Professor, mas os temporários não têm cargo ou emprego 
público? 
Não! Eles desempenham FUNÇÕES públicas, em razão de 
necessidade temporária. Falemos um pouco mais sobre o assunto, 
pois está, cada vez mais, presente nos concursos públicos. 
Fixação 
CESPE - EPF/2004 
No item a seguir, é apresentada uma situação hipotética, seguida de 
uma assertiva a ser julgada. 
Nelson foi recentemente contratado pela União para exercer função 
pública mediante contrato por tempo determinado para atender a 
necessidade temporária de excepcional interesse público. 
Nessa situação, Nelson ocupa emprego público. 
Comentários: 
Como dito, temporários não ocupam cargos ou empregos públicos. Diferente 
disso, tais agentes ocupam funções. 
Gabarito: ERRADO. 
Abaixo, serão destacados julgados do STF acerca das contratações 
temporárias, em que se enfatiza que tais contratações não podem ser 
utilizadas indiscriminadamente, para atividades da rotina 
administrativa. 
O caso mais clássico é o relacionado às atividades da Defensoria 
Pública. Vejamos parte do teor da ADIN 3700, apreciada em 2008: 
Contratação Temporária de Advogado e Exercício da 
Função de Defensor Público 
Por vislumbrar ofensa ao princípio do concurso público 
(CF, art. 37, II), o Tribunal julgou procedente pedido 
formulado em ação direta ajuizada pelo Conselho Federal 
da Ordem dos Advogados do Brasil, para declarar a 
inconstitucionalidade da Lei 8.742/2005, do Estado do Rio 
Grande do Norte, que dispõe sobre a contratação 
temporária de advogados para o exercício da função de 
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Defensor Público, no âmbito da Defensoria Pública do 
referido Estado-membro. Considerou-se que, em razão 
de desempenhar uma atividade estatal permanente 
e essencial à jurisdição, a Defensoria Pública não 
convive com a possibilidade de que seus agentes 
sejam recrutados em caráter precário. Asseverou-se 
ser preciso estruturá-la em cargos de provimento efetivo, 
cargos de carreira, haja vista que esse tipo complexo de 
estruturação é que garante a independência técnica das 
Defensorias, a se refletir na boa qualidade da assistência 
a que têm direito as classes mais necessitadas. 
Precedente citado: ADI 2229/ES (DJU de 25.6.2004). 
Os destaques não constam do texto original. O caso é incidental, ou 
seja, tratou especificamente das atividades dos Defensores. 
Todavia, mais recentemente, o Supremo fixou, de forma mais clara, 
parâmetros para as contratações temporárias. Vejamos: 
ADI N. 3.430-ES 
RELATOR: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI 
EMENTA: CONSTITUCIONAL. LEI ESTADUAL CAPIXABA 
QUE DISCIPLINOU A CONTRATAÇÃO TEMPORÁRIA DE 
SERVIDORES PÚBLICOS DA ÁREA DE SAÚDE. POSSÍVEL 
EXCEÇÃO PREVISTA NO INCISO IX DO ART. 37 DA LEI 
MAIOR. INCONSTITUCIONALIDADE. ADI JULGADA 
PROCEDENTE. 
I – A contratação temporária de servidores sem concurso 
público é exceção, e não regra na Administração Pública, 
e há de ser regulamentada por lei do ente federativo que 
assim disponha. 
II – Para que se efetue a contratação temporária, é 
necessário que não apenas seja estipulado o prazo de 
contratação em lei, mas, principalmente, que o serviço a 
ser prestado revista-se do caráter da temporariedade. 
III – O serviço público de saúde é essencial, jamais 
pode-se caracterizar como temporário, razão pela 
qual não assiste razão à Administração estadual 
capixaba ao contratar temporariamente servidores 
para exercer tais funções. 
IV – Prazo de contratação prorrogado por nova lei 
complementar: inconstitucionalidade. 
V – É pacífica a jurisprudência desta Corte no sentido de 
não permitir contratação temporária de servidores para a 
execução de serviços meramente burocráticos. Ausência 
de relevância e interesse social nesses casos. 
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VI – Ação que se julga procedente. 
* noticiado no Informativo 555 
O trecho negritado é para que se registre que as atividades 
consideradas essenciais não são objeto de contratação temporária, 
enfim, sem o prévio concurso público. 
Professor, os temporários não são detentores de cargos ou 
empregos, logo não são estatutários ou celetistas. Confere 
essa afirmação? 
Confere sim! Os agentes temporários são regidos por normas de 
Direito Público, porém é um contrato diferenciado, com normas 
próprias. Isso implica dizer que os problemas relativos às relaçõesde 
trabalho dos temporários não serão resolvidas pela Justiça do 
Trabalho, mas sim pela Justiça Comum (Federal ou Estadual) 
competente para a resolução da avença. Esse é o entendimento 
fixado pelo STF no Recurso Extraordinário 572.202. 
Fixação 
NCE (UFRJ) - Ag Exec (CVM)/Suporte Administrativo/2008 
Regime jurídico é o conjunto de regras de direito que regulam 
determinada relação jurídica. Os regimes jurídicos disciplinam as 
diversas relações de natureza funcional e, por conseguinte, as 
categorias específicas dos servidores. 
O regime que visa disciplinar a categoria de servidores temporários é 
chamado de: 
a) mensalista; 
b) trabalhista; 
c) de emprego público; 
d) especial; 
e) jurídico único. 
Comentários: 
Como sobredito, o contrato firmado pelos temporários não é regido pela 
CLT. É um contrato diferenciado (especial, na questão), regido por normas 
próprias. 
Gabarito: alternativa D. 
Retomando o escopo constitucional, como se exige a edição de LEI 
para tratar da contratação temporária de servidores por conta da 
necessidade excepcional de interesse público, os entes federativos 
precisariam, cada um, editar norma. No âmbito federal, foi publicada 
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a Lei 8.745/1993, a qual, inclusive, indica as diversas situações que 
admitem o uso de tal tipo de contratação (ar. 3o). 
Detalhe. Esse assunto não é comum a todos os editais de concurso. 
Portanto, analisa o edital, e se houve referência à lei, você deve lê-la, 
ainda que brevemente. 
Professor, trechos atrás, houve a informação de que a 
contratação dos temporários é uma exceção ao princípio do 
concurso público. Isso significar dizer que não há qualquer 
tipo de seleção para o acesso aos quadros da Administração? 
Tecnicamente, não há concursos públicos. No entanto, os temporários 
são selecionados por meio de processos seletivos simplificados, sendo 
que, em alguns casos [como de calamidade pública], será, inclusive, 
dispensável. 
A Lei exigida pela CF/1988 é, na esfera federal, a Lei 8.745/1993, 
que assim estabelece: 
Art. 3º O recrutamento do pessoal a ser contratado, nos termos 
desta Lei, será feito mediante processo seletivo simplificado 
sujeito a ampla divulgação, inclusive através do Diário Oficial da 
União, prescindindo de concurso público. 
Para a contratação dos temporários, portanto, não se demanda 
concurso público. 
Fixação 
(2013/CESPE/MPU/TÉCNICO/GABPREL) Admite-se a realização, 
pela administração pública, de processo seletivo simplificado para 
contratar profissionais por tempo determinado para atender a 
necessidade temporária de excepcional interesse público. 
Comentários: 
Pela CF/1988, o acesso a cargos e empregos públicos demanda concurso 
público. Os temporários, entretanto, não ocupam cargos ou empregos. 
Diferente disso, tais agentes desempenham FUNÇÕES. Relembremos o que 
diz a CF/1988 a respeito disso (art. 37): 
IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado 
para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público; 
Gabarito: CERTO. 
5. Estabilidade X Estágio Probatório 
Estabilidade e estágio probatório são institutos não se confundem, 
porém sempre caminharam juntos, afinal o estágio probatório é o 
pressuposto lógico da estabilidade. 
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O estágio probatório é o período a que se submete o servidor 
estatutário nomeado para cargo de provimento efetivo. No estágio 
probatório, a capacidade e a aptidão do servidor para desempenho do 
cargo são constantemente avaliadas. Em resumo, pode-se dizer que 
o estágio probatório funciona como um período para confirmação 
no cargo. 
Professor, então quer dizer que, a cada cargo exercido, o 
servidor deve cumprir novo estágio probatório? 
Verdade! O fato de servidor, por exemplo, ser um bom analista 
judiciário, não implica, necessariamente, ser um bom Auditor da 
Receita, afinal os cargos possuem atribuições distintas. Por isso, a 
cada novo cargo, novo estágio probatório. 
O problema do concursando, certamente, não é entender o conceito 
de estágio probatório [período de provas, de testes]. A 
controvérsia, para efeito de prova, é o prazo: 24 ou 36 meses? Parte 
da doutrina defende o prazo de três anos, considerando a alteração 
prevista na EC 19, de 1998. No campo jurisprudencial, os 
Tribunais Superiores vêm adotando a posição de que o estágio 
probatório é de 36 meses. Veja como foi cobrado em prova: 
Conforme recente entendimento do STJ, o prazo do 
estágio probatório dos servidores públicos é de 24 meses, 
visto que tal prazo não foi alterado pela Emenda 
Constitucional n.º 19/1998, que trata apenas da 
estabilidade dos referidos servidores.4 
A posição do STF é parelha à adotada pelo STJ, ou seja, o estágio 
probatório tem 36 meses de duração. 
Os critérios de avaliação do estágio probatório, em âmbito federal, 
constam da Lei 8.112, de 1990, no seu art. 20: assiduidade, 
disciplina, capacidade de iniciativa, responsabilidade e 
produtividade. 
O fato de o servidor encontrar-se em estágio probatório não afasta o 
dever de o Estado motivar a exoneração do cargo público, no caso de 
não atendimento aos requisitos legais. Garante-se ao servidor o 
direito ao contraditório e à ampla defesa [RE/STF 240735]. Ou 
seja, será necessário um procedimento administrativo para que se 
reprove o servidor no estágio probatório. E, ainda, no caso de 
demissão do servidor em estágio probatório, é necessário, também, 
um processo administrativo, mas de natureza disciplinar, em razão 
deste ser o meio apropriado para aplicação de sanções a servidores 
em geral. 
 
4 ERRADO. 
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Os temores dos servidores em estágio probatório são os mais 
diversos. Há quem não ingresse com ação contra o Estado, por 
visualizar eventuais perseguições internas. Há quem não participe de 
movimentos grevistas, embora regulares. Sobre o tema, o STF já 
sinalizou que a simples participação de um servidor público em 
estágio probatório em movimento grevista não autoriza sua 
exoneração [RE/STF 226966]. Isso se dá por que o direito de 
greve, ainda que não regulamentado, é garantido 
constitucionalmente a todos os trabalhadores. 
Já a estabilidade é a garantia constitucional dada ao servidor 
ocupante de cargo efetivo, nomeado em virtude de concurso 
público, quanto à permanência no serviço público após três anos de 
efetivo exercício, e avaliado positivamente por comissão 
instituída. 
Na redação original da CF/1988, a estabilidade seria adquirida após 
dois anos de efetivo exercício, apenas com o decurso do tempo, ou 
seja, a partir de um critério puramente objetivo, em face do mero 
transcurso do tempo. Contudo, após a EC 19/1998, para a aquisição 
da estabilidade são exigidos três anos de efetivo exercício, ao término 
dos quais deverá procedida avaliação especial de desempenho 
por comissão especial instituída para esse fim (caput e art. 41 da 
CF/1988), pelo que se pode afirmar que a estabilidade deixou de 
ser estritamente objetiva, uma vez que depende da mencionadaavaliação especial. 
Sinteticamente, podem ser apontadas quatro condições necessárias 
para aquisição da estabilidade: 
I) Aprovação em concurso público. Tal condição exclui a 
possibilidade de aquisição para quaisquer agentes públicos que 
tenham vínculos empregatícios provisórios ou transitórios junto à 
Administração Pública, tais como os contratados temporariamente por 
excepcional interesse público (art. 37, inc. IX, CF/1988). Ressalva-se 
a estabilização constitucional prevista no art. 19 do ADCT. 
II) Nomeação para cargo de provimento efetivo. Essa condição 
afasta, por exemplo, a aquisição de estabilidade pelos empregados 
públicos, regidos pela CLT, ou, ainda, pelos ocupantes, 
exclusivamente, de cargos em comissão. 
III) Cumprimento de estágio probatório. Reforçando que, 
atualmente, a doutrina e a jurisprudência sinalizam para o prazo de 
36 meses. 
IV) Avaliação especial de desempenho para fins de aquisição 
de estabilidade (§4º do art. 41 da CF/1988). Assim, o servidor não 
adquire estabilidade pelo simples decurso de prazo, mas, de outro 
modo, deve se sujeitar à avaliação específica para tanto. Contudo, 
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até a presente data, a referida avaliação não foi regulamentada, 
razão pela qual os órgãos federais, cada um a sua maneira, vem a 
executando, para o fim de cumprir o referido dispositivo 
constitucional. 
Professor, e se a Administração, decorridos três anos de 
efetivo exercício, não promover a avaliação, o servidor será 
considerado automaticamente estável? 
A resposta é que o servidor deve ser considerado estável, em razão 
da avaliação positiva de forma tácita. Ressalte-se que tal avaliação 
funcional foi criada em favor da Administração. Contudo, não poderia 
o servidor ser prejudicado pela inércia administrativa. O STF 
confirmou esse entendimento ao apreciar o MS 25.543-DF, 
registrando que a ausência de avaliação de desempenho não 
afasta a presunção de estabilidade no cargo. 
Diferentemente do estágio probatório, que se dá a cada novo cargo, a 
estabilidade é no serviço público. Isso quer dizer que, após sua 
aquisição, apenas em raras circunstâncias os servidores que a 
possuem a perderiam. E mais: se o servidor, já estável, estiver em 
novo estágio probatório, e for reprovado, não será exonerado, mas 
sim reconduzido ao cargo anterior. 
A CF/1988 registra as seguintes hipóteses de perda de estabilidade: 
I) Em virtude de sentença judicial transitada em julgado. 
Essa hipótese é, praticamente, autoexplicativa. Sentença 
judicial irrecorrível pode determinar a perda do cargo pelo 
servidor; 
II) Mediante processo administrativo em que lhe seja 
assegurada ampla defesa. Hipótese semelhante à anterior, 
sendo que, nesse caso, a perda dá-se via administrativa; 
III) Em decorrência de insuficiência de desempenho (inc. 
III do § 1º do art. 41 da CF/1988), na forma de Lei 
Complementar (norma de eficácia limitada), de âmbito 
nacional. Devem ser assegurados a ampla defesa e o 
contraditório, como condição de validade do processo. Não 
constitui medida punitiva (não é demissão, é exoneração) e 
atende o princípio da eficiência; e, 
IV) Em razão de excesso de despesa de pessoal (art. 169, 
§ 3º, CF/1988), caso descumpridos os limites para tal natureza 
despesa, estabelecidos na Lei Complementar 101/2000 (Lei de 
Responsabilidade Fiscal). Contudo, para que, neste caso, a 
exoneração do servidor estável ocorra, o ente federativo 
deverá, preliminarmente, ter adotado as seguintes medidas 
administrativas: 
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i) redução ao menos em 20% das despesas com cargos em 
comissão ou funções de confiança; e, 
ii) exoneração dos servidores não estáveis. De acordo com o 
art. 33 da EC nº 19/1998, os não estáveis são aqueles 
admitidos na administração direta, na autárquica e na 
fundacional, no entanto, sem concurso público de provas ou de 
provas e títulos após o dia 5 de outubro de 1983. 
Somente se essas medidas prévias não forem suficientes para o 
reequilíbrio das despesas de pessoal é que se poderá promover 
a exoneração dos estáveis, em decorrência de excesso de 
despesa. 
Por fim, lembra-se que o cargo objeto da redução será extinto, 
sendo vedada a criação de cargo, de emprego, ou de funções 
com atribuições iguais ou assemelhadas pelo prazo de quatro 
anos (lembre-se do mandato dos chefes dos Executivos). O 
servidor estável fará jus à indenização, correspondente a um 
mês de remuneração por ano de serviço. 
Apesar de não ser assunto com grande incidência em concursos 
públicos, reforça-se que a CF/1988 [art. 19 da ADCT] fixou hipótese 
excepcional de aquisição da estabilidade por parte de certos agentes 
públicos. Tal instituto tem recebido a denominação por parte da 
doutrina de estabilização constitucional. O referido dispositivo 
constitucional afirma que devem ser considerados estáveis todos os 
servidores públicos civis federais, estaduais, distritais e municipais, 
da Administração Direta e Indireta de Direito Público, que estivessem 
em exercício há pelo menos cinco anos na data de promulgação da 
Constituição, e que não houvessem sido admitidos na forma 
estabelecida no art. 37 da CF (concurso público). 
O art. 19 do ADCT deixa claro que a regra da estabilização não se 
aplica aos cargos, empregos e funções de confiança e aos que a lei 
declare de livre nomeação e exoneração. Não se aplica, também, aos 
professores de nível superior, nos termos a serem dispostos em lei. 
Por fim, é importante que o(a) amigo(a) atente que há uma série de 
direitos decorrentes da estabilidade, tal como os de ser posto em 
disponibilidade, o de ser reintegrado, ou ser reconduzido. Há, 
portanto, direitos decorrentes da estabilidade, os quais serão 
indicados, todavia, incidentalmente, ao longo do curso. 
6. Associação sindical e direito de greve 
A Constituição Federal de 1988 garante aos servidores estatutários o 
direito à livre associação sindical (inc. VI do art. 37) [norma de 
eficácia plena] e o direito à greve (inc. VII do art. 37) [norma de 
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eficácia limitada]. Tais direitos não são aplicáveis, por exemplo, aos 
militares (inc. IV do art. 142 da CF). 
Quanto à associação sindical, apesar de ser livre, a atuação dos 
sindicatos é bastante limitada, uma vez que as negociações não 
podem, por exemplo, acarretar o aumento dos vencimentos dos 
servidores. É que, para servidores estatutários, a remuneração é 
matéria submetida à reserva legal, e, portanto, refoge à alçada das 
entidades associativas. 
Sequer há de falar-se em negociação perante a Justiça do Trabalho, 
uma vez que o STF, ao julgar a Adin 492-1-DF, firmou o 
entendimento de que as lides entre servidores públicos federais e a 
Administração Pública Federal são da alçada da Justiça Federal. Na 
oportunidade foram declarados inconstitucionais as alíneas “d” e “e” 
do art. 240 da Lei 8.112/1990, os quais admitiam a negociação e 
ações coletivas na Justiça do Trabalho. 
Por fim, para que não reste controvérsia, o STF, por meio da 
Súmula 679, estabeleceu: 
“A fixação de vencimentos dos servidores públicos não pode serobjeto de convenção coletiva”. 
Relativamente ao direito de greve, prevê o inc. VII do art. 37 da CF: 
“o direito de greve será exercido nos termos e limites 
definidos em lei específica”. 
Está-se diante de dispositivo constitucional é de eficácia limitada, 
ou seja, o direito de greve não poderia ser exercido enquanto não 
houvesse a edição de lei específica. 
Ocorre que a Lei reclamada pelo texto constitucional nunca foi 
editada, apesar de mais de 25 anos da promulgação da CF. Diante 
da inércia legislativa, o STF fixou o entendimento de que os 
servidores públicos podem lançar mão do direito de greve, utilizando-
se, para tanto, a Lei dos trabalhadores privados [Lei 7.783/1989]. 
Não quer dizer que a norma que cuida do direito de greve dos 
trabalhadores da iniciativa privada se aplica aos servidores públicos. 
Não é essa a leitura mais adequada. 
Na realidade, nos casos paradigmáticos que hoje se aplicam à 
espécie, o Supremo consignou que, na falta de outra norma 
regulamentadora, aplica-se a Lei que rege a greve na iniciativa 
privada para os servidores públicos também, adotando, em sede de 
Mandado de Injunção, uma posição mais concretista. Isso por conta 
da omissão do legislador, o qual não fez o seu papel: passados perto 
de 25 anos da promulgação da CF/1988, não há ainda norma que 
discipline o direito de greve dos servidores públicos. 
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Para alguns casos concretos, contudo, limites mais severos deveriam 
ser impostos. O que quis dizer o STF [Reclamação 6568], na 
prática, é que algumas categorias não deveriam fazer greve, ante a 
essencialidade do serviço que prestam. Há, por conseguinte, uma 
relativização do direito de greve para algumas categorias. É o caso 
dos agentes policiais, já que, nestes tempos duros, a sociedade não 
se pode ver desprovida de segurança. 
Ante a evolução jurisprudencial examinada, o direito de greve dos 
servidores públicos pode ser assim sintetizado: 
Os servidores públicos podem exercer o direito de greve, 
utilizando-se, para tanto, da norma que o rege para os 
trabalhadores da iniciativa privada, enquanto não sobrevier a 
norma reclamada pelo inc. VII do art. 37 da CF. Contudo, deve-
se atentar para cada caso concreto, já que, em razão de sua 
essencialidade, determinados serviços públicos não podem 
sofrer interrupção, tal qual a segurança pública. 
7. Direitos Sociais dos Servidores Públicos 
A CF/1988, em seu art. 39, assegura uma série de direitos sociais aos 
servidores públicos. São eles, aproveitando-nos do elenco construído 
pela Professora Maria Sylvia di Pietro: 
1. salário mínimo. Para os que percebem remuneração variável, 
também há essa mesma garantia de salário, nunca inferior ao 
mínimo; 
2. 13o salário com base na remuneração integral ou no valor da 
aposentadoria. 
3. remuneração do trabalho noturno superior à do diurno; 
4. salário-família para os dependentes; 
5. duração do trabalho normal não superior a 8 horas diárias e 44 
semanais, facultada a compensação de horários e a redução da 
jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho; 
6. repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos; 
7. remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em 
50% à do normal; 
8. gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, 1/3 a mais 
do que o salário habitual, que é composto por tudo o que o servidor 
recebe, habitualmente, a título de remuneração ou vencimento, 
ressalvadas aquelas vantagens não permanentes, vinculadas ao 
exercício de cargo, função ou emprego em condições especiais, como 
as decorrentes de horas extras, de participação em órgãos 
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colegiados, ou as que são pagas a título de representação, quando 
em função ou missão fora do Estado; 
9. licença à gestante, sem prejuízo do emprego ou do salário, com a 
duração de 120 dias. Este prazo, HOJE, conta com uma extensão de 
60 dias, já regulamentado em âmbito federal, garantido por lei, 
inclusive5; 
10. licença-paternidade, nos termos fixados em lei; 
11. proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos 
específicos, nos termos da lei; 
12. redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de saúde, 
higiene e segurança; 
13. proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de 
critério de admissão, por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil, 
podendo a lei estabelecer requisitos diferenciados de admissão 
quando a natureza do cargo o exigir (conforme CF/1988, art. 39, § 
3o, parte final). Bom, a respeito desse último tópico, tem havido 
discussões acerca da introdução da política de cotas no serviço 
público. A despeito de se um tema extremamente interessante (e 
passional), na esfera federal não temos nenhuma norma que o 
regulamente. Bem por isso, desnecessário abordá-lo sob a ótica 
jurídica, ante a falta de normas úteis em concurso público. 
Em prova, normalmente as questões/itens são normalmente 
indagações acerca dos direitos sociais que NÃO SE APLICAM aos 
servidores. Vejamos isso: 
8. O Sistema Remuneratório dos Agentes Públicos 
 
8.1. Figuras Pecuniárias Básicas 
Na medida em que avançamos pelas categorias de agentes 
públicos, vão surgindo as mais variadas espécies remuneratórias: 
vencimentos, vencimento, remuneração, soldo, salário, subsídio, 
dentre outras rubricas. 
Em primeiro lugar, cita-se o vencimento. Corresponde à retribuição 
pecuniária recebida pelo servidor em razão do exercício de cargo 
público, com valor fixado em lei. É a parcela básica devida ao 
servidor pelo exercício do cargo. 
Por sua vez, os vencimentos, assim, no plural, é a “espécie de 
remuneração, e corresponde à soma do vencimento e das 
 
5 Lei 11.770/2008. 
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vantagens pecuniárias, constituindo a retribuição pecuniária devida 
ao servidor pelo exercício do cargo público”. 
Já subsídio é a espécie remuneratória a ser paga em parcela única 
obrigatoriamente aos detentores de mandato eletivo, bem 
como a outros agentes políticos (Membros da Magistratura, 
Ministério Público e de Tribunais de Contas, Ministros de Estado, 
Secretários Estaduais e Municipais). 
O regime de subsídio é extensível para servidores públicos 
integrantes de carreiras específicas, são eles: Advocacia Geral da 
União, Defensoria Pública, Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, 
Procuradorias dos Estados e do DF, servidores da Polícia Federal, 
Polícia Rodoviária Federal, Polícias Civis, Polícias Militares e 
Corpos de Bombeiros Militares. 
Essa espécie remuneratória, no entanto, é de adoção facultativa 
para os servidores organizados em carreira, desde que assim 
disponha Lei Federal, Estadual, Distrital ou Municipal, conforme 
o caso. É o caso dos Auditores Federais da Receita Federal, os quais, 
nos dias atuais, percebem a remuneração mediante subsídio. 
 
O salário, no serviço público, é a retribuição pecuniária paga aos 
empregados públicos, da Administração Direta ou àqueles que 
ocupam emprego na Administração Indireta, e a todos aqueles 
contratados sob a regência da CLT.Ainda há duas outras figuras pecuniárias que podem ser pagas a 
servidores, ou dependentes, conforme o caso: os proventos, que, 
tecnicamente, são a forma de se pagar o aposentado e os 
servidores colocados em disponibilidade; e as pensões, pagas 
aos dependentes do servidor, em razão do falecimento deste. 
Além das figuras acima, podem ser pagas aos servidores 
gratificações, adicionais e indenizações. As duas primeiras 
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podem ser incorporáveis à remuneração do servidor na forma da 
Lei. Já as últimas, as indenizações, jamais se incorporam à 
remuneração. 
8.2. Fixação da Remuneração dos Servidores e Revisão Geral 
Tanto os vencimentos quanto os subsídios, para sua fixação e 
alteração, terão de ser, de regra, objeto de lei ordinária 
específica, enfim, que somente trate do assunto remuneração. Deve 
ser respeitada a iniciativa privativa de cada poder, sendo que, 
para os cargos componentes da estrutura de cada Poder, caberá: 
a) No caso dos servidores do poder Executivo, a iniciativa 
deverá ser do Presidente da República; 
b) Para os cargos da Câmara dos Deputados, a iniciativa é 
privativa desta Casa. A regra também vale para o 
Senado Federal; 
c) No Judiciário, a competência é privativa de cada 
Tribunal (art. 96, II, b, CF/1988). 
Evidencia-se que as regras acima valem para os cargos públicos, ou 
seja, valem para a fixação da remuneração de tais cargos. Para a 
fixação dos subsídios de determinados agentes, há regras 
específicas, a saber: 
a) A fixação do subsídio dos Ministros do STF deve estar 
contida em lei de iniciativa dessa Corte. Não mais existe, 
assim, a necessidade de iniciativa conjunta dos Presidentes 
da República, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal 
e do STF para a fixação dos subsídios. O Projeto de Lei que 
proceda a essa fixação deve ser submetido à sanção ou 
veto do Presidente da República; 
b) A fixação do subsídio dos Deputados Federais, dos 
Senadores, do Presidente e do Vice-Presidente da 
República e dos Ministros de Estado é de exclusiva 
Competência do Congresso Nacional, não havendo o 
Projeto de Lei decorrente a ser submetido à sanção ou veto 
do Presidente da República. 
Assegura-se a revisão geral anual das remunerações pagas aos 
servidores públicos, para todos, na mesma data e sem distinção de 
índices (art. 37, inc. X). Tal revisão constitui direito dos servidores 
e não pode ser confundida com revisões específicas, levadas a 
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efeito de forma a reestruturar ou implementar melhores estipêndios a 
carreiras determinadas. 
A revisão geral trata-se de um reajustamento genérico, 
arrimado, em essência, na perda do poder aquisitivo por parte do 
servidor em decorrência do processo inflacionário; a revisão 
específica alcança apenas carreiras, ou cargos, com o fito de 
readequar a remuneração paga a estes a servidores a níveis 
condizentes com as atribuições exercidas. 
A revisão remuneratória geral dos servidores é dever 
inarredável por parte dos governos de todas as entidades da 
federação, como ensina José dos Santos Carvalho Filho. O STF, ao 
apreciar diversas ADIs, já se pronunciara pela 
inconstitucionalidade por omissão quando se verifica a ausência 
de lei que determine a revisão geral das remunerações dos 
servidores. No que se refere à esfera federal, o STF manifestou-se 
pela mora legislativa, de responsabilidade do Presidente da 
República, o qual houvera deixado de apresentar o Projeto de 
Lei necessário à revisão geral das remunerações dos servidores 
federais (ver ADI 2.061-DF). 
8.3. Tetos Remuneratórios 
De pronto, esclareça-se que “teto remuneratório” é expressão 
absolutamente doutrinária. Refere-se ao valor máximo que pode ser 
pago a servidores (em sentido amplo), a título de remuneração ou 
subsídio. O assunto consta do inc. XI do art. 37 da CF, o qual é 
responsável por fixar o teto remuneratório dos servidores públicos. 
Vejamos: 
A remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, 
funções e empregos públicos da administração direta, 
autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos 
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos 
demais agentes políticos e os proventos, pensões ou 
outra espécie remuneratória, percebidos 
cumulativamente ou não, incluídas as vantagens 
pessoais, ou de qualquer natureza, não poderão exceder 
o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do 
Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos 
municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e 
Distrito Federa, o subsídio do Governador, no âmbito do 
Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e 
Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos 
Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a 
noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do 
subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo 
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Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável 
este limite aos membros do Ministério Público, aos 
Procuradores e aos Defensores. 
Diversas conclusões podem ser extraídas de tal trecho constitucional. 
Em primeiro lugar é que cada um dos entes da federação possui um 
teto específico, instituído da seguinte forma: 
a) Em âmbito federal, o teto é único, e corresponde ao 
subsídio dos Ministros do STF; 
b) Em âmbito estadual, os limites remuneratórios são 
diferenciados por poder, perceba: 
 No Executivo dos Estados, corresponde ao 
subsídio do Governador; 
 No Legislativo dos Estados, ao subsídio dos 
deputados estaduais e distritais. 
 Quanto ao Judiciário, na ADIn 3854 o STF 
fixou um entendimento bastante interessante e 
importante para fim de concursos públicos. A Corte 
Constitucional entendeu que, por se tratar de um 
poder uno, aos membros do Judiciário 
(Membros de Tribunais Judiciais, Juízes) 
aplica-se o teto único, correspondente ao 
subsídio dos Ministros do STF. Mas, ATENÇÃO: 
ESSE TETO É O QUE VALE PARA OS MEMBROS 
DO JUDICIÁRIO, MAS NÃO PARA OS 
SERVIDORES DAQUELE PODER. Para estes 
últimos, em nosso entendimento, a partir da leitura 
da citada ADIn 3854, continua a valer o teto fixado 
na CF/1988, ou seja, suas remunerações não 
podem ser superiores a 90,25% do subsídio dos 
ministros do STF; 
c) Em âmbito municipal, o teto também é único e equivale ao 
subsídio recebido pelo Prefeito do Município. 
Nos três casos acima, a aplicabilidade do teto remuneratório é 
imediata, em razão do que estatui o art. 17 do ADCT, com redação 
dada pela EC nº 41/2003. Esse dispositivo determina que os 
vencimentos, a remuneração, vantagens e adicionais, assim como os 
proventos de aposentadoria, sejam reduzidos aos limites 
estabelecidos, não se admitindo, na situação, invocação de 
direito adquirido. Está-se diante, portanto, de norma de eficácia 
plena. 
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PoderTeto 
Âmbito 
Federal 
Teto é Único Subsídios do STF 
Âmbito 
Estadual 
Poder Executivo, inclusive 
agentes administrativos 
das Defensorias e do 
Ministério Público. 
Subsídio do Governador 
Poder Legislativo 
Subsídio dos Deputados 
Estaduais e Distritais 
Membros do Judiciário 
(Juízes) 
Subsídio dos Ministros do STF 
Servidores do Judiciário, 
Defensores, Procuradores 
e Membros do MP. 
Subsídio do Desembargador 
do TJ, limitado, no entanto, a 
90,25% do subsídio dos 
ministros do STF. 
Âmbito 
Municipal 
Teto é único Subsídio do Prefeito 
Inclui-se, para efeitos de consideração de teto, toda e quaisquer 
vantagens remuneratórias recebidas, incluindo-se as vantagens 
pessoais. Porém, com a EC 47, de 2005, não serão computadas as 
verbas de caráter indenizatório, como, por exemplo, diárias, ajuda de 
custo, auxílios transporte e moradia [são parcelas extrateto]. 
É de se destacar, também, que os subsídios dos Ministros do STF não 
podem ser ultrapassados, em regra: é um teto intransponível, 
portanto. Contudo, nada impede que subsídios de prefeitos e 
governadores igualem-se ao recebido pelos Ministros do STF. 
Já os Deputados Estaduais e Distritais jamais receberão sequer igual 
aos membros da Corte Suprema. De fato, o art. 27, §2º, da CF 
estatui que o subsídio dos deputados estaduais e distritais será de, 
no máximo, 75% do que recebe um deputado federal. Considerando 
que o Deputado Federal pode receber subsídio, no máximo, igual ao 
de um Ministro do STF, tem-se que os deputados locais receberão, no 
máximo, 75% do subsídio do STF. 
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Ressalte-se, ainda, que só serão limitados com base no teto 
constitucional os salários dos empregados públicos das empresas 
públicas, sociedades de economia mista, bem como de suas 
subsidiárias, caso tais entidades recebam recursos da União, dos 
Estados, Distrito Federal ou dos Municípios para pagamento de 
despesas de pessoal ou de custeio em geral (art. 37, §9º, CF). Tais 
entidades são reconhecidas, pela Lei de Responsabilidade Fiscal, 
como entidades estatais dependentes. 
Como sobredito, existem exceções ao teto remuneratório, enfim, 
valores que o servidor poderá receber, e, eventualmente, até 
ultrapassar o teto do STF. São exemplos: 
1. Indenizações: as indenizações são pagas em razão de 
situações eventuais, como, por exemplo, diárias. 
2. Abono de permanência: o abono corresponde ao valor da 
contribuição previdenciária, paga por parte daqueles que já 
cumpriram os requisitos da aposentadoria voluntária, e 
resolveram continuar na atividade. É espécie de ‘prêmio’ para o 
servidor que resolver continuar trabalhando, mesmo podendo 
se aposentar. 
3. Exercício do magistério por certas categorias: no âmbito 
do Ministério Público e do Judiciário o assunto já foi 
regulamentado. A possibilidade do exercício do magistério por 
parte dos membros de tais instituições não ser abatido pelo 
teto é para que a atividade seja atrativa a eles. Para esclarecer: 
o teto corresponde aos Ministros do STF. Imagina o Ministro do 
STF professor de Universidade Pública. O Ministro tem como 
teto o seu próprio subsídio. E então, por que dar aula? Por isso 
que, ao menos no que se refere aos membros dessas 
categorias, o problema teve de ser resolvido. Nesses casos, o 
teto não limita seus vencimentos/subsídios. 
Por fim, é digno de registro que os tetos parciais dos Estados-
membros podem ser convertidos em um único teto. A Emenda 
Constitucional 47/2005 possibilita que os Estados-membros alterem a 
Constituição do Estado para criar teto único. Nesse caso, o teto 
corresponderá ao subsídio mensal dos Desembargadores do 
respectivo Tribunal, limitado a 90,25% do subsídio dos ministros do 
STF. 
8.4. Equiparações e Vinculações 
O inciso XIII do art. 37 da CF estabelece: 
É vedada vinculação ou equiparação de quaisquer espécies 
remuneratórias para efeito de remuneração de pessoal do 
serviço público. 
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Vejamos com mais detalhe o sentido das expressões vincular e 
equipar, a partir de apontamentos doutrinários. 
Equiparar significa a previsão, em lei, de remuneração igual à de 
determinada carreira ou cargo, enquanto que vincular não significa 
remuneração igual, mas atrelada a outra, de sorte que a alteração da 
remuneração do cargo vinculante provoca, automaticamente, a 
alteração prevista para o cargo vinculado. 
É considerada vinculação, também, a subordinação da alteração 
remuneratória a índices, tais como os de inflação, de arrecadação 
orçamentária, de reajuste do salário mínimo ou de correção 
monetária. 
No que diz respeito à proibição de vinculação a índices de correção 
monetária, a atual orientação é pacífica, em virtude da Súmula 681 
do STF: 
É inconstitucional a vinculação do reajuste de vencimentos de 
servidores estaduais ou municipais a índices federais de 
correção monetária. 
De modo geral, equiparações e vinculações serão inconstitucionais, 
ante a proibição constante da Constituição. É assim para que se evite 
potenciais ‘efeitos cascatas’, pois, caso fossem estabelecidas 
equiparações e vinculações, isso faria com que todos que estivessem 
em tal situação tivessem aumento, gerando um efeito multiplicador 
que poderia ser catastrófico aos cofres públicos. 
No entanto, abre-se um parêntese para esclarecer que a CF admite 
certas vinculações e equiparações. São exemplos: 
a) Os Ministros do Tribunal de Contas da União são 
equiparados aos Ministros do Superior Tribunal de Justiça, no 
que se refere a garantias, prerrogativas, impedimentos, 
vencimentos e vantagens (CF, art. 73, §3º); 
b) Os subsídios dos Ministros do STF servirão de base 
(vinculação) para a fixação do subsídio mensal dos Ministros 
dos Tribunais Superiores (inc. V do art. 93 da CF/1988). 
Outra relevante questão quanto aos servidores públicos diz respeito à 
irredutibilidade de subsídios e vencimentos, direito hoje 
constitucionalmente garantido, por força do inc. XV do art. 37 da 
CF/1988. Tal direito que, a princípio, poderia dar impressão de ser 
limitado aos cargos públicos, também deve ser estendido aos 
ocupantes de empregos públicos, cargos em comissão, e funções 
gratificadas. 
Deve-se ler o direito à irredutibilidade como vedação à redução 
DIRETA dos vencimentos. De fato, não são resguardados os 
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vencimentos e subsídios quanto à possibilidade INDIRETA de 
redução, tal como na incidência de novos impostos ou do aumento da 
inflação. 
Todavia, o direito, em exame, não abrange adicionais e gratificações 
devidas por certas circunstâncias, muitas das vezes de natureza 
transitória, que possam ser absorvidas por conta de vencimentos 
mais elevados, tal como na implantação de novos planos de carreira. 
O que se impede é a redução do TODO da remuneração, mas não a 
incorporação dessas parcelas transitórias. 
No caso de mudança de regime jurídico de um agente público 
também se garante a irredutibilidade dos valores que recebia 
anteriormente. Assim, caso um servidor “celetista” seja transposto 
para o regime estatutário,a sua remuneração não poderá ser inferior 
ao salário de seu emprego. 
Importante anotar que o direito à irredutibilidade não impede que 
seja alterada a forma de cálculo da remuneração do servidor. O 
Estado, portanto, pode alterar o cálculo da remuneração, mas não 
pode reduzir o quanto ele ganha (nominalmente). Vejamos 
como o assunto é cobrado em provas de concurso. 
(2013/CESPE/TELEBRAS/Analista Administrativo) O servidor 
público não tem direito adquirido a regime jurídico, sendo-lhe 
assegurada, pelo ordenamento constitucional pátrio, a irredutibilidade 
de vencimentos, de forma que não há impedimento para que a 
administração promova alterações na composição dos seus 
vencimentos, retire vantagens, gratificações e reajustes ou, ainda, 
modifique a forma de cálculo de parcela da remuneração, desde que 
isso não acarrete decesso remuneratório. 
Comentários: 
O item é resolvido com a leitura simples de julgado do STF, que assim 
dispõe (RE 563.965): 
"O Supremo Tribunal Federal pacificou a sua jurisprudência sobre a 
constitucionalidade do instituto da estabilidade financeira e sobre a 
ausência de direito adquirido a regime jurídico. Nesta linha, a 
Lei Complementar 203/2001, do Estado do Rio Grande do Norte, no 
ponto que alterou a forma de cálculo de gratificações e, 
consequentemente, a composição da remuneração de 
servidores públicos, não ofende a Constituição da República 
de 1988, por dar cumprimento ao princípio da irredutibilidade 
da remuneração." 
Entendendo melhor o julgado: dizer que ‘não há garantia a regime jurídico’ 
quer dizer que as normas regentes dos servidores públicos, seu regime 
jurídico portanto, pode mudar. Foi o que ocorreu com a Lei 8.112/1990, que 
já mudou bastante ao longo de sua trajetória. E isso é natural: as normas 
têm de se amoldar ao que acontece no mundo, e não o contrário. Um dos 
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aspectos do regime jurídico do servidor diz respeito aos seus vencimentos, 
os quais são, entretanto, são irredutíveis. 
Pela irredutibilidade, é vedada a redução DIRETA dos vencimentos pagos aos 
servidores de modo geral. Desse modo, não são resguardados os 
vencimentos e subsídios quanto à possibilidade INDIRETA de redução, tal 
como na incidência de novos impostos ou do aumento da inflação. 
Por outro lado, como visto no julgado acima transposto, não há problemas, 
na visão do STF, que a forma de cálculo dos vencimentos de um servidor 
sofra alterações, desde que se preserve sua remuneração, como um todo. 
Isso quer dizer que uma gratificação pode ser extinta, desde que os valores 
acabem sendo compensados por um aumento no vencimento do servidor, 
por exemplo. 
Gabarito: CERTO. 
Por fim, mais uma interessante questão diz respeito à possibilidade 
de redução de parcelas indevidamente recebidas pelos servidores 
públicos. O citado inc. XV autoriza a imediata redução dessas figuras 
remuneratórias. Realça-se, ainda, a alteração do inc. XIV do art. 37, 
hoje com a seguinte redação: 
Os acréscimos pecuniários percebidos por servidor não 
serão computados nem acumulados para fins de 
concessão de acréscimos ulteriores. 
Pela redação antiga do dispositivo, vedava-se o cômputo dos 
acréscimos para concessão de acréscimos posteriores em idêntico 
fundamento, o que poderia implicar, por exemplo, o cômputo 
desses acréscimos para concessão de outros, com fundamentos 
diversos, era o que a doutrina denominava efeito ‘cascata’ ou 
‘repicão’. 
Contudo, pela nova redação do inc. XIV, não há mais dúvida: toda e 
qualquer vantagem pecuniária percentual ou calculada com base em 
referências – sobretudo adicionais e gratificações – deve ter como 
base de cálculo o vencimento básico, excluindo-se, por conseguinte, 
outras figuras remuneratórias da base de incidência para o novo 
acréscimo. 
Acrescenta-se, ainda, que, por ser de norma de eficácia plena, o inciso XV 
permite a imediata redução das parcelas remuneratórias indevidamente 
concedidas, respeitado, óbvio, o devido processo legal. 
Bom, pessoal, ainda quanto ao regime constitucional dos servidores 
públicos, resta falar sobre aposentadorias e pensões, sobretudo por conta 
das normas novas que vieram ao mundo em tempos recentes. Mas, de 
forma a imprimir uma sequência lógica mais elaborada, esses dois últimos 
assuntos serão tratados nas duas últimas aulas, ok? 
No mais, grande abraço e bons estudos. 
Cyonil Borges.

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