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ESTUDO DA GENÉTICA HUMANA 
 
Organização do material: 
 
A Genética Humana é uma disciplina que se ocupa em explorar os diversos aspectos associados à 
manifestação das características humanas, sejam elas anatômicas, fisiológicas, bioquímicas, 
comportamentais, dentre outras. Em outras palavras, a Genética Humana é uma ciência que 
procura entender porque somos como somos. 
Este material didático que apresentamos a você aborda, de maneira resumida, os principais 
tópicos da disciplina. Incentivamos, no entanto, a consulta às indicações bibliográficas 
mencionadas em cada tópico como prática complementar (e indispensável) de estudo. 
Neste material, o conteúdo da disciplina foi distribuído em oito módulos. Os módulos 1 a 4 serão 
avaliados na prova NP1, e os módulos 5 a 8 serão avaliados na NP2. 
 
 Os conteúdos abordados em cada módulo são: 
 
MÓDULO 1 
· Conceito de gene 
· Estrutura e funcionamento do DNA e RNA 
· Transcrição e tradução 
· Código genético 
 
O que é Gene: 
O significado de gene na genética clássica é a unidade funcional da hereditariedade onde estão 
presentes os ácidos nucleicos, portadores de informações genéticas que proporcionam a 
diversidade entre os indivíduos. A palavra gene foi criada em 1909 pelo botânico dinamarquês 
Wilhelm Ludvig Johannsen. 
Gene é uma sequência de nucleotídeos distintos que fazem parte de um cromossomo. Cada 
gene codifica uma determinada sequência de uma cadeia polipeptídica (união de aminoácidos 
que formam a proteína). O gene é formado por uma sequência de DNA (ácido 
desoxirribonucleico) e RNA (ácido ribonucleico), sendo este último responsável pela síntese de 
proteínas da célula. 
Genética é a ciência que estuda os genes. Os genes são classificados em: 
Gene dominante (responsável pela atribuição de determinada característica no descendente) 
Gene recessivo (manifesta-se na ausência de gene dominante) 
Gene estrutural (contém a informação que determina a estrutura dos seres vivos) 
Gene operador (atua no funcionamento de outros genes) 
Gene regulador (controla a síntese e transcrição de outros genes). 
 
Genoma é o conjunto de genes de um indivíduo. Cada ser humano possui um único genoma, 
estimando-se que seja composto por cerca de 25 000 genes. 
Esse resultado foi obtido através de um trabalho conjunto denominado Projeto Genoma 
Humano, que tem a função de mapear o genoma humano, ou seja, identificar todos os 
nucleotídeos que o compõem. 
O que é DNA: 
DNA ou ADN em português, é a sigla para ácido desoxirribonucléico, que é um composto 
orgânico cujas moléculas contêm as instruções genéticas que coordenam o desenvolvimento e 
funcionamento de todos os seres vivos e de alguns vírus. O principal papel do ADN é armazenar 
as informações necessárias para a construção das proteínas e RNA. O DNA se encontra no núcleo 
das células de um organismo, no interior dos cromossomos, menos nas hemáceas (glóbulos 
vermelhos), que não possuem núcleo. 
Os segmentos de DNA que contêm a informação genética são denominados genes, o resto da 
sequência tem importância estrutural ou está envolvido na regulação do uso da informação 
genética. 
A estrutura da molécula de DNA foi descoberta conjuntamente pelo norte-americano James 
Watson e pelo britânico Francis Crick em 1953, e nove anos depois foram agraciados com o 
Prêmio Nobel de Medicina. 
Com exceção de gêmeos univitelinos, o DNA de cada indivíduo é exclusivo, cada ser humano 
possui duas formas de cada gene, uma que recebe da mãe outra que recebe do pai. Mesmo 
sendo a maioria dos genes iguais entre as pessoas, algumas sequências do DNA variam de pessoa 
para pessoa. Para saber a paternidade de uma criança, faz-se o teste de DNA, que vai confirmar 
sua origem genética. 
A molécula de ácido desoxirribonucléico (DNA) é constituída por duas cadeias ou fitas 
de nucleotídeosque se mantêm unidas em dupla hélice por pontes de hidrogênio entre as bases 
dos nucleotídeos. Esses, por sua vez, são compostos por um grupo fosfato, uma molécula de 
açúcar de cinco carbonos (uma desoxirribose que possui um átomo de hidrogênio no carbono 2’, 
diferentemente da ribose, componente do RNA, que apresenta uma hidroxila nessa posição) 
e bases nitrogenadas que podem ser adenina (A), citosina (C), guanina (G) e timina (T). 
A e G têm estrutura de dois anéis, característica de um tipo de substância chamada purina 
enquanto Ce T têm a estrutura com somente um anel, característica relacionada às pirimidinas. 
Na molécula de DNA há o pareamento de uma purina com uma pirimidina e esse pareamento 
complementar não é ao acaso: A sempre pareia com T, através de duas pontes de hidrogênio, 
e Csempre pareia com G, por três pontes de hidrogênio. Assim, a quantidade de A sempre é igual 
a de Te a quantidade de C é a mesma que a de G. No entanto, a quantidade de A + T não é 
necessariamente igual à C + G. Em adição, a quantidade total de nucleotídeos pirimidínicos 
(C + T) é sempre igual à quantidade total de nucleotídeos purínicos (A + G). 
As bases só podem parear dessa forma (A com T e C com G) apenas se as duas cadeias 
polinucleotídicas estiverem em posição antiparalela, ou seja, orientadas em polaridade oposta: a 
dupla hélice é composta por dois filamentos lado a lado de nucleotídeos que são torcidos e 
 
mantidos unidos por pontes de hidrogênio entre as bases nitrogenadas que estão no interior da 
hélice (formando uma estrutura como uma escada em espiral) com açúcares e fosfatos voltados 
para o exterior. No arcabouço de cada filamento os nucleotídeos são ligados covalentemente por 
ligações fosfodiéster que conecta o carbono 5’ de uma desoxirribose ao carbono 3’ do açúcar 
adjacente. Desse modo, cada ligação açúcar-fosfato é dita como sendo de polaridade 5’ para 3’. 
Assim, a molécula bifilamentar de DNA caracteriza-se por dois arcabouços estão em orientação 
oposta, ou seja, em polaridade inversa. 
A complementaridade de pareamento de bases permite que elas sejam compactadas em um 
arranjo mais favorável energeticamente no interior da fita dupla e que cada molécula de DNA 
contenha uma sequência de nucleotídeos que é exatamente complementar à sequência 
nucleotídica da fita antiparalela. 
Portanto, a forma helicoidal do DNA depende do empilhamento das bases que confere 
estabilidade a molécula de DNA, excluindo moléculas de água dos espaços entre os pares de 
bases no interior da dupla hélice, e do pareamento das bases nos filamentos de polaridade 
inversa. 
DNA mitocondrial 
 
Existe também o DNA mitocondrial, que não se encontra no núcleo das células, e sim na 
mitocôndria. O material genético mitocondrial é herdado exclusivamente da parte materna. 
Muitas vezes o DNA mitocondrial permite obter informação sobre um ser, mesmo que estejam 
em estado avançado de degradação. 
DNA 
Assuntos antes desafiadores e talvez impossíveis de resolução, como determinação de 
paternidade ou a resolução de crimes, por exemplo, hoje apresentam um mecanismo que 
permite com certa facilidade finalizar os questionamentos – o exame de DNA. Atualmente, o 
nível de conhecimento e desenvolvimento do estudo do DNA atingiu um nível tão elevado que já 
é possível o diagnóstico e a determinação da possibilidade de certas doenças, antes mesmo dos 
primeiros sintomas. 
O DNA é a estrutura que identifica os seres vivos e apresenta características próprias que 
permite, mesmo em indivíduos de uma mesma espécie, diferenciá-los. Assim, pessoas de uma 
mesma família, irmãos, por exemplo, apresentam diferenças físicas determinadas pela variação 
do DNA presente em cada indivíduo. 
O DNA é a sigla que abrevia o termo ácido desoxirribonucleico (ADN, em português), que é a 
maior macromolécula celular, formado a partir da união de compostos químicos 
chamados nucleotídeos. O nucleotídeo é formado por 3 substâncias:- Base nitrogenada, que pode ser adenina, guanina, timina ou citosina; sendo que estas bases são 
complementares, tendo no DNA os seguintes ligantes: Adenina–Timina e Guanina–Citosina. 
- Um grupamento fosfato. 
- Um glicídio do grupo das pentoses, que no caso do DNA é a desoxirribose. 
 
Os nucleotídeos estão organizados através de ligações que permitem a formação de duas fitas 
torcidas unidas entre si por ligações de hidrogênio (pontes de hidrogênio) entre suas bases 
nitrogenadas, por isso costuma-se denominar a estrutura do DNA como sendo uma dupla hélice. 
Esse modelo estrutural do DNA foi apresentado em 1953, por Watson e Crick e valeu a eles o 
prêmio Nobel de medicina ou fisiologia em 1962. 
O DNA constitui a formação de nossos genes, estruturas que representam nossas informações 
genéticas, aquilo que determina coisas como: o tipo de cabelo, estatura, cor da pele e da íris dos 
olhos, a velocidade de crescimento e etc. Recebemos esses genes de nossos pais e durante a 
reprodução passamos para nossos filhos, através dos gametas sexuais. 
A atuação do DNA, durante nossa vida, ocorre através de sua expressão. Cada gene corresponde 
a uma região específica da molécula de DNA, determinando, de acordo com as sequências 
presentes naquela região, a produção de um RNA que enviará a mensagem para a produção de 
determinada proteína. Desta forma, temos a produção celular de substâncias como enzimas, 
anticorpos, hormônios e outras tantas substâncias fundamentais para nossa subsistência. 
Apenas 3% dos genes são codificantes, ou seja, expressam algum RNA que leva à produção de 
proteínas, os outros 97% não codificantes ainda são uma incógnita e caracterizam mais um novo 
desafio para a biotecnologia. 
O que é RNA: 
RNA é a sigla para ácido ribonucléico, que é o responsável pela síntese de proteínas da célula. O 
RNA é formado geralmente em cadeia simples, que pode, por vezes, ser dobrado, e as moléculas 
formadas por RNA possuem dimensões muito inferiores às formadas por DNA. 
O RNA é constituído por uma Ribose,por um fosfato e uma base nitrogenada. A composição do 
RNA é muito semelhante ao do DNA, porém apresenta algumas diferenças como: O RNA é 
formado por uma cadeia simples, e não uma de dupla hélice como o DNA. Um filamento de RNA 
pode se dobrar de tal modo que parte de sua próprias bases se pareiam umas com as outras, e o 
RNA é capaz de assumir uma variedade muito maior de formas moleculares tridimensionais 
complexas do que a dupla hélice de DNA. 
Existe também o RNA mensageiro, que é o intermediário na expressão gênica, pois atua na 
tradução do DNA em aminoácidos para fabricar as proteínas de todos os seres vivos da terra. O 
RNA é também o responsável pela transferência de informação do DNA até o local de síntese de 
proteínas na célula. 
RNA 
O ácido ribonucléico (RNA) é formado a partir de um molde de DNA, por um processo 
denominado de transcrição gênica. O RNA é uma molécula de fita simples, formado por 
nucleotídeos compostos de uma pentose (ribose), uma base nitrogenada (adenina, uracila, 
guanina e citosina) e um grupamento fosfato. 
Vários tipos de moléculas de RNA foram identificados, das quais três se destacam: RNA 
mensageiro (RNAm), RNA ribossômico (RNAr) e RNA transportador (RNAt). 
Os RNAm são moléculas de RNA traduzidas nos ribossomos, ou seja, são os RNAs que contém a 
informação genética para a codificação das proteínas. Esse tipo de RNA compreende apenas 5% 
do RNA total da célula. Os RNAm dos organismos eucarióticos apresentam algumas 
características estruturais importantes, tais como a presença de uma cauda de adenina na 
extremidade 3´ (cauda poli-A) e uma estrutura denominada de cap na extremidade 5´ da cadeia 
de RNA. Por outro lado, os RNAt são pequenas moléculas de RNA que funcionam como 
adaptadores, transportando o aminoácido específico ao sítio de síntese de proteínas. 
Compreendem cerca de 15% do RNA total da célula. Os RNAr são componentes tanto estruturais 
como catalíticos dos ribossomos, local onde ocorre o processo de tradução propriamente dito. 
No citoplasma dos organismos eucarióticos, encontramos quatro RNAr de tamanhos 
diferenciados (5S, 5,8S, 18S e 28S). Juntos 
compreendem 80% do RNA total celular. 
Existem ainda outros tipos de RNAs, tais como os pequenos RNA nucleares que compõem os 
spliceossomos, estruturas fundamentais para a retirada dos íntrons durante a transcrição gênica; 
e os microRNAs que são filamentos de cerca de 22 nucleotídeos, capazes de bloquear a 
expressão gênica de RNAm complementares ou parcialmente complementares, levando a 
degradação desses RNAm ou reprimindo o processo de síntese protéica. No entanto, o real papel 
desses RNAs nos diversos mecanismos moleculares ainda está sendo estudado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Duplicação do DNA, Transcrição e Tradução 
Duplicação ou Replicação do DNA 
Procariontes 
A síntese de uma nova cadeia de DNA nas células, também conhecido como polimerização, 
duplicação ou replicação se faz a partir de uma fita simples de DNA molde e da regra de 
pareamento de bases complementares, de onde uma fita nova é gerada a partir do 
encadeamento dos nucleotídeos com base complementar aos nucleotídeos da fita molde. 
Os principais agentes envolvidos nesse processo são enzimas especiais chamadas polimerases. 
Enzimas que fazem a síntese de DNA são chamadas de polimerases de DNA (ou DNA polimerase). 
Essas enzimas encarregam-se de adicionar um a um os nucleotídos à fita nova, bastando que 
haja na sua extremidade 3′ um grupo hidroxil (OH) livre, onde é ligado o próximo nucleotídeo 
pelo seu grupo fosfato. É importante, então, notar que a síntese de uma fita nova de DNA 
acontece na direção 5′ 3′. 
Na replicação, cada uma das fitas de uma molécula 
de DNA é usada individualmente como molde, e 
cada uma das duas fitas novas sintetizadas estará 
ligada à sua molde. O início da síntese das fitas 
novas se faz a partir de um ponto no DNA chamado 
origem de replicação, onde o DNA se abre para que 
a cópia das novas fitas possa iniciar. O processo 
requer que haja um fragmento curto de DNA ou 
RNA (também com a extremidade 3’OH livre) em 
fita simples ligado à fita molde, onde a enzima 
começará a “encaixar” os nucleotídeos. Esse 
fragmento, chamado de “primer”, é sintetizado por 
uma outra enzima. Há várias enzimas que atuam ao 
longo do processo de replicação do DNA, cada uma 
realizando uma determinada tarefa. 
DNA-polimerase I 
 
Se liga ao DNA de cadeia única e é responsável pelo enchimento das falhas entre pequenos 
oligonucleotídeos precursores. Possui a função de revisão pois embora polimerize no sentido 5’ 
3’ também edita o filamento filho removendo nucleotídeos incorretos, não pareados, devido a 
uma capacidade 3’ exonuclease. A exonuclease é capaz de digerir o primer de RNA na direção 5’ 
3’, e preencher falhas com desoxirribonucleotídeos. 
DNA-polimerase II 
Tem capacidade de polimerização semelhante com a DNA-polimerase I possuindo atividade 3’ 5’ 
exonuclease. Pode promover o reparo de lesões pelo ultravioleta. Não pode utilizar um primer 
seccionado ou que possua grade extensão com filamento único. 
Holoenzima de DNA-polimerase III 
Principal enzima que polimeriza ou replica o DNA em bactérias, catalisando adição de 
desoxirribonucleosídeos ao primer de RNA. É incapaz de utilizar o DNA como filamento único, 
não possui atividade exonuclease 5’ 3’, maior instabilidade e pouca afinidade para 
desoxirribonucleosídeotrifosfatos. 
Fragmentos de Okazaki 
As DNA polimerases sintetizam somente no sentido 5′-3′. Por isso uma uma significativa 
proporção de DNA recém sintetizado existe como pequenos fragmentos. São chamados de 
fragmentos de Okazaki no sentido 5′-3′. A medida que a replicação continua, estes fragmentos 
tornam-se covalentemente unidos pela DNAligase para formar um dos fragmentos filhos. 
O filamento formado pelos fragmentos de Okazaki é chamado de filamento “laggin”. Enquanto o 
sintezado sem interrupção é o filamento “leading”.Tantos os fragmentos de Okazaki quanto os 
leadding são sintetizados no sentido 5′-3′. A reunião descontínua do filamento lagging possibilita 
a polimerização 5′-3′ ao nível de nucleotídeo, originando um crescimento geral no sentido 3′-5′. 
Nos procariontes a replicação inicia-se num único ponto da cadeia polinucleotídica e prossegue 
até terminar. Isto é possível pois nestes organismos exite apenas uma molécula de DNA e 
porque seu comprimento é muito menor que o do DNA dos eucariontes. 
 
Eucariontes 
A replicação do DNA eucariótico processa-se nas mesmas linhas do processo na E. coli. 
Participam do processo pelo menos três DNA-polimerases, denominadas ?,?,?. Sendo a primeira 
delas a principal enzima de replicação. A DNA-polimerase ? é amplamente distribuída nas 
espécies animais multicelulares, não sendo encontrada em bactérias, vegetais e protozoários. A 
DNA-polimerase ? só é encontrada em mitocôndrias. 
 
Replicon 
A replicação é iniciada em várias origens ao longo da molécula de DNA e continua nos dois 
sentidos para longe da origem. Os segmentos de replicação seqüencial assim formados 
constituem cada um, um replicon ou unidade de replicação. 
Transcrição 
O RNA de todos os tipos é transcrito de um filamento-molde de DNA, catalisado por diversas 
enzimas referidas como RNA-polimerase. A seqüência de nucleotídeos do RNA é complementar à 
do filamento molde de DNA, exceto quanto à substituição de timina por uracila. A síntese de um 
RNA complementar a partir de um DNA é denominado de transcrição. O DNA usado como molde 
para síntese de RNA é chamado de filamento com sentido. 
A região que foi transcrita do DNA para o RNA é denominada de região codificante. Promotores 
são regiões de reconhecimento e interação entre a RNA-polimerase e o DNA que sinaliza o 
começo da transcrição. A região TATA Box orienta a enzima RNA-polimerase em preparação para 
transcrição. 
RNA-polimerases procarióticas 
Uma das maiores enzimas já conhecida, a subunidade sigma possui a função de reconhecer os 
promotores e não está envolvida diretamente com a transcrição. 
RNA-polimerase eucarióticas 
Produzem três tipos de RNA-polimerases diferentes. RNA-polimerase I localizada no nucléolo, 
sintetiza apenas RNA-ribossômico. A polimerase II é encontrada no nucleoplasma e sintetiza 
RNA pré mensageiro. A polimerase III localizada no nucleoplasma, sintetiza RNA de 
transferência e 5s RNA. A função básica do RNA é o transporte de mensagem do DNA para o 
citoplasma, onde é responsável pela direção da síntese das cadeias polipeptídicas. 
Classes de RNA 
A mólecula de RNA que é produzida pode ser um mRNA (RNA mensageiro), um rRNA (RNA 
ribossômico) ou um tRNA (RNA transportador). Todos são transcritos de genes diferentes e cada 
um tem uma função especial na célula. 
RNA mensageiro (mRNA). A especifidade para uma determinada seqüência de aminoácidos é 
determinada pelo RNA mensageiro. 
A cópia da sequência de bases do DNA para uma cadeia complementar de RNAm, é passado ao 
citoplasma. Esta etapa decorre no núcleo, mais exatamente no nucléolo. Apenas uma cadeia de 
DNA é usada como molde para síntese de RNAm, segundo a regra do emparelhamento de bases. 
Esta síntese é comandada pela enzima RNA-polimerase, que desliza ao longo de um DNA, 
abrindo a cadeia e iniciando a síntese, sempre no sentido 5’ à 3’. Após a passagem da RNA-
polimerase a cadeia de DNA volta fechar, formando-se as pontes H entre as bases. Após a síntese 
deste RNA-pré-mensageiro inicial ocorrem alterações: sequências não codificantes – introns – 
são cortadas e as sequências codificantes restantes – exons – são unidas entre si, formando o 
RNAm funcional, que migra para o citoplasma. 
 
 
 
 
 
O RNA mensageiro da E. Coli tem vida curta, funcionado apenas por poucos minutos. Só tem 
estabilidade enquanto esta ligado aos polissomos o resultado disso é que as células bacterianas 
não ficam ligadas com grandes quantidades de RNA mensageiro. 
RNA de transferência (tRNA). Funcionam como moléculas adaptadoras, para trazer aminoácidos 
ao local da síntese de proteína. Existe mais de uma molécula de tRNA para cada aminoácido. O 
tRNA é uma molécula pequena menor que o mRNA e o Rrna, sendo encontrado no tRNA diversos 
nucleotídeos incomuns, possui pontes de hidrogênio nas bases usuais e a falta nas bases 
incomuns afetando na sua forma. 
RNA ribossômico (rRNA) e Ribossomos. O ribossomo é local de síntese de polipeptídios, sendo 
composto de proteínas e RNA ribossômico. O ribossomo dos eucariotas é bem semelhante ao 
procariótico, porém possui tamanho maior, diferindo também na sensibilidade a antibióticos que 
inibem a síntese de proteínas. Nos eucariotos as moléculas de rRNA 18s, 5,8s e 28s estão 
próximos um dos outros na ordem mencionada constituindo a unidade transcricional deste 
modo o transcrito primário é processado pa moléculas funcionais de rRNA semelhante aos 
outros processamentos de RNA. 
Tradução 
A tradução é o processo de síntese ou fabricação de proteínas (construção da cadeia de 
aminoácidos). Para a fabricação das proteínas é necessário que estruturas celulares chamadas 
ribossomos decodifiquem a mensagem contida na molécula de mRNA(RNA mensageiro) para 
uma cadeia de aminoácidos. A decodificação está baseada em trincas de nucleotídeos, chamadas 
códons, que são usados para especificar o aminoácido. A correspondência entre uma trinca de 
nucleotídeos e um aminoácido é chamada de código genético. Combinando os 4 nucleotídeos 
em triplas obtém-se 64 combinações. Embora esse número seja superior aos 20 aminoácidos 
existentes, mais do que um códon pode representar um mesmo aminoácido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
[Dentre os códons possíveis, 3 não especificam aminoácidos, e referem-se a sinais de terminação 
da síntese de um cadeia de aminoácidos. Esses códons são chamados de códons de parada. O 
código genético estabelece também um códon de início , pelo qual começa o processo de 
tradução do mRNA. Na maioria das proteínas o códon de início especifica o aminoácido 
metionina, que também está presente no interior das cadeias. 
Sumariamente, o processo de tradução é realizado da seguinte maneira: ao combinar-se com os 
ribossomos, o mRNA tem sua seqüência de códons lida, e para cada codon o respectivo tRNA é 
atraído até os ribossomos, e pela complementariedade de bases é feita a ligação entre o codon 
(do mRNA) e o anticodon (do tRNA), liberando o aminoácido carregado pelo tRNA que é então 
ligado à cadeia crescente do polipeptideo. Moléculas de tRNA ou RNA transportador (=transfer 
RNA) agem como adaptadores entre a seqüência codificante dos nucleotídeos do mRNA e o 
aminoácido que é codificado. Uma ponta dessa molécula carrega o aminoácido e uma outra 
ponta consiste de uma seqüência de três nucleotídeos conhecida como anticódon. A síntese da 
proteína é encerrada quando os ribossomos encontram um códon de parada no mRNA. 
Os processos de transcrição e tradução dos procariotos e eucariotos apresentam diferenças 
entre si. Dentre essas diferenças há duas principais. A primeira é que em procariotos o processo 
de tradução de um mRNA inicia-se antes que a transcrição do mesmo tenha se encerrado (a 
transcrição e a tradução ocorrem concomitantemente). Já nos eucariotos, a tradução é iniciada 
somente após a finalização da transcrição, e nesse caso o mRNA sai do núcleo para o citoplasma 
onde é realizada a tradução. 
 
 
 
A segunda diferença é que nos eucariotos o mRNA sofre modificações antes de ser traduzido. O 
produto da transcrição (o mRNA), chamado de transcrito primário, sofre mudanças e somente 
após estas mudanças este mRNA agora“maduro” pode ser transportado do núcleo da célula 
para o citoplasma onde ocorrerá o processo de tradução. Uma mudança importante sofrida pelo 
mRNA antes de sair do núcleo é a retirada dos introns. Os introns são pequenos pedaços de um 
gene que são transcritos mas não participam do processo de tradução. 
Somente participarão da montagem da proteína os pedaços de um gene chamados de exons. 
Além das duas grandes diferenças acima, uma diferença mais peculiar é que em eucariotos, um 
transcrito contém apenas o produto de um único gene, jé em procariotos, um transcrito pode 
conter mais de um gene pelo fato da grande maioria dos genes de procariotos estarem 
organizados na forma de operons. 
Código Genético 
 
O código genético diz respeito aos códons e aos aminoácidos que eles codificam. 
 
Sabemos que as proteínas, substâncias essenciais para o funcionamento do corpo, são um 
conjunto de aminoácidos que estão ligados entre si por ligações peptídicas. A sequência de 
aminoácidos de uma proteína será determinada pela disposição das bases nitrogenadas em um 
RNAm. Este, por sua vez, será produzido a partir de uma molécula de DNA. Podemos dizer, 
portanto, que o DNA fornece as informações para a produção das proteínas. 
O código genético pode ser definido como a relação entre as trincas (códons) encontradas no 
RNAm e os aminoácidos encontrados em uma proteína. Os códons são trincas formadas pelas 
bases nitrogenadas (A, U, C e G). 
As quatro bases nitrogenadas podem ter 64 diferentes combinações, existindo, portanto, 64 
códons diferentes. Desses códons, 61 codificarão os 20 tipos diferentes de aminoácidos 
existentes. Os outros três códons (UAA, UAG e UGA) serão responsáveis por indicar os locais de 
término da síntese, sendo chamados também de códons de parada. Eles não codificam nenhum 
aminoácido e não são lidos por RNAt, mas sim por proteínas chamadas de fatores de liberação. 
 
 
Observe as trincas de nucleotídeos e os aminoácidos que elas codificam 
 
Observe que existem apenas 20 tipos de aminoácidos, mas 61 trincas diferentes que os 
codificam. Isso ocorre pelo fato de que um mesmo aminoácido pode ser codificado por 
diferentes códons. A glicina, por exemplo, é codificada pelas trincas GGU, GGC, GGA e GGG. Essa 
característica faz com que o código genético seja considerado degenerado ou redundante. 
É importante destacar que apenas dois aminoácidos são codificados exclusivamente por uma 
trinca: a metionina (AUG) e a triptofano (UGG). 
Esse código é universal, sendo o mesmo para todas as espécies de seres vivos do planeta. As 
únicas exceções são encontradas no RNA produzido por mitocôndrias de algumas espécies. 
Podemos dizer, portanto, que o código genético apresenta três características importantes: 
- Especificidade: Uma trinca sempre codificará o mesmo aminoácido; 
 
- Universalidade- Todos os seres vivos utilizam o mesmo código genético para codificar os 
aminoácidos; 
 
- Redundância- Um aminoácido pode ser codificado por diferentes trincas. 
 
MÓDULO 2 
· Conceitos básicos em genética: cromossomos, loco, mutação, alelos, genótipo, fenótipo. 
· Simbologia adotado no estudo dos heredogramas 
 
 
Conceitos básicos em genética 
 
A Genética é uma parte da Biologia que estuda, principalmente, como ocorre a transmissão de 
características de um organismo aos seus descendentes. Sendo assim, podemos dizer, 
resumidamente, que ela é uma ciência que se volta para o estudo da hereditariedade, 
preocupando-se também com a análise dos genes. 
Ao estudar Genética, entender alguns termos é essencial. Assim sendo, separamos uma lista 
dos principais termos que devem ser compreendidos para um maior entendimento da Genética. 
 
 
 Alelo: Forma alternativa de um mesmo gene que ocupa o mesmo lócus em cromossomos 
homólogos. 
 
 Aneuploidia: Alteração cromossômica numérica que afeta um ou mais tipos de cromossomos. O 
tipo mais comum de aneuploidia é a trissomia, em que há um cromossomo extra, ou seja, a 
pessoa apresenta 47 cromossomos, mas o padrão é 46. 
 
 
 
 
 
 Autossômico: Dizemos que os cromossomos são autossômicos quando não são sexuais, ou seja, 
todos os cromossomos, exceto o X e o Y. No total, temos 22 pares de cromossomos 
autossômicos. 
 
 Cariótipo: É a constituição cromossômica de um indivíduo. 
 
 Codominância: Quando dois alelos que estão em heterozigose expressam-se. 
 
 Cromossomos: sequências de DNA espiraladas que carregam os genes. 
 
 Cromossomos homólogos: cromossomos que formam pares durante a meiose I, apresentando 
formato e tamanho similares e mesmo loci. 
 
 Dominância: Um gene exerce dominância quando ele se expressa mesmo que em dose simples, 
ou seja, em heterozigose. 
 
 Epistasia: Condição em que um alelo de um gene bloqueia a expressão dos alelos de outro gene. 
 
 Euploidia: Alteração cromossômica numérica em que todo o conjunto cromossômico é alterado. 
 
 Fenótipo: Características bioquímicas, fisiológicas e morfológicas observáveis em um indivíduo. 
O fenótipo é determinado pelo genótipo e pelo meio ambiente. 
 
 Genes: Sequência de DNA que codifica e determina as características dos organismos. É a 
unidade fundamental da hereditariedade. 
 
Genótipo: Constituição genética de uma pessoa. 
 
 Heterozigoto: Indivíduo que apresenta dois alelos diferentes em um mesmo lócus em 
cromossomos homólogos. 
 
 Homozigoto: Indivíduo que apresenta o mesmo alelo em um mesmo lócus em cromossomos 
homólogos. 
 
 Locus gênico (plural loci): Posição que um gene ocupa em um cromossomo. 
 
 Recessividade: Um gene recessivo só se expressa em homozigose. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Simbologia adotado no estudo dos heredogramas 
 
Os heredogramas são gráficos utilizados em Genética para expor a genealogia ou pedigree de 
um indivíduo ou de uma família. Através de símbolos e sinais convencionais são caracterizados 
todos os integrantes da linhagem sobre a qual se questiona alguma coisa. 
Os sinais mais corretamente usados nos problemas com heredogramas são: 
 Indivíduos do sexo masculino são representados por um quadrado; 
 Indivíduos do sexo feminino são representados por um círculo; 
 Casamento indicando procriação é simbolizado por um traço horizontal que une os dois 
membros do casal; 
 Filhos do mesmo casamento são representados por traços verticais unidos ao traço 
horizontal do casal; 
 Indivíduos de sexo indefinido são representados por um losango; 
 Indivíduos afetados por alguma anomalia são representados pelo símbolo que caracteriza 
seu sexo, preenchidos; 
 No caso de acasalamento consanguíneo, os membros do casal são unidos por dois traços 
horizontais; 
 
A montagem de um heredograma deve ser de acordo com algumas regras: 
 O homem deve vir à esquerda do casal e a mulher à direita sempre que possível; 
 Os filhos devem ser colocados da direita para a esquerda, em ordem de nascimento; 
 Cada geração seguinte é indicada por algarismos romanos (I, II, III, e assim por diante). 
Dentro de cada geração, os indivíduos são indicados por algarismos arábicos, sempre da 
esquerda para a direita. 
 
 
Exemplo de Heredograma 
 
 
 
 
 
 
Na interpretação de um heredograma, a primeira informação que se procurar saber é se o 
caráter em questão é condicionado por um gene dominante ou recessivo. Deste modo, deve ser 
procurado no heredograma casais fenotipicamente idênticos e que tiverem um ou mais filhos 
diferente deles. Caso a característica não tenha se manifestado em nenhum dos membros do 
casal e manifestou-se no filho, significa que esta característica só pode ser determinada por 
um gene recessivo. Depois que identificado o gene dominante e o gene recessivo, deve ser 
identificado ohomozigoto recessivo, pois todos eles manifestam o caráter recessivo. Em seguida, 
identifica-se os genótipos dos outros indivíduos, sendo importante saber de dois pontos: 
1. Em um par de genes alelos, um provém do pai e o outro da mãe. Caso o indivíduo seja 
homozigoto recessivo, ele recebeu um gene recessivo de cada ancestral; 
 
2. Caso o indivíduo seja homozigoto recessivo, ele passa este gene para todos os seus 
descendentes. 
 
MÓDULO 3 
· Herança autossômica dominante: padrão e exemplos. 
· Herança autossômica recessiva: padrão e exemplos. 
· Herança recessiva ligada ao X: padrão e exemplos. 
· Caso especial de herança ligada ao X: síndrome do cromossomo X-frágil. 
 
Herança Autossômica Dominante 
 
Na herança autossômica dominante um fenótipo é expresso da mesma maneira em 
homozigotos e heterozigotos. Toda pessoa afetada, representada em um heredograma, possui 
um genitor afetado, que por sua vez também possui um genitor afetado e assim por diante, 
como no heredograma abaixo (Figura 1): 
 
 
Fonte: http://www.virtual.epm.br/cursos/genetica/htm/harhtm 
 
Figura 1: Heredograma representado a herança de um caráter dominante, através das gerações 
sucessivas. 
 
 
 Nos casamentos que produzem filhos com uma doença autossômica dominante, um 
genitor geralmente é heterozigoto para a mutação e o outro genitor, homozigoto para o alelo 
normal (Figura 2). 
 
 
 
Fonte: http://www.virtual.epm.br/cursos/genetica/htm/figuras/gehad.gif 
 
Figura 2: Resultados previstos a partir da união entre um indivíduo heterozigoto afetado outro 
normal (recessivo). 
 
Cada filho desse casamento tem uma chance de 50% de receber o alelo defeituoso (A) do 
genitor afetado e, portanto expressar a característica (A/a), e uma chance de 50% de receber o 
alelo normal (a) e, assim não ser afetado (a/a). 
 
 
 
 
Critérios da Herança Autossômica Dominante 
 1. O fenótipo aparece em todas as gerações, e toda pessoa afetada tem um genitor afetado. 
 2. Qualquer filho de genitor afetado tem um risco de 50% de herdar o fenótipo. 
 3. Familiares fenotipicamente normais não transmitem o fenótipo para seus filhos. 
 4. Homens e mulheres têm a mesma probabilidade de transmitir o fenótipo aos filhos de 
ambos os sexos. 
 
Exemplos de Herança Autossômica Dominante: 
 
Retinoblastoma: 
É o câncer originário das células embrionárias da retina (porção posterior do olho responsável 
pela transformação dos estímulos luminosos em estímulos nervosos que vão para o cérebro). 
Afeta uma em cada 15.000 a 30.000 crianças nascidas nos EUA. Parece ser mais comum nos 
países em desenvolvimento. É o tumor ocular mais comum das crianças (Figura 3), que podem 
ser de qualquer origem racial, e de ambos os sexos. 
É uma doença de etiologia genética decorrente da mutação de um gene localizado no braço 
longo do cromossomo 13. Pode ter caráter hereditário, como ocorre em 10% dos casos; esses 
casos têm transmissão pelo modelo autossômico dominante. Os 90% restantes têm 
manifestação independente da hereditariedade. 
O retinoblastoma pode ser congênito ou principalmente, aparecer durante os 3 primeiros 
anos de vida, podendo manifestar-se uni ou bilateralmente. A maioria dos casos (75%) é 
unilateral. 
Pode se apresentar de diversas maneiras. A maioria dos pacientes apresenta um reflexo 
branco na pupila (leucocoria), ao invés da pupila preta normal (Figura 4) ou, então, em 
substituição ao reflexo vermelho, também normal, que aparece em fotografias, quando se está 
olhando diretamente para a câmara fotográfica. O reflexo branco anormal na pupila é, às vezes, 
referido como o “reflexo do olho do gato”. 
 
Herança Autossômica Recessiva 
 
Os distúrbios autossômicos recessivos expressam-se apenas em homozigotos, que, portanto, 
devem ter herdado um alelo mutante de cada genitor. 
O risco de seus filhos receberem o alelo recessivo de cada genitor, e serem afetados é de 1/4. 
A maioria dos genes dos distúrbios autossômicos recessivos está presente em portadores 
(heterozigotos) dos genes. Eles podem ser transmitidos nas famílias por numerosas gerações 
sem jamais aparecer na forma homozigótica. A chance de isto acontecer é aumentada se os pais 
forem aparentados. A consanguinidade dos genitores de um paciente com um distúrbio genético 
é uma forte evidência em favor da herança autossômica recessiva daquela afecção. 
 
Critérios da Herança Autossômica Recessiva 
 1. O fenótipo é encontrado tipicamente apenas na irmandade do probando e o fenótipo salta 
gerações. 
 2. O risco de recorrência para cada irmão do probando é de 1 em 4. 
 3. Os pais do indivíduo afetado em alguns casos são consanguíneos. 
 4. Ambos os sexos têm a mesma probabilidade se serem afetados. 
 
 
Exemplos de Herança Autossômica Recessiva: 
 
Anemia: 
A forma comum da Anemia Falciforme (HbSS) acontece quando uma criança herda um gene 
da hemoglobina falciforme da mãe e outro do pai. É necessário que cada um dos pais tenha 
pelo menos um gene falciforme, o que significa que cada um é portador de um gene da 
hemoglobina falciforme e um gene da hemoglobina normal. 
Como a condição de portador do traço falciforme é um estado benigno, muitas pessoas não 
estão cientes de que o possuem. Quando duas pessoas portadoras do traço falciforme resolvem 
ter filho(s), é importante que saibam que para cada gestação há possibilidade de um para 
quatro de que a criança tenha doença falciforme; há possibilidade de uma em duas de que a 
criança seja portadora do gene para a anemia falciforme e a chance de um em quatro de que 
tenha a hemoglobina normal. 
A hemoglobina, pigmento que dá cor vermelha aos glóbulos vermelhos, é essencial para a 
saúde de todos os órgãos do corpo transportando o oxigênio. 
 A hemoglobina normal é chamada de A e os indivíduos normais são considerados AA, porque 
recebem uma parte do pai e outra da mãe. 
Na Anemia Falciforme a hemoglobina produzida é anormal e é chamada de S. Quando a 
pessoa recebe de um dos pais a hemoglobina A e de outro a hemoglobina S, ele é chamado de 
“traço falcêmico”, sendo representado por AS. O portador de traço falcêmico não é doente, 
sendo, portanto, geralmente assintomático e só é descoberto quando é realizado um estudo 
familiar. 
Quando uma pessoa recebe de ambos, pai e mãe, a hemoglobina S, ela nasce com Anemia 
Falciforme cuja representação é SS. Então os pais do paciente com Anemia Falciforme deverão 
ser portadores do traço ou doentes (Figuras 1 e 2). 
Além de filhos com Anemia Falciforme, pessoas portadoras do Traço Falcêmico poderão 
também ter filhos normais ou portadores do traço como eles. 
 
 
 
 
 
Albinismo: 
O albinismo óculo-cutâneo é um dos erros inatos do metabolismo determinado por gene 
autossômico recessivo. Encontra-se consanguinidade entre os pais dos afetados em 20 a 30% 
dos casos da literatura. 
Ainda não se desenvolveu um teste laboratorial ou se conhece alguma manifestação clínica 
capaz de caracterizar os indivíduos heterozigotos (portadores) quanto ao gene do albinismo. 
O albinismo universal ou óculo-cutâneo caracteriza-se por uma acentuada hipopigmentação 
da pele, cabelos e olhos. A pele é branco-leitosa e desenvolve eritemas intensos em resposta à 
exposição ao sol. O cabelo é branco, amarelado ou pardo-amarelado. Os olhos não têm 
pigmentos na coroide nem na retina e a íris é diáfana, em geral azul-acinzentada (Figuras 1A, B e 
C). Invariavelmente ocorrem nistagmo, fotofobia e redução da acuidade visual em torno de 10% 
ou menos da visão normal. As pupilas são às vezes vermelhas em crianças, mas nos adultos são 
sempre negras. 
Os albinos apresentam grande susceptibilidade ao câncer de pele. 
A doença decorre de um bloqueio incurável da síntese de melanina, devido à ausência daenzima tirosina se nos melanócitos os quais estão, entretanto, presentes em número normal. 
 
 
Herança Recessiva Ligada ao X 
 
Os homens diferenciam-se das mulheres por apresentarem um cromossomo X e outro Y 
(diferentemente do X, o Y apresenta poucos genes e determina poucas características), haja vista 
que as mulheres apresentam apenas cromossomos X. Os cromossomos X e Y apresentam poucas 
regiões homólogas, o que faz com que certas características sejam completamente influenciadas 
pelo sexo. 
Denomina-se de herança ligada ao sexo ou herança ligada ao cromossomo X aquela em que os 
genes estão localizados em uma região não homóloga do cromossomo X. Nesse tipo de herança, 
as fêmeas apresentam três genótipos, e o homem apresenta apenas dois. 
Imagine, por exemplo, um gene com dois alelos (B e b) que estão localizados na região não 
homóloga do cromossomo X. Uma fêmea poderia apresentar os genótipos XBXB, XbXb ou XBXb, já 
o macho apresentaria apenas os genótipos XBY ou XbY. Como os machos apresentam apenas um 
cromossomo X e possuem apenas um alelo, dizemos que eles são hemizigóticos. 
 
 
→ Hemofilia 
A hemofilia é um dos principais exemplos quando o assunto é doenças ligadas ao sexo. Essa 
doença, que é recessiva e ligado ao cromossomo X, compromete o sistema de coagulação, o que 
torna pequenos ferimentos grandes problemas em virtude da perda exagerada de sangue. 
Os tipos de hemofilia diferenciam-se de acordo com o fator de coagulação que é afetado. O tipo 
A, que é um dos mais frequentes, relaciona-se com uma deficiência no fator VIII. A hemofilia é 
manifestada quando o homem apresenta um gene recessivo relacionado com a produção do 
fator VIII. Já as mulheres, quando apresentam um gene recessivo, são consideradas portadoras 
e, quando apresentam dois genes, são hemofílicas. Chamando os alelos de H e h, teríamos: 
Hemofílicos: XhY, XhXh 
Portador: XHXh 
Normais: XHY, XHXH 
 
 
 
 
 
Mulheres com a doença podem transmitir o gene com problemas para suas filhas e filhos, uma 
vez que o gene ligado à doença está localizado no cromossomo X e a mulher sempre doa 
cromossomo X para seus herdeiros. O homem, por sua vez, pode passar o gene defeituoso 
apenas para sua filha, pois doa à filha apenas o cromossomo X. Como o homem apresenta 
cromossomos XY, no momento da fecundação, para gerar um menino, ele será responsável por 
fornecer o cromossomo Y, que não possui as características ligadas ao cromossomo X. 
→ Daltonismo 
O daltonismo é uma doença que afeta diretamente a percepção das cores. Em um de seus tipos, 
a doença manifesta-se na incapacidade de diferenciar o vermelho do verde. Assim como no caso 
da hemofilia, trata-se de uma doença recessiva ligada ao cromossomo x. 
Considerando-se os alelos D e d para determinar o daltonismo, temos: 
Daltônicos: XdY, XdXd 
Portador: XDXd 
Normais: XDY, XDXD 
→ Conclusões importantes 
- Homens só herdam genes do cromossomo X da sua mãe; 
- Mulheres herdam genes do cromossomo X do pai ou da mãe; 
- Em casos em que a característica é determinada por gene recessivo, os homens são mais 
afetados, uma vez que necessitam apenas de um gene para desenvolver a enfermidade. 
 
 
Caso especial de herança ligada ao X: síndrome do cromossomo X-frágil. 
 
 
A Síndrome do X Frágil é uma doença genética ligada ao cromossomo sexual X, sendo conhecida 
como a causa mais frequente de retardo mental. É caracterizada por uma repetição de 
trinucleotídeos CGG do gene FMR-1 do cromossomo X. Em um paciente com X Frágil, a repetição 
chega a mais de 200, por isso, ele é chamado de portador de mutação completa. Em um 
indivíduo normal, a repetição dos trinucleotídeos varia de 6 a 55. Quando uma pessoa apresenta 
repetições que variam de 55 a 200, dizemos que ela apresenta uma pré-mutação. 
A repetição dos trinucleotídeos faz com que a proteína FMRP, traduzida pelo gene FMR 1, não 
seja produzida adequadamente. Como essa proteína está relacionada com a função sináptica e 
com o crescimento dos dendritos, a sua deficiência gera problemas nas funções normais do 
cérebro. 
A doença afeta tanto homens quanto mulheres. Entretanto, em pessoas do sexo masculino, ela 
apresenta-se de forma mais grave. A incidência da doença é de 1 a cada 4000 homens e de 1 a 
cada 6000 mulheres. A maior frequência em homens é atribuída ao fato de eles apresentarem 
apenas um cromossomo X. Como as mulheres apresentam dois cromossomos X, um sadio 
compensa o outro. 
 
 
 
 
 
 
A síndrome afeta o desenvolvimento intelectual do portador e varia de deficiência mental 
mediana a profunda. Em alguns casos, características do autismo são observadas. Além 
disso, compromete o comportamento do indivíduo, que geralmente apresenta deficit de 
atenção e hiperatividade. Outro sintoma comum em portadores da doença é a ocorrência de 
convulsões. 
Além das variações neurológicas e psiquiátricas, podem ser observadas algumas variações nas 
características físicas. Pacientes com a síndrome geralmente apresentam uma face mais 
alongada, orelhas grandes, hiperextensibilidade das articulações, pés planos e palato alto e 
ogival. Essas características geralmente são associadas com o comprometimento do tecido 
conjuntivo. 
 
 
Nas mulheres afetadas, é comum a ocorrência de falha ovariana prematura, que ocasiona uma 
menopausa antes mesmo dos 40 anos de idade. Nos homens, há macrorquidia, isto é, aumento 
no tamanho dos testículos. 
O diagnóstico da Síndrome do X Frágil é feito através de exames que utilizam técnicas de 
biologia molecular para estudar o DNA do paciente. A análise do gene é feita normalmente 
através de técnica do PCR e Southern blotting. O exame de cariótipo por muito tempo foi 
utilizado para diagnosticar a Síndrome, entretanto, é um procedimento que pode gerar um falso 
negativo, não sendo, portanto, recomendado. 
Após o diagnóstico da síndrome, é importante iniciar o tratamento, que não leva à cura, porém 
melhora a qualidade de vida. O tratamento possui como objetivos principais socializar o portador 
e melhorar seu aprendizado. Para que a terapia funcione adequadamente, é fundamental que o 
trabalho seja realizado por diferentes profissionais, tais como neurologistas e fonoaudiólogos. 
Atenção! Em casos de diagnóstico da doença, é fundamental que seja feito um aconselhamento 
genético. 
 
 
MÓDULO 4 
· Herança multifatorial: poligenes e interação ambiental. 
· Exemplos de distúrbios multifatoriais. 
· Genética do comportamento: natureza multifatorial e métodos de estudo. 
 
 
Herança multifatorial: poligenes e interação ambiental. 
 
Herança poligênica ou multifatorial ocorre quando vários pares de genes interagem para 
determinar uma característica, cada um com efeito aditivo sobre o outro. Graças a esse tipo de 
interação existe uma variedade muito grande de fenótipos e genótipos para algumas 
características. A interação desses fenótipos com o meio ambiente aumenta ainda mais essa 
variação, como é o caso da cor da pele e altura das pessoas, etc. 
O número de genes dominantes contribui para a determinação da pigmentação da pele. 
Acredita-se que 5 pares de alelos interagem para determinar a cor da pele em seres humanos, 
que são agrupados em várias classes fenotípicas. 
Quando falamos de herança quantitativa ou poligênica, o número de fenótipos será sempre o 
número de alelos + 1, por exemplo: 
Se uma característica é determinada pelos alelos A/a, B/b, que possuem efeitos aditivos sobre os 
outros, teremos 5 fenótipos. 
As variedades da cor vermelha da semente do trigo é um exemplo de herança poligênica. 
Genótipo Quantidade de alelos dominantes Fenótipo 
AABB 4 Vermelho-escuro 
AABb ou AaBB 3 Vermelho-médio 
AaBb, AAbb, aaBB 2 Vermelho 
Aabb, aaBb 1 Vermelho-claro 
aabb 0 Branco 
 
Em humanos podemos exemplificar a classificação da cor da pele daseguinte forma: 
Genótipo Quantidade de alelos dominantes Fenótipo 
AABBCC 6 Negro 
↓ 5 ↓ 
↓ 4 ↓ 
↓ 3 Intermediário 
↓ 2 ↓ 
↓ 1 ↓ 
aabbcc 0 Branco 
 
Quanto mais genes interagindo, maior a quantidade de combinações. 
 
A expressão de vários traços envolvem múltiplos genes. Vários destes traços (p. ex., altura) são 
distribuídos em uma curva com forma de sino (distribuição normal). Habitualmente cada gene 
adiciona ou subtrai do traço, independentemente dos outros genes. Nessa distribuição, poucos 
indivíduos estão nos extremos e muitos estão no meio em razão da baixa probabilidade de um 
indivíduo herdar múltiplos fatores, atuando na mesma direção. Fatores ambientais também 
adicionam ou subtraem do resultado final. 
Várias anormalidades congênitas relativamente comuns e doenças familiares resultam de 
herança multifatorial. Em um indivíduo afetado, a doença representa a soma de influências 
genéticas e ambientais. O risco de ocorrência desse traço é muito maior em parentes de 
primeiro grau (irmãos, pais ou filhos que dividem, em média, 50% dos genes com os indivíduos 
afetados) do que em parentes mais distantes, que apresentam probabilidade de herdar apenas 
alguns genes responsáveis. 
Entre as doenças comuns com causas multifatoriais estão hipertensão, doença cardíaca 
aterosclerótica, diabetes melito, câncer, fenda palatina e artrose. Vários genes específicos que 
contribuem para estes traços estão sendo identificados. Fatores genéticos predisponentes, 
incluindo história familiar e parâmetros bioquímicos e moleculares (p. ex., colesterol elevado), 
podem algumas vezes identificar indivíduos em risco, que apresentam possibilidade de se 
beneficiarem de medidas preventivas. 
Os traços multigênicos multifatoriais raramente produzem padrões claros de herança, 
entretanto estes traços tendem a ocorrer com mais frequência entre certos grupos étnicos e 
geográficos ou entre um sexo ou outro. 
DISTÚRBIOS COM CAUSAS MULTIFATORIAIS 
Muitos distúrbios agrupam-se em famílias, mas não estão associados a aberrações 
cromossômicas evidentes ou padrões de herança mendeliana. Os exemplos incluem 
malformações congênitas, como a fissura labial, a estenose pilórica, a espinha bífida, a doença 
arterial coronariana, o diabetes melito tipo 2, e várias formas de neoplasias. Esses distúrbios em 
geral caracterizam-se por variação de frequência em diferentes grupos étnicos, pela disparidade 
na preferência sexual, e por maior regularidade – embora sem concordância absoluta – em 
gêmeos monozigóticos do que em gêmeos dizigóticos. Esse padrão de herança é chamado 
“multifatorial”, significando que vários genes interagem com diversos agentes ambientais para 
produzir o fenótipo. Presume-se que o agrupamento familial seja devido ao compartilhamento 
de alelos e de ambiente. 
 
Na maioria das condições multifatoriais, pouco se sabe sobre os genes especificamente 
envolvidos, sobre como eles e seus produtos interagem, e de que modo os diferentes fatores 
não genéticos contribuem para o fenótipo. Para alguns distúrbios, estudos genéticos e 
bioquímicos identificaram condições mendelianas no fenótipo em geral. Defeitos no receptor de 
lipoproteínas de baixa densidade contribuem para uma pequena parte dos casos de doenças 
cardíacas isquêmicas (proporção essa que aumenta quando se consideram apenas pacientes 
com menos de 50 anos de idade); a polipose familial do colo predispõe ao adenocarcinoma; e 
alguns pacientes com enfisema têm uma deficiência hereditária de inibidores de α1proteinase 
(α1-antitripsina). Apesar desses exemplos notáveis, essa preocupação reducionista com os 
fenótipos mendelianos não tem chance de explicar a maioria das doenças humanas; mesmo 
assim, ficará demonstrado que parte da patologia humana está associada com fatores genéticos 
pela causa, pela patogenia ou por ambas. 
 
Nossa ignorância sobre os mecanismos genéticos fundamentais, no desenvolvimento e na 
fisiologia, não restringiu completamente as abordagens práticas à genética dos distúrbios 
multifatoriais. Por exemplo, os riscos de recorrência baseiam-se em dados empíricos, derivados 
das observações de muitas famílias. O risco de recorrência de transtornos multifatoriais aumenta 
em várias circunstâncias: (1) em consanguíneos próximos (irmãos, filhos e genitores) de um 
indivíduo afetado; (2) quando dois ou mais membros de uma família têm a mesma condição; (3) 
quando o primeiro caso, em uma família, é do sexo que costuma ser afetado com menor 
frequência (p. ex., a estenose pilórica é cinco vezes mais comum em meninos; uma mulher 
afetada tem um risco 3 ou 4 vezes maior de ter uma criança com estenose pilórica); e (4) em 
grupos étnicos em que há uma alta incidência de determinada condição (p. ex., a espinha bífida é 
40 vezes mais comum em brancos – e ainda mais frequente em irlandeses – do que em 
asiáticos). 
 
Para muitos distúrbios aparentemente multifatoriais, o número de famílias examinadas é 
pequeno demais para permitir que se estabeleçam dados sobre riscos empíricos. Uma 
aproximação útil para o risco de recorrência em consanguíneos próximos é a raiz quadrada da 
incidência. Por exemplo, muitas malformações congênitas comuns têm uma incidência entre 
1:2.500 e 1:400 nascidos vivos, portanto, os riscos de recorrência calculados ficam na faixa de 2 a 
5% – valores que têm boa correspondência com os que são observados. 
 
Grande parte do esforço foi dirigido para a identificação dos contribuintes genéticos às doenças 
multifatoriais. Os estudos de associação no genoma inteiro (Genome-wide association studies 
[GWAS]) abrangeram grandes coortes de pacientes com determinada doença. Esses pacientes 
tiveram centenas de milhares, ou até um milhão, de polimorfismos de nucleotídeo único 
documentados e comparados com uma coorte com o mesmo número de indivíduos, com idades 
e etnias equivalentes, que não tinham evidências da doença. Desse modo, centenas de 
distúrbios comuns foram associados com marcadores ainda mais específicos, no genoma 
humano. Apesar desses resultados impressionantes, a verdade é que, com raras exceções, uma 
mudança em um único nucleotídeo altera muito pouco o risco relativo de uma dada doença (p. 
ex., risco relativo de 1,2 a 1,4);, ainda mais importante: são raros os polimorfismos de 
nucleotídeo que ocorrem em genes e, quando ocorrem, não alteram a função gênica de modo 
nítido. Portanto, ainda há muito trabalho até que os contribuintes genéticos às doenças comuns 
sejam definidos, e a história familial continua sendo um instrumento clínico importante para a 
previsão de risco. 
As 10 doenças mais comuns que são herdadas geneticamente 
Assim como os filhos herdam de seus pais características como cor do cabelo, estatura, cor dos 
olhos, tipo sanguíneo, entre outros, algumas doenças também podem ser transmitidas de pais para 
filhos. 
 
 Doenças Monogênicas ou Mendelianas 
São produzidas pela alteração ou mutação na sequência de DNA de um único gene. 
Foram identificadas cerca de 6.000 doenças hereditárias monogênicas e há 
uma prevalência de um caso para cada 200 nascimentos. Entre as doenças 
monogênicas mais comuns encontramos: a Hemofilia, a Anemia Falciforme, a Fibrose 
Cística, e a Fenilcetonúria. 
 Doenças Cromossômicas 
Ocorrem por alteração no número ou na estrutura dos cromossomos. Alguns 
exemplos: Síndrome de Down, Síndrome de Patau, Síndrome de Turner. 
 Doenças Poligênicas, Multifatoriais ou Complexas 
Podem manifestar-se pela combinação entre diversos fatores ambientais, o estilo de 
vida e algumas mutações em alguns genes e em diferentes cromossomos. Exemplos: 
Mal de Alzheimer, diabetes, asma, esclerose múltipla, câncer, hipertensão, obesidade, 
doenças cardíacas, alergias, etc. 
Quando há casos de familiares próximos com doenças como as citadas acima, a 
probabilidade de que nasçam criançascom tais doenças é bem maior. Na maioria dos 
casos, as doenças não se manifestam imediatamente, mas ao longo da vida. Cerca de 
80% da população mundial desenvolverá, em algum momento de sua vida, uma doença 
que lhe foi transmitida geneticamente. 
Contudo, várias doenças só serão desenvolvidas se a pessoa estiver sujeita a outros 
fatores. Por exemplo, um filho de pais hipertensos terá suas chances de desenvolver a 
doença multiplicadas se ele for sedentário, consumir sal em excesso e tiver uma má 
alimentação. 
Veja as 10 doenças hereditárias mais comuns: 
1 - Hemofilia A 
Essa doença caracteriza-se pela desordem no mecanismo da coagulação do sangue. Os sintomas 
dessa doença são o aparecimento de hematomas, hemartroses (sangramentos nas articulações), 
sangramentos intracranianos. As mulheres são as portadoras do gene causador da doença, mas 
geralmente não a desenvolvem. Ela poderá se manifestará no filho (do sexo masculino). 
2 - Câncer 
O câncer é uma doença procedente da interação entre fatores ambientais - como tabagismo, 
infecções, maus hábitos alimentares, exposição solar, etc. - e genéticos. Alguns cânceres estão 
fortemente relacionados a fatores ambientais, como o câncer de pulmão e o de pele. Em outros, 
como o câncer de mama e o de cólon, o fator hereditário pode ter um peso maior. Estima-se que 
10% dos tumores malignos sejam hereditários. Se o indivíduo tiver predisposição genética, ele 
deve procurar um oncologista para um acompanhamento. Ele realizará exames de prevenção 
periódicos. Quando um tumor maligno for diagnosticado em fases iniciais, as chances de cura 
são grandes. 
3 - Depressão 
Segundo o site PsiqWeb, "Existem vários estados psicopatológicos com inegáveis componentes 
hereditários e/ou familiares. A transmissão genética diz respeito à probabilidade e não a certezas 
.(...) Quanto maior o número de antecedentes deprimidos entre familiares, maior será a 
probabilidade de desenvolver uma Depressão de natureza constitucional. Há uma significativa 
porcentagem de filhos de pais deprimidos que desenvolve a doença e, mais marcante ainda, uma 
expressiva porcentagem quando os dois pais são deprimidos, mesmo que o filho tenha sido 
criado por outra família não deprimida". Para esclarecer melhor, lemos no site Stanford School 
of Medicine o seguinte: "ninguém simplesmente 'herda' a depressão de sua mãe ou pai. Cada 
pessoa herda uma combinação única de genes de sua mãe e pai, e certas combinações podem 
predispor a uma doença específica." 
4 - Fibrose cística 
É uma doença genética transmitida pelo pai e pela mãe (apesar de a doença não se manifestar 
em nenhum dos dois), que afeta, na mesma proporção, homens e mulheres. Ela compromete o 
funcionamento do aparelho digestivo, do respiratório e das glândulas sudoríparas.Em torno de 
20% da população são portadores do gene da fibrose cística, porém não apresentam sintomas. 
Ela pode ser diagnosticada precocemente através do teste do pezinho. 
 
 
 
5 - Hemorroidas 
As hemorroidas ou varizes acometem pessoas em qualquer idade, porém são mais comuns à 
medida que a pessoa envelhece. Embora uma pessoa que mantém uma dieta pobre em fibras e 
leva uma vida sedentária esteja mais sujeita a desenvolver a doença, "pelo menos parte do risco 
de hemorroidas é genética (hereditária)",acreditam os médicos. 
6 - Daltonismo 
É um distúrbio visual cujo portador é incapaz de diferenciar todas as cores ou algumas delas. Sua 
transmissão ocorre, em suma, da seguinte forma: se a mãe ou o pai for daltônico, 50% dos filhos 
herdarão o distúrbio. Se ambos tiverem a doença, todos os filhos também terão. 
7 - Obesidade 
É considerada obesa a pessoa que apresenta o IMC acima de 30. Uma pessoa com obesidade 
tende a apresentar outras doenças e fatores de risco que representam ameaça à sua vida. 
Estudos mostram que "entre 40% e 70% da variação no fenótipo associado à obesidade tem um 
caráter hereditário". Neste caso, a genética pode manifestar-se no gasto calórico ou na alteração 
do apetite. Outras pesquisas mostram que os filhos de mulheres que seguiram uma dieta de 
baixa caloria durante a gravidez tendem a se tornar adultos obesos. 
8 – Diabetes 
Segundo a Associação Americana de Diabetes, as chances de uma criança herdar a diabetes do 
tipo 1 do pai é de 5,9%. A criança cuja mãe deu-lhe à luz até os 25 anos terá 4% de chance de 
herdar a diabetes tipo 1, ou 1% se nasceu quando a mãe tinha mais de 25 anos. As chances de 
uma criança herdar diabetes tipo 2 dos pais são de 14,3%. Alguns médicos acreditam que as 
chances aumentam, caso a mãe tenha a doença. Quando o casal tem diabetes tipo 2, as chances 
de herdar a doença são de 50% 
9 - Cardiopatias 
A maior parte das cardiopatias congênitas são, em maior ou menor grau, de origem genéticas. 
No entanto, a probabilidade de se herdar as doenças é bem pequena, a não ser em alguns casos 
como na cardiomiopatia hipertrófica, em que as chances de herdar a doença é de 50%. 
10 - Hipertensão arterial 
Uma pessoa com caso de hipertensão arterial na família tem as chances de desenvolver a doença 
aumentadas para 30 - 60%. Apesar das altas chances dos genes dessas e de outras doenças 
serem transmitidas de uma geração para outra, várias precauções podem ser tomadas a fim de 
evitar que tais doenças se manifestem. Uma boa alimentação, exames preventivos, exercícios 
físicos, entre outros cuidados, podem ajudar na maioria dos casos. 
 
 
 
 
 
 
 
Genética do Comportamento 
O comportamento do homem é provavelmente sua característica fenotípica mais importante, 
mas pouco se sabe de sua base genética. Grande parte da genética do comportamento humano 
lida com características comportamentais normais, como a inteligência, para as quais a 
abordagem tem sido principalmente quantitativa, dando-se ênfase a estimativas da 
herdabilidade em vez da identificação de fatores segregantes. Uma área de interesse crescente 
diz respeito a características comportamentais que se desviam nitidamente da média, como o 
retardo mental resultante de genes mutantes e aberrações cromossômicas, em que há melhor 
oportunidade para identificar genes específicos e seus efeitos bioquímicos. As desordens comuns 
do comportamento, como as psicoses e o retardo mental "inespecífico", podem estar em 
trânsito de uma para outra. Os estudos iniciais salientaram sua natureza multifatorial e 
forneceram estimativas da herdabilidade; atualmente, está-se dando ênfase à identificação de 
fatores genéticos específicos que contribuem para o resultado final. 
 Esperar-se-ia que os genes que afetam o comportamento "normal" fossem sutis em seus 
efeitos e que o efeito bioquímico primário do gene ao nível polipeptídico estivesse muito 
distante do efeito comportamental. Assim, o gene que controla a capacidade de detectar o gosto 
amargo da feniltiocarbamida supostamente afeta alguma enzima, mas seria difícil deduzir a 
existência do polimorfismo da PTC a partir de um estudo genético da preferência por couve ou 
outro alimento que contenha essa substância química. No entanto, alguns defeitos funcionais 
que resultam em diferenças comportamentais têm uma base genética relativamente simples, 
como as dislexias específicas, e alguns contribuíram significativamente para a elucidação da 
função normal, como os defeitos da visão em cores. Por outro lado, os efeitos psicológicos da 
fenilcetonúria ou trissomia do 21 não nos ensinarão mais sobre a genética do comportamento 
normal do que a surdez para certos tons sobre a genética da capacidade musical, ou jogar ma 
ferramenta numa máquina em movimento nos ensinará e seu funcionamento. 
 Genes patológicos. Diversos genes patológicos têm efeitos ou menos específicos sobre o 
comportamento. A criança fenilcetonúrica (não tratada) é hiperativa e irritável e apresenta um 
temperamento incontrolável, atitudesposturais anormais e comportamento agitado. Cerca de 
10% exibem comportamento psicótico. Como a análise discriminante múltipla de vários escores 
de testes permite a diferenciação entre crianças com PKU e aquelas com outros tipos de retardo 
mental, o defeito bioquímico deve ter efeitos específicos sobre o comportamento, dos quais 
devemos ser capazes de aprender algo. Pelo menos a ferramenta sempre é jogada na mesma 
parte da máquina, de modo que a lesão resultante pode nos revelar alguma coisa do mecanismo. 
De modo semelhante, alterações do comportamento típicas amiúde precedem os movimentos 
coréicos na doença de Huntington. O cretinismo congênito, que pode ser herdado de modo 
recessivo, produz seus efeitos familiares na personalidade. Talvez o exemplo mais marcante de 
um defeito comportamental induzido por gene seja a bizarra tendência à automutilação na 
síndrome de Lesch-Nyhan. Ainda estamos muito distantes de uma compreensão completa da 
relação entre a alteração bioquímica determinada genéticamente e a resposta comportamental, 
mas os rápidos avanços alcançados na neurobioquímica poderão tornar essa abordagem 
compensadora. 
 Por fim, as informações de experiências com animais nos dizem que genes mutantes 
conhecidos por seus efeitos proeminentes no fenótipo físico, como o albinismo, podem ter 
efeitos bem mais indiretos e sutis no comportamento. Assim, um determinado parâmetro do 
comportamento, como a agressão, pode ser influenciado pelos efeitos indiretos de um grande 
número de genes com efeitos importantes em outros parâmetros. Nesse sentido, a base 
genética do parâmetro comportamental é poligênica. 
 Aberrações cromossômicas. As aberrações cromossômicas também têm efeitos sobre o 
comportamento. As crianças com síndrome de Down tendem a ser mais alegres e mais 
responsivas ao ambiente do que outras crianças de QI comparável, e elas freqüentemente 
apreciam música. As meninas com síndrome de Turner obtêm um escore alto em teste de QI 
verbal mas baixo em desempenho e parecem ter um déficit na organização perceptiva. 
 Os efeitos psicológicos do cariótipo XYY foram motivo de acalorado debate. A sugestão original 
da presença de efeitos psicológicos proveio de um estudo criado por Patricia Jacobs em 
Edinburgh para testar a hipótese de que um cromossomo Y extra predispõe à agressividade. Se 
assim fosse, os homens com um cromossomo Y extra deveriam ter uma freqüência aumentada 
entre aqueles de natureza violenta, como criminosos, e um levantamento de homens 
mentalmente subnormais com propensões perigosas, violentas ou criminais numa instituição de 
segurança especial de fato encontrou uma alta freqüência do cariótipo XYY (7/197). Esse achado 
sugere que o cariótipo XYY predispõe à criminalidade. Ainda não está claro como. O estudo 
original afirmava que não estava claro se a maior freqüência de homens XYY na instituição 
estaria relacionada ao comportamento agressivo ou à sua deficiência mental. Também foi 
constatado que os homens XYY eram incomumente altos, e estudos subseqüentes de homens 
XYY foram realizados principalmente em grupos selecionados por altura e agressividade, como 
prisioneiros, mas não foram representativos de homens XYY em geral. Infelizmente, esses 
achados resultaram em publicidade sensacionalista, como história sobre "o cromossomo 
criminoso", enquanto ainda não sabemos a proporção de homens XYY que desenvolve 
comportamento anti-social, nem por quê. Um grande estudo na Dinamarca, que cariotipou uma 
população de homens altos averiguados de registros populacionais, confirmou a associação de 
XYY com altura e criminalidade, mas o comportamento anti-social não pareceu ser um resultado 
secundário do aumento da estatura. Os crimes cometidos tendem a ser contra a propriedade, e 
não contra pessoas. Os homens XYY também mostraram um escore um pouco reduzido num 
teste de seleção do exército para inteligência, e a baixa inteligência pode ser a razão da 
predisposição para criminalidade, em vez da agressividade ou um baixo limiar de ansiedade, 
como previamente sugerido. Portanto, parece claro que há efeitos psicológicos do cariótipo XYY, 
mas, até que se disponha de mais dados, a questão da sua natureza permanece aberta. A série 
de ligações causais entre o excesso ou deficiência de material cromossômico e o fenótipo 
comportamental é inteiramente obscura. 
 Quando uma anomalia de cromossomos sexuais é encontrada, seja antes ou após o 
nascimento, os fatos devem ser discutidos abertamente com os pais. Os resultados de vários 
estudos prospectivos estão surgindo para fornecer as informações necessárias." 
 Inteligência. Grande parte das pesquisas iniciais sobre a genética da inteligência a considerou 
uma entidade, medida mais ou menos precisamente por uma variedade de testes de 
desempenho, "independentes da cultura". A herdabilidade do "QI" é discutida em outra parte 
neste livro. Mais recentemente, a tendência tem sido para a identificação e descrição de seus 
diversos componentes, e isto fornece uma oportunidade para definir-se mais especificamente a 
base genética desses componentes. 
 Vários estudos em gêmeos de capacidades cognitivas sugerem que algumas capacidades são 
mais herdáveis que outras, sendo a classificação da mais herdável à menos herdável na seguinte 
ordem: espacial, vocabulário, fluência de palavras, velocidade em aritmética simples e 
raciocínio.' O motivo para o grau muito baixo de herdabilidade do raciocínio pode ser que, em 
vários testes, a resposta certa pode ser atingida por várias vias que exigem diferentes períodos 
de tempo. Gêmeos idênticos freqüentemente selecionam vias diferentes, igualmente corretas, o 
que tende a abaixar a taxa de concordância. Salientamos isto para ilustrar a dificuldade na 
interpretação desse tipo de dados. A consulta de assuntos recentes na revista Behaviour 
Genetics mostra uma atividade contínua, porém pouco progresso na identificação dos genes 
subjacentes. 
 Dislexia. Este é um defeito comum e específico na leitura e escrita sem debilitação comparável 
de outras funções intelectuais, particularmente em matemática, conceitos espaciais e 
desempenho verbal não-escrito. Os déficits sentinela de reversão e inversão de letras na leitura e 
na escrita de números fornecem indícios fortes da presença da desordem, mas não são 
encontrados na maioria dos casos, que é mais bem diagnosticada por critérios objetivos em 
testes. Alguns estudos estabelecem os critérios para dislexia em habilidades de leitura dois graus 
abaixo da expectativa para a idade, com a capacidade de leitura abaixo de 80% do nível em 
matemática. Embora seja obviamente uma desordem heterogênea, há famílias que mostram 
transmissão autossômica dominante. A atribuição do gene nessas famílias à extremidade do 
braço curto do cromossomo 15 foi proposta para um tipo. 
 Gagueira. A gagueira é outra característica comum do comportamento de etiologia 
complexa.y É certamente familiar, mas não há um consenso se ela resulta de fatores genéticos 
ou culturais. É mais freqüente em homens (cerca de 4%) que em mulheres (1 ou 2%). Há uma 
freqüência de 20 a 25% em pais, irmãos e filhos de probandos do sexo masculino e uma 
freqüência de 5 a 10% em mães, irmãs e filhas de probandos do sexo masculino, com freqüências 
um pouco maiores nos parentes de probandos do sexo feminino. A freqüência em irmãos está 
aumentada se um genitor do probando também gaguejava cerca de 35% para os irmãos de 
probandos do sexo masculino, por exemplo. Ao contrário de suposições prévias, não há qualquer 
associação com canhotismo. Os dados sustentam uma base genética para a condição e são 
compatíveis com um modelo de limiar multifatorial, com uma contribuição genética poligênica, 
ou um único locus importante com penetrância reduzida. 
 Psiconeuroses. As psiconeuroses são tão comuns que quase poderiam ser consideradas 
normais; suabase genética é correspondentemente complexa. Há uma confusão significativa até 
mesmo em sua definição. Os poucos estudos genéticos disponíveis concordam em que as 
psiconeuroses são familiares, com algum grau de especificidade para subtipos; isto é, se o 
probando tem um estado de ansiedade, a maioria dos parentes afetados também o tem, e há 
uma correspondência semelhante de histeria e neurose obsessiva. Esse achado é confirmado por 
estudos de gêmeos, mas a importância dos fatores ambientais também é demonstrada. 
Rosenthal resume a situação nos seguintes termos: 
 "De modo geral, estamos limitados em nossas conclusões acerca da questão da 
hereditariedade das neuroses devido à escassez de estudos, sua relativa falta de variedade, sua 
omissão de várias precauções diagnósticas e a dificuldade envolvida na avaliação do papel dos 
fatores ambientais. Entretanto, o conjunto de evidências sugere que a hereditariedade exerce um 
papel no desenvolvimento de sintomas psiconeuróticos, embora possamos dizer muito pouco 
sobre a genética envolvida, exceto que diversos sistemas poligênicos estão implicados de modo 
mal coordenado ... Estudos adicionais com maior sofisticação metodológica nos ajudarão a 
compreender melhor as interações diátese-estresse e sua relação com síndromes de subtipos." 
 Não tentamos fornecer dados de risco de recorrência, pois as informações variam tão 
largamente de um estudo para outro que qualquer tentativa de encontrar uma média estaria 
fadada a ser enganosa. 
 
 As grandes psicoses 
 A genética das grandes psicoses e um assunto vasto demais para ser adequadamente discutido 
aqui. A literatura inicial é confundida por diferenças em critérios de diagnóstico, mas avanços 
recentes na compreensão da biologia e farmacologia das psicoses estão começando a esclarecer 
o quadro. 
 As desordens afetivas (mania e depressão) e a esquizofrenia são distinguíveis por suas 
características clínicas, respostas farmacológicas e distribuição familiar. Ambas são claramente 
familiares, mas alguns casos de esquizofrenia ocorrem em parentes próximos de pacientes com 
psicose maníacodepressiva e vice-versa. 
 As desordens afetivas. A literatura sobre a genética da psicose maníacodepressiva, que afeta 
talvez um a dois milhões de norte-americanos, é extraordinariamente confusa. As estimativas 
dos riscos de recorrência para parentes próximos tendem a ser mais variáveis do que para a 
esquizofrenia. Alguns casos de psicose maniacodepressiva parecem ser causados por um gene 
dominante na extremidade do braço curto do cromossomo 11. Não se sabe qual o gene 
precisamente, mas é interessante observar que o gene da tirosina-hidroxilase (envolvida na 
síntese do neurotransmissor dopamina) está na mesma região. As estimativas atuais são de que 
cerca de dois terços dos indivíduos que herdam o gene maniacodepressivo manifestam a 
doença. Os riscos de recorrência médios provenientes de vários estudos sugerem que a 
desordem afetiva bipolar (mania e depressão ou apenas mania) e unipolar (apenas depressão) 
são geneticamente relacionadas. Os parentes de primeiro grau de um probando com o tipo 
bipolar têm um risco de cerca de 7% para a desordem bipolar e um risco de 7% para a unipolar, 
com um risco total de 14%. Para parentes de primeiro grau de um probando unipolar, os riscos 
são de cerca de 1 % para a desordem bipolar e 6% para a unipolar. Esses números são 
substancialmente mais altos (cerca de 2x) caso um irmão e um genitor sejam afetados. 
 Esquizofrenias. A natureza familiar da esquizofrenia é geralmente reconhecida, mas tem 
havido controvérsia considerável sobre se o maior risco para parentes de esquizofrênicos resulta 
de fatores genéticos ou culturais. Evidências recentes de estudos de adoção na Dinamarca 
favorecem fortemente o lado genético. Foi identificada grande amostra de adultos que haviam 
sido adotados em tenra idade. Destes, 34 eram esquizofrênicos. A seguir, mediu-se a freqüência 
e esquizofrenia nos pais, irmãos e meio-irmãos das famílias biológicas e adotivas. Todos os 
diagnósticos foram feitos sem conhecimento de a qual grupo o indivíduo pertencia. A freqüência 
de esquizofrenia definida foi bem mais alta nos parentes biológicos (6 % ) do que nos "parentes" 
adotivos ( 1 % ) . Caso se incluam os casos "incertos", esses números sobem ra 14% e 3%. Essas 
taxas dificilmente resultariam de fatores culturais em comum, pois o probando não 
compartilhava o ambiente dos parentes biológicos. 
 Possíveis efeitos uterinos maternos foram excluídos pelo tudo de meio-irmãos paternos, que 
compartilharam o meso pai, mas tiveram ambientes uterinos diferentes. A frequência de 
desordens esquizofrênicas foi de 22% nos meio-irmãos paternos biológicos e 3% nos meio-
irmãos paternos otivos. Assim, parece não restar dúvida quanto à base genéa da suscetibilidade 
para esquizofrenia. 
 Dados empíricos do risco para parentes próximos de esquizofrênicos variam de 10 a 15% para 
irmãos, 15% para os de um genitor esquizofrênico e 35 a 70% para filhos dois genitores afetados. 
Para parentes de segundo grau, o risco é de cerca de 2%. O modo de herança é obviamente 
complexo. Um marcador bioquímico do(s) gene(s) para suscetibilidade esclareceria o quadro, 
mas. a despeito de muitas suposições, nenhum foi encontrado. 
 O autismo na infância parece ter baixo risco de recorrência e não se comporta geneticamente 
como uma forma de esquizofrenia. 
 Homossexualismo. A situação para o homossexualismo é ainda menos clara. Estudos de 
gêmeos sugerem que a hereditariedade desempenha importante papel com relação aos homens 
se tornarem homossexuais, mas estudos familiares mostram ampla variação de psicopatologia 
nas famílias de probandos homossexuais, o que levanta a questão de o comportamento 
homossexual ser secundário a essa psicopatologia ou vice-versa. 
 Alcoolismo. Para o alcoolismo, vários estudos familiares mostram uma tendência familiar; 
estudos de gêmeos mostram que pares monozigóticos têm uma concordância mais alta (55%) 
que pares dizigóticos, mas os pares dizigóticos também têm uma taxa razoavelmente alta (28%). 
Estudos de adoção mostram um acentuado aumento no alcoolismo (17%) nos filhos de 
alcoólatras, que foram adotados na lactância por casais não-alcoólatras. Os níveis sangüíneos de 
acetaldeído foram mais elevados após doses únicas de álcool etílico em alcoólatras do que em 
controles, e essa diferença metabólica também estava presente em adultos jovens não-
alcoólatras filhos de alcoólatras, sugerindo uma possível base metabólica dessa desordem. Os 
progressos recentes foram resumidos por Cloninger. 
 Psicopatia e criminalidade. Estudos familiares de psicopatia e criminalidade mostram que a 
maioria das crianças com comportamento anti-social provém de lares desfeitos; portanto, é 
impossível dizer por esses estudos quanto do comportamento anti-social nessas crianças é 
biologicamente transmitido e quanto é culturalmente adquirido." Os estudos de gêmeos 
parecem ter-se dedicado mais à criminalidade do que à categoria mais ampla de psicopatia. 
Pares monozigóticos mostram uma taxa de concordância mais alta que pares dizigóticos, mas 
está claro que a criminalidade deve ser uma categoria altamente heterogênea. Estudos de 
adoção recentemente forneceram maior sustentação para uma predisposição genética. O 
assunto está bem revisto num recente editorial da Lancet. Existem indubitavelmente fatores 
predisponentes, como anormalidades do EEG, QI baixo, anomalias cromossômicas e o 
denominado estado psicopático constitucional os criminosos tendem a ser predominantemente 
mesomórficos. Cada um desses fatores está sob certo grau de controle genético. Isto seria 
responsável por pelo menos parte da herdabilidade estimada. Contudo, o maior grupo que 
contribui para a criminalidade é de indivíduos classificados como tendo uma personalidade 
psicopáticaou sociopática, e a genética dessa condição ainda é quase completamente obscura. 
Em todo caso, o papel do ambiente é claramente de grande importância na criminalidade. 
 Doença de Alzheimer. As características clínicas e patológicas diagnósticas da doença de 
Alzheimer ocorrem mais comumente como casos esporádicos; entretanto, a forma familiar pode 
representar até 40% dos pacientes. Dentro da categoria familiar, a maioria dos casos é 
considerada multifatorial, mas um importante subgrupo de talvez 6 a 10% dos casos da doença 
de Alzheimer é autossômico dominante. A morte geralmente se dá dentro de 10 anos ou menos 
d época de início dos sintomas. 
 O espectro clínico é amplo com um início desde a quarta década de vida até a oitava década, e 
com manifestações que variam de esquecimento leve a uma perda intensa da memória; de leves 
oscilações do humor a um comportamento violento; de comprometimento intelectual leve à 
incapacidade mental profunda, alterações do EEG, convulsões e perda da capacidade de cuidar 
de si mesmo. O exame após a morte do cérebro revela "emaranhados neurofibrilares" e placas 
amilóides. Essas placas são constituídas principalmente da proteína beta-amilóide e são 
encontradas na doença de Alzheimer e síndrome de Down. 
 Os loci dos genes para a proteína beta-amilóide e a doença de Alzheimer foram encontrados 
no braço longo proximal do cromossomo 21 (21q11.1-q21). A relação entre tais loci e a 
deposição de proteína beta-amilóide no cérebro e a doença de Alzheimer está atualmente sob 
investigação. 
 Personalidade. Finalmente, há a questâo da personalidade e se ela tem alguma base genética. 
A questão tem um certo interesse eugênico nesses tempos de crise populacional. Por exemplo, 
se traços da personalidade como a agressão e altruísmo fossem determinados geneticamente, 
esperar-se-ia que o primeiro fosse selecionado a favor e o segundo selecionado contra, pois o 
altruísta seria mais propenso a limitar o tamanho de sua família que o agressivo. 
 Segundo Eysenck, a personalidade pode ser classificada entre duas dimensões relativamente 
independentes: graus variáveis de neurose ou instabilidade de um lado e extroversão-
introversão do outro. Os extrovertidos instáveis são mais propensos a tornar-se delinqüentes; os 
introvertidos instáveis são mais propensos a tornar-se neuróticos. Diversos estudos em gêmeos 
mostraram estimativas da herdabilidade mais altas para essas dimensões, tanto em avaliações 
por questionário como de laboratório. Estudos de famílias também exibem correlações 
significativas entre parentes próximos e parece haver pouca dúvida de que a hereditariedade é 
importante na determinação de diferenças individuais da personalidade. Resta saber o quão 
importante, e por quais mecanismos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NP2 
 
 
MÓDULO 5 
· Características cromossômicas gerais. 
· Cariótipo humano normal. 
· Alterações cromossômicas numéricas: principais síndromes. 
· Alterações cromossômicas estruturais: principais síndromes. 
 
Características cromossômicas gerais. 
 
Os cromossomos são estruturas formadas por uma molécula de DNAque se encontra associada a 
proteínas chamadas de histonas. Normalmente, a molécula de DNA dá voltas sobre oito 
moléculas de histonas, sendo esse conjunto chamado de nucleossomos. Estes, por sua vez, 
associam-se e formam uma estrutura compacta. 
Para que ocorra a divisão celular, o material genético precisa ser duplicado. Aparecem, então, 
dois filamentos cromossômicos iguais que se unem através de uma região chamada 
de centrômero. Cada uma dessas estruturas recebe o nome de cromátide, sendo que as duas 
cromátides de um mesmo cromossomo recebem o nome de cromátides irmãs. 
O centrômero, também chamado de constrição primária, é uma área de contrição com DNA 
bastante espiralado. Além dessa região, podem existir outros locais de contrição. Os 
centrômeros, além de unirem as cromátides, são as regiões onde os microtúbulos prendem-se 
para separar as cromátides durante os processos de divisão celular. 
A região onde está localizado o centrômero dividirá o cromossomo em duas partes distintas que 
recebem o nome de braços cromossômicos. Os cromossomos podem ser classificados, 
utilizando-se como critério a posição do centrômero, em quatro tipos básicos: 
 
- Metacêntrico – O centrômero está localizado no meio do cromossomo. Nesse caso, há braços 
de tamanhos aproximadamente iguais. 
- Submetacêntrico – O centrômero não está localizado exatamente no meio do cromossomo. 
Nesse tipo, percebe-se que os braços apresentam tamanho desigual, sendo um relativamente 
menor que o outro. 
- Acrocêntrico – O centrômero está próximo à extremidade de um dos braços. Há, nesse caso, 
um braço muito maior que o outro. 
- Telocêntrico – O centrômero está bem na extremidade do cromossomo, dando a aparência de 
que ele possui apenas um braço. 
 
 
 
 
 
Observe os quatro tipos de cromossomos e a localização dos centrômeros 
É importante destacar que cada espécie possui um padrão de cromossomos, que se diferenciam 
pela forma, tamanho e número. Na espécie humana, por exemplo, existem 46 cromossomos; já, 
no arroz, são encontrados 12. Cada par possui dois cromossomos que são ditos homólogos, ou 
seja, temos 46 cromossomos ou 23 pares homólogos. 
O conjunto de cromossomos, com sua forma, tamanho e número, forma o chamado cariótipo. 
Observe abaixo o cariótipo da espécie humana. Observe que são 22 pares de cromossomos 
autossômicos e dois cromossomos sexuais. Na mulher, há dois cromossomos X. No homem, há 
um X e um Y. 
 
Observe o cariótipo de uma pessoa do sexo masculino (XY) com seus cromossomos de diversas 
formas e tamanhos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O cariótipo humano 
O cariótipo é considerado a união de cromossomos diplóides, ou seja, 2n de uma espécie. Ele 
pode ser considerado também o total de cromossomos de uma célula considerada 
somática. Essas células somáticas são constituídas de 23 pares de cromossomos, onde destes 23 
pares, 22 são parecidos tanto no homem quanto na mulher. Esses são denominados autossomas. 
 
O único par que restou é considerado o cromossomo sexual, onde sua morfologia é diferente. 
Esses recebem o nome de X e Y, onde as mulheres apresentam dois cromossomos X e o homem 
um cromossomo X e um Y. 
Vejamos um cariótipo humano: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Alterações cromossômicas 
 
As aberrações cromossômicas são alterações estruturais (perda de pedaços ou inversões) ou 
alterações numéricas (falta ou excesso) de cromossomos nas células. 
As aberrações cromossômicas numéricas incluem os casos em que há aumento ou diminuição do 
número do cariótipo normal da espécie humana, enquanto as aberrações cromossômicas 
estruturais incluem os casos em que um ou mais cromossomos apresentam alterações de sua 
estrutura. 
Sendo as numéricas classificadas em dois grandes grupos: 
 
Euploidias 
São alterações que se referem ao conteúdo genômico total do indivíduo, ou seja, todos os seus 
cromossomos são duplicados (Diploidia – condição normal) ou todos são triplicados (triploidia) e 
assim por diante. 
Aneuploidias 
Há um aumento ou diminuição de um ou mais pares de cromossomos, mas não de todos, como 
por exemplo: 
- Trissomia (três cromossomos homólogos, sendo o normal apenas dois); 
- Monossomia (apenas um cromossomo não acompanhado de seu homólogo). 
Já as alterações estruturais ocorrem por: 
Deleção – resultando em desequilíbrio cromossômico por perda de segmentos (genes), 
normalmente em razão da quebra de algum filamento do DNA ou por crosing-over desigual em 
homólogos desalinhados; 
Translocação – quando dois cromossomos sofrem quebras e o seguimento de cada um é 
transferido(soldado) para a estrutura do outro cromossomo. 
Inversão - é a ocorrência de duas quebras em um cromossomo unifilamentoso durante a 
interfase, e eventual inclusão em posição invertida no fragmento restante do cromossomo. 
A inversão é dita paracêntrica se as quebras ocorrerem em um mesmo braço cromossômico, e é 
denominada pericêntrica se o fragmento cromossômico invertido incluir o centrômero. 
 
As alterações cromossômicas são síndromes genéticas provocadas por alterações estruturais, 
ocasionadas pela perda ou inversões nucleotídicas ou também numéricas, em conseqüência à 
falta ou excesso de cromossomos nas células, anormalidade denominada de aneuploidias. 
Dessa forma, as aneuploidias se manifestam pela mutação, variação maior ou menor na 
quantidade de cromossomos no interior das células, configurando situações de trissomia ou 
monossomia, respectivamente pela existência de um filamento de cromatina a mais ou um 
filamento a menos, com relação ao genoma constante de uma espécie. 
 
 
 
Esses problemas no cariótipo podem acontecer durante a formação dos gametas, na meiose 
(divisão celular que reduz pela metade o número cromossômico de uma espécie, contida em 
células haplóides, com posterior restituição na fecundação, formando células diplóides), 
motivada por eventos de permutações, separação de cromossomos homólogos e separação de 
cromátides irmãs. Na espécie humana, por exemplo, contendo normalmente 46 cromossomos 
(22 pares autossômicos e um par alossômico sexual: XX mulher e XY homem) as mutações 
podem originar distúrbios fisiológicos quando relacionados ao par sexual ou também orgânicos, 
não ligados ao par sexual. 
 
As mais comuns são: a síndrome de Down, a síndrome de Turner e a síndrome de Klinefelter. 
Contudo, existem outras como: síndrome de Patau (trissomia do 13), síndrome de Edwards 
(trissomia do 18) e outras. 
 
O que é Síndrome de Down? 
Trata-se de um distúrbio genético, resultado da trissomia do cromossomo 21. Esse tipo 
específico de trissomia causa retardo mental e algumas características físicas próprias. As 
chances de ter um bebê com Síndrome de Down é maior quanto mais tarde a mulher engravidar. 
Essa trissomia é a mais comum entre as que existem e cerca de 95% dos casos de distúrbio 
genético causado por trissomia são de Síndrome de Down. 
O diagnóstico é feito com base nas características físicas em comum que todas as crianças com a 
síndrome apresentam. 
Apesar dessas características comuns, é importante lembrar que os portadores também herdam 
características físicas de seus pais, que definem a cor da pele, do cabelo, dos olhos, enfim, tudo 
que o caracteriza, assim como em qualquer criança. 
Principais características da Síndrome de Down 
⇒ Parte traseira da cabeça achatada; 
⇒ Língua proeminente; 
⇒ Olhos ligeiramente puxados; 
⇒ Orelhas proporcionalmente menores e mais baixas; 
⇒ Uma única prega na palma das mão, na transversal; 
⇒ Pescoço mais largo; 
⇒ Mãos e pés pequenos e grossos 
⇒ Dedos curtos; 
⇒ Dedo mindinho das mãos com uma falange a menos, ou seja, há apenas uma dobrinha que 
divide as duas falanges existentes. 
Tratamentos da Síndrome de Down 
Não se trata de métodos para curar, mas sim para dar à criança condições de se desenvolver 
melhor. Como a maioria tem problemas no desenvolvimento psicomotor e para falar, é 
necessário muita atenção da família e auxílio de profissionais como fonoaudiólogos e terapeutas. 
Os cuidados são os mesmos que se dá a uma criança normal: o portador da trissomia deve ser 
estimulado como todos os outros, mas pelo fato de ter mais dificuldades, é necessário mais 
atenção. É importante que eles aprendam a ser independentes, que sejam incluídos socialmente, 
ou seja, que convivam com outras crianças da mesma idade. 
Curiosidades sobre a Síndrome de Down 
Existe um exame que se faz, ainda na gravidez, para descobrir se a criança tem Síndrome de 
Down: é a amniocentese. Para realizá-lo, é preciso colher uma amostra do líquido amniótico 
através de uma biópsia transvaginal. Esse líquido contém as células do feto, que são analisadas 
minuciosamente. O cariótipo mostra detalhadamente o mapa genético do bebê, cada par de 
cromossomos. Se houver algum tipo de “defeito” genético, é mostrado no exame, como no caso 
a trissomia do cromossomo 21. 
Porém, esse método pode trazer alguns riscos para gravidez e só pode ser realizado quando a 
gestação é de alto-risco, até porque uma parcela dos casos de aborto é causada pelo fato da 
descoberta de algum distúrbio de natureza genética nesses exames. 
 
O que é Síndrome de Edward? 
Erro genético que consiste na trissomia do cromossomo 18. Estima-se que mais de 90% dos 
casos dessa síndrome resultem em abortos espontâneos e o maior número de casos ocorre com 
mulheres. 
O sistema nervoso central é atingido. As crianças que nascem com essa anomalia gênica têm 
diferentes graus de retardo mental e podem ter hidrocefalias. Desenvolvem características 
típicas e tem baixa expectativa de vida. 
Características da Síndrome de Edward 
⇒ Possuem estatura média baixa; 
⇒ O formato da cabeça é pequeno, alongado e estreito; 
⇒ Tem pescoço curto; 
⇒ Apresentam deformação no globo ocular; 
⇒ Nascem com lábio leporino (fenda na região do lábio); 
⇒ O crescimento da criança é lento; 
⇒ Os pés são virados para fora; 
⇒ O aparelho reprodutor não é desenvolvido; 
⇒ A musculatura é atrofiada. 
Tratamento para Síndrome de Edward 
O tratamento é extremamente necessário, embora não leve à cura, pois dá à criança, com 
a Síndrome de Edward mais condições para viver de forma saudável. Muitas vezes, eles 
precisam ser acompanhados por fisioterapeutas por causa dos problemas musculares. 
A alimentação precisa ser rigorosamente monitorada. Uma grande parcela dos portadores da 
síndrome apresenta dificuldades com digestão, por isso precisar de cuidado maior com o que 
comem para não precisarem recorrer às sondas. 
Pelo fato deles terem expectativa de vida curta, é interessante que os pais e parentes 
recebam apoio psicológico. 
A maioria não sobrevive mais que um ano de vida, por isso pode ser traumatizante para todos 
essa experiência. Eles devem ter forças para cuidar do bebê e dar toda a assistência, mesmo 
sabendo sobre sua não sobrevivência. 
 
O que é Síndrome de Patau? 
Doença causada pela trissomia no cromossomo 13. Ela acontece quando, na formação dos 
gametas, são formados com 24 cromátides. Durante a fecundação, quando se junta com outro 
gameta, dão origem às células trissômicas. 
Esse tipo de trissomia gera má-formação, causando retardo mental, problemas cardíacos 
congênitos e defeitos no sistema reprodutor. Por conta de tudo isso, boa parte dos portadores 
desse problema genético vivem em média um mês. 
Características da Síndrome de Patau 
⇒ Acentuado retardamento mental; 
⇒ As meninas nascem com o útero bicornado e ovários imaturos; 
⇒ Os rins são policísticos; 
⇒ Alguns nascem com lábio leporino; 
⇒ A distâncias entre os olhos é maior que o normal; 
⇒ Em alguns casos podem nascer com polidactilia (mais de cinco dedos) nas mãos e/ou nos pés . 
Tratamentos para Síndrome de Patau 
A criança que nasce com Síndrome de Patau tem que receber tratamento imediatamente após o 
parto, pois estão sujeitas a graves comprometimentos cardíacos, fator que ameaça a vida do 
bebê. O tratamento só consegue prolongar alguns dias de vida para o portador da trissomia, que 
na maioria das vezes não sobrevive mais que alguns meses. 
 
O que é Síndrome de Klinenfelter? 
A síndrome de Klinenfelter é uma doença causada por uma variação cromossômica em que há 
um cromossomo sexual a mais. Acontece nos homens; portanto, o cariótipo é XXY. 
Esse cromossomo extra provoca algumas características físicas particulares. Eles possuem 
expectativa de vida normal, mas têmmaior probabilidade de sofrer com AVC (acidente vascular 
cerebral). Geralmente, não é diagnosticada após o nascimento, mas quanto mais cedo for 
detectado o problema, mais eficaz é o tratamento. 
Características da Síndrome de Klinenfelter 
⇒ Podem ter dificuldades para desenvolvimento motor e da linguagem; 
⇒ Uma parcela pode ter problema auditivo; 
⇒ A grande maioria é estéril, não produzem espermatozoide; 
⇒ Tem braços desproporcionalmente mais longos; 
⇒ Ginecomastia (crescimento das mamas) porque possuem elevada produção de hormônio 
feminino (estrogênio); 
⇒ Possuem poucos pelos na área do púbis. 
Tratamento para Síndrome de Klinenfelter 
Quando a doença é conhecida antes da puberdade, é possível fazer tratamento com o hormônio 
testosterona por volta dos 11 anos de idade e o acompanhamento deve ser constante com 
um médico endocrinologista, levando em consideração a inconstância hormonal do paciente. 
 
O que é Síndrome do XYY? 
Durante a fecundação, o indivíduo recebe dois cromossomos sexuais Y por causa de uma 
aneuploidia do espermatozoide. Isso faz com que o portador tenha características 
comportamentais que os diferem, embora não apresentem má-formação. 
A doença tem incidência maior nos presídios e hospícios, pois foi comprovado que os homens 
com a síndrome se mostram mais agressivos. 
Características da Síndrome do XYY 
⇒ São muito altos e apresentam um crescimento acelerado durante a infância e adolescência; 
⇒ Possuem um comportamento associado à hiperatividade e são muito distraídos; também 
costumam ser muito agressivos; 
⇒ Excesso de testosterona no organismo; 
⇒ Têm dificuldades de se relacionar emocionalmente e para desenvolver a fala; 
⇒ Não têm problemas com má-formação e, por isso, muitas vezes, a doença não é 
diagnosticada. 
Tratamentos para Síndrome do XYY 
O tratamento aconselhado é feito com psicólogos, que acompanham o desenvolvimento da 
criança para frear os impulsos de agressividade e ajudá-lo a interagir emocionalmente com as 
pessoas mais próximas, além de ter que usar medicamentos nos casos em que se apresentam 
hiperativos e com déficit de atenção. 
 
 
 
 
 
O que é Síndrome do Triplo X? 
Ocorre com as mulheres e é conhecida também como Síndrome da super-fêmea. Elas não 
apresentam nenhuma deformação: possuem características físicas normais. 
Algumas mulheres nunca são diagnosticadas, mas uma parte das que apresentam infertilidade 
são portadoras da síndrome e outras apresentam algum nível de retardo mental. 
Características da Síndrome do Triplo X 
⇒ Não existem sintomas para essa doença em sua aparência física 
⇒ são normais; 
⇒ Algumas mulheres podem ter diferentes níveis de retardo mental; 
⇒ Não são todas, mas elas podem ser estéreis. 
Tratamentos da Síndrome do Triplo X 
Não existe tratamento já que os resultados da doença genética são irreversíveis, como retardo 
mental e infertilidade. 
 
O que é Síndrome de Turner? 
Doença que só ocorre com meninas, porque resulta da má-formação cromossômica do 
espermatozoide. Sintetizando, na fecundação, falta um cromossomo sexual e forma-se uma 
mulher com apenas um cromossomo X. Trata-se, então, de um distúrbio cromossômico 
estrutural. 
Algumas meninas são diagnosticadas na infância, outra parcela significativa só descobre que é 
portadora da síndrome na puberdade. 
Características da Síndrome de Turner 
⇒ Apresenta média de altura baixa, principalmente no início da adolescência; 
⇒ Ausência de folículos ovulares e por isso, há falta dos ciclos menstruais; 
⇒ Tem o maxilar inferior menor; 
⇒Costumam apresentar manchas escuras na pele; 
⇒ Algumas têm problemas cardíacos e doenças renais; 
⇒ O aparelho bucal é estreito, o que causa problemas para se alimentar. 
Tratamento para Síndrome de Turner 
Os tratamentos recomendados pelos médicos costumam ser com hormônios no início da 
adolescência, para estimular o crescimento e o desenvolvimento dos portadores da Síndrome de 
Turner. 
 
Doenças Genéticas Poligênicas 
 
 São chamadas multifuncionais ou poligênicas, as doenças genéticas que acontecem por 
intermédio de diversos fatores ambientais e algumas mutações em alguns genes e em diferentes 
cromossomos. 
Trata-se de doenças que podem se manifestar em qualquer época da vida. Algumas como o mal 
de Alzheimer, que aparece na velhice, mas todas têm uma motivação genética para aparecer. 
São doenças genéticas multifatoriais ou poligênicas: 
⇒ Mal de Alzheimer; 
⇒ Diabetes mellitus; 
⇒ Pressão Alta; 
 
Doenças Genéticas Monogênicas 
 
 Também conhecidas como Mendelianas, as doenças genéticas monogênicas são assim 
chamadas porque alguma mutação ocorre na sequência do DNA de um único gene. 
Isso causa uma espécie de anomalia gênica permanente e que é transmitida geneticamente, 
segundo as leis de Mendel. 
As doenças genéticas monogênicas ser classificadas em: 
⇒ Autossômica recessiva (aa): para ser portador dessa doença, a pessoa deve herdar dois genes 
recessivos dos pais, que podem ser portadores do gene, mas não necessariamente manifestam a 
doença (são poligênicos). 
⇒ Autossômica dominante (Aa ou AA): nesse caso, para manifestar a doença, só é preciso herdar 
um gene que a determine. 
Algumas vezes, apenas um dos genitores apresenta os sintomas da doença, mas se os dois forem 
portadores, a probabilidade do descendente ter um filho portador é muito grande. 
As doenças mais conhecidas causadas por esse tipo de mutação são: 
⇒Anemia falciforme; 
⇒Distrofia muscular de Duchene; 
⇒Distrofia Miotônica; 
⇒Fenilcetonúria; 
⇒Hemofilia; 
⇒Fibrose cística. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MÓDULO 6 
· Câncer: características gerais da doença. 
· A natureza genética do câncer: mutações em proto-oncogenes e genes de supressão 
tumoral. 
· Agentes cancerígenos. 
· Mutações cancerígenas herdadas. 
 
Câncer: características gerais da doença 
 
Doença não contagiosa,o câncer pode ser definido como um grupo de mais de 100 doenças que 
se caracterizam pelo crescimento descontrolado de células anormais, chamadas de malignas. Por 
vezes essas células anormais podem migrar e invadir tecidos e órgãos em diversas regiões do 
corpo, originando tumores em outros locais. Quando isso ocorre dizemos que houve metástase. 
Com uma divisão celular muito rápida e incontrolável, as células cancerosas costumam ser 
agressivas, determinando a formação de tumores malignos e constituindo um risco de vida para 
o paciente. Por outro lado, o tumor benigno se caracteriza por ser apenas um acúmulo de 
células que se dividem muito lentamente, sem causar maiores agressões ao indivíduo. 
A maioria dos tipos de câncer tem suas causas ainda desconhecidas, mas 90% dos casos 
de câncer estão relacionados a fatores ambientais, como cigarro (câncer de pulmão), excesso de 
sol (câncer de pele), alguns tipos de vírus (leucemia), hábitos alimentares (câncer de 
mama, câncer de próstata, câncer de esôfago, câncer de estômago, câncer no intestino grosso), 
alcoolismo (câncer de esôfago, câncer da cavidade bucal), hábitos sexuais (câncer de colo 
uterino), medicamentos (câncer de bexiga, leucemias, câncer de endométrio), cânceres 
provocados por exposições ocupacionais, etc. 
Pessoas que têm histórico de câncer na família podem ou não desenvolver a doença, mas há 
alguns tipos de câncer, como o de mama, estômago e intestino, que podem ter influência 
genética. 
A mortalidade de um câncer irá depender de alguns fatores, como: tipo de câncer, rapidez com 
que suas células se multiplicam, capacidade que o organismo da pessoa tem de combater a 
doença e a existência de um tratamento eficaz. O câncer de próstata já foi considerado letal, 
mas, hoje emdia, em razão do progresso com os tratamentos, apresenta até 95% de cura. 
 
 
 
 
 
 
 
Atualmente o câncer é a segunda causa mortis no Brasil, perdendo apenas para doenças 
cardiovasculares. Dentre os diversos tipos de câncer podemos citar: 
* Câncer de pulmão; 
* Câncer de mama; 
* Câncer de ovário; 
* Câncer no colo do útero; 
* Câncer de colorretal; 
* Câncer anal; 
* Câncer na bexiga; 
* Câncer infantil; 
* Câncer de laringe; 
* Câncer no fígado; 
* Câncer de esôfago; 
* Câncer de estômago; 
* Câncer de fígado; 
* Câncer de boca; 
* Leucemias; 
* Linfomas; 
* Linfoma de Hodgkin; 
* Linfoma não Hodgkin; 
* Câncer no pâncreas; 
* Câncer de pele (melanoma); 
* Câncer de pele (não melanoma); 
* Câncer no pênis; 
* Câncer de próstata; 
* Câncer no testículo; 
* Tumores de Ewing. 
O tratamento do câncer irá depender de diversos fatores, como tamanho do tumor, idade do 
paciente, localização do tumor, tipo das células cancerosas, etc. Em muitos casos, os médicos 
combinam mais de um tipo de tratamento para combater o câncer. 
Se o tumor for localizado, a cirurgia pode ser uma opção de tratamento, que geralmente é 
utilizada para o câncer de mama, câncer de cólon, câncer de boca, entre outros tipos. 
A radioterapia é um tipo de tratamento no qual radiações são utilizadas para destruir as células 
cancerosas ou impedir que elas se multipliquem. Nesse tipo de tratamento o paciente não sente 
nada. 
A quimioterapia utiliza medicamentos que irão combater o tumor. Na maioria das vezes, estes 
são aplicados na veia, mas em outros casos podem ser dados via oral ou intramuscular. Uma vez 
no corpo do paciente, esses medicamentos caem na corrente sanguínea e são levados para todas 
as partes do corpo, destruindo todas as células que estão causando o tumor e impedindo que 
elas se espalhem para outras regiões do corpo. 
O transplante de medula óssea é feito quando há um câncer maligno que acomete as células 
sanguíneas. 
É importante lembrar que muitos tipos de câncer podem ser prevenidos, como o câncer de pele, 
cânceres causados pelo tabagismo e bebidas alcoólicas e cânceres relacionados à dieta 
alimentar. Outros tipos de câncer, como o de mama, próstata, cólon, colo de útero, reto, 
testículo, língua, boca e pele, podem ser detectados no início, quando se faz a prevenção a partir 
de exames específicos. Lembrando que, quando diagnosticado no início, o câncer tem maiores 
chances de cura, daí a importância de se fazer o diagnóstico precoce. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A natureza genética do câncer: mutações em proto-oncogenes e genes 
de supressão tumoral. 
 
Os dois principais tipos de genes que desempenham um papel no câncer são: 
 
 
 Oncogenes 
 
Proto-oncogenes são genes que normalmente ajudam às células a crescer. Quando um proto-
oncogene sofre mutações ou existem muitas cópias do mesmo, torna-se um gene "ruim", que 
pode ficar permanentemente ligado ou ativado quando não deveria ser assim. Quando isso 
acontece, a célula cresce fora de controle, o que pode levar ao câncer. Este gene ruim é 
chamado de oncogene. Vamos pensar que uma célula é como um carro. Para funcionar 
corretamente, é preciso ter formas de controlar sua velocidade. Um proto-oncogene 
normalmente funciona de forma muito parecida ao pedal do acelerador. Ajuda a célula a crescer 
e se dividir. Um oncogene pode ser comparado ao mesmo pedal do acelerador só que está preso 
ao chão, o que faz com que a célula se divida fora de controle. 
 
Algumas síndromes cancerígenas são causadas por mutações herdadas dos proto-oncogenes que 
fazem com que o oncogene seja ativado. Mas, a maioria das mutações que causam câncer 
envolvendo oncogenes é adquirida, não herdada. Geralmente ativam os oncogenes por: 
 
Rearranjos Cromossômicos - Alterações nos cromossomos que colocam um gene ao lado de 
outro, o que permite que um ative o outro 
 
Duplicação - Ter cópias extras de um gene, pode fazer com se produza maior quantidade de 
determinada proteína 
 
 
 Genes Supressores do Tumor 
 
Genes supressores do tumor são genes normais que retardam a divisão celular, reparam erros do 
DNA ou indicam quando as células devem morrer (processo conhecido como apoptose ou morte 
celular programada). Quando os genes supressores do tumor não funcionam corretamente, as 
células podem se desenvolver fora de controle, o que pode levar ao câncer. Um gene supressor 
de tumor é como o pedal de freio em um carro. Normalmente impede que a célula se divida 
rapidamente, assim como um freio impede que um carro ande muito rápido. Quando algo dá 
errado com o gene, como uma mutação, a divisão celular pode sair fora de controle. 
 
Uma diferença importante entre oncogenes e genes supressores do tumor é que os oncogenes 
resultam da ativação de proto-oncogenes, enquanto que os genes supressores do tumor 
provocam câncer quando eles são inativados. Alterações herdadas do gene supressor do tumor 
foram encontradas em algumas síndromes cancerígenas hereditárias causando certos tipos de 
câncer, em determinadas famílias. Mas, de novo, a maioria das mutações de genes supressores 
do tumor é adquirida, não herdada. Por exemplo, anormalidades do gene TP53 (que codifica a 
proteína p53) foram encontradas em mais de metade dos cânceres humanos. 
 
 
 
 
Agentes Cancerígenos 
Os efeitos cumulativos de diferentes agentes são os responsáveis pelo início, promoção, 
progressão e inibição do tumor. A carcinogênese é determinada pela exposição a esses 
agentes, em uma dada freqüência e período de tempo, e pela interação entre eles. 
Devem ser consideradas, também, as características individuais, que facilitam ou 
dificultam a instalação do dano celular. O período de latência varia com a intensidade do 
estímulo carcinogênico, com a presença ou ausência dos agentes oncoiniciadores, 
oncopromotores e oncoaceleradores, e com o tipo e localização primária do câncer. 
Portanto, a presença dos agentes cancerígenos, por si só, não pode ser responsabilizada 
pelo desenvolvimento dos tumores. Há, porém, casos em que isto acontece. O 
carcinoma de bexiga, por exemplo, se desenvolve em 100% dos destiladores de 
benzidina que se expõem a esta substância de forma intensa e contínua, e o câncer de 
pulmão, que é consequência do tabagismo crônico, ocorrendo entre fumantes, em mais 
de 90% dos casos. 
 
Agente oncoiniciador - é capaz de provocar diretamente o dano genético das células, 
iniciando o processo de carcinogênese, é chamado agente iniciador ou oncoiniciador. 
Como exemplo de inciador temos o benzopireno, um dos componentes da fumaça do 
cigarro e alguns vírus oncogênicos, entre outros. 
 
Agente oncopromotor - atua sobre as células iniciadas, transformando-as em 
malignas. 
Agente oncoacelerador - caracteriza-se pela multiplicação descontrolada e irreversível 
das células alteradas. Atua no estágio final do processo. 
 
 
Todos os cânceres são causados por alterações nos genes. Os genes informam às células 
do nosso corpo quais proteínas devem ser utilizadas para cada tipo de célula e suas 
necessidades. Alguns genes dizem ao organismo como corrigir os danos acumulados, ao 
longo do tempo, durante o envelhecimento normal, como toxinas ambientais, exposição 
ao sol, fatores dietéticos, hormônios e outras influências. Estes genes de controle dos 
danos podem reparar às células ou informar às mesmas quando parar de crescer e 
morrer se houverem demasiados danos a reparar. 
 
Quando os genes estão danificados, podem aparecer alterações denominadas mutações. 
Quando essas mutações ocorrem nosgenes, as células podem crescer fora de controle 
causando o câncer. 
 
Para a maioria das pessoas que desenvolvem câncer, as mutações genéticas acontecem 
ao longo da vida. Algumas pessoas nascem com uma mutação genética herdada de um 
dos pais, que aumenta seu risco de ter câncer. Quando o câncer ocorre devido a uma 
mutação herdada, é denominado câncer hereditário. 
 
O que é câncer hereditário? 
 
Todas as pessoas têm duas cópias de cada gene, uma de cada pai. A maioria das 
pessoas nasce com duas cópias normais de cada gene. Os cânceres hereditários ocorrem 
quando uma pessoa nasce com alterações ou mutações em uma cópia de um gene de 
controle de danos que normalmente protege contra o câncer, geralmente essas 
alterações são herdadas da mãe ou pai. 
 
Pessoas com uma alteração genética herdada têm 50% de chance de passar a mutação 
para cada um dos seus filhos. Essas alterações podem aumentar o risco de câncer, mas 
não aumentam o risco para cada tipo de câncer, e nem todas as pessoas que nascem 
com uma alteração num gene desenvolverão a doença. A comunidade científica utiliza o 
termo susceptibilidade genética para descrever o risco aumentado para câncer em 
pessoas com uma mutação hereditária. 
 
Câncer Hereditário x Câncer Esporádico 
 
O câncer é uma doença comum, assim a maioria das famílias tem algum membro que já 
teve a doença, mas isso não significa que o câncer seja hereditário. Não sabemos a 
causa da maioria dos cânceres, mas especialistas acreditam que cerca de 10% da 
maioria dos tipos de câncer são devido a alterações hereditárias. O câncer que não 
parece ser causado por alterações herdadas é denominado câncer esporádico. Acredita-
se que a maioria (talvez 90%) de todos os cânceres sejam esporádicos. Isto significa 
que mesmo se o câncer não é encontrado em uma família, um membro dessa família 
ainda pode ter um risco para algum tipo de câncer durante a vida. 
 
O câncer esporádico e o hereditário diferem de várias maneiras o que pode afetar as 
decisões sobre os cuidados e tratamentos: 
 
 
 O câncer hereditário ocorre frequentemente de forma mais precoce do que o câncer 
esporádico do mesmo tipo, por isso se recomenda a realização do rastreamento 
frequente em pessoas mais jovens com antecedentes de câncer hereditário na família. 
 Os cânceres hereditários são causados em parte pelas alterações genéticas 
transmitidas de pais para filhos. Acredita-se que os cânceres esporádicos resultam de 
danos adquiridos através de exposições ambientais, fatores dietéticos, hormônios, 
envelhecimento normal e outras influências. A maioria das alterações genéticas não é 
compartilhada entre parentes ou transmitidas aos filhos. 
 
 
 As pessoas que herdam uma alteração num gene podem ter um risco aumentado para 
mais de um tipo de câncer. Para sobreviventes de câncer, isto pode afetar as opções 
de tratamento da doença ou os cuidados de acompanhamento. 
 
Sinais de Câncer de Mama e Câncer de Ovário Hereditários 
 
A síndrome de câncer hereditário descreve uma mutação no gene herdado que aumenta 
o risco para um ou mais tipos de câncer. A principal síndrome hereditária para câncer de 
mama e ovário é causada por mutações no gene BRCA1 ou BRCA2, o que aumenta 
substancialmente o risco de câncer de mama e ovário e aumentarão levemente o risco 
de outros tipos de câncer. Os sinais de uma síndrome de câncer hereditária de mama-
ovário, que não estão limitados a qualquer membro da família, incluem: 
 
 
 Câncer de ovário ou trompas em qualquer idade. 
 Câncer de mama antes dos 50 anos. 
 Câncer de mama nas duas mamas em qualquer idade. 
 Câncer de mama e ovário. 
 Câncer de mama em homens. 
 Câncer de mama triplo-negativo. 
 
Mais de um parente do mesmo lado da família com qualquer um dos seguintes tipos de 
câncer: 
 
 
 Câncer de mama. 
 Câncer de ovário ou trompas. 
 Câncer de próstata. 
 Câncer de pâncreas. 
 Melanoma. 
 
Vários tipos de síndromes foram identificadas, cada uma com um conjunto específico de 
sinais. Se o câncer numa família for hereditário, é importante consultar um especialista 
em genética e câncer. 
 
Outros Cânceres Hereditários 
 
As alterações no BRCA1 e BRCA2 estão mais intimamente associadas a um risco 
aumentado para câncer de mama e câncer de ovário. Outras síndromes neoplásicas 
podem aumentar o risco de câncer mama ou de ovário, além de outros tipos de câncer: 
 
Câncer colorretal hereditário sem polipose - É uma síndrome hereditária que pode 
aumentar o risco para os seguintes tipos de câncer: 
 
 Cólon (principalmente antes dos 50 anos). 
 Ovário. 
 Endométrio. 
 Estômago. 
 Intestino delgado. 
 Via biliar. 
 
Síndrome de Cowden - Pode aumentar o risco para os seguintes tipos de câncer: 
 
 Mama. 
 Tireoide (não medular). 
 Também pode provocar diferentes lesões na pele. 
 
Síndrome de Peutz-Jegher - Pode aumentar o risco para os seguintes tipos de câncer: 
 
 Cólon. 
 Mama. 
 Pâncreas. 
 Também pode provocar manchas pigmentadas nos lábios e parte interna das 
bochechas. 
 
Síndrome de Li-Fraumeni - Pode aumentar o risco para os seguintes tipos de câncer: 
 
 Mama. 
 Sarcomas (ósseos e de partes moles). 
 Cérebro. 
 Carcinoma adrenocortical na infância. 
 
Foram identificadas outras mutações hereditárias que não aumentam o risco de câncer 
de mama ou de ovário, mas aumentam o risco de outros tipos de câncer. Qualquer 
família com várias pessoas com o mesmo tipo de câncer, diagnóstico de câncer em 
pessoas jovens ou com tipos raros de câncer devem consultar um geneticista ou 
oncogeneticista para determinar se o câncer na família pode ser hereditário. 
 
Além disso, existem famílias com múltiplos casos de câncer de mama e/ou câncer de 
ovário em que a mutação não foi identificada. Estes cânceres familiares podem ter um 
componente hereditário, mas a causa genética ainda não foi identificada. 
 
 
Mutações Genéticas 
 
Mutações são alterações anormais no DNA de um gene. Os blocos de construção do DNA 
são denominados de bases. A sequência dessas bases determina o gene e a sua função. 
As mutações envolvem mudanças no arranjo das bases que compõem um gene. Até 
mesmo uma única mudança na base, de um gene entre as milhares de bases que o 
compõem pode ter um grande efeito. 
 
Uma mutação genética pode afetar a célula de várias maneiras, algumas interrompem a 
produção de proteínas, outras podem alterar a proteína em si, fazendo com que não 
funcione mais como deveria ou não funcione definitivamente. Algumas mutações podem 
levar o gene a uma condição de "sempre ligado”, produzindo mais proteínas do que o 
habitual. Algumas mutações não têm um efeito perceptível, mas outras podem levar a 
uma doença. Por exemplo, determinada mutação no gene para a hemoglobina causa a 
anemia falciforme. 
 
As células se tornam células cancerosas em grande parte devido às mutações em seus 
genes. Muitas vezes, várias delas são necessárias antes que uma célula se torne 
cancerosa. As mutações podem afetar diferentes genes que controlam o crescimento e a 
divisão celular. Alguns destes genes são chamados de genes supressores de tumor. As 
mutações podem também tornar alguns genes normais em genes cancerígenos 
conhecidos como oncogenes. 
 
Nós temos 2 cópias da maioria dos genes, um de cada cromossomo em um par. Para 
que um gene pare de funcionar completamente e potencialmente provoque câncer, 
ambas as cópias têm que ter mutações. 
 
Tipos de mutações 
 
Existem 2 tipos principais de mutações genéticas: 
 
 
 Mutação Herdada - Está presente no óvulo ou no espermatozoide. Depois que o 
óvulo é fertilizado pelo espermatozoide é formada uma célula chamada zigoto que em 
seguida se divide para formar o feto (que posteriormente será um bebê). Já que todasas células do organismo vêm desta primeira célula, esse tipo de mutação se encontra 
em cada célula do corpo e pode ser transmitida à geração seguinte. Este tipo de 
mutação é também denominada germinativa (porque as células que se desenvolvem 
em óvulos e espermatozoides são chamadas de células germinativas) ou mutação 
hereditária. Acredita-se que as mutações herdadas são a causa direta de apenas uma 
pequena fração dos cânceres. 
 
 
 Mutação Adquirida - Não está presente no zigoto, mas é "adquirida” em algum 
momento da vida. Ocorre em uma célula e em seguida é transmitida a quaisquer 
novas células que são a sucessão da original. Este tipo de mutação não está presente 
no óvulo ou espermatozoide que formou o feto, de modo que não pode ser 
transmitida à próxima geração. Mutações adquiridas são muito mais comuns do que 
as mutações herdadas, e a maioria dos cânceres é causado por essas mutações. Este 
tipo de mutação é também denominado esporádica ou somática. 
 
Mutações e Câncer 
 
Especialistas concordam que é preciso mais do que uma mutação em uma célula para 
que o câncer ocorra. Quando alguém herda uma cópia anormal do gene, isso torna mais 
fácil (e rápido) que diversas mutações ocorram para que a célula se torne cancerígena. É 
por isso que os cânceres herdados tendem a ocorrer mais cedo na vida do que mutações 
adquiridas do mesmo tipo que não tem essa característica. 
 
Ainda, se você nasceu com genes saudáveis, alguns deles podem mutar ao longo de sua 
vida. Estas mutações adquiridas causam a maioria dos casos de câncer. Algumas dessas 
mutações podem ser provocadas por elementos aos quais estamos expostos no 
ambiente, incluindo dieta, radiação, hormônios e fumaça de cigarro, outras não têm uma 
causa clara e parecem ocorrer aleatoriamente quando as células se dividem. Quando 
ocorre o sinal para uma célula se dividir e se tornar duas novas células, todo o seu DNA 
deve ser copiado. Com tanta informação no DNA, às vezes acontecem erros na nova 
cópia (como erros de digitação), ocasionando mutações no DNA. Toda vez que uma 
célula se divide, é uma nova oportunidade para que ocorram mutações. O número de 
mutações aumenta com o tempo, por isso temos maior risco de câncer à medida em que 
envelhecemos. 
 
É importante entender que mutações genéticas acontecem nas nossas células o tempo 
todo. Geralmente, a célula detecta a alteração e a repara. Se isso não acontecer, ela 
sinalizará que irá morrer em um processo denominado apoptose. Mas, se a célula não 
morrer e a mutação não for reparada, pode levar ao desenvolvimento de um câncer. 
Isso é mais provável ocorrer se a mutação afeta um gene envolvido com a divisão 
celular ou um gene que normalmente faz com que uma célula defeituosa morra. 
Algumas pessoas têm um alto risco de desenvolver câncer por herdarem mutações em 
determinados genes. 
 
Penetrância 
 
Para genes dominantes e mutações, o termo penetrância é usado para indicar a 
proporção daqueles que transportam uma mutação que terão o traço, síndrome ou 
doença. Se todas as pessoas que herdam a mutação tem a doença, é denominada de 
penetrância completa. Se nem todas as pessoas que têm a mutação contraem a doença, 
é chamada de penetrância incompleta. Em geral, as mutações herdadas que provocam 
câncer têm penetrância incompleta, o que significa que não são todos os indivíduos com 
a mutação que irão ter câncer. Na verdade, em parte isso acontece porque, embora a 
pessoa tenha uma mutação numa cópia do gene, é necessário adquirir pelo menos mais 
uma mutação para o gene parar de funcionar completamente e ocorrer o câncer. Uma 
vez que nem todos terão a segunda mutação, nem todos terão câncer. 
 
 
 Alta x Baixa Penetrância 
 
Mutações genéticas podem provocar grandes mudanças na função de um gene. Elas 
podem até mesmo fazer com que a cópia do gene pare de funcionar completamente. 
Quando uma mutação hereditária tem um grande efeito na função de um gene a ponto 
de causar uma doença ou uma alteração perceptível na maioria das pessoas que a têm, 
essa mutação é chamada de "alta penetrância." 
 
Mutações de alta penetrância nos genes suscetíveis ao câncer podem levar muitos 
indivíduos de uma mesma família a terem determinados tipos de câncer, o que seria 
uma síndrome do câncer familiar. Acredita-se que esta situação cause somente uma 
pequena porcentagem dos cânceres hereditários. Por exemplo, apenas 20% dos 
cânceres de mama que ocorrem numa mesma família sejam devido a mutações de alta 
penetrância nos genes BRCA1 e BRCA2. 
 
No entanto, algumas mutações hereditárias não parecem afetar a função dos genes e 
muitas vezes não provocam alterações evidentes. Estas mutações são chamadas de 
baixa penetrância, e podem afetar o risco de câncer através de efeitos sutis em 
determinados elementos, como os níveis hormonais ou metabolismo, que interagem com 
fatores de risco para a doença. Acredita-se que as mutações de baixa penetrância, 
juntamente com variantes genéticas são responsáveis pela maior parte do risco de 
câncer familiar 
 
Variantes Genéticas 
 
Os indivíduos também podem ter diferentes versões de genes que não são mutações. 
Diferenças comuns nos genes são denominadas variantes. Essas versões são herdadas e 
estão presentes em todas as células do corpo. O tipo mais comum de gene variante 
envolve uma mudança em apenas uma base (nucleotídeo) de um gene. É o chamado 
polimorfismo de nucleotídeo único. Estima-se que existam milhões de polimorfismos 
presentes no DNA de cada pessoa. Outros tipos de variantes são menos comuns. Muitos 
genes contêm sequências de bases que se repetem várias vezes. Um tipo comum de 
variante envolve uma mudança no número dessas repetições. 
 
Aparentemente algumas variantes não produzem nenhum efeito sobre a função do gene. 
Outras tendem a influenciar a função dos genes de uma forma sutil, tornando-os mais ou 
menos ativos. Estas mudanças não causam diretamente o câncer, mas podem fazer com 
que o indivíduo seja mais propenso a desenvolver a doença. Por exemplo, algumas 
variantes afetam os níveis de estrogênio e progesterona, o que pode aumentar o risco de 
câncer de endométrio e de mama. Outros podem afetar a eliminação de toxinas da 
fumaça do cigarro, fazendo com que uma pessoa tenha mais probabilidade de 
desenvolver câncer de pulmão e outros tipos. Variantes genéticas, também, podem ter 
um papel importante em doenças que impactam o risco de câncer, como diabetes e 
obesidade. 
 
Variantes e mutações de baixa penetrância podem ser similares. A principal diferença 
entre as duas é a frequência com que ocorrem. Mutações são raras, enquanto variantes 
no gene são mais comuns. 
 
Ainda assim, como essas variantes são mais comuns e alguém pode ter muitas delas, 
seu efeito pode ser somatório. Estudos mostraram que essas variantes podem influenciar 
o risco de câncer e, juntamente com as mutações de baixa penetrância, podem ser 
responsáveis por uma grande parte dos fatores de risco de câncer hereditário. 
 
Outras maneiras das Células alterarem os Genes e sua Atividade 
 
Apesar de todas as células do corpo conterem os mesmos genes (e DNA), suas 
atividades são diferentes. Alguns genes podem estar ativos em alguns momentos e 
inativos em outros. Neste caso, ligar e desligar os genes não está baseado em alterações 
na sequência do DNA (como mutações), mas sim, por outro meio, denominado 
alterações epigenéticas. 
 
Metilação do DNA - Na alteração epigenética, uma molécula de um grupo metila está 
ligada a certos nucleotídeos. Isto altera a estrutura do DNA para que o gene não possa 
iniciar o processo de produção da proteína para a qual está codificada (este processo é 
chamado de transcrição). Isto basicamente desliga o gene. Em algumas pessoas com 
uma mutação numa cópia de um gene suscetível de câncer, a outracópia do gene torna-
se inativa não por mutação, mas por metilação. 
 
Modificação da Histona - Cromossomos são feitos com DNA envolvido em torno de 
proteínas denominadas histonas, que podem ser modificadas pela adição (ou subtração) 
de um grupo acetila. A adição de grupos acetila (acetilação) pode ativar (ligar) essa 
parte do cromossomo, enquanto a ausência (deacetilação) pode desativá-lo (desligá-lo). 
Outra função da metilação é a ativação e desativação de partes de cromossomos. As 
histonas também podem ser modificadas adicionando ou subtraindo grupos metilo 
(metilação e demetilação). Embora a modificação anormal da histona não é causa 
conhecida de câncer, drogas que alteram essa modificação podem ajudar no tratamento 
da doença, ligando genes que ajudam no controle do crescimento e divisão celular. 
 
Interferência no RNA - O RNA (ácido ribonucleico) é importante para as células, como 
a etapa intermediária que permite que os genes codifiquem proteínas. Mas, algumas 
formas pequenas de RNA podem interferir na expressão gênica por se anexar a outros 
segmentos de RNA, ou até mesmo afetando histonas ou o próprio DNA. Medicamentos 
são desenvolvidos para atuar em genes anormais de células cancerosas através de 
interferência no RNA. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MÓDULO 7 
· Terapia gênica como forma de tratamento de doenças genéticas. 
· Terapia por uso de células-tronco. 
· Clonagem terapêutica. 
 
 Terapia por uso de células-tronco. 
As células-tronco são células capazes de autorrenovação e diferenciação em muitas categorias 
de células. Elas também podem se dividir e se transformar em outros tipos de células. Além 
disso, as células-tronco podem ser programadas para desenvolver funções específicas, tendo em 
vista que ainda não possuem uma especialização. 
Basicamente, as células tronco podem se auto-replicar, ou seja, se duplicar, gerando outras 
células-tronco. Ou ainda se transformar em outros tipos de células. 
 
Tipos de células-tronco: 
Existem três principais tipos de células-tronco: as embrionárias e as adultas, que são encontradas 
principalmente na medula óssea e no cordão umbilical, oriundas de fontes naturais e; as 
pluripotentes induzidas, que foram obtidas por cientistas em laboratório em 2007. 
 
Células-tronco embrionárias: 
As células pluripotentes, ou embrionárias, são assim chamadas por possuir a capacidade de se 
transformar em qualquer tipo de célula adulta. Elas são encontradas no embrião, apenas quando 
este se encontra no estágio de blastocisto (4 a 5 dias após a fecundação). Na figura abaixo, a 
região circulada em vermelho é chamada Massa Celular Interna e é esta massa de células que 
chamamos de células-tronco embrionárias. 
 
Em uma fase posterior ao embrião de 5 dias, ele já apresenta estruturas mais complexas como 
coração e sistema nervoso em desenvolvimento, ou seja, as suas células já se especializaram e 
não podem mais ser consideradas células-troncos. 
 
O corpo humano possui, aproximadamente, 216 tipos diferentes de células e as células-tronco 
embrionárias podem se transformar em qualquer uma delas. Esse esquema exemplificando este 
processo: 
 
 
 
 Células-tronco adultas: 
Na fase adulta, as células-tronco encontram-se, principalmente, na medula óssea e no sangue do 
cordão umbilical, mas cada órgão do nosso corpo possui um pouco de células-tronco para poder 
renovar as células ao longo da nossa vida, como mostra a figura. Elas podem se dividir para gerar 
uma célula nova ou outra diferenciada. As células-tronco adultas são chamadas de multipotentes 
por serem menos versáteis que as embrionárias. 
 
 
 
 
 
 
 
Células-tronco induzidas: 
As primeiras células-tronco humanas induzidas foram produzidas em 2007, a partir da pele. E 
tem sido daí que são retiradas as células para reprogramação, mesmo que teoricamente, 
qualquer tecido do corpo possa ser reprogramado. O processo de reprogramação se dá através 
da inserção de um vírus contendo 4 genes. Estes genes se inserem no DNA da célula adulta, 
como, por exemplo, uma da pele, e reprogramam o código genético. Com este novo programa, 
as células voltam ao estágio de uma célula-tronco embrionária e possuem características de 
autorrenovação e capacidade de se diferenciarem em qualquer tecido, como na figura mais 
abaixo. 
Estas células são chamadas de células-tronco de pluripotência induzida ou pela sigla iPS (do 
inglês induced pluripotent stem cells). 
 
As células troncos e como podem ser usadas: 
A pesquisa com as células-tronco é fundamental para entender melhor o funcionamento e 
crescimento dos organismos e como os tecidos do nosso corpo se mantêm ao longo da vida 
adulta, ou mesmo o que acontece com o nosso o organismo durante uma doença. As células-
tronco fornecem aos pesquisadores ferramentas para modelar doenças, testar medicamentos e 
desenvolver terapias que produzam resultados efetivos. 
A terapia celular é a troca de células doentes por células novas e saudáveis, e este é um dos 
possíveis usos para as células-tronco no combate a doenças. Em teoria, qualquer doença em que 
houver degeneração de tecidos do nosso corpo poderia ser tratada através da terapia celular. 
Para pesquisas de células-tronco, todos os tipos são necessários para análise pois cada uma delas 
têm um potencial diferente a ser explorado e, em muitos casos, elas podem se complementar. 
Mesmo após a criação das células iPS, não podemos deixar de utilizar as células-tronco 
embrionárias, pois sem conhecê-las seria impossível desenvolver a reprogramação celular. Além 
disso, embora os resultados sejam muito promissores, as iPS e as embrionárias ainda não são 
100% iguais e o processo de reprogramação ainda sofre com um mínimo de insegurança por 
conta da utilização dos vírus. Existem outras opções sendo estudadas, mas é muito importante 
que possamos ter e comparar esses 2 tipos celulares. 
 
Obstáculos a serem enfrentados para que as células-troncos possam ser usadas no tratamento 
de doenças: 
Mesmo com os resultados testes sendo positivos ou, pelo menos, promissores, as pesquisas de 
células-tronco e suas aplicações para tratar doenças ainda estão em estágio inicial. É preciso 
utilizar métodos rigorosos de pesquisa e testes para garantir segurança e eficácia a longo prazo. 
Quando as células-tronco são encontradas e isoladas, é necessário proporcionar as condições 
ideais para que elas possam se diferenciar e se transformar nas células específicas necessárias no 
tratamento escolhido, e, para esse processo, é necessário bastante experimentação e testes. 
Além de tudo, é necessário o desenvolvimento de um sistema para entregar as células à parte 
específica do corpo e estimulá0las a funcionar e se integrar como células naturais do corpo 
humano. 
 
 
 
 
 
 
 
Clonagem terapêutica para obtenção das células-tronco 
 
Se em vez de inserirmos em um útero o óvulo cujo núcleo foi substituído por um de uma célula 
somática deixarmos que ele se divida no laboratório teremos a possibilidade de usar estas 
células - que na fase de blastocisto são pluripotentes - para fabricar diferentes tecidos. Isto 
abrirá perspectivas fantásticas para futuros tratamentos, porque hoje só se consegue cultivar em 
laboratório células com as mesmas características do tecido do qual foram retiradas. É 
importante que as pessoas entendam que, na clonagem para fins terapêuticos, serão gerados só 
tecidos, em laboratório, sem implantação no útero. Não se trata de clonar um feto até alguns 
meses dentro do útero para depois lhe retirar os órgãos como alguns acreditam. Também não 
há porque chamar esse óvulo de embrião após a transferência de núcleo porque ele nunca terá 
esse destino. 
Uma pesquisa publicada na revista Science por um grupo de cientistas coreanos (Hwang e col., 
2004) confirma a possibilidadede obter-se células-tronco pluripotentes a partir da técnica de 
clonagem terapêutica ou transferência de núcleos. O trabalho foi feito graças a participação de 
dezesseis mulheres voluntárias que doaram, ao todo, 242 óvulos e células "cumulus" (células que 
ficam ao redor dos óvulos) para contribuir com pesquisas visando à clonagem terapêutica. As 
células cumulus, que já são células diferenciadas, foram transferidas para os óvulos dos quais 
haviam sido retirados os próprios núcleos. Dentre esses, 25% conseguiram se dividir e chegar ao 
estágio de blastocisto, portanto, capazes de produzir linhagens de células-tronco pluripotentes. 
 
A clonagem terapêutica teria a vantagem de evitar rejeição se o doador fosse a própria pessoa. 
Seria o caso, por exemplo, de reconstituir a medula em alguém que se tornou paraplégico após 
um acidente ou para substituir o tecido cardíaco em uma pessoa que sofreu um 
infarto. Entretanto, esta técnica tem suas limitações. O doador não poderia ser a própria pessoa 
quando se tratasse de alguém afetado por doença genética, pois a mutação patogênica 
causadora da doença estaria presente em todas as células. No caso de usar-se linhagens de 
células-tronco embrionárias de outra pessoa, ter-se-ia também o problema da compatibilidade 
entre o doador e o receptor. Seria o caso, por exemplo, de alguém afetado por distrofia muscular 
progressiva, pois haveria necessidade de se substituir seu tecido muscular. Ele não poderia 
utilizar-se de suas próprias células-tronco, mas de um doador compatível que poderia, 
eventualmente, ser um parente próximo. 
Além disso, não sabemos se, no caso de células obtidas de uma pessoa idosa afetada pelo mal de 
Alzheimer, por exemplo, se as células clonadas teriam a mesma idade do doador ou se seriam 
células jovens. Uma outra questão em aberto diz respeito à reprogramação dos genes que 
poderiam inviabilizar o processo dependendo do tecido ou do órgão a ser substituído. 
Em resumo, por mais que sejamos favoráveis à clonagem terapêutica, trata-se de uma 
tecnologia que necessita de muita pesquisa antes de ser aplicada no tratamento clínico. Por 
este motivo, a grande esperança, a curto prazo, para terapia celular, vem da utilização de 
células-tronco de outras fontes. 
 
 
 
 
 
 
MÓDULO 8 
· Aconselhamento genético: principais indicações. 
· A equipe multidisciplinar no Aconselhamento Genético 
· Etapas do Aconselhamento Genético. 
ACONSELHAMENTO GENÉTICO 
Aconselhamento Genético é um processo de informação genética de comunicação que lida com 
problemas humanos associados ao risco de ocorrência, ou de recorrência de um distúrbio 
genético em uma família. Este processo envolve vários profissionais na tentativa de ajudarem a 
pessoa ou família a (1) compreender os fatos, incluindo o diagnóstico, curso provável da doença 
e conduta disponível; (2) avaliar o modo pelo qual a hereditariedade contribui para o distúrbio e 
o risco de recorrência em parentes em risco; (3) compreender as alternativas para lidar com o 
risco de recorrência; (4) escolher o curso da ação que lhes parecer mais apropriado diante do seu 
risco, considerando suas metas familiares e dentro de seus princípios culturais, éticos e 
religiosos; (5) adaptar-se, da melhor maneira possível, ao distúrbio de um membro da família 
afetado e/ou risco de recorrência desse distúrbio. 
 Indicações para consulta de aconselhamento genético 
1. Criança com malformações múltiplas, ou histórico familiar de crianças com malformações 
múltiplas; 
 
2. Retardo mental/retardo do desenvolvimento neuropsicomotor (RDNPM); 
 
3. Casais com perguntas sobre o diagnóstico pré-natal para alguma alteração; 
 
4. Perda repetitiva da gravidez/natimorto (abortamento habitual/aborto de repetição); 
 
5. Os casais com “idade materna/idade avançada” (mulheres acima de 35 e/ou os homens acima 
de 55); 
 
6. Casais consangüíneos; 
 
7. Amenorréia primária, azoospermia, infertilidade ou desenvolvimento sexual anormal; 
 
8. Alterações metabólica suspeita ou diagnosticada: morte neonatal, falha do prosperar, 
organomegalia, perda de marcos de desenvolvimento; 
 
9. Defeitos freqüentes do nascimento, tais como fissura congênita do lábio superior/palato, 
defeitos do tubo neural, “clubfoot” congênito, doença congênita do coração; 
 
10. Criança com a aparência incomum, acompanhada especialmente pela falha do prosperar ou 
retardo do desenvolvimento neuropsicomotor (RDNPM). 
 
11. Conhecimento prévio de anormalidade cromossômica na família; 
 
 
 
 
12. Famílias com conhecimento prévio de condições hereditárias e/ou perguntas sobre riscos de 
recorrência; 
 
13. Casais de origem étnica que sugira um risco aumentado para alguma alteração específica, tal 
como Jewish para Tay-Sachs, Negroídes/Mediterraneos/Asiáticos para 
hemoglobinopatia/talassemia; 
 
14. História de alguma doença existente na família, especialmente perda auditiva, cegueira, 
alteração neurodegenerativa, baixa estatura, doença prematura do coração, imunodeficiência, 
anormalidade do cabelo, pele, ossos, ou câncer; 
 
15. Mulheres grávidas ou que planejam a gravidez, expostas à teratogenes potenciais como 
radiação, produtos químicos, determinados medicamentos (anticonvulsivos, anticoagulantes, 
antimetabólitos, antagonistas da tireóide, esteróides), drogas/narcóticos (inclusive o álcool), 
determinados agentes virais, febres muito elevadas; 
 
16. Mulheres que consideram a gravidez que têm uma alteração hereditária (PKU, a 
homocistinuria); 
17. Aumento da translucencia nucal e/ou hipoplasia do osso nasal. 
 
18. alterações do tri-teste ou quadriteste (Alfa feto proteína, bHcG, estradiol livre e PAPP-A) 
 
19. Pacientes na busca de algum diagnóstico específico de um problema real não diagnosticado 
anteriormente. 
 
20. Recorrência de casos de câncer na família. 
Equipe Multidisciplinar 
O profissional do aconselhamento genético: funções, áreas interdisciplinares e limites da prática 
As doenças genéticas e o seu carácter hereditário influenciam as decisões e os projetos de vida, 
os relacionamentos interpessoais, as crenças, a identidade pessoal, e a estrutura e organização 
familiar tornando o aconselhamento genético um processo complexo. Daí que no processo de 
aconselhamento genético deve estar envolvida uma equipa multidisciplinar constituída por: 
médico geneticista, enfermeiro especialista em genética, profissional de aconselhamento 
genético (genetic counsellor), psicólogo, assistente social, entre outros. Estes profissionais têm 
funções distintas mas complementares, sobretudo o médico geneticista, o enfermeiro 
especialista em genética e o profissional de aconselhamento genético, funções estas que 
pretendemos clarificar, realçando a importância do papel do profissional de aconselhamento 
genético. 
Num serviço de genética é desejável a presença dos médicos geneticistas que, usualmente, 
lideram a equipa de profissionais de aconselhamento genético, psicólogos, enfermeiros, 
assistentes sociais, e outros médicos especialistas, conforme as necessidades. 
 
 
 
 
Existe consenso de que os médicos geneticistas possuem formação específica na área da 
genética médica. As suas funções passam por identificar indivíduos e famílias cuja alteração ou 
condição está determinada, parcial ou totalmente, por uma componente genética; determinar o 
diagnóstico clínico e iniciar, se necessário, exames clínicos adicionais para um diagnóstico exato; 
estar familiarizado com a acessibilidade aos serviços de genética que podem ajudar as pessoas e 
familiares através de aconselhamento genético; fornecer informação específica sobre a natureza 
da alteração genética; determinar a necessidade e utilidade dos testes genéticos relacionados 
com a doença ou condição especial, entre outras. Em suma, são aqueles quedirigem o processo 
clínico, indicam os testes adequados, assinam relatórios dos seus resultados e estabelecem o 
diagnóstico. 
O profissional de aconselhamento genético possui habilitações ao nível da licenciatura (como 
enfermagem, psicologia, biologia, assistência social, ou em medicina), e, a posteriori, recebe 
formação especializada a nível de mestrado em competências para o aconselhamento genético. 
Estas competências desenvolvem-se através de 5 áreas principais: Genética médica, 
Aconselhamento genético, Psicologia clínica, Bioética, Metodologias de investigação, Bioética e 
Saúde Pública-Organização dos Serviços. 
Estes profissionais possuem capacidades e competências especializadas para: 
 Estabelecer uma relação de empatia com o paciente e familiares procurando saber quais as 
suas preocupações e expectativas, proporcionando um ambiente confortável/de confiança 
para que se sintam à vontade para falar, exprimir as suas emoções, necessidades e dúvidas; 
 Calcular de forma apropriada o risco genético através de uma recolha de história familiar 
pormenorizada com suficiente informação médica, pessoal e familiar, tentando 
compreender os padrões de hereditariedade; 
 Transmitir informação clínica e informação geral apropriada às suas necessidades 
individuais; explicar as opções existentes incluindo os riscos, benefícios e limitações; avaliar 
a compreensão do paciente relativamente aos tópicos que estão a ser discutidos; dar a 
conhecer as implicações das experiências pessoais, familiares, crenças, valores e cultura, 
para o processo de aconselhamento genético; 
 Fazer um levantamento das necessidades dos pacientes e os recursos disponíveis para lhe 
oferecer suporte/apoio, referenciando-os para outras especialistas quando necessário; 
 Utilizar as competências adquiridas sobre aconselhamento genético para os apoiar na sua 
tomada de decisões de forma ajustada e adequada a cada situação individualmente; 
 Documentar adequadamente toda a informação, todas as notas, correspondências 
mantendo sempre a confidencialidade da informação; 
 Encontrar e utilizar informação médica e genética relevante que possa ser utilizada no 
processo de aconselhamento genético; 
 Planear, organizar, e realizar educação profissional e pública; 
 Estabelecer relações efetivas de trabalho com uma equipa multidisciplinar, de forma a dar 
um encaminhamento adequado e ajustado ao paciente e familiares, consoante as suas 
necessidades; 
 Contribuir para o desenvolvimento de organizações e serviços de genética; 
 Praticar a profissão de acordo com uma conduta ética apropriada; 
 Reconhecer e manter relações profissionais tendo consciência das limitações da nossa 
prática; 
 
 
 
 Demonstrar as capacidades e habilidades pessoais de forma a proteger os pacientes de 
forma segura; 
 Apresentar oportunidades para os pacientes participarem em projetos de investigação de 
forma a promover escolhas mais informadas e esclarecedoras; 
 Realizar investigação e monitorizar o processo de aconselhamento genético para garantir a 
sua efetividade e aperfeiçoamento; 
 Promover o desenvolvimento profissional, individual e da profissão; 
Em alguns países existe um sistema de registo para assegurar que este profissional possui 
padrões de competência apropriados antes de começar a trabalhar de forma autónoma com a 
respetiva equipa. 
O trabalho realizado pelos distintos especialistas da equipa multidisciplinar e pelo profissional de 
aconselhamento genético complementa-se mas diferencia-se em vários aspetos, devido à 
heterogeneidade de competências técnicas que a prática comporta. Os papéis profissionais 
variam por toda a Europa segundo a especificidade de cada país. Realçamos que estes 
profissionais não possuem formação para realizar diagnósticos clínicos ou testes genéticos num 
laboratório (nem é permitido no código de prática profissional exercer a profissão sem a 
supervisão de especialistas em Genética e a integração em equipas multidisciplinares). 
A inclusão de profissionais não-médicos nas equipas multidisciplinares de genética é algo que 
tem sido expandido por todo o mundo, respondendo às necessidades dos serviços de genética e 
contribuindo para a difusão da área do aconselhamento genético. Em Portugal, embora não 
tenha ainda sido criada a especialidade de genética na área de enfermagem, existem seis 
profissionais (enfermeiras e psicólogas) que concluíram em Dezembro de 2011 o mestrado 
profissionalizante em aconselhamento genético, em condições de dar resposta às necessidades 
dos serviços de genética e atender eficazmente às necessidades dos utentes e famílias que 
padecem ou estão em risco de padecer de uma condição genética. 
Em suma, o profissional de aconselhamento genético é um profissional treinado que reúne 
competências para realizar cálculo de riscos genéticos, fornecer informação complexa aos 
pacientes e familiares de forma simples, prática e ajustada à sua adequada compreensão, 
apoiando-os face ao diagnóstico e a cada situação particular, facilitando uma tomada de decisão 
livre mas informada e respeitando as questões éticas e de confidencialidade. São desejáveis 
também as ações de promoção e educação em saúde da população em geral, área na qual o 
profissional de aconselhamento genético também possui competências relevantes. 
 
 
 
 
 
 
 
Etapas do Aconselhamento 
As etapas da consulta são, geralmente, cinco: Anamnese (tomada de informações), exame físico 
(se pertinente e/ou necessário fazer ou confirmar um diagnóstico), investigações (solicitação de 
exames genéticos complementares), elaboração das hipóteses diagnósticas e preparação de um 
relatório final (laudo). Vejamos os detalhes de cada etapa. 
A) Anamnese - é um questionário verbal cujos dados serão usados para a construção do 
heredograma (árvore genealógica/mapa genético da família). A anamnese é pessoal e familiar, 
meticulosa na pesquisa de ambos os lados da família. É essencial que os pacientes obtenham 
informações com parentes: há história familiar de doença genética/hereditária? De mortes ou 
problemas ocorridos no período pré-natal, neo-natal ou infância, por defeitos congênitos 
(causas, idade na data do óbito)? Há história familiar de retardo mental? A paciente, sua mãe, 
sua sogra ou parentes próximos tiveram abortos repetidos? Quantos e em que época da 
gravidez? Houve exposição a drogas e teratógenos antes destes eventos? Há consangüinidade na 
família? Qual a ascendência étnica? Um dos cônjuges tem filhos de outro casamento e, em caso 
positivo, são saudáveis? A anamnese é detalhada e pode ser demorada. 
B) Exame físico - Exame físico minucioso do paciente afetado, se for necessário fazer ou 
confirmar um diagnóstico. Análise de fotografias da infância do paciente afetado ou de parentes 
falecidos com o problema genético também é realizada. 
C) Exames complementares - Podem ser necessários e solicitados, por exemplo: exame de 
cariótipo (cromossomos) de alta resolução em sangue (criança ou casal); exames bioquímicos 
para doenças metabólicas; exames moleculares em DNA para diagnósticos de síndromes 
genéticas específicas; triagem para erros inatos do metabolismo; exame dos cromossomos fetais 
em vilos coriais ou líquido amniótico, durante a gravidez. 
D) Hipóteses diagnósticas - O aconselhamento genético visa estabelecer se o problema é 
genético ou não, se é cromossômico ou não, se é monogênico, poligênico ou multifatorial. Isto 
permitirá estabelecer o padrão de herança da doença naquela família específica. Se preciso, 
profissionais de outras especialidades médicas acompanharão o paciente no futuro. 
E) Laudo - O paciente deve retornar ao médico que solicitou o Aconselhamento Genético, 
levando o relatório escrito (laudo) do caso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Revisão Estudos 
 NP1 
Os ácidos nucléicos:DNA e RNA 
As diversas expressões dos genes são estudadas pela genética. Embora nossos genes tenham 
sido herdados de nossos genitores, eles podem sofrer mudanças ao longo de nossa vida. Logo, 
pode-se concluir que tudo o que é hereditário é genético, mas nem sempre o que é genético é 
hereditário. 
Mas, afinal de contas, o que é um gene? Uma definição mais moderna de gene é: segmento de 
DNA que transcreve um RNA específico. Obviamente, para compreender de modo mais claro 
este conceito, é necessário algumas explicações sobre DNA, RNA e transcrição. Vamos a elas. 
1) Estrutura geral do DNA 
O DNA (ácido desoxirribonucléico) é uma grande molécula composta de dois filamentos (ou fitas) 
que são mantidos emparelhados graças a ligações de hidrogênio ocorridas entre bases 
nitrogenadas vizinhas. Estas ligações são específicas: adenina (A) se liga à timina (T) e citosina se 
liga à citosina (C). Portanto, se uma das fitas é composta pela sequência ATTCGTCAT, a outra fita, 
que se mantém emparelhada a esta, apresenta a sequência TAAGCAGTA. 
2) Estrutura geral do RNA 
O RNA (ácido ribonucléico) apresenta constituição química semelhante ao DNA. Duas diferenças 
importantes são: o RNA apresenta a base nitrogenada uracila (U) ao invés de timina, e é 
composto de apenas um filamento. 
O RNA é produzido pelo DNA, e este processo é denominado transcrição, onde um dos 
filamentos do DNA serve de molde a partir do qual será transcrito o RNA. Se o filamento-molde 
de DNA tem a sequência de bases ATTCGTCAT, o RNA transcrito terá a sequência UAAGCAGUA. 
 
EXERCÍCIO RESOLVIDO 
1) A sequência de bases nitrogenadas do filamento-molde de um segmento de DNA é 
TGGCCACGTAAG. Logo, o RNA transcrito por este segmento será: 
a) TGGCCACGTAAG 
b) ACCGGUGCAUUC 
c) ACCGGTGCATTC 
d) UACUACCCGGCC 
e) AAACCCGGGUUU 
 
Resposta do exercício: 
A resposta correta do exercício acima está na alternativa B. Na transcrição, o filamento-molde de 
DNA serve como guia para a formação do filamento de RNA. A formação da molécula de RNA 
ocorre de modo que as bases nitrogenadas desta nova molécula em formação se emparelhem 
com as bases existentes no filamento molde de DNA. Assim, a primeira base nitrogenada a 
compor o RNA será A (adenina), pois esta base irá se emparelhar à primeira das bases do DNA, 
que é T (timina). Seguindo esse raciocínio, deduzimos que a próxima base nitrogenada a ser 
incorporada ao RNA em formação será C (citosina), uma vez que a segunda base nitrogenada do 
DNA é G (citosina). Ao final de todo esse processo, a sequência de bases do RNA 
será ACCGGUGCAUUC. 
 
 A síntese de proteínas 
Conforme já mencionado, a transcrição é processo de produção de RNA a partir de uma fita-
molde de DNA. Há três tipos diferentes de RNA: RNA-mensangeiro (RNA-m), RNA-ribossômico 
(RNA-r) e RNA-transportador (RNA-t). Estas moléculas de RNA trabalham em conjunto para a 
fabricação de uma proteína específica, fenômeno conhecido como tradução. Durante a 
tradução, os aminoácidos transportados pelo RNA-t serão interligados no interior do ribossomo, 
uma organela celular. A interligação em cadeia de várias moléculas de aminoácidos resultará na 
proteína final. 
Há vinte tipos diferentes de aminoácidos que entram na composição de proteínas. As proteínas 
diferem entre si pela quantidade, tipos e sequência de aminoácidos. O que define essas 
características protéicas é a composição de bases nitrogenadas do RNA-m. A equivalênciaentre a 
composição de bases nitrogenadas do RNA-m e os aminoácidos que irão formar a proteína final 
recebe o nome de código genético. A tabela fornecida abaixo ilustra algumas destas correlações 
existentes no código genético: 
 
Sequência de bases no RNA-m Aminoácido incorporado na proteína 
UUU Fenilalanina (sigla = FEN) 
AUG Metionina (sigla = MET) 
AAG Lisina (sigla = LIS) 
 
Portanto, se a sequência de bases nitrogenadas do RNA-m for AUGAUGUUU, a sequência 
equivalente de aminoácidos na proteína produzida será MET-MET-FEN. 
Existem milhares de proteínas diferentes no corpo humano. Podemos citar, como exemplo, os 
anticorpos (proteínas de defesa), a hemoglobina (proteína que transporta oxigênio no sangue) e 
a pepsina (enzima digestória estomacal). Cada uma delas é produzida seguindo essa regra básica 
da tradução. 
É importante lembrar que a informação para produzir cada proteína corresponde a uma 
sequência de bases do RNA-m, e que essa sequência de bases do RNA-m foi produzida tendo 
como molde um filamento específico de DNA. Logo, pode-se afirmar que a molécula de DNA 
contém as informações necessárias para a produção de todas as proteínas que constituem o 
organismo. A este conjunto de informações, damos o nome de genoma. 
 
EXERCÍCIO RESOLVIDO 
 
2) Analise atentamente as afirmações abaixo: 
I – O código genético corresponde ao conjunto de informações do DNA necessárias para produzir 
todas as proteínas do organismo. 
II – Consultando o código genético fornecido no texto, podemos afirmar que, se uma proteína se 
inicia com a sequência de aminoácidos LIS-FEN-MET, então o RNA-m usado na tradução terá a 
seguinte sequência inicial de bases: AAGUUUAUG. 
III – Existem aminoácidos formando tanto a estrutura das proteínas quanto a estrutura do RNA e 
do DNA. 
 
A análise das afirmativas nos permite concluir que: 
a) apenas I está correta 
b) apenas II está correta 
c) apenas III está correta 
d) apenas I e III estão corretas 
e) I, II e III estão corretas 
 
Resposta do exercício: 
Está correto apenas o que se afirma na afirmativa II, portanto, deve ser assinalada a alternativa 
B. A seguir, descrevemos os erros existentes nas afirmativa I e III: 
Afirmativa I – O código genético nada mais é do que uma tabela de equivalências entre as bases 
nitrogenadas do RNA-m e os aminoácidos que serão incorporados à proteína. Aquilo que se 
afirma na frase é o conceito de genoma. 
Afirmativa III – Os aminoácidos são moléculas que compõe apenas as proteínas. Na estrutura do 
RNA e do DNA não existem aminoácidos, e sim bases nitrogenadas. 
 
 
 Conceitos básicos em genética 
 
I - Cromossomos, locos, alelos e genótipos 
O DNA fica armazenado no núcleo das células em uma estrutura denominada cromossomo. Há 
apenas um DNA por cromossomo. Nas células humanas existem, ao todo, 46 cromossomos, com 
exceção dos óvulos e espermatozóides, que possuem apenas 23 cromossomos. 
Durante a fecundação, ocorre a junção dos 23 cromossomos do óvulo com os 23 do 
espermatozóide, originando o zigoto, que é a primeira célula de um novo indivíduo. O zigoto, 
portanto, terá 23 pares de cromossomos, e, durante o desenvolvimento, irá originar todas as 
células que constituem o organismo (células somáticas). 
Estima-se que existam cerca de 35 mil genes distribuídos nos cromossomos humanos. A posição 
cromossômica exata onde se situa cada um desses genes é denominada loco gênico. Sendo 
assim, cada loco gênico é caracterizado por uma sequência de bases nitrogenadas. 
Em diferentes pessoas, a sequência de bases nitrogenadas de certo loco pode conter pequenas 
variações em sua composição, originadas por mutação gênica. Atribui-se o nome de alelos a 
essas sequências de bases nitrogenadas ligeiramente diferentes umas das outras. Os geneticistas 
costumam identificar essas variações gênicas por letras. Por exemplo, se identificarmos o alelo 
não mutante pela letra maiúscula A, podemos identificar o alelo mutante pela letra minúscula a. 
Uma pessoa pode herdar um cromossomo paterno contendo o alelo A e um cromossomo 
materno contendo o alelo a. Neste caso, diríamos que a combinação de alelos, ou seu genótipo, 
seria Aa. embora pudesse ser também AA ou aa. O genótipo composto por dois alelos idênticos 
é denominado homozigoto, ao passo que o genótipo composto por alelos diferentes entre si 
é heterozigoto. 
 
 
EXERCÍCIO 
 
1) O curso clínicoda doença de Tay-Sachs é particularmente trágico. Os lactentes afetados 
parecem normais até 3 a 6 meses de idade, e aí sofrem deterioração neurológica progressiva até 
a morte aos 2 a 4 anos. A mutação que origina a doença já foi identificada, e está esquematizada 
a seguir: 
 
 
 
 
Assinale a ERRADA sobre o alelo de Tay-Sachs: 
a) A proteína fabricada por este alelo será diferente daquela produzida pelo alelo normal 
b) O RNA produzido por este alelo será diferente daquele produzido pelo alelo normal 
c) Este alelo foi originado pela adição de 4 aminoácidos à seqüência normal do DNA 
d) O alelo mutante apresenta uma seqüência de bases nitrogenadas diferente do alelo normal 
e) Este alelo foi originado por um processo de mutação ocorrido no alelo normal 
 
RESPOSTA DO EXERCÍCIO 
Há uma afirmação errônea na alternativa C. O alelo de Tay-Sachs contém 4 bases nitrogenadas a 
mais que o alelo normal, e não 4 aminoácidos, como afirma a alternativa. Pelo fato de conter 
mais bases nitrogenadas que o alelo normal, a proteína final produzida pelo alelo de Tay-Sachs 
será diferente daquela produzida pelo alelo normal, ou seja, estas duas proteínas terão, em suas 
constituições, aminoácidos diferentes. É importante ressaltar que a ocorrência de mutações 
gênicas, como essa ilustrada na questão, é o que explica a origem de diversas doenças genéticas. 
 
 
 
II - Fenótipos, relações de dominância e heredogramas 
Um bom exemplo de como um loco e seus alelos determinam a expressão de uma característica 
humana é o Rh sanguíneo. Essa característica é definida pela presença ou ausência de uma 
proteína nos glóbulos vermelhos, o fator Rh ou antígeno D. A presença dessa proteína determina 
o Rh positivo, e a ausência, o Rh negativo. Essas formas diferentes de expressão de uma mesma 
característica são denominadas fenótipos. A definição dessa característica está a cargo dos 
alelos D e d, do loco D. O alelo D determina a produção desta proteína, enquanto o alelo d está 
associado à ausência dessa proteína. 
De acordo com as informações acima, podemos concluir que o genótipo dd determina o fenótipo 
Rh negativo, e o genótipo DD determina Rh positivo. E o genótipo Dd? Este genótipo também 
determina Rh positivo, apesar do alelo d presente em sua composição. Neste caso, dizemos que 
a informação do alelo D é dominante sobre aquela do alelo d. Sendo assim, dizemos que o 
alelo D é dominante e o alelo d é recessivo. 
Os fenótipos positivo e negativo constituem-se em exemplo de variação normal de uma 
característica humana, que é o Rh sanguíneo. No entanto, a genética humana muitas vezes se 
ocupa em compreender os mecanismos de herança associados a doenças hereditárias. Nesse 
caso, os fenótipos analisados são “normal” e “afetado”. Os geneticistas utilizam diagramas de 
hereditariedade, os heredogramas ou genealogias, para definir o mecanismo hereditário que 
melhor explica a transmissão de um distúrbio genético ao longo das gerações de uma família. Os 
símbolos utilizados na montagem de heredogramas encontram-se representados na ilustração 
abaixo. 
 
 Padrões de herança monogênica 
 
O estudo do genoma humano permitiu estimar em 35 mil o número total de genes de nossa 
espécie. Mutações que eventualmente ocorrem nesse conjunto gênico podem ocasionar o 
surgimento de doenças hereditárias. Muitas dessas doenças se manifestam como conseqüência 
da alteração ocorrida em apenas um gene, motivo pelo qual são designadas monogênicas. Estas 
doenças monogênicas podem apresentar padrões de herança reconhecíveis. Vejamos alguns 
desses padrões mais clássicos. 
 
1) Padrão de herança autossômico dominante 
Uma herança é dita autossômica quando o loco do gene mutante encontra-se em um 
cromossomo do tipo autossomo. Cromossomos autossomos são aqueles indistinguíveis entre 
homens e mulheres, e são, ao todo, 44 cromossomos (22 pares). Quando o alelo mutante do 
gene em questão é dominante, classificamos a doença como dominante. Neste caso, o fenótipo 
normal é recessivo (aa) e o afetado é dominante (genótipos AA ou Aa). 
Um heredograma típico de herança autossômica dominante está representado abaixo 
 
 As principais características do padrão apresentado acima são: 
· Os afetados são de ambos os sexos, sem predominância numérica de um deles. 
· Uma pessoa afetada tem pelo menos um dos genitores também afetado. 
· O fenótipo não salta geração. 
· A prole de um casal normal também é normal.: 
 
Alguns distúrbios genéticos humanos que seguem esse padrão de herança são 
a) Acondroplasia – os afetados apresentam falha no crescimento dos ossos longos e, por isso, 
apresentam baixa estatura (nanismo acondroplásico). 
b) Neurofibromatose – durante a puberdade crescem inúmeros tumores benignos sobre os 
nervos dos afetados por este distúrbio. 
c) Doença de Huntington – é um distúrbio neurodegenerativo que começa a se manifestar 
por volta dos 40 anos de idade. Os afetados apresentam movimentos involuntários e 
desenvolvem problemas cognitivos, emocionais, evoluindo para problemas neurológicos mais 
graves que levam o paciente ao óbito. 
 
EXERCÍCIO 
1) 
 
2) Padrão de herança autossômico recessivo 
 Quando o alelo mutante que provoca uma doença genética é recessivo, dizemos que esta 
doença é recessiva. Logo, o fenótipo afetado é recessivo (genótipo bb) e o normal é dominante 
(BB ou Bb). Um padrão de herança tipicamente autossômico recessivo está representado no 
heredograma a seguir 
 
 
 As principais características do padrão acima são: 
· Os afetados são de ambos os sexos, sem predominância numérica de um deles. 
· Uma pessoa afetada pode nascer de um casal normal. Dito de outra forma: o fenótipo 
afetado pode saltar geração. 
· Há um maior risco de nascer prole afetada se o casal é consanguíneo. 
As mutações recessivas costumam passar silenciosas ao longo das gerações de uma família, e 
não se manifestam justamente por serem recessivas. Quando um casal formado por duas 
pessoas aparentadas, como primo e prima em primeiro grau, resolve ter filhos, pode promover o 
encontro de seus alelos recessivos durante a fecundação, e isso explica o risco aumentado desse 
tipo de doença em situação de consanguinidade. 
Alguns distúrbios genéticos humanos que seguem esse padrão de herança são 
a) Albinismo – é um distúrbio caracterizado pela total ausência do pigmento melanina na pele, 
nos pelos e nos olhos. Pessoas albinas têm maior risco de desenvolver câncer de pele, dentre 
outros problemas. 
b) Fenilcetonúria (PKU) – é um distúrbio metabólico em que o afetado não produz a enzima 
PAH, e, por conta disso, não converte o aminoácido fenilalanina em tirosina. O acúmulo de 
fenilalanina em crianças fenilcetonúricas leva ao desenvolvimento de um quadro severo de 
retardo mental, motivo pelo qual se deve restringir a presença desse aminoácido na 
alimentação. O diagnóstico da PKU é feito poucos dias após o nascimento da criança, por meio o 
teste do pezinho (triagem neonatal). 
c) Galactosemia – também é um distúrbio metabólico, uma vez que os afetados são incapazes 
de produzir a enzima GALT, que converte a galactose em glicose. O acúmulo da galactose no 
organismo da criança, ainda em fase de amamentação, promove uma série de transtornos, 
dentre eles a catarata e o retardo metal. 
 
3) Herança recessiva ligada ao X 
Além do grupo dos cromossomos autossomos, na espécie humana há também os cromossomos 
sexuais, que são aqueles cuja combinação é diferente entre homens e mulheres. Estes 
cromossomos são identificados pelas letras X e Y, e sua combinação nas mulheres é XX e nos 
homens é XY. 
Existem genes exclusivos dos cromossomos X e do cromossomo Y. Daremos ênfase às mutações 
recessivas presentes apenasem locos situados no cromossomo X (representadas aqui, 
genericamente, por Xh). Como as mulheres possuem dois cromossomos X, seus genótipos podem 
ser XHXH, XHXh ou XhXh, ao passo que os homens, por apresentarem apenas um cromossomo X, 
possuem genótipo XHY ou XhY. 
Um heredograma típico de herança recessiva e ligada ao sexo está representado a seguir 
 
 
 
As principais características do padrão acima são: 
· Há um predomínio numérico de homens afetados em relação às mulheres. 
· Um homem afetado não herda o distúrbio de seu pai, e sim de sua mãe normal 
heterozigota (também chamada de “normal portadora”, representada no heredograma pelo 
círculo com um ponto no centro). 
· O fenótipo salta geração. 
 
Alguns distúrbios genéticos humanos que seguem esse padrão de herança são 
a) Hemofilia – trata-se de um distúrbio de coagulação sanguínea. Pequenos ferimentos 
evoluem para grandes hemorragias com muita facilidade. 
b) Daltonismo – é a incapacidade de a pessoa identificar com precisão as cores vermelho e 
verde, que são ambos vistos como uma mesma tonalidade de cor (amarelada). 
c) Distrofia muscular Duchenne – transtorno muscular em que o afetado perde 
progressivamente as funções musculares, resultado em morte ao início da segunda década de 
vida. 
 
4) Caso especial de herança ligada ao X: a síndrome do cromossomo X-Frágil 
A síndrome do cromossomo X-frágil, também conhecida com síndrome de Martin-Bell, é 
responsável por um grande número de casos de retardo mental, especialmente em garotos. A 
mutação, neste caso, não é recessiva como nos casos descritos no tópico anterior, e nem 
tampouco dominante. O alelo normal e o mutante, quando presentes em um mesmo genótipo, 
se manifestam igualmente, o que caracteriza um fenômeno genético denominado 
codominância. Além de retardo mental, os afetados apresentam outros sinais típicos, como 
orelhas em abano, prognatismo e hiperflexibilidade nas articulações. 
 
Herança multifatorial e genética do comportamento 
 
Muitas características humanas são construídas pela ação conjunta de vários genes. Neste caso, 
portanto, a herança é poligênica. Além disso, o fenótipo final dessas características é 
influenciado, em maior ou menos grau, pelo ambiente (pré-natal e/ou pós-natal). Como esse 
tipo de fenótipo está sujeito à influência de um conjunto grande de fatores, genéticos e 
ambientais, dizemos que sua herança é multifatorial. 
Algumas características normalmente variáveis na espécie humana são consideradas 
multifatoriais: estatura, peso, inteligência, etc. Há também distúrbios humanos que são 
tipicamente multifatoriais. A seguir, estão descritos alguns deles: 
· Lábio leporino – distúrbio caracterizado pela presença de fissuras nos lábios superiores, 
que podem ou não estar associadas a fendas palatinas. Este é um distúrbio que pode prejudicar 
a dentição, a alimentação e a fonação. Pode ser corrigido cirurgicamente. 
· Distúrbios de fechamento de tubo neural – o tubo neural é o nome dado à estrutura 
embrionária que irá originar o encéfalo e a medula espinal. Quando esse tubo não se fecha na 
região da cabeça, desenvolve-se uma condição conhecida com anencefalia. Se a falha no 
fechamento se dá na parte posterior do tubo neural, o distúrbio é denominado espinha bífida. 
Os distúrbios descritos acima dependem de um limiar multifatorial para se manifestarem. Este 
limiar corresponde, resumidamente, a uma quantidade mínima de mutações presentes no 
genótipo poligênico a partir da qual o indivíduo se torna predisposto a manifestar o distúrbio. 
 
 
 
 
 
Genética do comportamento 
O comportamento humano, em suas diferentes expressões, é considerado multifatorial e, 
portanto, resultante de uma interação complexa entre vários genes entre si e com o ambiente. 
Alguns métodos de estudo são executados com o intuito de se determinar a magnitude das 
influências genética e ambiental sobre o comportamento. Alguns desses métodos serão 
descritos a seguir. 
a) Comparações comportamentais entre filhos adotivos e pais biológicos – a comparação feita 
entre pessoas que foram adotadas quando recém-nascidas e seus pais biológicos (que não 
interferiram na criação) muitas vezes revelam semelhanças comportamentais surpreendentes. 
Um exemplo é o caso do alcoolismo, que é mais provável de ocorrer nas pessoas adotadas se os 
pais biológicos forem alcoólatras, mesmo que tenham sido criadas por pessoas abstêmias. 
b) Comparações comportamentais entre gêmeos monozigóticos separados ao nascimento – 
os gêmeos monozigóticos são derivados de uma mesma fecundação (um óvulo e um 
espermatozóide), portanto são idênticos do ponto de vista genético. Comparações feitas entre 
gêmeos idênticos que foram separados ao nascimento e criados por famílias diferentes revelam 
muitas semelhanças e diferenças. Neste caso, as semelhanças normalmente são atribuídas à 
constituição genética idêntica que compartilham, e as diferenças são atribuídas às diferentes 
influências ambientais a que foram expostos ao longo da vida. 
c) Comparações entre gêmeos monozigóticos e gêmeos dizigóticos – a dificuldade em se 
obter grandes amostras de pares de gêmeos idênticos separados ao nascimento pode ser 
contornada pela inclusão, em estudos de genética do comportamento, de gêmeos dizigóticos. 
Esse último tipo de gêmeos resulta da ocorrência de duas fecundações independentes (dois 
óvulos e dois espermatozóides), portanto, não são idênticos do ponto de vista genético. Os 
dados obtidos de estudos comportamentais realizados em pares de gêmeos monozigóticos e 
dizigóticos, mesmo que criados juntos, são usados para o cálculo de um índice conhecido como 
herdabilidade (h2). Valores de herdabilidade próximos a zero indicam baixa influência genética 
no traço comportamental comparado; valores próximos a 100% indicam forte influência 
genética. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NP2 
Alterações cromossômicas 
Como já mencionado, o DNA encontra-se armazenado em nossas células sob a forma de 
cromossomo. Em cada célula humana há 46 cromossomos, dos quais 23 são de origem paterna e 
outros 23, de origem materna. Estes pequenos novelos de DNA apresentam diferenças entre si 
quanto ao formato e ao tamanho, e recebem cada um deles, uma identificação: os autossomos 
são numerados de 1 a 22, e os sexuais são o X e o Y. A figura abaixo corresponde a um exame de 
visualização cromossômica, denominado cariótipo. 
 
A falta ou excesso de material cromossômico nas células humanas resulta em uma série de 
distúrbios genéticos, que são denominados genericamente de alterações ou aberrações 
cromossômicas. Estas alterações cromossômicas podem ser de dois tipos: numéricas e 
estruturais. 
 
1) Alterações cromossômicas numéricas 
São caracterizadas pelo excesso ou falta de cromossomos inteiros. A principal causa dessa 
alteração é um erro chamado não-disjunção cromossômica, geralmente ocorrido durante a 
meiose materna ou paterna. Mulheres acima de 35 anos são mais sujeitas à ocorrência desse 
erro, uma vez que a meiose feminina se inicia precocemente (vida fetal) e se mantém suspensa 
por vários anos. 
Durante o desenvolvimento embrionário, essa quantidade de material genético a mais ou a 
menos irá interferir de modo negativo, resultando em malformações fetais que estarão 
presentes na criança já ao nascimento. Abaixo, estão descritos alguns desses distúrbios: 
· Síndrome de Down – é provocada pela trissomia do cromossomo 21. Em outras palavras, o 
afetado apresenta três cromossomos 21, ao invés de um par, como é o normal. Sendo assim, o 
afetado possui ao todo 47 cromossomos. Uma série de anomalias se desenvolve por causa disso, 
definindo o quadro clínico da doença: retardo mental, defeitos cardíacos, baixa estatura, flacidezmuscular, etc. 
· Síndrome de Patau – é provocada pela trissomia do cromossomo 13 (47 cromossomos ao 
todo). O quadro clínico inclui retardo mental, lábio leporino, polidactilia e malformações 
viscerais múltiplas. A maioria dos afetados morre antes de completar um ano de vida. 
· Síndrome de Klinefelter – é provocada por uma trissomia sexual: os garotos apresentam o 
conjunto de cromossomos sexuais composto por XXY, e não XY como o normal. Há 47 
cromossomos ao todo. Como consequência, na puberdade os garotos desenvolvem seios 
(ginecomastia), têm poucos pêlos no corpo, dentre outras anomalias. Além disso, são estéreis. 
· Síndrome de Turner – é provocada pela monossomia do cromossomo X. Os afetados são 
todos do sexo feminino e apresentam apenas um cromossomo X, ao invés de dois. Portanto, há 
45 cromossomos ao todo. São garotas de baixa estatura, possuem pescoço alado e apresentam 
infantilismo sexual quando adultas. 
 
2) Alterações cromossômicas estruturais 
Neste tipo de alteração, a estrutura de algum cromossomo é alterada, resultando em ganho ou 
perda de informação genética. Este tipo de alteração é provocado por quebras cromossômicas. 
Estas quebras podem ocorrer por ação de fatores ambientais (radiação, por exemplo) ou resultar 
de erros celulares não induzidos. 
Descreveremos, a seguir, algumas das aberrações estruturais mais comuns: 
a) Deleção – corresponde à perda definitiva de pedaços cromossômicos. 
b) Inversão – neste caso não há perda nem ganho de material cromossômico, e sim o 
reposicionamento invertido de um segmento cromossômico. Esse tipo de erro pode levar o 
indivíduo a produzir gametas que apresentam falta ou excesso de material cromossômico. 
c) Translocação – é o nome dado à troca de pedaços entre cromossomos não-homólogos. Neste 
caso, há grande chance de o indivíduo produzir gametas com falta ou excesso de material 
genético 
 
Algumas doenças que resultam de alterações estruturais são 
· Síndrome do miado de gato (em francês: cri du chat) – Este nome se deve ao fato de o 
choro do recém nascido ser muito semelhante a um miado, por causa de um defeito ocorrido na 
laringe. Além disso, os afetados apresentam retardo mental, estrabismo, hipertelorismo ocular, 
microcefalia, dentre outros sinais. A doença é consequência de uma deleção ocorrida no braço 
curto do cromossomo 5. 
· Síndrome de Prader-Willi – Os afetados, quando nascem, apresentam hipotonia (flacidez) 
muscular muito intensa e não se alimentam adequadamente. Com o passar do tempo essa 
hipotonia regride e surge, então, a hiperfagia (apetite incontrolável). Como consequência da 
fome exagerada, a criança desenvolve obesidade mórbida. Os afetados também apresentam 
retardo mental. A doença é consequência de uma deleção ocorrida no braço longo do 
cromossomo 15. 
 
Genética do câncer 
 
O câncer é a doença resultante do desenvolvimento de tumores malignos. Para compreender 
melhor o significado de “tumor maligno”, devemos comentar algumas coisas a respeito da 
mitose, que é a divisão celular das células que compõe o nosso corpo (células somáticas). 
A mitose é um tipo de divisão celular em que a célula somática origina duas células-filhas 
geneticamente idênticas, ou seja, com o mesmo número de cromossomos. Desde a vida 
embrionárias nossas células realizam várias mitoses, e é graças a esse mecanismo de divisão 
celular que há o aumento do número total de células do organismo, levando ao crescimento e ao 
desenvolvimento. No entanto, em certa fase da vida, a maioria de nossas células deixa de 
realizar mitoses. 
Esse ciclo de reprodução celular está sob controle de um conjunto de genes que define quando 
se deve iniciar uma série de mitoses e quando se deve parar. Quanto esse mecanismo 
regulatório é falho, a célula se multiplica descontroladamente, originando um amontoado celular 
que recebe o nome de tumor ou neoplasia. 
Quando o tumor fica restrito ao local de origem e tem crescimento lento, dizemos que se trata 
de um tumor benigno. A maioria dos tumores benignos não gera problemas, mas isso depende 
do local onde cresce o tumor e de seu tamanho. Por exemplo, um tumor benigno que cresça 
sobre o nervo auditivo pode provocar surdez. 
Os tumores malignos, por outro lado, têm crescimento rápido e suas células podem se espalhar 
para outras partes do corpo, fundando novos aglomerados celulares tumorais. Esta migração das 
células tumorais malignas é denominada metástase, e ocorre por meio da circulação sanguínea 
ou linfática. O crescimento rápido e incontrolável desses tumores acaba por atrapalhar o 
funcionamento normal dos órgãos, daí o elevado risco de morte associado ao câncer. 
O descontrole na multiplicação das células tumorais se deve a alterações genéticas ocorridas no 
conjunto de genes que regulam o ciclo de reprodução celular. Em outras palavras, os tumores 
resultam de mutação genética ocorrida nas células somáticas da pessoa. 
Os genes que controlam a multiplicação celular são divididos em dois grupos: proto-oncogenes e 
genes de supressão tumoral. Segue, abaixo, uma breve descrição desses grupos e dos efeitos das 
mutações sobre eles: 
· Proto-oncogenes – são genes que agem de modo a estimular a ocorrência de mitoses nas 
células. Quando mutantes, os proto-oncogenes são denominados oncogenes, e, neste caso, 
passam a superestimular a ocorrência de divisões, levando ao descontrole celular que gera o 
tumor. 
· Genes de supressão tumoral – são genes que agem de modo a inibir a ocorrência de 
mitoses nas células. Quando mutantes, deixam de realizar essa inibição, levando ao descontrole 
que gera o tumor. 
A ação conjunta e equilibrada de proto-oncogenes e genes de supressão tumoral garante a 
multiplicação controlada das células. Porém, mutações ocorridas em genes pertencentes a algum 
desses dois grupos acaba por provocar o desequilíbrio neoplásico de multiplicação celular. 
Na verdade, são necessárias várias mutações nesses grupos de genes para desencadear o 
desenvolvimento tumoral. Infelizmente, as mutações ocorridas ao longo da vida de uma pessoa 
são cumulativas, o que aumenta o risco de surgimento de tumores. Essas mutações podem ser 
provocadas por agentes ambientais, chamados genericamente de carcinógenos. Alguns 
exemplos de agentes carcinogênicos são fumo, álcool e radiações. 
As mutações descritas acima não são herdáveis, uma vez que promovem alterações apenas nas 
células somáticas. Para se tornar hereditária, a mutação cancerígena deve estar presente no 
material genético carregado pelos gametas. Alguns tipos de câncer de mama são hereditários. 
 
Genética e perspectivas de tratamento 
 
Terapia de doenças genéticas 
Pelo fato de as doenças genéticas serem resultantes de alterações que o indivíduo herda no 
momento da fecundação, a cura é impraticável. Algumas dessas doenças podem ser tratadas, 
como a dieta controlada para fenilcetonúricos, mas isso não significa cura da doença. 
No entanto, o desenvolvimento acelerado de técnicas que permitem a manipulação do DNA 
(engenharia genética) abre perspectivas para o desenvolvimento futuro de métodos que visem à 
cura genética, ou pelo menos atenuação, para algumas dessas doenças. 
Um desses métodos já recebeu uma designação: terapia gênica. Este tipo de terapia consiste em 
introduzir nas células somáticas mutantes do afetado uma cópia normal do gene que se encontra 
defeituoso. Com isso, a célula passaria a produzir a proteína normal que até então era incapaz de 
fabricar por conta da mutação. Obviamente, esse tipo de correção genética não se aplicaria a 
todas as células que compõem o corpo da pessoa, nem evitar que a pessoa transmitisse a 
mutação para a geração seguinte, mas poderia ser útil se aplicada exatamente nas células 
defeituosas que provocam a doença. 
Uma das possibilidades consisteem remover células mutantes da pessoa afetada e introduzir 
nessas células, em laboratório, o gene normal. Em seguida, essas células seriam reinseridas no 
corpo da pessoa, de preferência no órgão de onde foram removidas. Essas células artificialmente 
modificadas passariam a fabricar o produto gênico cuja falta ocasionava a doença. 
A terapia gênica já foi tentada em algumas doenças genéticas humanas e em diversos modelos 
animais, mas ainda há muito que se aperfeiçoar essa tecnologia para que possa ser popularizada 
como uma forma útil de tratamento. 
 
 
TERAPIA POR USO DE CÉLULAS-TRONCO 
Células-tronco são aquelas que ainda não se transformaram em células amadurecidas 
(diferenciadas). Há várias dessas células no embrião e algumas delas no indivíduo adulto. O uso 
dessas células no tratamento de doenças degenerativas têm sido apoiado por diversos setores 
da sociedade. 
A terapia por uso de células-tronco consiste basicamente em inserir, no paciente, células 
indiferenciadas que irão repovoar o órgão lesado com células saudáveis e normais. Por exemplo, 
um indivíduo que sofre infarto do miocárdio perde uma quantidade significativa de células 
cardíacas. Essas células poderiam ser repostas pela multiplicação e diferenciação local de células-
tronco. 
O transplante de células-tronco apresenta o mesmo inconveniente que o transplante de órgãos: 
por se tratar de células recebidas de outra pessoa (mesmo que essa pessoa seja um embrião 
descartado em clínica de fertilização), há o risco iminente de rejeição. 
Para evitar rejeição, alguns cientistas apóiam a ideia de se utilizar células-tronco embrionárias 
modificadas geneticamente com o genoma do próprio paciente. Em outras palavras, isso 
equivale a criar um clone do paciente com o intuito de utilizar células-tronco para seu 
tratamento sem o risco de rejeição, já que tais células são geneticamente idênticas às células 
somáticas do paciente. Esse procedimento foi denominado clonagem terapêutica, mas ainda 
encontra muita resistência por parte de setores importantes da sociedade, em função dos 
aspectos éticos envolvidos. 
A clonagem terapêutica foi uma ideia que surgiu após a realização da clonagem reprodutiva da 
ovelha Dolly por um grupo de cientistas escoceses. No caso da ovelha, o núcleo de uma célula 
somática da ovelha foi removido e inserido em um óvulo enucleado proveniente de outra 
ovelha. Após diversos tratamentos laboratoriais, essa célula mista passou a agir como se fosse 
uma célula-ovo (zigoto) e começou a efetuar mitoses em série, originando um novo embrião, 
que se desenvolveu e originou uma ovelha inteira, geneticamente idêntica à ovelha doadora do 
núcleo somático. 
 
Aconselhamento genético 
 
Os serviços de Aconselhamento Genético foram instituídos com o objetivo de fornecer aos 
afetados e seus familires a possibilidade de diagnóstico preciso, de tratamentos adequados, da 
estimativa de riscos e da melhor compreensão e aceitação do distúrbio genético. 
Sendo assim, o Aconselhamento Genético, por definição, não é um atendimento que deva ser 
estendido a qualquer pessoa ou grupo de pessoas indistintamente. Algumas das principais 
indicações para esse tipo de atendimento estão listadas a seguir: 
· Casal normal com histórico de doença genética na família; 
· Casal normal que já teve um descendente afetado por distúrbio genético; 
· Casal consanguíneo; 
· Casal com idade avançada; 
· Pessoa afetada que pretende se casar. 
Para que os objetivos do Aconselhamento Genético sejam plenamente atingidos, é necessário 
que o atendimento seja prestado por uma equipe multidisciplinar que inclua médicos, biólogos, 
biomédicos, psicólogos, dentre outros, profissionais que, no mínimo, têm que possuir formação 
adequada para o procedimento. 
 
ETAPAS DO ACONSELHAMENTO GENÉTICO 
O serviço de Aconselhamento Genético é um atendimento em que se identificam as etapas 
descritas a seguir: 
· Diagnóstico do distúrbio genético – o especialista em genética clínica é a pessoa mais 
indicada para confirmar o diagnóstico de uma afecção hereditária. A análise clínica 
pormenorizada pode ser suficiente para se firmar o diagnóstico. No entanto, em muitos casos é 
necessário a realização de exames complementares, tais com cariótipo e testes de DNA 
específicos que identificam mutações. 
· Determinação do padrão de herança e cálculo de riscos – quando o distúrbio genético é 
conhecido, a identificação do modelo de herança torna-se facilitada, o que facilita também o 
cálculo dos riscos de recorrência na família. Se o distúrbio é desconhecido, um levantamento 
histórico pormenorizado que permita a construção adequada de um heredograma auxilia na 
determinação dos riscos e exclusão de possibilidades. 
· Orientação dos afetados e familiares sob risco – a comunicação do diagnóstico e dos riscos 
de ocorrência do distúrbio é um momento que deve levar em consideração a manifestação de 
possíveis tensões emocionais por parte dos envolvidos. Além de saber lidar da melhor forma 
possível esse tipo de reação, o consultor genético deve trabalhar a conscientização das pessoas 
envolvidas no que se refere aos riscos e possíveis manifestações do distúrbio genético em 
questão. 
· Acompanhamento a posteriori dos casos diagnosticados – as orientações fornecidas aos 
envolvidas devem ser reforçadas por meio de consultas periódicas realizadas de tempos em 
tempos após o aconselhamento inicial.

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