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Moderna Resumão compacto CRISE DO SÉCULO XVII Hobsbawm – A crise do século XVII contribuiu para destravar as forças que impediam a plena consolidação de uma economia capitalista e, assim, eliminar o sistema feudal; (marxista) Trevor Roper – Discorda das motivações que ensejaram a crise. Acreditava que a passagem do feudalismo para o capitalismo não, necessariamente, se instaura através da violência e da revolução. Considera ter sido uma crise das relações entre sociedade e Estado. Lublinskaya – Afirma que, mais do que uma crise, o que ocorreu no século XVII foi uma luta econômica e política entre os países onde o capitalismo se desenvolve de maneira desigual. Na Holanda e Inglaterra a transição para o capitalismo foi mais rápido; na Espanha e França passaram por alguns entraves. A crise também advinha de uma debilidade na produção manufatureira em uma fase inicial do capitalismo. França: guerra civil (fronda), baixa produtividade manufatureira, acumulação de capital limitada e ausência de grandes recursos coloniais. Pierre Chaunu – A crise foi marcada pelo aumento do comércio europeu e a carência monetária que dificultava a circulação comercial crescente. Espanha: balança comercial desfavorável; exportava produtos primários e importava manufaturados. Os metais equilibravam a economia espanhola. MAGIA E FEITIÇARIA No contexto em que se desenvolveu a política de afirmação dos estados modernos, entre os séculos XVI e XVII, ocorreu o estabelecimento de uma religião oficial do reino (que também pode ser chamado de “estado confessional”, na medida em que a religião do Rei deveria ser a religião dos súditos). Com isso, nos diversos países, as autoridades do Estado e da Igreja se uniram para combater as práticas e cultos populares, considerados desviantes, que misturavam o cristianismo com as crenças que estas autoridades chamavam de “pagãs”, a exemplo do que foi identificado como feitiçaria/bruxaria. Trevor Roper – Não entendia como a sociedade europeia “culta” e “desenvolvida” tivesse criado uma perseguição baseada em uma delirante ideia de feitiçaria criada por clérigos no final da Idade Média. Delumeau - Para ele, não somente os indivíduos, mas também as coletividades dialogam socialmente com seus medos: o mar, os mortos, as trevas, a peste, a fome, a bruxaria e etc. O sentimento de “medo” e “culpa” criou a base dos tempos modernos. A Igreja se viu ameaçada pelo protestantismo, pelo humanismo e pela revolução científica. Segundo Delumeau, a demonização feminina era justificada pelos teólogos que viam a mulher como ser inferior ao homem, e os cientistas, médicos, juristas não só compartilhavam dessa visão como corroboravam a ideia de que a mulher era um ser naturalmente fraco, propenso às investidas do Demônio. Dessa forma, segundo a autora, a “identificação da mulher como agente demoníaco era ponto comum na cultura europeia de princípios da Idade Moderna e na ação repressora dos inquisidores, o que acabava por fazer com que as denúncias de delitos como esses fossem majoritariamente relativas ao sexo feminino. A REVOLUÇÃO CIENTÍFICA Apesar da emergência de ideias novas, no século XVII, que contribuíram enormemente para o desenvolvimento de concepções filosóficas inovadoras, elas não tiveram força para substituir as explicações sobre o universo predominantes até aquele momento. E isto ocorreu principalmente devido à ação conjunta do sistema jurídico das monarquias europeias e do sistema inquisitorial da Igreja católica, através do Santo Ofício, que promoveram a perseguição, prisão, condenação e até a morte de alguns dos filósofos propugnadores das novas ideias. AULA 4 Monopólio da tributação – impostos cobrados pela Igreja e senhores feudais assumiram caráter de pagamentos habituais Sociedade guerreira - Deveriam adequar-se aos tempos de nova estrutura social que surgia, senão restava-lhes apenas a pilhagem (saque). Momento que foi caracterizado pela circulação da moeda e pelo desenvolvimento da atividade comercial, contribuindo, assim, para a expansão das classes burguesas e da receita da autoridade central e caindo com rapidez a renda da nobreza. Na época moderna somente ao rei cabia o “monopólio da violência” e, assim, com o fim das guerras a nobreza foi domesticada. Sociedade de Corte - Os nobres, antes ligados às funções militares, procuraram uma proximidade com rei. Sendo assim, o soberano transformou os nobres guerreiros em cortesãos, criando uma sociedade de corte. Estado centralizado – serviu como meio de garantir submissão, sobretudo dos nobres ao poder real, o que equivalia dizer que o Rei representava o Estado, ou seja, a sua autoridade em seu território se dava através do controle da violência e da tributação. Mecanismo régio - Equilibrar as forças entre a nobreza e a burguesia. Consistia na capacidade do rei em retribuir com títulos seus súditos em troca de serviços, fazendo com que a nobreza e a burguesia necessitassem encontrar outros meios de luta. Como a nobreza já não era mais a classe dominante e nem podia utilizar-se das armas para atingir seus objetivos, houve uma disputa pelo prestígio e poder social dentro dos domínios do monarca, ou seja, da corte, implicando isso num refinamento da conduta perante os outros, criando um paradoxo: enquanto a burguesia quer crescer socialmente e tem recursos (dinheiro) para isso; a nobreza quer se manter no ápice, criando impedimentos para a ascensão social dos burgueses. Norbert Elias – o processo centralizador ocorreu através de um mecanismo de autocontrole sobre as pulsões e as emoções. É através desse monopólio permanente da autoridade central e de uma aparelhagem especializada para administração que esses domínios assumem o caráter de ‘’Estados”. John Elliot - Para Elliot, a monarquia era formada por um número variado de reinos que possuíam estatutos, direitos e privilégios anteriores à constituição e vinculação com uma autoridade monárquica central. Nesse sentido, a Espanha de Filipe II era um conjunto de reinos (Navarra, Leão, Aragão, Catalunha, etc) com certa autonomia no interior de uma monarquia mais ampla sob a soberania de Castela (centro). Igualmente, a Inglaterra teve sob seus domínios a Irlanda, a Escócia e o País de Gales em uma perspectiva compósita. Assim, pode-se concluir que o fortalecimento do centro deu-se não só pelo uso da força mais pela negociação, pois ao soberano cabia o equilíbrio social, o respeito aos privilégios e a prática da justiça. Todavia, a época moderna, em contraste com a Id. Média, assistiu à constituição de um poder central capaz de mobilizar em sua órbita os demais poderes. Luís XIV - fez de si próprio o poder estatal. Domesticou a nobreza, transformou guerreiros em cortesãos, criando uma sociedade de corte, pacificando-os e consequentemente fortalecendo o poder monárquico. Os poderes judiciário e legislativo estavam sob seu domínio. Luís XIV (Rei Sol) era encarado como um soberano sagrado e sua corte era vista como um reflexo do cosmo – daí o interesse dos nobres em permanecerem mais próximos ao rei, na corte. A teorização acerca do poder monárquico, como Hobbes justifica o poder do soberano? Para Hobbes o estado deriva de um contrato social entre súditos e soberanos. É assim que este último monopoliza a força e detém a autoridade absoluta, a fim de que a paz dos indivíduos viva no corpo político. Então, o bom governo, segundo a concepção de Hobbes teria por finalidade alcançar a vida civil, o bem-estar e a existência pacífica dos indivíduos que constituem a sociedade, submetendo-os, por sua vez, à obediência completa ao monarca em nome da prosperidade e da concórdia. Em o Leviatã Hobbes explica que a constituição desse poder central era a única possibilidade de que as pessoas fossem protegidas contra invasores estrangeiros e injúrias alheias e pudessem viver “satisfeitas”: transferindo “todo o seu poder e fortaleza a um homem ou a assembleia de homens, todo os quais, por pluralidade de votos, possam reduzir suas vontades a uma vontade, como se cada súdito transferissea este homem ou a uma assembleia de direito de governar a maioria. Como o filósofo Michel Foucault, explica o processo que fundamentava a soberania do rei? Foucault explicou como se deu a afirmação da política como domínio específico, reconciliando-a com a pastoral religiosa de onde ela mesma saiu no Ocidente- como a mais importante, e também como afirmação definitiva da razão de Estado, onde por oposição ao problema jurídico teológico do fundamento da soberania, os políticos são os que vão tentar pensar em si mesma a forma da racionalidade do governo. E é simplesmente no meado do século XVII onde aparece a política entendida então como domínio ou como um tipo de ação. Quando Bossuet fala da ‘’política tirada da Sagrada Escritura’’, onde ela deixa de ser uma heresia, isto é, a política se tornou um domínio valorizado de forma positiva na medida em que tenha sido integrada nas instituições, nas práticas, nas maneiras de fazer, dentro do sistema de soberania da monarquia absoluta francesa. Luís XIV é precisamente o homem que fez a razão de Estado entrar com a sua especificidade nas formas gerais da soberania, conseguindo em todos os rituais visíveis de sua monarquia a ligação, a articulação e ao mesmo tempo a diferença de nível, de forma, e a especificidade da soberania e do governo. Segundo Braudel por que os Estados Modernos são os maiores empreendedores da Época moderna? No século XVI, os Estados afirmam-se cada vez mais como grande coletores e redistribuidores de rendimentos; apoderam-se por meio do imposto, da venda dos cargos, das rendas, dos confiscos e de uma enorme parte dos diversos ‘’produtos nacionais’’. O desenvolvimento dos Estados está assim diretamente ligado à vida econômica, não é um acidente ou uma força intempestiva, sendo assim os maiores empreendedores do século. Dependendo dos Estados, as guerras modernas, com efetivos e com despesas cada vez maiores; tal como as maiores empresas econômicas: a carrera de índias a ligação de Lisboa com as ‘’Índias orientais. Por meio de todas estas atividades o Estado coloca de novo em circulação o dinheiro que vem parar aos seus cofres e quando a guerra impõe suas exigências, despende mesmo para além dos seus rendimentos. Sendo assim, os Estados possuem a agilidade da economia moderna. A REVOLUÇÃO INGLESA – AULA 7 Christopher Hill: É uma interpretação baseada a um só tempo tanto na história social como no marxismo. Por isso os aspectos econômicos e sociais de longo prazo ganham relevo na explicação em detrimento dos aspectos políticos de curto prazo. Há também a tendência para ver a superação do feudalismo e a ascensão decidida do capitalismo. A crítica de Lawrence Stone à interpretação marxista: Stone a considera mais determinista do que dialética, isto é, nela os aspectos econômicos e sociais da realidade estudada determinam o comportamento dos demais aspectos, por exemplo, os políticos e culturais. Inovações que Stone julga haver proporcionado à interpretação da Revolução Inglesa: Mostrou a importância dos aspectos estruturais de longo prazo, tanto os políticos quanto os econômicos, sociais e culturais. Ponto de contato entre Stone e os historiadores liberais (whig): A ênfase no conflito religioso e político para explicar a revolução. Pontos de contato entre Hill e Stone: A filiação à história social. A ênfase nas causas de longo prazo, em especial as de origem econômica e social. Por Revolução Inglesa compreendemos o conjunto de profundas alterações sociais, econômicas, políticas e culturais transcorridas entre 1640 e 1688. Ao longo dessas décadas houve guerra civil, a república foi proclamada, a monarquia foi restaurada, a tolerância religiosa assumiu um lugar relevante, o comércio, a agricultura, a manufatura e o próprio conceito de propriedade avançaram, todos – embora obedecendo a diferentes ritmos e conhecendo resistências e retrocessos – na direção do fortalecimento e da consolidação das práticas capitalistas.