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UFU - UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA INSTITUTO DE QUÍMICA Douglas Mendes da Silva Felipe Cavalcanti Vieira Sheila Assunção da Silva RELATÓRIO 2: RAZÃO ENTRE AS CAPACIDADES CALORÍFICAS Uberlândia Março/2018 Relatório apresentado como requisito de avaliação para a disciplina de Físico-Química Experimental do sétimo período do curso de Química Industrial a ser avaliado pela Prof.ª Dr.ª Sheila C. Canobre SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................................... 3 2 OBJETIVOS .............................................................................................................................. 5 3 PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL ..................................................................................... 5 3.1 Materiais .............................................................................................................................. 5 3.2 Métodos ............................................................................................................................... 5 3.3 Análise dos dados ................................................................................................................ 6 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................................... 9 5 CONCLUSÃO ......................................................................................................................... 11 REFERÊNCIAS .......................................................................................................................... 12 3 1 INTRODUÇÃO A habilidade de qualquer material reter calor é chamada de capacidade calorifica. Para medir a capacidade calorifica, ou a quantidade de calor necessário para aumentar a temperatura de um grama da substância por um grau Celsius1. Porém, o quanto a temperatura subirá depende da quantidade de calor fornecida, da quantidade de substancia presente, da natureza química e do estado físico da substância e das condições sob as quais a energia é adicionada a substância. 2 Se observar um gráfico da energia interna em função da temperatura, é possível obter uma curva (Figura 1), onde o coeficiente angular da tangente à curva, em cada temperatura, é a capacidade calorífica do sistema em dada temperatura. A capacidade calorifica a volume constante é simbolizada por Cv e pode ser descrita como na Eq. 1.3 𝐶𝑣 = ( 𝑑𝑈 𝑑𝑇 ) 𝑣 (1) A energia interna, neste caso, varia com a temperatura e com o volume da substância, no entanto, o interesse é voltado somente a variação da temperatura, mantendo o volume constante. Figura 1 - Gráfico da energia interna em função da temperatura. Fonte: Atkins, P. W.3 As capacidades calorificas são propriedades extensivas, enquanto que a capacidade calorifica molar a volume constante, que é a capacidade calorifica por mol de substância é uma propriedade intensiva. O aumento da entalpia do sistema ocorre de acordo com o aumento da temperatura. A relação existente entre aumento da entalpia e a elevação da temperatura depende de 4 condições especificas, tais como volume constante ou pressão constante. Sendo a mais importante a pressão constante, e o coeficiente angular da tangente à curva da entalpia versus a temperatura (Figura 2), a pressão constante é conhecido como capacidade calorifica a pressão constante numa dada temperada, sendo simbolizada por Cp, descrita na Eq. 2.3 𝐶𝑝 = ( 𝑑𝐻 𝑑𝑇 ) 𝑝 (2) Figura 2 - Gráfico da entalpia em função da temperatura. Fonte: Atkins, P. W.3 O experimento de Clement-Desormes possui como objetivo determinar a relação, 𝛾, entre as capacidades calorificas molares de um gás á pressão constante, Cp,m, e a volume constante, Cv.m , a relação é demonstrada pela Eq. 3. 𝛾 = 𝐶𝑝,𝑚 𝐶𝑣,𝑚 (3) Mediante a todas as contradições levantadas a respeito do experimento de Clement- Desormes, tais como a reversibilidade devida a expansão do gás contra a atmosfera, o escape do gás em sistema aberto e a foi desenvolvida desta forma a suposição da politropia (troca de calor dentre um sistema termodinâmico e sua vizinhança favorecida pela imperfeição do isolamento térmico)4. Desta forma, mesmo com tais questões a respeito da funcionalidade do experimento, o mesmo é fonte de conceitos para estudo da físico-química.4 5 2 OBJETIVOS • Realizar a determinação da razão entre as capacidades caloríficas molares de um gás. • Averiguar se o gás utilizado apresenta um comportamento mais próximo de um gás monoatômico ou diatômico. 3 PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL 3.1 Materiais Os materiais utilizados foram os seguintes: • Garrafa de 20 L; • Bomba de vácuo; • Coluna manométrica preenchida com água. 3.2 Métodos • Montou-se a aparelhagem de acordo com a Figura 3. Figura 3 - Expansão adiabática de gases (aparelho de Clement e Desormes). Fonte: Canobre, S. C.x 6 • Equilibrou-se as duas colunas de água, considerando-se esse ponto de referência como sendo o zero. • A mangueira c foi fechada e ligou-se a bomba de vácuo de forma que o ar circulasse dentro da garrafa. • Fechou-se a mangueira b e, em seguida, a mangueira a. • Abriu-se lentamente a mangueira c observando-se a variação de altura da água no manômetro. Anotou-se a diferença entre as alturas das duas colunas. • Abriu e fechou-se rapidamente a tampa do galão. A a diferença entre as alturas das duas colunas foi anotada. • O procedimento foi realizado novamente. 3.3 Análise dos dados Seguindo o conceito da primeira lei da termodinâmica, tem-se que a energia interna de um gás corresponde a Eq. 4. Sendo neste caso um processo adiabático, onde não houve troca de calor do sistema com vizinhança, o termo correspondente a variação de calor é nula, desta forma, a variação do seu conteúdo energético corresponde a variação de volume, originando a Eq. 5. 𝑑𝑈 = 𝑑𝑞 + 𝑑𝑤 → 𝑑𝑞 = 0 (𝑝𝑟𝑜𝑐𝑒𝑠𝑠𝑜 𝑎𝑑𝑖𝑎𝑏á𝑡𝑖𝑐𝑜) (4) 𝑑𝑈 = 𝑑𝑤 = −𝑃𝑑𝑣 (5) No entanto, sabendo-se que U para um gás perfeito depende somente da temperatura, tem-se a Eq. 6. 𝑑𝑈 = 𝐶𝑣 ∙ 𝑑𝑇 (6) Sendo Cv, a capacidade calorifica a volume constante. Substituindo as Eqs. 5 em 6, tem-se: 𝐶𝑣 ∙ 𝑑𝑇 = −𝑃𝑑𝑣 (7) 7 Sabendo-se que a capacidade calorifica molar a volume constante corresponde a capacidade calorifica a volume constante dividida pelo número de mols, e rearranjando esta equação tem-se a Eq. 8. 𝐶𝑣,𝑚 = 𝐶𝑣 𝑛 → 𝐶𝑣 = 𝐶𝑣,𝑚 ∙ 𝑛 (8) Substituindo 8 em 7, tem-se a Eq. 9. 𝐶𝑣,𝑚 ∙ 𝑛 ∙ 𝑑𝑇 = −𝑃𝑑𝑣 (9) Conhecendo a relação para gases perfeitos representada pela Eq. 10, pode-se substituir o termo referente a pressão na Eq. 9, e desta forma obter-se a Eq. 11. 𝑃 = 𝑛𝑅𝑇 𝑉 (10) 𝐶𝑣,𝑚 ∙ 𝑛 ∙ 𝑑𝑇 = − 𝑛𝑅𝑇 𝑉 𝑑𝑣 → 𝐶𝑣,𝑚 ∙ 𝑑𝑇 = − 𝑅𝑇 𝑉 𝑑𝑣 (11) Para melhor visualização, a Eq. 11 foi rearranjada (Eq. 12), de forma que se aplicou a integral em ambos os lados da igualdade (Eq. 13), obtendo-se a Eq. 14. 𝐶𝑣,𝑚 ∙ 𝑑𝑇 𝑇 = − 𝑑𝑣 𝑉 𝑅 (12) 𝐶𝑣,𝑚 ∙ ∫ 𝑑𝑇 𝑇 𝑇2 𝑇1 = − ∫ 𝑑𝑣 𝑉 𝑣2 𝑣1 𝑅 (13) 𝐶𝑣,𝑚 ∙ ln 𝑇2 𝑇1 = − ln 𝑉2 𝑉1 ∙ 𝑅 (14) De acordo com a equação geraldos gases perfeitos para uma quantidade de mols constante, obtêm-se a Eq. 15. 8 𝑃1𝑉1 𝑇1 = 𝑃2𝑉2 𝑇2 → 𝑇2 𝑇1 = 𝑃2𝑉2 𝑃1𝑉1 (15) Substituindo a Eq. 14 em 15, obtêm-se a Eq. 16. 𝐶𝑣,𝑚 ∙ ln ( 𝑃2𝑉2 𝑃1𝑉1 ) = − ln 𝑉2 𝑉1 ∙ 𝑅 (16) Onde, após a aplicação da distributiva (Eq. 17), do rearranjo (Eq. 18), e posteriormente, evidenciar um dos termos (Eq. 19). 𝐶𝑣,𝑚 ∙ ln 𝑃2 𝑃1 + 𝐶𝑣,𝑚 ∙ ln 𝑉2 𝑉1 = − ln 𝑉2 𝑉1 ∙ 𝑅 (17) 𝐶𝑣,𝑚 ∙ ln 𝑃2 𝑃1 = − ln 𝑉2 𝑉1 ∙ 𝑅 − 𝐶𝑣,𝑚 ∙ ln 𝑉2 𝑉1 (18) 𝐶𝑣,𝑚 ∙ ln 𝑃2 𝑃1 = − ln 𝑉2 𝑉1 ∙ (𝑅 + 𝐶𝑣,𝑚) (19) Conhecendo a relação entre as capacidades molares a volume constante e a pressão constante (Eq. 20), obtêm-se a Eq. 21. 𝐶𝑣,𝑚 + 𝑅 = 𝐶𝑝,𝑚 (20) 𝐶𝑣,𝑚 ∙ ln 𝑃2 𝑃1 = − ln 𝑉2 𝑉1 ∙ ( 𝐶𝑝,𝑚) → − ln 𝑃2 𝑃1 = ln 𝑉2 𝑉1 ∙ ( 𝐶𝑝,𝑚 𝐶𝑣,𝑚 ) (21) Considerando novamente a equação geral dos gases perfeitos para uma quantidade de mols constante, para o momento posterior em que houve a expansão do gás, tem-se a Eq. 22, onde as temperaturas permanecem iguais e o volume inalterado, desta forma obtêm-se a Eq. 23. 9 𝑃1𝑉1 𝑇1 = 𝑃3𝑉3 𝑇3 → 𝑇1 = 𝑇3; 𝑉3 = 𝑉2 (22) 𝑃1𝑉1 = 𝑃3𝑉2 → 𝑉2 𝑉1 = 𝑃1 𝑃3 (23) Substituindo 21 em 23, chega-se a Eq. 24. ln 𝑃1 𝑃2 = ln 𝑃1 𝑃3 ∙ 𝐶𝑝,𝑚 𝐶𝑣,𝑚 (24) Isolando o termo referente a relação entre as capacidades calorificas, e desmembrando as frações contidas na expressão logarítmica por meio de manipulações matemáticas, obtêm-se a Eq. 25. 𝐶𝑝,𝑚 𝐶𝑣,𝑚 = ln 𝑃1 𝑃2 ln 𝑃1 𝑃3 = ln 𝑃1 − ln 𝑃2 ln 𝑃1 − ln 𝑃3 (25) Sendo P1 calculado por meio da Eq. 26, onde P3 é calculada de maneira análoga. 𝑃1 = 𝑃𝑚𝑚𝐻2𝑂 ∙ 𝜌𝐻2𝑂 𝜌𝐻𝑔 (26) 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO Como demonstrado anteriormente, para os cálculos de P1 e P3 é necessário conhecer as densidades do mercúrio e da água à temperatura de realização do experimento medindo essa temperatura e consultando a literatura específica, obtém-se os seguintes dados relevantes, incluindo a P2 (pressão atmosférica): 10 Tabela 1 - Dados Temperatura / °C 26 Densidade do mercúrio / g cm-3 13,53155 Densidade da água / g cm-3 0,9967875 Pressão Atmosférica / mmHg 686,316 Fonte: Os autores. Os resultados obtidos quanto à altura (h) da coluna de água antes e depois da abertura do galão estão expressos na tabela a seguir: Tabela 2 - Dados experimentais h (antes da abertura) / mm h (depois da abertura) / mm 720 218 563 146 Fonte: Os autores. Com os resultados, calcularam-se as pressões P1 (antes da abertura) e P3 (depois da abertura) por meio da Eq. 26, obteve-se os seguintes resultados: Tabela 3 - Pressões calculadas P1 / mmHg P3 / mmHg 739,35 702,37 727,78 697,06 Fonte: Os autores. Nota-se que a pressão inicial (P1) é maior que a pressão atmosférica, uma vez que o gás é bombeado para dentro do recipiente fechado. No momento da abertura da tampa a pressão interna do cilindro (P2) entra equilíbrio com a pressão atmosférica (Patm), ou seja, P2 = Patm. O gás então se resfria, pois o tempo de abertura do frasco é muito pequeno e a parede do frasco diminui a troca de calor, esta etapa marca o fim do processo adiabático. Como pode ser observado nos valores de P3, a pressão exercida pelo sistema é ligeiramente maior que a pressão atmosférica, ou seja, o trabalho do sistema é positivo o que provoca uma queda de temperatura interna. Utilizando da Eq. 25, possibilitou o cálculo das razões (γ1 e γ2) entre as capacidades caloríficas do gás, onde encontrou-se os valores da Tabela 4: 11 Tabela 4 – Razões entre as capacidades caloríficas γ1 γ 2 Média 1,45 1,36 1,41 Fonte: Os autores. Segundo o teorema da equipartição, a distribuição de Boltzmann pode ser usada para calcular a energia média associada a cada movimento de uma molécula (graus de liberdade), que na prática, significam a translação, rotação ou vibração das mesmas. Como Cp e Cv variam conforme o número de graus de liberdade (f), a razão entre os mesmos também varia. 𝛾 = 1 + 2 𝑓 (27) Assim no experimento realizado, γ~1,4, ou seja, o gás conta com 5 graus de liberdade (𝛾 = 7 5 ), sendo 3 translacional e 2 rotacional, característico de uma molécula diatômica como o N2 ou O2, ou seja, o gás bombeado para o frasco deve ser composto em sua maior parte por moléculas diatômicas como o ar atmosférico que é composto em 71% por nitrogênio e 21% por oxigênio. Com base nisso, o erro relativo associado à medida é de somente 0,71%. 5 CONCLUSÃO Através dos resultados obtidos foi possível determinar a razão entre capacidades caloríficas molares de um gás, simultaneamente comprovar o seu comportamento diatômico, uma vez que o valor encontrado é coerente com a literatura. 12 REFERÊNCIAS 1 ALEXIS-THÉRÈSE, P.; PIERRE-LOUIS, D. Research on some important aspects of the theory of heat. Annales de Chimie et de Physique 10. p. 395-413, 1819. 2 CHANG, R. Físico-química para as ciências químicas e biológicas. tradução: Elizabeth P. G. Arêas, Fernando R. Ormellas. São Paulo: McGraw-Hill, 2008. 3 ATKINS, P. W.; PAULA, J. Físico-química: volume 1. tradução: Edilson Clemente da Silva, Márcio José Cardoso, Oswaldo Esteves Barcia. Rio de Janeiro: LTC, 2015. 4 BOTTECHIA, O. L. O Experimento de Clement-Desormes no século XXI – 2010. 5 CRC Handbook of Chemistry and physics: a ready: reference book of chemical and physical data – 88th ed. 6 Instituto Nacional de Meteorologia – disponível em:<www.inmet.gov.br>. Acesso em: 20 de mar. 2018.