Prévia do material em texto
CONTEÚDOCONTEÚDOCONTEÚDOCONTEÚDOCONTEÚDO Prefácio Agradecimentos Introdução 1 PPPPPARARARARARTE 1: PRINCÍPIOS, PRTE 1: PRINCÍPIOS, PRTE 1: PRINCÍPIOS, PRTE 1: PRINCÍPIOS, PRTE 1: PRINCÍPIOS, PRODUTOS E PRODUTOS E PRODUTOS E PRODUTOS E PRODUTOS E PROCEDIMENTOSOCEDIMENTOSOCEDIMENTOSOCEDIMENTOSOCEDIMENTOS 1 O uso apropriado de sangue e produtos sangüíneos 9 1.1 Transfusões apropriadas e inapropriadas 11 1.2 Segurança do sangue 12 1.3 Pré-requisitos para o uso clínico apropriado do sangue 19 1.4 Princípios da prática clínica transfusional 21 2 Sangue, oxigênio e circulação 23 2.1 Fluidos corporais e compartimentos 25 2.2 Sangue 27 2.3 Aporte de oxigênio ao corpo 31 33333 AnemiaAnemiaAnemiaAnemiaAnemia 4242424242 3.1 Definições 44 3.2 Determinação da concentração de hemoglobina e hematócrito 46 3.3 Anemia clinicamente importante 48 3.4 Interpretação dos valores de hemoglobina 48 3.5 Causas de anemia 50 3.6 Adaptação à anemia 52 3.7 Anemia devido à perda aguda de sangue 52 3.8 Anemia devido à perda crônica de sangue 56 3.9 Anemia crônica por outras causas 58 3.10 Princípios do tratamento da anemia 59 3.11 Princípios para a prevenção da anemia 60 4 Fluidos de reposição 62 4.1 Definições 64 4.2 Terapia de reposição intravenosa 65 4.3 Fluidos de reposição intravenosa 65 4.4 Outras vias de administração de fluidos 69 4.5 Características dos fluidos de reposição 70 5 Produtos sangüíneos 78 5.1 Definições 80 5.2 Sangue total 80 5.3 Componentes sangüíneos 82 5.4 Separação de componentes por aféreses 88 5.5 Produção de derivados plasmáticos (fracionamento de plasma) 88 5.6 Características dos produtos sangüíneos 89 66666 Procedimentos da clínica transfusional 101 6.1 Administrando o sangue correto para o paciente correto no tempo correto 103 6.2 Solicitação de produtos sangüíneos 107 6.3 Testes de compatibilidade eritrocitária (prova cruzada) 116 6.4 Coleta de produtos sangüíneos antes da transfusão 120 6.5 Armazenamento de produtos sangüíneos antes da transfusão 121 6.6 Administração de produtos sangüíneos 124 6.7 Monitoração do paciente transfundido 131 6.8 Procedimentos especializados 133 7 Efeitos adversos da transfusão 136 7.1 Reações transfusionais 138 7.2 Conduta inicial e investigação 139 7.3 Reações agudas transfusionais 145 7.4 Complicações tardias da transfusão: infecções transmissíveis por transfusões 152 7.5 Outras complicações tardias da transfusão 158 7.6 Transfusão maciça ou de grandes volumes 162 PARTE 2: TRANSFUSÃO NA PRÁTICA CLÍNICA 8 Decisões clínicas transfusionais 169 8.1 Avaliação da necessidade de transfusão 170 8.2 Confirmação da necessidade de transfusão 170 9 Medicina geral 173 9.1 Anemia 175 9.2 Deficiência de hematínicos 186 9.3 Anemias hemolíticas 189 9.4 Malária 192 9.5 HIV/AIDS 196 9.6 Deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD) 198 9.7 Falência medular 200 9.8 Distúrbios congênitos da hemoglobina 203 9.9 Distúrbios de sangramento e transfusões 214 9.10 Distúrbios congênitos de sangramento e de coagulação 215 9.11 Distúrbios adquiridos de sangramento e de coagulação 221 10 Obstetrícia 227 10.1 Alterações fisiológicas e hematológicas durante a gravidez 229 10.2 Anemia crônica na gravidez 231 10.3 Hemorragia obstétrica maior 236 10.4 Doença hemolítica do recém nascido (DHRN) 243 11 Pediatria e neonatologia 247 11.1 Anemia pediátrica 249 11.2 Conduta na anemia pediátrica 253 11.3 Transfusão pediátrica em situações clínicas especiais 260 11.4 Distúrbios de sangramento e coagulação 262 11.5 Trombocitopenia 263 11.6 Transfusão neonatal 265 12 Cirurgia e anestesia 275 12.1 Seleção e preparo do paciente 277 12.2 Técnicas para redução da perda sangüínea operatória 281 12.3 Reposição de fluidos e transfusão 285 12.4 Transfusão autóloga 294 12.5 Cuidados no período pós-operatório 297 13 Trauma e cirurgia de urgência 301 13.1 Conduta no paciente cirúrgico agudo ou de trauma 303 13.2 Avaliação inicial e ressuscitação 303 13.3 Reavaliação 310 13.4 Conduta definitiva 313 13.5 Outras causas de hipovolemia 314 13.6 A conduta nos pacientes pediátricos 314 14 Queimaduras 319 14.1 Conduta nos pacientes queimados 321 14.2 Avaliação da gravidade das queimaduras 322 14.3 Fluidos de ressuscitação em pacientes queimados 325 14.4 Cuidados contínuos em pacientes queimados 329 14.5 Prevenção de queimaduras 331 PARTE 3: COLOCANDO EM PRÁTICA 15 Fazendo acontecer: o que eu posso fazer? 335 15.1 Por onde eu começo? 337 15.2 Desenvolvimento de um plano de ação 341 15.3 Comitê de transfusão hospitalar 343 15.4 Normas sobre o uso clínico do sangue 345 15.5 Educação e treinamento sobre o uso clínico do sangue 347 Glossário 350 Índice 356 PrefácioPrefácioPrefácioPrefácioPrefácio A transfusão de sangue é uma parte essencial da moderna assistência à saúde. Se usada corretamente, pode salvar vidas e melhorar a saúde. Contudo, a transmissão de agentes infecciosos pelo sangue e seus produtos sangüíneos produz uma atenção particular quanto aos potenciais riscos da transfusão. A Organização Mundial de Saúde (OMS) desenvolveu as seguintes estratégias integradas para promover a segurança global do sangue, e minimizar os riscos associados a transfusões. 1 O estabelecimento de serviços de transfusão sangüínea coordenados nacionalmente, com sistemas de qualidade em todas as áreas. 2 A coleta de sangue apenas de doadores voluntários e não remunerados de populações de baixo risco. 3 A triagem de todo sangue doado para infecções transmissíveis por transfusões, incluindo o vírus da imunodeficiência humana (HIV), sífilis e outros agentes infecciosos, assim como boas práticas de laboratório em todos os estágios da tipagem sangüínea, tes- tes de compatibilidade, preparo de componentes e armazenamento e transporte do sangue e produtos sangüíneos. 4 Uma redução das transfusões desnecessárias, através da utilização clínica adequada de sangue e produtos sangüíneos, e a utilização de alternativas simples às transfusões, sempre que possível. Muitos países estabeleceram serviços nacionais de transfusão sangüínea de acordo com as normas e recomendações da OMS. Contudo, alguns poucos países desenvolveram normas e políticas nacionais sobre o uso clínico do sangue, ou proporcionaram uma educação e treinamento sistemático sobre o uso clínico do sangue e de produtos sangüíneos. Em 1998, a OMS publicou as Recomendações sobre o Desenvolvimento de Normas e Política Nacional sobre a Utilização Clínica do Sangue. Este documento foi elaborado para auxiliar os Estados Membros no desenvolvimento e implementação de políticas e guias nacionais, assim como garantir uma colaboração ativa entre o serviço de transfusão sangüínea e os clínicos, através de cuidados aos pacientes que necessitem de transfusões. As Recomendações enfatizam a importância da educação e treinamento na utilização clínica do sangue para todos os clínicos e funcionários do banco de sangue envolvidos no processo transfusional. A equipe da OMS responsável pela Segurança da Transfusão Sangüínea (OMS/STS) desenvolveu um módulo de materiais de aprendizagem interativos, o Uso Clínico do Sangue, que pode ser utilizado em programas de graduação e pós-graduação, para treinamento nos próprios serviços, em programas de educação médica continuada, ou para estudos independentes por clínicos ou especialistas em transfusão sangüínea. O livro de bolso que acompanha o módulo foi elaborado como uma referência rápida para os clínicos que precisam tomar decisões urgentes sobre transfusão. O Uso Clínico do Sangue não foi elaborado para substituir livros textos convencionais, ou fornecer um texto definitivo sobre o uso clínico do sangue. Ao contrário, sua proposta é fornecer uma ferramenta acessível de ensino para aqueles que irão auxiliar os que prescrevem sangue a tomar decisõesclínicas apropriadas sobre a transfusão, e contribuir para um maior esforço em minimizar o uso desnecessário do sangue e produtos sangüíneos. O módulo e o livro de bolso foram escritos por um grupo internacional de clínicos e especialistas em medicina transfusional e revistos por vários especialistas através do mundo. Também foram revistos pelos Departamentos de Saúde Reprodutiva e Pesquisa, Desenvolvimento da Saúde da Criança e Adolescente, Controle de Doenças Não-Comunicáveis (Genética Humana) e Malária. Apesar de tudo, a prática clínica transfu- sional deve ser, sempre que possível, baseada em normas nacionais. Portanto, tente adaptar as informações e guias contidos neste livro de bolso, de sorte a estar em conformidade com as normas nacionais e estabelecer procedimentos em seu próprio país. Dr Jean C. EmmanuelDr Jean C. EmmanuelDr Jean C. EmmanuelDr Jean C. EmmanuelDr Jean C. Emmanuel DireDireDireDireDiretttttororororor, Segurança do Sangue e T, Segurança do Sangue e T, Segurança do Sangue e T, Segurança do Sangue e T, Segurança do Sangue e Tecnologia Clínicaecnologia Clínicaecnologia Clínicaecnologia Clínicaecnologia Clínica Organização Mundial da SaúdeOrganização Mundial da SaúdeOrganização Mundial da SaúdeOrganização Mundial da SaúdeOrganização Mundial da Saúde AAAAAgradecimentosgradecimentosgradecimentosgradecimentosgradecimentos A Organização Mundial de Saúde reconhece com seus agradecimentos os vários clínicos e especialistas em medicina transfusional que contribuíram para o desenvolvimento destes materiais de aprendizado. Um agradecimento especial ao Dr. Silvano Wendel (Diretor Médico) e Dra. Sylvia Olyntho (Médica Assistente), do Banco de Sangue do Hospital Sírio Libanês, São Paulo, Brasil, pela tradução da versão em português. Diretor do Projeto Dr Jean EmmanuelDr Jean EmmanuelDr Jean EmmanuelDr Jean EmmanuelDr Jean Emmanuel, Diretor Segurança e Tecnologia Clínica do Sangue, Organização Mundial de Saúde Gerente do projeto Sra Jan FSra Jan FSra Jan FSra Jan FSra Jan Fororororordhandhandhandhandhan, Diretora, Open Learning Associates, Londres, Reino Unido Editores clínicos Dr Jean EmmanuelDr Jean EmmanuelDr Jean EmmanuelDr Jean EmmanuelDr Jean Emmanuel, Diretor Segurança e Tecnologia Clínica do Sangue, Organização Mundial de Saúde Dr Brian McClellandDr Brian McClellandDr Brian McClellandDr Brian McClellandDr Brian McClelland, Diretor Regional, Serviço de Transfusão de Sangue da Escócia, Edimburgo e sudeste, Edimburgo, Reino Unido Dr RicharDr RicharDr RicharDr RicharDr Richard Pd Pd Pd Pd Pageageageageage, Consultor em Anestesia, Royal Cornwall Hospitals, Reino Unido Autores Dr AnthonDr AnthonDr AnthonDr AnthonDr Anthony Chisaky Chisaky Chisaky Chisaky Chisakutautautautauta, Consultor em Anestesia, Royal Belfast Hospital Real para Crianças de Belfast, Belfast, Reino Unido Dra EvDra EvDra EvDra EvDra Eve Lackritze Lackritze Lackritze Lackritze Lackritz, Assistente da Chefia para Ciência, Ramo Internacional de Atividades, Divisão de Prevenção HIV/AIDS, Centro de Controle de Doenças e Prevenção, Atlanta, EUA Dr Brian McClellandDr Brian McClellandDr Brian McClellandDr Brian McClellandDr Brian McClelland, Diretor Regional, Serviço de Transfusão de Sangue da Escócia, Edimburgo e sudeste, Edimburgo, Reino Unido Dr RicharDr RicharDr RicharDr RicharDr Richard Pd Pd Pd Pd Pageageageageage, Consultor em Anestesia, Royal Cornwall Hospitals, Reino Unido Dr Henrik ZeDr Henrik ZeDr Henrik ZeDr Henrik ZeDr Henrik Zetttttttttterererererström, ström, ström, ström, ström, Diretor Médico, Hospital Östersund, Östersund, Suécia Leitores críticos Dra Imelda BatDra Imelda BatDra Imelda BatDra Imelda BatDra Imelda Bates, es, es, es, es, Consultora em Hematologia, Escola de Medicina Hospital St. George, Londres, Reino Unido Dr Sunil Bichile, Dr Sunil Bichile, Dr Sunil Bichile, Dr Sunil Bichile, Dr Sunil Bichile, Professor e Chefe, Departamento de Hematologia, Colégio Médico Nacional de Topiwala e Hospital de caridade BYL Nair, Bombaim, Índia Dr John DaDr John DaDr John DaDr John DaDr John Davyvyvyvyvy, , , , , Cirurgião Plástico e Reconstrutivo, Harare, Zimbábue Dra Andoulla ElefDra Andoulla ElefDra Andoulla ElefDra Andoulla ElefDra Andoulla Eleftheriou, theriou, theriou, theriou, theriou, Coordenadora Científica, Federação Internacional de Talassemia Dra ElizabeDra ElizabeDra ElizabeDra ElizabeDra Elizabeth Leth Leth Leth Leth Letskytskytskytskytsky, , , , , Consultora em Hematologia Perinatal, Hospital Rainha Charlotte e Chelsea, Londres, Reino Unido Dr S. Mitchell LeDr S. Mitchell LeDr S. Mitchell LeDr S. Mitchell LeDr S. Mitchell Lewis, wis, wis, wis, wis, Departamento de Hematologia, Escola Imperial de Medicina, Hospital Hammersmith, Londres, Reino Unido Dr Guy LeDr Guy LeDr Guy LeDr Guy LeDr Guy Levyvyvyvyvy, , , , , Zentrallaboratorium, Berna, Suíça Dr Laurie MarDr Laurie MarDr Laurie MarDr Laurie MarDr Laurie Marks, ks, ks, ks, ks, Consultor em Anestesia, Harare, Zimbábue Dr StDr StDr StDr StDr Stephen Munjanja, ephen Munjanja, ephen Munjanja, ephen Munjanja, ephen Munjanja, Obstetra e Ginecologista, Harare, Zimbábue PrPrPrPrProfofofofofessor Greg Pessor Greg Pessor Greg Pessor Greg Pessor Greg Pooooowwwwwell, ell, ell, ell, ell, Departamento de Pediatria e Saúde Infantil, Escola de Medicina, Universidade de Zimbábue, Harare, Zimbábue Dra Maria de los Angeles RDra Maria de los Angeles RDra Maria de los Angeles RDra Maria de los Angeles RDra Maria de los Angeles Rodriguez, odriguez, odriguez, odriguez, odriguez, Diretora do Banco de Sangue, Hospital naval, Viña Del Mar, Chile Dr Grahan L. SellarDr Grahan L. SellarDr Grahan L. SellarDr Grahan L. SellarDr Grahan L. Sellars, s, s, s, s, Obstetra e Ginecologista, Harare, Zimbábue Participantes na Avaliação Inter-regional OMS, Limassol, Chipre, 8-11 de setembro, 1997 Dr AnDr AnDr AnDr AnDr Anwwwwwar Al-Khasaar Al-Khasaar Al-Khasaar Al-Khasaar Al-Khasawneh, wneh, wneh, wneh, wneh, Consultor em Cirurgia Geral e Chefe, Departamento de Cirurgia Geral, Hospital Al Bashair, Aman, Jordânia Dr Sunil Bichile, Dr Sunil Bichile, Dr Sunil Bichile, Dr Sunil Bichile, Dr Sunil Bichile, Professor e Chefe, Departamento de Hematologia, Colégio Médico Nacional de Topiwala e Hospital de Caridade BYL Nair, Bombaim, Índia Dra Meena NeDra Meena NeDra Meena NeDra Meena NeDra Meena Nethan Cherian, than Cherian, than Cherian, than Cherian, than Cherian, Professora, Departamento de Anestesia, Escola Médica e Hospital Cristão, Vellore, Índia Sra RSra RSra RSra RSra Rosie Chimoosie Chimoosie Chimoosie Chimoosie Chimoyyyyyooooo, Enfermeira em Anestesia, Hospital Malamulo, Makwasa, Malawi Dra Linda Ciu, Dra Linda Ciu, Dra Linda Ciu, Dra Linda Ciu, Dra Linda Ciu, Chefe, Clínica Neonatal, Hospital da Universidade de Tirana, Albânia Dr Michael B. Dobson, Dr Michael B. Dobson, Dr Michael B. Dobson, Dr Michael B. Dobson, Dr Michael B. Dobson, Consultor em Anestesia, Departamento de Anestesia Nuffield, Hospital John Radcliffe, Oxford, Reino Unido Dr PDr PDr PDr PDr Paul M. Faul M. Faul M. Faul M. Faul M. Fentententententononononon, Professor Associado, Departamento de Anestesia, Escola de Medicina, Blantyre, Malawi Dra VDra VDra VDra VDra Valentina Hafneralentina Hafneralentina Hafneralentina Hafneralentina Hafner, Diretora Científica, Instituto Nacional de Hematologia e Transfusão de Sangue, Ministério da Saúde, Bucareste, Romênia Dr Gabriel M. KDr Gabriel M. KDr Gabriel M. KDr Gabriel M. KDr Gabriel M. Kalakalakalakalakalakoutis, outis, outis, outis, outis, Chefe do Departamento de Obstetricia e Ginecología, Hospital Makarios, Nicósia, Chipre DatDatDatDatDato’ Dr Mahmud bin Mohd. Noro’ Dr Mahmud bin Mohd. Noro’ Dr Mahmud bin Mohd. Noro’ Dr Mahmud bin Mohd. Noro’ Dr Mahmud bin Mohd. Nor, , , , , Chefe do Departamento de Cirurgia, Hospital Kuala Lumpur, Kuala Lumpur, Malásia Dr Matt J. OlivDr Matt J. OlivDr Matt J. OlivDr Matt J. OlivDr Matt J.Olivererererer, , , , , Consultor em Cirurgia, Bulawayo, Zimbábue Sr ChristSr ChristSr ChristSr ChristSr Christos Tos Tos Tos Tos Tapakapakapakapakapakoudes, oudes, oudes, oudes, oudes, Superintendente do Laboratório Médico, Banco de Sangue, Hospital Geral de Nicósia, Nicósia, Chipre Participantes na Avaliação Regional Informal da OMS, Harare, Zimbábue, 11-12 de abril, 1997 Dr HenrDr HenrDr HenrDr HenrDr Henry Wy Wy Wy Wy W. Bukwir. Bukwir. Bukwir. Bukwir. Bukwirkkkkka, a, a, a, a, Departamento de Anestesia, Escola Médica Makerere, Hospital Mulago, Kampala, Uganda Dra Meena NeDra Meena NeDra Meena NeDra Meena NeDra Meena Nethan Cherian, than Cherian, than Cherian, than Cherian, than Cherian, Professora, Departamento de Anestesia, Escola Médica e Hospital Cristão, Vellore, Índia Dr M. E. ChitiyDr M. E. ChitiyDr M. E. ChitiyDr M. E. ChitiyDr M. E. Chitiyo, o, o, o, o, Diretor Médico, Serviço Nacional de Transfusão Sangüínea, Harare, Zimbábue Dr Alison M. Coutts, Dr Alison M. Coutts, Dr Alison M. Coutts, Dr Alison M. Coutts, Dr Alison M. Coutts, Presidente, Departamento de Hematologia, Escola de Medicina, Universidade de Zimbábue, Harare, Zimbábue Dr VDr VDr VDr VDr Vasumati M. Divasumati M. Divasumati M. Divasumati M. Divasumati M. Divekekekekekararararar, , , , , Profesor de Anestesiologia, Escola Médica Patil, Bombaim, Índia Dr Michael B. Dobson, Dr Michael B. Dobson, Dr Michael B. Dobson, Dr Michael B. Dobson, Dr Michael B. Dobson, Consultor em Anestesia, Departamento de Anestesia Nuffield, Hospital John Radcliffe, Oxford, Reino Unido PrPrPrPrProfofofofofesor Aesor Aesor Aesor Aesor A. Latif, . Latif, . Latif, . Latif, . Latif, Departamento de Medicina, Escola de Medicina, Universidade de Zimbábue, Harare, Zimbábue Dra Catherine Mauchaza, Dra Catherine Mauchaza, Dra Catherine Mauchaza, Dra Catherine Mauchaza, Dra Catherine Mauchaza, Pediatra , Escola de Medicina, Universidade de Harare, Zimbábue Dr K. Nathoo, Dr K. Nathoo, Dr K. Nathoo, Dr K. Nathoo, Dr K. Nathoo, Departamento de Pediatria, Escola de Medicina, Universidade de Zimbábue, Harare, Zimbábue Dr DixDr DixDr DixDr DixDr Dixon C. Ton C. Ton C. Ton C. Ton C. Tembo, embo, embo, embo, embo, Anestesista, Hospital Kkana Mine, Kitwe, Zâmbia 1 Introdução O Uso Clínico do Sangue forma parte de uma série de materiais de aprendizagem, desenvolvidos pela OMS/STS como suporte à sua estratégia global de segurança transfusional, conforme mencionado no Prefácio. Em 1994, a OMS publicou Sangue e Produtos Sangüíneos Seguros, um conjunto de materiais de aprendizado interativo, elaborado para toda a equipe dos serviços de transfusão de sangue, laboratórios de saúde pública e bancos de sangue hospitalares que sejam responsáveis pelo recrutamento e seleção de doadores de sangue, pela coleta, processamento e liberação de sangue para transfusão. Os materiais contêm quatro módulos: Módulo Introdutório: Normas e Princípios para uma Prática Trans- fusional Segura Módulo 1: Doação Segura de Sangue Módulo 2: Triagem para HIV e Outros Agentes Infecciosos Módulo 3: Sorologia dos Grupos Sangüíneos. Os módulos estão sendo utilizados em muitos países do mundo, tanto como fonte de referência em programas de treinamento durante ou previamente ao trabalho, assim como para programas de treinamento à distância. Em 1998, foi publicado pela OMS o guia: Estabelecendo um Programa de Treinamento à Distância na Segurança do Sangue: Um Guia para os Coordenadores de Programas, de sorte a fornecer um guia para os programas nacionais de sangue que queiram iniciar um programa de treinamento à distância na segurança do sangue, utilizando estes materiais. O Uso Clínico do Sangue O Uso Clínico do Sangue complementa os materiais de treinamento prévios produzidos pela OMS/BTS, ao se concentrar nos aspectos clínicos da transfusão de sangue. Objetiva mostrar como o sangue e os produtos sangüíneos podem ser utilizados apropriadamente em todos os níveis do sistema de saúde em qualquer país, sem comprometer os padrões de qualidade e segurança. 2 Um módulo de aprendizado elaborado para utilizar na educação e programas de treinamento, ou como um estudo independente por clínicos, individualmente, ou por especialistas em medicina transfusional. Um livro de bolso, para uso na prática clínica. O módulo O módulo fornece um guia abrangente sobre o uso do sangue e produtos sangüíneos, em particular, maneiras de se minimizar transfusões desnecessárias. Divide-se em três partes. Parte 1: Princípios, produtos e procedimentos A parte 1 fornece a base para as decisões clínicas sobre a transfusão, introduzindo os princípios do uso apropriado de sangue. Apresenta um breve guia à fisiologia normal e a fisiopatologia das perdas sangüíneas agudas e crônicas, e descreve as características de alternativas simples à transfusão (fluidos de reposição intravenosos). A seguir, mostra um guia detalhado sobre os procedimentos clínicos transfusionais que podem ser usados como base para o desenvolvimento de procedimentos operacionais padrão. Finalmente, delineia o reconhecimento e conduta das reações transfusionais agudas e tardias. Parte 2: Transfusão na prática clínica A parte 2 começa com um breve sumário dos fatores a se considerar quando se avaliar e confirmar a necessidade de uma transfusão. A seguir, concentra-se em seis áreas clínicas nas quais a transfusão pode ser necessária: Medicina geral Obstetrícia Pediatria e neonatologia Cirurgia e anestesia Cirurgia de urgência e trauma Queimaduras Parte 3: O uso apropriado de sangue – colocando em prática A parte 3 explora como um clínico ou um especialista em medicina trans- fusional pode dar uma contribuição prática, ao realizar o uso apropriado de sangue, tanto em seus hospitais, como de uma forma mais genérica e local. O livro de bolso O livro de bolso sumariza as informações principais do módulo, e fornece uma rápida referência quando se necessitar de uma decisão transfusional. É importante seguir as normas nacionais sobre o uso clínico de sangue, se estas forem diferentes em algum aspecto do guia contido no módulo e livro de bolso. Portanto, você pode achar útil adicionar suas próprias anotações sobre as normas nacionais, ou a sua própria experiência em prescrever sangue. I N T R O D U Ç Ã O 3 Utilização do módulo O módulo foi elaborado para aqueles que prescrevem sangue em todos os níveis do sistema de saúde, particularmente clínicos e paramédicos mais experientes no nível primário de saúde (hospitais distritais) dos países em desenvolvimento, incluindo: Especialistas clínicos Especialistas em medicina transfusional Médicos distritais Clínicos gerais que trabalhem isoladamente Médicos pós-graduados Jovens médicos Estudantes de medicina Paramédicos experientes, tais como enfermeiras em anestesiologia. Também fornece uma fonte útil para o treinamento em escolas médicas, hospitais de ensino universitários, escolas de enfermagem ou programas de educação continuada. Objetivos O objetivo do módulo é ajudá-lo a: 1 Atualizar o seu conhecimento e compreensão sobre sangue, produtos sangüíneos e alternativas à transfusão sangüínea. 2 Avaliar sua própria prática clínica em relação ao uso de sangue e seus produtos. 3 Minimizar transfusões desnecessárias, através do uso clínico apropriado de sangue e seus produtos. 4 Avaliar a disponibilidade atual e a utilização de sangue, produtos sangüíneos e alternativas à transfusão de sangue no hospital em que trabalhe. 5 Identificar maneiras de melhorar os sistemas e procedimentos para o uso de sangue e seus produtos em seu próprio hospital. 6 Planejar modos de implementar qualquer melhoria que você tenha identificado como sendo necessária tanto em sua prática diária, como sob uma forma mais generalizada. 7 Contribuir para a promoção de estratégias para a prevenção e tratamento das condiçõesque levem a anemias, de sorte a reduzir a necessidade de transfusão de sangue. Pontos chave Cada seção começa com uma lista de pontos importantes a serem lembrados ao se fazer uma decisão clínica sobre o uso de sangue e seus produtos. Expectativa de aprendizado Ao início de cada seção, existe uma lista de expectativa de aprendizado. Estas delineiam o que você deve saber ao terminar a seção. Fornecem um guia para o seu aprendizado, e ajudam-no a revisar o seu próprio progresso. I N T R O D U Ç Ã O 4 Atividades À medida que você estiver fazendo o seu trabalho em cada seção, será solicitado a completar uma série de atividades que foram elaboradas para ajudá-lo a aplicar os princípios do uso apropriado de sangue em seu próprio ambiente clínico. Algumas atividades utilizam uma estratégia de estudo de caso para fortalecer a sua própria tomada de decisão. Utilize estas atividades como base para a discussão com os membros da sua equipe clínica, talvez como ponto de partida para o desenvolvimento de normas locais sobre a prática clínica transfusional, assim como uma oportunidade de ensino. Outras atividades sugerem que você avalie diferentes aspectos do uso clínico do sangue em seu hospital, e considere como as abordagens e procedimentos possam ser modificados ou melhorados, de sorte a minimizar as transfusões desnecessárias. Como as atividades concentram- se diretamente em sua própria atividade clínica,as suas respostas serão largamente determinadas pelas suas condições e necessidades locais. Utilize-as como base para discussão com os seus colegas sobre as medidas que sejam necessárias em seu hospital para melhorar o uso apropriado de sangue, incluindo o uso de simples alternativas a transfusões, sempre que possível. A seção final, Seção 15: Fazendo acontecer: O que posso fazer? Desenha todo o seu trabalho nas atividades. Fornece um guia sobre a condução da revisão sobre os registros pertinentes à transfusão, e propõe um trabalho dirigido para o estabelecimento de um comitê de auditoria transfusional hospitalar, e ao desenvolvimento de normas sobre a prática transfusional clínica, se ainda não forem existentes. A medida que você estiver trabalhando cada módulo, achará útil fazer anotações sobre o seu trabalho nas atividades,e utilizá-las para iniciar um plano de ação para o uso apropriado de sangue em seu hospital. A base de evidências para a prática clínica A Utilização Clínica do Sangue foi preparada por um grupo internacional de clínicos e especialistas em medicina transfusional, tendo sido extensivamente revisto por departamentos da OMS ou por leitores criteriosos pertencentes a uma série de disciplinas clínicas de todas as seis regiões da OMS. Também foi avaliada em duas reuniões de trabalho inter-regionais, ocorridas em Zimbábue, abril de 1997 e Chipre, em setembro de 1997. O conteúdo reflete o conhecimento e experiência dos contribuintes e revisores. Todavia, como a evidência para uma prática clínica efetiva evolui constantemente, nós o encorajamos a consultar fontes atualizadas de informações, tais como a Biblioteca Cochrane, o banco de dados da Biblioteca Nacional de Medicina e a Biblioteca da Saúde Reprodutiva da OMS. A OMS estará agradecida se receber comentários e sugestões concernentes aos materiais e experiências obtidas com os seus usuários. Isto será de considerável valor no preparo de qualquer futura edição. I N T R O D U Ç Ã O 5 BibliotBibliotBibliotBibliotBiblioteca Coceca Coceca Coceca Coceca Cochrhrhrhrhraneaneaneaneane. Revisões sistemáticas dos efeitos das intervenções em saúde, disponíveis em disquete, CD-ROM ou via Internet. Existem centros Cochrane na África, Ásia, Australásia, Europa, América do Norte e América do Sul. Para informações, contacte: UK Cochrane Centre, NHS Research and De- velopment Programme, Summertown Pavillion, Middle Way, Oxford OX2 7LG, UK. Tel: +44 1865 516300. Fax +44 1865 516311. www.cochrane.org BibliotBibliotBibliotBibliotBiblioteca Nacional de Medicinaeca Nacional de Medicinaeca Nacional de Medicinaeca Nacional de Medicinaeca Nacional de Medicina. Uma biblioteca on-line, incluindo Medline, a qual contém referências e resumos de 4300 jornais biomédicos e Ensaios Clínicos (Clinical Trials), que fornecem informações sobre estudos de pesquisa clínica. Biblioteca Nacional de Medicina, 8600 Rockville Pike, Bethesda, MD 20894, USA. www.nlm.nih.gov BibliotBibliotBibliotBibliotBiblioteca da Saúde Reca da Saúde Reca da Saúde Reca da Saúde Reca da Saúde Reprepreprepreprodutivodutivodutivodutivodutiva da OMSa da OMSa da OMSa da OMSa da OMS. Um jornal eletrônico de revisões concentrando-se nas soluções baseadas em evidências de problemas da saúde reprodutiva em países em desenvolvimento. Disponível em CD-ROM pelo Departamento de Saúde Reprodutiva e Pesquisa, Organização Mundial de Saúde, 1211 Genebra 27, Suíça. www.who.int I N T R O D U Ç Ã O PPPPParararararte 1te 1te 1te 1te 1 Princípios, produtos ePrincípios, produtos ePrincípios, produtos ePrincípios, produtos ePrincípios, produtos e procedimentosprocedimentosprocedimentosprocedimentosprocedimentos 9 Uso apropriado do sangueUso apropriado do sangueUso apropriado do sangueUso apropriado do sangueUso apropriado do sangue e produtos sangüineose produtos sangüineose produtos sangüineose produtos sangüineose produtos sangüineos PONTOS CHAVE 11111 O uso adequado do sangue e de seus prO uso adequado do sangue e de seus prO uso adequado do sangue e de seus prO uso adequado do sangue e de seus prO uso adequado do sangue e de seus produtodutodutodutodutos (comos (comos (comos (comos (componentes) signifponentes) signifponentes) signifponentes) signifponentes) significa aica aica aica aica a trtrtrtrtransfusão de pransfusão de pransfusão de pransfusão de pransfusão de produtodutodutodutodutos sangüíneos seguros sangüíneos seguros sangüíneos seguros sangüíneos seguros sangüíneos seguros utilizados somente paros utilizados somente paros utilizados somente paros utilizados somente paros utilizados somente paraaaaa trtrtrtrtratatatatatamentamentamentamentamento de doenças com signifo de doenças com signifo de doenças com signifo de doenças com signifo de doenças com significativicativicativicativicativa morbidade e mora morbidade e mora morbidade e mora morbidade e mora morbidade e mortttttalidade quealidade quealidade quealidade quealidade que não podem ser efnão podem ser efnão podem ser efnão podem ser efnão podem ser efetivetivetivetivetivamente tramente tramente tramente tramente tratatatatatadas de outradas de outradas de outradas de outradas de outra fa fa fa fa forma.orma.orma.orma.orma. 22222 A trA trA trA trA transfusão acarretansfusão acarretansfusão acarretansfusão acarretansfusão acarreta risco de reações advera risco de reações advera risco de reações advera risco de reações advera risco de reações adversas e infsas e infsas e infsas e infsas e infecçõesecçõesecçõesecçõesecções trtrtrtrtransmissíveis por sangue. O plasma pode transmissíveis por sangue. O plasma pode transmissíveis por sangue. O plasma pode transmissíveis por sangue. O plasma pode transmissíveis por sangue. O plasma pode transmitir a maioria dasansmitir a maioria dasansmitir a maioria dasansmitir a maioria dasansmitir a maioria das infinfinfinfinfecções presentes no sangue tecções presentes no sangue tecções presentes no sangue tecções presentes no sangue tecções presentes no sangue totototototal, e há poucas indicações paral, e há poucas indicações paral, e há poucas indicações paral, e há poucas indicações paral, e há poucas indicações para a suaa a suaa a suaa a suaa a sua trtrtrtrtransfusão.ansfusão.ansfusão.ansfusão.ansfusão. 33333 A doação sangüínea realizada por doadores de reposição ou familiar leA doação sangüínea realizada por doadores de reposição ou familiar leA doação sangüínea realizada por doadores de reposição ou familiar leA doação sangüínea realizada por doadores de reposiçãoou familiar leA doação sangüínea realizada por doadores de reposição ou familiar levvvvvaaaaa a um maior risco de infa um maior risco de infa um maior risco de infa um maior risco de infa um maior risco de infecções trecções trecções trecções trecções transmissíveis pela transmissíveis pela transmissíveis pela transmissíveis pela transmissíveis pela transfusão do que oansfusão do que oansfusão do que oansfusão do que oansfusão do que o sangue colhido de doadores voluntários não remunersangue colhido de doadores voluntários não remunersangue colhido de doadores voluntários não remunersangue colhido de doadores voluntários não remunersangue colhido de doadores voluntários não remunerados. Doadoresados. Doadoresados. Doadoresados. Doadoresados. Doadores remunerremunerremunerremunerremunerados gerados gerados gerados gerados geralmente possuem uma maior prealmente possuem uma maior prealmente possuem uma maior prealmente possuem uma maior prealmente possuem uma maior prevvvvvalência e incidênciaalência e incidênciaalência e incidênciaalência e incidênciaalência e incidência de infde infde infde infde infecções trecções trecções trecções trecções transmissíveis pela transmissíveis pela transmissíveis pela transmissíveis pela transmissíveis pela transfusão.ansfusão.ansfusão.ansfusão.ansfusão. 44444 O sangue não deO sangue não deO sangue não deO sangue não deO sangue não deve ser trve ser trve ser trve ser trve ser transfundido, a menos que seja obtido de doadoresansfundido, a menos que seja obtido de doadoresansfundido, a menos que seja obtido de doadoresansfundido, a menos que seja obtido de doadoresansfundido, a menos que seja obtido de doadores selecionados adequadamente, eselecionados adequadamente, eselecionados adequadamente, eselecionados adequadamente, eselecionados adequadamente, exxxxxaminado paraminado paraminado paraminado paraminado para infa infa infa infa infecções trecções trecções trecções trecções transmissíveisansmissíveisansmissíveisansmissíveisansmissíveis por trpor trpor trpor trpor transfusões, e comansfusões, e comansfusões, e comansfusões, e comansfusões, e compatibilizado entre as hemácias do doador e ospatibilizado entre as hemácias do doador e ospatibilizado entre as hemácias do doador e ospatibilizado entre as hemácias do doador e ospatibilizado entre as hemácias do doador e os anticoranticoranticoranticoranticorpos do plasma do receptpos do plasma do receptpos do plasma do receptpos do plasma do receptpos do plasma do receptororororor, de acor, de acor, de acor, de acor, de acordo com as normas nacionais.do com as normas nacionais.do com as normas nacionais.do com as normas nacionais.do com as normas nacionais. 55555 A necessidade de trA necessidade de trA necessidade de trA necessidade de trA necessidade de transfusão pode ser eansfusão pode ser eansfusão pode ser eansfusão pode ser eansfusão pode ser evitvitvitvitvitada porada porada porada porada por::::: PrePrePrePrePrevenção, diagnósvenção, diagnósvenção, diagnósvenção, diagnósvenção, diagnóstico precoce e trtico precoce e trtico precoce e trtico precoce e trtico precoce e tratatatatatamentamentamentamentamento da anemia e daso da anemia e daso da anemia e daso da anemia e daso da anemia e das condições que causem anemia.condições que causem anemia.condições que causem anemia.condições que causem anemia.condições que causem anemia. Correção da anemia e a reposição dos esCorreção da anemia e a reposição dos esCorreção da anemia e a reposição dos esCorreção da anemia e a reposição dos esCorreção da anemia e a reposição dos estttttoques depletoques depletoques depletoques depletoques depletados de fados de fados de fados de fados de ferrerrerrerrerrooooo antes de uma cirurantes de uma cirurantes de uma cirurantes de uma cirurantes de uma cirurgia eletivgia eletivgia eletivgia eletivgia eletiva.a.a.a.a. O uso de alternativO uso de alternativO uso de alternativO uso de alternativO uso de alternativas simas simas simas simas simples à trples à trples à trples à trples à transfusão, tansfusão, tansfusão, tansfusão, tansfusão, tais como fais como fais como fais como fais como fluidos deluidos deluidos deluidos deluidos de reposição intrreposição intrreposição intrreposição intrreposição intraaaaavenosos, que são mais segurvenosos, que são mais segurvenosos, que são mais segurvenosos, que são mais segurvenosos, que são mais seguros, menos caros, menos caros, menos caros, menos caros, menos caros e podemos e podemos e podemos e podemos e podem ser igualmente efser igualmente efser igualmente efser igualmente efser igualmente efetivos.etivos.etivos.etivos.etivos. Boa anesBoa anesBoa anesBoa anesBoa anestesia e manejo cirúrtesia e manejo cirúrtesia e manejo cirúrtesia e manejo cirúrtesia e manejo cirúrgico.gico.gico.gico.gico. 1 10 S E Ç Ã O 1 Introdução A transfusão sangüínea pode ser uma intervenção que salva vidas. No entanto, como a maioria dos tratamentos, pode provocar complicações agudas e tardias, e traz o risco de infecções transmissíveis pela transfusão, incluindo HIV, vírus da hepatite, sífilis, malária e doença de Chagas. A transmissão de agentes infecciosas por sangue ou produtos sangüíneos é um foco de atenção particular ao risco transfusional. A segurança e a eficácia da transfusão depende de dois fatores principais: Um aporte de sangue e componentes sangüíneos seguro, acessível a um custo razoável, e adequado às necessidades nacionais. O uso clínico apropriado do sangue e dos componentes sangüíneos. Isto pode ser realizado através de um trabalho cooperativo entre os serviços de transfusão sangüínea e os clínicos que trabalham em cooperação com a gestão dos componentes do processo transfusional pelo qual são responsáveis. A seção 1 explora as causas do freqüente uso desnecessário do sangue, os riscos potenciais associados à transfusão e os fatores que determinam quando o uso apropriado do sangue é possível. Objetivos do estudo Quando completar esta seção, você deverá estar apto a: 1 Explicar os riscos potenciais associados à transfusão. 2 Avaliar a segurança dos estoques sangüíneos disponíveis em seu hospital. 3 Identificar os pré-requisitos para o uso clínico apropriado do sangue. 4 Identificar maneiras de minimizar as necessidades transfusionais. 11 U S O A P R O P R I A D O D O S A N G U E 1.1 Transfusões apropriadas e inapropriadas Neste módulo, o uso apropriado de sangue e produtos sangüíneos é definido como: “A transfusão de produtos sangüíneos seguros para tratar uma condição que leve a uma significativa morbidade ou mortalidade, e que não possa ser prevenida ou conduzida efetivamente de outra maneira.” Se utilizada adequadamente, a transfusão sangüínea pode salvar vidas e melhorar a saúde. No entanto, análises de diversas regiões do mundo indicam considerável variação nos padrões do uso clínico do sangue entre diferentes hospitais, diferentes especialidades clínicas e até mesmo diferentes clínicos de uma mesma equipe. Isto sugere que, freqüentemente, o sangue e os produtos sangüíneos sejam utilizados inadequadamente. Como todos os tratamentos, a transfusão traz um risco potencial para o receptor, sendo freqüentemente desnecessária pelas seguintes razões: 1 A necessidade transfusional pode ser muitas vezes evitada ou minimizada pela prevenção ou diagnóstico precoce e tratamento da anemia e condições que causem anemia. 2 O sangue é freqüentemente administrado desnecessariamente para elevar o nível de hemoglobina do paciente antes de uma cirurgia, ou para uma alta mais precoce. Raramente há razões válidas para este tipo de transfusão. 3 A transfusão de sangue total, hemácias ou plasma geralmente é administrada quando outros tratamentos, como a infusão de solução salina ou outras soluções de reposição, podem ser mais seguras, menos cara e igualmente efetivas para o tratamento de perda aguda sangüínea. 4 As necessidades transfusionais de um pacientepodem geralmente ser minimizadas por uma boa anestesia e uma conduta cirúrgica adequada. 5 Se o sangue for administrado a quem não o necessita, o paciente não recebe nenhum benefício, além de ficar exposto a riscos desnecessários. 6 O sangue é um recurso caro e raro. Transfusões desnecessárias podem causar uma diminuição dos estoques de produtos sangüíneos para pacientes com real necessidade. Os riscos da transfusão Em algumas situações clínicas, a transfusão pode ser a única maneira de salvar vidas e rapidamente melhorar uma condição grave. No entanto, antes de prescrever o sangue ou produtos sangüíneos para um paciente, é essencial pesar os riscos e benefícios da transfusão. 12 Transfusão de glóbulos vermelhos 1 A transfusão de glóbulos vermelhos acarreta risco de sérias reações hemolíticas transfusionais. 2 Os produtos sangüíneos podem transmitir agentes infecciosos, inclusive HIV, hepatite B, hepatite C, sífilis, malária e doença de Chagas para o receptor. 3 Qualquer componente sangüíneo pode estar contaminado com bactérias, e se torna mais perigoso se processado ou armazenado incorretamente. Transfusão de plasma 1 O plasma pode transmitir a maioria das infecções presentes no sangue total. 2 O plasma também pode causar reações transfusionais. 3 Há poucas indicações clínicas determinadas para a transfusão de plasma. Os riscos geralmente superam qualquer benefício possível para o paciente. 1.2 Segurança do sangue Os riscos associados à transfusão sangüínea dependem dos seguintes fatores: 1 Incidência e prevalência de infecções transmissíveis por transfusão na população doadora de sangue. 2 Eficácia do programa de educação, recrutamento de doadores de sangue, e os procedimentos para seleção e exame do doador, incluindo a rejeição ou exclusão dos doadores inadequados. 3 A qualidade do exame sorológico para infecções transmissíveis por transfusão de todo o sangue doado. 4 A qualidade dos exames para os grupos sangüíneos, testes de compatibilidade, preparação, armazenamento e transporte dos produtos sangüíneos. 5 A proporção pela qual os produtos sangüíneos são prescritos somente quando não houver alternativas a este procedimento para um determinado paciente. 6 A segurança do sistema em garantir que o paciente receba sangue que seja compatível com seu grupo sangüíneo, anticorpos eritrocitários e outros requerimentos especiais. A qualidade e a segurança de todo sangue e componentes sangüíneos deve estar assegurada, desde o processo de seleção de doadores, até a administração do produto ao paciente. Isto requer um organizado programa de doação sangüínea regular por doadores voluntários não remunerados, a análise e o processamento do sangue doado por funcionários treinados de acordo com os padrões nacionais, e o uso apropriado de sangue. Isto requer: S E Ç Ã O 1 13 U S O A P R O P R I A D O D O S A N G U E 1 Padrões e especificações nacionais para os produtos sangüíneos, e um sistema de boas práticas de manufatura para garantir que estes padrões sejam mantidos a todo o momento. 2 O desenvolvimento e uso correto dos procedimentos operacionais padrão. 3 O treinamento dos médicos e da equipe do serviço de medicina transfusional, para desenvolver e manter conhecimento e capacidade específicos. 4 Monitorar e avaliar se os procedimentos corretos estão sendo utilizados por toda a equipe a qualquer instante. 5 Um sistema efetivo e independente de inspeção e acreditação da coleta, processamento e distribuição dos produtos sangüíneos. Qualquer que seja o sistema local utilizado para coleta, análise e processamento do sangue, os médicos devem estar familiarizados e compreenderem as limitações que possam afetar a segurança ou disponibilidade do sangue. Doadores de sangue A resolução 28.72 da Assembléia Mundial da Saúde estabeleceu o princípio que a doação de sangue deve ser voluntária e não remunerada (não paga). Esta política tem sido adotada por muitos países para a coleta de sangue total. Em alguns países, no entanto, a oferta de plasma para as indústrias de derivados de plasma ainda é baseado em programas comerciais, nos quais os indivíduos recebem pagamento para a coleta regular de plasma por plasmaférese. Um sistema de doação voluntária não remunerada de sangue e plasma é mais seguro, porque a incidência e a prevalência de infecções transmissíveis por transfusão nestes doadores é invariavelmente mais baixa do que entre os doadores de reposição, familiares e pagos. Este sistema também deve permitir que os processos de educação e seleção de doadores encorajem a auto-exclusão dos doadores não adequados. Este é um procedimento com o melhor custo-benefício a ser realizado onde houver recursos limitados, pois poucas unidades de sangue devem ser descartadas após a análise sorológica devido a evidências de marcadores para doenças infecciosas. Doadores voluntários não remunerados Doadores voluntários não remunerados são aqueles que doaram seu sangue por livre vontade e não receberam dinheiro ou outro pagamento que possa ser considerado substituto do dinheiro. Sua motivação principal é ajudar receptores desconhecidos, não obtendo qualquer benefício pessoal. As principais razões para promover a doação voluntária regular não remunerada são: 1. Doadores voluntários não remunerados possuem menor incidência e prevalência de infecções transmissíveis pelo sangue doadores voluntários nãodoadores voluntários nãodoadores voluntários nãodoadores voluntários nãodoadores voluntários não remunerremunerremunerremunerremuneradosadosadosadosados: Doador que doa sangue de livre e espontânea vontade, sem receber dinheiro ou outra forma de pagamento. 14 que os doadores de reposição ou doadores remunerados. Eles não possuem incentivo financeiro para omitir informações (tais como comportamento sexual de risco ou história de uso de drogas injetáveis) que possam levar à exposição a infecções transmissíveis pela transfusão. 2 Doadores voluntários não remunerados estão mais predispostos a doarem regularmente, fato importante para a manutenção de estoques de sangue adequados e seguros. 3 Os doadores voluntários regulares não remunerados possuem prevalência e incidência de infecções transmissíveis pelo sangue mais baixas que os doadores de primeira vez ou ocasionais. 4 Doadores regulares não são motivados financeiramente a doar freqüentemente, e com isso, não apresentam risco de anemia devido à depleção de seus estoques de ferro. 5 Doadores regulares são mais responsivos a apelos de doações em emergências, devido ao seu comprometimento anterior com a doação voluntária de sangue. O módulo 1: Doação Segura de Sangue nos materiais de aprendizagem da OMS, Sangue e Produtos Sangüíneos Seguros, descreve como desenvolver um sistema de doação voluntária não remunerada de sangue. Doadores de reposição ou familiares Na ausência de um programa nacional bem organizado de doação voluntária de sangue, muitos países utilizam familiares e amigos de pacientes como doadores de reposição para reporem as unidades em estoque utilizadas nestes pacientes. No entanto, pesquisas realizadas em diversos países indicam que o sangue colhido de doadores de reposição ou familiar é considerado inadequado mais freqüentemente do que os doadores voluntários não remunerados, apresentando risco potencial à segurança da oferta de sangue. A confiança em doadores familiares ou de reposição possui as seguintes desvantagens: 1 Familiares do paciente estão sob pressão para doar sangue, e podem omitir informações potencialmente importantes sobre seu estado de saúde, particularmente quanto ao risco de transmitir doenças infecciosas. 2 Familiares que não possam encontrar doadores em boas condições, ou que estejam motivados a doar podem procurar doadores de reposição que doem seu sangue em troca de pagamento. Doadores que são pagos pelafamília do paciente são menos propensos a revelar qualquer razão que possa torná-los inaptos à doação. doador de reposiçãodoador de reposiçãodoador de reposiçãodoador de reposiçãodoador de reposição: Doador que doa quando requisitado por um membro da família ou pela comunidade. Pode envolver um sistema de pagamento, no qual a família paga ao doador. S E Ç Ã O 1 15 3 Pode haver pressão para transfundir o sangue doado pelos doadores de reposição, mesmo que a transfusão seja clinicamente desnecessária, pois a família pode acreditar que este sangue deve ser usado somente em seu parente. 4 Num sistema de doação sangüínea de reposição, o sangue administrado aos pacientes não é reposto necessariamente com o mesmo tipo ou na mesma quantidade. Como resultado, as necessidades de sangue da comunidade podem não ser supridas adequadamente. Quando são utilizados doadores de reposição ou familiares, é essencial que os seguintes procedimentos de seleção e análise do doador sejam mantidos. 1 Todos os doadores devem ser testados antes da doação, para garantir que se encontram dentro do critério nacional de doadores de baixo risco. 2 Os doadores devem ser informados que seu sangue será usado para repor o estoque do banco de sangue, e não será somente administrado em seu parente ou conhecido. 3 Os procedimentos corretos de seleção e análise dos doadores, mesmo os familiares, devem estar sob estrito controle da equipe do serviço de transfusão sangüínea. Doadores profissionais ou pagos Doadores profissionais ou pagos recebem dinheiro ou outras recompensas (que podem ser trocadas por dinheiro) para a doação de sangue. Eles geralmente estão mais motivados pelo dinheiro que irão receber, do que pelo desejo de ajudar os outros. Freqüentemente doam sangue com regularidade, e algumas vezes possuem contrato com o banco de sangue para fornecerem sangue conforme um pagamento acordado. Alternativamente, podem vender seu sangue para mais de um banco de sangue, ou abordarem parentes de pacientes e tentarem vender seus serviços como doadores de reposição. Doadores remunerados apresentam um maior risco para a segurança do estoque de sangue pelas seguintes razões: 1 Doadores remunerados debilitam o sistema de doação voluntária não remunerada, que é a base da oferta de sangue seguro. 2 Geralmente são encontradas maiores taxas de incidência e de prevalência de infecções transmissíveis pela transfusão em doadores pagos. 3 São freqüentemente subnutridos, em péssimo estado de saúde, e podem doar seu sangue em intervalos menores que os recomendados. Isto pode ocasionar efeitos nocivos à sua própria saúde, assim como um maior risco aos receptores deste sangue, além de fornecerem pouco ou nenhum benefício. doadores prdoadores prdoadores prdoadores prdoadores profofofofofissionaisissionaisissionaisissionaisissionais ou pagosou pagosou pagosou pagosou pagos: Doam em troca de dinheiro ou outra forma de pagamento. U S O A P R O P R I A D O D O S A N G U E 16 4 Se os doadores são pagos, geralmente é necessário cobrar dos pacientes o sangue que eles receberam. Familiares com poucos recursos geralmente não são capazes de proporcionar o sangue que necessitam. 5 As bases éticas para os pagamentos individuais para doação de sangue (ou qualquer tecido ou órgão) são causas de discussão em diversos países. A obtenção comercial de sangue, plasma e órgãos freqüentemente leva a sérios abusos, e pode resultar em conseqüências adversas. Isto inclui a transmissão de infecções graves, tanto para o paciente, como para o próprio doador, devido a métodos impróprios de coleta. GesGesGesGesGestão com estão com estão com estão com estão com estttttoqoqoqoqoques limitados de sangueues limitados de sangueues limitados de sangueues limitados de sangueues limitados de sangue Quando há um estoque limitado de sangue, ou não é econômica a manutenção de um banco de sangue, pode haver uma séria pressão para diminuir os requisitos para fornecimento de sangue aos pacientes: por exemplo, os critérios corretos de seleção de doadores podem ser ignorados, ou os testes virológicos podem não ser realizados. Se isto ocorrer, você deve estar ciente que os riscos da transfusão aumentam, devendo-se ter responsabilidade sobre a decisão se uma transfusão e justificada clinicamente. Uma maneira de minimizar estes problemas é o banco de sangue hospitalar manter uma lista de doadores que possam ser contatados numa emergência, e que concordem ser testados regularmente, para que o seu sangue seja mais seguro quando coletado e utilizado numa emergência. Testes rápidos de triagem são desejáveis para a análise do sangue doado neste tipo de situação. Nos casos de inevitável atraso na liberação do sangue, a infusão de fluidos de reposição, alguma forma de transfusão autóloga, ou o salvamento intra-operatório (ver seção 12: Cirurgia & Anestesia) pode ser utilizado. Triagem para infecções transmissíveis por transfusão Os seguintes agentes infecciosos são transmissíveis pela transfusão sangüínea: Vírus da Imunodeficiência Humana Adquirida (HIV) Hepatite B Hepatite C Sífilis Doença de Chagas Malária Todo médico, ao prescrever sangue, deve estar consciente da ocorrência, distribuição e crescimento das infecções transmissíveis por transfusão, de forma a pesar riscos e benefícios desta prescrição. Novas infecções são chamadas “infecções emergentes”. O termo incidênciaincidênciaincidênciaincidênciaincidência descreve a freqüência de novas infecções numa população definida du- rante um determinado período de tempo. infinfinfinfinfecção trecção trecção trecção trecção transmissívelansmissívelansmissívelansmissívelansmissível por trpor trpor trpor trpor transfusãoansfusãoansfusãoansfusãoansfusão: Uma infecção que pode ser transmitida por transfusão sangüínea. infinfinfinfinfecção trecção trecção trecção trecção transmitida poransmitida poransmitida poransmitida poransmitida por trtrtrtrtransfusãoansfusãoansfusãoansfusãoansfusão: Uma infecção que tenha sido transmitida por transfusão sangüínea. incidênciaincidênciaincidênciaincidênciaincidência: A proporção de uma população definida que foi infectada por um determinado agente num determinado período. S E Ç Ã O 1 17 O termo prepreprepreprevvvvvalênciaalênciaalênciaalênciaalência descreve a proporção da população que em algum momento demonstrou evidência de infecção. A prevalência de um agente infeccioso, como o HIV, pode nos mostrar o que já aconteceu. Já a incidência nos mostra o que está acontecendo agora. A janela imunológicajanela imunológicajanela imunológicajanela imunológicajanela imunológica é o período durante o desenvolvimento de uma nova infecção numa pessoa previamente não infectada, no qual o sangue da pessoa pode ser infectante, porém não possui marcadores detectáveis. A probabilidade de infecção em período de janela imunológica é muito alta em populações com alta prevalência da infecção. No entanto, a prevalência de uma população pode ser baixa, pelo menos por um tempo, pois os indivíduos em risco ainda não foram expostos à infecção. Indivíduos expostos à infecção freqüentemente se tornam imunes ou resistentes a uma re-infecção pelo mesmo organismo. No entanto, diversas infecções como a hepatite B e C permanecem presentes no sangue; isto é considerado como um estado de portador crônico. O sangue dos portadores crônicos de hepatite B e C pode transmitir infecção aos seus receptores. O controle de qualidade e emprego de boas práticas de manufatura são essenciais para todas as áreas de triagem do sangue. 1 Cada unidade de sangue doado deve ser testada para infecções transmissíveis por transfusão usando-se os métodos mais efetivos e apropriados, de acordo com as políticas nacionais e a prevalência das infecções na população potencialmente doadora. 2 Todo sangue doado deve ser testado para: Anticorpospara HIV-1 e HIV-2 (anti-HIV-1, anti-HIV-2) Antígeno de superfície da Hepatite B (HBsAg) Anticorpo anti-treponêmico (sífilis) 3 Quando possível, todo sangue doado deve ser testado para: Hepatite C Doença de Chagas: em países onde seja comum Malária: em países de baixa prevalência quando os doadores viajaram para áreas endêmicas. 4 Nenhum sangue, nem produto sangüíneo, deve ser liberado até que todos os testes exigidos pelos padrões nacionais se mostrem negativos. A não ser em situações críticas de risco de vida, o sangue não deA não ser em situações críticas de risco de vida, o sangue não deA não ser em situações críticas de risco de vida, o sangue não deA não ser em situações críticas de risco de vida, o sangue não deA não ser em situações críticas de risco de vida, o sangue não deve ser liberve ser liberve ser liberve ser liberve ser liberadoadoadoadoado parparparparpara tra tra tra tra transfusão, a não ser que tenha sido obtido de doadores selecionadosansfusão, a não ser que tenha sido obtido de doadores selecionadosansfusão, a não ser que tenha sido obtido de doadores selecionadosansfusão, a não ser que tenha sido obtido de doadores selecionadosansfusão, a não ser que tenha sido obtido de doadores selecionados corretcorretcorretcorretcorretamente, e tesamente, e tesamente, e tesamente, e tesamente, e testttttado parado parado parado parado para infa infa infa infa infecções trecções trecções trecções trecções transmissíveis por transmissíveis por transmissíveis por transmissíveis por transmissíveis por transfusão, deansfusão, deansfusão, deansfusão, deansfusão, de acoracoracoracoracordo com as normas nacionais.do com as normas nacionais.do com as normas nacionais.do com as normas nacionais.do com as normas nacionais. prepreprepreprevvvvvalênciaalênciaalênciaalênciaalência: A proporção de uma população definida que foi infectada por um agente etiológico, sem delimitação de tempo. janela imunológicajanela imunológicajanela imunológicajanela imunológicajanela imunológica: O período de tempo entre a infecção e o desenvolvimento de um marcador laboratorial. U S O A P R O P R I A D O D O S A N G U E 18 O módulo 2: Triagem Para HIV e Outros Agentes Infecciosos na série de materiais de aprendizagem da OMS, Sangue e Produtos Sangüíneos Seguros, descreve como desenvolver um efetivo programa de triagem de infecções transmissíveis por transfusão. Grupo sangüíneo e testes de compatibilidade Cada hospital deve possuir procedimentos operacionais padrão para garantir que os componentes sangüíneos que serão transfundidos sejam compatíveis com as hemácias e os anticorpos séricos do receptor. Os tes- tes para compatibilidade sangüínea e classificação de grupos sangüíneos estão descritos em detalhes no Módulo 3: Sorologia de Grupos Sangüíneos na série de materiais de aprendizagem da OMS, Sangue e Produtos Sangüíneos Seguros. ATIVIDADE 1 O objetivo da primeira atividade é ajudá-lo a avaliar a segurança dos produtos sangüíneos disponíveis para transfusão em seu hospital, e pesar riscos e benefícios para cada paciente. Converse com a equipe do banco de sangue para conseguir informações para as seguintes questões. 11111 PrePrePrePrePrevvvvvalência de agentalência de agentalência de agentalência de agentalência de agentes infes infes infes infes infecciososecciososecciososecciososecciosos Qual é a prevalência de HIV, Hepatite B, Hepatite C, sífilis e qualquer outra infecção transmissível por transfusão que possua importância em seu país nas seguintes populações: População doadora de sangue População geral da mesma distribuição etária? 22222 Tipos de doador de sangueTipos de doador de sangueTipos de doador de sangueTipos de doador de sangueTipos de doador de sangue Qual porcentagem do sangue fornecido ao seu hospital doado por: Doadores voluntários não remunerados Doadores de reposição ou familiares Doadores remunerados? 33333 TTTTTriagem para infriagem para infriagem para infriagem para infriagem para infecções transmissívecções transmissívecções transmissívecções transmissívecções transmissíveis por transfusãoeis por transfusãoeis por transfusãoeis por transfusãoeis por transfusão Quão efetivo são os procedimentos para triagem do sangue fornecido ao seu hospital? Quais testes para marcadores de doenças infecciosas que são realizados no sangue fornecido ao seu hospital, ou colhido pelo banco de sangue do hospital? Estes testes são sempre realizados? Há algum fator que possa afetar a efetividade da triagem para agentes infecciosos, tais como estoques inadequados ou irregulares de kits ou condições ruins de armazenamento ? 44444 TTTTTesesesesesttttte de come de come de come de come de compatibilidadepatibilidadepatibilidadepatibilidadepatibilidade O sangue é testado rotineiramente para compatibilidade antes da transfusão? S E Ç Ã O 1 19 55555 OutrOutrOutrOutrOutros fatos fatos fatos fatos fatores qores qores qores qores que influenciam a segurança dos esue influenciam a segurança dos esue influenciam a segurança dos esue influenciam a segurança dos esue influenciam a segurança dos estttttoqoqoqoqoques sangüíneosues sangüíneosues sangüíneosues sangüíneosues sangüíneos Há um estoque adequado de produtos estéreis, como seringas, agulhas, e soluções intravenosas? Há instalações para o descarte seguro por incineração para prevenir o roubo e reutilização? A seção 6: Procedimentos Clínicos Transfusionais aborda diversos aspectos da segurança sangüínea em maiores detalhes. A seção 7: Efeitos Adversos da Transfusão concentra-se nas complicações agudas e tardias de uma transfusão, incluindo as infecções transmissíveis por sangue. Sangue total e componentes sangüíneos A maioria das necessidades trA maioria das necessidades trA maioria das necessidades trA maioria das necessidades trA maioria das necessidades transfusionais em situações de risco à vida podeansfusionais em situações de risco à vida podeansfusionais em situações de risco à vida podeansfusionais em situações de risco à vida podeansfusionais em situações de risco à vida pode ser atser atser atser atser atendida de fendida de fendida de fendida de fendida de forma segurorma segurorma segurorma segurorma segura e efa e efa e efa e efa e efeeeeetivtivtivtivtiva pelo sangue ta pelo sangue ta pelo sangue ta pelo sangue ta pelo sangue totototototal.al.al.al.al. O abastecimento de um estoque de sangue e componentes sangüíneos seguros para transfusão é oneroso. A produção de sangue total envolve um significativo gasto de capital nos processos laboratoriais e de refrigeração das unidades. Além disso, há gastos periódicos, particularmente com o treinamento da equipe e insumos necessários, como as bolsas plásticas para coleta de sangue e reagentes. O Custo dos Serviços de Transfusão Sangüínea (OMS 1998) fornece um guia passo-a-passo para analisar os custos de um serviço de transfusão sangüínea. O processo de separar os componentes sangüíneos a partir do sangue total, e a coleta de plasma ou plaquetas por aférese são ainda mais caros que o sangue total. A produção de derivados de plasma envolve grande investimento financeiro e gastos recorrentes. A produção de componentes sangüíneos, e a disponibilidade de derivados de plasma possibilitam um amplo espectro de terapias a um maior número de pacientes, sendo geralmente mais custo-efetivas. No entanto, é importante lembrar que onde os recursos são limitados, o uso de sangue total pode ser mais custo-efetivo. 1.3 Pré-requisitos para o uso clínico apropriado do sangue A transfusão sempre acarreta um risco potencial para o receptor, mas este pode ser minimizado pelo uso apropriado do sangue. A decisão de transfundir sangue ou componentes sangüíneos sempre deve ser baseada numa análise cuidadosa das indicações clínicas e laboratoriais que demonstrem a necessidade da transfusão sangüínea. No entanto, apesar de quea responsabilidade final desta decisão deva recair sobre U S O A P R O P R I A D O D O S A N G U E 20 quem prescreve o sangue, o uso apropriado de sangue e produtos sangüíneos não pode ser isolado de outros elementos do sistema de saúde. Somente pode ser possível como parte de uma estratégia integrada em que existam os seguintes elementos: 1 Uma política nacional do uso clínico do sangue, com apropriadas estratégias reguladoras. 2 Um comprometimento das autoridades sanitárias responsáveis pelos serviços prestadores de saúde, assim como aos clínicos na prevenção, diagnóstico precoce e tratamento efetivo das condições que possam levar à necessidade de transfusão sangüínea, ao fortalecerem estratégias de saúde pública e programas de atenção primária de saúde. 3 Um serviço coordenador nacional das transfusões de sangue, que seja capaz de fornecer estoques seguros, adequados e rápidos de sangue e componentes sangüíneos. 4 A promoção e disponibilização de: Alternativas simples a transfusões: soluções intravenosas (cristalóides e colóides) para correção de hipovolemia Cuidados médicos e farmacêuticos para diminuir as necessidades transfusionais Materiais estéreis disponíveis para coleta de amostras, injeções e infusões. 5 Manuais nacionais do uso clínico do sangue para auxiliar os médicos que prescrevam sangue em suas decisões clínicas sobre transfusão. Estes devem incluir em seu conteúdo: Pedido de requisição de sangue padronizado Esquema de liberação de sangue Procedimentos operacionais padrão para todas as etapas da clínica transfusional Informações sobre características específicas de produtos sangüíneos, derivados de plasma, soluções intravenosas e medicamentos. Indicações clínicas e laboratoriais de transfusão 6 Um comitê nacional para uso clínico de sangue 7 Um comitê transfusional hospitalar em cada serviço que utilizar sangue ou produtos sangüíneos. 8 Educação e treinamento no uso clínico efetivo de sangue e produtos sangüíneos para todos os clínicos e a equipe do banco de sangue envolvida no processo de uma transfusão. 9 Prática transfusional clínica de acordo com os manuais nacionais do uso clínico do sangue. 10 Monitorização e avaliação do uso clínico do sangue. S E Ç Ã O 1 21 U S O A P R O P R I A D O D O S A N G U E ATIVIDADE 2 O que está faltando para o uso clínico apropriado de sangue e produtos sangüíneos em seu serviço? Associe aos elementos descritos acima. Estes estão presentes em seu município ou estado? Identifique os elementos que estão faltando. 1.4 Princípios da prática clínica transfusional A transfusão é somente uma parte do tratamento de um paciente. É importante lembrar que as necessidades transfusionais podem ser geralmente minimizadas pelas seguintes formas. 1 Prevenção, diagnóstico precoce e tratamento da anemia e das condições que causem anemia. Os níveis de hemoglobina do paciente podem ser freqüentemente elevados pela ingestão de ferro e vitaminas, sem a necessidade da transfusão. As transfusões de hemácias somente são necessárias em anemias crônicas, quando os efeitos estão graves a ponto de exigirem uma rápida elevação da hemoglobina. 2 A correção da anemia e dos estoques de ferro antes de uma cirurgia eletiva. 3 O uso de soluções cristalóides ou colóides nos casos de perda aguda sangüínea. 4 Uma boa anestesia e controle de sangramento cirúrgico, incluindo: Uso das melhores técnicas cirúrgicas e anestésicas para diminuir a perda de sangue durante o ato Interrupção do uso de anticoagulantes ou drogas anti- agregantes plaquetárias antes de uma cirurgia eletiva, quando isto for possível Diminuição da coleta de amostras para uso laboratorial, principalmente em crianças Utilização de técnicas de recuperação de sangue autólogo in- tra-operatória Utilização de drogas alternativas, tais como a desmopressina, aprotinina e eritropoetina. A transfusão, quando pedida, não pode estar isolada dos outros cuidados do paciente. A figura 1.1 sumariza os pontos principais da prática clínica transfusional. ATIVIDADE 3 Há manuais locais ou nacionais da prática clínica transfusional em seu hospital? Se há, eles são utilizados nas suas decisões sobre prescrição de sangue? 22 S E Ç Ã O 1 Figura 1.1; Princípios da prática clínica transfusional Se não existem manuais, tente encontrar um que tenha sido desenvolvido em seu país, que possa ser utilizado ou adaptado ao seu serviço. Como um médico que prescreve sangue e produtos sangüíneos, você pode influenciar a maneira que estes são utilizados. As melhorias obtidas com a sua prática, e com a daqueles com quem você trabalha podem produzir efeito significativo na diminuição dos riscos transfusionais em seus pacientes. PONTPONTPONTPONTPONTOS PRINCIPOS PRINCIPOS PRINCIPOS PRINCIPOS PRINCIPAISAISAISAISAIS 1 A transfusão é somente parte do tratamento do paciente. 2 A prescrição deve ser baseada em manuais nacionais do uso clínico do sangue, levando-se em conta as necessidades individuais de cada paciente. 3 A perda de sangue deve ser minimizada para reduzir as necessidades transfusionais do paciente. 4 Paciente com perda aguda de sangue deve receber efetiva ressuscitação (fluidos de reposição intravenosos, oxigênio, etc.) enquanto a transfusão estiver sendo preparada. 5 O nível de hemoglobina do paciente, embora importante, não deve ser fator decisivo para se iniciar uma transfusão. Esta decisão deve ser embasada nos sinais clínicos e na prevenção de significante morbidade e mortalidade. 6 O clínico deve ser alertado sobre os riscos de infecções transmissíveis por transfusão dos hemocomponentes que estejam disponíveis. 7 A transfusão somente deve ser prescrita quando os benefícios para o paciente sobrepuserem os riscos. 8 O clínico deve registrar claramente a razão da prescrição da transfusão. 9 Uma pessoa treinada deve monitorar a transfusão do paciente para notar imediatamente se ocorrer qualquer reação adversa. Alguns fatores para garantir o adequado uso do sangue, tais como programas pré-natais efetivos e disponibilização de fluidos de reposição intravenosos, estarão em suas mãos. No entanto, este módulo foi desenhado para ajudá-lo a encontrar maneiras de melhorar o impacto trans- fusional em seus pacientes. Mesmo sendo pequena a sua contribuição, você pode fazer parte do processo de tornar possível o uso clínico adequado do sangue. 23 2 Sangue, oSangue, oSangue, oSangue, oSangue, oxigênio exigênio exigênio exigênio exigênio e circulaçãocirculaçãocirculaçãocirculaçãocirculação Pontos chave 1 O sangue é composto por: Glóbulos vermelhos (hemácias), que contêm hemoglobina, cuja função primária é o armazenamento e transporte do oxigênio para os tecidos Glóbulos brancos, cujo principal papel é identificar, destruir e remover qualquer produto estranho que tenha penetrado no organismo Plaquetas, que atuam principalmente no mecanismo de coagulação sangüínea 2 Para garantir um constante aporte de oxigênio para os tecidos e órgãos do corpo, são necessárias quatro etapas importantes: Transferência de oxigênio dos pulmões para o plasma sangüíneo Armazenamento de oxigênio nas moléculas de hemoglobina dentro dos glóbulos vermelhos Transporte de oxigênio para os tecidos do corpo pela via circulatória Liberação do oxigênio do sangue para os tecidos, onde pode ser utilizado 3 A oferta total de sangue nos tecidos é dependente da: Concentração de hemoglobina Grau de saturação da hemoglobina com oxigênio Débito cardíaco 24 S E Ç Ã O 2 Introdução Esta seção ressalta certos aspectos da fisiologia circulatória e respiratória que apresentam uma ação direta na utilização clínica dos produtos sangüíneos. Somente com um conhecimento sólido dos princípios fisiológicose mecanismos que controlam a saúde é que se pode tomar decisões no tratamento de doenças. A Seção 2 não pretende ser uma revisão completa da fisiologia, e é aconselhado complementar as informações aqui presentes com textos mais aprofundados. Contudo, fornecerá uma fonte de referência para os materiais discutidos em seções posteriores. Objetivos do estudo Quando completar esta seção, você deverá estar apto a: 1 Descrever como os diferentes fluidos do corpo estão organizados e distribuídos. 2 Explicar a composição e a função do sangue. 3 Descrever o processo envolvendo o papel do sangue na manutenção da oferta constante de oxigênio para os tecidos do corpo. 25 S A N G U E , O X I G Ê N I O E C I R C U L A Ç Ã O 2.1 Fluidos corporais e compartimentos Fluidos A água é o maior constituinte do corpo, e compreende aproximadamente 60% do peso corpóreo de um adulto, e mais ou menos 70-80% do peso de uma criança. O peso remanescente do corpo é constituído por proteínas, gorduras, açúcares e minerais, que estão distribuídos na água, formando os fluidos corpóreos. Compartimentos Os fluidos corpóreos estão contidos em dois compartimentos: Dentro das células, no fluido compartimental intracelular (ICF) Fora das células, no fluido compartimental extracelular (ECF) O fluido compartimental extracelular é subdividido em duas partes, que são: O plasma circulante que está confinado no sistema vascular eeeee O fluido intersticial, que se encontra fora dos vasos sangüíneos e circunda as células Os diferentes fluidos compartimentais são separados por membranas formadas pelas paredes celulares, separando os fluidos intracelulares e intersticiais, ou as paredes capilares, separando o plasma dos fluidos intersticiais. As paredes especializadas de capilares da pele, intestinos, rins e pulmões também separam o plasma do ambiente externo do corpo. Veja a figura 2.1. Figura 2.1: Compartimentos dos fluidos corporais Movimento de fluidos Há consideráveis diferenças na composição dos fluidos de cada compartimento, como mostra a figura 2.2. No entanto, embora a composição de cada fluido seja rigorosamente mantida, há um contínuo movimento de grandes quantidades de água e outras substâncias entre os compartimentos. AmbientAmbientAmbientAmbientAmbiente exte exte exte exte externoernoernoernoerno Pele, pulmões, intestinos e rins Membrana da parede capilar Membrana celular Fluido extracelular Plasma sangüíneo Plasma sangüíneo Plasma sangüíneo Plasma sangüíneo Plasma sangüíneo ( 5% do peso corpóreo) Fluido int Fluido int Fluido int Fluido int Fluido intererererersssssticialticialticialticialticial ( 15% do peso corpóreo) Fluido intrFluido intrFluido intrFluido intrFluido intracelularacelularacelularacelularacelular (40% do peso corpóreo) 26 S E Ç Ã O 2 Plasma Fluido intersticial Fluido intracelular mEq/L (mmol / L) mEq/L (mmol / L) mEq/L (mmol / L) Na+ 142 (142) 144 (144) 10 (10) K+ 4 (4) 4 (4) 160 (160) Ca2+ 5 (2,5) 2,5 (1,25) 3 (1,5) Mg2+ 2 (1) 1 (0,5) 26 (13) Cl- 102 (102) 114 (114) 2 (2) HCO3 - 26 (26) 30 (30) 8 (8) PO4 2- 2 (1) 2 (1) 114 (57) SO4 2- 1 (0,5) 1 (0,5) 20 (10) Ácido orgânico 6 mmol/L 5 mmol/L 0 mmol/L Proteínas 16 mmol/L 2 mmol/L 55 mmol/L O tipo e a quantidade de substâncias que se movem entre os compartimentos depende da natureza da membrana que os separa, e as forças que estão aplicadas sobre as substâncias. Forças Há diversas forças produzindo movimento das substâncias através das membranas, por exemplo: 11111 DifusãoDifusãoDifusãoDifusãoDifusão, na qual as substâncias passam de uma área de maior concentração para uma área de menor concentração. 22222 FiltraçãoFiltraçãoFiltraçãoFiltraçãoFiltração, onde os fluidos são forçados através de uma membrana sob pressão. 33333 TTTTTransporransporransporransporransporttttte ative ative ative ative ativooooo, onde certas substâncias são especificamente “bombeadas” pela membrana. 44444 OsmoseOsmoseOsmoseOsmoseOsmose, o processo no qual há movimento livre das substâncias, tais como a água, que atravessam a membrana em direção onde houver maior concentração de moléculas cuja membrana seja impermeável. Estas moléculas são chamadas de “ativadoras osmóticas”. Nos fluidos corpóreos estão incluídos os eletrólitos sódio, potássio, cloretos e as proteínas. Há uma relativa concentração de partículas ativas osmoticamente no outro lado da membrana que influencia o movimento da água através de osmose. Composição O plasma e fluidos intersticiais possuem composição eletrolítica similar; os íons de cálcio e sódio são na maioria extracelular. No entanto, a composição protéica difere de forma marcante com o plasma, que contém maior quantidade de proteínas do que o fluido intersticial. Estas são conhecidas como proteínas plasmáticas. As proteínas plasmáticas são compostas por uma grande quantidade de moléculas, em que as membranas são normalmente impermeáveis, das quais a mais abundante é a albumina. Figura 2.2: Composição eletrolítica dos fluidos intra e extra- celulares 27 S A N G U E , O X I G Ê N I O E C I R C U L A Ç Ã O Os fluidos intracelulares também contêm altas concentrações de proteínas, mas diferem do plasma e do fluido intersticial pelo seu principal eletrólito, o potássio, como mostra a figura 2.2. Regulação O plasma contém mais proteínas osmoticamente ativas do que o fluido intersticial. Portanto, há uma maior tendência da água de se movimentar do plasma para o fluido intersticial. Isto é chamado de pressão oncótica. No entanto, devido à pressão sangüínea, há uma tendência da água percorrer o sentido contrário, do plasma para o fluido intersticial, causando filtração da água através da membrana. Isto é chamado de pressão hidrostática. O balanço entre duas forças opostas, pressão oncótica e hidrostática, determina o movimento final da água através da parede capilar, e, portanto, há uma grande influência no volume de plasma, como mostra a figura 2.3. A regulação do conteúdo e volume da água no compartimento intracelular é extremamente dependente das forças oncóticas, mas são, primariamente, o resultado da diferença de concentrações de sódio e potássio entre os fluidos intersticial e intracelular. Estas concentrações são ativamente controladas pela bomba sódio-potássio na membrana celular. 2.2 Sangue O sangue é composto por plasma, no qual as seguintes células especializadas estão suspensas (veja figura 2.4): Glóbulos vermelhos (eritrócitos) Glóbulos brancos (leucócitos) Plaquetas Todas as células sangüíneas desenvolvem-se a partir de células precursoras ou progenitoras, produzidas principalmente na medula óssea. O plasma contém proteínas, substâncias químicas, fatores de coagulação e diversas substâncias metabólicas. É capaz de coagular. Figura 2.3: Movimento de fluidos através da parede capilar 28 S E Ç Ã O 2 Figura 2.4: Composição do sangue Figura 2.5: Cálculo do volume sangüineo Volume sangüíneo total O volume ocupado por células e plasma no sistema vascular é chamado volume sangüíneo total ou volemia. Num adulto, corresponde a aproximadamente 7% do peso corpóreo ou 70 ml/kg. Por exemplo, um homem de 60 kg possui volemia de 70 x 60, totalizando 4200 ml. Numa criança, devido ao maior peso de água, a volemia é calculada como sendo 8% do peso corpóreo ou 80 ml/kg. Num neonato, este volume é calculado como 85-90 ml/kg (veja a figura 2.5). Faixa etária Volume sangüíneo (volemia) Neonatos 85-90 ml/kg Crianças 80 ml/kg Adultos 70 ml/kg ATIVIDADE 4 1 Calcular a volemia dos adultos nos seguintes pesos corpóreos: 40 kg 50 kg 60 kg 70 kg 80 kg 90 kg 100 kg 2 Repita estes cálculos para crianças com peso corpóreo variando de 10 kg a 40kg. Glóbulos Vermelhos Os glóbulos vermelhos (eritrócitos)são produzidos na medula óssea sob influência do hormônio renal eritropoetina. Depois da entrada na corrente sangüínea, possuem uma meia-vida de aproximadamente 120 dias antes de serem destruídos pelo sistema reticulo-endotelial. Os eritrócitos contêm um pigmento com ferro, a hemoglobina, cuja função principal é o armazenamento e transporte de oxigênio. 29 S A N G U E , O X I G Ê N I O E C I R C U L A Ç Ã O A molécula de hemoglobina é composta de quatro subunidades, cada uma com um anel contendo ferro circundando a cadeia peptídica. A molécula de hemoglobina possui quatro cadeias de peptídeos dispostas em dois pares, como mostra a figura 2.6. Figura 2.6: Molécula normal de hemoglobina (HbA) Na hemoglobina de um adulto normal (HbA), duas dessas cadeias são do tipo alfa e duas são do tipo beta. Cada subunidade da hemoglobina pode se ligar de forma reversível com uma molécula de oxigênio. Desta maneira, cada molécula de hemoglobina pode se combinar no máximo com quatro moléculas de oxigênio. A hemoglobina geralmente é medida em gramas por decilitro (g/dl) ou gramas por litro (g/L) de sangue. Nos homens adultos, o valor normal é de aproximadamente 14 g/dl, e o de mulheres 13 g/dl. Os glóbulos vermelhos são a maioria das células sangüíneas, e normalmente ocupam cerca de 45% do volume sangüíneo total. Glóbulos brancos Os glóbulos brancos (leucócitos) são uma família de células, constituída por: Granulócitos Linfócitos Monócitos. São produzidos na medula óssea e tecido linfático. Seu principal papel no sangue é identificar, destruir e remover qualquer material estranho que tenha entrado no organismo. Portanto, estas células são importantes na defesa contra infecções e desenvolvimento de resistência a infecções em resposta à exposição natural ou imunização. Os glóbulos brancos ocupam menos de 1% do volume total sangüíneo. Plaquetas As plaquetas são pequenos fragmentos (megacariócitos), que são produzidos na medula óssea, e contêm enzimas e outras substâncias ativas biológicas (mediadores). Sua função é responder a qualquer dano da parede vascular, através de uma aglomeração no sítio da lesão, formando um tampão plaquetário inicial e temporário, e liberando seu conteúdo no sangue. 30 S E Ç Ã O 2 A liberação do conteúdo plaquetário é um dos principais responsáveis pelo subseqüente processo de coagulação, por ativação do mecanismo de coagulação sangüínea, que resulta num depósito permanente de tampão de fibrina no sítio da lesão, prevenindo sangramentos posteriores. Coagulação Hemostasia normal A hemostasia normal é necessária para manter o fluxo do sangue no sistema vascular. Envolve a interação de vasos, plaquetas, fatores de coagulação e a limitação do coágulo e da fibrinólise. Distúrbios de sangramento e da coagulação são o resultado da falência dos mecanismos hemostáticos. Hemostasia primária A parede do vaso é a primeira linha de defesa para a hemostasia normal. Em pequenos vasos, a vasoconstrição desempenha um papel inicial na hemostasia. Quando o endotélio vascular é danificado, as plaquetas aderem ao colágeno exposto, microfibrilas e membrana basal. Uma vez aderidas as plaquetas ao tecido subendotelial, elas liberam uma grande variedade de mediadores. Alguns desses mediadores promovem a vasoconstrição, e todos os outros atraem outras plaquetas, a fim de formar um agregado chamado de tampão primário plaquetário. O fator plaquetário III é exposto durante a formação do trombo plaquetário, e acelera a formação de trombina (trombo). Hemostasia secundária A coagulação sangüínea é uma série de reações enzimáticas envolvendo proteínas plasmáticas, fosfolipídios e íons de cálcio, que transformam o sangue circulante num gel insolúvel pela captura na rede de fibrina. A rede de fibrina aumenta e ancora o trombo envolvido no sítio de lesão. O mecanismo de coagulação sangüínea envolve uma série complexa de passos, ou cascatas, nas quais proteínas plasmáticas específicas, chamadas fatores de coagulação, são ativados em seqüência. Os fatores de coagulação são classificados pelo número (I, II, III, etc.), e também por alguns nomes: por exemplo, Fator de Christmas (Christmas era o nome do primeiro paciente no qual se detectou a deficiência de um fator conhecido hoje como fator IX) e fator anti-hemofílico (Fator VIII). Veja as Seções 9.9 e 9.10. Duas diferentes cascatas envolvem fatores da coagulação (conhecidas como intrínseca e extrínseca) que podem ser separadas pelo início do mecanismo de coagulação, resultando numa proteína solúvel chamada fibrinogênio, que é convertida em trombo de fibrina (veja a figura 2.7 na página 31). Fibrinólise Durante o mecanismo normal de hemostasia, o processo de limitação do sangramento ocorre através de diversos mecanismos. Os mais importantes são: 1 Remoção dos fatores ativados de coagulação por fluxo sangüíneo através da coagulação. fffffibrinogênioibrinogênioibrinogênioibrinogênioibrinogênio: A maior proteína coagulante do plasma. Convertido em fibrina (insolúvel), sob ação da trombina. 31 S A N G U E , O X I G Ê N I O E C I R C U L A Ç Ã O 2 Inativação dos fatores de coagulação por inibidores da circulação. 3 Consumo de plaquetas e fatores de coagulação pelo processo de coagulação. 4 Degradação do coágulo por enzimas fibrinolíticas e plasmina (fibrinólise). A fibrinólise depende da ativação seqüencial de proteínas específicas plasmáticas, cujo resultado é a formação de enzima proteolítica plasmina no sangue. A função da plasmina é dissolver o coágulo de fibrina formado no vaso. Estes mecanismos compensam o processo de coagulação e previnem a coagulação descontrolada do sangue. Se estes processos falharem, desenvolve-se uma coagulação anormal (trombose). 2.3 Aporte de oxigênio ao corpo Uma das principais bases fisiológicas é garantir um constante aporte de oxigênio para ser liberado aos tecidos e órgãos, de maneira a preservar a vida. Para realizar isto, quatro passos importantes são necessários: 1 Transferência de oxigênio dos pulmões para o plasma sangüíneo. 2 Armazenamento de oxigênio na molécula de hemoglobina nos glóbulos vermelhos. 3 Transporte de oxigênio dos tecidos para o corpo pela via circulatória. 4 Liberação do oxigênio do sangue para os tecidos, onde possa ser utilizado. Transferência de oxigênio dos pulmões para o plasma Pressão parcial O ar que respiramos contém cerca de 21% de oxigênio. Os 79% restantes são compostos de nitrogênio, junto com pequenas quantidades de outros gases, como o dióxido de carbono. O peso (ou a massa) destes gases exerce prprprprprodutodutodutodutodutos de degros de degros de degros de degros de degradaçãoadaçãoadaçãoadaçãoadação da fda fda fda fda fibrinaibrinaibrinaibrinaibrina: fragmentos de fibrina formados pela ação das enzimas fibrinolíticas. Níveis elevados no sangue é um dos sinais de CIVD. Figura 2.7: Coagulação e fibrinólise 32 S E Ç Ã O 2 uma pressão sobre o corpo e os pulmões, conhecida como pressão atmosférica. Cada gás individual no ar, em proporção à sua porcentagem, contribui em parte com a pressão atmosférica. A pressão atmosférica ao nível do mar é de 760 mmHg (101 kPa), e a pressão parcial de oxigênio em 21% de 760 mmHg, é de cerca de 160 mmHg (21kPa). Ventilação Quando inspiramos, o ar inicialmente se torna umedecido nas vias aéreas superiores, e então é transferido por ventilação aos alvéolos pulmonares. Estes dois eventos reduzem a pressão parcial do oxigênio, de 160 mmHg (21kPa) a aproximadamente 100 mmHg (13,3 kPa) no alvéolo. A maior causa desta redução é a difusão dos gases metabólicos perdidos (dióxido de carbono) do sangue para o pulmão, provocando o efeito de “diluição” da pressão parcial de oxigênio no alvéolo. Difusão A pressão parcial de oxigênio nos alvéolos constitui a força diretriz, resultando na transferência, por difusão, do oxigênio parao sangue. Os gases propagam de áreas de alta pressão para as de baixa pressão. Como já foi notado, a pressão parcial de oxigênio no alvéolo é de 100 mmHg (13,3 kPa), porém somente 40 mmHg (5,3 kPa) dos capilares pulmonares retornam do sangue para os tecidos. O oxigênio rapidamente se propaga através da membrana alvéolo-capilar para se dissolver no plasma da circulação pulmonar. Em indivíduos saudáveis, o equilíbrio é próximo entre os alvéolos e a pressão parcial plasmática, conseqüentemente, a pressão parcial de oxigênio numa artéria deve ser de aproximadamente 98 mmHg (13 kPa). Veja a figura 2.8. Distúrbios Em certas circunstâncias e doenças, pode ocorrer uma queda anormal da pressão parcial de oxigênio arterial. Isto é algumas vezes chamado de hipóxia hipóxicahipóxia hipóxicahipóxia hipóxicahipóxia hipóxicahipóxia hipóxica. Pode ser causada por: Uma baixa pressão parcial de oxigênio no ar inspirado, como ocorre quando respiramos gases contendo menos de 21% de oxigênio. Ventilação inadequada, como a que ocorre na depressão respiratória, quando o dióxido de carbono acumulado no pulmão reduz a pressão parcial de oxigênio no alvéolo e, conseqüentemente, no sangue. Sério desequilíbrio entre a ventilação e fluxo sangüíneo pulmonar, como os que podem ocorrer num colapso das vias aéreas e pneu- monia (shunt). Um problema de difusão do oxigênio através da membrana alvéolo- capilar, como por exemplo, no edema pulmonar. hipóxia hipóxicahipóxia hipóxicahipóxia hipóxicahipóxia hipóxicahipóxia hipóxica: Redução do aporte de oxigênio aos tecidos, devido ao aporte inadequado de oxigênio dos pulmões às hemácias. 33 S A N G U E , O X I G Ê N I O E C I R C U L A Ç Ã O Armazenamento de oxigênio no sangue Hemoglobina O armazenamento de oxigênio no sangue depende quase que inteiramente da presença de hemoglobina nos glóbulos vermelhos. A hemoglobina possui a capacidade de se combinar ao oxigênio, de maneira a aumentar o processo de transporte do oxigênio pelo sangue em 70 vezes. Sem isto, o oxigênio dissolvido no plasma pode ser totalmente inadequado para suprir a demanda dos tecidos. Cada grama de hemoglobina pode transportar um máximo de 1,36 ml de oxigênio. Neste estado, quase 100% das moléculas estão saturadas de oxigênio. Portanto, num indivíduo com hemoglobina de 15 g/dl, que esteja com saturação quase completa, a cada 100 ml de sangue arterial estão presentes 20 ml de oxigênio (1,36 x 15). Plasma O plasma carrega somente 0,3 ml de oxigênio dissolvido a cada 100 ml, quando o indivíduo está respirando normalmente. No entanto, se a concentração de oxigênio inspirada estiver aumentada, o total de oxigênio carregado pelo plasma também estará aumentado. Pressão parcial e saturação Uma vez que o oxigênio seja dissolvido do alvéolo para o plasma da circulação pulmonar, o oxigênio com a sua mais alta pressão parcial (98 mmHg / 13 kPa) rapidamente atravessa os glóbulos vermelhos e se liga às Figura 2.8: Transferência de oxigênio 34 S E Ç Ã O 2 moléculas de hemoglobina, até que estas estejam quase totalmente saturadas. Normalmente, a hemoglobina do sangue arterial possui uma saturação de oxigênio de cerca de 97%. A relação entre a pressão parcial de oxigênio do plasma, e o grau de saturação de hemoglobina, é dada pela curva de dissociação do oxigênio, como mostra a figura 2.9. Esta curva demonstra a capacidade única da hemoglobina de se combinar com o oxigênio em alta pressão parcial nos pulmões, e então, a perda desta afinidade em baixas pressões parciais nos tecidos, com a liberação do oxigênio para os mesmos. Diversos fatores podem alterar a posição da curva. Alguns a movem para a direita, reduzindo a afinidade da hemoglobina e facilitando a liberação de oxigênio para os tecidos. Outros a movem para a esquerda, aumentando a afinidade pelo oxigênio e garantindo a saturação de hemoglobina nos capilares pulmonares. Distúrbios A capacidade de transportar oxigênio depende de: Total de hemoglobina presente no sistema vascular Grau de saturação com oxigênio. A redução da concentração de hemoglobina, como ocorre na anemia, produz significantes reduções na capacidade total de transportar oxigênio do sangue. Isto pode ser chamado de hipóxia anêmicahipóxia anêmicahipóxia anêmicahipóxia anêmicahipóxia anêmica. Além disso, a falência da saturação adequada da hemoglobina presente, por causa de um distúrbio de afinidade pelo oxigênio, também reduz a capacidade de transporte de oxigênio do sangue: por exemplo metahemoglobinemia, carboxihemoglobinemia e algumas hemoglobinopatias congênitas. Figura 2.9: A curva de dissociação do oxigênio, pH 7,40, temperatura 38ºC hipóxia anêmicahipóxia anêmicahipóxia anêmicahipóxia anêmicahipóxia anêmica: Redução da oferta de oxigênio aos tecidos, devido à diminuição da hemoglobina nos glóbulos vermelhos. p0p0p0p0p022222 p0p0p0p0p022222 % satur% satur% satur% satur% saturaçãoaçãoaçãoaçãoação (mmHg)(mmHg)(mmHg)(mmHg)(mmHg) (kP(kP(kP(kP(kPa)a)a)a)a) de Hbde Hbde Hbde Hbde Hb 10 1,3 13,5 2 0 2,7 35,0 3 0 4,0 57,0 4 0 5,3 75,0 5 0 6,6 83,5 6 0 8,0 89,0 7 0 9,3 92,7 8 0 10,6 94,5 9 0 12,0 96,5 100 13,3 97,5 35 Transporte de oxigênio para os tecidos Uma vez que a hemoglobina se torna saturada com oxigênio na circulação pulmonar, este precisa ser transportado no sangue pela circulação sistêmica para chegar aos capilares teciduais. Controle do fluxo sangüíneo tecidual A regulação do fluxo sangüíneo na circulação é controlada principalmente pelos próprios tecidos e órgãos. A entrada de sangue pelos capilares de um órgão progressivamente depleta seu oxigênio, e aumenta os níveis de dióxido de carbono e outros produtos metabólicos. Estas mudanças locais na bioquímica do sangue controlam o grau de vasodilatação no órgão, que influencia o fluxo sangüíneo. Se o órgão está trabalhando muito, aumenta a vasodilatação dos capilares, aumentando o fluxo sangüíneo e, conseqüentemente, o total de oxigênio e nutrientes liberados no tecido. Controle do débito cardíaco Qualquer aumento local de fluxo sangüíneo em órgãos ou tecidos deve ser acompanhado por um aumento correspondente no total de sangue bombeado pelo coração, ou débito cardíaco. Isto se realiza da seguinte maneira. A vasodilatação dos capilares de um órgão causa um aumento do fluxo sangüíneo venoso proveniente daquele órgão. Em contrapartida, isto aumenta o volume venoso sangüíneo retornando ao coração, ou retorno venoso. Este aumento é o principal responsável pela elevação do débito cardíaco para aumentar a oferta de oxigênio para o órgão. Conforme o coração fica mais cheio e distendido com sangue venoso, ele promove uma contração com maior força, que resulta num aumento do débito cardíaco. Isto é conhecido como o mecanismo de Frank-Starling, como mostra a figura 2.10. Figura 2.10: O Mecanismo Frank-Starling S A N G U E , O X I G Ê N I O E C I R C U L A Ç Ã O 36 Por outro lado, se o retorno venoso diminui, o coração se torna menos distendido, e sua força de contração e débito cardíaco diminuirão. Portanto, o débito cardíaco se ajusta automaticamente conforme o retorno venoso. Somado a este mecanismo, o débito cardíaco pode ser elevado pela estimulação dos nervos simpáticos, que aumentam a força de contração cardíaca e o número de batimentos. Retorno venoso Além das mudanças locais do fluxo sangüíneo, a manutenção de um suficiente retorno venoso ao coração depende de diversos outros fatores, tais como: Um adequado volume circulante sangüíneo O efeito da gravidade O efeito de bomba dos músculos e da caixa torácica A mobilização de reservas de sangue venoso por estimulação nervosa simpática. O fator mais importante é o adequado volume sangüíneo circulante. Se este diminui de forma significativa (por exemplo, uma hemorragia), o re- torno venoso também diminuirá, e a capacidade do coraçãode manter ou aumentar o débito cardíaco será prejudicada. Distúrbios A despeito da complexidade da circulação, e dos seus sistemas regulatórios, há dois componentes vitais para seu funcionamento: Um adequado volume sangüíneo circulante Hipóxia estagnadaHipóxia estagnadaHipóxia estagnadaHipóxia estagnadaHipóxia estagnada: Redução da oferta de oxigênio aos tecidos, devido à redução do fluxo sangüíneo (perfusão) Uma eficiente bomba para produzir fluxo sangüíneo. Na ausência de um destes fatores, o sangue estagna nos vasos, e o transporte de oxigênio fica prejudicado. Isto é chamado de hipóxiahipóxiahipóxiahipóxiahipóxia estagnantestagnantestagnantestagnantestagnanteeeee. A Figura 2.11 na página 34 mostra a relação entre a pressão parcial e a saturação no sangue venoso e arterial. Liberação de oxigênio para os tecidos O estágio final de liberação de oxigênio envolve a saída do oxigênio armazenado no sangue para os tecidos. Este processo é controlado pelos próprios tecidos, de acordo com a sua demanda por oxigênio. Dissociação de oxigênio A pressão parcial de oxigênio nos tecidos é consideravelmente mais baixa do que a do sangue arterial que está entrando nos capilares, pois o oxigênio é utilizado continuamente. Portanto, o oxigênio se difunde pelo gradiente de pressão dos capilares para os tecidos, provocando uma queda parcial de pressão de oxigênio no plasma dos capilares. Você pode ver pela curva de dissociação do oxigênio que a queda da pressão parcial de oxigênio no plasma reduz a saturação de hemoglobina. Conseqüentemente, a hemoglobina libera o oxigênio armazenado para o plasma de seus capilares, onde ele pode ser difundido para os tecidos. S E Ç Ã O 2 hipóxia eshipóxia eshipóxia eshipóxia eshipóxia estttttagnantagnantagnantagnantagnanteeeee: Reduzido aporte de oxigênio aos tecidos devido ao fluxo sangüíneo reduzido (perfusão). 37 Figura 2.11: Liberação de oxigênio Peculiaridades da curva de dissociação do oxigênio Nos tecidos mais ativos, onde a demanda por oxigênio é mais alta, há elevações súbitas nos níveis de dióxido de carbono e ácidos derivados de seu metabolismo e da temperatura local. Estas mudanças também afetam o sangue capilar, e desviam a curva de dissociação do oxigênio para a direita, reduzindo a afinidade de hemoglobina por oxigênio, estimulando a sua liberação para os tecidos. Quando a demanda por oxigênio retorna ao normal, a curva de dissociação do oxigênio desvia-se de novo para a esquerda, aumentando a afinidade da hemoglobina pelo oxigênio, e reduzindo a liberação para os tecidos. S A N G U E , O X I G Ê N I O E C I R C U L A Ç Ã O 38 Outro fator importante que influencia a posição da curva de dissociação do oxigênio é presença do metabólito 2,3 difosfoglicerato (2,3 DPG). Quando a concentração desta substância aumenta no glóbulo vermelho, a curva de dissociação desvia-se para a direita, facilitando a liberação de oxigênio para os tecidos, como mostra a figura 2.12 na página 35. Uma vez que o oxigênio tenha sido totalmente extraído para os tecidos, o sangue dessaturado com uma pressão parcial de oxigênio de cerca de 40 mmHg (5,3 kPa), entra na circulação venosa, e retorna ao coração para completar novamente o ciclo. Distúrbios A posição da curva de dissociação de oxigênio, e conseqüentemente, a afinidade da hemoglobina pelo oxigênio, é afetada por patologias que causam as maiores alterações no sangue: Temperatura pH Dióxido de carbono 2,3 DPG. Por exemplo, na anemia e numa série de doenças que resultam em hipóxia crônica, o aumento dos níveis de 2,3 DPG facilita a liberação de oxigênio para os tecidos. Ao contrário, num sangue armazenado, o aumento nos níveis de 2,3 DPG reduz a capacidade de liberação do oxigênio. Figura 2.12: Desvios na curva de dissociação de oxigênio S E Ç Ã O 2 39 Resumo: a oferta de oxigênio e a equação de fluxo A oferta total de oxigênio para os tecidos é dependente das seguintes condições: Concentração de hemoglobina Grau de saturação da hemoglobina com oxigênio Débito cardíaco Estas variáveis podem ser colocadas na forma de uma equação, mostrada na figura 2.13, que pode ser utilizada para calcular o total de oxigênio que é oferecido aos tecidos. Isto é chamado de aporte de oxigênio, liberação ou fluxo de equação. Aporte de oxigênio = Hemoglobina x 1.36 x Saturação x Rendimento cardíaco (ml/min) (gm/ml) (ml/gm) (%) (ml/min) Uma pequena fração do oxigênio transportado no plasma foi ignorada. A figura 1.36 representa o montante que cada grama de hemoglobina pode transportar. Quando lidamos com uma situação crítica, uma ou mais variáveis podem estar alteradas, sendo útil considerar esta equação, de sorte a enfatizar o efeito sobre o oxigênio do paciente. Geralmente, não é necessário realizar cálculos detalhados, mas esta equação pode ser útil para ilustrar como a oferta de oxigênio pode variar com o nível de hemoglobina, saturação e débito cardíaco. A figura 2.14 mostra, por exemplo, a oferta de oxigênio no coração. Se o paciente desenvolve anemia crônica, a redução da concentração de hemoglobina pode reduzir significantemente a oferta de oxigênio, como mostra a figura 2.15. A equação do fluxo de oxigênio mostra, no entanto, que a oferta de oxigênio para os tecidos pode ser compensada por um aumento do débito cardíaco, como mostra a figura 2.16. Este aumento do débito cardíaco é um dos maiores mecanismos compensatórios na anemia crônica. Um segundo exemplo clínico é o paciente que possui doença obstrutiva crônica significativa das vias aéreas. Uma conseqüência deste processo patológico pode ser a falência de se manter a pressão parcial de oxigênio, que, por sua vez, reduz o grau de saturação de hemoglobina. No entanto, um aumento compensatório no nível de hemoglobina e débito cardíaco pode ocorrer, ambos para restaurar a oferta de oxigênio para os tecidos. Um aumento compensatório similar do nível de hemoglobina e do débito cardíaco também é visto em indivíduos que moram em grandes altitudes. Isto se deve à redução da pressão parcial de oxigênio e saturação de hemoglobina que ocorre neste meio ambiente. O efeito da perda aguda de sangue e seus mecanismos compensatórios são discutidos na Seção 3: Anemia. Figura 2.13: Equação de fluxo ou aporte de oxigênio S A N G U E , O X I G Ê N I O E C I R C U L A Ç Ã O 40 S E Ç Ã O 2 Figura 2.14:Aporte normal de oxigênio Figura 2.15:Efeitos da anemia crônica sobre a oferta de oxigênio Figura 2.16:Restauração da oferta de oxigênio na anemia crônica, pelo aumento do débito cardíaco 41 ATIVIDADE 5 Quais outros membros da equipe médica e de enfermagem de seu hospi- tal necessitam de uma compreensão adequada da fisiologia discutida nesta seção? Descubra o que sabem, demonstre a importância deste conhecimento, e onde há falhas de aprendizado e de compreensão. Organize seções de ensino para os membros que você percebeu não possuir conhecimento suficiente do papel do sangue na manutenção de um aporte constante de oxigênio para os tecidos e órgãos. S A N G U E , O X I G Ê N I O E C I R C U L A Ç Ã O 42 AnemiaAnemiaAnemiaAnemiaAnemia Pontos chave 1 A prevenção, diagnóstico precoce e tratamento da anemia, e das condições que causam anemia, são métodos importante para minimizar as necessidades de transfusão sangüínea. 2 A anemia se desenvolve como resultado de um ou mais dos seguintes fatores: Aumento da perda de glóbulos vermelhos Diminuição da produção de glóbulos vermelhos normais Aumento da destruição dos glóbulos vermelhos Aumento da demanda por glóbulos vermelhos. 3 A anemia se torna clinicamente importante quando contribui para a redução da oferta de oxigênio, de forma que este seja inadequado às necessidades do paciente. 4 Os princípios do tratamento de anemia são: Tratamento de causas subjacentes da anemia Optimizar todos os componentes do sistema de liberação de oxigênio, de maneira a aumentar a oferta de oxigênio para os tecidos. 5 A transfusão sangüínea só deve ser considerada quando já tenha causado ou estiver perto de provocar redução na oferta de oxigênio, que esteja inadequado às necessidades do paciente. 3 43 Introdução Quando um indivíduo se torna anêmico, diversas mudanças fisiológicas ocorrem. Em meio a estas mudanças, está a própria resposta compensatória do corpo à anemia, que dentro de seus limites, procura preservar a oferta de oxigênio aos tecidos. O objetivo principal desta seção é explicar estes mecanismos compensatórios que, quando reforçados pelo apropriado tratamento da anemia, podem ser suficientes para tornar a transfusão desnecessária. Objetivos do estudo Quando completar esta seção, você deverá estar apto a: 1 Definir anemia num indivíduo, e distinguir entre a taxa de hemoglobina normal e a de referência. 2 Enumerar os métodos mais comuns de determinação da concentração de hemoglobina no sangue. 3 Identificar os fatores que afetam a concentração de hemoglobina num paciente, e o que pode alterá-la. 4 Resumir as principais causas de anemia. 5 Descrever os efeitos produzidos pela anemia e pelas conseqüentes respostas compensatórias, com particular ênfase na perda aguda e crônica de sangue. 6 Apresentar os princípios do tratamento da anemia 7 Delinear as medidas que podem ser usadas para prevenir anemia numa população. A N E M I A 44 3.1 Definições Anemia A anemia é definida como a concentração de hemoglobina no sangue num nível menor que o esperado, levando-se em conta fatores como idade, sexo, gestação e certos fatores ambientais, como altitude. A definição, portanto, requer uma comparação entre o nível de hemoglobina do indivíduo com o valor esperado. Para determinar o valor esperado de hemoglobina de um paciente, é necessário rever os seguintes valores: O nível normal de hemoglobina O nível de referência da hemoglobina. Variação normal da hemoglobina O nível normal de hemoglobina é a distribuição de concentração de hemoglobina encontrada num grande grupo representativo de indivíduos saudáveis. Em princípio, pode ser considerado como um indicador padrão mundial de boa saúde, variando conforme a idade, sexo, gravidez e alti- tude do domicílio. No entanto, é difícil o estabelecimento da variação de valores normais de hemoglobina. A figura 3.1 mostra as variações normais, e os critérios para definir anemia num indivíduo, propostos pela OMS, mas é importante lembrar que alguns indivíduos aparentemente normais e saudáveis apresentarão valores fora deste intervalo. Publicações de valores considerados normais de concentração de hemoglobina mostram, por exemplo, que várias mulheres adultas devem ser consideradas normais, mesmo com a hemoglobina menor que 12 g/dl (veja a página 47 sobre hematócrito). Idade / SexIdade / SexIdade / SexIdade / SexIdade / Sexooooo VVVVVariação normalariação normalariação normalariação normalariação normal Anêmico se HbAnêmico se HbAnêmico se HbAnêmico se HbAnêmico se Hb de hemoglobina (g/dl)de hemoglobina (g/dl)de hemoglobina (g/dl)de hemoglobina (g/dl)de hemoglobina (g/dl) menor que *menor que *menor que *menor que *menor que * Nascido a termo 13,5 – 18,5 13,5 (Ht 34,5) 2 a 6 m de vida 9,5 – 13,5 9,5 (Ht 28,5) 6m a 6 a de vida 11,0 – 14,0 11,0 (Ht 33,0) 6 a 12 anos 11,5 – 15,5 11,5 (Ht 34,5) Homens adultos 13,0 – 17,0 13,0 (Ht 39,0) Mulheres não grávidas 12,0 – 15,0 12,0 (Ht 36,0) Grávidas 1º Trimestre (0 – 12s) 11,0 – 14,0 11,0 (Ht 33,0) 2 º Trimestre (13 – 28s) 10,5 – 14,0 10,5 (Ht 31,5) 3 º Trimestre (29 s –nasc) 11,0 – 14,0 11,0 (Ht 33,0) * Estes valores simplesmente definem anemia. São usados geralmente como padrões para investigação e tratamento, não são indicativos de transfusão. Figura 3.1: Critérios para anemia, baseados em taxa de hemoglobina normal ao nível do mar S E Ç Ã O 3 45 Variação da hemoglobina de referência A variação da taxa da hemoglobina de referência é a distribuição da concentração de hemoglobina encontrada numa população específica bem definida, chamada população de referência. É realizada a partir da análise dos valores de hemoglobina num grupo de indivíduos que são representativos daquela população (veja a figura 3.2 como exemplo). VVVVVariação de refariação de refariação de refariação de refariação de referênciaerênciaerênciaerênciaerência VVVVVariaçãoariaçãoariaçãoariaçãoariação MédiaMédiaMédiaMédiaMédia parparparparpara não grávidasa não grávidasa não grávidasa não grávidasa não grávidas Delhi, Índia 6,3 – 14,8 g/dl 10,5 g/dl Burkina, Faso 9,4 – 15,0 g/dl 12,2 g/dl Se a população de referência é composta predominantemente por indivíduos saudáveis, a variação de referência deverá ser similar à variação normal da hemoglobina. No entanto, a variação de referência pode ser mais baixa que a normal se a população de referência possui uma alta taxa de distúrbios afetando a concentração de hemoglobina, tais como deficiência de ferro, malária ou hemoglobinopatias hereditárias. Os valores de referência são úteis para identificar anemia em certas populações, e realizar medidas apropriadas de saúde coletiva. Quando repetidos numa mesma população, os valores de referência podem auxiliar a verificar a efetividade dessas medidas. A variação de referência da hemoglobina não deve ser usada como base para investigação e tratamento de pacientes. Para estes, deve ser utilizada a variação de hemoglobina normal. Valores e variações A concentração de hemoglobina, assim como outras variáveis biológicas tais como o sódio plasmático ou albumina, mostram uma variação natural entre indivíduos saudáveis Por esta razão, os valores normais e de referência são expressos como intervalo: por exemplo 9.5 – 13.5 g/dl. Este intervalo, por definição, inclui 95% dos indivíduos testados, como mostra a figura 3.3. Figura 3.2: Exemplos de taxas de referência em mulheres não grávidas Figura 3.3: Variação de hemoglobina A N E M I A 46 3.2 Determinação da concentração de hemoglobina e hematócrito Concentração de hemoglobina Embora os aspectos clínicos da anemia possam estar presentes num paciente, são geralmente um guia não confiável da gravidade da anemia. A avaliação clínica da anemia tende a variar bastante entre os observadores. Por esta razão, é essencial que existam maneiras rápidas e confiáveis de se obter uma medida acurada da concentração de hemoglobina em amostras sangüíneas de pacientes onde sejam realizadas transfusões. Muitos destes métodos laboratoriais para determinar a concentração de hemoglobina são tecnicamente capazes de prover resultados de qualidade suficiente para uso clínico. No entanto, qualquer que sejam os métodos utilizados, a confiabilidade dos resultados depende de uma boa prática laboratorial, treinamento da equipe, uso de procedimentos operacionais padrão, calibração regular e manutenção do equipamento. O uso apropriado de controle interno e, se possível, controle externo de qualidade das amostras também é importante. A figura 3.4 sumariza os métodos mais comuns de medição da concentração de hemoglobina. MétMétMétMétMétodosodosodosodosodos ComentáriosComentáriosComentáriosComentáriosComentários Métodos usando o Todos requerem algum tipo espectrofotômetro ou de equipamento óptico com bateria fotômetro isoelétrico ou aporte de força, manutenção, Hemiglobinocianida calibração e treinamento do usuário Oxihemoglobina Hemoglobinômetros de leitura direta Escala de cor da hemoglobina da OMS Veja abaixo Método do sulfato de cobre Utilizado somente como triagem de doadores de sangue Escala colorimétrica de hemoglobina da OMS A escala colorimétrica da OMS é um processo clínico simples e barato que fornece um método confiável para análise da presença e gravidade da anemia.É utilizada particularmente em situações em que a dosagem labo- ratorial de hemoglobina não está prontamente disponível. O kit da Escala Colorimétrica de Hemoglobina consiste num folheto contendo uma escala padronizada de cores representando a variação dos valores de hemoglobina (4 g/dl, 6 g/dl, 8 g/dl, 10 g/dl, 12 g/dl e 14 g/dl), e um pacote de papéis absorventes especiais para teste. É acurado dentro de uma variação de 1 g/dl, quando utilizado de acordo com as instruções, e Figura 3.4: Métodos de determinação da hemoglobina S E Ç Ã O 3 47 utilizando os papéis de teste do próprio kit. Não está validado para outros papéis teste. Para utilizar a escala colorimétrica, uma amostra de sangue proveniente da punção digital, ou de um tubo com sangue anticoagulado, deve ser colocada sobre o papel teste. Por comparação da amostra no papel com a escala padronizada, como mostra a figura 3.5, é possível identificar quando o sangue está anêmico e a gravidade da anemia em termos clínicos. Informações sobre os fornecedores da Escala Colorimétrica da OMS estão disponíveis no seguinte endereço: World Health Organization Blood Safety and Clinical Technology 20 Avenue Appia, CH-1211 Geneva 27 , Switzerland Fax: + 41 22 791 4936. E-mail: hbcolourscale@who.int Hematócrito ou volume eritrocitário Um método alternativo de estimar o conteúdo de glóbulos vermelhos no sangue é medir o hematócrito ou volume eritrocitário. O vvvvvolume eritrolume eritrolume eritrolume eritrolume eritrocitárioocitárioocitárioocitárioocitário (PCV), é determinado pela centrifugação de uma pequena amostra de sangue em tubo capilar anticoagulado, e medido o volume dos glóbulos vermelhos centrifugados como porcentagem de vol- ume total. Uma medida equivalente, o hematócrithematócrithematócrithematócrithematócritooooo (Ht), pode ser obtida através de análises automatizadas hematológicas dos glóbulos vermelhos. Para fins clínicos, os dois termos podem ser usados como sinônimos. A relação entre concentração de hemoglobina e hematócrito numa amostra é influenciada pelo tamanho dos glóbulos vermelhos, e o conteúdo de hemoglobina neles contido. Um fator de conversão útil é a concentração de hemoglobina multiplicada por três, dando o valor aproximado do hematócrito. Os valores de hematócrito estão na figura 3.1. Figura 3.5: Utilizando a Escala Colorimétrica volumevolumevolumevolumevolume eritreritreritreritreritrocitário(PVocitário(PVocitário(PVocitário(PVocitário(PVC):C):C):C):C): Determinado por centrifugação de uma pequena amostra de sangue num capilar anticoagulado, e medido o volume de glóbulos vermelhos centrifugados como porcentagem do volume total. hematócrithematócrithematócrithematócrithematócrito (Ht):o (Ht):o (Ht):o (Ht):o (Ht): Medida equivalente ao PVC, derivada da análise automatizada dos índices dos eritrócitos. A N E M I A 48 3.3 Anemia clinicamente importante É relativamente simples definir um paciente como anêmico através da comparação de sua concentração de hemoglobina com a variação normal ou de referência. No entanto, para avaliar se uma anemia é clinicamente importante, deve-se analisar detalhadamente as necessidades individuais deste paciente. Como vimos na Seção 2: Sangue, Oxigênio e a Circulação, a concentração de hemoglobina de um paciente é somente um dos fatores críticos que determina a oferta total de oxigênio para os tecidos. A oferta de oxigênio para os tecidos também depende do: Grau de saturação da hemoglobina Débito cardíaco. Portanto, as alterações na concentração de hemoglobina não devem ser analisadas isoladamente, devendo ser vistas num contexto de mudanças e alterações que afetem outras variáveis da oferta de oxigênio. A anemia se tA anemia se tA anemia se tA anemia se tA anemia se torna clinicamentorna clinicamentorna clinicamentorna clinicamentorna clinicamente impore impore impore impore importttttantantantantante quando contribui pare quando contribui pare quando contribui pare quando contribui pare quando contribui para a reduçãoa a reduçãoa a reduçãoa a reduçãoa a redução da ofda ofda ofda ofda oferererererttttta de oxigênio, ta de oxigênio, ta de oxigênio, ta de oxigênio, ta de oxigênio, tornando inadequadas as necessidades do pacientornando inadequadas as necessidades do pacientornando inadequadas as necessidades do pacientornando inadequadas as necessidades do pacientornando inadequadas as necessidades do paciente.e.e.e.e. 3.4 Interpretação dos valores de hemoglobina O valor de hemoglobina é a medida da sua concentração, sendo a quantidade total presente de hemoglobina num volume padronizado de sangue do paciente. Normalmente é expressa em gramas por decilitro (g/dl) ou gramas por litro (g/L). Neste módulo todos os valores de hemoglobina são expressos em g/dl. O valor da hemoglobina é dependente do: Total de hemoglobina circulante nas hemácias Volume sangüíneo. Uma variação destes fatores pode alterar a concentração de hemoglobina. Por exemplo, durante a gravidez, uma anemia aparente pode existir simplesmente devido a um aumento do volume de plasma, sem nenhuma redução do total de hemoglobina presente. Isto é chamado de hemodiluiçãohemodiluiçãohemodiluiçãohemodiluiçãohemodiluição. Uma vez que a capacidade total de transportar oxigênio não está modificada, não é necessariamente um estado patológico. Ao contrário, quando há uma redução do volume plasmático sem diminuição no conteúdo total de hemoglobina presente, uma concentração de hemoglobina mais alta que a esperada pode ser encontrada. Isto é conhecido como hemoconcentraçãohemoconcentraçãohemoconcentraçãohemoconcentraçãohemoconcentração, e pode ocorrer em desidratações graves, por exemplo. Portanto, a concentração de hemoglobina deve ser considerada junto a outras informações sobre a condição do paciente, para evitar falsas interpretações (conforme a figura 3.6). hemodiluição:hemodiluição:hemodiluição:hemodiluição:hemodiluição: Redução do hematócrito. Hemodiluição aguda causada por perda de glóbulos vermelhos e reposta com infusão colóide ou cristalóide. hhhhhemoconcentremoconcentremoconcentremoconcentremoconcentraçãoaçãoaçãoaçãoação: Elevação do hematócrito devido à redução do volume plasmático. S E Ç Ã O 3 49 ATIVIDADE 6 Qual método é utilizado em seu hospital para medir ou avaliar a concentração de hemoglobina do sangue? Converse com a equipe técnica do laboratório sobre a precisão e confiabilidade dos resultados, além de controle de qualidade. Verifique quais métodos de controle de qualidade são realizados, e com que freqüência? Se você acha que um método mais preciso e confiável pode ser utilizado, ou que novos controles de qualidade podem ser implantados, converse com o chefe da equipe técnica sobre quais melhorias são necessárias para que isto possa ocorrer. VVVVVolume de Golume de Golume de Golume de Golume de GVVVVV Normal ÈÈÈÈÈ ÈÈÈÈÈ ÇÇÇÇÇ Normal VVVVVolumeolumeolumeolumeolume Normal ÈÈÈÈÈ ÇÇÇÇÇ ÇÇÇÇÇÇÇÇÇÇ ÈÈÈÈÈ plasmáticoplasmáticoplasmáticoplasmáticoplasmático Nível de HbNível de HbNível de HbNível de HbNível de Hb Normal Normal ÈÈÈÈÈ ÈÈÈÈÈ ÇÇÇÇÇ Coluna 1Coluna 1Coluna 1Coluna 1Coluna 1 representa a situação normal Coluna 2Coluna 2Coluna 2Coluna 2Coluna 2 ilustra paciente com perda rápida de sangue num curto período de tempo (hemorragia). São perdidos os glóbulos vermelhos e o plasma, mas a concentração de hemoglobina pode permanecer perto do normal. Coluna 3Coluna 3Coluna 3Coluna 3Coluna 3 mostra o efeito da perda crônica de sangue por semanas ou meses. A resposta compensatória normal expande o volume plasmático para manter o volume sangüíneo total, mas a concentração de hemoglobina se reduz devido à perda de glóbulos vermelhos. Coluna 4Coluna 4Coluna 4Coluna 4Coluna 4 ilustra o efeito da hemodiluição. A figura pode ser de um paciente recebendo reposição intravenosa ou de uma gravidez normal. Coluna5Coluna 5Coluna 5Coluna 5Coluna 5 mostra as conseqüências da desidratação, provocando uma hemoconcentração. Não há perda de glóbulos vermelhos, porém o volume sangüíneo é reduzido. Portanto, a concentração de hemoglobina se torna su- perior ao normal. Figura 3.6: Alterações da hemoglobina em relação ao plasma A N E M I A 50 ATIVIDADE 7 Há valores de referência da concentração de hemoglobina para seu país ou estado? Se sim, compare com os valores normais. Em sua cidade, qual é a alteração mais comum que afeta a concentração de hemoglobina, e que pode provocar diferença entre os dois padrões? 3.5 Causas de anemia A anemia, por definição, não é um diagnóstico, somente um indicador de uma ou mais situações. Uma classificação simples dos processos que podem levar a uma anemia está demonstrada na figura 3.7. CCCCCAAAAAUSUSUSUSUSAS DE ANEMIAAS DE ANEMIAAS DE ANEMIAAS DE ANEMIAAS DE ANEMIA AumentAumentAumentAumentAumento de pero de pero de pero de pero de perda dos glóbulos vermelhosda dos glóbulos vermelhosda dos glóbulos vermelhosda dos glóbulos vermelhosda dos glóbulos vermelhos Perda sangüínea aguda: hemorragia por trauma, cirurgia ou obstétrica Perda sangüínea crônica, geralmente por trato gastrointestinal, urinário ou reprodutivo: infestação parasitária, malignidade, distúrbio inflamatório, menorragia Diminuição da prDiminuição da prDiminuição da prDiminuição da prDiminuição da produção de glóbulos vermelhos normaisodução de glóbulos vermelhos normaisodução de glóbulos vermelhos normaisodução de glóbulos vermelhos normaisodução de glóbulos vermelhos normais Deficiências nutricionais: ferro, B12, folato, desnutrição, má-absorção Infecção viral: HIV Falência medular; anemia aplástica, infiltração maligna da medula óssea, leucemia Redução da produção de eritropoetina: insuficiência renal crônica Doença crônica Envenenamento da medula óssea: chumbo, drogas (cloranfenicol) AumentAumentAumentAumentAumento da deso da deso da deso da deso da destruição de glóbulos vermelhos (hemólise)truição de glóbulos vermelhos (hemólise)truição de glóbulos vermelhos (hemólise)truição de glóbulos vermelhos (hemólise)truição de glóbulos vermelhos (hemólise) Infecções : bacteriana, viral ou parasitária Drogas: dapsona Distúrbios auto-imunes: Doença hemolítica por anticorpo frio ou quente Doenças congênitas: Anemia falciforme, talassemia, deficiência de G6PD, esferocitose Doença Hemolítica do Recém Nascido (DHRN) Outras doenças; Coagulação Intravascular Disseminada, Síndrome Hemolítica Urêmica, Púrpura Trombocitopênica Trombótica AumentAumentAumentAumentAumento fo fo fo fo fisiológico da demanda de glóbulos vermelhos e fisiológico da demanda de glóbulos vermelhos e fisiológico da demanda de glóbulos vermelhos e fisiológico da demanda de glóbulos vermelhos e fisiológico da demanda de glóbulos vermelhos e ferrerrerrerrerrooooo Gravidez Amamentação Figura 3.7: Causas de anemia S E Ç Ã O 3 51 Condições médicas associadas com anemia estão discutidas na Seção 9: Medicina Geral. A anemia ferropriva é a causa mais comum de anemia no mundo. É importante compreender os mecanismos básicos do metabolismo do ferro como fundamentais para a prevenção, diagnóstico e tratamento da anemia. Metabolismo do ferro O ferro é um nutriente essencial necessário a todas as células humanas. A maioria do ferro do corpo está contido na hemoglobina. O ferro é absorvido pelos intestinos, transportado no sangue através de uma proteína carreadora (transferrina) e armazenado como ferritina. Os humanos não possuem um mecanismo efetivo de excreção de ferro, a não ser através da perda de sangue, e pequena quantidade através da descamação de pele ou de células intestinais. O ajuste fisiológico do balanço de ferro num indivíduo depende de pequenas alterações na absorção intestinal e o ferro contido na dieta (Figura 3.8). SexSexSexSexSexooooo PPPPPerererererda diáriada diáriada diáriada diáriada diária AAAAAbsorção máximabsorção máximabsorção máximabsorção máximabsorção máxima de fde fde fde fde ferrerrerrerrerrooooo de f de f de f de f de ferrerrerrerrerrooooo Homem 1 mg/dia 1-2 mg/dia Mulher em período menstrual 1,5 mg/dia 1-2 mg/dia Grávidas 2 mg/dia 1-2 mg/dia A quantidade normal de ferro num adulto é de cerca de 2,4 g, sendo que 65% nos glóbulos vermelhos. O ferro faz parte do sítio de ligação do oxigênio na hemoglobina, sendo fundamental para a oferta de oxigênio para o corpo (figura 2.6). Como os glóbulos vermelhos são destruídos ao final de sua vida média, o ferro é liberado e a reciclagem provê a maioria das necessidades corporais. Somente uma pequena quantidade de ferro é absorvida pelo trato gastrointestinal (duodeno e jejuno). A alimentação diária típica de um adulto num país desenvolvido contém 10 – 15 mg de ferro, dos quais 1- 2 mg (5-10%) é normalmente absorvido. Isto é suficiente para repor as necessidades diárias de homens e de mulheres que não estejam menstruando. No entanto, quando as necessidades de ferro ficam aumentadas por qualquer razão, o estoque limitado do corpo é rapidamente consumido. Uma perda sangüínea de 500 ml remove 250 mg de ferro. O sangramento agudo ou crônico depleta os estoques de ferro. Sem tratamento, irá demorar meses para a sua reposição. ATIVIDADE 8 Faça uma análise simples dos próximos 25 pacientes que você observar. Quantos estão anêmicos? Qual a causa da anemia de cada paciente? Figura 3.8: Absorção do ferro A N E M I A 52 Converse com seus colegas e descubra quais destes casos são os considerados típicos da população geral. Há grupos específicos com maior risco de desenvolver anemia que a população geral? Há um efetivo programa de prevenção? 3.6 Adaptação à anemia A Seção 2 descreve como o sistema respiratório e circulatório interage com os glóbulos vermelhos para manter o aporte de oxigênio nos tecidos. Quando houver perda sangüínea, ou ocorrer anemia por outras razões, os sistemas se adaptam para compensar e manter, tanto quanto possível, a oferta essencial de oxigênio aos órgãos e tecidos. A condição clínica do paciente dependerá dos seguintes fatores: Capacidade do paciente de produzir respostas compensatórias Gravidade da insuficiência dos glóbulos vermelhos Se ocorreu rapidamente (horas) ou gradualmente (meses). A transfusão de sangue total ou de glóbulos vermelhos geralmente é utilizada para tratamento de anemia ou de perda sangüínea. No entanto, freqüentemente a transfusão pode ser evitada, devido aos mecanismos compensatórios que podem manter a liberação adequada de oxigênio enquanto outros tratamentos fizerem efeito. Esses mecanismos compensatórios estão descritos abaixo. 3.7 Anemia devido à perda sangüínea aguda Na perda sangüínea aguda, ou hemorragia, há uma redução na quantidade total de hemoglobina na circulação e perda do volume sangüíneo, ou hipohipohipohipohipovvvvvolemiaolemiaolemiaolemiaolemia. Ao contrário, o volume sangüíneo é mantido adequadamente na anemia por outras causas (Figura 3.6). Efeitos da perda aguda sangüínea Conforme discussão da Seção 2, a oferta de oxigênio para os tecidos depende da transferência do oxigênio dos pulmões para o sangue, seu armazenamento na forma de hemoglobina saturada, e o seu transporte e liberação para os tecidos. Isto depende da presença de um adequado nível de hemoglobina, e de uma eficiente circulação para transportá-lo. A hemorragia pode interferir em todos esses processos causando: Diminuição da transferência de oxigênio dos pulmões para os glóbulos vermelhos Diminuição do armazenamento de oxigênio pelos glóbulos vermelhos Diminuição do transporte e da liberação do oxigênio para os tecidos. Diminuição do transporte de oxigênio A perda de volume sangüíneo da circulação, ou hipovolemia provoca uma redução do retorno venoso ao coração. Em conseqüência há redução do débitocardíaco e da pressão sangüínea. Portanto, o fluxo sangüíneo aos hipohipohipohipohipovolemiavolemiavolemiavolemiavolemia: Redução do volume sangüíneo circulante S E Ç Ã O 3 53 tecidos diminui, e o transporte de oxigênio fica prejudicado. Isto é chamado de hipóxia estagnante. Redução do armazenamento de oxigênio A perda de glóbulos vermelhos reduz a quantidade total de hemoglobina na circulação. Isto reduz a capacidade total de armazenamento de oxigênio no sangue, sendo chamado de hipóxia anêmica. Lembre-se que a estimativa da hemoglobina nos primeiros estágios de um sangramento pode não estar tão abaixo do normal, não sendo um guia confiável para se notar a gravidade da perda sangüínea. Isto corre porque há perda simultânea de glóbulos vermelhos e de plasma da circulação. Somente quando o volume plasmático for restaurado, por qualquer mecanismo compensatório ou reposição de fluidos, que a concentração de hemoglobina (ou hematócrito) começará a cair (Figura 3.6). Diminuição da transferência de oxigênio A redução do débito cardíaco causa uma combinação entre o fluxo sangüíneo e a ventilação pulmonar (“shunting”), levando à diminuição da pressão parcial de oxigênio nos capilares pulmonares. Este evento é chamado de hipóxia hipóxica. Conforme a pressão parcial diminui (conforme Seção 2), o grau de saturação da hemoglobina restante da circulação também diminui. Esta redução provoca uma piora na capacidade de transporte de oxigênio do sangue. Portanto, a conseqüência de uma grande hemorragia descontrolada é a privação de oxigênio aos tecidos e órgãos, ou hipóxia tecidual, como mostra a Figura 3.9. ÈÈÈÈÈ Hb x ÈÈÈÈÈ Saturação x ÈÈÈÈÈ Rendimento cardíaco = ÈÈÈÈÈÈÈÈÈÈ Aporte de O2 para os tecidos Mecanismos compensatórios à perda sangüínea aguda Nenhum tecido é capaz de suportar longos períodos de hipóxia, portanto, o corpo responde imediatamente a qualquer perda sangüínea significante com diversos mecanismos compensatórios: Restauração do volume plasmático Restauração do débito cardíaco Compensação circulatória Estimulação da ventilação Mudanças na curva de dissociação do oxigênio Alterações hormonais Síntese de proteínas plasmáticas. Restauração do volume plasmático Quando o débito cardíaco e a pressão sangüínea caem, a pressão hidrostática dos capilares teciduais também diminui. O balanço entre a pressão oncótica e hidrostática dos capilares fica alterado, seguindo-se Figura 3.9: Efeito da hemorragia na oferta de oxigênio A N E M I A 54 um influxo de água do fluido intersticial para o plasma. Este mecanismo ajuda a restaurar o volume plasmático circulante. Ao mesmo tempo, a água também se move do compartimento intracelular para o fluido intersticial. Restauração do débito cardíaco A queda do débito cardíaco e da pressão do coração e dos grandes vasos é detectada pelos baroreceptores, que ativam o sistema nervoso simpático por meio do centro vasomotor do cérebro. Os nervos simpáticos agem no coração, aumentando os batimentos cardíacos e a força de contração, ajudando a restaurar o débito cardíaco. Compensação circulatória Os nervos simpáticos também agem nos vasos que suprem os tecidos e órgãos durante uma hemorragia aguda. Causam a vasoconstrição de arteríolas, principalmente em tecidos e órgãos, que não sejam imediatamente essenciais à vida, como na pele, intestinos e músculos, reduzindo-se o fluxo sangüíneo para esses tecidos. Com isto, produzem os seguintes efeitos: Preservação do fluxo sangüíneo para os órgãos essenciais: cérebro, rim e coração Restauração da pressão arterial sangüínea. Além disso, os nervos simpáticos causam constrição nas veias, ou vasoconstrição, transferindo o sangue das veias para a circulação. Uma vez que vasoconstrição aumenta o retorno venoso ao coração, torna-se outro mecanismo importante para a restauração do débito cardíaco du- rante uma hemorragia. Estimulação da ventilação A diminuição do fluxo sangüíneo e a privação de oxigênio faz com que diversos órgãos e tecidos passem a realizar o metabolismo anaeróbio, produzindo-se assim grandes quantidades de ácido lático. Isto resulta em acidose metabólica e diminuição da pressão parcial de oxigênio no sangue, que é detectada por quimioreceptores da aorta e das carótidas. Estes quimioreceptores estimulam o centro respiratório cerebral, que responde com aumento da freqüência e força de inspiração, para restaurar a pressão parcial de oxigênio no sangue. Mudanças na curva de dissociação do oxigênio Durante uma hemorragia a curva de dissociação de oxigênio se desloca para a direita (conforme a Figura 2.12), resultando em grave acidose. O efeito disto é a redução de afinidade da hemoglobina pelo oxigênio nos capilares teciduais, promovendo a liberação de oxigênio, e aumentando a disponibilidade deste para os tecidos. Respostas hormonais A secreção de diversos hormônios é aumentada em resposta à hemorragia, mas ao contrário de outros mecanismos reguladores, seus efeitos geralmente só se tornam aparentes após várias horas ou dias. S E Ç Ã O 3 55 1 A vasopressina (hormônio antidiurético ou ADH) é liberada da glândula pituitária, em resposta à diminuição de volume sangüíneo. Sua principal ação é reduzir o total de água excretada pelos rins, concentrando a urina e conservando a água no corpo. Também causa vasoconstrição, que pode auxiliar no aumento da pressão sangüínea. 2 A produção de aldosterona nas glândulas adrenais fica aumentada durante a hemorragia, estimulada pelo sistema renina- angiotensina. A aldosterona age no rim, provocando retenção de sódio. Junto com as propriedades da vasopressina de manutenção da água, ajuda a restaurar o volume do fluido extracelular, e principalmente na re-expansão do volume circulatório sangüíneo. 3 A hipóxia provocada pela hemorragia aumenta a produção de eritropoetina nos rins. A liberação de glóbulos vermelhos da medula óssea fica estimulada. Não é uma resposta imediata, mas durante vários dias irá repor as células perdidas. 4 Outros hormônios também são liberados numa hemorragia grave, incluindo: Esteróides adrenais Catecolaminas: por exemplo, adrenalina e noradrenalina. Todos possuem papel importante na capacidade do corpo de responder a situações potencialmente críticas de risco à vida. Síntese e movimento de proteínas plasmáticas A hemorragia também resulta em perda de proteínas plasmáticas e plaquetas do sistema vascular, levando a alterações da pressão oncótica do plasma. Embora haja uma rápida mobilização (dentro de 6 a 12 horas) da albumina já formada para a circulação, a completa restauração dos níveis das proteínas plasmáticas (por síntese hepática) pode levar dias. A diluição das proteínas de coagulação e das plaquetas como produto de perda maciça de sangue e reposição com fluidos, pode contribuir para os distúrbios da coagulação sangüínea (veja Seção 9: Medicina Geral). Aspectos clínicos da perda aguda sangüínea Os aspectos clínicos da perda aguda sangüínea dependem principalmente do volume e da velocidade dessa perda. No entanto, também depende da capacidade do paciente em iniciar os mecanismos compensatórios descritos acima. Há vHá vHá vHá vHá variações na capacidade do pacientariações na capacidade do pacientariações na capacidade do pacientariações na capacidade do pacientariações na capacidade do paciente em compensar a pere em compensar a pere em compensar a pere em compensar a pere em compensar a perda sangüínea,da sangüínea,da sangüínea,da sangüínea,da sangüínea, porporporporportttttantantantantanto, o quadro, o quadro, o quadro, o quadro, o quadro clínico pode ser vo clínico pode ser vo clínico pode ser vo clínico pode ser vo clínico pode ser variável.ariável.ariável.ariável.ariável. A N E M I A 56 A hemorragia que ocorre em pacientes idosos ou anêmicos, principalmente quando há coexistência de doença cárdio-respiratória, geralmenteé revelada em estágio mais precoce do que a mesma hemorragia em paciente previamente saudável. O quadro clínico da perda sangüínea aguda pode variar, desde sinais mínimos de hipovolemia, geralmente detectados por um pequeno aumento na freqüência cardíaca, quando pequena quantidade foi perdida, ou através de choque hemorrágico, quando ocorre sangramento maciço descontrolado (Figura 3.10). Estes fatores são discutidos mais detalhadamente na Seção 13: Trauma e Cirurgia. Choque hemorrágicoChoque hemorrágicoChoque hemorrágicoChoque hemorrágicoChoque hemorrágico Sede Pele fria, pálida e úmida Taquicardia Diminuição da pressão do pulso Diminuição da pressão sangüínea Aumento da freqüência respiratória Inquietação ou confusão Redução do débito urinário 3.8 Anemia devido à perda crônica de sangue Em perdas crônicas de sangue, tais como perdas gastrointestinais por ancilostomose, há uma perda contínua de sangue da circulação por longos períodos. Desta forma, o quadro anêmico se desenvolve gradualmente. Geralmente, a normonormonormonormonormovvvvvolemiaolemiaolemiaolemiaolemia é mantida, não havendo redução no volume sangüíneo (Figura 3.6, Coluna 3). Efeitos da perda crônica de sangue Inicialmente o corpo pode compensar a perda crônica de glóbulos vermelhos por aumento da sua produção. No entanto, o ferro é perdido com os glóbulos e, eventualmente, há depleção dos estoques de ferro. Uma vez que o ferro é um componente essencial da hemoglobina, sua deficiência causa a redução no nível de hemoglobina nas hemácias que estão sendo produzidas. Portanto, a perda sangüínea crônica produz uma anemia ferropriva, por produção inadequada de hemoglobina. Os glóbulos vermelhos são pequenos (microcíticos) e contêm pouco ferro (hipocrômicos). Como os glóbulos vermelhos contêm menos hemoglobina, a capacidade de transportar oxigênio fica diminuída. Figura 3.10: Sinais clínicos de hemorragia maior normonormonormonormonormovolemiavolemiavolemiavolemiavolemia: Volume de sangue circulante normal S E Ç Ã O 3 57 Respostas compensatórias à perda sangüínea crônica O organismo responde à perda crônica de sangue através dos seguintes mecanismos: Compensação cardiovascular Alterações na curva de dissociação do oxigênio Alterações na viscosidade do sangue Respostas hormonais. Compensação Cardiovascular Como a capacidade de transportar oxigênio diminui, o total de oxigênio disponível para os tecidos também diminui. Os tecidos respondem com vasodilatação para aumentar a oferta sangüínea, de maneira a aumentar a liberação de suficiente quantidade de oxigênio. O aumento do fluxo tecidual resulta num aumento do retorno venoso. Isto aumenta o débito cardíaco, através do Mecanismo de Frank-Starling (Figura 2.10). Portanto, a perda crônica sangüínea e as anemias crônicas são, em geral, largamente compensadas pelo aumento do débito cardíaco. No entanto, numa anemia crônica grave, o coração pode ser incapaz de sustentar o alto débito cardíaco e, conseqüentemente, pode evoluir para insuficiência cardíaca. Alterações na curva de dissociação de oxigênio Outra importante resposta compensatória que ocorre na anemia crônica é o deslocamento da curva de dissociação para a direita (Figura 2.12). Com isso, há redução da afinidade da hemoglobina pelo oxigênio nos capilares teciduais, promovendo a liberação de oxigênio, e aumento da sua disponibilidade para os tecidos. Este deslocamento ocorre principalmente devido ao aumento do metabólito 2,3 DPG. Alterações da viscosidade sangüínea Como a massa de glóbulos vermelhos num quadro anêmico fica reduzida, a viscosidade sangüínea também se reduz. Isto provoca um aumento do fluxo sangüíneo capilar, com aumento da liberação de oxigênio pelos tecidos. O débito cardíaco também tende a aumentar como conseqüência da redução da viscosidade sangüínea. Resposta hormonal Respostas hormonais similares à perda aguda também ocorrem na perda crônica, embora o grau de compensação necessário seja consideravelmente menor. Desta forma, a produção eritrocitária é estimulada pela eritropoetina, desde que haja ferro suficiente disponível para a síntese de hemoglobina, e que o volume sangüíneo seja mantido pela ação da vasopressina e da aldosterona. A N E M I A 58 Achados clínicos da perda sangüínea crônica Se os mecanismos compensatórios do paciente forem eficazes, a anemia crônica causa poucos sintomas ou sinais até que níveis relativamente baixos de hemoglobina sejam atingidos. Entretanto, as manifestações de anemia tornam-se aparentes mais precocemente quando existir: Capacidade limitada para se montar uma resposta compensatória: p. ex. doenças cardíacas ou respiratórias. Aumento na demanda de oxigênio: p. ex. infecção, dor, febre ou exercício. Redução adicional na oferta de oxigênio: p. ex. perda sangüínea ou pneumonia..... Os achados clínicos da anemia crônica serão discutidos na Seção 9 : Medicina Geral. 3.9 Anemia crônica por outras causas Existem muitas causas de anemia que resultam de: Diminuição da produção, tanto de hemácias, como de hemoglobina. Aumento da destruição eritrocitária. As causas determinantes destas anemias incluem: Deficiências nutricionais. Infecções Malignidade Doenças auto-imunes Doenças hereditárias eritrocitárias: hemoglobinopatias Anemia aplástica, mielodisplasia Algumas destas patologias são discutidas em maior profundidade na seção 9: Medicina Geral. Geralmente, estas patologias causam anemia de instalação lenta, que pode ser compensada pelos mesmos mecanismos que ocorrem na perda crônica. Entretanto, a anemia aguda grave pode ocorrer como manifestação de outras patologias, como hemólise ou seqüestro esplênico. O quadro clínico da anemia crônica deve-se a: Anemia por si, isto é, a diminuição da capacidade de transporte de oxigênio. Manifestações da doença de base (ver Seção 9: Medicina Geral). Anemia crônica agudizada O termo crônica agudizada é freqüentemente utilizado para descrever uma maior queda da concentração de hemoglobina num paciente já cronicamente anêmico. Freqüentemente, esta situação torna-se uma S E Ç Ã O 3 59 emergência clinica, principalmente em pediatria, e sua abordagem pode incluir a indicação de transfusão de hemácias (ver Seção 10: Obstetrícia, Seção 11: Pediatria e Neonatologia e Seção 13:Trauma e Cirurgia de Emergência. 3.10 Princípios do tratamento da anemia O achado de anemia num indivíduo é anormal, e indica a presença de alguma patologia que necessita investigação e tratamento. A concentração de hemoglobina comumente utilizada para definir anemia encontra-se na figura 3.1. Os mecanismos compensatórios da anemia descritos neste capítulo, freqüentemente permitem ao paciente tolerar baixas concentrações de hemoglobina. Isto ocorre principalmente em paciente com anemia crônica que se instalou em semanas ou meses. Se os mecanismos compensatórios falharem na manutenção de um aporte adequado de oxigênio para os tecidos, haverá uma descompensação clínica, que se não for adequadamente tratada, poderá acarretar no óbito do paciente. Muitos fatores podem precipitar a descompensação do paciente anêmico. Em geral há um ou mais fatores: Capacidade limitada de desencadear uma resposta compensatória: p. ex. doença cardiovascular. Aumento na demanda de oxigênio: p. ex. doenças sobrepostas, febre, exercício. Redução adicional na oferta de oxigênio: p. ex. perda sangüínea, cirurgia, pneumonia. Uma vez que a descompensação tenha ocorrido, o único tratamento eficaz é a elevação da capacidade de transporte de oxigênio no sangue através da transfusão sangüínea A primeira abordagem deve sempre ser tratada de outra forma, antes que a descompensação ocorra. A trA trA trA trA transfusão sangüínea somentansfusão sangüínea somentansfusão sangüínea somentansfusão sangüínea somentansfusão sangüíneasomente dee dee dee dee deve ser considerve ser considerve ser considerve ser considerve ser considerada quando a anemia causarada quando a anemia causarada quando a anemia causarada quando a anemia causarada quando a anemia causar uma redução na ofuma redução na ofuma redução na ofuma redução na ofuma redução na oferererererttttta de oxigênio que seja inadequada às necessidades doa de oxigênio que seja inadequada às necessidades doa de oxigênio que seja inadequada às necessidades doa de oxigênio que seja inadequada às necessidades doa de oxigênio que seja inadequada às necessidades do pacientpacientpacientpacientpaciente.e.e.e.e. A abordagem da anemia variará conforme a causa, o tempo de instalação e o grau de descompensação da anemia Isto requer uma detalhada avaliação de cada paciente, individualmente. Os princípios gerais do tratamento das anemias são: Tratar a doença de base Optimizar todos os componentes do sistema de liberação de oxigênio para aumentar a oferta de sangue aos tecidos. A N E M I A 60 Tratando a doença que causa a anemia O tratamento direcionado para a doença que causa anemia freqüentemente previne qualquer nova redução na capacidade de transporte de oxigênio aos tecidos. A oferta de oxigênio aos tecidos também depende do: Grau de saturação de oxigênio da hemoglobina. Débito cardíaco. Na hemorragia aguda, por exemplo, a oferta de oxigênio será optimizado com: Restabelecimento do débito cardíaco com reposição intravenosa de fluidos. Elevação da concentração de oxigênio inspirado para aumentar a saturação da hemoglobina. Transfusão, se necessário, para elevar a concentração de hemoglobina. Na anemia por deficiência crônica de ferro, a elevação do nível de hemoglobina com terapêutica oral de ferro melhorará a oferta e disponibilidade de oxigênio para os tecidos. As medidas terapêuticas específicas para os diferentes tipos de anemia são detalhadamente discutidas na Seção 9: Medicina Geral. 3.11 Princípios para a prevenção de anemia Uma das fUma das fUma das fUma das fUma das formas mais imporormas mais imporormas mais imporormas mais imporormas mais importttttantantantantantes de se atingir o uso clinico adequado does de se atingir o uso clinico adequado does de se atingir o uso clinico adequado does de se atingir o uso clinico adequado does de se atingir o uso clinico adequado do sangue e de seus componentsangue e de seus componentsangue e de seus componentsangue e de seus componentsangue e de seus componentes é a implantes é a implantes é a implantes é a implantes é a implantação de pração de pração de pração de pração de progrogrogrogrogramas efamas efamas efamas efamas efeeeeetivos de saúdetivos de saúdetivos de saúdetivos de saúdetivos de saúde pública parpública parpública parpública parpública para prea prea prea prea prevenção das situações que tvenção das situações que tvenção das situações que tvenção das situações que tvenção das situações que tornem as trornem as trornem as trornem as trornem as transfusões necessárias.ansfusões necessárias.ansfusões necessárias.ansfusões necessárias.ansfusões necessárias. As medidas preventivas só podem ser adotadas com o envolvimento governamental, especialmente com a efetiva organização do sistema primário de saúde. Em muitos países em desenvolvimento, a maioria das transfusões são administradas a crianças com idade inferior a 5 anos, e a mulheres em idade fértil. Estes grupos devem ser o alvo preferencial para medidas de prevenção, através de serviços de saúde adequados. S E Ç Ã O 3 61 Os detalhes nas medidas preventivas específicas podem ser encontrados nos capítulos a seguir. Entretanto, a prevenção de anemia numa população deve incluir: 1 Educação em Saúde em: Nutrição Higiene, medidas sanitárias, fornecimento de água encanada e limpa Prevenção da malária Prevenção de incêndios. Segurança no trânsito 2 Programas de Suplementação: Administração de ferro e/ou folatos para subgrupos. 3 Modificações da dieta: p. ex. aumentar a ingestão de vitamina C para aumentar a absorção de ferro. 4 Controle das infecções por vírus, bactérias e parasitas, incluindo: Programas de imunização. Melhoria na rede sanitária e no fornecimento de água Erradicação das fontes de infecção: malária Tratamento da infecção ou infestação. 5 Suplementação alimentar: a suplementação com ferro dos produtos processados centralmente, como pão, leite, sal, arroz, açúcar e peixes pode estar indicada em alguns países. ATIVIDADE 9 Quais medidas são adotadas em seu país a nível nacional e local para identificar, prevenir e tratar a anemia em grupos suscetíveis da população ? Como você avalia a efetividade delas? Sugere maneiras de melhorá-las? A N E M I A 62 4 Fluidos de reposiçãoFluidos de reposiçãoFluidos de reposiçãoFluidos de reposiçãoFluidos de reposição Pontos chave 11111 Os fOs fOs fOs fOs fluidos de reposição são utilizados parluidos de reposição são utilizados parluidos de reposição são utilizados parluidos de reposição são utilizados parluidos de reposição são utilizados para repor pera repor pera repor pera repor pera repor perdas exdas exdas exdas exdas excessivcessivcessivcessivcessivas deas deas deas deas de sangue, plasma ou outrsangue, plasma ou outrsangue, plasma ou outrsangue, plasma ou outrsangue, plasma ou outros fos fos fos fos fluidos extrluidos extrluidos extrluidos extrluidos extracelulares no:acelulares no:acelulares no:acelulares no:acelulares no: TTTTTrrrrratatatatatamentamentamentamentamento de paciento de paciento de paciento de paciento de pacientes com hipoes com hipoes com hipoes com hipoes com hipovolemia presentvolemia presentvolemia presentvolemia presentvolemia presente, por exe, por exe, por exe, por exe, por exemplo, noemplo, noemplo, noemplo, noemplo, no ccccchoque hemorrágicohoque hemorrágicohoque hemorrágicohoque hemorrágicohoque hemorrágico ManutManutManutManutManutenção da normoenção da normoenção da normoenção da normoenção da normovolemia em pacientvolemia em pacientvolemia em pacientvolemia em pacientvolemia em pacientes dures dures dures dures durantantantantante gre gre gre gre grandes perandes perandes perandes perandes perdas dedas dedas dedas dedas de fffffluidos: por exluidos: por exluidos: por exluidos: por exluidos: por exemplo, peremplo, peremplo, peremplo, peremplo, perda sangüínea em cirurda sangüínea em cirurda sangüínea em cirurda sangüínea em cirurda sangüínea em cirurgias.gias.gias.gias.gias. 22222 Fluidos de reposição intr Fluidos de reposição intr Fluidos de reposição intr Fluidos de reposição intr Fluidos de reposição intravenosos são a primeiravenosos são a primeiravenosos são a primeiravenosos são a primeiravenosos são a primeira linha de tra linha de tra linha de tra linha de tra linha de tratatatatatamentamentamentamentamento paro paro paro paro paraaaaa a hipoa hipoa hipoa hipoa hipovolemia. O trvolemia. O trvolemia. O trvolemia. O trvolemia. O tratatatatatamentamentamentamentamento inicial com eso inicial com eso inicial com eso inicial com eso inicial com estttttes fes fes fes fes fluidos pode salvluidos pode salvluidos pode salvluidos pode salvluidos pode salvar vidas, ear vidas, ear vidas, ear vidas, ear vidas, e fffffornecer tornecer tornecer tornecer tornecer tempo parempo parempo parempo parempo para o contra o contra o contra o contra o controle da hemorrole da hemorrole da hemorrole da hemorrole da hemorragia, ou paragia, ou paragia, ou paragia, ou paragia, ou para obta obta obta obta obtenção de sangueenção de sangueenção de sangueenção de sangueenção de sangue parparparparpara tra tra tra tra transfusão, se necessário.ansfusão, se necessário.ansfusão, se necessário.ansfusão, se necessário.ansfusão, se necessário. 33333 As soluções crisAs soluções crisAs soluções crisAs soluções crisAs soluções cristttttalóides que contêm dextralóides que contêm dextralóides quecontêm dextralóides que contêm dextralóides que contêm dextrose não são adequadas comoose não são adequadas comoose não são adequadas comoose não são adequadas comoose não são adequadas como fffffluidos de reposição. Somentluidos de reposição. Somentluidos de reposição. Somentluidos de reposição. Somentluidos de reposição. Somente as soluções crise as soluções crise as soluções crise as soluções crise as soluções cristttttalóides com concentralóides com concentralóides com concentralóides com concentralóides com concentraçãoaçãoaçãoaçãoação de sódio similar ao plasma (salina normal ou salinas balanceadas) sãode sódio similar ao plasma (salina normal ou salinas balanceadas) sãode sódio similar ao plasma (salina normal ou salinas balanceadas) sãode sódio similar ao plasma (salina normal ou salinas balanceadas) sãode sódio similar ao plasma (salina normal ou salinas balanceadas) são efefefefefeeeeetivtivtivtivtivas como fas como fas como fas como fas como fluidos de reposição. Esluidos de reposição. Esluidos de reposição. Esluidos de reposição. Esluidos de reposição. Estttttas deas deas deas deas devem ser disponíveis em tvem ser disponíveis em tvem ser disponíveis em tvem ser disponíveis em tvem ser disponíveis em todosodosodosodosodos os hospitos hospitos hospitos hospitos hospitais nos quais são utilizados fais nos quais são utilizados fais nos quais são utilizados fais nos quais são utilizados fais nos quais são utilizados fluidos de reposição.luidos de reposição.luidos de reposição.luidos de reposição.luidos de reposição. 44444 As soluções crisAs soluções crisAs soluções crisAs soluções crisAs soluções cristttttalóides dealóides dealóides dealóides dealóides devem ser infundidas num volume pelo menos trêsvem ser infundidas num volume pelo menos trêsvem ser infundidas num volume pelo menos trêsvem ser infundidas num volume pelo menos trêsvem ser infundidas num volume pelo menos três vezes o pervezes o pervezes o pervezes o pervezes o perdido pardido pardido pardido pardido para corrigir a hipoa corrigir a hipoa corrigir a hipoa corrigir a hipoa corrigir a hipovolemia.volemia.volemia.volemia.volemia. 55555 TTTTTodas as soluções colóides (albumina, dextrodas as soluções colóides (albumina, dextrodas as soluções colóides (albumina, dextrodas as soluções colóides (albumina, dextrodas as soluções colóides (albumina, dextran, gelatinas e hidran, gelatinas e hidran, gelatinas e hidran, gelatinas e hidran, gelatinas e hidroxieoxieoxieoxieoxietilamido)tilamido)tilamido)tilamido)tilamido) são fsão fsão fsão fsão fluidos de reposição. Nluidos de reposição. Nluidos de reposição. Nluidos de reposição. Nluidos de reposição. No ento ento ento ento entantantantantanto, não demonso, não demonso, não demonso, não demonso, não demonstrtrtrtrtrarararararam superioridade emam superioridade emam superioridade emam superioridade emam superioridade em relação às crisrelação às crisrelação às crisrelação às crisrelação às cristttttalóides na ressuscitalóides na ressuscitalóides na ressuscitalóides na ressuscitalóides na ressuscitação.ação.ação.ação.ação. 66666 As soluções colóides de As soluções colóides de As soluções colóides de As soluções colóides de As soluções colóides devem ser infundidas num volume igual ao défvem ser infundidas num volume igual ao défvem ser infundidas num volume igual ao défvem ser infundidas num volume igual ao défvem ser infundidas num volume igual ao déficit emicit emicit emicit emicit em sangue.sangue.sangue.sangue.sangue. 77777 O plasma nunca deO plasma nunca deO plasma nunca deO plasma nunca deO plasma nunca deve ser utilizado como fve ser utilizado como fve ser utilizado como fve ser utilizado como fve ser utilizado como fluido de reposição.luido de reposição.luido de reposição.luido de reposição.luido de reposição. 88888 Á água purÁ água purÁ água purÁ água purÁ água pura não dea não dea não dea não dea não deve ser infundida via intrve ser infundida via intrve ser infundida via intrve ser infundida via intrve ser infundida via intravenosa, pois causa hemólise,avenosa, pois causa hemólise,avenosa, pois causa hemólise,avenosa, pois causa hemólise,avenosa, pois causa hemólise, prprprprprooooovvvvvavelmentavelmentavelmentavelmentavelmente fe fe fe fe fatatatatatal.al.al.al.al. 99999 Além da via intrAlém da via intrAlém da via intrAlém da via intrAlém da via intravenosa, pode-se utilizar as vias subcutânea, reavenosa, pode-se utilizar as vias subcutânea, reavenosa, pode-se utilizar as vias subcutânea, reavenosa, pode-se utilizar as vias subcutânea, reavenosa, pode-se utilizar as vias subcutânea, retttttal, oral, oral, oral, oral, oral oual oual oual oual ou intrintrintrintrintra-óssea para-óssea para-óssea para-óssea para-óssea para adminisa adminisa adminisa adminisa administrtrtrtrtração de fação de fação de fação de fação de fluidos.luidos.luidos.luidos.luidos. 63 Introdução Há diversos usos para os fluidos intravenosos, tais como: Prover as necessidades de um paciente cuja via oral não esteja disponível Repor fluidos em perdas anormais, ocorridas em cirurgia, trauma ou outra patologia Corrigir distúrbios hidro-eletrolíticos ou hipoglicemia Ser o veículo para administração de certas drogas. Esta seção terá ênfase nos fluidos de reposição intravenosa. Examinaremos dois tipos, colóides e cristalóides, discutindo suas propriedades, usos, vantagens e desvantagens. Objetivos do estudo Quando completar esta seção, você deverá estar apto a: 1 Explicar a diferença entre manutenção e reposição de fluidos, e estar familiarizado com as características dos colóides e cristalóides utilizados rotineiramente. 2 Prescrever o fluido de reposição mais adequado para pacientes hipovolêmicos. 3 Contribuir para garantir a disponibilidade de fluidos de reposição essenciais ao seu hospital. F L U I D O S D E R E P O S I Ç Ã O 64 4.1 Definições Fluidos de manutenção Soluções de manutSoluções de manutSoluções de manutSoluções de manutSoluções de manutenção:enção:enção:enção:enção: Soluções cristalóides utilizadas para reposição de perdas fisiológicas normais através da pele, pulmões, fezes e urina Fluidos de manutenção são os fluidos utilizados para repor as perdas fisiológicas que ocorrem num paciente através da pele, pulmão, fezes e urina. Como uma proporção considerável destas perdas é composta por água, os fluidos de manutenção são geralmente compostos de água numa solução de dextrose. Alguns eletrólitos podem estar incluídos nestas soluções. Todos os fluidos de manutenção são soluções cristalóides. Alguns exemplos de cristalóides que podem ser usados como fluidos de manutenção são: 5% dextrose 4% dextrose em cloreto de sódio 0.18%. O volume do fluido de manutenção necessário a um paciente é variável, principalmente se houver febre, temperatura ou umidade ambiente elevada, quando as perdas são intensificadas. A Figura 4.1 mostra as necessidades de eletrólitos e líquidos para adultos e crianças, sob circunstâncias normais. PPPPPesoesoesoesoeso FluidosFluidosFluidosFluidosFluidos SódioSódioSódioSódioSódio PPPPPotássiootássiootássiootássiootássio ml/kml/kml/kml/kml/kg/2g/2g/2g/2g/24h4h4h4h4h mEq/kmEq/kmEq/kmEq/kmEq/kg/2g/2g/2g/2g/24h4h4h4h4h mEq/kmEq/kmEq/kmEq/kmEq/kg/2g/2g/2g/2g/24h4h4h4h4h Crianças 0 a 10 kg 100 (4*) 3 (3**) 2 (2**) 10 a 20 kg 50 (2*) 1,5 (1,5**) 1 (1**) Acima de 20 kg 20 (1*) 0,75 (0,75**) 0,5 (0,5**) Adultos Qualquer peso 35 (1,5*) 1 (1**) 0,75 (0,75**) * ml/kg/hora **mmol/kg/24h Atividade 10 Calcule as necessidades normais de fluidos de manutenção numa criança de 16 kg num período de 24 horas. Quanto de sódio e potássio é necessário para a mesma criança neste mesmo período? Fluidos de reposição Os fluidos de reposição são utilizados para repor perdas excessivas de sangue, plasma, ou outros fluidos extravascular, através do aumento do volume do compartimento vascular. Algumas vezes são chamados de substitutos do plasma.Figura 4.1: Necessidades normais de líquidos e eletrólitos em crianças e adultos fffffluidos de reposiçãoluidos de reposiçãoluidos de reposiçãoluidos de reposiçãoluidos de reposição: Fluidos utilizados para reposição de perdas anormais de sangue, plasma ou outros fluidos extracelulares, aumentando o volume do compartimento vascular S E Ç Ã O 4 65 São utilizados principalmente nas seguintes situações: Tratamento de pacientes com hipovolemia instalada: choque hemorrágico Manutenção da normovolemia em pacientes que estão perdendo líquidos: perdas cirúrgicas. Todas as soluções colóides são fluidos de reposição. No entanto, somente as soluções cristalóides que possuem a concentração do sódio semelhante à do plasma são adequadas como solução de reposição. Algumas dessas soluções cristalóides possuem uma composição semelhante ao fluido extravascular, sendo conhecidas como soluçõessoluçõessoluçõessoluçõessoluções salinas balanceadassalinas balanceadassalinas balanceadassalinas balanceadassalinas balanceadas: por exemplo, Ringer-lactato ou Solução de Hartmann. São exemplos de soluções de reposição: Cristalóides com concentração de sódio semelhante à do plasma: - Solução normal de salina (cloreto de sódio 0,9%) - Ringer-lactato - Solução de Hartmann Todas as soluções colóides. 4.2 Terapia de reposição intravenosa Na hipovolemia, o objetivo inicial é restaurar o volume circulante sangüíneo para manter a perfusão tecidual e a oxigenação. A administração de soluções de reposição restaura o volume através do aumento do volume do compartimento vascular. Uma transfusão sangüínea pode se tornar necessária quando há perda excessiva de sangue. No entanto, até mesmo nos casos de hemorragia grave, o tratamento inicial com soluções de reposição intravenosas pode salvar a vida do paciente, e permitir um tempo para obtenção do sangue adequado à transfusão. As soluções de reposição intrAs soluções de reposição intrAs soluções de reposição intrAs soluções de reposição intrAs soluções de reposição intravenosas são a primeiravenosas são a primeiravenosas são a primeiravenosas são a primeiravenosas são a primeira linha de tra linha de tra linha de tra linha de tra linha de tratatatatatamentamentamentamentamento paro paro paro paro paraaaaa a hipoa hipoa hipoa hipoa hipovolemia.volemia.volemia.volemia.volemia. 4.3 Fluidos de reposição intravenosa Cristalóides Os cristalóides são compostos por substâncias cristalóides como dextrose ou cloreto de sódio que, quando dissolvido em água, forma uma solução de eletrólitos ou açúcares. As reposições de fluidos cristalóides contêm uma concentração de sódio similar ao do plasma. Isto impede que os fluidos sejam removidos do compartimento intracelular, já que a membrana celular é geralmente soluções salinassoluções salinassoluções salinassoluções salinassoluções salinas balanceadas:balanceadas:balanceadas:balanceadas:balanceadas: Geralmente soluções de cloreto de sódio com composição eletrolítica semelhante à dos fluidos extracelulares soluções crissoluções crissoluções crissoluções crissoluções cristttttalóides:alóides:alóides:alóides:alóides: Solução aquosa de pequenas moléculas que atravessam a membrana capilar: salina normal, soluções salinas balanceadas F L U I D O S D E R E P O S I Ç Ã O 66 impermeável ao sódio. Entretanto, os fluidos cruzam rapidamente as membranas capilares, dirigindo-se do compartimento vascular ao compartimento intersticial, para então serem distribuídos por todo o compartimento extracelular. Normalmente, somente um quarto da solução cristalóide permanece no compartimento vascular. Por esta razão, os cristalóides devem ser infundidos num volume que corresponda ao triplo do déficit, de forma a restaurar o volume sangüíneo (volume intravascular). Os crisOs crisOs crisOs crisOs cristttttalóides dealóides dealóides dealóides dealóides devem ser infundidos em volume 3 vezes superior ao volumevem ser infundidos em volume 3 vezes superior ao volumevem ser infundidos em volume 3 vezes superior ao volumevem ser infundidos em volume 3 vezes superior ao volumevem ser infundidos em volume 3 vezes superior ao volume sangüíneo defsangüíneo defsangüíneo defsangüíneo defsangüíneo deficitário, de ficitário, de ficitário, de ficitário, de ficitário, de forma a corrigir a hipoorma a corrigir a hipoorma a corrigir a hipoorma a corrigir a hipoorma a corrigir a hipovolemia.volemia.volemia.volemia.volemia. Quando grandes volumes de fluidos cristalóides são administrados, pode ocorrer edema como resultado do extravasamento do fluido, que “passa” da circulação para o compartimento intersticial. É essencial que haja monitorização clínica rigorosa. Fluidos cristalóides que contenham exclusivamente dextrose não são recomendados para uso como fluidos de reposição.(ver figura 4.2) Solução Cristalóide Cristalóide Colóide composta com alta concentração principalmente de sódio e soluções por dextrose balanceadas Fluido de manutenção 99999 xxxxx xxxxx Fluido de reposição 99999 xxxxx 99999 A dextrose é rapidamente metabolizada, permanecendo apenas a água, que rapidamente cruza o capilar e parede celular, para então se distribuir nos compartimentos intra e extracelular. Somente uma pequena fração permanece no compartimento vascular, como mostra a figura 4.3. Figura 4.2: Adequação das soluções conforme manutenção ou reposição As soluções de dextrAs soluções de dextrAs soluções de dextrAs soluções de dextrAs soluções de dextrose (glicose) não contêm sódio, e são pobres como fose (glicose) não contêm sódio, e são pobres como fose (glicose) não contêm sódio, e são pobres como fose (glicose) não contêm sódio, e são pobres como fose (glicose) não contêm sódio, e são pobres como fluidosluidosluidosluidosluidos de reposição. Não as utilize no trde reposição. Não as utilize no trde reposição. Não as utilize no trde reposição. Não as utilize no trde reposição. Não as utilize no tratatatatatamentamentamentamentamento de hipoo de hipoo de hipoo de hipoo de hipovolemia, a não ser que nãovolemia, a não ser que nãovolemia, a não ser que nãovolemia, a não ser que nãovolemia, a não ser que não haja althaja althaja althaja althaja alternativernativernativernativernativa.a.a.a.a. Colóides As soluções colóides são compostas por uma suspensão de partículas que têm peso molecular superior aos cristalóides. Estas partículas, em geral, são muito grandes para passarem pelas membranas capilares, e tendem a permanecer inicialmente no espaço intravascular. O efeito destas partículas na circulação é o de mimetizar as proteínas plasmáticas, mantendo ou elevando a pressão oncótica do sangue. O peso molecular e o número de partículas numa solução colóide são soluções colóidessoluções colóidessoluções colóidessoluções colóidessoluções colóides: Uma solução de moléculas grandes, com passagem restrita através das membranas capilares. Utilizadas como fluidos de reposição: gelatinas, dextran, hidroxiletilamido. S E Ç Ã O 4 67 pressão oncóticapressão oncóticapressão oncóticapressão oncóticapressão oncótica: A pressão osmótica exercida pelas soluções colóides. Também chamada de “pressão colóido-osmótica”. importantes para determinar suas propriedades. Quanto maior for o tamanho da partícula, maior será sua permanência e ação no compartimento vascular. Também, quanto maior for o número de partículas, maior será seu efeito osmótico. Soluções com pressão oncóticapressão oncóticapressão oncóticapressão oncóticapressão oncótica maior que a do plasma têm a capacidade de remover água do compartimento intersticial para o sangue. O aumento da volemia pode, portanto, exceder o volume infundido (ver Fig. 4.3). Os colóides podem ser classificados como: 1 Derivados do plasma (naturais): obtidos a partir do sangue total ou plasma (albumina, por exemplo). Estes não devem ser utilizados como líquidosde reposição. 2 Sintéticos: obtidos de outras fontes, por exemplo, cartilagem bovina. As soluções colóides requerem menor volume na infusão do que as cris As soluções colóides requerem menor volume na infusão do que as cris As soluções colóides requerem menor volume na infusão do que as cris As soluções colóides requerem menor volume na infusão do que as cris As soluções colóides requerem menor volume na infusão do que as cristttttalóides.alóides.alóides.alóides.alóides. GerGerGerGerGeralmentalmentalmentalmentalmente, são adminise, são adminise, são adminise, são adminise, são administrtrtrtrtradas em volume igual ao do défadas em volume igual ao do défadas em volume igual ao do défadas em volume igual ao do défadas em volume igual ao do déficit de sangue.icit de sangue.icit de sangue.icit de sangue.icit de sangue. No entanto, em muitas condições nas quais a permeabilidade capilar está aumentada, pode ocorrer saída da circulação, levando a uma expansão volumétrica mais curta. Infusões suplementares poderão ser necessárias para manter o volume sangüíneo nas seguintes condições: Trauma Sepse aguda ou crônica F L U I D O S D E R E P O S I Ç Ã O Figura 4.3: Distribuição intravenosa de fluidos 68 Queimaduras Picada de cobra (hemotóxica ou citotóxica) AlerAlerAlerAlerAlerttttta: Na: Na: Na: Na: Nunca infunda água purunca infunda água purunca infunda água purunca infunda água purunca infunda água pura em via intra em via intra em via intra em via intra em via intravenosa; ela causará hemólise!avenosa; ela causará hemólise!avenosa; ela causará hemólise!avenosa; ela causará hemólise!avenosa; ela causará hemólise! A solução de reposição intravenosa ideal A propriedade mais importante de um fluido de reposição intravenosa é ocupar volume no compartimento vascular. Um fluido de reposição ideal deve realizar isto num intervalo razoável de tempo, sem interferir com as funções normais do sangue. Além disso, deve ser: Disponível e barato Atóxico Anti-alérgico e livre de riscos de infecção Totalmente metabolizado ou eliminado pelo corpo. Infelizmente, nenhum fluido atende a todos esses requerimentos. Portanto, é importante estar familiarizado com as propriedades e as características das soluções disponíveis em seu hospital, para ser capaz de usá-las de forma segura. A controvérsia entre cristalóides e colóides Muito se tem escrito sobre a controvérsia no uso de cristalóides ou colóides, mas pode-se resumir este assunto conforme a explicação que se segue. A maioria dos clínicos concorda que é necessário repor o volume sangüíneo em pacientes hipovolêmicos com fluidos de reposição. No entanto, discordam sobre o tipo de fluido que deve ser utilizado. Os dois tipos de soluções possuem vantagens e desvantagens, como mostra a figura 4.4. No entanto, garantir que o volume infundido esteja adequado ao paciente hipovolêmico é mais importante que a escolha de qual tipo de fluido deve ser utilizado. VVVVVantantantantantagensagensagensagensagens DesvDesvDesvDesvDesvantantantantantagensagensagensagensagens CrisCrisCrisCrisCristttttalóidesalóidesalóidesalóidesalóides Poucos efeitos colaterais Ação rápida Baixo custo Pode causar edema Ampla disponibilidade Peso e volume ColóideColóideColóideColóideColóide Ação mais duradoura Não há evidência que sejam Menos fluido necessário clinicamente mais efetivos para correção da hipovolemia Alto custo Menor peso Pode causar sobrecarga circulatória Pode interferir na coagulação Risco de reações anafiláticas Figura 4.4: Vantagens e desvantagens dos cristalóides S E Ç Ã O 4 69 Não há eNão há eNão há eNão há eNão há evidências que as soluções colóides sejam superiores às soluçõesvidências que as soluções colóides sejam superiores às soluçõesvidências que as soluções colóides sejam superiores às soluçõesvidências que as soluções colóides sejam superiores às soluçõesvidências que as soluções colóides sejam superiores às soluções salinas normais ou balanceadas na ressuscitsalinas normais ou balanceadas na ressuscitsalinas normais ou balanceadas na ressuscitsalinas normais ou balanceadas na ressuscitsalinas normais ou balanceadas na ressuscitação.ação.ação.ação.ação. Se o fornecimento de fluidos de infusão for limitado, recomenda-se, sempre que possível, que seja mantido um estoque de soluções cristalóides de salina normal (0.9%) ou balanceada, como Ringer-lactato ou de Hartmann, em todos os hospitais que necessitem de fluidos de reposição. Segurança Antes de administrar uma solução intravenosa deve-se: 1. Verificar se o lacre da bolsa ou frasco de infusão não esteja rompido. 2. Verificar a data de vencimento. 3. Observar se a solução está clara e livre de partículas visíveis. 4.4 Outras vias de administração de fluidos É importante lembrar que há outras vias de administração de fluidos além da intravenosa. No entanto, com exceção da via intra-óssea, elas geralmente são inadequadas para pacientes hipovolêmicos graves. Via intra-óssea A via intra-óssea pode fornecer um acesso rápido à circulação em crianças chocadas, nas quais o acesso venoso não esteja disponível. Sangue, fluidos e certas drogas podem ser administradas por essa via (veja Seção 13.6 : Tratamento de pacientes pediátricos). Via oral A reidratação oral pode ser utilizada em pacientes moderadamente hipovolêmicos se a via oral não estiver contra-indicada. Não a use se: O paciente estiver inconsciente O paciente possui lesões gastrointestinais ou diminuição da motilidade intestinal: por exemplo, obstrução Em iminência de cirurgia e anestesia geral. Diversas preparações de sais de reidratação oral estão disponíveis na forma concentrada para reconstituição com água potável. Há pequenas diferenças na composição delas. A fórmula da OMS/UNICEF está descrita na figura 4.5. F L U I D O S D E R E P O S I Ç Ã O 70 Solução de reidrSolução de reidrSolução de reidrSolução de reidrSolução de reidratatatatatação oração oração oração oração oralalalalal Dissolver num litrDissolver num litrDissolver num litrDissolver num litrDissolver num litro de água potávelo de água potávelo de água potávelo de água potávelo de água potável Cloreto de sódio (sal de cozinha) 3,5 g Bicarbonato de sódio 2,5 g Cloreto de potássio ou substituto adequado 1,5 g (banana ou refrigerante à base de cola degaseificado) Glicose (açúcar) 20,0 g ConcentrConcentrConcentrConcentrConcentrações resultações resultações resultações resultações resultantantantantanteseseseses Na+ 90 mEq/ L Cl- 80 mEq/ L K+ 20 mEq/ L Glicose 110mmol/L (90 mmol/ L) (80 mmol/ L) (20 mmol/ L) Via retal O reto pode ser utilizado para a infusão de fluidos. Eles são prontamente absorvidos, e a absorção cessa quando a hidratação estiver completa. As soluções retais são administradas através de um tubo de enema plástico ou de borracha, que é inserido no reto, e conectado a um frasco de fluido. Se necessário, a taxa de infusão pode ser controlada por gotejamento. As soluções utilizadas não precisam ser estéreis. Uma solução segura e efetiva de reidratação retal é um litro de água potável com uma colher de chá de sal de cozinha. Via subcutânea Ocasionalmente, quando outras vias de administração não são disponíveis, pode-se utilizar a via subcutânea. Uma cânula ou agulha é inserida no tecido subcutâneo (de preferência na parede abdominal) e fluidos estéreis são administrados de maneira convencional. Não administre soluções contendo dextrose na forma subcutânea, pois estas podem edemaciar os tecidos. 4.5 Características dos fluidos de reposição O restante desta seção detalha algumas soluções intravenosas de reposição disponíveis comercialmente. A composição dos fluidos de reposição e do plasma está descrita na figura 4.6 da página 71. Alguns hospitais produzem localmente os fluidos intravenosos. É importante verificara formulação destes produtos para garantir o seu uso adequado. ATIVIDADE 11 Verifique se o seu conhecimento sobre cristalóides e colóides está completo, e se você está familiarizado com as suas características e usos. Organize uma sessão educacional para a sua equipe relevante, no intuito de atualizar o conhecimento sobre uso e efeitos dos fluidos de reposição. Figura 4.5: Fórmula de reidratação oral da OMS/UNICEF S E Ç Ã O 4 71 Figura 4.6: Composição das soluções de reposição e do plasma ATIVIDADE 12 Faça uma lista com os fluidos de reposição que estejam disponíveis em seu hospital. Você acredita que alguma alternativa, ou fluido adicional deva estar disponível em seu local de serviço? O fornecimento de fluidos de reposição é inadequado ou irregular? Se sim, quais as razões? Política nacional ou local Custo Problemas de transporte Considere como você pode influenciar na política da escolha dos fluidos de reposição em seu serviço. Converse com seus colegas mais velhos, e desenvolva um plano de ação para aumentar o estoque e o uso efetivo de fluidos de reposição que considere essencial. F L U I D O S D E R E P O S I Ç Ã O SoluçãoSoluçãoSoluçãoSoluçãoSolução Na+Na+Na+Na+Na+ K+K+K+K+K+ Ca++Ca++Ca++Ca++Ca++ Cl-Cl-Cl-Cl-Cl- Base-Base-Base-Base-Base- PressãoPressãoPressãoPressãoPressão mEq/LmEq/LmEq/LmEq/LmEq/L mEq/LmEq/LmEq/LmEq/LmEq/L mEq/LmEq/LmEq/LmEq/LmEq/L mEq/LmEq/LmEq/LmEq/LmEq/L mEq/LmEq/LmEq/LmEq/LmEq/L colóido-colóido-colóido-colóido-colóido- (mmol/L)(mmol/L)(mmol/L)(mmol/L)(mmol/L) (mmol/L)(mmol/L)(mmol/L)(mmol/L)(mmol/L) (mmol/L)(mmol/L)(mmol/L)(mmol/L)(mmol/L) (mmol/L)(mmol/L)(mmol/L)(mmol/L)(mmol/L) (mmol/L)(mmol/L)(mmol/L)(mmol/L)(mmol/L) osmóticaosmóticaosmóticaosmóticaosmótica mmHgmmHgmmHgmmHgmmHg CrisCrisCrisCrisCristttttalóidesalóidesalóidesalóidesalóides Salina normal 154 0 0 154 0 0 (NaCl 0,9%) (154) (0) (0) (154) (0) Soluções salinas 130-140 4-5 2-3 109-110 28-30 0 balanceadas (130-140) (4-5) (4-6) (109-110) (28-30) (Ringer / Hartmann) ColóidesColóidesColóidesColóidesColóides Gelatina: 145 5,1 12,5 145 traços 27 (ligada a uréia: (145) (5,1) (6,25) (145) (27) Hemacel) Gelatina Sucinilada: 154 <0,4 <0,4 125 traços 34 Gelofusine (154) (<0,4) (<0,8) (125) (34) Dextran 70 (6%) 154 0 0 154 0 58 (154) (0) (0) (154) (0) (58) Dextran 60 (3%) 130 4 4 110 30 22 (130) (4) (2) (110) (30) (22) Hidroxietilamido 154 0 0 154 0 28 450/0,7 (6%) (154) (0) (0) (154) (0) (28) Albumina 5% 130-160 <1 V V V 27 (130-160) (<1) (27) Plasma normal 135-145 3,5-5,5 2,2-2,6 97-110 38-44 27 (135-145) (3,5-5,5) (2,2-2,6) (97-110) (38-44) (27) V = Variação conforme o lote 72 ATIVIDADE 13 Há manuais escritos em seu serviço sobre o uso de fluidos de reposição? Se sim, estes são usados de maneira apropriada e consistente? Se na atualidade não houver manuais, desenvolva alguns em acordo com seus colegas mais experientes. Organize uma sessão educacional para a equipe responsável. e monitore a implantação destes manuais. S E Ç Ã O 4 73 Soluções cristalóides F L U I D O S D E R E P O S I Ç Ã O SSSSSALINALINALINALINALINA NORMAL ( CloreA NORMAL ( CloreA NORMAL ( CloreA NORMAL ( CloreA NORMAL ( Clorettttto de sódio 0,9%)o de sódio 0,9%)o de sódio 0,9%)o de sódio 0,9%)o de sódio 0,9%) Descrição Consiste numa solução isotônica de cloreto de sódio numa concentração próxima à fisiológica, 154 mEq/L (mmol/L) de sódio e cloro Unidades 500 ml ou 1000 ml Risco de infecção Nenhum Armazenamento Num local frio Dose Pelo menos três vezes o volume perdido Meia-vida Pequena, aproximadamente 45 minutos: rapidamente distribuída através plasmática do compartimento extracelular Indicações Reposição de volume sangüíneo ou perda de fluidos extracelulares Precauções Cuidado em situações nas quais um edema pode agravar a patologia, por exemplo lesão craniana Pode precipitar sobrecarga circulatória e insuficiência cardíaca Contra- indicações Não use em pacientes com insuficiência renal presente Efeitos colaterais Podem ocorrer edemas teciduais quando são utilizados grandes volumes SOLUÇÕES SSOLUÇÕES SSOLUÇÕES SSOLUÇÕES SSOLUÇÕES SALINALINALINALINALINAS BALANCEADAS BALANCEADAS BALANCEADAS BALANCEADAS BALANCEADASASASASAS Descrição Estas soluções possuem uma composição que se assemelha com o fluido extracelular (veja figura 4.6) e pode ser infundida em grandes volumes sem provocar distúrbios eletrolíticos Exemplos Ringer-lactato Solução de Hartmann Unidades 500 ml ou 1000 ml Risco de infecção Nenhum Armazenamento Num local fresco Dose Pelo menos três vezes o volume sangüíneo perdido Meia-vida Pequena, aproximadamente 45 minutos: rapidamente distribuída através plasmática do compartimento extracelular Indicações Reposição do volume sangüíneo e outras perdas de fluido extracelular Precaução Cuidados em situações em que o edema pode agravar a patologia: trauma craniano Pode precipitar sobrecarga circulatória e insuficiência cardíaca Contra-indicações Não use em pacientes com insuficiência renal Efeitos colaterais Quando são utilizados grandes volumes, pode ocorrer edema tecidual 74 S E Ç Ã O 4 DEXTRDEXTRDEXTRDEXTRDEXTROSE E SOLUÇÕES ELETROSE E SOLUÇÕES ELETROSE E SOLUÇÕES ELETROSE E SOLUÇÕES ELETROSE E SOLUÇÕES ELETROLÍTICOLÍTICOLÍTICOLÍTICOLÍTICASASASASAS Exemplos 4,3% dextrose em cloreto de sódio 0,18% 2,5% dextrose em cloreto de sódio 0,45% 2,5% dextrose em solução de Darrow Descrição Soluções de dextrose contendo alguns eletrólitos; como a concentração de sódio está diminuída, um volume progressivo de fluidos irá atravessar as células Meia- vida Muito curta: rapidamente distribuída através do compartimento intracelular plasmática e extracelular Indicações Geralmente utilizados para manutenção, mas aquelas que contenham uma concentração mais alta de sódio podem ser utilizadas como fluido de reposição NNNNNotototototaaaaa 2,5% dextrose em solução de Darrow é comumente utilizada para corrigir desidratação e distúrbios eletrolíticos em crianças com gastroenterites.Diversos produtos são manufaturados para este uso. Nem todos são adequados. Assegure-se que a preparação utilizada contenha: Dextrose 2,5% Sódio 60 mEq/L (mmol/L) Potássio 17 mEq/L (mmol/L) Cloreto 52 mEq/L (mmol/L) Lactato 25 mEq/L (mmol/L) 75 Soluções colóides derivadas do plasma (naturais) Soluções colóides sintéticas F L U I D O S D E R E P O S I Ç Ã O Colóides derivados do plasma são preparados a partir de plasma ou sangue doado. Incluem: Plasma Plasma fresco congelado Plasma líquido Plasma descongelado Albumina EsEsEsEsEstttttes pres pres pres pres produtodutodutodutodutos não deos não deos não deos não deos não devem ser utilizados simplesmentvem ser utilizados simplesmentvem ser utilizados simplesmentvem ser utilizados simplesmentvem ser utilizados simplesmente como soluções de reposiçãoe como soluções de reposiçãoe como soluções de reposiçãoe como soluções de reposiçãoe como soluções de reposição. Podem transmitir doenças infecciosas, como HIV e hepatite, como o sangue total. Geralmente são mais caros que as fluidos cristalóides ou colóides sintéticos. A descrição desses produtos é feita na seção 5: Produtos Sangüíneos. GELAGELAGELAGELAGELATINTINTINTINTINAS (Hemacel, Gelofusine)AS (Hemacel, Gelofusine)AS (Hemacel, Gelofusine)AS (Hemacel, Gelofusine)AS (Hemacel, Gelofusine) Descrição Consiste em cadeias moleculares de gelatina preparadas a partir de colágeno bovino com peso molecular de aproximadamente 30.000 Formulações Hemacel: 3,5% gelatina em cloreto de sódio 0,9% Gelofusine: 4% gelatina em cloreto de sódio 0,9% Unidades 500 ml Risco de infecção Nenhum conhecido até o presente Armazenamento Em temperatura ambiente abaixo de 25ºC: estável por cinco anos Dose Não é conhecida a dose limitePressão Hemacel: aproximadamente 27 mmHg. Expansão de volume plasmático igual colóido-osmótica ao volume infundido Gelofusine: aproximadamente 34 mmHg. Expansão do volume plasmática excede o volume infundido Meia vida Aproximadamente 4 horas: pequena duração de ação, porém maior que a dos plasmática cristalóides Eliminação Excreção renal Indicações Reposição do volume sangüíneo Precauções Pode precipitar falência cardíaca Cuidado em insuficiência renal Não misture hemacel com sangue citratado, devido à alta concentração de cálcio Contra-indicações Não use em pacientes com insuficiência renal Efeitos colaterais Leves reações alérgicas devido a liberação de histamina Pode ocorrer aumento transitório no tempo de sangramento Podem ocorrer reações de hipersensibilidade, raramente anafilaxia 76 DEXTRAN 60 E DEXTRAN 70DEXTRAN 60 E DEXTRAN 70DEXTRAN 60 E DEXTRAN 70DEXTRAN 60 E DEXTRAN 70DEXTRAN 60 E DEXTRAN 70 Descrição Consiste de cadeias macromoleculares de glicose com média de peso molecular de 70,000 Formulações 3% dextran 60 em cloreto de sódio 0,9% 6% dextran 70 em cloreto de sódio 0,9% 6% dextran 70 em 5% dextrose Unidades 500 ml Risco de infecção Nenhum Armazenamento Temperatura ambiente, não excedendo 25 º C Dose Dextran 60: não deve exceder 50 ml/kg de peso em 24 horas Dextran 70: não deve exceder 25 ml/kg de peso em 24 horas Pressão Aproximadamente 58 mmHg. A expansão do volume plasmático excede o colóido-osmótica volume infundido Meia-vida Aproximadamente 12 horas plasmática Eliminação Predominantemente renal Indicações Reposição de volemia Profilaxia pós-cirúrgica de trombose venosa Precauções Podem ocorrer distúrbios da coagulação Inibe agregação de plaquetas Algumas preparações podem interferir nos testes de coagulação Contra-indicações Não use em pacientes com doenças de hemostasia e coagulação pré- existentes Efeitos colaterais Reações alérgicas leves Pode ocorrer aumento transitório no tempo de sangramento Podem causar reações de hipersensibilidade, raramente anafilaxia. Podem ser prevenidas pela injeção de 20 ml de Dextran 1 imediatamente antes da infusão, quando disponível DEXTRAN 40 E DEXTRAN 1DEXTRAN 40 E DEXTRAN 1DEXTRAN 40 E DEXTRAN 1DEXTRAN 40 E DEXTRAN 1DEXTRAN 40 E DEXTRAN 11111100000 Não são recomendados como solução de reposição S E Ç Ã O 4 77 F L U I D O S D E R E P O S I Ç Ã O PRPRPRPRPRODUTODUTODUTODUTODUTOS SOS SOS SOS SOS SANGÜÍNEOS SINTÉTICOSANGÜÍNEOS SINTÉTICOSANGÜÍNEOS SINTÉTICOSANGÜÍNEOS SINTÉTICOSANGÜÍNEOS SINTÉTICOS Dois produtos, hemoglobina livre de estroma e perfluocarbonados, estão atualmente sob investigação. São colóides e possuem a vantagem de ser capazes de transportar oxigênio. No momento, não estão disponíveis para uso clínico. PENTPENTPENTPENTPENTASASASASASTTTTTARARARARARCHCHCHCHCH Semelhante ao hetastarch, mas é uma solução a 10% com peso molecular de 280,000 Meia vida de 10 horas Pressão oncótica é de aproximadamente 40 mmHg; expansão de volume plasmático excede o volume infundido HIDRHIDRHIDRHIDRHIDROOOOOXIETILAMIDO ( HeXIETILAMIDO ( HeXIETILAMIDO ( HeXIETILAMIDO ( HeXIETILAMIDO ( Hetttttasasasasastttttarararararccccch ou HES)h ou HES)h ou HES)h ou HES)h ou HES) Descrição Consiste de formulações macromoleculares naturais do amido, com variação de peso molecular: por exemplo 450.000 Formulação 6% Hetastarch em cloreto de sódio 0,9% Unidades 500 ml Risco de infecção Nenhum Armazenamento Num local frio Dose Não deve exceder 20 ml/kg de peso corporal em 24 horas Pressão Aproximadamente 28 mmHg. Expansão de volume plasmático excede um pouco colóide-osmótica o volume infundido Meia vida 12 – 24 horas plasmática Eliminação Predomínio da excreção renal Precauções Podem ocorrer defeitos de coagulação Pode precipitar sobrecarga circulatória e falência cardíaca Indicações Reposição do volume sangüíneo Contra-indicações Não usar em pacientes com distúrbios de hemostasia e coagulação pré-existentes Não use em pacientes com insuficiência renal Efeitos colaterais Reações alérgicas leves devido à liberação de histamina Pode ocorrer aumento transitório do tempo de sangramento Pode haver reações de hipersensibilidade, raramente anafilaxia Aumento não significativo da amilase sérica O HES é retido nas células do sistema reticulo-endotelial; os efeitos a longo prazo são desconhecidos 78 Produtos sangüíneosProdutos sangüíneosProdutos sangüíneosProdutos sangüíneosProdutos sangüíneos Pontos chave 11111 Os prOs prOs prOs prOs produtodutodutodutodutos sangüíneos seguros sangüíneos seguros sangüíneos seguros sangüíneos seguros sangüíneos seguros, se usados correos, se usados correos, se usados correos, se usados correos, se usados corretttttamentamentamentamentamente, podem salve, podem salve, podem salve, podem salve, podem salvararararar vidas. Nvidas. Nvidas. Nvidas. Nvidas. No ento ento ento ento entantantantantanto, mesmo quando os padrões de qualidade fo, mesmo quando os padrões de qualidade fo, mesmo quando os padrões de qualidade fo, mesmo quando os padrões de qualidade fo, mesmo quando os padrões de qualidade forem eleorem eleorem eleorem eleorem elevvvvvados,ados,ados,ados,ados, a tra tra tra tra transfusão acarreansfusão acarreansfusão acarreansfusão acarreansfusão acarrettttta riscos. Se os padrões fa riscos. Se os padrões fa riscos. Se os padrões fa riscos. Se os padrões fa riscos. Se os padrões forem frorem frorem frorem frorem fracos ou inconsisacos ou inconsisacos ou inconsisacos ou inconsisacos ou inconsistttttentententententes,es,es,es,es, a tra tra tra tra transfusão pode ser extremamentansfusão pode ser extremamentansfusão pode ser extremamentansfusão pode ser extremamentansfusão pode ser extremamente arriscada.e arriscada.e arriscada.e arriscada.e arriscada. 22222 NNNNNenhum sangue ou prenhum sangue ou prenhum sangue ou prenhum sangue ou prenhum sangue ou produtodutodutodutoduto sangüíneo deo sangüíneo deo sangüíneo deo sangüíneo deo sangüíneo deve ser adminisve ser adminisve ser adminisve ser adminisve ser administrtrtrtrtrado, a menosado, a menosado, a menosado, a menosado, a menos que tque tque tque tque todos os todos os todos os todos os todos os tesesesesestttttes exigidos nacionalmentes exigidos nacionalmentes exigidos nacionalmentes exigidos nacionalmentes exigidos nacionalmente se mose se mose se mose se mose se mostrtrtrtrtrarem negativos.arem negativos.arem negativos.arem negativos.arem negativos. 33333 Cada unidade deCada unidade deCada unidade deCada unidade deCada unidade deve ser tve ser tve ser tve ser tve ser tesesesesestttttada e rada e rada e rada e rada e rotulada com o grupo ABotulada com o grupo ABotulada com o grupo ABotulada com o grupo ABotulada com o grupo ABO e Rh D.O e Rh D.O e Rh D.O e Rh D.O e Rh D. 44444 O sangue tO sangue tO sangue tO sangue tO sangue totototototal pode ser tral pode ser tral pode ser tral pode ser tral pode ser transfundido paransfundido paransfundido paransfundido paransfundido para repor hemácias em hemorra repor hemácias em hemorra repor hemácias em hemorra repor hemácias em hemorra repor hemácias em hemorragiasagiasagiasagiasagias agudas, quando tagudas, quando tagudas, quando tagudas, quando tagudas, quando também houver necessidade de corrigir hipoambém houver necessidade de corrigir hipoambém houver necessidade de corrigir hipoambém houver necessidade de corrigir hipoambém houver necessidade de corrigir hipovolemia.volemia.volemia.volemia.volemia. 55555 A preparA preparA preparA preparA preparação de componentação de componentação de componentação de componentação de componentes sangüíneos a pares sangüíneos a pares sangüíneos a pares sangüíneos a pares sangüíneos a partir de uma doação individualtir de uma doação individualtir de uma doação individualtir de uma doação individualtir de uma doação individual fffffornecetrornece trornece trornece trornece tratatatatatamentamentamentamentamento paro paro paro paro para dois ou três pacienta dois ou três pacienta dois ou três pacienta dois ou três pacienta dois ou três pacientes, e ees, e ees, e ees, e ees, e evitvitvitvitvita a tra a tra a tra a tra a transfusão deansfusão deansfusão deansfusão deansfusão de elementelementelementelementelementos de sangue tos de sangue tos de sangue tos de sangue tos de sangue totototototal que o paciental que o paciental que o paciental que o paciental que o paciente não necessite não necessite não necessite não necessite não necessita. Os componenta. Os componenta. Os componenta. Os componenta. Os componenteseseseses sangüíneos tsangüíneos tsangüíneos tsangüíneos tsangüíneos também podem ser coleambém podem ser coleambém podem ser coleambém podem ser coleambém podem ser coletttttados por aférese.ados por aférese.ados por aférese.ados por aférese.ados por aférese. 66666 O plasma pode trO plasma pode trO plasma pode trO plasma pode trO plasma pode transmitir a maioria das infansmitir a maioria das infansmitir a maioria das infansmitir a maioria das infansmitir a maioria das infecções presentecções presentecções presentecções presentecções presentes no sangue tes no sangue tes no sangue tes no sangue tes no sangue to-o-o-o-o- tttttal e há poucas indicações paral e há poucas indicações paral e há poucas indicações paral e há poucas indicações paral e há poucas indicações para o seu uso.a o seu uso.a o seu uso.a o seu uso.a o seu uso. 77777 Os derivOs derivOs derivOs derivOs derivados plasmáticos são fados plasmáticos são fados plasmáticos são fados plasmáticos são fados plasmáticos são feiteiteiteiteitos por pros por pros por pros por pros por processo de processo de processo de processo de processo de produção fodução fodução fodução fodução farmacêutica,armacêutica,armacêutica,armacêutica,armacêutica, a para para para para partir de grtir de grtir de grtir de grtir de grandes volumes de plasma de diverandes volumes de plasma de diverandes volumes de plasma de diverandes volumes de plasma de diverandes volumes de plasma de diversas doações individuais desas doações individuais desas doações individuais desas doações individuais desas doações individuais de sangue. Essangue. Essangue. Essangue. Essangue. Estttttes dees dees dees dees devem ser tvem ser tvem ser tvem ser tvem ser tesesesesestttttados parados parados parados parados para diminuir os riscos de infa diminuir os riscos de infa diminuir os riscos de infa diminuir os riscos de infa diminuir os riscos de infecçõesecçõesecçõesecçõesecções trtrtrtrtransmissíveis.ansmissíveis.ansmissíveis.ansmissíveis.ansmissíveis. 88888 Os FOs FOs FOs FOs Fatatatatatores VIII , IX e as imunoglobulinas tores VIII , IX e as imunoglobulinas tores VIII , IX e as imunoglobulinas tores VIII , IX e as imunoglobulinas tores VIII , IX e as imunoglobulinas também são fambém são fambém são fambém são fambém são feiteiteiteiteitos por tos por tos por tos por tos por tecnologiaecnologiaecnologiaecnologiaecnologia de DNde DNde DNde DNde DNA recombinantA recombinantA recombinantA recombinantA recombinante, sendo gere, sendo gere, sendo gere, sendo gere, sendo geralmentalmentalmentalmentalmente prefe prefe prefe prefe preferidos, por não haver risco deeridos, por não haver risco deeridos, por não haver risco deeridos, por não haver risco deeridos, por não haver risco de trtrtrtrtransmissão de agentansmissão de agentansmissão de agentansmissão de agentansmissão de agentes infes infes infes infes infecciosos ao pacientecciosos ao pacientecciosos ao pacientecciosos ao pacientecciosos ao paciente. Ne. Ne. Ne. Ne. No ento ento ento ento entantantantantanto, os cuso, os cuso, os cuso, os cuso, os custttttos sãoos sãoos sãoos sãoos são eleeleeleeleelevvvvvados e algumas complicações têm sido reporados e algumas complicações têm sido reporados e algumas complicações têm sido reporados e algumas complicações têm sido reporados e algumas complicações têm sido reportttttadas.adas.adas.adas.adas. 5 79 P R O D U T O S S A N G Ü Í N E O S Introdução O termo “produto sangüíneo” refere-se a qualquer substância terapêutica preparada a partir do sangue humano. O sangue pode ser separado em diversos componentes sangüíneos para várias indicações clínicas. No entanto, muitos países não possuem instalações para a separação de componentes, e o sangue total continua sendo o produto mais utilizado na maioria dos países subdesenvolvidos. O uso de sangue total pode ser a mais segura e sustentável maneira de cobrir as necessidades transfusionais mais urgentes. No entanto, quando há recursos disponíveis, o uso de componentes sangüíneos oferece certas vantagens. Esta seção descreve os métodos de produção de vários componentes sangüíneos e sumariza suas características e indicações de uso. Você deve estar familiarizado com cada produto sangüíneo utilizado em seu serviço, seja sangue total, componente sangüíneo ou derivado do plasma. Uma vez que a transfusão sangüínea envolve um transplante de tecidos do doador para o receptor, há o risco do receptor desenvolver infecções transmissíveis ou uma resposta imunológica a células estranhas ou proteínas plasmáticas (veja seção 7 : Efeitos Adversos da Transfusão). Você só deve prescrever produtos sangüíneos quando houver indicação clara para fazê-lo. Usado corretamente, pode salvar vidas. O uso inapropriado pode colocá-las em risco. Objetivos do estudo Quando completar esta seção, você deverá estar apto a: 1 Descrever as principais características de cada produto sangüíneo utilizado rotineiramente em seu serviço. 2 Prescrever o componente sangüíneo disponível mais apropriado para as necessidades de cada paciente. 3 Explicar os principais fatores que podem influenciar o uso e a disponibilidade dos componentes sangüíneos. 80 5.1 Definições Quando o termo “sangue” for utilizado neste módulo, refere-se a qualquer componente sangüíneo que seja constituído, em sua maioria, por glóbulos vermelhos (isto é: sangue total, concentrado de hemácias ou suspensão de glóbulos vermelhos), salvo quando definido de outra maneira. A definição de diferentes produtos sangüíneos é dada na figura 5.1. DEFINIÇÕES DEFINIÇÕES DEFINIÇÕES DEFINIÇÕES DEFINIÇÕES PrPrPrPrProdutodutodutodutoduto sangüíneoo sangüíneoo sangüíneoo sangüíneoo sangüíneo Qualquer substância terapêutica preparada a partir de sangue humano Sangue tSangue tSangue tSangue tSangue totototototalalalalal Sangue não separado colhido em recipiente adequado contendo uma solução anticoagulante-preservante ComponentComponentComponentComponentComponente sangüíneoe sangüíneoe sangüíneoe sangüíneoe sangüíneo 1 Uma parte do sangue, separada do sangue total como: Concentrado de hemácias Suspensão de glóbulos vermelhos Plasma Concentrado de plaquetas 2 Plasma ou plaquetas coletadas por aférese * 3 Crioprecipitado, preparado a partir de plasma fresco congelado, rico em fator VIII e fibrinogênio DerivDerivDerivDerivDerivado do plasmaado do plasmaado do plasmaado do plasmaado do plasma Proteínas do plasma humano preparadas sob condições de produção farmacêutica, tais como: Albumina Concentrado de fatores de coagulação Imunoglobulinas * Aférese: um método de coleta de plasma ou plaquetas diretamente do doador, geralmente, por um método mecânico. 5.2 Sangue total O sangue total é obtido de doadores de sangue através de venopunção. Durante a doação, o sangue é coletado numa bolsa plástica, estéril, descartável, que contém uma solução preservante e anticoagulante. Geralmente, esta solução contém citrato, fosfato, dextrose e adenina (CPDA). Suas funções estão resumidas na figura 5.2. Há variações no volume de sangue coletado e no tipo de solução preservante e anticoagulante usada em diversas partes do mundo. Frascos de vidro ainda são utilizados em alguns países para a coleta e armazenamento de sangue.Figura 5.1: Produtos sangüíneos: definições S E Ç Ã O 5 81 Durante o armazenamento, permanece o metabolismo dos glóbulos vermelhos e das plaquetas, enquanto que algumas proteínas plasmáticas perdem sua atividade biológica. Os efeitos metabólicos e bioquímicos do armazenamento estão resumidos na Figura 5.3. SOLUÇÕESSOLUÇÕESSOLUÇÕESSOLUÇÕESSOLUÇÕES FUNÇÕESFUNÇÕESFUNÇÕESFUNÇÕESFUNÇÕES C Citrato de sódio Liga-se aos íons de cálcio ao sangue na troca por sódio, para que o sangue não coagule P Fosfato Mantém o metabolismo das hemácias durante o armazenamento, garantindo a rápida liberação de oxigênio para os tecidos D Dextrose Preserva a membrana eritrocitária aumentando o período de armazenamento A Adenina Produz força energética Figura 5.2: Funções das soluções anticoagulante e preservante nas bolsas de coleta Figura 5.3: Efeitos de armazenamento no sangue total EfEfEfEfEfeiteiteiteiteitos de armazenamentos de armazenamentos de armazenamentos de armazenamentos de armazenamento no sangue to no sangue to no sangue to no sangue to no sangue totototototalalalalal Redução do pH (o sangue torna-se mais ácido) Aumento da concentração do potássio plasmático Redução progressiva de 2,3 DPG nos glóbulos vermelhos , que pode reduzir a liberação de oxigênio tecidual até que o 2,3 DPG seja restaurado Perda de toda a função plaquetária no sangue total dentro de 48 horas após a doação Redução do fator VIII para 10 – 20 % do normal dentro de 48 horas da doação. Os fatores de coagulação tais como o VII e IX são relativamente estáveis no armazenamento Qualquer sangue deve ser coletado, testado e processado nos mais altos padrões de segurança, como mostra a figura 5.4 na página 82. Vantagens Necessita somente de bolsas de coletas únicas simples e baratas Não é necessário equipamento para seu processamento Para pacientes com hemorragia, o sangue total fornece glóbulos vermelhos, volume e fatores estáveis da coagulação. Desvantagens Para pacientes com risco de sobrecarga circulatória, o sangue total contém um volume maior do que o concentrado de hemácias. P R O D U T O S S A N G Ü Í N E O S 82 5.3 Componentes sangüíneos O sangue total pode ser adequado para transfusão em diversas situações clínicas, como a reposição de glóbulos vermelhos em perda sangüínea aguda, quando há também hipovolemia. No entanto, a separação de sangue total em seus componentes – hemácias, plaquetas e plasma – é largamente utilizada para uso quando somente são requeridos estes componentes específicos. Estes componentes podem ser posteriormente processados para: Remoção de leucócitos Formação de “pool” (combinando plaquetas individuais de 4 – 6 doações para produzir uma dose conveniente a um paciente adulto), como mostra a figura 5.5..... O processo de separação requer bolsas plásticas específicas, outros equipamentos, um nível mais alto de conhecimento e maior trabalho para garantir a qualidade dos componentes produzidos. Um agentUm agentUm agentUm agentUm agente infe infe infe infe infeccioso presenteccioso presenteccioso presenteccioso presenteccioso presente numa doação de sangue pode ser tre numa doação de sangue pode ser tre numa doação de sangue pode ser tre numa doação de sangue pode ser tre numa doação de sangue pode ser transmitidoansmitidoansmitidoansmitidoansmitido parparparparpara ta ta ta ta todos os receptodos os receptodos os receptodos os receptodos os receptores dos componentores dos componentores dos componentores dos componentores dos componentes prepares prepares prepares prepares preparados a parados a parados a parados a parados a partir de uma únicatir de uma únicatir de uma únicatir de uma únicatir de uma única doação.doação.doação.doação.doação. Figura 5.4: Produção de sangue total S E Ç Ã O 5 83 Quando o plasma é removido do sangue total, os glóbulos vermelhos podem ser usados como concentrado de hemácias ou formar uma suspensão de glóbulos vermelhos por adição de uma solução diluente aditiva. Concentrado de hemácias O concentrado de hemácias (também chamado de concentrado de glóbulos vermelhos) é o mais simples componente de glóbulos vermelhos. É preparado pela separação do sangue sob efeito da gravidade durante toda a noite num refrigerador a uma temperatura de +2ºC a +6ºC, ou por centrifugação da bolsa de sangue numa centrífuga refrigerada. P R O D U T O S S A N G Ü Í N E O S Figura 5.5: Produtos sangüíneos ComponentComponentComponentComponentComponentes eritres eritres eritres eritres eritrocitáriosocitáriosocitáriosocitáriosocitários Concentrados de hemácias Suspensão de hemácias (hemácias + solução aditiva) Hemácias com depleção do buffy-coat Hemácias leucodepletadas ComponentComponentComponentComponentComponentes plaquees plaquees plaquees plaquees plaquetáriostáriostáriostáriostários Uma unidade, obtida da doação de uma doação de sangue total Unidades em “pool” (de 4-6 doações unitárias) Unidade de doador único, preparada por aférese ComponentComponentComponentComponentComponenteseseseses plasmáticosplasmáticosplasmáticosplasmáticosplasmáticos Plasma fresco congelado Plasma líquido Plasma liofilizado Plasma pobre em crioprecipitado Plasma com inativação viral Crioprecipitado DerivDerivDerivDerivDerivadosadosadosadosados plasmáticosplasmáticosplasmáticosplasmáticosplasmáticos Albumina Fatores da coagulação Imunoglobulina 84 O plasma então é removido por transferência para uma segunda bolsa plástica, que é conectada à bolsa de sangue total, garantindo-se a esterilidade, e as hemácias permanecem na bolsa original (figura 5.6) O concentrado de hemácias também contém glóbulos brancos do sangue doado. Vantagens Preparação simples e barata Desvantagens Tem uma alta concentração de hemácias no plasma (alto hematócrito), que aumenta a viscosidade, aumentando o tempo necessário para a transfusão através de agulhas ou cânulas pequenas Em alguns pacientes, os leucócitos são a causa de reações febris não hemolíticas..... Suspensão de glóbulos vermelhos Preparada a partir da remoção do plasma para uma segunda bolsa plástica, como descrito abaixo. Uma solução diluente aditiva formulada para melhor preservação das hemácias é transferida da terceira bolsa plástica para a original (figura 5.7) Vantagens Menor volume da bolsa, com diminuição da viscosidade e, portanto, infusão facilitada Melhor preservação dos glóbulos vermelhos durante o armazenamento, conferindo maior meia-vida que o sangue total ou concentrado de hemácias Permite o uso de componentes separados (plasma / plaquetas) para outros pacientes. Figura 5.6: Preparo de suspensão de hemácias S E Ç Ã O 5 85 Desvantagens Custo: é necessário um sistema de coleta especial contendo três bolsas interligadas É necessário equipamento caro (centrífuga refrigerada). A figura 5.8 mostra o volume do concentrado de glóbulos vermelhos que pode ser preparada a partir da doação sangüínea de 450 ml. Figura 5.8 : Volume do concentrado de glóbulos vermelhos preparado a partir da doação sangüínea de 450 ml. P R O D U T O S S A N G Ü Í N E O S Figura 5.7: Preparo de suspensão de hemácias ComposiçãoComposiçãoComposiçãoComposiçãoComposição Sangue tSangue tSangue tSangue tSangue totototototalalalalal ConcentrConcentrConcentrConcentrConcentradoadoadoadoado Suspensão deSuspensão deSuspensão deSuspensão deSuspensão de de hemáciasde hemáciasde hemáciasde hemáciasde hemácias hemácia semhemácia semhemácia semhemácia semhemácia sem solução aditivsolução aditivsolução aditivsolução aditivsolução aditivaaaaa Sangue 400-500 ml 220-340 ml 280-420 ml Anticoagulante 63 ml Mínimo 0 Solução aditiva Pequena quantidade 100 ml de plasma permanece para melhorar a viscosidade, além de algum benefícioda solução aditiva Hemoglobina Mínimo 45g Mínimo 45g Mínimo 45g Hematócrito % 45-55% 55-75% 50-70% Hemácias: ml 120-250 ml 120-250 ml 120-250 ml Plasma 200-300 ml 50-70 ml 10-20 ml (ou menos) Armazenamento 21 dias: ACD,CPD 21 dias: ACD, 42 dias: CPDA mínimo entre 35 dias: CPDA 35 dias: CPDA + solução aditiva +2o C e +6o C para hemácias ( ex. SAG-MANITOL) CD = Citrato ácido dextrose CPD = Citrato fosfato dextrose CPDA = Citrato fosfato dextrose adenina 86 Glóbulos brancos (leucócitos) As transfusões de leucócitos não provaram seu valor clínico. A remoção dos leucócitos a partir de outros produtos sangüíneos (leucodepleção) pode reduzir a incidência de reações febris e o risco de transmitir citomegalovírus (CMV) e outros agentes infecciosos pela transfusão. Glóbulos vermelhos depletados de “buffy coat” A remoção dos leucócitos a partir de sangue total necessita de centrifugação controlada, de maneira que as hemácias se acomodem na base da bolsa de sangue. Os leucócitos (e a maioria das plaquetas) permanecem numa camada chamada “““““bufbufbufbufbuffy coatfy coatfy coatfy coatfy coat”,”,”,”,”, que forma uma interface entre as hemácias e o plasma. Quando recursos são disponíveis, equipamentos e sistema de bolsas especiais podem ser utilizados para remover o “““““bufbufbufbufbuffy coatfy coatfy coatfy coatfy coat”.”.”.”.”. VVVVVantantantantantagensagensagensagensagens Os glóbulos vermelhos são mantidos com cerca de 10% de leucócitos no concentrado de hemácias Menor risco de reações transfusionais devido a anticorpos anti- leucocitários, e transmissão de infecções intracelulares quando as hemácias são transfundidas O “buffy coat” pode ser usado para preparar concentrado de plaquetas. DesvDesvDesvDesvDesvantantantantantagensagensagensagensagens Custo: é necessário uso de bolsas e equipamentos específicos É necessário maior conhecimento e treinamento do operador. Glóbulos vermelhos ou sangue total leuco-reduzidos (filtrados) Filtros especiais de leucócitos podem ser usados para remover virtualmente todos os leucócitos. É de comum acordo que o melhor uso do filtro é feito no momento da transfusão (isto é, durante a infusão do paciente) para evitar qualquer contaminação do sangue estéril antes deste sair do banco de sangue. Vantagens Diminui o desenvolvimento de imunidade a leucócitos Diminui as reações transfusionais agudas, no entanto, a remoção do buffy coat é menos cara, e geralmente mais efetiva para este propósito O sangue filtrado contém menos de 1 x 106 leucócitos por bolsa, não transmitindo infecção por citomegalovírus (CMV). bufbufbufbufbuffy coatfy coatfy coatfy coatfy coat : A camada de leucócitos que forma a interface entre os eritrócitos e o plasma quando o sangue é centrifugado. S E Ç Ã O 5 87 Desvantagens Custo: é necessário uso de bolsas e equipamentos especiais É necessário maior conhecimento e treinamento do operador..... Plasma O plasma é separado do sangue total por centrifugação, ou por sedmentação das hemácias sob gravidade num refrigerador de banco de sangue. Pode ser coletado de doadores por plasmaférese (veja Seção 5.4 abaixo). A principal indicação clínica é o tratamento de distúrbios da coagulação com sangramento devido à redução dos níveis de diversos fatores da coagulação. Para este objetivo, o plasma fresco congelado deve ser utilizado. É separado do sangue total e congelado a –25ºC, ou temperaturas inferiores entre 6-8 horas da doação, de maneira a preservar os fatores de coagulação lábeis (fatores V e VIII). O plasma fresco congelado pode ser armazenado por pelo menos um ano (ou mais), se baixas temperaturas puderem ser mantidas. Quando o plasma é armazenado a uma temperatura de 2 a 6ºC, a atividade dos fatores de coagulação diminuirá para 10 a 20% em 48 horas. Quando houver instalações possíveis, o plasma doado deve ser fracionado para garantir um derivado plasmático seguro e com inativação viral. O plasma não é recomendado como fluido de reposição para corrigir hipovolemia, pois: O plasma apresenta o mesmo risco do sangue total de transmitir HIV, vírus da hepatite B e C, e outras infecções transmissíveis por transfusão. Há pouca evidência que o plasma ofereça qualquer benefício clínico adicional sobre a reposição com cristalóides e colóides no tratamento da hipovolemia O plasma é caro; a reposição com cristalóides é barata e não acarreta risco de infecções transmissíveis. Concentrados de plaquetas As plaquetas separadas do plasma obtido a partir de 4-6 doações de sangue total são unidas num “pool” para produzir uma dose terapêutica de plaquetas para um adulto. Geralmente, os padrões nacionais requerem que esta dose contenha pelo menos 240 x 109/ L de plaquetas. A formação do “pool” aumenta o risco de transmissão de infecções. A dose de plaquetas coletadas a partir de um único doador por plaquetaférese (Seção 5.4 abaixo), evita a exposição a diversas doações. P R O D U T O S S A N G Ü Í N E O S 88 aférese:aférese:aférese:aférese:aférese: procedimento que envolve a retirada de sangue, com separação ex-vivo do componente (plasma e plaquetas), com reinfusão dos outros componentes. 5.4 Separação de componentes por aféreses A aféreseaféreseaféreseaféreseaférese é um método alternativo de produção de componentes sangüíneos. É um processo estéril, no qual o doador é conectado a um sistema especializado em que o sangue é retirado e um componente específico, geralmente plasma ou plaquetas, é mecanicamente separado e coletado. Os glóbulos vermelhos e outros componentes do sangue que não sejam requeridos são reinfundidos de volta ao doador. A plasmaféreseplasmaféreseplasmaféreseplasmaféreseplasmaférese é a coleta de plasma do doador por aférese. A plaq plaq plaq plaq plaqueueueueuetaférese taférese taférese taférese taférese é a coleta de plaquetas do doador por aférese. A vantagem da aférese é a quantidade maior de plasma e plaquetas que podem ser coletadas de um doador. Como os glóbulos vermelhos são reinfundidos para a circulação do doador, evita-se a anemia ao doador, e o processo pode ser repetido em intervalos freqüentes. 5.5 Produção de derivados plasmáticos (fracionamento do plasma) A produção dos derivados de plasma, ou fracionamento plasmático, é um processo de produção farmacêutica com grandes quantidades de plasma, obtidos a partir da separação do sangue total ou plasmaférese, agrupados e processados em produtos específicos. Estes produtos incluem: Albumina Fatores de coagulação, como fator VIII e fator IX Imunoglobulinas. Um único frasco de derivado de plasma como a albumina, produzida por uma grande planta de fracionamento, pode conter plasma de mais ou menos 30 000 doações sangüíneas diferentes, como mostra a figura 5.9 na página 89. Um único lote deste produto pode ser enviado a diversos países no mundo e utilizado em centenas de pacientes. Esta forma de transfusão possui um grande potencial de disseminar infecções. O risco de infecção transmissível por transfusão pode ser evitado apenas por um rigoroso controle de qualidade e boas práticas de manufatura du- rante o fracionamento do plasma, junto a uso consistente de efetivos métodos para excluir, remover ou inativar qualquer contaminante de todos os estágios do processo, desde a seleção do doador até a inativação viral final do produto. derivderivderivderivderivados do plasma:ados do plasma:ados do plasma:ados do plasma:ados do plasma: Proteína humana plasmática preparada sob condições de manufatura farmacêutica. Inclui albumina, imunoglobulinas e fatores VIII e IX da coagulação. S E Ç Ã O 5 89 Figura 5.9: Derivados plasmáticos expõem muitos receptores ao plasma de muitos doadores 5.6 Características dos produtos sangüíneos Os anexos desta seção sumarizam as características individuais dos produtossangüíneos. ATIVIDADE 14 Verifique se seu conhecimento sobre os produtos sangüíneos está completo, e se você está familiarizado com suas características e usos. Organize uma sessão educacional com a equipe para renovar o conhecimento sobre o uso de produtos sangüíneos. ATIVIDADE 15 Faça uma lista dos produtos disponíveis em seu serviço. Há algum requerimento especial para pedir componentes sangüíneos específicos, como concentrado de plaquetas ou concentrado de hemácias leucodepletadas? Por exemplo, há necessidade de uma consulta com um especialista ou discussão do caso com o banco de sangue? P R O D U T O S S A N G Ü Í N E O S 90 Sangue total S E Ç Ã O 5 SSSSSANGUE TANGUE TANGUE TANGUE TANGUE TOOOOOTTTTTAL (CPD – Adenina – 1)AL (CPD – Adenina – 1)AL (CPD – Adenina – 1)AL (CPD – Adenina – 1)AL (CPD – Adenina – 1) Dados para um volume de doação de 450 ml (10%). O sangue total pode conter uma solução anticoagulante/ aditiva alternativa. Descrição Volume total acima de 510 ml (este volume pode variar conforme as políticas locais) Sangue doado 450 ml 63 ml de anticoagulante Hemoglobina aproximada de 12 g/ml Hematócrito 35 (45%) Sem plaquetas ativas Sem fatores lábeis de coagulação (V e VIII) Unidade de medida 1 doação, também chamada de “unidade” ou “bolsa” Risco de infecção Não esterilizado, portanto, capaz de transmitir qualquer agente presente nas células ou no plasma que não tenham sido detectados pela rotina de análise para infecções transmissíveis por transfusão, incluindo: HIV 1 e 2 Hepatite B e C Outros vírus de hepatite Sífilis Malária Doença de Chagas Armazenamento Entre +2ºC e +6ºC em refrigerador especial de banco de sangue, idealmente, com controle de temperatura e de alarme Pode ser estocado por mais de 35 dias, se coletado em anticoagulante adequado, como o citrato fosfato dextrose com adenina (CPDA-1)(figura 5.2) Durante o armazenamento, podem ocorrer mudanças na composição do produto pelo metabolismo das hemácias (figura 5.3) A transfusão deve ser iniciada em até 30 minutos após a retirada do componentes da refrigeração Indicações Reposição de glóbulos vermelhos em perda aguda sangüínea com hipovolemia Exsangüíneo-transfusão Pacientes necessitando de transfusão de glóbulos vermelhos, quando o concentrado ou suspensão de hemácias não estiver disponível Contra-indicações Risco de sobrecarga volumétrica em pacientes com: Anemia crônica Insuficiência cardíaca incipiente Administração Deve ser ABO e Rh compatível com o receptor A transfusão deve estar finalizada em até 4 horas após o início Não deve ser adicionado qualquer medicamento a unidade de sangue. 91 Componentes sangüíneos P R O D U T O S S A N G Ü Í N E O S SUSPENSÃO DE HEMÁCIASSUSPENSÃO DE HEMÁCIASSUSPENSÃO DE HEMÁCIASSUSPENSÃO DE HEMÁCIASSUSPENSÃO DE HEMÁCIAS Descrição 150 – 200 ml de hemácias com quantidade residual mínima de plasma com adição de aproximadamente 110 ml de salina normal, adenina, glicose, solução de manitol (SAG-M) ou solução equivalente nutriente de hemácias Hemoglobina de aproximadamente 15 g / 100 ml (não menos que 45 g por unidade) Hematócrito 50 – 70% Unidade de medida 1 doação Risco de infecção O mesmo do sangue total Armazenamento O mesmo do sangue total Indicações As mesmas do concentrado de hemácias Contra-indicações Glóbulos vermelhos suspensos em solução aditiva não devem ser utilizados para exsangüíneo-transfusão de recém nascidos. A solução aditiva pode ser reposta com plasma, 45% de albumina ou solução cristalóide isotônica, como a salina normal (Seção 11: Pediatria e Neonatologia) Administração A mesma do sangue total São obtidas melhores taxas de infusão do que o concentrado de hemácias ou sangue total CONCENTRADO DE HEMÁCIASCONCENTRADO DE HEMÁCIASCONCENTRADO DE HEMÁCIASCONCENTRADO DE HEMÁCIASCONCENTRADO DE HEMÁCIAS Pode ser chamado de “concentrado de glóbulos vermelhos”, “concentrado de hemácias” ou “sangue reduzido de plasma”. Descrição 150 – 200 ml de hemácias, em que a maioria do plasma foi removido Hemoglobina de aproximadamente 20 g/100 ml ( não menos que 45 g por unidade) Hematócrito 55 – 75% Unidade obtida 1 doação Risco de infecção Como o do sangue total Armazenamento Como o do sangue total 92 S E Ç Ã O 5 GLÓBULGLÓBULGLÓBULGLÓBULGLÓBULOS VERMELHOS LEUCO-DEPLETOS VERMELHOS LEUCO-DEPLETOS VERMELHOS LEUCO-DEPLETOS VERMELHOS LEUCO-DEPLETOS VERMELHOS LEUCO-DEPLETADOSADOSADOSADOSADOS Descrição Uma suspensão ou concentrado de hemácias contendo menos de 5 x 106 leucócitos por bolsa, preparado por filtração em filtros para depleção de leucócitos Concentração de hemoglobina e de hematócrito depende do produto inicial que é o sangue total, concentrado ou suspensão de hemácias A depleção de leucócitos remove o risco de transmissão de citomegalovírus (CMV) Unidade de medida 1 doação Risco de infecção O mesmo do sangue total Armazenamento Depende do método de produção: consulte o serviço hemoterápico Indicações Diminuir a alo-imunização de pacientes que recebam transfusões repetidas mas, para garantir isto, todos os componentes sangüíneos que o paciente receber devem ser leucodepletados Diminuir o risco de transmissão de CMV em situações específicas (Seção 7: Efeitos adversos da transfusão) Pacientes que apresentaram duas ou mais reações febris em transfusões de hemácias Contra-indicações Não previne a doença enxerto versus hospedeiro; para este objetivo, os componentes devem ser irradiados quando aparelhos de irradiação estiverem disponíveis (dose da radiação: 25 – 30 Gy) Administração Como a do sangue total Pode ser utilizado um filtro de leucócitos no momento da transfusão se sangue total ou concentrados de hemácias leucodepletadas não forem disponíveis. Alternativa O uso de sangue total ou suspensão de hemácias com redução do “buffy coat é geralmente efetivo para prevenir reações transfusionais febris não hemolíticas. O banco de sangue deve retirar o “buffy coat” num ambiente estéril imediatamente antes do transporte do sangue para o leito. A transfusão deve iniciar em até 30 minutos após a liberação, com o uso, se possível, de um filtro de leucócitos. A transfusão deve terminar em até 4 horas após o início. 93 CONCENTRADOS DE PLACONCENTRADOS DE PLACONCENTRADOS DE PLACONCENTRADOS DE PLACONCENTRADOS DE PLAQUETQUETQUETQUETQUETAS (preparAS (preparAS (preparAS (preparAS (preparados a parados a parados a parados a parados a partir de doações de sangue ttir de doações de sangue ttir de doações de sangue ttir de doações de sangue ttir de doações de sangue totototototal)al)al)al)al) Descrição Unidade de um único doador num volume de 50-60 ml de plasma deve conter: Pelo menos 55 x 109 plaquetas < 1,2 x 109 hemácias < 0,2 x 109 leucócitos Unidade de medida Pode ser fornecida como: Unidade de um único doador: plaquetas preparadas a partir de um única doação “Pool”: plaquetas preparadas de 4 a 6 unidades doadas unidas numa única bolsa para conter uma dose de adulto de pelo menos 240 x 109 plaquetas Risco de infecção O mesmo do sangue total, porém, uma dose normal de adulto envolve exposição entre 4 a 6 doações Contaminação bacteriana afeta cerca de 1% das unidades tipo “pool” Armazenamento 20ºC – 24ºC (em agitação) por até 5 dias em bolsas específicas, no entanto, alguns centros utilizam bolsas plásticas comuns restringindo o armazenamento a 72 horas O aumento do armazenamento provoca aumento do risco de proliferação bacteriana e septicemia no receptor Indicações Tratamento de sangramento devido: — Trombocitopenia — Distúrbios da função plaquetária Prevenção de sangramento devido a trombocitopenia, como na falência medular Contra-indicações Geralmente não é indicado como profilaxia para sangramentode pacientes cirúrgicos, a menos que se conheça deficiência da função plaquetária na avaliação pré-cirúrgica Não está indicado em : — Púrpura trombocitopênica autoimune idiopática (PTI) — Púrpura trombocitopênica trombótica (PTT) — Coagulação Disseminada intravascular não tratada (CIVD) — Trombocitopenia associada a septicemia, até que o tratamento tenha sido iniciado ou em casos de hiperesplenismo Dose 1 unidade de concentrado de plaquetas/10 kg de peso corpóreo: num adulto de 60 ou 70 kg, 4-6 unidades de único doador contêm pelo menos 240 X 109 plaquetas que devem aumentar a contagem plaquetária em 20 – 40 X 109/L O aumento será menor se houver: — Esplenomegalia — Coagulação intravascular disseminada — Septicemia Administração Depois da formação de “pool”, os concentrados de plaquetas devem ser infundidos o mais rápido possível, geralmente em até 4 horas, por causa do risco de proliferação bacteriana Não devem ser refrigerados antes da infusão, devido à perda de função plaquetária P R O D U T O S S A N G Ü Í N E O S 94 4-6 unidades de concentrado de plaquetas (que podem ser fornecidas como “pool”) devem ser infundidas num novo equipo Não são necessários equipos especiais de infusão plaquetária Concentrado de plaquetas preparados de doadores Rh(D) positivo não devem ser administrados em mulheres Rh(D) negativas em idade fértil Concentrados de plaquetas ABO compatíveis devem ser administrados, quando possível Complicações Não são incomuns reações alérgicas e febris não hemolíticas, especialmente em politransfundidos. Para o tratamento, veja a seção 7: Efeitos Adversos da Transfusão. S E Ç Ã O 5 CONCENTRADOS DE PLACONCENTRADOS DE PLACONCENTRADOS DE PLACONCENTRADOS DE PLACONCENTRADOS DE PLAQUETQUETQUETQUETQUETAS (coleAS (coleAS (coleAS (coleAS (coletttttados por plaqueados por plaqueados por plaqueados por plaqueados por plaquetttttaférese)aférese)aférese)aférese)aférese) Descrição Volume 150-300 ml Plaquetas contendo 150-500 X 109, equivalente a 3-10 doações simples Conteúdo plaquetário, volume do plasma e contaminação leucocitária dependente do procedimento de coleta Unidade de medida 1 bolsa contendo concentrado de plaquetas coletadas por separador celular provenientes de um único doador Risco de infecção O mesmo do sangue total Armazenamento Até 72 horas em 20ºC-24ºC (sob agitação), a menos que tenha sido colhida em bolsas especiais validadas para maior armazenamento; não mantenha a 4ºC Indicações Concentrados de plaquetas obtidos por aférese são geralmente equivalentes à mesma dose de concentrados de plaquetas obtidos de sangue total Se for necessário um tipo especial de doador compatível para o paciente, diversas doses podem ser obtidas de um doador selecionado Dose 1 unidade de concentrado de plaquetas/10 Kg de peso corpóreo: num adulto de 70 kg, 1 unidade deve aumentar a contagem plaquetária em 5.000/ml Administração As mesmas recomendadas para doadores de plaquetas, mas a compatibilidade ABO é mais importante: altos títulos de anti-A ou anti-B no plasma do doador usados para suspender as plaquetas podem causar hemólise nas hemácias do receptor 95 P R O D U T O S S A N G Ü Í N E O S PLASMA LÍQUIDO PLASMA LÍQUIDO PLASMA LÍQUIDO PLASMA LÍQUIDO PLASMA LÍQUIDO Plasma separado do sangue total e estocado a +4ºC. Não contém fatores lábeis da coagulação: i.e. fator V e VIII. PLASMA FRESCO CONGELADOPLASMA FRESCO CONGELADOPLASMA FRESCO CONGELADOPLASMA FRESCO CONGELADOPLASMA FRESCO CONGELADO Descrição Bolsa contendo plasma separado de uma doação de sangue total e congelado rapidamente a -25ºC ou mais frio, em até 6 horas da coleta Contém níveis normais de fatores estáveis da coagulação, albumina e imunoglobulinas O nível de fator VII é cerca de 70% do valor normal do plasma fresco Unidades de medida Volume usual da bolsa de 200-300 ml Bolsas com volumes menores podem estar disponíveis para crianças Risco de infecção Se não tratado, o mesmo que sangue total Baixíssimo risco se tratado com inativação por azul de metileno/ luz ultravioleta (veja inativação viral do plasma) Armazenamento - 25ºC ou mais frio por até um ano Indicações Reposição de múltiplos fatores da coagulação: — Doença hepática — Sobrecarga de anticoagulante Warfarina — Depleção dos fatores de coagulação em pacientes recebendo transfusão maciça. Coagulação intravascular disseminada (CIVD) Púrpura trombocitopênica trombótica (PTT) Dose Dose inicial de 15 ml/kg Administração Deve ser ABO compatível para evitar o risco de hemólise no receptor Não é necessária a compatibilização Antes do uso deve ser descongelado em água entre 30ºC e 37ºC. Temperaturas mais altas podem destruir os fatores de coagulação e as proteínas Uma vez descongelado deve ser mantido sob refrigeração em 2ºC a 6ºC Infundir usando equipo padrão o mais rápido possível após o descongelamento Fatores lábeis da coagulação diminuem rapidamente; usá-lo em até 6 horas após o descongelamento Precauções Não são raras reações alérgicas, especialmente em infusões rápidas Raramente ocorrem reações graves anafiláticas Hipovolemia isolada não é indicação para seu uso 96 S E Ç Ã O 5 “POOL“POOL“POOL“POOL“POOL” DE PLASMA LIOFILIZADO” DE PLASMA LIOFILIZADO” DE PLASMA LIOFILIZADO” DE PLASMA LIOFILIZADO” DE PLASMA LIOFILIZADO Plasma de diversos doadores adicionados em “pool” antes da liofilização. Não é utilizada Inativação viral, portanto o risco de infecções transmissíveis é multiplicado diversas vezes. É um prÉ um prÉ um prÉ um prÉ um produtodutodutodutoduto obsoleo obsoleo obsoleo obsoleo obsoletttttooooo que não deque não deque não deque não deque não deve ser utilizado.ve ser utilizado.ve ser utilizado.ve ser utilizado.ve ser utilizado. PLASMA DEPLETPLASMA DEPLETPLASMA DEPLETPLASMA DEPLETPLASMA DEPLETADO DE CRIOPRECIPITADO DE CRIOPRECIPITADO DE CRIOPRECIPITADO DE CRIOPRECIPITADO DE CRIOPRECIPITADOADOADOADOADO Plasma com aproximadamente metade da quantidade de fibrinogênio e fator VIII removido com o crioprecipitado, mas contém todos os outros constituintes do plasma. PLASMA VÍRPLASMA VÍRPLASMA VÍRPLASMA VÍRPLASMA VÍRUS INUS INUS INUS INUS INAAAAATIVTIVTIVTIVTIVADOADOADOADOADO Plasma tratado com inativação por azul de metileno/ luz ultravioleta para reduzir o risco de HIV, hepatite B e hepatite C. A “inativação” de outros vírus, como o da hepatite A e parvorírus B19 é menos efetiva. O custo desses produtos é consideravelmente mais alto que o plasma fresco congelado. CRIOPRECIPITCRIOPRECIPITCRIOPRECIPITCRIOPRECIPITCRIOPRECIPITADOADOADOADOADO Descrição Preparado a partir do plasma fresco congelado, através da coleta do precipitado formado durante o descongelamento controlado, e ressuspenso em 10-20 ml de plasma. Contém cerca de fator VIII e fibrinogênio do sangue doado: por exemplo: Fator VIIII: 80-100 UI/bolsa: fibrinogênio: 150-300 mg/ bolsa Unidade de medida Geralmente fornecida como bolsa de doador simples ou bolsa com 6 ou mais doadores em “pool” Risco de infecção O mesmo do plasma, mas uma dose para adulto envolve exposição a 6 doadores Armazenamento A -25ºC ou mais frio por até um ano Indicações Como alternativa ao concentrado de fator VIII no tratamento de deficiências hereditárias como: — Fator de Von Willebrand ( Doença de Von Willebrand) — Fator VIII (Hemofilia A) — Fator XIII Como fonte de fibrinogênio em coagulopatias adquiridas: tais como: coagulação intravascular disseminada (CIVD) Administração Se possível use produto ABO compatível Não é necessário nenhum teste de compatibilidade Depois do descongelamento infunda o mais rápido possível através de equipos padronizados Deve ser infundido em até 6 horas após o descongelamento 97 Derivados do plasma Processos, como tratamento pelo calor ou químico dos derivadosde plasma, para reduzir o risco de transmissão viral geralmente são eficazes contra vírus que possuem envelope lipídico: HIV – 1 e 2 Hepatite B e C HTLV-I e II. A inativação de vírus sem envelope lipídico como hepatite A e parvovírus humano B19 é menos efetiva. P R O D U T O S S A N G Ü Í N E O S SOLUÇÕES DE ALBUMINSOLUÇÕES DE ALBUMINSOLUÇÕES DE ALBUMINSOLUÇÕES DE ALBUMINSOLUÇÕES DE ALBUMINA HUMANA HUMANA HUMANA HUMANA HUMANAAAAA Descrição Preparado por fracionamento de grandes “pools” de plasma humano doado Preparações Albumina 5%: contém 50 mg/ml de albumina Albumina 20%: contém 200 mg/ml de albumina Albumina 25%: contém 250 mg/ml de albumina Solução estável de proteína plasmática (SPPS) e fração de proteína plasmática (PPF): similar a albumina contendo albumina a 5% Risco de infecção Se produzido de maneira correta, não apresenta risco de infecções virais Indicações Fluido de reposição em plasmaférese terapêutica: albumina 5% Tratamento de edema resistente a diuréticos em pacientes com hipoproteinemia: síndrome nefrótica ou ascite. Use albumina 20% com diuréticos Embora a albumina humana a 5% seja licenciada para diversas indicações (reposição volumétrica, queimaduras e hipoalbuminemia), não há evidência que esta seja superior às soluções cristalóides de reposição para perda aguda plasmática Contra-indicações Não utilizada como solução nutricional endovenosa, pois é muito cara, e fonte insuficiente de aminoácidos Administração Não há necessidade de compatibilização Não necessita de filtro Precauções Administração de albumina 20% pode causar expansão aguda do volume intravascular, com risco de edema pulmonar 98 S E Ç Ã O 5 FFFFFAAAAATTTTTORES DE COORES DE COORES DE COORES DE COORES DE COAAAAAGULAÇÃOGULAÇÃOGULAÇÃOGULAÇÃOGULAÇÃO ConcentrConcentrConcentrConcentrConcentrado de fado de fado de fado de fado de fatatatatator VIIIor VIIIor VIIIor VIIIor VIII Descrição Fator VIII parcialmente purificado, preparado a partir de grandes “pools” de plasma de doadores Fator VIII com valores variando entre 0,5 – 20 UI/ mg. Preparações com alta atividade estão disponíveis Produtos licenciados em certos países (na União Européia e EUA) são tratados com calor e/ou quimicamente para reduzir o risco de transmissão viral Unidade de medida Frascos de proteína liofilizada etiquetada com conteúdo médio de 250UI de fator VIII Risco de infecção Os produtos vírus inativados parecem não transmitir HIV, HTLV e Hepatite C, que possui envelopes lipídicos; a inativação de vírus não envelopados como Hepatite A e parvovírus é menos efetiva. Veja inativação de vírus envelopados e não envelopados (p.97) Armazenamento Derivados liofilizados devem ser estocados a uma temperatura de 2ºC - 6ºC até a data de validade, a menos que haja outras indicações nas instruções do fabricante Indicações Tratamento de hemofilia A Tratamento de Doença de von Willebrand. Use somente preparações intermediárias que contenham fator de von Willebrand Dose Conforme figura 9.26 na página 219 Administração Reconstituição de acordo com as instruções do fabricante Uma vez dissolvida, a solução deve ser filtrada e infundida em equipo padrão em 2 horas Alternativas Crioprecipitado, plasma fresco congelado (Seção 9 : Medicina Geral) Fator VIII preparado in vitro usando métodos de DNA recombinante está disponível comercialmente. É equivalente clinicamente ao Fator VIII derivado do plasma, e não possui risco de transmitir patógenos derivados do doador de plasma 99 P R O D U T O S S A N G Ü Í N E O S FFFFFAAAAATTTTTORES DE COORES DE COORES DE COORES DE COORES DE COAAAAAGULAÇÃO PGULAÇÃO PGULAÇÃO PGULAÇÃO PGULAÇÃO PARA PARA PARA PARA PARA PAAAAACIENTES COM INIBIDORES DE FCIENTES COM INIBIDORES DE FCIENTES COM INIBIDORES DE FCIENTES COM INIBIDORES DE FCIENTES COM INIBIDORES DE FAAAAATTTTTOR VIIIOR VIIIOR VIIIOR VIIIOR VIII Descrição Uma fração do plasma tratada com calor contendo fatores de coagulação parcialmente ativados Risco de infecção Provavelmente o mesmo de outros concentrados de fator tratados com calor Indicações Somente para uso em pacientes com inibidores de Fator VIII Administração Deve ser utilizado somente com parecer do especialista DERIVDERIVDERIVDERIVDERIVADOS PLASMÁTICOS CONTENDO FADOS PLASMÁTICOS CONTENDO FADOS PLASMÁTICOS CONTENDO FADOS PLASMÁTICOS CONTENDO FADOS PLASMÁTICOS CONTENDO FAAAAATTTTTOR IXOR IXOR IXOR IXOR IX ComplexComplexComplexComplexComplexo pro pro pro pro protrotrotrotrotrombínico (PCC)ombínico (PCC)ombínico (PCC)ombínico (PCC)ombínico (PCC) ConcentrConcentrConcentrConcentrConcentrado de fado de fado de fado de fado de fatatatatator IXor IXor IXor IXor IX Descrição Contém: PCC Fator IX Fatores II, IX e X 99999 99999 Somente fator IX 99999 Algumas preparações contêm fator VIII 99999 Forma de Frascos com proteína liofilizada 99999 99999 apresentação contendo aproximadamente de 350-600 UI de fator IX Risco de infecção Como fator VIII Armazenamento Como fator VIII Indicações Tratamento da Hemofilia B 99999 99999 (Doença de Christmas) Imediata correção do tempo de 99999 protrombina prolongado Contra-indicações Complexo protrombínico não deve ser utilizado em pacientes com doença hepática ou tendência trombótica Dose Figura 9.26 na página 219 Administração Como fator VIII Alternativas Plasma Fator IX produzido in vitro por método de DNA recombinante logo estará disponível para tratamento de Hemofilia B. Oferece as mesmas vantagens que o Fator VIII recombinante 100 S E Ç Ã O 5 PREPPREPPREPPREPPREPARAÇÕES DE IMUNOGLARAÇÕES DE IMUNOGLARAÇÕES DE IMUNOGLARAÇÕES DE IMUNOGLARAÇÕES DE IMUNOGLOBULINOBULINOBULINOBULINOBULINASASASASAS A prevenção das infecções pode ter implicações importantes para a saúde, e até mesmo reduzir a necessidade transfusional. A imunoglobulina normal humana (NHIG), e os chamados produtos específicos contendo altos títulos de anticorpo contra organismos específicos são utilizados, freqüentemente associado a vacinas (imunização ativa) para proteção contra infecções. Isto é chamado de imunização passiva. Maiores informações sobre o uso das vacinas e imunoglobulinas (imunização ativa e passiva) devem estar disponíveis no Ministério da Saúde do seu país. Preparações de imunoglobulinas são feitas por fracionamento frio com etanol do plasma humano doado. IMUNOGLIMUNOGLIMUNOGLIMUNOGLIMUNOGLOBULINOBULINOBULINOBULINOBULINA parA parA parA parA para uso intra uso intra uso intra uso intra uso intramuscularamuscularamuscularamuscularamuscular Descrição Uma solução concentrada de anticorpo anti-IgG do plasma Preparações Imunoglobulina padrão ou normal: preparada a partir de grandes “pools” de doadores, contendo anticorpos contra agentes infecciosos que a população tiver sido exposta Risco de infecção Transmissão de infecção viral não tem sido relacionada com imunoglobulina intramuscular Indicações Imunoglobulina específica ou hiperimune: proveniente de pacientes com altos títulos de anticorpos específicos a agentes infecciosos (Hepatite B, raiva, tétano) Prevenção de infecções específicas Tratamento de estados de imunodeficiência Administração Reações graves podem ocorrer se administrada por via endovenosa IMUNOGLIMUNOGLIMUNOGLIMUNOGLIMUNOGLOBULINOBULINOBULINOBULINOBULINA ANTI-Rh D ( Anti-D RhIG)A ANTI-Rh D ( Anti-D RhIG)A ANTI-Rh D ( Anti-D RhIG)A ANTI-Rh D ( Anti-D RhIG)A ANTI-Rh D ( Anti-D RhIG) Descrição Preparada a partir do plasma contendo altos níveis de anticorpo anti-Rh D de pessoas previamente imunizadas Indicações Prevenção de Doença Hemolítica do Recém Nascido em mães Rh D negativo (mais detalhes na Seção 10: Obstetrícia ) IMUNOGLIMUNOGLIMUNOGLIMUNOGLIMUNOGLOBULINOBULINOBULINOBULINOBULINA parA parA parA parA para uso intra uso intra uso intra uso intra uso intravenosoavenosoavenosoavenosoavenosoDescrição Preparação para uso intramuscular, com processo posterior para tornar o produto seguro para administração EV Indicações Púrpura trombocitopênica auto-imune idiopática e outros distúrbios imunes Tratamento de estados de imunedeficiência Hipogamaglobulinemia Doença relacionada a HIV 101 6 Procedimentos da clínicaProcedimentos da clínicaProcedimentos da clínicaProcedimentos da clínicaProcedimentos da clínica transfusionaltransfusionaltransfusionaltransfusionaltransfusional Pontos chave 11111 TTTTTodo hospitodo hospitodo hospitodo hospitodo hospital deal deal deal deal deve possuir um manual de prve possuir um manual de prve possuir um manual de prve possuir um manual de prve possuir um manual de procedimentocedimentocedimentocedimentocedimentos operos operos operos operos operacionais paracionais paracionais paracionais paracionais paraaaaa cada escada escada escada escada estágio do prtágio do prtágio do prtágio do prtágio do processo de clínica trocesso de clínica trocesso de clínica trocesso de clínica trocesso de clínica transfusional. Tansfusional. Tansfusional. Tansfusional. Tansfusional. Toda a equipe deoda a equipe deoda a equipe deoda a equipe deoda a equipe deve serve serve serve serve ser treinada partreinada partreinada partreinada partreinada para segui-lo.a segui-lo.a segui-lo.a segui-lo.a segui-lo. 22222 Uma comunicação e cooper Uma comunicação e cooper Uma comunicação e cooper Uma comunicação e cooper Uma comunicação e cooperação claração claração claração claração clara entre a equipe clínica e do banco dea entre a equipe clínica e do banco dea entre a equipe clínica e do banco dea entre a equipe clínica e do banco dea entre a equipe clínica e do banco de sangue são essenciais parsangue são essenciais parsangue são essenciais parsangue são essenciais parsangue são essenciais para gara gara gara gara garantir a segurantir a segurantir a segurantir a segurantir a segurança do sangue utilizado parança do sangue utilizado parança do sangue utilizado parança do sangue utilizado parança do sangue utilizado paraaaaa trtrtrtrtransfusão.ansfusão.ansfusão.ansfusão.ansfusão. 33333 O serO serO serO serO serviço de hemotviço de hemotviço de hemotviço de hemotviço de hemoterererererapia não deapia não deapia não deapia não deapia não deve liberve liberve liberve liberve liberar sangue parar sangue parar sangue parar sangue parar sangue para tra tra tra tra transfusão, a menosansfusão, a menosansfusão, a menosansfusão, a menosansfusão, a menos que a eque a eque a eque a eque a etiquetiquetiquetiquetiquettttta da amosa da amosa da amosa da amosa da amostrtrtrtrtra e o requerimenta e o requerimenta e o requerimenta e o requerimenta e o requerimento eso eso eso eso estttttejam preencejam preencejam preencejam preencejam preenchidoshidoshidoshidoshidos correcorrecorrecorrecorretttttamentamentamentamentamente. O requerimente. O requerimente. O requerimente. O requerimente. O requerimento de sangue deo de sangue deo de sangue deo de sangue deo de sangue deve incluir o motivo da trve incluir o motivo da trve incluir o motivo da trve incluir o motivo da trve incluir o motivo da transfusão,ansfusão,ansfusão,ansfusão,ansfusão, parparparparpara que o pra que o pra que o pra que o pra que o produtodutodutodutoduto mais adequado possa ser selecionado paro mais adequado possa ser selecionado paro mais adequado possa ser selecionado paro mais adequado possa ser selecionado paro mais adequado possa ser selecionado para o ta o ta o ta o ta o tesesesesesttttte dee dee dee dee de compatibilidade.compatibilidade.compatibilidade.compatibilidade.compatibilidade. 44444 Os prOs prOs prOs prOs produtodutodutodutodutos sangüíneos deos sangüíneos deos sangüíneos deos sangüíneos deos sangüíneos devem ser mantidos em condições correvem ser mantidos em condições correvem ser mantidos em condições correvem ser mantidos em condições correvem ser mantidos em condições corretttttas deas deas deas deas de armazenamentarmazenamentarmazenamentarmazenamentarmazenamento duro duro duro duro durantantantantante o tre o tre o tre o tre o transporansporansporansporansporttttte e na área clínica ante e na área clínica ante e na área clínica ante e na área clínica ante e na área clínica antes da tres da tres da tres da tres da transfusão,ansfusão,ansfusão,ansfusão,ansfusão, de maneirde maneirde maneirde maneirde maneira a prea a prea a prea a prea a prevenir a pervenir a pervenir a pervenir a pervenir a perda funcional ou contda funcional ou contda funcional ou contda funcional ou contda funcional ou contaminação bactaminação bactaminação bactaminação bactaminação bacteriana.eriana.eriana.eriana.eriana. 55555 A trA trA trA trA transfusão de componentansfusão de componentansfusão de componentansfusão de componentansfusão de componente sangüíneo incompatível é a causa mais comume sangüíneo incompatível é a causa mais comume sangüíneo incompatível é a causa mais comume sangüíneo incompatível é a causa mais comume sangüíneo incompatível é a causa mais comum de reações trde reações trde reações trde reações trde reações transfusionais agudas, que podem ser fansfusionais agudas, que podem ser fansfusionais agudas, que podem ser fansfusionais agudas, que podem ser fansfusionais agudas, que podem ser fatatatatatais. A adminisais. A adminisais. A adminisais. A adminisais. A administrtrtrtrtraçãoaçãoaçãoaçãoação segursegursegursegursegura de sangue depende da:a de sangue depende da:a de sangue depende da:a de sangue depende da:a de sangue depende da: IdentifIdentifIdentifIdentifIdentificação única e correicação única e correicação única e correicação única e correicação única e correttttta do pacienta do pacienta do pacienta do pacienta do pacienteeeee CorreCorreCorreCorreCorrettttta ea ea ea ea etiquetiquetiquetiquetiquetttttagem da amosagem da amosagem da amosagem da amosagem da amostrtrtrtrtra sangüínea para sangüínea para sangüínea para sangüínea para sangüínea para análise pré- tra análise pré- tra análise pré- tra análise pré- tra análise pré- transfuansfuansfuansfuansfu sionalsionalsionalsionalsional Uma verifUma verifUma verifUma verifUma verificação ficação ficação ficação ficação final da identifinal da identifinal da identifinal da identifinal da identificação, paricação, paricação, paricação, paricação, para gara gara gara gara garantir a adminisantir a adminisantir a adminisantir a adminisantir a administrtrtrtrtração doação doação doação doação do sangue corresangue corresangue corresangue corresangue correttttto paro paro paro paro para o pacienta o pacienta o pacienta o pacienta o paciente corree corree corree corree correttttto.o.o.o.o. 66666 PPPPPararararara cada unidade de sangue tra cada unidade de sangue tra cada unidade de sangue tra cada unidade de sangue tra cada unidade de sangue transfundida, o pacientansfundida, o pacientansfundida, o pacientansfundida, o pacientansfundida, o paciente dee dee dee dee deve ser monitve ser monitve ser monitve ser monitve ser monitorororororadoadoadoadoado por um membrpor um membrpor um membrpor um membrpor um membro treinado da equipe anto treinado da equipe anto treinado da equipe anto treinado da equipe anto treinado da equipe antes, dures, dures, dures, dures, durantantantantante e ao fe e ao fe e ao fe e ao fe e ao final da trinal da trinal da trinal da trinal da transfusão.ansfusão.ansfusão.ansfusão.ansfusão. 102 Introdução Esta seção lida com os aspectos práticos da requisição e administração dos produtos sangüíneos, e enfatiza as áreas nas quais os clínicos e a equipe do banco de sangue precisam trabalhar associados de forma eficiente e efetiva para atender as necessidades do paciente. Também enfatiza a importância da sistematização dos procedimentos para prevenir a transfusão incorreta de sangue, que pode provocar reações transfusionais potencialmente fatais. Objetivos do estudo Quando completar esta seção, você deverá estar apto a: 1 Compreender os papéise as responsabilidades da equipe clínica e equipe cirúrgica para garantir a segurança e a disponibilidade dos produtos sangüíneos para transfusão. 2 Explicar a importância de se garantir que somente os produtos sangüíneos compatíveis sejam transfundidos. 3 Identificar procedimentos que possam melhorar em seu serviço o pedido, a coleta, armazenamento, transporte, administração de produtos sangüíneos e a monitorização dos pacientes transfundidos. S E Ç Ã O 6 103 6.1 Administrando o sangue correto para o paciente correto no tempo correto Uma vez que a decisão de transfundir tenha sido feita, todos os envolvidos no processo clínico transfusional têm responsabilidade de garantir que o sangue correto seja administrado ao paciente correto no tempo correto. A figura 6.1 sumariza os passos principais deste processo. Manuais nacionais de uso clínico do sangue devem ser seguidos por todos os hospitais em que a transfusão seja realizada. Se não existirem manuais nacionais, cada hospital deve desenvolver manuais locais e como ideal, estabelecer um comitê transfusional no hospital para monitorar clinicamente o uso do sangue, e investigar qualquer reação aguda ou tardia transfusional. Todo hospital deve garantir os seguintes requisitos: 1 Um formulário de requisição do sangue. 2 Um protocolo de preparo de sangue para os procedimentos cirúrgicos mais comuns. 3 Manuais de indicação clínica e laboratorial para o uso de sangue, produtos e alternativas simples à transfusão, incluindo soluções de reposição intravenosas, e produtos farmacêuticos para minimizar a necessidade de transfusão sangüínea. 4 Procedimentos operacionais padrão para cada etapa do processo transfusional, incluindo: Pedido de sangue e componentes para cirurgias eletivas Pedido de sangue e componentes em urgências Preenchimento da requisição de sangue e componentes Coleta da amostra pré-transfusional Coleta do sangue e componentes pelo banco de sangue Armazenamento e transporte de produtos sangüíneos, incluindo o armazenamento na área clínica Administração dos produtos sangüíneos, incluindo a verificação final da identidade do paciente Registro da transfusão nos registros do paciente Monitorização do paciente antes, durante e após a transfusão O gerenciamento, investigação e registros das reações transfusionais. 5 O treinamento de toda equipe envolvida no processo transfusional, de acordo com as normas operacionais padronizadas. Os procedimentos operacionais padrão (POP) geralmente são feitos no banco de sangue, mas devem ser preparados em colaboração com a equipe médica e da enfermagem. Os procedimentos escritos devem estar disponíveis para toda a equipe envolvida no processo. P R O C E D I M E N T O S D A C L Í N I C A T R A N S F U S I O N A L 104 Figura 6.1: Passos do processo clínico transfusional S E Ç Ã O 6 AdminisAdminisAdminisAdminisAdministrtrtrtrtrando o sangue correando o sangue correando o sangue correando o sangue correando o sangue correttttto paro paro paro paro para o pacienta o pacienta o pacienta o pacienta o paciente cere cere cere cere certtttto noo noo noo noo no tttttempo exempo exempo exempo exempo exatatatatatooooo 1 Verificação da necessidade clínica transfusional do paciente, e quando esta será necessária. 2 Informação ao paciente e/ou familiares sobre a proposta de transfusão, e registro no prontuário do paciente quando esta for realizada. 3 Registro da indicação transfusional no prontuário. 4 Seleção do produto sangüíneo e a quantidade adequada deste. Utilização de um procedimento padrão como guia para as necessidades transfusionais nos procedimentos cirúrgicos mais comuns. 5 Preenchimento da requisição transfusional de forma legível e precisa. A razão da transfusão deve estar escrita para que o banco de sangue possa selecionar o produto mais adequado ao caso para a análise de compatibilidade. 6 Se a necessidade transfusional for urgente, contato imediato ao banco de sangue por telefone. 7 Coleta e etiquetagem adequada da amostra sangüínea para o teste de compatibilidade. 8 Envio do requerimento junto à amostra sangüínea ao banco de sangue. 9 Realização da pesquisa de anticorpos irregulares e dos testes de compatibilidade para selecionar as unidades mais compatíveis. 10 Entrega dos produtos pelo banco de sangue, ou coleta pela equipe clínica. 11 Armazenamento correto dos produtos sangüíneos nos casos em que a transfusão não seja feita imediatamente. 12 Verificação da identidade do paciente, do produto e da documentação do paciente. 13 Administração do produto sangüíneo. 14 Registro no prontuário do paciente: Tipo e volume do produto transfundido Número da unidade transfundida Grupo sangüíneo de cada unidade transfundida Horário de inicio da transfusão de cada unidade Assinatura do responsável pela administração 15 Monitorização do paciente antes, durante, e ao término da transfusão. 16 Registro do término da transfusão. 17 Identidade e atendimento imediato a qualquer reação adversa. Registro de qualquer reação transfusional no prontuário do paciente. 105 A responsabilidade pela manutenção dos POPs atualizados e disponíveis, e pelo treinamento da equipe para sua utilização, deve ser definida pelo comitê transfusional hospitalar, ou quando este não existir, pela administração hospitalar. Comunicação entre clínicos e o banco de sangue A segurança do pedido transfusional de um paciente depende de uma comunicação efetiva entre a clínica e o banco de sangue. Por exemplo, a equipe do banco de sangue pode não estar capacitada a avaliar a urgência transfusional tão bem quanto a equipe médica e da enfermagem da sala de emergência. Por outro lado, os clínicos podem não compreender perfeitamente os problemas da equipe do banco de sangue, se não completarem de maneira adequada a requisição do sangue ou componente, ou se não houver tempo suficiente para a realização adequada dos testes laboratoriais para o preparo seguro da transfusão. É essencial que haja clara compreensão tanto pelos clínicos, como pela equipe do banco de sangue, do papel de cada um no processo transfu- sional. Clínicos Toda a equipe clínica envolvida na prescrição e administração do sangue e componentes deve saber como o banco de sangue opera, e seguir os procedimentos acordados de requisição, coleta e administração dos componentes sangüíneos. A equipe deve ser treinada para seguir estes procedimentos, e sobre os elementos básicos da qualidade do sistema que devam ser instituídos. Os clínicos devem estar familiarizados com os seguintes aspectos do fornecimento de sangue e componentes sangüíneos. 1 Como o banco de sangue obtém sangue, incluindo os diferentes tipos de doador, e o risco potencial de transmissão de infecção no sangue disponível para transfusão. 2 A responsabilidade do clínico em auxiliar a equipe do banco de sangue para garantir que o sangue seja fornecido no tempo correto e na localização correta ao: Enviar a requisição de transfusão de cada paciente de forma completa Requisitar sangue com tempo necessário para o seu preparo, se possível Fornecer informações claras sobre: — O produto requisitado — O número de unidades pedidas — A razão da transfusão — A urgência da necessidade transfusional — Quando e onde o sangue está sendo solicitado — Quem irá entregar ou receber o sangue. P R O C E D I M E N T O S D A C L Í N I C A T R A N S F U S I O N A L 106 3 A importância dos grupos sangüíneos maiores (ABO e Rh) e outros anticorpos sangüíneos perigosos que podem ser detectados antes de uma transfusão sangüínea. 4 As responsabilidades da equipe do banco de sangue na garantia que o sangue fornecido seja compatível com o paciente, de sorte que não ocorra o risco de uma reação transfusional causada por anticorpos eritrocitários que seja perigosaou fatal. 5 As responsabilidades da equipe de clínicos em garantir que os produtos sangüíneos administrados ao pacientes sejam compatíveis e, em particular, a importância vital de: Completar todos campos detalhados do pedido de transfusão sangüínea. Etiquetar adequadamente as amostras sangüíneas Verificar formalmente a identidade do paciente, o produto e a documentação do paciente antes da transfusão. 6 A importância do correto armazenamento do sangue e dos produtos sangüíneos, tanto na área do banco de sangue como na área clínica, de maneira a preservar a sua função, e prevenir a contaminação bacteriana, que pode ser fatal ao paciente. 7 A importância do descarte das bolsas que tenham permanecido mais de 4 horas em temperatura ambiente (ou qualquer outro tempo delimitado localmente), que tenham sido violadas ou que mostrem sinais de deterioração 8 A importância do registro correto das transfusões do paciente no prontuário médico e, em particular: A razão da transfusão O produto e o volume transfundido O tempo de transfusão Qualquer efeito adverso A equipe do banco de sangue É extremamente importante que toda a equipe do banco de sangue entenda os seguintes aspectos: 1 A pressão sob a qual os clínicos trabalham quando cuidam de pacientes graves que necessitem de transfusões urgentes. 2 A importância de uma adequada prática laboratorial e registros detalhados no banco de sangue. 3 A necessidade, numa situação de emergência, de utilizar procedimentos apropriados à situação de urgência. Desde que um sangue ABO compatível seja administrado, é mais provável que o paciente faleça pela hemorragia do que por um anticorpo identificado nos testes de triagem. S E Ç Ã O 6 107 A equipe do banco de sangue deve reconhecer que os problemas que surgem durante uma emergência devem sempre ser resolvidos imediatamente, a fim de assegurar o melhor para o paciente. Se for necessária uma investigação e resolução da causa do problema, estas devem ser realizadas após a resolução da emergência. Requisições de sangue em emergências É particularmente importante assegurar que exista compreensão e concordância sobre a linguagem utilizada pelo corpo clínico e a equipe do banco de sangue, de forma a evitar qualquer erro de interpretação das palavras “imediato”, “urgente” ou “assim que possível”. É preferível que haja categorias de urgência como: Extremamente urgente : em 10 -15 minutos Muito urgente: em 1 hora Urgente: em três horas. Mesmo dia. Em data e hora solicitada. ATIVIDADE 16 Qual é o procedimento em seu hospital para solicitações de hemocomponentes numa emergência? Alguma vez aconteceu, na sua área clínica, um atraso na entrega do hemocomponente solicitado seja por demora ou por erro de localização? Quais foram as razões para tal ocorrência? Ouça algumas conversas entre os clínicos e a equipe do banco de sangue sobre as solicitações de hemocomponentes. A comunicação é clara, sem ambigüidade e cortês? Agende uma reunião de um pequeno grupo de clínicos cadastrados com a equipe do banco de sangue para que haja concordância entre os termos utilizados nas solicitações de emergência. Garanta que os clínicos e a equipe do banco de sangue estejam treinados a utilizá-las de forma correta. 6.2 Solicitação de produtos sangüíneos Quando existem indicações clínicas e laboratoriais que a transfusão seja necessária, o tipo de solicitação de transfusão se baseará : Na necessidade urgente de hemocomponentes. Na necessidade definida de hemocomponentes. Na possibilidade da necessidade do hemocomponentes. P R O C E D I M E N T O S D A C L Í N I C A T R A N S F U S I O N A L 108 Informando o paciente Uma vez que a transfusão tenha sido indicada, é importante explicar a indicação da transfusão ao paciente e familiares, sempre que possível. Registre no prontuário do paciente esta atitude. Os pacientes e seus familiares podem estar preocupados com os riscos transfusionais e podem querer mais informações sobre o procedimento, assim como sobre outras abordagens terapêuticas como a transfusão autóloga, e uso de drogas como a eritropoetina (que estimula a produção de eritrócitos). Pacientes que sejam Testemunhas de Jeová não admitem a transfusão de sangue, mas podem aceitar frações do plasma ou tratamentos alternativos. Em alguns casos, pessoas de outras religiões ou outros grupos sociais podem ter outras restrições quanto à doação e transfusão de sangue; estas situações devem ser abordadas com cautela e sensibilidade, de forma a beneficiar o paciente. Deve-se ressaltar que em determinados países, a lei define como séria agressão transfundir um paciente que comunicou claramente ser contra o procedimento, mesmo se o médico julgar que a vida do paciente depende da transfusão. Em muitas partes do mundo, as testemunhas de Jeová têm indivíduos treinados para lidar com estas difíceis situações. Pesquisas têm demonstrado que os pacientes freqüentemente são mal informados sobre as opções terapêuticas, e sentem que receberam poucas respostas às dúvidas que os preocupam. Em alguns países o parecer legal é de que deveria ser fornecido material por escrito sobre todo o procedimento transfusional, seus riscos, e o paciente deveria assinar um termo citando que todos as dúvidas foram suficientemente esclarecidas. As leis, entretanto, variam conforme o país e é importante estar familiarizado com as leis locais. Figura 6.2:Política de requisição de sangue S E Ç Ã O 6 Avalie a necessidade do paciente para transfusão EmerEmerEmerEmerEmergênciagênciagênciagênciagência Sangue necessário em menos de 1 hora NNNNNecessidadeecessidadeecessidadeecessidadeecessidade defdefdefdefdefinitivinitivinitivinitivinitiva de sanguea de sanguea de sanguea de sanguea de sangue ex. cirurgia eletiva NNNNNecessidadeecessidadeecessidadeecessidadeecessidade prprprprprooooovável de sanguevável de sanguevável de sanguevável de sanguevável de sangue ex. partos, cirurgia eletiva Solicite urgentemente unidades ABO e Rh compatíveis. O banco de sangue pode selecionar o grupo O Solicite urgentemente unidades ABO e Rh compatíveis e prontas em determinado tempo Solicite tipagem e pesquisa de anticorpos e aguarde 109 Identificação do paciente Cada paciente deve ser identificado com uma pulseira fixa firmemente aderida ao corpo, que contenha o número de identificação do hospital. Este número deve sempre ser utilizado na coleta de amostras, requisição do hemocomponente e no documento de identificação do paciente. Quando um paciente não pode ser adequadamente identificado na admissão hospitalar, o número de referência do hospital deve sempre ser utilizado na identificação de amostras e hemocomponentes, até que os dados completos de identificação sejam disponíveis. Solicitações de sangue para cirurgias eletivas O melhor horário para a solicitação de sangue para cirurgias eletivas, assim como a quantidade de sangue solicitado deve ser estabelecido por cada Serviço, conforme sua rotina. Padronização de Reserva Cirúrgica Uma vez que em muitas cirurgias a utilização de sangue é rara, é desnecessário realizar testes de compatibilidade de rotina para todos os pacientes. Tempo e dinheiro podem ser economizados ao não se compatibilizar unidades que provavelmente não serão utilizadas, desde que o sangue esteja rapidamente disponível, quando necessário. Hospitais que realizem cirurgias de rotina devem padronizar e utilizar um esquema de reserva que sirva como guia para o número de unidades de sangue e seus produtos que deverão ser normalmente requisitados para cada tipo de cirurgia. Um esquema de requisição de unidades é uma tabela com o número esperado normal de sangue para procedimentos cirúrgicos eletivos, a qual define um número de unidades a ser compatibilizada para cada cirurgia, pré-operatoriamente.Isto deve refletir o consumo pelo corpo cirúrgico do hospital, conforme a complexidade do procedimento e a perda sangüínea esperada. A padronização deve incluir também o procedimento de tipagem, triagem de anticorpos e aguardo (veja página 111) para pacientes em que a transfusão de hemácias seja ocasional, e raramente solicitada. A padronização de reserva cirúrgica sempre deve ser desenvolvida localmente pelo comitê transfusional hospitalar ou, no caso deste não existir, pelos clínicos responsáveis pela prescrição de sangue junto ao pessoal do banco de sangue. Esta padronização deve ser feita de acordo com as diretrizes nacionais, adaptadas ao modelo de uso local. A padronização de cada hospital deve ser feita de acordo com as condições clínicas e o fornecimento de sangue, produtos sangüíneos e alternativas à transfusão disponíveis. É essencial a disponibilidade e o uso de soluções cristalóides e colóides em todos os hospitais que trabalhem na área de obstetrícia e cirurgia. P R O C E D I M E N T O S D A C L Í N I C A T R A N S F U S I O N A L 110 O processo de desenvolvimento da padronização da reserva cirúrgica envolve os seguintes passos: 1 Análise retrospectiva da requisição de sangue e produtos sangüíneos num período maior que 6 meses. 2 Análise para cada procedimento cirúrgico : Tipo de procedimento Motivo da transfusão Número de unidades compatibilizadas Número de unidades transfundidas Porcentagem de unidades utilizadas. 3 Cálculo da taxa C:T (bolsas compatibilizadas: bolsas transfundidas). Um objetivo realista para procedimentos cirúrgicos é ter uma taxa aproximada de 3:1. 4 Procedimentos cirúrgicos com uso de sangue em menos de 30% das vezes devem ser incluídos na categoria de tipagem sangüínea e pesquisa de anticorpos irregulares. 5 Monitorização e evolução da padronização de reserva cirúrgica, mediante a verificação da concordância. A Figura 12.11 na página 293 mostra um exemplo de reserva cirúrgica de sangue de um país africano, como exemplo para ilustrar o tipo de informação necessária. Se a quantidade de sangue disponível for insuficiente, a prática local pode ser a de se realizar os procedimentos essenciais de urgência num paciente com baixos níveis de hemoglobina, do que se esperar pela transfusão ou transferi-lo para um outro hospital. Requisição de sangue em urgências No caso de acidentes e emergências, freqüentemente é necessária a utilização de sangue na urgência. Após um acidente numa estrada, podem existir diversos casos de pacientes inconscientes ou com sangramento que necessitem rapidamente de transfusão sangüínea. Nestas situações, é muito fácil cometer enganos na identificação do paciente e etiquetagem das amostras sangüíneas. Portanto, é essencial que o procedimento de requisição de sangue numa emergência seja claro e simples, de maneira a ser seguido por qualquer indivíduo. A Figura 6.3 nos mostra uma lista de verificação para pedido de sangue numa urgência. S E Ç Ã O 6 111 O formulário de requisição de sangue Quando for necessária uma transfusão, a prescrição deve ser preenchida e assinada num formulário padrão específico de forma legível pelo médico que prescreveu o componente. TTTTTodos os deodos os deodos os deodos os deodos os detttttalhes do falhes do falhes do falhes do falhes do formulário de requisição deormulário de requisição deormulário de requisição deormulário de requisição deormulário de requisição devem ser complevem ser complevem ser complevem ser complevem ser completttttados de fados de fados de fados de fados de formaormaormaormaorma precisa e legível. Se houver necessidade urprecisa e legível. Se houver necessidade urprecisa e legível. Se houver necessidade urprecisa e legível. Se houver necessidade urprecisa e legível. Se houver necessidade urgentgentgentgentgente de sangue, conte de sangue, conte de sangue, conte de sangue, conte de sangue, contatatatatate o bancoe o bancoe o bancoe o bancoe o banco de sangue por tde sangue por tde sangue por tde sangue por tde sangue por telefelefelefelefelefone.one.one.one.one. P R O C E D I M E N T O S D A C L Í N I C A T R A N S F U S I O N A L PEDIDO DE SPEDIDO DE SPEDIDO DE SPEDIDO DE SPEDIDO DE SANGUE EM URANGUE EM URANGUE EM URANGUE EM URANGUE EM URGÊNCIASGÊNCIASGÊNCIASGÊNCIASGÊNCIAS 1 Em emergências, insira uma cânula intravenosa, utilize-a para colher amostra sangüínea para testes de compatibilidade, instale uma infusão EV, e envie a amostra para o banco de sangue o mais rápido possível. 2 Para cada paciente, o tubo de amostra sangüínea e a requisição devem estar corretamente etiquetadas com o nome do paciente e o número de identificação do mesmo no hospital. Se o paciente não estiver identificado, algum tipo de númernúmernúmernúmernúmero de admissão de uro de admissão de uro de admissão de uro de admissão de uro de admissão de urgênciagênciagênciagênciagência deve ser utilizado. A utilização do nome do paciente deve ser feita somente se possuirmos a informação correta do mesmo. 3 Se estiver sendo enviada uma nova requisição de produto sangüíneo para o mesmo paciente num curto período de tempo, deve ser utilizada a mesma identificação anterior e amostra sangüínea, para que o banco de sangue saiba que está lidando com o mesmo paciente. 4 Se houver diversas pessoas da equipe trabalhando com os casos emergenciais, uma pessoa deve estar encarregada de requisitar sangue e da comunicação com o banco de sangue. Isto se torna especialmente importante quando houver diversos pacientes ao mesmo tempo. 5 Comunique ao banco de sangue a rapidez necessária para a transfusão de cada paciente. Esta comunicação deve ser feita com termos simples e previamente normatizados para explicar qual a urgência necessária para este caso. 6 Esteja certo que tanto você como a equipe do banco de sangue sabem: Quem irá trazer o sangue para o paciente Onde estará o paciente: por exemplo, na sala de cirurgia, na sala obstétrica. 7 O banco de sangue pode enviar sangue do grupo O ( possivelmente Rh D negativo), especialmente se há risco de erro na identificação do paciente. Durante um emergência, esta pode ser a maneira mais segura de evitar sérias complicações transfusionais advindas de trocas de amostras. 112 A requisição de sangue deve conter as seguintes informações: Data da requisição Data e horário que o sangue for necessário Onde o sangue deve ser entregue Nome e sobrenome do paciente Data de nascimento do paciente Sexo do paciente Número de referência hospitalar do paciente Enfermaria do paciente Diagnóstico provisório Motivo da transfusão Número de unidades necessárias ou Se se deve fazer apenas tipagem sangüínea, pesquisa de anticorpos séricos e aguardar (página 120) Urgência do pedido Nome e assinatura da pessoa que está prescrevendo o sangue. Quando a história prévia e registros anteriores do paciente forem disponíveis, pode-se auxiliar o banco de sangue com o envio das seguintes informações: Grupo sangüíneo conhecido do paciente Presença de anticorpos História de transfusões anteriores História de reações transfusionais anteriores Para mulheres: número de gestações anteriores e casos de incompatibilidade materno-fetal Outros itens relevantes da história médica do paciente. É importante que na requisição esteja descrito o motivo da transfusão, para que o banco de sangue possa escolher o hemocomponente mais adequado ao caso para os testes de compatibilidade. Um exemplo de formulário de requisição de sangue está demonstrado na figura 6.4. Este inclui os registros dos testes de compatibilidade, que devem ser assinalados pelo banco de sangue antes da liberação do componente. Há diversos modelos de requisição de sangue nos mais diversos hospitais, portanto, esta figura deve ser considerada somente como exemplo. Se não houver um formulário específico em seu serviço,este exemplo pode ser adaptado de acordo com as necessidades locais. Lembre-se que o mínimo de informações que devem estar contidas na requisição de sangue e na amostra que a acompanha são: Identificação única do paciente Indicação do número e tipo de hemocomponentes requeridos Indicação do horário e local onde serão necessários. S E Ç Ã O 6 A equipe do banco de sangue estará agindo corretamente se não aceitar uma requisição para sangue que esteja preenchida incorretamente ou se a amostra do paciente não estiver identificada corretamente. Qualquer falha nos procedimentos pode levar a transfusões incompatíveis, que podem ser fatais. 113 Figura 6.4: Exemplo de um formulário de requisição de sangue P R O C E D I M E N T O S D A C L Í N I C A T R A N S F U S I O N A L Paciente ABO Rh D EXEMPLO DE UM FORMULÁRIO DO SANGUE HOSPITHOSPITHOSPITHOSPITHOSPITALALALALAL: Data da Requisição: DETDETDETDETDETALHES DO PALHES DO PALHES DO PALHES DO PALHES DO PAAAAACIENTECIENTECIENTECIENTECIENTE Sobrenome: Data de nasc.: Sexo: Nome: Enfermaria: Registro hospitalar nº: Grupo Sangüíneo (se conhecido): ABO Rh D HISHISHISHISHISTÓRIATÓRIATÓRIATÓRIATÓRIA Diagnóstico: Anticorpos: Sim/Não: Motivo da transfusão: Transfusões prévias: Sim/Não: Hemoglobina: Reações transfusionais: Sim/Não: História médica relevante: Gestações anteriores: Sim/Não: REQUISIÇÃOREQUISIÇÃOREQUISIÇÃOREQUISIÇÃOREQUISIÇÃO Tipagem sangüínea e pesquisa de anticorpos irregulares Sangue Total Unidade Hemocomponentes Conc. de Hemácias Unidade Data da Requisição: Plasma Unidade Horário da Requisição: Outros Unidade Liberar para: NNNNNome do Médicoome do Médicoome do Médicoome do Médicoome do Médico: Assinatura: IMPORIMPORIMPORIMPORIMPORTTTTTANTE: ANTE: ANTE: ANTE: ANTE: EsEsEsEsEsttttte fe fe fe fe formulário de requisição não será aceitormulário de requisição não será aceitormulário de requisição não será aceitormulário de requisição não será aceitormulário de requisição não será aceito se não eso se não eso se não eso se não eso se não estiver assinado ou se estiver assinado ou se estiver assinado ou se estiver assinado ou se estiver assinado ou se estiver com campos em brtiver com campos em brtiver com campos em brtiver com campos em brtiver com campos em brancos.ancos.ancos.ancos.ancos. USO SOMENTE LABUSO SOMENTE LABUSO SOMENTE LABUSO SOMENTE LABUSO SOMENTE LABORAORAORAORAORATTTTTORIALORIALORIALORIALORIAL Tipagem Teste de Compatibilidade do doador Nº da Bolsa ABO Rh AHG Temp. Data da Horário da Data da Horário da ambiente Compatibilização Compatibilização Liberação Liberação Assinatura: 114 S E Ç Ã O 6 ATIVIDADE 17 Existe um formulário de requisição utilizado em seu serviço? Se afirmativo, ele contém todas as informações enumeradas anteriormente? Compare o modelo utilizado em seu serviço com o exemplo dado na Figura 6.4, e discuta com seus colegas sobre melhorias que poderiam ser introduzidas. Se não houver um formulário padronizado para pedido de sangue em seu serviço, converse com seus superiores e com a equipe do banco de sangue sobre a importância da introdução deste, as informações que deveriam estar contidas e os procedimentos utilizados para a sua utilização. Também discuta os treinamentos necessários para garantir que seja usado efetivamente. Amostras sangüíneas para teste de compatibilidade É de imporÉ de imporÉ de imporÉ de imporÉ de importância vittância vittância vittância vittância vital que a amosal que a amosal que a amosal que a amosal que a amostrtrtrtrtra sangüínea do pacienta sangüínea do pacienta sangüínea do pacienta sangüínea do pacienta sangüínea do paciente ese ese ese ese esttttteja num tuboeja num tuboeja num tuboeja num tuboeja num tubo correcorrecorrecorrecorretttttamentamentamentamentamente identife identife identife identife identificado, e eicado, e eicado, e eicado, e eicado, e etiquetiquetiquetiquetiquetttttado com a identidade única do pacientado com a identidade única do pacientado com a identidade única do pacientado com a identidade única do pacientado com a identidade única do paciente.e.e.e.e. A Figura 6.5 demonstra os passos nos quais estão envolvidas a coleta de amostra e a realização de testes de compatibilidade. Qualquer regulação nacional ou governamental sobre a coleta e etiquetagem da amostra sangüínea deve ser seguida rigorosamente. Quando estas não existirem, os hospitais devem preparar seus próprios procedimentos para estas fases. Toda a equipe responsável pela coleta de amostras sangüíneas deve estar devidamente treinada para esta tarefa. O banco de sangue não deve aceitar as requisições de sangue a menos que os detalhes do paciente no formulário e na amostra estejam concordantes entre si. Se não estiverem, deve ser solicitada nova requisição e nova amostra sangüínea. ATIVIDADE 18 Há procedimentos operacionais padrão para coleta de amostras sangüíneas para testes pré-transfusionais em seu hospital? Compare-os com a Figura 6.5. A coleta de amostra é realizada conforme os procedimentos operacionais padrão pela equipe que a realiza? Se não houver procedimentos operacionais padrão em seu serviço ou se você acredita que possa melhorar os já existentes, converse com seus superiores sobre a importância da garantia de que as amostras sangüíneas estejam sendo coletadas corretamente e, principalmente, etiquetadas de forma correta. Organize sessões educacionais para garantir que a equipe compreenda a importância da correta e precisa etiquetagem dos tubos das amostras sangüíneas. 115 ATIVIDADE 19 Compare os procedimentos operacionais de seu serviço para requisição de sangue com os descritos nesta seção.Você pode sugerir melhorias que possam ser feitas para estes procedimentos? Se não estiver sendo usada uma padronização de reserva cirúrgica em seu serviço para procedimentos obstétricos e cirúrgicos, converse com os seus superiores e com a equipe do banco de sangue sobre a importância do desenvolvimento de um manual de necessidades transfusionais. Figura 6.5: Procedimento para coleta de amostras sangüíneas para teste de compatibilidade P R O C E D I M E N T O S D A C L Í N I C A T R A N S F U S I O N A L COLETCOLETCOLETCOLETCOLETA DE AMOSA DE AMOSA DE AMOSA DE AMOSA DE AMOSTRAS STRAS STRAS STRAS STRAS SANGÜÍNEAS PANGÜÍNEAS PANGÜÍNEAS PANGÜÍNEAS PANGÜÍNEAS PARA TESARA TESARA TESARA TESARA TESTES DE COMPTES DE COMPTES DE COMPTES DE COMPTES DE COMPAAAAATIBILDTIBILDTIBILDTIBILDTIBILDADEADEADEADEADE 1 Se o paciente estiver consciente no momento da coleta da amostra, pergunte ao mesmo o nome, sobrenome, data de nascimento e outras informações importantes. 2 Verifique o nome do paciente com: Identidade do paciente no bracelete ou na etiqueta Evolução médica do paciente Requisição de sangue completa 3 Se o paciente estiver inconsciente, pergunte ao familiar ou segundo membro da equipe para verificar a identidade do paciente. 4 Colete a amostra sangüínea no tubo requerido pelo banco de sangue. Para adultos, geralmente são necessários 10 ml num tubo sem anticoagulante. 5 Etiquete a amostra de forma clara e exata no momento que a amostra estiver sendo coletada. As seguintes informações devem estar contidas na etiquetagem da amostra: Nome e sobrenome do paciente Data de nascimento Número de referência hospitalar do paciente Enfermaria onde está internado Data Assinatura da pessoa que está coletando a amostra. Garantir que o nome do paciente esteja escrito corretamente. Não etiquete o tubo antes de obter a amostra devido ao risco de troca de tubo. 6 Se o paciente necessitar de transfusões posteriores de glóbulos vermelhos, envie uma nova amostra sangüínea para compatibilização. Isto é particularmente importante no paciente que recebeu transfusões recentes (com mais de 24 horas). Anticorpos eritrocitários tendem a aparecer mais precocemente com o estímulo transfusional.Uma amostra recente é essencial para garantir que o paciente não receba sangue incompatível. 116 6.3 Teste de compatibilidade eritrocitária (prova cruzada) É essencial que todo sangue seja testado antes da transfusão para: Garantir que as hemácias transfundidas sejam compatíveis com os anticorpos detectáveis no plasma do paciente Evitar a produção de novos anticorpos eritrocitários no receptor, particularmente anti-Rh D. Todos ao testes pré-transfusionais devem fornecer as seguintes informações sobre o paciente e a unidade de sangue: Grupo ABO e anticorpos Tipagem Rh D Presença de outros anticorpos eritrocitários que possam causar hemólise no paciente. O banco de sangue tem um papel central na garantia que o paciente receba sangue compatível. De forma resumida, é responsável pelos seguintes objetivos. 1 Garantir que somente as unidades de sangue testadas e negativas para infecções transmissíveis por transfusão sejam aceitas para compatibilização. 2 Determinar o grupo ABO e Rh D de todo componente sangüíneo, e identificá-lo corretamente. 3 Verificar se a requisição de transfusão sangüínea foi completada pelo clínico que prescreveu o componente, e que os dados da amostra estejam concordantes com a requisição. 4 Determinar o grupo ABO e Rh D da amostra do paciente, e realizar a pesquisa de anticorpos eritrocitários. 5 Selecionar o hemocomponente mais adequado para o paciente. 6 Realizar o teste de compatibilidade, testando as hemácias do doador com o soro do paciente, e garantir que somente seja fornecido para o paciente componentes sangüíneos compatíveis. 7 Etiquetar unidades de sangue compatíveis especificamente para o paciente, liberá-las ou mantê-las disponíveis para liberação imediata. Habitualmente, o banco de sangue reserva componentes por um período máximo de 48 horas a partir da requisição. Se unidades não compatibilizadas forem liberadas numa emergência, este fato deve estar claro na etiquetagem. 8 Garantir que as verificações e testes tenham sido completados e registrados de forma exata. S E Ç Ã O 6 117 9 Fornecer os produtos corretos, de acordo com os procedimentos locais. Antígenos e anticorpos do sistema ABO Na prática clínica transfusional, o sistema ABO é o mais importante e não pode nunca ser ignorado numa transfusão. As hemácias compreendem quatro tipos principais ABO: O, A, B e AB. Indivíduos que, devido a razões genéticas, não possuem os antígenos A ou B possuem anticorpos da classe IgM contra o tipo eritrocitário que não foi herdado. Uma pessoa do grupo A possui anticorpos contra o grupo B Uma pessoa do grupo B possui anticorpos contra o grupo A Uma pessoa do grupo O possui anticorpos contra o grupo A e o B Uma pessoa do grupo AB não possui anticorpos contra o grupo A ou B Estes anticorpos podem destruir as hemácias rapidamente na circulação. Os anticorpos anti-A e anti-B ocorrem de “forma natural”, e não são desenvolvidos como uma sensibilização anterior ao antígeno correspondente. No entanto, os anticorpos do sistema Rh 1 (anti-Rh D) somente se desenvolvem em indivíduos Rh D negativos sensibilizados por hemácias Rh D positivas. Incompatibilidade ABO: reações hemolíticas Uma trUma trUma trUma trUma transfusão sangüínea seguransfusão sangüínea seguransfusão sangüínea seguransfusão sangüínea seguransfusão sangüínea segura depende de se ea depende de se ea depende de se ea depende de se ea depende de se evitvitvitvitvitar a incompatibilidadear a incompatibilidadear a incompatibilidadear a incompatibilidadear a incompatibilidade entre as hemácias do doador com os anticorentre as hemácias do doador com os anticorentre as hemácias do doador com os anticorentre as hemácias do doador com os anticorentre as hemácias do doador com os anticorpos plasmáticos do receptpos plasmáticos do receptpos plasmáticos do receptpos plasmáticos do receptpos plasmáticos do receptororororor..... Os anticorpos anti-A ou anti-B no receptor quase sempre são capazes de causar rápida destruição (hemólise) de hemácias incompatíveis transfundidas, assim que estas entrarem na circulação. A transfusão de um concentrado de hemácias não compatibilizado causa um risco enorme de reação hemolítica aguda. Da mesma maneira, se o sangue for dado para o paciente errado, este pode ser incompatível. O risco exato depende da análise da distribuição populacional. Nas populações em que ocorra 30% de transfusões não compatibilizadas e ABO incompatíveis, pelo menos 10% poderão provocar reações graves ou fatais. Em algumas circunstâncias, também é importante que os anticorpos do doador sejam compatíveis com as hemácias do receptor. Não é sempre primordial que seja administrado sangue do mesmo tipo ABO. As Figuras 6.6 e 6.7 sumarizam as noções básicas para transfusão de plasma e hemácias no sistema ABO. 1 Embora o original mencione sistema Rhesus, a nomenclatura ISBT define o sistema como Rh, que será seguido nesta tradução em português (Nota dos tradutores) P R O C E D I M E N T O S D A C L Í N I C A T R A N S F U S I O N A L 118 PLASMA E COMPONENTES CONTENDO PLASMAPLASMA E COMPONENTES CONTENDO PLASMAPLASMA E COMPONENTES CONTENDO PLASMAPLASMA E COMPONENTES CONTENDO PLASMAPLASMA E COMPONENTES CONTENDO PLASMA Na transfusão de plasma, o plasma AB pode ser dado a pacientes de qualquer grupo ABO, porque não contém anti-A nem anti-B. 1 Plasma AB ( sem anticorpos) pode ser dado a qualquer grupo ABO. 2 Plasma A ( com anti-B) pode ser administrado a pacientes A ou O 3 Plasma B ( com anti-A) pode ser administrado a pacientes B ou O 4 Plasma O ( com anti-A e anti-B) somente pode ser administrado a pacientes O. Figura 6.6: Regras de transfusão no sistema ABO Figura 6.7: Regras de transfusão de plasma no sistema ABO GrGrGrGrGraves reações agudas hemolíticas são quase sempre causadas por traves reações agudas hemolíticas são quase sempre causadas por traves reações agudas hemolíticas são quase sempre causadas por traves reações agudas hemolíticas são quase sempre causadas por traves reações agudas hemolíticas são quase sempre causadas por transfusõesansfusõesansfusõesansfusõesansfusões incompatíveis ABincompatíveis ABincompatíveis ABincompatíveis ABincompatíveis ABO. EsO. EsO. EsO. EsO. Estttttas reações podem ser fas reações podem ser fas reações podem ser fas reações podem ser fas reações podem ser fatatatatatais.ais.ais.ais.ais. Quase sempre resultQuase sempre resultQuase sempre resultQuase sempre resultQuase sempre resultam de erram de erram de erram de erram de erros na identifos na identifos na identifos na identifos na identificação do pacienticação do pacienticação do pacienticação do pacienticação do paciente quando ase quando ase quando ase quando ase quando as amosamosamosamosamostrtrtrtrtras esas esas esas esas estão sendo coletão sendo coletão sendo coletão sendo coletão sendo coletttttadas, ou quando o sangue esadas, ou quando o sangue esadas, ou quando o sangue esadas, ou quando o sangue esadas, ou quando o sangue está sendo administá sendo administá sendo administá sendo administá sendo administrtrtrtrtrado.ado.ado.ado.ado. Para o tratamento de reações transfusionais, veja a Seção 7: Efeitos Adversos da Transfusão. S E Ç Ã O 6 COMPONENTES ERITRCOMPONENTES ERITRCOMPONENTES ERITRCOMPONENTES ERITRCOMPONENTES ERITROCITÁRIOSOCITÁRIOSOCITÁRIOSOCITÁRIOSOCITÁRIOS Nas transfusões de glóbulos vermelhos, deve existir compatibilidade ABO e RhD entre os glóbulos vermelhos do doador do plasma do receptor. 1 Indivíduos do grupo O somente podem receber sangue de doadores do grupo O 2 Indivíduos do grupo A recebem somente sangue de doadores do grupo A e O 3 Indivíduos do grupo B somente podem receber doadores de grupo B e O 4 Indivíduos do grupo AB podem receber sangue de doadores AB, A, B e O Nota: São preferíveis concentrado de hemácias com remoção de plasma, quando houver transfusão de sanguenão grupo específico. 119 Antígenos e anticorpos Rh D Os glóbulos vermelhos possuem diversos outros antígenos, que são carreados por qualquer indivíduo e determinados pelo seu perfil. Em contraste com o sistema ABO, os indivíduos raramente possuem anticorpos contra estes antígenos, a menos que tenham se sensibilizado anteriormente através de uma gravidez ou transfusão sangüínea. O mais importante destes antígenos é o Rh D. Mesmo uma única transfusão de hemácias Rh D positivas a uma pessoa Rh D negativa geralmente provoca a formação de anti-Rh D. Este pode causar: Doença Hemolítica do Recém Nascido numa gravidez posterior Rápida destruição em transfusão subseqüente de hemácias Rh D positivas. Outros antígenos e anticorpos eritrocitários Há diversos antígenos menores nas hemácias humanas que, como o Rh D, podem levar ao aparecimento de anticorpos em pessoas que não os possuam, e que sejam sensibilizadas por transfusão. Estes anticorpos, que podem causar reações transfusionais graves, incluem: Sistema Rh: C, c, E, e Kell Duffy Lewis. Outros sistemas para garantir compatibilidade eritrocitária Em alguns países, um teste à cabeceira do leito é utilizado para determinar o grupo ABO do paciente e da unidade de sangue fornecida. Geralmente, este é realizado utilizando um cartão simples de análise, pré-tratado com reagentes sangüíneos, junto a instruções detalhadas de uso. Alguns países também permitem a compatibilização computadorizada, que depende de um sistema automatizado, para garantir a absoluta acurácia na identificação do paciente e das unidades de sangue. Qualquer que seja o sistema utilizado, o princípio de garantia de uma transfusão sangüínea segura continua o mesmo. Os procedimentos padronizados devem ser claros, e a equipe deve estar treinada para segui- los e manter os elementos básicos de um sistema de qualidade. Problemas de compatibilidade Se na amostra do paciente forem detectados anticorpos eritrocitários significativos, testes mais aprofundados são geralmente necessários para identificação do anticorpo, para que o sangue mais adequado seja fornecido. O laboratório pode precisar de outra amostra sangüínea para testes. A equipe do banco de sangue sempre estará procurando o sangue mais compatível, a fim de evitar reações hemolíticas transfusionais e a P R O C E D I M E N T O S D A C L Í N I C A T R A N S F U S I O N A L 120 estimulação do anticorpo do paciente a níveis mais altos. Estes testes podem ser complicados, e com isso, ocasionar um considerável atraso na transfusão. Quando isto ocorrer, transfusões não urgentes e cirurgias que requeiram transfusões devem ser adiadas, até que o sangue mais adequado seja encontrado, de maneira a evitar riscos para o paciente. No entanto, quando o paciente necessitar urgentemente de transfusão e esteja difícil encontrar componentes compatíveis, o médico responsável pelo banco de sangue deve ser indagado sobre os riscos de uma possível reação com um componente não totalmente compatível. O risco deve ser pesado contra os riscos de um atraso na transfusão, quando houver necessidade urgente da restauração da capacidade de transportar oxigênio no sangue. Tipagem, pesquisa de anticorpos e aguardo O procedimento de tipagem sangüínea e pesquisa de anticorpos, também é chamado de tipagem e pesquisa, ou em alguns locais, de tipagem sangüínea. No laboratório, a tipagem ABO e Rh D do paciente é determinada, e o soro do paciente é testado para a presença de anticorpos IgG que destruam hemácias a 37ºC. A amostra do soro do paciente é congelada e armazenada a - 20ºC, geralmente por 7 dias. Se for requisitado sangue neste período, a amostra é descongelada, e utilizada para compatibilização nas urgências. Usando-se este método, o banco de sangue geralmente precisa de 15 a 30 minutos para o sangue estar disponível para o paciente, se houver a disponibilidade do mesmo no banco de sangue. Esta conduta evita a necessidade de se manter unidades de sangue compatibilizadas para um paciente que tenha chance de não as necessitar, enquanto que diminui o tempo de espera nas urgências. Como resultado, o banco de sangue pode ter melhor gerenciamento das unidades de hemácias disponíveis. 6.4 Coleta de produtos sangüíneos antes da transfusão Uma causa comum de reações transfusionais é a transfusão de uma unidade de sangue que tenha sido dirigida para outro paciente. Isto geralmente ocorre devido a erros na coleta de sangue pelo banco de sangue. Portanto, é essencial que cada hospital possua um procedimento operacional padrão para coleta de sangue pelo banco de sangue, e seu armazenamento na área clínica antes da transfusão. Este procedimento deve ser sempre seguido. Um exemplo é dado na Figura 6.8. S E Ç Ã O 6 121 COLETCOLETCOLETCOLETCOLETA DE COMPONENTES SA DE COMPONENTES SA DE COMPONENTES SA DE COMPONENTES SA DE COMPONENTES SANGÜÍNEOS ANTES DANGÜÍNEOS ANTES DANGÜÍNEOS ANTES DANGÜÍNEOS ANTES DANGÜÍNEOS ANTES DA TRANSFUSÃOA TRANSFUSÃOA TRANSFUSÃOA TRANSFUSÃOA TRANSFUSÃO 1 Tenha documentação escrita de identificação do paciente. 2 Verifique os seguintes detalhes, comparando a etiqueta de compatibilização com a identidade do paciente, que devem estar concordantes de forma exata: Nome e sobrenome do paciente Número de referência hospitalar do paciente Enfermaria do paciente ou sala cirúrgica do mesmo Tipagem ABO e Rh D do paciente 3 Preencha todas as informações necessárias no registro de coleta de sangue Quando o sangue for liberado pelo banco de sangue, o horário deve ser sempre registrado. A pessoa responsável pelo banco de sangue deve manter o sangue na geladeira até que o mesmo esteja liberado para transfusão. A unidade de sangue atinge 10ºC em aproximadamente 30 minutos e raramente é necessário aquecer o componente antes da transfusão. O banco de sangue algumas vezes fornece sangue de tipagem ABO diferente, porém compatível ao paciente; por exemplo, hemácias do grupo A são seguras para pacientes do grupo AB. Neste caso, geralmente devido a um baixo estoque de um grupo particular, o banco de sangue deve informar o clínico responsável e registrar o fato na documentação que acompanha as unidades de sangue. 6.5 Armazenamento de produtos sangüíneos antes da transfusão A cadeia de frio é o sistema para o armazenamento e transporte de sangue e componentes sangüíneos, de maneira que os mesmos sejam mantidos numa correta temperatura durante todo o período, desde a coleta do doador, até a administração ao paciente. Qualquer quebra na cadeia de frio aumenta o risco para os receptores de componentes sangüíneos, e provoca perda de recurso escasso e de valor inestimável. A eficácia da cadeia de frio depende de: Manutenção adequada e regular de equipamento monitorado para o armazenamento e transporte de sangue, sob temperatura controlada, incluindo caixas de transporte, refrigeradores, congeladores e agitadores de plaquetas. Uso correto do equipamento por toda a equipe envolvida na manipulação dos produtos sangüíneos. A equipe clínica é responsável por garantir que os produtos sangüíneos fornecidos pelo banco de sangue sejam mantidos em correta temperatura até o momento da infusão no paciente. Figura 6.8: Procedimentos para coleta de sangue no banco de sangue. P R O C E D I M E N T O S D A C L Í N I C A T R A N S F U S I O N A L 122 Condições de armazenamento Concentrado de hemácias e sangue total Os concentrados de hemácias e sangue total devem sempre permanecer armazenados em temperatura entre +2ºC e +6ºC. Nunca devem ser levados aos congeladores. O limite superior de +6ºC é essencial para minimizar o crescimento de qualquer contaminação bacteriana na unidade de sangue. O limite inferior de +2ºC é essencial porque se as hemácias forem congeladas, elas hemolisam. Se transfundidas, a presença de fragmentos de membranacelular e hemoglobina livre podem causar problemas de sangramento fatais ou insuficiência renal. A solução da bolsa de sangue contém anticoagulante (citrato de sódio) para interromper a coagulação do sangue, e dextrose (glicose) para ‘alimentar’ as hemácias durante o armazenamento. O armazenamento a temperaturas entre +2ºC e +6ºC é essencial para assegurar que a dextrose não seja utilizada rapidamente. O sangue total e concentrados de hemácias devem ser liberados pelo banco de sangue em caixas de transporte que mantenham a temperatura abaixo de 10ºC, se a temperatura ambiente for maior que 25ºC ou se houver possibilidade do sangue não ser transfundido em até 30 minutos. A menos que seja uma transfusão imediata, as bolsas devem ser mantidas no refrigerador da enfermaria ou do centro cirúrgico a uma temperatura entre +2ºC e +6ºC (veja página 130: Aquecimento de sangue). ConcentrConcentrConcentrConcentrConcentrados de hemácias e sangue tados de hemácias e sangue tados de hemácias e sangue tados de hemácias e sangue tados de hemácias e sangue totototototal deal deal deal deal devem ser infundidos em até 30vem ser infundidos em até 30vem ser infundidos em até 30vem ser infundidos em até 30vem ser infundidos em até 30 minutminutminutminutminutos após a reos após a reos após a reos após a reos após a retirtirtirtirtirada do refrigerada do refrigerada do refrigerada do refrigerada do refrigeradoradoradoradorador..... Os componentes que estiverem fora das condições ideais de armazenamento por mais de 30 minutos não devem ser reintegrados ao refrigerador para uso posterior, por causa do potencial de contaminação bacteriana, e perda da função celular. Concentrados de plaquetas Os concentrados de plaquetas devem ser mantidos a uma temperatura entre 20ºC e 24ºC num agitador, para manter a função plaquetária. Uma vez que há risco de contaminação bacteriana, o armazenamento é restrito por 3 a 5 dias, dependendo do tipo de bolsa utilizada. Plaquetas que são mantidas a uma temperatura menor perdem a capacidade de coagulação. Os concentrados de plaquetas devem ser liberados pelo banco de sangue numa caixa de transporte, para manter a temperatura durante o transporte entre 20ºC e 24ºC. Devem ser transfundidos o mais rápido possível. Não devem ser colocados num refrigerador. Plasma fresco congelado O plasma fresco congelado (PFC) deve ser armazenado no banco de sangue em temperaturas inferiores a - 25ºC ou inferior, até o descongelamento S E Ç Ã O 6 123 antes da transfusão. Assim como o sangue total ou o concentrado de hemácias, as bactérias podem se proliferar no plasma em temperatura ambiente. A maioria dos fatores de coagulação são estáveis na temperatura de refrigeração, excepto os fatores V e VIII. Se o plasma não for mantido congelado em temperaturas inferiores a - 25ºC, o Fator VIII diminui rapidamente em 24 horas. O plasma com redução de fator VIII não é efetivo para o tratamento de hemofilia, porém pode ser utilizado em outras patologias da coagulação (Seção 5: Componentes sangüíneos). A queda do Fator V é mais lenta. O plasma fresco congelado deve ser descongelado no banco de sangue em banho-maria numa temperatura entre + 30ºC e + 37ºC, e deve ser liberado numa caixa de transporte que mantenha a temperatura entre 2ºC e 6ºC. Deve ser infundido em até 30 minutos após o descongelamento. Se não for requisitado para uso imediato, deve ser armazenado num refrigerador a temperaturas entre 2oC e 6ºC, e transfundido em até 24 horas. O refrigerador de sangue Uma vez liberado pelo banco de sangue, a transfusão de sangue total, concentrado de hemácias e plasma fresco descongelado deve ser iniciada em até 30 minutos da retirada do refrigerador. Se a transfusão não for iniciada neste período, deve ser armazenada num refrigerador numa temperatura entre 2ºC a 6ºC. A temperatura dentro do refrigerador utilizado para o armazenamento de bolsas de sangue nas enfermarias, centro cirúrgico e outras áreas clínicas deve ser monitorada e registrada a cada quatro horas, para garantir a temperatura dentro deste limite. TTTTTodos os refrigeradores de sangue deodos os refrigeradores de sangue deodos os refrigeradores de sangue deodos os refrigeradores de sangue deodos os refrigeradores de sangue devvvvvem ser prem ser prem ser prem ser prem ser projeojeojeojeojetados especiftados especiftados especiftados especiftados especificamenticamenticamenticamenticamenteeeee para o armazenamentpara o armazenamentpara o armazenamentpara o armazenamentpara o armazenamento de sangue.o de sangue.o de sangue.o de sangue.o de sangue. Nas enfermarias que não possuam refrigerador apropriado para o armazenamento de sangue, o sangue só deve ser liberado pelo banco de sangue imediatamente antes da transfusão. Toda a equipe deve ser treinada para seguir os seguintes procedimentos. 1 Abrir a porta somente para retirada de sangue quando necessário. 2 Arrumar o sangue de maneira que haja circulação de ar frio livre dentro do refrigerador. As unidades de sangue devem ser mantidas numa posição vertical. Não devem ser mantidas tão próximas uma da outra, de maneira que o ar possa circular. 3 Não armazenar nada além de sangue total, concentrado de hemácias e plasma fresco congelado no refrigerador de sangue. 4 Não armazenar concentrado de plaquetas no refrigerador. P R O C E D I M E N T O S D A C L Í N I C A T R A N S F U S I O N A L 124 5 Se for utilizado um refrigerador doméstico, não armazenar sangue na porta, pois a temperatura neste local é maior que a do interior 6 Não armazenar sangue próximo ao congelador, no caso de utilização de geladeira doméstica. Todos os componentes sangüíneos não utilizados devem ser devolvidos ao banco de sangue, para que a sua devolução, novo uso ou destruição seja registrado. ATIVIDADE 20 Verifique se qualquer unidade sangüínea está sendo corretamente transportada e armazenada na área clínica. Se não, identifique as mudanças necessárias no sistema de armazenamento e transporte, incluindo procedimentos para monitorização e registro de temperatura a cada quatro horas em todos os refrigeradores utilizados para o armazenamento de sangue. Discuta este assunto com a equipe clínica e do banco de sangue Organize uma sessão educacional para a equipe da área clínica sobre a importância da manutenção dos componentes sangüíneos na temperatura adequada antes da transfusão. Monitore se os componentes sangüíneos estão sendo armazenados corretamente e realize novas sessões educacionais, se necessário. 6.6 Administração de produtos sangüíneos Todo hospital deve manter procedimentos operacionais escritos sobre a administração de componentes sangüíneos, particularmente no que diz respeito à identificação final do paciente, da bolsa de sangue, da etiqueta de compatibilização e da documentação. Etiqueta de compatibilização O banco de sangue deve fornecer a seguinte documentação com a bolsa de sangue: Nome e sobrenome do paciente Tipagem ABO e Rh D do paciente Número único de identificação da bolsa Grupo sangüíneo da bolsa A etiqueta de compatibilização, como a mostrada no exemplo da Figura 6.9, deve estar firmemente aderida à bolsa de sangue. A etiqueta de compatibilização deve fornecer as seguintes informações: Número único de identificação da bolsa Nome e sobrenome do paciente Número de referência hospitalar do paciente Data de nascimento do paciente S E Ç Ã O 6 125 Enfermaria Tipagem ABO e Rh D do paciente Grupo sangüíneo da bolsa Data de validade da bolsa Data do teste de compatibilidade Verificação da bolsa de sangue A bolsa de sangue deve ser sempre inspecionada, para verificar se há sinais de deterioração: Antes da liberação pelo banco de sangue Na chegada na enfermaria ou no centro cirúrgico Antes da transfusão, se o uso não for imediato Se o tempo permitir, misture o sangue e o deixesedimentar para que possa observar a cor do plasma antes de verificar os seguintes sinais de deterioração. 1 Qualquer sinal de hemólise no plasma, indicando que o sangue tenha sido contaminado, congelado ou aquecido demais. 2 Qualquer sinal de hemólise na interface entre o plasma e as hemácias. Se houver suspeita disto, misture gentilmente a unidade, e permita a sua sedimentação antes da liberação. 3 Qualquer sinal de contaminação, como mudança de cor das hemácias, que se tornam escurecidas ou púrpura/negra quando contaminadas. 4 Coágulos, que podem mostrar que o sangue não foi misturado apropriadamente com o anticoagulante quando colhido. 5 Qualquer sinal de dano à bolsa, ou que a mesma já tenha sido violada. Figura 6.9: Exemplo de etiqueta de compatibilização do sangue ESESESESESTE STE STE STE STE SANGUE É COMPANGUE É COMPANGUE É COMPANGUE É COMPANGUE É COMPAAAAATÍVEL COM:TÍVEL COM:TÍVEL COM:TÍVEL COM:TÍVEL COM: Bolsa nº Nome do paciente: Número de referência hospitalar do paciente: Enfermaria: Grupo sangüíneo do paciente: Grupo sangüíneo da bolsa: Data de validade: Data do teste de compatibilidade: RETRETRETRETRETORNE O SORNE O SORNE O SORNE O SORNE O SANGUE IMEDIAANGUE IMEDIAANGUE IMEDIAANGUE IMEDIAANGUE IMEDIATTTTTAMENTE AAMENTE AAMENTE AAMENTE AAMENTE AO BANCO DE SO BANCO DE SO BANCO DE SO BANCO DE SO BANCO DE SANGUE SE OANGUE SE OANGUE SE OANGUE SE OANGUE SE O MESMO NÃO FOR UTILIZADOMESMO NÃO FOR UTILIZADOMESMO NÃO FOR UTILIZADOMESMO NÃO FOR UTILIZADOMESMO NÃO FOR UTILIZADO P R O C E D I M E N T O S D A C L Í N I C A T R A N S F U S I O N A L 126 Se houver qualquer anormalidade na bolsa, a unidade não deve ser transfundida, e o banco de sangue deve ser imediatamente avisado. A descolorA descolorA descolorA descolorA descoloração ou sinais de vação ou sinais de vação ou sinais de vação ou sinais de vação ou sinais de vazamentazamentazamentazamentazamento podem ser os únicos sinais de que ao podem ser os únicos sinais de que ao podem ser os únicos sinais de que ao podem ser os únicos sinais de que ao podem ser os únicos sinais de que a bolsa apresentbolsa apresentbolsa apresentbolsa apresentbolsa apresenta conta conta conta conta contaminação bactaminação bactaminação bactaminação bactaminação bacteriana, e possa causar reação greriana, e possa causar reação greriana, e possa causar reação greriana, e possa causar reação greriana, e possa causar reação grave, atéave, atéave, atéave, atéave, até mesmo fmesmo fmesmo fmesmo fmesmo fatatatatatal, se tral, se tral, se tral, se tral, se transfundida.ansfundida.ansfundida.ansfundida.ansfundida. A Figura 6.10 mostra sinais de deterioração no plasma ou no sangue. Copie-o e coloque-o numa parede próxima a cada refrigerador em seu hospital, para lembrar a todos sobre a verificação do sangue na área clínica, ou antes, da transfusão. Figura 6.10: Lista de verificação para sinais de deterioração do sangue ou plasma A UNIDA UNIDA UNIDA UNIDA UNIDADE NÃO DEVE SER TRANSFUNDIDADE NÃO DEVE SER TRANSFUNDIDADE NÃO DEVE SER TRANSFUNDIDADE NÃO DEVE SER TRANSFUNDIDADE NÃO DEVE SER TRANSFUNDIDA SEA SEA SEA SEA SE Estiver fora do refrigerador por um período superior a 30 minutos ou Houver sinais de vazamento ou a bolsa foi aberta ou A cor do plasma estiver rosa ou avermelhada ou As hemácias estiverem escurecidas Verificação da identidade do paciente e do componente sangüíneo antes da transfusão Antes de se iniciar uma transfusão, é vital a verificação final da identidade de acordo com os procedimentos operacionais padrão de seu hospital. A verificação final deve ser feita ao lado do paciente imediatamente antes do início da transfusão do componente. Deve ser realizada por, no mínimo, duas pessoas, sendo que pelo menos uma delas deve ser enfermeiro (a) ou médico(a) registrado. S E Ç Ã O 6 127 A Figura 6.11 mostra o procedimento de verificação de identidade do paciente com: A bolsa de sangue A etiqueta de compatibilização Prescrição do paciente. A verifA verifA verifA verifA verificação ficação ficação ficação ficação final do pacientinal do pacientinal do pacientinal do pacientinal do paciente ao lado do leite ao lado do leite ao lado do leite ao lado do leite ao lado do leito é a última oporo é a última oporo é a última oporo é a última oporo é a última oportunidade partunidade partunidade partunidade partunidade para sea sea sea sea se dededededetttttectectectectectar um errar um errar um errar um errar um erro de identifo de identifo de identifo de identifo de identificação, e preicação, e preicação, e preicação, e preicação, e prevenir uma possível trvenir uma possível trvenir uma possível trvenir uma possível trvenir uma possível transfusãoansfusãoansfusãoansfusãoansfusão incompatível, que pode ser fincompatível, que pode ser fincompatível, que pode ser fincompatível, que pode ser fincompatível, que pode ser fatatatatatal.al.al.al.al. P R O C E D I M E N T O S D A C L Í N I C A T R A N S F U S I O N A L A VERIFICA VERIFICA VERIFICA VERIFICA VERIFICAÇÃO FINAÇÃO FINAÇÃO FINAÇÃO FINAÇÃO FINAL DAL DAL DAL DAL DA IDENTIDA IDENTIDA IDENTIDA IDENTIDA IDENTIDADE DO PADE DO PADE DO PADE DO PADE DO PAAAAACIENTECIENTECIENTECIENTECIENTE 1 Pergunte ao paciente o seu nome, sobrenome, data de nascimento e outras informações importantes. Se o paciente estiver inconsciente, pergunte a um parente ou membro da equipe sobre a identidade do paciente. 2 Verifique a identidade do paciente pela: Pulseira ou identificação do mesmo Prescrição médica 3 Verifique os seguintes detalhes na etiqueta de compatibilização aderida à bolsa de sangue, que devem estar concordantes com a documentação do paciente eeeee a identidade na pulseira: Nome do paciente Número de referência hospitalar do paciente Enfermaria Grupo sangüíneo. 4 Verifique se não há discrepâncias entre a tipagem ABO e Rh D na: Bolsa de sangue Etiqueta de compatibilização 5 Verifique se não há discrepâncias entre o número de referência hospitalar na: Bolsa de sangue Etiqueta de compatibilização 6 Verifique se a data de validade do componente não foi ultrapassada. 7 Examine a bolsa antes da transfusão. Não administre a bolsa se esta estiver violada, ou se houver sinais de deterioração: Vazamento Coloração alterada Sinais de hemólise. 128 ATIVIDADE 21 Há procedimentos escritos em seu serviço para a identificação final do paciente antes da administração de sangue e/ou componentes? Compare- os com os estabelecidos na Figura 6.11. Se não houver procedimentos escritos, ou se você acha que alguns podem ser melhorados, converse com seus superiores sobre a importância de se garantir que toda a equipe verifique sistematicamente a identidade do paciente com o componente sangüíneo, antes de se iniciar uma transfusão. Organize uma sessão educacional para a equipe responsável e o monitor, para que este procedimento seja feito de forma correta. Limites de tempo para infusão Há risco de prHá risco de prHá risco de prHá risco de prHá risco de prolifolifolifolifoliferererereração bactação bactação bactação bactação bacteriana ou pereriana ou pereriana ou pereriana ou pereriana ou perda de função dos prda de função dos prda de função dos prda de função dos prda de função dos produtodutodutodutodutos, uma vezos, uma vezos, uma vezos, uma vezos, uma vez que os mesmos tque os mesmos tque os mesmos tque os mesmos tque os mesmos tenham sido remoenham sido remoenham sido remoenham sido remoenham sido removidos das condições ideais devidos das condições ideais devidos das condições ideais devidos das condições ideais devidos das condições ideais de armazenamentarmazenamentarmazenamentarmazenamentarmazenamento.o.o.o.o. Sangue total e concentrado de hemácias A administração de sangue total e concentrado de hemácias deve ser iniciada em até 30 minutos após a retirada do componente da refrigeração (2 a6ºC). A infusão deve ser concluída em até 4 horas do início. Estes limites foram determinados onde a temperatura ambiente hospitalar estiver entre 22ºC e 25ºC. Se a temperatura ambiente for maior, devemos considerar a necessidade de um menor tempo de infusão. Concentrado de plaquetas Os concentrados de plaquetas devem ser administrados o mais rapidamente possível. A infusão de cada concentrado deve ser completada em até 20 minutos. Plasma Fresco Congelado O plasma fresco congelado deve ser infundido o mais rapidamente possível depois do descongelamento, para evitar a perda de fatores de coagulação. Num adulto, 1 unidade (200 - 300 ml) deve ser infundida em 20 minutos. A Figura 6.12 sumariza os limites de tempo de infusão dos componentes sangüíneos. Equipos utilizados para administração de sangue A cânula para infusão de componentes sangüíneos: Deve ser estéril e nunca reutilizada Utilize cânulas plásticas flexíveis, se possível, devido à sua maior segurança e preservação das veias O dobro do diâmetro de uma cânula aumenta a taxa de infusão da maioria dos fluidos num fator de 16. S E Ç Ã O 6 129 Figura 6.12: Limites de tempo para infusão de componentes sangüíneos Sangue total, concentrado de hemácias, plasma e crioprecipitado Estes produtos devem ser infundidos através de um equipo novo e estéril de administração, contendo um filtro de 170-200 micra. O equipo deve ser trocado a cada 12 horas em infusões de componentes sangüíneos. Em climas mais quentes, deve ser trocado num intervalo menor, geralmente após a infusão de quatro unidades de sangue, se esta estiver dentro de um período de 12 horas. Concentrado de plaquetas Para a infusão de concentrado de plaquetas, devemos utilizar equipos de sangue ou de plaquetas preenchidos inicialmente com salina. Pacientes pediátricos Se possível, devemos utilizar equipos especiais de pediatria em pacientes pediátricos. Isto permite o acompanhamento do volume infundido através de uma bureta graduada presente no equipo. Com isso, podemos verificar o volume infundido e a velocidade de infusão de forma simples e precisa. Veja as páginas 259-260 sobre os equipos utilizados em pacientes pediátricos. Filtração de glóbulos vermelhos e plaquetas Filtros de micro-agregados Os filtros de micro-agregados são caros e não há evidências de estudos clínicos controlados que ofereçam benefício. São comumente indicados, porém sem evidências conclusivas, nas transfusão maciça, trauma múltiplo e circulação extracorpórea. Alguns pacientes que necessitem de transfusões sangüíneas por um longo período apresentam reações febris, e o uso de filtros de micro-agregados pode ocasionar uma redução ou prevenção destas reações. Filtros de leuco-redução Os filtros de leuco-redução são caros e as indicações de seu uso são restritas e permanecem objeto de estudo. Postergam efetivamente o aparecimento de reações febris transfusionais em pacientes dependentes de transfusões P R O C E D I M E N T O S D A C L Í N I C A T R A N S F U S I O N A L LIMITE DE TEMPO PLIMITE DE TEMPO PLIMITE DE TEMPO PLIMITE DE TEMPO PLIMITE DE TEMPO PARA INFUSÃOARA INFUSÃOARA INFUSÃOARA INFUSÃOARA INFUSÃO Início da infusãoInício da infusãoInício da infusãoInício da infusãoInício da infusão TérminoTérminoTérminoTérminoTérmino Sangue total/ CH Até 30 minutos da Até 4 horas Retirada da geladeira (ou menos em maiores temp. amb.) Concentrado de plaquetas Imediatamente Dentro de 20 min Plasma Fresco Congelado Dentro de 30 min Dentro de 20 min 130 eritrocitárias, e podem prevenir estas reações em transfusões subseqüentes, se alternativas mais baratas não apresentarem sucesso (Seção 7: Efeitos Adversos da transfusão). O uso de filtros para redução de leucócitos em concentrado de hemácias e de plaquetas pode reduzir o desenvolvimento de anticorpos anti- leucocitários em pacientes politransfundidos somente se todos os componentes forem filtrados. Muitos clínicos acreditam que isto atrasa ou evita a refratariedaderefratariedaderefratariedaderefratariedaderefratariedade plaquetária, mas ainda permanece a controvérsia sobre se há uma melhor evolução clínica pelo uso de componentes sangüíneos leuco-depletados, além daquela observada para a prevenção da transmissão do CMV. Aquecimento de sangue Não há evidências que o sangue aquecido seja mais benéfico para o paciente quando a infusão for lenta. O sangue mais frio pode causar espasmo na veia utilizada para a infusão. Compressas aquecidas no local podem auxiliar, porém deve-se tomar cuidado com queimaduras de pele. Relatos de casos sugerem que quando a taxa de infusão for superior a 100 ml/min, o sangue com baixas temperaturas pode ser um fator contribuinte da insuficiência cardíaca. No entanto, manter o paciente aquecido é provavelmente mais importante que infundir sangue aquecido. O sangue aquecido é solicitado geralmente em: Transfusões maciças: — Adultos: maior que 50 ml/kg/hora — Crianças: maior que 15 ml/kg/hora Exsangüíneo-transfusão em crianças Pacientes com anticorpos frios clinicamente significantes. O sangue só deve ser aquecido em aquecedores específicos para sangue. Aquecedores de sangue devem possuir um termômetro visível, alarme sonoro e devem ter manutenção periódica. Modelos mais antigos de aquecedores podem ter menor velocidade de infusão. O sangue jamais deve ser aquecido em banho-maria, pois isto pode levar à hemólise das hemácias, com liberação de íons potássio, que podem ser prejudiciais ao paciente. Produtos farmacêuticos e hemocomponentes Nenhuma solução de infusão, a não ser a salina normal (cloreto de sódio 0.9%) deve ser adicionada a qualquer componente sangüíneo. As soluções podem conter aditivos como o cálcio, que junto ao sangue com citrato provocam a formação de coágulos. A solução de dextrose (5%) pode lisar os glóbulos vermelhos. Se houver qualquer reação durante a infusão de sangue, torna-se impossível determinar se esta foi causada pelo sangue, pela solução que estava sendo administrada concomitante, ou pela interação das duas. Se for administrado outro fluido que não salina ou solução colóide ao mesmo tempo em que o componente sangüíneo, deve-se preferir a administração por um outro acesso venoso, para evitar este tipo de complicação. refrrefrrefrrefrrefratatatatatariedadeariedadeariedadeariedadeariedade: Uma resposta pobre a transfusão de plaquetas. Geralmente, devido à fatores clínicos: febre, infecção, CIVD, esplenomegalia, antibióticos. Também ocorre se os componentes plaquetários são ineficientes. S E Ç Ã O 6 131 Registro da transfusão As seguintes informações devem ser registradas na evolução médica do paciente: 1 Quando o paciente ou seus familiares foram avisados sobre a transfusão. 2 A causa da transfusão. 3 Assinatura do médico que prescreveu. 4 Verificação pré-transfusional da: Identidade do paciente Bolsa de sangue Etiqueta de compatibilização Assinatura de quem esteja realizando a verificação pré-trans- fusional 5 A transfusão: Tipo e volume do componente transfundido Número único de referência da unidade transfundida Grupo sangüíneo de cada unidade transfundida Horário de início da transfusão Assinatura de quem esteja administrando o componente sangüíneo. 6 Qualquer reação adversa. Registro do motivo da transfusão Antes da administração dos componentes sangüíneos, é importante regis- trar o motivo da transfusão no prontuário. Se o paciente apresentar qualquer problema relacionado à transfusão, os registros devem mostrar os componentes infundidos, e o seu motivo. O motivo da transfusão deve estar de acordo com manuais nacionais ou locais, porém sempre se deve lembrar que o clínico é responsável pela prescrição e administração da transfusão. Os registros que você realiza no prontuário do paciente são a sua melhor defesa em qualquer processo legal.6.7 Monitoração do paciente transfundido Garantir a proteção do paciente é o aspecto mais importante no cuidado ao paciente durante a transfusão. É essencial observar os sinais vitais basais e garantir que o paciente seja monitorado durante e depois da transfusão, para detectar qualquer anormalidade o mais precocemente possível. Isto garante que, se necessário, serão tomadas medidas que possam salvar a vida do paciente em questão. Reações adversas podem ocorrer com todos os componentes sangüíneos; desta maneira, é importante monitorar os pacientes que recebam plasma fresco congelado, crioprecipitado ou concentrado de plaquetas, assim como os que recebam sangue total e concentrado de hemácias. P R O C E D I M E N T O S D A C L Í N I C A T R A N S F U S I O N A L 132 Reações graves geralmente ocorrem nos primeiros quinze minutos da transfusão. Desta maneira, torna-se importante que todos os pacientes, em particular os inconscientes, sejam monitorados durante este período, assim como nos quinze minutos de cada transfusão subseqüente. Antes do início de uma transfusão, é essencial que: Seja explicado o procedimento ao paciente, e certificado sobre a compreensão do mesmo. Estimular o paciente a notificar imediatamente a enfermeira ou o médico se sentir qualquer reação, como: calafrio, rubor, dor, respiração curta ou ansiedade. Garantir que o paciente esteja em local em que possa ser observado diretamente. Se houver suspeita de reação adversa, interrompa imediatamente a transfusão e procure serviço médico. Registre regularmente os sinais vitais, até que o médico esteja com o paciente. A transfusão de cada unidade de sangue ou componente sangüíneo deve ser completada em até quatro horas da punção. Se a unidade não for completada em até 4 horas, interrompa seu uso e despreze o restante. No caso de suspeita de reação hemolítica, não descarte a bolsa, e devolva-a imediatamente ao banco de sangue para investigação. Troque o equipo após 12 horas se o paciente ainda estiver em suporte transfusional. A Figura 6.13 sumariza as observações que devem ser registradas antes, durante e após a transfusão. Reações agudas transfusionais Qualquer reação adversa que tenha sido relacionada à transfusão deve ser avaliada e administrada conforme o descrito na Seção 7: Efeitos Adversos da Transfusão, que sumariza os sintomas e sinais que possam indicar que a reação esteja ocorrendo. Os detalhes clínicos e as ações tomadas devem ser registradas na evolução do paciente. ATIVIDADE 22 Há procedimentos operacionais escritos sobre a monitorização do paciente antes, durante e após a transfusão? Você sugere alguma modificação? A equipe atua de acordo com estes procedimentos? Por exemplo, realizam a verificação de sinais 15 minutos após o início de cada unidade? As transfusões são sempre realizadas em locais onde os pacientes possam ser observados facilmente? Identifique qualquer mudança necessária para garantir que todos os pacientes sejam sistematicamente monitorados durante a transfusão, de maneira que se reconheça e atue precocemente frente a uma reação trans- fusional. Discuta suas idéias com seu superior e com o comitê transfu- sional, se o mesmo existir em seu serviço. S E Ç Ã O 6 133 Figura 6.13: Procedimentos para monitorização do paciente transfundido Organize uma sessão de ensino para todos os membros da equipe envolvidos na monitoração de pacientes durante a transfusão. Observe se o procedimento está sendo seguido corretamente. Promova qualquer ensino adicional que possa ser necessário, e continue a prática de monitoração. 6.8 Procedimentos especializados Aférese terapêutica A aférese terapêutica realiza a retirada de sangue ou componente sangüíneo com o objetivo de melhorar as condições do paciente. O procedimento mais simples é a punção terapêutica, com retirada de 200 - 450 ml de sangue total periodicamente. Pode estar indicada no tratamento de alguns pacientes com hemocromatose ou policitemia. Mais comumente, tanto as células ou o plasma são removidos utilizando- se um separador celular. P R O C E D I M E N T O S D A C L Í N I C A T R A N S F U S I O N A L MONITMONITMONITMONITMONITORANDO O PORANDO O PORANDO O PORANDO O PORANDO O PAAAAACIENTE TRANSFUNDIDOCIENTE TRANSFUNDIDOCIENTE TRANSFUNDIDOCIENTE TRANSFUNDIDOCIENTE TRANSFUNDIDO 1 Para cada unidade de sangue transfundida, monitore o paciente nas seguintes etapas: Antes do início da transfusão Assim que a transfusão for iniciada 15 minutos após o início da transfusão A cada hora durante a transfusão Ao término da transfusão 4 horas após o término da transfusão. 2 Para cada uma destas etapas, registre as seguintes informações na evolução do paciente: Aparência geral do paciente Temperatura Pulso Pressão sangüínea Freqüência respiratória Balanço hídrico: — Ingesta oral — Débito urinário 3 Registre: Horário de início da transfusão Horário de término da transfusão Volume e tipo de volume transfundido Número de doação de todos os produtos transfundidos Qualquer reação adversa. 4 Monitore o paciente, particularmente durante os 15 primeiros minutos da transfusão para detectar sinais e sintomas precoces de reações adversas. 134 Métodos para uma remoção mais seletiva de constituintes do plasma, tais como colesterol ou auto-anticorpos ainda estão em estágio experimental de desenvolvimento. Um bom acesso venoso é essencial para um adequado fluxo sangüíneo necessário para o processamento. Algumas máquinas de aférese podem operar utilizando-se somente uma veia, com cânulas separadas para a retirada e a infusão do sangue. Plasmaférese A plasmaférese terapêutica, combinada a outros medicamentosos contribui efetivamente para o tratamento das condições citadas na figura 6.14. Indicações de plasmaférese tIndicações de plasmaférese tIndicações de plasmaférese tIndicações de plasmaférese tIndicações de plasmaférese terererererapêuticaapêuticaapêuticaapêuticaapêutica Síndrome de hiperviscosidade : Mieloma, Macroglobulinemia de Waldenström Glomerulonefrite rapidamente progressiva Síndrome de Goodpasture Síndrome de Guillain-Barré ( Imunoglobulina intravenosa é igualmente efetiva) Hipercolesterolemia familiar Púrpura trombocitopênica trombótica A plasmaférese terapêutica tem sido utilizada em diversas outras condições, tais como: Miastenia Grave, Pênfigo, Lúpus Eritematoso Sistêmico, outras patologias auto-imunes e sensibilização materno-fetal durante a gravidez. Sua eficácia não foi comprovada nestas condições e , em muitos casos, é difícil a monitorização objetiva. O risco potencial, e o alto custo de uma plasmaférese devem ser considerados antes de sua indicação. O fluido de reposição utilizado geralmente é a albumina a 4,5%, salina normal, ou a mistura destes. O plasma fresco congelado (PFC) pode ser necessário ocasionalmente para corrigir deficiências de fatores de coagulação ao fim de uma troca plasmática. A não ser nos casos de Púrpura Trombocitopênica Trombótica e outras raras condições, o plasma fresco congelado não deve ser utilizado numa plasmaférese. Púrpura Trombocitopênica Trombótica Esta patologia grave e rara freqüentemente responde à infusão de plasma fresco congelado. Devido ao grande volume necessário de infusão de plasma fresco congelado por um longo período, opta-se pela plasmaférese, utilizando-se o PFC como fluido de reposição. O plasma fresco congelado deve ser utilizado como fluido de reposição apenas nesta indicação específica, devido aos seus riscos. Figura 6.14: Indicações de plasmaférese S E Ç Ã O 6 135 Citaférese ( remoção de células do sangue) A leucaférese pode aliviar os sinais e sintomas causados por uma alta contagem leucocitária em pacientes leucêmicos ( geralmente leucemia mielóide crônica), até que a quimioterapia se torne efetiva. A plaquetaféreseé utilizada raramente em pacientes com alta contagem plaquetária causando sangramento ou trombose. A eritrocitaférese (troca eritrocitária) é utilizada raramente no tratamento de malária, crises falcêmicas, ou após um erro transfusional, no qual uma mulher em idade fértil Rh D negativo recebeu sangue Rh D positivo. A figura 6.15 sumariza as possíveis complicações de uma aférese terapêutica. Complicações de uma aférese tComplicações de uma aférese tComplicações de uma aférese tComplicações de uma aférese tComplicações de uma aférese terererererapêuticaapêuticaapêuticaapêuticaapêutica Reação anafilática ao plasma fresco congelado Sobrecarga circulatória Hipovolemia Embolia aéreo Hemólise Coagulação extracorpórea Toxicidade ao citrato Coagulopatia Reações vaso-vagais Coleta de células progenitoras por aférese As células progenitoras (autólogas ou alogênicas) podem ser coletadas a partir do sangue periférico por aférese. Este procedimento é uma alternativa efetiva à aspiração de medula óssea, e evita a necessidade do paciente ou doador de ser submetido a uma anestesia geral. Este procedimento deve ser indicado por uma equipe especializada, por causa dos cuidados necessários ao planejamento e coordenação para o preparo do paciente, a coleta de células e os procedimentos laboratoriais para processar, armazenar e preparar o paciente para a reinfusão. Figura 6.15: Complicações da aférese terapêutica P R O C E D I M E N T O S D A C L Í N I C A T R A N S F U S I O N A L 136 7 EfEfEfEfEfeitos adveitos adveitos adveitos adveitos advererererersos dasos dasos dasos dasos da transfusãotransfusãotransfusãotransfusãotransfusão Pontos chave 11111 TTTTToda suspeitoda suspeitoda suspeitoda suspeitoda suspeita de reação tra de reação tra de reação tra de reação tra de reação transfusional deansfusional deansfusional deansfusional deansfusional deve ser reporve ser reporve ser reporve ser reporve ser reportttttada imediatada imediatada imediatada imediatada imediatamentamentamentamentamenteeeee ao banco de sangue, e ao médico responsável pelo pacientao banco de sangue, e ao médico responsável pelo pacientao banco de sangue, e ao médico responsável pelo pacientao banco de sangue, e ao médico responsável pelo pacientao banco de sangue, e ao médico responsável pelo paciente. Pre. Pre. Pre. Pre. Procureocureocureocureocure assisassisassisassisassistência com os colegas mais experienttência com os colegas mais experienttência com os colegas mais experienttência com os colegas mais experienttência com os colegas mais experientes.es.es.es.es. 22222 RRRRReações agudas podem ocorrer em 1 a 2% dos pacienteações agudas podem ocorrer em 1 a 2% dos pacienteações agudas podem ocorrer em 1 a 2% dos pacienteações agudas podem ocorrer em 1 a 2% dos pacienteações agudas podem ocorrer em 1 a 2% dos pacientes tres tres tres tres transfundidos. Oansfundidos. Oansfundidos. Oansfundidos. Oansfundidos. O reconhecimentreconhecimentreconhecimentreconhecimentreconhecimento precoce e tro precoce e tro precoce e tro precoce e tro precoce e tratatatatatamentamentamentamentamento das reações pode salvo das reações pode salvo das reações pode salvo das reações pode salvo das reações pode salvar a vida doar a vida doar a vida doar a vida doar a vida do pacientpacientpacientpacientpaciente. Uma vez que se te. Uma vez que se te. Uma vez que se te. Uma vez que se te. Uma vez que se tomou uma ação imediatomou uma ação imediatomou uma ação imediatomou uma ação imediatomou uma ação imediata, a ava, a ava, a ava, a ava, a avaliação cuidadosaaliação cuidadosaaliação cuidadosaaliação cuidadosaaliação cuidadosa é essencial paré essencial paré essencial paré essencial paré essencial para identifa identifa identifa identifa identificar os principais pricar os principais pricar os principais pricar os principais pricar os principais problemas do pacientoblemas do pacientoblemas do pacientoblemas do pacientoblemas do paciente.e.e.e.e. 33333 FFFFFalhas e erralhas e erralhas e erralhas e erralhas e erros na adesão aos pros na adesão aos pros na adesão aos pros na adesão aos pros na adesão aos procedimentocedimentocedimentocedimentocedimentos correos correos correos correos corretttttos são a causa maisos são a causa maisos são a causa maisos são a causa maisos são a causa mais comum de reações trcomum de reações trcomum de reações trcomum de reações trcomum de reações transfusionais potansfusionais potansfusionais potansfusionais potansfusionais potencialmentencialmentencialmentencialmentencialmente fe fe fe fe fatatatatatais.ais.ais.ais.ais. 44444 A contA contA contA contA contaminação bactaminação bactaminação bactaminação bactaminação bacteriana nos concentreriana nos concentreriana nos concentreriana nos concentreriana nos concentrados de hemácias e de plaqueados de hemácias e de plaqueados de hemácias e de plaqueados de hemácias e de plaqueados de hemácias e de plaquetttttasasasasas são uma causa subessão uma causa subessão uma causa subessão uma causa subessão uma causa subestimada de reações agudas trtimada de reações agudas trtimada de reações agudas trtimada de reações agudas trtimada de reações agudas transfusionais.ansfusionais.ansfusionais.ansfusionais.ansfusionais. 55555 PPPPPacientacientacientacientacientes que recebam regularmentes que recebam regularmentes que recebam regularmentes que recebam regularmentes que recebam regularmente tre tre tre tre transfusões são mais susceansfusões são mais susceansfusões são mais susceansfusões são mais susceansfusões são mais suscetíveis atíveis atíveis atíveis atíveis a reações agudas freações agudas freações agudas freações agudas freações agudas febris. Com experiência, esebris. Com experiência, esebris. Com experiência, esebris. Com experiência, esebris. Com experiência, estttttas podem ser reconhecidas, paras podem ser reconhecidas, paras podem ser reconhecidas, paras podem ser reconhecidas, paras podem ser reconhecidas, paraaaaa que a trque a trque a trque a trque a transfusão não seja adiada ou intansfusão não seja adiada ou intansfusão não seja adiada ou intansfusão não seja adiada ou intansfusão não seja adiada ou interrerrerrerrerrompida desnecessariamentompida desnecessariamentompida desnecessariamentompida desnecessariamentompida desnecessariamente.e.e.e.e. 66666 InfInfInfInfInfecções trecções trecções trecções trecções transmissíveis por via transmissíveis por via transmissíveis por via transmissíveis por via transmissíveis por via transfusional são a causa mais séria deansfusional são a causa mais séria deansfusional são a causa mais séria deansfusional são a causa mais séria deansfusional são a causa mais séria de complicações trcomplicações trcomplicações trcomplicações trcomplicações transfusionais tansfusionais tansfusionais tansfusionais tansfusionais tararararardias. Como a reação trdias. Como a reação trdias. Como a reação trdias. Como a reação trdias. Como a reação transfusional tansfusional tansfusional tansfusional tansfusional tararararardiadiadiadiadia pode ocorrer dias, semanas ou meses após a trpode ocorrer dias, semanas ou meses após a trpode ocorrer dias, semanas ou meses após a trpode ocorrer dias, semanas ou meses após a trpode ocorrer dias, semanas ou meses após a transfusão, a associação comansfusão, a associação comansfusão, a associação comansfusão, a associação comansfusão, a associação com a tra tra tra tra transfusão pode ser fansfusão pode ser fansfusão pode ser fansfusão pode ser fansfusão pode ser facilmentacilmentacilmentacilmentacilmente não reconhecida. Pe não reconhecida. Pe não reconhecida. Pe não reconhecida. Pe não reconhecida. Pororororortttttantantantantanto, é essencialo, é essencialo, é essencialo, é essencialo, é essencial regisregisregisregisregistrtrtrtrtrar tar tar tar tar todas as trodas as trodas as trodas as trodas as transfusões de fansfusões de fansfusões de fansfusões de fansfusões de forma deorma deorma deorma deorma detttttalhada na ealhadana ealhada na ealhada na ealhada na evolução do pacientvolução do pacientvolução do pacientvolução do pacientvolução do paciente,e,e,e,e, e sempre considere sempre considere sempre considere sempre considere sempre considerar a trar a trar a trar a trar a transfusão no diagnósansfusão no diagnósansfusão no diagnósansfusão no diagnósansfusão no diagnóstico diftico diftico diftico diftico diferencial.erencial.erencial.erencial.erencial. 77777 A infusão de grA infusão de grA infusão de grA infusão de grA infusão de grandes volumes de sangue ou fandes volumes de sangue ou fandes volumes de sangue ou fandes volumes de sangue ou fandes volumes de sangue ou fluidos intrluidos intrluidos intrluidos intrluidos intravenosos pode causaravenosos pode causaravenosos pode causaravenosos pode causaravenosos pode causar disdisdisdisdistúrbios hemostúrbios hemostúrbios hemostúrbios hemostúrbios hemostáticos ou metáticos ou metáticos ou metáticos ou metáticos ou metttttabólicos.abólicos.abólicos.abólicos.abólicos. 137 Introdução A transfusão de sangue pode estar associada a diversos efeitos adversos. Algumas dessas reações são agudas, e aparecem durante ou logo após a transfusão, mas os efeitos clínicos de outras podem ser tardios, algumas vezes meses ou anos após. A segurança do sangue e dos componentes sangüíneos varia muito nas diversas áreas do mundo. No entanto, até mesmo com os mais rigorosos padrões de seleção do doador, coleta de sangue, pesquisa, processamento e armazenamento, ainda há risco de infecções transmissíveis por transfusão e outros efeitos adversos. Conseqüentemente, a decisão de transfundir deve ser baseada numa análise cuidadosa dos riscos e benefícios ao paciente, e realizada com o conhecimento e treinamento para o reconhecimento precoce e tratamento de reações adversas ou complicações que possam aparecer. Além desta Seção, leia a Seção 1: Uso apropriado de sangue e componentes sangüíneos e a Seção 6: Procedimentos Clínicos Transfusionais nos quais há maior detalhamento dos fatores que influenciam a segurança do sangue. A Utilização Clínica do Sangue foi preparada por um grupo internacional de clínicos e especialistas em medicina transfusional, tendo sido extensivamente revisto por departamentos da OMS ou por leitores criteriosos pertencentes a uma série de disciplinas clínicas de todas as seis regiões da OMS Objetivos do estudo Quando completar esta seção, você deverá estar apto a: 1 Identificar os diferentes tipos de reações transfusionais. 2 Reconhecer e tratar os diferentes tipos de reação transfusional. 3 Investigar e registrar as reações transfusionais. 4 Realizar as medidas preventivas apropriadas para as reações transfusionais específicas. E F E I T O S A D V E R S O S D A T R A N S F U S Ã O 138 7.1 Reações transfusionais As reações transfusionais podem ser classificadas em categorias simples, de maneira a auxiliá-lo a reconhecê-las, compreendendo as suas causas desencadeantes, quando podem ocorrer, e saber como preveni-las e tratá- las. Complicações agudas transfusionais As reações agudas transfusionais ocorrem durante ou logo após a transfusão (dentro de 24 horas). Podem ser classificadas de acordo com três categorias, de acordo com a sua gravidade e resposta clínica. Categoria 1: reações leves Hipersensibilidade leve: alérgica reações urticariformes Categoria 2: Reações moderadas Hipersensibilidade moderada ou grave (reações graves urticariformes) Reações febris não hemolíticas: Anticorpos dirigidos contra leucócitos e plaquetas Anticorpos dirigidos contra proteínas, incluindo IgA Possível contaminação bacteriana (sinais precoces) Pirogênica Categoria 3: Reações com risco de vida Hemólise aguda intravascular Contaminação bacteriana e choque séptico Sobrecarga de volume Reações anafiláticas Lesão pulmonar associada a transfusões (TRALI) Complicações tardias da transfusão As complicações tardias da transfusão são divididas em duas categorias. Infecções transmissíveis por transfusão HIV-1 e HIV-2 HTLV-I e II Hepatite viral B e C Sífilis Doença de Chagas Malária Citomegalovírus Outras infecções raras: por exemplo, parvovírus B19 e hepatite A S E Ç Ã O 7 139 Outras complicações tardias da transfusão Outras complicações tardias da transfusão podem ocorrer dias, meses ou até mesmo anos após a transfusão tiver ocorrido, incluindo: Reação hemolítica tardia Púrpura pós transfusional Doença enxerto versus hospedeiro Sobrecarga de ferro (pacientes que receberam múltiplas transfusão) 7.2 Conduta inicial e investigação Quando ocorre uma primeira reação aguda, pode ser difícil definir seu tipo e gravidade, já que os sinais e sintomas iniciais podem não ser específicos no início. Com exceção das reações alérgicas urticariformes, e das reações febris não hemolíticas, todas são potencialmente fatais, e necessitam tratamento urgente. Ë essencial monitorizar de perto o paciente transfundido, de forma a detectar precocemente qualquer reação transfusional aguda. A figura 6.13 na página 133 sumariza o procedimento de monitorização do paciente. NNNNNum pacientum pacientum pacientum pacientum paciente inconsciente inconsciente inconsciente inconsciente inconsciente ou anese ou anese ou anese ou anese ou anestttttesiado, a hipotesiado, a hipotesiado, a hipotesiado, a hipotesiado, a hipotensão e o sangrensão e o sangrensão e o sangrensão e o sangrensão e o sangramentamentamentamentamentooooo incontrincontrincontrincontrincontrolável podem ser os únicos sinais da trolável podem ser os únicos sinais da trolável podem ser os únicos sinais da trolável podem ser os únicos sinais da trolável podem ser os únicos sinais da transfusão incompatível.ansfusão incompatível.ansfusão incompatível.ansfusão incompatível.ansfusão incompatível. NNNNNum pacientum pacientum pacientum pacientum paciente consciente consciente consciente consciente consciente, que apresente, que apresente, que apresente, que apresente, que apresente uma reação hemolítica gre uma reação hemolítica gre uma reação hemolítica gre uma reação hemolítica gre uma reação hemolítica grave, os sinaisave, os sinaisave, os sinaisave, os sinaisave, os sinais e sinte sinte sinte sinte sintomas podem aparecer em minutomas podem aparecer em minutomas podem aparecer em minutomas podem aparecer em minutomas podem aparecer em minutos, após a infusão de somentos, após a infusão de somentos, após a infusão de somentos, após a infusão de somentos, após a infusão de somente 5-1e 5-1e 5-1e 5-1e 5-10 ml0 ml0 ml0 ml0 ml de sangue. Uma obserde sangue. Uma obserde sangue. Uma obserde sangue. Uma obserde sangue. Uma observvvvvação rigoração rigoração rigoração rigoração rigorosa no início da trosa no início da trosa no início da trosa no início da trosa no início da transfusão é fundamentansfusão é fundamentansfusão é fundamentansfusão é fundamentansfusão é fundamental.al.al.al.al. Tratamento inicial de reações transfusionais agudas Se ocorrer uma reação trSe ocorrer uma reação trSe ocorrer uma reação trSe ocorrer uma reação trSe ocorrer uma reação transfusional, verifansfusional, verifansfusional, verifansfusional, verifansfusional, verifique primeirique primeirique primeirique primeirique primeiro as eo as eo as eo as eo as etiquetiquetiquetiquetiquetttttas deas deas deas deas de identifidentifidentifidentifidentificação do pacienticação do pacienticação do pacienticação do pacienticação do paciente e do componente e do componente e do componente e do componente e do componente. Se houver qualquer discrepância,e. Se houver qualquer discrepância,e. Se houver qualquer discrepância,e. Se houver qualquer discrepância,e. Se houver qualquer discrepância, intintintintinterrerrerrerrerrompa imediatompa imediatompa imediatompa imediatompa imediatamentamentamentamentamente a tre a tre a tre a tre a transfusão, e comunique o bancode sangue.ansfusão, e comunique o banco de sangue.ansfusão, e comunique o banco de sangue.ansfusão, e comunique o banco de sangue.ansfusão, e comunique o banco de sangue. A figura 7.1 nas páginas 140-142 sumariza sinais e sintomas, possíveis causas e abordagem das três categorias de reações transfusionais agudas. E F E I T O S A D V E R S O S D A T R A N S F U S Ã O 140 Figura 7.1: Possíveis causas e abordagem das três categorias de reações transfusionais agudas S E Ç Ã O 7 CCCCCAAAAATEGORIATEGORIATEGORIATEGORIATEGORIA SINSINSINSINSINAISAISAISAISAIS SINTSINTSINTSINTSINTOMASOMASOMASOMASOMAS PRPRPRPRPROOOOOVÁVEL CVÁVEL CVÁVEL CVÁVEL CVÁVEL CAAAAAUSUSUSUSUSAAAAA CCCCCAAAAATEGORIA 1:TEGORIA 1:TEGORIA 1:TEGORIA 1:TEGORIA 1: Reação cutânea Prurido Hipersensibilidade LEVELEVELEVELEVELEVE localizada: (leve) — urticária — erupção de pele CCCCCAAAAATEGORIA 2:TEGORIA 2:TEGORIA 2:TEGORIA 2:TEGORIA 2: Rubor Ansiedade Hipersensibilidade MODERADMODERADMODERADMODERADMODERADA/GRAA/GRAA/GRAA/GRAA/GRAVEVEVEVEVE Urticária Prurido (coceira) (moderada - grave) Tremores Palpitações Reação febril não Febre Leve dispnéia hemolítica: Inquietação Cefaléia — Anticorpos contra Taquicardia leucócitos, plaquetas — Anticorpos dirigidos para proteínas, IgA Contaminação com pirógenos e/ou bactérias CCCCCAAAAATEGORIA 3 :TEGORIA 3 :TEGORIA 3 :TEGORIA 3 :TEGORIA 3 : Tremores Ansiedade Hemólise aguda RISCO DE VIDRISCO DE VIDRISCO DE VIDRISCO DE VIDRISCO DE VIDAAAAA Febre Dor torácica intravascular Inquietação Dor próxima ao Contaminação local de infusão bacteriana e choque Hipotensão ( queda de Distúrbio respiratório/ séptico mais de 20% da diminuição da respiração Sobrecarga volumétrica pressão sistólica) Dor nas costas Anafilaxia Taquicardia Cefaléia Lesão pulmonar (aumento de 20%) Dispnéia associada Hemoglobinúria à transfusão (TRALI) (urina vermelha) Sangramento inexplicável (CIVD) NNNNNotototototaaaaa: Se ocorrer uma reação transfusional aguda, primeiro verifique as etiquetas de identificação do paciente e do componente. Se houver qualquer discrepância, interrompa imediatamente a transfusão, e comunique o banco de sangue.Se o paciente estiver inconsciente ou anestesiado, a hipotensão e sangramento incoercível podem ser as únicas manifestações de uma transfusão incompatível.Se um paciente consciente sofrer uma reação transfusional hemolítica grave, os sinais e sintomas podem aparecer rapidamente – em minutos após a infusão de somente 5 a 10 ml de sangue. Observação cuidadosa no início da infusão de cada unidade é essencial. 141 Figura 7.1: Possíveis causas e abordagem das três categorias de reações transfusionais agudas E F E I T O S A D V E R S O S D A T R A N S F U S Ã O TRATRATRATRATRATTTTTAMENTAMENTAMENTAMENTAMENTO INICIALO INICIALO INICIALO INICIALO INICIAL CCCCCAAAAATEGORIA 1 : LEVETEGORIA 1 : LEVETEGORIA 1 : LEVETEGORIA 1 : LEVETEGORIA 1 : LEVE 1 Diminua a velocidade de infusão. 2 Administre anti-histamínico IM (clorferinamina 0.1 mg/kg ou equivalente) 3 Se não houver melhora clínica em 30 minutos ou se houver piora dos sinais e sintomas, trtrtrtrtratatatatatar como Catar como Catar como Catar como Catar como Categoria 2egoria 2egoria 2egoria 2egoria 2. CCCCCAAAAATEGORIA 2: MODERADTEGORIA 2: MODERADTEGORIA 2: MODERADTEGORIA 2: MODERADTEGORIA 2: MODERADAAAAA 1 Interrompa a transfusão. Mantenha o acesso venoso com solução normal de salina. 2 Notifique o médico responsável pelo paciente e o banco de sangue imediatamente. 3 Envie o restante do componente, amostras de urina e de sangue (1 em tubo com anticoagulante e outra em tubo seco) de outro acesso com pedido de investigação para o laboratório e o banco de sangue. 4 Administre anti-histamínico IM (clorferinamina 0.1 mg/kg ou equivalente) e antipirético por via oral ou retal (paracetamol 10 mg/kg: 500 mg – 1 g no adulto ). Evite aspirina em pacientes trombocitopênicos. 5 Administre corticóides EV e broncodilatadores se houver sinais de reação anafilactóide ( broncoespasmo, sibilos). 6 Colete urina nas próximas 24 horas para verificar hemólise e envie ao laboratório. 7 Se houver melhora clínica reinicie a transfusão lentamente com nova unidade de sangue e observe cuidadosamente. 8 Se não houver melhora clínica em 15 minutos ou se os sinais e sintomas piorarem, trtrtrtrtratatatatatar como Catar como Catar como Catar como Catar como Categoria 3egoria 3egoria 3egoria 3egoria 3. CCCCCAAAAATEGORIA 3 : RISCO DE VIDTEGORIA 3 : RISCO DE VIDTEGORIA 3 : RISCO DE VIDTEGORIA 3 : RISCO DE VIDTEGORIA 3 : RISCO DE VIDAAAAA 1 Interrompa imediatamente a transfusão. Mantenha o acesso venoso com solução de salina normal. 2 Infunda solução de salina para manter a pressão sistólica ( inicialmente 20-30 ml/kg). Se houver hipotensão, administre por mais 5 minutos e eleve as pernas do paciente. 3 Mantenha as vias aéreas livres com máscara de oxigênio. 4 Administre adrenalina ( solução 1:1000) 0,01 mg/kg de peso através de injeção intramuscular lenta. 5 Administre corticóides e broncodilatadores se houver sinais anafilactóides ( broncoespasmo, sibilos). 6 Administre diuréticos: furosemida 1 mg/kg EV ou equivalente 7 Notifique imediatamente o médico responsável pelo paciente e o banco de sangue. 8 Envie a unidade de sangue restante, amostras de urina e de sangue ( um tubo com anticoagulante e outro seco) de outro acesso com requisição para investigação do banco de sangue e do laboratório. 9 Verifique visualmente se a urina do paciente possui sinais de hemoglobinúria ( urina rosa ou avermelhada). 10 Inicie a coleta de urina de 24 horas e balanço hídrico, registrando todos os débitos e a ingestão. Mantenha o balanço hídrico zerado. 11 Estime sangramento através das punções e dos ferimentos. Se há evidência clínica ou laboratorial de CIVD (Seção 9.11) , administre plaquetas ( adultos 5-6 unidades) e crioprecipitado (adultos: 12 unidades) ou plasma fresco congelado ( adulto: 3 unidades). Se possível utilize produtos derivados do plasma com inativação viral. (Continua na página 142) 142 ATIVIDADE 23 Levante nos registros de seu hospital e do Banco de Sangue a incidência e os tipos de reações transfusionais relatadas no último ano. ATIVIDADE 24 Compare a padronização de atendimento inicial de reações transfusionais com o exemplo citado na figura 7.1 . Se não houver manuais, ou se você acreditar que possam ser melhorados, prepare alguns esboços e discuta com seus superiores. Uma vez que concordem, organize uma sessão educacional para toda a equipe. Monitore se o manual está sendo seguido corretamente. Promova sessões de atualização, quando necessárias, e monitore continuamente a prática. Figura 7.2: indica as drogas e as dosagens que podem ser utilizadas no tratamento de reações agudas transfusionais. Investigando reações agudas transfusionais A figura 7.3 nos mostra os procedimentos para se investigar uma reação aguda transfusional. Figura 7.1: Possíveis causas e abordagem das três categorias de reações transfusionais agudas S E Ç Ã O 7 TRATRATRATRATRATTTTTAMENTAMENTAMENTAMENTAMENTO INICIALO INICIALO INICIALO INICIALO INICIAL CCCCCAAAAATEGORIA 3 : RISCO DE VIDTEGORIA 3 : RISCO DE VIDTEGORIA 3 : RISCO DE VIDTEGORIA 3 : RISCO DE VIDTEGORIA 3 : RISCO DE VIDAAAAA 12 Se hipotenso: Administre solução salina 20-30 ml/kg num período acima de 5 minutos Se disponível, administre um inotrópico 13 Se houver diminuição do débito urinário ou sinais laboratoriais de falência renal ( aumento do K+, uréia , creatinina): Mantenha rigoroso balanço hídrico Administre furosemida Se disponível considere a administração de dopamina Procure ajuda de especialistas, o paciente pode necessitar de diálise 14 Se houver suspeita de bacteremia ( tremores, febre, colapso, sem sinais de hemólise), inicieantibióticos de amplo espectro endovenoso, cobrindo pseudomonas e gram positivos. 143 Figura 7.2: Drogas que podem ser utilizadas no tratamento de reações agudas transfusionais E F E I T O S A D V E R S O S D A T R A N S F U S Ã O TIPO DE DRTIPO DE DRTIPO DE DRTIPO DE DRTIPO DE DROGOGOGOGOGAAAAA EFEITEFEITEFEITEFEITEFEITOS PRINCIPOS PRINCIPOS PRINCIPOS PRINCIPOS PRINCIPAISAISAISAISAIS EXEMPLEXEMPLEXEMPLEXEMPLEXEMPLOSOSOSOSOS NONONONONOTTTTTASASASASAS NNNNNomeomeomeomeome Via e doseVia e doseVia e doseVia e doseVia e dose Fluido de Expansão do volume Salina normal Se o paciente Evitar soluções colóides reposição Veja Seção 4.2 estiver hipotenso, intravenoso 20-30 ml/kg em 5 minutos Antitérmico Reduz a febre e Paracetamol Oral ou retal Evitar produtos que resposta inflamatória 10 mg/kg contenham aspirina se o paciente tiver baixa contagem plaquetária Anti-histamínico Inibe a resposta Clorfeniramina Intramuscular ou mediada pela histamina EV 0,1 mg/kg Broncodilatador Inibe o Adrenalina 0,01 mg/kg A dose pode ser repetida a broncoespasmo (como solução cada 10 minutos, de acordo imune mediado 1:1000) com o pulso e pressão por injeção sangüínea até que intramuscular ocorra melhora lenta Considere o uso Nebulização de salbutamol Aminofilina 5 mg/kg Inotrópico Aumenta a Dopamina Infusão EV Dopamina em contratilidade 1 µµµµµg/kg/min baixas doses induz miocárdica vasodilatação e melhora a perfusão renal Dobutamina InfusãoEV Doses acima de 1-10 µµµµµg/kg/min 5 mg/kg/min causam vasoconstrição e pioram a insuficiência renal Diurético Inibe a reabsorção Furosemida Injeção EV de fluidos na alça lenta 1 mg/kg ascendente de Henle Plaquetas Veja Seção 5.6 Crioprecipitado Plasma fresco congelado 144 Figura 7.3: Procedimentos para investigação de reação aguda transfusional S E Ç Ã O 7 INVESINVESINVESINVESINVESTIGTIGTIGTIGTIGAÇÃO DAÇÃO DAÇÃO DAÇÃO DAÇÃO DA REAÇÃO AA REAÇÃO AA REAÇÃO AA REAÇÃO AA REAÇÃO AGUDGUDGUDGUDGUDA TRANSFUSIONA TRANSFUSIONA TRANSFUSIONA TRANSFUSIONA TRANSFUSIONALALALALAL 1 Reporte imediatamente todas as reações agudas transfusionais, com exceção da hipersensibilidade leve (Categoria 1), ao médico responsável pelo paciente e ao banco de sangue Se houver suspeita de reação grave, procure ajuda imediata do anestesista e/ou da equipe de emergência 2 Registre as seguintes informações: Tipo de reação transfusional Espaço de tempo entre o início da transfusão e o aparecimento dos primeiros sintomas Volume, tipo e número dos produtos transfundidos 3 Colete as seguintes amostras e envie ao banco de sangue e ao laboratório para investigação: Amostra imediata pós-transfusional ( 1 tubo seco e outro com anticoagulante) de outro acesso venoso para: — Hemograma completo — Testes de coagulação — Teste de Coombs direto — Uréia — Creatinina — Eletrólitos Hemocultura Restante da unidade e dos equipos Primeira urina após os sintomas 4 Complete o formulário de reação transfusional. 5 Depois da investigação inicial, envie novas amostras ao banco de sangue e ao laboratório: Amostras ( 1 tubo seco e outro com anticoagulante) colhida de outro acesso 12 a 24 h depois da reação Urina de 24 horas do paciente 6 Registre os resultados da investigação no prontuário do paciente para evolução futura, se necessária. 145 7.3 Reações agudas transfusionais Categoria 1 : leve Urticária e prurido são reações comuns após a transfusão. São provocadas por um aumento da hipersensibilidade, com liberação local de histamina devido a proteínas, provavelmente do plasma do doador. Sinais e sintomas Reações localizadas cutâneas (urticária e rash) freqüentemente estão acompanhadas por prurido, ocorrendo no início da transfusão. Os sintomas diminuem geralmente se a infusão ficar mais lenta e se administrar anti- histamínico. Tratamento 1 Diminua a velocidade de infusão 2 Administre anti-histamínico: p. ex. clorfeniramina 0,1 mg/kg por injeção IM 3 Prossiga a transfusão na velocidade normal, se não houver progressão dos sintomas depois de 30 minutos. 4 Se não houvSe não houvSe não houvSe não houvSe não houver melhoria clínica em 30 minuter melhoria clínica em 30 minuter melhoria clínica em 30 minuter melhoria clínica em 30 minuter melhoria clínica em 30 minutos, ou se houvos, ou se houvos, ou se houvos, ou se houvos, ou se houver pioraer pioraer pioraer pioraer piora do qdo qdo qdo qdo quadruadruadruadruadro, tratar a reação como Cato, tratar a reação como Cato, tratar a reação como Cato, tratar a reação como Cato, tratar a reação como Categoria 2.egoria 2.egoria 2.egoria 2.egoria 2. Prevenção Se o paciente já tem história de reações urticariformes, administre anti- histamínico como clorfeniramina 0,1 mg/kg IM ou EV, se possível 30 minutos antes do início da transfusão. Categoria 2: Reações moderadas Febre ou tremores durante a transfusão de sangue ou concentrado de plaquetas podem afetar 1-2% dos pacientes transfundidos, particularmente aqueles que sejam submetidos a transfusões regulares. São causadas por citoquinas liberadas dos leucócitos nos componentes armazenados, e pela reação dos leucócitos infundidos contra anticorpos do plasma do paciente, resultando na liberação de pirógenos. É importante registrar rotineiramente a temperatura, pulso, respiração e pressão sangüínea do paciente antes do início da transfusão, para evitar confusão com febre pré-existente. Os sinais e sintomas geralmente ocorrem 30-60 minutos após o início da transfusão Sinais Rubor Urticária E F E I T O S A D V E R S O S D A T R A N S F U S Ã O 146 Tremores Febre Dispnéia Taquicardia Sintomas Ansiedade Prurido Palpitações Dispnéia leve Cefaléia Tratamento 1 Interrompa imediatamente a transfusão. Mantenha o acesso venoso com solução normal de salina. 2 Notifique imediatamente o médico responsável pelo paciente e o banco de sangue 3 Envie o restante do componente e o equipo, novas amostras de sangue de outra via venosa (um tubo seco e outro com anticoagulante) e de urina, com as requisições necessárias para investigação (Figura 7.3) 4 Administre anti-histamínicos EV ou IM (clorfeniramina 0,01 mg/kg ou equivalente) e antitérmico oral ou retal (paracetamol 10 mg/kg: 500mg a 1g em adultos). Evite aspirina em pacientes plaquetopênicos. 5 Administre corticóides EV e broncodilatadores, se houver sinais anafilactóides ( p.ex. broncoespasmo, sibilos) 6 Colete urina de 24 horas para evidência de hemólise, e envie ao laboratório 7 Se houver melhoria clínica, reinicie a transfusão com outro componente lentamente, e observe cuidadosamente. 8 Se não houver melhoria clínica em 15 minutos, ou se houver piora da condição do paciente, tratar a reação como Categoria 3. Reações febris são comuns, mas a febre pode estar associada a outras reações adversas à transfusão, sendo importante eliminar estas outras causas, particularmente contaminação bacteriana e hemólise aguda, antes de definir a reação como febril não hemolítica. A febre também pode ser causada por outras condições do paciente: p. ex. malária. Prevenção Se o paciente for politransfundido, ou tenha tido mais de duas reações febris não hemolíticas no passado: 1 Administre antitérmico 1 hora antes do início da transfusão: p. ex. paracetamol 10-15 mg/kg oral. Não use aspirina em pacientes plaquetopênicos. S E Ç Ã O 7 147 2 Repita o antitérmico 3 horas após o início da transfusão. 3 Transfunda lentamente, se possível: Sangue total e concentrado de hemácias: 3-4 horas por unidade Concentrado de plaquetas: acima de 2 horas a cada concentrado 4 Mantenha o paciente aquecido 5 Se este procedimento for falho no controle das reações febris e se houver necessidade de transfusões posteriores, utilize concentrado de hemáciasou de plaquetas filtrados ou com remoção do buffy coat. Categoria 3: graves com risco de vida A causa mais comum de reações graves são: Hemólise aguda intravascular Contaminação bacteriana e choque Sobrecarga de volume Choque anafilático Lesão pulmonar associada à transfusão (TRALI) Sinais Tremores Febre Respiração difícil Choque Taquicardia Hemoglobinúria ( urina avermelhada) Sangramento inexplicado (CIVD) Sintomas Ansiedade Dor torácica Distúrbio respiratório/ respiração curta Dor nas costas Cefaléia Dispnéia Tratamento 1 Interrompa a transfusão. Mantenha o acesso venoso com solução normal de salina. 2 Infunda salina normal a fim de manter a pressão sistólica (inicial 20-30 ml/kg). Se hipotenso, administre por mais 5 minutos e suspenda as pernas do paciente. 3 Mantenha as vias aéreas pérvias e coloque uma máscara de oxigênio no paciente. 4 Administre solução de adrenalina 1:1000 na dose de 0,01 mg/kg IM E F E I T O S A D V E R S O S D A T R A N S F U S Ã O 148 5 Administre corticóides EV e broncodilatadores se houver sinais de reação anafilactóide (p. ex. broncoespasmo, sibilo) 6 Administre diuréticos: p. ex. furosemida 1 mg/kg EV ou equivalente 7 Notifique imediatamente o médico responsável pelo paciente e o banco de sangue. 8 Envie o restante da unidade e o equipo, uma amostra de urina e de sangue de outro acesso venoso (um tubo seco e outro com anticoagulante) com requisições para o laboratório e o banco de sangue realizarem a investigação. 9 Analise visualmente a nova amostra de urina, se a mesma não possui sinais de hemoglobinúria (avermelhada ou rosa). 10 Inicie a coleta de urina de 24 horas e balanço hídrico com registro de todas as perdas e da ingestão. 11 Assegure-se que não haja sangramento nos ferimento e locais de punção. Se houver sinais clínicos ou laboratoriais de CIVD ( Seção 9.11), administre: Concentrado de plaquetas (adultos 5-6 unidades) eeeee Crioprecipitado (adulto: 12 unidades) ou plasma fresco congelado ( adulto: 3 unidades). Utilize preferencialmente produtos com inativação viral. 12 Se hipotenso: Administre solução normal de salina 20-30 ml/kg em 5 minutos Administre inotrópico 13 Se houver diminuição do débito urinário ou evidências laboratoriais de insuficiência renal aguda ( aumento de K+, uréia, creatinina): 14 Mantenha rigoroso balanço hídrico Administre furosemida posteriormente Considere a infusão de dopamina Peça auxílio dos especialistas: o paciente pode necessitar de diálise. 15 Se houver suspeita de bacteremia (tremores, febre, colapso, sem sinais de hemólise), deve-se iniciar antibióticos de amplo espectro EV, para cobrir pseudomonas e gram positivos. Hemólise intravascular aguda As reações hemolíticas intravascular agudas são causadas por infusão de hemácias incompatíveis. Anticorpos do plasma do paciente hemolisam as hemácias transfundidas incompatíveis. Mesmo um pequeno volume de sangue incompatível (5-10 ml) pode causar uma grave reação, e volumes maiores aumentam o risco. Por esta razão, é essencial monitorar o paciente no início da transfusão de cada unidade (figura 6.13). S E Ç Ã O 7 149 A causa mais comum de reação hemolítica intravascular aguda é a transfusão incompatível ABO. Os anticorpos responsáveis são tanto da classe IgM ou IgG dirigidos contra os antígenos A e B das hemácias transfundidas, causando hemólise intravascular aguda. A infusão de sangue incompatível ABO quase sempre é causada por: Erros na requisição do sangue Coleta de amostra pré-transfusional do paciente errado num tubo com etiquetagem prévia. Etiquetagem incorreta do tubo enviado ao banco de sangue Verificação inadequada do componente contra a identidade do paciente antes do início da transfusão. Os anticorpos no plasma do paciente contra outro antígenos do sangue transfundido, tais como os dos sistemas Kidd, Kell ou Duffy, também podem causar hemólise intravascular aguda. Sinais Febre Tremores Taquicardia, hipotensão Falta de ar Hemoglobinúria, oligúria Sinais de tendência a sangramento devido à coagulação intravas- cular disseminada (CIVD) No paciente consciente que estiver apresentando uma reação hemolítica grave, os sinais e sintomas geralmente aparecem nos minutos iniciais da transfusão, algumas vezes quando menos de 10 ml foi administrado. Nos pacientes inconscientes ou anestesiados, a hipotensão ou sangramento incontrolável devido à CIVD podem ser os únicos sinais de uma transfusão incompatível. Sintomas Dor ou irritação no membro onde a cânula de infusão esteja localizada Apreensão Dor lombar ou nas costas Tratamento 1 Interrompa a transfusão, troque o equipo e mantenha o acesso venoso com solução salina normal. 2 Mantenha as vias aéreas pérvias, e administre altas concentrações de oxigênio. E F E I T O S A D V E R S O S D A T R A N S F U S Ã O 150 3 Suporte à circulação: Administre fluidos de reposição intravenosa para manter o volume sangüíneo e a pressão arterial Pode ser necessário suporte inotrópico para a circulação: p. ex. dopamina, dobutamina ou adrenalina 1:1000 IM, 0,01 ml/kg. 4 Previna a insuficiência renal através da indução da diurese: Mantenha volume e pressão sangüínea Administre diuréticos, tais como furosemida 1-2 mg/kg Administre infusão de dopamina a 1 mg/kg/min. 5 Se ocorrer CIVD: Administre hemocomponentes, de acordo com o quadro clínico e os testes de coagulação (Seção 9: Medicina Geral) Monitore regularmente o estado de coagulação do paciente. 6 Investigação: Verificar novamente a etiqueta do sangue com a do paciente. Enviar a amostra do paciente para: — Hemograma completo — Testes de coagulação — Teste de Coombs direto — Uréia — Creatinina — Eletrólitos O teste de antiglobulina direto será positivo e o nível de bilirrubina sérica aumentado. Examinar a amostra de urina do paciente, e enviar ao laboratório para análise de hemoglobinúria Devolver a unidade de sangue e o equipo para verificação do grupo e do teste de compatibilidade. Repetir eletrólitos e testes de coagulação a cada 12 horas, até que o paciente esteja estável. Prevenção Certifique-se que: 1 As amostras de sangue e formulários estejam corretamente etiquetados. 2 A amostra de sangue do paciente foi colocada no tubo correto. 3 O sangue foi verificado quanto à identidade do paciente antes da transfusão. Contaminação bacteriana e choque séptico Estima-se que a contaminação bacteriana afete cerca de 0,4% dos concentrados de hemácias e 1-2% dos concentrados de plaquetas. S E Ç Ã O 7 151 O sangue pode se tornar contaminado devido: Bactérias da pele do doador na coleta de sangue (geralmente staphylococcus de pele) Bacteremia no doador no momento da coleta Erros ou má-higiene no processamento do sangue Defeitos de fabricação ou acidentes na bolsa plástica Descongelamento de plasma ou crioprecipitado num banho-maria contaminado. Espécies de Pseudomonas são mais típicas nos três últimos exemplos. Alguns contaminantes, particularmente espécies de Pseudomonas, crescem a 2-6ºC, podendo sobreviver e se multiplicar em concentrados de hemácias refrigerados. O crescimento rápido de contaminantes pode ocorrer quando a unidade for aquecida. Portanto, o risco aumenta com o tempo do componente fora do refrigerador. Os estafilococos se desenvolvem em ambientes aquecidos, e proliferam em concentrados de plaquetas conservados entre 20-24º C, limitando a validade dos mesmos. Geralmente, os sinais aparecem rapidamente após o início da infusão, mas podem se retardar por poucas horas. Uma reação grave pode ser caracterizada por elevação súbita da temperatura, tremores e hipotensão. Cuidados urgentes de suporte, e altas doses de antibióticos intravenosos sãonecessários. Sobrecarga volêmica Quando houver a transfusão de muitos fluidos, a transfusão for muito rápida ou houver perda da função renal, pode ocorrer sobrecarga volêmica levando à insuficiência cardíaca e edema pulmonar. São mais propensos os pacientes com anemias crônicas graves e com distúrbios cardíacos, por exemplo, miocardiopatia isquêmica. Reações anafiláticas Reações do tipo anafiláticas são uma complicação rara na transfusão de sangue, componentes e derivados. O risco de anafilaxia aumenta com a rápida infusão, típica do plasma fresco congelado utilizado na plasmaférese terapêutica. As citoquinas do plasma podem ser uma causa de broncoconstrição e vasoconstrição em pacientes ocasionais. Uma causa rara de anafilaxia grave é a deficiência de IgA no receptor, podendo ser causada por qualquer produto que contenha traços de IgA. A anafilaxia ocorre minutos após o início da transfusão, sendo caracterizada por colapso cardíaco e distúrbio respiratório, sem febre. É fatal, se não tratada agressiva e rapidamente. E F E I T O S A D V E R S O S D A T R A N S F U S Ã O 152 Lesão pulmonar associada à transfusão (TRALI) A lesão pulmonar associada à transfusão geralmente é provocada por anticorpos no plasma do doador contra os leucócitos do receptor. A maioria destes doadores são mulheres multíparas. Um quadro clássico de TRALI inicia-se geralmente 1 a 4 horas após o início da transfusão, com rápida falência pulmonar, mostrando ao RX de tórax opacidade difusa. Não há terapêutica específica. São necessários cuidados intensivos de suporte clínico e respiratório. 7.4 Complicações tardias da transfusão: infecções transmissíveis por transfusão Doadores podem carregar diversos agentes infecciosos em seu sangue, algumas vezes por longos períodos, não demonstrando sinais clínicos da patologia. As seguintes infecções podem ser transmitidas por transfusão: HIV-1 e HIV-2 HTLV-I e HTLV-II Hepatite B e C Sífilis (Treponema pallidum) Doença de Chagas (Trypanossoma cruzi) Malária Citomegalovírus (CMV). Outras infecções raras transmitidas por transfusão são: Parvovírus humano B19 Brucelose Vírus Epstein-Barr Toxoplasmose Mononucleose infecciosa Doença de Lyme Há a possibilidade do sangue transmitir a nova variante da Doença de Creutzfeldt-Jakob. Inicialmente chamada de “nova variante” CJD (nvCJD), é conhecida atualmente como “variante CJD” (vCJD). Está sendo submetida a diversos estudos, mas ainda não há evidências de transmissão associada a transfusão da CJD ou de suas variantes. (Veja WHO Weekly Epidemio- logical Record, 1998,73:6-7). Triagem de infecções transmissíveis por transfusão Devido ao risco de infecções transmissíveis por transfusão, o sangue deve ser colhido somente de doadores que tenham sido aceitos de acordo com os critérios nacionais. Cada unidade de sangue deve ser testada para Anticorpos anti-HIV-1 e HIV-2 Antígeno de superfície da hepatite B (HBsAg) Anticorpos contra Treponema pallidum (sífilis). S E Ç Ã O 7 153 NNNNNenhum prenhum prenhum prenhum prenhum produtodutodutodutoduto sangüíneo deo sangüíneo deo sangüíneo deo sangüíneo deo sangüíneo deve ser liberve ser liberve ser liberve ser liberve ser liberado parado parado parado parado para tra tra tra tra transfusão até que tansfusão até que tansfusão até que tansfusão até que tansfusão até que todos osodos osodos osodos osodos os tttttesesesesestttttes necessários a nível nacional eses necessários a nível nacional eses necessários a nível nacional eses necessários a nível nacional eses necessários a nível nacional estttttejam negativos.ejam negativos.ejam negativos.ejam negativos.ejam negativos. A pesquisa de outros agentes infecciosos deve estar em acordo com as políticas nacionais, que devem refletir a prevalência da infecção na potencial população doadora de sangue. Quando possível, esta pesquisa deve incluir: Hepatite C Doença de Chagas, em países onde a soroprevalência for significativa. Malária, em países de baixa prevalência. Isto se aplica apenas a doadores que tenham viajado a regiões endêmicas de malária. Os testes de malária estão sendo avaliados, mas ainda não são específicos para uso rotineiro na triagem de doadores. Vírus da imunodeficiência humana (HIV) Doença aguda da seroconversão Depois da exposição e infecção, não se detecta a viremia durante alguns dias. A seguir, são detectáveis altos títulos de vírus (antígenos) durante semanas. Durante este período, se houver altas doses de vírus envolvidas, cerca de 1/3 dos indivíduos infectados reportam a experiência de uma doença aguda com características de influenza, freqüentemente com contagem elevada de linfócitos atípicos. É altamente provável que este sangue seja infeccioso neste momento. Janela imunológica Utilizando-se os testes atuais de detecção de anticorpos anti-HIV, estes se tornam detectáveis aproximadamente 21 dias após a exposição à infecção. O DNA viral e uma proteína viral, designada como antígeno P24, são detectáveis 7 dias antes do anticorpo. O período no qual há viremia, sem anticorpos detectáveis é chamado de “janela imunológica”. O sangue colhido neste período é infeccioso, mas não são detectáveis anticorpos contra HIV nos testes rotineiros. O valor de um teste adicional para antígeno HIV (antígeno p24) não foi comprovado, embora possa reduzir em alguns dias a detecção do HIV onde haja alta prevalência do vírus numa população doadora que não tenha sido entrevistada cuidadosamente. E F E I T O S A D V E R S O S D A T R A N S F U S Ã O 154 Epidemiologia Há uma grande variação na prevalência da infecção por HIV entre os diversos países e regiões. Estimativas globais de indivíduos HIV positivos são de pouco auxílio para estimar os riscos de transmissão por transfusão a cada local, portanto, o risco local deve ser determinado. Prevenção A prevenção inicialmente baseia-se numa seleção de doadores de sangue voluntários não-remunerados de baixo risco, com exclusão daqueles inadequados. Os testes de pesquisa de HIV são necessários para identificar e descartar doadores de sangue infectados. É essencial manter a confidencialidade e o tratamento posterior dos doadores identificados como soropositivos. HTLV-I e II A prevalência da infecção por HTLV-I é alta em algumas partes do mundo, particularmente no sudeste do Japão e partes do Caribe. O vírus pode causar distúrbios neurológicos, e uma forma rara de leucemia de células T do adulto. Geralmente, há um grande período entre a infecção e o desenvolvimento da doença. Além disso, somente uma pequena proporção dos infectados se torna doente. O vírus HTLV-I é transmitido por transfusão de componentes celulares. A ligação entre a infecção por HTLV-II e as doenças é menos clara. Prevenção O sangue doado deve ser testado onde haja evidências epidemiológicas de infecção por HTLV ou indicação da doença. Hepatite B A prevalência de portadores do vírus da hepatite B é alta em diversas áreas do mundo em desenvolvimento, em algumas áreas sendo superior a 10% da população potencial de doadores de sangue. A transmissão por sangue pode ser seguida de uma hepatite aguda, seguida tanto da sua resolução ou de uma hepatite crônica. As conseqüências a longo prazo são a cirrose e o câncer primário do fígado. A infecção pelo vírus da hepatite B pode ser clínica ou subclínica. Nos casos subclínicos, acima de 25% das crianças e 5 a 10% dos adultos se tornam portadores crônicos do antígeno de superfície da hepatite B (HBsAg). Prevenção Todo sangue doado deve ser testado antes da transfusão para HBsAg. Receptores regulares de produtos sangüíneos devem ser vacinados para hepatite B. S E Ç Ã O 7 155 Hepatite C Os testes para detecção de infecção por hepatite C foram introduzidos em 1991, e têm melhorado progressivamente. No entanto, estes testes ainda são caros e podem apresentarresultados conflitantes em algumas ocasiões. Como qualquer outro teste de triagem, devem ser validados em cada país antes de serem adotados para uso. Geralmente, a infecção por hepatite C é assintomática. Cerca de 50% dos pacientes afetados desenvolvem hepatite crônica e destes, uma grande proporção desenvolve dano hepático grave. Prevenção Quando possível, toda doação de sangue deve ser testada para hepatite C. Outras hepatites virais Em raras ocasiões a hepatite A pode ser transmitida por transfusão de produtos sangüíneos (derivados do plasma). Um vírus recentemente identificado como vírus-GB ou da “hepatite G”, parece estar presente em 2% da população de doadores saudáveis, mas não há evidências que possa causar hepatite ou qualquer outro tipo de doença. Sífilis A sífilis é causada por uma infecção pela bactéria Treponema pallidum. Essencialmente, é uma doença sexualmente transmissível (doença venérea), No entanto, pode ser disseminada por contato próximo com lesões de membrana mucosa e transfusão. Embora um teste positivo de sífilis não seja indicativo de infecção por HIV, é um marcador que o doador de sangue possa ter alto risco de exposição a outras doenças sexualmente transmissíveis, incluindo HIV, não devendo, portanto, ser aceito como doador. Prevenção Todo sangue doado deve ser testado para evidências sorológicas de infecção por Treponema pallidum. Uma outra medida de segurança é que o armazenamento do sangue doado a 2ºC a 6ºC por 72 horas elimina virtualmente o risco de infecção, devido à alta sensibilidade deste organismo a baixas temperaturas. Doença de Chagas A doença de Chagas, causada pelo Trypanossoma cruzi, é transmitida por transfusão. Estimativas atuais sugerem que cerca de 18 milhões de pessoas estão infectadas na América Latina. O tripanossoma é transmitido através de insetos triatomíneos, tais como o Triatoma infestans. O vetor vive em casas pobres tanto na área rural, como na urbana. E F E I T O S A D V E R S O S D A T R A N S F U S Ã O 156 A transfusão de sangue é a segunda causa mais comum de transmissão e até cerca de 50% das unidades com marcador positivo transmitirão a infecção. A infecção é subclínica por um tempo indeterminado, mas evolui para uma fase crônica com mudanças irreversíveis, incluindo: Cardiomiopatia Megaesôfago Megacólon Prevenção Os esforços para eliminar a Doença de Chagas têm tido sucesso na redução da infecção em até 83% da população jovem. Isto foi obtido através do controle do vetor, e da análise de todo sangue doado, com exclusão das unidades positivas. No entanto, diferentes testes podem ter diferentes resultados e mais de um teste pode ser necessário. Muitos países da América Latina utilizam rotineiramente dois testes para a detecção de Doença de Chagas. Uma alternativa efetiva é adicionar cristal violeta, 125 mg a cada unidade de concentrado de hemácias armazenado, que inativa o tripanossoma. No entanto, o procedimento de adição do cristal de violeta deve manter a esterilidade bacteriana do sangue, o que é difícil na prática. Também leva à pigmentação de pele e membranas mucosas. Malária Todos os componentes sangüíneos podem transportar o Plasmodium e, portanto, possuem potencial de transmitir malária. Em países não endêmicos, a transmissão de malária por transfusão é rara ( menos de um caso a cada um milhão de unidades de sangue transfundidas). No entanto, a mortalidade é alta, porque freqüentemente o diagnóstico não é suspeitado. Prevenção Em áreas endêmicas, a análise de todo o sangue doado para parasitas da malária não é prático. Portanto, a prevenção depende de : 1 Profilaxia com antimaláricos no receptor de sangue se houver alta suspeita. 2 Pré-tratamento do doador com antimaláricos, se indicado. Em muitas circunstâncias, nenhuma dessas opções pode ser prática. No entanto, quando não for utilizada rotineiramente a profilaxia, é importante manter uma alta taxa de suspeita, e tratar os sintomas dos receptores de sangue precocemente com o regime antimalárico recomendado localmente. Em áreas não endêmicas, critérios rigorosos de seleção de doador devem ser utilizados para excluir doadores que tenham tido malária ou que estiveram recentemente em áreas endêmicas. Citomegalovírus (CMV) Há uma alta proporção de doadores de sangue que possuem anticorpos contra CMV. S E Ç Ã O 7 157 Geralmente a transmissão de CMV só é importante em pacientes imunecomprometidos, e sua importância clínica é comprovada em: Recém nascidos prematuros, especialmente aqueles com peso menor que 1200-1500 g ao nascimento, filhos de mães CMV negativas Receptores de medula óssea negativos para anticorpos contra CMV, que receberam enxertos CMV negativos. Prevenção Os pacientes imunecomprometidos, recém nascidos prematuros e receptores de medula óssea CMV negativos que receberam enxerto CMV negativo devem receber doações que não possuam anticorpos detectáveis contra CMV. Componentes leuco-depletados, plasma fresco congelado e crioprecipitado não transmitem CMV. Outras infecções raras transmissíveis por transfusão Outras infecções raras têm sido reportada como transmissíveis por transfusão, incluindo parvovírus B19, brucelose, vírus Epstein-Barr, toxoplasmose, mononucleose infecciosa e Doença de Lyme. Prevenção A prevenção depende da seleção cuidadosa de doadores para excluir os inadequados. Doença de Creutzfeld-Jakob (CJD) e variante CJD (vCJD) A Doença de Creutzfeld-Jakob é um distúrbio neuro-vegetativo degenerativo raro e fatal. A doença tem sido transmitida por humanos através de hormônio de crescimento extraído de glândulas pituitárias, enxerto de córnea e dura-máter, e instrumentos neurocirúrgicos contaminados. Embora a transmissão por transfusão sangüínea não tenha sido comprovada, há uma preocupação sobre esta possibilidade. Até o momento, não há relatos de CJD entre hemofílicos, que estão expostos a uma grande quantidade de produtos sangüíneos. Recentemente foi reportada a nova variante de CJD, acometendo pacientes jovens. A maioria dos estudos epidemiológicos e laboratoriais sobre a infectividade do sangue, e a transmissão da infecção foi feita sobre a forma esporádica de CJD, mas as observações clínicas e neuropatológicas sugerem que a vCJD possua outras características biológicas. Estudos posteriores são necessários para determinar se o agente infeccioso pode ser transmitido por transfusão sangüínea. E F E I T O S A D V E R S O S D A T R A N S F U S Ã O 158 Prevenção Indivíduos que sofram das seguintes patologias devem ser excluídos da doação definitivamente: Doença de Creutzfeld-Jakob e variante CJD Doença de Gerstmann-Sträussler-Scheinker (GSS) Insônia familiar fatal (FFI) Demência Com base no conhecimento atual, é essencial excluir da doação sangüínea os seguintes grupos: Doadores que foram tratados com extratos derivados de glândulas pituitárias humanas (hormônio de crescimento e gonadotrofina) Doadores com história familiar de CJD, GSS ou FFI Doadores que tenham recebido enxerto de córnea ou de dura- máter. 7.5 Outras complicações tardias da transfusão Alem das infecções transmitidas por transfusões, outras complicações tardias podem correr dias ou meses após a transfusão. Elas incluem: Reação hemolítica tardia Púrpura pós transfusional Reação enxerto x hospedeiro Sobrecarga de ferro Imunossupressão. As suas formas de apresentação e tratamento estão resumidas na Figura 7.4 Reação transfusional hemolítica tardia Causa Em pacientes que foram previamente imunizados a um antígeno eritrocitário na gravidez ou após transfusão, o título do anticorpo ao antígeno eritrocitário pode ser tão baixo, que não seja detectável na amostra sangüínea pré transfusional. Cerca de 1% das mulheres que já estiveram grávidas tem anticorpos que são indetectáveis pelos métodosde rotina. Após a transfusão de hemácias que contenham o antígeno, uma rápida resposta imune secundária eleva o título do anticorpo, de forma que as hemácias que possuam o antígeno sejam destruídas. A maior parte da hemólise é ex- travascular. S E Ç Ã O 7 159 Figura 7.4: Outras complicações tardias da transfusão Sinais e sintomas Os sinais de uma reação hemolítica tardia aparecem 5-10 dias após a transfusão: Febre Anemia Icterícia Ocasionalmente hemoglobinúria Reações graves, com risco de vida, com choque, insuficiência renal e CIVD são raras. Conduta: 1 Geralmente não é necessário tratamento 2 Investigações : Reavaliar o tipo sangüíneo do paciente. O teste de Coombs direto geralmente é positivo. Elevação da bilirrubina indireta. E F E I T O S A D V E R S O S D A T R A N S F U S Ã O COMPLICCOMPLICCOMPLICCOMPLICCOMPLICAÇÃOAÇÃOAÇÃOAÇÃOAÇÃO APRESENTAPRESENTAPRESENTAPRESENTAPRESENTAÇÃOAÇÃOAÇÃOAÇÃOAÇÃO TRATRATRATRATRATTTTTAMENTAMENTAMENTAMENTAMENTOOOOO Reações 5-10 dias após Geralmente sem hemolíticas a transfusão: tratamento tardias Febre Se hipotenso e Anemia oligúrico, tratar Icterícia como hemólise intravascular aguda Púrpura 5-10 dias após Altas doses pós-transfusional a transfusão: de esteróides Aumento da tendência Altas doses de hemorrágica imunoglobulina Trombocitopenia intravenosa Plasmaférese Doença enxerto 10-12 dias após Terapia de suporte versus hospedeiro a transfusão: Sem tratamento Febre específico Rash cutâneo e descamação Diarréia Hepatite Pancitopenia Sobrecarga Insuficiência cardíaca Prevenção com de ferro e hepática em pacientes agentes quelantes de dependentes de transfusões ferro: p. ex. desferrioxamine 160 Prevenção: A reação hemolítica tardia pode ser prevenida pela cuidadosa triagem labo- ratorial para anticorpos anti-eritrocitários no plasma do paciente, e a seleção de hemácias compatíveis contra estes anticorpos. Entretanto, algumas reações ocorrem por antígenos raros (como anti-Jka, anticorpos que dificilmente são detectados na amostra pré transfusional.) Púrpura pós transfusional Causa A púrpura pós transfusional é uma complicação rara, mas potencialmente fatal. Ocorre mais freqüentemente em mulheres. É causada por anticorpos do receptor dirigidos contra as plaquetas transfundidas, causando trombocitopenia aguda e grave 5-10 dias após a transfusão. Sinais e sintomas Sinais de sangramento Trombocitopenia, definida como contagem plaquetária inferior a 100 x 109/ L. Conduta O tratamento da púrpura pós transfusional é feito quando esta se torna clinicamente importante, com contagem plaquetária de 50 x 109/L, com o risco de sangramento oculto com contagem de 20 x 109/L . 1 Administrar corticosteróide em alta dose. 2 Administrar imunoglobulinas em dose elevada: 2g/kg ou 0,4 g/ kg por 5 dias. 3 Plasmaferése. 4 Investigações: Monitorizar a contagem plaquetária Administrar concentrado de plaquetas do mesmo tipo ABO do paciente Plaquetas não compatíveis geralmente são ineficazes. A recuperação ocorre em 2 a 4 semanas. Prevenção: Acompanhamento especializado é essencial, e somente devem ser administradas plaquetas compatíveis. Doença do enxerto x hospedeiro Causa A doença do enxerto x hospedeiro é uma complicação rara e potencialmente fatal. Ocorre em pacientes imunodeficientes como receptores de transplante de medula óssea, e em indivíduos não imunodeficientes transfundidos com S E Ç Ã O 7 161 sangue de indivíduos com tipo tissular compatível (HLA: antígeno leucocitário humano), geralmente familiares. É causado por linfócitos T do doador que proliferam e agridem os tecidos dos receptores. Sinais e Sintomas A doença do enxerto x hospedeiro ocorre tipicamente 10-12 dias após a transfusão, e caracteriza-se por: Febre Rash e descamação epitelial. Diarréia Hepatite Pancitopenia Conduta A doença é geralmente fatal. O tratamento é de suporte; não há terapêutica específica. Prevenção A doença do enxerto x hospedeiro é prevenida pela irradiação gama dos componentes celulares para impedir a proliferação dos linfócitos transfundidos. Sobrecarga de ferro Causa Não há mecanismos fisiológicos para eliminar o excesso de ferro, portanto, pacientes dependentes de transfusão por um longo período de tempo podem acumular ferro no corpo, ocorrendo então a hemossiderose. Sinais e Sintomas O excesso de ferro que se deposita nos tecidos pode causar falência orgânica, particularmente cardíaca e hepática. O objetivo deve ser o de manter o nível de ferritina < 2000mg/ L (veja Seção 9: Medicina geral). Imunossupressão A transfusão sangüínea altera o sistema imune em diversos aspectos, e os efeitos da imunossupressão têm sido estudados em dois aspectos: 1 A taxa de recorrência tumoral pode ser mais elevada: estudos prospectivos não têm demonstrado diferença no prognóstico de pacientes transfundidos x não transfundidos, ou em pacientes que recebam sangue autólogo x homólogo. 2 A transfusão aumentaria o risco de infecção pós-operatória, por inibir a resposta imune: os estudos clínicos têm falhado em provar esta ocorrência. E F E I T O S A D V E R S O S D A T R A N S F U S Ã O 162 7.6 Transfusão maciça ou de grandes volumes O termo “transfusão maciça” pode ser definido como a reposição de perda sangüínea equivalente ou superior à volemia total do paciente com sangue armazenado, em período inferior a 24 horas (70 ml/kg em adultos, 80-90 ml/kg em crianças ou recém nascidos: veja figura 2.5). As transfusões maciças geralmente acontecem devido a hemorragias agudas obstétricas, em pacientes cirúrgicos e trauma. Veja as Seções 10, 12 e 13. O tratamento inicial das grandes hemorragias e hipovolemia é restaurar o volume sangüíneo tão rapidamente quanto possível, de maneira a manter a perfusão tecidual e oxigenação. Isto requer a infusão de grandes volu- mes de fluidos de reposição e de sangue, até que o controle da hemorragia seja realizado. A morbidade e a mortalidade tendem a ser altas entre esses pacientes, não por causa dos grandes volumes infundidos, mas, em muitos casos, por causa do trauma inicial e dano tecidual secundário à hemorragia e hipovolemia. É freqüentÉ freqüentÉ freqüentÉ freqüentÉ freqüente que as complicações advenham mais das causas e conseqüênciase que as complicações advenham mais das causas e conseqüênciase que as complicações advenham mais das causas e conseqüênciase que as complicações advenham mais das causas e conseqüênciase que as complicações advenham mais das causas e conseqüências do trdo trdo trdo trdo trauma inicial, do que da trauma inicial, do que da trauma inicial, do que da trauma inicial, do que da trauma inicial, do que da transfusão pransfusão pransfusão pransfusão pransfusão propriamentopriamentopriamentopriamentopriamente dite dite dite dite dita.a.a.a.a. No entanto, a administração de grandes volumes de sangue e soluções intravenosas pode provocar diversas alterações. Elas estão resumidas na Figura 7.5. Complicações da trComplicações da trComplicações da trComplicações da trComplicações da transfusão maciçaansfusão maciçaansfusão maciçaansfusão maciçaansfusão maciça Acidose Hipercalemia Toxicidade ao citrato de sódio, e hipocalcemia Depleção do fibrinogênio e dos fatores de coagulação Depleção de plaquetas Coagulação intravascular disseminada (CIVD) Hipotermia Redução do 2,3 difosfoglicerato (2,3 DPG) Micro-agregados Figura 7.5: Complicações da transfusão maciça S E Ç Ã O 7 163 Acidose Durante o armazenamento do sangue, o metabolismo de hemácias gera ácidos que provocam uma redução pequena, porém significante, do pH. Se houver acidose no paciente que recebeu transfusão maciça, esta foi causada mais por um resultado inadequado dotratamento da hipovolemia, do que pelos efeitos da transfusão. Tratamento Sob circunstâncias normais, o corpo pode neutralizar facilmente o ácido proveniente da transfusão, e o uso rotineiro do bicarbonato ou outros agentes alcalinizantes baseado no número de unidades transfundidas, é desnecessário. Hipercalemia Há um aumento na concentração de potássio extracelular com o armazenamento do sangue. Este aumento raramente possui significado clínico, a não ser em exsangüíneo-transfusão de recém nascidos. Tratamento Veja Seção 11: Pediatria e Neonatologia para maiores detalhes sobre a exsangüíneo-transfusão. Prevenção Utilizar o sangue mais fresco disponível no banco de sangue, que tenha menos de 7 dias. Toxicidade ao citrato e hipocalcemia A toxicidade ao citrato é um problema raro, mas que pode ocorrer em transfusões maciças. O citrato se liga ao cálcio, reduzindo o nível de cálcio ionizável do corpo. A hipocalcemia, particularmente em combinação com hipotermia e acidose, pode causar uma diminuição do débito cardíaco, bradicardia e outras arritmias. Conduta Após a transfusão, o citrato geralmente é rapidamente metabolizado em bicarbonato. Portanto, não é necessário se preocupar com a acidez da transfusão. Há muito pouco citrato nos concentrados de hemácias ou na suspensão de hemácias. O uso rotineiro profilático de sais de cálcio, tais como cloreto de cálcio, não é recomendado. No entanto, seu uso deve ser considerado conforme evidência clínica ou bioquímica de redução do cálcio ionizado. Depleção do fibrinogênio e fatores da coagulação O plasma progressivamente perde fatores de coagulação durante o armazenamento, particularmente fatores V e VIII, a menos que seja E F E I T O S A D V E R S O S D A T R A N S F U S Ã O 164 armazenado a temperaturas iguais ou inferiores a - 25ºC. Os concentrados de hemácias e unidades reduzidas de plasma perdem fatores de coagulação que são encontrados no componente plasmático. Além disso, na administração de grandes volumes de fluidos de reposição, pode ocorrer diluição dos fatores de coagulação e das plaquetas. Portanto, transfusões maciças podem levar a distúrbios da coagulação. Conduta Para evitar o uso indiscriminado de plasma e crioprecipitado, estes produtos só devem ser utilizados quando houver evidências clínicas ou laboratoriais de sua necessidade. Se houver prolongamento do tttttememememempo de prpo de prpo de prpo de prpo de proooootrtrtrtrtrombina (PT ou INRombina (PT ou INRombina (PT ou INRombina (PT ou INRombina (PT ou INR), administre plasma fresco congelado ABO compatível na dose de 15 ml/kg. Se o TTPTTPTTPTTPTTPA A A A A também estiver prolongado, é recomendado o uso de fator VIII / fibrinogênio tratado com calor, junto ao plasma fresco congelado. Se nenhum estiver disponível, administre 10-15 unidades de crioprecipitado ABO compatível, que contém fator VIII e fibrinogênio. Depleção de plaquetas A função plaquetária é rapidamente perdida durante o armazenamento do sangue, e virtualmente, não há mais função plaquetária após 48 horas. Tratamento Os concentrados de plaquetas só devem ser administrados quando: Os pacientes mostrarem sinais clínicos de sangramento micro- vascular: sangramento e exsudação de membrana mucosa, intestinos, ferimentos e locais de punção Contagem de plaquetas do paciente menor que 50.000/mm3 Administre concentrados de plaquetas suficientes para interromper o sangramento microvascular, e manter adequada contagem plaquetária. A transfusão de plaquetas deve ser considerada nos casos em que a contagem plaquetária estiver abaixo de 20.000/mm3, mesmo se não houver evidência clínica de sangramento, devido ao grande risco de sangramento interno, como no tecido cerebral. Prevenção Não é recomendado o uso profilático de concentrado de plaquetas em pacientes recebendo grande volume de transfusão. Coagulação intravascular disseminada A coagulação intravascular disseminada (CIVD) é uma ativação anormal do sistema de coagulação e fibrinolítico, resultando no consumo dos fatores de coagulação e das plaquetas (veja Seção 9.11: Sangramento adquirido e distúrbios da coagulação e Seção 10.3: Hemorragia obstétrica maior). rrrrrazão de tazão de tazão de tazão de tazão de tempo daempo daempo daempo daempo da prprprprprotrotrotrotrotrombina (PTRombina (PTRombina (PTRombina (PTRombina (PTR): um teste de coagulação sangüínea. Pode estar prolongado devido a deficiências de fatores de coagulação VIII, X, V, II e fibrinogênio. Veja INR rrrrrazão normalizadaazão normalizadaazão normalizadaazão normalizadaazão normalizada intintintintinternacional (INR):ernacional (INR):ernacional (INR):ernacional (INR):ernacional (INR): Medição do efeito anticoagulante da warfarina. Algumas vezes chamada de razão do tempo de protrombina (PTR). tttttempo de trempo de trempo de trempo de trempo de tromboplasomboplasomboplasomboplasomboplastinatinatinatinatina parparparparparcial ativcial ativcial ativcial ativcial ativada (TTPada (TTPada (TTPada (TTPada (TTPA):A):A):A):A): um teste de coagulação sangüínea. Pode estar prolongado devido à deficiência dos fatores de coagulação XII, XI, IX, VIII, X, V, II e fibrinogênio. Também chamado de tempo parcial de tromboplastina (kaolin) (PTTK). S E Ç Ã O 7 165 A CIVD pode se desenvolver no curso de uma transfusão maciça, no entanto, sua causa geralmente está ligada mais aos fatores precipitantes da transfusão (tais como choque hipovolêmico, trauma, complicações obstétricas), do que a transfusão propriamente dita. Conduta A conduta deve ser direcionada para corrigir os fatores precipitantes e correção dos problemas de coagulação. Hipotermia A administração rápida de sangue e fluidos de reposição diretamente do refrigerador pode provocar uma redução na temperatura corpórea. A hipotermia pode provocar diversos efeitos adversos (veja Evitando a hipotermia na seção 12.3). Conduta Se houver evidência de hipotermia, deve-se realizar todos os esforços para manter o sangue e os fluidos aquecidos durante a transfusão maciça. Redução do 2,3 difosfoglicerato (2,3 DPG) A presença de 2,3 DPG no sangue facilita a liberação de oxigênio da molécula de hemoglobina para o tecido. Em geral, os níveis de 2,3 DPG no sangue armazenado são mantidos adequadamente com as soluções aditivas. Micro-agregados Os leucócitos e plaquetas podem se agregar no sangue armazenado, formando micro-agregados. Durante a transfusão, particularmente nas transfusões maciças, estes micro-agregados embolizam o pulmão, e sua presença tem sido implicada no desenvolvimento da Síndrome da Angústia Respiratória Aguda (SARA). No entanto, a SARA após a transfusão geralmente é causada pelo dano tecidual e choque hipovolêmico. Conduta Estão disponíveis filtros para remover micro-agregados, mas há pouca evidência que seu uso previna esta síndrome. O uso de concentrado de hemácias leucodepletadas pode diminuir a incidência de SARA. E F E I T O S A D V E R S O S D A T R A N S F U S Ã O PPPPParararararte 2te 2te 2te 2te 2 TTTTTransfusão na práticaransfusão na práticaransfusão na práticaransfusão na práticaransfusão na prática clínicaclínicaclínicaclínicaclínica 169 8 Decisões clínicasDecisões clínicasDecisões clínicasDecisões clínicasDecisões clínicas transfusionaistransfusionaistransfusionaistransfusionaistransfusionais A parte 2 focaliza as situações clínicas que possam necessitar de transfusão de sangue total ou produtos sangüíneos, como segue: Seção 9 Medicina Geral Seção 10 Obstetrícia Seção 11 Pediatria e Neonatologia Seção 12 Cirurgia e Anestesia Seção 13 Trauma e cirurgia de urgência Seção 14 Queimaduras A Seção 8 é uma breve introdução da parte 2, fornecendo um guia simples para auxiliar e confirmar a necessidade de transfusão. Pontos chave 11111 Utilizada correUtilizada correUtilizada correUtilizada