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NOÇÕES DE PROCESSO PENAL 1 Inquérito policial. ............................................................................................................................................................................................................01 2 Ação penal. ........................................................................................................................................................................................................................04 1 NOÇÕES DE PROCESSO PENAL 1 INQUÉRITO POLICIAL. Inquérito Policial O Inquérito Policial é o procedimento administrativo persecutório, informativo, prévio e preparatório da Ação Penal. É um conjunto de atos concatenados, com unidade e fim de perseguir a materialidade e indícios de autoria de um crime. O inquérito Policial averígua determinado crime e precede a ação penal, sendo considerado, portanto como pré-processual. Composto de provas de autoria e materialidade de cri- me, que, comumente são produzidas por Investigadores de Polícia e Peritos Criminais, o inquérito policial é organizado e numerado pelo Escrivão de Polícia, e presidido pelo De- legado de Polícia. Importante esclarecer que não há litígio no Inquérito Policial, uma vez que inexistem autor e réu. Apenas figura a presença do investigado ou acusado. Do mesmo modo, há a ausência do contraditório e da ampla defesa, em função de sua natureza inquisitória e em razão d a polícia exercer mera função administrativa e não jurisdicional. Sob a égide da constituição federal, Aury Lopes Jr. define: “Inquérito é o ato ou efeito de inquirir, isto é, procurar informações sobre algo, colher informações acerca de um fato, perquirir”. (2008, p. 241). Em outras palavras, o inquérito policial é um procedi- mento administrativo preliminar, de caráter inquisitivo, pre- sidido pela autoridade policial, que visa reunir elementos informativos com objetivo de contribuir para a formação da “opinio delicti” do titular da ação penal. A Polícia ostensiva ou de segurança (Polícia Militar) tem por função evitar a ocorrência de crimes. Já a Polícia Judiciá- ria (Civil e Federal) se incumbe se investigar a ocorrência de infrações penais. Desta forma, a Polícia Judiciária, na forma de seus delegados é responsável por presidir o Inquérito Po- licial. Entretanto, conforme o artigo 4º do Código de Processo Penal Brasileiro, em seu parágrafo único, outras autoridades também poderão presidir o inquérito, como nos casos de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI’s), Inquéritos Po- liciais Militares (IPM’s) e investigadores particulares. Este últi- mo exemplo é aceito pelajurisprudência, desde que respeite as garantias constitucionais e não utilize provas ilícitas. A atribuição para presidir o inquérito se dá em função da competência ratione loci, ou seja, em razão do lugar onde se consumou o crime. Desta forma, ocorrerá a investigação onde ocorreu o crime. A atribuição do delegado será defini- da pela sua circunscrição policial, com exceção das delega- cias especializadas, como a delegacia da mulher e de tóxicos, dentre outras. Os destinatários do IP são os autores da Ação Penal, ou seja, o Ministério Público ( no caso de ação Penal de Ini- ciativa Pública) ou o querelante (no caso de Ação Penal de Iniciativa Privada). Excepcionalmente o juiz poderá ser desti- natário do Inquérito, quando este estiver diante de cláusula de reserva de jurisdição. O inquérito policial não é indispensável para a proposi- tura da ação penal. Este será dispensável quando já se tiver a materialidade e indícios de autoria do crime. Entretanto, se não se tiver tais elementos, o IP será indispensável, conforme disposição do artigo 39, § 5º do Código de Processo Penal. A sentença condenatória será nula, quando fundamen- tada exclusivamente nas provas produzidas no inquérito po- licial. Conforme o artigo 155 do CPP, o Inquérito serve ape- nas como reforço de prova. O inquérito deve ser escrito, sigiloso, unilateral e inqui- sitivo. A competência de instauração poderá ser de ofício (Quando se tratar de ação penal pública incondicionada), por requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Pú- blico, a pedido da vítima ou de seu representante legal ou mediante requisição do Ministro da Justiça. O Inquérito Policial se inicia com a notitia criminis, ou seja, com a notícia do crime. O Boletim de Ocorrência (BO) não é uma forma técnica de iniciar o Inquérito, mas este se destina às mãos do delegado e é utilizado para realizar a Re- presentação, se o crime for de Ação de Iniciativa Penal Públi- ca condicionada à Representação, ou para o requerimento, se o crime for de Ação Penal da Iniciativa Privada. No que concerne à delacio criminis inautêntica, ou seja, a delação ou denúncia anônima, apesar de a Constituição Federal vedar o anonimato, o Supremo Tribunal de Justiça se manifestou a favor de sua validade, desde que utilizada com cautela. As peças inaugurais do inquérito policial são a Portaria (Ato de ofício do delegado, onde ele irá instaurar o inquéri- to), o Auto de prisão em flagrante (Ato pelo qual o delegado formaliza a prisão em flagrante), o Requerimento do ofendi- do ou de seu representante legal (Quando a vítima ou outra pessoa do povo requer, no caso de Ação Penal de Iniciativa Privada), a Requisição do Ministério Público ou do Juiz. No IP a decretação de incomunicabilidade (máximo de três dias) é exclusiva do juiz, a autoridade policial não po- derá determiná-la de ofício. Entretanto, o advogado poderá comunicar-se com o preso, conforme dispõe o artigo 21 do Código de Processo Penal, em seu parágrafo único. Concluídas as investigações, a autoridade policial enca- minha o ofício ao juiz, desta forma, depois de saneado o juiz o envia ao promotor, que por sua vez oferece a denúncia ou pede arquivamento. O prazo para a conclusão do inquérito, conforme o arti- go 10 caput e § 3º do Código de Processo Penal, será de dez dias se o réu estiver preso, e de trinta dias se estiver solto. En- tretanto, se o réu estiver solto, o prazo poderá ser prorrogado se o delegado encaminhar seu pedido ao juiz, e este para o Ministério Público. Na Polícia Federal, o prazo é de quinze dias se o indicia- do estiver preso (prorrogável por mais quinze). Nos crimes de tráfico ilícito de entorpecentes o prazo é de trinta dias se o réu estiver preso e noventa dias se estiver solto, esse prazo é prorrogável por igual período, conforme disposição da Lei 11.343 de 2006. 2 NOÇÕES DE PROCESSO PENAL O arquivamento do inquérito consiste da paralisação das investigações pela ausência de justa causa (materialidade e indícios de autoria), por atipicidade ou pela extinção da pu- nibilidade. Este deverá ser realizado pelo Ministério Público. O juiz não poderá determinar de ofício, o arquivamento do inquérito, sem a manifestação do Ministério Público O desarquivamento consiste na retomada das investiga- ções paralisadas, pelo surgimento de uma nova prova. Procedimento inquisitivo: Todas as funções estão concentradas na mão de única pessoa, o delegado de polícia. Recordando sobre sistemas processuais, suas modalida- des são: inquisitivo, acusatório e misto. O inquisitivo possui funções concentradas nas mãos de uma pessoa. O juiz exerce todas as funções dentro do processo. No acusatório puro, as funções são muito bem definidas. O juiz não busca provas. O Brasil adota o sistema acusatório não-ortodoxo. No sistema misto: existe uma fase investigatória, presidida por autorida- de policial e uma fase judicial, presidida pelo juiz inquisidor. Discricionariedade: Existe uma margem de atuação do delegado que atuará de acordo com sua conveniência e oportunidade. A materia- lização dessa discricionariedade se dá, por exemplo, no inde- ferimento de requerimentos. O art.6º do Código de Processo Penal, apesar de trazer diligências, não retira a discricionarie- dade do delegado. Diante da situação apresentada, poderia o delegado indeferir quaisquer diligências? A resposta é não, pois há exceção. Não cabe ao delegado de polícia indeferir a realização do exame de corpo de delito, uma vez que o ordenamento jurídico veda tal prática. Caso o delegado opte por indeferir o exame, duas serão as possíveis saídas: a pri- meira, requisitar ao Ministério Público. A segunda, segundo Tourinho Filho, recorrer ao Chefe de Polícia (analogia ao art. 5º, §2º, CPP). Outra importante observação: O fato de o MP e juiz realizarem requisição de diligências mitigaria a discricio- nariedade do delegado? Não, pois a requisição no processo penal é tratada como ordem, ou seja, uma imposição legal. O delegado responderia pelo crime de prevaricação (art. 319 do Código Penal), segundo a doutrina majoritária. Procedimento sigiloso: O inquérito policial tem o sigilo natural como caracte- rística em razão de duas finalidades: 1) Eficiência das inves- tigações; 2) Resguardar imagem do investigado. O sigilo é intrínseco ao IP, diferente da ação penal, uma vez que não é necessária a declaração de sigilo no inquérito. Apesar de sigiloso, deve-se considerar a relativização do mesmo, uma vez que alguns profissionais possuem acesso ao mesmo, como é o exemplo do juiz, do promotor de justiça e do ad- vogado do ofendido, vide Estatuto da OAB, lei 8.906/94, art. 7º, XIX. O advogado tem o direito de consultar os autos dos IP, ainda que sem procuração para tal. Nesse sentido, a súmula vinculante nº 14, do STF: “É di- reito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova, que já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com com- petência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.” Em observação mais detalhada, conclui-se que o que está em andamento não é de direito do advoga- do, mas somente o que já fora devidamente documentado. Diante disso, faz-se necessária a seguinte reflexão: Qual o real motivo da súmula? O Conselho federal da OAB, - in- dignado pelo não cumprimento do que disposto no Estatu- to da OAB - decidiu provocar o STF para edição da súmula vinculante visando garantir ao advogado acesso aos autos. Como precedentes da súmula: HC 87827 e 88190 – STF; HC 120.132 – STJ. Importante ressaltar que quanto ao sigilo, a súmula nº 14 não garante ao advogado o direito de participar nas diligências. O sigilo é dividido em interno e externo. Sigilo interno: possui duas vertentes, sendo uma positiva e outra negativa. A positiva versa sobre a possibilidade do juiz/MP acessarem o IP. A negativa, sobre a não possibilidade de acesso aos autos pelo advogado e investigado (em algumas diligências). E na eventualidade do delegado negar vista ao advogado? Habeas corpus preventivo (profilático); mandado de segurança (analisado pelo juiz criminal). Procedimento escrito: Os elementos informativos produzidos oralmente de- vem ser reduzidos a termo. O termo “eventualmente datilo- grafado” deve ser considerado, através de uma interpretação analógica, como “digitado”. A partir de 2009, a lei 11.900/09 passou a autorizar a documentação e captação de elemen- tos informativos produzidos através de som e imagem (atra- vés de dispositivos de armazenamento). Indisponível: A autoridade policial não pode arquivar o inquérito po- licial. O delegado pode sugerir o arquivamento, enquanto o MP pede o arquivamento. O sistema presidencialista é o que vigora para o trâmite do IP, ou seja, deve passar pelo magis- trado. Importante ilustrar que poderá o delegado deixar de ins- taurar o inquérito nas seguintes hipóteses: 1) se o fato for atípico (atipicidade material); 2) não ocorrência do fato; 3) se estiverem presentes causas de extinção de punibili- dade, como no caso da prescrição. Contudo o delegado não poderá invocar o princípio da insignificância com o objetivo de deixar de lavrar o auto de prisão em flagrante ou de instaurar inquérito policial. No que tange à excludente de ilicitude, a doutrina majoritária entende que o delegado deve instaurar o inquérito e ratificar o auto de prisão em flagrante, uma vez que a função da autoridade policial é subsunção do fato à norma. Dispensável: Dita o art. 12 do CPP: Art. 12 - O inquérito policial acompanhará a denúncia ou queixa, sempre que servir de base a uma ou outra. O termo “sempre que servir” corresponde ao fato de que, possuindo o titular da ação penal, elementos para propositu- ra, lastro probatório idôneo de fontes diversas, por exemplo, o inquérito poderá ser dispensado. 3 NOÇÕES DE PROCESSO PENAL Segundo o art. 46, §1º do mesmo dispositivo legal: “Art. 46 - O prazo para oferecimento da denúncia, estan- do o réu preso, será de 5 (cinco) dias, contado da data em que o órgão do Ministério Público receber os autos do inquérito policial, e de 15 (quinze) dias, se o réu estiver solto ou afian- çado. No último caso, se houver devolução do inquérito à au- toridade policial (Art. 16), contar-se-á o prazo da data em que o órgão do Ministério Público receber novamente os autos. § 1º - Quando o Ministério Público dispensar o inquérito policial, o prazo para o oferecimento da denúncia contar-se-á da data em que tiver recebido as peças de informações ou a representação.” Outras formas de investigação criminal a) CPIs: Inquérito parlamentar. Infrações ou faltas funcio- nais e aqueles crimes de matéria de alta relevância; b) IPM: Inquérito policial militar. Instrumento para investi- gação de infrações militares próprias; c) Crimes cometidos pelo magistrado: investigação presi- dida pelo juiz presidente do tribunal; d) MP: PGR/PGJ; e) Crimes cometidos por outras autoridades com foro pri- vilegiado: ministro ou desembargador do respectivo tribunal. Os elementos informativos colhidos durante a fase do inquérito policial não poderão ser utilizados para fundamen- tar sentença penal condenatória. O valor de tais elementos é relativo, uma vez que os mesmos servem para fundamentar o recebimento de uma inicial, mas não são suficientes para fundamentar eventual condenação. PROCEDIMENTO DO INQUÉRITO POLICIAL 1ª fase: Instauração; 2º fase: Desenvolvimento/evolução; 3ª fase: Conclusão 1ª fase: Instaurado por peças procedimentais: 1ª peça: Portaria; 2ª peça: APFD (auto de prisão em flagrante delito); 3ª peça: Requisição do juiz/MP/ministro da justiça; 4ª peça: Requerimento da vítima CONCLUSÃO DO INQUÉRITO POLICIAL A peça de encerramento chama-se relatório, definido como uma prestação de contas daquilo que foi realizado du- rante todo o inquérito policial ao titular da ação penal. Em outras palavras, é a síntese das principais diligências realiza- das no curso do inquérito. O mesmo só passa pelo juiz devi- do ao fato de o Código de Processo Penal adotar o sistema presidencialista, já citado anteriormente. Entretanto, apesar dessa adoção, este caminho adotado pela autoridade policial poderia ser capaz de ferir o sistema acusatório, que é adotado pelo CPP (pois ainda não há relação jurídica processual penal). Os estados do Rio de Janeiro e Bahia adotaram a Central de inquéritos policiais, utilizada para que a autoridade policial remetesse os autos à central gerida pelo Ministério Público. Os respectivos tribunais reagiram diante da situação. INDICIAMENTO O indiciamento é a individualização do investigado/sus- peito. Há a transição do plano da possibilidade para o campo da probabilidade, ou seja, da potencialização do suspeito. Na presente hipótese, deve o delegado comunicar os órgãos de identificação e estatística. Sobre o momento do indiciamento, o CPP não prevê de forma exata, podendo ser realizado em todas as fases do inquérito policial(instauração, curso e conclusão). Não é possível desindiciar o indivíduo uma vez que repre- senta uma espécie de arquivamento subjetivo em relação ao indiciado. Em contrapartida, há posicionamento diverso, com assentamento na idéia de que o desindiciamento é possível pelo fato de o IP ser um procedimento administrativo. Assim sendo, a autoridade policial goza de autotutela, ou seja, da capacidade de rever os próprios atos. Com relação às espécies de desindiciamento, o mesmo pode ser de ofício, ou seja, rea- lizado pela própria autoridade policial e coato/coercitivo, que decorre do deferimento de ordem de habeas corpus. PRAZOS PARA ENCERRAMENTO DO INQUÉRITO POLICIAL No caso da justiça estadual, 10 dias se acusado preso; 30 dias se acusado solto. Os 10 dias são improrrogáveis, os 30 dias são prorrogáveis por “n” vezes. No caso da justiça federal, 15 dias se o acusado estiver preso; 30 dias se o acusado esti- ver solto. Os 15 dias são prorrogáveis por uma vez, enquanto os 30 dias são prorrogáveis por “n” vezes. No caso da lei de drogas (11.343/2006), o prazo é diverso: 30 dias se o acusado estiver preso, 90 dias se estiver solto. Nessa modalidade, os prazos podem ser duplicados. Com re- lação aos crimes contra a economia popular (lei 1.521/51, art. 10, §1º), o prazo para conclusão do IP é de 10 dias, indepen- dente se o acusado estiver preso ou solto. MEIOS DE AÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO 1) Primeiramente, oferecer denúncia, caso haja justa cau- sa. Em regra, o procedimento é o ordinário. (Sumário: cabe Recurso em sentido estrito, vide art. 581, I, CPP). Do recebi- mento da denúncia, cabe habeas corpus. Da rejeição da de- núncia no procedimento sumaríssimo, cabe apelação. (JESP- CRIM, prazo de 10 dias); 2) O MP pode requisitar novas diligências, mas deve es- pecificá-las. No caso do indeferimento pelo magistrado, cabe a correição parcial; 3) MP pode defender o argumento de que não tem atri- buição para atuar naquele caso e que o juiz não tem compe- tência. Nesse caso, o juiz pode concordar ou não com o MP. No caso de não concordar, o juiz fará remessa do inquérito ou peças de informação ao procurador-geral, e este oferece- rá a denúncia, designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la, ou insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender, como mencio- na o art. 28 do CPP; 4) MP pode pedir arquivamento. Se o juiz homologa, en- cerra-se o mesmo. Trata-se de ato complexo, ou seja, que depende de duas vontades. 4 NOÇÕES DE PROCESSO PENAL A natureza jurídica do arquivamento é de ato adminis- trativo judicial, procedimento que deriva de jurisdição vo- luntária. É ato judicial, mas não jurisdicional. Com relação ao art. 28 do CPP e a obrigação do outro membro do Mi- nistério Público ser ou não obrigado a oferecer a denúncia, existem duas correntes sobre o tema. A primeira corrente, representada por Cláudio Fontelis, defende o argumento de que o promotor não é obrigado a oferecer denúncia porque o termo deve ser interpretado como designação, com base na independência funcional. A segunda corrente, majoritá- ria, defende o ponto de que o termo deve ser interpretado como delegação, atuando o promotor como “longa manus” do Procurador Geral de Justiça. Diante da questão trazida, estaria a independência funcional comprometida? Não, pois o novo promotor pode pedir a absolvição/condenação, uma vez que o mesmo possui tal liberdade. A importância do inquérito policial se materializa do pon- to de vista de uma garantia contra apressados juízos, forma- dos quando ainda não há exata visão do conjunto de todas as circunstâncias de determinado fato. Daí a denominação de instituto pré-processual, que de certa forma, protege o acusado de ser jogado aos braços de uma Justiça apressada e talvez, equivocada. O erro faz parte da essência humana e nem mesmo a autoridade policial, por mais competente que seja, está isenta de equívocos e falsos juízos. Delegados e advogados devem trabalhar em prol de um bom comum, qual seja, a efetivação da justiça. Imprescindível a participa- ção do advogado, dentro dos limites estabelecidos pela lei, na participação da defesa de seu cliente. Diante disso, é de imensa importância que o inquérito policial seja desenvolvi- do sob a égide constitucional, respeitando os direitos, garan- tias fundamentais do acusado e, principalmente, o princípio da dignidade da pessoa humana, norteador do ordenamento jurídico brasileiro. 2 AÇÃO PENAL. Ação Penal Trata-se do direito público subjetivo de pedir ao Estado- juízo a aplicação do direito penal objetivo ao caso concreto. Ação não é pretensão. Ação é simplesmente o direito de provocar a tutela jurisdicional do Estado. Absolutamente erra- do falar, por exemplo, que ação penal é o exercício da preten- são punitiva estatal, visto que se estaria ligando ao conceito de ação o objeto que se pede, vinculando direito abstrato com direito material, como faz a doutrina imanentista. Ação penal, repito, é o direito de provocar a jurisdição penal. Por isso que o direito de ação é exercido contra o Estado, pois o Estado é quem possui, única e exclusiva- mente, o poder-dever de dizer o direito. Assim, erram promotores e Procuradores da República que, na denúncia, escrevem: “ofereço ação penal pública in- condicionada contra fulano de tal...” A ação não é contra fu- lano. A ação é contra o Estado (provocando o Estado), para dizer o direito substantivo penal aplicável EM FACE de fulano. Características a) Autônoma: ela não se confunde com o direito mate- rial. Preexiste à pretensão punitiva. b) Abstração: independe do resultado do processo. Mesmo que a demanda seja julgada improcedente, o direito de ação terá sido exercido. c) Subjetiva: o titular do direito é especificado na pró- pria legislação. Em geral, é o MP, excepcionalmente sendo um particular. d) Pública: a atividade provocada é de natureza pública, sendo a ação exercida pelo próprio Estado. e) Instrumental: é um meio para se alcançar a efetivida- de do direito material. Condições da Ação ou Condições de Procedibilidade Conceito Trata-se dos requisitos necessários e condicionantes ao regular exercício do direito de ação. Condição da ação (ou de procedibilidade) é uma condi- ção que deve estar presente para que o processo penal possa ter início. Possibilidade Jurídica do Pedido O pedido deve ser legalmente amparável na seara do Di- reito Penal ou não deve ser vedado. Por exemplo, ao se denun- ciar um membro de um corpo diplomático, o juiz deve intimar a representação do país de origem para ver ser eles abrem mão da imunidade diplomática. Caso negativo, deve o juiz ex- tinguir o processo por impossibilidade jurídica do pedido. Interesse de Agir Subdivide-se e materializa-se no trinômio necessidade/ adequação/utilidade. O interesse-necessidade objetiva identificar se a lide pode ou não ser resolvida na seara judicial. Ela é presumida, em função da proibição da autotutela, tendo como exceção a transação penal. O interesse-adequação se manifesta com a utilização do instrumento adequado para a manifestação da pretensão. V.g., não pode a parte pleitear trancar com HC ação penal cuja sanção máxima cominada à conduta seja de multa, já que seu direito à livre locomoção não se encontra ameaçado. Já o interesse-utilidade se manifesta quando o exercício do direito de ação possa resultar na realização do jus puniendi estatal. Daqui decorre justificativa para se acatar a prescrição da pena em perspectiva. Legitimidade A ação só pode ser proposta por quem é titular do inte- resse que se quer realizar e contra aquele cujo interesse deve ficar subordinado ao do autor. A pessoa jurídica tem legitimidade para figurar no polo passivo da demanda penal nos casos previstos em lei, deven- do aação também ser movida contra a pessoa física responsá- vel por sua administração (teoria da dupla imputação). Tam- bém poderá figurar no polo ativo, devendo ser representada por aqueles designados nos contratos ou estatutos sociais. Réu Menor no Processo Penal: Ilegitimidade ou Incom- petência? 5 NOÇÕES DE PROCESSO PENAL Se o réu for menor, não deverá o processo ser extinto por impossibilidade jurídica do pedido ou por ilegitimidade da parte, mas sim por ausência de competência do juiz penal para apreciar o feito. Justa Causa ou Aptidão Material da Denúncia Trata-se do lastro probatório mínimo de autoria e ma- terialidade delitivas necessário à propositura da ação penal. A justa causa é compreendida como conjunto de provas sobre o fato criminoso, suas circunstâncias e respectiva auto- ria capaz de alicerçar, embasar a acusação contida na denún- cia. Esse conjunto de provas, de elementos informativos serve para dar verossimilhança à acusação. Evidentemente, não se exige para a instauração da ação penal prova completa, ple- na ou cabal (induvidosa); este tipo de prova é exigido para fundamentar a sentença condenatória. Para a instauração da ação penal basta que haja alguma prova idônea, lícita, que demonstre a verossimilhança da acusação. Deve haver prova da materialidade e indícios de autoria. Ilustre-se que não há recurso contra a decisão de rece- bimento da denúncia. Possível, no entanto, a impetração de habeas corpus para trancar a ação penal. O habeas corpus para extinguir o processo penal sem resolução de mérito, com fundamento no artigo 648, I do CPP1. Lembrar que a falta de justa causa é motivo de rejeição da denúncia ou queixa, havendo um dispositivo específico que separa este tema da rejeição por inépcia formal (diz-se que a falta de justa causa é causa de inépcia material): Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando: [...] III - faltar justa causa para o exercício da ação penal. Não há justa causa para a ação penal quando a demons- tração da autoria ou da materialidade do crime decorrer ape- nas de prova ilícita (assim como ocorre com a denúncia fun- dada apenas em IP viciado) Síntese sobre a justa causa: 1. Trata-se do lastro probatório mínimo de materialida- de e autoria necessário para o recebimento da inicial; 2. Inexistindo justa causa, a denúncia deve ser rejeitada com fulcro no art. 395, III, do CPP (diz-se que há inépcia material); 3. Somente cabe HC para trancar o processo penal (ex- tinguir sem julgamento do mérito) se houver evidente atipici- dade da conduta, causa extintiva de punibilidade ou ausência total de indícios de autoria; 4. Não há justa causa se a ação penal decorrer apenas de prova ilícita ou de IP viciado. QUESTÕES 01. (DPE-ES - Defensor Público – 2016 - FCC) Sobre as provas no processo penal, (A) após realização do reconhecimento pessoal, deve ser lavrado auto pormenorizado, subscrito pela autoridade, pela pessoa chamada para proceder ao reconhecimento e por duas testemunhas presenciais. (B) em virtude do princípio do livre convencimento mo- tivado, o juiz pode suprir a ausência de exame de corpo de delito, direto ou indireto, pela confissão do acusado nos cri- mes que deixam vestígios. 1 Art. 648. A coação considerar-se-á ilegal: I - quando não houver justa causa; (C) de acordo com o sistema acusatório, o interrogatório é o ato final da instrução, não podendo ocorrer mais de uma vez no mesmo processo. (D) segundo a Convenção Americana de Direitos Huma- nos, a confissão do acusado só é válida se feita sem coação de nenhuma natureza, de modo que não há mácula na confissão informal feita no momento da prisão quando apenas induzida por policiais. (E) diante da notícia concreta de tráfico de drogas e da pre- sença de armas em determinada favela, é possível a expedição de mandado de busca domiciliar para todas as casas da comunidade. 02. (DPE-MA - Defensor Público - Ano: 2015 - FCC) O inquérito policial (A) após seu arquivamento, poderá ser desarquivado a qualquer momento para possibilitar novas investigações, des- de que haja concordância do Ministério Público. (B) em curso poderá ser avocado por superior por motivo de interesse público. (C) poderá ser instaurado por requisição judicial, a depender da análise de conveniência e oportunidade do delegado de polícia. (D) nos casos de ação penal privada e ação penal pública condicionada poderá ser instaurado mesmo sem a represen- tação da vítima ou seu representante legal, desde que se trate de crime hediondo. (E) independentemente do crime investigado deverá ser impreterivelmente concluído no prazo de 30 dias se o inves- tigado estiver solto. 03. (PC-CE - Escrivão de Polícia Civil de 1ª Classe – 2015 - VUNESP) A Lei nº 7.960/89 estabelece, em seu art. 1º, inciso III, o rol de crimes para os quais é cabível a decre- tação da prisão temporária quando imprescindível para as investigações do inquérito policial. Esse rol inclui (A) o crime de assédio sexual. (B) o crime de receptação qualificada. (C) o crime de estelionato. (D) o crime de furto qualificado. (E) os crimes contra o sistema financeiro. 04. (MPE-SE - Analista – Direito - 2013 - FCC) Em rela- ção ao inquérito policial, (A) o ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado poderão requerer qualquer diligência, que será realizada, ou não, a juízo da autoridade. (B) nos crimes de ação penal de iniciativa pública, somen- te pode ser iniciado de ofício. (C) a autoridade policial poderá mandar arquivar os autos de inquérito policial em caso de evidente atipicidade da con- duta investigada. (D) se o indiciado estiver preso em flagrante, o inquérito policial deverá terminar no prazo máximo de cinco dias, salvo disposição em contrário. (E) é indispensável à propositura da ação penal de inicia- tiva pública. 05. (MPE-SP - Analista de Promotoria - 2015 – VU- NESP) A prisão em flagrante, cautelar, realiza-se (A) sem necessidade de avaliação posterior por autori- dade judiciária, porque pode ser relaxada, a qualquer tempo, pela autoridade policial. 6 NOÇÕES DE PROCESSO PENAL (B) diante de aparente tipicidade (fumus boni juris), mas confirmados ilicitude e culpabilidade. (C) no momento em que está ocorrendo ou termina de ocorrer o crime. (D) mediante expedição de mandado de prisão pela au- toridade judiciária. (E) única e tão somente pela polícia judiciária. 06. (PC-SP -Investigador de Polícia – 2014 - VUNESP) O inquérito policial (A) somente será instaurado por determinação do juiz competente. (B) pode ser arquivado por determinação da Autoridade Policial. (C) estando o indiciado solto, deverá ser concluído no máximo em 10 dias. (D) nos crimes de ação pública poderá ser iniciado de ofício. (E) não poderá ser iniciado por requisição do Ministério Público. 07. (TJ-SE - Titular de Serviços de Notas e de Regis- tros – Provimento - 2014 - CESPE) No curso da tramitação do inquérito policial, o delegado de polícia, (A) nos crimes em que a pena máxima cominada não extrapole oito anos de reclusão, poderá conceder liberdade provisória, independentemente de fiança. (B) independentemente de pronunciamento do juiz competente, deverá proceder à instauração de incidente de insanidade mental do indiciado, desde que este apresente indícios dessa insanidade. (C) a requerimento de qualquer pessoa, poderá deferir a interceptação das comunicações telefônicas de indiciado. (D) quando verificada a inexistência de indícios de auto- ria, deverá arquivar os autos do inquérito policial. (E) ao ter conhecimento da infração penal, deverá proce- der ao reconhecimento de pessoas e coisas e providenciar a realização de acareações. 08. (SEDS-TO - Analista Socioeducador – Direito - 2014 - FUNCAB) Considerando os temas inquérito policial e açãopenal, assinale a alternativa correta. (A) A autoridade policial não poderá mandar arquivar au- tos de inquérito. (B) O inquérito deverá terminar no prazo de 30 dias, se o indiciado tiver sido preso em flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia em que se executar a ordem de prisão. (C) O Ministério Público poderá desistir da ação penal. (D) O prazo para oferecimento da denúncia, estando o réu preso, será de 30 dias, contado da data em que o órgão do Ministério Público receber os autos do inquérito policial. 09. (PC-SP - Investigador de Polícia – 2014 - VUNESP) A prisão preventiva (A) é decretada pelo juiz. (B) somente poderá ser decretada como garantia da or- dem pública. (C) não poderá ser revogada pelo juiz. (D) poderá ser decretada pelo delegado de polícia. (E) é admitida para qualquer crime ou contravenção. 10. (PC-GO - Delegado de Polícia – 2013 - UEG) Sobre a prisão em flagrante, tem-se o seguinte: (A) o auto de prisão em flagrante deverá ser lavrado pela autoridade do local do crime onde foi efetivada a captura, sob pena de nulidade absoluta. (B) em até 24 (vinte e quatro) horas da realização da pri- são, será entregue ao preso, mediante recibo, a nota de cul- pa, assinada pelo juiz, sendo que a errônea capitulação dos fatos no mencionado documento gera nulidade do flagrante. (C) o reconhecimento da nulidade do auto de prisão em flagrante atinge unicamente o seu valor como instrumento de coação cautelar, não tendo repercussão no processo-cri- me. (D) a falta de comunicação, no prazo legal, da prisão em flagrante à autoridade judiciária nulifica-a, devendo o ma- gistrado, após oitiva do Ministério Público, determinar seu imediato relaxamento. 11. (TRE-RS - Analista Judiciário – Administrativa – 2015 - CESPE) Foi recebida pelo juiz denúncia oferecida pelo MP contra Pedro e João, imputando-lhes a prática de crime de extorsão realizada dentro de uma universidade. Uma das vítimas resolveu intervir no processo, como assistente de acusação. Tendo como referência a situação hipotética apresenta- da, assinale a opção correta. (A) Deferida a habilitação, o assistente de acusação re- ceberá a causa desde a petição inicial e, conforme o caso, deverão ser repetidos os atos anteriores a sua habilitação. (B) Da decisão que admitir ou denegar a intervenção da vítima caberá recurso em sentido estrito ao juízo de segundo grau. (C) Ao assistente de acusação será permitido propor meios de provas, tais como perícias e acareações, participar de debates orais e aditar articulados, e também arrazoar os recursos interpostos pelo MP. (D) A vítima poderá habilitar-se como assistente de acu- sação na fase preliminar das investigações, após a instaura- ção do inquérito policial. (E) O assistente de acusação poderá arrolar testemunhas e aditar a denúncia oferecida pelo MP. 12. (TRE-RS - Analista Judiciário – Administrativa – 2015 - CESPE) No que se refere a intimações e citações no processo penal, assinale a opção correta. (A) A citação ou a intimação do militar da ativa será feita mediante a expedição pelo juízo processante de um ofício, que será remetido ao chefe do serviço, cabendo ao oficial de justiça a citação do acusado. (B) Na hipótese de expedição de carta precatória para a citação, se o acusado não se encontrar na comarca do juiz deprecado e estiver em local conhecido, a precatória deverá ser devolvida ao juiz deprecante para uma nova expedição. (C) A citação ficta ou presumida será realizada por edital, pelo correio ou por email. (D) Na hipótese de o réu estar no estrangeiro, em local sabido, será sempre citado por carta rogatória, mesmo que a infração penal seja afiançável. (E) De acordo com o CPP, será pessoal a intimação do MP, do defensor constituído, do advogado do querelante e do advogado do assistente de acusação. 7 NOÇÕES DE PROCESSO PENAL RESPOSTAS: 01. A. CPP - Art. 226. Quando houver necessidade de fazer-se o reconhecimento de pessoa, proceder-se-á pela seguinte forma: (...) IV - do ato de reconhecimento lavrar-se-á auto porme- norizado, subscrito pela autoridade, pela pessoa chamada para proceder ao reconhecimento e por duas testemunhas presenciais. 02. B. De acordo com a Lei n. 12.830/13 Art. 2. (...) § 4º O inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei em curso somente poderá ser avocado ou redistribuí- do por superior hierárquico, mediante despacho fundamen- tado, por motivo de interesse público ou nas hipóteses de inobservância dos procedimentos previstos em regulamento da corporação que prejudique a eficácia da investigação. 03. E. De acordo com a Legislação: Art. 1° Caberá prisão temporária: (...) III - quando houver fundadas razões, de acordo com qualquer prova admitida na legislação penal, de autoria ou participação do indiciado nos seguintes crimes: (...) o) crimes contra o sistema financeiro (Lei n° 7.492, de 16 de junho de 1986). 04. A. Código Processual Penal: Art. 14. O ofendido, ou seu representante legal, e o indi- ciado poderão requerer qualquer diligência, que será realiza- da, ou não, a juízo da autoridade. 05. C. Código Processual Penal: Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem: I - está cometendo a infração penal; II - acaba de cometê-la; III - é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofen- dido ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser autor da infração; IV - é encontrado, logo depois, com instrumentos, ar- mas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração. Art. 303. Nas infrações permanentes, entende-se o agen- te em flagrante delito enquanto não cessar a permanência. 06. D. A) ERRADA: O IP pode ser instaurado por diversas formas (de ofício, por requisição do MP, etc.). B) ERRADA: A autoridade policial NUNCA poderá man- dar arquivar autos de IP, nos termos do art. 17 do CPP. C) ERRADA: Estando o indiciado solto o prazo para a conclusão do IP é de 30 dias, prorrogáveis. D) CORRETA: Item correto, pois nos crimes de ação penal pública o IP pode ser instaurado de ofício, ainda que seja necessário, no caso de crimede ação penal pública condicio- nada à representação, que a autoridade já disponha de mani- festação inequívoca da vítima (representação) no sentido de que deseja a persecução penal. e) ERRADA: Item errado, pois o IP pode ser instaurado por requisição do MP. 07. E. CPP - Art. 6o Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá: VI - proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a acareações; 08. A. Dispõe o artigo 17 do CPP: A autoridade policial não po- derá mandar arquivar autos de inquérito. 09. A. Conforme o Art. 238 do CPP: Art. 283. Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de sentença conde- natória transitada em julgado ou, no curso da investigação ou do processo, em virtude de prisão temporária ou prisão preventiva. 10. C. Código Processual Penal: Art. 306. A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz compe- tente, ao Ministério Público e à família do preso ou à pessoa por ele indicada § 1º Em até 24 (vinte e quatro) horas após a realização da prisão, será encaminhado ao juiz competente o auto de prisão em flagrante e, caso o autuado não informe o nome de seu advogado, cópia integral para a Defensoria Pública. 11. C. A presente questão está embasada no artigo 271 do Có- digo Processual Penal que dita: Art. 271. Ao assistente será permitido propor meios de prova, requerer perguntas às testemunhas, aditar o libelo e os articulados, participar do debate oral e arrazoar os recur- sos interpostos peloMinistério Público, ou por ele próprio, nos casos dos arts. 584, § 1o, e 598. 12. D. Acerca da citação, na hipótese de o réu estar no estran- geiro, em local sabido, será sempre citado por carta roga- tória, mesmo que a infração penal seja afiançável. Sobre a citação, dispõe o CPP: Art. 368. Estando o acusado no estrangeiro, em lugar sa- bido, será citado mediante carta rogatória, suspendendo-se o curso do prazo de prescrição até o seu cumprimento. 8 NOÇÕES DE PROCESSO PENAL EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES SOBRE: DIREITO PROCESSUAL PENAL 1. (PM/GO - Soldado da Polícia Militar - FUNCAB/2010) A respeito dos sistemas processuais existentes no Processo Penal, pode-se afirmar que: A) o sistema inquisitivo rege o processo penal brasileiro, com a concentração das funções acusatória, de defesa e julgadora na mesma pessoa, o Juiz acusador. B) o sistema acusatório caracteriza-se pela divisão das funções acusatória, de defesa e julgadora em diferentes personagens, sendo o Juiz imparcial. C) o inquérito policial, apesar de não ser um processo, obedece às regras e aos princípios do sistema acusatório, com a garantia da ampla defesa e do contraditório. D) o sistema processual inquisitivo tem como característica marcante a oralidade e a publicidade. E) o sistema acusatório caracteriza-se por ser eminentemente escrito e secreto. O sistema inquisitivo é caracterizado pela concentração de poder nas mãos do julgador, que exerce, também, a função de acusador; a confissão do réu é considerada a rainha das provas; não há debates orais, predominando procedimentos exclusivamente escritos, o procedimento é sigiloso; há ausência do contraditório e a defesa é meramente decorativa. Por outro lado, o sistema acusatório possui nítida separação entre o órgão acusador e o julgador; há liberdade de acusação, reconhecido o direito de defesa e a isonomia entre as partes no processo; vigora a publicidade do procedimento; o contraditório está presente; existe a possibilidade de recusa do julgador; há livre sistema de produção de provas. Desta forma, ressaltadas as principais características destes sistemas a resposta que esta de acordo com o exposto é a alternativa “B”. RESPOSTA: “B”. 2. (MPE/AC - Analista Processual - Direito - FMPRS/2013) Assinale a alternativa correta. A) A legislação brasileira adota expressamente o sistema acusatório, em razão de não prever a investigação criminal realizada por magistrados. B) A legislação brasileira adota expressamente o sistema acusatório, em razão de prever a possibilidade tribunais populares exercerem a jurisdição criminal nos crimes contra a vida. C) A legislação brasileira adota expressamente o sistema inquisitivo, em razão de prever a investigação criminal realizada por magistrados. D) A legislação brasileira adota expressamente o sistema misto, em razão de a investigação criminal estar confiada à polícia judiciária. E) A legislação brasileira não adota expressamente qualquer sistema processual penal. Os sistemas processuais são os diferentes conjuntos de normas adotados por cada ordenamento para disciplinar o transcorrer de sua marcha procedimental. Basicamente existem três sistemas processuais, o Sistema inquisitivo: nele não há contraditório nem ampla defesa; quem acusa e quem julga são as mesmas pessoas; o Sistema acusatório: onde o processo é público, como meio de impedir que abusos sejam praticados; são assegurados os princípios do contraditório e ampla defesa; adota-se o sistema da livre apreciação da prova e o Sistema misto: neste sistema há uma fase de investigação preliminar (conduzida pela polícia judiciária); uma fase de instrução preparatória (patrocinada pelo juiz instrutor); uma fase de julgamento (somente aqui incidiriam o contraditório e a ampla defesa); e uma fase de recurso (em que se pode utilizar o “recurso de cassação”, para impugnar apenas questões de direito, como o “recurso de apelação”, para impugnar questões de fato e de direito). Embora seja o sistema adotado no Brasil o Sistema acusatório, não existe na legislação brasileira de forma expressa qualquer previsão neste sentido, razão pela qual a alternativa correta é a letra “E”. RESPOSTA: “E”. 3. (Polícia Militar/GO - Soldado - UEG/2013) No sistema acusatório, A) um único órgão de jurisdição preside a fase de investigação, acusação e julgamento do processo. B) o acusado é mero objeto do processo, não lhe sendo garantidos direitos. C) as partes se encontram em igualdade de posições e, a ambas, um juiz imparcial e equidistante se sobrepõe. D) não há contraditório. No sistema acusatório há distribuição das funções de acusar, defender e julgar a órgãos distintos, onde se pressupõe as seguintes garantias constitucionais: da tutela jurisdicional, do devido processo legal, da garantia de acesso à justiça, da garantia do juiz natural, do tratamento paritário das partes, do contraditório, da ampla defesa, da publicidade dos atos processuais e motivação dos atos decisórios, bem como da presunção de inocência e da garantia da dignidade da pessoa humana. RESPOSTA: “C”. 4. (MPE/MA - Promotor Substituto - MPE/MA/2014) É consentâneo com o sistema inquisitorial de processo penal, exceto: A) Sigilo dos atos processuais; B) Suscetibilidade de início do processo por meio de denúncia anônima; C) Incumbência de formular a acusação não individualizada; D) Arguição de suspeição do juiz; E) Defesa técnica decorativa. Geralmente nas questões de concurso relacionadas à área do Direito, as Bancas examinadoras se utilizam de uma linguagem mais formal, onde na maioria das vezes algo que é simples acaba se tornando complexo. Exemplo claro é o exercício acima, “consentâneo”, neste contexto nada mais é do que “condizente”, “próprio” do sistema inquisitorial. Desta forma, cabe ao candidato considerar quais das alternativas não se enquadram com as particularidades do mencionado sistema processual penal. 9 NOÇÕES DE PROCESSO PENAL O sistema inquisitorial é sigiloso, sempre escrito, não existe o contraditório e reúne na mesma pessoa às funções de acusar, defender e julgar. O réu é visto nesse sistema como mero objeto da persecução, com isso garantias que visam resguardar os direitos do acusado, como a “arguição de suspeição do juiz”, não são próprias deste sistema. RESPOSTA: “D”. 5. (PM/GO - Soldado da Polícia Militar - FUNCAB/2010) São princípios que regem o processo penal brasileiro, EXCETO: A) Ampla defesa. B) Duração razoável do processo C) Juiz natural. D) Oralidade. E) Sigilo A publicidade é uma garantia para o indivíduo e para a sociedade decorrente do próprio princípio democrático. O princípio da publicidade dos atos processuais, profundamente ligado à humanização do processo penal, contrapõe-se ao procedimento secreto, característica do sistema inquisitório. É ele regra em nosso direito e foi elevado a categoria constitucional pelo artigo 5º, LX, da Constituição Federal: “A lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem”. Desta forma, o sigilo não está dentre os princípios que regem o processo penal brasileiro, sendo que neste impera a publicidade. RESPOSTA: “E”. 6. (STM - ANALISTA JUDICIÁRIO - CESPE/2011) Acerca dos princípios gerais do processo penal, julgue o item a seguir: O processo penal brasileiro não adota o princípio da identidade física do juiz em face da complexidade dos atos processuais e da longa duração dos procedimentos, o que inviabiliza a vinculação do juiz que presidiu a instrução à prolação da sentença. A) CERTO B) ERRADO O processo penal brasileiro adota desde a vigência da Lei nº 11.719/2008, que deu nova redação ao artigo 399, §2º, do Código de ProcessoPenal, o princípio da identidade física do juiz. Tal princípio determina que o juiz de direito que presidir e concluir a audiência de instrução e julgamento deverá ser o mesmo que irá julgar a causa. RESPOSTA: “B”. 7. (STM - ANALISTA JUDICIÁRIO - CESPE/2011) Acerca dos princípios gerais do processo penal, julgue o item a seguir: A adoção do princípio da inércia no processo penal brasileiro não permite que o juiz determine, de ofício, diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante dos autos. A) CERTO B) ERRADO O princípio da inércia é um preceito próprio do processo civil e vai totalmente contra a sistemática do processo penal, tendo em vista que um dos princípios primordiais procedimento é o da verdade real, no qual o juiz tem o dever de investigar como os fatos se passaram na realidade, não se conformando com a verdade formal constante dos autos. RESPOSTA: “B”. 8. (TJ/AC - Técnico Judiciário - Área Judiciária - CESPE/2012) Acerca dos princípios aplicáveis ao direito processual penal e da aplicação da lei processual no tempo e no espaço, julgue os itens seguintes. O princípio da presunção de inocência ou da não culpabilidade subsiste durante todo o processo e tem o objetivo de garantir o ônus da prova à acusação até declaração final de responsabilidade por sentença penal condenatória transitada em julgado. A) CERTO B) ERRADO O princípio da presunção de inocência é uma garantia processual atribuída ao acusado pela prática de uma infração penal, oferecendo-lhe a prerrogativa de não ser considerado culpado por um ato delituoso até que a sentença penal condenatória transite em julgado, cabendo a acusação provar o contrário. Está previsto na Constituição Federal de 1988 em seu artigo 5º, LVII, nestes termos: “Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória”. RESPOSTA: “A”. 9. (TJ/AC - Técnico Judiciário - Área Judiciária - CESPE/2012) Acerca dos princípios aplicáveis ao direito processual penal e da aplicação da lei processual no tempo e no espaço, julgue o item seguinte. É assegurado, de forma expressa, na norma fundamental, o direito de qualquer acusado à plenitude de defesa em toda e qualquer espécie de procedimento criminal. A) CERTO B) ERRADO O princípio da plenitude de defesa é assegurado ao acusado, de forma expressa, na Constituição Federal de 1988, apenas para o procedimento do Júri, em seu artigo 5º, inciso XXXVIII, alínea “a”, não sendo cabível em outros procedimentos criminais. RESPOSTA: “B”. 10 NOÇÕES DE PROCESSO PENAL 10. (DPE/MS - Defensor Público - VUNESP/2012) No que se refere aos princípios constitucionais e infraconstitucionais aplicáveis ao processo penal, é correto afirmar que: A) no processo penal que visa apurar crimes societários, a inexistência de descrição, na denúncia, do vínculo entre o denunciado e a empreitada criminosa a ele imputada, caracteriza-se, conforme causa de decretação de nulidade do processo já reconhecida pelo STJ, como violação ao princípio constitucional da ampla defesa. B) o princípio da economia processual e do tempus regit actum afasta eventual alegação de nulidade decorrente da não observância, na audiência de inquirição de testemunhas realizada no ano de 2009, do sistema adversarial anglo-americano, consistente primeiramente no direct examination – por parte de quem arrolou – e posteriormente no cross-examination – pela parte contrária – cabendo ao magistrado apenas a complementação da inquirição sobre os pontos não esclarecidos, ao final, caso entenda necessário. C) o reconhecimento por uma instância superior da mera deficiência de defesa técnica processual em favor de um condenado pela prática do crime de falsidade ideológica em primeira instância acarreta, segundo entendimento sumulado pelo STF, a imediata declaração de nulidade da condenação. D) uma pessoa condenada no ano de 2010 a 23 anos de reclusão pelo crime de homicídio tem direito à interposição do recurso denominado “protesto por novo júri” em virtude do crime a ela imputado ter sido praticado em 2006. Nos chamados crimes societários, não se admite a “denúncia fictícia”, sem apoio na prova e sem a demonstração da participação do denunciado na prática tida por criminosa. Assim, a inexistência de descrição, na denúncia, do vínculo entre o denunciado e a empreitada criminosa a ele imputada, caracteriza-se, como causa de decretação de nulidade do processo, pois fere o princípio da ampla defesa que prevê que para seu exercício é necessário o réu ter ciência daquilo que esta sendo acusado para poder se defender. RESPOSTA: “A”. 11. (TJ/RO - Analista Judiciário - Analista Processual - CESPE/2012) A respeito dos princípios gerais e informadores do processo penal, assinale a opção correta. A) Não há previsão legal do contraditório na fase de investigação e a sua inexistência não configura violação à Constituição Federal (CF). B) Em determinados crimes é permitido ao juiz a iniciativa da ação penal condenatória, como no caso de procedimentos especiais, a exemplo do processo e julgamento dos crimes de falência. C) A exigência de sigilo das investigações prevista no Código de Processo Penal (CPP) impede, de forma absoluta, o acesso aos autos a quem quer que seja, sempre que houver risco ao bom andamento das investigações. D) O princípio da obrigatoriedade nas ações penais públicas se estende ao procedimento relativo aos juizados especiais criminais, porquanto, desde que convencido da existência do crime, deve o MP, obrigatoriamente, submeter a questão penal ao exame do Poder Judiciário. E) No conflito entre o jus puniendi do Estado, de um lado, e o jus libertatis do acusado, a balança deve se inclinar a favor do primeiro, porquanto prevalece, em casos tais, o interesse público. O princípio do contraditório não se aplica no inquérito policial (fase de investigação) que não é, em sentido estrito, “instrução”, mas colheita de elementos que possibilitem a instauração do processo. A Constituição Federal apenas assegura o contraditório na “instrução criminal” e o vigente Código de Processo Penal distingue perfeitamente esta do inquérito policial. RESPOSTA: “A”. 12. (Polícia Militar/GO - Soldado - UEG/2013) É princípio fundamental do processo penal: A) princípio da verdade formal. B) princípio da defesa limitada. C) princípio da sigilosidade processual. D) princípio da presunção da não culpabilidade. A alternativa “A”, “B” e “C” estão erradas, pois os princípios mencionados são justamente o oposto dos princípios fundamentais do processo penal. Assim, onde menciona o princípio da “verdade formal”, seria o da “verdade real”; onde menciona o princípio da “defesa limitada”, seria o da “ampla defesa”; onde menciona o princípio da “sigilosidade processual”, seria o da “publicidade”. Desta forma, resta apenas como correta a alternativa “D”. RESPOSTA: “D”. 13. (TJ/RJ - Juiz - VUNESP/2013) A doutrina é unânime ao apontar que os princípios constitucionais, em especial os relacionados ao processo penal, além de revelar o modelo de Estado escolhido pelos cidadãos, servem como meios de proteção da dignidade humana. Referidos princípios podem se apresentar de forma explícita ou implícita, sem diferença quanto ao grau de importância. São princípios constitucionais explícitos: A) juiz natural, vedação das provas ilícitas e promotor natural. B) devido processo legal, contraditório e duplo grau de jurisdição. C) ampla defesa, estado de inocência e verdade real. D) contraditório, juiz natural e soberania dos veredictos do Júri. Estão previstos na Constituição Federal de 1988, dentre outros, os princípios do contraditório (artigo 5º, LV); do juiz natural (artigo 5º, XXXVII) e soberania dos veredictosdo Júri (artigo 5º, XXXVIII, “c”). RESPOSTA: “D”. 11 NOÇÕES DE PROCESSO PENAL 14. (TJ/AM – Analista Judiciário II – Oficial de Justiça Avaliador – FGV/2013) O princípio da imparcialidade impõe sobre o Estado-juiz a exigência de uma prestação jurisdicional imparcial, podendo ser considerado um dos pilares do sistema acusatório. Para garantir o respeito ao princípio, o Código de Processo Penal prevê as situações de suspeição do juiz, relacionadas a seguir, à exceção de uma. Assinale-a. A) Se tiver funcionado como juiz de outra ins- tância, pronunciando-se, de fato ou de direito, so- bre a questão. B) Se for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer das partes. C) Se tiver aconselhado qualquer das partes. D) Se for sócio, acionista ou administrador de socie- dade interessada no processo. (E) Se ele, seu cônjuge, ascendente ou descen- dente, estiver respondendo a processo por fato análo- go, sobre cujo caráter criminoso haja controvérsia. Dentre as causas de suspeição prevista no artigo 254 do CPP, O juiz não se dará por suspeito, se tiver funcionado como juiz de outra instância, pronunciando-se, de fato ou de direito, sobre a questão. Tal hipótese é de impedimento e o juiz não poderá exercer a jurisdição neste processo. RESPOSTA: “A”. 15. (TJ/PE - Analista Judiciário - Administrativa - FCC /2012) A respeito da aplicação da lei processual no espaço, considere: I. embarcações brasileiras de natureza pública, onde quer que se encontrarem. II. aeronaves brasileiras a serviço do governo brasileiro, onde quer que se encontrem. III. embarcações brasileiras mercantes ou de propriedade privada, que se acharem em alto mar. IV. aeronaves brasileiras mercantes ou de propriedade privada que se acharem no espaço aéreo brasileiro. V. embarcações brasileiras mercantes ou de propriedade privada, que se acharem no espaço aéreo de outro país. Considera-se território brasileiro por extensão as indicadas APENAS em A) I e V. B) III e IV. C) II e III. D) I, II, IV e V. E) I, II, III e IV. Nos termos do artigo 1º, caput, do Código de Processo Penal, o processo penal é regido “em todo o território brasileiro” por este estatuto, princípio que se aplica, salvo disposição em contrário, às leis extravagantes. Podemos definir como território nacional, em sentido estrito, o solo (e subsolo), as águas interiores, o mar territorial, a plataforma continental e o espaço aéreo, com limites reconhecidos, sendo considerado o território por extensão (ou ficção) para efeitos penais e processuais, conforme o disposto no artigo 5º, §1º, do Código Penal, as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro, onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem em alto mar ou no espaço aéreo correspondente. RESPOSTA: “E”. 16. (TRE/CE - Analista Judiciário - Administrativa - FCC/2012) Mário comete um crime de homicídio a bordo de um navio brasileiro de grande porte em alto mar, que faz o trajeto direto entre Santos (São Paulo/ Brasil) e Cape Town (África do Sul) e será processado e julgado pela justiça. A) da comarca de São Paulo, Capital do Estado de São Paulo, de onde o navio partiu. B) da Capital Federal do Brasil (Brasília), pois o crime ocorreu em alto mar. C) da África do Sul, em Cape Town, primeiro porto que tocará a embarcação após o crime, pois este foi cometido em alto mar, em águas internacionais. D) da comarca de Santos, último porto que tocou. E) da África do Sul, na cidade de Bloemfontein, capital judiciária do país. As embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada que se encontram em alto mar são consideradas como extensão do território nacional, desta forma, o homicídio praticado por Mário será julgado de acordo com a legislação do Brasil, sendo a comarca responsável para elucidação do fato a última em que estava a embarcação (art. 89 do CPP). Resposta: “D”. 17. (MPE/AL - Promotor de Justiça - FCC/2012) De acordo com o Código de Processo Penal, a lei processual penal A) retroage para invalidar os atos praticados sob a vigência da lei anterior, se mais benéfica. B) não admite aplicação analógica. C) admite suplemento dos princípios vitais de direito. D) admite interpretação extensiva, mas não suplemento dos princípios gerais de direito. E) admite aplicação analógica, mas não interpretação extensiva. Os princípios são de suma importância no ordenamento jurídico brasileiro constituindo ideias gerais e abstratas, que expressam, em menor ou maiores escala todas as normas que compõem a seara do direito. Neste sentido, a lei processual penal admite ser complementada com os princípios vitais de direito, servindo estes ainda como uma de suas fontes formais, servindo para suprir lacunas e omissões da lei. RESPOSTA: “C”. 12 NOÇÕES DE PROCESSO PENAL 18. (TJ/AC - Técnico Judiciário Área Judiciária - CESPE/2012) Acerca dos princípios aplicáveis ao direito processual penal e da aplicação da lei processual no tempo e no espaço, julgue o item seguinte. A extraterritorialidade da lei processual penal brasileira ocorrerá apenas nos crimes perpetrados, ainda que no estrangeiro, contra a vida ou a liberdade do presidente da República e contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de estado, de território e de município. A) Certo B) Errado Nos termos do artigo 1º do Código de Processo Penal, o processo penal é regido “em todo o território brasileiro” por este estatuto, princípio que se aplica, salvo disposição em contrário às leis processuais extravagantes. O princípio da territorialidade é fixado, como regra em nosso Código Penal, porém, seguindo a tendência geral das legislações modernas, abre várias exceções a esse princípio, determinando a aplicação da lei penal brasileira a certos fatos praticados no estrangeiro, conforme o disposto no artigo 7º deste Diploma legal. A extraterritorialidade ocorrerá, nos seguintes casos: crimes contra a vida ou a liberdade do Presidente da República; crimes contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público; crimes contra a administração pública, por quem está a seu serviço; crimes de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil; e ainda, crimes que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir; crimes praticados por brasileiro; crimes praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados. RESPOSTA: “B”. 19. (TRE/MS - Analista Judiciário - Área Judiciária - CESPE/2013) No que diz respeito à aplicação da lei processual no tempo, no espaço e em relação às pessoas, assinale a opção correta. A) Por força do princípio tempus regit actum, o fato de lei nova suprimir determinado recurso, existente em legislação anterior, não afasta o direito à recorribilidade subsistente pela lei anterior, quando o julgamento tiver ocorrido antes da entrada em vigor da lei nova. B) A nova lei processual penal aplicar-se-á imediatamente, invalidando os atos realizados sob a vigência da lei anterior que com ela for incompatível. C) O princípio da imediatidade da lei processual penal abarca o transcurso do prazo processual iniciado sob a égide da legislação anterior, ainda que mais gravosa ao réu. D) A lei processual penal posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplicar-se-á aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado. E)De acordo com o princípio da territorialidade, aplica-se a lei processual penal brasileira a todo delito ocorrido em território nacional, sem exceção, em vista do princípio da igualdade estabelecido na Constituição Federal de 1988. De acordo com o artigo 2º do CPP, “a lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior”. Assim, vige no processo penal o princípio tempus regit actum, do qual derivam dois efeitos: a) os atos processuais praticados sob a égide da lei anterior se consideram válidos; b) as normas processuais tem aplicação imediata, regulando o desenrolar do processo. RESPOSTA: “A”. 20. (TJ/PE - Titular de Serviços de Notas e de Registros - FCC/2013) Sobre a aplicação da lei processual penal e a interpretação no processo penal, é INCORRETO afirmar: A) A legislação brasileira segue o princípio da territorialidade para a aplicação das normas processuais penais. B) O princípio da territorialidade na aplicação da lei processual penal brasileira pode ser ressalvado por tratados, convenções e regras de direito internacional. C) A lei processual penal aplica-se desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior. D) A norma processual penal mista constitui exceção à regra da irretroatividade da lei processual penal. E) No processo penal, assim como no direito penal, é sempre admitida a interpretação extensiva e aplicação analógica das normas. Na interpretação extensiva amplia-se o significado do que está previsto de forma expressa na lei. A lei processual admite interpretação extensiva, segue-se que o rigor de interpretar o direito penal não se aplica ao processo penal. Todavia, o preceito não é absoluto, existindo exceções a regras gerais, de dispositivos restritivos da liberdade pessoal e que afetem direito substancial do acusado, onde o texto deverá ser rigorosamente interpretado. RESPOSTA: “E”. 21. (OAB - Exame de Ordem Unificado - XI - Primeira Fase - FGV/2013) Em um processo em que se apura a prática dos delitos de supressão de tributo e evasão de divisas, o Juiz Federal da 4ª Vara Federal Criminal de Arroizinho determina a expedição de carta rogatória para os Estados Unidos da América, a fim de que seja interrogado o réu Mário. Em cumprimento à carta, o tribunal americano realiza o interrogatório do réu e devolve o procedimento à Justiça Brasileira, a 4ª Vara Federal Criminal. O advogado de defesa de Mário, ao se deparar com o teor do ato praticado, requer que o mesmo seja declarado nulo, tendo em vista que não foram obedecidas as garantias processuais brasileiras para o réu. Exclusivamente sobre o ponto de vista da Lei Processual no Espaço, a alegação do advogado está correta? 13 NOÇÕES DE PROCESSO PENAL A) Sim, pois no processo penal vigora o princípio da extraterritorialidade, já que as normas processuais brasileiras podem ser aplicadas fora do território nacional. B) Não, pois no processo penal vigora o princípio da territorialidade, já que as normas processuais brasileiras só se aplicam no território nacional. C) Sim, pois no processo penal vigora o princípio da territorialidade, já que as normas processuais brasileiras podem ser aplicadas em qualquer território. D) Não, pois no processo penal vigora o princípio da extraterritorialidade, já que as normas processuais brasileiras podem ser aplicas fora no território nacional. Antes de responder a questão importante observar que enunciado desta pede que se considere apenas a aplicação da norma processual no espaço. De acordo com este instituto vigora o princípio da absoluta territorialidade não podendo a lei processual brasileira ser aplicada fora do território nacional. Assim, a lei processual brasileira só vale dentro dos limites territoriais nacionais (lex fori ou locus regit actum). Se o processo tiver tramitação no estrangeiro, aplicar-se-á a lei do país em que os atos processuais forem praticados. Desta forma, não é cabível a nulidade arguida pelo advogado. RESPOSTA: “B”. 22. (DEPEN - Agente Penitenciário - CESPE/2013) Julgue o item a seguir. Aos crimes militares aplicam-se as mesmas disposições do Código de Processo Penal, excluídas as normas de conteúdo penal que tratam de matéria específica diversa do direito penal comum. A) Certo B) Errado O artigo 1º do Código de Processo Penal menciona algumas ressalvas a aplicação da territorialidade. Embora pareça que as ressalvas sejam exceções à territorialidade da lei processual penal brasileira, estas são apenas à territorialidade do Código de Processo Penal, impondo, tendo em vista as peculiaridades do direito a aplicação de normas processuais positivadas na Constituição Federal e em leis extravagantes. É o que acontece com os crimes de responsabilidade; crimes militares; eleitorais; falimentares; de entorpecentes; na contravenção do jogo do bicho; nas infrações de menor potencial ofensivo, etc. Desta forma, incorreta a afirmativa ao mencionar que aos crimes militares aplicam-se as mesmas disposições do Código de Processo Penal. RESPOSTA: “B”. 23. (DEPEN - Agente Penitenciário - CESPE/2013) Julgue o item a seguir. A competência do Senado Federal para o julgamento do presidente da República nos crimes de responsabilidade constitui exceção ao princípio, segundo o qual devem ser aplicadas as normas processuais penais brasileiras aos crimes cometidos no território nacional. A) Certo B) Errado Considerando as peculiaridades do direito a aplicação de outras normas processuais positivadas na Constituição, compete privativamente ao Senado Federal o julgamento do Presidente da República nos crimes de responsabilidade, nos termos do que prevê o artigo 52, I, da CF. Outrossim, a exceção ao princípio da territorialidade nos crimes de responsabilidade está consubstanciada no artigo 1º, II, do CPP. RESPOSTA: “A”. 24. (DEPEN - Agente Penitenciário - CESPE/2013) Julgue o item a seguir. Em regra, a norma processual penal prevista em tratado e(ou) convenção internacional, cuja vigência tenha sido regularmente admitida no ordenamento jurídico brasileiro, tem aplicação independentemente do Código de Processo Penal. A) Certo B) Errado Uma vez regularmente incorporada ao ordenamento jurídico, a norma processual penal prevista em tratado ou convenção internacional aplicar-se-á independentemente do Código de Processo Penal, conforme se extrai do art. 1º, I, do CPP. RESPOSTA: “A”. 25. (DEPEN - Agente Penitenciário - CESPE/2013) Julgue o item a seguir. Considere que, diante de uma sentença condenatória e no curso do prazo recursal, uma nova lei processual penal tenha entrado em vigor, com previsão de prazo para a interposição do recurso diferente do anterior. Nessa situação, deverá ser obedecido o prazo estabelecido pela lei anterior, porque o ato processual já estava em curso. A) Certo B) Errado O ato processual é regido de acordo com a lei processual que estiver em vigor no momento. Os atos processuais realizados sob a égide da lei anterior são considerados válidos e não são atingidos pela nova lei processual, a qual vige dali em diante. RESPOSTA: “A”. 14 NOÇÕES DE PROCESSO PENAL 26. (OAB - Exame de Ordem Unificado - XI - Primeira Fase - FGV/2013) A Lei n. 9.099/95 modificou a espécie de ação penal para os crimes de lesão corporal leve e culposa. De acordo com o Art. 88 da referida lei, tais delitos passaram a ser de ação penal pública condicionada à representação. Tratando-se de questão relativa à Lei Processual Penal no Tempo, assinale a alternativa que corretamente expõe a regra a ser aplicada para processos em curso que não haviam transitado em julgado quando da alteração legislativa. A) Aplica-se a regrado Direito Penal de retroagir a lei, por ser norma mais benigna. B) Aplica-se a regra do Direito Processual de imediatidade, em que a lei é aplicada no momento em que entra em vigor, sem que se questione se mais gravosa ou não. C) Aplica-se a regra do Direito Penal de irretroatividade da lei, por ser norma mais gravosa. D) Aplica-se a regra do Direito Processual de imediatidade, em que a lei é aplicada no momento em que entra em vigor, devendo-se questionar se a novatio legis é mais gravosa ou não. Anteriormente a alteração trazida pela Lei nº 9.099/95 os crimes de lesão corporal leve e culposa eram propostos por meio de ação penal pública incondicionada. Outrossim, com a modificação estes delitos passaram a ser processados somente mediante ação penal pública condicionada à representação, sendo que, com isso esta norma é considerada mais benigna, tendo em vista que a ausência de representação é causa de impossibilidade do prosseguimento da ação. Assim, diante dos preceitos esculpidos acerca da aplicabilidade da norma penal no tempo esta pode ser aplicada retroativamente desde que mais benéfica (princípio da reatroatividade da lei penal mais benéfica). RESPOSTA: “A”. 27. (PC/SC - ESCRIVÃO - ACAFE/2010) Assinale a alternativa correta que completa o enunciado a seguir: Nos termos do Código de Processo Penal brasileiro a reprodução simulada dos fatos, no inquérito policial (...): A) somente poderá ser determinada pela autoridade judicial e a requerimento das partes, com o objetivo de verificar a possibilidade de ter a infração sido praticada de determinado modo, desde que esta não contrarie a moralidade ou a ordem pública. B) poderá ser determinada pela autoridade policial com o objetivo de verificar a possibilidade de ter a infração sido praticada de determinado modo, desde que esta não contrarie a moralidade ou a ordem pública. C) somente poderá ser ordenada pelo órgão do Ministério Público, o dominus litis, com o objetivo de verificar a possibilidade de ter a infração sido praticada de determinado modo, desde que esta não contrarie a moralidade ou a ordem pública. D) somente poderá ser determinada pela autoridade policial, em crimes dolosos contra a vida ou dos quais resulte morte, com o objetivo de verificar a possibilidade de ter a infração sido praticada de determinado modo, desde que esta não contrarie a moralidade ou a ordem pública. Para verificar a possibilidade de haver a infração sido praticada de determinado modo, a autoridade policial poderá proceder à reprodução simulada dos fatos, desde que esta não contrarie a moralidade ou a ordem pública (art. 7º, CPP). Vê-se que a alternativa que melhor reproduz o contido no comando legal é a letra “B”. RESPOSTA: “B”. 28. (SEJUS/PI - Agente Penitenciário – NUCEPE/2010) Sobre inquérito policial, assinale a alternativa INCORRETA. A) Para os delitos previstos na lei de entorpecentes (Lei nº11.343/06), o prazo para a conclusão do inquérito será de 30 dias se o indiciado estiver preso e de 90 dias se estiver solto. B) O Ministério Público poderá oferecer denúncia sem prévio inquérito policial ou peças de Informação. C) Há normas que disciplinam o tempo de determinados atos que integram o inquérito policial, como aqueles que limitam direitos fundamentais. D) O inquérito policial é unidirecional, não cabendo à autoridade policial emitir juízo de valor acerca do fato delituoso. E) “Função endoprocedimental do inquérito policial”, diz respeito à sua eficácia interna na fase processual, servindo para fundamentar as decisões interlocutórias tomadas no seu curso. Para que o Ministério Público ofereça a denuncia de maneira válida a produzir seus efeitos é necessário que diante dos elementos contidos no inquérito policial, ou mediante outras peças informativas, verifique a existência de fato que, em tese, caracterize crime e indícios de autoria, formando assim sua convicção, denominada opinio delicti, iniciando a ação penal pública. Desta forma, a alternativa incorreta é a letra “B”. RESPOSTA: “B”. Noções de Processo Penal