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Material de Apoio   Direito Penal   Crimes em Espécie   Material Extra

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ALGUNS CRIMES EM ESPÉCIE 
01) HOMICÍDIO
I) CONCEITO
O homicídio consiste na eliminação da vida humana extrauterina provocada por 
outra pessoa. A eliminação da vida intrauterina (feto) caracteriza o delito de aborto. 
II) MEIOS DE EXECUÇÃO
O crime de homicídio por ser praticado por ação ou omissão, como, por exemplo, 
no caso da mãe que deixa de alimentar o filho, causando-lhe a morte. 
Todavia, se o meio de execução é absolutamente ineficaz para produzir o resultado, 
caracteriza a hipótese de crime impossível, previsto no artigo 17 do Código Penal. 
Ex: o agente buscar ceifar a vida da vítima com simulacro de arma de fogo (arma 
de brinquedo); se a perícia constatar que a arma era totalmente inapta a desferir disparos por algum defeito; 
arma descarregada, sem que haja munição para carregá-la ao alcance do agente. 
De outro lado, se o revólver estava carregado com balas velhas ou que falham, que 
podem ou não disparar, o meio utilizado é relativamente ineficaz para produzir o resultado, podendo, nesse 
caso, caracterizar a tentativa de homicídio. 
III) HOMICÍDIO PRIVILEGIADO – Art. 121, § 1º
O art. 121, § 1º, do CP, descreve o homicídio privilegiado como o fato de o sujeito 
cometer o delito impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, 
logo em seguida a injusta provocação da vítima. Neste caso, o juiz pode reduzir a pena de 1/6 a 1/3. 
a) Motivo de relevante valor social
Ocorre quando a causa do delito diz respeito a um interesse coletivo. A conduta, 
então, é ditada em face de um interesse que diz respeito a todos os cidadãos de uma coletividade. 
Ex: pai desesperado pelo vício que impregna seu filho e vários outros alunos, mata 
um traficante que distribui drogas num colégio, sem qualquer ação eficaz da polícia para contê-lo. 
b) Motivo de relevante valor moral
Diz respeito a um interesse particular, interesse de ordem pessoal. 
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Será motivo de relevante valor moral aquele que, em si mesmo, é aprovado pela 
ordem moral, pela moral prática, como, por exemplo, a compaixão ou piedade ante o irremediável sofrimento 
da vítima. 
c) Sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima
A última figura típica privilegiada descreve o homicídio cometido pelo sujeito sob o 
domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação do ofendido. 
Além da violência emocional, é fundamental que a provocação tenha partido da 
própria vítima e seja injusta, o que não significa, necessariamente, antijurídica, mas quer dizer não justificada, 
não permitida, não autorizada por lei, ou, em outros termos, ilícita. 
Ex: Decidiram-se jurados e tribunais pela ocorrência de homicídio privilegiado na 
conduta de réu cuja filha menor fora seduzida e corrompida por seu ex-empregador; do que fora provocado 
e mesmo agredido momentos antes pela vítima. 
O texto legal exige, ainda, que o impulso emocional e o ato dele resultante sigam-
se imediatamente à provocação da vítima, ou seja, tem de haver a imediatidade entre a provocação injusta e 
a conduta do sujeito. 
IV) HOMICÍDIO PRIVILEGIADO-QUALIFICADO
Em regra, PODE-SE ACEITAR A EXISTÊNCIA CONCOMITANTE DE QUALIFICADORAS 
OBJETIVAS COM AS CIRCUNSTÂNCIAS LEGAIS DO PRIVILÉGIO, QUE SÃO DE ORDEM SUBJETIVA (motivo de 
relevante valor e domínio de violenta emoção). 
V) HOMICÍDIO QUALIFICADO – Art. 121, § 2º
A) MEDIANTE PAGA OU PROMESSA DE RECOMPENSA, OU POR OUTRO MOTIVO TORPE
B) MOTIVO FÚTIL
C) COM EMPREGO DE VENENO, FOGO, EXPLOSIVO, ASFIXIA, TORTURA OU OUTRO MEIO
INSIDIOSO OU CRUEL, OU DE QUE POSSA RESULTAR PERIGO COMUM
D) À TRAIÇÃO, DE EMBOSCADA, OU MEDIANTE DISSIMULAÇÃO OU OUTRO RECURSO QUE
DIFICULTE OU TORNE IMPOSSÍVEL A DEFESA DO OFENDIDO;
Cuida-se de qualificadora objetiva, pois diz respeito ao modo de execução do crime. 
Neste inciso temos recursos obstativos à defesa do sujeito passivo, que comprometem total ou parcialmente 
o seu potencial defensivo.
E) PARA ASSEGURAR A EXECUÇÃO, A OCULTAÇÃO, A IMPUNIDADE OU VANTAGEM DE OUTRO
CRIME:
Constituem qualificadoras subjetivas, na medida em que dizem respeito aos motivos 
determinantes do crime. 
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VI) FEMINICÍDIO (INCLUÍDO PELA LEI Nº 13.104, DE 2015)
A partir da edição da Lei nº 13.104/2015, o crime de homicídio passou a ser 
qualificado também se praticado: 
VI - contra a mulher por razões da condição de sexo feminino: 
(Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015) 
(...) 
§ 2o-A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime
envolve:
I - violência doméstica e familiar 
II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher. 
§ 7o A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime
for praticado:
I - durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto; 
II - contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos ou com 
deficiência 
III - na presença de descendente ou de ascendente da vítima. 
VII) HOMICÍDIO CULPOSO – Art. 121, § 3º
A) Conceito
É um tipo penal aberto, que depende, pois, da interpretação do juiz para poder ser 
aplicado. A culpa, conforme o artigo 18, II, do CP, é constituída de “imprudência, negligência ou imperícia”. 
Portanto, matar alguém por imprudência, negligência ou imperícia concretiza o tipo penal incriminador do 
homicídio culposo. 
a) Imprudência
A imprudência é a prática de um fato perigoso. Consiste na violação das regras de 
conduta ensinadas pela experiência. É o atuar sem precaução, precipitado, imponderado. Há sempre um 
comportamento positivo. 
Ex: Ao manejar arma carregada para limpá-la, o agente aciona, imprudentemente, 
o gatilho e mata uma pessoa que está ao seu lado.
b) Negligência
A negligência é a ausência de precaução ou indiferença em relação ao ato realizado. 
É a culpa na sua forma omissiva. O negligente deixa de tomar, antes de agir, as cautelas que deveria. 
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Ex. deixar criança de tenra idade no interior de um veículo, que, algum tempo 
depois, morre asfixiada. 
c) Imperícia 
Imperícia é a falta de aptidão para o exercício de arte ou profissão. A imperícia 
pressupõe que o fato tenha sido cometido no exercício da arte ou profissão. 
Ex: Engenheiro que constrói um prédio cujo material é de baixa qualidade, vindo 
este a desabar e a provocar a morte dos moradores. 
d) Perdão Judicial – art. 121, § 5º 
É a clemência do Estado, que deixa de aplicar a pena prevista para determinados 
delitos, em hipóteses expressamente previstas em lei. 
Somente ao autor do homicídio culposo pode-se aplicar a clemência, desde que ele 
tenha sofrido com o crime praticado uma consequência tão séria e grave que a sanção penal se torne 
desnecessária. 
Ex. o pai que provoca a morte do próprio filho, num acidente fruto de sua 
imprudência, já teve punição mais do que severa. A dor por ele experimentada é mais forte do que qualquer 
pena que se lhe pudesse aplicar. Por isso, surge a hipótese do perdão. O crime existiu, mas a punibilidade é 
afastada. 
 
 
02) INDUZIMENTO AO SUICÍDIO – ART. 122 
I) CONCEITO DE SUICÍDIO 
É a morte voluntária, que resulta, direta ou indiretamente, de um ato positivo ou 
negativo, realizado pela própria vítima, a qual sabia dever produzir este resultado. 
SE O ATO DE DESTRUIÇÃO É PRATICADO PELO PRÓPRIO AGENTE, RESPONDE 
PELO DELITO DE HOMICÍDIO. 
Para que haja o delito de participação em suicídio é necessário que a vítima tenha 
capacidade de resistência. TRATANDO-SE DE ALIENADO MENTAL E CRIANÇA, A AUSÊNCIA DE VONTADE 
VÁLIDA FAZ COM QUE O DELITO SEJA DE HOMICÍDIO. 
II) CONSUMAÇÃO E TENTATIVA 
O crime de participação de induzimento ao suicídio atinge a consumação com a 
morte da vítima (02 a 06 anos) ou lesões corporais de natureza grave (01 a 03 anos). 
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Embora, em tese, fosse possível, por se tratar de crime material, NÃO EXISTE 
TENTATIVA