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Material de Apoio   Direito Penal   Crimes em Espécie   Material Extra

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A tentativa é de difícil ocorrência, mas não é impossível. Basta que haja um iter 
criminis a ser cindido. Ex. solicitação feita por carta, a qual é interceptada pelo chefe de repartição. 
V) CAUSA DE AUMENTO DE PENA – Art. 317, § 1º 
Eleva-se em 1/3 a pena do agente que, em razão da vantagem recebida ou 
prometida, efetivamente retarda (atrasa ou procrastina) ou deixa de praticar (não leva a efeito) ato de ofício 
que lhe competia desempenhar ou termina praticando o ato, mas desrespeitando o dever funcional. É o que 
a doutrina classifica de corrupção exaurida. 
VI) FIGURA PRIVILEGIADA – Art. 317, § 2º 
Trata-se de conduta de menor gravidade, na medida em que o agente pratica, deixa 
de praticar ou retarda o ato de ofício, não em virtude do recebimento de vantagem indevida, mas cedendo a 
pedido ou influência de outrem, isto é, para satisfazer interesse de terceiros ou para agradar ou bajular pessoas 
influentes. 
 
 
 
 
 
Art. 317, CP 
CORRUPÇÃO 
PASSIVA 
SOLICITAR 
RECEBER 
ACEITAR PROMESSA 
CRIME 
FORMAL 
102
26) PREVARICAÇÃO – Art. 319 
 
I) ELEMENTOS DO TIPO. AÇÃO NUCLEAR. OBJETO MATERIAL. 
 
A) RETARDAR: É atrasar, adiar, protelar, procrastinar, não praticar o ato de ofício dentro do prazo 
estabelecido (crime omissivo). 
Ex. atendente de cartório judicial que, devendo expedir alvará de soltura, por não 
simpatizar com o advogado, deixa de fazê-lo com a brevidade que a medida exige. 
 
B) DEIXAR DE PRATICAR: trata-se de mais uma modalidade omissiva do crime em estudo. Aqui, no 
entanto, ao contrário da conduta precedente, há o ânimo definitivo de não praticar o ato de ofício. 
 
C) PRATICAR (contra disposição expressa de lei): cuida-se aqui de conduta comissiva, em que o agente 
efetivamente executa o ato, só que de forma contrária à lei. 
O interesse pessoal é qualquer proveito, vantagem, podendo ser patrimonial ou 
moral. 
Quanto ao interesse patrimonial, importa distinguir algumas situações: 
 
A) se o ato praticado, retardado ou omitido tiver sido objeto de acordo anterior entre 
o funcionário e o particular, visando aquele indevida vantagem, o crime passará a ser outro: corrupção passiva; 
B) se houver, anteriormente à prática ou omissão do ato, a exigência de vantagem 
indevida pelo funcionário público, haverá o crime de concussão. 
* sentimento pessoal: 
Sentimento pessoal reflete um estado afetivo ou emocional do próprio agente, que 
pode manifestar-se em suas mais variadas formas, tais como amor, paixão, emoção, ódio. 
 
27) CORRUPÇÃO ATIVA – Art. 333 
 
I) AÇÃO NUCLEAR 
As ações nucleares do tipo estão consubstanciadas nos verbos: 
OFERECER vantagem indevida, ou seja, propor ou apresentar para que seja aceita; 
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PROMETER vantagem indevida, isto é, comprometer-se, fazer promessa, garantir 
a entrega de algo ao funcionário. 
Por não se tratar de crime bilateral, prescinde-se da aceitação da vantagem pelo 
funcionário público. Caso aceite, o funcionário deverá responder pelo delito de corrupção passiva. 
II) CONSUMAÇÃO E TENTATIVA 
Trata-se de crime formal, uma vez que a consumação se dá com a simples oferta 
ou promessa de vantagem indevida por parte do agente ao funcionário público, isto é, independentemente de 
ele aceitá-la ou recusá-la. Também não é necessário que o funcionário pratique, retarde ou omita o ato de 
ofício de sua competência. 
A tentativa é possível. 
Ex. suponha-se a hipótese em que a correspondência contendo a oferta de dinheiro 
não chega às mãos do funcionário destinatário por ter sido apreendida pela polícia. 
III) CAUSA DE AUMENTO DE PENA – Art. 333, parágrafo único 
Eleva-se a pena em 1/3 quando, em razão da promessa ou da vantagem, o 
funcionário público efetivamente atrasa ou não faz o que deveria, ou mesmo pratica o ato, infringindo dever 
funcional. Nessa hipótese, o crime é material, isto é, exige resultado naturalístico. 
28) DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA – Art. 339 
I) AÇÃO NUCLEAR 
O elemento do tipo “alguém” indica, nitidamente, tratar-se de pessoa certa, não se 
podendo cometer o delito ao indicar para a autoridade policial apenas a materialidade do crime e as várias 
possibilidades de suspeitos. 
Via de regra, a denunciação caluniosa é praticada de forma direta, isto é, o próprio 
agente leva o fato ao conhecimento da autoridade, dando causa à investigação, mas nada impede que 
ela ocorra na forma indireta. 
A imputação deve ser falsa . Assim, temos: 
a) o fato criminoso é verdadeiro, porém a pessoa a quem se atribui a autoria ou 
participação não o praticou. 
b) o fato criminoso é inexistente. Atribui-se ao imputado a prática de crime que 
não ocorreu. 
c) o fato criminoso existiu, porém se atribui ao imputado a prática de crime mais 
grave. Ex. afirmar que Fulano roubou, quando na realidade ele furtou. 
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II) CONSUMAÇÃO 
Trata-se de crime formal , ou seja, delito que não exige, para sua consumação, 
resultado naturalístico, consistente no efetivo prejuízo para a administração da justiça. 
Consuma-se, portanto, com a instauração de investigação policial, de processo 
judicial, de investigação administrativa, inquérito civil ou ação de improbidade administrativa contra alguém. 
Não se exige que a autoridade policial formalmente instaure o inquérito policial para 
que se consume o crime. Basta que inicie investigação policial no sentido de coletar dados que apure a 
veracidade da denúncia. 
 
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	Capa - Material de Apoio
	Direito Penal - Nidal Ahmad
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