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Material de Apoio   Direito Penal   Crimes em Espécie   Material Extra

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monista (todos os coautores e partícipes 
respondem pelo mesmo crime quando contribuírem para o mesmo resultado típico). Se existisse somente a 
figura do art. 124, o terceiro que colaborasse com a gestante para a prática do aborto incidiria naquele tipo 
penal. 
Entretanto, o legislador para punir mais severamente o terceiro que provoca o 
aborto, criou o art. 126, aplicando a teoria dualista (ou pluralista) do concurso de pessoas. 
IV) ABORTO LEGAL – Art. 128 
a) ABORTO NECESSÁRIO OU TERAPÊUTICO 
É a interrupção da gravidez realizada pelo médico quando a gestante estiver 
correndo perigo de vida e inexistir outro meio para salvá-lo. 
A excludente da ilicitude em estudo do crime de aborto somente abrange a conduta 
do médico. Não obstante isso, a enfermeira, ou parteira, não responderá pelo delito em questão se praticar o 
aborto por força do art. 24 do CP (estado de necessidade, no caso, de terceiro). 
b) ABORTO HUMANITÁRIO, SENTIMENTAL OU PIEDOSO 
O aborto humanitário, também denominado ético ou sentimental, é autorizado 
quando a gravidez é consequência do crime de estupro e a gestante consente na sua realização. 
Para se autorizar o aborto humanitário são necessários os seguintes requisitos: 
a) gravidez resultante de estupro; 
b) prévio consentimento da gestante ou, sendo incapaz, de seu representante legal. 
A lei não exige autorização judicial, processo judicial ou sentença condenatória 
contra o autor do crime de estupro para a prática do aborto sentimental, ficando a intervenção a critério do 
médico. Basta prova idônea do atentado sexual. 
 
05) LESÃO CORPORAL 
I) LESÃO CORPORAL LEVE OU SIMPLES – Art. 129, “caput” 
A definição de lesão corporal leve é formulada por exclusão, ou seja, configura-se 
quando não ocorre nenhum dos resultados previstos nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 129. 
II) LESÕES CORPORAIS GRAVES Art. 129, § 1º 
A lesão corporal de natureza grave (ou mesmo a gravíssima) é uma ofensa à 
integridade física ou à saúde da pessoa humana, considerada muito mais séria e importante do que a lesão 
simples ou leve. 
a) INCAPACIDADE PARA AS OCUPAÇÕES HABITUAIS, POR MAIS DE TRINTA DIAS 
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Deve-se compreender como tal toda e qualquer atividade regularmente 
desempenhada pela vítima, e não apenas a sua ocupação laborativa, enquadrando-se, inclusive, as atividades 
de lazer. 
b) PERIGO DE VIDA 
É a concreta possibilidade de a vítima morrer em face das lesões sofridas. 
A doutrina e a jurisprudência majoritária consideram que, neste caso, somente pode 
haver dolo na conduta antecedente (lesão corporal) e culpa no tocante ao resultado mais grave (perigo de 
vida), pois, havendo dolo em ambas as fases, haverá tentativa de homicídio. 
Portanto, o tipo só admite o preterdolo, uma vez que, se houver dolo quanto ao 
perigo de vida, o agente responderá por tentativa de homicídio. 
c) DEBILIDADE PERMANENTE DE MEMBRO, SENTIDO OU FUNÇÃO; 
Não se exige que seja uma debilidade perpétua, bastando que tenha longa duração. 
Ex. perda de um dos dedos (membro); perder a visão num dos olhos (sentido); 
perda de um dos rins é debilidade permanente e não perda de função, pois se trata de órgão duplo. 
d) ACELERAÇÃO DE PARTO: 
Significa antecipar o nascimento da criança antes do prazo normal previsto pela 
medicina. Nesse caso, é indispensável o conhecimento da gravidez pelo agente. 
Se, em virtude da lesão corporal praticada contra a mãe, a criança nascer morta, 
terá havido lesão corporal gravíssima (art. 129, § 2º, V). 
 
III) LESÃO CORPORAL GRAVÍSSIMA – Art. 129, § 2º 
Todas as circunstâncias qualificadoras elencadas neste parágrafo são tanto dolosas 
quanto preterdolosas, com exceção da circunstância contida no inciso V (aborto), que é necessariamente 
preterdolosa. 
a) INCAPACIDADE PERMANENTE PARA O TRABALHO 
Trata-se de inaptidão duradoura para exercer qualquer atividade laborativa lícita. A 
permanência não significa perpetuidade, 
Nesse contexto, diferentemente da incapacidade para as ocupações habituais, exige-
se atividade remunerada, que implique em sustento, portanto, acarrete prejuízo financeiro para o ofendido. 
b) ENFERMIDADE INCURÁVEL 
É a doença irremediável, de acordo com os recursos da medicina na época do 
resultado, causada na vítima. 
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c) PERDA OU INUTILIZAÇÃO DO MEMBRO, SENTIDO OU FUNÇÃO 
Perda implica em destruição ou privação de algum membro (ex. corte de um braço), 
sentido (ex: aniquilamento dos olhos) ou função (ablação da bolsa escrotal, impedindo a função reprodutora). 
No tocante a órgãos duplos, ter-se-á a perda quando houver a supressão de ambos, 
por exemplo, cegueira ou surdez total. Nessa hipótese há a perda total da visão ou audição. Quando se der a 
supressão de apenas um órgão, estaremos diante da hipótese de debilidade (§1º, III), pois a função não foi 
totalmente abolida, por exemplo, surdez em apenas um dos ouvidos. 
d) DEFORMIDADE PERMANENTE 
Deformidade é o dano estético de certa monta. Permanente é a deformidade 
indelével, irreparável. Entende-se por irreparável a deformidade que não é passível de ser corrigida pelo 
transcurso do tempo. 
Ex. perda de orelhas, mutilação grave do nariz, entre outros. 
e) ABORTO: 
Nesta hipótese, o agente, ao lesionar a vítima, não quer nem mesmo assume o risco 
do advento do resultado agravador aborto. 
Portanto, para que possa caracterizar-se a qualificadora da lesão corporal 
gravíssima, não pode ter sido objeto de dolo do agente, pois, nesse caso, terá de responder pelos dois crimes, 
lesão corporal e aborto, em concurso formal impróprio, ou, ainda, por aborto qualificado, se a lesão em si 
mesma for grave. 
IV) LESÃO CORPORAL SEGUIDA DE MORTE – Art. 129, § 3º 
O evento morte não deve ser querido nem eventualmente, ou seja, não deve ser 
compreendido pelo dolo do agente, senão será de homicídio. 
A morte é imputada ao agente a título de culpa, pois não previu o que era 
plenamente previsível ou decorrente de caso fortuito, responderá o agente tão-só pelas lesões corporais. 
A tentativa é inadmissível, pois o crime preterdoloso envolve a forma culposa e esta 
é totalmente incompatível com a figura da tentativa. 
06) CALÚNIA – Art. 138 
 
I) CONCEITO E OBJETIVIDADE JURÍDICA 
Calúnia é o fato de atribuir a outrem, falsamente, a prática de fato definido como 
crime. O CP tutela a honra objetiva (reputação). 
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A lei exige expressamente que o fato atribuído seja definido como crime. O fato 
criminoso deve ser determinado, ou seja, um caso concreto, não sendo necessário, contudo, descrevê-lo de 
forma pormenorizada, detalhada, como, por exemplo, apontar dia, hora, local. 
É fundamental, para a existência de calúnia, que a imputação de fato definido como 
crime seja falsa. Se o fato for verdadeiro, não há que se falar em crime de calúnia. 
O momento consumativo da calúnia ocorre no instante em que a imputação chega 
ao CONHECIMENTO DE UM TERCEIRO que não a vítima. 
A calúnia verbal não admite a figura da tentativa. Ou o sujeito diz a imputação, e o 
fato está consumado, ou não diz, e não há conduta relevante para o Direito Penal. 
Já a calúnia escrita admite a tentativa. Ex. o sujeito remete uma carta caluniosa e 
ela se extravia. O crime não atinge a consumação, por intermédio do conhecimento do destinatário, por 
circunstâncias alheias à vontade do sujeito. 
 
07) DIFAMAÇÃO – Art. 139 
Difamar significa desacreditar publicamente uma pessoa, maculando-lhe a 
reputação. 
O legislador protege a honra objetiva (reputação). A exemplo do crime de calúnia, 
o bem jurídico protegido é a honra, isto é, a reputação do indivíduo, a sua boa fama, o conceito que a 
sociedade lhe atribui. 
Dizer que uma pessoa é caloteira configura uma injúria, ao passo que espalhar o 
fato de que ela não pagou aos credores “A”, “B” e “C”, quando as dívidas X, Y e Z venceram configura a