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Material de Apoio   Direito Penal   Crimes em Espécie   Material Extra

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difamação. 
A difamação atinge o momento consumativo quando UM TERCEIRO, que não o 
ofendido, toma conhecimento da imputação ofensiva à reputação. 
Quanto à tentativa, é inadmissível, quando se trata de fato cometido por intermédio 
da palavra oral. Tratando-se, entretanto, de difamação praticada por meio escrito, é admissível. 
 
08) INJÚRIA – Art. 140 
Injúria é a ofensa à dignidade ou ao decoro de outrem. 
Ao contrário dos delitos de calúnia e difamação, que tutelam a honra objetiva, o 
bem protegido por essa norma penal é a honra subjetiva, que é constituída pelo sentimento próprio de cada 
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pessoa acerca de seus atributos morais (chamados de honra-dignidade), intelectuais e físicos (chamados de 
honra-decoro). 
Trata-se de crime formal. O crime se consuma quando o sujeito passivo toma ciência 
da imputação ofensiva, independentemente de o ofendido sentir-se ou não atingido em sua honra subjetiva, 
sendo suficiente, tão-só, que o ato seja revestido de idoneidade ofensiva. 
A injúria, quando cometida por escrito, admite a tentativa; quando por meio verbal, 
não. 
I) INJÚRIA RACIAL – Art. 140, § 3º 
Aquele que se dirige a uma pessoa de determinada raça, insultando-a com 
argumentos ou palavras de conteúdo pejorativo, responderá por injúria racial, não podendo alegar que houve 
uma injúria simples, nem tampouco uma mera exposição do pensamento (como dizer que todo “judeu é 
corrupto” ou que “negros são desonestos”), uma vez que não há limite para tal liberdade. 
Assim, quem simplesmente dirigir a terceiro palavras referentes a “raça”, “cor”, 
“etnia”, “religião” ou “origem”, com o intuito de ofender, responderá por injúria racial. 
9) ASPECTOS PONTUAIS DOS CRIMES CONTRA A HONRA 
I) CAUSAS ESPECIAIS DE EXCLUSÃO DA ANTIJURIDICIDADE – Art. 142 
a) IMUNIDADE JUDICIÁRIA 
Exige-se que haja uma relação processual instaurada, pois é esse o significado da 
expressão “irrogada em juízo”, além do que o autor da ofensa precisa situar-se em local próprio para o debate 
processual. 
b) IMUNIDADE LITERÁRIA, ARTÍSTICA E CIENTÍFICA 
Esta causa de exclusão diz respeito à liberdade de expressão nos campos literário, 
artístico e científico, permitindo que haja crítica acerca de livros, obras de arte ou produções científicas de 
toda ordem, ainda que sejam pareceres ou conceitos negativos. 
c) IMUNIDADE FUNCIONAL 
O funcionário público, cumprindo dever inerente ao seu ofício, pode emitir um 
parecer desfavorável, expondo opinião negativa a respeito de alguém, passível de macular a reputação da 
vítima ou ferir a sua dignidade ou seu decoro, embora não se possa falar em ato ilícito, pois o interesse da 
Administração Pública deve ficar acima dos interesses individuais. 
II) AÇÃO PENAL – Art. 145 
a) Regra 
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Nos crimes contra a honra, a regra é a de que ação penal privada da vítima ou do 
seu representante legal. 
b) Exceções 
b.1) Resultando na vítima lesão física (injúria real com lesão corporal), apura-se o crime mediante ação penal 
pública incondicionada. No entanto, com o advento da Lei 9.099/95, alguns autores entendem que se trata de 
ação penal pública condicionada a representação, já que é a prevista para os crimes de lesão corporal leve. 
b.2) Será penal pública condicionada à representação no caso de o delito ser cometido contra funcionário 
público, no exercício das funções (art. 141, II) e condicionada à requisição do Ministro da Justiça no caso do 
nº I do art. 141 (contra o Presidente da República ou Chefe de Governo Estrangeiro). 
Convém ressaltar a Súmula 714 do STF: 
“É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do Ministério Público, 
condicionada à representação do ofendido, para a ação penal por crime contra a honra de servidor público em 
razão do exercício de suas funções”. 
 
10) FURTO – Art. 155 
 
I) CONCEITO 
O crime de furto consubstancia-se no verbo subtrair, que significa tirar, retirar de 
outrem bem móvel, sem a sua permissão, com o fim de assenhoramento definitivo. A subtração implica sempre 
a retirada do bem sem o consentimento do possuidor ou proprietário. 
Exige-se o dolo, consistente na vontade do agente de subtrair coisa alheia móvel. 
É indispensável que o agente tenha a intenção de possuir a coisa alheia móvel, 
submetendo-a ao seu poder, isto é, de não devolver o bem, de forma alguma. Assim, se ele o subtrai apenas 
para uso transitório e depois o devolve no mesmo estado, não haverá a configuração do tipo penal. Cuida-se 
na hipótese de mero furto de uso, que não constitui crime, pela ausência do ânimo de assenhoramento 
definitivo do bem. 
Se o sujeito restituir o objeto subtraído até o recebimento da denúncia, pode incidir 
o instituto do arrependimento posterior, previsto no artigo 16 do Código Penal, que constitui causa de 
diminuição da pena. Em outras palavras, o agente será processado pelo delito, mas, se condenado, poderá 
ter a pena reduzida de 1/3 a 2/3. 
Não existe na modalidade culposa. 
II) CONSUMAÇÃO E TENTATIVA 
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Para Damásio e Capez, o furto atinge a consumação no momento em que o objeto 
material é retirado da esfera de posse e disponibilidade do sujeito passivo, ingressando na livre disponibilidade 
do autor, ainda que este não obtenha a posse tranquila. A subtração se opera no exato instante em que o 
possuidor perde o poder e o controle sobre a coisa, tendo de retomá-la porque já não está mais consigo. 
A tentativa é admissível. Ocorre sempre que o sujeito ativo não consegue, por 
circunstâncias alheias à sua vontade, retirar o objeto material da esfera de proteção e vigilância da vítima, 
submetendo-a à sua própria disponibilidade. 
 
III) FURTO NOTURNO – Art. 155, § 1º 
A causa de aumento de pena do repouso noturno só é aplicável ao furto simples, 
previsto no caput do artigo 155, tendo em vista a sua posição sistemática na construção do tipo penal. Não 
se aplica, portanto, ao furto qualificado do § 4º. 
IV) FURTO PRIVILEGIADO – Art. 155, § 2º 
A corrente majoritária sustenta ser de pequeno valor a coisa que não ultrapassa 
quantia equivalente a um salário mínimo vigente à época do fato. 
V) FURTO QUALIFICADO – Art. 155, § 4º 
a) COM DESTRUIÇÃO OU ROMPIMENTO DE OBSTÁCULO À SUBTRAÇÃO DA COISA; 
É necessário que o sujeito pratique violência contra “obstáculo” à subtração do 
objeto material. A violência contra a coisa subtraída não qualifica o furto. 
 
b) com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza 
* abuso de confiança 
É a confiança que decorre de certas relações (que pode ser a empregatícia, a 
decorrente de amizade ou parentesco) estabelecidas entre o agente e o proprietário do objeto. O agente, 
dessa forma, aproveita-se da confiança nele depositada para praticar o furto, pois há menor vigilância do 
proprietário sobre os seus bens. 
* Mediante fraude 
É o ardil, artifício, meio enganoso empregado pelo agente para diminuir, iludir a 
vigilância da vítima e realizar a subtração. São exemplos de fraude: agente que se disfarça de empregado de 
empresa telefônica e logra entrar em residência alheia para furtar, ou agente que, a pretexto de realizar 
compras em uma loja, distrai a vendedora, de modo a lograr apoderar-se dos objetos. 
* Mediante escalada 
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Escalada, que em direito penal tem sentido próprio, é a penetração no local do furto 
por meio anormal, artificial ou impróprio, que demanda esforço incomum. Escalada não implica, 
necessariamente, subida, pois tanto é escalada galgar alturas quanto saltar fossos, rampas ou mesmo 
subterrâneos, desde que o faça para vencer obstáculos. 
* Mediante destreza 
Consiste na habilidade física ou manual do agente que lhe permite o apoderamento 
do bem sem que a vítima perceba. É a chamada punga. Tal ocorre com a subtração de objetos que se 
encontrem junto à vítima, por exemplo, carteira, dinheiro no bolso ou