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Material de Apoio   Direito Penal   Crimes em Espécie   Material Extra

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na bolsa, colar, etc., que são retirados 
sem que ela note. 
Importa dizer que se a vítima perceber a subtração no momento em que ela se 
realiza, considera-se o furto tentado na forma simples, pois não há que se falar no caso em destreza do agente 
(ex: a vítima sente a mão do agente em seu bolso). 
 
c) com emprego de chave falsa 
Chave falsa é qualquer instrumento de que se sirva o agente para abrir fechaduras, 
tendo ou não formato de chave. 
Ex: grampo, alfinete, prego, fenda, gazua, etc. 
d) mediante concurso de duas ou mais pessoas. 
e) FURTO DE VEÍCULO AUTOMOTOR – Art. 155, 5º 
Esta qualificadora diz respeito, especificamente, à subtração de veículo automotor. 
Consideram-se com tal os automóveis, ônibus, caminhões, motocicletas, aeronaves, lanchas, Jet-skies. 
11) ROUBO (Art. 157) 
 
I) AÇÃO NUCLEAR 
A ação nuclear do tipo, identicamente ao furto, consubstancia-se no verbo subtrair, 
que significa tirar, retirar, de outrem, no caso bem móvel. Agora, contudo, estamos diante de um crime mais 
grave que o furto, na medida em que a subtração é realizada mediante o emprego de grave ameaça ou 
violência contra a pessoa, ou por qualquer outro meio que reduza a capacidade de resistência da 
vítima. 
São os seguintes os meios executórios do crime de roubo: 
a) Violência física (vis corporalis) 
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Violência física à pessoa consiste no emprego de força contra o corpo da vítima. 
Para caracterizar essa violência do tipo básico de roubo é suficiente que ocorra lesão corporal leve ou simples 
vias de fato, na medida em que a lesão grave ou morte qualifica o crime. 
 
b) Grave ameaça 
Ameaça grave (violência moral) é aquela capaz de atemorizar a vítima, viciando sua 
vontade e impossibilitando sua capacidade de resistência. A grave ameaça objetiva criar na vítima o fundado 
receio de iminente e grave mal, físico ou moral, tanto a si quanto as pessoas que lhes são caras. É irrelevante 
a justiça ou injustiça do mal ameaçado, na medida em que, utilizada para a prática de crime, torna-se 
antijurídica. 
 
c) Qualquer outro meio que reduza à impossibilidade de resistência; 
Cuida-se da violência imprópria, consistente em outro meio que não constitua 
violência física ou grave ameaça, como, por exemplo, fazer a vítima ingerir bebida alcoólica, narcóticos, 
soníferos ou hipnotizá-la. 
II) ESPÉCIES DE ROUBO: PRÓPRIO E IMPRÓPRIO 
a) Roubo próprio 
No roubo próprio a violência ou grave ameaça (ou a redução da impossibilidade de 
defesa) são praticados contra a pessoa para a subtração da coisa. Os meios violentos são empregados antes 
ou durante a execução da subtração. 
b) Roubo impróprio 
 
ROUBO IMPRÓPRIO ocorre quando o sujeito, logo depois de subtraída a coisa, 
emprega violência contra a pessoa ou grave ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção 
da coisa para ele ou para terceiro (§ 1º). 
São exemplos típicos de roubo impróprio aquele em que o sujeito ativo, já se 
retirando do portão com a res furtiva, alcançando pela vítima, abate-a (assegurando a detenção), ou, então, 
já na rua, constata que deixou um documento no local, que o identificará, e, retornando para apanhá-lo, 
agride o morador que o estava apanhando (garantindo a impunidade). 
Em outros termos, “logo depois” de subtraída a coisa não admite decurso de tempo 
entre a subtração e o emprego da violência, ou seja, o modus violento somente é caracterizador do roubo se 
for utilizado até a consumação do furto que o agente pretendia praticar (posse tranquila da res, sem a 
vigilância). Superado esse momento, o crime está consumado e, consequentemente, não pode sofrer qualquer 
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alteração; portanto, eventual violência empregada constituirá crime autônomo (lesão corporal, por exemplo), 
em concurso com furto consumado. 
III) CONSUMAÇÃO E TENTATIVA 
 Nos termos da Súmula 582 do STJ, ““Consuma-se o crime de roubo com a 
inversão da posse do bem mediante emprego de violência ou grave ameaça, ainda que por breve 
tempo e em seguida à perseguição imediata ao agente e recuperação da coisa roubada, sendo 
prescindível a posse mansa e pacífica ou desvigiada." 
IV) CAUSAS ESPECIAIS DE AUMENTO DE PENA - ROUBO MAJORADO (CIRCUNSTANCIADO) (Art. 
157, § 2º) 
A) SE A VIOLÊNCIA OU AMEAÇA É EXERCIDA COM EMPREGO DE ARMA 
Cuida-se das chamadas armas próprias, ou seja, dos instrumentos especificamente 
criados para o ataque ou defesa (arma de fogo, estilete, explosivos: bombas) e impróprias, isto é, os 
instrumentos que não foram criados especificamente para aquela finalidade, mas são capazes de ofender a 
integridade física (facão, faca de cozinha, canivete, machado, barra de ferro). 
A arma de brinquedo não serve para majorar a pena, uma vez que não causa à 
vítima maior potencialidade lesiva. Pode, no entanto, gerar grave ameaça e, justamente por isso, servir para 
configurar o tipo penal do roubo, na figura simples. 
B) SE HÁ O CONCURSO DE DUAS OU MAIS PESSOAS; 
Pode haver concurso material entre roubo majorado e quadrilha armada, pois os 
bens jurídicos são diversos. Enquanto o tipo penal de roubo protege o patrimônio, o tipo da quadrilha ou 
bando guarnece a paz pública. 
C) SE A VÍTIMA ESTÁ EM SERVIÇO DE TRANSPORTE DE VALORES E O AGENTE CONHECE TAL 
CIRCUNSTÂNCIA. 
A pena é agravada se a vítima, regra geral por dever de ofício (caixeiro viajante, 
empresa de segurança especialmente contratada para o transporte de valores), realiza serviço de transporte 
de valores (dinheiro, joia, etc). 
D) SE A SUBTRAÇÃO FOR DE VEÍCULO AUTOMOTOR QUE VENHA A SER TRANSPORTADO PARA 
OUTRO ESTADO OU PARA O EXTERIOR 
Assim como no furto, esta majorante diz respeito, especificamente, à subtração de 
veículo automotor. Consideram-se com tal os automóveis, ônibus, caminhões, motocicletas, aeronaves, 
lanchas, Jet-skies. 
E) SE O AGENTE MANTÉM A VÍTIMA EM SEU PODER, RESTRINGINDO SUA LIBERDADE. 
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Ocorre quando o agente segura a vítima por tempo superior ao necessário ou 
valendo-se de forma anormal para garantir a subtração planejada. 
Ex. subjugando a vítima, o agente, pretendendo levar-lhe o veículo, manda que 
entre no porta-malas, rodando algum tempo pela cidade, até permitir que seja libertada ou o carro seja 
abandonado. 
V) ROUBO QUALIFICADO PELO RESULTADO (Art. 157, § 3º) 
Comparando o texto legal com outras previsões semelhantes do CP – “se da violência 
resulta lesão corporal grave” ou “se resulta morte” -, constata-se que, pela técnica legislativa empregada, 
pretendeu o legislador criar duas figuras de crimes qualificados pelo resultado, para alguns, crimes 
preterdolosos. 
Contudo, na hipótese em apreço, a extrema gravidade das sanções cominadas uniu 
o entendimento doutrinário, que passou a admitir a possibilidade, indistintamente, de o resultado agravador 
poder decorrer tanto de culpa quanto de dolo, direto ou eventual. 
A) CRIME QUALIFICADO PELO RESULTADO LESÕES GRAVES 
É uma das hipóteses de delito qualificado pelo resultado, que se configura pela 
presença de dolo na conduta antecedente (roubo) e dolo ou culpa na conduta subsequente (lesões corporais 
graves). 
O roubo qualificado pelas lesões corporais de natureza grave não se inclui no rol dos 
crimes hediondos, ao contrário do crime de latrocínio. 
HIPÓTESES QUANTO AO RESULTADO MAIS GRAVE: 
Lesão grave consumada + roubo consumado = roubo qualificado pelo resultado 
lesão grave. 
Lesão grave consumada + tentativa de roubo = roubo qualificado pelo resultado 
lesão grave, dando-se a mesma solução para o latrocínio. 
B) CRIME QUALIFICADO PELO RESULTADO MORTE: LATROCÍNIO 
O crime de latrocínio ocorre quando, do emprego da violência física contra a pessoa 
com o fim de subtrair o bem, ou para assegurar a sua posse ou a impunidade do crime, decorre a morte da 
vítima. 
Tratando-se de crime qualificado pelo resultado, a morte da vítima ou de terceiro