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Faringoamigdalites e Adenoamigdalectomia

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freqüência e geralmente cessam espontaneamente, sem necessitar de intervenção do médico. Esses pacientes precisam de observação rigorosa, pois uma parte deles pode vir a apresentar sangramentos importantes. Richmond et al. relataram 2% de pequenos sangramentos com resolução espontânea, e 2% de sangramentos importantes que requereram intervenção cirúrgica no pós-operatório.
	8.8) Traumas dentários
	Causados tanto pelo anestesista quanto pelo cirurgião. Para evitar este tipo de problema deve-se tomar cuidado especial na colação do abridor de boca para a realização da cirurgia, devendo checar a integridade dentária do paciente no pré-operatório.
	
	8.9) Recidiva
	São mais freqüentes em lactentes e em casos de exérese incompleta.
9) COMPLICAÇÕES MAIORES PÓS-OPERATÓRIAS
	9.1) Hemorragias
	
	São as complicações mais estudadas e mais temidas das adenoamigdalectomias. Sua incidência na literatura é variável, oscilando entre 1 e 8%. A necessidade de transfusão é mais freqüente em crianças que tiveram episódios de infecção de vias aéreas superiores recentes e em adultos.
Têm 4 causas principais:
	- sangramento de uma artéria vomeriana (se inadvertidamente raspou-se a borda posterior do vômer);
	- sangramento da parede faríngea posterior (se a curetagem seguiu muito para baixo);
	- exérese adenoidiana incompleta;
	- discrasias sangüíneas não diagnosticadas previamente.
O controle do sangramento deve ser feito após boa visualização do leito amigdaliano sangrante. Pode-se optar por uso de vasoconstritores, cauterização, sutura, ou curetagem do tecido remanescente. Nos sangramentos de grande monta em que não se consegue controla-los, há indicação de acesso cervical externo e ligadura da artéria carótida externa ou seu ramo relacionado ao sangramento.
 
	9.2) Insuficiência respiratória
	
	A causa mais citada (apesar de rara) na literatura é o edema pulmonar, que pode acometer principalmente pacientes com SAHOS grave e portadores de Síndrome de Down. Richmond et al. referiram 1,3% de dificuldades respiratórias graves no pós-operatório, sendo que 80% dos casos eram crianças portadoras de Síndrome de Down, ou com idade bem abaixo da média do grupo. A obstrução respiratória crônica importante que esses pacientes têm pela grave hipertrofia amigdaliana leva a um aumento na resistência inspiratória e expiratória. O aumento da pressão expiratória final leva a um aumento da pressão venosa intratorácica. O alívio súbito da obstrução respiratória pela intubação e/ou pela amigdalectomia pode resultar em transudação para o interstício e para o espaço alveolar, que pode ocorrer em graus variados.
	Outras causas mais frequentes de insuficiência respiratória são: aspiração de secreção, sangue ou restos de adenóide, atelectasia pulmonar, espasmos de laringe ou brônquios, traumas de intubação etc.
10) COMPLICAÇÕES RARAS
	Insuficiência velofaríngea persistente: ocorre em aproximadamente 1: 1500 a 1:3000 pacientes. Constituem grupos de risco as crianças com fenda palatina submucosa, anomalias orofaciais e desordens neuromusculares que afetam a função do palato.
	Estenose nasofaríngea: Complicação rara e de difícil tratamento, que pode ocorrer como conseqüência de remoção de excesso de mucosa, com a formação de uma cicatriz circunferencial.
	Lesão da tuba auditiva: Pela utilização excessivamente agressiva da cureta de adenoidectomia ou a utilização intempestiva do laser.
	Infecções cervicais
	Imunológicas: Os valores dos níveis de imunoglobulinas séricas no pós-operatório, apesar de inferiores aos do pré-operatório, estão dentro dos limites da normalidade. 
11) MELHORA DA QUALIDADE DE VIDA EM PACIENTES SUBMETIDOS À
ADENOAMIGDALECTOMIA
Após a adenoamigdalectomia, foi observada melhora da qualidade de vida de todos os pacientes com SAHOS devido ao aumento de tonsilas, associada a uma melhora do sofrimento físico e dos distúrbios de sono, as duas maiores preocupações de pais e crianças com essa patologia. Nos casos em que a melhora foi menos expressiva, observou-se rinite associada. (Di Francesco et al, 2004; Serres et al, 2000).
Existem evidências a respeito da influência positiva da adenoamigdalectomia sobre o crescimento pôndero-estatural de crianças portadoras de aumento das tonsilas e conseqüente SAHOS. Dois trabalhos diferentes evidenciaram aumento do ritmo de crescimento 6 meses após a cirurgia (Williams et al, 1991; Di Francesco et al,2003).
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	Vou procurar as páginas estudadas!!!
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