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1 SISTEMAS ESTRUTURAIS II: MADEIRA E AÇO MÓDULO 4 TÓPICO 2 PROFESSOR ESPECIALISTA LUIZ HENRIQUE EVANGELISTA DA SILVEIRA 2 MÓDULO IV – AÇO ESTRUTURAL: NORMATIZAÇÃO, PROCESSOS DE FABRICAÇÃO CLASSIFICAÇÃO E PROPRIEDADES Tópico 2 – Aço: Perfis Estruturais E Ligações O aço estrutural, além das classificações de acordo com sua fabricação, tratamento termoquímico e composição química, também é classificado de acordo com o perfil o qual possui. Já é de conhecimento que normas têm como função a padronização de produtos, como medidas, propriedades mecânicas, etc. gerando segurança e parâmetros para cálculos, dimensionamentos e execução de estruturas metálicas. Perfis estruturais são fabricados e dimensionados de acordo normas, seu dimensionamento baseia-se na escolha do perfil e elemento já existente, não na elaboração da geometria ideal para cada caso. A escolha correta do perfil é crucial para atender as solicitações estruturais de uma edificação e reduzir os custos. Já as ligações, são pontos cruciais para o funcionamento e custo de uma estrutura metálica. As ligações são resultados de algumas questões: solicitações internas da edificação (de acordo com o uso); solicitações e influências externas (ventos, umidade do ar, temperatura, entre outras); o tipo de perfil (cada perfil tem uma maneira ideal ou mais fácil de fazer algumas ligações); tipo de aço (parafusamento, enrijecimento, alguns aços são melhores ligados por solda, outros já possuem baixa soldabilidade, etc.). Por isso é de extrema importância saber quais perfis estão disponíveis no mercado e quais funções estes podem exercer, para que assim haja uma melhor concepção de uma estrutura em cima de suas necessidades reais. Tendo isso em mãos, a escolha das ligações é crucial para um melhor desenvolvimento de um projeto e detalhamento estrutural. Produtos Siderúrgicos e Produtos Metalúrgicos Os produtos siderúrgicos podem ser classificados de forma geral em perfis; chapas e barras. As indústrias siderúrgicas produzem cantoneiras de abas iguais ou desiguais, 3 perfis H, I ou T, perfis tipo U, barras redondas, barras chatas, tubos circulares, quadrados ou retangulares, chapa em bobinas, finas ou grossas; enquanto os produtos metalúrgicos são os compostos por chapas dobradas tais como perfis tipo U enrijecido ou não, cantoneiras em geral de abas iguais, perfil cartola, perfil Z ou trapezoidais, ou ainda, compostos por chapas soldadas para perfis tipo T soldado ou I soldado. Designação de perfis Perfis laminados ou conformados a quente: A designação de perfis metálicos laminados segue determinada ordem: Código, altura (mm), peso (Kg/m). Como exemplo de códigos teremos: L – Cantoneiras de abas iguais ou desiguais I – Perfil de seção transversal na forma da letra ‘ I ‘ H – Perfil de seção transversal na forma da letra ‘H’ 4 U – Perfil de seção transversal na forma da letra ‘U’ T – Perfil de seção transversal na forma da letra ‘T’ Como exemplo de designação de perfis teremos: L 50 x 2,46 – Perfil L de abas iguais de 50mm e peso de 2,46 kg/ml L 100 x 75 x 10,71 – Perfil L de abas desiguais de 100mm de altura por 75mm de largura e peso de 10,71 kg/ml I 200 x 27 – Perfil ‘ I ‘ com altura de 200mm e peso de 27 Kg/ml H 200 x 27 – Perfil ‘ H ‘ com altura de 200mm e peso de 27 Kg/ml U 200 x 27 – Perfil ‘ U ‘ com altura de 200mm com peso de 27 Kg/ml 5 Perfis de chapa dobrada ou perfis formados a frio (PFF): A designação de perfis metálicos de chapa dobrada segue determinada ordem: Tipo, Altura, Aba, Dobra, Espessura (todas as medidas em mm) L – Cantoneiras de abas iguais ou desiguais U – Perfil de seção transversal na forma da letra ‘ U ‘ enrijecidos ou não 6 Como exemplo de designação de perfis teremos: L 50 x 3 – Perfil L de abas iguais de 50mm e espessura de 3mm L 50 x 30 x 3 – Perfil L de abas desiguais de 50mm por 30mm e espessura de 3mm U 150 x 60 x 3 – Perfil U não enrijecido com altura de 150mm, aba de 60mm e espessura de 3mm U 150 x 60 x 20 x 3 – Perfil U enrijecido com altura de 150mm, aba de 60mm, dobra de 20mm e espessura de 3mm A designação de perfis soldados seguem especificações dos fabricantes sempre na forma de perfil tipo ‘ I ‘, ou seja, junta-se chapas para formar perfis específicos através de soldagem. Os perfis soldados são largamente empregados na construção de estruturas de aço, em face da grande versatilidade de combinações possíveis, dimensões, até à redução do peso da estrutura, comparativamente aos perfis laminados disponíveis no mercado brasileiro. O custo para a fabricação dos perfis soldados, no entanto, é maior do que para a laminação dos perfis laminados. 7 d : Altura do Perfil bf : Largura da Mesa tw : Espessura da alma tf : Espessura da mesa h : Altura da alma *ec : Perna efetiva do cordão de solda (dimensão efetiva mínima do filete, compatível com a maior espessura do metal base na junta). EIXO x-x : Linha paralela à mesa, que passa pelo centro de gravidade da seção transversal do perfil EIXO y-y : Linha perpendicular ao eixo x-x que passa pelo centro de gravidade da seção transversal do perfil. SOLDAGEM 8 CS – Perfil coluna soldada (altura e abas com a mesma dimensão) VS – Perfil viga soldada CVS – Perfil coluna-viga soldada Como exemplo de designação de perfis teremos: CS 250 x 52 – Perfil CS com altura de 250mm e peso de 52 Kg/ml (metro linear) VS 600 x 95 – Perfil VS com altura de 600mm e peso de 95 kg/ml CVS 450 x 116 – Perfil CVS com altura de 450mm e peso de 116 Kg/ml Imagem 1: Perfis “I” soldados. Fonte: Cedisa OBS: Soldas podem ser pontuais, ou lineares. Isso dependerá das solicitações e dimensionamentos da estrutura. 9 Outros perfis Há também as chapas finas a frio, chapas finas a quente, chapas grossas, barras redondas, barras chatas, barras quadradas, tubos estruturais, etc. Perfis, características e aplicações: a) Perfil I - Principais aplicações: Elementos fletidos Construções industriais Vigas de coberturas Vigas treliçadas Vantagens e características: Alta relação “módulo de flexão” / “peso” Facilidade de conexão b) Perfil H - Principais aplicações: Elementos fletidos Estruturas de pontes Colunas pesadas Grande variedade de dimensões de abas para uma mesma altura Vantagens e características: Excelente resistência nos dois eixos 10 c) Perfil U - Principais aplicações: Vigas de construções leves Vigas para treliças Elementos de máquinas Vantagens e características: Excelente alternativa para elementos fletidos. Inclinação da aba de 8%, o que evita acúmulo de água. d) Perfil L – Cantoneiras – Principais aplicações: Vigas de construções leves Vigas para treliças Vantagens e características: Pode ser empregada em ligações parafusadas entre pilares e vigas. OBS: As dimensões dos perfis variam de acordo com tabelas dos fabricantes, as quais são fundamentadas em normas técnicas nacionais e internacionais como as NBR 7007 / AR350 / AR415 e AR350 COR, entre outras. Ligações O projeto da conexãoentre vigas e pilares pode influir significativamente no custo da estrutura. Deve ser concebido considerando-se: o comportamento da conexão (rígida ou articulada, por contato ou por atrito, etc.), limitações construtivas (usos da edificação, forma, etc), facilidade de fabricação (padronização de soluções, facilitar automatização, acesso para soldagem, etc.), montagem (simplicidade, acesso para o parafusamento, suportes temporários, etc.) e influências climáticas (alguns tipos de ligações acumulam resíduos e água mais fácil que outras, facilitando a oxidação e corrosão). OBS: As conexões são executadas por meio de soldagem ou parafusamento. As ligações rebitadas deixaram de ser utilizadas há anos em razão de: utilização de mão de obra especializada, instalação lenta, pequena capacidade resistente e com grande variabilidade e dificuldade para inspeção. 11 Ligações Parafusadas Parafusos são constituídos de cabeça, fuste e rosca. São classificados em parafusos comuns e de alta resistência, sendo que os comuns são usados em ligações de baixas solicitações e não possuem torque controlado. Por sua vez, os de alta resistência são empregados em ligações de maior responsabilidade e já possuem torque controlado. Imagem 2: Parafuso São identificados pelo diâmetro nominal (fuste), porém a sua resistência à tração depende do diâmetro da rosca, e devem ser compatíveis com o aço dos elementos ligados. Ligações parafusadas tendem a ser mais flexíveis e podem permitir movimentação e atrito entre os elementos ligados, porém, com o controle de torque, pode-se considerar o atrito entre as peças. Ligações por atrito proporcionam maior rigidez às ligações e impedem a movimentação das partes conectadas. São de particular importância em conexões submetidas a esforços alternados. Imagem 3: Ligação à força cortante por atrito. Quando se desconsidera o atrito entre as peças ligadas, o parafuso sofre a ação de uma força cortante, pois as chapas sofrerão deslocamentos relativos. São conhecidas como ligação por contato. 12 Imagem 4: Ligação à força cortante por contato. Outro tipo de ligação parafusada é a ligação à tração, sujeitas aos esforços combinados de tração e força cortante. Imagem 4: Ligação à tração. Ligações Soldadas Ligações soldadas costumam ser rígidas. A ausência de furação, porcas, parafusos e etc. facilita a limpeza e pintura, além de um melhor acabamento. Tem custo menor de execução, porém requer mão de obra qualificada para a execução das soldagens, é de difícil desmontagem e o controle de qualidade no canteiro de obra é mais difícil de ser executado. 13 Comportamento das Ligações Ligações são conhecidas por rígidas (engaste) e flexíveis (articulação). Ao se aplicar um momento fletor, uma ligação rígida não permite rotação, ou seja, o ângulo de rotação entre as partes conectadas é zero. Na ligação flexível, ao contrário, esse ângulo seria infinito, ou seja, a rotação é livre. É claro que, na prática, esses limites são inatingíveis. Imagem 5: Ligação rígida e flexível Ambas as ligações podem ser executadas tanto em parafuso como soldas, é a concepção da ligação que determina seu tipo e não o conector utilizado. Conexões flexíveis São concebidas de uma maneira que garantam: “que as reações de apoio sejam transmitidas ao pilar ou viga que as recebem; a rotação de uma peça em relação à outra no plano da flexão (plano da alma no caso de uma viga com seção em forma de “I” ou “U” fletida em torno do eixo de maior inércia); e que a rotação em torno do eixo longitudinal seja impedida”. Ligações com cantoneira de alma Um tipo de ligação flexível. Apresenta ligações flexíveis com dupla cantoneira de alma, as quais transmitem a reação de apoio ao pilar e impedem a rotação a rotação em torno do eixo longitudinal da viga. A rotação é presente no plano da alma. 14 Imagem 6: Ligação flexível com cantoneiras de alma, na direção de maior inércia. Imagem 7: Ligação flexível com cantoneiras de alma, na direção de menor inércia. Ligação com cantoneira de assento Outro tipo de ligação flexível. Transmite a reação de apoio ao pilar com a cantoneira inferior, a cantoneira superior previne deslocamentos laterais e a rotação da viga em seu eixo longitudinal. Podem prejudicar a execução de um futuro piso, devido à cantoneira superior. 15 Imagem 8: Ligação flexível com cantoneiras nas mesas. Ligação com chapa de extremidade Essa ligação transmite o esforço de apoio ao pilar através da chapa de extremidade, a qual deve ser dimensionada para evitar a rotação da viga em relação ao seu eixo longitudinal, sendo que, precisa de flexibilidade suficiente (por flexão entre parafusos) para permitir a rotação da viga em relação ao pilar. Imagem 9: Ligação com chapa de extremidade Conexão com chapa alma Conexão flexível que transfere a reação de apoio ao pilar por meio de uma chapa. Essa chapa precisa ter dimensão suficiente para evitar a rotação da viga em seu próprio 16 eixo longitudinal, e a flexibilidade da ligação é garantida pela elasticidade da chapa e folgas dos parafusos. Imagem 10: Ligação flexível em chapa alma. Ligações rígidas São ligações que impendem completamente a rotação de uma peça em relação à outra no plano da flexão, além de também transferir as reações de apoio aos pilares e impedir as rotações longitudinais das próprias vigas. Imagem 11: Transmissão do momento fletor. Ligações com chapa de extremidade Essas conexões podem ser feitas tanto com parafusos, solda e mistas. 17 Imagem 12: Ligação rígida entre viga e pilar com chapa de extremidade na direção de maior inércia. A reação de apoio é transmitida ao pilar por intermédio dos parafusos submetidos à força cortante (imagem 12). Dessa forma, há parafusos submetidos apenas à cortante (inferiores) e simultaneamente à cortante e à tração (superiores). Essa é a causa de haver mais parafusos na parte de cima da ligação. No caso de ligações rígidas em duas direções ou mais (imagem 13), pode aparecer uma dificuldade na ligação na direção de menor inércia. Por isso acrescenta-se mais chapa vertical e desloca-se a ligação para fora do pilar. Imagem 13: Ligação rígida entre viga e pilar com chapas de mesa e alma na direção de menor inércia. 18 A soldagem de todas as partes de uma viga em um pilar, também é uma concepção de ligação rígida, acrescentando nervuras internas ao pilar, chamadas de enrijecedores. Imagem 14: Ligação rígida por solda e nervuras internas. Ligações de travamentos Essas ligações podem ser tanto entre vigas (na horizontal), como entre pilar e viga (na vertical). Servem para estabilizar e enrijecer toda a construção. Age como contraventamento. Imagem 15: Ligação de travamento vertical Ligações de pilares à fundação Do mesmo modo, essas ligações podem ser rígidas ou flexíveis, sendo que em alguns planos, rígidas e em outros flexíveis. Ligações rígidas economizam no aço dos Nervuras 19 pilares, porém transferem mais esforços às fundações, já nas ligações flexíveis, acontece exatamente o contrário. Por isso é importante saber qual tipo de solo encontra-se no local da edificação. Ligação flexível de pilar à fundação São feitasem barras de aço rosqueadas chumbadas dentro do concreto da fundação, as quais servem de ligação entre o pilar e a fundação. Imagem 16: Ligação articulada entre pilar e fundação. Ligação rígida de pilar à fundação Essas ligações transferem integralmente os momentos fletores e solicitações dos pilares à fundação. Geralmente são executados de formas mistas (soldagem e chumbagem por barra de rosca), onde enrijecedores são soldados no pilar e na placa base que é parafusa à base de concreto. Imagem 17: Ligação rígida entre pilar e fundação. 20 Essas ligações entre pilares e fundação, tanto rígida ou flexível, devem ser executadas de forma que evitem o acúmulo de água e outros materiais que possam alterar a integridade das propriedades do material. Imagem 18: Como pilares devem apoiar-se na fundação para evitar acúmulo de água e outros materiais que possam danificar a estrutura. Considerações finais Perfis de aços estruturais são rigidamente normatizados, com a intenção de fornecer aos profissionais, tanto que projetam, como aqueles que executam, um material padronizado e que atenda com segurança as solicitações que esta edificação responderá durante toda sua vida útil. Conhecer a aplicação, as formas e tipos de perfis, é de extrema importância para a concepção de uma estrutura metálica, assim como também é importante na hora de estabelecer as ligações que serão usadas nessa ligação. Sabendo dos elementos estruturais, como pilares, vigas, contraventamentos, etc. é interessante salientar o papel das ligações e seus tipos, na hora de unir esses elementos. Podendo ser flexíveis e rígidas, estas podem ser executadas através de solda, parafusamento ou mistas. A concepção de uma estrutura metálica vai além do dimensionamento da mesma, precisa-se entender a edificação com seus volumes e formas, entender através do uso, as solicitações que essa estrutura reagirá para que seja estável e rígida, e além de tudo, econômica. 21 EXEMPLO DE EXERCÍCIOS 1- Sobre ligações é incorreto afirmar que: A – Podem ser soldadas ou parafusadas. B – Perfis não influenciam na ligação. C – Podem ser flexíveis ou rígidas. D – São de extrema importância no custo final de uma obra. E – Ligações soldadas requer mão de obra qualificada. 2 – Perfis de aço estrutural atendem diversas normas nacionais e internacionais, podem ser laminados ou soldados. Sabendo disso, qual a vantagem do perfil soldado ao laminado: A – Uso de vigas de maiores comprimentos. B – Maior versatilidade de combinações possíveis e de dimensões, até à redução do peso da estrutura C – São mais fáceis de executar as ligações. D – .Só permitem ligações rígidas. E – Só podem ser usados como pilares. PROPOSTA DE PESQUISA 1 – Procurem por detalhamentos de estruturas metálicas e identifiquem os pontos de ligação e quais ligações foram empregadas. Tentem entender a lógica da organização dos elementos, das ligações, dos usos de perfis, etc. 22 Referencias A Historia do Aço. Disponível em: < https://www.maxwell.vrac.puc- rio.br/3667/3667_3.PDF>. Acesso em: 12 de abril. 2018 AECweb. Estrutura de Aço Galvanizado para telhado. Disponível em: < https://www.aecweb.com.br/cont/m/rev/estrutura-de-aco-galvanizado-para- telhado_797_0_0>. Acesso em: 12 de abril. 2018. CBCA / Mais Arquitetura. O Aço na Construção Civil. Portal Metalica, 2004. Disponível em: < http://wwwo.metalica.com.br/o-aco-na-construcao-civil>. Acesso em: 12 de abril. 2018. CBCA / Mais Arquitetura. Preciosa Contemporaneidade: o Aço. Portal Metalica, 2004. Disponível em: < http://wwwo.metalica.com.br/preciosa-contemporaneidade-o-aco>. Acesso em: 12 de abril. 2018. NETO. Augusto Cantusio. Estruturas Metalica I. PUC – Campinas. Campinas, SP. 2018