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NOB NOAS Pacto pela Saúde Política Nacional da Atenção Básica (PNAB) Profa Helena Farias Descentralização A descentralização é um dos princípios organizativos do SUS, que pode ser entendido como uma redistribuição das responsabilidades quanto às ações e serviços de saúde entre os três níveis de governo: federal, estadual e municipal. Municipalizar a saúde, portanto, significa reconhecer o município como principal responsável pela saúde da população. A lei 8.080/90 estabelece a descentralização político-administrativa com direção única em cada esfera de governo, com ênfase na municipalização. O processo de descentralização vem ocorrendo desde 1990, por meio da edição da Norma Operacional Básica (NOBs), Norma Operacional da Assistência à Saúde (NOAS) e do Pacto pela Saúde (em 2006). A descentralização, com ênfase na municipalização da gestão dos serviços de saúde, constitui-se em uma significativa do sistema de saúde. Sua defesa, pelo movimento da reforma sanitária brasileira, parte do pressuposto de que a realidade local é o determinante principal para o estabelecimento de políticas de saúde. A universalização e integralidade da atenção, testemunha os enormes desafios para a consolidação do SUS democrático, universal, equânime e integral, devido as desigualdades sociais, econômicas e a heterogeneidade das estruturas e das condições epidemiológicas brasileiras. FINANCIAMENTO do SUS A Constituição Federal de 1988 determina que as três esferas de governo – federal, estadual e municipal – financiem o Sistema Único de Saúde (SUS), gerando receita necessária para custear as despesas com ações e serviços públicos de saúde. Os percentuais de investimento financeiro dos municípios, estados e União no SUS são definidos atualmente pela Lei Complementar nº 141, de 13 de janeiro de 2012, resultante da sanção presidencial da Emenda Constitucional 29. Por esta lei, municípios e Distrito Federal devem aplicar anualmente, no mínimo, 15% da arrecadação dos impostos em ações e serviços públicos de saúde cabendo aos estados 12%. No caso da União, o montante aplicado deve corresponder ao valor empenhado no exercício financeiro anterior, acrescido do percentual relativo à variação do Produto Interno Bruto (PIB) do ano antecedente ao da lei orçamentária anual. Norma Operacional Básica NOB-SUS 01/91 Aprovada pela Resolução nº 258/91 – Pelo extinto INAMPS. Importante no processo de construção do SUS, por representar o primeiro instrumento regulamentador dos espaços abertos deixados pelas Leis 8.080 e 8.142. Cria a AIH (Autorização de internação hospitalar); SIH (Sistema de informação hospitalar); SIA/SUS (Sistema de Informação Ambulatorial); UCA (Unidade de Cobertura Ambulatorial) e o FEM (Fator de estímulo a municipalização). Mantém o seu foco fundamentalmente ao financiamento, com valorização das atividades hospitalares e ambulatoriais, com base no pagamento pela produção de serviços. NOB-SUS 01/91 Repasse de recursos ente os governos seriam realizados através de convênios firmados entre gestores mediante cumprimento de algumas exigências: - Formação de conselho de saúde; - Criação dos fundos de saúde; - Elaboração dos planos municipais; - Criação de instrumentos de acompanhamento, controle e avaliação da execução das ações e serviços de saúde. Norma Operacional Básica NOB-SUS 01/92 Aprovada pela Portaria nº 234/92 – Pelo extinto INAMPS e pela Secretaria Nacional de Assistência à Saúde do Ministério da Saúde. Poucas mudanças; Constitui o Fundo Nacional de Saúde; IX Conferência Municipal de Saúde – fortalecendo o processo de descentralização através da temática – Saúde: Municipalização é o caminho. Espaços de pactuação permanentes entre os gestores do SUS para discussão, negociação e execução das políticas de saúde e viabilização de parcerias na realização de ações e serviços de saúde, buscando a regionalização e hierarquização necessárias para a integralidade da atenção. Comissão Intergestores Tripartite Comissão Intergestores Bipartite Norma Operacional Básica NOB-SUS 01/93 Definiu procedimentos e instrumentos operacionais que visavam ampliar e aprimorar as condições de gestão, no sentido de efetivar o comando único do SUS nas três esferas do governo. NOB-SUS 01/93 Estabelece processo de descentralização a se construir de modo gradual e flexível, estabelecendo as condições de gestão para os estado e municípios de acordo com os diferentes estágios: INCIPENTE, PARCIAL E SEMIPLENA. Cria para os estados e municípios que se enquadram em alguma modalidade de gestão o FAE (Fator de Apoio ao Estado) e o FAM (Fator de Apoio ao Município). Ainda prevalece nessa NOB uma preocupação com o financiamento da assistência médica curativa, tanto no âmbito hospitalar quanto ambulatorial. Norma Operacional Básica NOB-SUS 01/96 Intitulada “Gestão plena com responsabilidade pela saúde do cidadão” Instituída pela Portaria do Ministério da Saúde, nº 2.203/96 Reordena o modelo através da introdução da Gestão Plena da Atenção Básica Criação dos Sistemas: SIA-SUS; SIH-SUS; Siab (Sistema de informação da atenção básica da família e/ou agentes comunitários de saúde). SIM (Sistema de informação de mortalidade); Sinasc (Sistema de informação de nascidos vivos); Sinan (Sistema de informação de agravos de notificação); Sisvan (Sistema de vigilância alimentar e nutricional). NOB-SUS 01/96 Transferência de recursos financeiros fundo a fundo Avaliação e controle baseados em resultados decorrentes de programações com critérios epidemiológicos Estabelecer mecanismos e fluxos de transferência automática; Criar instrumentos gerenciais para que os Estados e Municípios assumam seu papel de gestor no SUS; Redefinir o papel de cada esfera de governo para garantir o comando único; Implantação a partir de 1998 com a criação do CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). Incentivos para os programas PACS e PSF; Editada pela portaria 95/01 do Ministério da Saúde, com o objetivo de promover maior equidade na alocação de recursos e no acesso da população às ações e serviços de saúde em todos os níveis de atenção. 1. Regionalização e organização da assistência; 2. Fortalecimento da capacidade de gestão do SUS; 3. Atualização de critérios de habilitação de estados e municípios. Normas Operacionais da Assistência à Saúde NOAS SUS 01/2001 – NOAS SUS 01/2002 NOAS-SUS Regionalização e organização da assistência: 1. Elaborar o plano diretor de regionalização (PDR); 2. Ampliar o acesso e a qualidade da atenção básica; 3. Qualificar as microrregiões na Assistência à Saúde; 4. Organizar os serviços de média complexidade; 5. Programar a política de atenção de alta complexidade/custo no SUS. NOAS-SUS Fortalecimento da capacidade de gestão no SUS: 1. O processo de programação da assistência; 2. As responsabilidades de cada nível de governo na garantia de acesso da população referenciada; 3. O processo de controle, avaliação e regulação da assistência. NOAS-SUS Atualização de critérios de habilitação de estados e municípios: 1. Gestão Avançada do Sistema Estadual; 2. Gestão Plena do Sistema Estadual; 3. Gestão Plena da Atenção Básica Ampliada; 4. Gestão Plena do Sistema Municipal. 5. Criação dos Instrumentos Operacionais: - Agenda da Saúde; Plano de Saúde; Plano Diretor de Regionalização (PDR); Plano Diretor de Investimento (PDI); Programação Pactuada e Integrada (PPI); Relatório de Gestão (RG). Pacto pela Saúde Aprovado através da Portaria n.399/2006 Pactuação de responsabilidadesentre os três gestores do SUS. Pacto pela Vida Pacto em Defesa do SUS Pacto de Gestão do SUS Pacto pela Vida Saúde do Idoso; Controle do câncer do colo do útero e de mama; Redução da mortalidade infantil e materna; Fortalecimento da capacidade de resposta às doenças emergentes e endemias, com ênfase na dengue, hanseníase, tuberculose, malária e influenza; Promoção da saúde, com ênfase na atividade física regular e alimentação saudável; Fortalecimento da atenção básica. Pacto em Defesa do SUS Articulação e apoio à mobilização social pela promoção e desenvolvimento da cidadania; Estabelecimento de diálogo com a sociedade; Ampliação e fortalecimento de relações com os movimentos sociais; Elaboração e publicação da carta dos direitos dos usuários do SUS; Pacto de Gestão do SUS Definição das competências de cada esfera de governo. Aprova a Política Nacional de Atenc ̧a ̃o Ba ́sica. Portaria no 648/GM de 28 de março de 2006 CAPÍTULO I Da Atenc ̧ão Básica 1 - DOS PRINCI ́PIOS GERAIS A Atenc ̧a ̃o Ba ́sica caracteriza-se por um conjunto de ac ̧ões de sau ́de, no a ̂mbito individual e coletivo, que abrangem a promoça ̃o e a proteça ̃o da sau ́de, a prevenc ̧a ̃o de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitac ̧ão e a manutenc ̧a ̃o da saúde. É o contato preferencial dos usua ́rios com os sistemas de saúde. Orienta-se pelos princípios da universalidade, da acessibilidade e da coordenac ̧a ̃o do cuidado, do vínculo e continuidade, da integralidade, da responsabilizac ̧a ̃o, da humanizaça ̃o, da equidade e da participac ̧ão social. A Atenc ̧a ̃o Ba ́sica tem como fundamentos: 1 - Possibilitar o acesso universal e contínuo a servic ̧os de sau ́de de qualidade e resolutivos, caracterizados como a porta de entrada preferencial do sistema de sau ́de, com território adscrito de forma a permitir o planejamento e a programação descentralizada, e em consona ̂ncia com o princípio da equidade; 2 - Efetivar a integralidade em seus va ́rios aspectos, a saber: integrac ̧ão de ac ̧ões programa ́ticas e demanda esponta ̂nea; articulac ̧ão das ac ̧ões de promoc ̧a ̃o à sau ́de, prevenc ̧a ̃o de agravos, vigila ̂ncia à saúde, tratamento e reabilitac ̧a ̃o, trabalho de forma interdisciplinar e em equipe, e coordenac ̧a ̃o do cuidado na rede de servic ̧os; 3 - Desenvolver relações de vínculo e responsabilizac ̧ão entre as equipes e a populaça ̃o adscrita garantindo a continuidade das ac ̧ões de sau ́de e a longitudinalidade do cuidado; 4 - Valorizar os profissionais de saúde por meio do estímulo e do acompanhamento constante de sua formac ̧ão e capacitac ̧ão; 5 - Realizar avaliac ̧ão e acompanhamento sistema ́tico dos resultados alcanc ̧ados, como parte do processo de planejamento e programac ̧ão; e 6 - Estimular a participac ̧a ̃o popular e o controle social. DA INFRA-ESTRUTURA E DOS RECURSOS NECESSÁRIOS Existência de equipe multiprofissional responsável por, no máximo, 4.000 habitantes, sendo a média recomendada de 3.000 habitantes, com jornada de trabalho de 40 horas semanais para todos os seus integrantes e composta por, no mínimo, médico, enfermeiro, técnico de enfermagem e Agentes Comunitários de Sau ́de; número de ACS suficiente para cobrir 100% da populac ̧ão cadastrada, com um máximo de 750 pessoas por ACS consultório médico, consulto ́rio odontológico e consultório de enfermagem para os profissionais da Atenc ̧ão Básica; área de recepc ̧ão, local para arquivos e registros, uma sala de cuidados básicos de enfermagem, uma sala de vacina e sanitários, por unidade; equipamentos e materiais adequados ao elenco de ac ̧o ̃es pro- postas, de forma a garantir a resolutividade da Atenc ̧ão Básica; garantia dos fluxos de refere ̂ncia e contra-refere ̂ncia aos serviços especializados, de apoio diagno ́stico e terape ̂utico, ambulatorial e hospitalar. DO PROCESSO DE TRABALHO DAS EQUIPES DE ATENÇÃO BÁSICA Gerar/obter dados (Mapear e cadastrar) Analisar dados (Diagnóstico de saúde) Planejar as ações de saúde Intervir nas necessidades Avaliar os resultados A organização do NASF A composiça ̃o do NASF deverá ser definida pelos gestores municipais, a partir dos dados epidemiológicos, das necessidades locais e das equipes de saúde que sera ̃o apoiadas. Esses núcleos devem funcionar em hora ́rio de trabalho coincidente com o das referidas equipes que apoiam, ale ́m de estar vinculados aos pólos do Programa Academia da Saúde de seu território de abrange ̂ncia. Os profissionais que compõem o NASF Médico Acupunturista; Assistente Social; Profissional/Professor de Educac ̧ão Física; Farmacêutico; Fisioterapeuta; Fonoaudio ́logo; Médico Ginecologista/Obstetra; Me ́dico Homeopata; Nutricionista; Me ́dico Pediatra; Psicólogo; Me ́dico Psiquiatra; Terapeuta Ocupacional; Me ́dico Geriatra; Médico Internista (clínica médica); Me ́dico do Trabalho; profissional com formac ̧ão em arte e educação (arte- educador); e profissional de saúde sanitarista, ou seja, profissional graduado na área de saúde com pós- graduac ̧a ̃o em saúde pública ou coletiva ou graduado diretamente em uma dessas áreas (BRASIL, 2011). Destaque É importante lembrar que o NASF, apesar de estar vinculado à Atenc ̧ão Básica, não se constitui em porta de entrada do sistema para os usuários, e sua func ̧ão e ́ oferecer apoio ao trabalho das Equipes de Saúde da Família. Ele, à semelhanc ̧a desta, leva em conta a territorialização, a educaça ̃o permanente em saúde, a participac ̧ão social, a promoc ̧ão da saúde e a integralidade – esta última, a principal diretriz do SUS a ser praticada por esse núcleo (BRASIL, 2009).