Paciente Critico e Semi Critico
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Paciente Critico e Semi Critico


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Enfermagem no Paciente 
Crítico e Semicrítico
Autoria: Kelly Lopes de Araújo Appel
Tema 01
Humanização da assistência
Tema 02
Distúrbios respiratórios
Índice
Índice
Tema 01: Humanização da assistência 7
Tema 02: Distúrbios respiratórios 25
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ões
Tema 01
Humanização da assistência
Como citar este material:
APPEL, Kelly Lopes de Araújo. Enfermagem no 
Paciente Crítico e Semicrítico: Humanização da 
assistência. Caderno de Atividades. Valinhos: 
Anhanguera Educacional, 2014.
SeçõesSeções
Tema 01
Humanização da assistência
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Conteúdo
Nessa aula você estudará: 
\u2022	 O interesse pelo cuidado mais humanizado com pacientes críticos e semicríticos.
\u2022	 O cuidado no contexto humano na Unidade de Terapia Intensiva.
\u2022	 A ética no tratamento intensivo.
CONTEÚDOSEHABILIDADES
Introdução ao Estudo da Disciplina 
Caro(a) aluno(a).
Este Caderno de Atividades foi elaborado com base no livro: Manual de terapia intensiva, 
dos autores Richard S. Irwin e James M. Rippe, Editora Guanabara Koogan, PLT 586, 2007.
Roteiro de Estudo:
Kelly Lopes de Araújo 
Appel
Enfermagem no Paciente 
Crítico e Semicrítico 
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Habilidades 
Ao final, você deverá ser capaz de responder as seguintes questões:
\u2022	 Como podemos adquirir o interesse pelo cuidado mais humanizado com pacientes 
críticos e semicríticos?
\u2022	 Como podemos ter a concepção do cuidado na Unidade de Terapia Intensiva?
\u2022	 Como podemos entender a ética no tratamento intensivo?
CONTEÚDOSEHABILIDADES
Humanização da Assistência
A humanização na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde são atendidos pacientes 
críticos e semicríticos, significa o cuidado do paciente como um todo, englobando o contexto 
social e familiar. Deve ser incorporada à esta prática a esperança, os valores, os aspectos 
culturais e as preocupações de cada envolvido no processo do cuidar. 
Em 1854, a Inglaterra, a França e a Turquia declararam guerra à Rússia, 
a chamada Guerra da Crimeia. Visto que muitos soldados feridos estavam 
morrendo no Hospital Barrack, na Turquia, Florence foi convocada pelo governo 
inglês para liderar um grupo de voluntárias que atenderia os soldados feridos. 
Ao deparar-se com as condições precárias de atendimento e higiene, Florence 
institui um dos princípios básicos da moderna terapia intensiva, separando 
os pacientes mais graves e colocando-os em uma situação que favorecia o 
cuidado por meio da observação constante (SILVA et al, 2012, p. 3).
Segundo Jones et al (1979), as UTIs foram desenvolvidas com a finalidade de oferecer 
atenção contínua e suporte avançado aos pacientes críticos, com risco de morte, utilizando 
alta tecnologia no auxílio ou substituição da função de órgãos vitais.
No tratamento de pacientes graves ou de cuidados críticos, na falência pulmonar, conforme Silva et 
al (2012), os ventiladores substituem os pulmões; os cardiotônicos os antiarrítmicos, os fármacos 
vasoativos mantém o funcionamento cardiocirculatório e os dialisadores o trabalho renal. 
LEITURAOBRIGATÓRIA
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LEITURAOBRIGATÓRIA
Porém, os aparelhos sofisticados e os avanços tecnológicos não são capazes de aliviar a 
dor dos pacientes, identificada como o maior estressor e a pior lembrança da UTI, segundo 
Stanik-Hutt (1998).
Os benefícios advindos do progresso das ciências são inegáveis para Silva et al (2012). 
Nos últimos cinquenta anos, sem a utilização da tecnologia na recuperação da saúde e 
manutenção da vida, provavelmente, a expectativa de vida não teria crescido tanto para 
os recém-nascidos em idade gestacional precoce, crianças com crises asmáticas e adultos 
com doenças renais. Sem essas formas de tratamento, não sobreviveriam. 
Para Silva et al (2012, p. 4) \u201cse a assistência não for empregada levando-se em conta os 
valores humanos e éticos, ela perde seu sentido de existência\u201d, e ainda descreve:
Um valor produzido pelo conhecimento deve derivar-se do valor pela vida. Se o 
uso da tecnologia e dos processos de trabalho é decorrente do conhecimento 
humano, mas obscurece o próprio ser humano, pode-se concluir que o homem 
se perdeu em alguma etapa do processo ou deixou-se dominar pela máquina.
Na atualidade, segundo Pessini (2004), todo o sistema de saúde está passando por uma 
crise de identidade e valores, na qual o processo e a tecnociência parecem ser valorizados 
em detrimento do indivíduo. 
Ainda de acordo com Pessini (2004), com frequência, são observados ambientes 
tecnicamente perfeitos, mas sem ternura e alma humana. É ainda mais notória essa 
desumanização do cuidado nas UTIs, por conta da realização de procedimentos técnicos, do 
domínio operacional dos aparelhos e de o cuidador e o ser cuidado estarem mais afastados. 
A enfermagem descrita por Barnand (1997), como ciência do cuidar, é norteada por 
conceitos humanísticos, mas, nas últimas décadas, de modo crítico, tem adotado valores 
mecanicistas que modificaram profundamente sua prática. 
Segundo Barnand (1997), existem enfermeiros especializados e capacitados para o domínio 
de equipamentos, mas pouco afetivos, pois possuem dificuldades no atendimento às 
necessidades humanas básicas dos pacientes e problemas de relacionamento no trabalho 
em equipe.
Para Pessini (2004), enfermeiros descontentes com o cenário que coisifica e desvaloriza o 
ser humano e por enfocar o aspecto técnico do cuidado, tem levado a repensar a prática e 
resgatar os valores humanísticos que embasam sua profissão. 
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No momento, conforme descreve Pessini (2004), as UTIs buscam resgatar movimentos 
de humanização, na tentativa de aliar a competência técnico-científica ao humanismo, que 
recomenda e indica a compaixão e o respeito à dignidade humana.
Humanizar a assistência nas UTIs é integrar, ao conhecimento técnico-científico, a 
responsabilidade, a sensibilidade, a ética e a solidariedade no cuidado ao paciente e seus 
familiares e na interação com a equipe.
A humanização pressupõe aliviar a dor e o sofrimento do outro; compaixão, 
ou seja, empatia traduzida em ação solidária concreta; respeito à dignidade e 
autonomia do outro; compreensão do significado da vida, em seus aspectos 
éticos, culturais, econômicos, sociais e educacionais; e valorização da dimensão 
humana do paciente em detrimento de sua patologia (SILVA et al; 2012, p. 5).
Segundo Brasil (2000, p. 5), o movimento de humanização não é restrito às UTIs, mas a 
todo o sistema de saúde brasileiro:
(...) Na avaliação do público, a forma de atendimento, a capacidade 
demonstrada pelos profissionais de saúde para compreender suas demandas 
e suas expectativas são fatores que chegam a ser mais valorizados que a 
falta de médicos, a falta de espaço nos hospitais e a falta de medicamentos. 
(...) As tecnologias e os dispositivos organizacionais não funcionam sozinhos 
\u2013 sua eficácia é fortemente influenciada pela qualidade do fator humano e do 
relacionamento que se estabelece entre profissionais e usuários no processo 
de atendimento.
Para atender a essas necessidades, em maio de 2000, o governo federal regulamentou o 
Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (PNHAH), com a finalidade 
de criar uma cultura de humanização.
Esse programa tem a iniciativa de resgatar o atendimento humanizado descrito em Brasil 
(2000), trabalhando com o incentivo ao bom relacionamento entre profissionais de saúde 
e pacientes. Nele é destacada claramente pelo programa a importância da associação 
entre os aspectos tecnológicos da assistência e as habilidades de relacionamento dos 
profissionais de saúde para a melhora da qualidade assistencial, sendo assim considerado, 
um dos fatores estratégicos a comunicação adequada para um atendimento mais humano 
e solidário.
As propostas do PNHAH abrangeram alguns hospitais da rede pública, capacitando os 
trabalhadores e estimulando o trabalho em equipe multiprofissional e