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Enfermagem no Paciente Crítico e Semicrítico Autoria: Kelly Lopes de Araújo Appel Tema 01 Humanização da assistência Tema 02 Distúrbios respiratórios Índice Índice Tema 01: Humanização da assistência 7 Tema 02: Distúrbios respiratórios 25 seç ões Tema 01 Humanização da assistência Como citar este material: APPEL, Kelly Lopes de Araújo. Enfermagem no Paciente Crítico e Semicrítico: Humanização da assistência. Caderno de Atividades. Valinhos: Anhanguera Educacional, 2014. SeçõesSeções Tema 01 Humanização da assistência 7 Conteúdo Nessa aula você estudará: • O interesse pelo cuidado mais humanizado com pacientes críticos e semicríticos. • O cuidado no contexto humano na Unidade de Terapia Intensiva. • A ética no tratamento intensivo. CONTEÚDOSEHABILIDADES Introdução ao Estudo da Disciplina Caro(a) aluno(a). Este Caderno de Atividades foi elaborado com base no livro: Manual de terapia intensiva, dos autores Richard S. Irwin e James M. Rippe, Editora Guanabara Koogan, PLT 586, 2007. Roteiro de Estudo: Kelly Lopes de Araújo Appel Enfermagem no Paciente Crítico e Semicrítico 8 Habilidades Ao final, você deverá ser capaz de responder as seguintes questões: • Como podemos adquirir o interesse pelo cuidado mais humanizado com pacientes críticos e semicríticos? • Como podemos ter a concepção do cuidado na Unidade de Terapia Intensiva? • Como podemos entender a ética no tratamento intensivo? CONTEÚDOSEHABILIDADES Humanização da Assistência A humanização na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde são atendidos pacientes críticos e semicríticos, significa o cuidado do paciente como um todo, englobando o contexto social e familiar. Deve ser incorporada à esta prática a esperança, os valores, os aspectos culturais e as preocupações de cada envolvido no processo do cuidar. Em 1854, a Inglaterra, a França e a Turquia declararam guerra à Rússia, a chamada Guerra da Crimeia. Visto que muitos soldados feridos estavam morrendo no Hospital Barrack, na Turquia, Florence foi convocada pelo governo inglês para liderar um grupo de voluntárias que atenderia os soldados feridos. Ao deparar-se com as condições precárias de atendimento e higiene, Florence institui um dos princípios básicos da moderna terapia intensiva, separando os pacientes mais graves e colocando-os em uma situação que favorecia o cuidado por meio da observação constante (SILVA et al, 2012, p. 3). Segundo Jones et al (1979), as UTIs foram desenvolvidas com a finalidade de oferecer atenção contínua e suporte avançado aos pacientes críticos, com risco de morte, utilizando alta tecnologia no auxílio ou substituição da função de órgãos vitais. No tratamento de pacientes graves ou de cuidados críticos, na falência pulmonar, conforme Silva et al (2012), os ventiladores substituem os pulmões; os cardiotônicos os antiarrítmicos, os fármacos vasoativos mantém o funcionamento cardiocirculatório e os dialisadores o trabalho renal. LEITURAOBRIGATÓRIA 9 LEITURAOBRIGATÓRIA Porém, os aparelhos sofisticados e os avanços tecnológicos não são capazes de aliviar a dor dos pacientes, identificada como o maior estressor e a pior lembrança da UTI, segundo Stanik-Hutt (1998). Os benefícios advindos do progresso das ciências são inegáveis para Silva et al (2012). Nos últimos cinquenta anos, sem a utilização da tecnologia na recuperação da saúde e manutenção da vida, provavelmente, a expectativa de vida não teria crescido tanto para os recém-nascidos em idade gestacional precoce, crianças com crises asmáticas e adultos com doenças renais. Sem essas formas de tratamento, não sobreviveriam. Para Silva et al (2012, p. 4) “se a assistência não for empregada levando-se em conta os valores humanos e éticos, ela perde seu sentido de existência”, e ainda descreve: Um valor produzido pelo conhecimento deve derivar-se do valor pela vida. Se o uso da tecnologia e dos processos de trabalho é decorrente do conhecimento humano, mas obscurece o próprio ser humano, pode-se concluir que o homem se perdeu em alguma etapa do processo ou deixou-se dominar pela máquina. Na atualidade, segundo Pessini (2004), todo o sistema de saúde está passando por uma crise de identidade e valores, na qual o processo e a tecnociência parecem ser valorizados em detrimento do indivíduo. Ainda de acordo com Pessini (2004), com frequência, são observados ambientes tecnicamente perfeitos, mas sem ternura e alma humana. É ainda mais notória essa desumanização do cuidado nas UTIs, por conta da realização de procedimentos técnicos, do domínio operacional dos aparelhos e de o cuidador e o ser cuidado estarem mais afastados. A enfermagem descrita por Barnand (1997), como ciência do cuidar, é norteada por conceitos humanísticos, mas, nas últimas décadas, de modo crítico, tem adotado valores mecanicistas que modificaram profundamente sua prática. Segundo Barnand (1997), existem enfermeiros especializados e capacitados para o domínio de equipamentos, mas pouco afetivos, pois possuem dificuldades no atendimento às necessidades humanas básicas dos pacientes e problemas de relacionamento no trabalho em equipe. Para Pessini (2004), enfermeiros descontentes com o cenário que coisifica e desvaloriza o ser humano e por enfocar o aspecto técnico do cuidado, tem levado a repensar a prática e resgatar os valores humanísticos que embasam sua profissão. 10 No momento, conforme descreve Pessini (2004), as UTIs buscam resgatar movimentos de humanização, na tentativa de aliar a competência técnico-científica ao humanismo, que recomenda e indica a compaixão e o respeito à dignidade humana. Humanizar a assistência nas UTIs é integrar, ao conhecimento técnico-científico, a responsabilidade, a sensibilidade, a ética e a solidariedade no cuidado ao paciente e seus familiares e na interação com a equipe. A humanização pressupõe aliviar a dor e o sofrimento do outro; compaixão, ou seja, empatia traduzida em ação solidária concreta; respeito à dignidade e autonomia do outro; compreensão do significado da vida, em seus aspectos éticos, culturais, econômicos, sociais e educacionais; e valorização da dimensão humana do paciente em detrimento de sua patologia (SILVA et al; 2012, p. 5). Segundo Brasil (2000, p. 5), o movimento de humanização não é restrito às UTIs, mas a todo o sistema de saúde brasileiro: (...) Na avaliação do público, a forma de atendimento, a capacidade demonstrada pelos profissionais de saúde para compreender suas demandas e suas expectativas são fatores que chegam a ser mais valorizados que a falta de médicos, a falta de espaço nos hospitais e a falta de medicamentos. (...) As tecnologias e os dispositivos organizacionais não funcionam sozinhos – sua eficácia é fortemente influenciada pela qualidade do fator humano e do relacionamento que se estabelece entre profissionais e usuários no processo de atendimento. Para atender a essas necessidades, em maio de 2000, o governo federal regulamentou o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (PNHAH), com a finalidade de criar uma cultura de humanização. Esse programa tem a iniciativa de resgatar o atendimento humanizado descrito em Brasil (2000), trabalhando com o incentivo ao bom relacionamento entre profissionais de saúde e pacientes. Nele é destacada claramente pelo programa a importância da associação entre os aspectos tecnológicos da assistência e as habilidades de relacionamento dos profissionais de saúde para a melhora da qualidade assistencial, sendo assim considerado, um dos fatores estratégicos a comunicação adequada para um atendimento mais humano e solidário. As propostas do PNHAH abrangeram alguns hospitais da rede pública, capacitando os trabalhadores e estimulando o trabalho em equipe multiprofissional ea gestão de indivíduos como cuidadores (BRASIL, 2004). LEITURAOBRIGATÓRIA 11 LEITURAOBRIGATÓRIA Com o objetivo de estabelecer um caráter transversal à cultura de humanização, em 2004, o Ministério da Saúde estabeleceu a Política Nacional de Humanização (PNH), para atingir todos os níveis de atenção à saúde, conhecida como Humaniza SUS. Para Fortes (2004), além de estabelecer estratégias e diretrizes para a implementação da cultura de humanização nas instituições, por nível de atenção, a PNH complementa e aprimora o programa anterior, agregando a necessidade de melhora dos aspectos organizacionais do atendimento à população. Vale destacar que a humanização das UTIs é um dever moral, ético e legal dos profissionais de saúde. Diversas leis federais e estaduais, além da PNH, garantem o direito a um atendimento à saúde mais digno (FORTES; 2004). Conforme Brasil (1988), a Constituição Brasileira ao afirmar a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito, oferece o amparo legal à humanização em seu art. 1º, inc. 3º. Em relação aos enfermeiros, conforme Silva et al (2012), o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, em seu art. 3º, quanto aos princípios fundamentais da profissão, norteia a prática profissional à dignidade, aos direitos do ser humano e ao respeito à vida, em todas as suas dimensões. Paris et al (2007), ressalta que a ética médica aplica princípios morais e escolhas feitas em um contexto médico, com princípios básicos de bioética características de autonomia, beneficência, não maleficência, justiça e a verdade. Preceitos estes que a equipe de enfermagem preza para garantir a humanização no cuidado ao paciente crítico. Para entendermos um pouco mais sobre a humanização em UTIs, Silva et al (2012, p. 9) traz o seguinte estudo: Um estudo da Faculdade de Medicina da Bahia identificou e estratificou os estressores para pacientes internados em UTI, por meio de três perspectivas: a do paciente, a dos familiares e a dos profissionais de saúde. Para tal objetivo, os autores utilizaram a Escala de Estressores em UTI (Intensive Care Unit Environmental Stressor Scale – ICUSS), que é composta de 40 itens escalonados de 1 (não estressante) a 4 (muito estressante). Os principais estressores para os pacientes foram: ver a família e os amigos por apenas alguns minutos do dia, ficar com tubos no nariz e/ou boca e não ter controle de si mesmo, enquanto para os familiares, foram: não conseguir dormir, ter dor e ser dependente dos tubos. Por fim, os profissionais que estavam em contato com esses pacientes relataram como estressores: ter dor e escutar o barulho e os alarmes dos equipamentos. 12 Segundo Sanvito (2000), a experiência de estar internado em uma UTI e de passar pelo estado de coma é um processo complexo, que pode deixar marcas profundas nos indivíduos que vivenciam essa situação Muitas dessas marcas não estão somente ligadas ao coma em si, mas, durante esse processo, às experiências de ter sido “descuidado” levando muitos doentes a precisar se recuperar não apenas da doença, mas também do fato de terem se tornado “pacientes”. Por causa desse fato, o mesmo autor cita que apesar dos avanços teóricos acerca do cuidado, quase exclusivamente, a prática ainda está baseada em ações profissionais despersonalizadas, em que o ser se torna a doença, o objeto passivo da investigação e do tratamento. “O cuidado da enfermagem, com certeza, é um dos itens mais difíceis de ser implementado” (VILA & ROSSI, 2002, p. 138). Em decorrência da rotina diária e complexa que envolve o ambiente da UTI, os membros da equipe de enfermagem esquecem-se de tocar e conversar com o ser humano que está à sua frente (VILA & ROSSI, 2002). Ao realizar uma atividade técnica, sem estar presente de corpo, mente e espírito, o profissional não está realmente cuidando, mas, sim, realizando um procedimento (WALDOW, 2001). O ambiente da UTI, ou seja, o espaço relacional do paciente com a sua família e com a equipe multiprofissional pode e deve ser agradável para todos os segmentos envolvidos. Para isso, é necessário que haja mudança de paradigmas e um melhor planejamento de construções e reformas nas UTIs. O uso adequado de cores (nas paredes e nos tetos), espaços com dimensões confortáveis e adequadas ao manuseio e à mobilização dos pacientes e mobiliário funcional são aspectos dessa mudança. Para que o processo de humanização seja completo na UTI, os profissionais devem sentir que fazem parte do processo humanizado, para garantir a qualidade do atendimento. LEITURAOBRIGATÓRIA 13 LINKSIMPORTANTES Quer saber mais sobre o assunto? Então: Sites Acesse o site do Ministério da Saúde: Rede HumanizaSUS. Você terá a possibilidade de contemplar vídeos, legislações, informativos, publicações, eventos e muito mais. Disponível em: <http://www.redehumanizasus.net/4-a-rede-humaniza-sus>. Acesso em: 2 jan. 2014. Artigos Leia o artigo “O grupo de trabalho de humanização e a humanização da assistência hospitalar: percepção de usuários, profissionais e gestores” de Adir Valdemar Garcia, Cleonte Elena Argenta, Kristiane Rico Sanchez e Márcia Lange de São Thiago. Physis - Revista Saúde Coletiva, 2010. Este artigo ampliará seus conhecimentos sobre o aspecto humanizar na assistência hospitalar na percepção de usuários, profissionais e gestores. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/physis/v20n3/v20n3a07.pdf>. Acesso em 2 jan. 2014. Leia o artigo “Humanização das práticas do profissional de saúde – contribuições para reflexão” de Bárbara Niegia Garcia de Goulart e Brasília Maria. Revista Ciências e saúde coletiva, 2010. Este artigo ampliará seus conhecimentos sobre o aspecto humanizar nas práticas de profissionais de saúde. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/csc/v15n1/ a31v15n1.pdf>. Acesso em: 2 jan. 2014. Leia o capítulo “Humanização em terapia intensiva” de Maria Júlia Paes da Silva, Mônica Martins Trovo Araújo e Ana Cláudia G. PuGGina Cap. 12, p. 1-43. Esse capítulo discorre aspectos éticos e morais no cuidar humanizado em uma Unidade de Terapia Intensiva, sintetizando mais o seu aprendizado. Disponível em: <http://www.claudiapuggina.com/producao/Cap%20 Humanizacao%20em%20Terapia%20Intensiva.pdf> Acesso em: 2 jan. 2014. 14 Vídeos Assista ao vídeo: Humanização no atendimento hospitalar. O vídeo esclarece a humanização compartilhada entre o cuidador e o ser cuidado. Disponível em: <http://www.youtube.com/ watch?v=2ZZHulWVQmE>. Acesso em: 2 jan. 2014. Assista ao vídeo: Vídeo Rede Humaniza SUS Camaçari. O vídeo esclarece como o Programa Rede Humaniza SUS aborda os aspectos da humanização hospitalar. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=CtrBgUWYBpY>. Acesso em: 2 jan. 2014. Assista ao vídeo: Humaniza SUS. O vídeo estimula o Programa Rede Humaniza SUS que aborda os aspectos da humanização hospitalar. Disponível em: <http://www.youtube.com/ watch?v=SoDir40syWY>. Acesso em: 2 jan. 2014. AGORAÉASUAVEZ Instruções: Chegou a hora de você exercitar seu aprendizado por meio das resoluções das questões deste Caderno de Atividades. Essas atividades auxiliarão você no preparo para a avaliação desta disciplina. Leia cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido e para o modo de resolução de cada questão. Lembre-se: você pode consultar o Livro-Texto e fazer outras pesquisas relacionadas ao tema. LINKSIMPORTANTES 15 Questão 1: O Ministério da Saúde no Brasil, em 2000, iniciou o resgate do atendimento humanizado em toda rede de saúde, inclusive hospitalar. Como eles trabalham esses aspectos? Questão 2: Em 1854, Inglaterra, França e Turquia declararam guerra à Rússia, a chamada Guerra da Crimeia. Visto que muitos soldados feridos estavam morrendo no Hospital Barrack,na Turquia, uma enfermeira foi convocada pelo governo inglês para liderar um grupo de voluntárias que atenderia os soldados feridos. Ao deparar-se com as condições precárias de atendimento e higiene, essa enfermeira institui um dos princípios básicos da moderna terapia intensiva, separando os pacientes mais graves e colocando-os em uma situação que favorecia o cuidado por meio da observação constante. Qual era o nome da Enfermeira precursora nos cuidados intensivos? a) Jean Watson. b) Florence Nightingale. c) Madeleine Leininger. d) Hildegard Peplau. e) Virgínia Henderson. Questão 3: Nas UTIs, o tratamento aos pacientes gra- ves ou de cuidados críticos, na falência pulmonar, _______________ substituem os pulmões; os ______________ os antiar- rítmicos, os ________________________ mantém o funcionamento cardiocirculatório e os dialisadores o trabalho renal. Assinale a alternativa CORRETA para completar a frase descrita por Silva et al (2012). a) Os ventiladores, cardiotônicos e fárma- cos vasoativos. b) O oxigênio, cardiotônicos e fármacos vasoativos. c) Os ventiladores, corticoides e fárma- cos dialíticos. d) O oxigênio, corticoides e fármacos dia- líticos. e) Os ventiladores, cardiotônicos e fár- macos dialíticos. Questão 4: O governo federal propôs um programa que abrange alguns hospitais da rede pública, capacitando os trabalhadores e estimulan- do o trabalho em equipe multiprofissional e a gestão de indivíduos como cuidadores. Qual é esse programa? Assinale a alterna- tiva CORRETA. AGORAÉASUAVEZ 16 a) Política Nacional de Humanização. b) Política Internacional de Humanização. c) Programa político de humanização. d) Humaniza SUS. e) Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar. Questão 5: Com o objetivo de estabelecer um caráter transversal à cultura de humanização, o Ministério da Saúde estabeleceu a Política Nacional de Humanização (PNH), para atingir todos os níveis de atenção à saúde, conhecida como Humaniza SUS. Assinale a alternativa CORRETA que corresponda ao ano de início desse programa. a) 2002. b) 2012. c) 2004. d) 2001. e) 2006. Questão 6: A Constituição Brasileira oferece o amparo legal à humanização. Qual é esse artigo e o que ela afirma? Descreva. Questão 7: Segundo Sanvito (2000), a experiência de estar internado em uma UTI e de passar pelo estado de coma é um processo complexo, que pode deixar marcas profundas nos indivíduos que vivenciam essa situação. Quais são essas marcas? Descreva-as. Questão 8: Em decorrência da rotina diária e complexa que envolve o ambiente da UTI, o que acontece com os membros da equipe de enfermagem? Questão 9: O que a autora Regina Waldow (2001), afirma sobre o cuidado tecnicista? Questão 10: A enfermagem como ciência do cuidar, é norteada por conceitos humanísticos, mas, nas últimas décadas, de modo crítico, tem adotado valores mecanicistas, que modificaram profundamente sua prática. Temos enfermeiros especializados e capacitados. O que está acontecendo atualmente no cuidado de enfermagem? AGORAÉASUAVEZ 17 Nesse tema, você aprendeu sobre como profissionais da área da saúde estão envolvidos em atividades que podem ser humanizadoras. No desenvolvimento do conteúdo, encontramos que o ser humano esteve sujeito aos processos de evolução e exigência de uma sociedade e que no decorrer nos anos, o cuidado com os enfermos foram ficando estigmatizados pelas evoluções tecnológicas. O cuidado deve ser prestado com muito amor, abnegação, compaixão, competência, confiança, consciência e comprometimento. Caro aluno, agora que o conteúdo dessa aula foi concluído, não se esqueça de acessar sua ATPS e verificar a etapa que deverá ser realizada. Bons estudos! FINALIZANDO IRWIN, R. S. RIPPE, J. M. Manual de Terapia Intensiva. Rio de Janeiro, RJ: Guanabara Koogan, 2007. SILVA, M. J. P, ARAÚJO, M. M. T, PUGGINA, A. C. G. Humanização em terapia intensiva. Cap. 12, p. 1-43. 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Brasília: Ministério da Saúde, 2004. FORTES, P.A.C. Ética, direito dos usuários e políticas de humanização da atenção à saúde. Saúde e Sociedade, 2004;13(3):30-5. Brasil. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília; 1988. Disponível em: <http:// www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=4&ved=0CEcQFjAD&u rl=http%3A%2F%2Fportal.saude.gov.br%2Fportal%2Farquivos%2Fpdf%2Fconstituicao_ saude_idoso.pdf&ei=OHl7UuT0HoyskAfqt4CYCA&usg=AFQjCNEW4v2f5W8tKone8PdsT d5s3Z8Fmg&sig2=_3meUx5owwqWTNOUFGDKsA&bvm=bv.56146854,d.eW0> Acesso em: 2 jan. 2014. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen n. 311/2007 – Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. PARIS, J. J. WEBSTER, G. REARDON, F. E. Problemas éticos e legais no tratamento intensivo. In: IRWIN. R. S. RIPPE, J. M. Manual de terapia intensiva. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. P. 913-917. SANVITO, W. L. Propedêutica neurológica básica. São Paulo: Atheneu, 2000. VILA, V. S. C, ROSSI, L. A. O significado cultural do cuidado humanizado em unidade de terapia intensiva: “muito falado e pouco vivido”. Rev Lat Am Enferm, 2002;10(2):137-44. WALDOW, V. R. O cuidado humano: reflexões sobre o processo de enfermagem versus processo de cuidar. Rev Enferm UERJ. 2001; 9(3):284-93. REFERÊNCIAS 19 GLOSSÁRIO Contexto: Conjunto de circunstâncias que acompanham um acontecimento; julgar um fato em seu contexto histórico. Cardiotônico: Que estimula o coração a bater. Dialisadores: Que dialisa, que promove a diálise (líquido dialisador). Aparelho próprio para dialisar: A hemodiálise usa um dialisador, filtro especial para limpar o sangue. Aparelho próprio para dialisar: A hemodiálise usa um dialisador, filtro especial para limpar o sangue. Pressupõe: adivinha; conjectura; imagina; julga; pressente; supõe. GABARITO Questão 1 Resposta: Com a iniciativa de resgatar o atendimento humanizado, descrito em Brasil (2000), o Ministério da saúde trabalha com o incentivo ao bom relacionamento entre profissionais de saúde e pacientes, onde o programa destaca claramente a importância da associação entre os aspectos tecnológicos da assistência e as habilidades de relacionamento dos profissionais de saúde para a melhora da qualidade assistencial, sendo assim considerado um dos fatores estratégicos a comunicação adequada para um atendimento mais humano e solidário. 20 Questão 2 Resposta: Alternativa B. Justificativa: Florence Nightingale uma enfermeira britânica que ficou famosa por ser pioneira no tratamento a feridos de guerra, durante a Guerra da Crimeia. Ficou conhecida na história pelo apelido de “A dama da lamparina”, pelo fato de servir-se deste instrumento para auxiliar na iluminação ao auxiliar os feridos durante a noite. Tevecontribuição na Enfermagem, sendo pioneira na utilização do Modelo biomédico, baseando- se na medicina praticada pelos médicos. Questão 3 Resposta: Alternativa A. Justificativa: Em tratamento aos pacientes graves ou de cuidados críticos, na falência pulmonar, conforme Silva et al (2012), os ventiladores substituem os pulmões; os cardiotônicos os antiarrítmicos, os fármacos vasoativos mantém o funcionamento cardiocirculatório e os dialisadores o trabalho renal. Terapias utilizadas em UTIs. Questão 4 Resposta: Alternativa E. Justificativa: Para atender a essas necessidades, em maio de 2000, o Governo Federal regulamentou o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (PNHAH), com a finalidade de criar uma cultura de humanização (BRASIL; 2000). Questão 5 Resposta: Alternativa C. Justificativa: Com o objetivo de estabelecer um caráter transversal à cultura de humanização, segundo Brasil (2004), o Ministério da Saúde estabeleceu a Política Nacional de Humanização (PNH), para atingir todos os níveis de atenção à saúde, conhecida como Humaniza SUS. Questão 6 Resposta: A Constituição Brasileira oferece o amparo legal à humanização em seu art. 1º, inc. 3º, ao afirmar a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito. (BRASIL; 1988). Questão 7 Resposta: Para Sanvito (2000), muitas dessas marcas não estão somente ligadas ao coma em si, mas, durante esse processo, às experiências de ter sido “descuidado” levando muitos doentes a precisar se recuperar não apenas da doença, mas também do fato de terem se tornado “pacientes”. GABARITO 21 GABARITO Questão 8 Resposta: Em decorrência da rotina diária e complexa que envolve o ambiente da UTI, os membros da equipe de enfermagem esquecem de tocar e conversar com o ser humano que está à sua frente (VILA & ROSSI, 2002). Questão 9 Resposta: Ao realizar uma atividade técnica, sem estar presente de corpo, mente e espírito, o profissional não está realmente cuidando, mas, sim, realizando um procedimento (WALDOW; 2001). Questão 10 Resposta: A enfermagem descrita por Barnand (1997), como ciência do cuidar, é norteada por conceitos humanísticos, mas, nas últimas décadas, de modo crítico, tem adotado valores mecanicistas, que modificaram profundamente sua prática. Temos enfermeiros especializados e capacitados para o domínio de equipamentos, mas pouco afetivos, com dificuldades no atendimento às necessidades humanas básicas dos pacientes e problemas de relacionamento no trabalho em equipe. seç ões Tema 02 Distúrbios respiratórios Como citar este material: APPEL, Kelly Lopes de Araújo. Enfermagem no Paciente Crítico e Semicrítico: Distúrbios respiratórios. Caderno de Atividades. Valinhos: Anhanguera Educacional, 2014. SeçõesSeções Tema 02 Distúrbios respiratórios 25 Conteúdo Nessa aula você estudará: • A abordagem terapêutica da insuficiência respiratória. • A visão no contexto humano na Unidade de Terapia Intensiva. • Alguns procedimentos do sistema respiratório. CONTEÚDOSEHABILIDADES Introdução ao Estudo da Disciplina Caro(a) aluno(a). Este Caderno de Atividades foi elaborado com base no livro: Manual de terapia intensiva, dos autores Richard S. Irwin e James M. Rippe, Editora Guanabara Koogan, PLT 586, 2007. Roteiro de Estudo: Kelly Lopes de Araújo Appel Enfermagem no Paciente Crítico e Semicrítico Kelly Lopes de Araújo Appel Enfermagem no paciente crítico e semicrítico 26 CONTEÚDOSEHABILIDADES LEITURAOBRIGATÓRIA Habilidades Ao final, você deverá ser capaz de responder as seguintes questões: • Como podemos realizar a abordagem terapêutica da insuficiência respiratória? • Como é possível ver a concepção do cuidado na Unidade de terapia intensiva? • Como entender alguns procedimentos do sistema respiratório no tratamento intensivo? Distúrbios respiratórios Independente da patologia que leve o paciente à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), ele estará sujeito à insuficiência no sistema respiratório. É alto o índice de pacientes com insuficiência respiratória, nas UTIs, como causa primária da internação, ou secundária, já internados devido a outras afecções. A insuficiência respiratória (ou distúrbios respiratórios) é definida por uma tensão de dióxido de carbono arterial (PCO2) maior de 50 mm Hg ou tensão de oxigênio arterial (PO2), menor que 50 a 60 mm Hg (IRWIN & WILSON; 2007), ou seja, ela acontece quando um paciente não é capaz de manter as tensões de seus gases sanguíneos dentro dos limites normais. Em UTI o tipo de insuficiência respiratória encontrada tem evolução relativamente rápida, ao contrário da deterioração gradual das doenças respiratórias crônicas. Resulta da incapacidade progressiva do sistema respiratório em remover o dióxido de carbono do sangue venoso e de adicionar oxigênio a ele, por um período que varia desde alguns segundos até alguns dias. Segundo Irwin e Wilson (2007), na fisiopatologia da hipoxemia, existem cinco mecanismos para diminuir o nível de oxigênio: Pio2 baixa, hipoventilação, desequilíbrio da razão ventilação-perfusão, derivação da direita para esquerda e comprometimento da difusão. 27 LEITURAOBRIGATÓRIA Já na hipercapnia, aparecem três mecanismos que podem provocar elevação da PCO2: respirar gás contendo CO2, hipoventilação e razão V/Q extremamente diminuída. Para os mesmos autores, nos transtornos respiratórios acidobásicos, o equilíbrio é avaliado clinicamente, por meio da concentração arterial do hidrogênio iônico (H+). Carmo et al (2010, online) descreve algumas definições sobre o equilíbrio acidobásico quando ocorre alguma alteração nas trocas gasosas da respiração. Acidemia é definida como uma diminuição do pH sanguíneo (ou aumento da concentração [H+] no sangue) e alcalemia é definida como uma elevação do pH sanguíneo (ou redução da concentração do [H+]). Acidose é o processo que tende a diminuir o pH e alcalose é o processo que tende a aumentar o pH. As alterações do pH extracelular ocorrem quando existe disfunção renal ou respiratória ou quando a quantidade de base ou ácido ultrapassa a sua capacidade de excreção. Mudanças na concentração do [H+] e pH podem ser induzidas por alterações do PCO2 ou do HCO3 -. Anormalidades primárias no PCO2 são chamadas de acidose respiratória (PCO2 alto) e de alcalose respiratória (PCO2 baixo). Anormalidades primárias na concentração de HCO3 - são chamadas de acidose metabólica (HCO3 - baixo) e de alcalose metabólica (HCO3 - alto). Na presença de algum destes distúrbios, sempre ocorrerá uma resposta compensatória renal ou respiratória, no intuito de minimizar as alterações na concentração do [H+]. A resposta compensatória sempre acompanha a direção do distúrbio primário. Por exemplo, na acidose respiratória (PCO2 alto) ocorre aumento da excreção renal de H+ com aumento do [HCO3 -] plasmático. Distúrbios simples correspondem à alteração inicial e à sua resposta compensatória esperada. Distúrbios mistos correspondem à existência de dois distúrbios diferentes associados, identificado quando o grau de compensação não é adequado ou quando a resposta é maior que a esperada. Nos exames complementares, segundo Carmo et al (2010), a gasometria é o exame mais importante para o diagnóstico do distúrbio ácido-básico (valores de referência na Quadro 2.1). São exames úteis para o diagnóstico etiológico, diante de um distúrbio ácido-básico: função renal, fósforo e albumina, lactato arterial, glicemia, cetoácidos (urina e/ou sangue), sódio, potássio e cloro, em algumas circunstâncias: perfil toxicológico, radiografia de tórax e ECG. 28 Quadro 2.1: Valores normais da gasometria arterial Parâmetro Valores de referência pH 7,35 a 7,45 pO2 (mmHg) 80 a 100 pCO2 (mmHg)35 a 45 Bicarbonato (mEq/L) 22 a 26 Excesso de base – BE (mEq/L) 0 ± 2,5 Saturação de O2 > 92% Fonte: Carmo et. al (2010, online) A acidose respiratória descrita por Carmos et al (2010), pode ter várias causas (Quadro 2.2): falência do organismo em transportar o CO2 até os pulmões (choque cardiogênico, parada cardiorrespiratória); defeitos pulmonares restritivos (fibrose pulmonar, cifoescoliose severa); defeitos pulmonares obstrutivos (obstrução de vias aéreas altas, asma, DPOC); doenças neuromusculares (miastenia grave, síndrome de Guillain-Barré, esclerose lateral amiotrófica); ou diminuição do drive respiratório (overdose de drogas sedativas – benzodiazepínicos, barbitúricos, opioides). Esses sintomas, segundo Carmo et al (2010), variam de acordo com o tempo de instalação (aguda x crônica). Nos casos agudos, os pacientes podem apresentar alterações neurológicas (cefaleia, visão borrada, delírio, sonolência-narcose, inclusive papiledema); arritmias e vasodilatação periférica (Carmo et. al; 2010). Nos casos crônicos, os sintomas são bem menos frequentes, geralmente estão associados a quadros de cor pulmonale e edema periférico. Carmo et al (2010) ainda diz que o diagnóstico é feito pela presença de um pH baixo associado a hipercapnia. A resposta compensatória é diferente para o distúrbio agudo em relação ao distúrbio crônico. Por este motivo, a história completa e acurada é extremamente importante para compreensão do caso, definição etiológica, e manejo terapêutico. O tratamento deverá ser sempre direcionado para a causa específica (suporte ventilatório, uso de antídotos específicos) (CARMO et al, 2010, online). LEITURAOBRIGATÓRIA 29 LEITURAOBRIGATÓRIA Quadro 2.2: Causas de acidose respiratória aguda e crônica Inibição do centro respiratório Aguda: drogas: opioides, anestésicos e sedativos; oxigênio em pacientes com hipercapnia crônica; parada cardíaca; apneia obstrutiva do sono. Crônica: obesidade mórbida (síndrome de Pickwick); lesões do SNC (raro); alcalose metabólica. Alterações na musculatura respiratória e parede torácica Aguda: crise miastênica, paralisia periódica, aminoglicosídios, síndrome de Guillain-Barré, hipocalemia ou hipofosfatemia graves. Crônica: fraqueza muscular: poliomielite, esclerose lateral amiotrófica, mixedema; cifoescoliose; obesidade mórbida. Obstrução de vias aéreas superiores Aguda: aspiração de corpo estranho ou vômitos; apneia obstrutiva do sono; laringoespasmo. Distúrbios das trocas gasosas nos capilares pulmonares Aguda: exarcebação de alguma doença pulmonar de base; SARA; edema agudo pulmonar cardiogênico; asma grave, pneumonia; pneumotórax e hemotórax. Crônica: doença pulmonar obstrutiva: enfisema, bronquite; obesidade mórbida. Ventilação mecânica Ocorre quando a taxa de ventilação alveolar efetiva está reduzida. Exemplo: ventilação fixa, com produção de CO2 aumentada – uso de bicarbonato de sódio em acidose lática durante ressuscitação cardiopulmonar. Fonte: Carmo et al (2010, online) A acidose metabólica, citado por Barbosa et. al (2006), resultado do acúmulo de ácidos não voláteis ou perda de bicarbonato sérico, é caracterizada por redução do pH sanguíneo. A alcalose metabólica surge devido a um excesso de bicarbonato na corrente sanguínea, segundo Meldau (2013), que ocorre quando o corpo pede ácido excessivamente. Em casos de vômitos repetidos, por exemplo, há uma grande perda de ácido do estômago. Raramente a alcalose pode ser desenvolvida devido à grande ingestão de alimentos alcalinos, como o bicarbonato de sódio. A perda excessiva de sódio ou de potássio pode afetar a capacidade renal no controle de equilíbrio acidobásico sanguíneo. 30 Alguns procedimentos são realizados na UTI como inserção de tubo torácico, broncoscopia, toracocentese. Esses procedimentos devem sempre seguir as normas assépticas e antissépticas para a prevenção de infecções nosocomiais. Para Angaramo (2007), a colocação de um tubo torácico (toracostomia com tubo), consiste na introdução de um tubo estéril no espaço pleural para eliminar o ar ou o líquido para um sistema de coleta fechado, para restaurar a pressão intratorácica negativa, promover a expansão do pulmão e evitar o desenvolvimento de níveis letais de pressão no tórax. Suas indicações são para pneumotórax (acúmulo de ar no espaço pleural), hemotórax (acúmulo de sangue no espaço pleural), empiema (infecções piogênicas do espaço pleural), derrame pleural (derrame exsudativo). Para esse procedimento, temos sempre que observar os seguintes cuidados: 1. Ser verificado diariamente o tubo torácico e o sistema de drenagem. 2. Regular a aspiração rotineira (15 a 20 cm H2O). 3. Observar a conexão do tubo torácico com o sistema de drenagem. 4. Realizar a troca de curativos diariamente ou quando necessário. 5. Observar as radiografias para avaliar o resultado da drenagem. 6. Nunca reintroduzir o tubo, somente tracionados. As UTIs associadas ao avanço da tecnologia médica têm aumentado de forma substancial ampliando perspectivas terapêuticas em diversas situações clínicas com a possibilidade de prolongamento da vida, principalmente às relacionadas ao sistema respiratório. Por isso a importância das equipes multidisciplinares terem conhecimento das patologias e procedimentos realizados em UTIs e suas tecnologias. LEITURAOBRIGATÓRIA 31 LINKSIMPORTANTES Quer saber mais sobre o assunto? Então: Sites Leia a cartilha da ANVISA Trato respiratório: Critérios Nacionais de Infecções relacionadas à Assistência à Saúde que vem trabalhando no desenvolvimento de guias contendo os critérios epidemiológicos brasileiros das infecções mais frequentes em serviços de saúde. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/servicosaude/controle/criterios_infeccao_trato_ respiratorio.pdf>. Acesso em: 2 jan. 2014. Leia a cartilha Módulo 4 - prevenção de infecções em unidade de terapia intensiva. Esta cartilha traz a caracterização do ambiente da Unidade de Terapia Intensiva (gravidade dos pacientes, diversidade de recursos diagnósticos, o caráter multidisciplinar do atendimento ao paciente), a importância da prevenção e controle de infecção hospitalar na UTI, a descrição dos principais agentes envolvidos nas infecções relacionadas à assistência à saúde, os principais sítios de infecção envolvidos e os procedimentos de risco para infecção. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/servicosaude/manuais/iras/M%F3dulo%20 4%20-%20Preven%E7%E3o%20de%20Infec%E7%F5es%20em%20Unidade%20de%20 Terapia%20Intensiva.pdf>. Acesso em: 2 jan. 2014. Leia o artigo Planos terapêuticos de enfermagem para o paciente com pneumonia de Christiane Pereira Ornelas e Ricardo Alexandre da Silva Cobucci. Revista Enfermagem integrada, Ipatinga: Unileste-MG, V.3, N.1, Jul/ ago, 2010. Este artigo ampliará seus conhecimentos sobre os cuidados de enfermagem com paciente diagnosticado com pneumonia. Disponível em: <http://www.unilestemg.br/enfermagemintegrada/artigo/v3/03- planos-terapeuticos-enfermagem-paciente.pdf>. Acesso em: 2 jan. 2014. 32 Instruções: Chegou a hora de você exercitar seu aprendizado por meio das resoluções das questões deste Caderno de Atividades. Essas atividades auxiliarão você no preparo para a avaliação desta disciplina. Leia cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido e para o modo de resolução de cada questão. Lembre-se: você pode consultar o Livro-Texto e fazer outras pesquisas relacionadas ao tema. AGORAÉASUAVEZ Vídeos Assista ao vídeo: Sistema respiratório. O vídeo relembra o funcionamento do sistema respiratório. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=sQU4LVJr7TI>. Acesso em: 2 jan. 2014. Assista ao vídeo: Doenças respiratórias. O vídeo esclarece as principais patologiasdo trato respiratório e dicas para evitá-las. Disponível em: <http://www.youtube.com/ watch?v=1P1IYq2C3ao>. Acesso em: 2 jan. 2014. Assista ao vídeo: DPOC - Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica. O vídeo explica a patologia DPOC e seu tratamento. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=DkIrkoITlw0>. Acesso em: 2 jan. 2014. Questão 1: Independente da patologia que leve o paciente à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), ele estará sujeito à insuficiência no sistema respiratório. Essa afirmação está correta? Justifique. Questão 2: A diminuição do pH sanguíneo ou aumento da concentração [H+] no sangue é definição da: a) Acidemia. 33 b) Alcalemia. c) Miastenia. d) Esclerosemia. e) Alcalose. Questão 3: I. As alterações do pH extracelular ocorrem quando existe disfunção renal ou respiratória ou quando a quantidade de base ou ácido ultrapassa a sua capacidade de excreção. II. Mudanças na concentração do [H+] e pH podem ser induzidas por alterações do PCO2 ou do HCO3-. III. Anormalidades primárias no PCO2 são chamadas de acidose respiratória (PCO2 alto) e de alcalose respiratória (PCO2 baixo). IV. Anormalidades primárias na concentração de HCO3- são chamadas de acidose metabólica (HCO3- baixo) e de alcalose metabólica (HCO3- alto). Assinale a alternativa CORRETA. a) As afirmativas I e II estão incorretas. b) A afirmativa I é a única correta. c) As afirmativas III e IV estão incorretas. d) A afirmativa II é a única incorreta. e) Todas as afirmativas estão corretas. Questão 4: Nos exames complementares, a gasome- tria é o exame mais importante para o diag- nóstico do distúrbio acidobásico. Assinale a alternativa CORRETA que corresponda ao valor de normalidade do pH. a) 7,10 a 7,45. b) 7,15 a 7,25. c) 7,35 a 7,45. d) 7,30 a 7,40. e) 7,25 a 7,15. Questão 5: A acidose metabólica é caracterizada por redução do ______________ como resul- tado do acúmulo de ácidos não voláteis ou perda de bicarbonato sérico. Assinale a alternativa CORRETA que completa a afir- mação. a) Ácido volátil. b) Bicarbonato sérico. c) pH sérico. d) pH gástrico. e) pH sanguíneo. AGORAÉASUAVEZ 34 AGORAÉASUAVEZ Questão 6: Os distúrbios respiratórios ou a insuficiência respiratória é definido por uma tensão de dióxido de carbono arterial (PCO2) maior de 50 mm Hg ou tensão de oxigênio arterial (PO2), menor que 50 a 60 mm Hg. Explique com suas palavras essa afirmação. Questão 7: Segundo Irwin e Wilson (2007), na fisiopatologia da hipoxemia, existem cinco mecanismos para diminuir o nível de oxigênio. Quais são eles? Questão 8: A acidose respiratória pode ter várias causas como falência do organismo em transportar o CO2 até os pulmões (choque cardiogênico, parada cardiorrespiratória). Descreva quais outras causas podemos encontrar. Questão 9: A colocação de um tubo torácico (toracostomia com tubo) consiste na introdução de um tubo estéril no espaço pleural para eliminar o ar ou o líquido para um sistema de coleta fechado, para restaurar a pressão intratorácica negativa, promover a expansão do pulmão e evitar o desenvolvimento de níveis letais de pressão no tórax. Descreva suas indicações. Questão 10: Alguns procedimentos são realizados na UTI como inserção de tubo torácico, broncoscopia, toracocentese. Esses procedimentos devem sempre seguir as normas assépticas e antissépticas para a prevenção de infecções nosocomiais. Cite pelo menos quatro cuidados de enfermagem para boa manutenção de um tubo torácico. 35 Nesse tema, você aprendeu sobre como profissionais da área da saúde estão envolvidos em atividades realizadas em Unidade de Terapia Intensiva observando alguns aspectos específicos do cuidado com o trato respiratório. No desenvolvimento do conteúdo, foram definidos e esclarecidos algumas patologias e procedimentos realizados em UTIs e seus cuidados. Caro aluno, agora que o conteúdo dessa aula foi concluído, não se esqueça de acessar sua ATPS e verificar a etapa que deverá ser realizada. Bons estudos! FINALIZANDO REFERÊNCIAS IRWIN, R. S. RIPPE, J. M. Manual de Terapia Intensiva. Rio de Janeiro, RJ: Guanabara Koogan, 2007. MELDAU, D. C. Alcalose metabólica. Disponível em: <http://www.infoescola.com/doencas/ alcalose-metabolica/>. Acesso em: 2 jan. 2014. BARBOSA, M. B. G. ALVES, C. A. D. QUEIROZ, H. Avaliação da acidose metabólica em pacientes graves: método de Stewart-Fencl-Figge versus a abordagem tradicional de Henderson-Hasselbalch. Revista Brasileira de Terapia Intensiva. Vol. 18, n. 4, out-dez, 2006. Disponível em: <http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=6& ved=0CGIQFjAF&url=http%3A%2F%2Fwww.scielo.br%2Fpdf%2Frbti%2Fv18n4%2F10.pd f&ei=oNh7UuW4CvfMsQSy1oC4Cw&usg=AFQjCNEuczQLKCxICoK8ycu8T4lW6VWxyw& sig2=SjtR_GwHE9A6xxr0CF-8Bw>. Acesso em: 2 jan. 2014. 36 GLOSSÁRIO Hipoxemia: Diminuição da concentração de oxigênio no sangue. Difusão: Movimento livre de partículas contidas em uma solução, distribuindo-se uniformemente nela. A difusão acontece a favor de um gradiente de concentração, ou seja, de uma região muito concentrada de alguma molécula para uma pouco concentrada e esse transporte não envolve gasto de energia – trocas gasosas. Gasometria: refere-se a um tipo de exame de sangue colhido de uma artéria e que possui por objetivo a avaliação de gases (oxigênio e gás carbônico) distribuídos no sangue, do pH e do equilíbrio acidobásico. DPOC: Doença pulmonar obstrutiva crônica é uma doença crônica dos pulmões que diminui a capacidade para a respiração. A maioria das pessoas com essa doença apresentam tanto as características da bronquite crônica quanto as do enfisema pulmonar. CARMO, L. P. F. MARQUES, I. D. B. TITAN, S. Distúrbios do equilíbrio acidobásico. Disponível em: <http://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/3332/disturbios_do_ equilibrio_acido_basico.htm>. Acesso em: 2 jan. 2014. IRWIN, R. S. WILSON, M. M. Uma abordagem terapêutica fisiológica da insuficiência respiratória. In: IRWIN, R. S. RIPPE, J. M. Manual de Terapia Intensiva. Rio de Janeiro, RJ: Guanabara Koogan, 2007. REFERÊNCIAS 37 Questão 1 Resposta: Está associado pelo alto índice de pacientes com insuficiência respiratória, nas UTIs, como causa primária da internação, ou secundária já internados devido a outras afecções. Questão 2 Resposta: Alternativa A. Justificativa: Acidemia é definida como uma diminuição do pH sanguíneo (ou aumento da concentração [H+] no sangue). Questão 3 Resposta: Alternativa E. Justificativa: As alterações do pH extracelular ocorrem quando existe disfunção renal ou respiratória ou quando a quantidade de base ou ácido ultrapassa a sua capacidade de excreção. Mudanças na concentração do [H+] e pH podem ser induzidas por alterações do PCO2 ou do HCO3-. Anormalidades primárias no PCO2 são chamadas de acidose respiratória (PCO2 alto) e de alcalose respiratória (PCO2 baixo). Anormalidades primárias na concentração de HCO3- são chamadas de acidose metabólica (HCO3- baixo) e de alcalose metabólica (HCO3- alto). Questão 4 Resposta: Alternativa C. Justificativa: Nos exames complementares segundo Carmo et al (2010), a gasometria é o exame mais importante para o diagnóstico do distúrbio acidobásico. Questão 5 Resposta: Alternativa E. Justificativa: A acidose metabólica é caracterizada por redução do pH sanguíneo como resultado do acúmulo de ácidos não voláteis ou perda de bicarbonato sérico (BARBOSA et al, 2006). GABARITO 38 Questão 6 Resposta: A insuficiência respiratória ou distúrbios respiratórios é definido por uma tensão de dióxido de carbono arterial (PCO2) maior de 50 mm Hg ou tensão de oxigênio arterial (PO2), menor que 50 a 60 mm Hg (Irwin& Wilson; 2007), ou seja, existe quando um paciente não é capaz de manter as tensões de seus gases sanguíneos dentro dos limites normais. Questão 7 Resposta: Segundo Irwin e Wilson (2007), na fisiopatologia da hipoxemia, existem cinco mecanismos para diminuir o nível de oxigênio: Pio2 baixa, hipoventilação, desequilíbrio da razão ventilação-perfusão, derivação da direita para esquerda e comprometimento da difusão. Questão 8 Resposta: A acidose respiratória descrita por Carmo et al (2010), pode ter várias causas: falência do organismo em transportar o CO2 até os pulmões (choque cardiogênico, parada cardiorrespiratória); defeitos pulmonares restritivos (fibrose pulmonar, cifoescoliose severa); defeitos pulmonares obstrutivos (obstrução de vias aéreas altas, asma, DPOC); doenças neuromusculares (miastenia grave, síndrome de Guillain-Barré, esclerose lateral amiotrófica); ou diminuição do drive respiratório (overdose de drogas sedativas – benzodiazepínicos, barbitúricos, opioides). Questão 9 Resposta: Suas indicações são para pneumotórax (acúmulo de ar no espaço pleural), hemotórax (acúmulo de sangue no espaço pleural), empiema (infecções piogênicas do espaço pleural), derrame pleural (derrame exsudativo). Questão 10 Resposta: Para esse procedimento, temos sempre que observar os seguintes cuidados: 1. Ser verificado diariamente o tubo torácico e o sistema de drenagem. 2. Regular a aspiração rotineira (15 a 20 cm H2O). 3. Observar a conexão do tubo torácico com o sistema de drenagem. 4. Realizar a troca de curativos diariamente ou quando necessário. 5. Observar as radiografias para avaliar o resultado da drenagem. 6. Nunca reintroduzir o tubo, somente tracionados. GABARITO Enfermagem no Paciente Crítico e Semicrítico Autoria: Kelly Lopes de Araújo Appel Tema 03 Ventilação mecânica, equilíbrio acidobásico e gases arteriais Tema 04 Síndrome do choque Índice Índice Tema 03: Ventilação mecânica, equilíbrio acidobásico e gases arteriais 7 Tema 04: Síndrome do choque 31 seç ões Tema 03 Ventilação mecânica, equilíbrio acidobásico e gases arteriais Como citar este material: APPEL, Kelly Lopes de Araújo. Enfermagem no Paciente Crítico e Semicrítico: Ventilação mecânica, equilíbrio acidobásico e gases arteriais. Caderno de Atividades. Valinhos: Anhanguera Educacional, 2014. SeçõesSeções Tema 03 Ventilação mecânica, equilíbrio acidobásico e gases arteriais 7 Conteúdo Nessa aula você estudará: • Fisiologia do sistema respiratório na ventilação mecânica. • O equilíbrio acidobásico e gases arteriais. • Entendimento das modalidades ventilatórias, das técnicas de assistência ventilatória e da assistência de enfermagem aos pacientes em ventilação mecânica. CONTEÚDOSEHABILIDADES Introdução ao Estudo da Disciplina Caro(a) aluno(a). Este Caderno de Atividades foi elaborado com base no livro: Manual de terapia intensiva, dos autores Richard S. Irwin e James M. Rippe, Editora Guanabara Koogan, PLT 586, 2007. Roteiro de Estudo: Kelly Lopes de Araújo Appel Enfermagem no Paciente Crítico e Semicrítico 8 CONTEÚDOSEHABILIDADES Habilidades Ao final, você deverá ser capaz de responder as seguintes questões: • Como podemos compreender o sistema respiratório na ventilação mecânica? • Como podemos entender o equilíbrio acidobásico e gases arteriais? • Como podemos entender algumas modalidades ventilatórias, técnicas de assistência ventilatória e a assistência de enfermagem aos pacientes em ventilação mecânica? CONTEÚDOSEHABILIDADES Ventilação mecânica, equilíbrio acidobásico e gases arteriais As principais vias aéreas e estruturas do sistema respiratório (Figura 3.1) são cavidade nasal, faringe, laringe, traqueia, brônquios, bronquíolos e alvéolos pulmonares no interior dos pulmões. As estruturas do sistema respiratório superior incluem o nariz, a faringe e as estruturas associadas; o sistema respiratório inferior inclui a laringe, a traqueia, a árvore bronquial, os alvéolos pulmonares e os pulmões. LEITURAOBRIGATÓRIA 9 LEITURAOBRIGATÓRIALEITURAOBRIGATÓRIA Figura 3.1 - Anatomia básica do sistema respiratório Fonte: GRAAFF, 2009, p. 604 Com conhecimento básico da anatomia e fisiologia do sistema respiratório na ventilação normal para Zuñiga (2004), se compreende melhor a ventilação mecânica (VM), já que este suporte tem como objetivo a substituição total ou parcial da ventilação pulmonar. Segundo Couto et al (1992), a constante renovação do ar alveolar é o processo da ventilação que permite a hematose, ou troca de gases nos alvéolos, pelo processo do ar atmosférico entrar em contato com o sangue circulante. Os alvéolos (Figura 3.2) são verdadeiros sacos de ar envoltos por capilares sanguíneos, o que possibilita a grande superfície de contato, necessárias para que ocorram as trocas gasosas por difusão. Os alvéolos teriam tendência natural ao colabamento, segundo Zuñiga (2004), se não fosse à presença de substâncias surfactantes que recobrem a superfície interna dos alvéolos e a pressão negativa pleural. 10 Para que o ar não chegue frio e seco, sob o risco de desidratação das hemácias, segundo Couto et al (1992), o ar deve ser condicionado, ou umidificado a 100%, filtrado e aquecido a 37ºC. Com exceção dos bronquíolos respiratórios e alvéolos, as vias respiratórias superiores e inferiores para Zuñiga (2004), constituem o espaço morto anatômico (trocas gasosas) finalizando com um volume de 150 ml no adulto. Figura 3.2 – Divisão respiratória do sistema respiratório. Extremidades dos tubos respiratórios nos alvéolos pulmonares, cada um deles envolvido por uma extensa rede capilar pulmonar. Fonte: GRAAFF, 2009, p. 613 Para Zuñiga (2004), os pacientes que são submetidos à VM, são intubados por via naso ou orotraqueal, por meio de tubo flexível dotado de balonete e cuff. Com diâmetro compatível com a traqueia (8,0 a 8,5mm para mulheres e 8,5 a 9,0mm para homens). O cuff deve ser insuflado para que durante as inspirações não tenha vazamento, formando, assim, um sistema fechado. LEITURAOBRIGATÓRIA 11 Periodicamente pode ser necessária a aspiração de secreções que se acumulam no tubo orotraqueal (TOT), segundo Zuñiga (2004), o muco secretado pelas vias aéreas inferiores, deixa de ser conduzido à epiglote para ser expelido, podendo obstruir o TOT. Para aumentar ou diminuir o volume da cavidade torácica conforme Guyton e Esbérard (1989), os pulmões podem se expandir e contrair pelo movimento do diafragma e pela elevação das costelas. Para West (1986), a ventilação ocorre com inspiração ativa, para com atuação das musculaturas cervicoescapular, intercostal e diafragmática, que promove o aumento do volume da caixa torácica, possibilitando a entrada do ar pela diminuição da pressão intratorácica a níveis subatmosféricos. Com o relaxamento da musculatura inspiratória, a expiração ocorre passivamente. As forças elásticas pulmonares, segundo West (1986), estando em equilíbrio ao final da expiração, possibilitam o retorno da caixa torácica à sua posição original. O diafragma é o principal músculo da inspiração. Os músculos abdominais que atuam apenas quando há esforço respiratório são os principais da expiração. A respiração, ou ventilação pulmonar, requer que o tórax seja flexível a fim de funcionar como um fole durante o ciclo de ventilação. A respiração consiste em duas fases, inspiração e expiração. Inspiração (inalando) e expiração (exalando) são realizadas aumentando e diminuindo alternadamente o volume da cavidade torácica. A inspiração se realiza quando a pressão do ar no interior dos pulmões é mais baixa que a pressão atmosférica. A expiração se realiza quando a pressão do ar no interior dos pulmões é maior que a pressão atmosférica (GRAAFF;2003, p. 618). Segundo Zuñiga (2004), Vesalius, em 1555, e Hooke, em 1667, demonstraram que a vida poderia ser preservada com o auxílio da substituição da função respiratória com a insuflação dos pulmões com um balão de ar. Em 1934, Freenckner, na Europa, desenvolveu o Spiropulsador (insuflação rítmica dos pulmões), comercializada em 1940. Nos Estados Unidos utilizavam o pulmão de aço. Com a epidemia de poliomielite, os pneumáticos foram desenvolvidos na década de 1950 para uso clínico no tratamento da insuficiência respiratória. O primeiro ventilador de volume constante foi em 1950, construído por Engstrom com ventilação mandatória intermitente (IMV). Com esse aparelho, o paciente não pode interferir com o volume e a frequência preestabelecidas, porém, poderia inspirar espontaneamente o conteúdo do balão. O advento LEITURAOBRIGATÓRIA 12 dos ventiladores trouxe na Europa as unidades respiratórias com aparelhos de gasometria e ventiladores salvando vidas de pacientes graves sem chance de sobrevida. Na década de 1980 o surgimento de aparelhos altamente seguros e confortáveis foi construído conforme relatos de Zuñiga (2004). A ventilação mecânica, conforme Lorenzi et al (1998), tem o objetivo de restabelecer o balanço entre a oferta e demanda de oxigênio, diminuindo a carga do trabalho respiratório de pacientes em insuficiência ventilatória. Os ventiladores são atualmente classificados conforme suas características com diferentes modalidades ventilatórias e controle de segurança, sendo utilizada classificação por gerações, segundo Azevedo (1994): a) Primeira geração: aparelhos ciclados a pressão constante, sem monitoração direta e sem alarmes (BIRD MARK 7 e MARK 8). b) Segunda geração: aparelhos ciclados a volume constante com possibilidade de monitoração direta, dotados de alarmes e oferecendo os modos CMV, SIMV, CPAP (Newport E100i, Drager Ventilator 2000). c) Terceira geração: aparelhos microprocessados, com informações centralizadas para todas as funções operacionais, abrangendo terapia, vigilância e diagnóstico funcional (Newport Wave e Breeze, Inter 3 e 5, Takaoka Monterey, Bird 6400 e 8400, Drager Evita, Benett, 760, 8400i, Galileo. Para Zuñiga (2004), o método de assistência ventilatória mais empregado é a ventilação mecânica invasiva por pressão positiva, sendo mais indicado na presença de insuficiência respiratória grave, sendo a decisão de iniciar a ventilação mecânica baseado em parâmetros clínicos e de avaliação funcional respiratória. Para o controle químico da respiração, temos a manutenção das concentrações de oxigênio (O2), dióxido de carbono (CO2) e íons de hidrogênio (H +) nos líquidos corporais. Segundo Zuñiga (2004), o CO2 é um dos produtos finais do metabolismo afetando acentuadamente as reações químicas devido a concentração e líquidos corporais de todas as células e pH dos tecidos. Por isso que a pressão parcial de dióxido de carbono (PCO2) deve ser regulada com precisão. Sendo assim, o sistema respiratório é o único meio eficaz de que dispõe o organismo para controlar a PCO2 do sangue e dos tecidos (ZUÑIGA; 2004). LEITURAOBRIGATÓRIA 13 O excesso de CO2 ou H+, segundo Zuñiga (2004), faz com que ocorram efeitos excitatórios sobre o centro respiratório, o que causa intensidade dos sinais respiratórios e expiratórios para os músculos da respitaração. Esse processo também remove íons de hidrogênio do sangue De acordo com West (1989), para que ocorra o processo de difusão o O2 é captado e o CO2 é eliminado por difusão simples por meio de uma membrana chamada alveolocapilar, que facilita o processo quando dispõe de uma área de exposição e o dificulta quando encontra- se espessa. O transporte de O2 no sangue ocorre de duas maneiras: dissolvido ou combinado com a hemoglobina. Mais de 98% do O2 é transportado ligado à hemoglobina, o que demonstra a grande afinidade do grupo heme pelo gás. A curva de dissociação de hemoglobina é sigmoide, e, com uma PaO2 de 100mmHg, a saturação da hemoglobina acima deste nível elevaria pouco a quantidade de O2 no sangue. O CO2 e transportado em sua maior parte na forma de bicarbonato no plasma e nas hemácias. Uma pequena parte é transportada como compostos carbamino no plasma, carbaminohemoglobina nas hemácias e uma parte mínima como CO2 dissolvido (ZUÑIGA, 2004, p. 7). A fisiopatologia da hipóxia para Zuñiga (2004) inicia com a diminuição de O2 tecidual, como acontece com pacientes portadores da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA), onde temos os tipos de hipóxia por transporte anormal (baixa hemoglobina), hipóxia circulatória (insuficiência cardíaca – diminuição do fluxo sanguíneo tecidual generalizado ou local), hipóxia celular (prejudicada por alguma substância tóxica – cianeto), hipóxia de demanda (o consumo pelos tecidos excede o fornecimento normal aos tecidos. Exemplo: exercício máximo, tireotoxicose). Podemos concluir que a correção de uma situação de hipóxia não depende de maior oferta de O2 aos pulmões e sim da estabilização das funções vitais como débito cardíaco e pressão arterial. Para que possamos entender o equilíbrio acidobásico e gases arteriais, temos que entender que o pH do meio interno do ser humano é mantido normalmente entre estreitos, para Zuñiga (2004). Qualquer desvio neste equilíbrio poderá acarretar danos. Em conjunto, temos o sistema respiratório, rins e o complexo do sistema tampão sanguíneo que atua para manter o organismo com o pH equilibrado, em várias situações. Observaremos que a ventilação mecânica no equilíbrio acidobásico é de extrema importância. LEITURAOBRIGATÓRIA 14 Zuñiga (2004, p. 13) descreve os parâmetros da gasometria arterial: O pH normal do sangue arterial é 7,40, variando de 7,35 a 7,45. Chamamos alcalose a elevação do pH acima de 7,45 e acidose a redução do pH abaixo de 7,35 (Quadro 3.1). A pressão parcial de CO2 (PaCO2) normal varia de 35 a 45mmHg. Uma PaCO2 baixa indica hiperventilação e uma elevada indica hipoventilação. A pressão parcial de O2 (PaO2) normal varia de 80 a 100mmHg. Abaixo desses níveis teremos a hipoxemia. Devemos lembrar que a PaO2 diminui com o envelhecimento, podendo ser considerados normais valores obtidos com a subtração de 1mmHg para cada ao após os 60 anos, a partir de 80mmHg. Esta orientação não se aplica para pessoas com mais de 90 anos. A variação normal de bicarbonato (HCO3) no sangue arterial é de 20 a 28mEq/L. O excesso de base (BE) corresponde à quantidade, em mEq/L, de ácido ou base necessária para titular uma amostra de sangue, até o pH de 7,40. Seus valores normais variam de -2 a +3. Abaixo de -2 teremos acidose metabólica e, acima de +3, alcalose metabólica. Quadro 3.1 – Valores normais de equilíbrio acidobásico PARÂMETROS (VALORES NORMAIS) pH (7,35 a 7,45) PaCO2 (35 a 45mmHg) HCO3 - (20 a 28mq/L) BE (-2 a + 3mEq/L) Fonte: Zuñiga (2004, p. 15) Quando encontramos a elevação dos níveis no sangue arterial, segundo Zuñiga (2004), significa hipoventilação alveolar. Isso leva a acidose, pois o mecanismo tampão renal não age imediatamente. É detectada a acidose respiratória da insuficiência respiratória aguda. Para que possamos ter reversão da situação ou tratamento, imediatamente são desobstruídas as vias aéreas e instalada a ventilação mecânica (Quadro 3.2). LEITURAOBRIGATÓRIA 15 Quadro 3.2 – Causas e correções dos distúrbios acidobásicos. CAUSAS E CORREÇÕES DOS DISTÚRBIOS ACIDOBÁSICOS Distúrbio Causa Correção Acidose respiratória Aumento da PaCO2 por hipoventilação Desobstrução de vias aéreas, ventilação mecânica Alcalose respiratória Diminuição da PaCO2 por hiperventilação Ajuste do ventilador, diminuindo o volume minuto, sedação Acidose metabólica Aumento de prótons livres, Ex.: acidoseláctica, cetoacidose diabética, com consequente diminuição do HCO3- Tratamento da causa básica, administração de bicarbonato, hiperventilação Alcalose metabólica Aumento do HCO3-, ex.: vômitos, administração de HCO3- em excesso Tratamento da causa básica, hipoventilação Fonte: Zuñiga (2004, p. 15) Exemplificando: Baseado nos exercícios de Zuñiga (2004). 1) Um paciente intoxicado por barbitúricos, com respiração superficial, apresenta a seguinte gasometria arterial: pH = 7,19 PaCO2 – 80mmHg PaO2 = 48mmHg HCO3 = 30,5mEq/L BE = 0,5 mEq/L A interpretação desta gasometria demonstra: pH abaixo de 7,35 – acidose PaCO2 acima de 45mmHg = hipoventilação levando à acidose respiratória LEITURAOBRIGATÓRIA 16 PaO2 abaixo de 50mmHg = hipoxemia grave HCO3 – acima de 28mEq/L = alcalose metabólica BE normal = ausência de alcalose metabólica efetiva Portanto, teremos os diagnósticos de acidose respiratória parcialmente compensada por alcalose metabólica e hipoxemia grave por hipoventilação. Teríamos acidose respiratória compensada por alcalose metabólica se o pH estivesse normal. Com o advento da tecnologia, os equipamentos estão cada vez mais sofisticados para monitorizar e controlar continuamente as condições clínicas dos pacientes. Nos cuidados de enfermagem, a assistência ventilatória, para Dreyer e Zuñiga (2000), será sempre um desafio pela complexidade dos equipamentos, exigindo conhecimento teórico prático para cuidar com habilidade e segurança do paciente. Para Dreyer e Zuñiga (2000) as principais responsabilidades do enfermeiro são: 1. Manter vigilância contínua e sistemática, evitando ou detectando complicações. 2. Elaborar e executar um plano de cuidados. 3. Estabelecer uma relação de confiança com o paciente e sua família. Essas características favorecem uma assistência integral e humanizada. Cuidados de enfermagem ao paciente em ventilação mecânica AÇÃO JUSTIFICATIVA 1.Esclarecer o paciente sobre os procedimentos a serem realizados e orientá-lo no tempo e no espaço, mesmo quando sedado. Amenizar a ansiedade e proporcionar apoio emocional. 2.Ajudar o paciente a comunicar-se usando um meio alternativo. 3.Manter a cabeceira elevada em 30º, se não houver contra indicação. Evitar refluxo gástrico e aspiração pulmonar. Melhorar a expansão torácica. 4.Manter a vigilância constante, atentando para os alarmes do ventilador mecânico. Alertar para possíveis alterações clínicas e intercorrências com o paciente o com o aparelho. LEITURAOBRIGATÓRIA 17 5.Manter o painel da unidade do paciente, ressuscitador manual (AMBU) conectado à rede de O2 e aspirador de secreções. Ventilar o paciente em caso de falha do ventilador mecânico. Manter a permeabilidade da via aérea. 6.Verificar frequentemente o funcion- amento do ventilador mecânico, dos acessórios, os parâmetros ajustados e anotar quaisquer alterações realizadas. Garantir ventilação e umidificação adequa- das. Manter os registros dos parâmetros uti- lizados. 7.Desprezar a água da condensação do circuito e dos copos de drenagem. O excesso de água obstrui o circuito, prejudica a monitorização dos parâmetros. Nunca drenar esta água condensada para dentro do umidificador. 8.Observar a amplitude e a simetria da caixa torácica e realizar a ausculta pulmonar. Verificar se o paciente está ventilando bilateralmente e detectar desconforto respiratório. 9.Anotar a pressão nas vias aéreas, o volume expirado e outros parâmetros eventualmente fornecidos pelo venti- lador mecânico. Detectar e corrigir problemas, obter dados para ajustes do ventilador mecânico. 10.Colher sangue arterial para exame de gasometria, 20 minutos após o procedimento de intubação, após a alteração dos parâmetros do ventilador mecânico e a critério médico. Permitir o controle da oxigenação e da ventilação. Adequar os parâmetros do ventilador mecânico às necessidades do paciente. 11.Monitorar a saturação de oxigênio (SPO2) com oxímetro de pulso. Permitir o controle de oxigenação. 12.Monitorizar o CO2 no final da expiração com capnógrafo (ETCO2). Permitir o controle da ventilação alveolar. 13.Realizar monitorização contínua do traçado eletrocardiográfico; verificar sinais vitais; observar a coloração das mucosas e da pele. Detectar arritmias cardíacas, comprometi- mento hemodinâmico, febre e hipóxia. LEITURAOBRIGATÓRIA 18 14.Verificar nível de consciência, orien- tação no tempo e espaço, sinais neu- rológicos: pupilas, reflexo de tosse, re- sposta a estímulos verbais e dolorosos. Detectar sinais de depressão da consciência em consequência de hipóxia ou hipercapnia. 15.Manter o paciente sedado a critério médico. Proporcionar conforto ao paciente, aliviar a ansiedade, minimizar a resistência à ventilação mecânica e diminuir o trabalho respiratório. 16.Realizar sondagem nasogástrica ou nasoenteral, a critério médico. Prevenir broncoaspiração. Garantir drenagem, controle de débito e aspecto da secreção gástrica e infusão de dieta e líquidos. 17.Realizar os cuidados com a via aérea artificial. Evitar obstrução da via aérea artificial o deslocamento da cânula endotraqueal, isquemia traqueal, lesões da mucosa orofaríngea e da pele da face, perda de volume corrente. 18.Realizar mudança de decúbito e manter a pele limpa e hidratada. Prevenir úlceras por pressão e lesões cutâneas, mobilizar as secreções pulmonares e evitar atelectasia. 19.Manter os olhos fechados, caso o paciente esteja comatoso ou com sedação profunda. Prevenir lesões da córnea. 20.Incentivar a presença de familiares e amigos, através de comunicação verbal e gestos que expressem seus sentimentos. Favorecer a inter-relação, visando amenizar principalmente a ansiedade do paciente e facilitar sua orientação no tempo e no espaço. 21.Aplicar as normas da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) da instituição quanto à manipulação de equipamentos de ventilação mecânica e seus acessórios. Prevenir contaminação do ambiente, colonização o infecção do paciente. Manter o ambiente higienizado e limpo. Fonte: Zuñiga (2004, p. 15). LEITURAOBRIGATÓRIA 19 LINKSIMPORTANTES Quer saber mais sobre o assunto? Então: Sites Leia o artigo: Assistência de enfermagem ao paciente submetido à ventilação invasiva. Trata- se de um estudo bibliográfico, baseado em análise de publicações nacionais e internacionais a partir da década de 1990, cujo objetivo foi realizar uma atualização sobre as principais ações na assistência de enfermagem à pacientes submetidos à Ventilação Invasiva. Disponível em: <http://www.unisa.br/graduacao/biologicas/enfer/revista/arquivos/2007-14. pdf>. Acesso em: 2 jan. 2014. Leia o artigo: Ventilação mecânica: evidências para o cuidado de enfermagem. Este estudo objetivou avaliar o conhecimento dos enfermeiros sobre ventilação mecânica nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de um hospital de referência em Fortaleza. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_pdf&pid=S1414-81452012000400021&lng=en &nrm=iso&tlng=pt>. Acesso em: 2 jan. 2014. Leia a portaria: Portaria nº 370, de 4 de julho de 2008. A Portaria Institui, no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS, o Programa de Assistência Ventilatória Não Invasiva aos Portadores de Doenças Neuromusculares. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/ saudelegis/sas/2008/prt0370_04_07_2008.html>. Acesso em: 2 jan. 2014. Vídeos Assista ao vídeo: Ventilação mecânica invasiva – parte 1. O vídeo apresenta uma palestra sobre ventilação mecânica invasiva. Disponível em: <http://www.youtube.com/ watch?v=ITHYtdi5IJI>. Acesso em: 2 jan. 2014. 20 Instruções: Chegou a hora de você exercitar seuaprendizado por meio das resoluções das questões deste Caderno de Atividades. Essas atividades auxiliarão você no preparo para a avaliação desta disciplina. Leia cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido e para o modo de resolução de cada questão. Lembre-se: você pode consultar o Livro-Texto e fazer outras pesquisas relacionadas ao tema. AGORAÉASUAVEZ Questão 1: Qual é o objetivo do suporte ventilatório? Questão 2: São verdadeiros sacos de ar envoltos por capilares sanguíneos, ao qual possibilita trocas gasosas por difusão. Essa definição é de: a) Brônquios. b) Bronquíolos. c) Traqueia. d) Alvéolos. e) Pulmão. Assista ao vídeo: Ventilação mecânica invasiva – parte 2. O vídeo continua a apresentação da palestra sobre ventilação mecânica invasiva. Disponível em: <http://www.youtube.com/ watch?v=LbYVv75TqOA>. Acesso em 2 jan. 2014. Assista ao vídeo: Gasometria. O vídeo explica como é realizada uma coleta de gasometria nas técnicas assépticas que acontece nos Estados Unidos. Disponível em: <http://www. youtube.com/watch?v=SUOrth3jsRM>. Acesso em: 2 jan. 2014. LINKSIMPORTANTES 21 Questão 3: I. Pacientes que são submetidos à VM, são intubados por via naso ou orotraqueal, por meio de tubo flexível dotado de balonete e cuff. II. Com diâmetro compatível com a traqueia (8,0 a 8,5mm para mulheres e 8,5 a 9,0mm para homens). III. O balonete deve ser insuflado para que durante as inspirações não tenha vazamento, formando assim, um sistema fechado. IV. Periodicamente pode ser necessária a aspiração de secreções que se acumulam no tubo orotraqueal (TOT). Assinale a alternativa CORRETA. a) As afirmativas I e II estão incorretas. b) A afirmativa I é a única correta. c) As afirmativas III e IV estão incorretas. d) Todas as afirmativas estão corretas. e) A afirmativa III é a única incorreta. Questão 4: A ventilação ocorre com inspiração ati- va, com atuação das musculaturas _________________, cervicoescapular e diafragmática, que promovem o aumento do volume da caixa torácica, diminuindo a pressão intratorácica a níveis subatmosfé- ricos, possibilitando a entrada do ar. a) Intercostal. b) Pleural. c) Torácica. d) Subcostal. e) Hemicostal. Questão 5: Chamamos alcalose a elevação do pH acima de 7,45 e acidose a redução do pH abaixo de: a) 7,45. b) 7,35. c) 7,46. d) 7,30. e) 7,33. Questão 6: Para que o sistema respiratório tenha um bom funcionamento, ele deve ter estruturas específicas. Descreva quais são suas principais estruturas. Questão 7: Quando encontramos a elevação dos níveis no sangue arterial, significa hipoventilação alveolar. O que isso pode acarretar para o sistema respiratório? Descreva. AGORAÉASUAVEZ 22 Questão 8: A fisiopatologia da hipóxia inicia com a dimi- nuição de O2 tecidual, como acontece com pacientes portadores de quais doenças. Cite pelo menos 2 patologias. Questão 9: A hipóxia não depende de maior oferta de O2 aos pulmões e sim da estabilização das funções vitais como débito cardíaco e pressão arterial. Quais são os tipos de hipóxia? Questão 10: Um paciente em ventilação mecânica apresenta a seguinte gasometria ar- terial: pH=7,60; PaCO2=22,6mmHg; PaO2=80,3mmHg; HCO3-=22,3mEq/L; BE= +2,8mEq/L. Interprete essa gasometria conforme seus estudos. AGORAÉASUAVEZ FINALIZANDO Nesse tema, você teve um esclarecimento sobre a importância de uma ventilação mecânica adequada e o tratamento através da interpretação dos resultados de gasometria. No desenvolvimento do conteúdo, foram definidas e esclarecidas algumas patologias e cuidados de enfermagem ao paciente que está em suporte ventilatório. Caro aluno, agora que o conteúdo dessa aula foi concluído, não se esqueça de acessar sua ATPS e verificar a etapa que deverá ser realizada. Bons estudos! 23 AZEVEDO, C. A. C. Ventilação mecânica invasiva e não invasiva. Rio de Janeiro: Revinter, 1994. COUTO, C. M. F. CAMPO, J. B. CARVALHO, E. B. Suporte metabólico no paciente crítico. In: Carvalho, E. B. Manual de suporte nutricional. São Paulo: Medsi, p. 91-100, 1992. DREYER, E. ZUÑIGA, Q. G. P. Ventilação mecânica. In: Cintra E. A, Nishide, V. m. Nune, v. m. Assistência de enfermagem ao paciente crítico. São Paulo: Atheneu, 2000. GRAAFF, K. M. V. Anatomia humana. São Paulo: Manole, 2003). GUYTON A. C. ESBÉRARD C. A. Fisiologia humana e mecanismos das doenças. 4ª ed, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1989. LORENZI, F. g. VEGA, J. J. BARBAS, C. S. V. HOELZ, C. Ventilação mecânica não invasiva. In: Knobel E. Condutas no paciente grave. 2ª ed. São Paulo: Atheneu, v. 1. P. 393-402, 1998. TERZI, R. G. G. Equilíbrio acidobásico e transporte de O2. São Paulo: Manole, 1992. WEST, J. B. Fisiologia respiratória moderna. 3ª ed. São Paulo: Manole, 1986. ZUÑIGA, Q. G. P. Ventilação mecânica para enfermagem. São Paulo: Atheneu, 2004. REFERÊNCIAS 24 GLOSSÁRIO Hematose: é o processo de trocas gasosas que ocorre nos capilares sanguíneos dos alvéolos pulmonares através da difusão dos gases oxigênio e dióxido de carbono. Colabamento: Ação ou resultado de colabar, abalar, provocar ou sofrer aluimento (um órgão ou uma estrutura de um órgão). Os alvéolos apresentam certa tendência ao colabamento. Tal colabamento somente não ocorre normalmente devido à pressão mais negativa presente no espaço pleural, o que força os pulmões a se manterem expandidos. O grande fator responsável pela tendência de colabamento dos alvéolos é um fenômeno chamado tensão superficial. A tensão superficial ocorre no interior dos alvéolos devido a grande quantidade de moléculas de água ali presente, revestindo toda a parede interna dos alvéolos. A tensão superficial no interior dos alvéolos seria bem maior do que já o é se não fosse a presença, nos líquidos que revestem os alvéolos, de uma substância chamada surfactante pulmonar. O surfactante pulmonar é formado basicamente de fosfolipídeos (dipalmitoil lecitina) nas células presentes no epitélio alveolar. A grande importância do surfactante pulmonar é sua capacidade de reduzir significativamente a tensão superficial dos líquidos que revestem o interior dos alvéolos. Balonete: Instrumento médico que é usado para fazer a fixação correta do tubo endotraqueal, não permitindo que secreções da orofaringe sejam aspiradas. Oxímetro de pulso: dispositivo médico que mede indiretamente a quantidade de oxigênio no sangue de um paciente. Comissão de controle de infecção hospitalar: tem como objetivo manter os índices de infecção nos valores considerados aceitos pelo Ministério da Saúde, seguindo rigorosamente normas e portarias específicas da Vigilância Sanitária, promovendo ações de prevenção às infecções. Mantendo assim a qualidade dos serviços oferecidos à população e segurança de seus pacientes. 25 Ambú (Ressuscitador manual): Promover a ventilação artificial, enviando Ar Comprimido ou enriquecendo com Oxigênio,para o pulmão do paciente na ausência de respiração ocasionada por infarto,asfixia por substâncias tóxicas, afogamento e outros. Balão em silicone translúcido autoclavável, nas opções: Adulto: 1600 ml, Infantil: 500 ml e Neonato: 250 ml. Máscara facial adulto, adolescente, infantil e neonato em silicone. Válvula unidirecional (Bico de pato). Válvula para reservatório (não autoclavável). GLOSSÁRIO GABARITO Questão 1 Resposta: Tem o objetivo de substituição total ou parcial da ventilação pulmonar. Questão 2 Resposta: Alternativa D. Justificativa: Os alvéolos (Figura 2) são verdadeiros sacos de ar envoltos por capilares sanguíneos, o que possibilita a grande superfície de contato, necessárias para que ocorram as trocas gasosas por difusão. Questão 3 Resposta: Alternativa E. Justificativa: As alteraçõesdo pH extracelular ocorrem quando existe disfunção renal ou respiratória ou quando a quantidade de base ou ácido ultrapassa a sua capacidade de excreção. Mudanças na concentração do [H+] e pH podem ser induzidas por alterações do PCO2 ou do HCO3-. Anormalidades primárias no PCO2 são chamadas de acidose respiratória (PCO2 alto) e de alcalose respiratória (PCO2 baixo). Anormalidades primárias na concentração de HCO3- são chamadas de acidose metabólica (HCO3- baixo) e de alcalose metabólica (HCO3- alto). Questão 4 Resposta: Alternativa A. Justificativa: A ventilação ocorre com inspiração ativa, com atuação das musculaturas intercostal, cervicoescapular e diafragmática, que promovem o aumento do volume da caixa torácica, diminuindo a pressão intratorácica a níveis subatmosféricos, possibilitando a entrada do ar. 26 GABARITO Questão 5 Resposta: Alternativa B. Justificativa: O pH normal do sangue arterial é 7,40, variando de 7,35 a 7,45. Chamamos alcalose a elevação do pH acima de 7,45 e acidose a redução do pH abaixo de 7,35. Questão 6 Resposta: As principais vias aéreas e estruturas do sistema respiratório são cavidade nasal, faringe, laringe, traqueia, brônquios, bronquíolos e alvéolos pulmonares no interior dos pulmões (GRAAFF; 2003). Questão 7 Resposta: Quando encontramos a elevação dos níveis no sangue arterial, segundo Zuñiga (2004), significa hipoventilação alveolar. Isso leva à acidose, pois o mecanismo tampão renal não age imediatamente. É detectada a acidose respiratória da insuficiência respiratória aguda. Questão 8 Resposta: A fisiopatologia da hipóxia, para Zuñiga (2004), inicia com a diminuição de O2 tecidual, como acontece com pacientes portadores da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA). Questão 9 Resposta: Temos os tipos de hipóxia por transporte anormal (baixa hemoglobina), hipóxia circulatória (insuficiência cardíaca – diminuição do fluxo sanguíneo tecidual generalizado ou local), hipóxia celular (prejudicada por alguma substância tóxica – cianeto), hipóxia de demanda (o consumo pelos tecidos excede o fornecimento normal aos tecidos. Questão 10 Resposta: A interpretação desta gasometria demonstra: pH acima de 7,45 = alcalose PaCO2 abaixo de 35mmHg = hiperventilação levando à alcalose respiratória PaCO2 normal = não há hipoxemia Seções 27 HCO3- entre 20 e 24mEq/L = tendência à acidose metabólica BE normal = não há acidose metabólica efetiva Portanto, teremos o diagnóstico de alcalose respiratória parcialmente compensada por acidose metabólica. Teríamos alcalose respiratória compensada por acidose metabólica se o pH estivesse normal. GABARITO seç ões Tema 04 Síndrome do choque Como citar este material: APPEL, Kelly Lopes de Araújo. Enfermagem no Paciente Crítico e Semicrítico: Síndrome do choque. Caderno de Atividades. Valinhos: Anhanguera Educacional, 2014. SeçõesSeções Tema 04 Síndrome do choque 31 Conteúdo Nessa aula você estudará: • A descrição do choque e sua fisiopatologia subjacente. • Os tipos de choque. • Os cuidados de enfermagem na síndrome do choque. CONTEÚDOSEHABILIDADES Introdução ao Estudo da Disciplina Caro(a) aluno(a). Este Caderno de Atividades foi elaborado com base no livro: Manual de terapia intensiva, dos autores Richard S. Irwin e James M. Rippe, Editora Guanabara Koogan, PLT 586, 2007. Roteiro de Estudo: Kelly Lopes de Araújo Appel Enfermagem no Paciente Crítico e Semicrítico 32 Habilidades Ao final, você deverá ser capaz de responder as seguintes questões: • Como podemos descrever o choque e sua fisiopatologia? • Como podemos descrever os vários tipos da síndrome do choque? • Como identificar os cuidados de enfermagem no choque? CONTEÚDOSEHABILIDADES Síndrome do choque Segundo Smeltzer et al (2009, p. 297) “o choque é uma condição com risco de vida incluindo diversas características como a perfusão tecidual inadequada (morte celular)”. Dwyer (2007) define o choque como uma síndrome multifatorial que leva a hipoperfusão tissular sistêmica e localizada, resultando em hipoxia celular e disfunções de múltiplos órgãos. Ainda cita que o choque tem as seguintes descrições: 1. A perfusão pode estar diminuída de forma sistêmica, com sinais óbvios, como a hipotensão. 2. A perfusão pode estar diminuída devido à má distribuição (choque séptico), onde a perfusão sistêmica pode parecer elevada. 3. Os sinais de má perfusão podem ser sutis e levar a lesão significativa de órgãos. 4. O prognóstico é determinado pelo grau do choque, pela duração do choque, pelo número de órgãos afetados, pela disfunção prévia de órgãos e, possivelmente por alguma predisposição genética. LEITURAOBRIGATÓRIA 33 LEITURAOBRIGATÓRIA Segundo Smeltzer et al (2009, p. 297), existem várias definições dos estados de choque, veja: Quadro 4.1 – Definições dos Estados de Choque DEFINIÇÕES DOS ESTADOS DE CHOQUE Choque hipovolêmico Que ocorre quando existe uma diminuição no volume intravascular. Choque cardiogênico Que acontece quando o coração apresenta uma capacidade de bombeamento prejudicado, ele pode ser originário de um evento coronário ou não coronário. Choque séptico Que é causado por uma infecção. Choque neurogênico Que é causado por alterações no tônus do músculo liso vascular, devido à lesão do sistema nervoso ou complicações associadas aos medicamentos, como a anestesia epidural. Fonte: Smeltzer et al (2009, p. 297). Na fisiopatologia do choque, as células, segundo Smeltzer et al (2009), carecem de um suprimento sanguíneo adequado e são privadas de nutrientes e oxigênio, produzindo energia por meio do metabolismo anaeróbico. Para Dwyer (2007), a hipoxia celular leva à isquemia celular, pois as células isquêmicas são produzidas por alterações do monofosfato de adenosina e do cálcio na criação de radicais superóxido. Conforme descrição da fisiopatologia por Smeltzer et al (2009), no choque o resultado da produção de baixa energia é proveniente a partir dos nutrientes no ambiente intracelular acidótico. Devido a essas alterações, a função celular normal é cessada. Portanto, a célula incha e a membrana celular torna-se mais permeável, permitindo que os líquidos e eletrólitos sejam filtrados para fora e para dentro da célula. Sendo assim, a bomba de sódio-potássio fica comprometida, as estruturas celulares como mitocôndrias são danificadas resultando na morte celular. O choque progride ao longo de estágios por meio da forma que o paciente reage ao choque, uma maneira de perceber são as respostas fisiológicas e os subsequentes sinais e sintomas clínicos como descreve Smeltzer et al (2009, p. 300): 34 Estágio 1 – Compensatório Estágio 2 – Progressivo Estágio 3 – Irreversível Podemos entender que quanto mais cedo o tratamento médico e as prescrições de enfermagem forem iniciados, maiores as chances de sobrevida do paciente. No estágio compensatório (estágio 1), a pressão arterial (PA) permanece dentro dos limites normais. A vasoconstrição, a frequência cardíaca aumentada do coração contribui para manter o débito cardíaco adequado. O corpo desvia o sangue de órgãos como a pele, rins e trato gastrointestinal para o cérebro e coração, de modo a garantir o suprimento sanguíneo adequado par esses órgãos vitais (SMELTZER et al, 2009, p. 300). LEITURAOBRIGATÓRIA 35 LEITURAOBRIGATÓRIA Observem os mecanismos compensatórios no choque por Smeltzer et al (2009, p. 300): 36 Nas manifestações clínicas do choque compensatório o paciente fica com a PA normalizada, porém, mostra inúmeros sinais clínicos indicando a perfusão orgânica inadequada. Quadro 4.2 – Manifestações clínicas nos estágios do choque Manifestações clínicas nosestágios do choque ACHADO Estágio Compensatório Progressivo Irreversível Pressão arterial Normal Sistólica <80-90mmHg Requer suporte mecânico ou farmacológico Freqüência cardíaca >100 bpm >150bpm Errática ou assistolia Estado respiratório >20 incursões/min Respirações rápidas e superficiais, estertores Requer intubação Pele Fria, pegajosa Mosqueadas, petéquias Icterícia Débito urinário Diminuído 0,5mL/Kg/h Anúrico, requer diálise Estado mental Confusão Letargia Inconsciente Equilíbrio acidobásico Alcalose respiratória Acidose metabólica Acidose profunda Fonte: Smeltzer et al (2009). O tratamento médico é direcionado no sentido de identificar a causa do choque e corrigir o distúrbio subjacente de modo que o choque não progrida. A compensação, segundo Smeltzer et al (2009), não pode ser efetivamente mantida de maneira indefinida, medidas como a reposição de líquidos e a terapia medicamentosa devem ser iniciadas para manter uma PA adequada e restabelecer e manter a perfusão tecidual adequada. No tratamento de enfermagem a intervenção inicial é a chave para a melhora do prognóstico do paciente. Sendo assim, o enfermeiro deverá avaliar o paciente em risco para o choque sistematicamente para o reconhecimento dos sinais clínicos sutis do estágio compensatório antes que a PA do paciente diminua, como está descrito no quadro 4.3. LEITURAOBRIGATÓRIA 37 LEITURAOBRIGATÓRIA Quadro 4.3 – Reconhecendo o choque nos pacientes idosos RECONHECENDO O CHOQUE NOS PACIENTES IDOSOS As alterações fisiológicas associadas ao envelhecimento, juntamente com os estados patológicos e de doença crônica, colocam as pessoas idosas em risco aumentado para desenvolver um estado de choque e, possivelmente, a síndrome da disfunção de múltiplos órgãos (SDMO). As pessoas idosas podem recuperar-se do choque quando este é detectado e tratado precocemente com terapias agressivas e de suporte. Os enfermeiros desempenham um papel essencial na avaliação e interpretação das alterações sutis nas respostas dos pacientes idosos à doença. 1. Os medicamentos, como os agentes beta-bloqueadores (metoprolol (lopressor)), usados para tratar a hipertensão, podem mascarar a taquicardia, um mecanismo compensatório primário para aumentar o débito cardíaco durante os estados hipovolêmicos. 2. O sistema imune do idoso pode não montar uma resposta verdadeiramente febril (temperatura maior que 40ºC), mas deverá ser abordada uma tendência crescente na temperatura corporal. 3. O coração não funciona bem nos estados hipoxêmicos; o coração do idoso pode responder à oxigenação miocárdica diminuída com arritmias, as quais podem ser erroneamente interpretadas como uma parte normal do processo de envelhecimento. 4. As alterações no estado mental podem ser interpretadas de maneira inadequada e errônea como demência. As pessoas idosas com uma alteração súbita no estado mental deverão ser agressivamente tratadas para a presença de infecção e da hipoperfusão orgânica. Fonte: Smeltzer et al (2009, p. 301) No estágio progressivo (estágio 2), no segundo estágio de choque, os mecanismos que regulam a PA não podem mais compensar, e a pressão arterial média cai abaixo dos limites normais. Os pacientes se mostram clinicamente hipotensos, isso é definido como uma PA sistólica de 40mmHg (KLEINPELL; 2003, p. 301). O tratamento de enfermagem de pacientes no estágio progressivo do choque requer a experiência na avaliação e compreensão do choque e do significado das alterações nos dados do histórico. Para Smeltzer et al (2009), trabalhando em íntima cooperação com os outros 38 LINKSIMPORTANTES Quer saber mais sobre o assunto? Então: Sites: Leia o artigo: Diretrizes para tratamento da sepse grave/choque séptico – ressuscitação hemodinâmica. Após o acesso você entenderá que a sepse tem alta incidência, alta letalidade e custos elevados, sendo a principal causa de mortalidade em unidades de terapia intensiva. Está claramente demonstrado que pacientes reconhecidos e tratados precocemente têm melhor prognóstico. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbti/v23n1/ a04v23n1.pdf>. Acesso em: 2 jan. 2014. Leia o artigo “Choque: diagnóstico e tratamento na emergência”. Este artigo ampliará seus conhecimentos sobre choque que é uma síndrome caracterizada pela redução da perfusão tecidual sistêmica, levando a disfunção orgânica onde é essencial o reconhecimento precoce para correção das disfunções e diagnóstico e tratamento da causa de base. Disponível em: <http://www.amrigs.com.br/revista/55-02/021-PG_179-196_559_choque%20diagnostico.... pdf>. Acesso em: 2 jan. 2014. LEITURAOBRIGATÓRIA membros da equipe de saúde, o enfermeiro documenta cuidadosamente os tratamentos, medicamentos e líquidos que são administrados pelos membros da equipe, registrando o horário, dosagem ou volume, bem como a resposta do paciente. Eles promovem também o repouso e o conforto e apoio aos familiares. O estágio irreversível (estágio 3) do choque representa o ponto ao longo do continuum do choque em que a lesão orgânica é tão grave que o paciente não responde ao tratamento e não pode sobreviver (SMELTZER et al, 2009, p. 304). Quanto ao tratamento de enfermagem para Smeltzer et al (2009), no estágio progressivo do choque, o enfermeiro enfoca a realização dos tratamentos prescritos, a monitorização do paciente, a prevenção das complicações, a proteção do paciente contra a lesão e o fornecimento de conforto. 39 LEITURAOBRIGATÓRIA Acesse o artigo: Critérios para o Diagnóstico de Sepse, Sepse Grave e Choque Séptico. Apesar de toda a polêmica, este artigo ampliará seus conhecimentos sobre o tratamento e os conceitos de sepse, sepse grave e choque séptico. Disponível em: <http://www.amib. com.br/rbti/download/artigo_2010622183955.pdf>. Acesso em: 2 jan. 2014. Leia o artigo Tratamento do choque na criança. Esse artigo mostra aspectos importantes do cuidado às crianças que passaram por um choque. Disponível em: <http://www.lume.ufrgs. br/bitstream/handle/10183/54355/000265672.pdf?sequence=1>. Acesso em: 2 jan. 2014. Vídeos: Assista ao vídeo: Produção de vídeo aula - choque. O vídeo esclarecem os tipos de choques de forma ilustrativa. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=xXcd0GCIMuk>. Acesso em: 2 jan. 2014. Assista ao vídeo: Sepse grave. O vídeo esclarece como ocorre a sepse grave que pode levar ao choque séptico. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=PNa8ijMCqwo>. Acesso em: 2 jan. 2014. Assista ao vídeo: Choque por hemorragia. O vídeo mostra uma aula com interatividade com alunos sobre o choque hipovolêmico. Disponível em: <http://www.youtube.com/ watch?v=1EOIKyINCrk>. Acesso em: 2 jan. 2014. AGORAÉASUAVEZ Instruções: Chegou a hora de você exercitar seu aprendizado por meio das resoluções das questões deste Caderno de Atividades. Essas atividades auxiliarão você no preparo para a avaliação desta disciplina. Leia cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido e para o modo de resolução de cada questão. Lembre-se: você pode consultar o Livro-Texto e fazer outras pesquisas relacionadas ao tema. 40 Questão 1: O choque foi definido como uma síndrome multifatorial que leva a hipoperfusão tissular sistêmica e localizada, resultando em hipoxia celular e disfunções de múltiplos órgãos. Descreva pelo menos 2 características dele. Questão 2: _______________________________é causado por alterações no tônus do músculo liso vascular, devido à lesão do sistema nervoso ou complicações associadas aos medicamentos, como a anestesia epidural. a) Choque hipovolêmico. b) Choque neurogênico. c) Choque anafilático. d) Choque séptico. e) Choque cardiogênico. Questão 3: Na _______________________________ do choque, as células, segundo Smeltzeret al (2009), carecem de um suprimento sanguíneo adequado e são privadas de nutrientes e oxigênio, produzindo energia por meio do metabolismo ________________________. a) Fisiopatologia, anaeróbico. b) Anatomia, anaeróbico. c) Fisiopatologia, aeróbico. d) Anatomia, aeróbico. e) Fisiologia, anaeróbico. Questão 4: No estágio compensatório (_____________), a pressão arterial (PA) permanece dentro dos limites normais. A vasoconstrição, a frequência cardíaca aumentada do coração contribui para manter o _______________ adequado. a) Estágio 1, débito cardíaco. b) Estágio 2, restante da perfusão. c) Estágio 3, débito acumulado. d) Estágio 4, vasoconstrição. e) Estágio 1, volume. Questão 5: No estágio progressivo (estágio 2), estágio de choque, os mecanismos que regulam a PA não podem mais compensar, e a pressão arterial média cai abaixo dos limites normais. A PA apresenta-se: AGORAÉASUAVEZ 41 AGORAÉASUAVEZ a) Sistólica <70-90mmHg. b) Sistólica <80-50mmHg. c) Sistólica <50-90mmHg. d) Sistólica <40-90mmHg. e) Sistólica <80-90mmHg. Questão 6: O tratamento médico é direcionado no sentido de identificar a causa do choque, corrigir o distúrbio subjacente de modo que o choque não progrida. Como acontece no tratamento de enfermagem? Descreva. Questão 7: As pessoas idosas podem recuperar-se do choque quando este é detectado e tratado precocemente com terapias agressivas e de suporte. Os enfermeiros desempenham um papel essencial na avaliação e interpre- tação das alterações sutis nas respostas dos pacientes idosos à doença. Descreva um cuidado fundamental. Questão 8: No tratamento de enfermagem de pacientes no estágio progressivo do choque requer a experiência na avaliação e compreensão do choque e do significado das alterações nos dados do histórico. Qual a conduta a ser tomada por um enfermeiro? Questão 9: Como é descrita a fisiopatologia do choque por Smeltzer? Questão 10: Qual o tratamento de enfermagem no está- gio irreversível do choque? 42 Nesse tema, você compreendeu um pouco mais sobre o cuidado de enfermagem no paciente que apresenta várias classificações de choque. O cuidado de enfermagem é bem específico e os profissionais devem identificar os sinais e sintomas a tempo, antes das complicações se instalarem. Caro aluno, agora que o conteúdo dessa aula foi concluído, não se esqueça de acessar sua ATPS e verificar a etapa que deverá ser realizada. Bons estudos! DWYER, K. Choque: uma visão geral. In: IRWIN, R. S. RIPPE, J. M. Manual de Terapia Intensiva. Rio de Janeiro, RJ: Guanabara Koogan, 2007. SMELTZER, S. D. et al. BRUNNER & SUDDARTH: Tratado de enfermagem médico cirúrgica. Rio de janeiro: Guanabara Koogan, 2009. FINALIZANDO REFERÊNCIAS 43 GLOSSÁRIO Fisiopatologia: Estudo do funcionamento do organismo durante a doença, fisiologia patológica. Anaeróbico: Anaeróbico ou anaeróbio. É um organismo que vive e se desenvolve exclusivamente em um meio em que há ausência completa ou quase completa de oxigênio molecular. São em geral microrganismos, como, por exemplo, bactérias e fungos. Permeável: Diz-se dos corpos que se deixam atravessar por fluidos. Vasoconstrição: Em Biologia, a vasoconstrição é o processo de contração dos vasos sanguíneos, em consequência da contração do músculo liso presente na parede desses mesmos vasos. É o processo oposto à vasodilatação. Estes processos de vasodilatação e constrição verificam-se em animais com sistemas circulatórios fechados, isto é, possuem um sistema de vasos para o transporte do sangue que não os abandona. GABARITO Questão 1 Resposta: Dwyer (2007) define o choque como uma síndrome multifatorial que leva a hipoperfusão tissular sistêmica e localizada, resultando em hipoxia celular e disfunções de múltiplos órgãos. Ainda cita que o choque tem as seguintes descrições: 1. A perfusão pode estar diminuída de forma sistêmica, com sinais óbvios, como a hipotensão. 44 GABARITO 2. A perfusão pode estar diminuída devido à má distribuição (choque séptico), onde a perfusão sistêmica pode parecer elevada. 3. Os sinais de má perfusão podem ser sutis e levar a lesão significativa de órgãos. 4. O prognóstico é determinado pelo grau do choque, pela duração do choque, pelo número de órgãos afetados, pela disfunção prévia de órgãos e, possivelmente por alguma predisposição genética. Questão 2 Resposta: Alternativa B. Justificativa: Choque neurogênico - causado por alterações no tônus do músculo liso vascular, devido à lesão do sistema nervoso ou complicações associadas aos medicamentos, como a anestesia epidural. Questão 3 Resposta: Alternativa A. Justificativa: Na fisiopatologia do choque, as células, segundo Smeltzer et al (2009), carecem de um suprimento sanguíneo adequado e são privadas de nutrientes e oxigênio, produzindo energia por meio do metabolismo anaeróbico. Questão 4 Resposta: Alternativa A. No estágio compensatório (estágio 1), a pressão arterial (PA) permanece dentro dos limites normais. A vasoconstrição, a frequência cardíaca aumentada do coração contribui para manter o débito cardíaco adequado. O corpo desvia o sangue de órgãos como a pele, rins e trato gastrointestinal para o cérebro e coração, de modo a garantir o suprimento sanguíneo adequado par esses órgãos vitais (SMELTZER et al; 2009). Questão 5 Resposta: Alternativa E. Justificativa: No estágio progressivo (estágio 2), no segundo estágio de choque, os mecanismos que regulam a PA não podem mais compensar, e a pressão arterial média cai abaixo dos limites normais (Sistólica <80-90mmHg). 45 Questão 6 Resposta: 1. Os medicamentos, como os agentes beta-bloqueadores (metoprolol [lopressor]), usados para tratar a hipertensão, podem mascarar a taquicardia, um mecanismo compensatório primário para aumentar o débito cardíaco durante os estados hipovolêmicos. 2. O sistema imune do idoso pode não montar uma resposta verdadeiramente febril (temperatura maior que 40ºC), mas deverá ser abordada uma tendência crescente na temperatura corporal. 3. O coração não funciona bem nos estados hipoxêmicos; o coração do idoso pode responder à oxigenação miocárdica diminuída com arritmias, as quais podem ser erroneamente interpretadas como uma parte normal do processo de envelhecimento. 4. As alterações no estado mental podem ser interpretadas de maneira inadequada e errônea como demência. As pessoas idosas com uma alteração súbita no estado mental deverão ser agressivamente tratadas para a presença de infecção e da hipoperfusão orgânica. Questão 7 Resposta: Para Sanvito (2000), muitas dessas marcas não estão somente ligadas ao coma em si, mas, durante esse processo, às experiências de ter sido “descuidado” leva muitos doentes a precisar se recuperar não apenas da doença, mas também do fato de terem se tornado “pacientes”. Questão 8 Resposta: Para Smeltzer et al (2009), trabalhando em íntima cooperação com os outros membros da equipe de saúde, a enfermeira documenta cuidadosamente os tratamentos, medicamentos e líquidos que são administrados pelos membros da equipe, registrando o horário, dosagem ou volume, bem como a resposta do paciente. Promovem também o repouso e o conforto e apoio aos familiares. GABARITO 46 Questão 9 Resposta: Conforme descrição da fisiopatologia por Smeltzer et. al (2009), no choque o resultado da produção de baixa energia é proveniente a partir dos nutrientes no ambiente intracelular acidótico. Devido a essas alterações, a função celular normal é cessada. Portanto, a célula incha e a membrana celular torna-se mais permeável, permitindo que os líquidos e eletrólitos sejam filtrados para fora e para dentro da célula. Sendo assim, a bomba de sódio-potássio fica comprometida, as estruturascelulares como mitocôndrias são danificadas resultando na morte celular. Questão 10 Resposta: Quanto ao tratamento de enfermagem para Smeltzer et al (2009), no estágio progressivo do choque, o enfermeiro enfoca a realização dos tratamentos prescritos, a monitorização do paciente, a prevenção das complicações, a proteção do paciente contra a lesão e o fornecimento de conforto. GABARITO Enfermagem no Paciente Crítico e Semicrítico Autoria: Kelly Lopes de Araújo Appel Tema 05 Drogas vasoativas e assistência de enfermagem Tema 06 Infarto agudo do miocárdio Índice Índice Tema 05: Drogas vasoativas e assistência de enfermagem 7 Tema 06: Infarto agudo do miocárdio 29 seç ões Tema 05 Drogas vasoativas e assistência de enfermagem Como citar este material: APPEL, Kelly Lopes de Araújo. Enfermagem no Paciente Crítico e Semicrítico: Drogas vasoativas e assistência de enfermagem. Caderno de Atividades. Valinhos: Anhanguera Educacional, 2014. SeçõesSeções Tema 05 Drogas vasoativas e assistência de enfermagem 7 CONTEÚDOSEHABILIDADES Conteúdo Nessa aula você estudará: • As drogas vasoativas e suas funções. • O conhecimento sobre as indicações, limitações e efeitos hemodinâmicos das drogas vasoativas. • Os cuidados de enfermagem em pacientes com cuidados intensivos com uso de drogas vasoativas. Introdução ao Estudo da Disciplina Caro(a) aluno(a). Este Caderno de Atividades foi elaborado com base no livro: Manual de terapia intensiva, dos autores Richard S. Irwin e James M. Rippe, Editora Guanabara Koogan, PLT 586, 2007. Roteiro de Estudo: Kelly Lopes de Araújo Appel Enfermagem no Paciente Crítico e Semicrítico 8 CONTEÚDOSEHABILIDADES Drogas vasoativas e assistência de enfermagem As drogas vasoativas administradas aos pacientes críticos compreendem, em sua maioria, os inotrópicos, os vasoconstritores e os vasodilatadores. As drogas vasoativas são utilizadas para manter a homeostase orgânica e tissular durante as mais diversas condições clínicas, para evitar que os pacientes evoluam para disfunções de múltiplos órgãos, segundo Ostini et al (1998). Para o mesmo autor, as drogas vasoativas agem, principalmente, sobre os parâmetros que regulam o débito cardíaco (DC). Este é determinado pelo produto do volume sistólico (VS) e frequência cardíaca (FC). O VS depende das pressões e dos volumes de enchimento ventricular (pré-carga), da contratilidade do miocárdio e da resistência ao esvaziamento ventricular (pós-carga). O conhecimento sobre as indicações, limitações e efeitos hemodinâmicos das drogas vasoativas para UEFS (2013), por estas poderem se tornar uma importante causa de iatrogenia pela utilização de maneira inadequada, é essencial uma consciência crítica desses potentes medicamentos. Habilidades Ao final, você deverá ser capaz de responder as seguintes questões: • Como podemos trabalhar com drogas vasoativas? • Como conhecer as indicações, limitações e efeitos hemodinâmicos das drogas vasoativas? • Como a equipe de enfermagem pode realizar os cuidados de enfermagem com uso de drogas vasoativas? LEITURAOBRIGATÓRIA 9 LEITURAOBRIGATÓRIA Os critérios de indicação e o modo de uso devem ser precisos e a dose ideal titulada de acordo com a resposta clínica, hemodinâmica e metabólica desejada (UEFS, 2013). É necessário compreender os determinantes da oferta de oxigênio aos tecidos e do débito cardíaco para que possa ser entendida a finalidade da utilização dessas drogas (UEFS, 2013). Segundo Ostini (1998), as drogas vasoativas – catecolaminas (Quadro 5.1) – como a noradrenalina, adrenalina, dopamina, dopexamina, dobutamina e isoproterenol, muito utilizadas nas Unidades de Terapia Intensiva, trazem suporte ao sistema hemodinâmico do paciente. As catecolaminas são os agentes simpatomiméticos mais utilizados em terapia intensiva e as suas ações são determinadas pelas ligações dessas drogas às três classes principais de receptores: alfa, beta e dopa (Quadro 5.2). O nitroprussiato de sódio e o vasodilatadores também são utilizados como tratamento em terapia intensiva (Quadro 5.3), segundo Cintra et al, (2003). Quadro 5.1 - Classificação das CATECOLAMINAS: DOPAMINA É o precursor imediato da noradrenalina. Possui inúmeros efeitos, pois estimula todos os tipos de receptores, sendo estes dose dependentes. Em baixas doses, possui efeito dopaminérgico predominante, causando aumento do débito cardíaco; diminuição da resistência vascular sistêmica e vasodilatação renal e mesentérica. Em doses médias, possui um efeito beta predominante, aumentando o débito cardíaco; a pressão arterial e a diurese. Em doses elevadas, o efeito predominante é o alfa, causando aumento da resistência vascular sistêmica e da pressão arterial e diminuição do fluxo sanguíneo renal. Assim, as indicações principais da dopamina estão relacionadas aos estados de baixo débito com volemia controlada ou aumentada (efeito beta adrenérgico). Pelo fato de essa droga vasoativa possuir, em baixas doses, um efeito vasodilatador renal, é também indicada em situações nas quais os parâmetros hemodinâmicos estejam estáveis, porém com oligúria persistente (efeito dopaminérgico). Ela pode, também, ser utilizada em condições de choque com resistência periférica diminuída (efeito alfa adrenérgico). 10 LEITURAOBRIGATÓRIA DOBUTAMINA É uma droga simpatomimética sintética, com ação predominantemente beta 1 agonista. Esta droga possui baixa afinidade por receptores beta 2 e é quase desprovida de efeitos alfa adrenérgicos. A dobutamina apresenta poucos efeitos sobre a frequência cardíaca, aumenta a contratilidade miocárdica e o índice cardíaco, não agindo sobre a resistência vascular periférica. A droga é utilizada para melhorar a função ventricular e o desempenho cardíaco, em pacientes nos quais a disfunção ventricular acarreta diminuição no volume sistólico e no débito cardíaco como por exemplo, choque cardiogênico e insuficiência cardíaca congestiva. O consumo de oxigênio do miocárdio, sob o uso da dobutamina, é menor do que sob a ação de outras catecolaminas. NORADRENALINA É o neurotransmissor do sistema nervoso simpático e precursor da adrenalina. A noradrenalina possui atividade tanto no receptor alfa, como beta 1 adrenérgico, com pouca ação sobre receptores beta 2. Dependendo da dose utilizada, obtém-se aumento do volume sistólico, diminuição reflexa da frequência cardíaca e importante vasoconstrição periférica, com aumento da pressão arterial. A noradrenalina é também um potente vasoconstritor visceral e renal, o que limita sua utilização clínica. É também vasoconstritora sobre a rede vascular, sistêmica e pulmonar, e deve ser usada com prudência, em pacientes com hipertensão pulmonar. Por outro lado, é uma droga de eleição no choque séptico, cuja finalidade é elevar a PA em pacientes hipotensos, que não responderam à ressuscitação por volume e a outros inotrópicos menos potentes. 11 LEITURAOBRIGATÓRIA ADRENALINA É um potente estimulador alfa e beta adrenérgico, cujo efeito vasopressor é muito conhecido. O mecanismo da elevação da pressão arterial causado pela adrenalina, é devido a uma ação direta no miocárdio, com aumento da contração ventricular, um aumento da freqüência cardíaca e uma vasoconstrição em muitos leitos vasculares (arteríolas da pele, rins e vênulas). Na musculatura lisa, sua ação predominante é de relaxamento através da ativação de receptores alfa e beta adrenérgicos. A droga exerce também broncodilatação, pela interação com receptores beta 2 do músculo liso bronquial, combinada à inibição da degranulação de mastócitos. A adrenalina também eleva as concentrações de glicose (aumento da neoglicogênese e inibição da secreção de insulina) e do lactato sérico.As principais indicações da adrenalina incluem estados de choque circulatório que não respondem às outras catecolaminas menos potentes, em particular no choque cardiogênico, quando de uso combinado com agentes redutores da pós-carga. Recomenda- se esta droga no tratamento de brocoespamos severos. É também indicada no tratamento da anafilaxia e, durante as manobras de ressuscitação cardiopulmonar, é o agente farmacológico de efeito vasoconstritor mais eficaz. ISOPROTERENOL É uma catecolamina sintética, de estrutura semelhante à adrenalina. É um potente agonista beta adrenérgico, com afinidade muito baixa pelos receptores alfa. Portanto, exerce efeitos potentes no sistema cardiovascular, como aumento da contratilidade, frequência e velocidade de condução do estímulo elétrico cardíaco. Observa- se um aumento no débito cardíaco e no consumo de oxigênio do miocárdio. A estimulação dos receptores beta adrenérgicos resulta num relaxamento da musculatura lisa vascular ao mesmo tempo em que a resistência vascular sistêmica e a pressão diastólica caem. O músculo liso da via aérea brônquica e vascular pulmonar também é relaxado pelo isoproterenol, ocasionando uma diminuição da resistência vascular pulmonar e reversão de broncoespamos. Está indicado principalmente nas síndromes de baixo débito com pressões de enchimento elevadas e resistência periférica e pulmonar também elevada (choque cardiogênico). É também indicado para tratar os casos de bradicardia com repercussão hemodinâmica até que uma terapia definitiva (marcapasso) seja utilizada. 12 LEITURAOBRIGATÓRIA DOPEXAMINA É uma catecolamina sintética com atividade dopaminérgica e beta 2 agonista, com fraco efeito beta 1 adrenérgico e ausência de efeitos em receptores alfa. Quando comparada à dopamina, a dopexamina tem menor potência ao estimular receptores dopaminérgicos, ao passo que seus efeitos beta 2 são cerca de sessenta vezes mais potentes. Assim, o estímulo de receptores beta resulta em aumento no débito cardíaco, queda da resistência vascular sistêmica e aumento no volume urinário e na excreção de sódio, por estimulação dopaminérgica. Além disso, a droga potencializa os efeitos da noradrenalina endógena, pelo bloqueio da recaptação da mesma. A dopexamina pode ser utilizada no tratamento da insuficiência cardíaca aguda e congestiva e nos pacientes em pós-operatório de cirurgia cardíaca, que evoluem com baixo débito. Além disso, a dopexamina pode, também, ser utilizada no choque séptico, em associação com a noradrenalina, na tentativa de prevenção da insuficiência renal aguda e no incremento do fluxo mesentérico e da perfusão gastrintestinal. Fonte: Ostini et al (1998) 13 Quadro 5.2 - Diferentes tipos de receptores, sua localização e efeitos RECEPTOR LOCALIZAÇÃO EFEITO DA 1 (dopaminérgico tipo 1) Coração Vasos Rins Vasodilatação coronariana Vasodilatação Diurese e excreção de sódio DA 2 (dopaminérgico tipo 2) Vasos Rins e suprarrenais Vasodilatação Diminui a liberação de renina e aldosterona b1 (beta 1) Coração Aumento da contratilidade cardíaca, frequência e velocidade de condução. b2 (beta 2) Vasos Coração Dilatação Aumento da frequência e contratilidade cardíacas a1 (alfa 1) Vasos Vasoconstrição e aumento da pressão arterial a2 (alfa 2) Vasos do coração Vasos Inibição da liberação de noradrenalina (“feedback”) Vasoconstrição e aumento da pressão arterial Fonte: Ostini et al (1998) Os estados de baixo débito, associados à disfunção celular grave são de ocorrência relativamente comum nas Unidades de Terapia Intensiva. O emprego das drogas vasoativas é de importância vital para a reversão desta situação, melhorando o prognóstico e a sobrevida dos pacientes. Essas drogas possuem, em geral, ação rápida e potente, porém seu índice terapêutico é baixo, devendo ser administradas mediante adequada monitorização hemodinâmica e laboratorial (OSTINI et al, 1998, p. 410). LEITURAOBRIGATÓRIA 14 Quadro 5.3 - Vasodilatadores VASODILATADORES A falência circulatória aguda possui muitas etiologias, porém os mecanismos determinantes são: a diminuição do volume circulante, a diminuição do débito cardíaco e a diminuição da resistência vascular periférica. O uso de drogas com ação vasodilatadora é útil nos casos em que a reposição volêmica adequada e a otimização do débito cardíaco com os agentes inotrópicos, já mencionados, não reverteram a condição de baixo débito persistente. O uso de vasodilatadores não altera significativamente a frequência cardíaca e, particularmente, o vasodilatador mais utilizado em terapia intensiva é o nitroprussiato de sódio. NITROPRUSSIATO DE SÓDIO É um vasodilatador misto, com efeitos sobre os territórios arterial e venoso. Age diretamente na musculatura lisa vascular. Não apresenta efeito direto sobre as fibras musculares cardíacas, sendo seu incremento no débito cardíaco devido à ação vasodilatadora. O fluxo sanguíneo renal e a taxa de filtração glomerular são mantidos e a secreção de renina, pelo organismo, é aumentada. A droga promove, então, diminuição da resistência periférica total, da pressão arterial e do consumo de oxigênio do miocárdio, pouca alteração da frequência cardíaca e diminuição da resistência vascular pulmonar. O metabólito ativo da droga é o óxido nítrico, que parece ser o responsável pela ação vasodilatadora. O nitroprussiato de sódio é uma molécula instável, que sofre decomposição em condições alcalinas e quando exposto à luz. É indicado no tratamento das emergências hipertensivas e como droga auxiliar nos estados de choque circulatório, com pressões de enchimento ventricular e resistência periférica aumentadas. Irwen e Rippe (2007) diz que o nitroprussiato de sódio é o agente mais previsível e efetivo para o tratamento da hipertensão arterial grave. Dilata as arteríolas e vênulas (reduzindo, assim, a pós carga e a pré carga) e reduz as demandas miocárdicas de oxigênio. Fonte: Ostini et al (1998) LEITURAOBRIGATÓRIA 15 A infusão e a monitorização das drogas é de competência do enfermeiro, desde o preparo, manipulação de equipamentos, infusão e controle das respostas individuais de cada paciente (VIANA; SILVA, 2011). • As drogas vasoativas devem ser empregadas de preferência em acesso central. • Controle rigoroso em bomba de infusão. • Pesar diariamente para ajuste dose ideal. • Desmame das drogas (forma gradual e supervisão rigorosa). • Troca da solução 24 horas (atentar riso de hipotensão). • De preferência monitoramento invasivo de pressão arterial (PA) e medidas hemodinâmicas. • Controle rigoroso PA e eletrocardiograma (ECG). • Atenção à compatibilidade das drogas. • Atenção a drogas periféricas. • Atenção a efeitos adversos. • Evitar medicações em bolus pelas vias das drogas vasoativas. • Seguir orientação de preparo. • Identificação das drogas. • Avaliar perfusão periférica. LEITURAOBRIGATÓRIA 16 LINKSIMPORTANTES Quer saber mais sobre o assunto? Então: Sites Acesse o site do Ministério da Saúde: Bulário eletrônico. Após o acesso você terá a possibilidade de acessar os diversos tipos de medicamentos e suas ações. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/datavisa/fila_bula/index.asp>. Acesso em: 2 jan. 2014. Acesse a “Drogas vasoativas”. Desenvolvido pelo: sidejoi.files.wordpress.com. Esta apresentação ampliará seus conhecimentos sobre o manejo com drogas vasoativas. Disponível em: <http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=5 &ved=0CFMQFjAE&url=http%3A%2F%2Fxa.yimg.com%2Fkq%2Fgroups%2F24051696% 2F374487219%2Fname%2F5_Drogas%25252Bvasoativasppt.ppt&ei=a8OUUpWmLoWd kQfOpoCIAQ&usg=AFQjCNEcnvZwr-rDazLhkJbapXlJ3odWYw&sig2=HGhr0k3-7DVI1E_ OWS0F4g>. Acesso em: 2 jan. 2014. Vídeos Assista ao vídeo: A açãode substâncias químicas no sistema nervoso. O vídeo esclarece a humanização compartilhada entre o cuidador e o ser cuidado. Disponível em: <http:// www.youtube.com/watch?v=2ZZHulWVQmE>. Acesso em: 2 jan. 2014. Assista ao vídeo: Antagonistas Adrenérgicos (simpatolíticos) - Resumo – Farmacologia. O vídeo esclarece como uma droga antagonista adrenérgica realiza sua ação. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=xpQJxsQP6pA>. Acesso em: 2 jan. 2014. Assista ao vídeo: Fármacos Parassimpatomiméticos - Resumo – Farmacologia. O vídeo explica como as drogas parassimpatomiméticas agem no sistema neurológico. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=TzcqZoSmpPU>. Acesso em: 2 jan. 2014. 17 Instruções: Chegou a hora de você exercitar seu aprendizado por meio das resoluções das questões deste Caderno de Atividades. Essas atividades auxiliarão você no preparo para a avaliação desta disciplina. Leia cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido e para o modo de resolução de cada questão. Lembre-se: você pode consultar o Livro-Texto e fazer outras pesquisas relacionadas ao tema. Questão 1: As drogas vasoativas são utilizadas para manter uma função muito importante na assistência ao paciente crítico e semicrítico. Descreva essa função. Questão 2: Administradas aos pacientes críti- cos, as drogas vasoativas compreen- dem em sua maioria os inotrópicos, os ___________________ e os vasodilatado- res? Assinale a alternativa CORRETA. a) Vasoconstritores. b) Inibidores. c) Colinérgicas. d) Diuréticas. e) Endógenos. Questão 3: As drogas vasoativas têm ação, principalmente, sobre os parâmetros que regulam o débito cardíaco (DC). Este é determinado pelo: a) produto do volume sistólico (VS) e frequência respiratória (FR). b) produto do volume diastólico (VD) e frequência cardíaca (FC). AGORAÉASUAVEZ 18 c) produto do volume sistólico (VS) e frequência cardíaca (FC). d) produto do volume sistólico (VS) e pressão arterial (PA). e) produto do volume diatólico (VD) e pressão arterial (PA). Questão 4: As ________________________ são os agentes simpatomiméticos mais utilizados em terapia intensiva e as suas ações são determinadas pelas ligações dessas drogas às três classes principais de receptores: alfa, beta e dopa. Assinale a alternativa CORRETA que complete a afirmação. a) Sinapses. b) Catecolaminas. c) Adrenérgicas. d) Colinérgicas. e) Vasoconstritoras. Questão 5: A infusão e a monitorização das drogas é de competência do _________________, desde o preparo, manipulação de equipamentos, infusão e controle das respostas individuais de cada paciente. Assinale a alternativa CORRETA que corresponda a afirmação. a) Médico. b) Nutricionista. c) Fisioterapeuta. d) Enfermeiro. e) Intensivista. Questão 6: As drogas vasoativas são muito utilizadas nas Unidades de Terapia Intensiva, pois trazem suporte ao sistema hemodinâmi- co do paciente. Descreva as drogas mais utilizadas. Questão 7: Descreva pelo menos cinco cuidados que a equipe de enfermagem deve ter na admi- nistração e manutenção das drogas vasoa- tivas no tratamento intensivo. Questão 8: São utilizados como tratamento em terapia intensiva os vasodilatadores, como o nitro- prussiato de sódio. Como e onde os vaso- dilatadores atuam? Questão 9: As drogas vasoativas, como a noradrenali- na, é muito utilizada nas Unidades de Tera- pia Intensiva. Descreva sua ação. AGORAÉASUAVEZ 19 Questão 10: Temos uma droga vasoativa que é precur- sora imediata da noradrenalina. Possui inú- meros efeitos, pois estimula todos os tipos de receptores. Estamos falando de qual medicamento vasoativo? AGORAÉASUAVEZ FINALIZANDO Nesse tema, você aprendeu sobre algumas drogas vasoativas muito utilizadas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde toda a equipe tem papel preponderante desde a escolha e continuidade do tratamento. O cuidado deve ser prestado com muita atenção, pois essas drogas têm efeito rápido e que podem estimular ou aumentar outras ações vasoativas por meio do sistema nervoso central. Caro aluno, agora que o conteúdo dessa aula foi concluído, não se esqueça de acessar sua ATPS e verificar a etapa que deverá ser realizada. Bons estudos! 20 Apresentação ppt. Drogas vasoativas. Desenvolvido pelo: sidejoi.files.wordpress.com. Disponível em: <http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=5 &ved=0CFMQFjAE&url=http%3A%2F%2Fxa.yimg.com%2Fkq%2Fgroups%2F24051696% 2F374487219%2Fname%2F5_Drogas%25252Bvasoativasppt.ppt&ei=a8OUUpWmLoWd kQfOpoCIAQ&usg=AFQjCNEcnvZwr-rDazLhkJbapXlJ3odWYw&sig2=HGhr0k3-7DVI1E_ OWS0F4g> Acesso em: 2 jan. 2014. CINTRA, E.A; NISHIDE, V.M.; NUNES, W.A. Assistência de Enfermagem ao Paciente Gravemente Enfermo. São Paulo: Atheneu, 2003. FARMACOLOGIA UEFS. Desenvolvido pela Universidade Estadual de Feria de Santana. Drogas vasoativas mais utilizadas em Unidades de Terapia Intensiva. Disponível em: <http://farmacologiauefs.wordpress.com/topicos-gerais/drogas-vasoativas-mais-utilizadas- em-unidades-de-terapia-intensiva/> Acesso em: 2 jan. 2014. IRWIN, R.S.; RIPPE, J.M. Enfermagem no paciente crítico e semi-crítico. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. OSTINI FM et al. The use of vasoactives drugs in the intensive care unit. Medicina, Ribeirão Preto, 31: 400-411, july/sept. 1998. VIANA, D.L.; SILVA, E.S. Guia de medicamentos e cuidados de enfermagem. São Caetano do Sul, SP: Yendis Editora, 2010. REFERÊNCIAS 21 Inotrópico: é relativo à força com a qual o coração está fazendo suas contrações. Efeito Inotrópico Positivo significa aumento da força de contração do coração. Vasoconstritores: a vasoconstrição é o processo de contração dos vasos sanguíneos, em consequência da contração do músculo liso presente na parede desses mesmos vasos. Vasodilatador: é uma substância que aumenta o calibre dos vasos, alongando suas fibras musculares. Simpaticomiméticas: são substâncias que imitam os efeitos do hormônio epinefrina (adrenalina) e do hormônio/neurotransmissor norepinefrina (noradrenalina). Essas drogas aumentam a pressão sanguínea e são bases fracas. Diversas substâncias podem causar estimulação do sistema nervoso central (SNC), como a cafeína e a estricnina. Na prática clínica, as drogas usadas para se obter tal efeito são as chamadas aminas simpaticomiméticas, que são definidas como as catecolaminas endógenas e drogas que reproduzem seus efeitos. Nitroprussiato de sódio: anti-hipertensivo e vasodilatador. É indicada para hipertensão arterial refratária, crise hipertensiva grave, emergências hipertensivas, hipotensão controlada durante a cirurgia, para reduzir a hemorragia no campo cirúrgico (VIANA; SILVA, 2011). Iatrogenia: refere-se a um estado de doença, efeitos adversos ou complicações causadas por resultantes do tratamento médico. Contudo, o termo deriva do grego iatros (médico, curandeiro) e genia (origem, causa), que pode aplicar-se tanto a efeitos bons ou maus. Débito cardíaco ou Gasto cardíaco: é o volume de sangue sendo bombeado pelo coração em um minuto. É igual à frequência cardíaca multiplicada pelo volume sistólico. Portanto, se o coração está batendo 70 vezes por minuto e a cada batimento 70 mililitros de sangue são ejetados, o débito cardíaco é de 4900 ml/minuto. Este valor é típico para um adulto médio em repouso, embora o débito cardíaco possa atingir 30 litros/minuto durante exercícios extremos. GLOSSÁRIO 22 GABARITO Questão 1 Resposta: Segundo Ostini et al (1998), as drogas vasoativas são utilizadas para manter a homeostase orgânica e tissular durante as mais diversas condições clínicas, para evitar que os pacientes evoluam para disfunções de múltiplos órgãos. Questão 2Resposta: Alternativa A. Justificativa: Administradas aos pacientes críticos, as drogas vasoativas compreendem em sua maioria os inotrópicos, os vasoconstritores e os vasodilatadores (UEFS, 2013). Questão 3 Resposta: Alternativa C. Justificativa: As drogas vasoativas, segundo Ostini et al (1998), têm ação, principalmente, sobre os parâmetros que regulam o débito cardíaco (DC). Este é determinado pelo produto do volume sistólico (VS) e frequência cardíaca (FC). Questão 4 Resposta: Alternativa B. Justificativa: As catecolaminas são os agentes simpatomiméticos mais utilizados em terapia intensiva e as suas ações são determinadas pelas ligações dessas drogas às três classes principais de receptores: alfa, beta e dopa. Questão 5 Resposta: Alternativa D. Justificativa: A infusão e a monitorização das drogas é de competência do Enfermeiro, desde o preparo, manipulação de equipamentos, infusão e controle das respostas individuais de cada paciente (VIANA; SILVA, 2011). 23 GABARITO Questão 6 Resposta: As drogas vasoativas mais utilizadas são: noradrenalina, adrenalina, dopamina, dopexamina, dobutamina e isoproterenol, pois trazem suporte ao sistema hemodinâmico do paciente, segundo Ostini (1998). Questão 7 Resposta: • As drogas vasoativas devem ser empregadas de preferência em acesso central. • Controle rigoroso em bomba de infusão. • Pesar diariamente para ajuste dose ideal. • Desmame das drogas (forma gradual e supervisão rigorosa). • Troca da solução 24 horas (atentar riso de hipotensão). • De preferência monitoramento invasivo de pressão arterial (PA) e medidas hemodinâmicas. • Controle rigoroso PA e eletrocardiograma (ECG). • Atenção à compatibilidade das drogas. • Atenção a drogas periféricas. • Atenção a efeitos adversos. • Evitar medicações em bolus pelas vias das drogas vasoativas. • Seguir orientação de preparo. • Identificação das drogas. • Avaliar perfusão periférica. 24 Questão 8 Resposta: É um vasodilatador misto, com efeitos sobre os territórios arterial e venoso. Age diretamente na musculatura lisa vascular. Não apresenta efeito direto sobre as fibras musculares cardíacas, sendo seu incremento no débito cardíaco devido à ação vasodilatadora. Questão 9 Resposta: É o neurotransmissor do sistema nervoso simpático e precursor da adrenalina. A noradrenalina possui atividade tanto no receptor alfa, como beta 1 adrenérgico, com pouca ação sobre receptores beta 2. Dependendo da dose utilizada, obtém-se aumento do volume sistólico, diminuição reflexa da frequência cardíaca e importante vasoconstrição periférica, com aumento da pressão arterial. A noradrenalina é também um potente vasoconstritor visceral e renal, o que limita sua utilização clínica. É também vasoconstritora sobre a rede vascular, sistêmica e pulmonar, e deve ser usada com prudência, em pacientes com hipertensão pulmonar. Por outro lado, é uma droga de eleição no choque séptico, cuja finalidade é elevar a PA em pacientes hipotensos, que não responderam à ressuscitação por volume e a outros inotrópicos menos potentes. Questão 10 Resposta: Dopamina. GABARITO seç ões Tema 06 Infarto agudo do miocárdio Como citar este material: APPEL, Kelly Lopes de Araújo. Enfermagem no Paciente Crítico e Semicrítico: Infarto agudo do miocárdio. Caderno de Atividades. Valinhos: Anhanguera Educacional, 2014. SeçõesSeções Tema 06 Infarto agudo do miocárdio 29 CONTEÚDOSEHABILIDADES Conteúdo Nessa aula você estudará: • O atendimento inicial a um paciente que apresenta infarto agudo do miocárdio. • O conhecimento sobre a fisiopatologia, manifestações clínicas e o tratamento. • Os cuidados de enfermagem em pacientes com cuidados intensivos com infarto agudo do miocárdio. Introdução ao Estudo da Disciplina Caro(a) aluno(a). Este Caderno de Atividades foi elaborado com base no livro: Manual de terapia intensiva, dos autores Richard S. Irwin e James M. Rippe, Editora Guanabara Koogan, PLT 586, 2007. Roteiro de Estudo: Kelly Lopes de Araújo Appel Enfermagem no Paciente Crítico e Semicrítico 30 CONTEÚDOSEHABILIDADES Infarto agudo do miocárdio No Brasil e no mundo, as doenças cardiovasculares (DCV) são a principal causa de morbidade, incapacidade e morte, sendo responsáveis por 29% das mortes registradas em 2007, segundo Brasil (2013). Os gastos com internações pelo SUS totalizaram 1,2 milhões em 2009 e, com envelhecimento da população e mudança dos hábitos de vida, a prevalência e importância das DCV tende a aumentar nos próximos anos (BRASIL, 2013). A Organização Panamericana de Saúde (OPAS) irá propor aos países membros que estabeleçam a meta global de reduzir a taxa de mortalidade por DCV em 20% na década de 2011-2020 em relação à década precedente, pois reconhece a necessidade de uma ação integrada contra as DCV, conforme Brasil (2013). Destacam-se as síndromes coronarianas agudas (SCA), incluindo o infarto agudo do miocárdio (IAM) e a angina instável (AI), as causas de morte e hospitalização por DCV, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (2010). Habilidades Ao final, você deverá ser capaz de responder as seguintes questões: • Como podemos atender melhor e de forma eficaz um paciente com infarto agudo do miocárdio? • Como conhecer a fisiopatologia, as manifestações clínicas e o tratamento? • Como a equipe de enfermagem pode realizar os cuidados de enfermagem no infarto agudo do miocárdio? LEITURAOBRIGATÓRIA 31 Com os avanços no tratamento da SCA, em registros mais recentes em países desenvolvidos, segundo estudos observacionais da Sociedade Brasileira de Cardiologia (2010), mostra que a mortalidade no IAM caiu de 30% na década de 1950 para menos de 5%. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (2010), o tratamento moderno do IAM depende do rápido acesso ao serviço médico, do uso de terapias de reperfusão e do uso de medicações específicas com benefício comprovado. A mortalidade hospitalar pelo IAM continua elevada embora a maioria das abordagens indicadas no tratamento do IAM estarem disponíveis no SUS, o que exige uma ação integrada do Ministério da Saúde, Sociedades Científicas, gestores estaduais e municipais e hospitais. Segundo Lemos e Wallace (2007), a fisiopatologia do IAM, acontece com: • Ruptura da placa aterosclerótica inflamatória, rica em lipídios, leva a exposição do colágeno, adesão plaquetária e ativação. • O fibrinogênio se liga aos receptores da glicoproteína plaquetária nas plaquetas adjacentes, levando à agregação plaquetária. • Um coágulo de fibrina-plaquetas se desenvolve a medida que a trombina converte o fibrinogênio em fibrina. • O coágulo de fibrina-plaquetas provoca oclusão completa da artéria relacionada com o infarto (ARI), causando uma lesão miocárdica transmural, manifestada pela elevação do segmento ST no eletrocardiograma (ECG). Essas repercussões que acontecem na fisiopatologia trazem manifestações clínicas, segundo Smeltzer e Bare (2002), como a dor torácica, que ocorre subitamente e contínua, apesar do repouso e da medicação, sendo o principal sintoma apresentado. Os pacientes podem ficar ansiosos e agitados. Eles podem apresentar pele fria, pálida e úmida. Suas frequências cardíaca e respiratória podem ser mais rápidas que o normal. Essas manifestações, que se devem à estimulação do sistema nervoso simpático, podem não estar presentes; apenas algumas podem se apresentar, ou elas podem durar um curto intervalo de tempo. Em muitos casos, os sinais e sintomas de IAM não podem ser diferenciados daqueles da angina instável (SMELTZER; BARE, 2002). Normalmente, segundo Smeltzer e Bare (2002), o diagnóstico do IAM geralmente se baseia na história da doença atual, no ECG e nos resultados dos exameslaboratoriais (Exemplo: valores seriados das enzimas séricas – quadro 6.1). Já o prognóstico depende da gravidade e da obstrução arterial coronariana e, portanto, da extensão da lesão miocárdica. O exame físico sempre é realizado, mas o exame isolado é insuficiente para confirmar o diagnóstico. LEITURAOBRIGATÓRIA 32 Quadro 6.1 - Marcadores séricos do infarto agudo do miocárdio (IAM) Exame laboratorial sérico Aumento inicial Tempo do exame Máximo Retorno do normal CK total 3-6 horas 30-60 min 24-36 horas 3 dias CK-MB 2-8 horas 30-60 min 12-24 horas 3-4 dias 2-3 horas 10-40 min 10-18 horas 3-4 dias Mioglobina 1-3 horas 10-30 min 4-12 horas 12 horas Troponina T ou I 3-4 horas 30-60 min 4-24 horas 1-3 semanas Fonte: Smeltzer e Bare (2002) O tratamento, inicialmente, visa diminuir a lesão no miocárdio e evitar complicações fatais, o que requer a administração de medicamentos para o coração trabalhar de modo mais econômico e para ajudar a restaurar a circulação sanguínea local, segundo Fleury et al (2013). Dependendo da gravidade do entupimento e do tipo de infarto, para Fleury (2013), a desobstrução das artérias muitas vezes requer um procedimento mais invasivo, como a angioplastia e/ou a cirurgia de revascularização do miocárdio. A intervenção cirúrgica constrói um caminho alternativo para o miocárdio ser irrigado pelo sangue, pelo método de empregar denominadas pontes de veia safena ou de artéria mamária. Já a angioplastia, também chamada de intervenção coronária percutânea, dilata a parte estreitada da artéria doente por meio de um pequeno balão, que é levado até o local da obstrução por um cateter e ali é insuflado para promover a dilatação arterial. Após a obtenção da dilatação e consequente “abertura” da artéria, implanta-se frequentemente um dispositivo metálico denominado stent (Imagem 1) no local tratado com a finalidade de evitar que a obstrução retorne (FLEURY et al, 2013). LEITURAOBRIGATÓRIA 33 Figura 6.1 - Angioplastia Fonte: www.infoescola.com Segundo Reis (2012), a classificação de Killip é utilizada em pacientes com IAM e na avaliação da mortalidade em geral. Essa classificação é baseada em dados clínicos e permite estudar a gravidade da insuficiência ventricular nos pacientes com IAM. Quadro 6.2 – Classificação de Killip Killip I Sem dispneia, terceira bulha ou estertoração pulmonar. Mortalidade = 6%. Killip II Dispneia e estertoração pulmonar nos terços inferiores do tórax. Mortalidade = 17%. Killip III Edema agudo de pulmão. Mortalidade = 38%. Killip IV Choque cardiogênico. Mortalidade = 81%. Fonte: Reis (2012). No tratamento médico, segundo Smeltzer e Bare (2002), o objetivo é minimizar a lesão miocárdica, preservar sua função e evitar as complicações. Isso é tratado com a reperfusão da área por meio do uso emergencial da angioplastia coronária transluminal percutânea (ACTP), medicamentos trombolíticos, redução da lesão miocárdica de oxigênio aumentando o aporte de oxigênio com medicamentos, administração de oxigênio e repouso no leito. LEITURAOBRIGATÓRIA 34 Segundo Smeltzer e Bare (2002, p. 750), o paciente com suspeita de um IAM pode ser referido para uma ACTP imediata. A ACTP pode ser empregada para abrir a artéria coronária ocluída em um IAM e para promover a reperfusão para a área privada de oxigênio. A ACTP trata a lesão aterosclerótica subjacente. Como a duração da falta de oxigênio está diretamente relacionada ao número de células que morrem, o tempo desde a chegada do paciente na emergência até o momento do acesso vascular deve ser inferior a 60 minutos. Obviamente, para realizar uma ACTP de emergência dentro desse curto intervalo de tempo, deve haver disponibilidade de um laboratório e de uma equipe de cateterismo cardíaco. O tratamento farmacológico no paciente com IAM são os trombolíticos (melhorar o fluxo sanguíneo), analgésicos (melhorar a dor) e inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA) (SMELTZER; BARE, 2002). Nos cuidados de enfermagem, um dos aspectos mais importantes com pacientes com IAM é o histórico de enfermagem. O histórico de enfermagem, segundo Smeltzer e Bare (2002), identifica sistematicamente as necessidades do paciente e determina a prioridade dessas necessidades. A avaliação sistemática inclui uma cuidadosa história, principalmente no tocante ao que se relaciona com os sintomas: dor torácica, dificuldade de respiração (dispneia), palpitações, desmaio (síncope) ou sudorese (diaforese). Cada sintoma deve ser avaliado em relação ao tempo, duração e fatores que precipitam o sintoma e o aliviam (SMELTZER; BARE, 2002). Para os mesmos autores, os locais intravenosos devem ser avaliados com frequência inspecionando o local de inserção para sinais de inflamação. Pelo menos, o paciente deve ter duas vias de acesso venoso para as medicações de emergência. Podemos encontrar alguns diagnósticos de enfermagem com base nas manifestações clínicas, histórico de enfermagem e dados de avaliação diagnóstica conforme descreve Smeltzer e Bare (2002): • Perfusão miocárdica diminuída relacionada ao fluxo sanguíneo coronariano reduzido a partir do trombo coronariano e da placa aterosclerótica. • Potencial troca gasosa comprometida ligada à sobrecarga hídrica por disfunção ventricular esquerda. • O enfermeiro poderá prescrever alguns cuidados relacionados a: LEITURAOBRIGATÓRIA 35 • Alívio da dor torácica: Administração de medicamentos analgésicos prescritos pelo médico, manter em repouso físico no leito com cabeceira elevada. • Melhora da função respiratória: Auxiliar nas mudanças de decúbito e respiração profunda para impedir o acúmulo de líquido na base do pulmão. • Promoção de uma perfusão tecidual adequada: Checar a temperatura, administração de oxigênio conforme prescrição médica. • Redução da ansiedade: Desenvolver uma relação de confiança e carinho com o paciente. Monitoração e tratamento das potenciais complicações: Monitorar o paciente de perto para alterações na frequência cardíaca, batimentos cardíacos, pressão arterial, dor torácica, estado respiratório, débito urinário, coloração e temperatura cutâneas, sensório e valores laboratoriais. LEITURAOBRIGATÓRIA LINKSIMPORTANTES Quer saber mais sobre o assunto? Então: Sites Acesse o site do Ministério da Saúde: Infarto agudo do miocárdio. Este site mostrará as orientações para o atendimento ao IAM em todos os setores da saúde pública. Disponível em: <http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=6&sqi=2&ved=0CG AQFjAF&url=http%3A%2F%2Fportal.saude.gov.br%2Fportal%2Farquivos%2Fpdf%2Flinha_ cuidado_iam_rede_atencao_urgencia.pdf&ei=g-KUUserKaLFsASdloHICg&usg=AFQjCNEryX vDf9ndW-62yhGXgGqn2_y_SQ&sig2=uoMpEYqUqsZNe0rKvRbBjg>. Acesso em: 2 jan. 2014. 36 LEITURAOBRIGATÓRIA Acesse o artigo III Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre tratamento do infarto agudo do miocárdio. Arq. Bras. Cardiol. 2004, 83, Supl. 4:1-86. Esta diretriz mostrará a forma sistemática de organizar o serviço no atendimento ao IAM. Disponível em: <http://publicacoes. cardiol.br/consenso/2010/diretriz_teste_ergometrico.asp>. Acesso em: 2 jan. 2014. Vídeos Assista ao vídeo: O que é Infarto (ataque cardíaco) - Dr. Drauzio Varella. O vídeo explica o que é IAM explicado pelo Dr. Drauzio Varella. Disponível em: <http://www.youtube.com/ watch?v=YNEwzLJm3bA >. Acesso em: 2 jan. 2014. Assista ao vídeo: Dr. Drauzio Varella - Gorduras e ataque cardíaco. O vídeo explica o que é IAM explicado pelo Dr. Drauzio Varella. Disponível em: <http://www.youtube.com/ watch?v=zAt0l9wS4HI>. Acesso em: 2 jan. 2014. Assista ao vídeo: Infarto agudo do miocárdio – parte 1. Disponível em: <http://www. youtube.com/watch?v=zFlahOXu3Lk>. Acesso em: 2 jan. 2014. O vídeo esclarece todosos detalhes sobre como uma pessoa sofre um IAM. Assista ao vídeo: Infarto agudo do miocárdio – parte 2. Disponível em: <http://www. youtube.com/watch?v=cbndiwW65rU>. Acesso em: 2 jan. 2014. O vídeo esclarece todos os detalhes sobre como uma pessoa sofre um IAM. 37 Instruções: Chegou a hora de você exercitar seu aprendizado por meio das resoluções das questões deste Caderno de Atividades. Essas atividades auxiliarão você no preparo para a avaliação desta disciplina. Leia cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido e para o modo de resolução de cada questão. Lembre-se: você pode consultar o Livro-Texto e fazer outras pesquisas relacionadas ao tema. AGORAÉASUAVEZ Questão 1: As doenças cardiovasculares (DCV) no Brasil e no mundo, são a principal causa de morbidade, incapacidade e morte, sendo responsáveis por 29% das mortes registradas em 2007. Quais são os gastos pelo Sistema Único de Saúde no Brasil? Questão 2: A Organização Panamericana de Saúde (OPAS) irá propor aos países membros que estabeleçam a meta global de reduzir a taxa de mortalidade por DCV em 20% na década de ___________________ em relação à década precedente, pois reconhece a necessidade de uma ação integrada contra as DCV. Assinale a alternativa CORRETA que complete a afirmação. a) 2011-2020. b) 2011-2015. c) 2012-2015. d) 2012-2020. e) 2013-2020. Questão 3: O tratamento moderno do IAM depende do rápido acesso ao serviço médico, do uso de terapias de reperfusão e do uso de medicações específicas com benefício comprovado. A mortalidade hospitalar pelo 38 IAM continua elevada embora a maioria das abordagens indicadas no tratamento do IAM estarem disponíveis no SUS, o que exige uma ação integrada pelo: Assinale a alternativa CORRETA que complete a afirmação. a) Ministério da Saúde, Sociedades gerais, gestores estaduais e municipais e hospitais. b) Ministério da Saúde, Sociedades Científicas, gestores federais e hospitais. c) Ministério da Saúde, Sociedades Científicas, gestores estaduais e municipais e hospitais. d) Ministério da Educação, Sociedades Científicas, gestores estaduais e municipais e hospitais. e) Ministério da Economia, Sociedades Científicas, gestores estaduais e municipais e hospitais. Questão 4: Normalmente o diagnóstico do IAM geralmente se baseia na história da doença atual, no ECG e nos resultados dos exames laboratoriais como os valores seriados das enzimas séricas. O aumento inicial da enzima CK total está dentro das: a) 2-8 horas. b) 2-3 horas. c) 1-3 horas. d) 3-6 horas. e) 3-4 horas. Questão 5: A ______________________ é baseada em dados clínicos e permite estudar a gravidade da insuficiência ventricular nos pacientes com IAM. Ela é utilizada em pacientes com IAM e na avaliação da mortalidade em geral. a) Classificação de Smeltzer. b) Classificação de IAM. c) Classificação de Kellogs. d) Classificação de Stent. e) Classificação de Killip. Questão 6: A fisiopatologia do infarto agudo do miocárdio (IAM) acontece de que forma? Descreva. Questão 7: Descreva qual é o tratamento farmacológico no paciente com infarto agudo do miocárdio (IAM). AGORAÉASUAVEZ 39 Questão 8: Para que o paciente com IAM tenha um atendimento eficaz, o enfermeiro deve realizar um bom histórico de enfermagem. Como isso acontece? Descreva. Questão 9: Podemos encontrar alguns diagnósticos de enfermagem com base nas manifestações clínicas, histórico de enfermagem e dados de avaliação diagnóstica. Cite dois diagnósticos de enfermagem. Questão 10: O enfermeiro poderá prescrever alguns cuidados relacionados ao infarto agudo do miocárdio. Descreva pelo menos quatro deles. AGORAÉASUAVEZ FINALIZANDO Nesse tema, você aprendeu sobre alguns aspectos do atendimento ao paciente que sofre infarto agudo do miocárdio (IAM) e suas complicações se não tratado. Percebeu que a equipe de enfermagem deve estar atenta aos sinais e sintomas relacionados às complicações e sua evolução durante o tratamento. Caro aluno, agora que o conteúdo dessa aula foi concluído, não se esqueça de acessar sua ATPS e verificar a etapa que deverá ser realizada. Bons estudos! 40 REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. Infarto agudo do miocárdio. Disponível em: <http://www. google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=6&sqi=2&ved=0CGAQFjAF&u rl=http%3A%2F%2Fportal.saude.gov.br%2Fportal%2Farquivos%2Fpdf%2Flinha_cuidado_ iam_rede_atencao_urgencia.pdf&ei=g-KUUserKaLFsASdloHICg&usg=AFQjCNEryXvDf9n dW-62yhGXgGqn2_y_SQ&sig2=uoMpEYqUqsZNe0rKvRbBjg >. Acesso em: 2 jan. 2014. FLEURY: Medicina e saúde. Infarto agudo do miocárdio. Disponível em: <http://www.fleury. com.br/revista/dicionarios/doencas/Pages/infarto-agudo-do-miocardio.aspx>. Acesso em: 2 jan. 2014. III Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre tratamento do infarto agudo do miocárdio. Arq. Bras. Cardiol. 2004, 83, Supl. 4:1-86. Disponível em: <http://publicacoes. cardiol.br/consenso/2010/diretriz_teste_ergometrico.asp>. Acesso em: 2 jan. 2014. LEMOS, J. A. WALLACE, T.W. Infarto do miocárdio com elevação do segmento ST. In: IRWIN, R. S. RIPPE, J. M. Enfermagem no paciente crítico e semicrítico. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. REIS, G. C. Classificação de Killip. Disponível em: <http://lacmuniville.blogspot.com. br/2012/06/classificacao-de-killip.html>. Acesso em: 2 jan. 2014. SMELTZER, S. C. BARE, B. G. Brunner & Suddarth: Tratado de enfermagem medico- cirúrgica. 9ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. 41 GLOSSÁRIO Placa aterosclerótica inflamatória ou aterosclerose: é uma doença inflamatória crônica caracterizada pela formação de ateromas dentro dos vasos sanguíneos. Os ateromas são placas, compostas especialmente por lipídios e tecido fibroso, que se formam na parede dos vasos. O volume dos ateromas aumenta progressivamente, podendo ocasionar obstrução total em algum ponto do vaso. A aterosclerose em geral é fatal quando afeta as artérias do coração ou do cérebro, órgãos que resistem apenas poucos minutos sem oxigênio. Fibrinogênio: é uma glicoproteína hexamérica codificada por três genes – FGA, FGB e FGG – localizados no braço longo do cromossomo 1 e que está envolvida nas etapas finais da coagulação como precursor de monômeros de fibrina necessários para a formação do plug plaquetário. Possui alta massa molecular e é solúvel no plasma sanguíneo, covertendo- se em fibrina pela ação da trombina, que é a enzima ativa. Fibrina (ou fator Ia): é uma proteína fibrosa envolvida na coagulação de sangramentos. Ela sofre polimerização, em ação conjunta à das plaquetas, de modo a formar uma camada que detém hemorragias. A fibrina é formada a partir de uma cadeia de reações que culmina na ação da trombina sobre o fibrinogênio (fator I). Angioplastia: é uma cirurgia realizada com o intuito de desobstruir uma artéria do paciente. Essa técnica hemodinâmica utiliza um minúsculo balão na ponta de um cateter, que é insuflado dentro da artéria, que está obstruída com placas de gordura e sangue, além de uma mini tela de aço chamada stent que, aberta, facilita o fluxo sanguíneo. Perfusão: É o mesmo que bombeamento de um líquido através de um órgão ou tecido, com fluxo lento e controlado. 42 GABARITO Questão 1 Resposta: Os gastos com internações pelo SUS totalizaram 1,2 milhões em 2009 e, com envelhecimento da população e mudança dos hábitos de vida, a prevalência e importância das DCV tende a aumentar nos próximos anos (BRASIL, 2013). Questão 2 Resposta: Alternativa A. Justificativa: A Organização Panamericana de Saúde (OPAS) irá propor aos países membros que estabeleçam a meta global de reduzir a taxa de mortalidadepor DCV em 20% na década de 2011-2020 em relação à década precedente, pois reconhece a necessidade de uma ação integrada contra as DCV, conforme Brasil (2013). Questão 3 Resposta: Alternativa C. Justificativa: Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (2010), o tratamento moderno do IAM depende do rápido acesso ao serviço médico, do uso de terapias de reperfusão e do uso de medicações específicas com benefício comprovado. A mortalidade hospitalar pelo IAM continua elevada embora a maioria das abordagens indicadas no tratamento do IAM estarem disponíveis no SUS, o que exige uma ação integrada do Ministério da Saúde, Sociedades Científicas, gestores estaduais e municipais e hospitais. Questão 4 Resposta: Alternativa D. Justificativa: Normalmente, segundo Smeltzer e Bare (2002), o diagnóstico do IAM se baseia na história da doença atual, no ECG e nos resultados dos exames laboratoriais (Exemplo: valores seriados das enzimas séricas – quadro 1). 43 Quadro 1 - Marcadores séricos do infarto agudo do miocárdio (IAM) Exame laboratorial sérico Aumento inicial Tempo do exame Máximo Retorno do normal CK total 3-6 horas 30-60 min 24-36 horas 3 dias CK-MB 2-8 horas 30-60 min 12-24 horas 3-4 dias 2-3 horas 10-40 min 10-18 horas 3-4 dias Mioglobina 1-3 horas 10-30 min 4-12 horas 12 horas Troponina T ou I 3-4 horas 30-60 min 4-24 horas 1-3 semanas Fonte: Smeltzer e Bare (2002) Questão 5 Resposta: Alternativa E. Justificativa: A Classificação de Killip é baseada em dados clínicos e permite estudar a gravidade da insuficiência ventricular nos pacientes com IAM. Ela é utilizada em pacientes com IAM e na avaliação da mortalidade em geral. Questão 6 Resposta: Segundo Lemos e Wallace (2007), a fisiopatologia do IAM, acontece com: • Ruptura da placa aterosclerótica inflamatória, rica em lipídios, leva a exposição do colágeno, adesão plaquetária e ativação. • O fibrinogênio se liga aos receptores da glicoproteína plaquetária nas plaquetas adjacentes, levando à agregação plaquetária. • Um coágulo de fibrina-plaquetas se desenvolve a medida que a trombina converte o fibrinogênio em fibrina. • O coágulo de fibrina-plaquetas provoca oclusão completa da artéria relacionada com o infarto (ARI), causando uma lesão miocárdica transmural, manifestada pela elevação do segmento ST no eletrocardiograma (ECG). GABARITO 44 Seções Questão 7 Resposta: O tratamento farmacológico no paciente com IAM são os trombolíticos (melhorar o fluxo sanguíneo), analgésicos (melhorar a dor) e inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA) (SMELTZER; BARE, 2002). Questão 8 Resposta: Nos cuidados de enfermagem, um dos aspectos mais importantes com pacientes com IAM é o histórico de enfermagem. Segundo Smeltzer e Bare (2002), o histórico de enfermagem identifica sistematicamente as necessidades do paciente e determina a prioridade dessas necessidades. A avaliação sistemática inclui uma cuidadosa história, principalmente no tocante ao que se relaciona com os sintomas: dor torácica, dificuldade de respiração (dispneia), palpitações, desmaio (síncope) ou sudorese (diaforese). Questão 9 Resposta: Podemos encontrar alguns diagnósticos de enfermagem com base nas manifestações clínicas, histórico de enfermagem e dados de avaliação diagnóstica conforme descreve Smeltzer e Bare (2002): • Perfusão miocárdica diminuída relacionada ao fluxo sanguíneo coronariano reduzido a partir do trombo coronariano e da placa aterosclerótica. • Potencial troca gasosa comprometida ligada à sobrecarga hídrica por disfunção ventricular esquerda. Questão 10 Resposta: O enfermeiro poderá prescrever alguns cuidados relacionados a: • Alívio da dor torácica: Administração de medicamentos analgésicos prescritos pelo médico, manter em repouso físico no leito com cabeceira elevada. • Melhora da função respiratória: Auxiliar nas mudanças de decúbito e respiração profunda para impedir o acúmulo de líquido na base do pulmão. • Promoção de uma perfusão tecidual adequada: Checar a temperatura, administração de oxigênio conforme prescrição médica. GABARITO 45 GABARITO • Redução da ansiedade: Desenvolver uma relação de confiança e carinho com o paciente. • Monitoração e tratamento das potenciais complicações: Monitorar o paciente de perto para alterações na frequência cardíaca, batimentos cardíacos, pressão arterial, dor torácica, estado respiratório, débito urinário, coloração e temperatura cutâneas, sensório e valores laboratoriais. Enfermagem no Paciente Crítico e Semicrítico Autor: Kelly Lopes de Araújo Appel Tema 07 Principais arritmias cardíacas e cardioversão elétrica e química seç ões Tema 07 Principais arritmias cardíacas e cardioversão elétrica e química Como citar este material: APPEL, Kelly Lopes de Araújo. Enfermagem no Paciente Crítico e Semicrítico: Principais arritmias cardíacas e cardioversão elétrica e química. Caderno de Atividades. Valinhos: Anhanguera Educacional, 2014. SeçõesSeções Tema 07 Principais arritmias cardíacas e cardioversão elétrica e química 5 CONTEÚDOSEHABILIDADES Conteúdo Nessa aula você estudará: • O entendimento sobre as definições das arritmias cardíacas. • O conhecimento sobre as causas das arritmias cardíacas. • Os cuidados de enfermagem em pacientes com cuidados intensivos com arritmias cardíacas. Introdução ao Estudo da Disciplina Caro(a) aluno(a). Este Caderno de Atividades foi elaborado com base no livro: Manual de terapia intensiva, dos autores Richard S. Irwin e James M. Rippe, Editora Guanabara Koogan, PLT 586, 2007. Roteiro de Estudo: Kelly Lopes de Araújo Appel Enfermagem no paciente crítico e semicrítico Exercício Profissional na Enfermagem 6 CONTEÚDOSEHABILIDADES Principais arritmias cardíacas e cardioversão elétrica e química Arritmia cardíaca, também chamada de disritmia ou ritmo cardíaco irregular, é uma alteração que ocorre no ritmo normal do coração provocando frequências cardíacas muito rápidas, muito lentas ou irregulares. As arritmias são distúrbios da formação ou da condução do impulso elétrico dentro do coração. Elas podem causar, conforme descreve Smeltzer et al (2009) alterações na condução elétrica, modificando a ação de bombeamento do coração e causar pressão arterial diminuída. Moraes (2013) diz que várias são as causas que levam a alterações no ritmo dos batimentos cardíacos, como doenças das artérias coronárias infartos, lesões nas válvulas, doenças do músculo cardíaco, doenças infecciosas (doença de chagas), pós-cirurgia cardíaca, alterações nas concentrações de eletrólitos (sódio, potássio e cálcio) no corpo, ou congênita (defeito presente desde o nascimento). O impulso elétrico que estimula e compassa o músculo cardíaco origina-se normalmente no nodo sinusal, uma área localizada próximo à veia cava superior no átrio direito (SMELTZER et al, 2009). Habilidades Ao final, você deverá ser capaz de responder as seguintes questões: • Como as arritmias cardíacas têm diferenças em suas definições? • Como podemos conhecer as causas das arritmias cardíacas? • Como a equipe de enfermagem pode realizar os cuidados de enfermagem nas arritmias cardíacas? LEITURAOBRIGATÓRIA 7 LEITURAOBRIGATÓRIA Em geral, o impulso elétrico ocorre em uma frequência de 60 a 100 vezes por minuto no adulto, segundo Smeltzer et al (2009), viajando rapidamente desde o nodo sinusal através dos átrios até o nodo atrioventricular (AV) (Figura 7.1). Figura 7.1 - Relação do complexo do eletrocardiograma (ECG), sistema de derivação e impulso elétrico. Fonte: SMELTZER, et al. (2009, p. 696). 8 A estimulação elétrica das células musculares dos átrios faz com que elas se contraiam. A estrutura do nodoAVA lentifica o impulso elétrico, o que permite tempo para que os átrios se contraiam e encham os ventrículos com sangue. [...] Em seguida, o impulso elétrico viaja muito rapidamente através do feixe de His até o s ramos direito e esquerdo e as fibras de Purkinje, localizados no músculo ventricular. A estimulação elétrica das células musculares dos ventrículos causa, por sua vez, a contração mecânica dos ventrículos então relaxam (sístole). As células repolarizam-se e os ventrículos então relaxam (diástole) (SMELTZER et al, 2009, p. 695). A estimulação elétrica é chamada de despolarização e a contração mecânica é chamada de sístole, como também, o relaxamento elétrico é chamado de repolarização, e o relaxamento mecânico de diástole. Esse processo desde a geração do impulso elétrico do nodo sinusal até a repolarização ventricular completa o ciclo eletromecânico e o novamente inicia o ciclo. De acordo com a frequência dos batimentos do coração, a arritmia pode ser classificada em bradicardia ou taquicardia. Na taquicardia, a frequência cardíaca é superior a 100 batimentos por minuto e pode ser desencadeada por vários fatores, como exercícios, ansiedade, ou medicações. A frequência cardíaca é considerada anormal quando há um aumento repentino na frequência sem que a pessoa tenha feito qualquer tipo de esforço a mais, como em repouso ou durante o sono. Já na bradicardia a frequência cardíaca é inferior a 60 batimentos por minuto. Os tipos de arritmias incluem as arritmias sinusais, atriais, juncionais e ventriculares e suas várias subcategorias na qual seguem: 1. Arritmias do nodo sinusal • Bradicardia sinusal: ocorre quando o nodo sinusal cria um impulso em uma frequência mais lenta que o normal. As causas incluem necessidades metabólicas menores (sono, treinamento atlético, hipotireoidismo), estimulação vagal (vômito, aspiração, dor intensa, emoções extremas), medicamentos (bloqueadores dos canais de cálcio, amiodarona, beta-bloqueadores), pressão intracraniana (PIC) aumentada e infarto do miocárdio (IM), como também, outros fatores clinicamente significativa incluem os H e T: hipovolemia, hipóxia, íon hidrogênio (acidose), hipo ou hipercalemia, hipoglicemia e hipotermia; toxinas, tamponamento (cardíaco), penumotórax hipertensivo, trombose (coronária ou pulmonar) e trauma (hipovolemia, PIC aumentada). LEITURAOBRIGATÓRIA 9 • Taquicardia sinusal: acontece quando o nodo sinusal cria um impulso em uma frequência maior que a normal. As causas podem incluir: > Estresse fisiológico ou psicológico (perda sanguínea aguda, anemia, choque, hipervolemia, hipovolemia, insuficiência cardíaca, dor, estados hipermetabólicos, febre, exercícios, ansiedade). > Medicamentos que estimulam a resposta simpática (catecolaminas, aminofilina, atropina), estimulantes (cafeína, álcool, nicotina) e drogas ilícitas (anfetaminas, cocaína, ecstasy). > Automaticidade: aumentada do nodo SA e/ou tônus simpático excessivo com tônus parassimpático reduzido, uma condição chamada de taquicardia sinusal inadequada. > Disfunção autônoma, que resulta em um tipo de taquicardia sinusal chamada de síndrome da taquicardia ortostática postural. • Arritmia sinusal: ocorre quando o nodo sinusal cria um impulso em um ritmo irregular, a frequência geralmente aumenta com a inspiração e diminui com a expiração. As causas não respiratórias incluem a cardiopatia e a doença valvular, mas estas são raras. 2. Arritmias atriais • Complexo atrial prematuro (CAP): é o único complexo do ECG que ocorre quando um impulso elétrico começa no átrio antes do próximo impulso normal do nodo sinusal. O CAP pode ser causado por cafeína, álcool, nicotina, miocárdio atrial estirado (hipovolemia), ansiedade, hipocalemia (nível de potássio baixo), estados hipermetabólicos (gravidez) ou isquemia, lesão ou infarto atrial. • Flutter atrial: acontece no átrio e cria impulsos em uma frequência atrial regular entre 250 e 400 vezes por minuto. Como a frequência atrial é mais rápida que aquela que o nodo AV pode conduzir, nem todos os impulsos atriais são conduzidos para dentro do ventrículo, causando um bloqueio terapêutico no nodo AV. • Fibrilação atrial: causa uma contração rápida, desorganizada e descoordenada da musculatura atrial. Ela foi ligada ao acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca, demência e morte prematura, sendo considerado um problema de saúde crescente nos países desenvolvidos. A fibrilação atrial pode ser transitória, começando e interrompendo LEITURAOBRIGATÓRIA 10 subitamente e ocorrendo durante um intervalo de tempo muito curto. Está usualmente associada à idade avançada, cardiopatia valvular, doença da artéria coronária, hipertensão, insuficiência cardíaca, diabetes, hipertireoidismo, doença pulmonar, ingestão moderada ou pesada aguda de álcool (síndrome do coração de feriado) ou o pós-operatório da cirurgia cardíaca aberta. 3. Arritmias juncionais • Complexo juncional prematuro: é um impulso que começa na área nodal AV antes que o próximo impulso sinusal normal alcance o nodo AV. Os complexos juncionais prematuros são menos comuns que os CAP. As causas do complexo juncional prematuro incluem a intoxicação digitálica, insuficiência cardíaca e doença da artéria coronária. • Ritmo juncional: ou idiopático acontece quando o nodo AV, em lugar do nodo sinusal, se transforma no marcapasso do coração. Quando o nodo sinusal lentifica (a partir do tônus vagal aumentado) ou quando o impulso não pode ser conduzido através do nodo AV (bloqueio cardíaco completo), o nodo AV dispara automaticamente um impulso. • Taquicardia juncional não paraxística: causada pela automaticidade aumentada na área juncional, resultando em um ritmo similar ao ritmo juncional, exceto e uma frequência de 70 a 120. Embora o ritmo geralmente não tenha qualquer efeito hemodinâmico deletério, ele pode indicar uma grave condição subjacente, como a intoxicação digitálica, isquemia miocárdica, hipocalemia ou doença pulmonar obstrutiva crônica. Como a taquicardia juncional é causada por automaticidade aumentada, o cardioversão não é um tratamento efetivo, na realidade, ela causa um aumento na frequência ventricular. • Taquicarda por reentrada nodal atrioventricular (AVRT): acontece quando um impulso é conduzido para uma área no nodo AV que faz com que o impulso seja redirecionado para dentro da mesma área com frequência cada vez mais rápida. A cada vez que o impulso é conduzido através dessa área, ele também é conduzido para baixo, para dentro dos ventrículos, causando uma frequência ventricular rápida. A AVNRT que exibe um início abrupto e uma cessação abrupta com um QRS de duração normal foi denominada taquicardia atrial paroxística (TAP). A AVNRT também ocorre quando se sabe que a duração do complexo QRS e de 0,12 segundo ou mais e que ocorre um bloqueio de ramo. Os fatores associados ao desenvolvimento da AVNRT incluem a cafeína, nicotina, hipoxemia e estresse. As patologias subjacentes incluem a doença da artéria coronária e a micoardiopatia. LEITURAOBRIGATÓRIA 11 4. Arritmias ventriculares • Complexo ventricular prematuro (CVP): é um impulso que começa em um ventrículo e é conduzido através dos ventrículos antes do próximo impulso sinusal normal. Os CVP podem acontecer em pessoas saudáveis, principalmente com a ingestão de cafeína, nicotina o álcool. Eles também são causados por isquemia ou infarto cardíaco, carga de trabalho aumentada sobre o coração (exercício, febre, hipervolemia, insuficiência cardíaca, taquicardia), intoxicação digitálica, hipóxia acidose ou distúrbios eletrolíticos, principalmente hipocalemia. • Taquicardia ventricular (TV): definida como três ou mais CVP em uma série, ocorrendo em uma frequência superior a 100 batimentos por minuto. As causas são similares aquelas do CVP. A TV está usualmenteassociada à doença da artéria coronária e pode preceder a fibrilação ventricular. A TV é uma emergência porque, em geral, o paciente não responde e fica sem pulso. • Fibrilação ventricular: é um ritmo ventricular rápido e desorganizado que provoca o tremor ineficaz dos ventrículos. Nenhuma atividade atrial é notada no ECG. As causas da fibrilação ventricular são idênticas aquelas para a TV; ela também pode resultar da TV não-tratada o tratada sem sucesso. As outras causas incluem o choque elétrico e a síndrome de Brugada, em que o paciente (descendência asiática) apresenta um coração estruturalmente normal, poucos fatores de reisco ou nenhum para a doença da artéria coronária e uma história familiar de morte cardíaca súbita. • Ritmo idioventricular: também chamado de ritmo de escape ventricular, ocorre quando o impulso começa no sistema de condução abaixo do nodo AV. Quando o nodo sinusal falha em criar um impulso (tônus vagal aumentado), ou quando o impulso é criado, mas não pode ser conduzido através do nodo AV (bloqueio AV completo), as fibras de Purkinge disparam automaticamente um impulso. • Assistolia ventricular: comumente chamada de linha plana, a assistolia ventricular caracteriza-se por complexos ARS ausentes confirmados em duas derivações diferentes, embora as ondas P possam ficar aparentes por uma curta duração. Não existe batimento cardíaco, nenhum pulso palpável e nenhuma respiração. Sem o tratamento imediato, a assistolia ventricular é fatal. A assistolia ventricular é tratada da mesma foram que a AESP, focalizando a RCP de alta qualidade com interrupções mínimas e identificando os fatores subjacentes e contribuintes. LEITURAOBRIGATÓRIA 12 A cardioversão elétrica, desde o início da década de 1960, segundo Pisani et al (2009), tornou-se um procedimento de rotina utilizada no cuidado de pacientes com taquiarritmia. Esse procedimento é realizado a partir de uma aplicação de uma breve descarga elétrica através do coração para despolarizar, de forma sincronizada, todo o miocárdio. Sincronização essa que é feita por meio do registro contínuo do traçado eletrocardiográfico no monitor, de forma que o choque seja descarregado em um ponto seguro do ciclo cardíaco, evitando o chamado período vulnerável. As arritmias indicadas para cardiovesão elétrica são: fibrilação atrial, taquicardia ventricular, flutter atrial, taquicardia atrial por reentrada, fibrilação atrial conduzida por via anômala. As arritmias por reentrada através da junção AV (reentrada nodal e atrioventricular) são revertidas por esse procedimento raramente. Arritmias automáticas ou por atividade deflagrada não são revertidas pela cardioversão elétrica, e esse procedimento é contraindicado em pacientes com intoxicação digitálica (PISANI et al, 2009). Na cardioversão química, segundo Pisani et al (2009), relata que a taquicardia por reentrada nodal e a taquicardia atrioventricular são arritmias que dependem da condução através da junção atrioventricular para a sustentação do circuito e se caso ocorrer um bloqueio ou uma diminuição da condução através desta, a taquicardia pode ser interrompida. A adenosina traz um bloqueio transitório da junção AV interrompendo a maioria das taquicardias que dependem dessa condução. A adenosina deve ser infundida em bolus, através de acesso calibroso, na dose de 6 mg, podendo ser repetido novo bolus de 12 mg. Após essa medicação, deve ser administrado um flush com 20 mL de água destilada. Sempre que administrada essa medicação, deve-se ter um desfibrilador disponível, porque raramente essa medicação pode induzir fibrilação atrial e, em pacientes com vias anômalas funcionantes, pode ocorrer condução atrioventricular muito rápida, necessitando de CVE imediata. Deve-se ter cautela na administração dessa medicação em pacientes asmáticos. O verapamil por via EV (5 mg) e a associação de diltiazém 120 mg e propranolol 80 mg por via oral (pill-in-the-pocket) também podem ser utilizados para cardioversão química das taquicardias que dependem da junção AV (PISANI et. al, 2009, online). A cardioversão e a desfibrilação, segundo Smeltzer et al (2009), são usadas para tratar às taquicardias liberando uma corrente elétrica que despolariza uma massa crítica de células miocárdicas. LEITURAOBRIGATÓRIA 13 A cardioversão e desfibrilação envolvem a liberação de uma quantidade de energia elétrica para despolarizar o miocárdio e terminar uma taquicardia. Quando as células repolarizam, o nodo sinusal geralmente é capaz de recapturar seu papel como o marcapasso cardíaco. Uma importante diferença entre a cardioversão e a desfibrilação é o momento da liberação da corrente elétrica. Na cardioversão, a liberação da corrente elétrica é sincronizada com os eventos elétricos do paciente; na desfibrilação, a liberação da corrente é imediata e não sincronizada. No processo de cuidado da enfermagem, deve ser atentado as principais áreas do histórico incluindo as possíveis causas de arritmias, fatores contribuintes e o efeito da arritmia sobre a capacidade do coração para bombear um volume sanguíneo adequado. Quando o débito cardíaco é reduzido, a quantidade de oxigênio que alcança os tecidos e os órgãos vitais é diminuída. Essa oxigenação diminuída produz os sinais e sintomas associados às arritmias. Se esses sinais e sintomas são graves ou se ocorrem com frequência, o paciente pode experimentar o sofrimento significativo e a ruptura da vida diária (SMELTZER et al, 2009, p. 711). O enfermeiro deverá realizar exame físico para confirmação dos dados obtidos a partir da história e para observar os sinais de débito cardíaco diminuído durante o evento arrítmico (SMELTZER et al, 2009). Podemos encontrar como diagnósticos de enfermagem o Débito cardíaco diminuído, Ansiedade relacionada com o medo ou desconhecido e Déficit de conhecimento sobre a arritmia e seu tratamento. Como metas, o enfermeiro deverá incluir a eliminação ou diminuição da ocorrência da arritmia (ao diminuir os fatores contribuintes) para manter o débito cardíaco, minimização da ansiedade e aquisição do conhecimento sobre a arritmia e seu tratamento, conforme Smeltzer et al (2009). Poderá prescrever cuidados de enfermagem relacionados à monitorização, onde avalia regularmente a pressão arterial (PA), ritmo e frequência do pulso e a profundidade das respirações do paciente, bem como os sons respiratórios, a fim de determinar o efeito hemodinâmico da arritmia, avaliar os efeitos adversos dos medicamentos prescritos, monitorar sinais e sintomas de complicações, minimizar a ansiedade (manter o paciente calmo e tranquilo), ensinar o autocuidado. LEITURAOBRIGATÓRIA 14 LINKSIMPORTANTES Quer saber mais sobre o assunto? Então: Sites: Acesse o site da Sociedade Brasileira de arritmias cardíacas. Este site mostrará os objetivos da SOBRAC que são de normatizar as atividades relacionadas às arritmias cardíacas no Brasil, promover o desenvolvimento científico e a valorização profissional da especialidade, além de orientar a população leiga a respeito dos problemas mais comuns ligados às arritmias cardíacas, por meio de campanhas educativas. Disponível em: <http://www.sobrac. org/campanha/arritmias-cardiacas-2/>. Acesso em: 2 jan. 2014. Acesse o site: Arritmia cardíaca. Este site apresenta artigos e informações para o público em geral sobre arritmias cardíacas. Disponível em: <http://www.arritmiacardiaca.com.br/p_ entendendo04.php>. Acesso em: 2 jan. 2014. Vídeos: Assista ao vídeo: Arritmia cardíaca. O vídeo explica o que é arritmia cardíaca. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=c2Q6OdNOWG8>. Acesso em: 2 jan. 2014. Assista ao vídeo: Arritmias cardíacas. O vídeo explica como identificar uma arritmia cardíaca. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=FcLpMonIZKc>. Acesso em: 2 jan. 2014. Assistaao áudio-vídeo: Arritmias cardíacas - Rádio Nacional de Brasília. O áudio-vídeo esclarece todos os detalhes sobre Arritmias cardíacas em uma entrevista com o Dr. Leandro Zimerman. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=6tUsE3BElHo>. Acesso em: 2 jan. 2014. Assista ao vídeo: Arritmias cardíacas – Precon - SOBRAC. Documentário da TV Rede Globo sobre as arrítmicas cardíacas no Brasil. Disponível em: <http://www.youtube.com/ watch?v=wWODhTHuOfkc>. Acesso em: 2 jan. 2014. 15 Instruções: Chegou a hora de você exercitar seu aprendizado por meio das resoluções das questões deste Caderno de Atividades. Essas atividades auxiliarão você no preparo para a avaliação desta disciplina. Leia cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido e para o modo de resolução de cada questão. Lembre-se: você pode consultar o Livro-Texto e fazer outras pesquisas relacionadas ao tema. AGORAÉASUAVEZ Questão 1: A arritmia cardíaca, também chamada de disritmia ou ritmo cardíaco irregular, é uma alteração que ocorre no ritmo normal do coração, provocando frequências cardíacas muito rápidas, muito lentas ou irregulares. Quais são suas causas? Questão 2: O impulso elétrico que estimula e compassa o músculo cardíaco origina-se normalmente no ______________, uma área localizada próximo à veia cava superior no átrio direito. a) nodo sinoatrial. b) nodo sinusal. c) nodo ventricular. d) nodo atrial. e) nodo sinoventricular. Questão 3: A estimulação elétrica é chamada de _________________ e a contração mecâ- nica é chamada de ___________________, como também, o relaxamento elétrico é chamado de repolarização, e o relaxamen- to mecânico de diástole. Assinale a alternativa CORRETA que com- plete a afirmação. 16 AGORAÉASUAVEZ a) Despolarização, diástole. b) Despolarização, repolarização. c) Repolarização, despolarização. d) Despolarização, sístole. e) Polarização, diástole. Questão 4: 1. De acordo com a frequência dos batimentos do coração, a arritmia pode ser classificada em bradicardia ou taquicardia, segundo Moraes (2013). Assinale a alternativa CORRETA que corresponda a Arritmias do nodo sinusal. a) Taquicardia sinusal. b) Complexo juncional prematuro. c) Taquicardia ventricular. d) Fibrilação ventricular. e) Flutter atrial. Questão 5: • A _______________________________ causa uma contração rápida, desorgani- zada e descoordenada da musculatura. Ela foi ligada ao acidente vascular cere- bral, insuficiência cardíaca, demência e morte prematura, sendo considerado um problema de saúde crescente nos paí- ses desenvolvidos. Assinale a alternativa CORRETA que corresponda à afirmação. a) Taquicardia ventricular. b) Taquicardia juncional não paraxística. c) Fibrilação atrial. d) Bradicardia sinusal. e) Assistolia ventricular. Questão 6: Descreva a estimulação elétrica das células musculares do átrio e ventrículo. Questão 7: A cardioversão elétrica, desde o início da década de 1960, tornou-se um procedi- mento de rotina utilizada no cuidado de pa- cientes com taquiarritmia. Como é realiza- do esse procedimento? Descreva. Questão 8: Na cardioversão química, são utilizados me- dicamentos para a reversão. Explique como é administrada a medicação adenosina. Questão 9: Temos uma importante diferença entre a cardioversão e a desfibrilação. Descreva. 17 AGORAÉASUAVEZ Questão 10: O enfermeiro poderá encontrar alguns diag- nósticos de enfermagem relacionados aos cuidados com pacientes que apresentam arritmias cardíacas. Descreva pelo menos três deles. FINALIZANDO Nesse tema, você aprendeu sobre os tipos de arritmias cardíacas e suas características e sobre a cardioversão elétrica e química. Pôde verificar também que a equipe de enfermagem deve estar atenta aos conhecimentos dos sinais e sintomas relacionados às complicações e sua evolução durante o tratamento. Caro aluno, agora que o conteúdo dessa aula foi concluído, não se esqueça de acessar sua ATPS e verificar a etapa que deverá ser realizada. Bons estudos! REFERÊNCIAS MORAES, P. L. Arritmia cardíaca. Mundo Educação. Disponível em: <http://www. mundoeducacao.com/doencas/arritmia-cardiaca.htm>. Acesso em: 2 jan. 2014. OLIVEIRA, P. MARKOWITZ, D. Cardioversão e desfibrilação. In: IRWIN, R. S. RIPPE, J. M. Enfermagem no paciente crítico e semi-crítico. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. 18 GLOSSÁRIO Artérias coronárias: Artérias que irrigam o músculo cardíaco do coração. Nos seres humanos encontram-se duas artérias coronárias. A sua obstrução ou das suas ramificações, devido a coágulos sanguíneos, é responsável pela morte do músculo cardíaco (enfarte do miocárdio). Infarto: O infarto ou enfarte é a consequência máxima da falta de oxigenação de um órgão ou parte dele. Quando existe uma lesão arterial que diminua a irrigação de um órgão este órgão passa a sofrer de isquemia. Se o problema arterial não for resolvido rapidamente então dá-se o que se chama de “enfarte” - as células morrem. Assim, enfarte é sinônimo de necrose. Quando o enfarte não atinge todo um órgão, a zona de necrose está rodeada por uma zona de isquemia onde a diminuição do fluxo arterial põe as células em sofrimento, mas não é suficientemente grave para provocar necrose. Despolarização: A despolarização de uma célula se refere à saída de repouso (que é de -90mV na célula de músculo estriado, por exemplo) pela entrada de íons de Na+ na célula. Isso faz com que a célula fique mais positiva e chegue ao umbral (+40mV na célula de músculo estriado). O umbral faz abrir os canais rápidos de Na+ e assim a célula fica eletricamente positiva. Este é o momento em que as ações ocorrem: acontece a contração muscular, um neurônio envia um sinal elétrico a uma parte do corpo, etc. Em seguida se fecham os canais de Na+. O sódio para de entrar na célula. Abrem-se os canais de K+ e este, que tem carga positiva, começa a sair da célula fazendo com que a mesma fique novamente negativa, até chegar ao repouso (no final, com uma ajuda da bomba de Na+ K+). PISANI, C. HIRONAKA, G. K. ROSA, L. V. Cardioversão química e elétrica. 2009. Disponível em: <http://www.medicinanet.com.br/conteudos/temas-selecionados/1655/cardioversao_ quimica_e_eletrica.htm>. Acesso em: 2 jan. 2014. SMELTZER, S. C. BARE, B. G. HINKLE, J. L. CHEEVER, K. H. Brunner & Suddarth: tratado de enfermagem médico-cirúrgica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009. REFERÊNCIAS 19 Repolarização: É o retorno do estado de repouso da célula, ou seja, o meio intracelular fica mais negativo que o meio extracelular. Hipervolemia: Pletora ou sobrecarga de líquidos (do latim hiper+volemia muito volume sanguíneo) é a condição médica na qual há muito fluido no sangue em circulação. Hipovolemia: é o estado de diminuição do volume sanguíneo, mais especificamente do volume de plasma sanguíneo. Choque hipovolêmico se refere a uma condição médica ou cirúrgica na qual ocorre perda rápida fluída que resulta no fracasso de múltiplos órgãos devido à perfusão inadequada. A maior parte dos choques hipovolêmicos é secundária a perda rápida de sangue (choque hemorrágico). Automaticidade: Característica ou condição do que é automático; automatismo. Hipocalemia: Quantidade abaixo do normal de potássio no sangue. GABARITO Questão 1 Resposta: Moraes (2013) diz que várias são as causas que levam a alterações no ritmo dos batimentos cardíacos, como doenças das artérias coronárias infartos, lesões nas válvulas, doenças do músculo cardíaco, doenças infecciosas (doença de chagas), pós- cirurgia cardíaca, alterações nas concentrações de eletrólitos (sódio, potássio e cálcio) no corpo, ou congênita (defeito presente desde o nascimento). Questão 2 Resposta: Alternativa B. Justificativa:O impulso elétrico que estimula e compassa o músculo cardíaco origina-se normalmente no nodo sinusal, uma área localizada próximo à veia Ava superior no átrio direito (SMELTZER et al, 2009). GLOSSÁRIO 20 Questão 3 Resposta: Alternativa D. Justificativa: A estimulação elétrica é chamada de despolarização e a contração mecânica é chamada de sístole, como também, o relaxamento elétrico é chamado de repolarização, e o relaxamento mecânico de diástole, segundo Smeltzer et al (2009). Questão 4 Resposta: Alternativa A. Justificativa: Os tipos de arritmias para Smeltzer et al (2009) incluem as arritmias sinusais, atriais, juncionais e ventriculares e suas várias subcategorias na qual seguem: Arritmias do nodo sinusal: Bradicardia sinusal, Taquicardia sinusal, Arritmia sinusal. Questão 5 Resposta: Alternativa C. Justificativa: Fibrilação atrial: causa uma contração rápida, desorganizada e descoordenada da musculatura atrial. Ela foi ligada ao acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca, demência e morte prematura, sendo considerado um problema de saúde crescente nos países desenvolvidos. Questão 6 Resposta: A estimulação elétrica das células musculares dos átrios faz com que elas se contraiam. A estrutura do nodo AVA lentifica o impulso elétrico, o que permite tempo para que os átrios se contraiam e encham os ventrículos com sangue. [...] Em seguida, o impulso elétrico viaja muito rapidamente através do feixe de His até o s ramos direito e esquerdo e as fibras de Purkinje, localizados no músculo ventricular. A estimulação elétrica das células musculares dos ventrículos causa, por sua vez, a contração mecânica dos ventrículos então relaxam (sístole). As células repolarizam-se e os ventrículos, então, relaxam (diástole) (SMELTZER et al, 2009). Questão 7 Resposta: A cardioversão elétrica, desde o início da década de 1960, segundo Pisani et al (2009), tornou-se um procedimento de rotina utilizada no cuidado de pacientes com taquiarritmia. Esse procedimento é realizado a partir de um aplicação de uma breve descarga elétrica através do coração para despolarizar, de forma sincronizada, todo o miocárdio. Sincronização essa que é feita por meio do registro contínuo do traçado eletrocardiográfico no monitor, de forma que o choque seja descarregado em um ponto seguro do ciclo cardíaco, evitando o chamado período vulnerável. GABARITO 21 GABARITO Questão 8 Resposta: A adenosina traz um bloqueio transitório da junção AV interrompendo a maioria das taquicardias que dependem dessa condução. A adenosina deve ser infundida em bolus, através de acesso calibroso, na dose de 6 mg, podendo ser repetido novo bolus de 12 mg. Após essa medicação, deve ser administrado um flush com 20 mL de água destilada. Sempre que administrada essa medicação, deve-se ter um desfibrilador disponível, porque raramente essa medicação pode induzir fibrilação atrial e, em pacientes com vias anômalas funcionantes, pode ocorrer condução atrioventricular muito rápida, necessitando de CVE imediata. Deve-se ter cautela na administração dessa medicação em pacientes asmáticos. Questão 9 Resposta: Uma importante diferença entre a cardioversão e a desfibrilação é o momento da liberação da corrente elétrica. Na cardioversão, a liberação da corrente elétrica é sincronizada com os eventos elétricos do paciente; na desfibrilação, a liberação da corrente é imediata e não sincronizada. Questão 10 Resposta: Podemos encontrar como diagnósticos de enfermagem o Débito cardíaco diminuído, Ansiedade relacionada com o medo ou desconhecido e Déficit de conhecimento sobre a arritmia e seu tratamento. Como metas o enfermeiro deverá incluir a eliminação ou diminuição da ocorrência da arritmia (ao diminuir os fatores contribuintes) para manter o débito cardíaco, minimização da ansiedade e aquisição do conhecimento sobre a arritmia e seu tratamento, conforme Smeltzer et al (2009).