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D I R E I T O P E N A L (parte geral)
1 - Conceito de Direito Penal
“Conjunto de normas jurídicas que o Estado estabelece para combater o crime, através das penas e medidas de segurança” (Basileu Garcia).
“Conjunto de normas jurídicas que regulam o poder punitivo do Estado, tendo em vista os fatos de natureza criminal e as medidas aplicáveis a quem os pratica” (Magalhães Noronha).
“Conjunto de normas que ligam ao crime, como fato, a pena como conseqüência, e disciplinam também as relações jurídicas daí derivadas, para estabelecer a aplicabilidade de medidas de segurança e a tutela do direito de liberdade em face do poder de punir do Estado” (Frederico Marques).
Ainda que em caráter secundário, o Direito Penal tem uma aspiração ética: evitar o cometimento de crimes que afetam de forma intolerável os bens jurídicos penalmente tutelados. A tarefa imediata, contudo, é de natureza eminentemente jurídica e, assim, destinada à proteção dos bens jurídicos.
2 - Caracteres.
É uma ciência cultural e normativa.
* Cultural, porque indaga o dever ser, traduzindo-se em regras de conduta que devem ser observadas por todos nos respeito aos mais relevantes interesses sociais. Diferencia-se, portanto, das ciências naturais, em que o objeto do estudo é o ser, o objeto em si mesmo. 
* Normativa, porque seu objeto é o estudo da lei, da norma do direito positivo, como dado fundamental e indiscutível na sua observância obrigatória. Não se preocupa com a verificação da gênese do crime, como a Criminologia, a Sociologia Criminal etc.
O DIREITO PENAL POSITIVO É VALORATIVO, FINALISTA E SANCIONADOR.
Valorativo = tutela os valores mais elevados da sociedade, valorando os fatos de acordo com sua gravidade. Quanto mais grave o crime, mais severa será a sanção aplicável ao seu autor.
Finalista = visa à proteção de bens e interesses jurídicos merecedores da tutela mais eficiente que só podem ser eficazmente protegidos pela ameaça legal de aplicação de sanções de poder intimidativo maior, como a pena.	
Sancionador = através da cominação da sanção, protege outra norma jurídica de natureza extra penal (direito de propriedade...).
- Como ciência jurídica, o Direito Penal tem caráter dogmático, já que se fundamenta no direito positivo, exigindo-se o cumprimento de todas suas normas, pela sua obrigatoriedade.
CONTEÚDO DO DIREITO PENAL:
O conteúdo do Direito Penal é o estudo do crime, da pena e do delinqüente, que são os seus elementos fundamentais, precedidos de uma parte introdutiva. 
Na parte introdutória são estudadas a propedêutica jurídico-penal e a norma penal, esta inclusive quanto à sua aplicação no tempo e no espaço, como também a sua exegese.
Acrescentam-se partes referentes à ação penal, punibilidade e medidas de segurança.
* Direito Penal objetivo = ordenamento jurídico-penal.
* Direito Penal subjetivo = direito de punir do Estado.
Tem limites no próprio Direito Penal objetivo. Se o Estado tem o jus puniendi, o cidadão tem direito subjetivo de liberdade, que consiste em não ser punido senão de acordo com as normas ditadas pelo próprio Estado.
Relações com outras ciências: 
Como o sistema jurídico de um país é formado de elementos que se completam, sem contradições, o Direito Penal, como uma das partes desse todo, tem íntima correlação com os demais ramos das ciências jurídicas.
- Filosofia do Direito = as investigações desse ramo levam à fixação de princípios lógicos, à formulação de conceitos básicos e à definição de categorias fundamentais e indispensáveis à elaboração da lei penal. Há fundamentos filosóficos nos conceitos de delito, pena, imputabilidade, irresponsabilidade, dolo, culpa, causalidade, erro etc.
- Teoria Geral do Direito = são elaborados conceitos e institutos jurídicos válidos para todos os ramos do Direito.
- Sociologia jurídica = focaliza o fenômeno jurídico como fato social resultante de processos sociais. Grande colaboração pode prestar ao Direito Penal, principalmente no campo da Sociologia Criminal.
RELAÇÃO COM OS DEMAIS RAMOS DAS CIÊNCIAS JÚRIDICAS:
	
- Direito Constitucional = define o Estado e seus fins, bem como os direitos individuais, políticos e sociais. Diante do princípio da supremacia da Constituição na hierarquia das leis, o Direito Penal deve nela enquadrar-se. No artigo 5º são estabelecidos princípios relacionados com a anterioridade da lei penal (XXXIX), sua irretroatividade como regra e retroatividade da mais benigna (XL), dispositivos a respeito dos crimes de racismo, tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, terrorismo (XLII, XLIII), da personalidade da pena (XLV), da sua individualização e espécies (XLVI, XLVII) etc. Refere-se, ainda, a Constituição à fonte da legislação penal (art. 22), à anistia (21, XVII, e 48, VIII), a efeitos políticos da condenação (art. 55, VI), ao indulto (art. 84, VII) etc.
- Direito Administrativo = A lei penal é aplicada através dos agentes da Administração (Juiz, Promotor de Justiça, Delegado de Polícia etc.). São utilizados conceitos de Direito Administrativo (“cargo”, “função”, “rendas públicas” etc.
- Direito Processual Penal = ramo jurídico autônomo, em que se prevê a forma de realização e aplicação da lei penal. É através dele que se decide sobre a procedência a aplicação do jus puniendi do Estado.
- Direito Processual Civil = normas comuns ao Direito Processual Penal (atos processuais, ações, sentenças, recursos etc.).
- Direito Penal Internacional = ramo do Direito que tem por objetivo a luta contra criminalidade universal. “Ramo do Direito Penal que determina a competência do Estado na ordem internacional para a repressão dos delitos, bem como regulamenta a cooperação entre os Estados em matéria penal” (Celdo D. de Albuquerque Mello). O Código Penal consagra no artigo 7º regras que se inspiram nesses princípios.
- Direito Internacional Penal = ramo do Direito Internacional Público que tem por objetivo a luta contra as infrações internacionais (crimes de guerra, contra a paz, contra a humanidade, o terrorismo, pirataria, discriminação racial etc.). Jurisdição penal internacional: Tribunal Penal Internacional.
- Direito Civil = Um mesmo fato pode caracterizar um ilícito penal e obrigar a uma reparação civil. Como o Direito Penal é eminentemente sancionador, sua contribuição é decisiva para reforçar a tutela jurídica do Direito Civil.
- Direito Comercial = tutela a lei penal institutos como o cheque, a duplicata, a fraude no comércio, os crimes falimentares.
- Direito Penitenciário = embora de discutível autonomia, disciplina a matéria relativa à execução da penal. Segundo a Constituição, compete à União, Estados e Distrito Federal, concorrentemente, legislar sobre direito penitenciário.
- Direito do Trabalho = no que tange aos crimes contra a organização do trabalho (artigos 197 a 207 do CP) e efeitos trabalhistas da sentença penal (artigos 482, d, e § único, e 483, e e f).
- Direito Tributário = contém a repressão aos crimes de sonegação fiscal.
DISCIPLINAS AUXILIARES:
- Medicina Legal = aplicação de conhecimentos médicos para a realização de leis penais ou civis.
- Criminalística = aplicação de várias ciências à investigação criminal, colaborando na descoberta dos crimes e na identificação de seus autores.
- Psiquiatria Forense = ciência que estuda os distúrbios mentais em face dos problemas judiciários.
FONTES DO DIREITO PENAL
a) Fontes de produção ou materiais = informam a gênese, a substância, a matéria de que é feito o Direito Penal, como é produzido, elaborado.
A única fonte de produção do Direito Penal é o Estado. Compete privativamente à União legislar sobre direito penal, havendo possibilidade de lei complementar autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas.
O Estado não pode, entretanto, legislar arbitrariamente, por isso que como fonte remota e originária da norma jurídica está a consciência do povo em dado momento de seu desenvolvimento histórico.
	b) Fontes de

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