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Fisiologia da Dor neuropática Professor Anderson Nunes Teixeira 1 Conceito A dor neuropática ou neurogênica é produzida pelo dano ao tecido nervoso. Caracteriza-se pela aparição de hiperalgesia, dor espontânea, parestesia e alodinia mecânica e por frio (PISERA, 2005; SCHAIBLE, 2006). Hiperalgesia: Sensibilidade excessiva à dor. Parestesia: sensação anormal e desagradável sobre a pele que assume diversas formas (p.ex., queimação, dormência, coceira etc.). Alodinia: sensação de dor ao receber um estímulo que normalmente não provoca dor. 2 Dor nociceptiva x neuropática Dor neuropática • Prevalência de 2-3% da população mundial • É considerada uma condição grave pela: » cronicidade; » resistência ao tratamento; » limitação funcional imposta. Dor neuropática Fisiopatologia da dor neuropática A gênese da dor neuropática, envolve inúmeros fenômenos. Sensibilização de receptores. Ocorrência de focos ectópicos de potenciais de ação nas fibras periféricas e tratos centrais. Reorganização sináptica em neurônios centrais. Liberação de substâncias algiogênicas Fenômenos de adaptação física, psíquica e neurovegetativa. Em resposta a uma lesão, os nervos periféricos ativam células que secretam diversos mediadores (substância P, PG, etc) fazem com que os nociceptores fiquem mais sensíveis a estímulos dolorosos 7 Na presença de uma lesão o organismo precisa realizar a regeneração 8 Neurônios com transmissão prejudicada 9 Na tentativa de regeneração ocorre uma modificação na permeabilidade das membranas neuronais, com aumento no número, na distribuição de canais de Na+ e Ca+, isso afeta os neurônios lesados e células vizinhas provocando um fenômeno de excitabilidade neuronal Com isso é gerado mais impulsos e a dor é aumentada 10 Dor por lesão do sistema periférico Após lesão do nervo periférico verifica-se uma série de eventos, resultantes de processos reparadores do tecido neural, que alteram sobremodo a condução nervosa. Dor por lesão do sistema periférico Macrófagos ativados e células de Schwann sintetizam mediadores inflamatórios, citocinas, como interleucinas, TNF, interferon, fator de transformação e fatores de crescimento para a regeneração nervosa. O fator de crescimento nervoso (GNF) aumenta a síntese, transporte e o conteúdo neuronal de neuropeptídeos algiogênicos. Dor por lesão do sistema periférico Sensibilização dos receptores nociceptivos das fibras C Respostas a estímulos mecânicos e térmicos, normalmente inócuos. Ocorrem respostas espontâneas Dor por lesão do sistema periférico Dor por lesão do sistema periférico A regeneração nervosa irá promover: Modificação da permeabilidade das membranas neuronais e do número, distribuição e cinética dos canais iônicos de Ca++ e Na+. Esses efeitos estendem-se a neurônios vizinhos lesionados e intactos. Dor por lesão do sistema periférico Correntes elétricas são geradas em fibras degeneradas e em neuromas de amputação induzindo despolarizações em células vizinhas. Excitação cruzada tanto nas fibras C como nas fibras A. Alodinia e hiperpatia. Hiperpatia: Percepção excessiva da dor provocada por estimulações mínimas, ou dor espontânea. Dor por lesão do sistema periférico Alterações no CPME Alterações no CPME Desorganização sináptica Brotamento de novas terminações, principalmente A - Aumento dos campos receptivos. Redução da expressão de receptores opióides nos axônios e de receptores no gânglio sensitivo. Aumento de receptores para substâncias algiogênicas no CPME. Aumento da atividade do glutamato e redução do GABA. Elevação de cálcio intracelular. Alterações no CPME SENSIBILIZAÇÃO ADRENÉRGICA A noradrenalina e a adrenalina ativam as fibras A-delta e C produzindo potenciais de ação espontâneos. Alterações no SNC Alterações no SNC Hipoatividade das vias inibitórias descendentes Dor por lesão do SNC No lesado medular a dor neuropática desenvolve-se em 60 a 70% dos indivíduos afetados, sendo que em 1/3 é intensa. Dor por lesão do SNC Na lesão transversal de medula, ocorre expansão dos campos receptivos e hiperatividade dos neurônios no CPME. Lesão das vias inibitórias descendentes. Aumento da atividade neuronal no tálamo mediado por aspartato e glutamato. Dor por lesão do SNC A dor central que surge após ao acidente vascular cerebral, se desenvolve em cerca de 8% dos pacientes. Lesão talâmica em mais da metade dos casos. A deaferentação parece exercer o papel na gênese da dor. Alteração dos mecanismos excitatórios e inibitórios. Antidepressivos tricíclicos Neurolépticos Anticonvulsivantes Antiarrítmicos Bloqueio anestésico local e bloqueio simpático Anestésicos tópicos Métodos não farmacológicos Tratamento da Dor Neuropática 28 Dúvidas ??????