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Relatório do Holocausto brasileiro;
Criado em 1903 e situado em Barbacena - Minas gerais, o hospital colônia, uma instituição psiquiátrica de calibre médico se tornou um matadouro. Cerca de mais de 60 mil pessoas morreram ali. 
O documentário aborda o relato de pessoas que viveram nesta época, descrevendo todo o histórico de dor e sofrimento dos pacientes sofridos. Mario Lara, maquinista de trem, relata sobre a chegada de vagões e do estado emocional e físico dos que chegavam. Os pacientes eram separados por sexo, idade e características físicas. Porém, as pessoas que iam para este hospital consistiam em não apresentavam registro de doença mental, ou eram gays, alcoólatras, militantes políticos, mães solteiras, mendigos, negros, pobres, índios, pessoas sem documento e etc, criando assim cada vez mais uma semelhança dos campos de concentração da era nazista. As condições insalubres de sobrevivência, o abandono e os maus-tratos que os pacientes sofriam até a morte são exacerbados no documentário. 
Walkiria Monteiro, ex-enfermeira do hospital, compara o mesmo como um deposito onde as pessoas eram enviadas sem justa causa para morrer. Relatando o estado dos pacientes desde quando chegavam, ate as terapias extremas onde eram submetidos. Eles eram forçados a trabalhar manualmente, muitas vezes sem receber nada ou em troca de maços de cigarro, dormiam sobre folhas de capim. Elza Campos Silva, ex-menina de Oliveira, relata que as formigas saiam dessas folhas e mordiam os pacientes. Precisavam lidar com estupros, torturas físicas e psicológicas, muitas vezes submetidos à terapia de choque e duchas escocesas sem nenhuma razão aparente, tal tortura era aplicada com o propósito de servir apenas como castigo. Muitos não resistiam e acabavam falecendo. E os doentes eram abandonados em seus leitos para morrer. 
As crianças em grande maioria, eram transferidas, como foram em dezenas para o hospital colônia, devido o fechamento do hospital de neuropsiquiatria infantil de oliveira, o inicio da década de 70. Eram portadores de deficiência mental e física, e que foram abandonados no deposito de oliveira por vergonha dos pais, e que após o fechamento de oliveira, foram transferidos ao hospital colônia e submetidos as mesmas condições de “tratamento” que os outros pacientes. Alguns ex-meninos de Oliveira, relatam do documentário os abusos sofridos e a saudade dos familiares.
 Devido o alto número de mortes que ocorriam dentro do hospital, o cemitério municipal já não comportava o número cada vez mais alto de corpos e então os funcionários do hospital começaram a traficar corpos para faculdades de medicina, que os usavam em aulas de anatomia. Pelo menos 60 mil pessoas morreram entre os muros da Colônia. Em sua maioria, internadas à força. Cerca de 70% não tinha diagnóstico de doença mental. Nos períodos de maior lotação, 16 pessoas morriam a cada dia. Ao morrer, davam lucro, pois seus corpos eram vendidos às faculdades de medicina. Quando houve excesso de cadáveres e o mercado encolheu, os corpos foram decompostos em ácido, no pátio da Colônia, diante dos pacientes, e suas ossadas eram comercializadas. Mais de 1800 cadáveres foram vendidos para 17 faculdades de medicina entre 1969-1980.
Com a vinculação midiática, e as fotos de Napoleão Xavier fizeram o debate começar. Onde compararam o hospital como um campo de concentração nazista, exigindo seu fechamento imediato. Isso tudo fez ocorrer a mobilização dos trabalhadores da saúde mental, das grandes denúncias. Foi todo este movimento que deu origem à reforma psiquiátrica em Minas. Porém, o hospital só foi fechado nos mais tarde, durante a década de 80. Após seu fechamento, o Colônia foi reaberto, desta vez transformado no "Museu da Loucura"
A brutal realidade esplanada no hospital colônia é comparada sem dúvidas com o holocausto alemão, foram duas tragédias com números distintos, porém, com dores semelhantes. A omissão dessas atrocidades ocorridas dentro deste hospital, possibilitou a morte de mais de 60 mil pessoas, um genocídio. A submissão dos pacientes foi uma calamidade horrenda e terrível.
A existência do Colônia e de muitos outros sanatórios como este se deve a um conjunto de fatores históricos que vão desde a prática irresponsável da medicina, principalmente da psiquiatria, passando por uso em plena era moderna de técnicas medievais para conceituar e tratar a loucura. Misturado isto ao preconceito e a ignorância de pais pobres e humildes convencidos de que seus filhos diferentes, eram loucos e ameaçavam a sociedade e o oportunismo de alguns. Os cadáveres do Colônia alimentavam um mercado clandestino de venda de corpos para faculdades de medicina Brasil afora. Um tremendo desrespeito aos corpos e falta de humanidade naqueles que eram funcionários do hospital.
Mais de um século depois da inauguração do Hospital da Colônia muita coisa mudou, agora sabemos diagnosticar corretamente nossos pacientes e dar o tratamento certo. Não admitimos mais chamar pacientes psiquiátricos como loucos e serem discriminados, devemos lutar para o fechamento de manicômios como o Hospital da Colônia, mas sempre nos preocupando com o futuro de pessoas com distúrbios mentais e nos preocupar com a reintegração dessas pessoas na sociedade. O fechamento do hospital não apaga as experiências vividas pelos sobreviventes. Tantos pacientes que foram ali internados com a esperança de serem tratados e recuperados perderam sua dignidade no momento em que passaram pelos portões do tão bem visto Hospital da Colônia.

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