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Livro Gestão Escolar e Organização do Trabalho Pedagógico na Educação Básica

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Prévia do material em texto

GESTÃO ESCOLAR E 
ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO 
PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO 
BÁSICA
Professora Me. Adriana Salvaterra Pasquini
Professora Me. Marcia Maria Previato de Souza
GRADUAÇÃO
PEDAGOGIA
MARINGÁ-PR
2012
Reitor: Wilson de Matos Silva
Vice-Reitor: Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor de Administração: Wilson de Matos Silva Filho
Presidente da Mantenedora: Cláudio Ferdinandi
NEAD - Núcleo de Educação a Distância
Diretoria do NEAD: Willian Victor Kendrick de Matos Silva
Coordenação Pedagógica: Gislene Miotto Catolino Raymundo
Coordenação de Marketing: Bruno Jorge
Coordenação Comercial: Helder Machado
Coordenação de Tecnologia: Fabrício Ricardo Lazilha
Coordenação de Curso: Márcia Maria Previato de Souza
Supervisora do Núcleo de Produção de Materiais: Nalva Aparecida da Rosa Moura
Capa e Editoração: Daniel Fuverki Hey, Fernando Henrique Mendes, Luiz Fernando Rokubuiti, Renata Sguissardi e Thayla 
Daiany Guimarães Cripaldi
Supervisão de Materiais: Nádila de Almeida Toledo 
Revisão Textual e Normas: Cristiane de Oliveira Alves, Gabriela Fonseca Tofanelo, Janaína Bicudo Kikuchi, Jaquelina 
Kutsunugi e Maria Fernanda Canova Vasconcelos
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Central - CESUMAR
 
 
 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação
 a distância:
C397 Gestão escolar e organização do trabalho pedagógico na 
 educação básica / Adriana Salvaterra Pasquini, Marcia Maria 
 Previato de Souza- Maringá - PR, 2012.
 163 p.
 “Graduação em Pedagogia - EaD”.
 
 1. Gestão escolar. 2. Educação básica. 3. Gestão escolar. 
 4.EaD. I.Título.
 CDD - 22 ed. 370
 CIP - NBR 12899 - AACR/2
“As imagens utilizadas neste livro foram obtidas a partir dos sites PHOTOS.COM e SHUTTERSTOCK.COM”.
Av. Guedner, 1610 - Jd. Aclimação - (44) 3027-6360 - CEP 87050-390 - Maringá - Paraná - www.cesumar.br
NEAD - Núcleo de Educação a Distância - bl. 4 sl. 1 e 2 - (44) 3027-6363 - ead@cesumar.br - www.ead.cesumar.br
GESTÃO ESCOLAR E 
ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO 
PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO 
BÁSICA
Professora Me. Adriana Salvaterra Pasquini
Professora Me. Marcia Maria Previato de Souza
5GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
APRESENTAÇÃO DO REITOR
Viver e trabalhar em uma sociedade global é um grande desafio para todos os cidadãos. 
A busca por tecnologia, informação, conhecimento de qualidade, novas habilidades para 
liderança e solução de problemas com eficiência tornou-se uma questão de sobrevivência no 
mundo do trabalho.
Cada um de nós tem uma grande responsabilidade: as escolhas que fizermos por nós e pelos 
nossos fará grande diferença no futuro.
Com essa visão, o Cesumar – Centro Universitário de Maringá – assume o compromisso 
de democratizar o conhecimento por meio de alta tecnologia e contribuir para o futuro dos 
brasileiros.
No cumprimento de sua missão – “promover a educação de qualidade nas diferentes áreas 
do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento 
de uma sociedade justa e solidária” –, o Cesumar busca a integração do ensino-pesquisa 
-extensão com as demandas institucionais e sociais; a realização de uma prática acadêmica que 
contribua para o desenvolvimento da consciência social e política e, por fim, a democratização 
do conhecimento acadêmico com a articulação e a integração com a sociedade.
Diante disso, o Cesumar almeja ser reconhecido como uma instituição universitária de 
referência regional e nacional pela qualidade e compromisso do corpo docente; aquisição 
de competências institucionais para o desenvolvimento de linhas de pesquisa; consolidação 
da extensão universitária; qualidade da oferta dos ensinos presencial e a distância; bem 
-estar e satisfação da comunidade interna; qualidade da gestão acadêmica e administrativa; 
compromisso social de inclusão; processos de cooperação e parceria com o mundo do 
trabalho, como também pelo compromisso e relacionamento permanente com os egressos, 
incentivando a educação continuada.
Professor Wilson de Matos Silva
Reitor
6 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Caro aluno, “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua 
produção ou a sua construção” (FREIRE, 1996, p. 25). Tenho a certeza de que no Núcleo de 
Educação a Distância do Cesumar, você terá à sua disposição todas as condições para se 
fazer um competente profissional e, assim, colaborar efetivamente para o desenvolvimento da 
realidade social em que está inserido.
Todas as atividades de estudo presentes neste material foram desenvolvidas para atender o 
seu processo de formação e contemplam as diretrizes curriculares dos cursos de graduação, 
determinadas pelo Ministério da Educação (MEC). Desta forma, buscando atender essas 
necessidades, dispomos de uma equipe de profissionais multidisciplinares para que, 
independente da distância geográfica que você esteja, possamos interagir e, assim, fazer-se 
presentes no seu processo de ensino-aprendizagem-conhecimento.
Neste sentido, por meio de um modelo pedagógico interativo, possibilitamos que, efetivamente, 
você construa e amplie a sua rede de conhecimentos. Essa interatividade será vivenciada 
especialmente no ambiente virtual de aprendizagem – AVA – no qual disponibilizamos, além do 
material produzido em linguagem dialógica, aulas sobre os conteúdos abordados, atividades de 
estudo, enfim, um mundo de linguagens diferenciadas e ricas de possibilidades efetivas para 
a sua aprendizagem. Assim sendo, todas as atividades de ensino, disponibilizadas para o seu 
processo de formação, têm por intuito possibilitar o desenvolvimento de novas competências 
necessárias para que você se aproprie do conhecimento de forma colaborativa.
Portanto, recomendo que durante a realização de seu curso, você procure interagir com os 
textos, fazer anotações, responder às atividades de autoestudo, participar ativamente dos 
fóruns, ver as indicações de leitura e realizar novas pesquisas sobre os assuntos tratados, 
pois tais atividades lhe possibilitarão organizar o seu processo educativo e, assim, superar os 
desafios na construção de conhecimentos. Para finalizar essa mensagem de boas-vindas, lhe 
estendo o convite para que caminhe conosco na Comunidade do Conhecimento e vivencie 
a oportunidade de constituir-se sujeito do seu processo de aprendizagem e membro de uma 
comunidade mais universal e igualitária.
Um grande abraço e ótimos momentos de construção de aprendizagem!
Professora Gislene Miotto Catolino Raymundo
Coordenadora Pedagógica do NEAD- CESUMAR
7GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
APRESENTAÇÃO
Livro: GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA 
EDUCAÇÃO BÁSICA
Professora Me. Adriana Salvaterra Pasquini
Professora Me. Marcia Maria Previato de Souza
Caro(a) acadêmico(a), é com muito prazer que apresentamos a você o livro que fará parte da 
disciplina de Gestão Escolar e a Organização do Trabalho Pedagógico na Educação Básica. 
Somos as professoras Adriana Salvaterra Pasquini e professora Marcia Maria Previato de 
Souza e preparamos o presente material para que você conheça de modo crítico os caminhos 
da Gestão Escolar e sua importância na organização do trabalho pedagógico, a fim de que a 
educação básica se efetive com qualidade. 
Eu, Adriana, ao longo da minha atuação profissional, 19 anos na educação básica, trabalhei 
como professora nas modalidades da Educação Infantil, Educação Especial, anos iniciais do 
Ensino Fundamental e atuo há cinco anos como pedagoga da rede pública do estado do 
Paraná. Esta experiência profissional aliada a pesquisas em políticas públicas para a educação 
me possibilitam uma análise ampla da educação básica.
Quanto a mim, professora Marcia,trabalhei na educação básica por mais de 10 anos e há 7 
atuo no Ensino Superior trabalhando em cursos de graduação e pós-graduação da área da 
educação com disciplinas ligadas à alfabetização, metodologias, práticas de ensino e gestão 
escolar. 
Nosso objetivo, ao escrever este livro, não é o de apresentar um “passo a passo” acerca da 
gestão escolar e da organização da educação básica, e sim realizarmos algumas provocações 
por meio do conhecimento científico e, unindo teoria e prática, contribuir para que você avance 
na compreensão do contexto escolar na sua totalidade. 
Este livro foi organizado de modo especial para você que, no nosso entendimento, tem buscado 
com excelência compreender os desafios que a Gestão Escolar impõe a todo profissional da 
educação que pretende ratificar a articulação necessária entre teoria e prática. O conteúdo 
aqui apresentado é de suma importância não só para aqueles que ocupam ou que pretendem 
ocupar o cargo de diretores ou vice-diretores, mas para todos os profissionais da educação 
8 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
que assumem também o papel de conduzir na coletividade um Projeto Político-Pedagógico 
que vá além da dimensão burocrática. 
A consolidação do aprendizado requer muito estudo, aprofundamento nas leituras e esforço 
reflexivo. Para tanto, será necessário também, muito empenho de sua parte para a realização 
desse intenso trabalho. Por isso, antes de iniciar a leitura do presente livro, gostaríamos de 
apresentar a você uma proposta de estudo para auxiliá-lo na apropriação do conhecimento:
•	 Sistematize	um	plano	de	estudo	e	registre	em	uma	agenda	suas	metas	de	estudo	diário	e	
prazos.
•	 Procure	um	ambiente	adequado	para	sua	leitura:	sem	barulhos	ou	demais	interferências.
•	 Tenha	sempre	em	mãos	caderno	e	caneta	para	registrar	suas	 impressões	sobre	o	texto	
lido.
•	 Procure	esclarecer	as	dúvidas	em	relação	ao	conteúdo	ou	algum	termo	desconhecido	logo	
após as leituras. Se deixar para outro momento, a dúvida pode não ter mais sentido, e você 
acabará por não pesquisá-la.
•	 Finalmente,	após	concluída	a	leitura,	escreva	um	parecer	pessoal	sobre	o	material	estuda-
do quanto: à relevância do tema e ao seu aprendizado.
Este livro é composto por cinco unidades que darão sustentação à presente discussão. Cumpre 
destacar que, ao final de cada unidade, você encontrará propostas de atividades e sugestões 
de leitura que favorecerão a reflexão e a apropriação do conteúdo estudado. As unidades são 
intituladas da seguinte forma:
A primeira unidade é intitulada “Contextualização histórica da gestão escolar no Brasil”, 
como o próprio título já diz, apresentamos a trajetória histórica da gestão escolar em nosso 
país. Esse contexto é de suma importância para que você conheça os caminhos e descaminhos 
da gestão escolar nas últimas décadas e a atuação do pedagogo em diferentes períodos 
históricos.
Na segunda unidade, discutiremos os “Fundamentos e instrumentos de consolidação da 
gestão democrática”, nela discutiremos a consolidação da Gestão Democrática, esse que 
é o processo político por meio do qual todas as pessoas envolvidas no processo de ensino e 
aprendizagem discutem, deliberam, planejam, solucionam problemas, bem como o conjunto 
das ações voltadas ao desenvolvimento da própria escola. Para você, aluno de um curso de 
9GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
formação de professores, esse é um assunto sobre o qual deve ter conhecimento para poder 
atuar de maneira consciente no espaço escolar.
Chegando a terceira unidade, intitulada “A construção coletiva do Projeto Político-
Pedagógico”, você terá a percepção do quão é importante a atuação da equipe diretiva 
no trabalho coletivo. Nessa unidade, poderá conhecer os Fundamentos Teóricos do Projeto 
Político-Pedagógico e os elementos que compõem o Projeto Político-Pedagógico de uma 
escola.
Na quarta unidade, “O Planejamento e trabalho coletivo”, discutimos a função da escola na 
sociedade contemporânea e o planejamento escolar enquanto instrumento de ratificação do 
ensino e da aprendizagem e as dimensões do Planejamento Educacional.
A quinta unidade, “Gestão escolar e os processos de avaliação” discute as relações 
existentes entre a qualidade educacional e o processo de avaliação enquanto instrumento 
de democratização do conhecimento científico. Nessa unidade ainda, tivemos a pretensão 
de apresentar a você as especificidades dos processos de avaliação: Sistema de Avaliação 
da Educação Básica – SAEB e Avaliação Institucional, assunto sobre o qual você precisa ter 
conhecimento em função de sua profissão docente.
A partir dos estudos e análise de cada unidade temos como objetivo geral levá-lo a compreensão 
do funcionamento da gestão e organização do trabalho pedagógico na educação básica.
ATENÇÃO: toda estrutura organizacional e ações mediadas por tal estrutura não se constituem 
“naturalmente”, mas são historicamente instituídas. Assim, precisamos analisar as estruturas 
atuais de modo contextualizado e ter sempre a clareza de que a Educação forma o homem 
necessário para cada período histórico.
Consideramos importante fazer tal constatação, tendo em vista que a Gestão Democrática 
tem sido um dos termos mais apresentados no contexto educacional. Esse tema ganhou 
espaço na educação brasileira a partir da Constituição Federal (CF) de 1988 e ganhou forma 
e organicidade com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação nº 9394/96, que transformou em 
letra de lei o princípio de Gestão Democrática da Escola Pública no Brasil. Como você pode 
perceber, a gestão escolar vai além da administração de recursos, ela consiste em uma ação 
política muito mais ampla do que parece.
10 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Tendo como foco a Gestão Democrática enquanto ação política, queremos apresentar a você 
um desafio. É comum ouvirmos no dia a dia expressões, como: “Eu não gosto de política”, 
talvez até você já tenha dito isso. Por isso, analise o poema abaixo e faça suas próprias 
constatações acerca da importância da nossa atuação enquanto profissionais da educação.
O Analfabeto Político – Bertholt Brecht
“O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do 
sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a 
política.
Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor 
abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o 
corrupto e lacaio dos exploradores do povo”.
Eis o nosso desafio, releia o texto com atenção, pense e responda ao seguinte questionamento: 
em que medida a atuação do pedagogo na Gestão Escolar implica um ato político?
Após concluir as leituras do livro temos a certeza que conseguirá responder a esse 
questionamento.
Vamos lá! Inicie suas leituras e bons estudos!!!!!
SUMÁRIO
UNIDADE I
CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DA GESTÃO ESCOLAR NO BRASIL
A ATUAÇÃO DO PEDAGOGO EM DIFERENTES PERÍODOS HISTÓRICOS 19
A INFLUÊNCIA NEOLIBERAL NA REFORMA DE ENSINO DA DÉCADA DE 1990 22
A GESTÃO DEMOCRÁTICA NO COTIDIANO ESCOLAR 26
UNIDADE II
FUNDAMENTOS E INSTRUMENTOS DE CONSOLIDAÇÃO DA GESTÃO DEMOCRÁTICA
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E LEGAIS DA GESTÃO DEMOCRÁTICA 42
AS INSTÂNCIAS COLEGIADAS E SUA IMPORTÂNCIA NA GESTÃO DEMOCRÁTICA 49
CONSELHO ESCOLAR 50
CONSELHO DE CLASSE 54
ASSOCIAÇÃO DE PAIS, MESTRES E FUNCIONÁRIOS 56
GRÊMIO ESTUDANTIL 61
UNIDADE III
A CONSTRUÇÃO COLETIVA DO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO
A ATUAÇÃO DA EQUIPE DIRETIVA FRENTEAO DESAFIO DO TRABALHO COLETIVO 70
FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO 75
PROJETO 76
POLÍTICO 77
PEDAGÓGICO 77
OS ELEMENTOS QUE COMPÕEM O PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO 78
A ELABORAÇÃO DO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO 80
UNIDADE IV
PLANEJAMENTO E TRABALHO COLETIVO
A FUNÇÃO DA ESCOLA NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA 98
O PLANEJAMENTO ESCOLAR ENQUANTO INSTRUMENTO DE RATIFICAÇÃO DO ENSINO 
E DA APRENDIZAGEM 103
AS DIMENSÕES DO PLANEJAMENTO EDUCACIONAL 112
UNIDADE V
GESTÃO ESCOLAR E OS PROCESSOS DE AVALIAÇÃO
AS RELAÇÕES EXISTENTES ENTRE A QUALIDADE EDUCACIONAL E O PROCESSO DE 
AVALIAÇÃO 130
AS ESPECIFICIDADES DO PROCESSO DE AVALIAÇÃO: SISTEMA DE AVALIAÇÃO DA 
EDUCAÇÃO BÁSICA – SAEB E AVALIAÇÃO 135
INSTITUCIONAL 135
O PROCESSO DE AVALIAÇÃO ENQUANTO INSTRUMENTO DE DEMOCRATIZAÇÃO DO 
CONHECIMENTO CIENTÍFICO 142
CONCLUSÃO 156
REFERÊNCIAS 160
UNIDADE I
CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DA GESTÃO 
ESCOLAR NO BRASIL
Professora Me. Adriana Salvaterra Pasquini
Professora Me. Marcia Maria Previato de Souza
Objetivos de Aprendizagem
•	 Conhecer o percurso histórico da Gestão Escolar no Brasil.
•	 Compreender que as estruturas educacionais não são naturalmente postas, mas, 
historicamente construídas.
•	 Analisar o papel da Gestão Escolar no Brasil.
•	 Estabelecer relação entre o papel da escola e o mundo do trabalho.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
•	 A atuação do pedagogo em diferentes períodos históricos
•	 	 A	influência	Neoliberal	na	Reforma	de	Ensino	da	década	de	1990
•	 A gestão democrática no cotidiano escolar
17GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a), nesta primeira unidade você fará o estudo de um assunto que, em nosso 
entendimento, é fundamental para a compreensão do papel do gestor escolar na atualidade.
É importante destacar que as relações postas no campo educacional na atualidade não 
surgiram “do nada” e nem sempre foram como são hoje. Por isso, o desafio proposto neste 
início de estudos é a compreensão histórica do papel da gestão escolar na educação brasileira. 
Não pretendemos discorrer aqui sobre a História da Educação no Brasil desde sua origem, 
por isso demarcamos como período de análise a década de 1960 que servirá para nós como 
ponto de partida da discussão.
A partir do final da década de 1980, período marcado pela redemocratização do nosso 
país, a gestão democrática da educação e da escola pública tornou-se o centro do debate 
educacional. Esse período histórico que representou o fim de um regime militar de duas 
décadas foi marcado por um sentimento de esperança por um Brasil mais justo e desenvolvido, 
cuja principal bandeira era uma educação de qualidade para o povo brasileiro, por meio da qual 
o país alcançaria credibilidade e a inserção no mercado mundial. Porém, a história nos revela 
outra face não tão animadora. A educação não foi priorizada, o que vimos foi o sucateamento 
da escola pública e a desvalorização dos profissionais da educação. 
Foi neste contexto que a partir da Constituição Federal (CF) de 1988 que a gestão democrática 
foi eleita como tema fundamental para a melhoria na qualidade de ensino público. Neste 
sentido, consideramos de suma importância refletirmos a respeito da atuação do pedagogo 
enquanto gestor do âmbito escolar, ou seja, aquele que articula as condições históricas postas 
com a sua função por meio das práticas coletivas de planejamento institucional expressas no 
Projeto Político-Pedagógico, que direciona e organiza todo o contexto escolar.
É importante destacarmos que a discussão aqui apresentada será pautada em duas 
considerações, primeiramente explicitaremos a função do pedagogo como gestor, diretamente 
18 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
relacionada com as exigências do processo de reestruturação produtiva do capitalismo. De 
acordo com Acácia Kuenzer (2002), as mudanças ocorridas no mundo do trabalho a partir da 
década de 1990, com a globalização da economia e com as novas formas de relação entre 
Estado e sociedade civil advindas do neoliberalismo, mudaram as demandas que o sistema 
capitalista faz à escola. 
Ao considerarmos que a escola forma o homem necessário a sua época, podemos então 
afirmar que o contexto supracitado influenciou de modo considerável na organização e gestão 
dos estabelecimentos de ensino. No segundo momento realizaremos a análise sobre a atuação 
do pedagogo como gestor de acordo com um processo de Gestão Democrática com todos os 
instrumentos dela decorrentes. 
“A escola forma o homem necessário a cada época”.
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19GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
A ATUAÇÃO DO PEDAGOGO EM DIFERENTES PERÍODOS HISTÓRICOS
Para iniciarmos a discussão do primeiro ponto proposto que é compreendermos a relação 
entre as demandas atuais da atuação do pedagogo com as exigências decorrentes das 
transformações e reestruturação do capitalismo na atualidade, é preciso antes compreender 
que não podemos ignorar a influência das relações do trabalho e do mercado na formação do 
pedagogo.
Foi no período posterior a 1964 que a formação do pedagogo ganhou destaque. Percebemos 
que foi nesse período de instalação do Regime Militar que se preceituou a hierarquização 
de funções como administração, supervisão, planejamento e inspeção escolar entre outras 
por meio da Lei 5540/68, que representou a reforma universitária. Sob a égide dessa lei as 
disciplinas profissionalizantes foram ampliadas pelo parecer CFE nº 252/69 e passaram a 
contar com as seguintes habilitações a serem oferecidas na graduação: Magistério das 
Disciplinas Pedagógicas do Segundo Grau, Orientação Educacional, Administração Escolar, 
Supervisão Escolar e Inspeção Escolar. A atuação do pedagogo tinha como foco a direção e 
o controle do processo escolar.
“A escola foi eleita pelos militares como instrumento de manutenção da ordem no país”.
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20 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
O referido contexto só é passível de compreensão se olharmos, mesmo que brevemente, 
para as condições históricas que o determinaram. Basta observarmos o modelo de produção 
taylorista/fordista característico do padrão de acumulação industrial, que é marcado pela 
divisão do trabalho, mecanização da produção, estrutura hierarquizada verticalmente e distinta 
em níveis operacionais de direção, planejamento, supervisão e execução. 
Tal organização do trabalho produziu a separação entre trabalho intelectual e braçal, 
planejamento e execução. Destacando o papel da gerência neste processo, aqui o papel do 
administrador é de fiscalizar o planejamento, controlar o trabalho alheio e cercear a vontade do 
trabalhador para que o mesmo execute com precisão e dinamicidade sua tarefa como assinala 
Vitor Paro (2006).
Como você já sabe, as relações da escola não passam ilesas pelas relações que se dão no 
mundo do trabalho. Para dar conta da formação dos quadros profissionais para essa organização 
do trabalho, a educação escolar foi requerida como fundamento para o desenvolvimento 
econômico e assume as características do modelo produtivo taylorista/fordista, já que era 
preciso a qualificação em massa de trabalhadores. Conforme as contribuições de Shiroma; 
Moraes; Evangelista (2007) encontraremos eco em tal exigência na teoria do capital humano 
que passou a ser adotada como base para as políticas educacionais. 
Conforme elencamos anteriormente, a Reforma universitária de 1968 reflete que a dicotomia 
entre o planejar e o executarse efetivava na escola, onde o pedagogo-especialista era o 
responsável pelo planejamento, controle e avaliação. Fazendo uma relação com a fábrica, 
a sala de aula era considerada o “chão de fábrica”, lá os professores executavam as tarefas 
pré-estabelecidas. Assim, podemos afirmar que, ao incorporar a organização de trabalho 
taylorista-fordista, a escola assume uma função reprodutora da sociedade capitalista.
21GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
“A escola reproduziu A ESTRUTURA das fábricas”.
De acordo com as contribuições de Augusto Pinto (2007), com a crise de 1970, a estagnação 
da economia que afetou os países desenvolvidos, o baixo crescimento dos mercados, a sua 
instabilidade e a elevação da concorrência internacional impuseram entraves ao sistema 
taylorista-fordista. Desse modo, as transformações no setor produtivo, principalmente, o 
desenvolvimento do setor financeiro e o deslocamento para o setor de serviços acarretaram 
em mudanças substanciais ao modelo de produção. Desse modo, percebemos que o modelo 
de produção desenvolvido desde a década de 1950 no Japão denominado de toyotismo passa 
a ser difundido.
A principal característica do toyotismo é o sistema just-in-time (produção por demanda), que 
diz respeito ao trabalho realizado em equipe e não mais individualizado como no modelo 
taylorista/fordista. Percebemos, então, a flexibilização da mão de obra, gestão participativa 
e controle de qualidade total como focos de ação. Esse padrão flexível de organização do 
trabalho implica mudanças para as funções desempenhadas pela gerência, que passa a 
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22 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
ser denominada gestão e não mais como administração, e compreende a coordenação de 
competências, recursos materiais e, sobretudo, de informações.
A partir da crise latente, a reestruturação produtiva se constitui em instrumento para a superação 
da mesma. Então, o sistema capitalista lança mão de um conjunto de valores próprios com 
conceitos e ideias que legitimem o novo padrão de acumulação. Aqui, percebemos os 
postulados do Neoliberalismo que denotam para a desregulação da economia, a liberalização 
do mercado, mínima intervenção estatal, a privatização de empresas estatais. Conforme as 
contribuições de Petras (1997), com o Neoliberalismo, após a década de 1990, se fazem 
necessárias as reformas do Estado a fim de que haja sustentação para as novas exigências 
postas.
A INFLUÊNCIA NEOLIBERAL NA REFORMA DE ENSINO DA DÉCADA DE 
1990
No Brasil, percebemos que desde a década de 1970, já havia resquícios do Neoliberalismo, 
porém foi com o governo de Fernando Henrique Cardoso que a Reforma do Estado passa a ser 
executada de modo efetivo, principalmente após a elaboração do Plano Nacional de Reforma 
do Aparelho do Estado em 1995, com o então ministro Bresser Pereira. Muitas ações foram 
adotadas para a Reforma do Estado, entre elas destacamos as políticas de descentralização 
e responsabilização da sociedade civil nas questões sociais, entre elas a educação. De 
acordo com Viriato (2004), a descentralização é uma estratégia do Estado para se eximir 
das responsabilidades sociais como saúde, moradia, segurança e educação, as quais são 
garantidas na Constituição de 1998. 
Como você pode observar, as reformas educacionais dos anos de 1990 não são especificidades 
do Brasil, mas de toda a América Latina, e foram elaboradas como atendimento às exigências 
neoliberais representadas principalmente nas recomendações de agências internacionais 
23GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
como o Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial e Organização das Nações 
Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
Sobre esse aspecto, vale ressaltar as discussões apresentadas por Shiroma; Moraes; 
Evangelista (2007) que argumentam que, a partir desse contexto, as agências multilaterais 
assumem a educação como fator decisivo para o desenvolvimento econômico dos países 
periféricos e elegem a necessidade de um sistema democrático que favoreça a participação 
da sociedade. 
Assim podemos afirmar que a gestão assimilou as características da administração científica 
de Taylor e Ford, cujas características diz respeito à aplicação de técnicas de planejamento, 
controle e autoridade centralizada. Nessa perspectiva, a gestão implica um caráter formativo e 
neste sentido o papel do gestor está permeado pela ação com foco na coletividade. 
Como você pode observar, essa concepção de gestão foi projetada para a instituição escolar, 
isto fica explícito na Constituição de 1988 que assinala a gestão democrática como um princípio 
na organização do sistema de ensino público e encontrou eco na Lei de Diretrizes e Bases da 
Educação número 9394/96. 
De acordo com esses princípios, muda o papel do pedagogo, ele deixa de ser um especialista 
em supervisão ou orientação escolar e assume a função de coordenar todo o trabalho de 
organização do trabalho pedagógico e também administrativo sem dissociar sua atuação do 
caráter formativo; a este “novo” profissional é atribuída a denominação de pedagogo unitário. 
Nessa dinâmica, é possível verificar que a organização flexível do trabalho exige indivíduos 
capazes de atuar em funções diferentes, é verificável também para a escola e é visivelmente 
observável nas novas atribuições do pedagogo como gestor. Desse modo, podemos afirmar 
que tais engendramentos só podem ser analisados e compreendidos se considerarmos a 
sociedade permeada pela materialidade histórica, nas transformações ocorridas no capitalismo. 
24 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
No contexto escolar, tais ações se concretizam por meio de práticas coletivas de planejamento 
da organização do trabalho pedagógico e da avaliação na instituição como reflexo das 
mudanças advindas.
Gostaríamos aqui de explicitar de modo especial a importância do planejamento enquanto 
processo fundamental para o desenvolvimento de toda atividade, conforme explicita 
Vasconcellos (1995) ao afirmar que um planejamento crítico implica na ratificação de ações 
que almejam a transformação de uma realidade. Partimos de tal pressuposto apontado pelo 
autor supracitado para afirmar que o planejamento está intrinsecamente relacionado à análise 
da realidade.
No contexto educacional brasileiro, especificamente a partir do regime militar, o planejamento 
foi amplamente difundido sob o foco de instrumento de controle e sistematização do sistema 
educativo. Esse modelo de organização técnica foi duramente criticado durante a década 
de 1980 e comparado com a necessidade de um planejamento que contemplasse todas as 
dimensões pedagógicas da escola: o ensino, a aprendizagem e o processo de avaliação 
(LIBÂNEO, 2004). 
Em relação a tais discussões, destacamos as contribuições de Oliveira (1997) ao destacar 
que o momento histórico da referida década estimulou a discussão sobre a necessidade de 
substituição de uma prática voltada para um planejamento centralizador por formas mais 
flexíveis e próximas da realidade educacional. Em concomitância com a disseminação de 
práticas com o foco na gestão participativa, consolida-se a ideia de que o planejamento deveria 
ser discutido enquanto instrumento que reflete as reais necessidades da comunidade escolar. 
Em meio ao movimento de redemocratização do Brasil e do movimento de luta por uma escola 
pública de qualidade, o planejamento participativo passa a ser considerado como o principal 
instrumento que favorece a prática da democracia e o desenvolvimento da consciência crítica 
(LIBÂNEO, 2004). 
25GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICONA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
“A luta pela redemocratização da nação ecoou nas escolas”.
Nesse período, observamos que a nação brasileira se organizava em movimentos em prol da 
consolidação de uma sociedade de fato democrática, ao passo que as demandas impostas pela 
crise do capital se expressavam por meio da reestruturação produtiva da sociedade capitalista. 
Diante desse contexto, o Estado brasileiro, sob a égide das agências internacionais, se 
mobilizou para a elaboração de mecanismos que atendessem aos dois grupos. Foi assim que 
o discurso da defesa pela escola pública com qualidade, a gestão democrática, a autonomia, 
descentralização, entre outras foram ressignificadas para atender às necessidades advindas 
da nova fase do capitalismo marcadas pela acumulação flexível (VEIGA, 2005).
Bem, sabemos que o planejamento coletivo só se efetiva por meio da gestão democrática. 
Entretanto, precisamos superar a visão ingênua e creditar nossa análise do discurso de defesa 
na participação da sociedade a qual está ligada aos processos de descentralização que estão 
em consonância com as orientações neoliberais para a reforma educacional. Desta forma o 
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26 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
governo lança mão de planos que se vinculam ao discurso da gestão democrática tais como 
o Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), o Programa Nacional de Fortalecimento de 
Conselhos Escolares, Plano de Mobilização Social pela Educação, entre outros que expressam 
o discurso da responsabilidade da sociedade civil na consolidação de uma escola pública de 
qualidade.
A GESTÃO DEMOCRÁTICA NO COTIDIANO ESCOLAR
De acordo com as contribuições de Vitor Paro (2006), gestão democrática favorece a 
participação da comunidade e esta não deve se restringir à eleição de diretores, mas ao 
acompanhamento efetivo de todas as ações pedagógicas. Neste processo, o Projeto Político-
Pedagógico (PPP) se constitui em um importante instrumento que favorece a ratificação do 
processo democrático. O envolvimento da comunidade escolar nas discussões pertinentes ao 
contexto educacional por meio do Projeto Político-Pedagógico deve refletir o compromisso e a 
corresponsabilidade nas metas e objetivos.
É importante destacar as contribuições do professor Libâneo (2004) que enfatiza que o PPP 
se constitui em um importante instrumento que contribui para a superação de um modelo 
tecnicista e a concretização de uma prática progressista que explicite a participação de sujeitos 
críticos com competência de atuar criticamente na escola e na comunidade. 
Queremos aqui explicitar a atuação do pedagogo como gestor, cujo papel privilegia a 
participação de professores, funcionários, alunos e pais que discutem e propõem o trabalho 
pedagógico que supere os conflitos e autoritárias e que, sobretudo, promovam a mudança de 
uma estrutura escolar fundamentada na fragmentação.
Neste contexto, percebemos que a atuação do pedagogo como gestor nas práticas coletivas de 
planejamento, na organização do trabalho pedagógico e na avaliação favorece a consolidação 
de uma escola comprometida com o papel político e social.
27GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
“O trabalho coletivo e o envolvimento de todos é fundamental para a consolidação da Gestão 
democrática”.
Deste modo, prezado(a) aluno(a), podemos concluir que o papel do gestor precisa ser 
ressignificado a fim de superar a visão fragmentada entre administrativo e pedagógico. 
Acerca dessa questão, o pedagogo como gestor tem um papel importante na superação da 
reprodução das relações capitalistas e no favorecimento do debate e da reflexão. 
Podemos nos valer da contribuição de Jamil Cury (2005, p.21) e respondermos que “o que já 
existe legalmente em matéria de Gestão Democrática é uma substância necessária para sua 
efetivação, contudo ainda não é suficiente”. É necessário exercitar a cidadania e extrapolar a 
exigência meramente burocrática, romper a visão ingênua, acrítica e legalista, afinal tais leis 
demonstram claramente a não neutralidade da educação. 
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28 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Finalmente, ressaltamos a amplitude do nosso papel frente ao desafio de consolidar 
uma educação de qualidade, capaz de pensar criticamente o conhecimento científico e, 
consequentemente, as relações sociais postas. Eis nossa grande missão, consolidar uma 
educação capaz de formar cidadãos críticos capazes de atuarem na construção de uma 
sociedade mais justa e igualitária.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Prezado(a) aluno(a), você deve ter observado que as reflexões desta primeira unidade 
apresentaram um resgate histórico da atuação do pedagogo no Brasil que sofreu e sofre 
influência direta do modo de organização das relações do mundo do trabalho. Outro ponto 
importante destacado diz respeito às especificidades do papel do pedagogo frente ao desafio 
de organizar o trabalho docente na perspectiva da Gestão Democrática.
Assim, concluímos que o modelo atual de gestão foi construído ao longo da história e que o 
modo de produção vigente e as relações de trabalho interferem de modo significativo na forma 
de organização do contexto educacional.
As exigências atuais trazem o foco da Gestão Democrática como principal instrumento de 
Gestão Escolar, eis nosso desafio, compreender todos os aspectos da Gestão democrática a 
fim de que a organização do trabalho escolar aconteça de modo crítico e coerente.
29GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Indicação de leitura:
KUENZER,	A.	Z.	As	mudanças	no	mundo	do	trabalho	e	a	educação:	novos	desafi	os	para	a	gestão.	In: 
FERREIRA, N. S. C. (org.). Gestão democrática da educação: atuais	tendências,	novos	desafi	os.	
São Paulo: Cortez, 2001, pp. 33-57.
Este livro contribui nas investigações do âmbito da gestão democrática da educação. Visa participar 
do debate sobre as questões candentes da educação na contemporaneidade, prioritariamente das 
políticas de formação, reunindo as contribuições mais atuais que inquietam os educadores.
Disponível em: <http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/3736507/gestao-democratica-da-educa-
cao-atuais-tendencias-novos-desafi	os-7-ed-2011/?PAC_ID=23736>.	Acesso	em:	4	de	abr.	2012
A	gestão	democrática	da	educação	não	se	 tornará	efetiva	somente	pela	afi	rmação	de	princípios	e	
mudanças de normas. A nova prática precisa estar fundamentada num novo paradigma de educação, 
já tão proclamado por educadores como Anisio Teixeira, Paulo Freire, entre tantos outros: o da educa-
ção	emancipadora.	E	aqui	está	o	grande	desafi	o:	a	democracia,	que	é	exercício	efetivo	da	cidadania,	
pressupõe a autonomia – das pessoas e das instituições. Educação emancipadora e gestão democrá-
tica são indissociáveis, sem o que estaríamos trabalhando numa contradição intrínseca. Escolas, 
profi	ssionais	da	educação	e	estudantes	privados	de	autonomia	não	terão	a	condição	essencial	para	
exercer uma gestão democrática, de promover uma educação cidadã.
A abordagem da gestão democrática da educação pública passa pela sala de aula, pelo projeto políti-
co-pedagógico, pela autonomia da escola. 
Genuíno Bordignon
30 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Fonte:	 <http://tvbrasil.org.br/fotos/salto/series/151253Gestaodemocratica.pdf>.	 Acesso	 em	 4	 abr.	
2012.
Fonte:	 <http://tvbrasil.org.br/fotos/salto/series/151253Gestaodemocratica.pdf>.	 Acesso	 em	 4	 abr.	
2012.
Entrevista: leia com atenção a entrevista realizada com o pesquisador e professor Luiz Dourado, 
realizada em 2 de julho de 2009.
Atuação:Professor titular da Universidade Federal de Goiás
Obras: Políticas e gestão da educação superior a distância: novos marcos regulatórios? Educação e 
Sociedade, v. 29, pp. 891-917, 2008; Políticas e gestão da educação básica no Brasil: limites e pers-
pectivas. Educação e Sociedade, v. 28, pp. 921-946, 2007; Conselho Escolar, gestão democrática da 
educação e escolha do diretor. Brasília-DF: MEC/SEB, 2004.
Grandes Temas da Educação Nacional
Salto – Quais são os grandes temas da educação brasileira hoje?
Luiz Dourado – Historicamente, e também atualmente, os grandes temas estão diretamente ligados à 
questão da qualidade da educação, à universalização da educação, à gratuidade do ensino. E, ainda, 
temas	ligados	à	formação	e	à	valorização	dos	profi	ssionais	da	educação,	ao	fi	nanciamento	e	à	gestão	
democrática. Ou seja, são temas atuais e históricos que não têm sido muito bem trabalhados ao longo 
da história da educação do Brasil.
Salto – Desde que se pensa educação no Brasil estes temas estão em pauta e continuam sendo um 
desafi	o	para	quem	atua	nesse	campo?
Luiz	Dourado	–	São	desafi	os	porque,	na	verdade,	para	se	pensar	a	educação	temos	que	pensar	na	
sua	qualidade,	no	seu	fi	nanciamento	e	na	extensão:	é	uma	educação	para	todos?	É	educação	para	
uma parcela da população? Vamos garantir educação básica e superior ou somente educação bási-
ca?	Esses	temas	se	colocam	historicamente	como	desafi	os	para	a	educação	nacional.
Salto	–	É	importante	que	a	sociedade	se	mobilize	para	discutir	o	fi	nanciamento	da	educação	e	
os modelos de gestão escolar?
Luiz Dourado – De fato, pensar a educação nacional implica tornar essa questão uma questão nacio-
nal, uma questão de toda a sociedade, envolvendo toda a sociedade na discussão da educação, da 
qualidade	e	do	fi	nanciamento.	Quer	dizer,	quais	os	limites	que	se	colocam	para	isso?	Porque	há	uma	
discussão ainda pequena, mas já se avançou na questão da qualidade, e as outras temáticas quase 
não	fazem	parte	dessa	agenda.	Para	se	pensar	a	qualidade,	nós	precisamos	pensar	fi	nanciamento,	
precisamos ampliar os recursos da educação, precisamos melhorar as formas de gestão. E o envolvi-
mento da sociedade com essas temáticas é fundamental.
31GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Salto – No caso da gestão escolar, também é a mesma coisa?
Luiz Dourado – Gestão, certamente. Pensar processos que contem com a participação de professo-
res, de estudantes, de pais, de funcionários é crucial. É necessário pensar as dinâmicas, as formas 
de organização e gestão da escola, contando com processos de participação direta dos envolvidos na 
própria escola e seu entorno.
Salto – É possível que falte para a sociedade a percepção de que estes temas estão diretamente 
direcionados à ideia de qualidade?
Luiz Dourado – Na verdade, o que há é uma necessidade de se ampliar a agenda da discussão da 
educação	nacional.	Discutir	a	melhoria	da	escola	pública	implica	discutir	a	melhoria	do	financiamento,	
as formas de organização e gestão dessa escola. Este envolvimento de pais, de estudantes, de fun-
cionários e de professores é vital. Mas é necessário que essa temática seja uma temática de toda a 
sociedade brasileira, que ela ultrapasse o horizonte das escolas públicas, que seja pensada enquanto 
dinâmica para toda a educação nacional.
Salto – O Brasil ainda não possui um sistema nacional de educação e essa é uma discussão 
também bem atual. Quais seriam os principais benefícios que a implementação desse sistema 
poderia trazer?
Luiz Dourado – A primeira questão a mencionar é que o Brasil tem uma forma de organização descen-
tralizada, mas ainda marcada por dinâmicas de centralização. Um sistema nacional articulado a uma 
regulamentação do regime de colaboração entre os entes federados, ou seja, entre União, estados, 
Distrito Federal e municípios, garantiria o estabelecimento de diretrizes comuns, e essa seria uma 
atividade básica do sistema nacional, que possibilitaria a elaboração de subsistemas, envolvendo ava-
liação;	financiamento;	formação	e	valorização	docente;	gestão	democrática.	Daí	as	condições	para	se	
efetivar no Brasil uma descentralização com um nível de articulação nacional. Eu acho que esse é o 
esforço e isso certamente resultaria numa melhoria dos próprios processos de organização e gestão 
das instituições educativas, dos próprios sistemas, e terá um impacto na qualidade educacional e, 
portanto, no aprendizado e no sucesso dos estudantes, o que é a função básica de uma instituição 
educativa e desejo de toda sociedade.
Salto	–	Você	disse	que	o	Brasil	tem	a	lógica	de	uma	gestão	descentralizada	dos	sistemas,	mas	
ainda marcada por ações de centralização, por exemplo?
Luiz Dourado – Isso tem a ver com a natureza patrimonial do próprio Estado brasileiro: temos um 
sistema descentralizado, mas não temos a regulamentação do regime de colaboração que daria as 
bases para a ação de União, estados, Distrito Federal e municípios. Isso acontece quer ao sabor do 
momento político, quer ao sabor do conjunto de interesses. Se nós tivéssemos um sistema, isso seria 
objeto de uma deliberação coletiva, mas certamente possibilitaria uma estrutura de desconcentração. 
O que é a desconcentração? É você repassar um conjunto de atribuições e, necessariamente, não 
garantir	um	financiamento.	Um	exemplo	que	eu	poderia	citar	foi	o	da	municipalização,	que	no	Brasil	
se caracterizou muito mais como “prefeiturização”, os municípios tendo que assumir um conjunto de 
novos encargos, não só do Ensino Fundamental, que já era seu encargo, mas também a educação 
32 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
infantil, sem uma correspondência de recursos. Uma política nacional como foi o FUNDEB, que é um 
fundo contábil para a educação básica, de certa forma já estabelece novas relações nisso que eu cha-
mo de processo de efetiva descentralização. Um FUNDEB articulado ao sistema nacional certamente 
criaria uma outra condição política de ação entre os entes federados. Para melhorar a educação 
nacional não basta a ação da União, não basta a ação de estados e Distrito Federal e municípios, tem 
que ser o projeto nacional integrado.
Salto – Hoje a responsabilidade pela oferta da educação básica é compartilhada, é dividida 
por	estes	três	níveis,	essas	três	esferas	governamentais	(União,	estados	e	Distrito	Federal	e	
municípios). Como é que funciona essa articulação?
Luiz Dourado – Concretamente compete a estados e municípios, ao município particularmente, a 
oferta do ensino fundamental. Compete a estados e municípios o ensino médio, a complementação 
do ensino fundamental e a educação infantil nesse contexto, o que compõe as etapas da educação 
básica. Nós diríamos que essa é uma prerrogativa de estados e municípios no tocante à oferta, mas 
quando	pensamos	a	educação	nacional,	nós	temos	que	pensar	a	oferta	e	seu	financiamento.	Nós	te-
mos também uma ação da União sobre o ensino, sobretudo a partir do FUNDEB, que foi esse fundo de 
natureza contábil, que leva a uma repartição desses recursos, a União entra com a complementação 
de recursos. O que nós precisamos é, na verdade, avançar no tocante aos percentuais da educação 
nacional e ter uma melhor distribuição desses recursos, ou seja, um aprimoramento cotidiano do 
FUNDEB, já que este fundo cria uma possibilidade de contribuir com a superação das desigualdades 
educacionais no país.
Salto	–	E	o	que	mudaria	na	articulação	dessas	três	esferas	governamentais	com	um	sistema	
nacional de educação?
Luiz Dourado – Acredito que se cria uma possibilidade histórica nova, no fato de nós termos o sistema 
nacional lidando com as normas que seriam comuns às vinte e sete unidades federativas e se desdo-
brando nos mais de cinco mil, quinhentos e sessenta municípios. E as possibilidades concretas de ar-
ticulação desse sistema nacionalcom sistemas próprios, com sistemas estaduais e municipais, onde 
houver. De modo que nós tivéssemos, no caso brasileiro, de maneira mais orgânica, a articulação da 
educação nacional sem prejuízo de questões físicas, quer seja de estados, quer seja de municípios. 
O sistema nacional congregaria e permitiria, a meu ver, na verdade, a construção de uma outra pos-
sibilidade,	no	sentido	de	haver	realmente	colaboração	entre	os	entes	federados,	além	da	definição	
dessas	diretrizes	nacionais	e,	ainda,	seus	desdobramentos	nas	diretrizes	específicas	de	cada	estado	
e município, que teriam um avanço nos processos de organização e gestão da educação nacional.
Salto	–	No	Salto	para	o	Futuro	já	fizemos	algumas	séries	discutindo	a	temática	da	gestão	de-
mocrática	das	escolas.	Como	você	analisa	essa	questão?	E	por	que	parece	tão	desafiador	para	
as escolas brasileiras implementar práticas e processos democráticos?
Luiz Dourado – Essa é uma questão crucial: como pensar uma escola que seja pública, uma escola 
que de fato partilha coletivamente da sua construção? Se nós considerarmos os textos legais - a pró-
pria Constituição Federal, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, o Plano Nacional - todos 
33GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
eles têm uma convergência, a defesa do princípio da gestão democrática. Compete aos sistemas de 
ensino, aos respectivos sistemas de ensino, regulamentar a gestão democrática. Isso tem implicações 
das mais diferenciadas, mas a questão crucial, central, é garantir uma efetiva participação de pais, 
estudantes, professores e funcionários na construção do destino dessa própria unidade escolar. Isso 
implica discutir questões como avaliação, questões como a limpeza da unidade de escolar, como 
organização dos horários, quer dizer, um conjunto de questões diretamente vinculado à tradição ou 
à lógica organizativa da escola. Mas implica, também, vivenciar mecanismos de efetiva participação 
como colegiados, conselhos escolares, grêmios estudantis, espaço de participação dos estudantes, 
modalidades de escolha de dirigentes, como a eleição direta para diretores, que tem sido implemen-
tada em vários estabelecimentos. E, mais recentemente, aqui no Rio de Janeiro nós temos essa 
vivência no Instituto de Educação, uma instituição histórica, uma instituição de grande prestígio na 
área educacional e que agora começa a vivenciar também processos democráticos, como a escolha 
de dirigentes. A gestão democrática é fundamental na medida em que ela contribui para ampliar os 
processos de participação, saindo de uma participação tutelada, restrita e funcional para uma efetiva 
participação. Só teremos uma escola que contribua para a formação de sujeitos críticos, criativos, se 
nós tivermos a participação desde a educação infantil.
Salto – Vamos falar sobre o Plano Nacional de Educação. O Plano completa dez anos em 2010, 
e um novo plano deve começar a ser elaborado ao longo do próximo ano, para que entre em 
vigor no início de 2011. As metas previstas no atual PNE foram atingidas?
Luiz Dourado – É importante chamar a atenção para o fato de que o Plano Nacional de Educação 
foi objeto de embates na sua consolidação e, logo após a implementação do plano, ou seja, na sua 
aprovação, numa perspectiva de implementação, ele sofreu sérios cortes e esses cortes se deram nos 
vetos do Governo Federal, na época, todos eles diretamente ligados a uma perspectiva de expansão 
e,	portanto,	ao	financiamento.	O	Plano	Nacional	já	nasceu	com	limites	estruturais	no	tocante	ao	seu	
financiamento	e	isso	iria	repercutir	no	cumprimento	das	metas.	Mas,	além	disso,	ele	apresenta	limites	
na própria estruturação de metas, que são extremamente amplas, que são pouco factíveis de acom-
panhamento no tocante à sua avaliação.
Salto – Amplas no sentido de ambiciosas, é isso?
Luiz Dourado – Não, amplas na própria formulação. Mas nós temos também metas que são metas am-
biciosas, e isso é importante em termos de um Plano de Estado. No fato de estabelecer marcos para 
se garantir, por exemplo, a expansão educativa, o Plano Nacional avança ao sinalizar, por exemplo, a 
ampliação ao atendimento à educação infantil, à universalização do ensino fundamental, à ampliação 
progressiva	do	ensino	médio,	bem	como	a	expansão	da	educação	no	ensino	superior.	Mas,	como	fiz	
referência, os vetos cortaram alguns desses projetos ambiciosos, ou dessas metas ambiciosas, por 
exemplo, a relativa expansão do ensino superior público foi um item vetado. Eu acompanho e coor-
deno um grupo que avalia o Plano Nacional de Educação e foi possível evidenciar que nós tivemos 
alguns avanços, inclusive no tocante a políticas federais implementadas, sobretudo, a partir de 2003, 
com a tentativa de se buscar ações mais articuladas. Agora, a ação do plano tem muito a ver com 
ações de estados e municípios, sobretudo no tocante à educação básica, porque são estes dois entes 
responsáveis, hegemonicamente, pela oferta da educação básica articulada ao setor privado e a uma 
34 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
parcela pequena do setor federal, que também atua na educação básica, mas mais de 80% são seto-
res públicos estaduais e municipais. Muitas dessas metas agora precisam ser discutidas numa pers-
pectiva de construção de outro Plano com vigência de dez anos, de 2011 a 2021. Então, é o momento 
de	avançar	nessas	metas	e	fazer	uma	retrospectiva	histórica,	identificando	quais	foram	as	metas	que	
já foram atingidas. Algumas dessas metas já foram atingidas, outras se colocam como necessárias. 
Eu destacaria, particularmente, a necessidade de avançar nas perspectivas da gestão democrática, 
em	novos	patamares	de	financiamento	da	educação,	em	políticas	mais	orgânicas	para	formação	e	
valorização	dos	profissionais	da	educação	e	a	discussão	da	qualidade,	que	se	articula	à	gestão	de-
mocrática, aos projetos político-pedagógicos. A articulação dessas questões, certamente, deverá ser 
objeto	de	definição	no	tocante	às	diretrizes	e	metas	do	próximo	Plano	Nacional	de	Educação.
Salto	–	Você	 falou	do	papel	 fundamental	dos	estados	e	municípios,	entes	responsáveis	por	
cerca de 80% da oferta da educação básica no país. O Plano Nacional de Educação tem força 
de lei, no entanto, não previa sanções para os estados e municípios que não cumprissem as 
metas estabelecidas pelo plano. Na sua opinião, isso de alguma forma enfraqueceu o PNE?
Luiz Dourado – Certamente isso se colocou como limite, quer dizer, como ausência de acompanha-
mento no tocante à implementação das metas. O Plano Nacional não reverberou como se esperava 
nos estados e municípios, com a construção coletiva de planos estaduais e planos municipais. Pou-
quíssimos estados construíram planos estaduais e ainda um número mais reduzido de municípios o 
fez, então isso já é um limite. Para pensar ou encaminhar ações para que essas questões se efetivem 
há a necessidade de que o próximo plano tenha um sistema de planejamento, acompanhamento e 
avaliação, de modo que possa, na sua construção, ser pactuado com esses entes federados e, na sua 
execução, ser acompanhado pari passu, inclusive dando sinalizações, exigindo o cumprimento daqui-
lo que foi deliberado em termos de uma matéria nacional, como é o Plano Nacional de Educação. Acho 
que faltou de fato acompanhamento, quer dizer, um acompanhamento que resultasse num feedback, 
uma resposta a estados e municípios, de modo a se avançar no tocante às metas preconizadas pelo 
Plano Nacional de Educação.
Salto	–	Outro	ponto	é	a	questão	do	financiamento.	Alguns	especialistas	defendem	que	10%	
do	Produto	Interno	Bruto	do	país	sejam	destinados	ao	financiamento	da	educação,	como	uma	
forma de superar as dívidas sociais históricas, que são características aqui do Brasil. Qual é o 
percentual investido hoje, e na sua opinião qual seria o ideal?Luiz Dourado – Essa questão do percentual é interessante, porque nós temos uma controvérsia no 
campo. É um dos vetos do antigo plano, do plano em vigor, melhor dizendo, refere-se exatamente a 
essa ampliação dos percentuais para a educação nacional, mas há uma controvérsia. Depende um 
pouco da análise, mas nós estaríamos entre 4 e 5% do Produto Interno Bruto hoje, em termos de 
referência.	Eu	tendo	a	ratificar	essa	demanda	dos	10%	do	Produto	Interno	Bruto,	sabendo	que	isso	
tem que se dar de modo paulatino, mas há uma necessidade de investimento maciço em educação, 
para que nós possamos alterar o quadro atual. Não é um quadro somente de problema de gestão, 
nós precisamos de um aprimoramento no tocante ao uso dos recursos, mas há ausência de recur-
sos. Então, há a necessidade de se implementar, de se ampliar esses percentuais para a educação 
nacional, vinculando ao novo Plano Nacional de Educação. Isso faria uma diferença muito grande e, 
35GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
certamente, depois de um período com esse percentual de 10%, nós teríamos a possibilidade de fazer 
como	outros	países	fizeram,	que	é	a	redução	desses	percentuais.	Mas	hoje	há	uma	necessidade,	em	
função da desigualdade das condições objetivas em que se encontra a educação do país, de investir 
em educação, investir em ampliar os percentuais para a educação nacional. Isso certamente dará um 
retorno para toda a sociedade, por isso é que deve ser uma defesa da sociedade civil e da sociedade 
política.	Entender	isso	significa	estabelecer	novas	possibilidades	de	articulação	das	políticas	de	de-
senvolvimento do país. É claro que a educação não é a única alavanca da transformação social, mas 
certamente que a transformação social e os seus processos de mudança não se efetivam sem um 
efetivo investimento na educação nacional.
Salto – Como todas essas questões que nós discutimos estarão presentes na CONAE (Confe-
rência	Nacional	de	Educação),	que	vai	acontecer	em	2010?
Luiz Dourado – É muito interessante, porque nós estamos em 2009 vivenciando conferências munici-
pais, intermunicipais e teremos também conferências estaduais que vão preparar para esta conferên-
cia nacional. E nessa conferência nacional estão em pauta temáticas de grande relevância que nós 
discutimos	aqui	como:	o	financiamento;	a	questão	de	controle	social,	uma	vez	que	não	basta	ter	os	
recursos, há que se ter o acompanhamento e o controle desses recursos; a articulação entre forma-
ção,	valorização	e,	portanto,	profissionalização	de	professores,	funcionários,	técnicos	administrativos;	
a questão da gestão democrática; a qualidade entendida como qualidade socialmente referenciada; 
a ampliação da educação, a educação para todos, o que implica uma universalização; a extensão da 
obrigatoriedade – há, inclusive, projetos, hoje, de se estender a obrigatoriedade para além do ensino 
fundamental, sendo a obrigatoriedade de cinco aos dezessete anos, o que faria uma diferença enor-
me, porque nós teríamos aí uma possibilidade de garantia de escolarização para uma parcela maior 
da sociedade brasileira. Além desses temas, a questão da justiça social, que é fundamental, nós so-
mos um país marcado pela desigualdade social, então, precisamos avançar no campo da educação, 
mas precisamos avançar também no campo dos direitos sociais mais amplos, nós precisamos romper 
com essa desigualdade estrutural do país. A distribuição de renda, que é um ponto fundamental, e 
uma reforma tributária, que também articule o conjunto das políticas sociais, podem interferir na lógica 
da educação nacional. Por isso, eu quero dizer que pensarmos política para educação implica pen-
sar essas políticas articuladas a macropolíticas para o Estado brasileiro. E, no campo da educação, 
ratifico	a	necessidade	de	avançarmos	na	questão	da	gestão	democrática,	em	novos	patamares	do	
financiamento	da	educação,	nesse	percentual	de	10%	para	a	educação	nacional,	como	um	desafio	do	
Estado brasileiro, da sociedade brasileira, de garantir a regulação do setor privado, de modo que esse 
setor privado possa implementar as suas ações, mas também com um padrão de qualidade. E garantir 
também um padrão de qualidade para o setor público. E, sobretudo neste país, nós vamos avançar 
se nós tivermos, cada vez mais, uma escola pública e popular, ou seja, uma escola pública que possa 
estabelecer políticas universais, mas que tenha por centralidade, no seu trabalho, as classes mais 
desfavorecidas socialmente, porque este é o lócus, é o espaço privilegiado para isto. Mas a escola 
pública é de todos e, nesse sentido, é muito importante também a participação dos setores médios na 
escola pública, ou seja, que essa construção, que essa escola pública popular seja uma escola pública 
com a feição brasileira, a feição de um Estado democrático, um Estado de direito e, certamente, um 
Estado	que	venha	a	 romper	com	a	concentração	de	 renda.	Os	desafios	são	enormes,	por	 isso	os	
36 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
grandes temas da educação nacional devem ser os grandes temas da sociedade brasileira, na Igreja, 
na família, na escola, nos diferentes espaços, porque a educação não acontece somente na instituição 
educativa, ela tem na instituição educativa um espaço sistemático. Construir uma nova educação no 
país, efetivar novos marcos implica a participação de todos, buscando a formação de uma nova con-
cepção, uma concepção ampla de educação, de homem e de sociedade. 
Indicação de leitura:
LIBÂNEO, J. C. Organização e gestão da escola: teoria e prática. 3. ed. Goiânia: Alternativa, 2001.
O livro “ Organização e Gestão da Escola - Teoria e Prática” de José Carlos Libâneo, nos quatro pri-
meiros	capítulos	discute	os	objetivos,	funções	e	critérios	de	qualifi	cação	das	escolas	e	da	situação	do	
professor	quanto	profi	ssional.
Disponível	em:	<http://www.skoob.com.br/livro/93675>.	Acesso	em	4	abr.	2012.
Assista aos vídeos para enriquecer seus conhecimentos acerca dos assuntos estudados:
<http://tvescola.mec.gov.br/index.php?option=com_zoo&view=item&item_id=3848>.
<http://tvescola.mec.gov.br/index.php?option=com_zoo&view=item&item_id=3849>.
<http://tvescola.mec.gov.br/index.php?option=com_zoo&view=item&item_id=3852>.
<http://tvescola.mec.gov.br/index.php?option=com_zoo&view=item&item_id=3853>.
<http://tvescola.mec.gov.br/index.php?option=com_zoo&view=item&item_id=3854>.
37GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
ATIVIDADE DE AUTOESTUDO
1. Pesquise na Lei de Diretrizes e Bases da Educação 9394/96 o artigo que se refere à Ges-
tão Democrática e registre o que esta tão importante Lei diz sobre a organização escolar.
2. A partir das discussões realizadas, escreva sobre a relação entre o mundo do trabalho e 
o papel do pedagogo.
3. Sabemos que a descentralização e a autonomia são propostas das políticas públicas da 
década de 1990. Escreva sobre o sentido da autonomia que deve respaldar uma concep-
ção de Gestão democrática. 
4. Escreva sobre a relação entre diálogo, autoridade e Gestão Democrática.
UNIDADE II
FUNDAMENTOS E INSTRUMENTOS DE 
CONSOLIDAÇÃO DA GESTÃO DEMOCRÁTICA
Professora Me. Adriana Salvaterra Pasquini
Professoraª Me. Marcia Maria Previato de Souza
Objetivos de Aprendizagem
•	 Conhecer os fundamentos teóricos e legais da Gestão Democrática.
•	 Analisar as instâncias Colegiadas enquanto instrumentos de participação coletiva.
•	 	 Refletir	sobre	a	função	política	das	Instâncias	Colegiadas	na	instituição	escolar.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
•	 Fundamentos Teóricos e Legais da Gestão Democrática
•	 As Instâncias Colegiadas e sua importância na Gestão Democrática
•	 	 As	 especificidades	 das	 Instâncias	 Colegiadas:Conselho	 Escolar,	 APMF,	
Conselho	de	Classe	e	Grêmio	Estudantil
41GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
INTRODUÇÃO
Prezado(a) aluno(a), como você deve ter observado, na primeira unidade realizamos um 
resgate histórico da atuação do pedagogo no Brasil que sofre influência direta do modo 
de organização das relações do mundo do trabalho. Outro ponto importante destacado diz 
respeito às especificidades do papel do pedagogo frente ao desafio de organizar o trabalho 
docente na perspectiva da Gestão Democrática.
Para aprofundarmos nossa discussão acerca da atuação do pedagogo na gestão escolar, 
discutiremos os fundamentos teóricos que respaldam a consolidação da Gestão Democrática. 
As Instâncias Colegiadas são instrumentos que compõem as especificidades de uma 
instituição pautada na Gestão Democrática e também constituem o foco dos nossos estudos 
nesta segunda unidade.
Outro aspecto de suma importância para avançarmos nos nossos estudos diz respeito às 
especificidades existentes entre a Gestão Escolar e a Gestão Educacional, ações distintas, 
porém, complementares.
Para finalizar as discussões desta unidade, analisaremos a atuação da equipe diretiva frente 
ao desafio do trabalho coletivo, que influencia de modo direto na Gestão Escolar.
Agora, avancemos no nosso estudo rumo ao aprofundamento científico.
42 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
“A Gestão Democrática envolve a participação de todas as pessoas envolvidas no processo de ensino 
e aprendizagem”.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E LEGAIS DA GESTÃO DEMOCRÁTICA
A Constituição Federal de 1988 dispõe no artigo 205 que o trabalho conjunto entre Estado e 
família norteará a educação pública brasileira. No artigo 206, inciso IV, a Constituição Federal 
prevê: “a gestão democrática na forma de lei e apresenta os princípios sobre os quais se darão 
a educação formal no Brasil” (BRASIL, 1988). 
A partir de então, vários setores da sociedade civil se mobilizaram em prol da formulação da 
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e:
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43GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, com destaque para o Fórum Nacional em 
defesa da escola Pública. Após sucessivos impasses, a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) foi 
aprovada em 20 de dezembro de 1996 – Lei nº 9394/96. 
A referida lei apresenta no artigo 3º a seguinte redação:
Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; 
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte 
e o saber;
III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas;
IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância;
V - coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
VI - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
VII - valorização do profissional da educação escolar;
VIII - gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos 
sistemas de ensino;
IX - garantia de padrão de qualidade;
X - valorização da experiência extra-escolar;
XI - vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais.
Como você pôde perceber a LDB 9394/96 tornou em letra de lei os anseios da sociedade civil 
da década de 1980, que “gritavam” por uma educação pública de qualidade e democrática.
É importante destacar, caro estudante, que a Gestão Democrática é o processo político por 
meio do qual todas as pessoas envolvidas no processo de ensino e aprendizagem discutem, 
deliberam, planejam, solucionam problemas, bem como o conjunto das ações voltadas ao 
desenvolvimento da própria escola. Esse processo tem como sustentáculo a participação 
efetiva de todos os segmentos da comunidade escolar: alunos, professores, funcionários, pais 
e demais segmentos, tais como, moradores do bairro no qual a escola se insere. As ações 
são definidas por meio de planejamento que considera o respeito às normas coletivamente 
44 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
construídas para os processos de tomada de decisões e a garantia de amplo acesso às 
informações aos sujeitos da escola.
A gestão democrática entendida como ação que prevê a descentralização pedagógica 
e administrativa como um meio para alcançar a autonomia da escola, deseja e implanta 
o funcionamento de colegiados que garantam uma participação mais decisória dos 
protagonistas escolares (FONSECA; OLIVEIRA; TOSCHI, 2004, p.62).
Ao analisarmos a etimologia da própria Democracia, percebemos que a mesma, deriva-se de 
dois termos gregos; demos= povo e kratia = governo.
Como você constatou o termo Democracia significa o governo do povo. Na percepção grega 
clássica, a democracia indicava um governo gestado pelo povo.
Infelizmente, mesmo em uma nação denominada Democrática, percebemos o autoritarismo 
como a principal baliza dos governos políticos, e que o que se pretende na maioria das vezes é 
a satisfação plena de uma minoria. Uma vez que na escola se repetem as ações da sociedade, 
é comum observarmos diretores, professores e funcionários que muitas vezes atuam de modo 
pouco democrático.
É possível perceber que a Democracia implica consideração pela cidadania, ou seja, o direito 
de exercer seu papel de cidadão. Aqui, realizo a você os seguintes questionamentos: O QUE 
É SER CIDADÃO? TODAS AS PESSOAS PODEM SER CONSIDERADAS CIDADÃS? 
Historicamente, o termo cidadania foi usado na Roma antiga para indicar a situação política 
de uma pessoa e os direitos que essa pessoa tinha ou podia exercer. Segundo Dalmo Dallari 
(1998, p.14):
A cidadania expressa um conjunto de direitos que dá à pessoa a possibilidade 
de participar da vida e do governo de seu povo. Quem não tem cidadania está 
marginalizado ou excluído da vida social e da tomada de decisões, ficando numa 
posição de inferioridade dentro do próprio grupo social.
Para aprofundar esta questão, ressaltamos a definição do sociólogo Herbert de Souza (1994) 
45GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
que também define cidadãos como pessoas que têm consciência de seus direitos e deveres 
e, por isso, participam, de uma ou outra
maneira, de todas as ações e decisões de uma sociedade, tomando conhecimento de tudo 
o que acontece no mundo, no seu país, no seu bairro, uma vez que tudo, em certo sentido, 
interfere em suas vidas. Ou seja, cidadão é todo indivíduo que, conhecedor de seus direitos 
e deveres, cumpre seus deveres e luta para que os seus direitos e os direitos da coletividade 
sejam respeitados. Desse modo, podemos inferir que nem todas as pessoas exercem sua 
cidadania.
A Gestão Democrática só é possível por meio da interação entre a escola e a comunidade 
onde a instituição está inserida, ou seja, é por meio do exercício da cidadania pautado na 
participação dos vários segmentos da sociedade na administração escolar, que a gestão 
democrática se efetiva.
É importante destacar que o foco da escola é o conhecimento científico, deste modo todo 
esforço na implementação de uma gestão democrática não pode perder de vista a função 
social da escola, conforme nos adverte os autores:
A organização e gestão são meios para atingir as finalidades do ensino. É preciso ter 
clareza de que o eixo da instituição escolar é a qualidade dos processos de ensino e 
aprendizagem que, mediante procedimentos pedagógico-didáticos, propiciam melhores 
resultados de aprendizagem. São de pouca valia inovações como gestão democrática, 
eleições para diretor, introdução de modernos equipamentos e outras, se os alunos 
continuam apresentando baixo rendimento escolare aprendizagens não consolidadas 
(LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2006, p.301).
Caro(a) aluno(a), é importante destacar que muitas vezes falamos em Gestão Educacional 
e Gestão Escolar como se fossem sinônimos. Mas não é bem assim. Veja bem, existem 
especificidades entre Gestão da Educação e Gestão Escolar. Quando falamos em Gestão 
da Educação, fazemos referência ao aspecto mais amplo, ou seja, das políticas públicas que 
envolvem o setor educacional, bem como todas as ações provenientes do Estado. Agora, 
46 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
quando faço referência à Gestão Escolar, refiro-me ao aspecto micro, e não menos importante, 
da gestão. Aqui envolvemos todos os encaminhamentos dados no âmbito escolar.
A ratificação da Gestão Democrática na escola se dará por meio de alguns elementos básicos: 
a) Constituição do Conselho escolar.
b) Elaboração do Projeto Político-Pedagógico de maneira coletiva e participativa.
c)	 Definição	e	fiscalização	da	verba	da	escola	pela	comunidade	escolar;	divulgação	e	trans-
parência na prestação de contas.
d) Avaliação institucional das ações realizadas na e pela escola, com a participação de todos.
e) Eleição direta para diretor(a).
É importante destacar que não obstante ao processo de reorganização do Modus operandi 
iniciado na década de 1980 e fortalecido na década de 1990, as formas de gestão escolar, 
respaldadas pelas políticas públicas, retomam o foco da administração com base nas teorias 
práticas empresariais renovadas pelas imposições do processo produtivo. A consequência 
de tal influência foi a aplicação no campo educacional da chamada Gestão Compartilhada, 
assimilada nos moldes da gestão de qualidade total, suprimindo o papel da escola aos 
valores da produtividade e eficiência, negando o papel democrático da escola. Eis aí a grande 
contradição da Gestão Democrática inserida nesse contexto.
Podemos nos valer da contribuição de Jamil Cury (2005, p.21) e respondermos que “o que já 
existe legalmente em matéria de Gestão Democrática é uma substância necessária para sua 
efetivação, contudo ainda não é suficiente”. É necessário exercitar a cidadania e extrapolar a 
exigência meramente burocrática, romper a visão ingênua, acrítica e legalista, afinal tais leis 
demonstram claramente a não neutralidade da educação. 
47GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Embora existam pequenas diferenças nas várias democracias, certos princípios e práticas distinguem 
o governo democrático de outras formas de governo. Democracia é o governo no qual o poder e a 
responsabilidade cívica são exercidos por todos os cidadãos, diretamente ou através dos seus repre-
sentantes livremente eleitos.
Democracia é um conjunto de princípios e práticas que protegem a liberdade humana; é a institucio-
nalização da liberdade.
A Democracia baseia-se nos princípios do governo da maioria associados aos direitos individuais e 
das minorias. Todas as democracias, embora respeitem a vontade da maioria, protegem escrupulosa-
mente os direitos fundamentais dos indivíduos e das minorias.
As democracias protegem de governos centrais muito poderosos e fazem a descentralização do go-
verno a nível regional e local, entendendo que o governo local deve ser tão acessível e receptivo às 
pessoas quanto possível.
As democracias entendem que uma das suas principais funções é proteger direitos humanos funda-
mentais como a liberdade de expressão e de religião; o direito à proteção legal igual; e a oportunidade 
de organizar e participar plenamente na vida política, econômica e cultural da sociedade.
As democracias conduzem regularmente eleições livres e justas, abertas a todos os cidadãos. As 
eleições numa democracia não podem ser fachadas atrás das quais se escondem ditadores ou um 
partido único, mas verdadeiras competições pelo apoio do povo.
A democracia sujeita os governos ao Estado de Direito e assegura que todos os cidadãos recebam a 
mesma proteção legal e que os seus direitos sejam protegidos pelo sistema judiciário.
As	democracias	são	diversifi	cadas,	refl	etindo	a	vida	política,	social	e	cultural	de	cada	país.	As	demo-
cracias baseiam-se em princípios fundamentais e não em práticas uniformes.
Os cidadãos numa democracia não têm apenas direitos, têm o dever de participar no sistema político 
que, por seu lado, protege os seus direitos e as suas liberdades.
As sociedades democráticas estão empenhadas nos valores da tolerância, da cooperação e do com-
promisso. As democracias reconhecem que chegar a um consenso requer compromisso e que isto 
nem sempre é realizável. Nas palavras de Mahatma Gandhi, “a intolerância é em si uma forma de 
violência e um obstáculo ao desenvolvimento do verdadeiro espírito democrático”.
 
Fonte:	<http://www.embaixadaamericana.org.br/democracia/what.htm>.	Acesso	em	4	abr.	2012.
48 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
“Gestão Democrática é sinônimo de participação coletiva”.
ACESSE OS VÍDEOS:
Princípios	e	bases	da	Gestão	Democrática:	<http://www.youtube.com/watch?v=SRFjOcENdnc&featu
re=related>.
Gestão	Democrática	e	autonomia	Pedagógica:	<http://www.youtube.com/watch?v=jcyv7Uz8qdU&fea
ture=related>.
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49GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
AS INSTÂNCIAS COLEGIADAS E SUA IMPORTÂNCIA NA GESTÃO 
DEMOCRÁTICA
Muito bem, como você percebeu, a partir da década de 90, a escola adotou a gestão 
democrática e passou a estimular a formação das instâncias colegiadas com a participação 
da comunidade. 
A possibilidade da criação dos conselhos e sua participação junto à administração escolar são 
previstas na LDB de 1996, artigo 14 já citado anteriormente. 
As Instâncias Colegiadas são instrumentos que favorecem a participação de todos os 
envolvidos no processo educacional, de modo que o diretor da escola não exerce uma ação 
individual, mas, coletiva.
É por meio desses espaços denominados de Instâncias Colegiadas que a gestão democrática 
se efetiva no interior da instituição, conforme nos aponta Zilah Veiga:
Podemos considerar que a escola é uma instituição na medida em que a concebemos 
como a organização das relações sociais entre os indivíduos dos diferentes segmentos, 
ou então como um conjunto de normas e orientações que regem essa organização. 
[...] Por isso tornam-se relevantes as discussões sobre a estrutura organizacional da 
escola, geralmente composta por conselho escolar e pelos conselhos de classe que 
condicionam tanto sua configuração interna, como o estilo de interações que estabelece 
com a comunidade (VEIGA, 2001, p. 113).
A possibilidade da criação dos conselhos e sua participação junto à administração da escola 
são previstas na LDB de 1996, artigo 14:
Art. 14 – Os sistemas de ensino definirão as normas de gestão democrática do ensino 
público na Educação Básica, de acordo com suas peculiaridades e conforme os 
seguintes princípios:
I. participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto político 
-pedagógico da escola;
II. participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares e equivalentes.
50 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Fica evidente que, sem a consolidação desses princípios por meio das Instâncias Colegiadas, 
não há possibilidade de exercício de uma Gestão Escolar de fato democrática. 
As instâncias colegiadas são: Conselho Escolar, Conselho de Classe, Associação de Pais, 
Mestres e Funcionários (APMF) e Grêmio Estudantil. São instituições auxiliares para o 
aprimoramento do processo educativo. Alguns autores não consideram o Conselho de Classe 
como instância Colegiada, porém no nosso entendimento,o referido conselho se constitui 
como uma importante Instância Colegiada, pois envolve aquilo que deveria ser a preocupação 
primeira de uma instituição escolar: o processo de ensino e aprendizagem. 
Assim, podemos dizer que as instâncias colegiadas são espaços nos quais discentes, docentes, 
funcionários, pais e comunidade podem se fazer ouvir. Para avançarmos nesse entendimento, 
discutiremos a seguir as especificidades de cada Instância Colegiada.
CONSELHO ESCOLAR
O que são Conselhos Escolares?
Os Conselhos Escolares são órgãos colegiados compostos por representantes das 
comunidades escolar e local, que têm como atribuição deliberar sobre questões político 
-pedagógicas, administrativas, financeiras, no âmbito da escola. 
O Conselho Escolar é o órgão máximo da Escola, de natureza deliberativa, consultiva, 
avaliativa e fiscalizadora. A pesquisadora Ilma Passos Veiga faz a seguinte afirmação sobre 
tão importante Instância Colegiada.
O conselho escolar é concebido como local de debate e tomada de decisões. Como 
espaço de debates e discussões, permite que professores, pais e alunos explicitem 
seus interesses, suas reivindicações. A instância de caráter mais deliberativo, de 
tomada de decisões sobre assuntos importantes da escola, proporciona momentos em 
que interesses contraditórios vêm à tona (VEIGA, 2006, p116). 
51GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Podemos dizer, caro(a) aluno(a), que o conselho Escolar coordena todos os encaminhamentos 
da gestão escolar, isso sempre em consonância com o PPP da instituição. 
O conselho deverá, portanto, favorecer a aproximação dos centros de decisão dos 
atores. Isso facilita a comunicação, pois, rompendo com as relações burocráticas 
e formais, permite a comunicação vertical e também horizontal. Sob essa ótica, o 
conselho possibilita a delegação de responsabilidades e o envolvimento de diversos 
participantes. É um gerador de descentralização. E, como órgão máximo no interior da 
escola, procura defender uma nova visão de trabalho (VEIGA, 2006, p. 116).
De acordo com o Ministério da Educação e Cultura( MEC), o CE é uma instância de discussão, 
acompanhamento e deliberação, na qual se busca incentivar uma cultura democrática, 
substituindo a cultura patrimonialista pela cultura participativa e cidadã e que primordialmente 
consiste no sustentáculo do PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO que permite a 
definição dos rumos e das prioridades da escola em uma perspectiva emancipadora, 
que realmente considera os interesses e as necessidades da maioria da sociedade. 
De acordo com o seu Estatuto, o Conselho Escolar é um órgão colegiado, representativo da 
Comunidade Escolar, de natureza deliberativa, consultiva, avaliativa e fiscalizadora, sobre 
a organização e realização do trabalho pedagógico e administrativo da instituição escolar em 
conformidade com as políticas e diretrizes educacionais da SEED, observando a Constituição, 
a LDB, o ECA, o Projeto Político-Pedagógico e o Regimento da Escola/Colégio, para o 
cumprimento da função social específica da escola.
A função deliberativa refere-se à tomada de decisões relativas às diretrizes e linhas 
gerais das ações pedagógicas, administrativas e financeiras quanto ao direcionamento 
das políticas públicas, desenvolvidas no âmbito escolar.
A função consultiva refere-se à emissão de pareceres para dirimir dúvidas e tomar 
decisões quanto às questões pedagógicas, administrativas e financeiras, no âmbito de 
sua	competência.
52 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
A função avaliativa refere-se ao acompanhamento sistemático das ações educativas 
desenvolvidas pela unidade escolar, objetivando a identificação de problemas e 
alternativas para melhoria de seu desempenho, garantindo o cumprimento das normas 
da escola, bem como a qualidade social da instituição escolar.
A função fiscalizadora refere-se ao acompanhamento e fiscalização da gestão 
pedagógica, administrativa e financeira da unidade escolar, garantindo a legitimidade 
de suas ações.
Como Criar Um Conselho Escolar?
•	 Cabe ao Diretor da escola ou quaisquer representantes dos segmentos das comunidades 
escolar e local a iniciativa de criação dos Conselhos Escolares, convocando todos para 
organizar as eleições do colegiado.
•	 Devem fazer parte dos Conselhos Escolares: a direção da escola e a representação dos 
estudantes, dos pais ou responsáveis pelos estudantes, dos professores, dos trabalhado-
res em educação não docentes e da comunidade local. 
Escolha dos Membros
•	 O Conselho Escolar terá como membro e Presidente nato o Diretor do estabelecimento de 
ensino, eleito para o cargo, em conformidade com a legislação pertinente, constituindo-se 
no Presidente do referido Conselho.
•	 O Conselho Escolar constituído poderá eleger seu vice-presidente, dentre os membros 
que o compõe, maiores de 18 (dezoito) anos. 
•	 Os representantes do Conselho Escolar serão escolhidos entre seus pares, mediante 
processo eletivo, de cada segmento escolar, garantido a representatividade de todos os 
níveis e modalidades de ensino. No ato de eleição, para cada membro será eleito tam-
bém, um suplente.
•	 O Conselho Escolar, de acordo com o princípio da representatividade que abrange toda 
a comunidade escolar, terá assegurada na sua constituição a paridade (número igual de 
53GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
representantes por segmento) e a seguinte proporcionalidade:
I	–	50%	(cinquenta	por	cento)	para	a	categoria	profi	ssionais	da	escola:	professores,	
equipe pedagógica e funcionários;
II - 50% (cinquenta por cento) para a categoria comunidade atendida pela escola: alu-
nos, pais de alunos e movimentos sociais organizados da comunidade.
Principais atribuições do Conselho Escolar
•	 Coordenar o processo de discussão, elaboração ou alteração do Regimento Escolar; 
•	 Convocar assembleias-gerais da comunidade escolar ou de seus segmentos; 
•	 Promover relações pedagógicas que favoreçam o respeito ao saber; 
•	 Garantir	a	participação	da	comunidade	escolar	e	local	na	defi	nição	e	acompanhamento	do	projeto	
político-pedagógico da unidade escolar;
•	 Propor e coordenar alterações curriculares na unidade escolar, respeitada a legislação vigente, a 
partir	da	análise,	entre	outros	aspectos,	do	aproveitamento	signifi	cativo	do	tempo	e	dos	espaços	
pedagógicos na escola;
•	 Participar da elaboração do calendário escolar, no que competir à unidade escolar, observada a 
legislação vigente;
•	 Propor e coordenar discussões junto aos segmentos e votar as alterações metodológicas, didáti-
cas e administrativas na escola, respeitada a legislação vigente;
•	 Promover relações de cooperação e intercâmbio com outros Conselhos Escolares; 
•	 Acompanhar a evolução dos indicadores educacionais (abandono escolar, aprovação, aprendi-
zagem,	entre	outros)	propondo,	quando	se	fi	zerem	necessárias,	intervenções	pedagógicas	e/ou	
medidas socioeducativas visando à melhoria da qualidade social da educação escolar; 
•	 Elaborar	o	plano	de	formação	continuada	dos	conselheiros	escolares,	visando	ampliar	a	qualifi	-
cação de sua atuação;
•	 Aprovar o plano administrativo anual, elaborado pela direção da escola, sobre a programação e 
a	aplicação	de	recursos	fi	nanceiros,	promovendo	alterações,	se	for	o	caso;	
54 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
•	 Fiscalizar	a	gestão	administrativa,	pedagógica	e	fi	nanceira	da	unidade	escolar.
Fonte:	<www.diadiaeducacao.pr.gov.br>.	Acesso	em	4	abr.	2012.
Em relação ao funcionamento, orienta-se que Os Conselhos Escolares devam se reunir com 
periodicidade: sugerem-se reuniões mensais.
As reuniões devem ter pauta previamentedistribuída aos conselheiros, para que possam, 
junto a cada segmento escolar e representantes da comunidade local, informá-los do que será 
discutido e definir em conjunto o que será levado à reunião.
Após cada reunião, os conselheiros devem convocar novamente os segmentos que 
representam para informar a respeito das decisões tomadas. 
É fundamental que as relações entre o Conselho Escolar e outros poderes constituídos (como 
a direção e outras instâncias de poder na comunidade escolar) traduzam uma convivência 
harmônica e corresponsável. 
Embora sejam um núcleo de poder, os Conselhos Escolares não devem assumir, por definição, 
um papel de “oposição” às direções das escolas.
Como você pode observar, um Conselho Escolar atuante é um importante passo para que a 
Gestão supere a exigência burocrática e se consolide de fato como Gestão Democrática.
CONSELHO DE CLASSE
Talvez esta instância colegiada seja a que você mais tenha ouvido falar ou até mesmo 
participado, não é mesmo? Pois bem, o Conselho de Classe é uma instância colegiada de 
avaliação permanente e está diretamente relacionada ao processo de ensino e aprendizagem 
e sua ação é de natureza consultiva e deliberativa.
55GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
O Conselho de Classe é parte integrante do processo de avaliação desenvolvido pela escola. 
Constitui um momento de reflexão sobre as práticas presentes no cotidiano escolar, com o 
objetivo de atingir a real aprendizagem dos alunos: consolidação do processo de ensino e 
aprendizagem. 
Queremos aqui nos valer das contribuições de Veiga, ao afirmar que “o conselho de classe é 
o objeto central de análise e recurso metodológico para a reflexão sobre o processo avaliativo” 
(VEIGA, 2006, p.116). O conselho de classe possibilita a concretização de uma avaliação do 
desempenho dos alunos, das metodologias utilizadas e também estruturar novos caminhos 
para a solução dos problemas observados pelos conselheiros que podem ser: diretor, 
professores, pedagogos, alunos e pais.
O Conselho de Classe pode ter a seguinte organização:
•	 Pré-conselho (realiza-se uma análise prévia com os professores mais ou menos um mês 
antes do Conselho).
•	 Conselho de Classe.
•	 Comunicação dos resultados aos alunos (Pós-Conselho).
•	 Acompanhamento das medidas propostas no Conselho de Classe.
Ao pedagogo compete a coordenação dos trabalhos do conselho de classe, mediar as 
discussões, encaminhar as ações e favorecer a viabilização das metas definidas pelo conselho.
Observe a citação abaixo:
O conselho de classe é uma instância colegiada contraditória. De um lado, ele se reduz 
em grande parte a um mecanismo de reforço das tensões e dos conflitos, com vistas 
à manutenção da estrutura vigente, tornando-se peça-chave para o fortalecimento 
da fragmentação e da burocratização do processo de trabalho pedagógico. Por outro 
lado, o conselho de classe pode ser concebido como uma instância colegiada que, 
ao buscar a superação da organização prescritiva e burocrática, se preocupa com 
processos avaliativos capazes de re-configurar o conhecimento, de rever as relações 
56 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
pedagógicas alternativas e contribuir para alterar a própria organização do trabalho 
pedagógico (VEIGA, 2006, p. 117).
Deste modo, podemos dizer que o conselho de classe é um importante instrumento que 
favorece o cumprimento do papel social que a escola desempenha e que cabe à equipe 
diretiva o desafio de concretizar a realização de conselho responsável e eficaz.
ASSOCIAÇÃO DE PAIS, MESTRES E FUNCIONÁRIOS
A Associação de Pais, Mestres e Funcionários (APMF) se constitui em uma instância de 
participação democrática com o objetivo de integrar os segmentos escolares, colaborar com o 
processo de ensino e aprendizagem e também auxiliar a integração entre a família e a escola.
Ao realizarmos um resgate histórico sobre a participação dos pais na organização da escola, 
veremos que até 1956 existia a caixa escolar cujo principal objetivo era de arrecadar fundos 
para assistência escolar.
No ano de 1963 foi criada a Associação de Pais e Mestres (APM). A APM tinha um caráter 
meramente assistencialista, cujo foco eram os aspectos financeiros. Porém, com os 
encaminhamentos dados, principalmente pelos pais dos alunos, a APM passou a atuar com 
vistas no todo escolar e não apenas com foco financeiro, e se tornou o principal órgão de 
integração entre escola, comunidade e a APMF. 
A APMF consiste em órgão de representação de pais, professores e funcionários do 
estabelecimento de ensino.
É importante salientar que ela é uma associação sem fins lucrativos, sem caráter partidário 
nem religioso. 
Observe, prezado(a) aluno(a), o que a pesquisadora Ilma Passos Veiga nos diz sobe o papel 
da APMF: 
57GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
É uma instituição auxiliar que tem como finalidade colaborar no aprimoramento da 
educação e na integração família-escola-comunidade. [...] a APMF deverá exercer a 
função de sustentadora jurídica das verbas públicas recebidas e aplicadas pela escola, 
com a participação dos pais no seu cotidiano em cumplicidade com a administração. 
A participação de pais, professores, alunos e funcionários por meio da APMF dará 
autonomia à escola, favorecendo a tomada de decisões no que concerne às atividades 
curriculares e culturais, à elaboração do calendário escolar, horário de aulas etc; enfim, 
a definição da política global da escola, ou seja, construção do seu projeto-político 
(VEIGA, 2006, p. 120).
Elencamos algumas atribuições da APMF:
•	 Discutir, colaborar e decidir sobre as ações para a assistência aos educandos, o 
aprimoramento do ensino e a integração família-escola-comunidade;
•	 Contribuir para a melhoria e conservação do aparelhamento escolar;
•	 Contribuir para trabalhos voluntários da comunidade.
OBJETIVOS DA APMF NA COMUNIDADE ESCOLAR
•	 Discutir, no seu âmbito de ação, sobre ações de acompanhamento ao educando, 
de aprimoramento do ensino e integração família-escola-comunidade, enviando 
sugestões em consonância com o PPP, para apreciação do Conselho Escolar e 
equipe – pedagógica – administrativa.
•	 Prestar atendimento aos educandos, professores e funcionários, assegurando 
-lhes melhores condições de qualidade de ensino, em consonância com o PPP do 
Estabelecimento de Ensino.
•	 Buscar a integração dos segmentos da sociedade organizada, no contexto escolar, 
discutindo a política educacional, visando sempre à realidade dessa comunidade.
•	 Proporcionar condições ao educando, para participar de todo o processo escolar, 
estimulando sua organização em Grêmio Estudantil com o apoio da APMF e o 
Conselho Escolar.
•	 Representar os reais interesses da comunidade escolar, contribuindo, dessa 
forma, para a melhoria da qualidade de ensino, visando a uma escola pública, 
gratuita e universal.
•	 Promover o entrosamento entre pais, alunos, professores e funcionários e toda 
comunidade, por meio de atividades sócio-educativa-cultural-desportiva, ouvido 
o Conselho Escolar.
58 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
•	 Gerir e administrar os recursos financeiros próprios e os que lhes forem repassados 
por meio de convênios, de acordo com as prioridades estabelecidas em reunião 
conjunta com o Conselho Escolar, com registro em livro ata.
•	 Colaborar com a manutenção e conservação do prédio escolar e suas instalações, 
conscientizando sempre a comunidade sobre a importância desta ação.
Fonte: Secretaria de Estado da Educação do Paraná – SEED/PR.
ROTEIRO SIMPLIFICADO PARA IMPLANTAÇÃO DA APMF 
01. Implantação da APMF:
Reunião com a Comunidade Escolar parapropor a criação de uma APMF no Estabelecimento de 
Ensino e, em seguida a discussão para a elaboração do Estatuto, seguindo orientações sugeridas 
pela SEED.
02. Eleição da Diretoria:
Mediante apresentação de chapas, lista de votantes, composição de mesa apuradora e escrutinadora, 
mediante voto secreto, registrando em ata própria, todas as etapas do processo eleitoral. Após a apu-
ração será dada a posse da nova Diretoria e Conselho Deliberativo e Fiscal. 
02. Aprovação do Estatuto:
Será feito através de Assembléia Geral extraordinária, com registro em ata.
03. Legalização da APMF:
Registro do Estatuto da APMF em Cartório de Títulos e Documentos. Registro dos membros da Dire-
toria e Conselho Deliberativo e Fiscal no Cartório Civil de Pessoas Jurídicas, mediante a apresentação 
dos documentos:
a)	Requerimento	do	Presidente	da	APMF,	com	fi	rma	reconhecida	em	Cartório,	solicitando	o	Registro	
da APMF;
b) 05 (cinco) vias do Estatuto, assinadas pelo presidente e vistadas por um advogado com o número 
de registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), sendo que, uma das vias do estatuto deverá 
ser rubricada em todas as páginas pelo presidente.
c) 02 (duas) cópias da ata da Assembléia Geral Extraordinária de fundação da APMF, acompanhada 
59GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
do respectivo livro Ata que deverá conter a ata transcrita;
d) 02 (duas) cópias da relação dos membros da Diretoria da APMF, contendo nome, nacionalidade, 
estado civil, endereço e número do RG.
04. Registro da APMF na Receita Federal:
Após o Registro da APMF, procede-se a inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), 
junto ao ministério da Fazenda - Receita Federal, mediante a apresentação da documentação neces-
sária:
a)	2	(duas)	vias	da	ficha	de	inscrição	no	CNPJ,	devidamente	preenchidas	e	assinadas	pelo	presidente.
b)	CPF	(	Cartão	de	Identificação	do	Contribuinte)	do	presidente;
c) Ata de Eleição da atual diretoria Registrada em Cartório;
d) Cópia do Estatuto registrado.
05. Providenciar um carimbo, conforme o modelo padrão determinado pelo Ministério da Fa-
zenda, após inscrição no CNPJ.
06. Após a inscrição no CNPJ, a APMF deverá comprar o formulário da RAIS (Relação Anual de 
Informações	Sociais),	e	entregá-lo,	devidamente	preenchido	na	Agência	da	Caixa	Econômica	
Federal ou no Banco do Brasil. · Em caso de dúvida, consultar a Delegacia Regional do Traba-
lho	ou	o	SERPRO	(041)	250-8282,	800-8990,	325-1215);
07. Proceder abertura de Conta Bancária da APMF (em nome da Associação de Pais, Mestres 
e Funcionários, seguido do nome da escola/fantasia), mediante apresentação dos seguintes 
documentos:
a) Cópia da ata de Eleição da APMF;
b) Carteira de Identidade do Presidente e do 1° tesoureiro;
c) Cartão do CNPJ;
d) CPF (CIC) do Presidente e do 1° Tesoureiro;
e) Cópia Registrada do Estatuto.
OBSERVAÇÃO:	As	pessoas	responsáveis	pelas	transações	financeiras	só	poderão	ser	o	presi-
dente da APMF e o 1º tesoureiro.
08. Declaração de Imposto de Renda:
Todas as APMFs devidamente constituídas deverão proceder a entrega da Declaração de Isenção de 
Imposto	de	Renda	de	Pessoa	Jurídica	(verificar	data	e	dirimir	dúvidas	junto	à	Receita	Federal).
- CPF (CIC) do presidente e do 1° tesoureiro;
- Cópia registrada do Estatuto.
60 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
OUTROS PROCEDIMENTOS
01. NOTAS FISCAIS:
-	As	notas	fi	scais	deverão	ser	emitidas	em	nome	da	Associação	(sempre	por	extenso).
- Todos os itens adquiridos deverão ser discriminados.
-	Os	tíquetes	de	caixa	deverão	vir	acompanhados	de	notas	fi	scais	e/ou	recibos.
- Todas as notas deverão estar numeradas de acordo com o registro em livro caixa e arquivadas em 
pasta própria.
- Os tíquetes de caixa, acompanhados dos respectivos recibos, deverão ser discriminados e acom-
panhados da assinatura, do(a) tesoureiro(a) e do presidente, ou do(a) diretor(a) da escola, enquanto 
Assessoria Técnica.
02. RECIBOS:
- os recibos deverão ser numerados;
-	vir	acompanhados	de	nota	fi	scal	e/ou	tíquete	de	caixa;
-	ter	identifi	cação	legível	do	emitente;
- Ser emitidos em nome da Associação.
03. LIVRO CAIXA:
- deverá conter, obrigatoriamente, termo de abertura e de encerramento;
- folhas numeradas;
- a assinatura do presidente e tesoureiro em cada folha (mês);
-	correspondência	entre	os	valores	registrados	e	notas	fi	scais	apresentadas;
-	todos	os	itens	com	especifi	cação.
OBS: Este livro não deverá conter rasuras.
04. LIVRO ATA
- o livro ata deverá, obrigatoriamente, conter termo de abertura e encerramento;
- todas as reuniões e/ou assembléias deverão ser registradas.- assinatura dos presentes em cada 
reunião;
Fonte:	<http://celepar7.pr.gov.br/apm/menu/menu_apm.asp>.	Acesso	em	4	abr.	2012.
61GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
GRÊMIO ESTUDANTIL
Aqui, prezado(a) aluno(a), apresentamos a Instância Colegiada que permite dar voz e vez 
ao aluno cujos interesses extrapolam a sala de aula. Atualmente, percebemos uma apatia 
generalizada por parte dos nossos estudantes e, no nosso entendimento, o Grêmio Estudantil 
deve ser estimulado e acompanhado em todas as escolas.
Existe um apoio legal para a estruturação do Grêmio, estamos falando da lei federal n. 7398 de 
04 de novembro de 1985, que assegura aos estudantes, no artigo 1º, o “direito de se organizar 
em entidades autônomas, representativas dos seus interesses”. 
O grêmio Estudantil é uma instância independente da direção da escola e deve ser um 
mecanismo democrático, sendo constituído por meio de eleições e possuidor de um estatuto 
próprio, conforme nos aponta Veiga:
O parágrafo 3 estabelece que os representantes do grêmio estudantil serão escolhidos 
pelo voto direto e secreto. O processo de eleição deve ser precedido de discursos, 
debates, confronto de idéias e explanação de programas, “gerando um saudável hábito 
de reflexão e participação política visando a um amadurecimento dos estudantes frente 
a sua própria problemática "(VEIGA, 2006). 
Como você percebeu, o Grêmio Estudantil favorece o exercício da cidadania, um aspecto 
muito necessário aos nossos estudantes.
Segue abaixo algumas atribuições do Grêmio Estudantil, apresentado pela Secretaria de 
Estado da Educação do Paraná:
ATRIBUÍÇÕES E OBJETIVOS DO GRÊMIO ESTUDANTIL
Um Grêmio bem estruturado não se preocupa apenas com festas e eventos, e sim com 
a melhoria da qualidade da escola em todos os seus aspectos. 
Assim, envolve temas e atividades, como:
Cultura: organizar semanas culturais, concursos literários, exposições de desenhos, 
pintura, escultura, eventos musicais, festas, montagens de peças teatrais e danças, 
62 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
gincanas culturas, passeios, excursões e outros;
Social: formar grupos para discutir temas como preconceito, desigualdade social, 
violência, ética; trabalhar a estética da escola (murais, painéis, jardinagem...).
I- representar condignamente o corpo discente; 
II- defender os interesses individuais e coletivos dos alunos do colégio;
 
III- incentivar a cultura literária, artística e desportiva de seus membros; 
IV- promover a cooperação entre administradores, funcionários, professores e alunos 
no trabalho escolar buscando seus aprimoramentos; 
V- realizar intercâmbio e colaboração de caráter cultural e educacional com outras 
instituições de caráter educacional, assim como a filiação às entidades gerais 
umes (união municipal dos estudantes secundaristas), upes (união paranaense dos 
estudantes secundaristas) e ubes (união brasileira dos estudantes secundaristas); 
VI- lutar pela democracia permanente na escola, através do direito de participação nos 
fóruns internos de deliberação da escola.63GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
“Quem sabe faz a hora não espera acontecer” (Geraldo Vandré)
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Muito bem, após as análises realizadas foi possível perceber que as instâncias colegiadas 
assumem um importante papel na organização de uma escola que prima pela Gestão 
Democrática, ou seja, é impossível falar em democracia na escola sem a consolidação das 
Instâncias Colegiadas. 
Precisamos dizer também que essa consolidação nem sempre é fácil, exige, sobretudo, 
exercício da cidadania, pois não basta convocar a comunidade educativa para ouvir o que foi 
decidido, é preciso envolvê-los nas decisões e, para isso, é necessária a disposição de saber 
ouvir e respeitar as diferentes formas de pensar. 
Portanto, só é possível pensar em uma Gestão Escolar Democrática mediante a articulação 
e participação da comunidade educativa por meio das instâncias colegiadas, as quais terão a 
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64 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
equipe diretiva como principal articulador. Por isso, faz-se necessária aos futuros pedagogos 
uma discussão como esta que considere a questão da democracia em sua totalidade.
“A ratificação da Democracia deve ser a responsabilidade primeira de todo profissional da educação”.
“A	Gestão	Democrática	do	Ensino	Público	não	anula,	mas	convive	com	certas	especifi	cidades	hierár-
quicas da escola[...] A relação posta na transmissão de conhecimento implica a hierarquia de funções 
(mestre/aluno) e isto não quer dizer nem hierarquia entre pessoas e nem quer dizer que o aluno jamais 
chegue à condição de mestre. Pelo contrário, a relação de conhecimento existente na transmissão pe-
dagógica	tem	como	fi	m,	não	a	perpetuação	da	diferença	de	saberes,	mas	a	parceria	entre	os	sujeitos”.
Carlos Roberto Jamil Cury 
(Filósofo, Historiador e Educador brasileiro)
Disponível	 em:	 <http://www.pedagogia.seed.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=		
49>.	Acesso	em	20	fev.	2012.
Refl	ita: partindo do excerto mencionado, podemos dizer que há gestão democrática na escola pública 
na proposta do autor?
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65GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
ATIVIDADE DE AUTOESTUDO
1. 	 A	 partir	 das	 discussões	 realizadas,	 escreva	 sobre	 as	 especifi	cidades	 entre	Gestão	 da	
Educação e Gestão Escolar.
2. Pesquise em sua cidade sobre a atuação do Conselho Municipal da Educação e registre 
quais foram suas últimas ações.
3. Escreva sobre a importância da compreensão do Conselho de Classe enquanto Instância 
Colegiada.
4. No seu município existem escolas com Grêmio Estudantil atuante? Se sua resposta for 
afi	rmativa,	discorra	sobre	as	principais	ações	desta	Instância	Colegiada.
ACESSE OS VÍDEOS:
Conselho Escolar:	<http://www.youtube.com/watch?v=rCejC1lFwMg>.
Conselho de Classe:	<http://www.youtube.com/watch?v=fl	Q_ifD7NQw>.
APMF:	<http://www.youtube.com/watch?v=r9LDsGtG4mk>.
GrêmioEstudantil:	<http://www.youtube.com/watch?v=ketZMlUsIOw&feature=related>.
<http://www.youtube.com/watch?v=NUvFvdBSzsY&feature=related>.
UNIDADE III
A CONSTRUÇÃO COLETIVA DO PROJETO 
POLÍTICO-PEDAGÓGICO
Professora Me. Adriana Salvaterra Pasquini
Professora Me. Marcia Maria Previato de Souza
Objetivos de Aprendizagem
•	 Compreender a importância da Equipe diretiva na articulação do trabalho coletivo.
•	 Fundamentar teoricamente o conceito de Projeto Político-Pedagógico.
•	 Analisar os elementos norteadores que compõem o Projeto Político-Pedagógico.
•	 Analisar a importância da participação coletiva na elaboração do Projeto Político 
-Pedagógico.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
•	 A importância da atuação da equipe diretiva no trabalho coletivo
•	 Fundamentos Teóricos do Projeto Político-Pedagógico
•	 Elementos que compõem o Projeto Político-Pedagógico
•	 A elaboração do Projeto Político-Pedagógico
69GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
INTRODUÇÃO
Prezado(a) aluno(a), embora tenhamos ouvido falar ou mesmo lido muito sobre a necessidade 
de consolidar uma educação de qualidade para todos, jamais teremos esgotado a necessidade 
de refletir sobre as implicações da Gestão Escolar e organização do trabalho pedagógico 
sobre a qualidade do processo de ensino e aprendizagem.
Por isso, nesta terceira unidade, discutiremos de modo direto a importância do Projeto Político 
-Pedagógico (PPP) no contexto da Gestão Democrática. 
Ao considerarmos a importância da atuação do Gestor na melhoria da qualidade do ensino, 
é necessário enfatizar que a aprendizagem que se efetiva no espaço da sala de aula recebe 
direta influência dos mecanismos utilizados pelos gestores da referida instituição, daí a 
importância de refletirmos sobre o papel do PPP na instituição escolar. 
Deste modo, podemos afirmar que o papel do gestor é primar pelo cumprimento de ações 
que possibilitem atingir em plenitude os objetivos traçados coletivamente pela comunidade 
educativa.
Por isso consideramos de suma importância o conteúdo apresentado na Lei de Diretrizes e 
Bases da Educação (9394/96) no artigo 67, parágrafo único, que enfatiza que a experiência 
docente é pré-requisito para a atuação profissional de qualquer função a ser desempenhada 
no magistério. Obviamente, o gestor que sabe as especificidades de cada segmento da escola 
atuará de modo mais justo e coerente. 
A Gestão da sala de aula é outro ponto importante de discussão, pois partimos do princípio 
de que o professor é o principal agente do processo de ensino e aprendizagem. A atuação 
docente exige formação e capacitação permanente uma vez que o compromisso com a 
educação deve ser permeado pela competência e domínio do conhecimento científico que 
envolve o referido processo.
70 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Desse modo, podemos afirmar que toda a comunidade educativa deve estar comprometida 
com a construção e a efetivação do PPP, cujo principal objetivo é a consolidação de uma 
educação de fato emancipatória.
“O Projeto Político-Pedagógico representa o anseio de uma escola emancipatória”.
A ATUAÇÃO DA EQUIPE DIRETIVA FRENTE AO DESAFIO DO TRABALHO 
COLETIVO
Como vimos na unidade anterior, as Instâncias Colegiadas são espaços de representação e, 
mais que isso, atuação da comunidade escolar. 
Ao considerarmos que a escola é uma instituição social que de modo direto ou indireto atua 
na formação de cidadãos participativos (ou não) da sociedade em que vivem, é importante 
enfatizar o compromisso dos profissionais que atuam na educação com uma ação educativa 
crítica e coerente. 
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71GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
O trabalho coletivo consiste na base de uma gestão de fato democrática e, para que haja 
participação efetiva de todos os envolvidos no processo, a equipe diretiva assume aqui um 
papel fundamental: articular ações para que as instâncias colegiadas funcionem e para que o 
PPP extrapole “o papel” e se ratifique na prática. 
É importante esclarecer que a Equipe Diretiva é formada pelo Diretor, vice-diretor, pedagogos 
e secretário do estabelecimento de ensino. 
Equipe Diretiva deve estar preparada para a realização de atividades coletivas e fugir ao 
máximo de ações que fomente o trabalho individual, afinal equipe é muito diferente de EUquipe, 
não é mesmo?
A coordenação pedagógica (pedagogo) atua de modo direto com as questões pedagógicas, 
tais como: planejamento, desempenho dos alunos,atuação docente, frequência dos alunos e 
outras ações, ou seja, desenvolver o papel é articular a participação de alunos, professores 
e pais nas ações pedagógicas, que, diga-se de passagem, estão totalmente articuladas com 
os encaminhamentos dados pela direção da escola. Discorreremos agora sobre a atuação do 
pedagogo nesse processo.
Partimos do pressuposto de que a coordenação pedagógica atua como um apoio permanente 
ao trabalho docente, costumamos dizer que o pedagogo não deve estar à frente nem atrás do 
professor, mas sim ao seu lado. 
O pesquisador Piletti (1998, p. 125) aponta que a ação do pedagogo pode ser entendida a 
partir de quatro dimensões: 
a) acompanhar o professor em suas atividades de planejamento, docência e avaliação;
b) fornecer subsídios que permitam aos professores atualizarem-se e aperfeiçoarem-se cons-
tantemente	em	relação	ao	exercício	profissional;
c) promover reuniões, discussões e debates com a população escolar e a comunidade no 
sentido de melhorar sempre mais o processo educativo;
72 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
d) estimular os professores a desenvolverem com entusiasmo suas atividades, procurando 
auxiliá-los na prevenção e na solução dos problemas que aparecem.
A partir destas dimensões norteadoras, dezenas de outras ações são desempenhadas pelo 
Pedagogo, muitas delas com foco emergencial e que acaba muitas vezes por descaracterizar 
a função pedagógica. É comum ouvirmos algumas metáforas acerca do papel do pedagogo, 
tais como: bombeiro, Bombril (mil e uma utilidades) e outros.
Por isso é importante discutirmos a atuação do pedagogo na organização do trabalho escolar, 
a fim de que não percamos nossa real identidade, conforme nos alerta Bartman (1998, p.1):
O coordenador não sabe quem é e que função deve cumprir na escola. Não sabe que 
objetivos persegue. Não tem claro quem é o seu grupo de professores e quais as suas 
necessidades. Não tem consciência do seu papel de orientador e diretivo. Sabe elogiar, 
mas não tem coragem de criticar. Ou só critica, e não instrumentaliza. Ou só cobra, 
mas não orienta.
Na perspectiva do pedagogo unitário e não mais do orientador e supervisor, é necessária a 
elaboração de um plano de ação da equipe pedagógica para que todas as dimensões do fazer 
pedagógico sejam atingidas.
Nesse campo de atuação composto por conflitos, o pedagogo tem o grande desafio de 
articular junto à equipe diretiva a consolidação da sua autoridade, sem confundi-la com 
autoritarismo, e que desta maneira, aborda questões que acarretam no mau andamento do 
trabalho pedagógico, sem se omitir diante dos fatos.
Nesse sentido, trazemos para nossa discussão as contribuições de Fonseca (2001) que 
enfatiza a necessidade de focalizar o papel do pedagogo na escola a fim de:
•	 	 Resgatar	a	intencionalidade	da	ação	possibilitando	a	(re)significação	do	trabalho	-	superar	
a crise de sentido.
•	 Ser um instrumento de transformação da realidade - resgatar a potência da coletividade; 
gerar esperança.
73GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
•	 Possibilitar um referencial de conjunto para a caminhada pedagógica ao aglutinar pesso-
as em torno de uma causa comum.
•	 Gerar solidariedade, parceria.
•	 Ajudar a construir a unidade (não uniformidade); superando o caráter fragmentário das 
práticas em educação, a mera justaposição e possibilitando a continuidade da linha de 
trabalho na instituição.
•	 	 Propiciar	a	racionalização	dos	esforços	e	recursos	(eficiência	e	eficácia),	utilizados	para	
atingir	fins	essenciais	do	processo	educacional.
•	 Ser um canal de participação efetiva, superando as práticas autoritárias e/ou individualis-
tas e ajudando a superar as imposições ou disputas de vontades individuais, na medida 
em que há um referencial construído e assumido coletivamente.
•	 Aumentar o grau de realização e, portanto, de satisfação do trabalho. 
•	 	 Fortalecer	o	grupo	para	enfrentar	conflitos,	contradições	e	pressões,	avançando	na	auto-
nomia e na criatividade e distanciando-se dos modismos educacionais.
•	 Colaborar na formação dos participantes.
A consolidação da democracia, ou seja, de um ambiente democrático não é tarefa fácil e 
também não é responsabilidade de uma pessoa somente. Como afirma José Carlos Libâneo 
(1996, p.200): “Uma gestão participativa também é a gestão da participação”. 
Comungamos do mesmo posicionamento de Paulo Gomes Lima e Sandra Mendes dos 
Santos (2007) que afirmam não existir uma receita pronta para trabalhar com todas essas 
diversidades. Os mesmos autores sugerem não uma receita, mas uma proposta de trabalho 
centrada na ação-reflexão-ação: 
•	 O conhecimento e a experiência pedagógica dos professores.
•	 O princípio da “construção coletiva”, sem mascarar as diferenças e tensões existentes 
entre todos aqueles que convivem na instituição, considerando que as situações vividas 
74 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
nela se inscrevam em um tempo de longa duração, bem como as histórias de vida de 
cada professor.
•	 Uma metodologia de trabalho a qual possibilite que professores e coordenadores atuem 
como	protagonistas,	sujeitos	ativos	no	processo	de	identificação,	análise	e	reflexão	dos	
problemas existentes na instituição e na elaboração de propostas para sua superação.
De acordo com os autores supracitados, nessa proposta metodológica de ação-reflexão-ação 
podemos identificar três grandes etapas:
a) Compreensão da realidade da instituição.
b) Análise das raízes dos problemas (compreendendo a realidade escolar).
c) Elaboração e proposição de formas de intervenção de ação coletiva.
Desse modo, quem ocupa cargos de liderança, como diretor e o pedagogo, deve fazer o 
exercício de desvestir-se de seus posicionamentos e estar aberto para as discussões 
necessárias para que as diferentes vozes sejam ouvidas, principalmente na elaboração do 
Projeto Político-Pedagógico, que consiste, por que não dizer, na ALMA da escola. 
75GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO
“O Projeto Político-Pedagógico deve ultrapassar sobremaneira a exigência burocrática”.
Você deve concordar que precisamos melhorar e muito a qualidade da educação brasileira, 
não é mesmo? Porém, compactuamos do mesmo pensamento de Pedro Demo (1994) ao 
afirmar que a qualidade educacional que queremos é aquela que está fundamentada no 
grande desafio de auxiliar a formação humana de modo crítico, no qual as pessoas se sintam 
sujeitos históricos, críticos, criativos onde a dimensão quantitativa, extensão do ter, exista na 
medida em que a qualidade, intensidade do ser se construa em um modelo de participação e 
construção coletiva do conhecimento, o que no nosso entendimento pode ser proporcionado 
pela construção de um PPP que vá além da exigência burocrática.
Mas, afinal de contas, o que significa Projeto Político-Pedagógico?
É importante destacar que toda instituição escolar possui objetivos estabelecidos a fim de que 
não perca o propósito de cumprir sua função social e por que não dizer, política. Uma vez 
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76 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
que é formada por diferentes segmentos que atuam com no mesmo foco, este conjunto de 
objetivos e os meios para a concretização dos mesmos dá origem ao que denominamos de 
Projeto Político-Pedagógico – PPP.
Observe o que diz a pesquisadora Ilma Passos Veiga sobre a importância do PPP:
Pensar o Projeto Político-Pedagógico de uma escola é pensar a escola no conjunto 
e a sua função social. Se essa reflexão a respeito daescola for realizada de forma 
participativa por todas as pessoas envolvidas, certamente possibilitará a construção de 
um projeto de escola consistente e provável (VEIGA, 1995, p.45).
O fundamento legal do PPP está na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional N.º 
9394/96, em seu Art. 3º, inciso VIII, que contempla o princípio da gestão democrática, e em 
seu Art.14, especifica a participação dos profissionais da educação e da comunidade escolar 
na elaboração do Projeto Político-Pedagógico da escola. 
Analisemos agora as próprias palavras que nomeiam tão importante documento: 
PROJETO
•	 Projeto: é comum ouvirmos também alguns pesquisadores e até na própria LDB o termo 
Proposta, ambos são tratados como sinônimos, porém, ao longo do nosso estudo opta-
mos pelo termo Projeto. 
•	 De acordo com Castoriadis, projeto é a “intenção de uma transformação do real, guiada 
por uma representação do sentido dessa transformação e levando em conta as condições 
dessa realidade”. Desse modo, a autonomia para elaboração do PPP dá para a comuni-
dade	escolar	a	oportunidade	de	pensar	um	trabalho	único,	de	acordo	com	as	especificida-
des da Instituição Escolar. É por isso que dizemos que não existe um PPP igual ao outro, 
pois	cada	escola	tem	suas	especificidades.
•	 Conforme Gadotti (1994), todo projeto:
supõe rupturas com o presente e promessas para o futuro. Projetar significa tentar 
quebrar um estado confortável para arriscar-se, atravessar um período de instabilidade 
e buscar uma nova estabilidade em função de promessa que cada projeto contém 
77GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
de estado melhor do que o presente. Um projeto educativo pode ser tomado como 
promessa frente a determinadas rupturas. As promessas tornam visíveis os campos de 
ação possível, comprometendo seus atores e autores [...] (p. 579).
POLÍTICO
• Toda ação que visa ao envolvimento da coletividade é uma ação POLÍTICA.
O PPP tem exatamente esta conotação, ou seja, está relacionado principalmente com a 
dimensão da formação de cidadãos conscientes. 
A escola tem na sua essência o papel de atuar na formação integral do indivíduo.
PEDAGÓGICO
•	 	 O	 compromisso	da	escola	 é	 com	o	Conhecimento	 científico,	 e	 o	 fator	 pedagógico	 faz	
justamente	esse	contraponto	que	medeia	a	efetivação	da	finalidade	da	educação,	que	é	o	
processo de ensino e aprendizagem
•	 A pesquisadora Ilma Passos Veiga esclarece com maestria as relações existentes entre 
os termos que compõem o PPP:
O projeto busca um rumo, uma direção. É uma ação intencional, com um sentido explícito, 
com um compromisso definido coletivamente. Por isso, todo projeto pedagógico da 
escola é, também, um projeto político por estar intimamente articulado ao compromisso 
sociopolítico com os interesses reais e coletivos da população majoritária. É político 
no sentido de compromisso com a formação do cidadão para um tipo de sociedade [...] 
Pedagógico, no sentido de definir as ações educativas e as características necessárias 
às escolas de cumprirem seus propósitos e sua intencionalidade (VEIGA, 1995, p. 13).
Dessa perspectiva, podemos dizer que o PPP assume um papel fundamental na organização 
e encaminhamentos do trabalho pedagógico, ou seja, um documento que indica o itinerário a 
ser percorrido pela equipe diretiva, professores, funcionários, alunos e as famílias.
No cotidiano escolar, o principal desafio na elaboração do PPP está relacionado ao envolvimento 
78 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
e participação da comunidade educativa. Por meio da participação, as pessoas avaliam as 
ações realizadas, propõem novos caminhos, partilham seus saberes e experiências, daí 
a importância de que haja realmente a participação de todos e que por essa razão é um 
processo inconcluso, ou seja, está sempre em construção. 
OS ELEMENTOS QUE COMPÕEM O PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO
Muito também, a esta altura você já está convencido(a) da importância do PPP para a 
ratificação da Gestão Democrática. Porém, pode estar com algumas dúvidas em relação 
aos elementos que compõem tão importante documento, por isso consideramos importante 
realizar tal explicitação.
Como vimos, o PPP deve ser elaborado coletivamente partindo do diagnóstico do contexto 
escolar, por meio do qual se dará a definição das ações. 
O funcionamento da escola depende da elaboração de alguns documentos como o Regimento 
Escolar, o PPP e o Plano de Ação do Diretor, eis aí outro aspecto de suma importância do PPP.
Muitos teóricos que discutem o Projeto Político-Pedagógico apresentam sugestões de 
estrutura, mas como é uma construção que assume o perfil de cada escola, cada instituição 
assume seu perfil.
De acordo com Vasconcellos (2004), o PPP se materializa a partir de três elementos: 
a) Marco referencial.
b) Diagnóstico.
c) Programação.
A partir das contribuições do autor esses elementos devem ser compreendidos em sua 
totalidade e de forma articulada, a fim de que reflitam de fato aquilo que a comunidade escolar 
79GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
quer representar.
É importante destacar que no PPP o Marco referencial explicita, a partir de uma realidade 
conhecida (concreta), a direção que a escola seguirá nos aspectos filosóficos, pedagógicos e 
psicológicos. Aqui a comunidade escolar toma posicionamento acerca da sua identidade, da 
visão de mundo que se tem e dos objetivos que se pretende alcançar. 
O Marco Referencial é composto por três partes:
a) Marco Situacional: explicitação sobre a realidade da instituição.
b)	 Marco	Filosófico	ou	Conceitual:	explicitação	do	caminho	que	se	quer	seguir,	concepção	de	
ensino e aprendizagem que se tem concepção teórica.
c) Marco Operativo (também denominado por alguns autores de Proposta Pedagógica Curri-
cular/PPC)	define	os	conteúdos	básicos	a	serem	trabalhados	pelas	disciplinas.
Eis aí a riqueza deste documento, é com base nele que o professor pensa e elabora o seu 
Plano de Trabalho Docente, assim todos os professores daquela instituição trabalham de modo 
coerente em relação ao indivíduo que se quer formar. 
Cumpre destacar que a elaboração ou reelaboração do PPP deve estar em conformidade com 
a legislação vigente como, por exemplo, a Inclusão de pessoas com deficiência, a cultura Afro 
Brasileira e Africana, a cultura Indígena, aos conteúdos curriculares relacionados aos estudos 
sobre do Estado, ao Ensino Fundamental de Nove anos, a Educação Infantil, a Educação 
80 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Profissional, a Educação de Jovens e Adultos e outros.
“O Projeto Político-Pedagógico cumpre sua função quando todos os envolvidos no processo se fazem 
representar”.
A ELABORAÇÃO DO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO
Muito bem, você já assimilou que o Projeto Político-Pedagógico representa a essência da 
escola e que não existe um modelo fiel de PPP, uma vez que cada escola possui características 
específicas e está inserida em um contexto social único. Agora discorreremos sobre a 
elaboração do PPP, não com o intuito de “dar uma receita pronta”, mas de apontar possíveis 
caminhos. 
Envolvimento da comunidade escolar
Antes de tudo, é preciso deixar claro que a construção do PPP não é uma responsabilidade 
restrita à equipe pedagógica, pelo contrário é tarefa e dever de todos. Cabe aos pedagogos o 
papel de organizar a participação da comunidade escolar, assim, mobilizar a participação de 
todos os envolvidos no processo é o ponto primeiro da ação. Isso se dá por meio de convites 
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81GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distânciaaos pais para participarem de reuniões, cartazes espalhados pela escola, mobilização dos 
estudantes, e tudo sempre por meio das Instâncias Colegiadas.
Elaboração propriamente dita
Uma vez mobilizada, a comunidade escolar pode ser organizada em equipe ou grupos de 
trabalhos que seguirão uma pauta para discussão e elaboração dos temas.
Observe os itens abaixo, são sugestões de organização do grupo de trabalho apresentadas 
por Cleomar Pesentes (2001):
•	 Os dados que serão relevantes para o trabalho.
•	 A quem e onde recorrer na busca de informações.
•	 A organização dos dados.
•	 As pessoas que poderiam contribuir no esclarecimento de eventuais dúvidas ou no apro-
fundamento das questões relativas à fundamentação teórica.
•	 O cronograma das reuniões das equipes.
•	 O cronograma das reuniões gerais, para socialização das informações levantadas e do 
andamento dos trabalhos de cada equipe.
•	 A forma de divulgação do trabalho, de forma a manter a comunidade permanentemente 
informada sobre o seu andamento e as conclusões obtidas.
•	 O prazo para a conclusão do trabalho.
•	 	 A	pessoa	que	atuará	como	coordenador	do	trabalho;	e,	por	fim,
•	 	 As	pessoas	responsáveis	pela	redação	final	do	documento.
Desse modo, espera-se que a elaboração ou reelaboração do PPP seja um processo dinâmico 
e não um exercício de poucos. 
82 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Ah, talvez você se pergunte: Quando o PPP deve ser elaborado ou reelaborado?
Pois bem, já falamos que o PPP é um documento necessário para a autorização de 
funcionamento de uma Instituição Escolar, por isso desde que se tenha a intenção de abrir uma 
escola é necessário que se tenha o PPP. Já a reelaboração ou reformulação do mesmo vai 
de acordo com a exigência da mantenedora, no caso da SEED/PR a reformulação obrigatória 
acontece a cada dois anos, porém as mudanças e reavaliações do PPP podem acontecer 
sempre que a comunidade julgar necessário. 
Por isso orienta-se que o PPP não seja um documento de gaveta, mas que seja público 
e disponibilizado nos sites da escola, do NRE, que haja cópias do documento na sala dos 
professores, na recepção do estabelecimento e outros.
O Conselho de Educação do Paraná apresenta os elementos constitutivos do PPP por meio 
da Indicação 004/99:
I – explicitação sobre a organização da entidade escolar;
II – filosofia e os princípios didático-pedagógicos da instituição;
III– conteúdos, competências e habilidades propostas e os
respectivos encaminhamentos metodológicos;
IV – atividades escolares, em geral, e as ações didático-pedagógicas a serem 
desenvolvidas durante o tempo escolar;
V – matriz curricular específica e a indicação da área ou fase
de estudos a que se destina;
VI – processos de avaliação, classificação, promoção e
dependência;
VII – regime escolar;
VIII – calendário escolar;
IX – condições físicas e materiais;
X – relação do corpo docente e técnico-administrativo;
XI – plano de formação continuada para os professores;
83GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
XII – plano de avaliação interna e sistemática do curso.
A pesquisadora Ilma Passos Veiga (2001) ao se referir sobre a execução de um Projeto 
Político-Pedagógico de qualidade afirma que ele se ratifica quando: 
a) Nasce da própria realidade, tendo como suporte a explicação das causas dos problemas e 
das situações nas quais tais problemas acontecem;
b) É exequível e prevê as condições necessárias ao desenvolvimento e à avaliação;
c) Implica a ação articulada de todos os envolvidos com a realidade da escola; e
d) É construído continuamente, pois, como produto, é também processo, incorporando am-
bos em uma interação possível.
Por isso uma equipe articulada e disposta a consolidar uma educação de qualidade no âmbito 
escolar consiste no primeiro passo da caminhada.
A gestão democrática não se consolida apenas pela força de lei. No cotidiano escolar 
encontramos algumas dificuldades na efetivação da participação coletiva. Os pesquisadores 
Vasconcelos (2006) e Cardoso (2007), listam as seguintes dificuldades para efetivação do 
PPP:
•	 Perfeccionismo: querer chegar a um texto extremamente preciso e correto.
•	 	 Falta	de	esperança/confiança	na	 instituição:	 “não	adianta	 falar	que	nada	vai	acontecer	
mesmo”.
•	 Imediatismo: ter pressa, não querer “perder tempo” com as discussões.
•	 Comodismo por parte dos sujeitos: não quererem a desacomodação que poderá vir em 
decorrência da concretização das ideias ali colocadas.
•	 Falta de exercício democrático na escola.
•	 Falta de experiência de caminhada comum, enquanto grupo, devido à rotatividade das 
pessoas da instituição.
84 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
•	 Formalismo: perigo de reduzir o Projeto a uma sequência de passos, a simplesmente 
elaborar	um	documento,	sem	vida,	sem	significado,	sem	envolvimento	com	as	ideias,	com	
as propostas.
•	 	 Nominalismo:	achar	que	definir	uma	linha	de	trabalho	para	a	escola	é	se	“filiar”	a	alguma	
concepção corrente (educação libertadora, construtivismo etc.).
•	 	 Falta	 de	 condições	 objetivas	 de	 espaço-tempo	 para	 encontro,	 reflexão,	 elaboração	 e	
acompanhamento.
Diante das dificuldades elencadas acima, amplia-se o compromisso de todo profissional da 
educação na efetivação da Gestão Democrática no cotidiano escolar.
“A construção da Gestão Democrática não se faz somente por força da lei”.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Prezado(a) aluno(a), a discussão apresentada nesta terceira unidade não tem a pretensão de 
esgotar todas as implicações do Projeto Político-Pedagógico na organização escolar, mas 
de instigá-lo a buscar cada vez mais o conhecimento a respeito da riqueza de tão importante 
documento.
A gestão Democrática se impõe para cada um de nós como um grande desafio passível de 
concretização por meio do Projeto Político-Pedagógico.
O Projeto Político-Pedagógico é a essência da instituição escolar, como vimos não existe 
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85GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
um modelo único, pois cada escola tem a sua realidade, o alunado possui características 
específicas e as necessidades e soluções para os possíveis problemas passam a ter caráter 
único e próprio.
Como vimos, o PPP contém todos os aspectos que envolvem o cotidiano escolar, desde a 
explicitação do espaço físico até o processo de avaliação do ensino e da aprendizagem. Agora 
que você já conhece a importância do PPP para a instituição escolar, avançaremos à próxima 
unidade, na discussão da Proposta Pedagógica Curricular (PPC) e Planejamento, ou seja, do 
Plano de Trabalho Docente.
A reforma intelectual e moral é premissa para transformação social.
ANTONIO GRAMSCI
Aprofundando o assunto:
No	sentido	etimológico,	o	termo	projeto	vem	do	latim	projectu	=	lançado.	É	particípio	passado	do	verbo	
projicere,	que	signifi	ca	lançar	para	frente.	É	um	plano,	intento,	desígnio.	Empreendimento.	Plano	geral	
de	edifi	cação.
Analisando com mais minúcia a etimologia do termo Projeto Político Pedagógico, será mais fácil fami-
liarizar-se com o que ele diz em suas entrelinhas:
PROJETO	=	vem	do	latim	PROJICERE	que	signifi	ca	lançar	para	frente;
POLÍTICA	=	refere-se	à	ciência	ou	arte	de	governar;	orientação	administrativa	de	um	governo;	prin-
cípios diretores da ação; conjunto dos princípios e dos objetivos que servem de guia a tomadas de 
decisão	e	que	fornecem	a	base	da	planifi	cação	de	atividades	em	determinado	domínio;	modo	de	se	
haver em qualquer assunto particular para se obter o que se deseja; estratégia; táctica; (Do grego 
politiké, «a arte de governar a cidade»).PEDAGÓGICO	=	relativo	ou	conforme	à	pedagogia;	que	é	teoria	da	arte,	fi	losofi	a	ou	ciência	da	edu-
cação,	com	vista	à	defi	nição	dos	seus	fi	ns	e	dos	meios	capazes	de	os	realizar;
“Projeto Político Pedagógico: ação intencional. Compromisso sócio-político no sentido de compro-
misso	com	a	formação	do	cidadão,	para	um	tipo	de	sociedade	e	Pedagógico:	no	sentido	de	defi	nir	as	
ações educativas e as características necessárias às escolas para que essas cumpram seus propó-
86 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
sitos e sua intencionalidade”
Finalidade
Toda	escola	deve	ter	defi	nida,	para	si	mesma	e	para	sua	comunidade	escolar,	uma	identidade	e	um	
conjunto orientador de princípios e de normas que iluminem a ação pedagógica cotidiana.
O Projeto político pedagógico vê a escola como um todo em sua perspectiva estratégica, não apenas 
em	sua	dimensão	pedagógica.	É	uma	ferramenta	gerencial	que	auxilia	a	escola	a	defi	nir	suas	priori-
dades estratégicas, a converter as prioridades em metas educacionais e outras concretas, a decidir 
o que fazer para alcançar as metas de aprendizagem, a medir se os resultados foram atingidos e a 
avaliar o próprio desempenho.
O PPP é diferente de planejamento pedagógico. É um conjunto de princípios que norteiam a elabora-
ção e a execução dos planejamentos, por isso, envolvem diretrizes mais permanentes, que abarcam 
conceitos subjacentes à educação:
- Conceitos Antropológicos: (relativos à existência humana).
- Conceitos Epistemológicos: aquisição do conhecimento.
- Conceitos sobre Valores: pessoais, morais, étnico...
- Político: direcionamento hierárquico, regras...
Importância de um Projeto para a escola
A relevância de um projeto escolar consiste no planejamento que evita improvisação, serviço malfeito, 
perda de tempo e de dinheiro.
Com	planejamento,	fi	ca	bem	claro	o	que	se	pretende	e	o	que	deve	ser	feito	para	se	chegar	aonde	se	
quer. Um bom Projeto Político Pedagógico dá segurança à escola. Escolhem-se as melhores estraté-
gias o que facilita seu trabalho, pois o mesmo está fundamentado no Projeto que norteia toda Unidade 
Escolar. Isso se faz imprescindível para se ter um rumo, visando obtenção de resultados de forma 
mais	efi	ciente,	intensa,	rápida	e	segura.
A escola deve buscar um ideal comum: fazer com que todos os alunos aprendam. Uma boa sugestão 
é	nomear	comissões	de	pais	e	encarregá-las	de	organizar	campeonatos	esportivos	nos	fi	nais	de	se-
mana na quadra da escola, cuidar dos banheiros ou da biblioteca.
* Texto Fragmentado do material didático - Projeto Político Pedagógico/ A Identidade da Escola
Sistema de Ensino Portal Educação e Sites Associados
Fonte:<http://www.portaleducacao.com.br/pedagogia/artigos/3550/projeto-politico-pedagogico-a-
-identidade-da-escola>
87GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Heloísa Lück: “A escola tem a cara de seu diretor”
Professora Heloísa Lück
Em entrevista ao Jornal do Professor, a professora Heloísa Lück traça um panorama da administração 
praticada nas escolas brasileiras, ressaltando a importância dos diretores para o desempenho escolar 
dos alunos.
Segundo ela, que é consultora do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), o mote 
“a escola tem a cara de seu diretor” descreve bem o que se passa nas escolas. “O diretor escolar é o 
responsável pela liderança, organização, monitoramento e avaliação de tudo que acontece na escola”, 
acredita.
Com vasta experiência em administração de sistemas educacionais, Lück se dedica a estudar o as-
sunto há mais de 25 anos. Possui mestrado em Educação e em Humanidades pela Universidade de 
Columbia, além de doutorado em Educação na mesma instituição.
JP. Como a senhora avalia a gestão praticada nas escolas brasileiras hoje em dia?
HL- As práticas de gestão nas escolas que apresentam a melhoria dos resultados educacionais têm 
sido realizadas mediante grande empenho, criatividade e liderança de seus gestores, em especial de 
seus diretores. Há nessas escolas um esforço no sentido de promover consenso e direcionamento 
centrado na realização de objetivos educacionais claramente compreendidos, há envolvimento dos 
pais	na	gestão	da	escola	e	seu	acompanhamento	à	escolaridade	dos	fi	lhos,	assim	como	também	a	
abertura da escola para a comunidade. Mas, sobretudo, a participação efetiva dos diretores escolares 
no acompanhamento do processo ensino aprendizagem, observação da sua efetivação na sala de 
aula, acompanhados de feedback, de modo a promover as mudanças necessárias para que os alunos 
aprendam mais. 
No entanto, apesar desses aspectos altamente animadores, somos obrigados a reconhecer que, em 
geral, faltam aos gestores visão de conjunto, articulação entre os vários segmentos de atuação da 
escola	e	o	empenho	em	enfrentar	os	desafi	os	da	gestão	de	comunidades	escolares	que	apresentam,	
naturalmente,	tensões,	confl	itos,	difi	culdades	e	limitações.	Infelizmente,	somos	obrigados	a	reconhe-
cer	que	falta	profi	ssionalização	dos	diretores	escolares.	Por	profi	ssionalização,	entendemos	o	desen-
88 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
volvimento gradual e contínuo de competências (conhecimentos, habilidades e atitudes), necessários 
para	 assumir	 responsabilidades	 de	 um	 trabalho	 específico	 e	 complexo,	 e	 a	 sua	 aplicação	 efetiva	
nesse trabalho. Temos muito que caminhar para que as nossas escolas públicas tenham uma cultura 
de gestão escolar efetiva, baseada em critérios de competência tanto da gestão, como de todos os 
segmentos de atuação da escola, promovida por essa gestão. Precisamos assentar a gestão da es-
cola	sobre	a	definição	de	planos	consistentes	de	ação,	com	respectivos	parâmetros	de	qualidade	a	
serem continuamente monitorados e avaliados.
2. De que maneira os diretores escolares podem contribuir para a melhoria da qualidade da 
educação?
HL- A qualidade da educação é resultado de um conjunto de fatores internos e externos à escola. Não 
podemos deixar de considerar que os elementos externos, como por exemplo, as intervenções dos 
sistemas	ou	redes	de	ensino	correspondentes	exercem	uma	influência	significativa	sobre	o	estabele-
cimento	de	ensino,	e	nem	sempre	de	caráter	produtivo.	Dentre	os	fatores	internos,	é	de	significativa	
importância	a	atuação	do	diretor	escolar,	uma	vez	que	esse	profissional	é	o	responsável	pela	lideran-
ça, organização, monitoramento e avaliação de tudo que acontece na escola e muitas vezes até, à 
revelia, ou desconsiderando o que foi determinado pela rede ou sistema de ensino a que se subordina. 
O mote comumente repetido de que “a escola tem a cara de seu diretor” é corroborado por pesquisas 
que revelam como uma escola muda seu modo de ser e de fazer, de um ano para outro, a partir da 
mudança de sua direção. A partir dessa condição se conclui que não bastam outras alterações na 
escola, se elas não passarem pela melhoria da atuação do diretor. O diretor escolar é, por assim dizer, 
a	cabeça	que	filtra	as	estimulações	externas	da	escola	e	por	sua	liderança	imprime	um	modo	de	ser	
e de fazer na escola. Portanto, cabe ao diretor escolar, ao assumir as responsabilidades pela gestão 
da escola, preparar-se para esse exercício e, durante o mesmo, estar atento às oportunidades diárias 
de	sistematização	de	conhecimentos	específicos	desse	trabalho	e	desenvolvimento	de	competências.
3. Quais os principais fatores que devem nortear o trabalho de diretores escolares?
HL-	Quem	assume	os	desafios	de	gestão	escolar,	como	diretor,	avoca	a	si	responsabilidades	espe-
ciais. Resumir aqui os principais fatores é temerário, pois as perspectivas dessa abordagem são múl-
tiplas. Porém, podemos indicar algumas questões cruciais. Em primeiro lugar, o entendimento de que 
enfrentar problemas é a questão mais natural do trabalho educacional com pessoas,pois educação 
pressupõe desenvolvimento, mudança e esforço nesse sentido. Lamentar que eles existam represen-
ta negá-los e, dessa forma apresentar uma reação negativa em relação a eles. Aceitá-los, assumi-los, 
estar atentos à sua ocorrência e trabalhar para superá-los constituem condição do trabalho da ges-
tão. Atuar com essa perspectiva representa promover processo educacional de qualidade e também 
desenvolver competências de gestão. Em segundo lugar, apontaríamos a sensibilidade para o modo 
como as pessoas percebem e interpretam a escola, o processo educacional em todos os seus desdo-
bramentos,	e	o	seu	papel	pessoal	no	conjunto	e	as	especificidades	desse	processo.	Isso	porque	as	
pessoas atuam a partir dessa interpretação. Como gestão pressupõe um processo de mudança, esta 
apenas se processa a partir da mudança dessas interpretações. Outro aspecto importante diz respeito 
à clareza do foco do trabalho que é a aprendizagem e formação dos alunos, para cuja promoção 
tudo o que se realiza na escola deve estar voltado. Vale dizer que, de todas as dimensões da gestão 
89GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
escolar, a pedagógica deve ser a central, para a qual todas as demais devem convergir. Outro fator 
é o processo contínuo de organização da escola, monitoramento e avaliação contínuos de seu plano 
de ação, de modo a promover seu aprimoramento contínuo. Tudo realizado com elevado espírito de 
comprometimento e liderança. 
4. A gestão democrática das escolas, citada na LDB e na Constituição Federal, é sempre muito 
debatida. O que caracteriza este modelo de administração?
HL- A gestão democrática constitui-se em determinação explicitada tanto na Constituição Federal, 
como na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Ela pressupõe uma escola participativa, 
marcada pelos princípios de inclusão e de qualidade para todos. Podemos dizer que ainda estamos 
aprendendo	democracia	e	que	temos	uma	visão	insuficiente	e	até	mesmo	distorcida	a	respeito	desse	
importante componente político dos processos sociais em nossas instituições (não apenas nas es-
colares). Cremos, limitadamente, que democracia se faz, sobretudo, com eleição de representantes 
e não com a participação de todos para a construção de um projeto comum. Democracia na escola 
constitui o seu fortalecimento institucional como unidade social capaz de assumir suas responsabilida-
des, de forma compartilhada e participativa, com transparência e orientação para que todos cresçam 
como cidadãos nesse processo. É esse o foco da gestão democrática, e é fazendo isso que a escola 
constrói e conquista a sua autonomia. Observamos, no entanto, que em nome da gestão democrá-
tica, entendida inadequadamente, pratica-se na escola a falta de organização de ordem, de sentido 
comum, de cumprimento das responsabilidades sociais da escola. É bom lembrar que democracia 
pressupõe ordem e organização e é o seu estabelecimento no interior da escola, voltado para a for-
mação da cidadania e aprendizagem que é o foco do trabalho do diretor escolar. 
5. Qual a importância de se criar um projeto político-pedagógico para a escola? Ele deve ser 
revisado todo ano?
HL- O projeto político-pedagógico da escola, produzido de forma compartilhada por todos os parti-
cipantes da comunidade escolar, constitui-se em um mecanismo em torno do qual três importantes 
vertentes emergem: i) são construídos consensos, unidade de ação e compromissos, fundamentados 
por	valores,	princípios	e	diretrizes	sólidos.	ii)	é	definido	um	instrumento	de	trabalho,	a	partir	do	qual	
são	especificados	os	ritmos	constantes	de	ação,	a	sua	natureza	e	os	seus	resultados	respectivos;	e	
iii)	são	estabelecidos	os	critérios	de	verificação	da	efetividade	do	trabalho	realizado.	O	Projeto	Político-
-Pedagógico é, portanto, fundamental para nortear o trabalho da escola, dando-lhe unidade, direcio-
namento	e	consistência.	A	partir	dele	a	atuação	de	todos	os	profissionais	da	escola	é	balizada.	Esse	
projeto, que incorpora o currículo a que os alunos devem ser expostos, deve ter uma característica 
dinâmica, e ser delineado e revisado continuamente, levando em consideração o estudo aprofundado 
dos fundamentos, disposições legais e metodologias apropriadas à organização educacional para a 
formação e aprendizagem dos alunos; a evolução do mundo contemporâneo, mediato e imediato; as 
características histórico-culturais da comunidade em que a escola está inserida, e da própria escola 
em seu trabalho sócio-educacional; as características e necessidades de desenvolvimento dos alunos 
dentre outros aspectos.
90 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
6.	A	gestão	escolar	perpassa	três	esferas	administrativas:	a	fi	nanceira,	a	pessoal	e	a	pedagógi-
ca.	De	que	maneira	os	diretores	escolares	podem	conciliar	a	gestão	das	três	áreas.
HL - Deve-se reconhecer que sem essa conciliação, não se realiza a gestão. Isso porque a gestão 
pressupõe a articulação de todos os componentes que interferem na realização do trabalho educa-
cional. Aliás, é bom lembrar que o trabalho isolado e até mesmo desarticulado em cada uma dessas 
dimensões caracteriza um ativismo fragmentado da promoção de resultados e, em conseqüência, que 
representa enorme prejuízo educacional, com gastos de tempo, esforços e recursos, sem melhoria da 
qualidade	do	ensino.	É	bom	lembrar	que	a	gestão	fi	nanceira	e	a	gestão	de	pessoas	devem	convergir	
para a gestão pedagógica que focaliza diretamente os objetivos educacionais de formação e apren-
dizagem dos alunos. Essa conciliação é feita mediante a adoção de uma ótica interativa superadora 
do valor em si de cada dimensão da gestão, tal como apresentado em um livro que escrevi sobre a 
questão: “Gestão educacional: uma questão paradigmática”, publicado pela Editora Vozes. 
7. Qual a função dos conselhos escolares na gestão de um colégio?
HL- O conselho escolar é um órgão colegiado e um mecanismo de gestão democrática. A gestão 
colegiada se realiza formalmente na escola a partir de órgãos colegiados, como os conselhos es-
colares, as associações de pais e mestres, os grêmios estudantis, que se constituem em espaços 
efetivos de participação da comunidade escolar na gestão da escola. Essa participação constitui-se 
em condição fundamental no sentido de tornar a escola uma efetiva unidade social de promoção da 
educação, apenas plenamente possível mediante a participação da comunidade, segundo o princípio 
de que é necessária toda uma comunidade para educar uma criança. Originariamente, na introdução 
de colegiados escolares, nas escolas públicas brasileiras, as associações de pais e mestres (APMs) 
e das caixas escolares foram as mais praticadas, tendo apenas recentemente ganho reforço a ins-
tituição de conselhos escolares, a partir de política do MEC, que preparou um material muito bom 
para orientar esse trabalho. Embora sejam reconhecidas as contribuições dessas entidades à gestão 
escolar, reconhece-se também a necessidade de avanços no processo participativo, particularmente 
no	sentido	de	uma	nova	concepção	da	escola	como	unidade	básica	pedagógica,	gestora	e	fi	nanceira,	
gerida colegiadamente, mediante a participação de professores, pais e comunidade. Cabe destacar 
que a participação na gestão da escola implica no poder real dos participantes da comunidade escolar 
de tomar parte ativa no processo educacional. No entanto, essa participação se expressa para além 
da participação nos órgãos colegiados, pois ela pode dar-se a partir de um leque variado de possibili-
dades, e em inúmeras atividades cotidianas do fazer pedagógico da escola. 
Fonte:	Renata	Chamarelli:	<http://portaldoprofessor.mec.gov.br>	Acesso	em	4	abr.	2012.
91GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Sugestão de filme:
Pro dia nascer feliz
Direção:João Jardim
Obra brasileira
Gênero: documentário
Duração: 88min.
O	fi	lme	apresenta	uma	leitura	da	realidade	das	escolas	brasileiras	intitulado	pelo	autor	de	“um	diário	
de observação da vida do adolescente no Brasil”.
O caminho revela o ambiente escolar, na maioria das vezes precário, marcado pela divisão de classe 
e falta de administração. Nos possibilita analisar a importância da Gestão Escolar na qualidade edu-
cacional.
92 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Indicação de leitura
VASCONCELLOS, Celso dos S . Planejamento: Plano de Ensino-Aprendizagem e Projeto Pedagógi-
co. São Paulo: Libertad, 1995 
GANDIN, Danilo. A prática do planejamento participativo. Petrópolis: Vozes, 1995.
ATIVIDADE DE AUTOESTUDO 
1. O Projeto Político-Pedagógico consolida as ações intencionais da comunidade educativa. 
Analise	esta	afi	rmação	e	escreva	sobre	a	importância	da	participação	coletiva	na	constru-
ção do PPP.
93GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
2. Escreva uma carta-comunicado direcionada ao corpo docente de modo a convencê-los 
da importância da participação dos mesmos na construção do PPP, bem como da riqueza 
deste documento.
3. O Projeto Político-Pedagógico (PPP) tem vital relevância para a instituição escolar, pois, 
reflete	a	visão	de	mundo	do	cidadão	crítico.	Escreva	sobre	o	papel	do	pedagogo	na	cons-
trução do mesmo.
4. 	 Analise	as	dificuldades	elencadas	para	a	efetivação	do	PPP.	Você	concorda	com	os	auto-
res?	Existem	outras	dificuldades	que	não	estão	listadas	aqui?	Quais?	
UNIDADE IV
PLANEJAMENTO E TRABALHO COLETIVO
Professora Me. Adriana Salvaterra Pasquini
Professora Me. Marcia Maria Previato de Souza
Objetivos de Aprendizagem
•	 Discutir sobre a função da escola na sociedade contemporânea.
•	 Analisar a importância do planejamento para a organização do trabalho pedagógi-
co.
•	 Conhecer os níveis do Planejamento Educacional.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
•	 A Função da escola na sociedade contemporânea
•	 	 O	planejamento	escolar	enquanto	instrumento	de	ratificação	do	ensino	e	da	
aprendizagem
•	 As dimensões do Planejamento Educacional
97GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
INTRODUÇÃO
Nesta unidade discutiremos a importância de resgatar a função social da escola, que é o 
compromisso com o conhecimento científico por meio do Plano de trabalho Docente que está 
diretamente vinculado ao Projeto Político-Pedagógico.
Como você bem sabe, a Proposta Pedagógica Curricular (PPC), parte integrante do Projeto 
Político-Pedagógico, em consonância com as concepções teóricas, explicita e norteia o 
conhecimento científico e os conteúdos selecionados das disciplinas para todas as séries 
ofertadas pelo estabelecimento de ensino.
Por sua vez, o Planejamento ou Plano de trabalho docente, reflete na prática a consolidação 
do conhecimento científico. Por isso, julgamos indispensável a referida discussão a fim de 
organizar o trabalho escolar e auxiliar na superação de problemas do cotidiano escolar , 
tais como: evasão dos alunos, aprovação por Conselho de Classe (APC) e alto índice de 
reprovação.
Os problemas acima relacionados estão totalmente relacionados com o encaminhamento do 
PTD e, assim, com o currículo. Por isso, professores e equipe pedagógica devem assumir com 
veemência encaminhamentos que favoreçam a elaboração de um planejamento que esteja a 
serviço do processo de ensino e aprendizagem. 
Perceberam a dimensão da nossa responsabilidade? Então, vamos lá, aos estudos!!!
98 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
“A função social da escola é consolidar o conhecimento científico”.
A FUNÇÃO DA ESCOLA NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA 
Nas unidades anteriores, discutimos a contextualização da Gestão Escolar, bem como 
o desafio de construir no cotidiano educacional a Gestão Democrática tão bem amparada 
legalmente, porém tão distante da realidade de muitas instituições escolares.
Agora, nesta unidade, discutiremos a importância do Planejamento na organização do trabalho 
pedagógico, porém antes de adentrarmos em tal especificidade julgamos necessário analisar 
a função social da educação e da escola no processo de formação de homens e mulheres 
críticos, ou seja, sujeitos da história.
A partir da constatação de que não somos sujeitos naturalmente constituídos, mas, 
historicamente construídos, julgamos necessário discutir o papel da educação na sua origem, 
pois como dizia e velho e bom Marx: “A educação influencia e é influenciada pelo momento 
histórico”.
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99GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
A importância de compreender esse processo de relação social é expressa por Marx e Engels 
(A ideologia Alemã) ao escreverem 
[...] não se parte daquilo que os homens dizem, imaginam ou se representam, e também 
não dos homens narrados, pensados, imaginados, para daí chegar aos homens em 
carne e osso; parte-se dos homens realmente ativos, e com base no seu processo real 
de vida apresenta-se também o desenvolvimento dos reflexos e ecos ideológicos deste 
processo de vida. Também as fantasmagorias no cérebro dos homens são sublimados 
necessários do seu processo de vida material, empiricamente constatável e ligado a 
premissas materiais (MARX e ENGELS, 1982, p.14).
Desse modo, podemos afirmar que a educação forma o homem necessário a cada época. 
Basta analisar as comunidades primitivas, nelas a propriedade dos meios de produção 
pertenciam à coletividade, ou seja, tudo o que era conseguido por uma pessoa era partilhado 
com a tribo. 
Nunca é demais dizer que essa forma de organização reflete na educação de membro da 
tribo. Educação esta compreendida no seu sentido mais amplo (informal) uma vez que naquele 
período histórico não havia a educação formal ou sistematizada, como conhecemos hoje nas 
instituições escolares. 
É possível percebermos que naquele período homens e mulheres não tinham interesse em 
acumular, mas trabalhavam praticamente para produzir sua existência.
De acordo com Ponce, é por meio desta educação que deriva a estrutura homogênea do 
ambiente social. O mesmo autor também enfatiza:
Os interesses comuns do grupo, realizam igualitariamente em todos os seus membros, 
de modo espontâneo e integral: espontâneo na medida em que não existe nenhuma 
instituição destinada a inculcá-los, integral no sentido que cada membro da tribo 
incorporava mais ou menos bem tudo o que na referida comunidade era possível 
receber e elaborar (PONCE,1994, p.21).
Assim é imprescindível a compreensão das questões econômicas, políticas e ideológicas que 
fundamentam a prática dos homens em períodos históricos específicos, para compreender 
100 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
as relações sociais originadas nas transformações das formas de trabalho que os homens 
desenvolvem na tentativa de suprir as necessidades por eles criadas. Uma vez que essas 
formas de trabalho são modificadas, em virtude da mudança dos meios utilizados para a 
produção da vida material, novas formas de relações sociais entre os homens também sofrem 
alterações. Retomemos um pouco a história dessas mudanças. 
Quando a produção artesanal começa a ser realizada nas manufaturas, já em fins da Idade 
Média, aumenta-se a importância da produção de mercadorias, o trabalho é colocado sob novas 
bases e a relação trabalhador/empregador é alterada. Conforme Marx (1985), o trabalhador 
é tornado livre de duas maneiras, livre para dispor de sua força de trabalho comomercadoria 
sua – e livre de não dispor de nenhuma outra mercadoria para vender. Quando a manufatura 
torna-se insuficiente, é substituída pela indústria moderna e o instrumento de trabalho deixa de 
ser a ferramenta e passa a ser a máquina, surge a forma específica de produção capitalista e 
a forma de propriedade deixa de ser a terra e passa a ser os instrumentos de produção. Assim 
a propriedade burguesa não é algo para somente ter e usufruir, e sim para trocar, vender. O 
trabalhador nesse momento vende então aquilo que é considerada sua única propriedade, sua 
força de trabalho.
Como você pôde constatar, as mudanças ocorridas no modo de organização da sociedade, 
decorrem principalmente em razão da substituição da propriedade comum pela propriedade 
privada.
Assim, muda a relação entre as pessoas, pois se a sociedade primitiva era marcada pela 
propriedade coletiva, agora, a propriedade privada é que norteia as relações de poder que se 
dão entre elas. 
E a educação continua a mesma?
101GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
De acordo com Ponce, ocorreu uma mudança de paradigma educacional:
Com o desaparecimento dos interesses comuns a todos os membros iguais de um grupo 
e a sua substituição por interesses distintos, pouco a pouco antagônicos, o processo 
educativo, que até então era único, sofreu uma partição: a desigualdade econômica 
entre os organizadores e os executores trouxe, necessariamente, a desigualdade das 
educações respectivas (PONCE, 1994, p. 27).
A partir da nova estrutura social, política e econômica, observamos que modificam-se também 
os paradigmas educacionais. A nova forma de organização da sociedade apresenta uma 
estrutura totalmente hierarquizada, na qual os interesses da classe dominada não são os 
mesmos da classe dominante.
Gostaríamos de destacar que a classe que domina tem interesse em perpetuar-se no poder, e 
se esmera em fazer com que a classe trabalhadora comungue com esta sociedade desigual, 
percebendo-a como natural e imutável.
Percebemos então que, na sociedade organizada sob a égide do sistema capitalista e com o 
aperfeiçoamento da maquinaria, muda-se a forma de organização da sociedade, bem como a 
concepção de homem, de trabalho e consequentemente de educação.
Sob a ótica capitalista, a educação (formal) assume uma função de preparar o indivíduo 
tecnicamente para responder às exigências do mercado de trabalho. 
Ao discorrer sobre o assunto, Frigotto (1999, p. 26 )afirma que esta é uma maneira de 
“subordinar a função social da educação de forma controlada para responder às demandas 
do capital”.
Contraditoriamente, para a classe trabalhadora a educação é instrumento de formação integral 
por meio da apropriação do conhecimento científico. 
102 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
A partir de tal perspectiva, percebe-se que a concepção de educação que estamos defendemos 
pauta-se em uma concepção crítica que compreende o homem na sua totalidade, e não apenas 
sob o aspecto de produtor do capital. 
Deste modo, ao pensarmos na função social da escola hoje, devemos considerar práticas 
educacionais, que atendam à formação integral do indivíduo, considerando-os como sujeitos 
históricos.
Desse modo, podemos dizer que a função social da educação e da escola não está meramente 
na preparação do indivíduo para o mercado de trabalho, mas sim na compreensão de uma 
educação como prática social.
Ao discorrer sobre o papel da educação, Vitor Henrique Paro escreve:
Na história da humanidade, a apropriação da herança cultural anterior sempre 
desempenhou papel central e decisivo sem a qual a própria construção do homem 
em sua especificidade seria inviabilizada. Nessa construção histórica, ao se propor o 
supérfluo e ao buscar realizá-lo, o homem mantém contacto com a natureza e com seus 
semelhantes, produzindo conhecimentos, valores, técnicas, comportamentos, arte, tudo 
enfim que podemos sintetizar com o nome de saber historicamente produzido.“Para que 
isso não se perca, para que a humanidade não tenha que reinventar tudo a cada nova 
geração, fato que a condenaria a permanecer na mais primitiva situação, é preciso 
que o saber esteja permanentemente sendo passado para as gerações subsequentes. 
Essa mediação é realizada pela educação, entendida como a apropriação do saber 
historicamente produzido. Disso decorre a centralidade da educação enquanto condição 
imprescindível da própria realização histórica do homem” (PARO, 1997, p. 108).
Ainda de acordo com o autor, o grande erro da escola básica tem sido o de servir ao capital, 
pois se preocupa de modo considerável em levar os alunos a um trabalho futuro. 
Dessa forma, a escola tem contribuído muito mais para o mercado de trabalho e acúmulo do 
capital do que para a formação integral do indivíduo, ou seja, para o “mundo do trabalho”.
103GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
“Preparar para o mundo do trabalho, eis o desafio da escola”.
O PLANEJAMENTO ESCOLAR ENQUANTO INSTRUMENTO DE 
RATIFICAÇÃO DO ENSINO E DA APRENDIZAGEM
O início do ano letivo se aproxima e nos deparamos com as “famosas” reuniões pedagógicas 
de abertura e organização do trabalho pedagógico a ser realizado. Em meio a leituras e 
reflexões, um momento é fundamental: analisar e organizar o PLANEJAMENTO.
Mas será que em pleno século XXI, em meio a tantas novidades proporcionadas pelo 
desenvolvimento tecnológico, o Planejamento é ainda necessário?
Veja bem, quem se deixa levar ao acaso corre o risco de não atingir o destino desejado. Por 
isso, prezado(a) aluno(a), o Planejamento Escolar não caiu em desuso e, se algum profissional 
da educação assim o fez, cometeu o maior erro que um profissional pode fazer, ou seja, caiu 
no improviso, o que aumenta suas chances de pouco contribuir para que a escola cumpra 
sua função social: analisar e discutir o conhecimento científico acumulado historicamente pela 
humanidade.
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104 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Conforme discorremos na unidade anterior, educação diz respeito à assimilação da cultura 
e é a escola, por excelência, o espaço onde vemos a possibilidade de transformarmos a 
mera informação em conhecimento sistematizado e criticamente analisado. A partir de tal 
constatação, o Planejamento se constitui no instrumento que favorece a ratificação desse 
conhecimento às gerações futuras. Nos dizeres de Akácia Kuenzer (2002, p. 78), “não há 
mudança sem direção; portanto, ao planejar é preciso que se saiba onde se pretende chegar”.
De acordo com estudos apresentados pelo CINFOP/Universidade Federal do Paraná, o ato de 
planejar sugere três movimentos:
1. Clareza de onde se quer chegar.
2. Dimensionar a que distância se está do objetivo a ser atingido.
3. Definição	do	que	se	deve	fazer	para	diminuir	essa	distância.
Corroborando com esta perspectiva, Celso Vasconcellos (2001) afirma que a elaboração do 
planejamento possui alguns elementos básicos os quais todo profissional da educação precisa 
ter clareza, são eles:
1. A Finalidade.
2. A realidade.
3. Plano de ação.
De acordo com o autor supracitado, é nesse momento que o professor demonstra ter 
assumido ou não o seu papel, pois, nos dizeres de Vasconcellos (2001) “o planejamento é 
uma organização de possibilidades”.
Gostaríamos de enfatizar aqui a necessidade da superação da visão de que o Planejamento 
cumpre um papel meramente burocrático, o ato de planejar é um momento importantíssimo 
que está além do preenchimento de planilhas e quadros. É neste momento que professores e 
105GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação aDistância
equipe pedagógica, mediados pelos objetivos da instituição, explicitam suas finalidades. 
Como já discutimos anteriormente, o Projeto Político-Pedagógico norteia todo o trabalho da 
instituição escolar e é no Plano de Trabalho Docente que o mesmo se materializa no contexto 
da sala de aula.
A unicidade entre teoria e prática consiste em um dos principais desafios do contexto 
educacional, e o planejamento pode ser um importante instrumento de concretização da tão 
desejada Práxis (articulação entre pensamento e ação).
Ao analisarmos a Práxis em relação ao planejamento educacional, Paro (2006) explicita 
dois posicionamentos: o primeiro nomeado como prática espontânea, encaminhada para 
resolver necessidades imediatas, sem uma visão clara do objetivo que se pretende alcançar, 
e outro denominado por práxis reflexiva, representada pela ação consciente que se tem 
das condições individuais e coletivas do processo de ensino e aprendizagem, e conhecer as 
condições nas quais a educação escolar acontece é fundamental.
Nesse segundo posicionamento é perceptível que teoria e prática são indissolúveis, ou seja, 
possuem suas especificidades, mas assumem no planejamento um papel único. 
O planejamento deve ter clareza dos objetivos a serem atingidos e ao mesmo tempo propor 
situações de ensino que possibilitem a superação de problemas do cotidiano escolar, tais 
como: não consolidação do processo de alfabetização, evasão dos alunos, aprovação por 
Conselho de Classe (APC) e alto índice de reprovação.
Observe com atenção as experiências apresentadas na Revista Nova Escola por gestores na 
superação desses problemas:
106 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Foco na leitura e na escrita
Escola de Utinga garante a alfabetização com acompanhamento do aprendizado e atividades diversi-
fi	cadas	segundo	os	saberes	dos	alunos.
No diagnóstico realizado em novembro, 74 dos 78 alunos dos três primeiros anos da EM Coronel 
Odilon Alves Peixoto de Athayde, localizada em Utinga, a 437 quilômetros de Salvador, estavam alfa-
béticos. Os outros quatro, a um passo de atingir esse nível. O sucesso em ter todos alfabetizados aos 
8 anos é fruto de um acompanhamento sistemático do desempenho das turmas e de reuniões sema-
nais de planejamento que permitem trabalhar atividades ajustadas às necessidades de cada criança. 
Os estudantes que precisam de apoio extra são chamados a participar de aulas de reforço no con-
traturno,	 três	 vezes	 por	 semana,	 reunidos	 segundo	as	 difi	culdades	 que	apresentam.	Em	 reuniões	
quinzenais, o professor desse grupo - destacado do quadro da escola - conversa com o titular para 
saber	quais	conteúdos	devem	ser	 intensifi	cados.	 “A	direção	participa	dos	encontros	para	saber	as	
providências	que	precisam	ser	 tomadas	a	 fi	m	de	garantir	 o	espaço	e	o	material	 necessários”,	 ex-
plica Carla Ribeiro do Nascimento, coordenadora pedagógica do 1º ao 5º ano. A diretora, Maria 
Dilza	Santos	Reis	Silva,	afi	rma	que	essa	articulação	da	equipe	é	um	dos	fatores	responsáveis	pelo	
aprendizado: “As atividades são decididas nos encontros pedagógicos e são revisadas rapidamente 
quando os objetivos não estão sendo atingidos”. 
Fazer	com	que	os	alunos	se	envolvam	em	diferentes	situações	de	leitura	a	fi	m	de	se	tornarem	leitores	
competentes faz parte da proposta pedagógica de toda a escola, que atende do 1° ao 9° ano do Ensi-
no Fundamental e o Ensino Médio. O acervo de livros não é grande, mas a sala de leitura é concorrida 
graças às várias propostas. Uma delas é o projeto de leitura simultânea, em que os docentes do 1º 
ao 5º ano leem, no mesmo dia e horário, um trecho de um livro para a turma. Os alunos escolhem a 
história que querem ouvir lendo as resenhas expostas em cartazes nos corredores. A ideia é instigá-
-los a pegar o livro emprestado para ler o resto do texto em casa. 
A Odilon conta também com uma professora especializada em alfabetização. Sirleide Dias trabalha lá 
há seis anos. Geralmente dá aulas para o 1º ano, quando não é chamada a assumir turmas que têm 
107GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
alunos	com	mais	difi	culdade	na	leitura	e	escrita.
Há três anos, a escola aumentou de quatro para seis o número de avaliações anuais das séries iniciais 
do Ensino Fundamental. Isso ajuda a detectar os problemas assim que eles aparecem - e resolvê-los. 
Quem já sabe ler e escrever também tem atenção especial: “Eles recebem atividades extras de com-
preensão de texto para ganhar autonomia como leitores”, explica Marlene Bodnachuk, supervisora da 
rede.
Garantir a alfabetização
Quantifi	car	o	número	de	alunos	não	alfabéticos Com base na avaliação inicial e no resultado da 
Provinha Brasil - ou de exames similares estaduais ou municipais -, levante quantos alunos do 2º e 3º 
anos	ainda	não	estão	alfabetizados.	Identifi	que	o	que	já	sabem	e	o	que	ainda	precisam	aprender	para	
embasar o planejamento de projetos e atividades. 
Refl	etir	sobre	os	resultados Com base no diagnóstico levantado e nos dados dos alunos, prepare 
um	roteiro	de	perguntas	a	fi	m	de	averiguar	com	a	equipe	gestora	os	fatores	que	impactaram	os	resul-
tados. Algumas sugestões: 
- Há descompasso entre o que as crianças aprendem e o que deveriam aprender? 
- Os materiais existentes na escola são disponibilizados aos professores e aos alunos? 
- Os livros são usados com regularidade? A quantidade atende à demanda? 
- Os professores são assíduos e participam das reuniões de planejamento e de formação continuada? 
- Os instrumentos de avaliação contribuem para rever as condições e os processos de ensino? 
Formar professores Junto à coordenação pedagógica, analise as estratégias formativas necessárias 
para que o corpo docente se capacite e consiga atender cada um dos alunos não alfabéticos. 
Revisar as metas Assegure espaço, tempo e material para as reuniões de formação e para que a 
coordenação pedagógica tenha tempo de observar o desempenho do professor em sala de aula. É 
108 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
importante	 também	 revisar	as	metas	de	curto	e	médio	prazos	periodicamente,	a	fim	de	avaliar	as	
ações	efetivas	e	intensificá-las,	e	ajustar	as	que	não	estão	dando	resultado.	
Assegurar a infraestrutura Para montar turmas de apoio, é preciso reservar uma sala e realocar os 
docentes, além de prever o material necessário e garantir os encontros entre o professor da classe e 
o do reforço. 
Criar um ambiente alfabetizador Listas de nomes próprios nas paredes, cartazes, murais com a 
produção escrita dos alunos e a presença de textos em diversos suportes favorecem a participação 
das crianças em atividades de leitura e escrita. 
Promover a leitura Torne essa uma ação rotineira na escola, com rodas de leitura pelo professor dia-
riamente. Para ampliar o acervo de livros e contemplar gêneros variados, vale recorrer ao Programa 
Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) ou a projetos similares da rede. 
Estimular a participação dos funcionários A leitura pode se transformar em um valor da equipe 
escolar quando todos os funcionários são convidados a participar dos encontros em que são lidas 
histórias para os alunos - ou mesmo ter momentos somente para eles -, a frequentar a biblioteca e a 
tomar livros empresados. 
Considerar as necessidades especiais	O	PPP	deve	prever	a	flexibilização	das	situações	de	ensino,	
com recursos visuais, sonoros e táteis para crianças com necessidades educacionais especiais. Se 
não houver um especialista nesse assunto na escola, é possível acionar a Secretaria de Educação 
para obter o material necessário.
Evasão Escolar
Para acabar com a evasão, escola de Cuiabá controla as faltas, oferece apoio pedagógico e promove 
atividades nocontraturno
ATIVIDADES	NO	CONTRATURNO	Luzia	investiu	em	oficinas	como	a	de	música	e	de	produção	de	
texto para melhorar o aprendizado
Em 2006, a EE Dom José Despraiado, em Cuiabá, tinha um sério problema: cerca de 10% dos alu-
nos abandonavam as salas de aula - o que somava de 50 a 60 crianças todos os anos deixando de 
estudar. Os motivos: histórico de repetência, defasagem idade/série e até mesmo o descrédito da 
109GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
comunidade em relação à escola por ela receber alunos de um dos bairros mais violentos da cidade. 
Partiu de um grupo de professores a proposta de revisar o PPP e passar a fazer um acompanhamento 
rigoroso do aprendizado das turmas - o que até então não ocorria. “Nas formações e em outros mo-
mentos, passamos a trocar experiências sobre as atividades que davam certo em sala de aula e rever 
as que não conseguiam alcançar os objetivos”, lembra a diretora, Luzia Pereira de Souza Abic, que já 
foi professora e, na época, assumiu a coordenação de projetos. Primeiro era preciso fazer com que 
os alunos aprendessem de fato. Para isso, a equipe elaborou uma série de ações para trabalhar os 
conteúdos	de	maneira	diferenciada.	Luzia	ficou	responsável	por	implementá-las.	Uma	delas	foi	o	Chat	
Educativo, focado no desenvolvimento da escrita, que incentivou a troca de cartas pelo correio com 
alunos	de	outras	escolas.	Outra	foi	a	Sexta	Atrativa,	oferecendo	oficinas	que	trabalhavam	Matemática	
e produção de texto, além de música e teatro. Ambas as iniciativas foram posteriormente incorporadas 
ao programa Mais Educação, do Ministério da Educação (MEC), que promove a adesão de escolas 
ao período integral. “Queremos valorizar o aluno e despertar nele a vontade de frequentar a escola”, 
afirma	Catarina	Cortez,	superintendente	de	gestão	escolar	da	Secretaria	de	Educação	do	Estado	de	
Mato Grosso. 
Depois, era preciso acabar com as faltas. O controle de presença virou prioridade. Além dos telefone-
mas	aos	pais	e	visitas	à	casa	dos	alunos	após	duas	ou	três	abstenções	sem	justificativas,	os	gestores	
incorporaram	à	rotina	uma	ronda	pelo	comércio	local,	onde	geralmente	os	estudantes	ficavam	quando	
matavam aula. O uso do uniforme, antes obrigatório, tornou-se opcional e ninguém mais foi impedido 
de entrar por estar sem a camiseta da escola. 
No	apoio	pedagógico	aos	alunos	com	dificuldades	de	aprendizagem,	há	a	preocupação	em	buscar	
maneiras	eficientes	de	ajudá-los	e	aumentar	o	tempo	em	sala	de	aula.	“Com	base	nos	diagnósticos,	
o professor regular e o do contraturno estudam teoria e didáticas para encontrar novas abordagens”, 
relata Margarete Aparecida Borges Silva, coordenadora pedagógica da Dom José. 
Com tudo isso, a evasão chegou a zero em 2010. “A responsabilidade pelo fracasso não é mais 
atribuída aos alunos ou à família. Transformamos a escola em um espaço agradável de conviver por 
meio da ampliação do currículo, do respeito ao educando e do esforço em atender aos princípios 
estabelecidos	coletivamente”,	afirma	a	diretora.
110 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Zerar a evasão
Identificar	os	motivos: tenha em mãos o número de evasão para detectar as causas. Necessidade 
de trabalhar e gravidez precoce costumam ser as mais comuns, mas certamente a não-aprendizagem 
é o fator que mais contribui para o aumento desse índice. Procure saber em que séries isso acontece 
com maior incidência, a relação entre evasão e repetência e se a escola possibilita a participação de 
alunos em projetos extraclasse. 
Controlar as faltas: solicite aos professores que informem a equipe gestora em caso de duas ou três 
faltas	seguidas	sem	justificativa	de	um	aluno.	Peça	que	alguém	da	secretaria	ligue	para	os	pais	do	
aluno	-	ou	faça	isso	você	mesmo.	Caso	o	telefonema	não	seja	suficiente,	uma	visita	domiciliar	pode	
ajudar. O importante é reforçar junto à família a importância de a criança frequentar a escola. 
Envolver a família: durante todo o ano, promova encontro com os pais para conversar sobre o PPP 
e mostrar como podem ajudar a valorizar os estudos - perguntar sobre lições de casa e projetos e 
participar de reuniões e eventos são ações simples que produzem resultado. 
Oferecer propostas diferenciadas: planeje com os professores atividades na hora do recreio ou no 
contraturno	-	como	oficinas	culturais	e	esportivas	e	a	monitoria	no	laboratório	de	informática.	Crianças	
e jovens se sentem estimulados a aprender quando têm a chance de desenvolver outros talentos e 
habilidades. 
Buscar parcerias: faça um levantamento dos espaços culturais e de lazer (centros culturais, biblio-
tecas comunitárias e ginásios esportivos) para fortalecer o trabalho oferecido pela escola e facilitar 
problemas como a violência no entorno, fator que contribui para a evasão. 
Ofertar cursos e estágios: para evitar que os jovens matriculados nos últimos anos do Ensino Fun-
damental e no Ensino Médio abandonem os estudos, entre em contato com empresas e centros de 
Educação	profissional	para	oferecer	estágios	e	cursos	técnicos	profissionalizantes.
Todos avançando juntos
Em Rio Branco, escola reduz repetência ao investir em aulas de reforço e acompanhamento do de-
sempenho. 
Quem acessa o blog da EEEF Georgete Eluan Kalume, de Rio Branco, se depara com fotos de aulas 
111GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
de	música,	leitura	ou	de	uma	reunião	de	planejamento.	Diante	disso,	fica	difícil	imaginar	que,	há	quatro	
anos, tudo era diferente. Em 2008, o nível de repetência nas séries iniciais do Ensino Fundamental 
chegava a 17% e distorção idade/série era de 23,5%. 
Para reverter esse quadro, a direção investiu em aulas de reforço para os alunos reprovados e os que 
tinham	dificuldade	de	aprendizagem.	O	professor	titular	passou	a	receber	um	complemento	salarial	
para estender a jornada de trabalho. “Se o aluno não pode vir no contraturno por motivo de transporte, 
o apoio pedagógico é feito duas ou três vezes por semana no horário de aula, em agrupamentos 
específicos	e	com	atividades	diferenciadas”,	explica	Nancy	Magalhães	de	Souza,	coordenadora	peda-
gógica. Faltas não são toleradas. “Ligamos para os pais e vamos até a casa do aluno saber as causas 
da ausência”, diz a diretora, Nilva Souza de Lima. A direção também avaliou ser importante o apoio 
da	família	no	incentivo	aos	estudos	e	oferece	à	comunidade	oficinas	e	palestras.	“Os	pais	dão	mais	
atenção às tarefas de casa”, diz Nancy. Esse conjunto de ações resultou em alunos mais comprometi-
dos. Em 2010, o número de reprovados na primeira etapa do Ensino Fundamental caiu para 3,6% - e 
este ano beira o 1% -, a distorção caiu para 2,61% e o Ideb foi de 4,1, em 2007, para 5,4, em 2009.
Diminuir a retenção
Levantar histórico: reúna os dados gerais da escola e também os por turma, comparando com o de 
anos	anteriores,	para	observar	se	o	problema	está	em	uma	série	específica.	
Analisar as causas: com a coordenação pedagógica e os docentes, discuta sobre os alunos que re-
petem de ano: os professores os envolvem nas atividades propostas? São indisciplinados? Participam 
de outros projetos da escola no contraturno?
Estruturar aulas de reforço: os alunos podem ser agrupados na própria sala de aula, segundo os 
conteúdos	em	que	precisam	de	reforço	ou	em	turmas	específicas	no	contraturno.	Cabe	às	equipes	
gestora e pedagógica discutir a melhor forma de oferecer o apoio, considerando a orientação da rede 
e a disponibilidade de salas e educadores.
Planejar atividades diferenciadas: a coordenação pedagógica deve prever maneiras de ajudar o 
corpo docente a desenvolver atividades e intervenções que atendam às necessidades dos alunos e a 
acompanhar a evolução dos diversos grupos.
112 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃOBÁSICA | Educação a Distância
Informar os pais: os pais dos estudantes que fazem reforço têm de ser informados sobre o plano de 
ação para que eles não percam o ano e o andamento dos trabalhos.
Obter o comprometimento do aluno: conversas individuais ajudam a pontuar os avanços e mostrar 
a eles a importância em participar do reforço.
“Teoria e prática são indissolúveis, ou seja, possuem suas especificidades, mas assumem, no 
planejamento, um papel único”.
AS DIMENSÕES DO PLANEJAMENTO EDUCACIONAL
Planejar o trabalho pedagógico no coletivo escolar não consiste em uma tarefa fácil, bem 
sabemos que, historicamente, a burocratização das instituições assumiu e assume o papel 
de controle social. Por isso, olhar para o planejamento participativo como construção coletiva 
é o primeiro passo para superarmos o controle por uma atuação crítica e emancipatória no 
contexto educacional.
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113GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Como você bem sabe, o planejamento cumpre um papel político que não se resume a um 
documento burocrático. No âmbito educacional, o planejamento possui algumas especificidades 
que, de acordo com Calazans (1990), acontece em concomitância em três níveis distintos:
1) Planejamento no âmbito dos Sistemas e Redes de Ensino: esta dimensão do planeja-
mento representa os encaminhamentos dados por meio das Políticas Públicas e represen-
tam a ação direta do Estado.
 É importante destacar que é perceptível, no Brasil, a ausência de Políticas Públicas de 
Educação que representem o Estado; o que temos se resume a políticas de governo, que 
mudam de acordo com a mudança das siglas partidárias que atendem às imposições das 
Agências Multilaterais como Banco Mundial, UNESCO, BIRD e outros.
2) Planejamento no âmbito da Unidade Escolar: aqui encontramos a materialização do 
Projeto Político-Pedagógico. É esse documento que, como vimos, explicita quem é a Ins-
tituição escolar, como é o seu alunado, qual referencial teórico sustenta sua ação e o 
currículo que se pretende trabalhar (Proposta Pedagógica Curricular).
3) Planejamento no âmbito do ensino: esta dimensão faz referência à atuação direta do 
professor diante do compromisso que se impõe com cada série e, consequentemente, 
cada	aluno	que	lhe	é	confiado	ao	longo	do	ano	letivo.
De acordo com Lopes (1992), o planejamento ou Plano de Trabalho Docente (PTD) deve 
considerar o conhecimento científico e sua articulação com a realidade dos alunos. Ainda 
segundo a autora, produzir conhecimento implica desenvolver no aluno, segundo Lopes 
(1992) uma atitude de curiosidade que favoreça a reflexão permanente acerca dos conteúdos 
(conhecimento científico) a partir de diferentes visões que conduzam à apropriação deste 
conteúdo: TRANSMISSÃO, REELABORAÇÃO com vistas à PRODUÇÃO de novos 
conhecimentos. 
Para ampliar nossa discussão acerca do PTD, trazemos as contribuições de Danilo Gandin 
(2001) ao afirmar que o planejamento do professor indica o “Para quê” do planejamento. O 
autor também salienta que mesmo um professor com longa experiência no Magistério precisa 
de um planejamento anual, bimestral ou trimestral, pois não se trata só de saber o conteúdo a 
114 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
ser transmitido é necessário que se saiba como ser transmitido e para quem será transmitido. 
É importante destacar que o planejamento pode e deve ser analisado e modificado ao longo do 
ano letivo e que na sua elaboração alguns aspectos são imprescindíveis. A equipe da SEED/
Paraná (PARANÁ, 2008, pp.7-9) apresenta algumas conceituações fundamentais para o plano 
do professor em sala de aula. 
O que é um plano?
- É um documento que registra o que se pensa fazer, como fazer, quando fazer, com que 
fazer e com quem fazer.
- É um norte para as ações educacionais.
- Plano é a formalização dos diferentes momentos do processo de planejamento.
-	 É	a	apresentação	sistematizada	e	justificada	das	decisões	tomadas.
O plano de trabalho docente:
- Implica no registro escrito e sistematizado do planejamento do professor.
- Antecipa a ação do professor, organizando o tempo e o material de forma adequada.
- É um instrumento político e pedagógico que permite a dimensão transformadora do conte-
údo.
- Permite uma avaliação do processo de ensino e aprendizagem.
- Possibilita compreender a concepção de ensino e aprendizagem e avaliação do professor.
- Orienta/direciona o trabalho do professor.
- Requer conhecimento prévio da Proposta Pedagógica Curricular.
-	 Pressupõe	a	reflexão	sistemática	da	prática	educativa.
115GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
No Estado do Paraná utiliza-se a seguinte estrutura de Plano de Trabalho Docente:
Conteúdos:
Definidos por conteúdos estruturantes, ou seja, saberes – conhecimentos de grande amplitude, 
conceitos ou práticas – que identificam e organizam os diferentes campos de estudo das 
disciplinas escolares, sendo fundamentais para a compreensão do objeto de estudo das áreas 
do conhecimento (ARCO-VERDE, 2006).
O desdobramento dos conteúdos estruturantes em conteúdos específicos será feito pelo 
professor em discussão com os demais professores da área que atuam na escola. O professor 
deve dominar o conteúdo escolhido em sua essência, de forma a tomar o conhecimento em sua 
totalidade e em seu contexto, o que exige uma relação com as demais áreas do conhecimento. 
Esse processo de contextualização visa à atualização e aprofundamento do conteúdo pelo 
professor, possibilitando ao aluno estabelecer relações e análises críticas sobre o conteúdo.
Justificativa:
Explicita a escolha dos conteúdos estruturantes e específicos como opção política, educativa 
e formativa.
Refere-se às intenções educativas. Expressam as intenções de mudanças no plano individual, 
institucional e estrutural. Estão voltados aos conteúdos e não às atividades.
Encaminhamentos metodológicos e recursos didáticos:
O conjunto de determinados princípios e recursos para chegar aos objetivos, o processo de 
investigação teórica e de ação prática.
Instrumentos de avaliação:
Reflete de que forma vai se avaliar, são as formas, previamente estabelecidas, para se avaliar 
116 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
um conteúdo. Deve constar a proposta de recuperação dos conteúdos.
Referências:
As referências permitem perceber em que material e em qual concepção o professor vem 
fundamentando seu conteúdo. Fundamentar conteúdos de forma historicamente situada 
implica buscar outras referências, não sendo, portanto, o livro didático o único recurso.
Dimensão Legal
Aparece no Artigo 13, II e IV da LDB como Plano de Trabalho o que deve ser feito pelo 
professor, isso justifica o termo Plano de Trabalho Docente (SEED/PARANÁ pp. 7-9).
Características de um bom planejamento
•	 Ter o foco na aprendizagem de todos, operacionalizando os conteúdos fundamentais para a 
escola. 
•	 Ser o produto de uma discussão que envolva toda a comunidade escolar. 
•	 Ter o desempenho constantemente monitorado, com abertura para redirecionamentos. 
•	 Conter princípios pedagógicos que correspondam ao contexto e à prática da sala de aula dos 
professores. 
•	 Prever tempo para a formação docente e para reuniões pedagógicas.
Fomte:	<http://revistaescola.abril.com.br/planejamento-e-avaliacao>.	Acesso	em:	5	abr.	2012.
117GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Ao elaborar seu planejamento, o professor deve ter em mente que ele pode ser pouco ou muito 
modifi	cado	ao	 longo	do	ano	 letivo.	Mesmo	um	planejamento	bem	alinhado,	que	considera	os	 trêsaspectos	 (fi	nalidade,	 realidade	 e	 plano	 de	 ação),	 sempre	 se	 altera.	 Isso	 fi	ca	 claro	 ao	 pensar	 que	
os processos de ensino e aprendizagem são etapas distintas do processo educacional. Segundo 
Vasconcellos, a aprendizagem acontece “quando o docente cria condições de estudo para seu aluno, 
propondo situações e atividades que promovam uma aprendizagem contínua e estimulante”. Essa 
abordagem	da	diferença	entre	ensino	e	aprendizagem	fi	ca	mais	 fácil	de	ser	visualizada	ao	pensar	
que o conhecimento é construído em forma espiral. “Os saberes e conteúdos vão e voltam entre 
professor, aluno e sociedade. Vão e voltam dentro e fora da sala de aula e são retomados em dife-
rentes níveis de complexidade”, explica Vasconcellos. Pensando dessa maneira, os conteúdos não 
são fragmentados - separados e rigidamente divididos por aulas -, mas sempre revistos e interligados 
ao	longo	dos	anos	letivos.	Na	prática,	isso	signifi	ca	também	que	alguns	alunos	terão	mais	facilidade	
em compreender determinados conteúdos e o docente terá de lidar com essa diferença entre eles. 
Vasconcellos sugere, nesses casos, que os estudantes com melhor conhecimento em determinados 
conteúdos sejam utilizados como monitores ou trabalhem em duplas com outros colegas. Em alguns 
casos, no entanto, será preciso planejar atividades com conteúdos diferenciados para os estudantes 
com menor conhecimento. 
O que todos devem ter em mente é que, por melhor que seja o planejamento, ele precisa ser constan-
temente	avaliado	e	estar	aberto	para	revisões.	Se	não	for	assim,	difi	cilmente,	na	opinião	dos	especia-
listas, você conseguirá atingir as metas determinadas no início do ano letivo. Todo retorno dado pelos 
alunos, por meio de avaliações formais, trabalhos, apresentações ou perguntas feitas em classe, deve 
servir para rever o planejamento e para que o docente reavalie quanto falta para alcançar o apren-
dizado que foi programado no início do ano. Stella Bortoni dá uma dica que pode facilitar o trabalho 
deste ano letivo que se inicia. “Mantenha uma agenda para anotar suas percepções ao longo das 
aulas, como quais habilidades precisam ser mais trabalhadas e quais atividades deram mais certo e 
tiveram melhor receptividade por parte dos estudantes. Além disso, considere essas observações na 
montagem do próximo planejamento e compartilhe-as com os outros professores”, orienta.
BIBLIOGRAFIA 
Avaliação e Planejamento, Madalena Freire, 88 págs., Ed. Espaço Pedagógico, tel. (11) 5505-1135, 
12 reais 
Ensinar	-	Tarefa	para	Profi	ssionais, Delia Lerner, Neide Nogueira e Tereza Perez, 406 págs., Ed. 
118 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Record, tel. (11) 3286-0802, 46 reais 
Planejamento: Projeto de Ensino-Aprendizagem e Projeto Político-Pedagógico, Celso dos Santos 
Vasconcellos, 206 págs., Ed. Libertad, tel. (11) 5062-8515, 38 reais 
O Projeto Educativo da Escola, Manuel Álvarez (org.), 180 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444, 
33 reais
Fonte: <http://revistaescola.abril.com.br/planejamento-e-avaliacao/planejamento/planejamento-mo-
mento-repensar-escola-aprendizagem-projeto-ensino-fundamental-542610.shtml>.	Acesso:	em	5	abr.	
2012.
Como fazer da rotina uma aliada
Prever, passo a passo, as tarefas a desempenhar dentro e fora da classe ajuda a obter os resultados 
esperados. Seus alunos agradecem.
Daniela Almeida (novaescola@atleitor.com.br)
Preparar cada aula, organizar o material didático, levantar diferentes recursos para ensinar um con-
teúdo e cuidar da ambientação da sala - sem abrir mão da formação continuada. São muitas as 
atividades que constroem o dia-a-dia do professor. Orquestrar todas com maestria é a chave para 
atingir os objetivos. Lúcia Ferreira é professora do 2º ano na EMEF Chico Mendes, em Porto Alegre, e 
diz que a rotina é fundamental para garantir o bom andamento das atividades (leia no quadro abaixo 
um relato da professora sobre o papel da rotina em seu trabalho). “Essa preparação é essencial para 
que a aula transcorra conforme o esperado”, diz Valéria Roque, da Pontifícia Universidade Católica de 
Minas	Gerais	e	do	Centro	Universitário	de	Belo	Horizonte.	Confi	ra	a	seguir	algumas	das	práticas	mais	
efi	cazes	para	criar	uma	rotina	que	ajude	a	melhorar	o	desempenho	da	turma.	
Ter um jeito próprio de se organizar 
Não	existe	certo	ou	errado	quando	se	fala	em	rotina	profi	ssional.	Cada	professor	precisa	descobrir	as	
ferramentas que melhor se encaixam ao seu estilo de trabalho. Pode ser um bloco do tipo agenda, um 
caderno tradicional ou um arquivo de computador. 
119GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Planejar	com	antecedência	
Separar o material didático previsto para ser usado na semana seguinte e reservar um dia para rever 
o roteiro de atividades é sempre bom para garantir que nenhum detalhe seja esquecido. 
Reservar espaço para estudar 
Manter-se atualizado, tanto em relação aos conteúdos quanto à prática de sala de aula, é fundamen-
tal. Você pode fazer um mestrado, uma especialização ou apenas estabelecer uma rotina de estudos 
em casa (com muitos livros e pesquisa via internet). O que vale é crescer sempre. 
Organizar o espaço 
As atividades previstas para o dia serão desenvolvidas individualmente ou em grupos? Prever a me-
lhor maneira de ambientar a sala de aula é o primeiro passo. 
Compartilhar o planejamento 
“Contar aos alunos o que será feito ao longo do dia é importante por dois motivos. Em primeiro lugar, 
porque	eles	ficam	mais	confortáveis,	sem	aquela	euforia	de	‘o	que	será	que	vem	agora?’.	Depois,	por-
que faz com que saiam da postura passiva de quem está sempre aguardando um comando”, explica 
Karen Elizabete Nodari, coordenadora do núcleo de Orientação e Psicologia Educacional do Colégio 
de Aplicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 
Definir	as	tarefas	
Cada conteúdo exige um tipo de atividade. Enquanto os alunos produzem textos ou resolvem pro-
blemas, uma boa dica é circular pela sala, acompanhando a evolução de cada um. “Se você decide 
passar	um	filme,	por	exemplo,	é	essencial	preparar	um	pequeno	roteiro	para	a	turma,	com	pontos	a	
ser observados”, diz Valéria Roque. 
Prever atividades extras 
Nem tudo sai conforme o previsto, certo? Portanto, ter na manga algumas tarefas capazes de envolver 
a turma é sempre bom. No dia-a-dia, isso vale também para aqueles alunos que sempre terminam 
tudo antes dos outros - mas não podem ser deixados de lado. 
120 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Antecipar a aula seguinte 
Encerrar o dia informando o que será realizado no dia seguinte é uma ótima estratégia porque gera 
uma expectativa positiva e permite que os alunos se preparem melhor ao compreender que há conti-
nuidade no processo educativo. 
Trocar idéias na escola 
Reuniões com os colegas, a coordenação pedagógica e a direção são fundamentais para revisar o 
planejamento e encaminhar as questões mais relevantes. 
Pensar grande 
“É preciso ter uma visão de conjunto para poder planejar a rotina diária”, resume a professora Lúcia, 
de Porto Alegre. “Mecanismos de registro ajudam muito nesse sentido. Alguns preferem escrever, 
outros preferem fazer esquemas. Só não pode mesmo é fazer tudo de cabeça”.
AS DICAS PARA ATRAVESSAR A CORDA BAMBA
É preciso equilíbrio para percorrer o ano letivo sabendo mesclar as atividades essenciais com even-
tuais	mudanças	de	percurso	que	se	fizerem	necessárias	rumo	ao	objetivo	final.	O	mais	importante	é	
saber (re)planejar sempre, estabelecer prioridades e, principalmente, nunca deixar de levar em conta 
as características e necessidades de aprendizagem dos estudantes. Para tanto... 
•	 Considere sempre o que os alunos aprenderam até o momento, a série em que estão e a rele-
vância do conteúdo;
•	 Avalie com quefrequência o assunto estudado aparecerá novamente nos anos seguintes. Se 
não existe uma previsão de retomada do conteúdo no futuro, talvez não seja a hora de desviar 
de foco; 
•	 Pergunte	a	si	mesmo:	“Quem	eu	estou	ensinando?”	Defina	aonde	quer	chegar,	o	que	a	turma	
realmente precisa e o que é possível fazer; 
•	 Escute com atenção os questionamentos que surgirem.
Por	que	ser	flexível
•	 O professor que não faz um planejamento maleável corre o risco de não alcançar seus objetivos. 
•	 Os alunos são a referência para a elaboração de um plano. É preciso acompanhar o desenvol-
vimento deles .
121GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
•	 O plano é uma previsão, sujeita a erros. Daí a importância em mudar.
Fonte:	<http://revistaescola.abril.com.br/planejamento-e-avaliacao>.	Acesso	em:	5	abr.	2012.
“Plano de Trabalho docente: além da exigência burocrárica.”
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122 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
LEITURA INDISPENSÁVEL:
O livro Escola e Democracia (2000, 33 ed. revista) discorre sobre as teorias da Educação, em diversos 
contextos e momentos históricos brasileiros. Pela análise, o autor destaca os problemas e prerroga-
tivas das diversas vertentes das teorias educacionais: as não-críticas; as crítico-reprodutivistas; além 
da	Teoria	da	Curvatura	de	Vara	de	Lênin.	Aponta-se	para	uma	refl	exão	crítica	e	contextualizada	sobre	
política, democracia e sociedade; que se faz presente e necessária no âmbito da Educação e em 
sua instituição primordial: a Escola - local de atuação dos agentes pedagógicos, dentre os quais se 
encontram	os	profi	ssionais	de	Educação	Física,	elementos	fundamentais	no	processo	de	educação	
e formação de homens e mulheres críticos, conscientes e participantes de seus tempos históricos e 
espaços sociais. 
Unitermos: Educação-fi	losofi	a.	Ensino.	Política	e	Educação.
Fonte:	<http://www.efdeportes.com/efd79/saviani.htm>.	Acesso	em:	5	abr.	2012.
123GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como vimos até aqui, a organização do trabalho docente não é um processo simples e por isso 
precisa ser estudado e, sobretudo, analisado. Você deve ter observado que a escola precisa 
resgatar sua função social e o Planejamento Educacional se constitui como um importante 
instrumento para que isso ocorra.
Julgamos de suma importância conhecer as diferentes dimensões do Planejamento 
Educacional, isso favorece a superação do pensamento ingênuo de que planejamento é algo 
démodé, ou seja, ultrapassado.
Nesse sentido, uma atuação crítica do pedagogo na articulação e elaboração do Planejamento 
no âmbito escolar é fundamental para a superação do foco unicamente burocrático dado 
historicamente a tão importante instrumento. 
Assim, concluímos esta unidade, convencidos da importância do estudo dos engendramentos 
que envolvem o processo de ensino e aprendizagem que passa, sombra de dúvidas pela 
construção coletiva de um planejamento participativo e crítico.
LEITURA COMPLEMENTAR:
Celso dos Santos Vasconcellos já foi professor, coordenador pedagógico e gestor escolar. Ao longo 
de sua extensa carreira de educador, participou de inúmeros processos de planejamento nas escolas 
e	gosta	de	dizer	que	aprendeu	muitas	lições.	“Às	vezes,	há	uma	tentação	enorme	de	fi	car	gastando	
tempo com problemas menores, quase sempre da esfera administrativa ou burocrática. Justamente 
por	isso	é	tão	importante	planejar	o	planejamento”,	afi	rma.	Doutor	em	Educação	pela	Universidade	
de	São	Paulo,	mestre	em	História	e	Filosofi	a	da	Educação	pela	Pontifícia	Universidade	Católica	de	
São Paulo e autor de diversos livros sobre esse assunto, o especialista fala na entrevista a seguir a 
respeito dos meandros do processo de elaboração das diretrizes do trabalho da escola. 
Por onde se deve começar um bom planejamento? 
CELSO VASCONCELLOS Depende muito da dinâmica dos grupos. Existem três dimensões básicas 
que	precisam	ser	consideradas	no	planejamento:	a	realidade,	a	fi	nalidade	e	o	plano	de	ação.	O	plano	
de	ação	pode	ser	fruto	da	tensão	entre	a	realidade	e	a	fi	nalidade	ou	o	desejo	da	equipe.	Não	importa	
muito se você explicitou primeiro a realidade ou o desejo. Então, por exemplo, não há problema algum 
124 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
em começar um planejamento sonhando, desde que depois você tenha o momento da realidade, 
colocando os pés no chão. Em alguns casos, se você começa o ano fazendo uma avaliação do ano 
anterior,	o	grupo	pode	ficar	desanimado	-	afinal,	a	realidade,	infelizmente,	de	maneira	geral,	é	muito	
complicada, cheia de contradições. Às vezes, começar resgatando os sonhos, as utopias, dependen-
do do grupo, pode ser mais proveitoso. O importante é que não se percam essas três dimensões e, 
portanto, em algum momento, a avaliação, que é o instrumento que aponta de fato qual é a realidade 
do trabalho, vai aparecer, começando o planejamento por ela ou não. 
É possível realizar um processo de ensino e aprendizagem sem planejar? 
VASCONCELLOS É impossível porque o planejamento é uma coisa inerente ao ser humano. Então, 
sempre temos algum plano, mesmo que não esteja sistematizado por escrito. Agora, quando falamos 
em processo de ensino e aprendizagem, estamos falando de algo muito sério, que precisa ser plane-
jado, com qualidade e intencionalidade. Planejar é antecipar ações para atingir certos objetivos, que 
vêm de necessidades criadas por uma determinada realidade, e, sobretudo, agir de acordo com essas 
ideias antecipadas. 
Em alguns contextos, o planejamento ainda é encarado como um instrumento de controle? 
VASCONCELLOS Sim, em algumas escolas e redes, ele ainda é um instrumento burocrático e autori-
tário. Em um sistema autoritário, o planejamento é uma arma que se volta contra o professor porque o 
que ele disser - ou alguém disser por ele - que vai ser feito tem que ser cumprido. Caso contrário, ele 
foi incompetente. E, nem sempre, conseguimos fazer o que planejamos. Por diversas razões, inclusive 
por falha nossa, mas não unicamente por isso. No entanto, o movimento da sociedade e o processo 
de redemocratização têm favorecido o conceito de planejamento como real instrumento de trabalho e 
não como uma ferramenta de controle dos professores. 
Qual a relação entre o planejamento e o Projeto Político-Pedagógico? 
VASCONCELLOS Nesse processo de planejar as ações de ensino e aprendizagem, existem diversos 
produtos, como o Projeto Político-Pedagógico, o projeto curricular, o projeto de ensino e aprendiza-
gem ou o projeto didático, que podem ou não estar materializados em forma de documentos. O ideal 
é que estejam. Quando falamos do planejamento anual das escolas, temos como referência o Projeto 
Político-Pedagógico. 
É possível fazer um planejamento sem conhecer o Projeto Político-Pedagógico da escola? 
VASCONCELLOS Um projeto, a escola sempre tem, mesmo que ele não esteja materializado em um 
documento. Agora, o ideal é que esse projeto seja público e explicitado. Na hora do planejamento anu-
al, ele deve ser usado como algo vivo, como um termômetro para toda a comunidade escolar saber 
se o trabalho que está sendo planejado está se aproximando daqueles ideais políticos e pedagógicos 
ou não. 
125GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Como evitar que o tempo dedicado ao planejamento anual não seja desperdiçado? 
VASCONCELLOS Nas escolas, o coordenador pedagógico é o responsável por esse processo. É 
preciso	prever	momentos	específi	cos	para	cada	tipo	de	assunto	e	ser	fi	rme	na	coordenação.	Às	vezes,	
há	uma	tentação	muito	grande	em	fi	car	gastando	tempo	do	planejamentocom	problemas	menores,	
administrativos ou burocráticos. Então, é muito importante planejar o planejamento, reservando mo-
mentos	específi	cos	para	cada	assunto,	e	ser	rigoroso	no	cumprimento	dessa	organização.	Ele	precisa	
ser um coordenador pedagógico forte, mas onde buscar apoio para se fortalecer? Em alguns casos, 
há	o	apoio	da	direção,	mas	é	muito	importante	que	ele	faça	parte	de	um	grupo	com	outros	profi	ssionais	
no mesmo cargo para trocar experiências e sentir que não está sozinho nesse trabalho. 
Com	que	frequência	as	ações	do	planejamento	anual	devem	ser	revistas	pela	equipe?	
VASCONCELLOS Eu insisto muito na reunião pedagógica semanal. Na minha opinião, esse encontro 
não deve ser por área, e sim com todos os professores daquele ciclo, daquele período. Se todos os 
professores, por exemplo, do ciclo II do Ensino Fundamental do período da manhã estão presentes 
no	mesmo	momento,	em	um	dia	fi	xo	da	semana,	no	período	da	tarde,	durante	cerca	de	duas	horas,	
o coordenador pedagógico pode montar reuniões por área, ou por nível ou gerais, conforme as ne-
cessidades. Esse momento de encontro é imprescindível para planejar um trabalho de qualidade 
com coerência entre os professores. Além de ser um momento de socialização. Existem professores 
que descobrem coisas excelentes que vão morrer com ele porque não foram sistematizadas nem ele 
compartilhou aquelas descobertas. E, na hora do planejamento, há a possibilidade de reservar um 
momento para isso. 
Existe algum momento que deve ser planejado com mais cuidado? 
VASCONCELLOS Sim, as primeiras aulas. Principalmente das séries iniciais. Existem estudos que 
mostram que a boa relação professor/aluno pode ser decidida nessas aulas. Há pesquisas que vão 
além e apontam os primeiros instantes da primeira aula como determinantes do sucesso da atividade 
docente. Então, se o professor tem de preparar bem todas as aulas, as primeiras precisam de mais 
cuidado. E não é só determinar os conteúdos a ser abordados, os objetivos a atingir e a metodologia 
mais adequada. É, sobretudo, se preparar, tornar-se disponível para aqueles alunos, acreditando na 
possibilidade do ensino e da aprendizagem, estando inteiramente presente naquela sala de aula, 
naquele momento.
Publicado em JANEIRO 2009. Título original: "Planejar é antecipar ações para atingir certos ob-
jetivos".
Fonte:	<http://revistaescola.abril.com.br/planejamento-e-avaliacao>.	Acesso	em:	5	abr.	2012.
126 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
ATIVIDADE DE AUTOESTUDO
1. A partir das discussões realizadas, analise o papel da educação nos diferentes momentos 
históricos e escreva sobre a função social da escola na contemporaneidade.
2. As discussões apresentadas acerca do Planejamento Educacional demonstram que ele 
ocorre em três dimensões diferentes. Quais são elas? A partir das leituras, escreva um 
breve texto sobre as relações existentes entre essas dimensões.
3. Elabore uma síntese sobre a importância do Planejamento Educacional para o resgate do 
cumprimento da função social da escola.
4. Sabemos que historicamente o planejamento assumiu caráter de instrumento de controle. 
A partir das leituras realizadas e da observação do contexto escolar, podemos dizer que 
isso se repete cotidianamente. Relacione algumas práticas escolares que denotem esta 
prática de controle.
Indicação de leituras
FILHO PARENTE, José. Planejamento Estratégico na Educação. Brasília: Plano, 2001.
GANDIN, Danilo. A prática do planejamento participativo. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.
LÜCK, Heloísa et al. A escola participativa: o trabalho do gestor escolar. 5. ed. São Paulo, 2001.
KUENZER, A.; CALAZANS, M.; GARCIA, W. Planejamento e educação no Brasil. Vol. 27. São 
Paulo: Cortez Editora, 2011.
UNIDADE V
GESTÃO ESCOLAR E OS PROCESSOS DE 
AVALIAÇÃO
Professora Me. Adriana Salvaterra Pasquini
Professora Me. Marcia Maria Previato de Souza
Objetivos de Aprendizagem
•	 Discutir as relações existentes entre a qualidade educacional e o processo de ava-
liação, com o propósito de entender e aplicar essa relação enquanto professores.
•	 Compreender a avaliação como instrumento de democratização do conhecimento 
científico,	a	fim	de	levar	o	futuro	docente	a	refletir	sobre	sua	importância	no	con-
texto educacional.
•	 	 Analisar	os	processos	de	avaliação	e	suas	influências	no	meio	educacional.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
•	 As relações existentes entre a qualidade educacional e o processo de avalia-
ção
•	 O processo de avaliação enquanto instrumento de democratização do co-
nhecimento	científico
•	 	 As	 especificidades	 dos	 processos	 de	 avaliação:	 Sistema	de	Avaliação	 da	
Educação Básica – SAEB e Avaliação Institucional
129GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
INTRODUÇÃO
Prezado(a) aluno(a), chegamos a nossa quinta e última unidade de discussão. Desde o início 
deste livro buscamos instigá-lo a analisar alguns elementos considerados fundamentais para 
um entendimento crítico acerca da Gestão escolar e da organização da Educação Básica. 
Nesta última unidade, discutiremos o processo de Avaliação, considerando-o na totalidade de 
suas dimensões: educacional e escolar.
A dimensão educacional está relacionada com as políticas públicas de avaliação em larga 
escala, como a Provinha Brasil, Prova Brasil, Enem e outros.
A avaliação é um processo inerente a todo ser humano. Cotidianamente avaliamos a nossa 
vida, o trabalho, o namoro, o casamento, a relação com os filhos, amigos e demais situações. 
No âmbito escolar, isso não é diferente, todo o processo deve ser criteriosamente pensado e 
avaliado. 
Porém, percebemos que a avaliação do ensino e da aprendizagem se dá de modo mecânico e 
pouco reflexivo, e ainda, este processo de avaliação se restringe, muitas vezes, à aprendizagem 
e não ao ensino.
Outro aspecto importante a ser considerado diz respeito às avaliações em larga escala que 
envolvem as instituições, como as provas que compõem o Sistema de Avaliação da Educação 
Básica – SAEB. Esses instrumentos analisam a qualidade de ensino e norteiam as ações do 
Estado para a melhoria da qualidade da educação.
Para você que optou por estudar o contexto educacional e suas implicações, conhecer e 
analisar o processo de avaliação na sua totalidade se constitui em condição primeira para 
o desenvolvimento de um pensamento crítico acerca da educação brasileira, por isso bom 
estudo, capriche!
130 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
“A avaliação é um processo que favorece a consolidação do ensino e, consequentemente, da 
aprendizagem”.
AS RELAÇÕES EXISTENTES ENTRE A QUALIDADE EDUCACIONAL E O 
PROCESSO DE AVALIAÇÃO 
Toda a atividade humana requer avaliação, pois sem avaliar nossas ações somos incapazes de 
refletir acerca das relações postas. No contexto educacional, avaliar é imprescindível, porque o 
ato de educar está diretamente vinculado à ação-reflexão sobre a prática em sala de aula. “A 
avaliação é inerente e imprescindível, durante todo o processo educativo que se realize em um 
constante trabalho de ação-reflexão-ação” (RABELO, 2003, p. 11). 
A avaliação é um tema amplamente discutido no contexto educacional, pois é um processo 
utilizado pelos profissionais da educação com o objetivo de mensurar o aprendizado dos 
alunos, a eficácia das metodologias utilizadas e também como instrumento de reflexão sobre 
o processo de ensino e aprendizagem. De acordo com Hadji (2001, p. 09):
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131GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Uma avaliação capaz de compreender tanto a situação do alunoquanto de “medir” seu 
desempenho; capaz de fornecer-lhe indicações esclarecedoras, mais do que oprimi-lo 
com recriminações; capaz de preparar a operalização das ferramentas do êxito, mais 
do que se resignar a ser apenas um termômetro (até mesmo instrumento) do fracasso, 
não seria o mais belo auxiliar, e o primeiro meio, de uma pedagogia enfim eficaz?
O processo de avaliação não pode valorizar apenas as respostas corretas, sendo coerciva, mas 
considerar as atividades realizadas pelo aluno como forma de verificação do processo ensino, 
mostrando ao professor onde esse processo deve melhorar para favorecer a aprendizagem 
dos alunos. 
Conhecer as especificidades do processo de avaliação é fundamental para o profissional da 
educação, pois um professor que não sabe avaliar não terá recursos para repensar sua própria 
prática e não conseguirá, como consequência, atender às necessidades de seus alunos da 
melhor forma possível.
Segundo Hoffmann (2003), uma ação docente que prioriza a qualidade educacional consiste 
em uma prática que pensa um processo de avaliação coerente. Avaliar é um processo 
complexo e deve ser realizado de forma que explore as potencialidades dos alunos.
A preocupação primeira a respeito dessa discussão de que o processo avaliativo necessita 
ser aprofundado, tendo em vista sua importância durante todo o processo escolar é, segundo 
Rabelo (2003, p. 11), “avaliar é indispensável em toda atividade humana e, portanto, em 
qualquer proposta de educação”. 
No entanto, quando se pensa em avaliação a primeira ideia que nos surge é a realização 
de provas no final do bimestre/trimestre utilizadas como critério de classificação, que muitas 
vezes servem mais para a exclusão e rotulação dos alunos do que como instrumento que 
favoreça a reflexão sobre o processo de ensino-aprendizagem. 
Como você já deve ter constatado, em muitas situações do cotidiano escolar, a avaliação 
possui um caráter classificatório, verificando apenas se as respostas dos alunos estão certas 
132 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
ou erradas. Isto denota que a avaliação torna-se um instrumento de exclusão que seleciona os 
melhores e exclui os que não se adaptam a ele.
O processo de avaliação é parte fundamental em qualquer período da escolarização. Deste 
modo, entender como o referido processo acontece dentro do contexto escolar atual é uma 
necessidade de todo profissional da educação. 
Refletir sobre o processo avaliativo é fundamental, pois é impossível pensar e repensar a 
qualidade de ensino sem pensar se a forma de ensinar gera ou não resultados positivos, ou 
seja, se os alunos aprendem ou não o que lhes é ensinado. Tais discussões demonstram que 
atualmente o processo de avaliação da aprendizagem ainda possui um caráter meramente 
classificatório.
Cada período histórico e cada sociedade trazem consigo uma determinada concepção de 
ensino e aprendizagem e, portanto, uma concepção diferenciada de avaliação. A formação 
global do indivíduo para o exercício da cidadania depende da qualidade de ensino oferecida 
pela escola, e essa qualidade, por sua vez, depende das diversas dimensões e aspectos da 
escola, entre eles a forma como a escola avalia a aprendizagem de seus alunos. 
Segundo Haydt, até o século XIX os meios mais utilizados para avaliar em sala de aula eram 
as provas orais e a observação realizada pelo professor, sendo o primeiro um dos mais antigos 
recursos de avaliação, mas com o grande número de alunos em sala, recursos como as provas 
escritas foram adotados, pois seria muito longo e complexo o processo de avaliar cada aluno 
oralmente.
O primeiro estudo que se tem noticia sobre o aperfeiçoamento das provas aplicadas 
nas escolas data de 1845, e foi realizado em Boston. Nessa cidade, em decorrência 
da preocupação com a melhoria da qualidade do ensino, foi constituída uma comissão 
para inspecionar e verificar a qualidade do ensino ministrado nas escolas. Para a 
consecução de seu objetivo, a comissão havia planejado, de inicio, examinar oralmente 
os alunos, mas devido ao aumento da população escolar, o exame oral foi substituído 
pela	prova	escrita	(HAYDT,	1994,	p.	83).
133GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Esse estudo realizado em Boston influenciou outros estados norte-americanos a tomarem 
medidas para verificar a qualidade de ensino das escolas públicas, como: Horace Mann em 
Massachusetts e o educador norte-americano J.M. Rice que, por volta de 1895, salientou 
a importância de adotar medidas mais objetivas para avaliar a aprendizagem escolar, pois 
afirmava que o subjetivismo existente na forma de avaliar era consequência da falta de medidas 
objetivas de avaliação. E por meio da realização de testes aplicados em 29.000 alunos, Rice 
concluiu que os resultados, positivos ou negativos, obtidos pelos alunos dependiam de 
inúmeras variáveis que eram muitas vezes independentes dos mesmos. 
A partir da década de 1930, as avaliações americanas influenciaram o Brasil por meio do 
pensamento de autores, como: Popham, Bloom, Gronlund, Ebel e Ausubel. Esses autores 
concebiam a avaliação como processo de julgamento acerca do desempenho de cada aluno 
de acordo com os objetivos educacionais propostos. E a avaliação escolar adota um caráter 
quantitativo relacionando a aprendizagem a uma quantidade/número.
Os testes de tipo objetivo começaram a ser utilizados no contexto escolar como forma de medir 
a aprendizagem dos alunos a partir da primeira metade do século XX, tendo como objetivo 
aumentar a precisão das medidas educacionais no que se referia à área cognitiva. Outro tipo 
de teste foi amplamente aceito e adotado nas salas de aula é o de questões dissertativas, ou 
seja, aquele em que o aluno responde fazendo uso de suas próprias palavras. No decorrer do 
século XX, surgiram ainda a avaliação por meio de observação e registro e a autoavaliação 
que ainda são utilizadas no presente contexto educacional.
Visando à qualidade de ensino, as leis que regulamentam a educação nacional têm sido 
modificadas e, de acordo com Forestiero (2010), a LDBEN/1996 sugere uma ruptura da 
avaliação tradicional que possui um enfoque classificatório: “A LDB permitiu também que fosse 
estabelecido um processo nacional de avaliação (institucional e acadêmico), com o propósito 
principal de definir prioridades de alocação de ações e recursos em busca da melhoria da 
qualidade de ensino” (FORESTIERO, 2010 p. 10).
134 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Ao analisar o percurso histórico da avaliação da aprendizagem, podemos concluir que o 
processo de avaliação assumiu principalmente o papel de classificar os alunos, ou seja, avalia 
-se apenas a aprendizagem dos alunos e, no entanto, pouco se fez uso da avaliação para 
verificar o processo de ensino. Porém, o ato de avaliar dentro do contexto escolar não pode 
ser mais encarado como simplesmente mensurar/medir.
O conceito de “medir” implica uma descrição quantitativa de um evento, e a aprendizagem 
escolar é uma ação qualitativa que envolve vários aspectos de um sujeito, e do processo de 
ensino e aprendizagem, sendo única para cada um dentro de ritmos diferentes. Portanto, os 
instrumentos avaliativos utilizados que reduzem os resultados da aprendizagem a números não 
podem ser considerados eficazes para averiguar se a aprendizagem do aluno foi significativa. 
É importante lembrar que o professor deve analisar os resultados das avaliações e a partir dele 
refletir sua prática. Se a análise dos resultados obtidos pelos alunos não serve para a reflexão 
do professor e consequente mudança da prática, então a avaliação não cumpre seu papel.
Por isso, prezado(a) aluno(a), podemos afirmar que a avaliação que não visa à reflexão 
por partedo professor é apenas mecânica e serve para rotular os alunos, é denominada 
classificatória e, segundo as contribuições de Hoffman (2006), é um empecilho ao ensino de 
qualidade.
É importante destacar que o artigo 5º da Constituição Federal garante o direito a todos de 
acesso e permanência a escola, porém, ao entrar na escola e deparar-se com formas de 
avaliações arbitrárias e autoritárias, muitos alunos não conseguem se adaptar a esse sistema, 
o que acarreta no fracasso escolar. 
Tais discussões levam à reflexão sobre como avaliar no contexto escolar de forma que a 
avaliação não seja uma etapa solta no processo de ensino e aprendizagem, mas o momento 
em que o aluno possa demonstrar o que aprendeu, o que não aprendeu e oferecer subsídios 
para que o professor repense sua prática. 
135GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
“A escola forma o homem necessário a cada época”.
AS ESPECIFICIDADES DO PROCESSO DE AVALIAÇÃO: SISTEMA 
DE AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO BÁSICA – SAEB E AVALIAÇÃO 
INSTITUCIONAL
Como vimos, a avaliação da aprendizagem no contexto escolar é um tema amplamente 
discutido e durante a última década encontra-se em maior evidência, inclusive na esfera 
política no que se refere às avaliações institucionais.
A literatura que trata da avaliação institucional tende a situá-la, simplificando-a, em dois 
campos ou duas perspectivas, que refletem diferenças de concepção acerca da universidade 
e da educação. Segundo Dias Sobrinho (1998), esses dois enfoques não são sempre e 
necessariamente excludentes, podendo ser complementares e se interpenetrarem. Um 
enfoque de “avaliação institucional”, no dizer desse autor, “vem de cima para baixo e de 
fora para dentro”, sendo expressão de políticas neoliberais, fomentadas por organismos 
internacionais, como o Banco Mundial, sendo seu eixo dominante a lógica de mercado que 
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136 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
visa maior produtividade e eficiência, diferenciação e hierarquização das instituições e o outro 
enfoque, aqui referido como autoavaliação, seria resultante dos princípios e/ou características 
pressupostas pelo Programa de Avaliação das Universidades Brasileiras - PAIUB, quando de 
sua implantação.
Na mesma linha, Martinato (1998) fala em avaliação como instrumento do poder e como 
processo de melhoria da qualidade, ancorada no conceito de função social da avaliação, o 
autor discute a avaliação como “controle e hierarquização entre instituições”.
Essas diferenças de concepção acerca da avaliação institucional, como assinalam Dias 
Sobrinho (1998) e Belloni (1998), por exemplo, são expressões de perspectivas diferentes: de 
um lado, o poder instituído, o Estado; e do outro, a Comunidade Escolar enquanto expressão 
de uma visão democrática, de construção de, e a partir de, dentro da instituição, ou seja, o 
desejo de autonomia, de participação, de decisão consensuada e de não interferência externa.
A Avaliação Institucional divide-se em duas modalidades: avaliação Externa ou em larga escala 
e em Autoavaliação. As avaliações Externas (larga escala) são realizadas por comissões 
designadas pelo Instituto Nacional de Ensino e Pesquisa (Inep).
O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica – SAEB, implantado em 1990 - é 
coordenado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais - INEP e conta com 
a participação e o apoio das Secretarias Estaduais e Municipais de Educação das 27 Unidades 
da Federação e corresponde ao que chamamos de avaliação em larga escala.
Os levantamentos de dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica – SAEB – são 
realizados a cada dois anos por meio de amostra probabilística representativa dos 26 
Estados brasileiros e do Distrito Federal. A cada aplicação de instrumentos, são pesquisados 
aproximadamente 700 municípios, 3.000 escolas públicas e privadas, 25.000 professores, 
3.000 diretores e 220.000 alunos do Ensino Básico (do 5º ano do Ensino Fundamental e da 3ª 
série do Ensino Médio).
137GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
O SAEB apresenta uma proposta que permite um levantamento ou pelo menos um “raio x” 
da educação no contexto nacional, o que favorece, pelo menos em tese, o conhecimento da 
qualidade do ensino no Brasil.
É importante destacar que a proposta busca superar a mera quantificação (coleta de dados) e 
propõe algumas ações para a superação das dificuldades encontradas e, em parceria com as 
universidades, buscam-se instrumentos para que a educação melhore. 
Veja bem, prezado(a) aluno(a), os resultados apresentados pelo SAEB devem favorecer o 
processo de ensino e aprendizagem e considerar os diversos fatores que o influenciam. Nunca 
é demais lembrar dos objetivos definidos pelo MEC para o referido sistema de avaliação:
Objetivos Gerais:
a) avaliar a qualidade do ensino ministrado nas escolas, de forma que cada unidade escolar 
receba o resultado;
b) contribuir para o desenvolvimento, em todos os níveis educativos, de uma cultura avaliativa 
que estimule a melhoria da qualidade e equidade da educação brasileira;
c) concorrer para a melhoria da qualidade de ensino, redução das desigualdades e democra-
tização	do	ensino	público	nos	estabelecimentos	oficiais,	em	consonância	com	as	metas	e	
políticas estabelecidas pelas diretrizes da educação nacional;
d) oportunizar informações sistemáticas sobre as unidades escolares. 
Para ampliar nosso conhecimento acerca do SAEB, gostaríamos de apresentar uma breve 
explicação sobre sua estrutura.
O SAEB é composto por dois processos:
ANEB/SAEB: Avaliação Nacional da Educação Básica.
ANRESC/Prova Brasil: Avaliação Nacional do Rendimento Escolar
138 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
SAEB: é realizado por amostragem e é aplicado para alunos do 5º e 9º ano do Ensino 
Fundamental e 3ª série do Ensino Médio. 
Prova Brasil: avalia todos os estudantes da rede pública matriculados no 5º e 9º ano do 
Ensino Fundamental.
Como vimos anteriormente, a Prova Brasil e o SAEB ocorrem por meio de exame bienal de 
proficiência na disciplina de Matemática, com foco: na resolução de Problemas, e na disciplina 
de Língua Portuguesa com foco na Leitura. Os resultados apresentados pela Prova Brasil e 
pelo SAEB norteiam a definição do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB).
Observe os quadros abaixo e perceba as especificidades entre a Prova Brasil e o SAEB:
PROVA BRASIL SAEB
A primeira aplicação foi em 2005, depois em 
2007 e a última em 2009 e 2011.
A primeira aplicação foi em 1990 e as últimas 
em 2007, 2009 e 2011.
Avalia estudantes de ensino fundamental, do 
5º ano, 8ª série/9º ano.
Avalia estudantes do 5º ano, 8ª série/9º ano do 
EF e 3ª série do EM. 
A partir de 2009, passou a avaliar também as 
escolas públicas da região rural.
Avalia alunos das escolas públicas e privadas, 
em áreas urbana e rural do Brasil.
A avaliação é realizada entre todos os estu-
dantes das séries avaliadas com mais de 20 
alunos.
A avaliação é amostral, ou seja, apenas parte 
dos estudantes das séries avaliadas participam 
da prova.
Por ser abrangente, expande o alcance dos 
resultados oferecidos pelo SAEB. Fornece as 
médias de desempenho para o Brasil, regiões 
e unidades da Federação, para cada um dos 
municípios e escolas participantes. 
Por ser amostral, oferece resultados de de-
sempenho nacional, por regiões e unidades da 
Federação. 
Calcula o IDEB de municípios e escolas.
Subsidia o cálculo do IDEB dos estados e IDEB 
nacional
Fonte:	<www.ministériodaeducacao.gov.br>
139GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educaçãoa Distância
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica é obtido por meio de padrões e critérios que 
combinam a taxa de reprovação, repetência escolar que correspondem ao fluxo escolar, mais 
os resultados das avaliações de aprendizagem obtidos por meio da PROVA BRASIL (5ºano e 
8ª	série/9º	ano)	e	SAEB	(3ª	série	do	Ensino	Médio). 
Como você pôde constatar, a avaliação em larga escala pode auxiliar na estruturação de uma 
educação eficaz. Costumamos dizer que a avaliação Institucional está a serviço da gestão 
democrática. 
Outro aspecto da Avaliação Institucional diz respeito à avaliação que acontece no âmbito 
escolar, que deve ser consolidada com urgência, de modo a possibilitar ações que busquem 
o aprofundamento do conhecimento sobre a escola por meio de um diagnóstico coerente e 
possíveis tomadas de decisão no espaço escolar. 
Desenvolver estudos sobre a avaliação institucional na educação básica propicia à comunidade 
escolar a reflexão sobre o aperfeiçoamento dos espaços educacionais. A avaliação pode 
fornecer dados importantes para a construção e efetivação do Projeto-Político-Pedagógico 
da escola, servindo ambos para uma melhor definição da identidade, autonomia, missão e 
objetivos institucionais, a partir de princípios democráticos e participativos. 
De acordo com a pesquisadora Terezinha Otaviana Dantas da Costa (2001), toda instituição de 
ensino necessita de estratégias que a organize como um espaço escolar no que diz respeito 
à missão, objetivos, metas, metodologia, currículo e avaliação. Nesse aspecto, o Projeto 
Político-Pedagógico da escola torna-se estratégia indispensável e insubstituível para a gestão 
democrática dela, direcionando, de maneira participativa e democrática, os caminhos que a 
escola irá trilhar. 
A avaliação institucional deverá estar fundamentada em princípios de legitimidade, ética, 
transparência do processo, participação e comprometimento para que produza os resultados 
fidedignos necessários. Só assim se poderá ter a verdadeira revelação da instituição que, 
140 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
a partir dessa fotografia institucional, buscará corrigir distorções e ratificar pontos positivos 
identificados.
É importante ressaltar que a avaliação institucional serve como um diagnóstico que não 
se deve pôr como conclusivo, já que o universo escolar é essencialmente vivo e dinâmico, 
passível das mais variadas mudanças. 
Segundo Dias Sobrinho (1997), “avaliação Institucional ultrapassa o domínio especializado e 
técnico, chegando ao social, ético e político”.
Não deve ser, portanto, um modismo, uma manifestação de autoritarismo ou uma punição; 
deve estar ligada às instituições em uma prática de aprovação, visando à melhoria contínua 
da instituição.
Entendemos essa avaliação como formativa. Segundo Nóvoa (1995, p. 25), a avaliação 
formativa é aquela que cria as condições para uma aprendizagem mútua entre os atores 
educativos, por meio do diálogo e da tomada de consciência individual e coletiva.
Para que a avaliação cumpra sua missão educativa, devem ser vencidas algumas etapas 
como:
•	 construir	uma	imagem	de	que	a	avaliação	não	é	só	necessária,	mas	essencial	para	a	me-
lhoria de desempenho da instituição;
•	 mostrar	que	a	avaliação	veio	para	ficar;
•	 compreender	e	respeitar	a	identidade	institucional	em	seu	permanente	dinamismo;
•	 superar	traumas	de	que	a	avaliação	serve	para	punir;
•	 incutir	uma	visão	positiva	da	avaliação,	o	que	daria	início	a	um	processo	de	autoavaliação	
contínua e permanente;
•	 iniciar,	em	seguida,	as	avaliações	externas.
141GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Objetivos
Além de cumprir uma exigência legal, a avaliação é presença obrigatória em toda e qualquer 
atividade humana, sobretudo, na educação.
São objetivos da avaliação institucional:
•	 Explicitar	o	papel	social	da	instituição	e	de	seus	cursos	rumo	a	uma	sociedade	mais	justa	
e democrática.
•	 Desencadear	um	processo	de	autocrítica	na	 instituição,	visando	garantir	a	qualidade	de	
suas ações.
•	 Ampliar	a	qualidade	dos	cursos	que	ministra,	introduzindo	uma	práxis	pedagógica	de	qua-
lidade.
•	 Contribuir	para	definições	de	estratégias	que	visem	atender	melhor	às	expectativas	e	ne-
cessidades sociais, políticas e econômicas da atual conjuntura.
•	 Gerar	subsídios	para	tomada	de	decisão	e	viabilização	do	Plano	de	Desenvolvimento	Ins-
titucional.
Metodologia
Considerando que a avaliação institucional envolve campos distintos e considerando ainda 
a importância da reflexão crítica sobre a operacionalização do processo, faz-se necessária 
a constituição de uma comissão que faça a coordenação geral e que passe a coordenar as 
comissões setoriais ou específicas.
Finalmente, destacamos a importância de ratificarmos a avaliação institucional como um 
instrumento que analisa e recoloca a escola no caminho do cumprimento de sua função social: 
discutir e reinventar o conhecimento científico. 
142 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
“Olhar para a realidade escolar favorece o cumprimento de sua função social”.
O PROCESSO DE AVALIAÇÃO ENQUANTO INSTRUMENTO DE 
DEMOCRATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO
O processo de avaliação foi se modificando ao longo da história da educação escolar, pois 
cada concepção de ensino traz consigo uma concepção de avaliação. Segundo (LUCKESI, 
2005, p. 85), “a avaliação, tanto no geral quanto no caso específico da aprendizagem, não 
possui uma finalidade em si: ela subsidia um curso de ação que visa construir um resultado 
previamente definido”. E como consequência de diversas concepções teóricas diferentes, 
temos práticas avaliativas diferenciadas dentro do processo de avaliação da aprendizagem.
A avaliação do ensino e da aprendizagem é um dos grandes desafios da escola como um todo, 
pois as práticas educativas evoluíram muito no decorrer da história da educação, no entanto, 
as práticas avaliativas não seguiram essa evolução e ainda hoje possuem, muitas vezes, um 
caráter coercivo. 
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143GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Segundo Hoffmann (2006), a postura de avaliação que possui apenas o objetivo de verificar se 
as respostas estão certas ou erradas, e que ainda é a mais adotada atualmente, é denominada 
como avaliação classificatória, sendo realizada por meio de uma verificação periódica de 
provas ou tarefas em que cabe decidir quanto ao aproveitamento escolar e à aprovação ou 
reprovação do aluno.
Por isso, por mais que se discuta esta problemática, nunca é demais dizer que, ao 
considerarmos o contexto de ensino e aprendizagem, avaliar não pode mais ser entendido 
como medir ou atribuir um número ao conhecimento dos alunos, apesar de essa ser a ideia 
que tanto professores como alunos ainda possuem sobre avaliação. 
O ato de avaliar deve ser entendido como um instrumento no processo de ensino e aprendizagem 
que demonstre o nível de compreensão que os alunos alcançaram dentro dos conhecimentos 
dos trabalhados em classe. A avaliação é “uma interação, uma troca, uma negociação entre 
avaliador e um avaliado, sobre um objeto particular e em um ambiente social dado” (WEISS, 
1991 apud HADJI, 2001, p. 35).
No processo de ensino e aprendizagem, a ação pedagógica pode tanto facilitar e possibilitar 
a aprendizagem significativa dos alunos quanto dificultar. Sob esse ponto, a forma como a 
aprendizagem dos conteúdos é avaliada tem grande influência sobre essa significação ou 
falta dela. A avaliação meramente classificatória leva o aluno a estudar de forma mecânica, 
decorando as respostas corretas; essas logo serão esquecidas, pois a elas não foramatribuídos significados.
De acordo com o caderno da CINFOP da Universidade Federal do Paraná (2005, p. 34):
[...] é imprescindível que aproveitemos o momento da avaliação com clareza de objetivos, 
oportunizando instrumentos avaliativos diversos, visando à consciência, criticidade e 
criatividade como fundamentos da ação educativa. Assim, ao nos depararmos com 
resultados insatisfatórios da avaliação entenderemos quais as atitudes mais adequadas 
para tomarmos com o nosso grupo de alunos, respeitando suas características e 
buscando uma compreensão do processo de aprendizagem diferenciada, bem como 
da prática docente, revisando-a sempre que necessário.
144 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Desse modo, a avaliação deve levar em consideração não o que a criança decorou, mas o 
quando foi capaz de compreender e relacionar os novos conteúdos trabalhados com aqueles 
que ela conhecia previamente.
O ato de avaliar só possui sentido se tiver funcionalidade, ou seja, não basta avaliar visando 
“castigar” os alunos ou apenas cumprir uma exigência definida pelas regras da escola. 
Portanto, para avaliar é necessário ter em mente o que se espera que os alunos saibam e 
como determinar o que eles aprenderam. 
Desde o início desta discussão enfatizamos que a avaliação deve favorecer a aprendizagem. 
E, então, o que fazer com os alunos que não se apropriaram do conteúdo definido para a série?
Pois bem, é necessário diversificar a estratégia e retomar o conteúdo por meio da recuperação 
de estudos. No sistema de ensino da Pública Estadual do Estado do Paraná, a Deliberação 
no 007/99 em seu capítulo II, artigos 10 a 13, normatiza a recuperação de estudos pontuando 
questões sobre a obrigatoriedade do estabelecimento de ensino em proporcionar a oferta. 
Ressalta a legalidade do instrumento, indicando seu registro no regimento escolar, bem como 
o período que deve ser realizada. Enfatiza a recuperação como um processo contínuo, pela 
qual o aluno, com aproveitamento insuficiente, dispõe de condições que lhe possibilitem a 
apreensão de conteúdos básicos. Paro defende que:
A recuperação deveria ser pensada como princípio derivado da própria avaliação. 
Esta, num processo contínuo e permanente, embutido no próprio exercício de ensinar 
e aprender diagnosticaria os problemas e dificuldades que a recuperação também num 
processo contínuo e permanente, de solucionar (ou intentar soluções) pelo oferecimento 
de novos recursos e alternativas de ação (2001, p. 42) .
O aluno cujo aproveitamento foi insuficiente deverá ser proporcionado a ele, obrigatoriamente, 
uma recuperação de estudos com conteúdos da disciplina em que o aproveitamento foi 
insuficiente. A recuperação de estudos será planejada e integrada ao processo de ensino, 
adequando-se às dificuldades do aluno. Essa recuperação deve se adequar as dificuldades dos 
alunos, podendo assumir várias formas, tais como: pesquisa, relatórios, atividades individuais 
145GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
e em grupo, produção e/ou aferições escritas. Essa recuperação deverá ser realizada durante 
o ano letivo, de forma paralela.
De acordo com o Parecer do CNE/CEB no 12/1997, a recuperação, o acompanhamento 
da aprendizagem é um direito do aluno. Os professores devem fazer a recuperação como 
expressão do seu compromisso com a aprendizagem dos alunos e não apenas para cumprir 
uma formalidade legal. No entanto, devemos considerar o seguinte fato: enquanto existir nota, a 
recuperação da aprendizagem deverá repercutir na recuperação da nota, pois só a reavaliação 
permitirá saber se houve a recuperação pretendida. 
PROCESSO	N.º	091/99
DELIBERAÇÃO	N.º	007/99	APROVADO	EM	09/04/99
CÂMARAS DE ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO
INTERESSADO: SISTEMA ESTADUAL DE ENSINO
ESTADO DO PARANÁ
ASSUNTO: Normas Gerais para Avaliação do Aproveitamento Escolar, Recuperação de Estudos e 
Promoção de Alunos, do Sistema Estadual de Ensino, em Nível do Ensino Fundamental e Médio.
RELATORES: MARÍLIA PINHEIRO MACHADO DE SOUZA E ORLANDO BOGO
O Conselho Estadual de Educação, do Estado do Paraná, no uso de suas atribuições e tendo em vista 
o que consta da Indicação n.º 001/99, das Câmaras de Ensino Fundamental e Médio, que a esta se 
incorpora e ouvida a Câmara de Legislação e Normas:
Delibera:
CAPÍTULO I
DA AVALIAÇÃO DO APROVEITAMENTO
Art. 1.° A avaliação deve ser entendida como um dos aspectos
do ensino pelo qual o professor estuda e interpreta os dados da aprendizagem e de seu próprio traba-
146 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
lho,	com	as	finalidades	de	acompanhar	e	aperfeiçoar	o	processo	de	aprendizagem	dos	alunos,	bem	
como diagnosticar seus resultados e atribuir-lhes valor.
§ 1.°- A avaliação deve dar condições para que seja possível ao professor tomar decisões quanto ao 
aperfeiçoamento das situações de aprendizagem.
§ 2.°- A avaliação deve proporcionar dados que permitam ao estabelecimento de ensino promover a 
reformulação do currículo com adequação dos conteúdos e métodos de ensino.
§ 3.°- A avaliação deve possibilitar novas alternativas para o planejamento do estabelecimento de 
ensino e do sistema de ensino como um todo.
Art. 2.° - Os critérios de avaliação, de responsabilidade dos estabelecimentos de ensino, devem cons-
tar do Regimento Escolar, obedecida a legislação existente.
Parágrafo Único - Os critérios de avaliação do aproveitamento escolar serão elaborados em conso-
nância com a organização curricular do estabelecimento de ensino.
Art. 3.° - A avaliação do aproveitamento escolar deverá incidir sobre o desempenho do aluno em 
diferentes situações de aprendizagem.
§	1.°-	A	avaliação	utilizará	técnicas	e	instrumentos	diversificados.
§ 2.° - O disposto neste artigo aplica-se a todos os componentes curriculares, independente do res-
pectivo tratamento metodológico.
§ 3.º - É vedada a avaliação em que os alunos são submetidos a uma só oportunidade de aferição.
Art. 4.° - A avaliação deve utilizar procedimentos que assegurem a comparação com os parâmetros 
indicados pelos conteúdos de ensino, evitando-se a comparação dos alunos entre si.
Art. 5.°- Na avaliação do aproveitamento escolar, deverão preponderar os aspectos qualitativos da 
aprendizagem, considerada a interdisciplinariedade e a multidisciplinariedade dos conteúdos
Parágrafo único. Dar-se-á relevância à atividade crítica, à capacidade de síntese e à elaboração pes-
soal, sobre a memorização.
147GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Art.	6.°-	Para	que	a	avaliação	cumpra	sua	finalidade	educativa,	deverá	ser	contínua,	permanente	e	
cumulativa.
§ 1.°- A avaliação deverá obedecer à ordenação e à seqüência do ensino e da aprendizagem, bem 
como à orientação do currículo.
§ 2.°- Na avaliação deverão ser considerados os resultados obtidos durante o período letivo, num pro-
cesso	contínuo	cujo	resultado	final	venha	a	incorporá-los,	expressando	a	totalidade	do	aproveitamento	
escolar, tomado na sua melhor forma.
§	3.°	-	Os	resultados	obtidos	durante	o	período	letivo	preponderarão	sobre	os	da	prova	final,	caso	esta	
conste do regimento.
Art. 7.°- Caberá ao órgão indicado pelo Regimento Escolar o PROC. N.º 091/99
acompanhamento do processo de avaliação da série, ciclo, grau ou período, devendo debater e ana-
lisar todos os dados intervenientes na aprendizagem.
§	1.°	-	O	órgão	será	composto,	obrigatoriamente,	pelos	Professores,	pelo	Diretor	e	pelos	profissionais	
de supervisão e orientação educacional.
§ 2.º - É recomendável a participação de um representante dos alunos.
§ 3.°- A individualidade do aluno e o seu domínio dos conteúdos necessários deverão ser assegurados 
nas decisões sobre o processo de avaliação.
Art. 8.° - A avaliaçãodo ensino da Educação Física e de Arte, deverá adotar procedimentos próprios, 
visando ao desenvolvimento formativo e cultural do aluno.
Parágrafo único. A aprendizagem de que trata este artigo deverá levar em consideração a capacidade 
individual, o desempenho do aluno e sua participação nas atividades realizadas.
Art. 9.º - A avaliação deverá ser registrada em documentos
próprios,	a	fim	de	serem	asseguradas	a	regularidade	e	a	autenticidade	da	vida	escolar	do	aluno.
CAPÍTULO II
DA RECUPERAÇÃO DE ESTUDOS
Art.	 10	 -	O	aluno	 cujo	 aproveitamento	escolar	 for	 insuficiente	 poderá	obter	 a	 aprovação	mediante	
recuperação de estudos, proporcionados obrigatoriamente pelo estabelecimento.
148 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Parágrafo Único - A proposta de recuperação de estudos deverá indicar a área de estudos e os conte-
údos	da	disciplina	em	que	o	aproveitamento	do	aluno	foi	considerado	insuficiente.
Art. 11 - A recuperação é um dos aspectos da aprendizagem no seu desenvolvimento contínuo, pela 
qual	o	aluno,	com	aproveitamento	insuficiente,	dispõe	de	condições	que	lhe	possibilitem	a	apreensão	
de conteúdos básicos.
§ 1.º - O processo de recuperação deverá ser descrito no regimento escolar.
§ 2.° - as propostas de recuperação deverão receber das mantenedoras as condições necessárias 
para sua execução.
Art. 12 - O estabelecimento de ensino deverá proporcionar recuperação de estudos, preferencial-
mente	concomitante	ao	período	letivo,	assegurando	as	condições	pedagógicas	definidas	no	Artigo	1.º	
desta Deliberação.
Parágrafo Único - Entende-se por período letivo a carga mínima anual de 800 horas distribuídas por 
um	mínimo	de	200	dias	de	efetivo	trabalho	escolar,	excluído	o	tempo	reservado	às	provas	finais.
Art. 13 - A recuperação de estudos deverá constituir um conjunto integrado ao processo de ensino, 
além	de	se	adequar	às	dificuldades	dos	alunos.
Parágrafo Único – A recuperação de estudos realizada durante o ano letivo será considerada para 
efeito de documentação escolar.
Art.	14	-	A	recuperação,	após	o	encerramento	do	período	letivo,	destina-se	a	corrigir	as	deficiências	
que ainda persistam, apesar dos estudos de recuperação realizados durante o período letivo.
Parágrafo Único - A época da recuperação de estudos, após o período letivo regular, será prevista no 
calendário escolar do estabelecimento.
Art. 15 - A recuperação de estudos, após o período letivo, destina-se a alunos:
a) com freqüência mínima de 75% do total das horas letivas;
b) com resultados de aprendizagem abaixo dos parâmetros estabelecidos pela escola.
Art. 16 - Os resultados da recuperação deverão incorporar-se aos das avaliações efetuadas durante o 
período letivo, constituindo-se em mais um componente do aproveitamento escolar.
Parágrafo Único - A proporcionalidade ou a integração entre os resultados da avaliação e da recupe-
ração deverá ser estabelecida no Regimento Escolar.
149GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
CAPÍTULO III
DA PROMOÇÃO
Art. 17 - A promoção deverá ser o resultado da avaliação do aproveitamento escolar do aluno expresso 
conforme critério e forma determinada pelo estabelecimento em seu Regimento Escolar.
Art.	18	-	A	avaliação	final	deverá	considerar,	para	efeito	de	promoção,	 todos	os	resultados	obtidos	
durante o período letivo, incluída a recuperação de estudos.
Art. 19 - Encerrado o processo de avaliação, o estabelecimento registrará, no histórico escolar do 
aluno, sua condição de aprovado ou reprovado.
CAPÍTULO IV
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS
Art. 20 – As questões pertinentes à Educação Infantil e Educação de Jovens e Adultos serão tratadas 
em deliberação própria.
Art.	21	-	Esta	Deliberação	entrará	em	vigor	após	a	sua	publicação,	ficando	revogadas	as	Deliberações	
n.ºs 033/87, 004/88, 012/88 e 006/92.
PROCESSO N.º 091/99
INDICAÇÃO N.º 001/99 APROVADO EM 09/04/99
CÂMARAS DE ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO
INTERESSADO: SISTEMA ESTADUAL DE ENSINO
ESTADO DO PARANÁ
ASSUNTO: Normas Gerais para Avaliação do Aproveitamento Escolar, Recuperação de Estudos e 
Promoção de Alunos, do Sistema Estadual de Ensino, em Nível do Ensino Fundamental e Médio.
RELATORES: MARÍLIA PINHEIRO MACHADO DE SOUZA E ORLANDO BOGO
A revisão das normas gerais para avaliação do aproveitamento escolar, recuperação de estudos e pro-
moção de alunos, do Sistema Estadual de Ensino, em nível da educação básica, é parte do processo 
de atualização das legislações existentes, que este Conselho Estadual de Educação efetiva, com a 
finalidade	de	compatibilização	ao	estabelecido	na	Lei	n°	9394/96,	que	fixa	as	diretrizes	e	bases	da	
educação nacional.
A Deliberação n°033/87-CEE, até então vigente, é muito adequada em seu conteúdo teórico, po-
dendo-se	afirmar	que	a	 Indicação	que	acompanha	o	documento	revela	um	estudo	que	se	mantém	
atualizado ao texto da atual lei de educação. Dessa forma, repetimos a conceituação expressa na 
150 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
citada Deliberação:
“[...] é preciso acrescentar que a avaliação hoje aplica-se não somente ao nível da aprendizagem do 
aluno, mas também do aperfeiçoamento do ensino e da reformulação do currículo. Apresenta-se, por-
tanto, como um elemento necessário em diferentes níveis do planejamento, exercendo nesses níveis 
a função diagnóstica e formativa.
Com	isso	pretende-se	ultrapassar	definitivamente	a	concepção	de	avaliação	na	função	de	certificação	
e seleção que vinha exercendo dentro de um contexto clássico de ensino cartorial e seletivo.
No desenvolvimento conceitual do processo, coloca-se a escola como unidade do sistema de ensino, 
configurando-se	o	Regimento	Escolar	como	expressão	do	conjunto	de	decisões	tomadas	pela	equipe	
escolar sobre seu trabalho”(Relatora Conselheira Lilian Wachowicz, 1987).
Da análise do inciso V, do artigo 24 da Lei n° 9394/96, que estabelece a organização da educação 
básica,	verifica-se	que	o	rendimento	escolar	deverá	seguir	critérios	estabelecidos:
“a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualita-
tivos	sobre	os	quantitativos	e	dos	resultados	ao	longo	do	período	sobre	os	de	eventual	provas	finais;
b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar;
c)	possibilidade	de	avanço	nos	cursos	e	nas	séries	mediante	verificação	do	aprendizado;
d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito;
e) obrigatoriedade de estudos de recuperação, de preferência paralelos ao período letivo, para os 
casos de baixo rendimento escolar, a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regi-
mentos”.
Com	muita	clareza,	a	Lei	define	que	a	avaliação	não	pode	ser	aceita	como	um	simples	instrumento	
classificatório,	mas	de	acompanhamento	da	 construção	da	aprendizagem,	 indicando	um	processo	
contínuo e cumulativo, que venha incorporar todos os resultados obtidos durante o período letivo. 
Aponta a possibilidade de aceleração de estudos para alunos que apresentam atraso escolar, situação 
que	merece	projeto	próprio,	com	aprovação	específica	deste	Conselho	Estadual	de	Educação,	para	
que	não	se	corram	riscos	da	simplificação	de	estudos,	perdendo-se	a	qualidade	de	ensino	para	a	
quantidade de alunos aprovados.
Possibilita, ainda, a Lei os avanços nos cursos e nas séries e mantém a obrigatoriedade dos estudos 
de recuperação, de preferência paralela ao período letivo, situações que devem merecer de cada 
instituição de ensino um rigoroso programa capaz de promover a valorização real dos alunos nelas 
envolvidos. E é nesse sentido que a aprendizagem como um processo contínuo, com registros per-
manentes do aproveitamento escolar, pode se tornar um indicativo seguro para apontar alunos que 
precisam	de	recuperação	da	aprendizagem,	antes	que	o	resultado	final	se	concretize.
151GESTÃOESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Cabe assim a responsabilidade às mantenedoras dos estabelecimentos de ensino, quanto à viabiliza-
ção dos estudos de recuperação, criando condições que tornem exeqüíveis os programas previstos 
em cada situação escolar.
O Conselho de Classe, quando instituído na escola, tem o sentido de acompanhamento de todo 
processo da avaliação, analisando e debatendo todos os componentes da aprendizagem dos alunos. 
Como instrumento democrático na instituição escolar, o Conselho de Classe garante o aperfeiçoamen-
to do processo da avaliação, tanto em seus resultados sociais como pedagógicos.
É necessário que a teoria da avaliação e a prática acontecida nas salas de aulas caminhem juntas, 
para que a prática, ajuizando a teoria, permita avanços tanto no procedimento metodológico da escola, 
como no programa social da educação, que passa necessariamente pela avaliação, capaz de apontar 
caminhos	para	toda	construção	e	reconstrução	dos	currículos,	da	atuação	dos	professores	e	enfi	m	do
conjunto de cada escola.
A presente Indicação, objetivando assegurar critérios para a avaliação do aproveitamento escolar, 
recuperação de estudos e promoção de alunos em todo Sistema Estadual de Ensino do Paraná e, 
também, atualizar as normas vigentes em consonância com a nova Lei de Diretrizes e Bases da Edu-
cação Nacional, apresenta ao Conselho Pleno a proposta de deliberação anexa.
É a Indicação.
152 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
“Ao avaliarmos o aluno, avaliamos nossa atuação enquanto docentes”.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Prezado(a) aluno(a), sem a pretensão de apresentar uma conclusão definitiva, é possível 
afirmar que a avaliação da aprendizagem é um tema amplamente discutido no contexto 
acadêmico, entretanto as práticas avaliativas que acontecem dentro das salas de aula ainda 
são reflexos de um ensino tradicional, em que são cobrados dos alunos conhecimentos 
puramente memorísticos por meio das provas tradicionais que pouco favorecem a reflexão 
sobre o que é ensinado.
O processo avaliativo focado da memorização, além de não estimular os alunos à reflexão, 
também não serve como instrumento de análise do ensino e aprendizagem, pois só é possível, 
e de forma precária, analisar a aprendizagem e não o ensino. Nesse processo, os alunos 
tornam-se vítimas de uma avaliação classificatória que exclui os que não se adaptam a ele, 
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153GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
levando os estudantes ao fracasso escolar repetindo o ano ou mesmo a evadir-se da escola.
A significação que o aluno dá aos conhecimentos adquiridos na escola está diretamente 
relacionada à forma de ensino e de avaliação, pois se o aluno é levado a refletir acerca dos 
conhecimentos, estes se relacionam aos conhecimentos prévios do aluno e formam novas 
estruturas. 
Por meio das reflexões aqui apresentadas, constatamos a importância de conhecer e 
compreender as especificidades do processo de avaliação, bem como as diferenças entre a 
avaliação institucional em larga escala e a avaliação da instituição escolar propriamente dita.
Finalmente, podemos concluir que o processo de avaliação é uma mão de duas vias: analisa 
-se a aprendizagem e também o ensino e, assim parafraseando Pedro Demo (1994), é 
preciso que todo professor e pedagogo compreenda que “a avaliação deve estar a serviço da 
aprendizagem” .
A avaliação deve orientar a aprendizagem
Esqueça	a	história	de	usar	provas	e	trabalhos	só	para	classifi	car	a	turma.	Avaliar,	hoje,	é	recor-
rer a diversos instrumentos para fazer a garotada compreender os conteúdos previstos. 
Durante	muito	tempo,	a	avaliação	foi	usada	como	instrumento	para	classifi	car	e	rotular	os	alunos	entre	
os bons, os que dão trabalho e os que não têm jeito. A prova bimestral, por exemplo, servia como uma 
ameaça	à	turma.	Felizmente,	esse	modelo	fi	cou	ultrapassado	e,	atualmente,	a	avaliação	é	vista	como	
uma das mais importantes ferramentas à disposição dos professores para alcançar o principal objetivo 
da escola: fazer todos os estudantes avançarem. Ou seja, o importante hoje é encontrar caminhos 
para medir a qualidade do aprendizado da garotada e oferecer alternativas para uma evolução mais 
segura. 
Mas como não sofrer com esse aspecto tão importante do dia-a-dia? Antes de mais nada, é preciso 
ter em mente que não há certo ou errado, porém elementos que melhor se adaptam a cada situação 
didática. Observar, aplicar provas, solicitar redações e anotar o desempenho dos alunos durante um 
seminário são apenas alguns dos jeitos de avaliar). E todos podem ser usados em sala de aula, con-
forme a intenção do trabalho. Os especialistas, aliás, dizem que o ideal é mesclá-los, adaptando-os 
não apenas aos objetivos do educador mas também às necessidades de cada turma. 
“A avaliação deve ser encarada como reorientação para uma aprendizagem melhor e para a melhoria 
154 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
do sistema de ensino”, resume Mere Abramowicz, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. 
Daí a importância de pensar e planejar muito antes de propor um debate ou um trabalho em grupo. É 
por isso que, no limite, você pode adotar, por sua conta, modelos próprios de avaliar os estudantes, 
como explica Mere. “Felizmente, existem educadores que conseguem colocar em prática suas pro-
postas, às vezes até transgredindo uma sistemática tradicional. Em qualquer processo de avaliação 
da aprendizagem, há um foco no individual e no coletivo. 
Mas é preciso levar em consideração que os dois protagonistas são o professor e o aluno - o primeiro 
tem	de	identificar	exatamente	o	que	quer	e	o	segundo,	se	colocar	como	parceiro”.	É	por	isso,	diz	ela,	
que a negociação adquire importância ainda maior. Em outras palavras, discutir os critérios de avalia-
ção de forma coletiva sempre ajuda a obter resultados melhores para todos. “Cabe ao professor listar 
os conteúdos realmente importantes, informá-los aos alunos e evitar mudanças sem necessidade”, 
completa Léa Depresbiteris, especialista em Tecnologia Educacional e Psicologia Escolar. 
Cipriano Carlos Luckesi, professor de pós-graduação em Educação da Universidade Federal da 
Bahia, lembra que a boa avaliação envolve três passos: 
•	 Saber o nível atual de desempenho do aluno (etapa também conhecida como diagnóstico);
•	 Comparar essa informação com aquilo que é necessário ensinar no processo educativo (quali-
ficação);
•	 Tomar as decisões que possibilitem atingir os resultados esperados (planejar atividades, se 
quências didáticas ou projetos de ensino, com os respectivos instrumentos avaliativos para cada 
etapa).
“Seja pontual ou contínua, a avaliação só faz sentido quando leva ao desenvolvimento do educando”, 
afirma	Luckesi.	Ou	seja,	só	se	deve	avaliar	aquilo	que	foi	ensinado.	Não	adianta	exigir	que	um	grupo	
não orientado sobre a apresentação de seminários se saia bem nesse modelo. E é inviável exigir que 
a garotada realize uma pesquisa (na biblioteca ou na internet) se você não mostrar como fazer. Da 
mesma	forma,	ao	escolher	o	circo	como	tema,	é	preciso	encontrar	formas	eficazes	de	abordá-lo	se	
não houver trupes na cidade e as crianças nunca tiverem visto um espetáculo circense. 
Mere destaca ainda que a avaliação sempre esteve relacionada com o poder, na medida em que 
oferece ao professor a possibilidade de controlar a turma. “No modelo tecnicista, que privilegia a 
atribuição	de	notas	e	a	classificação	dos	estudantes,	ela	é	ameaçadora,	uma	arma.	Vira	instrumento	
de poder e dominação, capaz de despertar o medo”. O fato, segundo ela, é que muitos educadores 
viveram	esse	tipo	de	experiência	ao	frequentar	a	escolae,	por	isso,	alguns	têm	dificuldade	para	agir	
de outra forma. 
Para	Mere,	essa	marca	negativa	da	avaliação	vem	sendo	modificada	à	medida	que	melhora	a	for-
mação docente e o professor passa a ver mais sentido em novos modelos. Só assim o fracasso dos 
jovens	deixa	de	ser	encarado	como	uma	deficiência	e	se	 torna	um	desafio	para	quem	não	aceita	
deixar ninguém para trás.
155GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
COMO APRESENTAR OS RESULTADOS
Observar, anotar, replanejar, envolver todos os alunos nas atividades de classe, fazer uma avaliação 
precisa e abrangente. E agora, o que fazer com os resultados? Segundo os especialistas, a avaliação 
interessa a quatro públicos:
•	 ao aluno, que tem o direito de conhecer o próprio processo de aprendizagem para se empenhar 
na superação das necessidades;
•	 aos	pais,	corresponsáveis	pela	Educação	dos	fi	lhos	e	por	parte	signifi	cativa	dos	estímulos	que	
eles recebem;
•	 ao professor, que precisa constantemente avaliar a própria prática de sala de aula;
•	 à equipe docente, que deve garantir continuidade e coerência no percurso escolar de todos os 
estudantes.
Cipriano Luckesi diz que, “enquanto é avaliado, o educando expõe sua capacidade de raciocinar”. 
Essa é a razão pela qual todas as atividades avaliadas devem ser devolvidas aos autores com os res-
pectivos comentários. Cuidado, porém, com o uso da caneta vermelha. Especialistas argumentam que 
ela	pode	constranger	a	garotada.	Da	mesma	forma,	encher	o	trabalho	de	anotações	pode	signifi	car	
desrespeito. Tente ser discreto. Faça as considerações à parte ou use lápis, ok?
Publicado em janeiro 2009.
Fonte:	<www.diadiaeducacao.com.br>.	Acesso	em:	5	abr.	2012.
ATIVIDADE DE AUTOESTUDO
1. Faça uma pesquisa em uma escola sobre a concepção de avaliação apresentada no 
Projeto Político-Pedagógico. Registre suas constatações.
2. 	 A	partir	das	refl	exões	e	discussões	realizadas	sobre	Avaliação,	escreva	um	breve	texto	
respondendo aos seguintes questionamentos: Para que avaliar? O que avaliar? Como 
avaliar?
3. Os estudos desta unidade possibilitaram a ampliação do conhecimento acerca do proces-
so	de	avaliação.	Discorra	sobre	as	especifi	cidades	da	avaliação	institucional.
4. As avaliações em larga escala se tornaram objeto de análise dos últimos anos. Escreva 
sobre as diferenças existentes entre o SAEB e a Prova Brasil.
156 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
CONCLUSÃO
Prezado(a) aluno(a), finalmente concluímos as discussões propostas para esta importante 
disciplina que compõe sua matriz curricular. A disciplina de “Gestão Escolar e a Organização 
do Trabalho Pedagógico na Educação Básica”, tem como objetivo levá-lo ao domínio de uma 
fundamentação teórico-prática sobre as funções e ações da coordenação pedagógica e da 
gestão escolar como um todo. Bem como propiciar a você a análise dos aspectos históricos, 
políticos e sociais da educação brasileira no que tange à gestão escolar. 
Outro ponto importante da disciplina diz respeito ao conhecimento do papel do pedagogo na 
instituição de ensino e a definição de papéis na perspectiva do pedagogo unitário. 
Relembremos agora alguns pontos aqui discutidos, por favor, retome-os comigo.
Na primeira unidade realizamos o estudo sobre o papel do gestor escolar na atualidade, 
na qual destacamos a importância de entender criticamente as relações postas no campo 
educacional.
O resgate histórico apresentado nessa unidade se constituiu em um grande desafio, pois se 
faz necessário a compreensão histórica do papel da gestão escolar na educação brasileira a 
partir da década de 1960.
Cumpre destacar que foi no período marcado pela redemocratização do nosso país (década 
de 1980) que a gestão democrática da educação e da escola pública tornou-se o centro do 
debate educacional. 
Como você constatou, esse contexto social, político e econômico influenciou o discurso da 
gestão democrática, que se tornou aspecto fundamental para a melhoria na qualidade de 
ensino público por meio da força da lei máxima: Constituição Federal (CF) de 1988.
Outro ponto discutido foi a ação do pedagogo pautada na articulação das condições históricas 
postas que estão relacionadas com as exigências do processo de reestruturação produtiva do 
capitalismo. 
A segunda unidade introduziu a discussão sobre os instrumentos necessários para a efetivação 
da Gestão Democrática no âmbito escolar. A discussão proposta envolveu uma reflexão 
teórico/prática acerca da atuação do pedagogo na gestão escolar.
157GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
Compreender que as Instâncias Colegiadas são instrumentos que compõem as especificidades 
de uma instituição pautada na Gestão Democrática e, ainda, conhecer cada uma delas de 
acordo com seu foco de atuação contribuiu de modo significativo para uma visão coletiva do 
trabalho educativo.
De fato, caro(a) aluno(a), as reflexões propostas nessa segunda unidade conduziram nossos 
estudos para uma análise ampla da dimensão da Gestão Educacional e da Gestão Escolar, 
que são ações distintas, porém, complementares e que influenciam a atuação da equipe 
diretiva frente ao desafio do trabalho coletivo.
Na terceira unidade, abordamos de modo direto a importância do Projeto Político-Pedagógico 
(PPP) no contexto da Gestão Democrática. 
Julgamos importante trazer esta discussão por considerarmos que a atuação do Gestor 
exerce influência direta na melhoria da qualidade do ensino, uma vez que a aprendizagem 
que se concretiza no espaço da sala de aula é uma extensão dos mecanismos utilizados pelos 
gestores da referida instituição, cujas ações estão pautadas no Projeto Político-Pedagógico da 
instituição escolar. 
Outro aspecto evidenciado nessa unidade foi a gestão da sala de aula, uma vez que 
consideramos o professor como o principal agente do processo de ensino e aprendizagem. 
Deste modo, sua atuação profissional consciente de suas responsabilidades e o compromisso 
com a educação deve ser permeado pela competência e domínio do conhecimento científico.
Assim, as reflexões aqui apresentadas contribuíram para consolidar a certeza de que toda 
a comunidade educativa deve assumir o compromisso de efetivar a construção do PPP, de 
modo a contribuir para que a escola cumpra sua função social.
O resgate da função social da escola foi o assunto estudado na quarta unidade. Compreender 
o compromisso da escola com o conhecimento científico é considerado como condição 
primeira para um trabalho educacional coerente. Nessa unidade discorremos sobre o papel do 
Plano de Trabalho Docente, que está diretamente vinculado ao Projeto Político-Pedagógico, 
na sustentação desse compromisso da escola com a ciência.
A compreensão de que o Planejamento ou Plano de Trabalho Docente sustenta a práxis é 
fundamental para a organização do trabalho escolar e essencial na superação dos desafios 
158 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
do cotidiano escolar. 
Finalmente, encerramos nossa discussão apresentando na quinta unidade de discussão a 
análise de um componente considerado fundamental para o entendimento crítico acerca da 
Gestão escolar e da organização da Educação básica: a Avaliação.
Pautamos a referida discussão sob a consideração da avaliação na dimensão educacional e 
na dimensão escolar.
Julgamos importante discuti-la desta forma, considerando a amplitude das avaliações 
realizadas em larga escala nos últimos anos e a necessidade de relacioná-las com o processo 
realizado cotidianamente no contexto escolar.
Bem sabemos que democracia consolidada e educação para todos são anseios edificados 
cotidianamente. Democracia aqui entendida como articulação dos diferentes grupossociais 
de uma sociedade. Desse modo, entendemos a Gestão Democrática como um processo de 
aprendizado e de luta política, que nos dizeres de Luis F. Dourado (2002), não está limitada à 
prática educativa, mas entrevê as especificidades da prática social, o que favorece aos atores 
do processo (comunidade educativa) a possibilidade de pensar criticamente as estruturas 
autoritárias que permeiam as relações sociais no seio das práticas educativas, visando à sua 
transformação.
Partimos do pressuposto de que se faz condição elementar analisarmos o conceito da 
administração escolar como expressão das relações socialmente postas e que, nos dizeres de 
Paro (2006), são historicamente determinadas pelas relações econômicas, políticas e sociais 
que se processam sob a égide do sistema capitalista.
Instigados pelo conhecimento científico, destacamos que a análise levada a efeito nessa 
unidade teve por finalidade superar a concepção ingênua, e por isso conservadora, da gestão 
escolar que, embora com limites, pôde contribuir para a construção da unitariedade possível 
nos espaços de contradição entre capital e trabalho, construindo uma escola articulada 
dialeticamente com a transformação social.
Eis o desafio que se impõe com veemência àqueles que atuam profissionalmente na área 
educacional: fazer da escola um espaço que pense criticamente as relações sociais postas 
historicamente de modo a superar o senso comum e a escola baseada no “achismo” e nos 
159GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
“palpites” severamente criticada por Saviani.
Permite-se aqui destacar os princípios Gramscianos, que fomenta a necessidade de 
assimilarmos a escola como uma instituição que vai além de currículos e programas, 
considerando-a como instrumento útil e necessário à formação de uma cultura, tanto para a 
manutenção como para a substituição do pensamento hegemônico.
Nessa perspectiva, cabe a mim, a você, enfim, aos trabalhadores em educação, buscarmos 
a consolidação da gestão democrática, que apesar de ter em sua base mecanismos de 
descentralização e privatização que se coadunam aos princípios neoliberais, é possível a partir 
daí consolidar a participação crítica e consciente da comunidade educativa e, assim, contribuir 
para a construção de uma escola articulada dialeticamente com a transformação social.
Esperamos que as discussões propostas neste livro tenham colaborado com o seu 
conhecimento acerca da Gestão Escolar e, principalmente, da importância da atuação no 
contexto da Gestão Democrática.
Sucesso!!
As autoras
160 GESTÃO ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA | Educação a Distância
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