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G RU PO SER ED U CACIO N AL GESTÃO EDUCACIONAL G ESTÃO ED U CACIO N ALTatiana de Medeiros Santos Tatiana de Medeiros Santos GESTÃO EDUCACIONAL Gestão Educacional © by Ser Educacional Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, do Grupo Ser Educacional. Imagens e Ícones: ©Shutterstock, ©Freepik, ©Unsplash, ©Wikimedia Commons. Diretor de EAD: Enzo Moreira. Gerente de design instrucional: Paulo Kazuo Kato. Coordenadora de projetos EAD: Jennifer dos Santos Sousa. Núcleo de Educação a Distância - NEAD Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Santos, Tatiana de Medeiros S237g Gestão educacional [recurso eletrônico] / Tatiana de Medeiros Santos; coordenação de David Lira Stephen Barros; organização de Cristiane Silveira Cesar de Oliveira - Recife: Telesapiens, 2021. 164p.: il. ISBN 978-65-5873-080-4 1. Planejamento educacional. 2. Educação básica - Gestão. 3. Educação básica – Políticas públicas. I. Barros, David Lira Stephen (coord.). II. Oliveira, Cristiane Silveira Cesar de (org.). III. Título. CDD 372.207 (22.ed) CDU 371.2 Bibliotecária: Maria Isabel Schiavon Kinasz, CRB9 / 626 Grupo Ser Educacional Rua Treze de Maio, 254 - Santo Amaro CEP: 50100-160, Recife - PE PABX: (81) 3413-4611 E-mail: sereducacional@sereducacional.com Iconografia Estes ícones irão aparecer ao longo de sua leitura: ACESSE Links que complementam o contéudo. OBJETIVO Descrição do conteúdo abordado. IMPORTANTE Informações importantes que merecem atenção. OBSERVAÇÃO Nota sobre uma informação. PALAVRAS DO PROFESSOR/AUTOR Nota pessoal e particular do autor. PODCAST Recomendação de podcasts. REFLITA Convite a reflexão sobre um determinado texto. RESUMINDO Um resumo sobre o que foi visto no conteúdo. SAIBA MAIS Informações extras sobre o conteúdo. SINTETIZANDO Uma síntese sobre o conteúdo estudado. VOCÊ SABIA? Informações complementares. ASSISTA Recomendação de vídeos e videoaulas. ATENÇÃO Informações importantes que merecem maior atenção. CURIOSIDADES Informações interessantes e relevantes. CONTEXTUALIZANDO Contextualização sobre o tema abordado. DEFINIÇÃO Definição sobre o tema abordado. DICA Dicas interessantes sobre o tema abordado. EXEMPLIFICANDO Exemplos e explicações para melhor absorção do tema. EXEMPLO Exemplos sobre o tema abordado. FIQUE DE OLHO Informações que merecem relevância. Sumário UNIDADE 1 Políticas e gestão da educação básica � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 10 Estrutura e funcionamento da educação básica � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 13 Políticas educacionais pós 1990 � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �15 Políticas e organização da educação básica no Brasil: estrutura e funcionamento dos sistemas de ensino da educação básica � � � � � � 19 A função social da escola e sua relação com a democracia � � � � � � � � � � 23 A gestão democrática da educação e da escola - Conceitos e princípios� � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 27 A gestão democrática da educação e algumas políticas que influenciam no processo � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 36 UNIDADE 2 Organização Democrática da Escola Pública: Bases Legais e os desafios � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 49 A Gestão do Trabalho Pedagógico em Espaços Escolares e Não Escolares � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �59 Princípios e Características dos Diferentes Tipos de Gestão � � � � � �65 A Gestão nos Espaços Escolares e Não Escolares: Foco na Atuação Pedagógica � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 71 UNIDADE 3 A Gestão Escolar Democrática e o Projeto Político Pedagógico � � � 82 A Gestão democrática requer mudança de comportamentos na escola � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �92 Gestão escolar democrática: definições, princípios e mecanismos básicos de implementação � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �102 A gestão democrática na escola pública � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 111 UNIDADE 4 A escola e o Projeto Político-Pedagógico � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 121 Conceitos e Finalidades do Projeto-Político Pedagógico � � � � � � � �129 A Gestão Escolar Democrática e o Projeto Político-Pedagógico na Perspectiva de uma Educação Para a Cidadania � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 142 A Gestão da Escola Básica e o Princípio da Autonomia Administrativa, Financeira e Pedagógica � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �145 Administrativa � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 148 Financeira � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 149 Jurídica � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 151 Pedagógica � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 152 Autora Tatiana de Medeiros Santos. Olá! Meu nome é Tatiana de Medeiros Santos. Sou formada em Pe- dagogia, possuo experiência técnico- profissional na área de edu- cação e sou especialista em Educação Infantil e Gestão Educacional. Além disso, sou mestre em Educação Popular, doutora em Educa- ção e professora do Ensino Fundamental e Ensino Superior há mais de 10 anos. Já lecionei na Universidade Federal da Paraíba como professora substituta do curso Pedagogia, contudo, hoje, sou pro- fessora da rede municipal de ensino de João Pessoa, professora da UNAVIDA – UVA, professora da UNINASSAU e tutora do curso à dis- tância de Pedagogia da UFPB. Sou apaixonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso, fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! UN ID AD E 1 Objetivos ◼ Identificar as políticas educacionais na Gestão Escolar a partir de seus conceitos, elementos constitutivos, princípios básicos, funções, desafios e paradigmas; ◼ Refletir sobre os mecanismos de participação no processo de gestão das instituições escolares, contribuindo de forma sig- nificativa para a elaboração, implementação, coordenação, acompanhamento e avaliação do projeto político pedagógico, bem como para outros projetos e programas de interesse educacional, seja em ambientes escolares ou não; 8 ◼ Conhecer os fundamentos teóricos e legais da estão Democrática; ◼ Analisar as instâncias colegiadas enquanto instrumentos de participação coletiva. 9 Introdução A área de Gestão Educacional faz parte da cadeia de ações que de- vem acontecer em prol do processo ensino-aprendizagem de uma instituição educativa, em nosso caso, a escola. Sua principal res- ponsabilidade é gerenciar questões financeiras, administrativas, pedagógicas e relações interpessoais. Tudo isso envolve normas, leis e princípios que fazem parte do âmbito do gerenciamento de recursos humanos, haja vista que nosso principal capital dentro de uma escola é o capital humano. Diante disso, vamos conhecer um pouco sobre a LDBEN (9394/96), o Plano Municipal de Educação e como deve acontecer uma gestão na escolae Bases da Educação Na- cional (LDB) de 1996. Além disso, a participação da comunidade escolar, incluindo pais, alunos e professores é vista como funda- mental para a melhoria do ambiente educacional e dos processos de ensino-aprendizagem. De acordo com essas normas, a educação é responsabilidade conjunta da União, dos Estados, do Distrito Federal e Municípios, cabendo a cada ente federativo o papel de organizar e oferecer os diferentes níveis e modalidades de ensino. Nesse sentido, a União tem o papel de coordenar e definir as diretrizes gerais, enquanto os estados são responsáveis pelo ensino médio e os municípios pela educação infantil e o ensino fundamental. Essa divisão visa promover maior igualdade no acesso à edu- cação, garantindo que os recursos sejam distribuídos de forma mais justa entre as diversas regiões do país (LDB, 1996). Contudo, a descentralização traz também desafios de coordenação e eficiência. Assim, a falta de recursos adequados e OBJETIVO 50 desigualdades regionais comprometem a qualidade da educação, especialmente em regiões carentes do Brasil. Além disso, a gestão educacional enfrenta dificuldades na formação de professores e na implementação de políticas públicas eficientes. Nesse contexto conturbado, programas como o Plano Nacio- nal de Educação (PNE), que estabelece metas a longo prazo para a educação, busca enfrentar esses desafios por meio de metas de fi- nanciamento com a finalidade de lograr melhorias na qualidade do ensino. Entretanto, o sucesso dessas políticas depende de uma boa articulação entre os diferentes níveis de governo, de uma gestão educacional que consiga equilibrar as necessidades locais com as diretrizes nacionais. (BRASIL, 1988) Figura 1: Educação, ciência e Tecnologias Fonte: Pixabay No que está restrito às leis, após a promulgação da Consti- tuição Federal (1988) houve a sanção da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (nº. 9.394/96) mais conhecida como LDB. Esse documento detalha como será a gestão democrática nas escolas brasileiras. Nesse sentido, a inserção do princípio da Gestão Democráti- ca, na Constituição Federal de 1988, foi considerada algo formidável na história da educação brasileira. Após o fim do regime ditatorial, a substituição do autoritarismo pela democracia trouxe para dentro 51 dos muros das escolas diálogo e críticas. Desse modo, é na década de 1980, que as discussões acentuaram-se em favor da descentra- lização da gestão das escolas públicas com apoio de reformas legis- lativas (Cury, 2005). De acordo com a Constituição Federal em seu Artigo 205 A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (BRASIL, 1988). Na sequência, no Artigo 206, temos determinado: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de ideias e de concepções pe- dagógicas, e coexistência de instituições pú- blicas e privadas de ensino; IV - gratuidade do ensino público em estabele- cimentos oficiais; V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII - garantia de padrão de qualidade; VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal (BRASIL, 1988). 52 Nos dois artigos acima, percebemos princípios de um modelo de educação democrática. Em seguida, praticamente onze anos após a Constituição Federal, temos sancionado a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº. 9.394/96). Essa legislação foi um acontecimen- to muito importante na área educacional, pois detalha como deve acontecer a educação sistematizada em nosso país. Entretanto, como não é objetivo desse componente curricular detalhar a LDB, destaco aqui os Artigos 12, 13 e 14, que destacam a normatização do nosso Sistema de Ensino, devendo zelar para que em nossas escolas ocorra a gestão escolar, de forma democrática, desse modo: Artigo 12. Os estabelecimentos de ensino, res- peitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de: I - elaborar e executar a sua proposta pedagógica; II - administrar seu pessoal e seus recursos ma- teriais e financeiros; III - assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas aulas estabelecidas; IV - velar pelo cumprimento do plano de traba- lho de cada docente; V - prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento; VI - articular-se com as famílias e a comunida- de, criando processos de integração da socieda- de com a escola; VII - informar aos pais e responsáveis so- bre a frequência e o rendimento dos alunos, bem como sobre a execução de sua proposta pedagógica. Artigo 13. Os docentes incumbir-se-ão de: I - participar da elaboração da proposta peda- gógica do estabelecimento de ensino; 53 II - elaborar e cumprir plano de trabalho, se- gundo a proposta pedagógica do estabeleci- mento de ensino; III - zelar pela aprendizagem de ensino; + IV- estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento; V - ministrar os dias letivos e horas-aula esta- belecidos, além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avalia- ção e ao desenvolvimento profissional; VI - colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade. Artigo 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino públi- co na educação básica, de acordo com suas pe- culiaridades e conforme os seguintes princípios: I - participação dos profissionais da educação na elaboração do Projeto Pedagógico da escola; II - participação da comunidade escolar e local em Conselhos Escolares ou equivalentes (BRA- SIL, 1988). Desse modo, é perceptível que os artigos citados dão embasamento para que aconteça uma escola em sintonia com um projeto educa- tivo. Assim, baseado em princípios democráticos para que todos da escola tenham a sua parcela de participação na comunidade escolar. Portanto, dividindo responsabilidades e comprometendo-se com a execução de suas atribuições de forma flexível e dialógica. Além disso, é importante que as escolas tenham a sua própria Proposta Pedagógica e autonomia para gerenciar as suas prioridades, seus materiais e seus recursos financeiros. EXPLICANDO DIFERENTE 54 Mediante o anteriormente visto, no Artigo 14 da referida lei está disposto que é atribuição dos Sistemas de Ensino determinar as normas de gestão democrática do ensino público, conforme par- ticularidades locais em que a escola está inserida. Para tanto, é ne- cessária a participação dos profissionais da educação e comunidade local na realização e execução do Projeto Político Pedagógico da es- cola (PPP). Quanto à elaboração do PPP, deve contar com a presença de representantes dos setores da escola, bem como dos pais e alunos. Nesse sentido, todos devem estar conscientes da importância de sua participação para a construção da melhor proposta pedagógica rumo a novas aprendizagens na escola. Tudo isso dever acontecer para que a escola tenha autonomia, e que essa ação aconteça de fato no interior da escola. A continuação, com os novos patamares democráticos de gestão educacional, a figura do diretor ganha novos contornos. Nos padrões de educação tradicionais, o diretor ocupava a função de au- toridade e supremacia sobre os demais colaboradores do ambiente escolar. De outro modo, com o advento da gestão educacional, a fi- gura do gestor escolar flexibilizou a tomada de decisão através da descentralização de competências. Agora que já compreendemoso que a Constituição Federal de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) estabele- cem sobre a gestão democrática no campo educacional, é importan- te destacar o surgimento do Plano Nacional de Educação (PNE). Esse plano, implementado no Brasil, tem como objetivo propor diretri- zes, metas e estratégias para a formulação de políticas educacionais, visando transformar a educação no país e garantir o cumprimento dessas metas ao longo de períodos de dez anos. EXPLICANDO DIFERENTE 55 Nesse contexto, o Plano Nacional de Educação (PNE), aborda a gestão democrática como um princípio fundamental para a me- lhoria da qualidade da educação, promovendo a participação de to- dos os atores envolvidos no processo educativo, como professores, alunos, pais e a comunidade escolar. Nesse sentido, o PNE incen- tiva a criação e o fortalecimento de conselhos escolares e a parti- cipação ativa da comunidade na formulação e execução do projeto político-pedagógico. Além disso, o plano estabelece a necessidade de promo- ver processos de avaliação participativa e a formação continuada de gestores educacionais, visando garantir uma gestão eficiente, transparente e inclusiva. Assim, a gestão democrática, segundo o PNE, deve ser um mecanismo que não só valoriza a participação, mas também assegura que as decisões escolares sejam tomadas de forma colaborativa, promovendo uma educação mais equitativa e de qualidade. Como podemos constatar nas metas elencadas a seguir: 9.1 priorizar o repasse de transferências volun- tárias da União na área da educação para os en- tes federados que tenham aprovado legislação específica que regulamente a matéria na área de sua abrangência, respeitando-se a legisla- ção nacional, e que considere, conjuntamente, para a nomeação dos diretores e diretoras de escola, critérios técnicos de mérito e desempe- nho, bem como a participação da comunidade escolar; 19.2 ampliar os programas de apoio e forma- ção aos(às) conselheiros(as) dos conselhos de acompanhamento e controle social do FUN- DEB, dos conselhos de alimentação escolar, dos conselhos regionais e de outros e aos(às) representantes educacionais em demais con- selhos de acompanhamento de políticas pú- blicas, garantindo a esses colegiados recursos financeiros, espaço físico adequado, equipa- mentos e meios de transporte para visitas à rede escolar, com vistas ao bom desempenho de suas funções; 56 19.3 incentivar os estados, o Distrito Federal e os municípios a constituírem fóruns perma- nentes de educação, com o intuito de coorde- nar as conferências municipais, estaduais e distrital bem como efetuar o acompanhamen- to da execução deste PNE e dos seus planos de educação; 19.4 estimular, em todas as redes de educação básica, a constituição e o fortalecimento de grêmios estudantis e associações de pais, asse- gurando-se- lhes, inclusive, espaços adequa- dos e condições de funcionamento nas escolas e fomentando a sua articulação orgânica com os conselhos escolares, por meio das respecti- vas representações; 19.5 estimular a constituição e o fortalecimen- to de conselhos escolares e conselhos mu- nicipais de educação, como instrumentos de participação e fiscalização na gestão escolar e educacional, inclusive por meio de programas de formação de conselheiros, assegurando-se condições de funcionamento autônomo; 19.6 estimular a participação e a consulta de profissionais da educação, alunos(as) e seus familiares na formulação dos projetos políti- co- pedagógicos, currículos escolares, planos de gestão escolar e regimentos escolares, as- segurando a participação dos pais na avaliação de docentes e gestores escolares; 19.7 favorecer processos de autonomia peda- gógica, administrativa e de gestão financeira nos estabeleci- mentos de ensino; desenvolver programas de formação de dire- tores e gestores escolares, bem como aplicar prova nacional específica, a fim de subsidiar a definição de critérios objetivos para o provi- mento dos cargos, cujos resultados possam ser utilizados por adesão (BRASIL, 2005). 57 No Plano Nacional de Educação (PNE) foram organizadas metas que visam ampliar o que estava previsto em legislações anteriores. Isso forneceu aos antigos padrões um suporte atualizado para que acon- teça, de fato, a gestão democrática nas escolas públicas. Por isso, o PNE cumpre papel fundamental para a educação pública democrá- tica, já que estipula os parâmetros para a repartição de competên- cias entre os entes federativos. No âmbito municipal, o instrumento que regula a educação se materializa no Plano Decenal Municipal de Educação (PME). Nes- se sentido, a necessidade da elaboração desse plano deve estar ar- ticulado com ideias, necessidades e prioridades na busca por uma proposta de mudança. Esse documento deve ser elaborado de forma coletiva (pela comunidade escolar) e deve ser submetido à aprova- ção pela Câmara Municipal. Como bem fundamenta A elaboração de um PME constitui-se como o momento de um planejamento conjunto do governo com a sociedade civil que, com base científica e com a utilização de recursos pre- visíveis, deve ter como intuito responder às necessidades sociais. Desse modo, a partici- pação da sociedade civil (Conselho Municipal de Educação, associações, sindicatos, Câmara Municipal, diretores das escolas, professores e alunos, entre outros) é que garantirá a efetiva- ção das diretrizes e ações planejadas (BRASIL, 2005). Esse plano municipal ostenta uma estrutura parecida ao PNE. Assim, consta desse documento o diagnóstico da realidade do mu- nicípio, com princípios e objetivos gerais. Nesse contexto, os Con- selhos Municipais devem realizar a análise da realidade educacional do município, considerando o seu contexto, a realidade social, a de- mografia, os dados do censo escolar, do padrão de desempenho das SAIBA MAIS 58 escolas, padrões da gestão e análise do currículo escolar. Com esses dados em mãos, é preciso realizar avaliações sobre a realidade do município em questão e, de posse dos resultados, propor diretrizes, objetivos e metas para a educação municipal. Para tanto, faz-se ne- cessário que sejam citadas as escolas públicas e que trabalhem com a Gestão Democrática. Logo, esclareço que a gestão democrática é uma prática pre- vista em lei, determinada nos documentos oficiais (Constituição Federal (1988)); Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996); e Plano Nacional de Educação de duração decenal. Portan- to, afirmo que nas legislações aqui citadas, em todas as discussões travadas, o principal objetivo é a busca pela qualidade da educação. Gostaria, também, de reforçar a importância dos Artigos 12, 13, 14 e 15 da LDBEN que normatizam a Gestão Democrática das escolas públicas brasileiras. Para resumir o que estudamos, você deve ter atenção aos artigos da Constituição Federal que tratam da educação, e na redação dos Arti- gos 12, 13, 14 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, pois esses são os capítulos que dão início a normatização da educação básica. Esse pressupostos normativos asseguram o direito de gestão democrática para a escola pública. Nesse capítulo, vimos as discus- sões em torno do Plano Nacional de Educação, que também detalha como deve acontecer a Gestão Democrática nas escolas pública e a exigência para que as prefeituras elaborem o seu Plano Municipal de Educação. RESUMINDO 59 A Gestão do Trabalho Pedagógico em Espaços Escolares e Não Escolares Ao término deste capítulo você será capaz de entender que a teoria da Gestão Educacional pode ser utilizada tanto em espaços escola- res como em espaços não escolares. Assim, observar o princípio de um projeto educativo, com ênfase na pedagogia e no fim educaional. Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. Motivado para desenvolver essa competência? Vamos em frente! Figura 2: Reflexão da gestão educacional em espaços escolares e não escolares Fonte: Pixabay OBJETIVO 60 Nesse capítulo,abordaremos as discussões em relação a área de atuação do pedagogo, ao abordar questões que se encontram nas Diretrizes Curriculares do Curso de Pedagogia (2006). Essas dire- trizes defendem que o pedagogo pode atuar em espaços escolares e não escolares, tendo como base do curso a própria formação. Sobre isso, constataremos que a formação deve privilegiar as categorias fundantes do trabalho educativo com seus aportes teórico-meto- dológicos para a atuação do pedagogo em outros espaços, que não se limitam aos muros da escola. A partir da década de 1990, com a crescente demanda do ca- pitalismo, ocorreram diversas transformações nas relações sociais. Com isso, novas configurações organizacionais foram instauradas no mundo do trabalho, se articulando com o processo de descen- tralização produtiva e com os novos métodos de gestão da força de trabalho baseados na qualidade total. Com o advento das novas tecnologias, a base técnica da pro- dução do capital alterou as relações sociais, já que os métodos de fabricação e o rítimo industrial demandaram profissionais mais capacitados para o mercado de trabalho. É nesse contexto que sur- gem as Organizações Não-Governamentais, mais conhecidas como ONGs, que estão vinculadas ao Terceiro Setor. Então você deve estar se perguntando: o que este componente curricular tem a ver com os acontecimentos na sociedade e curso Pedagogia? Para responder a este questionamento, é muito importante compreender que os acontecimentos sociais no mercado de traba- lho refletem-se diretamente não só em nossas vidas, como também na área educacional, pois abrem possibilidades para ampliar práti- cas educacionais em diversos espaços. Isso demanda a necessidade de profissionais especializados, como o pedagogo. Nesse percurso, deve-se entender que os novos problemas sociais e pedagógicos terminam impondo novas demandas. É neste SAIBA MAIS 61 momento que se discute a necessidade de rever o papel e o perfil profissional do pedagogo, uma vez em que muitos espaços de atua- ção no mercado de trabalho estão surgindo ou sendo ressignificados. Nesse sentido, observa-se que na história da educação brasi- leira, no que diz respeito à formação de pedagogos a partir de 1939 até os dias atuais, tinha-se um saber que era unitário e passou a ser plural. Em relação a essa questão, Cambi (1999) informa que não se trata apenas de algo epistemológico atrelado a mudanças de sabe- res, mas é algo que acontece por diversas razões histórico-sociais. A sociedade muda, assim como a sua dinâmica, pois ela se encontra mais aberta e requer a formação de homens com uma sensibilidade diferente do proposto no passado. Sendo assim, havia, de fato, a ne- cessidade do curso ser redimensionado. Foram essas mudanças que contribuíram para a formação da nova identidade do curso de Pedagogia, visto que um novomodelo de so- ciedade estava surgindo. Nesse contexto, no ano de 2006 foram institucionalizadas as Diretrizes Curriculares para o Curso de Pedagogia (DCNP), onde es- tão estão as práticas educativas em contextos não escolares. Essa amplitude nos espaços de atuação do pedagogo acontece a partir dos anos de 1990, quando se observa o aumento das funções docentes, a ampliação de suas tarefas e responsabilidades, além das atividades relacionadas diretamente ao processo de ensino e aprendizagem (VIEIRA, 2008). Kuenzer e Rodrigues (2007) nos informam que a linha de orientação que forma especialistas no campo da pedagogia surgiu a partir da admissão de múltiplas possibilidades de organização cur- ricular e modos de aprender. Os autores explicam que a partir das mudanças sociais novas possibilidades surgiram: EXPLICANDO DIFERENTE 62 No campo da Pedagogia, estas mudanças abriram novas possibilidades de atuação dos profissionais da educação, docentes e não do- centes, no trabalho, nas organizações não go- vernamentais, nos meios de comunicação, nos sindicatos, nos partidos, nos movimentos so- ciais e nos vários espaços que têm sido abertos no setor de serviços para atender às demandas sociais (p. 40). Como resultado, um processo de reconstrução de novos per- cursos interdisciplinares nos cursos foi solicitado, visando articu- lar os conhecimentos em relação ao trabalho pedagógico com os campos de outras ciências. Sendo assim, foi preciso iniciar a for- mação de profissionais de educação com os novos perfis que a so- ciedade passou a exigir, tais como: profissionais capazes de atuar junto às novas tecnologias, com a participação social, com o lazer, com a inclusão dos culturalmente diversos, com as pessoas porta- doras de necessidades educativas especiais e com as mais diversas possibilidades formativas. Dessa forma, as autoras defendem que, naquele momento, era preciso garantir uma formação consisten- te em relação às teorias do curso, nos fundamentos e nas práticas pedagógicas, já que o seu espaço de atuação estava se ampliando rapidamente. Sá (2000) esclarece que o pedagogo, ao encaminhar o pro- cesso educativo não escolar, contribui para o entendimento de que a Pedagogia é uma ciência aplicada para a prática educativa, tanto em ambiente escolar, quanto em ambiente não escolar. Sendo as- sim, entende-se que esta “[...] é uma postura intencionalizada que possui suas nuances em função das especificidades das naturezas dos locus de formação humana, porém a atividade docente é basilar” (p. 179). Além disso, outros pesquisadores também têm realizado análises das DCNPs sob outra perspectiva, pois entendem que a do- cência não se restringe às atividades de sala de aula de uma escola, e compreendem que também há o envolvimento de atividades de organização, gestão de sistemas e instituições de ensino escolares e 63 não escolares. Isso atenderia ao princípio do que chamamos de fle- xibilização da área de atuação do pedagogo. Compreendendo dessa forma, o licenciado em Pedagogia é enten- dido como um profissional polivalente. Essa formação oportuniza- rá o desenvolvimento de diversas atividades em espaços escolares e não escolares, adaptando-se às demandas existentes no mercado de trabalho. Por isso, no curso de Pedagogia, a docência, a gestão e a pesquisa formam uma tríade que estabelece um novo perfil do pedagogo (Vieira, 2008). Na classificação de Quintana (1993), existem os seguintes campos de atuação da Pedagogia Social em espaços escolares e não escolares: 1. Atenção à infância com problemas (abandono e ambiente fa- miliar desestruturado); 2. Atenção à adolescência (orientação pessoal e profissional, tempo livre, férias); 3. Atenção à juventude (política de juventude, associacionismo, voluntariado, atividades, emprego); 4. Atenção à família em suas necessidades existenciais (famílias desestruturadas, adoção, separações); 5. Atenção à terceira idade (educação da pessoa idosa); 6. Atenção aos deficientes físicos, sensoriais e psíquicos; 7. Atenção a pessoas hospitalizadas (pedagogia hospitalar); 8. Prevenção e tratamento das toxicomanias e do alcoolismo; IMPORTANTE 64 9. Prevenção da delinquência juvenil (reeducação dos dessocializados); 10. Atenção a grupos marginalizados (imigrantes, minorias étni- cas, presos e ex-presidiários); 11. Promoção da condição social da mulher; 12. Educação de jovens e adultos; 13. Educação no campo. (BRASIL, PNE,2005). Além disso, existe também a Ecopedagogia, que visa a for- ma de pensar sobre os problemas ambientais no âmbito educativo, de modo a considerar os aspectos econômicos, culturais e políticos. Deste modo, compreende-se que em meio aos novos campos de atuação do pedagogo, é preciso entender que também temos novos cenários de educação não escolar, caracterizados de forma diferente da educação formal escolarizada. Sobre essa questão, Assis (2007) explica que o pedagogo tra- balha a partir dos diversos saberes e das articulações a serem reali- zadas pois, seja qual for a sua área de atuação (gestão ou docência), é necessário ter cautela com soluções simplistas e que oferecemresoluções em um curto espaço de tempo, como por exemplo a re- dução da carga horária para atender demandas financeiras. O autor ainda explica que a educação sempre deve estar a serviço de si mes- ma e do homem. Este, seja professor ou gestor, será o responsável pela promoção do processo formativo a ser construído. Dessa forma, compreende-se que é através das discussões que envolvem a ampliação do campo de atuação do pedagogo e a sua possibilidade de articular com as diversas áreas do conhecimento, que se explica o modo de gestão do trabalho deste profisional. Por estar atuando em espaços não escolares, é muito importante elabo- rar um planejamento interdisciplinar, para que sua atuação possa ocorrer através do trabalho coletivo (Tardif; Lessard, 1999). Sendo assim, é perceptível que o foco de atuação dos peda- gogos será na interdisciplinaridade, que é considerada a pedago- gia social, tendo como principal ligação a transmissão dos saberes 65 (Veiga, 2008). Por isso, é primordial manter o diálogo e reorganizá- -los com a intenção de produzir novos conhecimentos que podem ser cultivados na vida dos sujeitos. Para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de es- tudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos! Você deve ter aprendido sobre os fundamentos e as ferramentas da gestão em ambientes escolares e não escolares que atendam aos de- safios da contemporaneidade. Vale lembrar que o mais importante é o entendimento de que o gestor educacional pode levar os mesmos fundamentos de atuação pedagógica e de gestão democrática para diversos espaços, sejam eles escolares ou não escolares. O foco será sempre na atuação pedagógica e na aprendizagem de qualidade. Princípios e Características dos Diferentes Tipos de Gestão Neste momento de estudo, nosso intuito é que você compreenda os princípios e diferentes características da gestão democrática. Ao término deste capítulo, você será capaz de entender como funcio- nam os princípios e características dos diferentes tipos de gestão. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá! RESUMINDO OBJETIVO 66 Figura 3: Princípios democráticos Fonte: Pixabay Vamos iniciar este capítulo abordando os artigos 14 e 15 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9394/96), que regula a gestão democrática nas escolas públicas: Art. 14 - Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino pú- blico na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I. participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola; II. participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. Art. 15 - Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de auto- nomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas de direito fi- nanceiro público. (Brasil, 1996). Observa-se nos artigos acima o princípio e autonomia da ges- tão escolar democrática, bem como a importância da participação de todos os envolvidos neste processo. É importante destacar que essa autonomia deve acontecer de forma articulada com a legislação 67 da educação brasileira. Para tanto, é preciso organizar ações e pro- cessos de tomada de decisões internas, com o objetivo de melhor resolver as demandas que são particulares a cada unidade escolar. A partir disso, é importante definir que o próprio conceito de gestão pressupõe, em si, a ideia de participação, isto é, do trabalho associado de pessoas através da interação, analisando situações, decidindo sobre seu en- caminhamento e agindo sobre elas, em con- junto. Isso porque o êxito de uma organização depende da ação construtiva de seus compo- nentes, mediante reciprocidade que cria um ‘todo’ orientado por uma vontade coletiva para chegar ao mesmo fim (Luck, 2000, p.37). Sobre a importância da participação, Libâneo (2004) explica que: “[...] a participação é o principal meio de se as- segurar a gestão democrática da escola, pois possibilita envolvimento de profissionais e usuários no processo de tomada de decisões e no funcionamento da organização escolar: a organização escolar democrática implica não só a participação na gestão, mas a gestão da participação, em função dos objetivos da esco- la” (p.102). Sobre essa questão, Luck (2011) esclarece que é preciso am- pliar a compreensão da organização educacional, não substituindo a administração, mas superando a abordagem da fragmentação, ou seja, superar a visão de “cada um atuando no seu lugar”, sem diálogo e perspectiva do trabalho coletivo. Por isso, o autor enfo- ca que “[...] abrange uma série de concepções, tendo como foco a OBJETIVO 68 interatividade social, não considerada pelo conceito de administra- ção, e, portanto, superando-a” (p. 55). Deste modo, assumir que o gestor vai trabalhar no princípio da gestão democrática implica dizer que serão desenvolvidas ações disciplinadas que respeitem o ideal de democracia, com discussões e conflitos que culmine em um consenso. A Pedagogia remete frequentemente ao espaço escolar porque é ne- cessário formar uma base profissional sólida nos espaços em que o pedagogo irá atuar. Entretanto, entendemos que também é possível levar a teoria, a prática e a pesquisa realizada em todo o curso com foco no espaço escolar, para espaços não escolares, adequando a de- manda do espaço de trabalho em que o pedagogo está inserido. Por isso, entendemos que toda ação educativa em espaço não escolar ocorre com a atuação de práticas educativas alternativas, que inicialmente não eram consideradas como educação, pois não estavam dentro das normas formais da escola, mas estava-se cons- truindo uma relação entre ensino e aprendizado, como acontecia nas escolas. Nesse sentido, Gohn (2001) explica que a educação não formal [...] aborda processos educativos que ocorrem fora das escolas, em processos educativos da sociedade civil, ao redor de ações coletivas do chamado terceiro setor da sociedade, abran- gendo movimentos sociais, organizações não governamentais e outras entidades sem fins lucrativos que atuam na área. (p. 32). A autora ainda explica que o uso dos termos “educação nas escolas” e “educação não escolar” são diferentes, pois a primei- ra trabalha questões educacionais em específico; e quem trabalha em espaços não escolares, trabalha com educação em sentido mais REFLITA 69 amplo. Franco (2003) informa que “[...] toda ação educativa carrega em seu fazer uma carga de intencionalidades que integra e organiza sua práxis” (p.73-75). Por isso, a gestão da educação no espaço não escolar também propõe um fazer educativo. De acordo com Luck (2000), a gestão escolar constitui [...] uma dimensão e um enfoque de atuação que objetiva promover a organização, a mo- bilização e a articulação de todas as condições materiais e humanas necessárias para garantir o avanço dos processos socioeducacionais dos estabelecimentos de ensino orientadas para a promoção efetiva da aprendizagem pelos alu- nos, de modo a torná-los capazes de enfrentar adequadamente os desafios da sociedade glo- balizada e da economia centrada no conheci- mento (p.11). Por isso, a gestão escolar é constituída por uma dimensão de atuação dos que dela fazem parte, tais como: gestores, super- visores, coordenadores, professores, pais, alunos, comunidade etc. Ela objetiva identificar e propor soluções em relação às demandas e problemáticas presentes nas escolas, visando melhorar o processo de aprendizagem. Santos (2002) menciona uma série de métodos que devem estar envolvidos na função da gestão: 1. criação de um ambiente em que o respeito e a efetividade se- jam uma constante; 2. Favorecimento do crescimento pessoal e profissional de todos os elementos da escola; 3. Humanização do relacionamento, evitandoquaisquer pre- conceitos, mesmo que velados; 4. Exercício da cidadania pela comunidade; 5. Envolvimento em todas as decisões fundamentais da escola. 70 A partir desse entendimento, a gestão deve trabalhar para que haja uma participação mais efetiva da comunidade escolar, o que colabora para que todos tenham ciência da importância de sua participação no desenvolvimento de uma educação de qualidade e incentivar a luta por uma sociedade melhor. Sendo assim, Luck (2001) destaca que para ser um bom gestor, é preciso que se tenha um conhecimento consistente sobre a realidade em que se pretende atuar. Vale lembrar que a participação é um princípio primordial para garantir o bom desenvolvimento da gestão democrática, pois possibilita “[...] o envolvimento de todos os integrantes da escola no processo de tomada de decisões e no funcionamento da organização escolar” (Libâneo 2007, p. 328). Nos espaços não escolares, a prática consiste na realização de uma análise feita pelo gestor sobre o que pede o contexto, tanto formal quanto informal, de forma que proporcione oportunidades e experiências a quem se dispõe a aprender. Tudo isso pode acontecer em meio a um processo coletivo, sustentado sempre pela importân- cia do diálogo com todos os segmentos da comunidade em que se está atuando. Quando falamos em gestão democrática, falamos também em compreender o ser humano enquanto pessoa dotada de valores que fazem parte de uma sociedade e cultura. Fonseca (1994), explica que a cultura democrática cria-se através da prática da democracia. Sendo assim, podemos dizer que um espaço educacional não é de- mocrático só por sua prática administrativa, ele torna-se demo- crático por toda sua ação pedagógica. Deste modo, entende-se que a função do pedagogo está re- lacionada com a prática pedagógica em diversas modalidades e manifestações. A escola deve ser um local em que deve atender aos interesses da maioria, agindo com votações para assuntos do inte- resse de todos, garantindo, assim, a democracia. No que diz respeito à gestão democrática na escola, é impor- tante haver união entre família e escola, pois essa união pode trazer melhorias no processo de ensino e aprendizagem. 71 Para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de es- tudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos! Você deve ter aprendido que a gestão democrática tem como um de seus pilares o respeito e o zelo. Para isso, deve-se eleger represen- tantes da comunidade escolar e elaborar reuniões com instâncias colegiadas, buscando o caminho melhor para a escola pública, onde a prática da gestão deve evitar o autoritarismo e a centralização de poderes que por muito tempo imperou em nossas escolas. A Gestão nos Espaços Escolares e Não Escolares: Foco na Atuação Pedagógica Compreender como a gestão pode acontecer em espaços escolares e não escolares, com o foco na atuação pedagógica. Ao término deste capítulo, você será capaz de entender como funciona a gestão de- mocrática, seus princípios e características, e a sua relação com es- paços não escolares. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão! Vamos lá! RESUMINDO OBJETIVO 72 Figura 4: Como trabalhar com espaços escolares e não escolares? Fonte: Pixabay O marco legal que estabelece a atuação do pedagogo nos es- paços escolares e não escolares está embasado na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96) e nas Diretrizes Curriculares Nacionais de Pedagogia - DCNP, Resolução CNE/CP nº 1/2006. A atual LDB discorre sobre a atuação do pedagogo nos espa- ços escolares, destacando que este profissional da educação deve ter uma formação sólida, tendo os estágios, a capacitação em ser- viço e aproveitamento de estudos garantidos. No Artigo 61, tem-se estabelecido: Art. 61. Consideram-se profissionais da educa- ção escolar básica os que, nela estando em efe- tivo exercício e tendo sido formados em cursos reconhecidos, são: I – professores habilitados em nível médio ou superior para a docência na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio; II – trabalhadores em educação portadores de diploma de pedagogia, com habilitação em administração, planejamento, supervisão, 73 inspeção e orientação educacional, bem como com títulos de mestrado ou doutorado nas mesmas áreas; III – trabalhadores em educação, portadores de diploma de curso técnico ou superior em área pedagógica ou afim. Parágrafo único. A formação dos profissio- nais da educação, de modo a atender às es- pecificidades do exercício de suas atividades, bem como aos objetivos das diferentes etapas e modalidades da educação básica, terá como fundamentos: I – a presença de sólida formação básica, que propicie o conhecimento dos fundamentos científicos e sociais de suas competências de trabalho; II – a associação entre teorias e práticas, me- diante estágios supervisionados e capacitação em serviço; III – o aproveitamento da formação e expe- riências anteriores, em instituições de ensino e em outras atividades (BRASIL, 1996). Sobre a formação do professor, no Art. 62 está determinado que para atuar na educação básica, os docentes deverão ter: [...] nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e insti- tutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magisté- rio na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal (BRASIL, 1996). Já no Art. 67, § 2º, estão definidas as funções do magistério que devem ser colocadas em prática pelos professores e especialis- tas, visando o desempenho de atividades educativas nos diversos níveis e modalidades de ensino. É importante destacar que essas 74 atividades também contemplam a gestão escolar, a coordenação e a assessoria pedagógica. A seguir, podemos ler no Artigo 4º das DCNP (2006) um pou- co sobre a atuação do pedagogo nos espaços escolares. É possível notar também que estas atividades podem ser colocadas em prática nos espaços não escolares, desde que sejam previstos o uso de co- nhecimentos pedagógicos. Art. 4º O curso de Licenciatura em Pedagogia destina-se à formação de professores para exercer funções de magistério na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Funda- mental, nos cursos de Ensino Médio, na mo- dalidade Normal, de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar e em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimen- tos pedagógicos. Parágrafo único. As atividades docentes tam- bém compreendem participação na organi- zação e gestão de sistemas e instituições de ensino, englobando: I - planejamento, execução, coordenação, acompa- nhamento e avaliação de tarefas pró- prias do setor da Educação; II - planejamento, execução, coordenação, acompanhamento e avaliação de projetos e ex- periências educativas não-escolares; III - produção e difusão do conhecimento científico-tecnológico do campo educacional, em contextos escolares e não-escolares (BRA- SIL, 2006). Agora, vamos entender um pouco mais sobre o uso do termo “gestão”, em detrimento do conceito de “direção”. A autora Luck (1997) explica: [...] o conceito de gestão está associado ao for- talecimento da democratização do processo pedagógico, pela participação responsável de 75 todos nas decisões necessárias e na sua efe- tivação, mediante seu compromisso coletivo com resultados educacionais cada vez mais efetivos e significativos (p. 1). Deste modo, conforme o estudo visto na unidade anterior so- bre a concepção de gestão, também acontece com o uso do termo “diretor”, que vinha carregado de sentidos autoritários e passou a ser responsável por gerir o espaço escolar e não escolar, devendo garantir na instituição educativa o exercício da democracia, bem como uma boa gestão de práticas pedagógicas a partir do diálogo e trabalho em equipe. Sobre esta questão, a autora ainda esclarece que o termo “gestão educacional”é colocado em prática para que haja a substi- tuição do termo “administração educacional”: A expressão ‘gestão educacional’, comumen- te utilizada para designar a ação dos dirigen- tes surge, por conseguinte, em substituição a ‘administração educacional’, para representar não apenas novas ideias, mas sim um novo pa- radigma, que busca estabelecer na instituição uma orientação transformadora, a partir da dinamização de rede de relações que ocorrem, dialeticamente, no seu contexto interno e ex- terno. Assim, como mudança paradigmática está associada à transformação de inúmeras dimensões educacionais, pela superação pela dialética, de concepções dicotômicas que enfo- cam ora o diretivismo, ora o não-diretivismo; ora a heteroavaliação, ora a autoavaliação; ora a avaliação quantitativa, ora a qualitativa; ora a transmissão do conhecimento construído, ora a sua construção, a partir de uma visão da realidade (Luck, 1997, p. 4). Luck ainda esclarece que ao empregarmos o termo “gestão”, é necessário saber diferenciar os termos “gestão educacional” de “gestão escolar”. A primeira é empregada para estabelecer ques- tões a nível macro na área da Educação. O segundo termo é utilizado 76 em órgãos superiores dos sistemas de ensino e nas políticas pú- blicas destinadas às escolas, pois quando nos referirmos ao termo “gestão escolar”, apenas as questões micro são envolvidas, ou seja, as escolas. Voltado ao Artigo 4º, inciso IV, das DCNP (2006), percebe-se o fato de que o estudante de Pedagogia deverá estar apto a trabalhar em espaços escolares e não escolares. Sendo assim, entende-se que o curso de Pedagogia no Brasil teve que reformular seus currícu- los, pois agora tinha-se a finalidade de buscar por conhecimentos que exigem os campos de atuação do pedagogo. Essa é uma área do curso de Pedagogia que ainda precisa de muitos estudos, pois é algo novo e em consente ampliação sobre os conhecimentos na formação do pedagogo. Por isso, a autora explica que existe um espaço de educação não formal, ou seja, sem as formalidades que uma instituição es- colar formalizada possui. Todavia, isso não impede que suas po- tencialidades sejam trabalhadas, pois a educação não formal é um processo contínuo dado em espaços sociais, evidenciando os inte- resses e necessidades do grupo envolvido. Recomenda- se o diálogo sempre, independente da idade do público-alvo ou da situação em que esse público se encontra, pois devemos o nosso respeito e valo- rização à diversidade. Para que essa proposta de educação “não formal” funcione como espaço e prática de vivência social, recomenda-se o reforço do con- tato com o coletivo e o estabelecimento da afetividade com o públi- co-alvo. Nesse ínterim, também é preciso que se abra espaços para a atuação com atividades lúdicas, sendo algo que provoque e ao mes- mo tempo envolvente, desde que esteja de acordo com os interesses dos adultos e das crianças. (Simson; Park; Fernandes, 2001, p. 10). A atividade escolhida deverá ser encantadora para o público com que você vai trabalhar. Para tanto, é preciso que se tenha um co- nhecimento inicial da realidade do público e iniciar suas atividades EXPLICANDO DIFERENTE 77 pedagógicas. Toda atividade tem uma finalidade de aprendizagem nova para o aluno, o foco deve ser em qual local você está, entender essa finalidade, planejar e avaliar sempre como está ocorrendo todo o processo de aprendizagem, seja ele na escola, na igreja, na asso- ciação, nas ONGs, nos presídios, entre outros. Sobre a educação não formal, Gohn (2001) explica: [...] aborda processos educativos que ocorrem fora das escolas, em processos educativos da sociedade civil, ao redor de ações coletivas do chamado terceiro setor da sociedade, abran- gendo movimentos sociais, organizações não governamentais e outras entidades sem fins lucrativos que atuam na área. (p. 32). Desse modo, levando-se em consideração o contexto histó- rico-social da criança e do adolescente, é preciso que haja práticas socioeducativas que ocorram em espaços não escolares. Apesar de ser uma educação não formal, é preciso que haja o compromisso dessas práticas e a escolha por abordar questões que são importan- tes para um grupo em específico. Libâneo (2004) afirma que para uma gestão ser democrática na escola pública, é preciso que a participação acrescente um pro- cesso de autonomia, no que diz respeito às decisões da própria es- cola. Trabalhar com o princípio da autonomia não é tarefa fácil, pois é preciso esclarecer aos seus participantes sua importância no pro- cesso de colaboração com a proposta pedagógica da escola. Sendo assim, é muito importante a presença da comunidade escolar e dos pais dos alunos nos processos decisórios e de fiscalização da gestão escolar. Vale lembrar que o gestor deve sempre optar por agir como um líder, em vez de proceder com relações autoritárias que pas- sem para o outro imposições de poder. Deve-se pregar o diálogo constante entre a comunidade interna e externa à escola, zelando para que tudo isso aconteça em um ambiente saudável e que todos 78 convivam como cidadãos que têm direitos e deveres respeitados, a partir de discussões e decisões coletivas. Dessa forma, a gestão escolar pode contribuir para que a co- munidade compreenda como funciona e devem acontecer as ações das instâncias colegiadas e seus respectivos processos decisórios, tais como: a Associação de Pais Mestres e Funcionários, o Grêmio Estudantil, o Projeto Político Pedagógico, o Conselho Escolar, entre outros. Sendo assim, finalizamos este capítulo afirmando que o pe- dagogo deve conhecer seus campos de atuação por meio de expe- riências, estágios, pesquisas de campo desenvolvidas no decorrer da sua formação acadêmica e também, posteriormente, da sua for- mação continuada, podendo, ainda, se especializar na sua área de atuação e pesquisa, a fim de suprir ausências e deficiências de al- guns cursos. Para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de es- tudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos! Você deve ter aprendido que o pedagogo pode trabalhar com os princípios da gestão democrática em espaços escolares e não esco- lares, pois todos esses princípios e características podem ser usa- dos em qualquer lugar que envolva processos pedagógicos, visando novas aprendizagens. Quando falamos em gestão democrática na escola pública, estamos querendo garantir que os princípios e ca- racterísticas desta sejam garantidos. Para isso, é preciso que a esco- la instrumentalize os seus participantes, tanto para entender como funciona e devem acontecer as ações das instâncias colegiadas, com os seus respectivos processos decisórios, tais como: a Associação de Pais Mestres e Funcionários, o Grêmio Estudantil, o Projeto Político Pedagógico, Conselho Escolar, entre outros. RESUMINDO UN ID AD E 3 Objetivos ◼ Reconhecer a gestão como um processo que integra aspectos políticos, humanos, pedagógicos, culturais, administrativos, financeiros e tecnológicos; ◼ Refletir sobre os mecanismos de participação no processo de gestão nas instituições escolares, contribuindo de forma significativa para elaboração, implementação, coordenação, acompanhamento e avaliação do projeto político pedagógico, bem como para outros projetos e programas de interesse edu- cacional, em ambientes escolares ou não escolares; 80 ◼ Conhecer os fundamentos teóricos e legais da Gestão Democrática; ◼ Conhecer os fundamentos teóricos e legais da Gestão Democrática; 81 Introdução Você sabia que a área da Gestão Educacional é um campo muito im- portante na educação? Pois, trata-se de uma área responsável pela geração de muitos empregos, pois gerir uma instituição educacio- nal é a chave para o sucesso dos que ali transitam, e será um dos empregos que não acaba, pois educação está em todo lugar. Isso mesmo. A área de Gestão Educacional faz parte da cadeia de ações que devem acontecer em prol do processo Ensino-aprendizagem de uma instituiçãoeducativa, em nosso caso a escola. Sua principal responsabilidade é gerenciar questões financeiras, administrativas, pedagógicas e relações interpessoais. Tudo isso envolve normas, leis, princípios e gerenciamento de recursos humanos, nosso prin- cipal capital dentro de uma escola é o ser humano. Por isso, vamos conhecer um pouco sobre a LDBEN (9394/96) o Plano Municipal de Educação e como deve acontecer uma gestão na escola de forma de- mocrática. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva você vai mer- gulhar neste universo! 82 A Gestão Escolar Democrática e o Projeto Político Pedagógico Ao término deste capítulo você será capaz de identificar os desa- fios da escola frente à gestão democrática e a importância da cons- trução do Projeto Político pedagógico na busca de melhorias para a escola. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Figura 1: Gestão democrática Fonte: Pixabay (2020) Trabalhar com gestão democrática não é tarefa fácil, posto que foi histórico em nosso país um modelo de gestão vertical. Existe o perfil de liderança, de agregar pessoas, trazer para perto, trazer a participação, a colaboração. É fazer as pessoas produzirem mais e de forma que fique leve para todo mundo, não sobrecarregando “A” ou “B”. Tudo isso requer que seja desenvolvido um espírito de equipe, um clima saudável na escola, onde todos sejam convidados a participar do projeto educativo da escola. 83 Você pode estar aí do outro lado se perguntando: Como fazer isto? Como ter esta varinha mágica onde dá os comandos e tudo acontece? Vamos rumo de entender como a gestão democrática acon- tece e a ideia aqui não será a de receitar um caminho único sem possibilidades de erro, mas mostrar como deve acontecer. E você, estudante, será quem vai trilhar no caminho de colocar em práti- ca, frente a cada realidade em que pode encontrar no caminho. Essa prática deve buscar realizar-se através da conscientização fruto de um esforço coletivo e comprometimento de todos que fazem parte da escola, em prol de alcançar os objetivos pedagógicos propostos para a escola. Então, para que haja conscientização de uma gestão demo- crática é preciso que o gestor una toda sua equipe e explique a im- portância do trabalho em prol de um projeto educativo, que forma as pessoas para exercer a cidadania e saber cobrar seus direitos. É preciso, também, ter cuidado, pois dialogar, ser democrático e lí- der, não quer dizer que o gestor vai encontrar soluções para todos os problemas de forma consensual, também irão acontecer confli- tos dos mais diferentes pontos de vista, que se fazem presentes na escola. Será que o conflito na escola é algo bom ou ruim? A ideia seria que todos estejam prontos para concordar com tudo que será posto nas reuniões? Os conflitos na escola devem ser vistos como algo saudável. Algo que deve acontecer na base do diálogo, escuta e propostas de soluções que estejam dentro da legislação escolar e que contemple a realidade local da escola. É importante que os integrantes dos gru- pos representativos da escola não se envolvam com faoritismo nem misturem questões pessoais com as decisões a serem tomadas sobre a instituição. REFLITA 84 Por que este ponto é válido de ser ressaltado? Porque é de inteira responsabilidade do gestor guiar esse diálogo, tendo como pririo- ridade determinar ações para melhorar o contexto escolar para os alunos; não favoritismo por parte da gestão por pessoa e/ou grupo “A” ou “B”. Por isso, o gestor, que é o líder desse diálogo democrático, deve conhecer a legislação, para dialogar e escutar problemas e so- luções junto a sua equipe de trabalhos, mas não pode dar sim ou ne- gar todas as soluções. Para manter a neutralidade, o gestor tem que conhecer a le- gislação da educação, para que não autorize propostas que possam prejudicar a escola ou possam dar margem para que, posteriormen- te, aconteçam denúncias e o faça responder a processos judiciais. Visando o crescimento da qualidade do ensino-aprendizagem da instituição que lidera, este profissional deve selecionar uma equipe amadurecida, e quando não haja essa possibilidade, que torne ciente seus colaboradores. Essas recomendações sobre diálogo, escuta, diagnósticos, planejamentos, avaliação, reavaliação são necessárias porque não é tarefa fácil ser democrático. Assim, tendo o comprometimento res- ponsável de todos que fazem parte da comunidade escolar, pode-se avançar em rumo à implantação eficacaz do tipo de gestão que te- mos discutido até então. Por isso, Gadotti e Romão (1997) destacam a importância da participação que influencia no processo de demo- cratização e melhoria da qualidade de ensino. OBSERVAÇÃO 85 Figura 2 - Qualidade do ensino Fonte: Pixabay (2020) O diálogo é um ponto chave para auxiliar cada segmento da comunidade escolar a compreender como deve ser o funcionamento e acompanhamento da educação que ali acontece. Também é im- portante para a convivência em sociedade discutir sobre inclusão, justiça, participação, diversidade, entre outros. Esse debate pode contemplar a comunidade interna e externa da escola, convidando todos para participar e entender seu papel na insituição de ensiso e o que isso implica, direta e indiretamente, no projeto educativo. Sobre a participação dos grupos, Libâneo (2004) menciona que é uma construção coletiva e que deve resultar na autonomia da escola. O autor chama para essa participaação porque os respecti- vos representantes irão contribuir com os afazeres do conselho da escola da associação de pais e mestres para preparar o projeto pe- dagógico curricular e acompanhar e avaliar a qualidade dos serviços prestados. Tudo isso deve acontecer, pois: 86 Considera-se que a gestão democrática veio substituir a gestão autoritária, com espaço sem coletividade, onde apenas um gestor decretava os objetivos, decidia tudo, ninguém tinha o di- reito de falar, de participar das decisões toma- das ou de pelos menos pensar sobre elas, que controvérsia, afinal, a escola não é o lugar onde as pessoas desenvolvem suas habilidades inte- lectuais, emocionais e sociais? Como a organi- zação desse lugar pode ser dessa forma? Partindo desse ponto, surge a necessidade de que cada um coloque em pratica suas habi- lidades, opiniões acerca de um determinado assunto, com possibilidades de participar nas decisões, assim o gestor que era detentor de todo poder, se vê em posição de partilhar suas decisões em prol da melhoria da educação. Nascem assim novos desafios, que o impul- siona a necessidade de repensar suas práticas, adequando-se ao novo modelo de sociedade. (Silva, 2017, 16997) Libâneo destaca que muitos podem não ter a consciência do seu papel em processos democrático da escola, por isso é preciso que a escola se organizar de forma a instrumentalizar os seus par- ticipantes a entender a força transformadora que têm em conjunto. Dessa forma, Medeiros (2003) explica que o trabalho com a gestão democrática da educação não pode trabalhar dissociado com mecanismos legais da educação: [...] está associada ao estabelecimento de me- canismos legais e institucionais e à organiza- ção de ações que desencadeiem a participação social: na formulação de políticas educacio- nais; no planejamento; na tomada de decisões; na definição do uso de recursos e necessidades de investimento; na execução das deliberações coletivas; nos momentos de avaliação da escola e da política educacional. Também a democra- tização do acesso e estratégias que garantam a 87 permanência na escola, tendo como horizonte a universalização do ensino para toda a po- pulação, bem como o debate sobre a qualida- de social dessa educação universalizada, são questões que estão relacionadas a esse debate. ( Medeiros, 2003, p.61) Tudo isso que o autor explica deve estar articulado com o trabalho do gestor, por isso não cansamos de explicar aqui, a gestão é de- mocrática,mas este gestor deve ser conhecedor de como acontece a legislação da educação brasileira, as políticas públicas brasileiras, para atuar politicamente da forma correta, como manda a gestão democrática. Isso é relevante porque nem sempre os participantes de reu- niões nas escolas entendem a importância que tem o seu diálogo, o seu ponto de vista como pais, professores, alunos, funcionários, en- tre outros. É neste momento que a escola deve agir, conscientizando seus participantes, explicando sobre seu funcionamento e as ações das instâncias colegiadas e seus respectivos processos decisórios, tais como: a Associação de Pais Mestres e Funcionários, do Grêmio Estudantil, do Projeto Político Pedagógico. Vamos entender muito brevemente o que significa cada um desses: ◼ Associação de Pais e Mestres OBSERVAÇÃO 88 Figura 3: Representantes de cada categoria escolar Fonte: Pixabay (2020) É uma instância de participação, que acontece com a inten- cionalidade de unir os pais e mestres, no sentido de fortalecer o relacionamento de família e escola. A partir da união, serão eleitos representantes de cada um desses, na busca de contribuir para a prática de gestão democrática da escola. ◼ O Grêmio Estudantil Figura 4 - Grêmio estudantil: Representação dos alunos Fonte: Pixabay (2020) É um espaço onde os alunos se reúnem para eleger seus re- presentantes. É também o lugar de onde os alunos estão aprendendo atuar de forma democrática. É um acontecimento, em que refletirá 89 mais tarde na vida dos estudantes, no exercício da cidadania na vida em sociedade, pois a participação deles na construção da gestão de- mocrática da escola proporciona a experiência de como participar de práticas sociais e democráticas. ◼ O Projeto Político Pedagógico Figura 5: Participaçãos e colaboração Fonte: Pixabay (2020) O Projeto Político Pedagógico, conhecido como PPP, é um documento construído na escola. Esse documento define a identi- dade da escola e indica caminhos para ensinar com qualidade. Por isso, trata-se de um planejamento que acontece mediante a parti- cipação conjunta de todos que fazem parte da escola, através dos representantes de cada categoria. Essas pessoas dialogam sobre a finalidade de construir um documento que retrate a escola como ela é na sua realidade local, trazendo o histórico de sua existência, seus problemas e indicações para que aconteça soluções dos problemas elencados. 90 Como podemos entender acima o Projeto Politico Pedagógico é um documento que representa a identidade de cada escola brasileira. É um documento que é construído exclusivamente para a escola. A esta altura, pode estar surgindo a seguinte pergunta: Por que este documento deve ser uma construção com representante de todas as categorias que fazem parte da escola? A união da comunidade escolar para a construção do PPP se permite não apenas que cada m dê sua contribuição, mas permite o encontro de diferentes perspectivas diante de uma problemática, o que garante a pluralidade e a diversidade de opiniões. O gestor é quem vai zelar para que cada um contribua com a sua ótica sobre a realidade da escola e para que que o PPP não se torne um trabalho fragmentado, sem norteamentos definidos por alguém de fora da unidade escolar. Por isso, deve haver um esforço coletivo, em que seja realiza- do no espaço da escola, e, a partir deste diálogo, planejar, registrar neste documento a realidade em que a escola se encontra; elencar necessidades e planejar tomadas de decisões em prol da qualidade do ensino-prendizagem. Entretanto, dialogar não implica concor- dar com tudo que está sendo discutido, é preciso que os represen- tantes se posicionem sobre algumas questões, defendendo assim os seus respectivos pontos de vista. Deve-se zelar ainda para que esses representantes não se tornem objetos de manipulação dos interes- ses de poucos que fazem parte da escola. Esse processo deve acon- tecer com o intuito de garantir no decorrer do processo o direito a voz, defendendo as diversidades, a autonomia da escola e a partici- pação de todos. Após a colaboração de todos, haverá elementos para contribuir com a escola, no sentido de tentar cumprir metas, ações e objetivos propostos no PPP. SAIBA MAIS 91 Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguin- te fonte de consulta e aprofundamento: Artigo: “A importância da Gestão democrática dentro do processo escolar” Josiele Leal dos Santos Flôres e Mara Lucia Brum. Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a gestão democrática é de suma impor- tância para as escolas, pois permite que através da participação ativa dos membros que fazem parte do contexto escolar, busquem atra- vés do diálogo, emitir opiniões e aprender a respeitar a dos outros, buscando o melhor caminho para tentar solucionar a problemática oriunda no cotidiano escolar. Por isso, devemos ter em mente que a participação ativa é que faz com que nossos direitos e deveres sejam respeitados. Dentro desse contexto, há o Projeto Político Pedagógi- co (PPP), que é um documento construído na escola, definindo sua identidade e apontando caminhos para que juntos possamos ir em busca de melhorar o processo ensino e aprendizagem. Essas con- quistas são possíveis apenas se houver o diálogo e a participação dos diversos grupos que formam a escola. PESQUISE RESUMINDO 92 A Gestão democrática requer mudança de comportamentos na escola Ao término deste capítulo você será capaz compreender a impor- tância das mudanças de comportamentos na gestão democrática escolar. Motivado para desenvolver esta competência? Então, va- mos lá. Avante! Figura 6 - Gestão democrática: decisão por qual caminho seguir Fonte: Pixabay (2020) Na atualidade, para uma gestão, o maior desafio da escola se dá na busca da união de seus profissionais, inclusive em maior esforço por parte dos professores, para que sejam desenvolvi- das competências e habilidades específicas nos alunos. Essa visão deve contemplar os alunos, analisando o contexto social deles, na busca de propor ações e metodologias competentes, para o me- lhor desempenho do processo ensino-aprendizagem. É necessário que o professor compreenda que, em pleno século XXI, seus alunos tem potenciais e desempenhos distintos no decorrer do processo OBJETIVO 93 ensino-aprendizagem. Por isso, o gestor escolar tem que ser vis- to como um aliado aos trabalhos dos professores, e como um líder, suas ações devem envolver todos que fazem parte da escola. Para ser gestor é preciso ter o perfil que essa profissão exige, e isso envolve conhecimento, condições pessoais, vocação e forma- ção contínua. Pois, ser gestor é uma tarefa complexa e ele deve ser um agente de mudança na escola, pois irá zelar para que as tarefas das escolas sejam realizadas e propor a resolução de conflitos, os quais vão desde problenas com a estrutura física, questões admi- nistrativas, financeiras, pedagógicas e até as relações interpessoais (Luck, 2001). Para ser gestor, é preciso estar atento às mudanças, pois elas acontecem em diversos áreas de nossa sociedade, a exemplo das que ocorrem na Legislação, a exemplo da Base Nacional Curricular Co- mum. Pois, no mundo da competitividade, o gestor deve zelar para que as atualidades da sociedade, não fiquem de fora. Um entendimento que não pode faltar dentro dos muros da escola, é o entendimento do que é democracia, pois é preciso cons- cientizar que todo cidadão tem direitos, mas também deve cumprir com seus deveres. De acordo com o autor, a demo- cracia é: [...] o meio político de salvaguardar a diversi- dade social e cultural dos membros da socie- dade nacional ou local, simultaneamente à manutenção de uma língua nacional e um sis- tema jurídico que se aplique a todos; é a única possibilidade de limitar a crescente dissociação entre racionalidade instrumental e identidades culturais;é uma luta pela libertação em rela- ção a um poder, seja o despotismo racionalista, seja a ditadura comunitária; é um espaço de tensões e conflitos, ameaçado constantemente por algum poder; é o espaço institucional livre, no qual se desenvolve esse trabalho do sujeito sobre si mesmo, trabalho pelo qual as pessoas encontram o papel de criadoras e produtoras, 94 não somente de consumidoras. (Ghanem, 2004, p. 21-23) É preciso democratizar o ensino, pois ele não é para acontecer para poucos, e sim atingir a todas as camadas sociais. Oferecendo, assim, mais oportunidades de os alunos ingressarem nas ensino básico e se manterem nele até a sua conclusão, com boa frequên- cia e rendimento. Por isso, a gestão deve ser democrática e garantir que o pleno exercício da cidadania aconteça no interior das escolas públicas. Luck (2001) esclarece para que pra que isso aconteça, é pre- ciso que o gestor conte com participação e colaboração de todos que fazem parte da escola na construção e no cumprimento do plano de desenvolvimento. Assim, é preciso uma ação gestora que envol- va trabalho em equipe, levando em conta características locais, da realidade escolar, e temas que sejam considerados relevantes para serem discutidos com os que fazem parte da escola. Outro ponto importante é que a gestão deve trabalhar, inces- santemente, pela busca da descentralização do ensino, da autono- mia e da gestão democrática. Essas inovações devem começar por mudar a peerspectiva dos que fazem parte da escola. Pois, é histó- rica a prática de alguns gestores as centralizações de suas decisões, deixando para segundo plano aquilo que deveria centrar suas ações: o fazer pedagógico. Por isso, a gestão de uma escola precisa de um foco e ele deve existir para que diariamente todos os segmentos da escola traba- lhem unidos traçando caminhos, possibilidades, compromisso e, principalmente, zelar pelas responsabilidades que cada um assume. Por isso, afirmo que trabalhar na perspectiva da gestão democrática exige de um gestor o perfil de agregar pessoas, de saber trazê-las para perto, na busca de alcançar os objetivos pedagógicos propos- tos para a escola. O fruto desse posicionamento será a qualidade da educação, que deve ser constantemente cultivada para que se ado- te uma nova cultura de organização, unindo teoria e prática (Paro, 2005). Nessa linha de entendimento, a institucionalização de ins- tâncias colegiadas na escola pública, a exemplo do Conselho Escolar, 95 tem se tornado o lugar em que une teoria e prática na busca da de- mocratização das escolas públicas. Gadotti e Romão (1998) atestam que a importância da parti- cipação de todos é algo que acaba por influenciar na democratiza- ção da gestão e também na melhoria da qualidade de ensino. Logo, o diálogo é o meio pelo qual todos passem a compreender de forma mais efetiva o funcionamento da escola. Nesse ínterim, é importan- te discutir aos valores que se quer, que sejam praticados na esco- la, tais como a inclusão, a justiça, a participação, entre outros, sem esquecer-se de contemplar a diversidade, reconhecendo como é importante ouvir diferentes pontos de vista, na hora de tomar deci- sões, deixando isso bem claro: participação, decisão e ideia do outro. Corroborando, Libâneo (2004) afirma que é justamente a promoção da participação nos espaços da escola que esta alcança, cada vez mais, a sua autonomia nos processos decisórios. Ale´m dis- so, o autor cita que o princípio da autonomia requer proximidade com a comunidade educativa e os pais, pois defende que: Apresença da comunidade na escola, especial- mente dos pais, tem várias implicações. Prio- ritariamente os pais e outros representantes participam do Conselho da Escola da Associa- ção de Pais e Mestres para preparar o projeto pedagógico curricular e acompanhar e avaliar a qualidade dos serviços prestados. (Libâneo, 2004, p. 144) É necessário, então, que a escola se organize de forma a ins- trumentalizar os seus participantes, para perceber a força trans- formadora que terão juntos. Por isso, o diálogo é o caminho para a democracia acontecer em um clima saudável, em que todos convi- vam como sujeitos de direitos e deveres, que devem ser respeitados na sua diversidade, a partir de discussões e decisões coletivas. Você pode estar aí se perguntando, como tudo isso deve acontecer? Instrumentalizando os seus participantes, instruindo-os so- bre como a escola funciona e que ela deve ter instâncias colegiadas, para atuar nos decisórios, tais como: Conselho escolar, a Associação 96 de Pais Mestres e Funcionários, do Grêmio Estudantil, do Projeto Político Pedagógico. Agora vamos entender um pouco mais sobre como acontece o Conselho Escolar, a associação de pais e mestres, deixando o Projeto Político Pedagógico para o próximo capítulo. ◼ Conselho Escolar Figura 7- Conselho escolar: representantes de cada segmento Fonte: Pixabay (2020) O Conselho Escolar é uma instância colegiada que busca a participação de todos da escola, mas lida diretamente com os re- presentantes de cada segmentos escolar, por isso faz a eleição dos membros de forma democrática, zelando por seus direitos e deveres. De acordo com o Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares, através da publicação do caderno ‘Conselhos Escolares: Democratização da escola e construção da cidadania’ (2004, p. 34) os conselhos escolares “[...] são órgãos colegiados compostos por representantes das comunidades escolar e local, que têm como atribuição deliberar sobre questões político-pedagógi- cas, administrativas, financeiras, no âmbito da escola. [...]”. Este caderno produzido pelo Ministério da Educação expli- ca que faz parte dos Conselhos a tarefa de analisar as ações a em- preender nas escolas, os meios a serem usados e acompanhar o 97 cumprimento das mesmas. As pessoas que compõem este Conselho devem estar cientes que estão ali, não para representar seus inte- resses pessoais, e sim, os de sua comunidade escolar e local. Deven- do, então, atuar com união na busca por traçar percursos realizarem deliberações que são de sua responsabilidade. Ainda segundo esse caderno, as pessoas que fazem parte do Conselho da escola: “Representam, assim, um lugar de participação e decisão, um espaço de discussão, negociação e encaminhamento das demandas educacionais, possibilitando a participação social e promovendo a gestão democrática.” (2004, p.35). Esse órgão vem acontecer na escola, com a finalidade de ser uma instância de “dis- cussão, acompanhamento e deliberação”, de forma democrática. O caderno também explica as funções do Conselho Escolar que são: a. Deliberativas: quando decidem sobre o projeto político- -pedagógico e outros assuntos da escola, aprovam encami- nhamentos de problemas, garantem a elaboração de normas internas e o cumprimento das normas dos sistemas de ensino e decidem sobre a organização e o funcionamento geral das escolas, propondo à direção as ações a serem desenvolvidas. Elaboram normas internas da escola sobre questões referen- tes ao seu funcionamento nos aspectos pedagógico, adminis- trativo ou financeiro. b. Consultivas: quando têm um caráter de assessoramento, ana- lisando as questões encaminhadas pelos diversos segmentos da escola e apresentando sugestões ou soluções, que poderão ou não ser acatadas pelas direções das unidades escolares. c. Fiscais (acompanhamento e avaliação): quando acompa- nham a execução das ações pedagógicas, administrativas e fi- nanceiras, avaliando e garantindo o cumprimento das normas das escolas e a qualidade social do cotidiano escolar. d. Mobilizadoras: quando promovem a participação, de forma integrada, dos segmentos representativos da escola e da co- munidade local em diversas atividades, contribuindo assim 98 para a efetivação da democracia participativa e para a melho- ria da qualidade social da educação. (Brasil, 2004, p.41) Nessa escolha de representantes, é preciso ter o cuidado para os que nãosejam pessoas indicadas pela gestão e sim de cada seg- mento escolar. Esse zelo deve acontecer para que cada categoria, nas reuniões possam defender seus respectivos pontos de vista e não servir de instrumento para legitimar a voz da direção, pois es- tes devem representar a diversidade e a pluralidade do segmento ao qual pertence. Desse modo, o ‘Caderno Conselhos Escolares: Democratiza- ção da escola e construção da cidadania’ (2004, p. 44) informa que o Conselho escolar deve ser composto pela: “[...] direção da escola e a representação dos estudantes, dos pais ou responsáveis pelos estudantes, dos professores, dos trabalhadores em educação não- -docentes e da comunidade local. [...]”. Esse caderno esclarece que as decisões só podem ser tomadas após discussões realizadas cole- tivamente, e só podem acontecer quando estão reunidos. Nenhum de seus membros têm autorização para tomar decisões de forma individual, fora das reuniões destinadas a este fim. No entanto é o diretor quem: [...] atua como coordenador na execução das deliberações do Conselho Escolar e também como o articulador das ações de todos os seg- mentos, visando a efetivação do projeto peda- gógico na construção do trabalho educativo. Ele poderá – ou não – ser o próprio presidente do Conselho Escolar, a critério de cada Con- selho, conforme estabelecido pelo Regimento Interno. (Brasil, 2004, p. 44) Na eleição para os membros do Conselho da Escola, deve ha- ver candidatos de representantes de cada segmento da escola. Há, também, os o cargo dos suplentes, que não estão impedidos de es- tar nas reuniões, mas sua atuação será de direito a voz, na presença do membro efetivo. Só na falta do membro efetivo, que o suplente participará do voto. O gestor tem a sua participação garantida no Conselho Escolar. 99 O caderno ainda informa algumas atribuições dos Conselhos Escolares: ◼ elaborar o Regimento Interno do Conselho Escolar; ◼ coordenar o processo de discussão, elaboração ou alteração do Regimento Escolar; ◼ convocar assembleias-gerais da comunidade escolar ou de seus segmentos; ◼ garantir a participação das comunidades escolar e local na de- finição do projeto político- pedagógico da unidade escolar; ◼ promover relações pedagógicas que favoreçam o respeito ao saber; ◼ do estudante e valorize a cultura da comunidade local; ◼ propor e coordenar alterações curriculares na unidade esco- lar, respeitada a legislação vigente, a partir da análise, entre outros aspectos, do aproveitamento significativo do tempo e dos espaços pedagógicos na escola; ◼ propor e coordenar discussões junto aos segmentos e votar as alterações metodológicas, didáticas e administrativas na es- cola, respeitada a legislação vigente; ◼ participar da elaboração do calendário escolar, no que compe- tir à unidade escolar, observada a legislação vigente; ◼ acompanhar a evolução dos indicadores educacionais (abandono escolar, aprovação, aprendizagem, entre ou- tros) propondo, quando se fizerem necessárias, intervenções peda- gógicas e/ou medidas socioeducativas visando à melhoria da qualidade social da educação escolar; ◼ elaborar o plano de formação continuada dos conselheiros es- colares, visando ampliar a qualificação de sua atuação; 100 ◼ aprovar o plano administrativo anual, elaborado pela dire- ção da escola, sobre a programação e a aplicação de recursos financeiros, ◼ promovendo alterações, se for o caso; ◼ fiscalizar a gestão administrativa, pedagógica e financeira da unidade escolar; ◼ promover relações de cooperação e intercâmbio com outros Conselhos Escolares. (Brasil, 2004, p.49) O caderno Conselhos Escolares: Democratização da escola e construção da cidadania’ (2004) nos explica ainda que exercitar es- tas atribuições tem se tornado um aprendizado democrático. Pois, estas só conseguem serem colocadas em prática se os cidadãos fo- rem respeitados e ouvidos, para serem tomadas decisões a partir de práticas democráticas. Antunes (2002, p. 23) corrobora com os argumentos já discu- tidos, afirmando que é por meio do conselho de escola que os pro- blemas que envolvem a gestão escolar serão debatidos, analisados e votados “[...] em plenária, - ser aprovadas e remetidas para o corpo diretivo da escola, instância executiva, que se encarrega de pôr em prática, as decisões ou sugestões do Conselho de Escola”. Por isso, condizente com o que está proposto no Caderno, Navarro (2004) defende que o Conselho Escolar, é um órgão co- legiado, democrático, que delibera, sobre diversas questões que estão presentes no interior de cada escola e que tem decisões que precisam serem tomadas para casos específicos, que envolvem tan- to o lado pedagógico, como o administrativo e financeiro. Por isso, fazem-se necessárias reuniões com a participação dos que fazem parte da escola e suas respectivas representações nos debates, nas propostas que visem a tomada de decisões. Portanto, é preciso que o Conselho Escolar se forme com pessoas que sejam ativas, compro- metidas como o objetivo da instituição e que defendem a melhoria na qualidade do ensino. 101 Para aprofundar-se no tema, leia o artigo “Gestão da educação: inovação e mudança“, escrito por Rita Schultz e disponível no portal de periódicos da UNESP. Você deve ter aprendido que um dos maiores desafios atualmente na gestão democrática é conscientizar as pessoas que fazem parte do contexto educacional de que sua participação é importante na busca de soluções para as dificuldades encontradas na escola, além de que sua participação faz com que seu direito de cidadão seja respeitado. Aprendemos que um dos entendimentos que não pode faltar dentro dos muros da escola é o entendimento do que é democracia. Para além disso, é necessário conscientizar as pessoas sobre seus direi- tos e deveres enquanto cidadãs. Por último, vimos que o Conselho Escolar é uma instância colegiada que busca a participação de to- dos da escola, lidando diretamente com os representantes de cada segmento escolar, por isso, faz a eleição desses membros de forma democrática, zelando por seus direitos e deveres. PESQUISE RESUMINDO 102 Gestão escolar democrática: definições, princípios e mecanismos básicos de implementação Ao término deste capítulo, você será capaz de compreender como ocorreram os princípios e mecanismos da gestão escolar demo- crática, o que será fundamental para o exercício de sua profissão. E então, motivado para desenvolver essa competência? Vamos lá. Avante! Figura 8: Participação e todos Fonte: Pixabay (2020). Para tratar aqui sobre gestão democrática, primeiramente, é preciso entender que a função de diretor/gestor escolar foi, por muito tempo, uma função que centralizava suas práticas nas rela- ções assimétricas de poder e nos processos administrativos e financeiros da instituição, colocando em prática as imposi- ções do sistema sem questioná-las. OBJETIVO 103 O maior ganho das escolas brasileiras foi a partir da segunda metade da década de 1990, com a promulgação da LDB 9394/96, documento garantia a gestão democrática. Esse modelo de gestão baseia-se numa prática de descentralização de poder nas escolas, passando a ter como prioridade o diálogo, o estímulo ao trabalho coletivo e a ênfase no incetivo à participação de todos na gestão es- colar. Um destaque para esse novo modelo de gestão foi o interesse no fazer pedagógico, nas relações interpessoais, no desempenho de quem trabalha na escola e dos alunos, na avaliação e reavaliação constante de tudo que é planejado na escola e na autoavaliação, sem deixar de lado a avaliação dos alunos aprendentes. Por isso, pode- mos afirmar que o princípio de gestão democrática foi confirmado e aprimorado pelo estabelecimento das demais legislações após a LDB 9.394/96. Talvez você esteja questionando-se como tudo isso aconteceu. Será que tudo transformou-se de uma hora patra a outra, como num passe de mágica? Não foi bem assim. Entendamos o contexto: estávamos sain- dode forma democrática. Ao longo desta unidade letiva, você vai mergulhar neste universo! 10 Políticas e gestão da educação básica Caro aluno, estamos iniciando um capítulo sobre políticas e gestão da Educação Básica. Neste capítulo, conheceremos como estão or- ganizados o funcionamento e a estrutura da educação básica, bem como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – 9394/96. Ao fim deste material, você terá as bases para atuar como um bom gestor. Figura 1: Políticas para a educação nas escolas públicas. Fonte: Pixabay (2020) Exemplificando essa realidade, podemos destacar o ensino técnico, que nasce da necessidade de mão de obra qualificada para atender às demandas do mercado de trabalho. Sobre as políticas públicas, Rodrigues (2010) explica que Políticas públicas são ações de Governo, por- tanto, são revestidas da autoridade soberana do poder público. Dispõem sobre ‘o que fazer’ (ações), ‘aonde chegar’ (metas ou objetivos OBJETIVO 11 relacionados ao estado de coisas que se pre- tende alterar) e ‘como fazer’ (estratégias de ação). (p. 52). Para garantir a eficiência da escola e o cumprimento de me- tas, é preciso que as instituições educacionais disponham de recur- sos financeiros. Sobre o financiamento da educação, sabe-se que ele é feito pelo Estado, o qual têm como obrigação constitucional garantir o acesso gratuito e universal de todos os cidadãos em idade escolar a todas as etapas do ensino básico (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio). Por isso, há, no âmbito de cada Esta- do e do Distrito Federal, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, mais conhecido com FUNDEB. Tanto o estado como o município são responsáveis pela dis- tribuição e fiscalização do uso dos recursos financeiros, que podem originar-se de arrecadação interna ou de repasses da união. A Constituição Federal de 1988 define a educação como com- petência da União, Estados e Municípios, além disso, prevê que tais entidades façam a gerência de seus sistemas de ensino em regime de colaboração. Nesse contexto, Ferreira e Nogueira (1996, p. 3) preco- nizam que, para além disso, [...] a Constituição prevê também o sistema nacional de educação, a ser articulado por um plano decenal, conforme o art. 214 (alterado pela Emenda Constitucional 59/2009). [...] Os planos estaduais, distritais e municipais ul- trapassam os planos plurianuais de governo, exigindo articulações institucionais e partici- pação social para sua elaboração ou adequação, acompanhamento e avaliação. Sobre o Plano Nacional de Educação, aprovado pela Lei nº 13.005/2014, os autores trazem que [...] Esse plano nacional desdobrou-se nos pla- nos estaduais e municipais e constituem, na atualidade, o desafio maior para implantação de uma educação de qualidade. (ibid., p. 3) 12 Os referidos autores explicitam ainda que, no âmbito edu- cacional, há várias políticas públicas que foram lançadas por todos os setores do governo federal para se alcançarem os objetivos pro- postos pela Constituição Federal. A seguir, listamos algumas dessas políticas públicas: a. Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Funda- mental e de Valorização do Magistério (FUNDEF); b. Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE); c. Programa de Dinheiro Direto na Escola (PDDE); d. Programa Bolsa Família; e. Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE); f. Programa Nacional do Livro Didático (PNLD); g. Programa Nacional de Transporte Escolar (PNATE); h. Exame Nacional do Ensino Médio (ENEN; i. Sistema de Seleção Unificada (SISU); j. Programa Universidade para Todos (PROUNI); k. Programa Nacional de Reestruturação e Aquisição de Equi- pamentos para a Rede Escolar Pública de Educação Infantil (PROINFÂNCIA). No Brasil, o que temos de mais atual em termos de políticas públicas foi o estabelecimento do Plano Nacional de Educação, que prepara metas para acontecerem na educação num prazo de 10 anos. Dessa forma, no decênio 2011-2020, foi estabelecido o Plano Nacio- nal de Educação. Nele, foram estabelecidas um total de 20 metas, as quais são referência para que sejam elaboradas políticas educacio- nais com a finalidade de conquistar as metas que foram propostas pelo plano. Entre essas metas, há 4 que versam sobre a formação de pro- fessores. No PNE, a formação docente ganha ênfase na meta 15, que 13 abora estratégias voltadas à formação de professores, como pode- mos ver a seguir: Meta 15: tem como estratégia garantir, em re- gime de colaboração entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, que todos os professores da educação básica possuam for- mação específica de nível superior, obtida em curso de licenciatura na área de conhecimento em que atuam. Quanto às estratégias, há a pos- sibilidade de trazer programas específicos de formação de professores para as populações do campo, comunidades quilombolas e povos in- dígenas. Valorizar as licenciaturas, programar cursos e programas especiais para assegurar a formação específica aos docentes que ainda não têm graduação. (Brasil, 2011). O Plano Nacional de Educação, no que se refere à formação e à valorização dos professores, em síntese, propõe tanto a realização de provas para a admissão de docentes como a implantação de uma política nacional de formação continuada para professores, com o estabelecimento de planos de carreira para todos os profissionais da educação. Desse modo, Gadotti (1992, p.70) explica que a estrutura edu- cacional de nosso país deve garantir o “[...] acesso de todos à edu- cação, independentemente de posição social ou econômica, acesso a um conjunto de conhecimentos e habilidades básicas que permitam a cada um desenvolver-se plenamente”. Estrutura e funcionamento da educação básica Caro estudante, agora, estudaremos a estrutura e o funcionamento da educação básica. Você sabe como funciona a estrutura da educa- ção básica brasileira? 14 Figura 2: Legislação da educação brasileira Fonte: Pixabay (2020). Inicialmente, vamos entender o que é estrutura e funciona- mento e, em seguida, a influência das políticas públicas da educação. Para entender como se dá a estrutura e como é definida a nossa educação no Brasil, temos que, primeiramente, conhecer a lei que rege a educação escolar: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96, mais conhecida com LDB. Para entendê-la, ser-lhe-ão apresentados tanto as modalidades de ensino como os direitos e deveres do estado com a educação. Quando nos referimos à estrutura e ao funcionamento de uma es- cola, estamos falando de como deve acontecer a organização de um sistema escolar, e isso remete diretamente ao que minimamente deve existir no interior de uma escola. No âmbito da estrutura física, podemos citar como condições mínimas algumas instalações como: refeitório, pátio, quadra, bibliotecas, laboratórios, sala de aula, quadra, banheiros femininos e masculinos etc. Em relação ao fun- cionamento, ele depende, por sua vez, da estrutura física da escola, EXPLICANDO 15 pois é nela que se dará o funcionamento efetivo das atividades edu- cativas e administativas do local. Ainda sobre o funcionamento, é lógico presumir que esse, por sua vez, precisa de pessoas para exis- tir, tais como: secretária, porteiro, profissionais da limpeza, pro- fessores, equipe técnica, diretores etc. Em relação à qualidade do funcionamento da escola, ele dependerá das pessoas que frequen- tam e fazem parte da escola, pois, antes de tudo, é preciso que se te- nha compromisso com o próprio trabalho e, ao mesmo tempo, com a aprendizagem. (Vieira, 2001). Mas por que estou explicando que ter a estrutura física de uma escola não garante o seu bom funcionamento? Porque, apesar de a legislação garantir a estrutura e deter- minar como deve ser o seu funcionamento, conforme está descrito na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a boa execução das atividades vai depender de quem estádo regime militar e precisávamos realizar inúmeras mudanças de postura e de comportamento. De certo modo, pode-se dizer que, até os dias atuais, alguns profissionais que trabalham com educação ainda não compreenderam essas mudanças. Apesar de esse cená- rio já ter mudado consideravelmente, o ideal é seguir lutando para que esses profissionais que possuem uma prática autoritária com- preendam que passamos por mudanças e precisamos acompanhá- -las, sempre nos atentando ao que está previsto em nossa legislação educacional. (Luck, 2000). É preciso esclarecer aqui que descentralizar atividades é divi- dir responsabilidades. Isso não quer dizer que a autoridade do gestor — e de nenhuma outra função — será retirada, mas sim que novas REFLITA 104 possibilidades serão abertas para todos crescerem juntos a fim de alcançar melhorias para a escola. Por isso, Luck (2000) destaca que, para ser um gestor, é preciso ter um perfil de líder. A abertura na aceitação das expressões das pessoas no trabalho, observando os desafios, dificuldades e limitação na tentativa de pos- sibilitar a superação. Observar e desenvolver o que de melhor existe nas pessoas ao seu redor, partindo com uma visão proativa da sua atua- ção. Ter uma visão clara diante da missão dos valores educacionais permitindo a compreen- são dos indivíduos na expressão de suas atitu- des. (p. 75) A autora ainda explica que, para ser gestor, é preciso realizar a conscientização de seus membros, esclarecendo que as suas ações são importantes para que sejam promovidas melhorias a todos, mas, em especial, aos processos educativos. Figura 9 : O líder e o diálogo com todos que fazem parte da escola Fonte: Pixabay Por isso, é preciso que o grupo esteja maduro para trabalhar sempre tendo o diálogo como base, mas, mesmo assim, não pode- mos negar que sempre haverá conflitos, o que não é algo negativo, 105 pois o diálogo propicia o crescimento do grupo. É preciso que essa soma de experiências dos colegas de trabalho aconteça de forma dialogada, pois são eles que fazem a gestão democrática acontecer. Através do diálogo, resolvem-se conflitos, realizam-se planeja- mentos e avaliações das coisas que deve acontecer nas escolas pú- blicas. Sobre essa questão democrática, Paro (2001) explica: No campo da liberdade, o papel da gestão esco- lar está inextricavelmente ligado à questão da democracia, não apenas porque, pela educa- ção, faculta-se ao educando o acesso à ciência, à arte, à tecnologia, enfim, ao saber histórico que possibilita o domínio das leis da natureza e seu uso em benefício humano, fazendo afastar assim o âmbito da necessidade, mas também porque pode possibilitar a aquisição de valores e recursos democráticos propiciadores da con- vivência pacífica entre os homens em socieda- de (p. 51). Agora que já foi discutido na LDB (9394/96) que as escolas públicas atuarão conforme a gestão democrática, a gestão escolar deve ter como um de seus objetivos de trabalho o processo educati- vo, considerando os seus sujeitos sociais. Por isso, as ações da escola devem envolver todos os segmentos escolares, contemplando uma concepção de escola inclusiva que traga todos os seus participantes para dentro do projeto educativo que a escola defende que aconteça, e zelando para que ele seja colocado em prática e esteja em cons- tante avaliação. Por isso, é preciso que a gestão escolar esteja focada em sua área de atuação, garantindo que se estabeleça a “[...] efetiva- ção das finalidades, princípios, diretrizes e objetivos educacionais orientadores da promoção de ações educacionais com qualidade so- cial [...].” (Luck, 2000, p.23). É por isso que a gestão deve trabalhar sempre com a finalida- de de obter uma escola com qualidade, em que todos os alunos reco- nheçam que somos diferentes e devemos respeitar as diferenças. Ao mencionar as práticas inclusivas, deve-se ter claro que elas devem ser participativas, promovendo o acesso e a construção do conheci- mento, proporcionando assim “[...] condições para que o educando 106 possa enfrentar criticamente os desafios de se tornar um cidadão atuante e transformador da realidade sociocultural e econômica vi- gente, e de dar continuidade permanente aos seus estudos”. (ibid.) Sobre a gestão democrática, Ferreira (2008) ainda nos expli- ca que [...] gestão é administração, é tomada de de- cisão, é organização, é direção. Relaciona-se com a atividade de impulsionar uma organiza- ção a atingir seus objetivos, cumprir sua fun- ção, desempenhar seu papel. Constitui-se de princípios e práticas decorrentes que afirmam ou desafirmam os princípios que a geram. Es- ses princípios, entretanto não são intrínsecos à gestão como a concebia a administração clássica, mas são princípios sociais, visto que a gestão da educação se destina à promoção hu- mana (Ferreira, 2008, p. 306). Nessa linha de entendimento, é preciso que todos que fazem a escola acontecer percebam o quanto é importante para as práti- cas educativas da escola o trabalho coletivo, seguido do respeito, da participação, do diálogo, entre outros, trabalhando em prol de que seja colocado em prática o que foi planejado no projeto educativo da escola. Nesse ínterim, não podemos esquecer-nos da importância que tem a gestão trabalhar junto com o corpo de especialistas que há na es- cola, tais como a orientação educacional, a supervisão escolar, psi- cólogo escolar e assistente social. Para tanto, a gestão deve garantir a participação de todos da comunidade escolar, sejam eles pais, alunos, professores, se- cretários, merendeiras, etc., construindo um modelo de gestão IMPORTANTE 107 democrática que aconteça de fato, envolvendo-os em processos de decisões coletivas na escola, a exemplo da seleção de diretores de escola, criação de Conselho Escolar, entre outros. O gestor, que não age mais de forma hierárquica na distri- buição de atividades da escola, tem sua parcela de responsabili- dade frente ao sucesso ou insucesso da gestão democrática, pois é primordial que ele não continue perpetuando as práticas do antigo papel de diretor escolar, que foi, por muito tempo, baseada nas re- lações assimétricas de poder. Para que haja uma gestão escolar democrática de fato, o ges- tor deve garantir que, na sua equipe, estejam claras as concepções de organização democrático-participativa, por isso, em sua postura de atuação na escola, deve estar explícito: a. Definição explícita, por parte da equipe escolar, de objetivos sociopolíticos e pedagógicos da escola; b. Articulação da atividade de direção com iniciativa e a partici- pação das pessoas da escola e das que se relacionam com ela; c. Qualificação e competência profissional; d. Busca de objetividade no trato das questões da organização e da gestão mediante coleta de informações reais; e. Acompanhamento e avaliação sistemáticos com finalidade pedagógica: diagnóstico, acompanhamento dos trabalhos, reorientação de rumos e ações e tomada de decisões; f. Todos dirigem e são dirigidos, bem como todos avaliam e são avaliados; g. Ênfase tanto nas tarefas quanto nas relações. (Libâneo, 2012, p. 449). Essas práticas democrático-participativas vêm para dentro da escola com a intencionalidade de promover a democracia, e to- dos que dela participam têm a oportunidade de contribuir para sua organização de forma coletiva, com a finalidade de garantir a auto- nomia da escola e de sua equipe. 108 Figura 10: A gestão precisa de todos que fazem parte da escola Fonte: Pixabay (2020). Desse modo, Luck (2009, p.75) defende que [...] a gestão democrática pressupõe a mobi- lização e organização das pessoas para atuar coletivamente na promoção de objetivos edu- cacionais, o trabalho dos diretores escolares se assenta sobre sua competência de liderança, que se expressa em sua capacidade de influen- ciar a atuação de pessoas (professores, funcio- nários, alunos, pais e outros) para a efetivação desses objetivos e o seu envolvimento na reali- zação das açõeseducacionais necessárias para sua realização. Portanto, é preciso compreender que, para que haja a eficácia da gestão escolar, o gestor não poderá dar conta de tudo sozinho; ele precisará de sua equipe para dar conta da qualidade pedagógica, do currículo, da capacitação de professores, entre outros. A autora, acima, ainda explica-nos que, num modelo de gestão democráti- ca, o gestor precisa e muito do trabalho coletivo de todos que fazem parte da escola pública. Dentro desse trabalho democrático, é preciso que o gestor conscientize os seus participantes sobre a responsabilidade que tem cada um que faz a escola pública acontecer, pois devo relembrar que esse modelo de gestão é proposto para a escola pública. Desse modo, 109 para que a gestão escolar aconteça de forma democrática, é preciso que sejam desenvolvidos mecanismos de autonomia da escola, o fi- nanciamento das escolas e participação da instituição na escolha de seus dirigentes. Além disso, é preciso que sejam garantidos meios para que haja a criação de órgãos colegia- dos, a construção democrática do Projeto Político Pedagógico, e a participação da comunidade interna e externa a escola. A gestão democrática sendo colocada em prática na esco- la pública serve também para conscientizar o cidadão para a sua emancipação. O Ministério da Educação, na publicação “Gestão de- mocrática nos sistemas e na escola”, explica 4 pontos necessários para a efetivação desse modelo de gestão, são eles: a. Participação: quando os projetos são construídos pela me- diação da coletividade, oferecendo a todos os participantes a oportunidade de desenvolverem de forma conjunta ações que visam à melhoria da educação; b. Pluralismo: quando há o reconhecimento da presença das diversidades e dos diferentes interesses daqueles que fazem parte da escola; c. Autonomia: a escola pode se adequar às reais necessidades da comunidade na qual se encontra inserida; o seu Projeto Po- lítico Pedagógico é construído de forma coletiva, visando à emancipação e à transformação social; d. Transparência: é o retrato da dimensão política da escola, mostrando que ela é um espaço público que se encontra aberto à diversidade e às opiniões daqueles que participam da estru- tura da escola. (Brasil, 2007). Trabalhar com o modelo de gestão escolar democrática tor- na-se, dentro da escola, uma decisão política, porque suas ações implicam entender a visão dos que fazem parte direta e indireta- mente dessa escola, tais como: pais, alunos, professores, funcio- nários e a própria comunidade interna e externa a escola. É uma ação política, porque implica diretamente na perspectiva de tornar as decisões e, para isso acontecer, é preciso que haja participação, 110 trabalho coletivo, união na hora de gerir e organizar a escola, sem hierarquização de poderes. Quer se aprofundar nesse tema? Recomendamos o acesso ao artigo: “a Gestão Democrática e a participação dos educadores na elabo- ração do projeto político pedagógico de escolas públicas no Brasil”, escrito por Pauleany Simões de Morais et al. Você deve ter aprendido que, com a implementação da gestão de- mocrática nas escolas e a partir da década de 1990, com a promul- gação da Lei de Diretrizes e Bases 9394/96 (LDB), passou-se a garantir que, nas escolas públicas, a gestão fosse descentralizada, ou seja, começou-se a implementar a divisão das tomadas de de- cisões da escola, que deixaria de ser responsabilidade exclusiva do gestor e passaria a ser responsabilidade de todos que representam a escola. Com isso, através de reuniões, os membros da escola podem emitir suas opiniões e debaterem através do diálogo possíveis so- luções que possam auxiliar a solucionar as problemáticas surgidas na escola em prol de melhorias. A gestão democrática, através da participação ativa, do pluralismo, da autonomia e da transparên- cia, começa a fazer com que as pessoas sintam-se parte da escola. Além disso, há 4 pontos que são necessários para a efetivação desse modelo de gestão, a saber: participação, pluralismo, autonomia e transparência. Assim, essas posturas, explícitas nas práticas demo- crático-participativas, vêm para dentro da escola com a intenção de promover a democracia. PESQUISE PESQUISE 111 A gestão democrática na escola pública Ao término deste capítulo, você será capaz de compreender como ocorre de fato a gestão democrática na escola pública. E então, mo- tivado para desenvolver essa competência? Vamos lá! Avante! A gestão da escola pública deve atuar de forma democráti- ca, sempre buscando a qualidade de ensino, a qual, por sua vez, é a “[...] qualidade cognitiva e operativa das aprendizagens escola- res em contextos concretos” (Libâneo, 2007, p. 26). Nesse sentido, por meio das práticas educativas, são respondidas as cobranças da sociedade, que deve ter como objetivo colaborar com o desenvolvi- mento dos alunos. Essa mesma gestão tem como princípio o intuito de melho- rar a qualidade do processo de ensino-aprendizagem. Assim, os segmentos de cada comunidade escolar devem trabalhar junto ao gestor, sabendo aonde querem chegar, pois a educação torna-se um ato político. Segundo Oliveira, Moraes e Dourado (2009), o ato político [...] exige um posicionar-se diante das alter- nativas. A gestão escolar não é neutra, pois to- das as ações desenvolvidas na escola envolvem atores e tomadas de decisões. Nesse sentido, ações simples, como a limpeza e a conservação do prédio escolar, até ações mais complexas, como as definições pedagógicas, o trato com situações de violência, entre outras, indicam uma determinada lógica e horizonte de ges- tão, pois são ações que expressam interesses, princípios e compromissos que permeiam as escolhas e os rumos tomados pela escola. (p. 7). OBJETIVO 112 Dourado e Oliveira (2009) explicam que, para que haja efe- tivação de fato nesse processo, é de suma importância que a escola organize o trabalho escolar com Planejamento, monitoramento e avaliação dos programas e projetos; organização do traba- lho escolar compatível com os objetivos edu- cativos estabelecidos pela instituição, tendo em vista a garantia da aprendizagem dos alu- nos; mecanismos adequados de informação e de comunicação entre todos os segmentos da escola; gestão democrático-participativa, in- cluindo condições administrativas, financeiras e pedagógicas; mecanismos de integração e de participação dos diferentes grupos e pessoas nas atividades e espaços escolares. (p. 209). O trabalho da gestão democrática tem como função acompa- nhar o processo ensino-aprendizagem que ocorre na escola. Além disso, deve abrir espaço para que as pessoas possam participar ati- vamente no processo decisões da escola, e o gestor deve estar capa- citado para lidar com diversas formas de pensar, colaborando para que sua equipe tenha êxito na busca pela qualidade do ensino. Para Dourado e Oliveira (2009), o gestor escolar, por inter- médio de sua competência, deve garantir um: Projeto pedagógico coletivo da escola que con- temple os fins sociais e pedagógicos da escola, a atuação e autonomia escolar, as atividades pedagógicas e curriculares, os tempos e espa- ços de formação; disponibilidade de docentes na escola para todas as atividades curricula- res; definição de programas curriculares re- levantes aos diferentes níveis, ciclos e etapas do processo de aprendizagem; métodos pe- dagógicos apropriados ao desenvolvimento dos conteúdos; processos avaliativos voltados para a identificação, monitoramento e solu- ção dos problemas de aprendizagem e para o desenvolvimento da instituição escolar; tec- nologias educacionais e recursos pedagógicos 113 apropriados ao processo de aprendizagem; planejamento e gestão coletiva do trabalho pedagógico; jornada escolar ampliada ou inte- grada, visando à garantia de espaços e tempos apropriados às atividades educativas; meca- nismos de participação do aluno na escola; va- loração adequada dos usuários no tocante aos serviços prestadospela escola. (p. 209). A partir dessa realidade, o gestor tem que a garantir que os diversos segmentos da escola participem de forma ativa, tais como docentes, alunos, funcionários, gestores, pais, comunidade extra e interescolar, na construção do projeto político-pedagógico. Esse planejamento maior visa à construção do PPP e deve fornecer condições, espaços e escolha de tempo, com o intuito de fazer com que seus participantes tenham a formação e os conheci- mentos necessários para colocar em prática o que lhes for proposto para ação e execução de forma efetiva. A direção deve dividir responsabilidades e auxiliar o Conselho de Classe a dividir as tomadas de decisões com todos no contexto escolar. Por isso, compreende-se que a gestão que trabalha ainda de forma tradicional, com uma figura autoritária de gestor, e não compartilha as tomadas de decisões com a comu- nidade escolar começa a enfrentar dificuldades e, em decorrência disso, não atinge os objetivos que a comunidade escolar almeja. O Conselho Escolar, por sua vez, caracteriza-se como órgão de representação da comunidade escolar, sendo constituído por re- presentantes de todos os segmentos que compõem a escola. O obje- tivo desse órgão é zelar pela manutenção da cultura de participação dentro da escola. O Conselho Escolar, assim, deve buscar formas de incenti- var a participação de todos os segmentos envolvidos no processo educativo, e isso implica organizar-se para a construção de outros documentos da escola (Marques, 1992, p. 22). Um exemplo desses documentos é o regimento escolar, que deve se elaborado e acom- panhado pelas pessoas que compõem o Conselho Escolar. 114 Os respectivos membros do Conselho Escolar devem agir tanto na elaboração quanto no acompanhamento da execução do Projeto Político Pedagógico, observando e fiscalizando não somente ele como também a gestão pedagógica e a financeira. Figura 11: Discussão saudável Fonte: Pixabay (2020). O Conselho Escolar também tem a função de planejar e apro- var o plano anual da escola. Seus membros devem acompanhar o desenvolvimento dos indicadores educacionais, tais como o da aprendizagem dos alunos, a evasão, a aprovação, reprovação, en- tre outros detalhes que envolvem o lado pedagógico. O Conselho Escolar também pode fazer formações junto aos seus componentes com a finalidade de disseminar informações e conhecimentos que contribuam para melhorias na escola. Nesse percurso, é primordial que um gestor democrático crie um ambiente agradável para seus componentes falarem abertamente sem que mais barreiras sejam criadas para atuação do Conselho Es- colar, facilitando o diálogo quando for preciso realizar uma plenária. IMPORTANTE 115 Portanto, a democratização adequada do Conselho escolar permite aos seus membros se reunirem para discutir questões rela- cionadas a assuntos como: conteúdo curricular, informações novas, as experiências dos colegas etc. Figura 12: Participação Fonte: Pixabay (2020). Por isso, destaco que ainda há muito a se fazer para conscien- tizar todos os membros da comunidade escolar: pais, professores, alunos, gestores, funcionários, comunidade, entre outros, no senti- do de fazê-los saber da importância de sua participação no debate. Outra medida é a busca pela qualidade do ensino, que deve advir por meio da democratização do espaço da sala de aula, dos conteúdos e dos métodos. O aluno, dessa forma, deve fazer parte do processo de ensino-aprendizagem de forma ativa, crítica e reflexiva. A escola deve proporcionar um ambiente para que a comuni- dade troque dados e conhecimentos na busca de soluções para pro- blemáticas escolares, promovendo, assim, a integração. Ela também deve atender aos interesses da maioria, agindo por votação, na busca de garantir um espaço democrático com es- paços para ampla formação discente, zelando pela formação inte- gral do aluno. 116 Figura 13 : Formar alunos solidários, críticos, éticos e participativo Fonte: Pixabay (2020). A escola democrática pública tem a função social de formar o cidadão para a vida, tornando-o capaz de exercer a sua cidadania, para isso é preciso proporcionar a construção de conhecimentos, valores que forme um ser humano pronto para atuar em sociedade, permitindo-o ser solidário, crítico, ético e participativo na sua vida em geral. É preciso garantir que os representantes da comunidade es- colar possam expressar seus diferentes pontos de vista e cuidar para que ajam de forma a apenas servir de instrumento para legitimar a voz da direção, por isso, esse cuidado deve iniciar na origem, no momento da escolha de quem vai fazer parte dos conselhos, pois esses integrantes precisam representar, de fato, a diversidade que faz parte da comunidade escolar. Antunes (2002) esclarece que os conselhos têm de lidar com os problemas da gestão escolar, e esses serão discutidos e suas res- pectivas reclamações educativas serão “[...] analisadas para, se for o caso, dependendo dos encaminhamentos e da votação em plenária, ser aprovadas e remetidas para o corpo diretivo da escola, instância executiva, que se encarrega de pôr em prática, as decisões ou suges- tões do Conselho de Escola” (p. 23). 117 Figura 14 : Votação Fonte: Pixabay (2020). Sobre a participação dos pais na escola, Libâneo (2004, p. 114) destaca: “[...] a escola não pode ser mais uma instituição isolada em si mesma, separada da realidade circundante, mas integrada numa comunidade que interage com a vida social ampla”. Por isso, a es- cola deve conquistar a representação dos pais no Conselho Escolar. A atuação dos diversos segmentos da comunidade escolar deve acontecer de forma que esses segmentos possam se expressar e manter uma relação saudável e aberta a críticas, diálogos e à defe- sa do ponto de vista e dos argumentos de cada um. Navarro (2004) explica-nos que é através dos Conselhos que a escola une-se para atuar de forma democrática, deliberando as- sim, sobre questões particularizadas da escola, as quais devem en- volver também o pedagógico, administrativo e financeiro. Por isso, deve acontecer aqui a participação, debates, propostas e tomadas de decisão, que só devem acontecer após muitas reivindicações das necessidades educacionais. O debate, portanto, deve ser fomentado assim, sob a ótica da cultura de resgate da democracia nas escolas, da participação e da cidadania, em substituição à cultura patrimonialista. Desse modo, devemos entender que o Conselho Escolar, nas escolas públicas, deve atuar como sustentáculo do Projeto Político Pedagógico. 118 Paro (2004) destaca que esse percurso é o que vai caracte- rizar as escolas como democráticas, superando, assim, as práticas burocráticas, passando, pois, a serem vistas como desafios a serem superados. Fundamentado o Projeto Político Pedagógico nessas consi- derações, a escola só poderá desempenhar um papel transforma- dor ao organizar-se para atender aos seus interesses, daí temos a aprendizagem coletiva, condição-mor para agir democraticamente, visando construir, efetivamente, uma educação de qualidade social. Você deve ter aprendido que, na gestão democrática, o gestor deve ser um líder que compartilha as tomadas de decisão com as pes- soas que fazem parte do contexto escolar. Essa gestão visa atuar de maneira democrática através da participação ativa dos membros, do diálogo e da escuta de opinião de todos na busca de melhorias na qualidade de ensino, devendo a sociedade cobrar essas melho- rias com o intuito de colaborar com o desenvolvimento dos alunos. O trabalho da gestão democrática tem a função de acompanhar o processo de ensino-aprendizagem que ocorre na escola. O gestor deve ter em mente que trabalhar com a gestão democrática só tende a fortalecer a escola, diferentemente de como alguns gestores pen- savam, acreditando que perderiam sua autoridade. Pelo contrário, a gestão democrática cria um espaço para que todos os envolvidos no processo escolar possam participar ativamente na divisãodas tomadas de decisão da escola, onde o gestor, devidamente capaci- tado e baseado nas leis, possa dialogar escutar, abrir espaços para opiniões e, junto com a comunidade escolar, lutar por melhorias na qualidade do ensino. RESUMINDO UN ID AD E 4 Objetivos ◼ Reconhecer os mecanismos de participação no processo de gestão nas instituições escolares; ◼ Entender o que é e como funciona um projeto político-pedagógico; ◼ Perceber o processo de cidadania que acontece no interior da gestão democrática; ◼ Compreender como é a gestão na educação básica, observan- do suas garantias e princípios de autonomia administrativa, financeira e pedagógica. 120 Introdução A Gestão Educacional é uma das disciplinas fundamentais na área da educação. Nesse sentido, está prevista nas escolas públicas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996). Nesse con- texto, é responsável pela elaboração e execução do Projeto Político Pedagógico de forma democrática. Para tanto, instituiu na escola pública a importância do diálogo e participação de todos os atores envolvidos no processo educativo, como professores, alunos, pais e a comunidade escolar nas decisões político-pedagógicas. Além do mais, é responsável por institucionalizar o Conselho Escolar, como forma de organizar os representantes escolares. Vejamos como isso acontece na prática. Vamos em frente! 121 A escola e o Projeto Político-Pedagógico Ao término deste capítulo você será capaz de reconhecer os me- canismos de participação no processo de gestão nas instituições escolares. Por isso, a gestão deve garantir que o projeto político-pe- dagógico seja construído de forma democrática. Isso será funda- mental para o exercício da sua profissão. Motivado para desenvolver essa competência? Avante! Figura 1 - PPP – diversos olhares sobre a escola Fonte: Pixabay (2020) De acordo com o mencionado, as escolas públicas seguem o modelo de gestão escolar democrático. Essa prática de gestão acon- tece no interior das escolas, respeitando as particularidades da re- gião em que a escola está inserida. Nesse sentido, os atos de gestão envolvem tanto as pessoas no contexto escolar, quanto recursos materiais e financeiros. Desse modo, o foco do gestor deve, sobretudo, estar na pro- posta pedagógica da escola, mediante a construção coletiva do pro- jeto político-pedagógico (PPP). OBJETIVO 122 Como já foi informado nos capítulos anteriores, a prática do gestor escolar deve acontecer através de um ambiente acolhedor e que as decisões tomadas na escola devam focar na melhoria da qualida- de do ensino. No âmbito público, é preciso que se abra espaço para dialogar, expor opiniões, trocar experiências, visando solucionar às problemáticas cotidianas da escola. Nesse sentido, é necessária a construção de uma proposta educativa pautada em princípios de participação coletiva. Veiga (1995) defende que o projeto pedagógico construído na escola esteja ligado diretamente à cidadania. Essa preocupação deve atender aos interesses coletivos da população. Portanto, trabalhar com educação é um ato político e seu objetivo central está no perfil cidadão que permeia toda a educação pública. É preciso estarmos atentos para as transformações da sociedade e a gestão deve nos orientar a repensar as diversas formas de estrutura de poder na escola. Assim, a construção do projeto político-pedagó- gico é algo muito importante em uma escola e não podemos cair no erro de produzi-lo e não pô-lo em prática Veiga (2005). O projeto político-pedagógico (PPP) é um documento essen- cial que orienta as ações educacionais de uma instituição de ensino, conforme determina a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacio- nal (LDB), que enfatiza a importância de uma educação democrática e inclusiva. EXPLICANDO IMPORTANTE 123 Segundo a LDB, o PPP deve ser elaborado de forma partici- pativa, envolvendo todos os membros da comunidade escolar, para assegurar que os princípios da gestão democrática sejam cumpri- dos. Além disso, de acordo com o Plano Nacional de Educação (PNE), o PPP deve alinhar-se aos objetivos de garantir o desenvolvimento integral do aluno, promovendo uma formação que vá além do ensi- no puramente acadêmico. Portanto, é imprescindível que o gestor e os profissionais da escola encontrem caminhos para colocar em prática o que foi defi- nido no Projeto Político Pedagógico da instituição. Sobre as partes constitutivas do documento, deve constar a concepção teórica que se deseja trabalhar, o contexto histórico dessas escolas, as necessi- dades e problemas enfrentados e propor soluções para que a mesma busque alternativas de mudança. Figura 2 - para construir o PPP é preciso ter planejamento Fonte: Pixabay (2020) A elaboração do projeto político-pedagógico (PPP) exige a participação de todos os segmentos da escola, embora reunir todos os representantes em um horário comum seja um desafio. Para sua construção, serão necessárias várias reuniões, demandando tempo e comprometimento dos representantes escolares. Portanto, o ob- jetivo é garantir que o PPP seja resultado da colaboração de toda a comunidade escolar. 124 Dito isso, é fundamental que o PPP reflita a realidade especí- fica de cada escola, evitando a mera cópia de projetos de outras ins- tituições. Cada escola possui sua própria identidade, e o documento deve ser construído com base em suas necessidades e características únicas. Mesmo que as escolas possam ser fisicamente semelhantes, suas realidades educacionais são distintas, e o PPP deve considerar esses fatores ao definir seus métodos e objetivos pedagógicos. A construção do PPP nas escolas públicas é assegurada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9394/96), que determina, no Artigo 12, inciso I, que os estabelecimentos de ensino têm a incumbência de elaborar e executar sua proposta pedagógica. O Artigo 14 reforça a participação dos profissionais da educação e da comunidade escolar na formulação do projeto, garantindo um pro- cesso democrático e participativo. Dourado (2001) salienta que o PPP não pode ser apenas um documento formal, arquivado sem utilidade prática. Ele deve servir como guia para a escola, orientando suas ações cotidianas e fomentando a busca por melhores resultados educacionais. Nesse sentido, o autor também afirma que o processo de construção do PPP deve ser dinâmico, com reflexões contínuas sobre sua aplicação. Segundo Veiga (2003), o PPP está intrinsecamente ligado à autonomia pedagógica da escola. Nesse sentido, ao reunir professo- res e outros profissionais para sua construção, a escola organiza-se para traçar seu próprio caminho pedagógico, respeitando sua reali- dade e contexto. A autonomia e a liberdade são, assim, inerentes ao ato pedagógico. Na formulação do PPP, Libâneo (2004) destaca a importân- cia de abordar questões essenciais, como a caracterização da escola, a concepção de educação adotada, o diagnóstico da situação atual, os objetivos gerais, a organização da gestão escolar e as propostas curriculares. Afinal, o documento deve também contemplar a for- mação continuada dos professores e a participação dos pais e alunos no processo educativo. 125 Logo, fica evidente que a elaboração do PPP é de suma importância para um funcionamento escolar baseado em princípios democráti- cos de gestão. Como já foi dito, nesse documento estão definidos os elementos constitutivos do plano geral da educação de determina- da unidade escolar, elencando desde a caracterização da escola, a concepção de educação adotada, o diagnóstico da situação atual, os objetivos gerais, a organização da gestão escolar e as propostas cur- riculares, até a participação efetiva dos alunos e pais no processo de ensino-aprendizagem. Desse modo, na ótica de Veiga (2003) o projeto político-pe- dagógico é um meio de unir a comunidade escolar para integrar di- versas ações, tais como [...] soluções alternativas para diferentes momentosdo trabalho pedagógico-admi- nistrativo, desenvolver o sentimento de per- tencimento, mobilizar os protagonistas para a explicitação de objetivos comuns definindo o norte das ações a serem desencadeadas, for- talecer a construção de uma coerência comum, mas indispensável, para que a ação coletiva produza seus efeitos (VEIGA, 2003, p. 275). De acordo com Gadotti (1994), a gestão educacional no Brasil é orientada por princípios democráticos e participativos, reforça- dos pela Constituição (1988). Assim, a participação da comunidade escolar, incluindo pais, alunos e professores, é vista como funda- mental para a melhoria do ambiente edcucaional e dos processos de ensino-aprendizagem. Ferreira (2007) enfatiza o caráter político que deve estar explícito no projeto político-pedagógico, pois deve determinar as intencionalidades do grupo, como serão as interações e inten- cionalidades, como a escola irá agir diante das metas e objetivos REFLITA 126 predeterminados. Assim, as etapas necessárias para a organização do PPP exigem construção coletiva e planejamento participativo, uma vez que é um esboço das competências esperadas do educador e das ações escolares. Por isso, para realizar a construção de um PPP, é preciso or- ganizar-se com antecedência e ter clareza pois não é algo que se resolve com uma duas ou três reuniões, o que significa uma larga demanda de tempo e planejamento. Tudo isso deve acontecer no es- forço por contemplar a realidade da escola, com as suas aspirações e interesses locais. No entanto, trata-se de um documento em certo nível buro- crático, tem estrutura formal para ser seguida e deve ser realiza- do com base no modelo de gestão democrática. Ferreira (2007) nos apresenta algumas características que o projeto político-pedagógi- co deve apresentar: a. singularidade: por representar as características daquela co- munidade, seus anseios e suas perspectivas. Portanto, uma percepção diferenciada da educação, da escola, do conheci- mento, própria daquele ambiente cultural; b. intencionalidade: não há ingenuidades nas escolhas dos su- jeitos da escola. Desse modo, as escolhas revelam ser necessá- rias e indispensáveis para a realidade factual da instituição de ensino. Em decorrência disso, é necessário apresentar objeti- vos sem ambiguidades, revelar as teorias embasadoras e estar em acordo com um rumo pensado pela comunidade escolar; c. democrático e democratizante: muitas experiências têm demonstrado que o PPP ao ser elaborado em gabinetes fica restrito a poucas pessoas. Dessa maneira, o processo de planejamento é uma excelente oportunidade para a prática democrática, não só na discussão, mas no assumir responsa- bilidades e contribuir; d. sistematização: além de organizar o trabalho pedagógico, re- lacionando os espaços e os tempos educativos a que se propõe a instituição, o PPP prevê os rumos a serem seguidos pela ins- tituição de ensino; 127 e. coerência: o PPP deverá estar embasado em um referencial teórico que contenha as definições dos elementos que, para aquela realidade, faz- se necessário conhecer e considere os elementos próprios da cultura institucional e de seu contexto; f. inclusão: através de uma proposta educacional centrada nos sujeitos, o PPP pretende a inclusão das diversidades (FERREI- RA, 2007, p. 42- 43). Além disso, esse documento ainda deve contemplar os prin- cípios éticos da autonomia, da responsabilidade, da solidariedade e do respeito, de formação cidadã e aptidão para atuar e ser crítico em sociedade. Para a construção do projeto político-pedagógico o planeja- mento inicial, muitas vezes modificado em reuniões e por sugestão das equipes, prevê as seguintes etapas: constituição de espaços-tempos para diálogo em todos os ní- veis da instituição, envolvendo os diferentes sujeitos; ◼ estímulo à circulação da palavra, como possibilidade de rein- ventar a dialogicidade nos espaços instituídos e instituintes da escola; ◼ reconstituição da historicidade dos sujeitos da práxis pedagógica; ◼ reflexão sobre a pesquisa, buscando torná-la um fundamento pedagógico; ◼ reflexão sobre a profissionalidade dos sujeitos da práxis pedagógica; ◼ revisão da práxis pedagógica, em suas crenças e fazeres; ◼ sistematização da historicidade, crenças, propostas e pers- pectivas da instituição; ◼ aprovação do texto em plenária, envolvendo o máximo da po- pulação integrante dessa comunidade escolar; ◼ implementação da proposta; 128 ◼ acompanhamento, avaliação e revitalização contínua dos princípios orientadores: pesquisa, dialogicidade, historicida- de e reflexão (FERREIRA, 2007, p. 43-44). Como podemos ver, a questão do espaço tempo, historici- dade da escola, reflexão sobre a importância da pesquisa, estímulo ao diálogo, a práxis pedagógica, aprovação do texto em plenária e implementação da proposta devem acontecer como bem orienta a legislação educacional pertinente. Quer se aprofundar nesse tema? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: LOPES, Noêmia. Artigo: O que é o projeto político-pedagógico. Nesse momento, resumiremos tudo o que estudamos. Você deve ter aprendido que o projeto político-pedagógico é um documento im- portante da escola e que nele deve conter todos os aspectos gerais da escola. Quais sejam: administrativo; pedagógico; financeiro etc. No entanto, o PPP não deve ser construído em apenas um dia, deve haver várias reuniões para que possam discutir o tema e tomar as decisões mais acertadas. Esse documento deve ser construído na es- cola com a participação de todos que compõem o contexto escolar interno e externo em busca de melhorias na qualidade de ensino. Nesse sentido, é importante que tenhamos a consciência da impor- tância da participação dos membros da escola. Assim, o PPP deve contemplar os princípios éticos da autonomia, de responsabilidade, de solidariedade e do respeito, na busca por formar cidadãos críticos e reflexivos para viver em sociedade. PESQUISE RESUMINDO 129 Conceitos e Finalidades do Projeto-Político Pedagógico Ao término deste capítulo você será capaz de entender o que é e como funciona um projeto político-pedagógico. Isso será fun- damental para o exercício da sua profissão. Nessa etapa do nosso estudo, você vai compreender o significado do projeto político-pe- dagógico e o porquê da sua existência na escola pública. Motivado para desenvolver essa competência? Vamos lá. Avante! Figura 3 - Projeto político-pedagógico: diálogo e participação Fonte: Pixabay (2020) Nesse sentido, o projeto político-pedagógico é um documen- to de extrema relevância para a escola. Nele constam dados que ex- primem a identidade da escola, consequência do esforço coletivo, na busca por retratar a realidade em que a escola se encontra, propor soluções e buscar atingir a qualidade da educação. OBJETIVO 130 Conforme a Constituição Brasileira (1988) e, posteriormen- te, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996), temos garantidos os objetivos da educação que deve ser promovida com base nos princípios de igualdade, liberdade de aprender, respeito à pluralidade de ideias, gestão democrática do ensino público e valo- rização das experiências extraescolares (BRASIL, 1996). Esses são objetivos educacionais que a escola democrática deve garantir que aconteça no seu interior. Quando falamos em construir um projeto político-pedagó- gico, Veiga (1995) defende que o caráter político do PPP se faz pre- sente na [...] busca por um rumo, uma direção. É uma ação intencional, com um sentido explícito, com um compromisso definido coletivamen- te. Por isso, todo projeto pedagógico da escola é, também, um projeto político por estar inti- mamente articulado ao compromisso socio- político com os interesses reais e coletivos da população majoritária. É político no sentido de compromisso com a formação do cidadão para um tipo de sociedade. [...] Pedagógico, no sen- tido de definir as ações educativas e as carac- terísticasnecessárias às escolas de cumprirem seus propósitos e sua intencionalidade (VEIGA, 1995, p. 13). Ainda sobre o projeto pedagógico da escola, Vasconcellos (1995, p. 143) destaca que se trata de “[...] um instrumento teórico- -metodológico que visa ajudar a enfrentar os desafios do cotidiano da escola, de uma forma refletida, consciente, sistematizada, orgâ- nica e, o que é essencial, participativa.” 131 Sobre essas questões, Araújo (2000, p. 155) explica que na dimensão política, é preciso que haja transparência pois “[...] sua existência pressupõe a construção de um espaço público vigoroso e aberto à diversidade de opiniões e concepções de mundo, contemplando a participação de todos os que estão envolvidos com a escola.” Marques (1990) explica que é através da ampla participação dos diversos segmentos da escola que se garante a transparência das coisas discutidas e fortalece as pressões para que elas sejam le- gítimas, garante o controle sobre os acordos estabelecidos e, sobre- tudo, contribui para que sejam contempladas questões que de outra forma não entrariam em cogitação. Segundo Dourado, a gestão democrática configura-se em descentralização de poderes, participação e transparência: • descentralização: a administração, as decisões e as ações devem ser elaboradas, tomadas e executadas de forma não hierarquizada; • participação: todos os envolvidos no dia a dia escolar devem participar da gestão, ou seja, professores, estudantes, funcio- nários, pais ou responsáveis, pessoas que participam de pro- jetos escolares e toda a comunidade ao redor da escola; • transparência: qualquer decisão e ação tomada/decidida ou implantada na escola deverá ser de conhecimento de todos (Dourado, 2001). É preciso destacar, ainda, que o sistema educacional brasi- leiro lança normas gerais sobre as instituições escolares, que devem funcionar como um caminho para orientar o ensino escolar. Nesse contexto, na construção do projeto político-pedagógi- co, é importante que o gestor utilize pressupostos democráticos e participativos. Acredita-se que apenas com a participação de modo CURIOSIDADE 132 ativo, por meio do diálogo e opiniões, é que a gestão se tornará de fato democrática. Sobre a organização das escolas públicas que trabalham no modelo de gestão democrática, afirma-se que o Conselho escolar é o local em que há o direito a fala, realização de debates e votações sobre questões particulares da escola. Fazem parte do Conselho Es- colar: representantes dos docentes, dos funcionários, da direção escolar, dos alunos, dos pais e da comunidade interna e externa à escola. A escolha dos membros do Conselho Escolar deve acontecer de forma democrática, através da eleição dos candidatos represen- tantes de cada segmento da escola, com a votação sobre a escolha dos mesmos. O candidato eleito deve se comprometer com o bem comum, dialogar e expor os obejtivos e opiniões do grupo que re- presenta. Vale salientar que todas as propostas e decisões devem ser tomadas dentro do que permite as leis brasileiras e que sejam pro- postas em prol da qualidade do ensino. Assim, precisamos entender que o Conselho Escolar é um dos sustentáculos do projeto político-pedagógico da escola, pois os membros têm importante participação na elaboração desse docu- mento escolar. Além disso, deve acompanhar o que está acontecen- do no interior da unidade de ensino. Também destaco a importância de zelar pela manutenção das relações pedagógicas, pelo respeito à diversidade, valorizando a cultura da comunidade escolar. Nesse contexto, todo o trabalho do Conselho Escolar deve acontecer em um ambiente agradável, per- meado de discussões organizadas em assembleias, onde os mem- bros representantes tenham liberdade para dialogar, na tomada de decisões em prol da qualidade do ensino. 133 Figura 4 - respeito às difrentes culturas Fonte: Pixabay (2020) Deve-se observar que o Conselho Escolar acompanha o que está acontecendo dentro e fora da escola e, para que isso aconteça, é preciso que o projeto político-pedagógico não seja algo apenas do campo das ideias, mas que faça parte da praxis pedagógica-administrativa. Assim sendo, é função do Conselho Escolar fiscalizar se o PPP saiu das gavetas da escola para ser aplicado na prática. Os seus membros devem estar atentos às mudanças que ocorrem constan- temente dentro e fora do contexto escolar, para saber registrá-las no PPP, aperfeiçoando o modo e os procedimentos de aprendizagem. Veiga (1995) explica que o projeto político-pedagógico cami- nha rumo a uma direção. Ou seja, é uma ação propositada, com um sentido explícito, em relação ao acordado definido previamente pela comunidade escolar. O projeto político-pedagógico, serve para termos conheci- mento sobre a realidade da escola, em que estamos inseridos. Para que esse documento se encontre finalizado, Dourado (2001, p. 28) afirma que “[...] a participação dos profissionais da educação deve ser assegurada e incentivada na preparação do projeto pedagógico da escola, assim como das comunidades escolar e local nos órgãos de decisão colegiada.” 134 Sob esse ponto de vista, o Conselho Escolar tem a respon- sabilidade de realizar procedimentos avaliativos e acompanhar o projeto político-pedagógico das escolas. Em meio a essas responsa- bilidades, podemos destacar a importância de manter relações pe- dagógicas que vise à valorização e à cultura histórica da comunidade escolar. Esse órgão colegiado tem função de aprovar o plano anual, que é construído pela direção escolar relacionado à parte dos re- cursos financeiros. Em relação à parte pedagógica, o Conselho deve acompanhar o desenvolvimento dos indicadores educacionais, a exemplo: aprendizagem dos alunos e evasão escolar, buscando su- gerir intervenções e/ou medidas socioeducativas na busca pela qua- lidade da educação nas escolas. Nesse aspecto, o processo de democratização da gestão per- mite que os membros do Conselho Escolar possam estar presentes na Construção do projeto político-pedagógico. Para tanto, é indis- pensável que os mesmos discutam a respeito do conteúdo curricular exposto e possam trocar informações, experiências, a fim de che- garem a soluções que resolvam os problemas oriundos do contexto escolar. Figura 5 - construção coletiva. Fonte: Pixabay (2020) 135 Não podemos esquecer que a teoria e a prática devem andar de mãos dadas. Assim, o conhecimento da teoria nos ajuda a refletir sobre ações do passado que precisam de reajustes, o que evita a repetição de erros e possibilita a revisão das ações da gestão escolar, resul- tando num processo de ensino-aprendizagem mais eficiente. Sob essa ótica, a construção do projeto político-pedagógico deve ocorrer, também, dentro do espaço da sala de aula, deve ser ativa, crítica e reflexiva. Esses alunos devem ter consciência de que é um cidadão, com direitos e deveres. Outrossim, precisa estar cons- ciente de que pode emitir suas opiniões e propor soluções. Figura 6 - participação de todos da escola Fonte: Pixabay (2020). Nesse ponto do nosso estudo, faz-se necessário compreender que ainda há um distanciamento na gestão democrática em relação à teoria e à prática. Nesse contexto, o Conselho Escolar surge com a finalidade de conhecer a realidade da escola e trabalhar em prol de melhorias de qualidade no processo ensino e aprendizagem. IMPORTANTE 136 Sob esse aspecto, a escola democrática proporciona aos seus representantes um momento de fundamental importância, no sen- tido de facilitar para que haja reuniões em um ambiente favorável e propício ao diálogo e à troca de conhecimentos. Schneckenenberg (2009, p. 118) afirma que “[...] o gestor es- colar se torna porta voz de propostas, de intenções que nem sempre se concretizam, já que a transformação da realidade depende da re- flexão crítica do trabalho coletivo para fins específicos.” Sobre o papel da escola ao adotar os padrões democráticos de gestão, Dourado (2001, p.67) explicaque “a autonomia da escola se amplia com ações de incentivo à participação e, também, com a criação de mecanismos de construção coletiva do projeto pedagógi- co.” O autor explica ainda que a reflexão coletiva tem a intenção de propor ações que façam parte da identidade da escola, oferecendo novos conteúdos e objetivos de acordo com a realidade do contexto escolar. Dentro desse processo, o gestor cumpre o importante papel de mediar, observar e direcionar as aspirações das pessoas envol- vidas nesse processo. Logo, a troca de experiências, opiniões, re- flexões e a divisão de responsabilidades contribuem para a busca de uma educação de qualidade. Quer se aprofundar nesse tema? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Oliveira (2020). Artigo: “Pro- jeto Político Pedagógico”. PESQUISE 137 Afinal, você deve ter aprendido que o projeto político-pedagógico (PPP) é um documento que contém a identidade da escola. Nesse contexto, temos a participação do Conselho Escolar na elabora- ção do (PPP), responsável por realizar procedimentos avaliativos e acompanhá-los no contexto escolar. Assim, merecem destaque as relações pedagógicas que, além de respeitar o conhecimento do professor, devem valorizar a cultura histórica da comunidade e da escola. O Conselho Escolar, por sua vez, tem a finalidade de aprovar os planos anuais de atuação administrativa-pedagógica na escola, elaborado pela direção escolar. O projeto Político-Pedagógico da esco- la na perspectiva de uma Educação para a Cidadania Ao término deste capítulo, você será capaz de perceber como fun- ciona a gestão escolar democrática e, sobretudo, os processos ine- rentes ligados à cidadania e à orientação participativa dos membros da comunidade escolar. Na hora de tomar decisões, é indispensável a participação de todos com sugestões e possíveis abordagens para as necessidades da escola. Assim, as instituições de ensino devem saber que tipo de cidadão objetivam formar, preparando-os para a vida em sociedade. Motivado para desenvolver essa competência? Vamos lá: avante! RESUMINDO OBJETIVO 138 Figura 7 - gestão democrática e cidadania Fonte: Pixabay (2020). Nesse sentido, a elaboração de um PPP para a escola tem o objetivo de sistematizar o trabalho pedagógico. Esse documento registra a história da escola desde a sua fundação (acontecimentos relevantes), bem como o currículo da escola, o planejamento, as formas de avaliação, o funcionamento escolar durante o ano letivo, colaboradores, estrutura física e materiais duráveis. Não posso deixar de lembrar que é nesse documento que também se encontram os princípios educacionais que regem o co- tidiano da instituição: como é compreendida a educação e as bases curriculares para uma formação baseada na cidadania. Por isso, para a sua elaboração, precisamos contar com a gestão, professo- res, especialistas etc. Enfim, representantes da comunidade interna e externa à escola. Sobre essas questões, Libâneo (2016) adverte que é preciso ficar atento, pois se a gestão é democrática e garantida por lei, não se pode tomar decisões, por exemplo, sob uma concepção funciona- lista, conforme veremos As concepções de gestão escolar refletem, por- tanto, posições políticas e concepções de ho- mem e sociedade. O modo como uma escola se organiza e se estrutura tem um caráter pe- dagógico, ou seja, depende de objetivos mais amplos sobre a relação da escola com a conser- vação ou a transformação social. A concepção funcionalista, por exemplo, valoriza o poder e 139 a autoridade, exercidas unilateralmente. En- fatizando relações de subordinação, determi- nações rígidas de funções, hipervalorizando a racionalização do trabalho, tende a retirar ou, ao menos, diminuir nas pessoas a faculdade de pensar e decidir sobre seu trabalho. Com isso, o grau de envolvimento profissional fica enfra- quecido (LIBÂNEO, 2016, p. 3-4). Nesse contexto, o autor recomenda a forma coletiva de ges- tão, com decisões tomadas coletivamente e discutidas entre todos os indivíduos da comunidade escolar. Após a tomada de decisão, a equipe escolar deve assumir a sua parte no trabalho, com coordena- ção e avaliação sistemática das decisões. Confome Libâneo ( 2016, p. 3), a gestão deve concentrar-se: ◼ definição explícita de objetos sócio-políticos e pedagógicos da escola, pela equipe escolar. Articulação entre a atividade de direção e a iniciativa e participação das pessoas da escola e das que se relacionam com ela; ◼ a gestão é participativa, mas espera-se, também, a gestão da participação; ◼ qualificação e competência profissional; ◼ busca de objetividade no trato das questões da organização e gestão, mediante coleta de informações reais; ◼ acompanhamento e avaliação sistemáticos com finalidade pedagógica: diagnóstico, acompanhamento dos trabalhos, reorientação dos rumos e ações, tomada de decisões; ◼ todos dirigem e são dirigidos, todos avaliam e são avaliados. rtante considerar que o princípio democrático inerente à gestão educacional pode ser dificultado pelos diferentes interesses advindos dos grupos da comunidade escolar. Dito de outro modo, o processo de tomada de decisão leva em consideração as diferentes opiniões, dos mais diversos setores escolares. Visto isso, deve-se estimular o diálogo e a compreensão para lidar com as diferentes 140 concepções e, assim, chegar a um consenso que contribua positiva- mente para o ensino-aprendizagem. A seguir seguem as especificidades da participação dos mem- bros para a construção de um projeto político-pedagógico: Figura 8 – Projeto político-pedagógico Fonte: Elaborada pela Autora O mais importante nas reuniões de construção do projeto po- lítico-pedagógico é que haja o diálogo e que cada profissional saiba a razão de sua proposta ser aceita ou não. Isso ajuda a evitar pen- samentos de rejeição e vitimização. É importante lembrar que cada escola, em seu funcionamento interno, possui particularidades e necessidades que precisam ser resolvidas, algumas destas podem contar com a parceria da Secretaria de Educação do Estado ou mu- nicípio para a resolução. O projeto político-pedagógico deve ser escrito de forma res- ponsável, contendo o posicionamento de possíveis soluções em prol da qualidade do ensino, e devendo estar, obrigatoriamente, confor- me a legislação brasileira. Nada do que está escrito nele poderá ter 141 alguma relação com a ilegalidade, independentemente da sugestão dos profissionais. Por isso, é necessário realizar várias reuniões para que se chegue a um consenso sobre o conteúdo do documento, le- vando também em consideração o que pode e o que não pode acon- tecer no interior da escola. Figura 9 – A diversidade nas particularidades das escolas brasileiras Fonte: Pixabay O projeto deve ser pensado e elabordo para que todos sejam beneficiados, e a qualidade no ensino e aprendizagem, que é o obje- tivo fundamental das instituições de ensino, seja melhorada. A es- cola deve possuir autonomia para suas deliberações, observando as normas vigentes e as esferas superiores, e sempre buscando inovar para que se efetive a qualidade do ensino. Um bom projeto político-pedagógico deve incluir represen- tantes de toda a comunidade interna e externa à escola. É impor- tante que todas as propostas e opiniões sejam decididas de forma democrática, pois são decisões importantes que irão formar cida- dãos críticos e atuantes em nossa sociedade, além de buscarem a qualidade da educação da escola pública. 142 A partir da finalização deste documento, a escola deve divul- gá-lo e começar a colocar o que foi escrito em prática. Vale lem- brar que reuniões periódicas devem ser realizadas a fim de avaliar e discutir o que foi planejado, em prol de cumprir metas que foram propostas a curto, médio e longo prazo. A Gestão Escolar Democrática e o Projeto Político- Pedagógico na Perspectiva de uma Educação Para a Cidadania Conforme já foi descrito nos capítulos anteriores,o PPP é o docu- mento no qual está escrito a identidade da escola. Ele dá vida ao que deve acontecer no interior das escolas públicas, apontando cami- nhos para remar rumo à educação de qualidade. Oliveira (2006) defende que o entendimento do conceito de gestão como administração e organização da escola, juntamente ao PPP organizado de forma democrática, deve caminhar na escola de forma entrelaçada, revelando a sua complexidade. Assim, o plane- jamento global da escola, que se materializa neste documento, deve ser subsidiado pela realidade escolar. É por meio do projeto político-pedagógico que se decide o mode- lo de cidadão que a escola irá formar. Sobre essa questão, Pimenta (1991) acrescenta que esse documento resulta da construção coleti- va dos atores da educação escolar: Ele é a tradução que a escola faz de suas finali- dades, a partir das necessidades que lhe estão colocadas, com o pessoal - professores/alu- nos/equipe pedagógica/pais - e com os recur- sos de que dispõe (p.79). CURIOSIDADE 143 Conquistar uma equipe para trabalhar de forma democráti- ca e com comprometimento ao que foi definido pela escola, requer, primeiramente, compromisso do gestor. Para realizar esse trabalho, ele deve ter o perfil de liderança que traga a equipe para junto dele, sempre tendo como objetivo o projeto educativo da escola. A partir desse entendimento, Libâneo (2016), visando buscar a participação, cita como princípios da organização escolar: • A autonomia das escolas e da comunidade educativa; • Relação orgânica entre a direção e a participação dos mem- bros escolares; • Envolvimento da comunidade escolar; • Planejamento de tarefas; • Formação continuada para o desenvolvimento pessoal e pro- fissional dos integrantes da comunidade escolar; • Utilização de informações concretas e análise de cada proble- ma em seus múltiplos aspectos, com ampla democratização das informações; • Avaliação compartilhada; • Relações humanas produtivas, criativas e assentadas na busca por objetivos comuns. O autor ainda detalha que a autonomia está relacionada com a capacidade das pessoas se autogovernarem, o que proporciona a oportunidade de decisão do próprio destino. Frente a essa respon- sabilidade de cada um e a gestão da escola, a gestão democrática não pode ficar restrita ao discurso da participação, às eleições, às assembleias e reuniões, conforme ressalta o autor: “[...] a organi- zação escolar democrática implica não só a participação na gestão, mas a gestão da participação”. (Libâneo, 2015, p.118). Além diso, é importante estar atento a manipulações de desejos e interesses, evitando casos de corrupção moral. Por isso, é preciso que a gestão se organize para comprometer e mobilizar toda equipe escolar, não apenas alguns. 144 Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta: Artigo: “PPP, Escola e Cidadania”, de Eliane da Costa Bruini. Agora, para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos! Você viu que a gestão democrática e o projeto político-pedagógico visam uma educação para a cidadania. Através deste documento e de uma gestão que tenha responsabilidade, liderança e que saiba trazer as pessoas que fazem parte do contexto escolar a participarem ativa- mente de sua construção, pode-se chegar a soluções que abranjam melhorias na qualidade do ensino. Também foi discorrido um pouco sobre a construção do projeto político-pedagógico, abordando seu surgimento a partir da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96) com o intuito de que todos os membros da comunidade escolar atuem ativamente de forma dinâmica e parti- cipativa para que seja possível colocar em prática na escola o que foi decidido por intermédio do PPP. PESQUISE RESUMINDO 145 A Gestão da Escola Básica e o Princípio da Autonomia Administrativa, Financeira e Pedagógica Ao término deste capítulo, você será capaz de compreender como ocorre a gestão na educação básica que deve garantir o princípio da autonomia administrativa, financeira e pedagógica. Ademais, você verá que a gestão também deve garantir que o projeto político-pe- dagógico seja construído de forma democrática ou fiscalizado pelo Conselho de Escola, além de contribuir para colocar em prática os princípios da autonomia administrativa, financeira e pedagógica. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá! Figura 10 - Gestão democrática: participação e diálogo Fonte: Pixabay O uso do termo “gestão democrática” é utilizado com o intui- to de se contrapor à concepção centralizadora e burocrática de ad- ministração, que por muito tempo perdurou na sociedade brasileira. Por isso, é entendida como dinâmica mobilizadora que faz articula- ções com o intuito de buscar a cooperação e participação de todos os que fazem parte da escola. Sobre a questão da gestão educacional, Ferreira (2003) explica que: [...] a gestão da educação, enquanto tomada de decisão, organização, direção e participação, não se reduz e circunscreve na responsabi- lidade de construção do projeto político-pe- dagógico. A gestão da educação acontece e se 146 desenvolve em todos os âmbitos da escola, in- clusive e especialmente na sala de aula, onde se objetiva o projeto político-pedagógico não só como desenvolvimento do planejado, mas como fonte privilegiada de novos subsídios para novas tomadas de decisões e para o esta- belecimento de novas políticas [...](p.16). Desse modo, é perceptível que a gestão deve se fazer presen- te dentro dos muros da escola de forma democrática. Nisto, não há funcionários maiores ou menores, devendo apenas existir o gestor, que é o líder, atuando junto aos especialistas, professores, conse- lheiros, funcionários de modo geral, alunos, pais de alunos e assim por diante. Vale salientar que o professor também é um gestor pedagógi- co, pois media a aprendizagem entre os conhecimentos que se en- contram nas propostas pedagógicas curriculares e a realidade em relação aos seus alunos. Como gestor de sua turma, ele deve traba- lhar em prol da democratização do conhecimento, socializando com todos e tendo claro seus objetivos e critérios avaliativos. Tudo isso deve acontecer na busca pelo melhor gerenciamento do processo de ensino-aprendizagem. Sobre a gestão democrática, Veiga (1995) explica que: Gestão democrática é um princípio consagrado pela Constituição vigente e abrange as dimen- sões pedagógica, administrativa e financeira. Ela exige uma ruptura histórica na prática ad- ministrativa da escola, com o enfrentamen- to das questões de exclusão e reprovação e da não-permanência do aluno na sala de aula, o que vem provocando a marginalização das classes populares. Esse compromisso impli- ca a construção coletiva de um projeto políti- co-pedagógico ligado à educação das classes populares. A construção do projeto político pedagógico parte dos princípios de igualdade, qualidade, liberdade, gestão democrática e va- lorização do magistério (p.17). 147 Pensando na questão da gestão democrática, na construção do projeto político-pedagógico e nas questões de garantir princí- pios de igualdade, qualidade, liberdade, gestão democrática e valo- rização do magistério a todos os que fazem parte da escola, Bastos (2001) ainda complementa: A gestão democrática da escola pública deve ser incluída no rol de práticas sociais que po- dem contribuir para a consciência democrática e a participação popular no interior da escola. Esta consciência, esta participação, é preciso reconhecer, não tem a virtualidade de trans- formar a escola numa escola de qualidade, mas têm o mérito de implantar uma nova cultura na escola: a politização, o debate, a liberdade de se organizar, em síntese, as condições essenciais para os sujeitos e os coletivos se organizarem pela efetividade do direito fundamental: aces- so e permanência dos filhos das classes popu- lares na escolapública (p. 22-23). Figura 11 - Diálogo com comunidade interna e externa à escola Fonte: Pixabay 148 Desse modo, é possível entender que essa autonomia veio para dentro dos muros escolares com a ideia de descentralizar certo poder que por muito tempo ficou nas mãos de poucas pessoas. A partir da década de 1980, as coisas começam a mudar no Brasil, principalmente com a chegada da democracia, que também é regulamentada para acontecer dentro das escolas. A partir disso, a participação, a colaboração, o poder de sugerir, discutir e chegar a conclusões para possíveis tomadas de decisões se fazem presentes na instituição de ensino. O principal foco discutido em relação a estas mudanças é a au- tonomia, que visa trilhar por caminhos que atinjam a qualidade do ensino. Deste modo, podemos dividir a autonomia em 4 dimensões: Administrativa Figura 12 - O líder é o gestor Fonte: Pixabay Essa dimensão visa tomar decisões por meio da elaboração de planos, programas e projetos. Para tanto, é preciso que sejam ela- borados por pessoas que fazem parte da escola, porque, conhecendo a realidade escolar, entende-se que existem maiores possibilidades 149 de êxito nas decisões tomadas. Sendo assim, é preciso organizar um grupo com esta finalidade, neste caso, o Conselho Escolar, como já mencionado em capítulos anteriores. Para fazer parte do Conselho Escolar, é preciso que haja a candidatura de pessoas que se disponibilizem a representar a cate- goria da qual fazem parte na escola. Feita a eleição, a(s) função(ões) que cada um deve desempenhar neste conselho são estabelecidas. Reuniões periódicas e que devem ser públicas também devem acon- tecer com certa frequência, lideradas pelo presidente do conselho. Um indivíduo da comunidade interna ou externa que desejar par- ticipar, pode frequentar e ter momentos de fala nos debates sobre questões da pauta do dia, mas quem tem direito ao voto são os re- presentantes que representam cada categoria. O Conselho Escolar também tem a função fiscalizar se as de- cisões tomadas estão de sendo cumpridas. Caso contrário, deve-se descobrir o(s) motivo(s) e tentar resolvê-los. Portanto, o Conselho Escolar tem o caráter de contribuir efetivamente para que a comu- nidade escolar participe, por meio de sua representação e de forma democrática, nas tomadas de decisões. Financeira Figura 13 - Administrar recursos financeiros Fonte: Pixabay 150 A escola recebe recursos financeiros que não podem ser gas- tos de qualquer forma, pois eles possuem regras e finalidades para sua utilização. É preciso fazer uma análise do que a instituição pre- cisa e qual o valor estimado de gastos, evitando a perda de dinheiro com itens não prioritários. Por isso, é muito importante realizar um planejamento sobre as questões orçamentárias da escola. Vale sale- intar também que a nota fiscal deve ser emitida, cumprindo todos os pré-requitos legais. Posteriormente, no momento da prestação de contas, caso seja identificada alguma irregularidade, a verba destinada à escola é suspensa até que se identifique e resolva o problema. Desse modo, conforme o Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares, os sistemas de legislação e normas de ensino no Brasil conferem aos conselhos escolares as seguintes competências: de- liberativas, consultivas, fiscais e mobilizadoras, com as seguintes funções: a. Deliberativas: quando decidem sobre o projeto político-peda- gógico e outros assuntos da escola, aprovam encaminhamen- tos de problemas, garantem a elaboração de normas internas e o cumprimento das normas dos sistemas de ensino, e deci- dem sobre a organização e o funcionamento geral das esco- las, propondo à direção as ações a serem desenvolvidas. Além disso, elaboram as normas internas da escola sobre questões referentes ao seu funcionamento nos aspectos pedagógico, administrativo e financeiro. b. Consultivas: quando têm um caráter de assessoramento, ana- lisando as questões encaminhadas pelos diversos segmentos da escola e apresentando sugestões ou soluções, que poderão ser acatadas ou não pelas direções das unidades escolares. c. Fiscais (acompanhamento e avaliação): quando acompa- nham a execução das ações pedagógicas, administrativas e fi- nanceiras, avaliando e garantindo o cumprimento das normas das escolas e a qualidade social do cotidiano escolar. d. Mobilizadoras: quando promovem a participação, de for- ma integrada, dos segmentos representativos da escola e da 151 comunidade local em diversas atividades, contribuindo para a efetivação da democracia participativa e para a melhoria da qualidade social da educação (BRASIL, 2004). Desse modo, fica visível que a escola tem que adequar seus recursos financeiros para efetivar seus planos e projetos. Jurídica Figura 14 - Fiquem atentos à legislação brasileira e à legislação da educação Fonte: Pixabay Cada unidade escolar pode e deve elaborar suas normas, res- peitando o que rege a legislação de ensino, tais como: transferên- cias, disciplina, avaliações, admissão de professores, entre outros. Essas normas de funcionamento fazem parte de um regime interno elaborado com a colaboração dos representantes de cada segmento da escola. 152 Pedagógica Figura 15: O professor é o gestor da sua sala de aula Fonte: Pixabay As questões pedagógicas devem estar definidas de forma bem clara no projeto político-pedagógico, não esquecendo a condição necessária ao ensino e à pesquisa. Nesse sentido, temos a identidade e função social da escola. Desse modo, quando falamos em autono- mia devemos lembrar de inserir a comunidade nos processos deci- sórios da escola, contribuindo para um gestão democrática. A autonomia deve acontecer na escola no sentido de buscar formas eficazes de trilhar sempre o caminho do ensino de qualida- de. Para isso, muitos diálogos, participações, debates, conflitos e resoluções de conflitos e o amadurecimento da equipe escolar são exigidos em prol de melhores decisões que visem o desenvolvimen- to da aprendizagem dos alunos. Por isso, os custos e benefícios polí- ticos são avaliados, ajustados sempre aos interesses da escola. 153 Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta: Artigo: “A autonomia na gestão escolar: um olhar sobre a realidade da escola pública em Maceió”, de Gilvanildo da Silva e Inalda Maria dos Santos. Agora, para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos! Você deve ter aprendido sobre a relação entre a gestão da escola pública e o princípio da autonomia administrativa, financeira e pedagógi- ca, o que contribui para uma gestão democrática sem burocracia e rigidez, dando espaço para uma gestão que permite a participação, a divisão nas tomadas de decisões e a construção do PPP. Esse tipo de gestão deve levar em consideração os princípios de igualdade, qualidade e liberdade, visando a valorizarização do magistério. Ela deve ser dinâmica e mobilizadora, tendo como líder um gestor que vise buscar abertura para a comunidade escolar interna e externa, melhorando a qualidade do ensino. PESQUISE RESUMINDO 154 Referências UNIDADE 1 AFRIGOTTO, Gaudêncio. A produtividade da escola improdutiva: Um (re) exame das relações entre educação e estrutura econômico- -social capitalista. 4ªed. São Paulo: Cortez, 1993. ALTHUSSER, L. Ideologia e aparelhos ideológicos de Estado. 3. ed. Lisboa: Editorial Presença/Martins Fontes, 1980. BOURDIEU E PASSERON. 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É nesse contexto, entre as décadas de 1980 e 1990, que temos o uso da nomenclatura “educação básica”. Também durante esse período, começa a engatinhar uma política educacional que con- temple os nossos alunos. No Governo do Presidente José Sarney, foi produzido um documento orientador para a política educacional do nosso país chamado “Educação para todos: caminhos para mudan- ça” (Brasil/MEC, 1995). 16 É com o estabelecimento da LDBEN (9394/96), que se reti- ra o uso das denominações primeiro e o segundo grau, sendo essas substituídas por “educação básica”, termo que abrange a Educação Infantil (creche e pré-escola), Ensino Fundamental e Ensino Médio. A educação básica tem como finalidade o pleno desenvolvimento do educando, e assegura a formação comum necessária ao exercício da cidadania e o desenvolvimento de meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. (Brasil, 1996). Dessa forma, compreende-se que a educação básica é ne- cessária ao desenvolvimento do indivíduo, pois é através dela que o aluno vai buscar adquirir conhecimentos básicos com a inten- cionalidade de progredir socialmente. Nesse sentido, o ideal seria que quem estivesse na escola trilhasse um caminho para formar-se como um cidadão crítico e atuante em nossa sociedade. A LDBEN nº 9.394/96 assegura, no capítulo I, art. 24, que a educação básica será organizada por regras. Pode-se citar como exemplo a carga horária mínima anual de 800 horas para o ensi- no fundamental e médio, sendo essas distribuídas em 200 dias letivos. Desse montante, exclui-se o tempo reservado a exames fi- nais, quando houver. Ainda sobre a LDBEN nº 9.394/96, seu artigo 21 divide a educação em dois níveis: básico e superior, este com- preendendo graduação, especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado; e aquele, educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. As modalidades de ensino são: • Educação de Jovens e Adultos; • Educação Especial; • Educação Profissional e tecnológica; • Educação à Distância; • Educação Especial; • Educação Básica do Campo; • Educação Indígena; 17 • Educação Quilombola. Vamos entender um pouquinho mais sobre a educação básica de nosso país: A Educação Infantil É a primeira etapa da educação básica, iniciando na creche com crianças de 0 a 3 anos, e indo até a pré-escola, com crianças de 4 a 5 anos. Esse nível da educação é ofertado pelos municípios. O Ensino Fundamental É a segunda tapa da educação básica e está dividido em En- sino Fundamental I e II, tendo uma duração de 9 anos. Geralmente, essa etapada abrange alunos de 6 a 14 anos e é ofertada pelos esta- dos e municípios. O Ensino Médio É a terceira etapa da educação básica, tendo duração de 3 anos e contemplando alunos de 15 a 17 anos aproximadamente. Deve ser ofertado pelo estado. O Ensino Superior Acontece após o ensino médio e é ofertado a nossos alunos pelo Governo Federal. Apesar de ser fundamental para o desenvol- vimento do aluno e para a sua preparação para o mercado de traba- lho, ainda não se tem um acesso universal a esse nível de formação. O acesso ao ensino superior dá-se por meio de seleção, seja para as faculdades públicas ou privadas. Educação de Jovens e Adultos É ofertada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade dos estudos no ensino fundamental e médio na idade própria. Educação Profissional e Tecnológica É entendida como uma ação voltada para o permanente de- senvolvimento de aptidões para a vida produtiva. 18 Educação Especial É destinada aos educandos com necessidades educativas es- peciais, sendo promovida pela rede regular de ensino e podendo ser ofertada em instituições especializadas. Educação Básica do Campo Atende a população rural e deve adequar-se às peculiarida- des de quem vive no campo, que diferem de região para região. A identidade da escola do campo deve estar atrelada diretamente às questões da realidade dos alunos. Com isso, devem haver propos- tas pedagógicas que contemplem a diversidade nos seus aspectos sociais, culturais, políticos, econômicos, de gênero, geração e etnia. Educação Escolar Indígena Deve acontecer em territórios indígenas, valorizando sua cul- tura e estando de acordo com as particularidades de sua realidade. A educação escolar indígena deve possuir uma pedagogia própria. Educação Escolar Quilombola É desenvolvida em unidades educacionais que estejam em ter- ritórios quilombolas. Essa modalidade de ensino precisa valorizar a cultura quilombola do local na qual está estabelecida, também com o uso de pedagogia própria e valorizando a especificidade étnico- -cultural deles, que em cada território possui suas particularidades. Sobre a organização e o funcionamento da estrutura escolar, observamos no art. 23 da LDBEN nº 9394/96 que a educação básica pode ser organizada em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, al- ternância regular de períodos de estudos e grupos não-seriados. Para que isso aconteça, a organização da estrutura escolar pode basear-se também na idade, na competência ou em outros critérios, sempre que o interesse pelo processo de ensino-aprendizagem assim exigir. No art. 50 da mencionada lei, o acesso à escola por parte de todos está previsto como direito constitucional, podendo qualquer cidadão ou grupo de cidadãos acionar o poder público para exigi- -lo. O art. 5 reitera essa postulação ao afirmar que a educação bá- sica é um direito de todos, devendo haver vagas para todos aqueles que necessitem de acesso à escola. No art. 6, é-nos informado que é 19 dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula das crianças na educação básica a partir dos 4 (quatro) anos de idade. Você deve ter aprendido que gestão escolar e políticas públicas de- vem caminhar de mãos dadas. Tais políticas, por sua vez, existem para apoiar o gestor, que deve atuar de acordo com o que está previs- to a legislação brasileira. Vimos que a gestão democrática está apoia- da no modelo político vigente no país, desde o momento em que saímos de um modelo de Regime Militar e passamos ao presidencial. Com a Constituição Federal de 1988, temos os primeiros registros de direito à gestão democrática; e em 1996, temos estabelecida a Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional nº 9.394/96. Nesse ínterim, abrem-se espaços para outras legislações apoiarem a ad- ministração democrática nas escolas públicas. Por isso, é necessário que se determinem os níveis e modalidades de ensino no Brasil. Políticas e organização da educação básica no Brasil: estrutura e funcionamento dos sistemas de ensino da educação básica Caro estudante, nesta unidade você vai ter a oportunidade de ve- rificar qual é a importância da função social no contexto escolar e na educação. Será que ambas fazem parte da mesma coisa ou cada uma tem uma função específica? Será que a escola e a educação têm o intuito de colaborar com a formação das pessoas? Essas polêmicas serão trabalhadas através de teorias que nos possibilitem chegar a uma conclusão em relação à temática abordada. RESUMINDO OBJETIVO 20 A história da educação moderna remonta ao início da forma- ção das sociedades humanas, quando o nomadismo era o modo de vida adotado pela maioria dos grupos humanos. Os nômades, como são chamados os grupos humanos intinerantesAcesso em: 05 jan. 2013. BRASIL. Plano Nacional de Educação - PNE. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2001. Disponível em: http://portal.mec. gov.br/arquivos/pdf/pne.pdf. Acesso em: 05 jan. 2013. BRASIL. Lei de diretrizes e bases da educação nacional: nova LDB (lei nº 9.394/96). Rio de Janeiro: Qualiltymark, 1997. BRASIL. Conselhos escolares: uma estratégia de gestão democrática. Brasília: MEC/SEB, 2004. BRUM, M.; FLÔRES, J. A importância da Gestão democrática dentro do processo escolar. Revista Gestão Universitária, 2016. Disponível em: http://gestaouniversitaria. com.br/artigos/a-importancia-da- gestao-democratica-dentro-do-processo-escolar. Acesso em: 02 de abr. 2020. DOURADO, Luiz Fernandes; OLIVEIRA, João Ferreira de. A qualidade da educação: perspectivas e desafios. CAD. Cedes, Campinas, v. 29, n. 78, p. 201–215, maio/ago. 2009. FERREIRA, Naura S. C. Gestão democrática da educação: atuais tendências, novos desafios. São Paulo: Cortez, 2008. GADOTTI, Moacir; ROMÃO, José Eustáquio. Escola cidadã: a hora da sociedade. In: Salto para o futuro: construindo a escola cidadã, projeto político-pedagógico. Brasília: Ministério da Educação, 1998. GHANEM, E. 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Não havia, como hoje, um local, horário, leis e metodologias especifica- mente pensados para a organização educacional, sendo ela feita via instrução oral e informal. Durante esse período, pode-se dizer que a estrutura social vigente impactava mais a educação, pois determi- nava quem iria passar os conhecimentos às crianças, do que outros elementos que hoje consideramos influentes. Em relação à educação, Brandão (2002) menciona que [...] ninguém escapa da educação. Em casa, na rua, na igreja ou na escola, de um modo ou de muitos, todos nós envolvemos pedaços da vida com ela: para aprender, para ensinar, para aprender-e-ensinar, para saber, para fazer, para ser ou para conviver, todos os dias mistu- ramos a vida com a educação. Com uma ou com várias: educação? Educações. (p. 7). O autor, na citação acima, menciona que a educação ultra- passa os limite do contexto escolar, pois existe antes mesmo da ins- trução formal, é passada de geração em geração e está presente em todos os âmbitos da estrutura social, mesmo sem modelo formal de ensino. A educação existe de um modo muito mais amplo do que aquele que aprendemos na escola, pois ela é um fenômeno cotidia- no, intrínseco à própria vida humana. Ela resulta da sociedade na qual estamos inseridos e da cultura em que estamos imersos, aquela vivenciamos no cotidiano no seio da sociedade, desse modo, somos educados. 21 Assim, Brandão (2002) preconiza que a escola, seja qual for a finalidade do ensino, é apenas um lugar com conhecimentos ela- borados e pensados para acontecer naquele detreminado lugar, com dia e hora marcada, para promover uma determinada aprendizagem. Com o surgimento do sedentarismo e obsolescência do modo de vida nômade no âmbito das comunidades humanas, começa- ram a surgir novas maneiras de organização, um exemplo disso é a mudança do caráter das propriedades, que antes eram comunais e, agora, passam a ser privadas. Com isso, mudam-se as relações interpessoais e as dinâmicas sociais, que estão agora sob a égide da propriedade privada. Sendo assim, pode-se dizer que as relações de poder na so- ciedade derivam desse processo de divisão de bens e da cisão do caráter comunal da propriedade, convertendo-se em privado. Se- guindo esse caminho, a educação que antes era difusa, passa a ser uma educação para poucos: os ricos ficavam com a educação inte- lectual e as classes abastadas com a educação profissional, o que fez com que houvesse profundas desigualdades no campo da educação. Assim, surge a classe dos burgueses e a dos proletários, do- minantes e dominados, ou seja, inicia-se o que mais tarde, seria denominado de capitalismo. Não se olhava mais, nesse contexto, para o lado humano, mas sim para o lucro. Pouco importava se a pessoa seria explorada, o que interessava era quanto o burguês iria lucrar naquele negócio. Surge aí a venda da força de trabalho, tor- nando-se o trabalhador apenas uma peça dispensável no processo de produção. Essa nova organização de sociedade causou impactos, princi- palmente, nos modos de vida, alterando a concepção que tínhamos de homem, sociedade, educação e trabalho. Sobre a pessoa proletá- ria, Enguita (1989) fala que [...] não existe para elas outra via disponível de obtenção de seus meios de vida senão o tra- balho assallariado, este goza já de aceitação social, os que o rejeitam têm sido relegados a uma posição marginal e a cultura dominante bendiz e reproduz a tudo isto. (p. 30). 22 Segundo o autor, pegando esse lado do capital, o qual deixa de lado o ser humano e passa a visar o lucro, a escola também começa a pôr em prática essa divisão de classes, ou seja, ela torna-se local específico para se por em prática o que a sociedade determinava se- guindo o sistema capitalista. Enguita (1989) julga que o modelo de escola vigente segue a lógica do capital, passando o mínimo de conhecimento acadêmico para as classes mais populares e, em vez disso, adestrando em mas- sa os futuros trabalhadores assalariados. Não se pode negar que a escola foca na disciplina, pontualidade, na realização dos trabalhos, controle e frequência. Após ampliação de nossos conhecimentos a cerca do que era a educação nesse contexto histórico, podemos compreender que a educação que almejamos não é essa que faz a divisão de classes com base no capitalismo. Temos o intuito de suscitar em você, lei- tor, uma visão crítica acerca da realidade, a fim de que você passe a valorizar o ser humano em todos os seus aspectos, sejam biológicos, materiais, afetivos, estéticos ou lúdicos. A educação, assim, deve ter o intuito de valorizar o homem de acordo com sua necessidade. Assim, as escolas devem ter o anseio de desevolver projetos que valorizem o lado humano, visando respeitar cada realidade es- colar e buscando desenvolver o lado crítico e reflexivo, sempre bus- cando transformações da sociedade. Temos que ter em mente que a escola deve ter consideração por seu papel na sociedade, buscan- do dar impulso à sistematização do saber e difundir a cultura que é passada de geração em geração. Aqui, podemos verificar que a educação deve ser entendida em sua amplitude como algo muito maior do o alcance da educação escolar. A educação, conforme a explicação de Brandão (2002), está em todo lugar, seja na rua, na praça, na igreja etc.; de um jeito ou de outro, estamos sempre sendo educados. A escola é, porém, arquite- tada para transmitir conhecimentos teóricos e científicos, forman- do o cidadão para a vida profissional, haja vista que uma hora de sua vida ele vai ingressar no mercado do trabalho. 23 A função social da escola e sua relação com a democracia Com base nas leituras anteriores, podemos ter noção da função social tanto da educação quanto da escola. Podemos compreender que a educação é algo mais amplo, pois acontece através de práticas oriundas da sociedade. Logo, em relação à educação, podemos ob- servar que ela também acontece além dos muros da escola. (Bran- dão, 2002). Figura 3 - Escola pública Fonte: Pixabay (2020) Nesse contexto, conceber a escola enquanto criação humana só tem sentido se ela legitimizar-se perante a sociedade. Tal insti- tuição baseia sua função social na formação humana, a qual tem o intuito de viabilizar a construção e socialização do saber produzido. Assim, Frigoto (1999) retrata que tanto a educação quanto a formação devem caminhar de mãos dadas, visando sanar as neces- sidades humanas. Logo “[...] a educação e a formação humana terão como sujeito definidor as necessidades, as demandas do processo de acumulação de capital sob as diferentes formas históricas de socia- bilidade que assumem” (p. 30). Como instituição social, a escola deve trabalhar em cima dos valores, conhecimentos e atitudes, o que acaba causando potenciais 24 mudanças na sociedade. Dessarte, quando falamos sobre a função social da escola, nossos esforços giram em torno de repensar o seu próprio papel, sua organização e a prática de seus atores. De acordo com Althusser (1980), a escola contribui para a re- produção da ordem social. No entanto, ela também participa de sua transformação, às vezes intencionalmente; outras vezes, as mu- danças se dão apesar da escola. A questão que deve ser posta de fato é: a instrução ofertada na escola não alcança de igual maneira todos os estudantes que estão contidos nela, por quê? De acordo com Silva (2005), o currículo escolar ainda está muito fincado na cultura dominante, emitindo códigos que as crian- ças das classesdominantes podem facilmente entender, pois fazem parte da realidade delas. Contudo, para as crianças das classes su- balternas, tudo fica mais difícil de decifrar se esse código não faz parte do seu dia a dia. Como elas não sabem do que se tratam esses códigos, a escola termina sendo algo estranho a ela. Dessa maneira, é previsível que a escolá trará sucesso para as crianças das classes dominantes, que sairão desse espaço bem en- caminhadas para o ensino superior. Já as crianças que fazem parte das classes dominadas, com o seu insucesso, acabam desistindo e não concluindo sequer o Ensino Médio. Nas escolas, se paramos para observar o contraste, percebe- mos a desigualdade, pois as crianças das classes dominantes veem a sua cultura reconhecida, ao passo que as crianças das classes do- minadas, ao frequentar a escola, não enxergam a sua cultura valori- zada, tornando tudo muito mais difícil. Quando já se tem um capital cultural baixo ou praticamente nulo, como é o caso das classes me- nos abastadas, e não há incentivo para que haja o aumento desse capital cultural, ou quando não se faz nada para que essa realidade mude, estamos contribuindo para a reprodução dessa classe domi- nante. (Silva, 2005). A essa altura, você deve estar se perguntando por que esta- mos falando de relações de poderes e de reprodução de estruturas de dominância. Esses conceitos servem para explicar o porquê de 25 o sistema escolar ser um formador e reprodutor dessas dinâmicas previamente estabelecidas — o que é lamentável pelo fato de per- petuar a desigualdade social. Conforme Bourdieu e Passeron (1982), o “sistema educativo” é compreendido como o conjunto dos mecanismos institucionais que garantem a transmissão entre as gerações da cultura acumula- da (herdada). Nesse ínterim, é necessário que a direção, os profes- sores, os pais, os alunos e toda a comunidade escolar compreendam que a escola é um espaço contraditório, onde devem coexistir os co- nhecimentos ancestral e prescrito. Tendo essa compreensão, é primordial que cada escola crie um Projeto Político Pedagógico (PPP) com o intuito de atender às peculiaridades locais. Nas ações pedagógicas propostas, vale res- saltar que essas devem estar dotadas de sentidos, refletindo direta- mente concepções que podem ser autoritárias ou democráticas, que podem estar explícitas ou não. Desse modo, quando pensamos na função social da educação e da escola, urge a necessidade de problematizar a estrutura dessas instituições, a fim de alcançarmos a escola que queremos. Por isso, o PPP não deve ser um documento que seja realizado por uma pessoa, mas sim por representantes de diversos segmentos da escola, haja vista que é um documento coletivo. Para isso acontecer, é preciso que a escola proporcione mecanismos efetivos de participação para esse processo de construção, visando a uma elaboração democrática desse documento. De acordo com Libâneo (1998), é preciso pensar e repensar o papel da escola numa perspectiva emancipadora e, para que isso aconteça, ele destaca quatro pontos: O primeiro deles é o de preparar os alunos para o processo produtivo e para a vida numa socie- dade tecno-científica-informacional. Significa preparar para o trabalho e também para as for- mas alternativas do trabalho. (p. 34) Ainda sobre os referidos pontos, o autor comenta: 26 Em segundo lugar, [há] o objetivo de propor- cionar meios de desenvolvimento de capaci- dades cognitivas e operativas, ou seja, ajudar os alunos nas competências do pensar autôno- mo, crítico e criativo. [...] O terceiro objetivo é a formação para a cidadania crítica e participa- tiva. [...] O quarto objetivo é a formação ética. É urgente que os diretores, coordenadores e professores entendam que a educação moral é uma necessidade premente da escola atual (Li- bâneo, 1998, p. 1). Desse modo, a escola precisa repensar seu papel no sentido de ser espaço de formação geral, privilegiando habilidades e conhe- cimentos necessários para inserção na sociedade. Para finalizar este tópico, discutimos sobre a função social da escola e, a seguir, caminharemos para discutir o papel das políticas públicas e que implicâncias tais políticas têm num sistema escolar regido pelo modelo de gestão democrática. Adianto que falaremos em gestão democrática, porque é isso que está garantido na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96, a qual explicita que a função de diretor, atualmente chamado de gestor, não se limi- ta apenas a realizar atividades meramente burocráticas da escola, mas sim garantir espaços na escola em que aconteçam ações cole- giadas que envolvam democraticamente os representantes de cada categoria que atua na comunidade escolar. Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. A educação conforme explicação de Brandão (2002), está em todo lugar, seja na rua, na praça, na igreja... De um jeito ou de outro, estamos sempre sendo educados. A escola é mais delimitada para transmitir conhecimentos teóricos, científicos, formando o cidadão para a vida e que uma hora de sua vida vai ingressar no mercado RESUMINDO 27 do trabalho. Fazer parte de um contexto capitalista, faz a educação girar em torno do lucro, entendendo a escola como reprodução do conhecimento, quando o foco deve ser um espaço para humanizar as pessoas, formar um cidadão crítico e atuante. Logo, a gestão de- mocrática deve contornar os conflitos do dia a dia, afastando-se de questões meramente administrativas, para gerir junto a comu- nidade escolar as questões pedagógicas, financeiras e de relações pessoais. A gestão democrática da educação e da escola - Conceitos e princípios Caro estudante, nesta unidade você vai ter a oportunidade de verifi- car qual é a importância da gestão democrática aplicada à educação e à escola. Será que ambas fazem parte do mesmo conceito ou cada uma tem uma função específica? Esses conteúdos serão trabalhados através de teorias que nos possibilitem a chegar a uma conclusão em relação à temática abordada. Vamos lá? A gestão democrática na escola pública, após a decada de 1990, promoveu mudanças de comportamentos e de formas de pensar a organização escolar. Esse tipo de gestão, quando implan- tada nas escolas, deve proporcionar espaços de atuação que for- mem os alunos para o exercício de sua cidadania. Mas, para que isso aconteça é preciso caminhar rumo à união entre sociedade, aluno e conhecimento. Logo, é necessário que ações sejam desenvolvidas cotidianamente, a fim de viabilizar o diálogo, agregando às decisões os desejos, os interesses e as necessidades da comunidade escolar. OBJETIVO 28 Figura 4- Gestão democrática Fonte: Pixabay (2020) Segundo Henriques (2002), o movimento em favor da Ges- tão Escolar acontece durante a década de 1980, na qual constantes discussões eram presente em favor da descentralização da gestão das escolas públicas, que teve apoio nas reformas legislativas que aconteciam no momento. A autora destaca três vertentes importantes em meio a este acontecimento e explica que, a partir de então, as escolas passariam a contar com: a participação da comunidade escolar para selecionar os seus diretores; a criação de um Conselho Escolar; e o repasse de recursos financeiros, para que a instituição possa utilizá-los com mais autonomia. Esse avanço representa a possibilidade de conse- guir atender às particularidades de cada escola de nosso país. Henriques (2002) ainda sobre esse assunto diz que a gestão democrática é uma prática que veio para estimular as formas de ge- rir as escolas brasileiras. Mas, para que isso aconteça é preciso mu- dar a concepção de participação, pois passou a ser preciso trazer a colaboração dos pais, alunos, funcionários, professores, e todos os interessados na qualidade do processo ensino-aprendizagem. Uma gestão que esteja interessada em integrar os desejos da comunidade escolar deve ter como objetivo garantira qualidade para todos e saber conduzir uma prática que respeite diversidade local, étnica, social e cultural. O desafio, então, se baseia em romper com concepções estáticas e históricas nos acontecimentos internos 29 da escola, tais como: o consenso, a adaptação, a ordem, a hierarquia. Essas adaptações são necessárias porque o contexto atual requer profissionais que valorizem a dinâmica na escola em que a contra- dição, a mudança, o conflito e a autonomia, de fato, aconteçam. É diante desse cenário que as discussões atuais que mais se destacam giram em torno da aprendizagem dos alunos, a fim de que se sejam sujeitos do processo de aprendizagem. Para tanto, é preci- so que o professor reconheça atitudes e desempenhos diferenciados dos seus estudantes no decorrer do processo ensino-aprendizagem, conforme pontuam Gadotti e Romão (1998). Tendo em vista esse objetivo, ainda há muito a se fazer no in- terior de nossas escolas, pois conquistar os profissionais à partici- pação é o primiro passo. Entretanto, nem todos tem consciência da importância do seu papel de colaborador, enquanto divisor de res- ponsabilidades. Pois, juntos podem trazer a partipação dos pais, dos alunos, dos demais envolvidos no funcionamento da escola pública. Segundo Luck (2001), a mudança do termo ‘administração’ para ‘gestão’ aconteceu com a intencionalidade de romper com a posição do administrador, que centralizou, por muito tempo, as de- cisões e as ações em suas mãos. Com essa mudança, o uso do termo gestor veio para descentralizar as tomadas de decisões no interior das escolas, dividindo, assim, responsabilidades com toda a comu- nidade escolar. Permitindo, assim, que a gestão democrática acon- teça não mais a partir das relações de poderes, mas dos esforços para que haja um trabalho coletivo, na busca por tomada de decisões e ações conscientes em prol de um bem comum. Por isso, reforço que o diálogo, na gestão democrática, é estar a disposição de com- preender o outro. Em se tratando de Gestão Democrática, é preciso que seja es- clarecido entre os participantes das reuniões que cada escola tem a sua realidade. Destituindo, nesse momento, a autoridade do di- retor como centro da solução, para resolver o problema é preciso desenvolver na escola o hábito da participação, da colaboração e de envolvimento político pedagógico segundo argumenta Paro (1997). Por isso, o autor destaca também que o conselho escolar é uma boa opção para que se exerça o espaço democrático dentro das escolas. 30 Pois, as decisões que partem dele funcionam como uma forma para dividir responsabilidades, proporcionando autonomia para as escolas. É importante também pensar como é vista a figura do dire- tor na gestão escolar, tornando-se ele um líder que gerencia todo o processo de construção do ensino-aprendizagem e de funciona- mento da comunidade escolar. Conforme Ferreira (2004), para ser um gestor, é preciso ter perfil, citando algumas características es- senciais, são elas: conhecimento da realidade da escola, condições pessoais, vocação e formação contínua. Essas atribuições existem não apenas pela complexidade da tarefa, mas porque o cargo de gestor exige que o profissional seja um agente de mudança. Desse modo, o líder de mudanças é aquele que se encarrega de levar adiante as tarefas, enfrentar conflitos, buscar soluções e arriscar-se sempre diante do novo. Por isso, faz-se necessário de- senvolver o espírito de liderança, propondo abordagens inovadoras, com parcerias e estratégias de ação, com muito trabalho em equipe, eficiência e saber colocar em prática a dimensão do como e quando fazer. Figura 5 - Legislação da educação brasileira Fonte: Pixabay (2020) Na atualidade, o mercado torna as escolas mais competitivas. Por isso, gestor escolar, enquanto líder, e os demais sujeitos envol- vidoa na comunidade escolar devem estar abertos às mudanças e às inovações, no campo das ciências, da tecnologia, da comunicação e da informação para que possam andar em igualdade com as demais 31 escolas. Esse é um dos tantos motivos pelos quais se faz necessário conscientizar que todos são sujeitos responsáveis por sua atuação, em menor proporção, na escola e, em maior, na sociedade. Dessa forma, a democracia é o meio político de salvaguardar a diversidade social e cultural dos membros da sociedade nacional ou local, simultanea- mente à manutenção de uma língua nacional e um sistema jurídico que se aplique a todos; é a única possibilidade de limitar a crescente dissociação entre racionalidade instrumental e identidades culturais; é uma luta pela liber- tação em relação a um poder, seja o despotis- mo racionalista, seja a ditadura comunitária; é um espaço de tensões e conflitos, ameaçado constantemente por algum poder; é o espaço institucional livre, no qual se desenvolve esse trabalho do sujeito sobre si mesmo, trabalho pelo qual as pessoas encontram o papel de criadoras e produtoras, não somente de con- sumidoras. (Ghanem, 2004, p. 21-23). Sendo assim, o espírito democrático nas escolas configura-se como o principal norte da Gestão democrática. Portanto, a ideia é promover o crescimento da população escolar estudantil, não im- porta a sua condição social, mas devem ser proporcionadas oportu- nidades de acesso e permanência nas escolas. Vamos lá! Será que os participantes da escola tem consciência do que é democracia? Para que uma escola se torne democrática é preciso formar as pessoas saber cobrar seus direitos e se tornar um cidadão atuante. Entretando, a abertura ao diálogo na escola não significa di- zer que vamos ter concensos, pois surgirão conflitos e isso não é maléfico, mas que seja aberto um diálogo e será através dele que serão tomadas decisões. Para isso tornar-se real, é preciso criar um ambiente seguro, onde haja confiança, comprometimento e res- ponsabilidade no papel que a escola desempenha por parte dos indi- víduos. o Conselho Escolar tem se tornando justamente esse espaço, 32 buscancdo unir teoria e prática na democratização das escolas pú- bicas, coforme pontua Paro (2005). Sobre esta questão, Libâneo (2004) explica que a participação leva a escola há um processo de alcançe de autonomia nas decisões da escola, deste modo: [...] requer vínculos mais estreitos com a co- munidade educativa, basicamente os pais, a entidades e as organizações paralelas à escola. A presença da comunidade na escola, especial- mente dos pais, tem várias implicações. Prio- ritariamente, os pais e outros representantes participam do Conselho da Escola da Associa- ção de Pais e Mestres para preparar o projeto pedagógico curricular e acompanhar e avaliar a qualidade dos serviços prestados. (Libâneo, 2004, p. 144). Por isso, o autor esclarece que para autonomia e democracia acontecerem de fato na escola é preciso deixar claro para os seus participantes a força transformadora que eles têm juntos. Para tan- to, é preciso explicar como funcionam as ações das instâncias cole- giadas, tais como: a Associação de Pais Mestres e Funcionários, do Grêmio Estudantil, do Projeto Político Pedagógico e Conselho Esco- lar. Vamos explicar cada uma delas abaixo. • Associação de Pais, Mestres e Funcionários: Deve ter representantes de cada um dos segmentos. Tem objetivos administrativos e pedagógicos, mas é fundamental sua atuação no setor financeiro da escola, pois precisam deles para gerir de forma direta as verbas recebidas. São eles quem decidem como os recursos que escola recebe serão gastos. Para que haja transparência sobre os gastos da escola, eles devem ser registrados e expostos em local visível para a comunidade escolar. 33 Figura 6 - Associação de Pais, Mestres e Funcionários Fonte: Pixabay (2020) • O Grêmio Estudantil: É uma liderança estudantil, projeto cuja existência na ges- tão democrática instiga a aprendizagem e a integração do aluno nas práticas sociais e democráticas. Figura 7 - O Grêmio Estudantil Fonte: Pixabay (2020) 34 • O ProjetoPolítico Pedagógico: Figura 8 - O Projeto Político Pedagógico Fonte: Pixabay (2020) É um documento produzido a partir de planejamento, que deve acontecer com todos que fazem parte da escola e/ou por re- presentantes de segmento escolar, com o intuito de construir um documento que vai funcionar como a identidade da escola, trazendo o histórico da instituição, seus problemas e possíveis soluções para eles. • O Conselho Escolar: Realiza reuniões ordinárias, as quais podem ser realizadas mensalmente, e as extraordinárias, quando for preciso. Essas reu- niões é o momento para que os representantes dos diversos segmen- tos da escola dialoguem e, a partir daí, sejam tomadas as decisões. Também existe o Conselho Disciplinar, de natureza consultiva e de- liberativa, que, em caso necessário, aplica as sanções disciplinares presentes no Regimento Escolar. Porque só assim, após a construção do PPP, todos os que fa- zem parte da comunidade escolar – gestores, docentes, discentes, pais, técnicos administrativos e de apoio, tais como: porteiro, me- rendeira, limpeza e comunidade local – após terem colaborado com suas opiniões, devem contribuir com a escola, no sentido de tentar cumprir metas, ações e objetivos neles propostos sejam alcançados, 35 fiscalizando e avaliando como as decisões estão sendo colocadas em prática. Figura 9- Conselho Escolar Fonte: Pixabay (2020) Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que o formato de gestão de uma escola deve seguir a democracia, por isso a denominação Gestão Democrática. Para tanto, estes princípios devem ser colocados em prática por um gestor líder, não sendo a figura que impõe as suas decisões sem o diálogo para resolver as particularidades de uma escola. Nesse pro- cesso, não podemos esquecer a legislação que rege a educação brasi- leira, sem deixar de lado a autonomia, necessária para que algumas decisões internas aconteçam em prol do melhor processo ensino- -aprendizagem. Por isso, é preciso colocar em prática a conscienti- zação do papel de todos que fazem parte da escola e da importância das instâncias colegiadas. Assim, todos que fazem a comunidade escolar devem mandar seus representantes para discutir questões que diz respeito à escola. RESUMINDO 36 A gestão democrática da educação e algumas políticas que influenciam no processo Neste tópicos vamos entender o porquê de a nossa legislação brasi- leira ter um marco legal sobre Gestão Democrática nas escolas pú- blicas. Porém, para chegar até aí, percorremos um longo caminho, pois esse direito é inicialmente assegurado pela Constituição Fede- ral de 1988. Antes de mais nada, você deve se perguntar por que foi pre- ciso fazer a inserção do direito à gestão democrática nas escolas na Constituição Federal. O motivo se dá com a saída do país de uma configuração de Regime Militar, após serem anunciadas as eleições presidenciais, era preciso que esse documento fosse atualizado. A partir dessas mudanças, passamos a ter assegurado, na CF de 1988, o direito à educação pública e gratuita, além da garantia que as es- colas fossem administradas através da gestão democrática. Por isso, afirma-se que o marco legal da Gestão Democrática das escolas pú- blicas se deu com o seu primeiro registro na Constituição Federal e, em seguida, de forma mais detalhada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional N.9394/96. Vamos conhecer como isso aconteceu e até os dias atuais continua sendo colocado em prática? Como vimos, após a saída do Regime Ditatorial, temos pro- mulgada a Constitução Federal de 1988, que traz, em seus artigos 205 e 206, a base para se colocar em prática o princípio da gestão democrática na educação pública brasileira, para formar o cidadão integral e pleno para desenvolver a sua cidadania. É importante ressaltar que a saída de um período antidemocrático e totalitário marcou a educação nacional, uma vez que as mudanças abriram as OBJETIVO 37 portas para o diálogo e a construção do que viria a acontecer nas escolas públicas, conforme nos lembra Cury (2005). A Constituição Brasileira (1988), no Art.205 encontramos que: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, vi- sando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Já no Art. 206 encontramos as seguintes afirmações: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de ideias e de concepções pe- dagógicas, e coexistência de instituições pú- blicas e privadas de ensino; IV - gratuidade do ensino público e estabeleci- mentos oficiais; V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII - garantia de padrão de qualidade; VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. (Brasil, 1988). Para tanto, é preciso estar atento, pois para ser um bom ges- tor, ser democrático em relação aos acontecimentos de uma escola, não significa aceitar tudo e escutar a todos, sem diálogo. Apesar de o diálogo ser de suma importância para entender o que é solicitado, é preciso ter esclarecidas reais necessidades da instituição. Assim, 38 para chegar a algum encaminhamento o gestor deve embasar suas ações, principalmente, na legislação brasileira. Para ser um bom gestor, é preciso que o profissional se esfor- ce para conhecer a legislação que rege a educação brasileira e as po- líticas públicas, pois deve zelar para que sejam colocadas em prática nas escolas públicas. Posto que a escola tem o respaldo da ter certa autonomia para o seu funcionamento. Neste momento de sua leitura, você pode estar se perguntando: se a escola é pública, até onde o gestor tem autonomia ou não para tomar decisões coletivas na escola? Nem sempre todas as ideias e soluções que aparecerem serão viáveis para serem colocadas em prática. É o gestor quem vai dar a palavra final, se acata ou não as sugestões e o mesmo do jeito que tem que ter sensibilidade para saber ouvir e dialogar. Para, em meio as propostas, ter sabedoria para alcançar a solução que melhor estiver de acordo com as diretrizes da legislação brasileira. Logo após a promulgação da Constituição Federal (1988), é sancionado em 1996, a Lei 9.394/96, que é Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que tem em seus artigos 12, 13 e 14 informa- ções que tocam diretamente na questão dos Sistemas de Ensino e como os mesmos devem acontecer, em relação à gestão escolar: Artigo 12. Os estabelecimentos de ensino, res- peitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de: I - elaborar e executar a sua proposta pedagógica; II - administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros; SAIBA MAIS 39 III - assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas aulas estabelecidas; IV – velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente; V – prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento; VI – articular-se com as famílias e a comuni- dade, criando processos de integração da so- ciedade com a escola; VII – informar aos pais e responsáveis so- bre a frequência e o rendimento dos alunos, bem como sobre a execução de sua proposta pedagógica. Artigo 13. Os docentes incumbir-se-ão de: I – participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino; II – elaborar e cumprir plano de trabalho, se- gundo a proposta pedagógica do estabeleci- mento de ensino; III – zelar pela aprendizagem de ensino; IV– estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento; V – ministrar os dias letivos e horas-aula es- tabelecidos, além de participar integralmen- te dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional; VI – Colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade. 40 Artigo 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I - participação dos profissionais da educação na elaboração do Projeto Pedagógico da escola; II - participação da comunidade escolar e local em Conselhos Escolares ou equivalentes. (Bra- sil, 1996). Podemos verificar que os artigos 12, 13 e 14 têm atribuições e destacam as responsabilidades não só dos professores, como da necessidade de todo um trabalho em conjunto com os demais pro- fissionais da escola, que deve estar embasado na teoria e, conse- quentemente, na prática da gestão democrática. Compreende-se por comunidade local, representantes de to- dos os profissionais da escola, tais como pais, alunos, funcionários da escola e comunidade escolar. Essas pessoas devem agir em par- cerias na busca do melhor desenvolvimento da aprendizagem dos alunos, por isso necessita-se da colaboração de todos na elaboração do Projeto Pedagógico. Esse material deve ser um guia para a gestão trilhar para não ficar presa às expectativas do Ministério da Edu- cação, ou das a Secretarias de Educação Municipal e Estadual, que propõem o mesmo modelo de projetos educativos para diferentes realidades sob um olhar de longe externo e generalista da educação. Desse modo, a gestão democrática existe para colocar em práticas normas e legislações previstas em lei aliando isso às particularidades de demandas de uma escola com autonomia e responsabilidade. Por isso, está posto na LDB (9394/96) que os es- tabelecimentos de ensino, regidos pela gestão democrática, devam ter a responsabilidade de elaborar e executar coletivamente a sua proposta pedagógica. Eles devem, assim, administrar os recursos administrativos, financeiros, pedagógicos e humanos da escola, articular-se também com a comunidade e as famílias, provendo a interação entre a sociedade e a escola. 41 Já discorremos sobre a importância e determinação da Ges- tão democrática estar garantida por meio da Constituição Federal (1988) e a LDB (9394/96), agora vai discorrer sobre a gestão escolar e o Plano Nacional de Educação. Apenas recapitulando, a gestão escolar democrática chega na legislação brasileira, após estas discussões já terem ganhado corpo no cenário internacional e estarmos saindo do modelo do Regime da Ditadura Militar por volta da década de 1980. A gestão escolar passa, então, a acontecer nas escolas públicas com o objetivo de promover a descentralizações de poderes no interior das escolas. Diante desse contexto, o Plano Nacional de Educação foi uma exigência posta em nossa legislação e quando passou a ter valida- de, lançou diretrizes, metas e estratégias para acontecer nas escolas juntamente com o auxílio das políticas educacionais, afim de dar conta das demandas em prazos de dez em dez anos. Desde o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, em 1932, o PNE é um plano a ser posto em prática na sociedade brasileira. Na Constituição de 1934, no Art. 150, já constava a solicitação para que a União estabelecesse um plano nacional de educação, mas naquele período, pouco se fez em relação a essa questão. Em 1990, o Brasil participou da Conferência Mundial de Edu- cação para Todos, que aconteceu na Tailândia (1990), em Nova Delhi, à convite da UNESCO, UNICEF, PNUD e Banco Mundial e lá foram discutidas questões relacionadas à construção de bases para o Plano Decenal de Educação, focando essa projeção para os países subdesenvolvidos. Nas conferências foram debatidas temáticas em relação à educação, principalmente, em relação à democratização e descentralização na educação, que foram colocadas em prática mais tarde no Brasil. Deste modo, passamos a trabalhar com prática de desen- volver a autonomia das escolas e a descentralização dos recursos financeiros, ou seja, surgiram e foram colocados em prática meca- nismos com a finalidade de superar as dificuldades educacionais e administrativas. Diante desse cenário de mudanças e urgências para o campo educaional, A LDB nº 9.394, de 1996, trouxe orientações para a elaboração de um plano de educação que deve ser renovado a 42 cada dez anos. No Art. 9º, é destacado que cabe à União, a elaboração desse plano em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Quando passou os primeiros dez anos, foi feita outra avalia- ção de como se encontrava a educação de nosso país, algo que rees- truturou o PNE e resultou em diretrizes, vinte metas e estratégias para serem colocadas em prática na educação, no período de 2014 a 2024. Apesar de não ser objetivo deste Componente Curricular discorrer detalhadamente o PNE, destacaremos apenas as questões que tratam sobre gestão escolar democrática. Em sequência, o Art. 2º é importante para nossos estudos, pois trata do acesso da gestão democrática nas escolas públicas. No Art. 9º, tem o prazo de 2 anos para aprovarem leis detalhem como deve acontecer a gestão democrática. A meta 19, tem a discussão sobre a aprovação de condições para a sua execução, estabelecendo 8 estratégias para a sua construção no âmbito educacional. Vamos ver em detalhes, a seguir, essa meta para entender melhor como ela deve funcionar no contexto educacional. 19.1 priorizar o repasse de transferências vo- luntárias da União na área da educação para os entes federados que tenham aprovado le- gislação específica que regulamente a matéria na área de sua abrangência, respeitando-se a legislação nacional, e que considere, conjunta- mente, para a nomeação dos diretores e dire- toras de escola, critérios técnicos de mérito e desempenho, bem como a participação da co- munidade escolar; 19.2 ampliar os programas de apoio e forma- ção aos(às) conselheiros(as) dos conselhos de acompanhamento e controle social do FUN- DEB, dos conselhos de alimentação escolar, dos conselhos regionais e de outros e aos(às) representantes educacionais em demais con- selhos de acompanhamento de políticas pú- blicas, garantindo a esses colegiados recursos financeiros, espaço físico adequado, equipa- mentos e meios de transporte para visitas à 43 rede escolar, com vistas ao bom desempenho de suas funções; 19.3 incentivar os estados, o Distrito Federal e os municípios a constituírem fóruns perma- nentes de educação, com o intuito de coorde- nar as conferências municipais, estaduais e distrital bem como efetuar o acompanhamen- to da execução deste PNE e dos seus planos de educação; 19.4 estimular, em todas as redes de educação básica, a constituição e o fortalecimento de grêmios estudantis e associações de pais, asse- gurando-se- lhes, inclusive, espaços adequa- dos e condições de funcionamento nas escolas e fomentando a sua articulação orgânica com os conselhos escolares, por meio das respecti- vas representações; 19.5 estimular a constituição e o fortalecimen- to de conselhos escolares e conselhos mu- nicipais de educação, como instrumentos de participação e fiscalização na gestão escolar e educacional, inclusive por meio de programas de formação de conselheiros, assegurando-se condições de funcionamento autônomo; 19.6 estimular a participação e a consulta de profissionais da educação, alunos(as) e seus familiares na formulação dos projetos políti- co- pedagógicos, currículos escolares, planos de gestão escolar e regimentos escolares, as- segurando a participação dos pais na avaliação de docentes e gestores escolares; 19.7 favorecer processos de autonomia peda- gógica, administrativa e de gestão financeira nos estabelecimentos de ensino; 19.8 desenvolver programas de formação dediretores e gestores escolares, bem como apli- car prova nacional específica, a fim de subsi- diar a definição de critérios objetivos para o 44 provimento dos cargos, cujos resultados pos- sam ser utilizados por adesão (Saviani, 2014, 59-60). Deste modo, estas metas que se encontram no PNE foram propostas, com a preocupação de sanar as limitações das práticas de gestão que há nas legislações anteriores. Por isso, são esclarecidos mecanismos de como colocar em prática e a sua devida prática para que as metas se mantenham vivas nos contextos escolares, dando funções aos níveis Estaduais, Federais e a todos da escola. Deste modo, fica claro que não há mais espaços para as antigas práticas autoritárias, sendo então redefinidas, com políticas educacionais que fortalecem a prática da Gestão Escolar. Esta se consolida através da criação e do estabelecimento de projetos e programas do governo que visam a mudança do cenário educacional. Portanto, o Plano Nacional de Educação foi aprovado em 2001 e instituiu a obrigatoriedade de Estados e municípios de elaborarem os seus planos. Essas exigências constam nas Diretrizes da Educa- ção Nacional, no Art. 5º: Os planos plurianuais da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios serão ela- borados de modo a dar suporte às metas cons- tantes do Plano Nacional de Educação e dos respectivos planos decenais. (Brasil, 2000). Por isso, é importante esclarecer a importância da partici- pação de toda a comunidade escolar interna e externa à escola no processo de elaboração do plano municipal decenal, pois nele deve estar expresso a articulação de ideias para a elaboração da identida- de local bem esclarecida. Na sequência, deve haver a aprovação do plano a ser realizada na Câmara Municipal, pelo poder Legislativo. Para tanto, o Governo Federal esclarece que para a construção de um Plano Municipal de Educação, significa: [...] um grande avanço, por se tratar de um pla- no de Estado e não somente um plano de go- verno. A sua aprovação pelo poder legislativo, transformando-o em lei municipal sanciona- da pelo chefe do executivo, confere poder de 45 ultrapassar diferentes gestões. Nesse prisma, traz a superação de uma prática tão comum na educação brasileira: a descontinuidade que acontece em cada governo, recomeçar a histó- ria da educação, desconsiderando as boas polí- ticas educacionais por não ser de sua iniciativa (Brasil, 2005, p. 9). Deste modo, é obrigação dos diversos segmentos, que fazem parte da comunidade escolar, participarem da elaboração do Plano Municipal de Educação, pois: [...] constitui-se como o momento de um pla- nejamento conjunto do governo com a so- ciedade civil que, com base científica e com a utilização de recursos previsíveis, deve ter como intuito responder às necessidades so- ciais. Todavia, só a participação da sociedade civil (Conselho Municipal de Educação, asso- ciações, sindicatos, Câmara Municipal, dire- tores das escolas, professores e alunos, entre outros) é que garantirá a efetivação das di- retrizes e ações planejadas. O desafio para os municípios é elaborar um plano que guarde consonância com o Plano Nacional de Educa- ção e, ao mesmo tempo, garanta sua identida- de e autonomia (Brasil, 2005, p. 10). É interessante ainda destacar que o Plano Municipal de Edu- cação deve ter sua estrutura semelhante ao PNE. Nele, deve cons- tar o diagnóstico da realidade do município, seguido de princípios e objetivos gerais. Isso tem que ser realizado por meio dos conse- lhos municipais, através de uma análise de como está a realidade da educação daquele município. A partir disso, considera-se o contexto social, os aspectos demográficos, avaliando dados dos censos esco- lares, do desempenho das escolas, da gestão e da análise do currí- culo escolar. Somente de posse das avaliações e dos resultados que se segue para a etapa seguinte: a de propor diretrizes, objetivos e metas para a educação no município. Uma orientação reforçada no documento é a de por em prática o princípio da Gestão Democrática. 46 Após a finalização e aporvação desse documento, o proces- so não para aí, porque deve passar constantemente por avaliação e reavaliação, com o intuito de melhor colocar em práticas as metas nele proposto, por isso é dinâmico. Com esse objetivo, é necessá- rio a criação de um comitê permanente de avaliação do plano, para realizar as análises das propostas e políticas públicas referentes à educação. Ao final deste tópico, esclareço que a gestão democrática é uma prática que está legalizada, faz parte da legislação brasileira por meio da Constituição Federal (1988), Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, no. 9394/96 e Plano Nacional de Educação (PNE, 2001 e 2014). Neste tópico, você deve ter aprendido que a estrutura e o funcio- namento da educação brasileira estão baseado na legisação fede- ral. Além disso, a educação atual deve ser regida sobre o modelo de Gestão Educacional, no que diz respeito a forma de gerir as escolas. Vimos que a educação tem legislação p´ropria e que o Plano Nacional de Educação acontece a cada dez anos, o último foi elaborado com metas que contempla a qualidade da educação. Em suma, a legisla- ção também requer que haja o plano Estadual e Municipal Escolar, ambos com especificidades das particularidades de onde a educação escolar se encontre presente. RESUMINDO UN ID AD E 2 Objetivos ◼ Conhecer os fundamentos teóricos e legais da Gestão Democrática; ◼ Conhecer os fundamentos e as ferramentas da gestão em ambientes escolares e não escolares que atendam aos desa- fios da contemporaneidade; ◼ Compreender os princípios e diferentes características da gestão democrática; ◼ Compreender como a gestão pode acontecer em espaços es- colares e não escolares, com o foco na atuação pedagógica. 48 Introdução A área de Gestão Educacional, uma das demandas mais recentes, será responsável pelo gerenciamento de diversos cursos e disci- plinas nos próximos anos. Embora atue prioritariamente dentro do ambiente escolar, essa área também desempenha funções impor- tantes fora das instituições de ensino. Em outras palavras, é o setor que coordena tudo o que ocorre nas esferas administrativa, finan- ceira, pedagógica e relacional, tanto no contexto escolar quanto em outros âmbitos. Trata-se de um campo do conhecimento cuja principal responsabi- lidade é garantir a qualidade do processo de ensino-aprendizagem. Para isso, deve-se guiar por políticas educacionais definidas pelo Plano Nacional de Educação, assegurando que as diretrizes estabe- lecidas sejam implementadas de maneira eficiente. No espaço escolar, o principal responsável pela Gestão Educacional é o gestor. Esse profissional, além de cuidar dos processos peda- gógicos e institucionais, deve promover a interação e colaboração entre a sua equipe, visando atingir os objetivos educacionais da unidade escolar de forma eficaz. O gestor tem um papel estratégico na articulação entre teoria e prática, liderando de forma a alinhar a prática educacional às metas estabelecidas. Assim, neste estudo, discutiremos a Gestão Educacional como uma disciplina propriamente dita, além de explorar a relação entre ges- tão, teoria e pesquisa. Ademais, analisaremos a aplicação desses sa- beres tanto no ambiente escolar quanto fora dele. Vamos em frente! 49 Organização Democrática da Escola Pública: Bases Legais e os desafios Nesse primeiro momento de estudo, temos como responsabilida- de fazer com que você conheça os fundamentos teóricos e legais da Gestão Democrática. Ao término deste capítulo você será capaz de entender como funciona a Gestão Educacional e seus respectivos marcos legais. Isso será fundamental para o exercício de sua pro- fissão. Então, motivado para desenvolver essa competência? Vamos lá: avante! A gestão educacional no Brasil é marcada por uma estrutura democrática e descentralizada, conforme estabelecido pela Cons- tituição de 1988 e pela Lei de Diretrizes