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GESTÃO 
EDUCACIONAL
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ESTÃO
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U
CACIO
N
ALTatiana de Medeiros Santos Tatiana de Medeiros Santos
GESTÃO 
EDUCACIONAL
Gestão
Educacional
© by Ser Educacional
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser 
reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, 
eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro 
tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia 
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Diretor de EAD: Enzo Moreira.
Gerente de design instrucional: Paulo Kazuo Kato.
Coordenadora de projetos EAD: Jennifer dos Santos Sousa.
Núcleo de Educação a Distância - NEAD
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Santos, Tatiana de Medeiros 
S237g Gestão educacional [recurso eletrônico] / Tatiana 
de Medeiros Santos; coordenação de David Lira Stephen Barros; 
organização de Cristiane Silveira Cesar de Oliveira - Recife: 
Telesapiens, 2021. 
164p.: il. 
ISBN 978-65-5873-080-4 
1. Planejamento educacional. 2. Educação básica - Gestão. 3. 
Educação básica – Políticas públicas. I. Barros, David Lira Stephen 
(coord.). II. Oliveira, Cristiane Silveira Cesar de (org.). III. Título. 
CDD 372.207 (22.ed) 
CDU 371.2
Bibliotecária: Maria Isabel Schiavon Kinasz, CRB9 / 626
Grupo Ser Educacional
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CEP: 50100-160, Recife - PE
PABX: (81) 3413-4611
E-mail: sereducacional@sereducacional.com
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OBJETIVO
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abordado.
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que merecem atenção.
OBSERVAÇÃO
Nota sobre uma 
informação.
PALAVRAS DO 
PROFESSOR/AUTOR
Nota pessoal e particular 
do autor.
PODCAST
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podcasts.
REFLITA
Convite a reflexão sobre 
um determinado texto.
RESUMINDO
Um resumo sobre o que 
foi visto no conteúdo.
SAIBA MAIS
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o conteúdo.
SINTETIZANDO
Uma síntese sobre o 
conteúdo estudado.
VOCÊ SABIA?
Informações 
complementares.
ASSISTA
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e videoaulas.
ATENÇÃO
Informações importantes 
que merecem maior 
atenção.
CURIOSIDADES
Informações 
interessantes e 
relevantes.
CONTEXTUALIZANDO
Contextualização sobre o 
tema abordado.
DEFINIÇÃO
Definição sobre o tema 
abordado.
DICA
Dicas interessantes sobre 
o tema abordado.
EXEMPLIFICANDO
Exemplos e explicações 
para melhor absorção do 
tema.
EXEMPLO
Exemplos sobre o tema 
abordado.
FIQUE DE OLHO
Informações que 
merecem relevância.
Sumário
UNIDADE 1
Políticas e gestão da educação básica � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 10
Estrutura e funcionamento da educação básica � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 13
Políticas educacionais pós 1990 � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �15
Políticas e organização da educação básica no Brasil: estrutura e 
funcionamento dos sistemas de ensino da educação básica � � � � � � 19
A função social da escola e sua relação com a democracia � � � � � � � � � � 23
A gestão democrática da educação e da escola - Conceitos e 
princípios� � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 27
A gestão democrática da educação e algumas políticas que 
influenciam no processo � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 36
UNIDADE 2
Organização Democrática da Escola Pública: Bases Legais e os 
desafios � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 49
A Gestão do Trabalho Pedagógico em Espaços Escolares e Não 
Escolares � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �59
Princípios e Características dos Diferentes Tipos de Gestão � � � � � �65
A Gestão nos Espaços Escolares e Não Escolares: Foco na Atuação 
Pedagógica � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 71
UNIDADE 3
A Gestão Escolar Democrática e o Projeto Político Pedagógico � � � 82
A Gestão democrática requer mudança de comportamentos na 
escola � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �92
Gestão escolar democrática: definições, princípios e mecanismos 
básicos de implementação � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �102
A gestão democrática na escola pública � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 111
UNIDADE 4
A escola e o Projeto Político-Pedagógico � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 121
Conceitos e Finalidades do Projeto-Político Pedagógico � � � � � � � �129
A Gestão Escolar Democrática e o Projeto Político-Pedagógico na 
Perspectiva de uma Educação Para a Cidadania � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 142
A Gestão da Escola Básica e o Princípio da Autonomia Administrativa, 
Financeira e Pedagógica � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �145
Administrativa � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 148
Financeira � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 149
Jurídica � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 151
Pedagógica � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 152
Autora
Tatiana de Medeiros Santos.
Olá! Meu nome é Tatiana de Medeiros Santos. Sou formada em Pe-
dagogia, possuo experiência técnico- profissional na área de edu-
cação e sou especialista em Educação Infantil e Gestão Educacional. 
Além disso, sou mestre em Educação Popular, doutora em Educa-
ção e professora do Ensino Fundamental e Ensino Superior há mais 
de 10 anos. Já lecionei na Universidade Federal da Paraíba como 
professora substituta do curso Pedagogia, contudo, hoje, sou pro-
fessora da rede municipal de ensino de João Pessoa, professora da 
UNAVIDA – UVA, professora da UNINASSAU e tutora do curso à dis-
tância de Pedagogia da UFPB. Sou apaixonada pelo que faço e adoro 
transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando 
em suas profissões. Por isso, fui convidada pela Editora Telesapiens 
a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz 
em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte 
comigo!
UN
ID
AD
E
1
Objetivos
 ◼ Identificar as políticas educacionais na Gestão Escolar a 
partir de seus conceitos, elementos constitutivos, princípios 
básicos, funções, desafios e paradigmas;
 ◼ Refletir sobre os mecanismos de participação no processo de 
gestão das instituições escolares, contribuindo de forma sig-
nificativa para a elaboração, implementação, coordenação, 
acompanhamento e avaliação do projeto político pedagógico, 
bem como para outros projetos e programas de interesse 
educacional, seja em ambientes escolares ou não;
8
 ◼ Conhecer os fundamentos teóricos e legais da estão 
Democrática;
 ◼ Analisar as instâncias colegiadas enquanto instrumentos de 
participação coletiva.
9
Introdução
A área de Gestão Educacional faz parte da cadeia de ações que de-
vem acontecer em prol do processo ensino-aprendizagem de uma 
instituição educativa, em nosso caso, a escola. Sua principal res-
ponsabilidade é gerenciar questões financeiras, administrativas, 
pedagógicas e relações interpessoais. Tudo isso envolve normas, 
leis e princípios que fazem parte do âmbito do gerenciamento de 
recursos humanos, haja vista que nosso principal capital dentro de 
uma escola é o capital humano. Diante disso, vamos conhecer um 
pouco sobre a LDBEN (9394/96), o Plano Municipal de Educação e 
como deve acontecer uma gestão na escolae Bases da Educação Na-
cional (LDB) de 1996. Além disso, a participação da comunidade 
escolar, incluindo pais, alunos e professores é vista como funda-
mental para a melhoria do ambiente educacional e dos processos de 
ensino-aprendizagem. 
De acordo com essas normas, a educação é responsabilidade 
conjunta da União, dos Estados, do Distrito Federal e Municípios, 
cabendo a cada ente federativo o papel de organizar e oferecer os 
diferentes níveis e modalidades de ensino. Nesse sentido, a União 
tem o papel de coordenar e definir as diretrizes gerais, enquanto os 
estados são responsáveis pelo ensino médio e os municípios pela 
educação infantil e o ensino fundamental. 
Essa divisão visa promover maior igualdade no acesso à edu-
cação, garantindo que os recursos sejam distribuídos de forma mais 
justa entre as diversas regiões do país (LDB, 1996). 
Contudo, a descentralização traz também desafios de 
coordenação e eficiência. Assim, a falta de recursos adequados e 
OBJETIVO
50
desigualdades regionais comprometem a qualidade da educação, 
especialmente em regiões carentes do Brasil. Além disso, a gestão 
educacional enfrenta dificuldades na formação de professores e na 
implementação de políticas públicas eficientes. 
Nesse contexto conturbado, programas como o Plano Nacio-
nal de Educação (PNE), que estabelece metas a longo prazo para a 
educação, busca enfrentar esses desafios por meio de metas de fi-
nanciamento com a finalidade de lograr melhorias na qualidade do 
ensino.
 Entretanto, o sucesso dessas políticas depende de uma boa 
articulação entre os diferentes níveis de governo, de uma gestão 
educacional que consiga equilibrar as necessidades locais com as 
diretrizes nacionais. (BRASIL, 1988)
Figura 1: Educação, ciência e Tecnologias
Fonte: Pixabay
No que está restrito às leis, após a promulgação da Consti-
tuição Federal (1988) houve a sanção da Lei de Diretrizes e Bases da 
Educação Nacional (nº. 9.394/96) mais conhecida como LDB. Esse 
documento detalha como será a gestão democrática nas escolas 
brasileiras.
Nesse sentido, a inserção do princípio da Gestão Democráti-
ca, na Constituição Federal de 1988, foi considerada algo formidável 
na história da educação brasileira. Após o fim do regime ditatorial, 
a substituição do autoritarismo pela democracia trouxe para dentro 
51
dos muros das escolas diálogo e críticas. Desse modo, é na década 
de 1980, que as discussões acentuaram-se em favor da descentra-
lização da gestão das escolas públicas com apoio de reformas legis-
lativas (Cury, 2005). De acordo com a Constituição Federal em seu 
Artigo 205 
A educação, direito de todos e dever do Estado 
e da família, será promovida e incentivada com 
a colaboração da sociedade, visando ao pleno 
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para 
o exercício da cidadania e sua qualificação para 
o trabalho (BRASIL, 1988).
Na sequência, no Artigo 206, temos determinado:
I - igualdade de condições para o acesso e
permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e
divulgar o pensamento, a arte e o saber;
III - pluralismo de ideias e de concepções pe-
dagógicas, e coexistência de instituições pú-
blicas e privadas de ensino;
IV - gratuidade do ensino público em estabele-
cimentos oficiais;
V - valorização dos profissionais da educação 
escolar, garantidos, na forma da lei, planos 
de carreira, com ingresso exclusivamente por 
concurso público de provas e títulos, aos das 
redes públicas;
VI - gestão democrática do ensino público, na
forma da lei;
VII - garantia de padrão de qualidade;
VIII - piso salarial profissional nacional para 
os profissionais da educação escolar pública, 
nos termos de lei federal (BRASIL, 1988).
52
Nos dois artigos acima, percebemos princípios de um modelo 
de educação democrática.
Em seguida, praticamente onze anos após a Constituição 
Federal, temos sancionado a Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional (Lei nº. 9.394/96). Essa legislação foi um acontecimen-
to muito importante na área educacional, pois detalha como deve 
acontecer a educação sistematizada em nosso país. Entretanto, 
como não é objetivo desse componente curricular detalhar a LDB, 
destaco aqui os Artigos 12, 13 e 14, que destacam a normatização do 
nosso Sistema de Ensino, devendo zelar para que em nossas escolas 
ocorra a gestão escolar, de forma democrática, desse modo:
Artigo 12. Os estabelecimentos de ensino, res-
peitadas as normas comuns e as do seu sistema 
de ensino, terão a incumbência de:
I - elaborar e executar a sua proposta 
pedagógica;
II - administrar seu pessoal e seus recursos ma-
teriais e financeiros;
III - assegurar o cumprimento dos dias letivos e 
horas aulas estabelecidas;
IV - velar pelo cumprimento do plano de traba-
lho de cada docente;
V - prover meios para a recuperação dos alunos 
de menor rendimento;
VI - articular-se com as famílias e a comunida-
de, criando processos de integração da socieda-
de com a escola;
VII - informar aos pais e responsáveis so-
bre a frequência e o rendimento dos alunos, 
bem como sobre a execução de sua proposta 
pedagógica.
Artigo 13. Os docentes incumbir-se-ão de:
I - participar da elaboração da proposta peda-
gógica do estabelecimento de ensino;
53
II - elaborar e cumprir plano de trabalho, se-
gundo a proposta pedagógica do estabeleci-
mento de ensino;
III - zelar pela aprendizagem de ensino;
+ IV- estabelecer estratégias de recuperação 
para os alunos de menor rendimento; 
 V - ministrar os dias letivos e horas-aula esta-
belecidos, além de participar integralmente dos 
períodos dedicados ao planejamento, à avalia-
ção e ao desenvolvimento profissional;
VI - colaborar com as atividades de articulação 
da escola com as famílias e a comunidade.
Artigo 14. Os sistemas de ensino definirão as 
normas da gestão democrática do ensino públi-
co na educação básica, de acordo com suas pe-
culiaridades e conforme os seguintes princípios:
I - participação dos profissionais da educação 
na elaboração do Projeto Pedagógico da escola;
II - participação da comunidade escolar e local 
em Conselhos Escolares ou equivalentes (BRA-
SIL, 1988).
Desse modo, é perceptível que os artigos citados dão embasamento 
para que aconteça uma escola em sintonia com um projeto educa-
tivo. Assim, baseado em princípios democráticos para que todos da 
escola tenham a sua parcela de participação na comunidade escolar. 
Portanto, dividindo responsabilidades e comprometendo-se com 
a execução de suas atribuições de forma flexível e dialógica. Além 
disso, é importante que as escolas tenham a sua própria Proposta 
Pedagógica e autonomia para gerenciar as suas prioridades, seus 
materiais e seus recursos financeiros.
EXPLICANDO DIFERENTE
54
Mediante o anteriormente visto, no Artigo 14 da referida lei 
está disposto que é atribuição dos Sistemas de Ensino determinar 
as normas de gestão democrática do ensino público, conforme par-
ticularidades locais em que a escola está inserida. Para tanto, é ne-
cessária a participação dos profissionais da educação e comunidade 
local na realização e execução do Projeto Político Pedagógico da es-
cola (PPP). 
Quanto à elaboração do PPP, deve contar com a presença de 
representantes dos setores da escola, bem como dos pais e alunos. 
Nesse sentido, todos devem estar conscientes da importância de 
sua participação para a construção da melhor proposta pedagógica 
rumo a novas aprendizagens na escola. Tudo isso dever acontecer 
para que a escola tenha autonomia, e que essa ação aconteça de fato 
no interior da escola. 
A continuação, com os novos patamares democráticos de 
gestão educacional, a figura do diretor ganha novos contornos. Nos 
padrões de educação tradicionais, o diretor ocupava a função de au-
toridade e supremacia sobre os demais colaboradores do ambiente 
escolar. De outro modo, com o advento da gestão educacional, a fi-
gura do gestor escolar flexibilizou a tomada de decisão através da 
descentralização de competências.
Agora que já compreendemoso que a Constituição Federal de 1988 e 
a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) estabele-
cem sobre a gestão democrática no campo educacional, é importan-
te destacar o surgimento do Plano Nacional de Educação (PNE). Esse 
plano, implementado no Brasil, tem como objetivo propor diretri-
zes, metas e estratégias para a formulação de políticas educacionais, 
visando transformar a educação no país e garantir o cumprimento 
dessas metas ao longo de períodos de dez anos.
EXPLICANDO DIFERENTE
55
Nesse contexto, o Plano Nacional de Educação (PNE), aborda 
a gestão democrática como um princípio fundamental para a me-
lhoria da qualidade da educação, promovendo a participação de to-
dos os atores envolvidos no processo educativo, como professores, 
alunos, pais e a comunidade escolar. Nesse sentido, o PNE incen-
tiva a criação e o fortalecimento de conselhos escolares e a parti-
cipação ativa da comunidade na formulação e execução do projeto 
político-pedagógico. 
Além disso, o plano estabelece a necessidade de promo-
ver processos de avaliação participativa e a formação continuada 
de gestores educacionais, visando garantir uma gestão eficiente, 
transparente e inclusiva. Assim, a gestão democrática, segundo o 
PNE, deve ser um mecanismo que não só valoriza a participação, 
mas também assegura que as decisões escolares sejam tomadas de 
forma colaborativa, promovendo uma educação mais equitativa e de 
qualidade. Como podemos constatar nas metas elencadas a seguir: 
9.1 priorizar o repasse de transferências volun-
tárias da União na área da educação para os en-
tes federados que tenham aprovado legislação 
específica que regulamente a matéria na área 
de sua abrangência, respeitando-se a legisla-
ção nacional, e que considere, conjuntamente, 
para a nomeação dos diretores e diretoras de 
escola, critérios técnicos de mérito e desempe-
nho, bem como a participação da comunidade 
escolar;
19.2 ampliar os programas de apoio e forma-
ção aos(às) conselheiros(as) dos conselhos de 
acompanhamento e controle social do FUN-
DEB, dos conselhos de alimentação escolar, 
dos conselhos regionais e de outros e aos(às) 
representantes educacionais em demais con-
selhos de acompanhamento de políticas pú-
blicas, garantindo a esses colegiados recursos 
financeiros, espaço físico adequado, equipa-
mentos e meios de transporte para visitas à 
rede escolar, com vistas ao bom desempenho 
de suas funções;
56
19.3 incentivar os estados, o Distrito Federal e 
os municípios a constituírem fóruns perma-
nentes de educação, com o intuito de coorde-
nar as conferências municipais, estaduais e 
distrital bem como efetuar o acompanhamen-
to da execução deste PNE e dos seus planos de 
educação;
19.4 estimular, em todas as redes de educação 
básica, a constituição e o fortalecimento de 
grêmios estudantis e associações de pais, asse-
gurando-se- lhes, inclusive, espaços adequa-
dos e condições de funcionamento nas escolas 
e fomentando a sua articulação orgânica com 
os conselhos escolares, por meio das respecti-
vas representações;
19.5 estimular a constituição e o fortalecimen-
to de conselhos escolares e conselhos mu-
nicipais de educação, como instrumentos de 
participação e fiscalização na gestão escolar e 
educacional, inclusive por meio de programas 
de formação de conselheiros, assegurando-se 
condições de funcionamento autônomo;
19.6 estimular a participação e a consulta de 
profissionais da educação, alunos(as) e seus 
familiares na formulação dos projetos políti-
co- pedagógicos, currículos escolares, planos 
de gestão escolar e regimentos escolares, as-
segurando a participação dos pais na avaliação 
de docentes e gestores escolares;
19.7 favorecer processos de autonomia peda-
gógica, administrativa e de gestão financeira 
nos estabeleci- mentos de ensino;
desenvolver programas de formação de dire-
tores e gestores escolares, bem como aplicar 
prova nacional específica, a fim de subsidiar 
a definição de critérios objetivos para o provi-
mento dos cargos, cujos resultados possam ser 
utilizados por adesão (BRASIL, 2005).
57
No Plano Nacional de Educação (PNE) foram organizadas metas que 
visam ampliar o que estava previsto em legislações anteriores. Isso 
forneceu aos antigos padrões um suporte atualizado para que acon-
teça, de fato, a gestão democrática nas escolas públicas. Por isso, o 
PNE cumpre papel fundamental para a educação pública democrá-
tica, já que estipula os parâmetros para a repartição de competên-
cias entre os entes federativos.
No âmbito municipal, o instrumento que regula a educação se 
materializa no Plano Decenal Municipal de Educação (PME). Nes-
se sentido, a necessidade da elaboração desse plano deve estar ar-
ticulado com ideias, necessidades e prioridades na busca por uma 
proposta de mudança. Esse documento deve ser elaborado de forma 
coletiva (pela comunidade escolar) e deve ser submetido à aprova-
ção pela Câmara Municipal. Como bem fundamenta
A elaboração de um PME constitui-se como 
o momento de um planejamento conjunto do 
governo com a sociedade civil que, com base 
científica e com a utilização de recursos pre-
visíveis, deve ter como intuito responder às 
necessidades sociais. Desse modo, a partici-
pação da sociedade civil (Conselho Municipal 
de Educação, associações, sindicatos, Câmara 
Municipal, diretores das escolas, professores e 
alunos, entre outros) é que garantirá a efetiva-
ção das diretrizes e ações planejadas (BRASIL, 
2005).
Esse plano municipal ostenta uma estrutura parecida ao PNE. 
Assim, consta desse documento o diagnóstico da realidade do mu-
nicípio, com princípios e objetivos gerais. Nesse contexto, os Con-
selhos Municipais devem realizar a análise da realidade educacional 
do município, considerando o seu contexto, a realidade social, a de-
mografia, os dados do censo escolar, do padrão de desempenho das 
SAIBA MAIS
58
escolas, padrões da gestão e análise do currículo escolar. Com esses 
dados em mãos, é preciso realizar avaliações sobre a realidade do 
município em questão e, de posse dos resultados, propor diretrizes, 
objetivos e metas para a educação municipal. Para tanto, faz-se ne-
cessário que sejam citadas as escolas públicas e que trabalhem com 
a Gestão Democrática.
Logo, esclareço que a gestão democrática é uma prática pre-
vista em lei, determinada nos documentos oficiais (Constituição 
Federal (1988)); Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 
(1996); e Plano Nacional de Educação de duração decenal. Portan-
to, afirmo que nas legislações aqui citadas, em todas as discussões 
travadas, o principal objetivo é a busca pela qualidade da educação. 
Gostaria, também, de reforçar a importância dos Artigos 12, 13, 14 
e 15 da LDBEN que normatizam a Gestão Democrática das escolas 
públicas brasileiras.
Para resumir o que estudamos, você deve ter atenção aos artigos da 
Constituição Federal que tratam da educação, e na redação dos Arti-
gos 12, 13, 14 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, pois 
esses são os capítulos que dão início a normatização da educação 
básica. Esse pressupostos normativos asseguram o direito de gestão 
democrática para a escola pública. Nesse capítulo, vimos as discus-
sões em torno do Plano Nacional de Educação, que também detalha 
como deve acontecer a Gestão Democrática nas escolas pública e a 
exigência para que as prefeituras elaborem o seu Plano Municipal 
de Educação.
RESUMINDO
59
A Gestão do Trabalho Pedagógico em 
Espaços Escolares e Não Escolares
Ao término deste capítulo você será capaz de entender que a teoria 
da Gestão Educacional pode ser utilizada tanto em espaços escola-
res como em espaços não escolares. Assim, observar o princípio de 
um projeto educativo, com ênfase na pedagogia e no fim educaional. 
Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. Motivado 
para desenvolver essa competência? Vamos em frente!
Figura 2: Reflexão da gestão educacional em espaços escolares e não escolares
Fonte: Pixabay
OBJETIVO
60
Nesse capítulo,abordaremos as discussões em relação a área de 
atuação do pedagogo, ao abordar questões que se encontram nas 
Diretrizes Curriculares do Curso de Pedagogia (2006). Essas dire-
trizes defendem que o pedagogo pode atuar em espaços escolares e 
não escolares, tendo como base do curso a própria formação. Sobre 
isso, constataremos que a formação deve privilegiar as categorias 
fundantes do trabalho educativo com seus aportes teórico-meto-
dológicos para a atuação do pedagogo em outros espaços, que não 
se limitam aos muros da escola.
A partir da década de 1990, com a crescente demanda do ca-
pitalismo, ocorreram diversas transformações nas relações sociais. 
Com isso, novas configurações organizacionais foram instauradas 
no mundo do trabalho, se articulando com o processo de descen-
tralização produtiva e com os novos métodos de gestão da força de 
trabalho baseados na qualidade total.
Com o advento das novas tecnologias, a base técnica da pro-
dução do capital alterou as relações sociais, já que os métodos de 
fabricação e o rítimo industrial demandaram profissionais mais 
capacitados para o mercado de trabalho. É nesse contexto que sur-
gem as Organizações Não-Governamentais, mais conhecidas como 
ONGs, que estão vinculadas ao Terceiro Setor. Então você deve estar 
se perguntando: o que este componente curricular tem a ver com os 
acontecimentos na sociedade e curso Pedagogia?
Para responder a este questionamento, é muito importante 
compreender que os acontecimentos sociais no mercado de traba-
lho refletem-se diretamente não só em nossas vidas, como também 
na área educacional, pois abrem possibilidades para ampliar práti-
cas educacionais em diversos espaços. Isso demanda a necessidade 
de profissionais especializados, como o pedagogo.
Nesse percurso, deve-se entender que os novos problemas 
sociais e pedagógicos terminam impondo novas demandas. É neste 
SAIBA MAIS
61
momento que se discute a necessidade de rever o papel e o perfil 
profissional do pedagogo, uma vez em que muitos espaços de atua-
ção no mercado de trabalho estão surgindo ou sendo ressignificados.
Nesse sentido, observa-se que na história da educação brasi-
leira, no que diz respeito à formação de pedagogos a partir de 1939 
até os dias atuais, tinha-se um saber que era unitário e passou a ser 
plural. Em relação a essa questão, Cambi (1999) informa que não se 
trata apenas de algo epistemológico atrelado a mudanças de sabe-
res, mas é algo que acontece por diversas razões histórico-sociais. 
A sociedade muda, assim como a sua dinâmica, pois ela se encontra 
mais aberta e requer a formação de homens com uma sensibilidade 
diferente do proposto no passado. Sendo assim, havia, de fato, a ne-
cessidade do curso ser redimensionado.
Foram essas mudanças que contribuíram para a formação da nova 
identidade do curso de Pedagogia, visto que um novomodelo de so-
ciedade estava surgindo.
Nesse contexto, no ano de 2006 foram institucionalizadas as 
Diretrizes Curriculares para o Curso de Pedagogia (DCNP), onde es-
tão estão as práticas educativas em contextos não escolares. Essa 
amplitude nos espaços de atuação do pedagogo acontece a partir dos 
anos de 1990, quando se observa o aumento das funções docentes, a 
ampliação de suas tarefas e responsabilidades, além das atividades 
relacionadas diretamente ao processo de ensino e aprendizagem 
(VIEIRA, 2008).
Kuenzer e Rodrigues (2007) nos informam que a linha de 
orientação que forma especialistas no campo da pedagogia surgiu a 
partir da admissão de múltiplas possibilidades de organização cur-
ricular e modos de aprender. Os autores explicam que a partir das 
mudanças sociais novas possibilidades surgiram:
EXPLICANDO DIFERENTE
62
No campo da Pedagogia, estas mudanças 
abriram novas possibilidades de atuação dos 
profissionais da educação, docentes e não do-
centes, no trabalho, nas organizações não go-
vernamentais, nos meios de comunicação, nos 
sindicatos, nos partidos, nos movimentos so-
ciais e nos vários espaços que têm sido abertos 
no setor de serviços para atender às demandas 
sociais (p. 40).
Como resultado, um processo de reconstrução de novos per-
cursos interdisciplinares nos cursos foi solicitado, visando articu-
lar os conhecimentos em relação ao trabalho pedagógico com os 
campos de outras ciências. Sendo assim, foi preciso iniciar a for-
mação de profissionais de educação com os novos perfis que a so-
ciedade passou a exigir, tais como: profissionais capazes de atuar 
junto às novas tecnologias, com a participação social, com o lazer, 
com a inclusão dos culturalmente diversos, com as pessoas porta-
doras de necessidades educativas especiais e com as mais diversas 
possibilidades formativas. Dessa forma, as autoras defendem que, 
naquele momento, era preciso garantir uma formação consisten-
te em relação às teorias do curso, nos fundamentos e nas práticas 
pedagógicas, já que o seu espaço de atuação estava se ampliando 
rapidamente. 
Sá (2000) esclarece que o pedagogo, ao encaminhar o pro-
cesso educativo não escolar, contribui para o entendimento de que 
a Pedagogia é uma ciência aplicada para a prática educativa, tanto 
em ambiente escolar, quanto em ambiente não escolar. Sendo as-
sim, entende-se que esta “[...] é uma postura intencionalizada que 
possui suas nuances em função das especificidades das naturezas 
dos locus de formação humana, porém a atividade docente é basilar” 
(p. 179).
Além disso, outros pesquisadores também têm realizado 
análises das DCNPs sob outra perspectiva, pois entendem que a do-
cência não se restringe às atividades de sala de aula de uma escola, 
e compreendem que também há o envolvimento de atividades de 
organização, gestão de sistemas e instituições de ensino escolares e 
63
não escolares. Isso atenderia ao princípio do que chamamos de fle-
xibilização da área de atuação do pedagogo.
Compreendendo dessa forma, o licenciado em Pedagogia é enten-
dido como um profissional polivalente. Essa formação oportuniza-
rá o desenvolvimento de diversas atividades em espaços escolares 
e não escolares, adaptando-se às demandas existentes no mercado 
de trabalho. Por isso, no curso de Pedagogia, a docência, a gestão 
e a pesquisa formam uma tríade que estabelece um novo perfil do 
pedagogo (Vieira, 2008).
Na classificação de Quintana (1993), existem os seguintes 
campos de atuação da Pedagogia Social em espaços escolares e não 
escolares:
1. Atenção à infância com problemas (abandono e ambiente fa-
miliar desestruturado);
2. Atenção à adolescência (orientação pessoal e profissional, 
tempo livre, férias);
3. Atenção à juventude (política de juventude, associacionismo, 
voluntariado, atividades, emprego);
4. Atenção à família em suas necessidades existenciais (famílias 
desestruturadas, adoção, separações);
5. Atenção à terceira idade (educação da pessoa idosa);
6. Atenção aos deficientes físicos, sensoriais e psíquicos;
7. Atenção a pessoas hospitalizadas (pedagogia hospitalar);
8. Prevenção e tratamento das toxicomanias e do alcoolismo;
IMPORTANTE
64
9. Prevenção da delinquência juvenil (reeducação dos 
dessocializados);
10. Atenção a grupos marginalizados (imigrantes, minorias étni-
cas, presos e ex-presidiários);
11. Promoção da condição social da mulher;
12. Educação de jovens e adultos;
13. Educação no campo. (BRASIL, PNE,2005).
Além disso, existe também a Ecopedagogia, que visa a for-
ma de pensar sobre os problemas ambientais no âmbito educativo, 
de modo a considerar os aspectos econômicos, culturais e políticos. 
Deste modo, compreende-se que em meio aos novos campos de 
atuação do pedagogo, é preciso entender que também temos novos 
cenários de educação não escolar, caracterizados de forma diferente 
da educação formal escolarizada. 
Sobre essa questão, Assis (2007) explica que o pedagogo tra-
balha a partir dos diversos saberes e das articulações a serem reali-
zadas pois, seja qual for a sua área de atuação (gestão ou docência), 
é necessário ter cautela com soluções simplistas e que oferecemresoluções em um curto espaço de tempo, como por exemplo a re-
dução da carga horária para atender demandas financeiras. O autor 
ainda explica que a educação sempre deve estar a serviço de si mes-
ma e do homem. Este, seja professor ou gestor, será o responsável 
pela promoção do processo formativo a ser construído. 
Dessa forma, compreende-se que é através das discussões 
que envolvem a ampliação do campo de atuação do pedagogo e a sua 
possibilidade de articular com as diversas áreas do conhecimento, 
que se explica o modo de gestão do trabalho deste profisional. Por 
estar atuando em espaços não escolares, é muito importante elabo-
rar um planejamento interdisciplinar, para que sua atuação possa 
ocorrer através do trabalho coletivo (Tardif; Lessard, 1999).
Sendo assim, é perceptível que o foco de atuação dos peda-
gogos será na interdisciplinaridade, que é considerada a pedago-
gia social, tendo como principal ligação a transmissão dos saberes 
65
(Veiga, 2008). Por isso, é primordial manter o diálogo e reorganizá-
-los com a intenção de produzir novos conhecimentos que podem 
ser cultivados na vida dos sujeitos.
Para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de es-
tudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos!
Você deve ter aprendido sobre os fundamentos e as ferramentas da 
gestão em ambientes escolares e não escolares que atendam aos de-
safios da contemporaneidade. Vale lembrar que o mais importante é 
o entendimento de que o gestor educacional pode levar os mesmos 
fundamentos de atuação pedagógica e de gestão democrática para 
diversos espaços, sejam eles escolares ou não escolares. O foco será 
sempre na atuação pedagógica e na aprendizagem de qualidade.
Princípios e Características dos Diferentes 
Tipos de Gestão
Neste momento de estudo, nosso intuito é que você compreenda 
os princípios e diferentes características da gestão democrática. Ao 
término deste capítulo, você será capaz de entender como funcio-
nam os princípios e características dos diferentes tipos de gestão. 
Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? 
Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá!
RESUMINDO
OBJETIVO
66
Figura 3: Princípios democráticos
Fonte: Pixabay
Vamos iniciar este capítulo abordando os artigos 14 e 15 da Lei 
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9394/96), que 
regula a gestão democrática nas escolas públicas:
Art. 14 - Os sistemas de ensino definirão as 
normas da gestão democrática do ensino pú-
blico na educação básica, de acordo com as 
suas peculiaridades e conforme os seguintes 
princípios:
I. participação dos profissionais da educação 
na elaboração do projeto pedagógico da escola;
II. participação das comunidades escolar e local
em conselhos escolares ou equivalentes.
Art. 15 - Os sistemas de ensino assegurarão às 
unidades escolares públicas de educação básica 
que os integram progressivos graus de auto-
nomia pedagógica e administrativa e de gestão 
financeira, observadas as normas de direito fi-
nanceiro público. (Brasil, 1996).
Observa-se nos artigos acima o princípio e autonomia da ges-
tão escolar democrática, bem como a importância da participação 
de todos os envolvidos neste processo. É importante destacar que 
essa autonomia deve acontecer de forma articulada com a legislação 
67
da educação brasileira. Para tanto, é preciso organizar ações e pro-
cessos de tomada de decisões internas, com o objetivo de melhor 
resolver as demandas que são particulares a cada unidade escolar.
A partir disso, é importante definir que
o próprio conceito de gestão pressupõe, em 
si, a ideia de participação, isto é, do trabalho 
associado de pessoas através da interação, 
analisando situações, decidindo sobre seu en-
caminhamento e agindo sobre elas, em con-
junto. Isso porque o êxito de uma organização 
depende da ação construtiva de seus compo-
nentes, mediante reciprocidade que cria um 
‘todo’ orientado por uma vontade coletiva para 
chegar ao mesmo fim (Luck, 2000, p.37).
Sobre a importância da participação, Libâneo (2004) explica 
que:
“[...] a participação é o principal meio de se as-
segurar a gestão democrática da escola, pois 
possibilita envolvimento de profissionais e 
usuários no processo de tomada de decisões e 
no funcionamento da organização escolar: a 
organização escolar democrática implica não 
só a participação na gestão, mas a gestão da 
participação, em função dos objetivos da esco-
la” (p.102).
Sobre essa questão, Luck (2011) esclarece que é preciso am-
pliar a compreensão da organização educacional, não substituindo 
a administração, mas superando a abordagem da fragmentação, 
ou seja, superar a visão de “cada um atuando no seu lugar”, sem 
diálogo e perspectiva do trabalho coletivo. Por isso, o autor enfo-
ca que “[...] abrange uma série de concepções, tendo como foco a 
OBJETIVO
68
interatividade social, não considerada pelo conceito de administra-
ção, e, portanto, superando-a” (p. 55). 
Deste modo, assumir que o gestor vai trabalhar no princípio 
da gestão democrática implica dizer que serão desenvolvidas ações 
disciplinadas que respeitem o ideal de democracia, com discussões 
e conflitos que culmine em um consenso. 
A Pedagogia remete frequentemente ao espaço escolar porque é ne-
cessário formar uma base profissional sólida nos espaços em que o 
pedagogo irá atuar. Entretanto, entendemos que também é possível 
levar a teoria, a prática e a pesquisa realizada em todo o curso com 
foco no espaço escolar, para espaços não escolares, adequando a de-
manda do espaço de trabalho em que o pedagogo está inserido.
Por isso, entendemos que toda ação educativa em espaço não 
escolar ocorre com a atuação de práticas educativas alternativas, 
que inicialmente não eram consideradas como educação, pois não 
estavam dentro das normas formais da escola, mas estava-se cons-
truindo uma relação entre ensino e aprendizado, como acontecia 
nas escolas. Nesse sentido, Gohn (2001) explica que a educação não 
formal
[...] aborda processos educativos que ocorrem 
fora das escolas, em processos educativos da 
sociedade civil, ao redor de ações coletivas do 
chamado terceiro setor da sociedade, abran-
gendo movimentos sociais, organizações não 
governamentais e outras entidades sem fins 
lucrativos que atuam na área. (p. 32).
A autora ainda explica que o uso dos termos “educação nas 
escolas” e “educação não escolar” são diferentes, pois a primei-
ra trabalha questões educacionais em específico; e quem trabalha 
em espaços não escolares, trabalha com educação em sentido mais 
REFLITA
69
amplo. Franco (2003) informa que “[...] toda ação educativa carrega 
em seu fazer uma carga de intencionalidades que integra e organiza 
sua práxis” (p.73-75). Por isso, a gestão da educação no espaço não 
escolar também propõe um fazer educativo.
De acordo com Luck (2000), a gestão escolar constitui
[...] uma dimensão e um enfoque de atuação 
que objetiva promover a organização, a mo-
bilização e a articulação de todas as condições 
materiais e humanas necessárias para garantir 
o avanço dos processos socioeducacionais dos 
estabelecimentos de ensino orientadas para a 
promoção efetiva da aprendizagem pelos alu-
nos, de modo a torná-los capazes de enfrentar 
adequadamente os desafios da sociedade glo-
balizada e da economia centrada no conheci-
mento (p.11).
Por isso, a gestão escolar é constituída por uma dimensão 
de atuação dos que dela fazem parte, tais como: gestores, super-
visores, coordenadores, professores, pais, alunos, comunidade etc. 
Ela objetiva identificar e propor soluções em relação às demandas e 
problemáticas presentes nas escolas, visando melhorar o processo 
de aprendizagem. 
Santos (2002) menciona uma série de métodos que devem 
estar envolvidos na função da gestão:
1. criação de um ambiente em que o respeito e a efetividade se-
jam uma constante;
2. Favorecimento do crescimento pessoal e profissional de todos 
os elementos da escola;
3. Humanização do relacionamento, evitandoquaisquer pre-
conceitos, mesmo que velados;
4. Exercício da cidadania pela comunidade;
5. Envolvimento em todas as decisões fundamentais da escola. 
70
A partir desse entendimento, a gestão deve trabalhar para 
que haja uma participação mais efetiva da comunidade escolar, o 
que colabora para que todos tenham ciência da importância de sua 
participação no desenvolvimento de uma educação de qualidade 
e incentivar a luta por uma sociedade melhor. Sendo assim, Luck 
(2001) destaca que para ser um bom gestor, é preciso que se tenha 
um conhecimento consistente sobre a realidade em que se pretende 
atuar. 
Vale lembrar que a participação é um princípio primordial 
para garantir o bom desenvolvimento da gestão democrática, pois 
possibilita “[...] o envolvimento de todos os integrantes da escola no 
processo de tomada de decisões e no funcionamento da organização 
escolar” (Libâneo 2007, p. 328).
Nos espaços não escolares, a prática consiste na realização 
de uma análise feita pelo gestor sobre o que pede o contexto, tanto 
formal quanto informal, de forma que proporcione oportunidades e 
experiências a quem se dispõe a aprender. Tudo isso pode acontecer 
em meio a um processo coletivo, sustentado sempre pela importân-
cia do diálogo com todos os segmentos da comunidade em que se 
está atuando. 
Quando falamos em gestão democrática, falamos também 
em compreender o ser humano enquanto pessoa dotada de valores 
que fazem parte de uma sociedade e cultura. Fonseca (1994), explica 
que a cultura democrática cria-se através da prática da democracia. 
Sendo assim, podemos dizer que um espaço educacional não é de-
mocrático só por sua prática administrativa, ele torna-se demo-
crático por toda sua ação pedagógica.
Deste modo, entende-se que a função do pedagogo está re-
lacionada com a prática pedagógica em diversas modalidades e 
manifestações. A escola deve ser um local em que deve atender aos 
interesses da maioria, agindo com votações para assuntos do inte-
resse de todos, garantindo, assim, a democracia.
No que diz respeito à gestão democrática na escola, é impor-
tante haver união entre família e escola, pois essa união pode trazer 
melhorias no processo de ensino e aprendizagem.
71
Para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de es-
tudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos! 
Você deve ter aprendido que a gestão democrática tem como um de 
seus pilares o respeito e o zelo. Para isso, deve-se eleger represen-
tantes da comunidade escolar e elaborar reuniões com instâncias 
colegiadas, buscando o caminho melhor para a escola pública, onde 
a prática da gestão deve evitar o autoritarismo e a centralização de 
poderes que por muito tempo imperou em nossas escolas.
A Gestão nos Espaços Escolares e Não 
Escolares: Foco na Atuação Pedagógica
Compreender como a gestão pode acontecer em espaços escolares e 
não escolares, com o foco na atuação pedagógica. Ao término deste 
capítulo, você será capaz de entender como funciona a gestão de-
mocrática, seus princípios e características, e a sua relação com es-
paços não escolares. Isto será fundamental para o exercício de sua 
profissão! Vamos lá!
RESUMINDO
OBJETIVO
72
Figura 4: Como trabalhar com espaços escolares e não escolares?
Fonte: Pixabay
O marco legal que estabelece a atuação do pedagogo nos es-
paços escolares e não escolares está embasado na Lei de Diretrizes 
e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96) e nas Diretrizes 
Curriculares Nacionais de Pedagogia - DCNP, Resolução CNE/CP nº 
1/2006.
A atual LDB discorre sobre a atuação do pedagogo nos espa-
ços escolares, destacando que este profissional da educação deve 
ter uma formação sólida, tendo os estágios, a capacitação em ser-
viço e aproveitamento de estudos garantidos. No Artigo 61, tem-se 
estabelecido:
Art. 61. Consideram-se profissionais da educa-
ção escolar básica os que, nela estando em efe-
tivo exercício e tendo sido formados em cursos 
reconhecidos, são:
I – professores habilitados em nível médio ou 
superior para a docência na educação infantil e 
nos ensinos fundamental e médio;
II – trabalhadores em educação portadores 
de diploma de pedagogia, com habilitação em 
administração, planejamento, supervisão, 
73
inspeção e orientação educacional, bem como 
com títulos de mestrado ou doutorado nas 
mesmas áreas;
III – trabalhadores em educação, portadores 
de diploma de curso técnico ou superior em 
área pedagógica ou afim.
Parágrafo único. A formação dos profissio-
nais da educação, de modo a atender às es-
pecificidades do exercício de suas atividades, 
bem como aos objetivos das diferentes etapas 
e modalidades da educação básica, terá como 
fundamentos:
I – a presença de sólida formação básica, que 
propicie o conhecimento dos fundamentos 
científicos e sociais de suas competências de 
trabalho;
II – a associação entre teorias e práticas, me-
diante estágios supervisionados e capacitação 
em serviço;
III – o aproveitamento da formação e expe-
riências anteriores, em instituições de ensino e 
em outras atividades (BRASIL, 1996).
Sobre a formação do professor, no Art. 62 está determinado 
que para atuar na educação básica, os docentes deverão ter:
[...] nível superior, em curso de licenciatura, 
de graduação plena, em universidades e insti-
tutos superiores de educação, admitida, como 
formação mínima para o exercício do magisté-
rio na educação infantil e nas quatro primeiras 
séries do ensino fundamental, a oferecida em 
nível médio, na modalidade Normal (BRASIL, 
1996).
Já no Art. 67, § 2º, estão definidas as funções do magistério 
que devem ser colocadas em prática pelos professores e especialis-
tas, visando o desempenho de atividades educativas nos diversos 
níveis e modalidades de ensino. É importante destacar que essas 
74
atividades também contemplam a gestão escolar, a coordenação e 
a assessoria pedagógica.
A seguir, podemos ler no Artigo 4º das DCNP (2006) um pou-
co sobre a atuação do pedagogo nos espaços escolares. É possível 
notar também que estas atividades podem ser colocadas em prática 
nos espaços não escolares, desde que sejam previstos o uso de co-
nhecimentos pedagógicos. 
Art. 4º O curso de Licenciatura em Pedagogia 
destina-se à formação de professores para 
exercer funções de magistério na Educação 
Infantil e nos anos iniciais do Ensino Funda-
mental, nos cursos de Ensino Médio, na mo-
dalidade Normal, de Educação Profissional na 
área de serviços e apoio escolar e em outras 
áreas nas quais sejam previstos conhecimen-
tos pedagógicos.
Parágrafo único. As atividades docentes tam-
bém compreendem participação na organi-
zação e gestão de sistemas e instituições de 
ensino, englobando:
I - planejamento, execução, coordenação, 
acompa- nhamento e avaliação de tarefas pró-
prias do setor da Educação;
II - planejamento, execução, coordenação, 
acompanhamento e avaliação de projetos e ex-
periências educativas não-escolares;
III - produção e difusão do conhecimento 
científico-tecnológico do campo educacional, 
em contextos escolares e não-escolares (BRA-
SIL, 2006).
Agora, vamos entender um pouco mais sobre o uso do termo 
“gestão”, em detrimento do conceito de “direção”. A autora Luck 
(1997) explica:
[...] o conceito de gestão está associado ao for-
talecimento da democratização do processo 
pedagógico, pela participação responsável de 
75
todos nas decisões necessárias e na sua efe-
tivação, mediante seu compromisso coletivo 
com resultados educacionais cada vez mais 
efetivos e significativos (p. 1).
Deste modo, conforme o estudo visto na unidade anterior so-
bre a concepção de gestão, também acontece com o uso do termo 
“diretor”, que vinha carregado de sentidos autoritários e passou a 
ser responsável por gerir o espaço escolar e não escolar, devendo 
garantir na instituição educativa o exercício da democracia, bem 
como uma boa gestão de práticas pedagógicas a partir do diálogo e 
trabalho em equipe. 
Sobre esta questão, a autora ainda esclarece que o termo 
“gestão educacional”é colocado em prática para que haja a substi-
tuição do termo “administração educacional”:
A expressão ‘gestão educacional’, comumen-
te utilizada para designar a ação dos dirigen-
tes surge, por conseguinte, em substituição a 
‘administração educacional’, para representar 
não apenas novas ideias, mas sim um novo pa-
radigma, que busca estabelecer na instituição 
uma orientação transformadora, a partir da 
dinamização de rede de relações que ocorrem, 
dialeticamente, no seu contexto interno e ex-
terno. Assim, como mudança paradigmática 
está associada à transformação de inúmeras 
dimensões educacionais, pela superação pela 
dialética, de concepções dicotômicas que enfo-
cam ora o diretivismo, ora o não-diretivismo; 
ora a heteroavaliação, ora a autoavaliação; ora 
a avaliação quantitativa, ora a qualitativa; ora 
a transmissão do conhecimento construído, 
ora a sua construção, a partir de uma visão da 
realidade (Luck, 1997, p. 4).
Luck ainda esclarece que ao empregarmos o termo “gestão”, 
é necessário saber diferenciar os termos “gestão educacional” de 
“gestão escolar”. A primeira é empregada para estabelecer ques-
tões a nível macro na área da Educação. O segundo termo é utilizado 
76
em órgãos superiores dos sistemas de ensino e nas políticas pú-
blicas destinadas às escolas, pois quando nos referirmos ao termo 
“gestão escolar”, apenas as questões micro são envolvidas, ou seja, 
as escolas.
Voltado ao Artigo 4º, inciso IV, das DCNP (2006), percebe-se 
o fato de que o estudante de Pedagogia deverá estar apto a trabalhar 
em espaços escolares e não escolares. Sendo assim, entende-se que 
o curso de Pedagogia no Brasil teve que reformular seus currícu-
los, pois agora tinha-se a finalidade de buscar por conhecimentos 
que exigem os campos de atuação do pedagogo. Essa é uma área do 
curso de Pedagogia que ainda precisa de muitos estudos, pois é algo 
novo e em consente ampliação sobre os conhecimentos na formação 
do pedagogo.
Por isso, a autora explica que existe um espaço de educação 
não formal, ou seja, sem as formalidades que uma instituição es-
colar formalizada possui. Todavia, isso não impede que suas po-
tencialidades sejam trabalhadas, pois a educação não formal é um 
processo contínuo dado em espaços sociais, evidenciando os inte-
resses e necessidades do grupo envolvido. Recomenda- se o diálogo 
sempre, independente da idade do público-alvo ou da situação em 
que esse público se encontra, pois devemos o nosso respeito e valo-
rização à diversidade.
Para que essa proposta de educação “não formal” funcione como 
espaço e prática de vivência social, recomenda-se o reforço do con-
tato com o coletivo e o estabelecimento da afetividade com o públi-
co-alvo. Nesse ínterim, também é preciso que se abra espaços para a 
atuação com atividades lúdicas, sendo algo que provoque e ao mes-
mo tempo envolvente, desde que esteja de acordo com os interesses 
dos adultos e das crianças. (Simson; Park; Fernandes, 2001, p. 10). 
A atividade escolhida deverá ser encantadora para o público com 
que você vai trabalhar. Para tanto, é preciso que se tenha um co-
nhecimento inicial da realidade do público e iniciar suas atividades 
EXPLICANDO DIFERENTE
77
pedagógicas. Toda atividade tem uma finalidade de aprendizagem 
nova para o aluno, o foco deve ser em qual local você está, entender 
essa finalidade, planejar e avaliar sempre como está ocorrendo todo 
o processo de aprendizagem, seja ele na escola, na igreja, na asso-
ciação, nas ONGs, nos presídios, entre outros.
Sobre a educação não formal, Gohn (2001) explica:
[...] aborda processos educativos que ocorrem 
fora das escolas, em processos educativos da 
sociedade civil, ao redor de ações coletivas do 
chamado terceiro setor da sociedade, abran-
gendo movimentos sociais, organizações não 
governamentais e outras entidades sem fins 
lucrativos que atuam na área. (p. 32).
Desse modo, levando-se em consideração o contexto histó-
rico-social da criança e do adolescente, é preciso que haja práticas 
socioeducativas que ocorram em espaços não escolares. Apesar de 
ser uma educação não formal, é preciso que haja o compromisso 
dessas práticas e a escolha por abordar questões que são importan-
tes para um grupo em específico.
Libâneo (2004) afirma que para uma gestão ser democrática 
na escola pública, é preciso que a participação acrescente um pro-
cesso de autonomia, no que diz respeito às decisões da própria es-
cola. Trabalhar com o princípio da autonomia não é tarefa fácil, pois 
é preciso esclarecer aos seus participantes sua importância no pro-
cesso de colaboração com a proposta pedagógica da escola. Sendo 
assim, é muito importante a presença da comunidade escolar e dos 
pais dos alunos nos processos decisórios e de fiscalização da gestão 
escolar. 
Vale lembrar que o gestor deve sempre optar por agir como 
um líder, em vez de proceder com relações autoritárias que pas-
sem para o outro imposições de poder. Deve-se pregar o diálogo 
constante entre a comunidade interna e externa à escola, zelando 
para que tudo isso aconteça em um ambiente saudável e que todos 
78
convivam como cidadãos que têm direitos e deveres respeitados, a 
partir de discussões e decisões coletivas.
Dessa forma, a gestão escolar pode contribuir para que a co-
munidade compreenda como funciona e devem acontecer as ações 
das instâncias colegiadas e seus respectivos processos decisórios, 
tais como: a Associação de Pais Mestres e Funcionários, o Grêmio 
Estudantil, o Projeto Político Pedagógico, o Conselho Escolar, entre 
outros.
Sendo assim, finalizamos este capítulo afirmando que o pe-
dagogo deve conhecer seus campos de atuação por meio de expe-
riências, estágios, pesquisas de campo desenvolvidas no decorrer 
da sua formação acadêmica e também, posteriormente, da sua for-
mação continuada, podendo, ainda, se especializar na sua área de 
atuação e pesquisa, a fim de suprir ausências e deficiências de al-
guns cursos.
Para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de es-
tudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos! 
Você deve ter aprendido que o pedagogo pode trabalhar com os 
princípios da gestão democrática em espaços escolares e não esco-
lares, pois todos esses princípios e características podem ser usa-
dos em qualquer lugar que envolva processos pedagógicos, visando 
novas aprendizagens. Quando falamos em gestão democrática na 
escola pública, estamos querendo garantir que os princípios e ca-
racterísticas desta sejam garantidos. Para isso, é preciso que a esco-
la instrumentalize os seus participantes, tanto para entender como 
funciona e devem acontecer as ações das instâncias colegiadas, com 
os seus respectivos processos decisórios, tais como: a Associação de 
Pais Mestres e Funcionários, o Grêmio Estudantil, o Projeto Político 
Pedagógico, Conselho Escolar, entre outros.
RESUMINDO
UN
ID
AD
E
3
Objetivos
 ◼ Reconhecer a gestão como um processo que integra aspectos 
políticos, humanos, pedagógicos, culturais, administrativos, 
financeiros e tecnológicos;
 ◼ Refletir sobre os mecanismos de participação no processo 
de gestão nas instituições escolares, contribuindo de forma 
significativa para elaboração, implementação, coordenação, 
acompanhamento e avaliação do projeto político pedagógico, 
bem como para outros projetos e programas de interesse edu-
cacional, em ambientes escolares ou não escolares;
80
 ◼ Conhecer os fundamentos teóricos e legais da Gestão 
Democrática;
 ◼ Conhecer os fundamentos teóricos e legais da Gestão 
Democrática;
81
Introdução
Você sabia que a área da Gestão Educacional é um campo muito im-
portante na educação? Pois, trata-se de uma área responsável pela 
geração de muitos empregos, pois gerir uma instituição educacio-
nal é a chave para o sucesso dos que ali transitam, e será um dos 
empregos que não acaba, pois educação está em todo lugar. Isso 
mesmo. A área de Gestão Educacional faz parte da cadeia de ações 
que devem acontecer em prol do processo Ensino-aprendizagem 
de uma instituiçãoeducativa, em nosso caso a escola. Sua principal 
responsabilidade é gerenciar questões financeiras, administrativas, 
pedagógicas e relações interpessoais. Tudo isso envolve normas, 
leis, princípios e gerenciamento de recursos humanos, nosso prin-
cipal capital dentro de uma escola é o ser humano. Por isso, vamos 
conhecer um pouco sobre a LDBEN (9394/96) o Plano Municipal de 
Educação e como deve acontecer uma gestão na escola de forma de-
mocrática. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva você vai mer-
gulhar neste universo!
82
A Gestão Escolar Democrática e o Projeto 
Político Pedagógico
Ao término deste capítulo você será capaz de identificar os desa-
fios da escola frente à gestão democrática e a importância da cons-
trução do Projeto Político pedagógico na busca de melhorias para 
a escola. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. E 
então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos 
lá. Avante!
Figura 1: Gestão democrática
Fonte: Pixabay (2020)
Trabalhar com gestão democrática não é tarefa fácil, posto 
que foi histórico em nosso país um modelo de gestão vertical. Existe 
o perfil de liderança, de agregar pessoas, trazer para perto, trazer 
a participação, a colaboração. É fazer as pessoas produzirem mais 
e de forma que fique leve para todo mundo, não sobrecarregando 
“A” ou “B”. Tudo isso requer que seja desenvolvido um espírito de 
equipe, um clima saudável na escola, onde todos sejam convidados 
a participar do projeto educativo da escola.
83
Você pode estar aí do outro lado se perguntando: Como fazer isto? 
Como ter esta varinha mágica onde dá os comandos e tudo acontece?
Vamos rumo de entender como a gestão democrática acon-
tece e a ideia aqui não será a de receitar um caminho único sem 
possibilidades de erro, mas mostrar como deve acontecer. E você, 
estudante, será quem vai trilhar no caminho de colocar em práti-
ca, frente a cada realidade em que pode encontrar no caminho. Essa 
prática deve buscar realizar-se através da conscientização fruto de 
um esforço coletivo e comprometimento de todos que fazem parte 
da escola, em prol de alcançar os objetivos pedagógicos propostos 
para a escola.
Então, para que haja conscientização de uma gestão demo-
crática é preciso que o gestor una toda sua equipe e explique a im-
portância do trabalho em prol de um projeto educativo, que forma 
as pessoas para exercer a cidadania e saber cobrar seus direitos. É 
preciso, também, ter cuidado, pois dialogar, ser democrático e lí-
der, não quer dizer que o gestor vai encontrar soluções para todos 
os problemas de forma consensual, também irão acontecer confli-
tos dos mais diferentes pontos de vista, que se fazem presentes na 
escola.
Será que o conflito na escola é algo bom ou ruim? A ideia seria 
que todos estejam prontos para concordar com tudo que será posto 
nas reuniões?
Os conflitos na escola devem ser vistos como algo saudável. 
Algo que deve acontecer na base do diálogo, escuta e propostas de 
soluções que estejam dentro da legislação escolar e que contemple a 
realidade local da escola. É importante que os integrantes dos gru-
pos representativos da escola não se envolvam com faoritismo nem 
misturem questões pessoais com as decisões a serem tomadas sobre 
a instituição. 
REFLITA
84
Por que este ponto é válido de ser ressaltado? Porque é de inteira 
responsabilidade do gestor guiar esse diálogo, tendo como pririo-
ridade determinar ações para melhorar o contexto escolar para os 
alunos; não favoritismo por parte da gestão por pessoa e/ou grupo 
“A” ou “B”.
Por isso, o gestor, que é o líder desse diálogo democrático, 
deve conhecer a legislação, para dialogar e escutar problemas e so-
luções junto a sua equipe de trabalhos, mas não pode dar sim ou ne-
gar todas as soluções.
Para manter a neutralidade, o gestor tem que conhecer a le-
gislação da educação, para que não autorize propostas que possam 
prejudicar a escola ou possam dar margem para que, posteriormen-
te, aconteçam denúncias e o faça responder a processos judiciais. 
Visando o crescimento da qualidade do ensino-aprendizagem da 
instituição que lidera, este profissional deve selecionar uma equipe 
amadurecida, e quando não haja essa possibilidade, que torne ciente 
seus colaboradores.
 Essas recomendações sobre diálogo, escuta, diagnósticos, 
planejamentos, avaliação, reavaliação são necessárias porque não é 
tarefa fácil ser democrático. Assim, tendo o comprometimento res-
ponsável de todos que fazem parte da comunidade escolar, pode-se 
avançar em rumo à implantação eficacaz do tipo de gestão que te-
mos discutido até então. Por isso, Gadotti e Romão (1997) destacam 
a importância da participação que influencia no processo de demo-
cratização e melhoria da qualidade de ensino.
OBSERVAÇÃO
85
Figura 2 - Qualidade do ensino
Fonte: Pixabay (2020)
O diálogo é um ponto chave para auxiliar cada segmento da 
comunidade escolar a compreender como deve ser o funcionamento 
e acompanhamento da educação que ali acontece. Também é im-
portante para a convivência em sociedade discutir sobre inclusão, 
justiça, participação, diversidade, entre outros. Esse debate pode 
contemplar a comunidade interna e externa da escola, convidando 
todos para participar e entender seu papel na insituição de ensiso e o 
que isso implica, direta e indiretamente, no projeto educativo.
Sobre a participação dos grupos, Libâneo (2004) menciona 
que é uma construção coletiva e que deve resultar na autonomia da 
escola. O autor chama para essa participaação porque os respecti-
vos representantes irão contribuir com os afazeres do conselho da 
escola da associação de pais e mestres para preparar o projeto pe-
dagógico curricular e acompanhar e avaliar a qualidade dos serviços 
prestados.
Tudo isso deve acontecer, pois:
86
Considera-se que a gestão democrática veio 
substituir a gestão autoritária, com espaço sem 
coletividade, onde apenas um gestor decretava 
os objetivos, decidia tudo, ninguém tinha o di-
reito de falar, de participar das decisões toma-
das ou de pelos menos pensar sobre elas, que 
controvérsia, afinal, a escola não é o lugar onde 
as pessoas desenvolvem suas habilidades inte-
lectuais, emocionais e sociais? Como a organi-
zação desse lugar pode ser dessa forma?
Partindo desse ponto, surge a necessidade de 
que cada um coloque em pratica suas habi-
lidades, opiniões acerca de um determinado 
assunto, com possibilidades de participar nas 
decisões, assim o gestor que era detentor de 
todo poder, se vê em posição de partilhar suas 
decisões em prol da melhoria da educação. 
Nascem assim novos desafios, que o impul-
siona a necessidade de repensar suas práticas, 
adequando-se ao novo modelo de sociedade. 
(Silva, 2017, 16997)
Libâneo destaca que muitos podem não ter a consciência do 
seu papel em processos democrático da escola, por isso é preciso 
que a escola se organizar de forma a instrumentalizar os seus par-
ticipantes a entender a força transformadora que têm em conjunto.
Dessa forma, Medeiros (2003) explica que o trabalho com a 
gestão democrática da educação não pode trabalhar dissociado com 
mecanismos legais da educação:
[...] está associada ao estabelecimento de me-
canismos legais e institucionais e à organiza-
ção de ações que desencadeiem a participação 
social: na formulação de políticas educacio-
nais; no planejamento; na tomada de decisões; 
na definição do uso de recursos e necessidades 
de investimento; na execução das deliberações 
coletivas; nos momentos de avaliação da escola 
e da política educacional. Também a democra-
tização do acesso e estratégias que garantam a 
87
permanência na escola, tendo como horizonte 
a universalização do ensino para toda a po-
pulação, bem como o debate sobre a qualida-
de social dessa educação universalizada, são 
questões que estão relacionadas a esse debate. 
( Medeiros, 2003, p.61)
Tudo isso que o autor explica deve estar articulado com o trabalho 
do gestor, por isso não cansamos de explicar aqui, a gestão é de-
mocrática,mas este gestor deve ser conhecedor de como acontece 
a legislação da educação brasileira, as políticas públicas brasileiras, 
para atuar politicamente da forma correta, como manda a gestão 
democrática.
Isso é relevante porque nem sempre os participantes de reu-
niões nas escolas entendem a importância que tem o seu diálogo, o 
seu ponto de vista como pais, professores, alunos, funcionários, en-
tre outros. É neste momento que a escola deve agir, conscientizando 
seus participantes, explicando sobre seu funcionamento e as ações 
das instâncias colegiadas e seus respectivos processos decisórios, 
tais como: a Associação de Pais Mestres e Funcionários, do Grêmio 
Estudantil, do Projeto Político Pedagógico. Vamos entender muito 
brevemente o que significa cada um desses:
 ◼ Associação de Pais e Mestres
OBSERVAÇÃO
88
Figura 3: Representantes de cada categoria escolar
Fonte: Pixabay (2020)
É uma instância de participação, que acontece com a inten-
cionalidade de unir os pais e mestres, no sentido de fortalecer o 
relacionamento de família e escola. A partir da união, serão eleitos 
representantes de cada um desses, na busca de contribuir para a 
prática de gestão democrática da escola.
 ◼ O Grêmio Estudantil
Figura 4 - Grêmio estudantil: Representação dos alunos
Fonte: Pixabay (2020)
É um espaço onde os alunos se reúnem para eleger seus re-
presentantes. É também o lugar de onde os alunos estão aprendendo 
atuar de forma democrática. É um acontecimento, em que refletirá 
89
mais tarde na vida dos estudantes, no exercício da cidadania na vida 
em sociedade, pois a participação deles na construção da gestão de-
mocrática da escola proporciona a experiência de como participar 
de práticas sociais e democráticas.
 ◼ O Projeto Político Pedagógico
Figura 5: Participaçãos e colaboração
Fonte: Pixabay (2020)
O Projeto Político Pedagógico, conhecido como PPP, é um 
documento construído na escola. Esse documento define a identi-
dade da escola e indica caminhos para ensinar com qualidade. Por 
isso, trata-se de um planejamento que acontece mediante a parti-
cipação conjunta de todos que fazem parte da escola, através dos 
representantes de cada categoria. Essas pessoas dialogam sobre a 
finalidade de construir um documento que retrate a escola como ela 
é na sua realidade local, trazendo o histórico de sua existência, seus 
problemas e indicações para que aconteça soluções dos problemas 
elencados.
90
Como podemos entender acima o Projeto Politico Pedagógico é um 
documento que representa a identidade de cada escola brasileira. É 
um documento que é construído exclusivamente para a escola.
A esta altura, pode estar surgindo a seguinte pergunta: Por 
que este documento deve ser uma construção com representante de 
todas as categorias que fazem parte da escola?
A união da comunidade escolar para a construção do PPP se 
permite não apenas que cada m dê sua contribuição, mas permite 
o encontro de diferentes perspectivas diante de uma problemática, 
o que garante a pluralidade e a diversidade de opiniões. O gestor é 
quem vai zelar para que cada um contribua com a sua ótica sobre a 
realidade da escola e para que que o PPP não se torne um trabalho 
fragmentado, sem norteamentos definidos por alguém de fora da 
unidade escolar.
Por isso, deve haver um esforço coletivo, em que seja realiza-
do no espaço da escola, e, a partir deste diálogo, planejar, registrar 
neste documento a realidade em que a escola se encontra; elencar 
necessidades e planejar tomadas de decisões em prol da qualidade 
do ensino-prendizagem. Entretanto, dialogar não implica concor-
dar com tudo que está sendo discutido, é preciso que os represen-
tantes se posicionem sobre algumas questões, defendendo assim os 
seus respectivos pontos de vista. Deve-se zelar ainda para que esses 
representantes não se tornem objetos de manipulação dos interes-
ses de poucos que fazem parte da escola. Esse processo deve acon-
tecer com o intuito de garantir no decorrer do processo o direito a 
voz, defendendo as diversidades, a autonomia da escola e a partici-
pação de todos. Após a colaboração de todos, haverá elementos para 
contribuir com a escola, no sentido de tentar cumprir metas, ações e 
objetivos propostos no PPP.
SAIBA MAIS
91
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguin-
te fonte de consulta e aprofundamento: Artigo: “A importância da 
Gestão democrática dentro do processo escolar” Josiele Leal dos 
Santos Flôres e Mara Lucia Brum.
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o 
tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. 
Você deve ter aprendido que a gestão democrática é de suma impor-
tância para as escolas, pois permite que através da participação ativa 
dos membros que fazem parte do contexto escolar, busquem atra-
vés do diálogo, emitir opiniões e aprender a respeitar a dos outros, 
buscando o melhor caminho para tentar solucionar a problemática 
oriunda no cotidiano escolar. Por isso, devemos ter em mente que a 
participação ativa é que faz com que nossos direitos e deveres sejam 
respeitados. Dentro desse contexto, há o Projeto Político Pedagógi-
co (PPP), que é um documento construído na escola, definindo sua 
identidade e apontando caminhos para que juntos possamos ir em 
busca de melhorar o processo ensino e aprendizagem. Essas con-
quistas são possíveis apenas se houver o diálogo e a participação 
dos diversos grupos que formam a escola.
 PESQUISE
RESUMINDO
92
A Gestão democrática requer mudança de 
comportamentos na escola
Ao término deste capítulo você será capaz compreender a impor-
tância das mudanças de comportamentos na gestão democrática 
escolar. Motivado para desenvolver esta competência? Então, va-
mos lá. Avante!
Figura 6 - Gestão democrática: decisão por qual caminho seguir
Fonte: Pixabay (2020)
Na atualidade, para uma gestão, o maior desafio da escola 
se dá na busca da união de seus profissionais, inclusive em maior 
esforço por parte dos professores, para que sejam desenvolvi-
das competências e habilidades específicas nos alunos. Essa visão 
deve contemplar os alunos, analisando o contexto social deles, na 
busca de propor ações e metodologias competentes, para o me-
lhor desempenho do processo ensino-aprendizagem. É necessário 
que o professor compreenda que, em pleno século XXI, seus alunos 
tem potenciais e desempenhos distintos no decorrer do processo 
OBJETIVO
93
ensino-aprendizagem. Por isso, o gestor escolar tem que ser vis-
to como um aliado aos trabalhos dos professores, e como um líder, 
suas ações devem envolver todos que fazem parte da escola.
Para ser gestor é preciso ter o perfil que essa profissão exige, 
e isso envolve conhecimento, condições pessoais, vocação e forma-
ção contínua. Pois, ser gestor é uma tarefa complexa e ele deve ser 
um agente de mudança na escola, pois irá zelar para que as tarefas 
das escolas sejam realizadas e propor a resolução de conflitos, os 
quais vão desde problenas com a estrutura física, questões admi-
nistrativas, financeiras, pedagógicas e até as relações interpessoais 
(Luck, 2001).
Para ser gestor, é preciso estar atento às mudanças, pois elas 
acontecem em diversos áreas de nossa sociedade, a exemplo das que 
ocorrem na Legislação, a exemplo da Base Nacional Curricular Co-
mum. Pois, no mundo da competitividade, o gestor deve zelar para 
que as atualidades da sociedade, não fiquem de fora.
Um entendimento que não pode faltar dentro dos muros da 
escola, é o entendimento do que é democracia, pois é preciso cons-
cientizar que todo cidadão tem direitos, mas também deve
cumprir com seus deveres. De acordo com o autor, a demo-
cracia é:
[...] o meio político de salvaguardar a diversi-
dade social e cultural dos membros da socie-
dade nacional ou local, simultaneamente à 
manutenção de uma língua nacional e um sis-
tema jurídico que se aplique a todos; é a única 
possibilidade de limitar a crescente dissociação 
entre racionalidade instrumental e identidades 
culturais;é uma luta pela libertação em rela-
ção a um poder, seja o despotismo racionalista, 
seja a ditadura comunitária; é um espaço de 
tensões e conflitos, ameaçado constantemente 
por algum poder; é o espaço institucional livre, 
no qual se desenvolve esse trabalho do sujeito 
sobre si mesmo, trabalho pelo qual as pessoas 
encontram o papel de criadoras e produtoras, 
94
não somente de consumidoras. (Ghanem, 
2004, p. 21-23)
É preciso democratizar o ensino, pois ele não é para acontecer 
para poucos, e sim atingir a todas as camadas sociais. Oferecendo, 
assim, mais oportunidades de os alunos ingressarem nas ensino 
básico e se manterem nele até a sua conclusão, com boa frequên-
cia e rendimento. Por isso, a gestão deve ser democrática e garantir 
que o pleno exercício da cidadania aconteça no interior das escolas 
públicas.
Luck (2001) esclarece para que pra que isso aconteça, é pre-
ciso que o gestor conte com participação e colaboração de todos que 
fazem parte da escola na construção e no cumprimento do plano 
de desenvolvimento. Assim, é preciso uma ação gestora que envol-
va trabalho em equipe, levando em conta características locais, da 
realidade escolar, e temas que sejam considerados relevantes para 
serem discutidos com os que fazem parte da escola.
Outro ponto importante é que a gestão deve trabalhar, inces-
santemente, pela busca da descentralização do ensino, da autono-
mia e da gestão democrática. Essas inovações devem começar por 
mudar a peerspectiva dos que fazem parte da escola. Pois, é histó-
rica a prática de alguns gestores as centralizações de suas decisões, 
deixando para segundo plano aquilo que deveria centrar suas ações: 
o fazer pedagógico.
Por isso, a gestão de uma escola precisa de um foco e ele deve 
existir para que diariamente todos os segmentos da escola traba-
lhem unidos traçando caminhos, possibilidades, compromisso e, 
principalmente, zelar pelas responsabilidades que cada um assume. 
Por isso, afirmo que trabalhar na perspectiva da gestão democrática 
exige de um gestor o perfil de agregar pessoas, de saber trazê-las 
para perto, na busca de alcançar os objetivos pedagógicos propos-
tos para a escola. O fruto desse posicionamento será a qualidade da 
educação, que deve ser constantemente cultivada para que se ado-
te uma nova cultura de organização, unindo teoria e prática (Paro, 
2005).
Nessa linha de entendimento, a institucionalização de ins-
tâncias colegiadas na escola pública, a exemplo do Conselho Escolar, 
95
tem se tornado o lugar em que une teoria e prática na busca da de-
mocratização das escolas públicas.
Gadotti e Romão (1998) atestam que a importância da parti-
cipação de todos é algo que acaba por influenciar na democratiza-
ção da gestão e também na melhoria da qualidade de ensino. Logo, 
o diálogo é o meio pelo qual todos passem a compreender de forma 
mais efetiva o funcionamento da escola. Nesse ínterim, é importan-
te discutir aos valores que se quer, que sejam praticados na esco-
la, tais como a inclusão, a justiça, a participação, entre outros, sem 
esquecer-se de contemplar a diversidade, reconhecendo como é 
importante ouvir diferentes pontos de vista, na hora de tomar deci-
sões, deixando isso bem claro: participação, decisão e ideia do outro.
Corroborando, Libâneo (2004) afirma que é justamente a 
promoção da participação nos espaços da escola que esta alcança, 
cada vez mais, a sua autonomia nos processos decisórios. Ale´m dis-
so, o autor cita que o princípio da autonomia requer proximidade 
com a comunidade educativa e os pais, pois defende que:
Apresença da comunidade na escola, especial-
mente dos pais, tem várias implicações. Prio-
ritariamente os pais e outros representantes 
participam do Conselho da Escola da Associa-
ção de Pais e Mestres para preparar o projeto 
pedagógico curricular e acompanhar e avaliar 
a qualidade dos serviços prestados. (Libâneo, 
2004, p. 144)
É necessário, então, que a escola se organize de forma a ins-
trumentalizar os seus participantes, para perceber a força trans-
formadora que terão juntos. Por isso, o diálogo é o caminho para a 
democracia acontecer em um clima saudável, em que todos convi-
vam como sujeitos de direitos e deveres, que devem ser respeitados 
na sua diversidade, a partir de discussões e decisões coletivas.
Você pode estar aí se perguntando, como tudo isso deve 
acontecer?
Instrumentalizando os seus participantes, instruindo-os so-
bre como a escola funciona e que ela deve ter instâncias colegiadas, 
para atuar nos decisórios, tais como: Conselho escolar, a Associação 
96
de Pais Mestres e Funcionários, do Grêmio Estudantil, do Projeto 
Político Pedagógico.
Agora vamos entender um pouco mais sobre como acontece o 
Conselho Escolar, a associação de pais e mestres, deixando o Projeto 
Político Pedagógico para o próximo capítulo.
 ◼ Conselho Escolar
Figura 7- Conselho escolar: representantes de cada segmento
Fonte: Pixabay (2020)
O Conselho Escolar é uma instância colegiada que busca a 
participação de todos da escola, mas lida diretamente com os re-
presentantes de cada segmentos escolar, por isso faz a eleição dos 
membros de forma democrática, zelando por seus direitos e deveres.
De acordo com o Programa Nacional de Fortalecimento dos 
Conselhos Escolares, através da publicação do caderno ‘Conselhos 
Escolares: Democratização da escola e construção da cidadania’ 
(2004, p. 34) os conselhos escolares “[...] são órgãos colegiados 
compostos por representantes das comunidades escolar e local, que 
têm como atribuição deliberar sobre questões político-pedagógi-
cas, administrativas, financeiras, no âmbito da escola. [...]”.
Este caderno produzido pelo Ministério da Educação expli-
ca que faz parte dos Conselhos a tarefa de analisar as ações a em-
preender nas escolas, os meios a serem usados e acompanhar o 
97
cumprimento das mesmas. As pessoas que compõem este Conselho 
devem estar cientes que estão ali, não para representar seus inte-
resses pessoais, e sim, os de sua comunidade escolar e local. Deven-
do, então, atuar com união na busca por traçar percursos realizarem 
deliberações que são de sua responsabilidade.
Ainda segundo esse caderno, as pessoas que fazem parte do 
Conselho da escola: “Representam, assim, um lugar de participação 
e decisão, um espaço de discussão, negociação e encaminhamento 
das demandas educacionais, possibilitando a participação social e 
promovendo a gestão democrática.” (2004, p.35). Esse órgão vem 
acontecer na escola, com a finalidade de ser uma instância de “dis-
cussão, acompanhamento e deliberação”, de forma democrática.
O caderno também explica as funções do Conselho Escolar 
que são:
a. Deliberativas: quando decidem sobre o projeto político-
-pedagógico e outros assuntos da escola, aprovam encami-
nhamentos de problemas, garantem a elaboração de normas 
internas e o cumprimento das normas dos sistemas de ensino 
e decidem sobre a organização e o funcionamento geral das 
escolas, propondo à direção as ações a serem desenvolvidas. 
Elaboram normas internas da escola sobre questões referen-
tes ao seu funcionamento nos aspectos pedagógico, adminis-
trativo ou financeiro.
b. Consultivas: quando têm um caráter de assessoramento, ana-
lisando as questões encaminhadas pelos diversos segmentos 
da escola e apresentando sugestões ou soluções, que poderão 
ou não ser acatadas pelas direções das unidades escolares.
c. Fiscais (acompanhamento e avaliação): quando acompa-
nham a execução das ações pedagógicas, administrativas e fi-
nanceiras, avaliando e garantindo o cumprimento das normas 
das escolas e a qualidade social do cotidiano escolar.
d. Mobilizadoras: quando promovem a participação, de forma 
integrada, dos segmentos representativos da escola e da co-
munidade local em diversas atividades, contribuindo assim 
98
para a efetivação da democracia participativa e para a melho-
ria da qualidade social da educação. (Brasil, 2004, p.41) 
Nessa escolha de representantes, é preciso ter o cuidado para 
os que nãosejam pessoas indicadas pela gestão e sim de cada seg-
mento escolar. Esse zelo deve acontecer para que cada categoria, 
nas reuniões possam defender seus respectivos pontos de vista e 
não servir de instrumento para legitimar a voz da direção, pois es-
tes devem representar a diversidade e a pluralidade do segmento ao 
qual pertence.
Desse modo, o ‘Caderno Conselhos Escolares: Democratiza-
ção da escola e construção da cidadania’ (2004, p. 44) informa que 
o Conselho escolar deve ser composto pela: “[...] direção da escola 
e a representação dos estudantes, dos pais ou responsáveis pelos 
estudantes, dos professores, dos trabalhadores em educação não-
-docentes e da comunidade local. [...]”. Esse caderno esclarece que 
as decisões só podem ser tomadas após discussões realizadas cole-
tivamente, e só podem acontecer quando estão reunidos. Nenhum 
de seus membros têm autorização para tomar decisões de forma 
individual, fora das reuniões destinadas a este fim. No entanto é o 
diretor quem:
[...] atua como coordenador na execução das 
deliberações do Conselho Escolar e também 
como o articulador das ações de todos os seg-
mentos, visando a efetivação do projeto peda-
gógico na construção do trabalho educativo. 
Ele poderá – ou não – ser o próprio presidente 
do Conselho Escolar, a critério de cada Con-
selho, conforme estabelecido pelo Regimento 
Interno. (Brasil, 2004, p. 44)
Na eleição para os membros do Conselho da Escola, deve ha-
ver candidatos de representantes de cada segmento da escola. Há, 
também, os o cargo dos suplentes, que não estão impedidos de es-
tar nas reuniões, mas sua atuação será de direito a voz, na presença 
do membro efetivo. Só na falta do membro efetivo, que o suplente 
participará do voto. O gestor tem a sua participação garantida no 
Conselho Escolar.
99
O caderno ainda informa algumas atribuições dos Conselhos 
Escolares:
 ◼ elaborar o Regimento Interno do Conselho Escolar;
 ◼ coordenar o processo de discussão, elaboração ou alteração do 
Regimento Escolar;
 ◼ convocar assembleias-gerais da comunidade escolar ou de 
seus segmentos;
 ◼ garantir a participação das comunidades escolar e local na de-
finição do projeto político- pedagógico da unidade escolar;
 ◼ promover relações pedagógicas que favoreçam o respeito ao 
saber;
 ◼ do estudante e valorize a cultura da comunidade local;
 ◼ propor e coordenar alterações curriculares na unidade esco-
lar, respeitada a legislação vigente, a partir da análise, entre 
outros aspectos, do aproveitamento significativo do tempo e 
dos espaços pedagógicos na escola;
 ◼ propor e coordenar discussões junto aos segmentos e votar as 
alterações metodológicas, didáticas e administrativas na es-
cola, respeitada a legislação vigente;
 ◼ participar da elaboração do calendário escolar, no que compe-
tir à unidade escolar, observada a legislação vigente;
 ◼ acompanhar a evolução dos indicadores educacionais 
(abandono escolar, aprovação, aprendizagem, entre ou- tros) 
propondo, quando se fizerem necessárias, intervenções peda-
gógicas e/ou medidas socioeducativas visando à melhoria da 
qualidade social da educação escolar;
 ◼ elaborar o plano de formação continuada dos conselheiros es-
colares, visando ampliar a qualificação de sua atuação;
100
 ◼ aprovar o plano administrativo anual, elaborado pela dire-
ção da escola, sobre a programação e a aplicação de recursos 
financeiros,
 ◼ promovendo alterações, se for o caso;
 ◼ fiscalizar a gestão administrativa, pedagógica e financeira da 
unidade escolar;
 ◼ promover relações de cooperação e intercâmbio com outros 
Conselhos Escolares. (Brasil, 2004, p.49) 
O caderno Conselhos Escolares: Democratização da escola e 
construção da cidadania’ (2004) nos explica ainda que exercitar es-
tas atribuições tem se tornado um aprendizado democrático. Pois, 
estas só conseguem serem colocadas em prática se os cidadãos fo-
rem respeitados e ouvidos, para serem tomadas decisões a partir de 
práticas democráticas.
Antunes (2002, p. 23) corrobora com os argumentos já discu-
tidos, afirmando que é por meio do conselho de escola que os pro-
blemas que envolvem a gestão escolar serão debatidos, analisados e 
votados “[...] em plenária, - ser aprovadas e remetidas para o corpo 
diretivo da escola, instância executiva, que se encarrega de pôr em 
prática, as decisões ou sugestões do Conselho de Escola”.
Por isso, condizente com o que está proposto no Caderno, 
Navarro (2004) defende que o Conselho Escolar, é um órgão co-
legiado, democrático, que delibera, sobre diversas questões que 
estão presentes no interior de cada escola e que tem decisões que 
precisam serem tomadas para casos específicos, que envolvem tan-
to o lado pedagógico, como o administrativo e financeiro. Por isso, 
fazem-se necessárias reuniões com a participação dos que fazem 
parte da escola e suas respectivas representações nos debates, nas 
propostas que visem a tomada de decisões. Portanto, é preciso que o 
Conselho Escolar se forme com pessoas que sejam ativas, compro-
metidas como o objetivo da instituição e que defendem a melhoria 
na qualidade do ensino.
101
Para aprofundar-se no tema, leia o artigo “Gestão da educação: 
inovação e mudança“, escrito por Rita Schultz e disponível no portal 
de periódicos da UNESP.
Você deve ter aprendido que um dos maiores desafios atualmente na 
gestão democrática é conscientizar as pessoas que fazem parte do 
contexto educacional de que sua participação é importante na busca 
de soluções para as dificuldades encontradas na escola, além de que 
sua participação faz com que seu direito de cidadão seja respeitado. 
Aprendemos que um dos entendimentos que não pode faltar dentro 
dos muros da escola é o entendimento do que é democracia. Para 
além disso, é necessário conscientizar as pessoas sobre seus direi-
tos e deveres enquanto cidadãs. Por último, vimos que o Conselho 
Escolar é uma instância colegiada que busca a participação de to-
dos da escola, lidando diretamente com os representantes de cada 
segmento escolar, por isso, faz a eleição desses membros de forma 
democrática, zelando por seus direitos e deveres.
 PESQUISE
RESUMINDO
102
Gestão escolar democrática: definições, 
princípios e mecanismos básicos de 
implementação
Ao término deste capítulo, você será capaz de compreender como 
ocorreram os princípios e mecanismos da gestão escolar demo-
crática, o que será fundamental para o exercício de sua profissão. 
E então, motivado para desenvolver essa competência? Vamos lá. 
Avante!
Figura 8: Participação e todos
Fonte: Pixabay (2020).
Para tratar aqui sobre gestão democrática, primeiramente, 
é preciso entender que a função de diretor/gestor escolar foi, por 
muito tempo, uma função que centralizava suas práticas nas rela-
ções assimétricas de poder e nos processos administrativos
 e financeiros da instituição, colocando em prática as imposi-
ções do sistema sem questioná-las.
OBJETIVO
103
O maior ganho das escolas brasileiras foi a partir da segunda 
metade da década de 1990, com a promulgação da LDB 9394/96, 
documento garantia a gestão democrática. Esse modelo de gestão 
baseia-se numa prática de descentralização de poder nas escolas, 
passando a ter como prioridade o diálogo, o estímulo ao trabalho 
coletivo e a ênfase no incetivo à participação de todos na gestão es-
colar. Um destaque para esse novo modelo de gestão foi o interesse 
no fazer pedagógico, nas relações interpessoais, no desempenho 
de quem trabalha na escola e dos alunos, na avaliação e reavaliação 
constante de tudo que é planejado na escola e na autoavaliação, sem 
deixar de lado a avaliação dos alunos aprendentes. Por isso, pode-
mos afirmar que o princípio de gestão democrática foi confirmado 
e aprimorado pelo estabelecimento das demais legislações após a 
LDB 9.394/96.
Talvez você esteja questionando-se como tudo isso aconteceu. Será 
que tudo transformou-se de uma hora patra a outra, como num 
passe de mágica?
Não foi bem assim. Entendamos o contexto: estávamos sain-
dode forma democrática. 
Ao longo desta unidade letiva, você vai mergulhar neste universo!
10
Políticas e gestão da educação básica
Caro aluno, estamos iniciando um capítulo sobre políticas e gestão 
da Educação Básica. Neste capítulo, conheceremos como estão or-
ganizados o funcionamento e a estrutura da educação básica, bem 
como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – 9394/96. 
Ao fim deste material, você terá as bases para atuar como um bom 
gestor.
Figura 1: Políticas para a educação nas escolas públicas.
Fonte: Pixabay (2020)
Exemplificando essa realidade, podemos destacar o ensino 
técnico, que nasce da necessidade de mão de obra qualificada para 
atender às demandas do mercado de trabalho.
Sobre as políticas públicas, Rodrigues (2010) explica que
Políticas públicas são ações de Governo, por-
tanto, são revestidas da autoridade soberana 
do poder público. Dispõem sobre ‘o que fazer’ 
(ações), ‘aonde chegar’ (metas ou objetivos 
OBJETIVO
11
relacionados ao estado de coisas que se pre-
tende alterar) e ‘como fazer’ (estratégias de 
ação). (p. 52).
Para garantir a eficiência da escola e o cumprimento de me-
tas, é preciso que as instituições educacionais disponham de recur-
sos financeiros. Sobre o financiamento da educação, sabe-se que 
ele é feito pelo Estado, o qual têm como obrigação constitucional 
garantir o acesso gratuito e universal de todos os cidadãos em idade 
escolar a todas as etapas do ensino básico (educação infantil, ensino 
fundamental e ensino médio). Por isso, há, no âmbito de cada Esta-
do e do Distrito Federal, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento 
da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, 
mais conhecido com FUNDEB.
Tanto o estado como o município são responsáveis pela dis-
tribuição e fiscalização do uso dos recursos financeiros, que podem 
originar-se de arrecadação interna ou de repasses da união.
A Constituição Federal de 1988 define a educação como com-
petência da União, Estados e Municípios, além disso, prevê que tais 
entidades façam a gerência de seus sistemas de ensino em regime de 
colaboração. Nesse contexto, Ferreira e Nogueira (1996, p. 3) preco-
nizam que, para além disso,
[...] a Constituição prevê também o sistema 
nacional de educação, a ser articulado por um 
plano decenal, conforme o art. 214 (alterado 
pela Emenda Constitucional 59/2009). [...] Os 
planos estaduais, distritais e municipais ul-
trapassam os planos plurianuais de governo, 
exigindo articulações institucionais e partici-
pação social para sua elaboração ou adequação, 
acompanhamento e avaliação.
Sobre o Plano Nacional de Educação, aprovado pela Lei nº 
13.005/2014, os autores trazem que
[...] Esse plano nacional desdobrou-se nos pla-
nos estaduais e municipais e constituem, na 
atualidade, o desafio maior para implantação 
de uma educação de qualidade. (ibid., p. 3)
12
Os referidos autores explicitam ainda que, no âmbito edu-
cacional, há várias políticas públicas que foram lançadas por todos 
os setores do governo federal para se alcançarem os objetivos pro-
postos pela Constituição Federal. A seguir, listamos algumas dessas 
políticas públicas:
a. Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Funda-
mental e de Valorização do Magistério (FUNDEF); 
b. Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE);
c. Programa de Dinheiro Direto na Escola (PDDE);
d. Programa Bolsa Família;
e. Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE);
f. Programa Nacional do Livro Didático (PNLD);
g. Programa Nacional de Transporte Escolar (PNATE);
h. Exame Nacional do Ensino Médio (ENEN;
i. Sistema de Seleção Unificada (SISU);
j. Programa Universidade para Todos (PROUNI);
k. Programa Nacional de Reestruturação e Aquisição de Equi-
pamentos para a Rede Escolar Pública de Educação Infantil 
(PROINFÂNCIA).
No Brasil, o que temos de mais atual em termos de políticas 
públicas foi o estabelecimento do Plano Nacional de Educação, que 
prepara metas para acontecerem na educação num prazo de 10 anos. 
Dessa forma, no decênio 2011-2020, foi estabelecido o Plano Nacio-
nal de Educação. Nele, foram estabelecidas um total de 20 metas, as 
quais são referência para que sejam elaboradas políticas educacio-
nais com a finalidade de conquistar as metas que foram propostas 
pelo plano.
Entre essas metas, há 4 que versam sobre a formação de pro-
fessores. No PNE, a formação docente ganha ênfase na meta 15, que 
13
abora estratégias voltadas à formação de professores, como pode-
mos ver a seguir:
Meta 15: tem como estratégia garantir, em re-
gime de colaboração entre a União, os Estados, 
o Distrito Federal e os Municípios, que todos os 
professores da educação básica possuam for-
mação específica de nível superior, obtida em 
curso de licenciatura na área de conhecimento 
em que atuam. Quanto às estratégias, há a pos-
sibilidade de trazer programas específicos de 
formação de professores para as populações do 
campo, comunidades quilombolas e povos in-
dígenas. Valorizar as licenciaturas, programar 
cursos e programas especiais para assegurar 
a formação específica aos docentes que ainda 
não têm graduação. (Brasil, 2011).
O Plano Nacional de Educação, no que se refere à formação e 
à valorização dos professores, em síntese, propõe tanto a realização 
de provas para a admissão de docentes como a implantação de uma 
política nacional de formação continuada para professores, com o 
estabelecimento de planos de carreira para todos os profissionais 
da educação.
Desse modo, Gadotti (1992, p.70) explica que a estrutura edu-
cacional de nosso país deve garantir o “[...] acesso de todos à edu-
cação, independentemente de posição social ou econômica, acesso a 
um conjunto de conhecimentos e habilidades básicas que permitam 
a cada um desenvolver-se plenamente”.
Estrutura e funcionamento da educação básica
Caro estudante, agora, estudaremos a estrutura e o funcionamento 
da educação básica. Você sabe como funciona a estrutura da educa-
ção básica brasileira?
14
Figura 2: Legislação da educação brasileira
Fonte: Pixabay (2020).
Inicialmente, vamos entender o que é estrutura e funciona-
mento e, em seguida, a influência das políticas públicas da educação.
Para entender como se dá a estrutura e como é definida a 
nossa educação no Brasil, temos que, primeiramente, conhecer a lei 
que rege a educação escolar: Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional nº 9394/96, mais conhecida com LDB. Para entendê-la, 
ser-lhe-ão apresentados tanto as modalidades de ensino como os 
direitos e deveres do estado com a educação.
Quando nos referimos à estrutura e ao funcionamento de uma es-
cola, estamos falando de como deve acontecer a organização de um 
sistema escolar, e isso remete diretamente ao que minimamente 
deve existir no interior de uma escola. No âmbito da estrutura física, 
podemos citar como condições mínimas algumas instalações como: 
refeitório, pátio, quadra, bibliotecas, laboratórios, sala de aula, 
quadra, banheiros femininos e masculinos etc. Em relação ao fun-
cionamento, ele depende, por sua vez, da estrutura física da escola, 
EXPLICANDO
15
pois é nela que se dará o funcionamento efetivo das atividades edu-
cativas e administativas do local. Ainda sobre o funcionamento, é 
lógico presumir que esse, por sua vez, precisa de pessoas para exis-
tir, tais como: secretária, porteiro, profissionais da limpeza, pro-
fessores, equipe técnica, diretores etc. Em relação à qualidade do 
funcionamento da escola, ele dependerá das pessoas que frequen-
tam e fazem parte da escola, pois, antes de tudo, é preciso que se te-
nha compromisso com o próprio trabalho e, ao mesmo tempo, com 
a aprendizagem. (Vieira, 2001).
Mas por que estou explicando que ter a estrutura física de 
uma escola não garante o seu bom funcionamento?
Porque, apesar de a legislação garantir a estrutura e deter-
minar como deve ser o seu funcionamento, conforme está descrito 
na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a boa execução 
das atividades vai depender de quem estádo regime militar e precisávamos realizar inúmeras mudanças 
de postura e de comportamento. De certo modo, pode-se dizer que, 
até os dias atuais, alguns profissionais que trabalham com educação 
ainda não compreenderam essas mudanças. Apesar de esse cená-
rio já ter mudado consideravelmente, o ideal é seguir lutando para 
que esses profissionais que possuem uma prática autoritária com-
preendam que passamos por mudanças e precisamos acompanhá-
-las, sempre nos atentando ao que está previsto em nossa legislação 
educacional. (Luck, 2000).
É preciso esclarecer aqui que descentralizar atividades é divi-
dir responsabilidades. Isso não quer dizer que a autoridade do gestor 
— e de nenhuma outra função — será retirada, mas sim que novas 
REFLITA
104
possibilidades serão abertas para todos crescerem juntos a fim de 
alcançar melhorias para a escola. Por isso, Luck (2000) destaca que, 
para ser um gestor, é preciso ter um perfil de líder.
A abertura na aceitação das expressões das 
pessoas no trabalho, observando os desafios, 
dificuldades e limitação na tentativa de pos-
sibilitar a superação. Observar e desenvolver o 
que de melhor existe nas pessoas ao seu redor, 
partindo com uma visão proativa da sua atua-
ção. Ter uma visão clara diante da missão dos 
valores educacionais permitindo a compreen-
são dos indivíduos na expressão de suas atitu-
des. (p. 75)
A autora ainda explica que, para ser gestor, é preciso realizar 
a conscientização de seus membros, esclarecendo que as suas ações 
são importantes para que sejam promovidas melhorias a todos, 
mas, em especial, aos processos educativos.
Figura 9 : O líder e o diálogo com todos que fazem parte da escola
Fonte: Pixabay
Por isso, é preciso que o grupo esteja maduro para trabalhar 
sempre tendo o diálogo como base, mas, mesmo assim, não pode-
mos negar que sempre haverá conflitos, o que não é algo negativo, 
105
pois o diálogo propicia o crescimento do grupo. É preciso que essa 
soma de experiências dos colegas de trabalho aconteça de forma 
dialogada, pois são eles que fazem a gestão democrática acontecer. 
Através do diálogo, resolvem-se conflitos, realizam-se planeja-
mentos e avaliações das coisas que deve acontecer nas escolas pú-
blicas. Sobre essa questão democrática, Paro (2001) explica:
No campo da liberdade, o papel da gestão esco-
lar está inextricavelmente ligado à questão da 
democracia, não apenas porque, pela educa-
ção, faculta-se ao educando o acesso à ciência, 
à arte, à tecnologia, enfim, ao saber histórico 
que possibilita o domínio das leis da natureza e 
seu uso em benefício humano, fazendo afastar 
assim o âmbito da necessidade, mas também 
porque pode possibilitar a aquisição de valores 
e recursos democráticos propiciadores da con-
vivência pacífica entre os homens em socieda-
de (p. 51).
Agora que já foi discutido na LDB (9394/96) que as escolas 
públicas atuarão conforme a gestão democrática, a gestão escolar 
deve ter como um de seus objetivos de trabalho o processo educati-
vo, considerando os seus sujeitos sociais. Por isso, as ações da escola 
devem envolver todos os segmentos escolares, contemplando uma 
concepção de escola inclusiva que traga todos os seus participantes 
para dentro do projeto educativo que a escola defende que aconteça, 
e zelando para que ele seja colocado em prática e esteja em cons-
tante avaliação. Por isso, é preciso que a gestão escolar esteja focada 
em sua área de atuação, garantindo que se estabeleça a “[...] efetiva-
ção das finalidades, princípios, diretrizes e objetivos educacionais 
orientadores da promoção de ações educacionais com qualidade so-
cial [...].” (Luck, 2000, p.23).
É por isso que a gestão deve trabalhar sempre com a finalida-
de de obter uma escola com qualidade, em que todos os alunos reco-
nheçam que somos diferentes e devemos respeitar as diferenças. Ao 
mencionar as práticas inclusivas, deve-se ter claro que elas devem 
ser participativas, promovendo o acesso e a construção do conheci-
mento, proporcionando assim “[...] condições para que o educando 
106
possa enfrentar criticamente os desafios de se tornar um cidadão 
atuante e transformador da realidade sociocultural e econômica vi-
gente, e de dar continuidade permanente aos seus estudos”. (ibid.)
Sobre a gestão democrática, Ferreira (2008) ainda nos expli-
ca que
[...] gestão é administração, é tomada de de-
cisão, é organização, é direção. Relaciona-se 
com a atividade de impulsionar uma organiza-
ção a atingir seus objetivos, cumprir sua fun-
ção, desempenhar seu papel. Constitui-se de 
princípios e práticas decorrentes que afirmam 
ou desafirmam os princípios que a geram. Es-
ses princípios, entretanto não são intrínsecos 
à gestão como a concebia a administração 
clássica, mas são princípios sociais, visto que a 
gestão da educação se destina à promoção hu-
mana (Ferreira, 2008, p. 306).
Nessa linha de entendimento, é preciso que todos que fazem 
a escola acontecer percebam o quanto é importante para as práti-
cas educativas da escola o trabalho coletivo, seguido do respeito, da 
participação, do diálogo, entre outros, trabalhando em prol de que 
seja colocado em prática o que foi planejado no projeto educativo da 
escola.
Nesse ínterim, não podemos esquecer-nos da importância que tem 
a gestão trabalhar junto com o corpo de especialistas que há na es-
cola, tais como a orientação educacional, a supervisão escolar, psi-
cólogo escolar e assistente social.
Para tanto, a gestão deve garantir a participação de todos 
da comunidade escolar, sejam eles pais, alunos, professores, se-
cretários, merendeiras, etc., construindo um modelo de gestão 
IMPORTANTE
107
democrática que aconteça de fato, envolvendo-os em processos de 
decisões coletivas na escola, a exemplo da seleção de diretores de 
escola, criação de Conselho Escolar, entre outros.
O gestor, que não age mais de forma hierárquica na distri-
buição de atividades da escola, tem sua parcela de responsabili-
dade frente ao sucesso ou insucesso da gestão democrática, pois é 
primordial que ele não continue perpetuando as práticas do antigo 
papel de diretor escolar, que foi, por muito tempo, baseada nas re-
lações assimétricas de poder. 
Para que haja uma gestão escolar democrática de fato, o ges-
tor deve garantir que, na sua equipe, estejam claras as concepções 
de organização democrático-participativa, por isso, em sua postura 
de atuação na escola, deve estar explícito:
a. Definição explícita, por parte da equipe escolar, de objetivos 
sociopolíticos e pedagógicos da escola;
b. Articulação da atividade de direção com iniciativa e a partici-
pação das pessoas da escola e das que se relacionam com ela;
c. Qualificação e competência profissional;
d. Busca de objetividade no trato das questões da organização e 
da gestão mediante coleta de informações reais;
e. Acompanhamento e avaliação sistemáticos com finalidade 
pedagógica: diagnóstico, acompanhamento dos trabalhos, 
reorientação de rumos e ações e tomada de decisões;
f. Todos dirigem e são dirigidos, bem como todos avaliam e são 
avaliados;
g. Ênfase tanto nas tarefas quanto nas relações. (Libâneo, 2012, 
p. 449).
Essas práticas democrático-participativas vêm para dentro 
da escola com a intencionalidade de promover a democracia, e to-
dos que dela participam têm a oportunidade de contribuir para sua 
organização de forma coletiva, com a finalidade de garantir a auto-
nomia da escola e de sua equipe.
108
 Figura 10: A gestão precisa de todos que fazem parte da escola
Fonte: Pixabay (2020).
Desse modo, Luck (2009, p.75) defende que
[...] a gestão democrática pressupõe a mobi-
lização e organização das pessoas para atuar 
coletivamente na promoção de objetivos edu-
cacionais, o trabalho dos diretores escolares se 
assenta sobre sua competência de liderança, 
que se expressa em sua capacidade de influen-
ciar a atuação de pessoas (professores, funcio-
nários, alunos, pais e outros) para a efetivação 
desses objetivos e o seu envolvimento na reali-
zação das açõeseducacionais necessárias para 
sua realização.
Portanto, é preciso compreender que, para que haja a eficácia 
da gestão escolar, o gestor não poderá dar conta de tudo sozinho; 
ele precisará de sua equipe para dar conta da qualidade pedagógica, 
do currículo, da capacitação de professores, entre outros. A autora, 
acima, ainda explica-nos que, num modelo de gestão democráti-
ca, o gestor precisa e muito do trabalho coletivo de todos que fazem 
parte da escola pública.
Dentro desse trabalho democrático, é preciso que o gestor 
conscientize os seus participantes sobre a responsabilidade que tem 
cada um que faz a escola pública acontecer, pois devo relembrar que 
esse modelo de gestão é proposto para a escola pública. Desse modo, 
109
para que a gestão escolar aconteça de forma democrática, é preciso 
que sejam desenvolvidos mecanismos de autonomia da escola, o fi-
nanciamento das escolas e participação da instituição na escolha de 
seus dirigentes. Além disso, é preciso que sejam
 garantidos meios para que haja a criação de órgãos colegia-
dos, a construção democrática do Projeto Político Pedagógico, e a 
participação da comunidade interna e externa a escola.
A gestão democrática sendo colocada em prática na esco-
la pública serve também para conscientizar o cidadão para a sua 
emancipação. O Ministério da Educação, na publicação “Gestão de-
mocrática nos sistemas e na escola”, explica 4 pontos necessários 
para a efetivação desse modelo de gestão, são eles:
a. Participação: quando os projetos são construídos pela me-
diação da coletividade, oferecendo a todos os participantes a 
oportunidade de desenvolverem de forma conjunta ações que 
visam à melhoria da educação;
b. Pluralismo: quando há o reconhecimento da presença das 
diversidades e dos diferentes interesses daqueles que fazem 
parte da escola;
c. Autonomia: a escola pode se adequar às reais necessidades da 
comunidade na qual se encontra inserida; o seu Projeto Po-
lítico Pedagógico é construído de forma coletiva, visando à 
emancipação e à transformação social;
d. Transparência: é o retrato da dimensão política da escola, 
mostrando que ela é um espaço público que se encontra aberto 
à diversidade e às opiniões daqueles que participam da estru-
tura da escola. (Brasil, 2007).
Trabalhar com o modelo de gestão escolar democrática tor-
na-se, dentro da escola, uma decisão política, porque suas ações 
implicam entender a visão dos que fazem parte direta e indireta-
mente dessa escola, tais como: pais, alunos, professores, funcio-
nários e a própria comunidade interna e externa a escola. É uma 
ação política, porque implica diretamente na perspectiva de tornar 
as decisões e, para isso acontecer, é preciso que haja participação, 
110
trabalho coletivo, união na hora de gerir e organizar a escola, sem 
hierarquização de poderes.
Quer se aprofundar nesse tema? Recomendamos o acesso ao artigo: 
“a Gestão Democrática e a participação dos educadores na elabo-
ração do projeto político pedagógico de escolas públicas no Brasil”, 
escrito por Pauleany Simões de Morais et al.
Você deve ter aprendido que, com a implementação da gestão de-
mocrática nas escolas e a partir da década de 1990, com a promul-
gação da Lei de Diretrizes e Bases 9394/96 (LDB), passou-se a 
garantir que, nas escolas públicas, a gestão fosse descentralizada, 
ou seja, começou-se a implementar a divisão das tomadas de de-
cisões da escola, que deixaria de ser responsabilidade exclusiva do 
gestor e passaria a ser responsabilidade de todos que representam a 
escola. Com isso, através de reuniões, os membros da escola podem 
emitir suas opiniões e debaterem através do diálogo possíveis so-
luções que possam auxiliar a solucionar as problemáticas surgidas 
na escola em prol de melhorias. A gestão democrática, através da 
participação ativa, do pluralismo, da autonomia e da transparên-
cia, começa a fazer com que as pessoas sintam-se parte da escola. 
Além disso, há 4 pontos que são necessários para a efetivação desse 
modelo de gestão, a saber: participação, pluralismo, autonomia e 
transparência. Assim, essas posturas, explícitas nas práticas demo-
crático-participativas, vêm para dentro da escola com a intenção de 
promover a democracia.
 PESQUISE
 PESQUISE
111
A gestão democrática na escola pública
Ao término deste capítulo, você será capaz de compreender como 
ocorre de fato a gestão democrática na escola pública. E então, mo-
tivado para desenvolver essa competência? Vamos lá! Avante!
A gestão da escola pública deve atuar de forma democráti-
ca, sempre buscando a qualidade de ensino, a qual, por sua vez, é 
a “[...] qualidade cognitiva e operativa das aprendizagens escola-
res em contextos concretos” (Libâneo, 2007, p. 26). Nesse sentido, 
por meio das práticas educativas, são respondidas as cobranças da 
sociedade, que deve ter como objetivo colaborar com o desenvolvi-
mento dos alunos.
Essa mesma gestão tem como princípio o intuito de melho-
rar a qualidade do processo de ensino-aprendizagem. Assim, os 
segmentos de cada comunidade escolar devem trabalhar junto ao 
gestor, sabendo aonde querem chegar, pois a educação torna-se 
um ato político. Segundo Oliveira, Moraes e Dourado (2009), o ato 
político
[...] exige um posicionar-se diante das alter-
nativas. A gestão escolar não é neutra, pois to-
das as ações desenvolvidas na escola envolvem 
atores e tomadas de decisões. Nesse sentido, 
ações simples, como a limpeza e a conservação 
do prédio escolar, até ações mais complexas, 
como as definições pedagógicas, o trato com 
situações de violência, entre outras, indicam 
uma determinada lógica e horizonte de ges-
tão, pois são ações que expressam interesses, 
princípios e compromissos que permeiam as 
escolhas e os rumos tomados pela escola. (p. 7).
OBJETIVO
112
Dourado e Oliveira (2009) explicam que, para que haja efe-
tivação de fato nesse processo, é de suma importância que a escola 
organize o trabalho escolar com
Planejamento, monitoramento e avaliação dos 
programas e projetos; organização do traba-
lho escolar compatível com os objetivos edu-
cativos estabelecidos pela instituição, tendo 
em vista a garantia da aprendizagem dos alu-
nos; mecanismos adequados de informação e 
de comunicação entre todos os segmentos da 
escola; gestão democrático-participativa, in-
cluindo condições administrativas, financeiras 
e pedagógicas; mecanismos de integração e de 
participação dos diferentes grupos e pessoas 
nas atividades e espaços escolares. (p. 209).
O trabalho da gestão democrática tem como função acompa-
nhar o processo ensino-aprendizagem que ocorre na escola. Além 
disso, deve abrir espaço para que as pessoas possam participar ati-
vamente no processo decisões da escola, e o gestor deve estar capa-
citado para lidar com diversas formas de pensar, colaborando para 
que sua equipe tenha êxito na busca pela qualidade do ensino.
Para Dourado e Oliveira (2009), o gestor escolar, por inter-
médio de sua competência, deve garantir um:
Projeto pedagógico coletivo da escola que con-
temple os fins sociais e pedagógicos da escola, 
a atuação e autonomia escolar, as atividades 
pedagógicas e curriculares, os tempos e espa-
ços de formação; disponibilidade de docentes 
na escola para todas as atividades curricula-
res; definição de programas curriculares re-
levantes aos diferentes níveis, ciclos e etapas 
do processo de aprendizagem; métodos pe-
dagógicos apropriados ao desenvolvimento 
dos conteúdos; processos avaliativos voltados 
para a identificação, monitoramento e solu-
ção dos problemas de aprendizagem e para o 
desenvolvimento da instituição escolar; tec-
nologias educacionais e recursos pedagógicos 
113
apropriados ao processo de aprendizagem; 
planejamento e gestão coletiva do trabalho 
pedagógico; jornada escolar ampliada ou inte-
grada, visando à garantia de espaços e tempos 
apropriados às atividades educativas; meca-
nismos de participação do aluno na escola; va-
loração adequada dos usuários no tocante aos 
serviços prestadospela escola. (p. 209).
A partir dessa realidade, o gestor tem que a garantir que os 
diversos segmentos da escola participem de forma ativa, tais como 
docentes, alunos, funcionários, gestores, pais, comunidade extra e 
interescolar, na construção do projeto político-pedagógico.
Esse planejamento maior visa à construção do PPP e deve 
fornecer condições, espaços e escolha de tempo, com o intuito de 
fazer com que seus participantes tenham a formação e os conheci-
mentos necessários para colocar em prática o que lhes for proposto 
para ação e execução de forma efetiva.
A direção deve dividir responsabilidades e auxiliar o Conselho 
de Classe a dividir as tomadas de decisões com todos
 no contexto escolar. Por isso, compreende-se que a gestão 
que trabalha ainda de forma tradicional, com uma figura autoritária 
de gestor, e não compartilha as tomadas de decisões com a comu-
nidade escolar começa a enfrentar dificuldades e, em decorrência 
disso, não atinge os objetivos que a comunidade escolar almeja.
O Conselho Escolar, por sua vez, caracteriza-se como órgão 
de representação da comunidade escolar, sendo constituído por re-
presentantes de todos os segmentos que compõem a escola. O obje-
tivo desse órgão é zelar pela manutenção da cultura de participação 
dentro da escola.
O Conselho Escolar, assim, deve buscar formas de incenti-
var a participação de todos os segmentos envolvidos no processo 
educativo, e isso implica organizar-se para a construção de outros 
documentos da escola (Marques, 1992, p. 22). Um exemplo desses 
documentos é o regimento escolar, que deve se elaborado e acom-
panhado pelas pessoas que compõem o Conselho Escolar.
114
Os respectivos membros do Conselho Escolar devem agir 
tanto na elaboração quanto no acompanhamento da execução do 
Projeto Político Pedagógico, observando e fiscalizando não somente 
ele como também a gestão pedagógica e a financeira.
Figura 11: Discussão saudável
Fonte: Pixabay (2020).
O Conselho Escolar também tem a função de planejar e apro-
var o plano anual da escola. Seus membros devem acompanhar o 
desenvolvimento dos indicadores educacionais, tais como o da 
aprendizagem dos alunos, a evasão, a aprovação, reprovação, en-
tre outros detalhes que envolvem o lado pedagógico.
O Conselho Escolar também pode fazer formações junto aos 
seus componentes com a finalidade de disseminar informações e 
conhecimentos que contribuam para melhorias na escola.
Nesse percurso, é primordial que um gestor democrático crie um 
ambiente agradável para seus componentes falarem abertamente 
sem que mais barreiras sejam criadas para atuação do Conselho Es-
colar, facilitando o diálogo quando for preciso realizar uma plenária.
IMPORTANTE
115
Portanto, a democratização adequada do Conselho escolar 
permite aos seus membros se reunirem para discutir questões rela-
cionadas a assuntos como: conteúdo curricular, informações novas, 
as experiências dos colegas etc.
Figura 12: Participação
Fonte: Pixabay (2020).
Por isso, destaco que ainda há muito a se fazer para conscien-
tizar todos os membros da comunidade escolar: pais, professores, 
alunos, gestores, funcionários, comunidade, entre outros, no senti-
do de fazê-los saber da importância de sua participação no debate.
Outra medida é a busca pela qualidade do ensino, que deve 
advir por meio da democratização do espaço da sala de aula, dos 
conteúdos e dos métodos. O aluno, dessa forma, deve fazer parte do 
processo de ensino-aprendizagem de forma ativa, crítica e reflexiva.
A escola deve proporcionar um ambiente para que a comuni-
dade troque dados e conhecimentos na busca de soluções para pro-
blemáticas escolares, promovendo, assim, a integração.
 Ela também deve atender aos interesses da maioria, agindo 
por votação, na busca de garantir um espaço democrático com es-
paços para ampla formação discente, zelando pela formação inte-
gral do aluno.
116
Figura 13 : Formar alunos solidários, críticos, éticos e participativo
Fonte: Pixabay (2020).
A escola democrática pública tem a função social de formar o 
cidadão para a vida, tornando-o capaz de exercer a sua cidadania, 
para isso é preciso proporcionar a construção de conhecimentos, 
valores que forme um ser humano pronto para atuar em sociedade, 
permitindo-o ser solidário, crítico, ético e participativo na sua vida 
em geral.
É preciso garantir que os representantes da comunidade es-
colar possam expressar seus diferentes pontos de vista e cuidar para 
que ajam de forma a apenas servir de instrumento para legitimar 
a voz da direção, por isso, esse cuidado deve iniciar na origem, no 
momento da escolha de quem vai fazer parte dos conselhos, pois 
esses integrantes precisam representar, de fato, a diversidade que 
faz parte da comunidade escolar.
Antunes (2002) esclarece que os conselhos têm de lidar com 
os problemas da gestão escolar, e esses serão discutidos e suas res-
pectivas reclamações educativas serão “[...] analisadas para, se for o 
caso, dependendo dos encaminhamentos e da votação em plenária, 
ser aprovadas e remetidas para o corpo diretivo da escola, instância 
executiva, que se encarrega de pôr em prática, as decisões ou suges-
tões do Conselho de Escola” (p. 23).
117
Figura 14 : Votação
Fonte: Pixabay (2020).
Sobre a participação dos pais na escola, Libâneo (2004, p. 114) 
destaca: “[...] a escola não pode ser mais uma instituição isolada em 
si mesma, separada da realidade circundante, mas integrada numa 
comunidade que interage com a vida social ampla”. Por isso, a es-
cola deve conquistar a representação dos pais no Conselho Escolar.
 A atuação dos diversos segmentos da comunidade escolar 
deve acontecer de forma que esses segmentos possam se expressar 
e manter uma relação saudável e aberta a críticas, diálogos e à defe-
sa do ponto de vista e dos argumentos de cada um.
Navarro (2004) explica-nos que é através dos Conselhos que 
a escola une-se para atuar de forma democrática, deliberando as-
sim, sobre questões particularizadas da escola, as quais devem en-
volver também o pedagógico, administrativo e financeiro. Por isso, 
deve acontecer aqui a participação, debates, propostas e tomadas 
de decisão, que só devem acontecer após muitas reivindicações das 
necessidades educacionais.
O debate, portanto, deve ser fomentado assim, sob a ótica da 
cultura de resgate da democracia nas escolas, da participação e da 
cidadania, em substituição à cultura patrimonialista. Desse modo, 
devemos entender que o Conselho Escolar, nas escolas públicas, 
deve atuar como sustentáculo do Projeto Político Pedagógico.
118
Paro (2004) destaca que esse percurso é o que vai caracte-
rizar as escolas como democráticas, superando, assim, as práticas 
burocráticas, passando, pois, a serem vistas como desafios a serem 
superados.
Fundamentado o Projeto Político Pedagógico nessas consi-
derações, a escola só poderá desempenhar um papel transforma-
dor ao organizar-se para atender aos seus interesses, daí temos a 
aprendizagem coletiva, condição-mor para agir democraticamente, 
visando construir, efetivamente, uma educação de qualidade social.
Você deve ter aprendido que, na gestão democrática, o gestor deve 
ser um líder que compartilha as tomadas de decisão com as pes-
soas que fazem parte do contexto escolar. Essa gestão visa atuar de 
maneira democrática através da participação ativa dos membros, 
do diálogo e da escuta de opinião de todos na busca de melhorias 
na qualidade de ensino, devendo a sociedade cobrar essas melho-
rias com o intuito de colaborar com o desenvolvimento dos alunos. 
O trabalho da gestão democrática tem a função de acompanhar o 
processo de ensino-aprendizagem que ocorre na escola. O gestor 
deve ter em mente que trabalhar com a gestão democrática só tende 
a fortalecer a escola, diferentemente de como alguns gestores pen-
savam, acreditando que perderiam sua autoridade. Pelo contrário, 
a gestão democrática cria um espaço para que todos os envolvidos 
no processo escolar possam participar ativamente na divisãodas 
tomadas de decisão da escola, onde o gestor, devidamente capaci-
tado e baseado nas leis, possa dialogar escutar, abrir espaços para 
opiniões e, junto com a comunidade escolar, lutar por melhorias na 
qualidade do ensino.
RESUMINDO
UN
ID
AD
E
4
Objetivos
 ◼ Reconhecer os mecanismos de participação no processo de 
gestão nas instituições escolares;
 ◼ Entender o que é e como funciona um projeto 
político-pedagógico;
 ◼ Perceber o processo de cidadania que acontece no interior da 
gestão democrática;
 ◼ Compreender como é a gestão na educação básica, observan-
do suas garantias e princípios de autonomia administrativa, 
financeira e pedagógica.
120
Introdução
A Gestão Educacional é uma das disciplinas fundamentais na área 
da educação. Nesse sentido, está prevista nas escolas públicas pela 
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996). Nesse con-
texto, é responsável pela elaboração e execução do Projeto Político 
Pedagógico de forma democrática. Para tanto, instituiu na escola 
pública a importância do diálogo e participação de todos os atores 
envolvidos no processo educativo, como professores, alunos, pais 
e a comunidade escolar nas decisões político-pedagógicas. Além do 
mais, é responsável por institucionalizar o Conselho Escolar, como 
forma de organizar os representantes escolares. Vejamos como isso 
acontece na prática. Vamos em frente! 
121
A escola e o Projeto Político-Pedagógico
Ao término deste capítulo você será capaz de reconhecer os me-
canismos de participação no processo de gestão nas instituições 
escolares. Por isso, a gestão deve garantir que o projeto político-pe-
dagógico seja construído de forma democrática. Isso será funda-
mental para o exercício da sua profissão. Motivado para desenvolver 
essa competência? Avante!
Figura 1 - PPP – diversos olhares sobre a escola
Fonte: Pixabay (2020)
De acordo com o mencionado, as escolas públicas seguem o 
modelo de gestão escolar democrático. Essa prática de gestão acon-
tece no interior das escolas, respeitando as particularidades da re-
gião em que a escola está inserida. Nesse sentido, os atos de gestão 
envolvem tanto as pessoas no contexto escolar, quanto recursos 
materiais e financeiros.
Desse modo, o foco do gestor deve, sobretudo, estar na pro-
posta pedagógica da escola, mediante a construção coletiva do pro-
jeto político-pedagógico (PPP). 
OBJETIVO
122
Como já foi informado nos capítulos anteriores, a prática do gestor 
escolar deve acontecer através de um ambiente acolhedor e que as 
decisões tomadas na escola devam focar na melhoria da qualida-
de do ensino. No âmbito público, é preciso que se abra espaço para 
dialogar, expor opiniões, trocar experiências, visando solucionar 
às problemáticas cotidianas da escola. Nesse sentido, é necessária 
a construção de uma proposta educativa pautada em princípios de 
participação coletiva.
Veiga (1995) defende que o projeto pedagógico construído na 
escola esteja ligado diretamente à cidadania. Essa preocupação deve 
atender aos interesses coletivos da população. Portanto, trabalhar 
com educação é um ato político e seu objetivo central está no perfil 
cidadão que permeia toda a educação pública.
É preciso estarmos atentos para as transformações da sociedade e a 
gestão deve nos orientar a repensar as diversas formas de estrutura 
de poder na escola. Assim, a construção do projeto político-pedagó-
gico é algo muito importante em uma escola e não podemos cair no 
erro de produzi-lo e não pô-lo em prática Veiga (2005).
O projeto político-pedagógico (PPP) é um documento essen-
cial que orienta as ações educacionais de uma instituição de ensino, 
conforme determina a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacio-
nal (LDB), que enfatiza a importância de uma educação democrática 
e inclusiva. 
EXPLICANDO
IMPORTANTE
123
Segundo a LDB, o PPP deve ser elaborado de forma partici-
pativa, envolvendo todos os membros da comunidade escolar, para 
assegurar que os princípios da gestão democrática sejam cumpri-
dos. Além disso, de acordo com o Plano Nacional de Educação (PNE), 
o PPP deve alinhar-se aos objetivos de garantir o desenvolvimento 
integral do aluno, promovendo uma formação que vá além do ensi-
no puramente acadêmico. 
Portanto, é imprescindível que o gestor e os profissionais da 
escola encontrem caminhos para colocar em prática o que foi defi-
nido no Projeto Político Pedagógico da instituição. Sobre as partes 
constitutivas do documento, deve constar a concepção teórica que 
se deseja trabalhar, o contexto histórico dessas escolas, as necessi-
dades e problemas enfrentados e propor soluções para que a mesma 
busque alternativas de mudança. 
Figura 2 - para construir o PPP é preciso ter planejamento
Fonte: Pixabay (2020)
A elaboração do projeto político-pedagógico (PPP) exige a 
participação de todos os segmentos da escola, embora reunir todos 
os representantes em um horário comum seja um desafio. Para sua 
construção, serão necessárias várias reuniões, demandando tempo 
e comprometimento dos representantes escolares. Portanto, o ob-
jetivo é garantir que o PPP seja resultado da colaboração de toda a 
comunidade escolar.
124
Dito isso, é fundamental que o PPP reflita a realidade especí-
fica de cada escola, evitando a mera cópia de projetos de outras ins-
tituições. Cada escola possui sua própria identidade, e o documento 
deve ser construído com base em suas necessidades e características 
únicas. Mesmo que as escolas possam ser fisicamente semelhantes, 
suas realidades educacionais são distintas, e o PPP deve considerar 
esses fatores ao definir seus métodos e objetivos pedagógicos.
A construção do PPP nas escolas públicas é assegurada pela 
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9394/96), que 
determina, no Artigo 12, inciso I, que os estabelecimentos de ensino 
têm a incumbência de elaborar e executar sua proposta pedagógica. 
O Artigo 14 reforça a participação dos profissionais da educação e da 
comunidade escolar na formulação do projeto, garantindo um pro-
cesso democrático e participativo.
 Dourado (2001) salienta que o PPP não pode ser apenas 
um documento formal, arquivado sem utilidade prática. Ele deve 
servir como guia para a escola, orientando suas ações cotidianas e 
fomentando a busca por melhores resultados educacionais. Nesse 
sentido, o autor também afirma que o processo de construção do 
PPP deve ser dinâmico, com reflexões contínuas sobre sua aplicação.
Segundo Veiga (2003), o PPP está intrinsecamente ligado à 
autonomia pedagógica da escola. Nesse sentido, ao reunir professo-
res e outros profissionais para sua construção, a escola organiza-se 
para traçar seu próprio caminho pedagógico, respeitando sua reali-
dade e contexto. A autonomia e a liberdade são, assim, inerentes ao 
ato pedagógico.
Na formulação do PPP, Libâneo (2004) destaca a importân-
cia de abordar questões essenciais, como a caracterização da escola, 
a concepção de educação adotada, o diagnóstico da situação atual, 
os objetivos gerais, a organização da gestão escolar e as propostas 
curriculares. Afinal, o documento deve também contemplar a for-
mação continuada dos professores e a participação dos pais e alunos 
no processo educativo.
125
Logo, fica evidente que a elaboração do PPP é de suma importância 
para um funcionamento escolar baseado em princípios democráti-
cos de gestão. Como já foi dito, nesse documento estão definidos os 
elementos constitutivos do plano geral da educação de determina-
da unidade escolar, elencando desde a caracterização da escola, a 
concepção de educação adotada, o diagnóstico da situação atual, os 
objetivos gerais, a organização da gestão escolar e as propostas cur-
riculares, até a participação efetiva dos alunos e pais no processo de 
ensino-aprendizagem. 
Desse modo, na ótica de Veiga (2003) o projeto político-pe-
dagógico é um meio de unir a comunidade escolar para integrar di-
versas ações, tais como
[...] soluções alternativas para diferentes 
momentosdo trabalho pedagógico-admi-
nistrativo, desenvolver o sentimento de per-
tencimento, mobilizar os protagonistas para 
a explicitação de objetivos comuns definindo 
o norte das ações a serem desencadeadas, for-
talecer a construção de uma coerência comum, 
mas indispensável, para que a ação coletiva 
produza seus efeitos (VEIGA, 2003, p. 275).
De acordo com Gadotti (1994), a gestão educacional no Brasil 
é orientada por princípios democráticos e participativos, reforça-
dos pela Constituição (1988). Assim, a participação da comunidade 
escolar, incluindo pais, alunos e professores, é vista como funda-
mental para a melhoria do ambiente edcucaional e dos processos de 
ensino-aprendizagem. 
Ferreira (2007) enfatiza o caráter político que deve estar 
explícito no projeto político-pedagógico, pois deve determinar 
as intencionalidades do grupo, como serão as interações e inten-
cionalidades, como a escola irá agir diante das metas e objetivos 
REFLITA
126
predeterminados. Assim, as etapas necessárias para a organização 
do PPP exigem construção coletiva e planejamento participativo, 
uma vez que é um esboço das competências esperadas do educador 
e das ações escolares.
Por isso, para realizar a construção de um PPP, é preciso or-
ganizar-se com antecedência e ter clareza pois não é algo que se 
resolve com uma duas ou três reuniões, o que significa uma larga 
demanda de tempo e planejamento. Tudo isso deve acontecer no es-
forço por contemplar a realidade da escola, com as suas aspirações 
e interesses locais.
No entanto, trata-se de um documento em certo nível buro-
crático, tem estrutura formal para ser seguida e deve ser realiza-
do com base no modelo de gestão democrática. Ferreira (2007) nos 
apresenta algumas características que o projeto político-pedagógi-
co deve apresentar:
a. singularidade: por representar as características daquela co-
munidade, seus anseios e suas perspectivas. Portanto, uma 
percepção diferenciada da educação, da escola, do conheci-
mento, própria daquele ambiente cultural;
b. intencionalidade: não há ingenuidades nas escolhas dos su-
jeitos da escola. Desse modo, as escolhas revelam ser necessá-
rias e indispensáveis para a realidade factual da instituição de 
ensino. Em decorrência disso, é necessário apresentar objeti-
vos sem ambiguidades, revelar as teorias embasadoras e estar 
em acordo com um rumo pensado pela comunidade escolar;
c. democrático e democratizante: muitas experiências têm 
demonstrado que o PPP ao ser elaborado em gabinetes 
fica restrito a poucas pessoas. Dessa maneira, o processo de 
planejamento é uma excelente oportunidade para a prática 
democrática, não só na discussão, mas no assumir responsa-
bilidades e contribuir; 
d. sistematização: além de organizar o trabalho pedagógico, re-
lacionando os espaços e os tempos educativos a que se propõe 
a instituição, o PPP prevê os rumos a serem seguidos pela ins-
tituição de ensino;
127
e. coerência: o PPP deverá estar embasado em um referencial 
teórico que contenha as definições dos elementos que, para 
aquela realidade, faz- se necessário conhecer e considere os 
elementos próprios da cultura institucional e de seu contexto;
f. inclusão: através de uma proposta educacional centrada nos 
sujeitos, o PPP pretende a inclusão das diversidades (FERREI-
RA, 2007, p. 42- 43).
Além disso, esse documento ainda deve contemplar os prin-
cípios éticos da autonomia, da responsabilidade, da solidariedade e 
do respeito, de formação cidadã e aptidão para atuar e ser crítico em 
sociedade.
Para a construção do projeto político-pedagógico o planeja-
mento inicial, muitas vezes modificado em reuniões e por sugestão 
das equipes, prevê as seguintes etapas:
constituição de espaços-tempos para diálogo em todos os ní-
veis da instituição, envolvendo os diferentes sujeitos;
 ◼ estímulo à circulação da palavra, como possibilidade de rein-
ventar a dialogicidade nos espaços instituídos e instituintes 
da escola;
 ◼ reconstituição da historicidade dos sujeitos da práxis 
pedagógica;
 ◼ reflexão sobre a pesquisa, buscando torná-la um fundamento 
pedagógico;
 ◼ reflexão sobre a profissionalidade dos sujeitos da práxis 
pedagógica;
 ◼ revisão da práxis pedagógica, em suas crenças e fazeres;
 ◼ sistematização da historicidade, crenças, propostas e pers-
pectivas da instituição;
 ◼ aprovação do texto em plenária, envolvendo o máximo da po-
pulação integrante dessa comunidade escolar;
 ◼ implementação da proposta;
128
 ◼ acompanhamento, avaliação e revitalização contínua dos 
princípios orientadores: pesquisa, dialogicidade, historicida-
de e reflexão (FERREIRA, 2007, p. 43-44).
Como podemos ver, a questão do espaço tempo, historici-
dade da escola, reflexão sobre a importância da pesquisa, estímulo 
ao diálogo, a práxis pedagógica, aprovação do texto em plenária e 
implementação da proposta devem acontecer como bem orienta a 
legislação educacional pertinente. 
Quer se aprofundar nesse tema? Recomendamos o acesso à seguinte 
fonte de consulta e aprofundamento: LOPES, Noêmia. Artigo: O que 
é o projeto político-pedagógico.
Nesse momento, resumiremos tudo o que estudamos. Você deve ter 
aprendido que o projeto político-pedagógico é um documento im-
portante da escola e que nele deve conter todos os aspectos gerais 
da escola. Quais sejam: administrativo; pedagógico; financeiro etc. 
No entanto, o PPP não deve ser construído em apenas um dia, deve 
haver várias reuniões para que possam discutir o tema e tomar as 
decisões mais acertadas. Esse documento deve ser construído na es-
cola com a participação de todos que compõem o contexto escolar 
interno e externo em busca de melhorias na qualidade de ensino. 
Nesse sentido, é importante que tenhamos a consciência da impor-
tância da participação dos membros da escola. Assim, o PPP deve 
contemplar os princípios éticos da autonomia, de responsabilidade, 
de solidariedade e do respeito, na busca por formar cidadãos críticos 
e reflexivos para viver em sociedade. 
 PESQUISE
RESUMINDO
129
Conceitos e Finalidades do Projeto-Político 
Pedagógico 
Ao término deste capítulo você será capaz de entender o que é e 
como funciona um projeto político-pedagógico. Isso será fun-
damental para o exercício da sua profissão. Nessa etapa do nosso 
estudo, você vai compreender o significado do projeto político-pe-
dagógico e o porquê da sua existência na escola pública. Motivado 
para desenvolver essa competência? Vamos lá. Avante!
Figura 3 - Projeto político-pedagógico: diálogo e participação
Fonte: Pixabay (2020)
Nesse sentido, o projeto político-pedagógico é um documen-
to de extrema relevância para a escola. Nele constam dados que ex-
primem a identidade da escola, consequência do esforço coletivo, na 
busca por retratar a realidade em que a escola se encontra, propor 
soluções e buscar atingir a qualidade da educação. 
OBJETIVO
130
Conforme a Constituição Brasileira (1988) e, posteriormen-
te, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996), temos 
garantidos os objetivos da educação que deve ser promovida com 
base nos princípios de igualdade, liberdade de aprender, respeito à 
pluralidade de ideias, gestão democrática do ensino público e valo-
rização das experiências extraescolares (BRASIL, 1996). Esses são 
objetivos educacionais que a escola democrática deve garantir que 
aconteça no seu interior.
Quando falamos em construir um projeto político-pedagó-
gico, Veiga (1995) defende que o caráter político do PPP se faz pre-
sente na
[...] busca por um rumo, uma direção. É uma 
ação intencional, com um sentido explícito, 
com um compromisso definido coletivamen-
te. Por isso, todo projeto pedagógico da escola 
é, também, um projeto político por estar inti-
mamente articulado ao compromisso socio-
político com os interesses reais e coletivos da 
população majoritária. É político no sentido de 
compromisso com a formação do cidadão para 
um tipo de sociedade. [...] Pedagógico, no sen-
tido de definir as ações educativas e as carac-
terísticasnecessárias às escolas de cumprirem 
seus propósitos e sua intencionalidade (VEIGA, 
1995, p. 13).
Ainda sobre o projeto pedagógico da escola, Vasconcellos 
(1995, p. 143) destaca que se trata de “[...] um instrumento teórico-
-metodológico que visa ajudar a enfrentar os desafios do cotidiano 
da escola, de uma forma refletida, consciente, sistematizada, orgâ-
nica e, o que é essencial, participativa.”
131
Sobre essas questões, Araújo (2000, p. 155) explica que na dimensão 
política, é preciso que haja transparência pois “[...] sua existência 
pressupõe a construção de um espaço público vigoroso e aberto à 
diversidade de opiniões e concepções de mundo, contemplando a 
participação de todos os que estão envolvidos com a escola.”
Marques (1990) explica que é através da ampla participação 
dos diversos segmentos da escola que se garante a transparência 
das coisas discutidas e fortalece as pressões para que elas sejam le-
gítimas, garante o controle sobre os acordos estabelecidos e, sobre-
tudo, contribui para que sejam contempladas questões que de outra 
forma não entrariam em cogitação.
Segundo Dourado, a gestão democrática configura-se em 
descentralização de poderes, participação e transparência:
 • descentralização: a administração, as decisões e as ações 
devem ser elaboradas, tomadas e executadas de forma não 
hierarquizada;
 • participação: todos os envolvidos no dia a dia escolar devem 
participar da gestão, ou seja, professores, estudantes, funcio-
nários, pais ou responsáveis, pessoas que participam de pro-
jetos escolares e toda a comunidade ao redor da escola;
 • transparência: qualquer decisão e ação tomada/decidida ou 
implantada na escola deverá ser de conhecimento de todos 
(Dourado, 2001). 
É preciso destacar, ainda, que o sistema educacional brasi-
leiro lança normas gerais sobre as instituições escolares, que devem 
funcionar como um caminho para orientar o ensino escolar. 
Nesse contexto, na construção do projeto político-pedagógi-
co, é importante que o gestor utilize pressupostos democráticos e 
participativos. Acredita-se que apenas com a participação de modo 
CURIOSIDADE
132
ativo, por meio do diálogo e opiniões, é que a gestão se tornará de 
fato democrática.
Sobre a organização das escolas públicas que trabalham no 
modelo de gestão democrática, afirma-se que o Conselho escolar é 
o local em que há o direito a fala, realização de debates e votações 
sobre questões particulares da escola. Fazem parte do Conselho Es-
colar: representantes dos docentes, dos funcionários, da direção 
escolar, dos alunos, dos pais e da comunidade interna e externa à 
escola.
A escolha dos membros do Conselho Escolar deve acontecer 
de forma democrática, através da eleição dos candidatos represen-
tantes de cada segmento da escola, com a votação sobre a escolha 
dos mesmos. O candidato eleito deve se comprometer com o bem 
comum, dialogar e expor os obejtivos e opiniões do grupo que re-
presenta. Vale salientar que todas as propostas e decisões devem ser 
tomadas dentro do que permite as leis brasileiras e que sejam pro-
postas em prol da qualidade do ensino.
Assim, precisamos entender que o Conselho Escolar é um 
dos sustentáculos do projeto político-pedagógico da escola, pois os 
membros têm importante participação na elaboração desse docu-
mento escolar. Além disso, deve acompanhar o que está acontecen-
do no interior da unidade de ensino.
Também destaco a importância de zelar pela manutenção 
das relações pedagógicas, pelo respeito à diversidade, valorizando 
a cultura da comunidade escolar. Nesse contexto, todo o trabalho do 
Conselho Escolar deve acontecer em um ambiente agradável, per-
meado de discussões organizadas em assembleias, onde os mem-
bros representantes tenham liberdade para dialogar, na tomada de 
decisões em prol da qualidade do ensino.
133
Figura 4 - respeito às difrentes culturas
Fonte: Pixabay (2020)
Deve-se observar que o Conselho Escolar acompanha o 
que está acontecendo dentro e fora da escola e, para que isso 
aconteça, é preciso que o projeto político-pedagógico não seja 
algo apenas do campo das ideias, mas que faça parte da praxis 
pedagógica-administrativa.
Assim sendo, é função do Conselho Escolar fiscalizar se o 
PPP saiu das gavetas da escola para ser aplicado na prática. Os seus 
membros devem estar atentos às mudanças que ocorrem constan-
temente dentro e fora do contexto escolar, para saber registrá-las 
no PPP, aperfeiçoando o modo e os procedimentos de aprendizagem.
Veiga (1995) explica que o projeto político-pedagógico cami-
nha rumo a uma direção. Ou seja, é uma ação propositada, com um 
sentido explícito, em relação ao acordado definido previamente pela 
comunidade escolar. 
O projeto político-pedagógico, serve para termos conheci-
mento sobre a realidade da escola, em que estamos inseridos. Para 
que esse documento se encontre finalizado, Dourado (2001, p. 28) 
afirma que “[...] a participação dos profissionais da educação deve 
ser assegurada e incentivada na preparação do projeto pedagógico 
da escola, assim como das comunidades escolar e local nos órgãos 
de decisão colegiada.” 
134
Sob esse ponto de vista, o Conselho Escolar tem a respon-
sabilidade de realizar procedimentos avaliativos e acompanhar o 
projeto político-pedagógico das escolas. Em meio a essas responsa-
bilidades, podemos destacar a importância de manter relações pe-
dagógicas que vise à valorização e à cultura histórica da comunidade 
escolar. 
Esse órgão colegiado tem função de aprovar o plano anual, 
que é construído pela direção escolar relacionado à parte dos re-
cursos financeiros. Em relação à parte pedagógica, o Conselho deve 
acompanhar o desenvolvimento dos indicadores educacionais, a 
exemplo: aprendizagem dos alunos e evasão escolar, buscando su-
gerir intervenções e/ou medidas socioeducativas na busca pela qua-
lidade da educação nas escolas.
Nesse aspecto, o processo de democratização da gestão per-
mite que os membros do Conselho Escolar possam estar presentes 
na Construção do projeto político-pedagógico. Para tanto, é indis-
pensável que os mesmos discutam a respeito do conteúdo curricular 
exposto e possam trocar informações, experiências, a fim de che-
garem a soluções que resolvam os problemas oriundos do contexto 
escolar.
Figura 5 - construção coletiva.
Fonte: Pixabay (2020)
135
Não podemos esquecer que a teoria e a prática devem andar de mãos 
dadas. Assim, o conhecimento da teoria nos ajuda a refletir sobre 
ações do passado que precisam de reajustes, o que evita a repetição 
de erros e possibilita a revisão das ações da gestão escolar, resul-
tando num processo de ensino-aprendizagem mais eficiente.
Sob essa ótica, a construção do projeto político-pedagógico 
deve ocorrer, também, dentro do espaço da sala de aula, deve ser 
ativa, crítica e reflexiva. Esses alunos devem ter consciência de que é 
um cidadão, com direitos e deveres. Outrossim, precisa estar cons-
ciente de que pode emitir suas opiniões e propor soluções.
Figura 6 - participação de todos da escola
Fonte: Pixabay (2020).
Nesse ponto do nosso estudo, faz-se necessário compreender 
que ainda há um distanciamento na gestão democrática em relação 
à teoria e à prática. Nesse contexto, o Conselho Escolar surge com a 
finalidade de conhecer a realidade da escola e trabalhar em prol de 
melhorias de qualidade no processo ensino e aprendizagem.
IMPORTANTE
136
Sob esse aspecto, a escola democrática proporciona aos seus 
representantes um momento de fundamental importância, no sen-
tido de facilitar para que haja reuniões em um ambiente favorável e 
propício ao diálogo e à troca de conhecimentos.
Schneckenenberg (2009, p. 118) afirma que “[...] o gestor es-
colar se torna porta voz de propostas, de intenções que nem sempre 
se concretizam, já que a transformação da realidade depende da re-
flexão crítica do trabalho coletivo para fins específicos.”
Sobre o papel da escola ao adotar os padrões democráticos 
de gestão, Dourado (2001, p.67) explicaque “a autonomia da escola 
se amplia com ações de incentivo à participação e, também, com a 
criação de mecanismos de construção coletiva do projeto pedagógi-
co.” O autor explica ainda que a reflexão coletiva tem a intenção de 
propor ações que façam parte da identidade da escola, oferecendo 
novos conteúdos e objetivos de acordo com a realidade do contexto 
escolar.
Dentro desse processo, o gestor cumpre o importante papel 
de mediar, observar e direcionar as aspirações das pessoas envol-
vidas nesse processo. Logo, a troca de experiências, opiniões, re-
flexões e a divisão de responsabilidades contribuem para a busca de 
uma educação de qualidade. 
Quer se aprofundar nesse tema? Recomendamos o acesso à seguinte 
fonte de consulta e aprofundamento: Oliveira (2020). Artigo: “Pro-
jeto Político Pedagógico”.
 PESQUISE
137
Afinal, você deve ter aprendido que o projeto político-pedagógico 
(PPP) é um documento que contém a identidade da escola. Nesse 
contexto, temos a participação do Conselho Escolar na elabora-
ção do (PPP), responsável por realizar procedimentos avaliativos 
e acompanhá-los no contexto escolar. Assim, merecem destaque 
as relações pedagógicas que, além de respeitar o conhecimento do 
professor, devem valorizar a cultura histórica da comunidade e da 
escola. O Conselho Escolar, por sua vez, tem a finalidade de aprovar 
os planos anuais de atuação administrativa-pedagógica na escola, 
elaborado pela direção escolar.
O projeto Político-Pedagógico da esco-
la na perspectiva de uma Educação para a 
Cidadania
Ao término deste capítulo, você será capaz de perceber como fun-
ciona a gestão escolar democrática e, sobretudo, os processos ine-
rentes ligados à cidadania e à orientação participativa dos membros 
da comunidade escolar. Na hora de tomar decisões, é indispensável 
a participação de todos com sugestões e possíveis abordagens para 
as necessidades da escola. Assim, as instituições de ensino devem 
saber que tipo de cidadão objetivam formar, preparando-os para a 
vida em sociedade. Motivado para desenvolver essa competência? 
Vamos lá: avante!
RESUMINDO
OBJETIVO
138
Figura 7 - gestão democrática e cidadania
Fonte: Pixabay (2020).
Nesse sentido, a elaboração de um PPP para a escola tem o 
objetivo de sistematizar o trabalho pedagógico. Esse documento 
registra a história da escola desde a sua fundação (acontecimentos 
relevantes), bem como o currículo da escola, o planejamento, as 
formas de avaliação, o funcionamento escolar durante o ano letivo, 
colaboradores, estrutura física e materiais duráveis.
Não posso deixar de lembrar que é nesse documento que 
também se encontram os princípios educacionais que regem o co-
tidiano da instituição: como é compreendida a educação e as bases 
curriculares para uma formação baseada na cidadania. Por isso, 
para a sua elaboração, precisamos contar com a gestão, professo-
res, especialistas etc. Enfim, representantes da comunidade interna 
e externa à escola.
Sobre essas questões, Libâneo (2016) adverte que é preciso 
ficar atento, pois se a gestão é democrática e garantida por lei, não 
se pode tomar decisões, por exemplo, sob uma concepção funciona-
lista, conforme veremos
As concepções de gestão escolar refletem, por-
tanto, posições políticas e concepções de ho-
mem e sociedade. O modo como uma escola 
se organiza e se estrutura tem um caráter pe-
dagógico, ou seja, depende de objetivos mais 
amplos sobre a relação da escola com a conser-
vação ou a transformação social. A concepção 
funcionalista, por exemplo, valoriza o poder e 
139
a autoridade, exercidas unilateralmente. En-
fatizando relações de subordinação, determi-
nações rígidas de funções, hipervalorizando a 
racionalização do trabalho, tende a retirar ou, 
ao menos, diminuir nas pessoas a faculdade de 
pensar e decidir sobre seu trabalho. Com isso, o 
grau de envolvimento profissional fica enfra-
quecido (LIBÂNEO, 2016, p. 3-4). 
Nesse contexto, o autor recomenda a forma coletiva de ges-
tão, com decisões tomadas coletivamente e discutidas entre todos 
os indivíduos da comunidade escolar. Após a tomada de decisão, a 
equipe escolar deve assumir a sua parte no trabalho, com coordena-
ção e avaliação sistemática das decisões. Confome Libâneo ( 2016, p. 
3), a gestão deve concentrar-se:
 ◼ definição explícita de objetos sócio-políticos e pedagógicos 
da escola, pela equipe escolar. Articulação entre a atividade de 
direção e a iniciativa e participação das pessoas da escola e das 
que se relacionam com ela;
 ◼ a gestão é participativa, mas espera-se, também, a gestão da 
participação;
 ◼ qualificação e competência profissional;
 ◼ busca de objetividade no trato das questões da organização e 
gestão, mediante coleta de informações reais;
 ◼ acompanhamento e avaliação sistemáticos com finalidade 
pedagógica: diagnóstico, acompanhamento dos trabalhos, 
reorientação dos rumos e ações, tomada de decisões;
 ◼ todos dirigem e são dirigidos, todos avaliam e são avaliados. 
rtante considerar que o princípio democrático inerente à 
gestão educacional pode ser dificultado pelos diferentes interesses 
advindos dos grupos da comunidade escolar. Dito de outro modo, o 
processo de tomada de decisão leva em consideração as diferentes 
opiniões, dos mais diversos setores escolares. Visto isso, deve-se 
estimular o diálogo e a compreensão para lidar com as diferentes 
140
concepções e, assim, chegar a um consenso que contribua positiva-
mente para o ensino-aprendizagem.
A seguir seguem as especificidades da participação dos mem-
bros para a construção de um projeto político-pedagógico:
Figura 8 – Projeto político-pedagógico
Fonte: Elaborada pela Autora
O mais importante nas reuniões de construção do projeto po-
lítico-pedagógico é que haja o diálogo e que cada profissional saiba 
a razão de sua proposta ser aceita ou não. Isso ajuda a evitar pen-
samentos de rejeição e vitimização. É importante lembrar que cada 
escola, em seu funcionamento interno, possui particularidades e 
necessidades que precisam ser resolvidas, algumas destas podem 
contar com a parceria da Secretaria de Educação do Estado ou mu-
nicípio para a resolução.
O projeto político-pedagógico deve ser escrito de forma res-
ponsável, contendo o posicionamento de possíveis soluções em prol 
da qualidade do ensino, e devendo estar, obrigatoriamente, confor-
me a legislação brasileira. Nada do que está escrito nele poderá ter 
141
alguma relação com a ilegalidade, independentemente da sugestão 
dos profissionais. Por isso, é necessário realizar várias reuniões para 
que se chegue a um consenso sobre o conteúdo do documento, le-
vando também em consideração o que pode e o que não pode acon-
tecer no interior da escola. 
Figura 9 – A diversidade nas particularidades das escolas brasileiras
Fonte: Pixabay
O projeto deve ser pensado e elabordo para que todos sejam 
beneficiados, e a qualidade no ensino e aprendizagem, que é o obje-
tivo fundamental das instituições de ensino, seja melhorada. A es-
cola deve possuir autonomia para suas deliberações, observando as 
normas vigentes e as esferas superiores, e sempre buscando inovar 
para que se efetive a qualidade do ensino.
Um bom projeto político-pedagógico deve incluir represen-
tantes de toda a comunidade interna e externa à escola. É impor-
tante que todas as propostas e opiniões sejam decididas de forma 
democrática, pois são decisões importantes que irão formar cida-
dãos críticos e atuantes em nossa sociedade, além de buscarem a 
qualidade da educação da escola pública.
142
A partir da finalização deste documento, a escola deve divul-
gá-lo e começar a colocar o que foi escrito em prática. Vale lem-
brar que reuniões periódicas devem ser realizadas a fim de avaliar 
e discutir o que foi planejado, em prol de cumprir metas que foram 
propostas a curto, médio e longo prazo.
A Gestão Escolar Democrática e o Projeto Político-
Pedagógico na Perspectiva de uma Educação Para 
a Cidadania
Conforme já foi descrito nos capítulos anteriores,o PPP é o docu-
mento no qual está escrito a identidade da escola. Ele dá vida ao que 
deve acontecer no interior das escolas públicas, apontando cami-
nhos para remar rumo à educação de qualidade.
Oliveira (2006) defende que o entendimento do conceito de 
gestão como administração e organização da escola, juntamente ao 
PPP organizado de forma democrática, deve caminhar na escola de 
forma entrelaçada, revelando a sua complexidade. Assim, o plane-
jamento global da escola, que se materializa neste documento, deve 
ser subsidiado pela realidade escolar.
É por meio do projeto político-pedagógico que se decide o mode-
lo de cidadão que a escola irá formar. Sobre essa questão, Pimenta 
(1991) acrescenta que esse documento resulta da construção coleti-
va dos atores da educação escolar: 
Ele é a tradução que a escola faz de suas finali-
dades, a partir das necessidades que lhe estão 
colocadas, com o pessoal - professores/alu-
nos/equipe pedagógica/pais - e com os recur-
sos de que dispõe (p.79). 
CURIOSIDADE
143
Conquistar uma equipe para trabalhar de forma democráti-
ca e com comprometimento ao que foi definido pela escola, requer, 
primeiramente, compromisso do gestor. Para realizar esse trabalho, 
ele deve ter o perfil de liderança que traga a equipe para junto dele, 
sempre tendo como objetivo o projeto educativo da escola.
A partir desse entendimento, Libâneo (2016), visando buscar 
a participação, cita como princípios da organização escolar: 
 • A autonomia das escolas e da comunidade educativa;
 • Relação orgânica entre a direção e a participação dos mem-
bros escolares;
 • Envolvimento da comunidade escolar;
 • Planejamento de tarefas;
 • Formação continuada para o desenvolvimento pessoal e pro-
fissional dos integrantes da comunidade escolar;
 • Utilização de informações concretas e análise de cada proble-
ma em seus múltiplos aspectos, com ampla democratização 
das informações;
 • Avaliação compartilhada;
 • Relações humanas produtivas, criativas e assentadas na busca 
por objetivos comuns.
O autor ainda detalha que a autonomia está relacionada com 
a capacidade das pessoas se autogovernarem, o que proporciona a 
oportunidade de decisão do próprio destino. Frente a essa respon-
sabilidade de cada um e a gestão da escola, a gestão democrática 
não pode ficar restrita ao discurso da participação, às eleições, às 
assembleias e reuniões, conforme ressalta o autor: “[...] a organi-
zação escolar democrática implica não só a participação na gestão, 
mas a gestão da participação”. (Libâneo, 2015, p.118). Além diso, 
é importante estar atento a manipulações de desejos e interesses, 
evitando casos de corrupção moral. Por isso, é preciso que a gestão 
se organize para comprometer e mobilizar toda equipe escolar, não 
apenas alguns.
144
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte 
fonte de consulta: 
Artigo: “PPP, Escola e Cidadania”, de Eliane da Costa Bruini.
Agora, para termos certeza de que você realmente entendeu o tema 
de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos! Você 
viu que a gestão democrática e o projeto político-pedagógico visam 
uma educação para a cidadania. Através deste documento e de uma 
gestão que tenha responsabilidade, liderança e que saiba trazer as 
pessoas que fazem parte do contexto escolar a participarem ativa-
mente de sua construção, pode-se chegar a soluções que abranjam 
melhorias na qualidade do ensino. Também foi discorrido um pouco 
sobre a construção do projeto político-pedagógico, abordando seu 
surgimento a partir da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional nº 9394/96) com o intuito de que todos os membros da 
comunidade escolar atuem ativamente de forma dinâmica e parti-
cipativa para que seja possível colocar em prática na escola o que foi 
decidido por intermédio do PPP. 
 PESQUISE
RESUMINDO
145
A Gestão da Escola Básica e o Princípio da 
Autonomia Administrativa, Financeira e 
Pedagógica
Ao término deste capítulo, você será capaz de compreender como 
ocorre a gestão na educação básica que deve garantir o princípio da 
autonomia administrativa, financeira e pedagógica. Ademais, você 
verá que a gestão também deve garantir que o projeto político-pe-
dagógico seja construído de forma democrática ou fiscalizado pelo 
Conselho de Escola, além de contribuir para colocar em prática os 
princípios da autonomia administrativa, financeira e pedagógica. E 
então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos 
lá! 
Figura 10 - Gestão democrática: participação e diálogo
Fonte: Pixabay
O uso do termo “gestão democrática” é utilizado com o intui-
to de se contrapor à concepção centralizadora e burocrática de ad-
ministração, que por muito tempo perdurou na sociedade brasileira. 
Por isso, é entendida como dinâmica mobilizadora que faz articula-
ções com o intuito de buscar a cooperação e participação de todos os 
que fazem parte da escola. Sobre a questão da gestão educacional, 
Ferreira (2003) explica que:
[...] a gestão da educação, enquanto tomada de 
decisão, organização, direção e participação, 
não se reduz e circunscreve na responsabi-
lidade de construção do projeto político-pe-
dagógico. A gestão da educação acontece e se 
146
desenvolve em todos os âmbitos da escola, in-
clusive e especialmente na sala de aula, onde 
se objetiva o projeto político-pedagógico não 
só como desenvolvimento do planejado, mas 
como fonte privilegiada de novos subsídios 
para novas tomadas de decisões e para o esta-
belecimento de novas políticas [...](p.16).
Desse modo, é perceptível que a gestão deve se fazer presen-
te dentro dos muros da escola de forma democrática. Nisto, não há 
funcionários maiores ou menores, devendo apenas existir o gestor, 
que é o líder, atuando junto aos especialistas, professores, conse-
lheiros, funcionários de modo geral, alunos, pais de alunos e assim 
por diante. 
Vale salientar que o professor também é um gestor pedagógi-
co, pois media a aprendizagem entre os conhecimentos que se en-
contram nas propostas pedagógicas curriculares e a realidade em 
relação aos seus alunos. Como gestor de sua turma, ele deve traba-
lhar em prol da democratização do conhecimento, socializando com 
todos e tendo claro seus objetivos e critérios avaliativos. Tudo isso 
deve acontecer na busca pelo melhor gerenciamento do processo de 
ensino-aprendizagem.
Sobre a gestão democrática, Veiga (1995) explica que:
Gestão democrática é um princípio consagrado 
pela Constituição vigente e abrange as dimen-
sões pedagógica, administrativa e financeira. 
Ela exige uma ruptura histórica na prática ad-
ministrativa da escola, com o enfrentamen-
to das questões de exclusão e reprovação e da 
não-permanência do aluno na sala de aula, 
o que vem provocando a marginalização das 
classes populares. Esse compromisso impli-
ca a construção coletiva de um projeto políti-
co-pedagógico ligado à educação das classes 
populares. A construção do projeto político 
pedagógico parte dos princípios de igualdade, 
qualidade, liberdade, gestão democrática e va-
lorização do magistério (p.17).
147
Pensando na questão da gestão democrática, na construção 
do projeto político-pedagógico e nas questões de garantir princí-
pios de igualdade, qualidade, liberdade, gestão democrática e valo-
rização do magistério a todos os que fazem parte da escola, Bastos 
(2001) ainda complementa:
A gestão democrática da escola pública deve 
ser incluída no rol de práticas sociais que po-
dem contribuir para a consciência democrática 
e a participação popular no interior da escola. 
Esta consciência, esta participação, é preciso 
reconhecer, não tem a virtualidade de trans-
formar a escola numa escola de qualidade, mas 
têm o mérito de implantar uma nova cultura na 
escola: a politização, o debate, a liberdade de se 
organizar, em síntese, as condições essenciais 
para os sujeitos e os coletivos se organizarem 
pela efetividade do direito fundamental: aces-
so e permanência dos filhos das classes popu-
lares na escolapública (p. 22-23).
Figura 11 - Diálogo com comunidade interna e externa à escola
Fonte: Pixabay
148
Desse modo, é possível entender que essa autonomia veio 
para dentro dos muros escolares com a ideia de descentralizar certo 
poder que por muito tempo ficou nas mãos de poucas pessoas. 
A partir da década de 1980, as coisas começam a mudar no 
Brasil, principalmente com a chegada da democracia, que também 
é regulamentada para acontecer dentro das escolas. A partir disso, 
a participação, a colaboração, o poder de sugerir, discutir e chegar a 
conclusões para possíveis tomadas de decisões se fazem presentes 
na instituição de ensino. 
O principal foco discutido em relação a estas mudanças é a au-
tonomia, que visa trilhar por caminhos que atinjam a qualidade do 
ensino. Deste modo, podemos dividir a autonomia em 4 dimensões:
Administrativa
Figura 12 - O líder é o gestor
Fonte: Pixabay
Essa dimensão visa tomar decisões por meio da elaboração de 
planos, programas e projetos. Para tanto, é preciso que sejam ela-
borados por pessoas que fazem parte da escola, porque, conhecendo 
a realidade escolar, entende-se que existem maiores possibilidades 
149
de êxito nas decisões tomadas. Sendo assim, é preciso organizar um 
grupo com esta finalidade, neste caso, o Conselho Escolar, como já 
mencionado em capítulos anteriores. 
Para fazer parte do Conselho Escolar, é preciso que haja a 
candidatura de pessoas que se disponibilizem a representar a cate-
goria da qual fazem parte na escola. Feita a eleição, a(s) função(ões) 
que cada um deve desempenhar neste conselho são estabelecidas. 
Reuniões periódicas e que devem ser públicas também devem acon-
tecer com certa frequência, lideradas pelo presidente do conselho. 
Um indivíduo da comunidade interna ou externa que desejar par-
ticipar, pode frequentar e ter momentos de fala nos debates sobre 
questões da pauta do dia, mas quem tem direito ao voto são os re-
presentantes que representam cada categoria.
O Conselho Escolar também tem a função fiscalizar se as de-
cisões tomadas estão de sendo cumpridas. Caso contrário, deve-se 
descobrir o(s) motivo(s) e tentar resolvê-los. Portanto, o Conselho 
Escolar tem o caráter de contribuir efetivamente para que a comu-
nidade escolar participe, por meio de sua representação e de forma 
democrática, nas tomadas de decisões.
Financeira
Figura 13 - Administrar recursos financeiros
Fonte: Pixabay
150
A escola recebe recursos financeiros que não podem ser gas-
tos de qualquer forma, pois eles possuem regras e finalidades para 
sua utilização. É preciso fazer uma análise do que a instituição pre-
cisa e qual o valor estimado de gastos, evitando a perda de dinheiro 
com itens não prioritários. Por isso, é muito importante realizar um 
planejamento sobre as questões orçamentárias da escola. Vale sale-
intar também que a nota fiscal deve ser emitida, cumprindo todos os 
pré-requitos legais. 
Posteriormente, no momento da prestação de contas, caso 
seja identificada alguma irregularidade, a verba destinada à escola 
é suspensa até que se identifique e resolva o problema. Desse modo, 
conforme o Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos 
Escolares, os sistemas de legislação e normas de ensino no Brasil 
conferem aos conselhos escolares as seguintes competências: de-
liberativas, consultivas, fiscais e mobilizadoras, com as seguintes 
funções:
a. Deliberativas: quando decidem sobre o projeto político-peda-
gógico e outros assuntos da escola, aprovam encaminhamen-
tos de problemas, garantem a elaboração de normas internas 
e o cumprimento das normas dos sistemas de ensino, e deci-
dem sobre a organização e o funcionamento geral das esco-
las, propondo à direção as ações a serem desenvolvidas. Além 
disso, elaboram as normas internas da escola sobre questões 
referentes ao seu funcionamento nos aspectos pedagógico, 
administrativo e financeiro.
b. Consultivas: quando têm um caráter de assessoramento, ana-
lisando as questões encaminhadas pelos diversos segmentos 
da escola e apresentando sugestões ou soluções, que poderão 
ser acatadas ou não pelas direções das unidades escolares.
c. Fiscais (acompanhamento e avaliação): quando acompa-
nham a execução das ações pedagógicas, administrativas e fi-
nanceiras, avaliando e garantindo o cumprimento das normas 
das escolas e a qualidade social do cotidiano escolar.
d. Mobilizadoras: quando promovem a participação, de for-
ma integrada, dos segmentos representativos da escola e da 
151
comunidade local em diversas atividades, contribuindo para 
a efetivação da democracia participativa e para a melhoria da 
qualidade social da educação (BRASIL, 2004).
Desse modo, fica visível que a escola tem que adequar seus 
recursos financeiros para efetivar seus planos e projetos.
Jurídica
Figura 14 - Fiquem atentos à legislação brasileira e à legislação da educação
Fonte: Pixabay
Cada unidade escolar pode e deve elaborar suas normas, res-
peitando o que rege a legislação de ensino, tais como: transferên-
cias, disciplina, avaliações, admissão de professores, entre outros. 
Essas normas de funcionamento fazem parte de um regime interno 
elaborado com a colaboração dos representantes de cada segmento 
da escola. 
152
Pedagógica
Figura 15: O professor é o gestor da sua sala de aula
Fonte: Pixabay
As questões pedagógicas devem estar definidas de forma bem 
clara no projeto político-pedagógico, não esquecendo a condição 
necessária ao ensino e à pesquisa. Nesse sentido, temos a identidade 
e função social da escola. Desse modo, quando falamos em autono-
mia devemos lembrar de inserir a comunidade nos processos deci-
sórios da escola, contribuindo para um gestão democrática.
A autonomia deve acontecer na escola no sentido de buscar 
formas eficazes de trilhar sempre o caminho do ensino de qualida-
de. Para isso, muitos diálogos, participações, debates, conflitos e 
resoluções de conflitos e o amadurecimento da equipe escolar são 
exigidos em prol de melhores decisões que visem o desenvolvimen-
to da aprendizagem dos alunos. Por isso, os custos e benefícios polí-
ticos são avaliados, ajustados sempre aos interesses da escola.
153
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte 
fonte de consulta: 
Artigo: “A autonomia na gestão escolar: um olhar sobre a realidade 
da escola pública em Maceió”, de Gilvanildo da Silva e Inalda Maria 
dos Santos.
Agora, para termos certeza de que você realmente entendeu o tema 
de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos! Você 
deve ter aprendido sobre a relação entre a gestão da escola pública 
e o princípio da autonomia administrativa, financeira e pedagógi-
ca, o que contribui para uma gestão democrática sem burocracia e 
rigidez, dando espaço para uma gestão que permite a participação, 
a divisão nas tomadas de decisões e a construção do PPP. Esse tipo 
de gestão deve levar em consideração os princípios de igualdade, 
qualidade e liberdade, visando a valorizarização do magistério. Ela 
deve ser dinâmica e mobilizadora, tendo como líder um gestor que 
vise buscar abertura para a comunidade escolar interna e externa, 
melhorando a qualidade do ensino.
 PESQUISE
RESUMINDO
154
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UNIDADE 3
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www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/ Constituiçao.htm.dentro da escola fazendo a 
sua parte. Por isso, assim como há a possibilidade de encontrarmos 
escolas com boa estrutura e bom funcionamento, podemos também 
encontrar escolas com boa estrutura, mas um mau funcionamento.
Políticas educacionais pós 1990
Vamos falar sobre as políticas educacionais pós 1990, pois é a partir 
desse ano que se promulgou, no Brasil, uma nova Constituição Fe-
deral (1988), a qual garantiu a democracia em nosso país e em nosso 
sistema educacional. Em seguida, em 1996, tivemos a instituição da 
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que, assim como a 
política de Educação Nacional, está regida pela nova configuração 
política na qual o nosso país estava entrando.
É nesse contexto, entre as décadas de 1980 e 1990, que temos 
o uso da nomenclatura “educação básica”. Também durante esse 
período, começa a engatinhar uma política educacional que con-
temple os nossos alunos. No Governo do Presidente José Sarney, foi 
produzido um documento orientador para a política educacional do 
nosso país chamado “Educação para todos: caminhos para mudan-
ça” (Brasil/MEC, 1995).
16
É com o estabelecimento da LDBEN (9394/96), que se reti-
ra o uso das denominações primeiro e o segundo grau, sendo essas 
substituídas por “educação básica”, termo que abrange a Educação 
Infantil (creche e pré-escola), Ensino Fundamental e Ensino Médio. 
A educação básica tem como finalidade o pleno desenvolvimento do 
educando, e assegura a formação comum necessária ao exercício da 
cidadania e o desenvolvimento de meios para progredir no trabalho 
e em estudos posteriores. (Brasil, 1996).
Dessa forma, compreende-se que a educação básica é ne-
cessária ao desenvolvimento do indivíduo, pois é através dela que 
o aluno vai buscar adquirir conhecimentos básicos com a inten-
cionalidade de progredir socialmente. Nesse sentido, o ideal seria 
que quem estivesse na escola trilhasse um caminho para formar-se 
como um cidadão crítico e atuante em nossa sociedade.
A LDBEN nº 9.394/96 assegura, no capítulo I, art. 24, que 
a educação básica será organizada por regras. Pode-se citar como 
exemplo a carga horária mínima anual de 800 horas para o ensi-
no fundamental e médio, sendo essas distribuídas em 200 dias 
letivos. Desse montante, exclui-se o tempo reservado a exames fi-
nais, quando houver. Ainda sobre a LDBEN nº 9.394/96, seu artigo 
21 divide a educação em dois níveis: básico e superior, este com-
preendendo graduação, especialização, mestrado, doutorado e 
pós-doutorado; e aquele, educação infantil, ensino fundamental e 
ensino médio.
As modalidades de ensino são:
 • Educação de Jovens e Adultos;
 • Educação Especial;
 • Educação Profissional e tecnológica;
 • Educação à Distância;
 • Educação Especial;
 • Educação Básica do Campo;
 • Educação Indígena;
17
 • Educação Quilombola.
Vamos entender um pouquinho mais sobre a educação básica 
de nosso país:
A Educação Infantil
É a primeira etapa da educação básica, iniciando na creche 
com crianças de 0 a 3 anos, e indo até a pré-escola, com crianças de 
4 a 5 anos. Esse nível da educação é ofertado pelos municípios.
O Ensino Fundamental
É a segunda tapa da educação básica e está dividido em En-
sino Fundamental I e II, tendo uma duração de 9 anos. Geralmente, 
essa etapada abrange alunos de 6 a 14 anos e é ofertada pelos esta-
dos e municípios.
O Ensino Médio
É a terceira etapa da educação básica, tendo duração de 3 anos 
e contemplando alunos de 15 a 17 anos aproximadamente. Deve ser 
ofertado pelo estado.
O Ensino Superior
Acontece após o ensino médio e é ofertado a nossos alunos 
pelo Governo Federal. Apesar de ser fundamental para o desenvol-
vimento do aluno e para a sua preparação para o mercado de traba-
lho, ainda não se tem um acesso universal a esse nível de formação. 
O acesso ao ensino superior dá-se por meio de seleção, seja para as 
faculdades públicas ou privadas.
Educação de Jovens e Adultos
É ofertada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade 
dos estudos no ensino fundamental e médio na idade própria.
Educação Profissional e Tecnológica
É entendida como uma ação voltada para o permanente de-
senvolvimento de aptidões para a vida produtiva.
18
Educação Especial
É destinada aos educandos com necessidades educativas es-
peciais, sendo promovida pela rede regular de ensino e podendo ser 
ofertada em instituições especializadas.
Educação Básica do Campo
Atende a população rural e deve adequar-se às peculiarida-
des de quem vive no campo, que diferem de região para região. A 
identidade da escola do campo deve estar atrelada diretamente às 
questões da realidade dos alunos. Com isso, devem haver propos-
tas pedagógicas que contemplem a diversidade nos seus aspectos 
sociais, culturais, políticos, econômicos, de gênero, geração e etnia.
Educação Escolar Indígena
Deve acontecer em territórios indígenas, valorizando sua cul-
tura e estando de acordo com as particularidades de sua realidade. 
A educação escolar indígena deve possuir uma pedagogia própria.
Educação Escolar Quilombola
É desenvolvida em unidades educacionais que estejam em ter-
ritórios quilombolas. Essa modalidade de ensino precisa valorizar a 
cultura quilombola do local na qual está estabelecida, também com 
o uso de pedagogia própria e valorizando a especificidade étnico-
-cultural deles, que em cada território possui suas particularidades.
Sobre a organização e o funcionamento da estrutura escolar, 
observamos no art. 23 da LDBEN nº 9394/96 que a educação básica 
pode ser organizada em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, al-
ternância regular de períodos de estudos e grupos não-seriados. Para 
que isso aconteça, a organização da estrutura escolar pode basear-se 
também na idade, na competência ou em outros critérios, sempre que 
o interesse pelo processo de ensino-aprendizagem assim exigir.
No art. 50 da mencionada lei, o acesso à escola por parte de 
todos está previsto como direito constitucional, podendo qualquer 
cidadão ou grupo de cidadãos acionar o poder público para exigi-
-lo. O art. 5 reitera essa postulação ao afirmar que a educação bá-
sica é um direito de todos, devendo haver vagas para todos aqueles 
que necessitem de acesso à escola. No art. 6, é-nos informado que é 
19
dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula das crianças na 
educação básica a partir dos 4 (quatro) anos de idade. 
Você deve ter aprendido que gestão escolar e políticas públicas de-
vem caminhar de mãos dadas. Tais políticas, por sua vez, existem 
para apoiar o gestor, que deve atuar de acordo com o que está previs-
to a legislação brasileira. Vimos que a gestão democrática está apoia-
da no modelo político vigente no país, desde o momento em que 
saímos de um modelo de Regime Militar e passamos ao presidencial. 
Com a Constituição Federal de 1988, temos os primeiros registros 
de direito à gestão democrática; e em 1996, temos estabelecida a Lei 
de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional nº 9.394/96. Nesse 
ínterim, abrem-se espaços para outras legislações apoiarem a ad-
ministração democrática nas escolas públicas. Por isso, é necessário 
que se determinem os níveis e modalidades de ensino no Brasil.
Políticas e organização da educação básica 
no Brasil: estrutura e funcionamento dos 
sistemas de ensino da educação básica
Caro estudante, nesta unidade você vai ter a oportunidade de ve-
rificar qual é a importância da função social no contexto escolar e 
na educação. Será que ambas fazem parte da mesma coisa ou cada 
uma tem uma função específica? Será que a escola e a educação têm 
o intuito de colaborar com a formação das pessoas? Essas polêmicas 
serão trabalhadas através de teorias que nos possibilitem chegar a 
uma conclusão em relação à temática abordada.
RESUMINDO
OBJETIVO
20
A história da educação moderna remonta ao início da forma-
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	Capa_Gestão Educacional_SER e Telesapiens (Para Impressão)
	Ebook_Gestão Educacional_SER e Telesapiensdo passado, eram 
essencialmente coletores e caçadores, não havendo ainda domina-
do as técnicas da agricultura, e não possuíam moradia fixa. Diante 
disso, podemos questionarmo-nos como se dava a educação nesse 
contexto de constante errantismo. 
Nesse momento histórico, a estrutura educacional estava 
profundamente atrelada à cultura oral e era, majoritariamente, fei-
ta pelos membros mais velhos da comunidade, porém, a educação 
ainda não era, à época, formalizada enquanto prática social. Não 
havia, como hoje, um local, horário, leis e metodologias especifica-
mente pensados para a organização educacional, sendo ela feita via 
instrução oral e informal. Durante esse período, pode-se dizer que a 
estrutura social vigente impactava mais a educação, pois determi-
nava quem iria passar os conhecimentos às crianças, do que outros 
elementos que hoje consideramos influentes.
Em relação à educação, Brandão (2002) menciona que
[...] ninguém escapa da educação. Em casa, na 
rua, na igreja ou na escola, de um modo ou de 
muitos, todos nós envolvemos pedaços da vida 
com ela: para aprender, para ensinar, para 
aprender-e-ensinar, para saber, para fazer, 
para ser ou para conviver, todos os dias mistu-
ramos a vida com a educação. Com uma ou com 
várias: educação? Educações. (p. 7).
O autor, na citação acima, menciona que a educação ultra-
passa os limite do contexto escolar, pois existe antes mesmo da ins-
trução formal, é passada de geração em geração e está presente em 
todos os âmbitos da estrutura social, mesmo sem modelo formal 
de ensino. A educação existe de um modo muito mais amplo do que 
aquele que aprendemos na escola, pois ela é um fenômeno cotidia-
no, intrínseco à própria vida humana. Ela resulta da sociedade na 
qual estamos inseridos e da cultura em que estamos imersos, aquela 
vivenciamos no cotidiano no seio da sociedade, desse modo, somos 
educados.
21
Assim, Brandão (2002) preconiza que a escola, seja qual for 
a finalidade do ensino, é apenas um lugar com conhecimentos ela-
borados e pensados para acontecer naquele detreminado lugar, com 
dia e hora marcada, para promover uma determinada aprendizagem.
Com o surgimento do sedentarismo e obsolescência do modo 
de vida nômade no âmbito das comunidades humanas, começa-
ram a surgir novas maneiras de organização, um exemplo disso é 
a mudança do caráter das propriedades, que antes eram comunais 
e, agora, passam a ser privadas. Com isso, mudam-se as relações 
interpessoais e as dinâmicas sociais, que estão agora sob a égide da 
propriedade privada.
Sendo assim, pode-se dizer que as relações de poder na so-
ciedade derivam desse processo de divisão de bens e da cisão do 
caráter comunal da propriedade, convertendo-se em privado. Se-
guindo esse caminho, a educação que antes era difusa, passa a ser 
uma educação para poucos: os ricos ficavam com a educação inte-
lectual e as classes abastadas com a educação profissional, o que fez 
com que houvesse profundas desigualdades no campo da educação.
Assim, surge a classe dos burgueses e a dos proletários, do-
minantes e dominados, ou seja, inicia-se o que mais tarde, seria 
denominado de capitalismo. Não se olhava mais, nesse contexto, 
para o lado humano, mas sim para o lucro. Pouco importava se a 
pessoa seria explorada, o que interessava era quanto o burguês iria 
lucrar naquele negócio. Surge aí a venda da força de trabalho, tor-
nando-se o trabalhador apenas uma peça dispensável no processo 
de produção.
Essa nova organização de sociedade causou impactos, princi-
palmente, nos modos de vida, alterando a concepção que tínhamos 
de homem, sociedade, educação e trabalho. Sobre a pessoa proletá-
ria, Enguita (1989) fala que
[...] não existe para elas outra via disponível de 
obtenção de seus meios de vida senão o tra-
balho assallariado, este goza já de aceitação 
social, os que o rejeitam têm sido relegados a 
uma posição marginal e a cultura dominante 
bendiz e reproduz a tudo isto. (p. 30).
22
Segundo o autor, pegando esse lado do capital, o qual deixa de 
lado o ser humano e passa a visar o lucro, a escola também começa 
a pôr em prática essa divisão de classes, ou seja, ela torna-se local 
específico para se por em prática o que a sociedade determinava se-
guindo o sistema capitalista. 
Enguita (1989) julga que o modelo de escola vigente segue a 
lógica do capital, passando o mínimo de conhecimento acadêmico 
para as classes mais populares e, em vez disso, adestrando em mas-
sa os futuros trabalhadores assalariados. Não se pode negar que a 
escola foca na disciplina, pontualidade, na realização dos trabalhos, 
controle e frequência.
Após ampliação de nossos conhecimentos a cerca do que era 
a educação nesse contexto histórico, podemos compreender que 
a educação que almejamos não é essa que faz a divisão de classes 
com base no capitalismo. Temos o intuito de suscitar em você, lei-
tor, uma visão crítica acerca da realidade, a fim de que você passe a 
valorizar o ser humano em todos os seus aspectos, sejam biológicos, 
materiais, afetivos, estéticos ou lúdicos. A educação, assim, deve ter 
o intuito de valorizar o homem de acordo com sua necessidade.
Assim, as escolas devem ter o anseio de desevolver projetos 
que valorizem o lado humano, visando respeitar cada realidade es-
colar e buscando desenvolver o lado crítico e reflexivo, sempre bus-
cando transformações da sociedade. Temos que ter em mente que 
a escola deve ter consideração por seu papel na sociedade, buscan-
do dar impulso à sistematização do saber e difundir a cultura que é 
passada de geração em geração.
Aqui, podemos verificar que a educação deve ser entendida 
em sua amplitude como algo muito maior do o alcance da educação 
escolar. A educação, conforme a explicação de Brandão (2002), está 
em todo lugar, seja na rua, na praça, na igreja etc.; de um jeito ou de 
outro, estamos sempre sendo educados. A escola é, porém, arquite-
tada para transmitir conhecimentos teóricos e científicos, forman-
do o cidadão para a vida profissional, haja vista que uma hora de sua 
vida ele vai ingressar no mercado do trabalho.
23
A função social da escola e sua relação com a 
democracia
Com base nas leituras anteriores, podemos ter noção da função 
social tanto da educação quanto da escola. Podemos compreender 
que a educação é algo mais amplo, pois acontece através de práticas 
oriundas da sociedade. Logo, em relação à educação, podemos ob-
servar que ela também acontece além dos muros da escola. (Bran-
dão, 2002).
Figura 3 - Escola pública
Fonte: Pixabay (2020)
Nesse contexto, conceber a escola enquanto criação humana 
só tem sentido se ela legitimizar-se perante a sociedade. Tal insti-
tuição baseia sua função social na formação humana, a qual tem o 
intuito de viabilizar a construção e socialização do saber produzido.
Assim, Frigoto (1999) retrata que tanto a educação quanto a 
formação devem caminhar de mãos dadas, visando sanar as neces-
sidades humanas. Logo “[...] a educação e a formação humana terão 
como sujeito definidor as necessidades, as demandas do processo de 
acumulação de capital sob as diferentes formas históricas de socia-
bilidade que assumem” (p. 30).
Como instituição social, a escola deve trabalhar em cima dos 
valores, conhecimentos e atitudes, o que acaba causando potenciais 
24
mudanças na sociedade. Dessarte, quando falamos sobre a função 
social da escola, nossos esforços giram em torno de repensar o seu 
próprio papel, sua organização e a prática de seus atores.
De acordo com Althusser (1980), a escola contribui para a re-
produção da ordem social. No entanto, ela também participa de sua 
transformação, às vezes intencionalmente; outras vezes, as mu-
danças se dão apesar da escola.
A questão que deve ser posta de fato é: a instrução ofertada na 
escola não alcança de igual maneira todos os estudantes que estão 
contidos nela, por quê?
De acordo com Silva (2005), o currículo escolar ainda está 
muito fincado na cultura dominante, emitindo códigos que as crian-
ças das classesdominantes podem facilmente entender, pois fazem 
parte da realidade delas. Contudo, para as crianças das classes su-
balternas, tudo fica mais difícil de decifrar se esse código não faz 
parte do seu dia a dia. Como elas não sabem do que se tratam esses 
códigos, a escola termina sendo algo estranho a ela.
Dessa maneira, é previsível que a escolá trará sucesso para as 
crianças das classes dominantes, que sairão desse espaço bem en-
caminhadas para o ensino superior. Já as crianças que fazem parte 
das classes dominadas, com o seu insucesso, acabam desistindo e 
não concluindo sequer o Ensino Médio.
Nas escolas, se paramos para observar o contraste, percebe-
mos a desigualdade, pois as crianças das classes dominantes veem 
a sua cultura reconhecida, ao passo que as crianças das classes do-
minadas, ao frequentar a escola, não enxergam a sua cultura valori-
zada, tornando tudo muito mais difícil. Quando já se tem um capital 
cultural baixo ou praticamente nulo, como é o caso das classes me-
nos abastadas, e não há incentivo para que haja o aumento desse 
capital cultural, ou quando não se faz nada para que essa realidade 
mude, estamos contribuindo para a reprodução dessa classe domi-
nante. (Silva, 2005).
A essa altura, você deve estar se perguntando por que esta-
mos falando de relações de poderes e de reprodução de estruturas 
de dominância. Esses conceitos servem para explicar o porquê de 
25
o sistema escolar ser um formador e reprodutor dessas dinâmicas 
previamente estabelecidas — o que é lamentável pelo fato de per-
petuar a desigualdade social.
Conforme Bourdieu e Passeron (1982), o “sistema educativo” 
é compreendido como o conjunto dos mecanismos institucionais 
que garantem a transmissão entre as gerações da cultura acumula-
da (herdada). Nesse ínterim, é necessário que a direção, os profes-
sores, os pais, os alunos e toda a comunidade escolar compreendam 
que a escola é um espaço contraditório, onde devem coexistir os co-
nhecimentos ancestral e prescrito.
Tendo essa compreensão, é primordial que cada escola crie 
um Projeto Político Pedagógico (PPP) com o intuito de atender às 
peculiaridades locais. Nas ações pedagógicas propostas, vale res-
saltar que essas devem estar dotadas de sentidos, refletindo direta-
mente concepções que podem ser autoritárias ou democráticas, que 
podem estar explícitas ou não.
Desse modo, quando pensamos na função social da educação 
e da escola, urge a necessidade de problematizar a estrutura dessas 
instituições, a fim de alcançarmos a escola que queremos. Por isso, o 
PPP não deve ser um documento que seja realizado por uma pessoa, 
mas sim por representantes de diversos segmentos da escola, haja 
vista que é um documento coletivo. Para isso acontecer, é preciso 
que a escola proporcione mecanismos efetivos de participação para 
esse processo de construção, visando a uma elaboração democrática 
desse documento.
De acordo com Libâneo (1998), é preciso pensar e repensar 
o papel da escola numa perspectiva emancipadora e, para que isso 
aconteça, ele destaca quatro pontos:
O primeiro deles é o de preparar os alunos para 
o processo produtivo e para a vida numa socie-
dade tecno-científica-informacional. Significa 
preparar para o trabalho e também para as for-
mas alternativas do trabalho. (p. 34)
Ainda sobre os referidos pontos, o autor comenta:
26
Em segundo lugar, [há] o objetivo de propor-
cionar meios de desenvolvimento de capaci-
dades cognitivas e operativas, ou seja, ajudar 
os alunos nas competências do pensar autôno-
mo, crítico e criativo. [...] O terceiro objetivo é a 
formação para a cidadania crítica e participa-
tiva. [...] O quarto objetivo é a formação ética. 
É urgente que os diretores, coordenadores e 
professores entendam que a educação moral é 
uma necessidade premente da escola atual (Li-
bâneo, 1998, p. 1).
Desse modo, a escola precisa repensar seu papel no sentido 
de ser espaço de formação geral, privilegiando habilidades e conhe-
cimentos necessários para inserção na sociedade.
Para finalizar este tópico, discutimos sobre a função social da 
escola e, a seguir, caminharemos para discutir o papel das políticas 
públicas e que implicâncias tais políticas têm num sistema escolar 
regido pelo modelo de gestão democrática. Adianto que falaremos 
em gestão democrática, porque é isso que está garantido na Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96, a qual explicita 
que a função de diretor, atualmente chamado de gestor, não se limi-
ta apenas a realizar atividades meramente burocráticas da escola, 
mas sim garantir espaços na escola em que aconteçam ações cole-
giadas que envolvam democraticamente os representantes de cada 
categoria que atua na comunidade escolar.
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o 
tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. 
A educação conforme explicação de Brandão (2002), está em todo 
lugar, seja na rua, na praça, na igreja... De um jeito ou de outro, 
estamos sempre sendo educados. A escola é mais delimitada para 
transmitir conhecimentos teóricos, científicos, formando o cidadão 
para a vida e que uma hora de sua vida vai ingressar no mercado 
RESUMINDO
27
do trabalho. Fazer parte de um contexto capitalista, faz a educação 
girar em torno do lucro, entendendo a escola como reprodução do 
conhecimento, quando o foco deve ser um espaço para humanizar 
as pessoas, formar um cidadão crítico e atuante. Logo, a gestão de-
mocrática deve contornar os conflitos do dia a dia, afastando-se 
de questões meramente administrativas, para gerir junto a comu-
nidade escolar as questões pedagógicas, financeiras e de relações 
pessoais.
A gestão democrática da educação e da 
escola - Conceitos e princípios
Caro estudante, nesta unidade você vai ter a oportunidade de verifi-
car qual é a importância da gestão democrática aplicada à educação 
e à escola. Será que ambas fazem parte do mesmo conceito ou cada 
uma tem uma função específica? Esses conteúdos serão trabalhados 
através de teorias que nos possibilitem a chegar a uma conclusão em 
relação à temática abordada. Vamos lá?
A gestão democrática na escola pública, após a decada de 
1990, promoveu mudanças de comportamentos e de formas de 
pensar a organização escolar. Esse tipo de gestão, quando implan-
tada nas escolas, deve proporcionar espaços de atuação que for-
mem os alunos para o exercício de sua cidadania. Mas, para que isso 
aconteça é preciso caminhar rumo à união entre sociedade, aluno 
e conhecimento. Logo, é necessário que ações sejam desenvolvidas 
cotidianamente, a fim de viabilizar o diálogo, agregando às decisões 
os desejos, os interesses e as necessidades da comunidade escolar.
OBJETIVO
28
Figura 4- Gestão democrática
Fonte: Pixabay (2020)
Segundo Henriques (2002), o movimento em favor da Ges-
tão Escolar acontece durante a década de 1980, na qual constantes 
discussões eram presente em favor da descentralização da gestão 
das escolas públicas, que teve apoio nas reformas legislativas que 
aconteciam no momento. 
A autora destaca três vertentes importantes em meio a este 
acontecimento e explica que, a partir de então, as escolas passariam 
a contar com: a participação da comunidade escolar para selecionar 
os seus diretores; a criação de um Conselho Escolar; e o repasse de 
recursos financeiros, para que a instituição possa utilizá-los com 
mais autonomia. Esse avanço representa a possibilidade de conse-
guir atender às particularidades de cada escola de nosso país.
Henriques (2002) ainda sobre esse assunto diz que a gestão 
democrática é uma prática que veio para estimular as formas de ge-
rir as escolas brasileiras. Mas, para que isso aconteça é preciso mu-
dar a concepção de participação, pois passou a ser preciso trazer a 
colaboração dos pais, alunos, funcionários, professores, e todos os 
interessados na qualidade do processo ensino-aprendizagem.
Uma gestão que esteja interessada em integrar os desejos da 
comunidade escolar deve ter como objetivo garantira qualidade 
para todos e saber conduzir uma prática que respeite diversidade 
local, étnica, social e cultural. O desafio, então, se baseia em romper 
com concepções estáticas e históricas nos acontecimentos internos 
29
da escola, tais como: o consenso, a adaptação, a ordem, a hierarquia. 
Essas adaptações são necessárias porque o contexto atual requer 
profissionais que valorizem a dinâmica na escola em que a contra-
dição, a mudança, o conflito e a autonomia, de fato, aconteçam. 
É diante desse cenário que as discussões atuais que mais se 
destacam giram em torno da aprendizagem dos alunos, a fim de que 
se sejam sujeitos do processo de aprendizagem. Para tanto, é preci-
so que o professor reconheça atitudes e desempenhos diferenciados 
dos seus estudantes no decorrer do processo ensino-aprendizagem, 
conforme pontuam Gadotti e Romão (1998).
Tendo em vista esse objetivo, ainda há muito a se fazer no in-
terior de nossas escolas, pois conquistar os profissionais à partici-
pação é o primiro passo. Entretanto, nem todos tem consciência da 
importância do seu papel de colaborador, enquanto divisor de res-
ponsabilidades. Pois, juntos podem trazer a partipação dos pais, dos 
alunos, dos demais envolvidos no funcionamento da escola pública. 
Segundo Luck (2001), a mudança do termo ‘administração’ 
para ‘gestão’ aconteceu com a intencionalidade de romper com a 
posição do administrador, que centralizou, por muito tempo, as de-
cisões e as ações em suas mãos. Com essa mudança, o uso do termo 
gestor veio para descentralizar as tomadas de decisões no interior 
das escolas, dividindo, assim, responsabilidades com toda a comu-
nidade escolar. Permitindo, assim, que a gestão democrática acon-
teça não mais a partir das relações de poderes, mas dos esforços 
para que haja um trabalho coletivo, na busca por tomada de decisões 
e ações conscientes em prol de um bem comum. Por isso, reforço 
que o diálogo, na gestão democrática, é estar a disposição de com-
preender o outro.
Em se tratando de Gestão Democrática, é preciso que seja es-
clarecido entre os participantes das reuniões que cada escola tem 
a sua realidade. Destituindo, nesse momento, a autoridade do di-
retor como centro da solução, para resolver o problema é preciso 
desenvolver na escola o hábito da participação, da colaboração e de 
envolvimento político pedagógico segundo argumenta Paro (1997). 
Por isso, o autor destaca também que o conselho escolar é uma boa 
opção para que se exerça o espaço democrático dentro das escolas. 
30
Pois, as decisões que partem dele funcionam como uma forma 
para dividir responsabilidades, proporcionando autonomia para as 
escolas.
É importante também pensar como é vista a figura do dire-
tor na gestão escolar, tornando-se ele um líder que gerencia todo 
o processo de construção do ensino-aprendizagem e de funciona-
mento da comunidade escolar. Conforme Ferreira (2004), para ser 
um gestor, é preciso ter perfil, citando algumas características es-
senciais, são elas: conhecimento da realidade da escola, condições 
pessoais, vocação e formação contínua. Essas atribuições existem 
não apenas pela complexidade da tarefa, mas porque o cargo de 
gestor exige que o profissional seja um agente de mudança.
Desse modo, o líder de mudanças é aquele que se encarrega 
de levar adiante as tarefas, enfrentar conflitos, buscar soluções e 
arriscar-se sempre diante do novo. Por isso, faz-se necessário de-
senvolver o espírito de liderança, propondo abordagens inovadoras, 
com parcerias e estratégias de ação, com muito trabalho em equipe, 
eficiência e saber colocar em prática a dimensão do como e quando 
fazer.
Figura 5 - Legislação da educação brasileira
Fonte: Pixabay (2020)
Na atualidade, o mercado torna as escolas mais competitivas. 
Por isso, gestor escolar, enquanto líder, e os demais sujeitos envol-
vidoa na comunidade escolar devem estar abertos às mudanças e às 
inovações, no campo das ciências, da tecnologia, da comunicação e 
da informação para que possam andar em igualdade com as demais 
31
escolas. Esse é um dos tantos motivos pelos quais se faz necessário 
conscientizar que todos são sujeitos responsáveis por sua atuação, 
em menor proporção, na escola e, em maior, na sociedade. Dessa 
forma,
a democracia é o meio político de salvaguardar 
a diversidade social e cultural dos membros 
da sociedade nacional ou local, simultanea-
mente à manutenção de uma língua nacional 
e um sistema jurídico que se aplique a todos; 
é a única possibilidade de limitar a crescente 
dissociação entre racionalidade instrumental 
e identidades culturais; é uma luta pela liber-
tação em relação a um poder, seja o despotis-
mo racionalista, seja a ditadura comunitária; 
é um espaço de tensões e conflitos, ameaçado 
constantemente por algum poder; é o espaço 
institucional livre, no qual se desenvolve esse 
trabalho do sujeito sobre si mesmo, trabalho 
pelo qual as pessoas encontram o papel de 
criadoras e produtoras, não somente de con-
sumidoras. (Ghanem, 2004, p. 21-23).
Sendo assim, o espírito democrático nas escolas configura-se 
como o principal norte da Gestão democrática. Portanto, a ideia é 
promover o crescimento da população escolar estudantil, não im-
porta a sua condição social, mas devem ser proporcionadas oportu-
nidades de acesso e permanência nas escolas.
Vamos lá! Será que os participantes da escola tem consciência 
do que é democracia? Para que uma escola se torne democrática é 
preciso formar as pessoas saber cobrar seus direitos e se tornar um 
cidadão atuante.
Entretando, a abertura ao diálogo na escola não significa di-
zer que vamos ter concensos, pois surgirão conflitos e isso não é 
maléfico, mas que seja aberto um diálogo e será através dele que 
serão tomadas decisões. Para isso tornar-se real, é preciso criar um 
ambiente seguro, onde haja confiança, comprometimento e res-
ponsabilidade no papel que a escola desempenha por parte dos indi-
víduos. o Conselho Escolar tem se tornando justamente esse espaço, 
32
buscancdo unir teoria e prática na democratização das escolas pú-
bicas, coforme pontua Paro (2005).
Sobre esta questão, Libâneo (2004) explica que a participação 
leva a escola há um processo de alcançe de autonomia nas decisões 
da escola, deste modo:
[...] requer vínculos mais estreitos com a co-
munidade educativa, basicamente os pais, a 
entidades e as organizações paralelas à escola. 
A presença da comunidade na escola, especial-
mente dos pais, tem várias implicações. Prio-
ritariamente, os pais e outros representantes 
participam do Conselho da Escola da Associa-
ção de Pais e Mestres para preparar o projeto 
pedagógico curricular e acompanhar e avaliar 
a qualidade dos serviços prestados. (Libâneo, 
2004, p. 144).
Por isso, o autor esclarece que para autonomia e democracia 
acontecerem de fato na escola é preciso deixar claro para os seus 
participantes a força transformadora que eles têm juntos. Para tan-
to, é preciso explicar como funcionam as ações das instâncias cole-
giadas, tais como: a Associação de Pais Mestres e Funcionários, do 
Grêmio Estudantil, do Projeto Político Pedagógico e Conselho Esco-
lar. Vamos explicar cada uma delas abaixo.
 • Associação de Pais, Mestres e Funcionários:
Deve ter representantes de cada um dos segmentos. Tem 
objetivos administrativos e pedagógicos, mas é fundamental sua 
atuação no setor financeiro da escola, pois precisam deles para gerir 
de forma direta as verbas recebidas. São eles quem decidem como os 
recursos que escola recebe serão gastos. Para que haja transparência 
sobre os gastos da escola, eles devem ser registrados e expostos em 
local visível para a comunidade escolar.
33
Figura 6 - Associação de Pais, Mestres e Funcionários
Fonte: Pixabay (2020)
 • O Grêmio Estudantil:
É uma liderança estudantil, projeto cuja existência na ges-
tão democrática instiga a aprendizagem e a integração do aluno nas 
práticas sociais e democráticas.
Figura 7 - O Grêmio Estudantil
Fonte: Pixabay (2020)
34
 • O ProjetoPolítico Pedagógico:
Figura 8 - O Projeto Político Pedagógico
Fonte: Pixabay (2020)
É um documento produzido a partir de planejamento, que 
deve acontecer com todos que fazem parte da escola e/ou por re-
presentantes de segmento escolar, com o intuito de construir um 
documento que vai funcionar como a identidade da escola, trazendo 
o histórico da instituição, seus problemas e possíveis soluções para 
eles.
 • O Conselho Escolar:
Realiza reuniões ordinárias, as quais podem ser realizadas 
mensalmente, e as extraordinárias, quando for preciso. Essas reu-
niões é o momento para que os representantes dos diversos segmen-
tos da escola dialoguem e, a partir daí, sejam tomadas as decisões. 
Também existe o Conselho Disciplinar, de natureza consultiva e de-
liberativa, que, em caso necessário, aplica as sanções disciplinares 
presentes no Regimento Escolar.
Porque só assim, após a construção do PPP, todos os que fa-
zem parte da comunidade escolar – gestores, docentes, discentes, 
pais, técnicos administrativos e de apoio, tais como: porteiro, me-
rendeira, limpeza e comunidade local – após terem colaborado com 
suas opiniões, devem contribuir com a escola, no sentido de tentar 
cumprir metas, ações e objetivos neles propostos sejam alcançados, 
35
fiscalizando e avaliando como as decisões estão sendo colocadas em 
prática.
Figura 9- Conselho Escolar
Fonte: Pixabay (2020)
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o 
tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. 
Você deve ter aprendido que o formato de gestão de uma escola deve 
seguir a democracia, por isso a denominação Gestão Democrática. 
Para tanto, estes princípios devem ser colocados em prática por um 
gestor líder, não sendo a figura que impõe as suas decisões sem o 
diálogo para resolver as particularidades de uma escola. Nesse pro-
cesso, não podemos esquecer a legislação que rege a educação brasi-
leira, sem deixar de lado a autonomia, necessária para que algumas 
decisões internas aconteçam em prol do melhor processo ensino-
-aprendizagem. Por isso, é preciso colocar em prática a conscienti-
zação do papel de todos que fazem parte da escola e da importância 
das instâncias colegiadas. Assim, todos que fazem a comunidade 
escolar devem mandar seus representantes para discutir questões 
que diz respeito à escola.
RESUMINDO
36
A gestão democrática da educação e 
algumas políticas que influenciam no 
processo
Neste tópicos vamos entender o porquê de a nossa legislação brasi-
leira ter um marco legal sobre Gestão Democrática nas escolas pú-
blicas. Porém, para chegar até aí, percorremos um longo caminho, 
pois esse direito é inicialmente assegurado pela Constituição Fede-
ral de 1988.
Antes de mais nada, você deve se perguntar por que foi pre-
ciso fazer a inserção do direito à gestão democrática nas escolas na 
Constituição Federal. O motivo se dá com a saída do país de uma 
configuração de Regime Militar, após serem anunciadas as eleições 
presidenciais, era preciso que esse documento fosse atualizado. A 
partir dessas mudanças, passamos a ter assegurado, na CF de 1988, 
o direito à educação pública e gratuita, além da garantia que as es-
colas fossem administradas através da gestão democrática. Por isso, 
afirma-se que o marco legal da Gestão Democrática das escolas pú-
blicas se deu com o seu primeiro registro na Constituição Federal e, 
em seguida, de forma mais detalhada na Lei de Diretrizes e Bases da 
Educação Nacional N.9394/96.
Vamos conhecer como isso aconteceu e até os dias atuais 
continua sendo colocado em prática?
Como vimos, após a saída do Regime Ditatorial, temos pro-
mulgada a Constitução Federal de 1988, que traz, em seus artigos 
205 e 206, a base para se colocar em prática o princípio da gestão 
democrática na educação pública brasileira, para formar o cidadão 
integral e pleno para desenvolver a sua cidadania. É importante 
ressaltar que a saída de um período antidemocrático e totalitário 
marcou a educação nacional, uma vez que as mudanças abriram as 
OBJETIVO
37
portas para o diálogo e a construção do que viria a acontecer nas 
escolas públicas, conforme nos lembra Cury (2005). 
A Constituição Brasileira (1988), no Art.205 encontramos 
que: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, 
será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, vi-
sando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o 
exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Já no Art. 
206 encontramos as seguintes afirmações:
I - igualdade de condições para o acesso e
permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e
divulgar o pensamento, a arte e o saber;
III - pluralismo de ideias e de concepções pe-
dagógicas, e coexistência de instituições pú-
blicas e privadas de ensino;
IV - gratuidade do ensino público e estabeleci-
mentos oficiais;
V - valorização dos profissionais da educação 
escolar, garantidos, na forma da lei, planos 
de carreira, com ingresso exclusivamente por 
concurso público de provas e títulos, aos das 
redes públicas;
VI - gestão democrática do ensino público, na
forma da lei;
VII - garantia de padrão de qualidade;
VIII - piso salarial profissional nacional para 
os profissionais da educação escolar pública, 
nos termos de lei federal. (Brasil, 1988).
Para tanto, é preciso estar atento, pois para ser um bom ges-
tor, ser democrático em relação aos acontecimentos de uma escola, 
não significa aceitar tudo e escutar a todos, sem diálogo. Apesar de 
o diálogo ser de suma importância para entender o que é solicitado, 
é preciso ter esclarecidas reais necessidades da instituição. Assim, 
38
para chegar a algum encaminhamento o gestor deve embasar suas 
ações, principalmente, na legislação brasileira.
Para ser um bom gestor, é preciso que o profissional se esfor-
ce para conhecer a legislação que rege a educação brasileira e as po-
líticas públicas, pois deve zelar para que sejam colocadas em prática 
nas escolas públicas. Posto que a escola tem o respaldo da ter certa 
autonomia para o seu funcionamento.
Neste momento de sua leitura, você pode estar se perguntando: se a 
escola é pública, até onde o gestor tem autonomia ou não para tomar 
decisões coletivas na escola? Nem sempre todas as ideias e soluções 
que aparecerem serão viáveis para serem colocadas em prática. É o 
gestor quem vai dar a palavra final, se acata ou não as sugestões e 
o mesmo do jeito que tem que ter sensibilidade para saber ouvir e 
dialogar. Para, em meio as propostas, ter sabedoria para alcançar a 
solução que melhor estiver de acordo com as diretrizes da legislação 
brasileira.
Logo após a promulgação da Constituição Federal (1988), é 
sancionado em 1996, a Lei 9.394/96, que é Lei de Diretrizes e Bases 
da Educação Nacional, que tem em seus artigos 12, 13 e 14 informa-
ções que tocam diretamente na questão dos Sistemas de Ensino e 
como os mesmos devem acontecer, em relação à gestão escolar:
Artigo 12. Os estabelecimentos de ensino, res-
peitadas as normas comuns e as do seu sistema 
de ensino, terão a incumbência de:
I - elaborar e executar a sua proposta 
pedagógica;
II - administrar seu pessoal e seus recursos 
materiais e financeiros;
SAIBA MAIS
39
III - assegurar o cumprimento dos dias letivos 
e
horas aulas estabelecidas;
IV – velar pelo cumprimento do plano de 
trabalho
de cada docente;
V – prover meios para a recuperação dos alunos
de menor rendimento;
VI – articular-se com as famílias e a comuni-
dade, criando processos de integração da so-
ciedade com a escola;
VII – informar aos pais e responsáveis so-
bre a frequência e o rendimento dos alunos, 
bem como sobre a execução de sua proposta 
pedagógica.
Artigo 13. Os docentes incumbir-se-ão de:
I – participar da elaboração da proposta 
pedagógica
do estabelecimento de ensino;
II – elaborar e cumprir plano de trabalho, se-
gundo a proposta pedagógica do estabeleci-
mento de ensino;
III – zelar pela aprendizagem de ensino;
IV– estabelecer estratégias de recuperação 
para
os alunos de menor rendimento;
V – ministrar os dias letivos e horas-aula es-
tabelecidos, além de participar integralmen-
te dos períodos dedicados ao planejamento, à 
avaliação e ao desenvolvimento profissional;
VI – Colaborar com as atividades de articulação
da escola com as famílias e a comunidade.
40
Artigo 14. Os sistemas de ensino definirão 
as normas da gestão democrática do ensino 
público na educação básica, de acordo com 
suas peculiaridades e conforme os seguintes 
princípios:
I - participação dos profissionais da educação 
na elaboração do Projeto Pedagógico da escola;
II - participação da comunidade escolar e local 
em Conselhos Escolares ou equivalentes. (Bra-
sil, 1996).
Podemos verificar que os artigos 12, 13 e 14 têm atribuições 
e destacam as responsabilidades não só dos professores, como da 
necessidade de todo um trabalho em conjunto com os demais pro-
fissionais da escola, que deve estar embasado na teoria e, conse-
quentemente, na prática da gestão democrática.
Compreende-se por comunidade local, representantes de to-
dos os profissionais da escola, tais como pais, alunos, funcionários 
da escola e comunidade escolar. Essas pessoas devem agir em par-
cerias na busca do melhor desenvolvimento da aprendizagem dos 
alunos, por isso necessita-se da colaboração de todos na elaboração 
do Projeto Pedagógico. Esse material deve ser um guia para a gestão 
trilhar para não ficar presa às expectativas do Ministério da Edu-
cação, ou das a Secretarias de Educação Municipal e Estadual, que 
propõem o mesmo modelo de projetos educativos para diferentes 
realidades sob um olhar de longe externo e generalista da educação.
Desse modo, a gestão democrática existe para colocar em 
práticas normas e legislações previstas em lei aliando isso às 
particularidades de demandas de uma escola com autonomia e 
responsabilidade. Por isso, está posto na LDB (9394/96) que os es-
tabelecimentos de ensino, regidos pela gestão democrática, devam 
ter a responsabilidade de elaborar e executar coletivamente a sua 
proposta pedagógica. Eles devem, assim, administrar os recursos 
administrativos, financeiros, pedagógicos e humanos da escola, 
articular-se também com a comunidade e as famílias, provendo a 
interação entre a sociedade e a escola.
41
Já discorremos sobre a importância e determinação da Ges-
tão democrática estar garantida por meio da Constituição Federal 
(1988) e a LDB (9394/96), agora vai discorrer sobre a gestão escolar 
e o Plano Nacional de Educação.
Apenas recapitulando, a gestão escolar democrática chega na 
legislação brasileira, após estas discussões já terem ganhado corpo 
no cenário internacional e estarmos saindo do modelo do Regime da 
Ditadura Militar por volta da década de 1980. A gestão escolar passa, 
então, a acontecer nas escolas públicas com o objetivo de promover 
a descentralizações de poderes no interior das escolas.
Diante desse contexto, o Plano Nacional de Educação foi uma 
exigência posta em nossa legislação e quando passou a ter valida-
de, lançou diretrizes, metas e estratégias para acontecer nas escolas 
juntamente com o auxílio das políticas educacionais, afim de dar 
conta das demandas em prazos de dez em dez anos.
Desde o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, em 1932, 
o PNE é um plano a ser posto em prática na sociedade brasileira. Na 
Constituição de 1934, no Art. 150, já constava a solicitação para que 
a União estabelecesse um plano nacional de educação, mas naquele 
período, pouco se fez em relação a essa questão.
Em 1990, o Brasil participou da Conferência Mundial de Edu-
cação para Todos, que aconteceu na Tailândia (1990), em Nova 
Delhi, à convite da UNESCO, UNICEF, PNUD e Banco Mundial e lá 
foram discutidas questões relacionadas à construção de bases para 
o Plano Decenal de Educação, focando essa projeção para os países 
subdesenvolvidos. Nas conferências foram debatidas temáticas em 
relação à educação, principalmente, em relação à democratização e 
descentralização na educação, que foram colocadas em prática mais 
tarde no Brasil. 
Deste modo, passamos a trabalhar com prática de desen-
volver a autonomia das escolas e a descentralização dos recursos 
financeiros, ou seja, surgiram e foram colocados em prática meca-
nismos com a finalidade de superar as dificuldades educacionais e 
administrativas. Diante desse cenário de mudanças e urgências para 
o campo educaional, A LDB nº 9.394, de 1996, trouxe orientações 
para a elaboração de um plano de educação que deve ser renovado a 
42
cada dez anos. No Art. 9º, é destacado que cabe à União, a elaboração 
desse plano em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os 
Municípios. 
Quando passou os primeiros dez anos, foi feita outra avalia-
ção de como se encontrava a educação de nosso país, algo que rees-
truturou o PNE e resultou em diretrizes, vinte metas e estratégias 
para serem colocadas em prática na educação, no período de 2014 
a 2024. Apesar de não ser objetivo deste Componente Curricular 
discorrer detalhadamente o PNE, destacaremos apenas as questões 
que tratam sobre gestão escolar democrática.
Em sequência, o Art. 2º é importante para nossos estudos, 
pois trata do acesso da gestão democrática nas escolas públicas. No 
Art. 9º, tem o prazo de 2 anos para aprovarem leis detalhem como 
deve acontecer a gestão democrática. A meta 19, tem a discussão 
sobre a aprovação de condições para a sua execução, estabelecendo 
8 estratégias para a sua construção no âmbito educacional. Vamos 
ver em detalhes, a seguir, essa meta para entender melhor como ela 
deve funcionar no contexto educacional.
19.1 priorizar o repasse de transferências vo-
luntárias da União na área da educação para 
os entes federados que tenham aprovado le-
gislação específica que regulamente a matéria 
na área de sua abrangência, respeitando-se a 
legislação nacional, e que considere, conjunta-
mente, para a nomeação dos diretores e dire-
toras de escola, critérios técnicos de mérito e 
desempenho, bem como a participação da co-
munidade escolar;
19.2 ampliar os programas de apoio e forma-
ção aos(às) conselheiros(as) dos conselhos de 
acompanhamento e controle social do FUN-
DEB, dos conselhos de alimentação escolar, 
dos conselhos regionais e de outros e aos(às) 
representantes educacionais em demais con-
selhos de acompanhamento de políticas pú-
blicas, garantindo a esses colegiados recursos 
financeiros, espaço físico adequado, equipa-
mentos e meios de transporte para visitas à 
43
rede escolar, com vistas ao bom desempenho 
de suas funções;
19.3 incentivar os estados, o Distrito Federal e 
os municípios a constituírem fóruns perma-
nentes de educação, com o intuito de coorde-
nar as conferências municipais, estaduais e 
distrital bem como efetuar o acompanhamen-
to da execução deste PNE e dos seus planos de 
educação;
19.4 estimular, em todas as redes de educação 
básica, a constituição e o fortalecimento de 
grêmios estudantis e associações de pais, asse-
gurando-se- lhes, inclusive, espaços adequa-
dos e condições de funcionamento nas escolas 
e fomentando a sua articulação orgânica com 
os conselhos escolares, por meio das respecti-
vas representações;
19.5 estimular a constituição e o fortalecimen-
to de conselhos escolares e conselhos mu-
nicipais de educação, como instrumentos de 
participação e fiscalização na gestão escolar e 
educacional, inclusive por meio de programas 
de formação de conselheiros, assegurando-se 
condições de funcionamento autônomo;
19.6 estimular a participação e a consulta de 
profissionais da educação, alunos(as) e seus 
familiares na formulação dos projetos políti-
co- pedagógicos, currículos escolares, planos 
de gestão escolar e regimentos escolares, as-
segurando a participação dos pais na avaliação 
de docentes e gestores escolares;
19.7 favorecer processos de autonomia peda-
gógica, administrativa e de gestão financeira 
nos estabelecimentos de ensino;
19.8 desenvolver programas de formação dediretores e gestores escolares, bem como apli-
car prova nacional específica, a fim de subsi-
diar a definição de critérios objetivos para o 
44
provimento dos cargos, cujos resultados pos-
sam ser utilizados por adesão (Saviani, 2014, 
59-60).
Deste modo, estas metas que se encontram no PNE foram 
propostas, com a preocupação de sanar as limitações das práticas de 
gestão que há nas legislações anteriores. Por isso, são esclarecidos 
mecanismos de como colocar em prática e a sua devida prática para 
que as metas se mantenham vivas nos contextos escolares, dando 
funções aos níveis Estaduais, Federais e a todos da escola. Deste 
modo, fica claro que não há mais espaços para as antigas práticas 
autoritárias, sendo então redefinidas, com políticas educacionais 
que fortalecem a prática da Gestão Escolar. Esta se consolida através 
da criação e do estabelecimento de projetos e programas do governo 
que visam a mudança do cenário educacional.
Portanto, o Plano Nacional de Educação foi aprovado em 2001 
e instituiu a obrigatoriedade de Estados e municípios de elaborarem 
os seus planos. Essas exigências constam nas Diretrizes da Educa-
ção Nacional, no Art. 5º:
Os planos plurianuais da União, dos Estados, 
do Distrito Federal e dos Municípios serão ela-
borados de modo a dar suporte às metas cons-
tantes do Plano Nacional de Educação e dos 
respectivos planos decenais. (Brasil, 2000).
Por isso, é importante esclarecer a importância da partici-
pação de toda a comunidade escolar interna e externa à escola no 
processo de elaboração do plano municipal decenal, pois nele deve 
estar expresso a articulação de ideias para a elaboração da identida-
de local bem esclarecida. Na sequência, deve haver a aprovação do 
plano a ser realizada na Câmara Municipal, pelo poder Legislativo. 
Para tanto, o Governo Federal esclarece que para a construção de 
um Plano Municipal de Educação, significa:
[...] um grande avanço, por se tratar de um pla-
no de Estado e não somente um plano de go-
verno. A sua aprovação pelo poder legislativo, 
transformando-o em lei municipal sanciona-
da pelo chefe do executivo, confere poder de 
45
ultrapassar diferentes gestões. Nesse prisma, 
traz a superação de uma prática tão comum 
na educação brasileira: a descontinuidade que 
acontece em cada governo, recomeçar a histó-
ria da educação, desconsiderando as boas polí-
ticas educacionais por não ser de sua iniciativa 
(Brasil, 2005, p. 9).
Deste modo, é obrigação dos diversos segmentos, que fazem 
parte da comunidade escolar, participarem da elaboração do Plano 
Municipal de Educação, pois:
[...] constitui-se como o momento de um pla-
nejamento conjunto do governo com a so-
ciedade civil que, com base científica e com 
a utilização de recursos previsíveis, deve ter 
como intuito responder às necessidades so-
ciais. Todavia, só a participação da sociedade 
civil (Conselho Municipal de Educação, asso-
ciações, sindicatos, Câmara Municipal, dire-
tores das escolas, professores e alunos, entre 
outros) é que garantirá a efetivação das di-
retrizes e ações planejadas. O desafio para os 
municípios é elaborar um plano que guarde 
consonância com o Plano Nacional de Educa-
ção e, ao mesmo tempo, garanta sua identida-
de e autonomia (Brasil, 2005, p. 10).
É interessante ainda destacar que o Plano Municipal de Edu-
cação deve ter sua estrutura semelhante ao PNE. Nele, deve cons-
tar o diagnóstico da realidade do município, seguido de princípios 
e objetivos gerais. Isso tem que ser realizado por meio dos conse-
lhos municipais, através de uma análise de como está a realidade da 
educação daquele município. A partir disso, considera-se o contexto 
social, os aspectos demográficos, avaliando dados dos censos esco-
lares, do desempenho das escolas, da gestão e da análise do currí-
culo escolar. Somente de posse das avaliações e dos resultados que 
se segue para a etapa seguinte: a de propor diretrizes, objetivos e 
metas para a educação no município. Uma orientação reforçada no 
documento é a de por em prática o princípio da Gestão Democrática.
46
Após a finalização e aporvação desse documento, o proces-
so não para aí, porque deve passar constantemente por avaliação e 
reavaliação, com o intuito de melhor colocar em práticas as metas 
nele proposto, por isso é dinâmico. Com esse objetivo, é necessá-
rio a criação de um comitê permanente de avaliação do plano, para 
realizar as análises das propostas e políticas públicas referentes à 
educação.
Ao final deste tópico, esclareço que a gestão democrática é 
uma prática que está legalizada, faz parte da legislação brasileira 
por meio da Constituição Federal (1988), Lei de Diretrizes e Bases 
da Educação Nacional, no. 9394/96 e Plano Nacional de Educação 
(PNE, 2001 e 2014).
Neste tópico, você deve ter aprendido que a estrutura e o funcio-
namento da educação brasileira estão baseado na legisação fede-
ral. Além disso, a educação atual deve ser regida sobre o modelo de 
Gestão Educacional, no que diz respeito a forma de gerir as escolas. 
Vimos que a educação tem legislação p´ropria e que o Plano Nacional 
de Educação acontece a cada dez anos, o último foi elaborado com 
metas que contempla a qualidade da educação. Em suma, a legisla-
ção também requer que haja o plano Estadual e Municipal Escolar, 
ambos com especificidades das particularidades de onde a educação 
escolar se encontre presente.
RESUMINDO
UN
ID
AD
E
2
Objetivos
 ◼ Conhecer os fundamentos teóricos e legais da Gestão 
Democrática;
 ◼ Conhecer os fundamentos e as ferramentas da gestão em 
ambientes escolares e não escolares que atendam aos desa-
fios da contemporaneidade;
 ◼ Compreender os princípios e diferentes características da 
gestão democrática;
 ◼ Compreender como a gestão pode acontecer em espaços es-
colares e não escolares, com o foco na atuação pedagógica.
48
Introdução
A área de Gestão Educacional, uma das demandas mais recentes, 
será responsável pelo gerenciamento de diversos cursos e disci-
plinas nos próximos anos. Embora atue prioritariamente dentro do 
ambiente escolar, essa área também desempenha funções impor-
tantes fora das instituições de ensino. Em outras palavras, é o setor 
que coordena tudo o que ocorre nas esferas administrativa, finan-
ceira, pedagógica e relacional, tanto no contexto escolar quanto em 
outros âmbitos.
Trata-se de um campo do conhecimento cuja principal responsabi-
lidade é garantir a qualidade do processo de ensino-aprendizagem. 
Para isso, deve-se guiar por políticas educacionais definidas pelo 
Plano Nacional de Educação, assegurando que as diretrizes estabe-
lecidas sejam implementadas de maneira eficiente.
No espaço escolar, o principal responsável pela Gestão Educacional 
é o gestor. Esse profissional, além de cuidar dos processos peda-
gógicos e institucionais, deve promover a interação e colaboração 
entre a sua equipe, visando atingir os objetivos educacionais da 
unidade escolar de forma eficaz. O gestor tem um papel estratégico 
na articulação entre teoria e prática, liderando de forma a alinhar a 
prática educacional às metas estabelecidas.
Assim, neste estudo, discutiremos a Gestão Educacional como uma 
disciplina propriamente dita, além de explorar a relação entre ges-
tão, teoria e pesquisa. Ademais, analisaremos a aplicação desses sa-
beres tanto no ambiente escolar quanto fora dele. Vamos em frente!
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Organização Democrática da Escola 
Pública: Bases Legais e os desafios
Nesse primeiro momento de estudo, temos como responsabilida-
de fazer com que você conheça os fundamentos teóricos e legais da 
Gestão Democrática. Ao término deste capítulo você será capaz de 
entender como funciona a Gestão Educacional e seus respectivos 
marcos legais. Isso será fundamental para o exercício de sua pro-
fissão. Então, motivado para desenvolver essa competência? Vamos 
lá: avante!
A gestão educacional no Brasil é marcada por uma estrutura 
democrática e descentralizada, conforme estabelecido pela Cons-
tituição de 1988 e pela Lei de Diretrizes

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