REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO E PRINCÍPIOS APLICÁVEIS AO DIREITO ADMINISTRATIVO
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REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO E PRINCÍPIOS APLICÁVEIS AO DIREITO ADMINISTRATIVO

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COORDENAÇÃO DO CURSO DE DIREITO 
DISCIPLINA: DIREITO ADMINISTRATIVO I 
PROFESSORA: JULIANA DE ABREU TEIXEIRA 
 
UNIDADE II \u2013 REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO E PRINCÍPIOS APLICÁVEIS AO DIREITO 
ADMINISTRATIVO 
 
1.1. Noção de Regime Jurídico-administrativo. 
\uf0a7 No Ordenamento Jurídico pátrio existem dois diferentes regimes jurídicos, o primeiro é o regime jurídico de 
direito privado que regulamenta a atividade entre particulares, e o segundo é o regime jurídico de direito público 
que regulamenta a atividade entre o particular e o estado. À personalidade jurídica e respectivo regime de cada 
ente da Administração Pública se dá o nome de REGIME JURÍDICO DA ADMINISTRAÇÃO. 
\uf0a7 Só se pode conceber uma disciplina jurídica autônoma quando há um CONJUNTO SISTEMATIZADO DE 
REGRAS E PRINCíPIOS QUE LHE DÃO IDENTIDADE, diferenciando-a das demais ramificações do Direito. A 
esse conjunto dá-se o nome de REGIME JURÍDICO-ADMINISTRATIVO. 
\uf0a7 Logo, regime jurídico-administrativo é o conjunto de regras e princípios que guardam entre si uma correlação 
lógica \u2013 constituindo assim uma unidade \u2013 a que se deve subsumir a atividade administrativa na consecução 
de seus fins. É o conjunto de prerrogativas e restrições da Administração Pública, amparados nas ideias que 
lhe dão origem. De acordo com Celso Antônio Bandeira de Mello, tal regime delineia-se em razão de alguns 
princípios: supremacia do interesse público sobre o privado e indisponibilidade dos interesses públicos, as 
\u201cpedras de toque\u201d do Direito Administrativo. 
\uf0a7 É por tal motivo que normalmente, uma conduta, quando viola um princípio, viola vários inerentes ao sistema. 
\uf0a7 Direito Administrativo: 
 
\uf02d Proteção aos direitos dos indivíduos frente ao Estado - LIBERDADE 
 \uf0df 
Restrições \u2013 Indisponibilidade dos interesses públicos (legalidade); 
 
\uf02d Necessidade de satisfação dos interesses coletivos - AUTORIDADE 
 \uf0df 
 Prerrogativas da Administração \u2013 Supremacia do interesse público sobre o privado. 
 
 
1.1.1. Supremacia do interesse público sobre o privado. 
\uf0a7 É um pressuposto para a existência da sociedade, para o convívio social. 
\uf0a7 É o princípio que determina privilégios (prerrogativas) jurídicos e um patamar de superioridade do interesse 
público em face do individual. 
\uf0a7 Prerrogativas: intervenção na propriedade privada; cláusulas exorbitantes e formas diversas do exercício 
do poder de polícia. Está implícito na CF e justifica a própria idéia da administração como mecanismo de 
superioridade do interesse público sobre o particular. 
\uf0a7 Conseqüências: 
a) a proibição de greves total nos serviços públicos. O direito de greve deverá ser exercido nos termos 
do art. 37, VII, da CF/88 \u2013 \u201cnos termos e nos limites definidos em lei específica\u201d. Os serviços 
essenciais não podem simplesmente parar; 
b) a necessidade de institutos como a suplência, a delegação, a substituição para preencher funções 
públicas temporariamente vagas; 
c) a impossibilidade para quem contrata com a Administração de invocar a exceptio non adimpleti 
contractus nos contratos que tenham por objeto a prestação de serviços públicos. Obs: Lei 8666/93. 
d) a faculdade de a Administração utilizar equipamentos e instalações da empresa que com ela 
contrata para garantir a continuidade do serviço; 
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e) a possibilidade de encampação da concessão de serviço público; 
f) dentre outras: prazos processuais em quádruplo para contestar e em dobro para recorrer; imunidade 
tributária; prescrição qüinqüenal; o regime de precatórios; impenhorabilidade, inalienabilidade e 
imprescritibilidade dos bens públicos e etc. 
\uf0a7 Atenção: a superioridade é do interesse público ou coletivo, e não do Estado ou da máquina estatal ou do 
administrador, posto que estes representam o interesse público secundário. 
 
1.1.2. Indisponibilidade dos interesses públicos. 
\uf0a7 Os interesses públicos são indisponíveis. Ou seja, não estão entregues à livre disposição de vontade do 
administrador, visto que esse exerce função pública e deve atuar nos limites da lei. Este princípio limita a 
supremacia; é um contrapeso ao princípio acima citado. Também está implícito na CF. 
\uf0a7 Exercer função é exercer atividade em nome e no interesse do povo. É um múnus publico, compromisso 
encargo, obrigação, dever de bem servir. Portanto, o direito, o interesse não é do administrador, posto que 
este é mero representante, mas sim do povo. 
\uf0a7 Desdobramentos: 
\uf02d Legalidade e suas implicações (finalidade, razoabilidade, proporcionalidade, motivação e 
responsabilidade do Estado); 
\uf02d Obrigatoriedade do desempenho da atividade pública (continuidade dos serviços públicos); 
\uf02d Especialidade; 
\uf02d Hierarquia; 
\uf02d Controle administrativo ou tutela; 
\uf02d Isonomia dos administrados; 
\uf02d Publicidade; 
\uf02d Controle judicial dos atos administrativos; 
\uf02d Segurança jurídica. 
 
1.2. Princípios aplicáveis à Administração Pública. 
 
1.2.1. Princípios constitucionais explícitos. 
\uf0a7 São aqueles presentes no art. 37, caput, da Constituição Federal, de maneira expressa. Assim, são eles: 
os princípios da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência \u2013 LIMPE. 
 
1.2.1.1. Princípio da legalidade. 
\uf0a7 É a base, condição indispensável para a existência de um Estado de Direito (positivamente organizado e que 
obedece às próprias leis) e garante que todos os conflitos sejam resolvidos pela lei (art. 5° II, art. 37, caput e 
art. 150, todos da CF). Traduz o primado de que toda a eficácia da atividade administrativa fica condicionada 
à observância da lei, significa que o administrador público está, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos 
mandamentos da lei e às exigências do bem comum, e deles não se pode afastar ou desviar, sob pena de 
praticar ato inválido e expor-se a responsabilidade administrativa, civil e criminal, conforme o caso. 
\uf0a7 Deve-se distinguir a legalidade para o direito público (critério de subordinação à lei) e a legalidade para o 
direito privado (critério de não contradição à lei \u2013 autonomia da vontade). O administrador só pode fazer o 
que a lei manda, o que a lei autoriza, o que está previsto em lei. Já o particular pode fazer tudo o que a lei 
não proibe. 
\uf0a7 Atenção: o princípio da legalidade não é sinônimo do princípio da reserva legal: legalidade é fazer apenas o 
que a lei determina; reserva legal é quando o constituinte exige que certa matéria deve ser regida por 
determinada espécie normativa. 
 
1.2.1.2. Princípio da impessoalidade. 
\uf0a7 Exige a ausência de subjetividade na conduta praticada pelo agente público, pelo que fica impedido de 
considerar quaisquer inclinações e interesses pessoais (interesses próprios ou de terceiros). Estabelece 
que o ato do administrador é um ato impessoal, aproximando-se em muito ao conceito do princípio da 
isonomia. 
\uf0a7 Esse princípio desdobra-se em duas vertentes: 
- impessoalidade do administrador (imputa-se aos entes/órgãos). Ex.: Art. 37, § 1º, CF/88; 
 - impessoalidade do administrado (imputa-se à coletividade). Ex.: Art. 100, CF/88. 
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\uf0a7 Outros instrumentos previstos na CF também representam a impessoalidade, como as exigências do 
concurso público e da licitação, previstos no art. 37, incisos II e XXI, respectivamente. 
\uf0a7 De acordo com a corrente tradicional (Hely Lopes Meirelles), com o advento da CF/88, o princípio da 
impessoalidade veio para substituir os princípios da imparcialidade ou finalidade (o administrador deve buscar 
o interesse público e não pessoais), sendo assim, esses princípios (impessoalidade e finalidade) são como se 
fossem sinônimos. 
\uf0a7 A corrente moderna (Celso Antônio Bandeira de Mello), mais exigida, atualmente, em concursos, entende 
que a finalidade e a impessoalidade são princípios autônomos: princípio da finalidade cumpre a vontade 
legal, é buscar o espírito