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Bioquímica – P2: - Introdução: Todas as enzimas são proteínas, com exceção de um pequeno grupo de moléculas de RNA catalíticas. Se esta é desnaturada ou dissociada nas suas subunidades, geralmente a atividade catalítica é perdida. Algumas enzimas precisam de um componente químico adicional chamado de cofator, que pode ser um ou mais íon inorgânicos como ferro, magnésio, manganês ou zinco, Dependem de uma molécula orgânica denominada coenzima, que age como carreadores transitórios de grupos funcionais específicos e são derivados das vitaminas, nutrientes orgânicos. O grupo prostético é uma coenzima ou um íon metálico que se ligue muito firmemente. Uma enzima completa cataliticamente ativa junto com a sua coenzima e/ou íon metálicos é denominada holoenzima. A parte proteica de uma dessas enzimas é chamada de apoenzima ou apoproteína. - Eficiência da catálise por enzimas: Aumento da concentração dos reagentes na superfície da enzima: “atração” dos reagentes para interação com a enzima. Orientação correta dos reagentes (substratos): parte da energia de ativação representa o posicionamento adequado dos reagentes para que haja contato entre os átomos corretos. O sitio ativo da enzima favorece o posicionamento correto dos reagentes. Aumento da reatividade dos reagentes: as cadeias laterais (R) dos aminoácidos da enzima ou co-fatores e coenzimas podem interagir diretamente com os substratos, dando-lhes carga elétrica ou polarizando-os, tornando-os quimicamente mais reativos, ou ainda cedendo ou transferindo certas funções químicas. Indução de deformação física no substrato, por contato com as cadeias laterais (R) dos aminoácidos das enzimas, que desestabilizam a molécula do substrato e facilitam o rompimento de laços covalentes - Classificação: - Funcionamento: Catálise enzimática é essencial, pois nas condições biológicas as reações não catalisadas tendem a ser lentas, visto que a maioria das moléculas são estáveis nas condições internas das células com pH neutro, temperatura amenas e ambiente aquoso. A molécula que liga no sítio ativo e sobre a qual a enzima age é chamada de substrato. A superfície do sítio ativo é delimitada por resíduos de aminoácidos com grupos nas cadeias laterais que ligam o substrato e que catalisam sua transformação química. - Fatores que afetam a atividade enzimática: 1. Condições do meio que afetam estabilidade protéica: • pH • temperatura 2. Tempo da reação 3. Concentração dos reagentes • a enzima • o substrato • co-fatore(s) pH: o pH ótimo de uma enzima reflete variações no estado de ionização de resíduos de aminoácidos do sítio ativo. A enzima está pelo menos parcialmente desnaturada em pHs afastados do pH ótimo. Quando o substrato é uma molécula ionizável, o pH ótimo da enzima também reflete o seu estado de ionização. Temperatura: Concentração: A [substrato] cai na mesma razão em que a [produto] aumenta em função do tempo. A enzima existe sob duas formas: enzima livre E e complexo enzima-substrato ES. No início da reação, a [E] livre cai e a do complexo [ES] aumenta e atinge um máximo, em que não há mais [E] livre no meio. Nessa situação (indicada no retângulo cinza), diz-se que a enzima está saturada (só existe no complexo ES). A velocidade da reação é a máxima. - Reação: E, S e P representam a enzima, substrato e produto, ES e EP são complexos transitórios da enzima com o substrato e com o produto. A função do catalisador é aumentar a velocidade da reação, mas a catálise não afeta o equilíbrio. O ponto de partida da reação direta e inversa é chamado de estado fundamental, que é a contribuição que uma molécula dá para a energia livre do sistema. O estado de transição é o topo da curva de energia, ponto no qual ocorre o decaimento para o estado S ou para o estado P. Já o estado de ativação é a diferença entre os níveis energéticos do estado basal e do estado de transição. Quando uma reação tem várias etapas a velocidade final é determinada pela etapa com maior energia de ativação, que é denominada de etapa limitante da velocidade. A energia de ativação é uma barreira energética para as reações químicas e sem estas barreiras as macromoléculas poderiam reverter espontaneamente para formas moleculares mais simples. - Velocidade de reação e equilíbrio: A concentração do substrato [S] é um fator que afeta a velocidade das reações catalisadas por enzimas. Mede-se a velocidade inicial (Vo), que pode ser explorada em função de [S], que é ajustada pelo investigador. Em concentrações baixas de [S], Vo aumenta em pequenas quantidades em resposta ao aumento da [S]. É atingido um ponto além do qual um aumento em Vo é insignificantemente pequeno com o aumento de [S]. Esta região está próxima a velocidade máxima (Vmáx). A enzima primeiro combina-se de modo reversível com o substrato, formando um complexo enzima-substrato em uma etapa reversível e relativamente rápida: Então o complexo ES é rompido em uma segunda etapa que é mais lenta, fornecendo a enzima e o produto P: A segunda reação deve limitar a velocidade da reação total, por ser mais lenta, e então a velocidade total deve ser proporcional à concentração da espécies que reagem na segunda etapa, isto é, ES. A velocidade inicial máxima de uma reação (Vmáx) ocorre quando quase toda a enzima estiver presente como complexo ES e [E]. - Gráfico dos duplos recíprocos: Equação de Lineweaver-Burk é usada para as enzimas que obedecem a equação de Michaelis- Menten: O gráfico de 1/Vo x 1/[S] (gráfico dos duplos recíprocos) é representado por uma linha reta. Essa linha tem uma inclinação de Km/Vmáx, um intercepto de 1/Vmáx no eixo de 1/Vo e um intercepto de ~1/Km no eixo de 1/[S]. Este gráfico permite uma determinação mais acurada de Vmáx que pode ser obtida apenas aproximadamente pelo gráfico Vo x [S]. O km pode variar muito de enzima para enzima e até mesmo para diferentes substratos de uma mesma enzima e seu termo muitas vezes é empregado como uma indicação da afinidade da enzima pelo seu substrato. O significado real de Km depende de aspectos específicos do mecanismo de reação, tais como número e as velocidades relativas dos passo individuai da reação. Assim, para reações com duas etapas utiliza-se: Quando K2 é limitante da velocidade, K2 << K-1 (equilíbrio) e Km se reduzem a K-1/K1, que é definida como a constante de dissociação, Kd, do complexo ES. Nesses casos, Km representa uma medida da afinidade da enzima pelos substrato no complexo ES. Porém, essas condições não se aplicam para a maioria das enzimas. Algumas vezes K2 >> K-1 e então Km = K2/K1. Vm também varia muito de uma enzima para outra, se uma enzima reage de acordo com o mecanismo de duas etapas Vm é equivalente a K2[Et], onde K2 é a etapa limitante da velocidade. Porém, quando a maior parte da enzima está na forma de EP na saturação e Vmáx = K3 [Et] é útil definir uma constante da velocidade mais geral, Kcat para descrever a velocidade limitante de qualquer reação catalisada por enzima na saturação. Se a reação tiver várias etapas e uma é a etapa limitante, Kcat é equivalente à constante de velocidade para aquela velocidade limitante (Kcat = K2). Kcat é uma constante de velocidade de primeira ordem e possui unidades recíprocas do tempo, pois é equivalente ao número de moléculas de substrato que se convertem em produto em certa unidade de tempo em uma única molécula de enzima quando ela for saturada com o substrato. Para se comparar as eficiências catalíticas de enzimas diferentes utiliza- se: Kcat/Km para duasreações. Esse parâmetro é chamado de constante de especificidade e é a constante da velocidade para a conversão E + S até E +P, quando [S] for menor que Km. Logo: Nesse casso Vo depende da concentração de dois reagentes, [Et] e [S], por isso é uma equação de velocidade de segunda ordem com unidades M-1s-1. - Inibição: os inibidores enzimáticos são agentes moleculares que interferem com a catálise, diminuindo ou parando as reações enzimáticas. Mecanismos: 1) Inibição Reversível: Inibição Competitiva: se ligam ao centro ativo da enzima e não há alteração da Vmáx, mas Km aumenta devido a um fator alfa. Um inibidor competitivo compete com o substrato para o sítio ativo de uma enzima e enquanto o inibidor (I) ocupa o sítio ativo, ele impede a ligação do substrato à enzima, A inibição competitiva pode ser analisada pela cinética do estado estacionário. Os inibidores competitivos são compostos cujas estruturas moleculares e combinam com a enzima para formar o complexo EI, sem participar da catálise. Pode ser analisada segundo: Como o inibidor se liga reversivelmente à enzima, a competição pode se tornar favorável ao substrato pela adição de mais substrato. Quando [S] é muito maior que [I], a probabilidade de uma molécula do inibidor se ligar à enzima será menor e a reação terá um Vmáx normal. Porém, Inibição Incompetitiva: se ligam em regiões diferentes do sítio ativo e diminui a Vmáx e o Km Um inibidor incompetitivo liga-se a um sítio distinto do sítio ativo do substrato e ao contrário do inibidor competitivo, liga-se apenas no complexo ES. Em altas concentrações de substrato, Vo se aproxima de Vmáx/ α’ e assim um inibidor incompetitivo diminui a Vmáx e o Km aparente Inibição Mista: se ligam em regiões diferentes do sítio ativo Um inibidor misto também se liga em um sitio distinto do sítio ativo do substrato, mas ele se liga tanto em E quanto em ES. Geralmente afeta tanto Km quanto Vmáx, Quando alfa = alfa' ocorre uma inibição não-competitiva. Geralmente afeta tanto Km como a Vmáx, quando α = α’, define-se como uma inibição não-competitiva. A inibição não-competitiva afeta Vmáx mas não o Km 2) Inibição Irreversível: são aqueles que se ligam de forma covalente com ou destroem um grupo funcional de uma enzima, ou aqueles que formam uma associação não-covalente particularmente estável. Proteicos: inibidores proteicos de enzimas proteolíticas desempenham importantes papéis fisiológicos. Entre esses estão as serpinas, inibidores de serino-proteinases, e as cistatinas, inibidores de cisteíno-proteinases. Em ambos os casos, os inibidores funcionam como “falsos substratos”, sendo reconhecidos e clivados pelas enzimas, que ficam “aprisionadas” num complexo com o inibidor. Não Proteicos Inibidores Suicidas: são relativamente pouco reativos até se ligarem ao sítio ativo de uma enzima específica. Em vez de ser transformado no produto normal, o inibidor é convertido em um composto muito reativo que se combina irreversivelmente com a enzima. Utilizam o mecanismo da reação enzimática normal para inativar a enzima. É muito utilizado nas drogas. - Especificidade: Enzimas Reguladoras: a atividade das enzimas reguladoras é modulada de várias maneiras e existem duas grandes classes de enzimas reguladoras nas vias metabólicas. As enzimas alostéricas funcionam por meio da ligação não-covalente reversível de compostos reguladores chamados moduladores alostéricos, que são pequenos metabólitos ou co-fatores. Outras enzimas são reguladas por meio de uma modificação covalente reversível. Além disso, as enzimas são ativadas ou inibidas quando estão ligadas por outras proteínas regulatórias. Modulação Covalente: Ao contrário da alosteria, em que os efetores ligam-se à enzima apenas por ligações fracas, na modulação covalente a enzima é modificada covalentemente por duas outras enzimas: uma quinase fosforila a enzima às custas de ATP, e uma fosfatase remove o grupo fosfato da enzima fosforilada. A modulação covalente é energéticamente cara, pois necessita duas outras proteínas e ATP para regular a atividade de uma enzima. Ao contrário, na alosteria a enzima é controlada pelas concentrações relativas de seus efetores e a afinidade da enzima por estes. Ativação de zimogênios: é um caso específico de modulação covalente exclusivo de alguns tipos de enzimas proteolíticas. Zimogênios: as proteases são sintetizadas numa forma inativa por estar em uma conformação desfavorável, com bloqueio ou desalinhamento dos resíduos do sítio catalítico. Conformação desfavorável: resulta de porções adicionais da cadeia poli-peptídica, que devem ser retirados para que a proteína assuma a forma ativa. Podem acontecer duas situações, combinadas ou não: • Zimogênio tem uma extensão N-terminal (pro-segmento) que precisa ser retirada. Pro-segmentos podem ter de 2 a 150 resíduos a.a. • Zimogênio tem cadeia polipeptídica única, que precisa ser clivada (proteólise limitada) para formar duas ou mais subunidades. Conversão do zimogênio à protease ativa pode resultar da ação proteolítica de outra protease, ou de alteração do pH ou temperatura do meio, ou ainda, da adsorção do zimogênio à uma superfície negativa. Esses eventos determinam mudança conformacional e/ou auto-hidrólise pela própria protease. Ativação é irreversível, e por isso, energeticamente cara para o organismo.