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Psicologia- Emoções

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Faculdade de Psicologia da Universidade de lisboa
emoções
Carolina Loureiro
2º ANO / 1º semestre
2020/ 2021
Capítulo 1- As primeiras teorias da emoção:
Na Grécia antiga:
A mente tinha o nome de psique ou de alma. A alma era vista como uma fonte de vida separada do corpo e responsável pelas capacidades humanas de sentir, comportar e pela razão.
A razão era vista como o maior dom humano, pelo qual os indivíduos podem viver uma vida virtuosa.
Na Grécia antiga, mostrar emoções era visto como algo fraco e vergonhoso de se fazer.
Platão dividiu a alma em três partes:
· Logos, a parte divina e imortal;
· Thymos, a parte responsável pelos sentimentos e emoções;
· Epithymetikon, responsável pelo apetite do corpo.
Aristóteles foi aprendiz de Platão e tinha uma visão de alma completamente diferente deste:
· Parte vegetativa, presente em animais e plantas;
· Parte sensora e motora, apenas presente em animais;
· Parte intelectual, apenas presente em humanos.
Aristóteles assumia que as emoções surgiam devido à nossa reflexão sobre eventos. Os mesmos eventos podem desencadear diferentes emoções. Apenas animais e humanos adultos têm emoções.
Período helenístico:
A escola estoica continuou a desenvolver a Teoria das Emoções e reforçava a ideia de que a mente deveria controlar as emoções e subjugar os desejos, pois estes poderiam causar danos. 
Crisipo sugeriu que as emoções consistem em dois julgamentos: o primeiro decide se um evento é bom ou mau; e o segundo decide o que é que se pode fazer acerca dele.
Quatro ideias gregas que ainda se refletem no pensamento moderno:
· A razão está separada da emoção;
· Emoções pressupõem razões;
· Emoções são experiências facetadas que podem tomar várias formas, podendo ser organizadas ou categorizadas em várias dimensões;
· As emoções descansam no corpo humano e não no cérebro.
Renascimento:
Descartes também acreditava na distinção entre corpo e alma, assumindo que a alma existe numa forma que não pode ser explicada pelas leis da física. Como a alma consegue mover o corpo, é necessário que exista um ponto de contacto, a glândula pineal (cérebro). A glândula é o local onde a alma e o corpo se conectam.
No entanto, a alma não é necessária para todos os movimentos corporais como respirar e piscar os olhos. A estes movimentos Descartes dizia que eram mecanismos automáticos embutidos no corpo e que funcionavam devido à ação de espíritos.
De acordo com as ideias gregas, também Descartes ligou as emoções com a presença de alma. No entanto, ao invés de dizer que as emoções são uma parte direta da alma, ele afirmou que as emoções surgiam do contacto da alma com o corpo. Descartes isola assim a razão da emoção, acreditando na natureza positiva das mesmas.
Descartes organizou as emoções em duas categorias:
· Primárias: admiração, amor, ódio, desejo, felicidade, tristeza;
· Secundárias: estima, desprezo, generosidade, orgulho, humildade, desânimo.
Ideias revolucionárias do séc. XIX:
Darwin, no seu livro “The expression of emotions in man and animals” distingue, pela primeira vez, a vida emocional de animais humanos e de animais não humanos. Ele afirmava que existiam certos princípios que governavam as emoções e a expressão emocional, e que estes princípios se aplicavam de forma semelhante a todas as espécies.
· 1ª Princípio: Princípio dos hábitos úteis associados;
· Certos animais fazem certas ações voluntárias porque são úteis em determinado contexto (ex. tapar o nariz ao passar por um sítio com cheiro desagradável);
· Estes comportamentos tornam-se, com o tempo, hábitos e são induzidos mesmo não correspondendo aos estados da mente desencadeadores de tais expressões (ex. alívio).
· 2º Princípio: Princípio da antítese;
· Deriva do 1º princípio;
· Certas expressões emergem porque vêm representar o oposto dos hábitos úteis.
· 3º Princípio: Princípio das ações devidas à constituição do sistema nervoso, independentemente da vontade e do hábito.
· Nem todas as expressões que emergem são de hábitos úteis ou dos seus opostos;
· Algumas expressões são comandadas devido a mudanças no sistema nervoso (ex. queda de cabelo).
Darwin vê as emoções como úteis e que estão ligadas a mudanças corporais e ao comportamento, tal como Descartes. As emoções são mecanismos de sobrevivência.
Estabelecimento das emoções como sendo um tópico de pesquisa em Psicologia:
William James criticou o trabalho prévio das emoções, sugerindo que este estava mais preocupado com a classificação dos estados emocionais do que em identificar princípios gerais que se aplicassem a todas as emoções.
Ao contrário dos seus antecessores, William James assumiu que todos os indivíduos sentem algo semelhante à dor, medo, raiva ou amor.
Um dos seus princípios era exatamente definir o que era uma emoção. Ele especificamente propôs que as emoções surgem da perceção das alterações corporais incluídas em situações específicas. 
Após ter publicado os seus pensamentos sobre emoções, Carl Lange publicou os seus, bastante semelhantes aos de James, tendo-se formado a Teoria de James-Lange.
Esta teoria contradizia o que era comummente acreditado na altura, que era a crença que as alterações corporais resultavam das emoções, tendo sido bastante criticados por isso. Os seus oponentes, incluindo Wundt, argumentavam que as alterações corporais ocorriam a uma velocidade muito mais lenta que a experiência das emoções, que as alterações corporais não eram específicas o suficiente para permitirem diferentes emoções e que os fatores situacionais são frequentemente mais importantes do que o próprio objeto emocional para influenciar os estados de sentimento.
Capítulo 3- Pensamentos e conceitos modernos:
Apesar da imensa quantidade de trabalhos teóricos e empíricos, ainda não somos capazes de ter uma resposta inequívoca à pergunta “o que é uma emoção?”. Ao invés disso, emergiram uma série de respostas altamente relacionadas com três escolas teóricas. Devido às diferenças nestas escolas e no que consideram ser uma emoção, estas também diferem no tipo de questões de investigação e no que as suas pesquisas revelam sobre as emoções.
Conceitos gerais:
Emoção: Episódio breve de modificações coordenadas a nível cerebral, autonómico e comportamental, que facilitam a resposta do organismo a eventos significativos, externos ou internos (Davidson, Scherer, Goldsmith, 2003).
Conjuntos consistentes de respostas fisiológicas desencadeadas por sistemas cerebrais quando o organismo atribui uma representação a objetos e/ou situações (Damásio, 2000).
Sentimento/Afeto: Representação subjetiva da emoção.
Humor: Estado afetivo difuso, de baixa intensidade e longa duração.
Abordagem categorial- As emoções como sento entidades discretas:
Quando consideramos a variedade de eventos que produzem emoções, parece óbvio que estes eventos são mais variados que as sensações que eles geram. Assim, alguns investigadores argumentam que faz sentido ver as emoções como estados mentais discretos que estão ligados a uma variedade de emoções que, apesar de parecerem diferentes superficialmente, partilham algumas semelhanças (ex. Tirar um 20 no exame e ganhar um jogo).
Sylvan Tomkins publicou o seu primeiro voluma de um livro de emoções que delimitava e discutia oito efeitos primários conceptualizados como sendo programas separados ou respostas programáticas a um evento. Estes efeitos incluíam interesse-excitação, prazer-alegria, surpresa-sobressalto, medo-terror, vergonha-humilhação, desprezo-nojo, raiva-fúria. O primeiro estado em cada par era visto como uma variante fraca do último estado. Tomkins referiu-se a esses estados variantes como afeto, ou programas de afeto, ao invés de chamar de emoções, uma vez que ele acreditava que as emoções eram fenómenos mais complexos que derivavam do afeto, mas que incluíam componentes adicionais como memórias ou experiências de afeto.
Tomkins ligou os comportamentos associados aos afetos a órgãos corporais, uma vez que ele acreditava que estes formavam diferentes “combinações” para os oito programas inatos de afeto, e que