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FRATURAS DA COLUNA VERTEBRAL Prof.ª Msc. Vanessa Cocco Fraturas na coluna cervical 1° dia de estágio no setor de traumato-ortopedia… Porque temos que ter uma atenção especial para os traumas na coluna cervical??? Mecanismos de lesão Traumáticas - Incidência e indivíduos jovens - Traumas de grande energia (acidentes automob., quedas de altura, arma de fogo). Patológicas - Fragilidade causada por uma condição existente (osteoporose, tumores, etc). - Pacientes idosos e pequenos traumas. Mecanismos de fratura Trauma raquimedular • Causas: acidentes automobilísticos, seguidos por violência urbana, quedas e mergulho. • Divisão: 1. Lesão primária 2. Lesão secundária Mecanismos de fratura 1. Lesão Primária: • Transferência da energia cinética para a MEDULA. • Rompimento de axônios e dano nas células nervosas. • Ruptura de vasos sanguíneos. • Nas 8 primeiras horas ocorrem hemorragia, necrose da substância cinzenta. • Edema no local da lesão. • Mais compressão. Mecanismos de fratura 2. Lesão Secundária (isquêmica): • Resulta da isquemia causada por: • Edema que diminui o fluxo sanguíneo na área da lesão. • Hemorragia que comprime o canal. • Estenose do Canal Vertebral. Diagnóstico clínico Queixas de dor na coluna após trauma suspeitar de fraturas e luxações traumas de grande energia. • Realizar o exame neurológico: - Exame motor - Exame sensitivo - Exame de reflexos profundos e superficiais. • Diagnóstico por imagem: RX, TC e RNM Diagnóstico clínico Escala de deficiência de Frankel Avalia clinicamente os pacientes com lesão medular: 1. Completa: • Não há função motora ou sensitiva abaixo da lesão. 2. Incompleta: • Há função sensitiva, mas sem função motora no nível da lesão. • Há função sensitiva, mas sem função motora abaixo do nível da lesão. • Há função sensitiva e função motora funcional abaixo do nível da lesão. Diagnóstico clínico O prognóstico de um trauma raquimedular só pode ser definido após as primeiras 24 horas!! Quando termina o choque medular: - Arreflexia - Paralisia motora - Perda da sensibilidade Esses sinais e sintomas podem ser revertidos ou não dependendo da gravidade da lesão! Fraturas da coluna cervical alta C1 e C2 • Diferem demais fraturas da coluna vertebral particularidades anatômicas. Fraturas da coluna cervical alta - Fraturas de atlas • 1-2% das fraturas da coluna cervical. • Classificadas em cinco grupos: 1. Fratura isolada do arco posterior. 2. Fratura isolada do arco anterior. 3. Fratura combinada do arco anterior e posterior (fratura de Jefferson). 4. Fratura isolada da massa lateral. 5. Fratura do processo transverso. Tratamento conservador: colares ou órteses cervicais Fraturas da coluna cervical alta Fratura de Jefferson – atlas (C1) • Fratura explosiva de C1 fraturas combinadas dos arcos anterior e posterior do anel de C1. • Causada por compressão axial queda de cabeça, ex.: mergulhar em águas rasas. • Quase todas as fraturas de Jefferson não causam deficiência neurológica. Fraturas da coluna cervical alta Fratura de Jefferson – atlas (C1) Fraturas da coluna cervical alta Fratura de Jefferson – atlas (C1) 1. Fraturas Estáveis 2. Fraturas Instáveis Estáveis tratamento conservador bons resultados Instáveis tratamento cirúrgico artrodese occipto-axial ou atlanto-axial. Irá depender da integridade do ligamento transverso. Fraturas da coluna cervical alta Fratura de Jefferson – atlas (C1) 7mm de descolamento é considerado instável Ruptura do lig. transverso Fraturas da coluna cervical alta Fratura de Jefferson – atlas (C1) Fraturas da coluna cervical alta Fratura de Jefferson – atlas (C1) Fraturas estáveis órteses para imobilização Colar rígido tipo Philadélfia Órtese tipo Minerva (cérvico-torácica) Colete com halo Fraturas da coluna cervical alta Fratura de Jefferson – atlas (C1) Fraturas estáveis tração craniana com imobilização cervical por 3 - 4 meses Fraturas da coluna cervical alta Fratura de Jefferson – atlas (C1) Fraturas instáveis: Tratamento cirúrgico artrodese Fraturas instáveis: Tratamento cirúrgico artrodese Fraturas da coluna cervical alta Fratura do dente do Áxis • 7% a 15% das fraturas da coluna cervical. • Mecanismo de Lesão flexão forçada ou extensão forçada acidentes automobilísticos. • 31% dos pacientes tem comprometimentos neurológicos. • 94% tem lesões em outros segmentos cervicais. Fratura do dente do Áxis Classificação de Anderson e D’alonzo Tipo I : fratura obliqua através da parte próxima do processo odontóide, sem problemas para consolidação. Tipo II: fratura na junção do processo odontóide com o corpo do áxis, mais difícil consolidação. Tipo III – fratura através do osso esponjoso do corpo do áxis, costumam consolidar bem. Fraturas da coluna cervical alta Fratura do dente do Áxis 1. Tratamento conservador: Redução normalmente por tração e imobilização uso de órteses 1. Tratamento cirúrgico: parafuso de odontóide, artrodeses cervicais. Fratura tipo I normalmente conservador Fratura tipo II normalmente cirúrgico Fratura tipo III conservador ou cirúrgico Fraturas da coluna cervical alta Fratura do dente do Áxis Tratamento conservador Órtese esterno-occipito-mandibular Colar tipo Filadélfia Órteses cervico-torácica Fraturas da coluna cervical alta Fratura do dente do Áxis Tratamento conservador Órtese de colete com halo Tração craniana prolongada com halo craniano Fraturas da coluna cervical alta Fratura do dente do Áxis Tratamento cirúrgico Artrodese (placas e parafusos) Fraturas da coluna cervical alta Fratura do dente do Áxis Tempo médio de 8-16 semanas para consolidação Qual o tipo de consolidação? A) Primária B)Secundária N = 20 pacientes, atendidos no IOT- -HCFMUSP Diagnóstico: Fraturas do odontóide Acta Ortop Bras. 2011;19(4): 189-92 Acta Ortop Bras. 2011;19(4): 189-92 Fraturas da coluna cervical baixa Mecanicamente essas fraturas são divididas em seis tipos: 1. Fraturas por compressão/flexão; 2. Fraturas por compressão vertical; 3. Fraturas por compressão/distração; 4. Fraturas e/ou luxações por compressão extensão; 5. Fraturas e/ou luxações por distração/extensão; 6. Fraturas e/ou luxações por flexão lateral. Fraturas da coluna cervical baixa • Tratamento conservador: • Pequena lesão por compressão colar cervical rígido. • Tração (3-4 semanas) e aparelho gessado do tipo minerva ou halogesso (3 meses). • Órtese cervicotorácica. • Colete com halo. • Tratamento cirúrgico: • Amarrilhas, placas e parafuso associadas à enxertia óssea facilitar a artrodese. Fraturas da coluna cervical baixa Estabilidade e fragmentos ósseos dentro da medula elementos importantes! • Fraturas explosivas cominutivas: lesão à medula espinhal. Tratamento dependerá quadro neurológico e extensão da lesão. Fisioterapia no período hospitalar Fisioterapia no período hospitalar Avaliação • O quadro neurológico do paciente deve ser cuidadosamente observado no período imediatamente subsequente a lesão. • Verificar o quadro respiratório – respira com alguma ajuda de aparelho? • Avaliar a radiografia – alinhamento – conversar com a equipe de saúde! • Avaliar o curativo cirúrgico – infecções!! Avaliação motora Testar força muscular e Miótomos - movimentos isométricos: A - Miótomo C1-C2 – Flexão B - Miótomo C3- Flexão Lateral C - Miótomo C4 – Elevação ombros D - Miótomo C5- Abdução ombroAvaliação motora Testar força muscular e Miótomos - movimentos isométricos: E/F - Miótimo C6 - Flexão cotovelo e ext. punho G/H - Miótomo C7- ext. cotov. e flx punho I - Miótomo C8 - ext e desvio ulnar polegar J - Miótomo T1- abdução quinto dedo Avaliação motora Exame Motor: • Zero: não ocorre nem mesmo a miofasciculação. • Grau 1: ocorre miofasciculação, mas sem movimento. • Grau 2: movimentação sem vencer a gravidade • Grau 3: movimentos que vencem a gravidade, mas não a resistência • Grau 4: movimentos que vencem a gravidade, mas vencem alguma resistência. • Grau 5: normal Avaliação de sensibilidade e reflexos Lesão nível C5 Lesão nível C6 Lesão nível C7 Lesão nível C8 Fisioterapia no período hospitalar Dia da lesão até o 7° dia •ADM: • Nenhuma na coluna cervical até que tenha completado a consolidação. • Exercícios suaves MsSs sem movimentos acima da cabeça. • Exercícios suaves MsIs. • Sustentação de peso: • Sem lesão neurológica colocado sentado deambular com ajuda (aparelhos). Fisioterapia no período hospitalar 1ª - 4ª semana • ADM: • Nenhuma na coluna cervical até que tenha completado a consolidação. • Exercícios MsIs e MsSs, sem movimentos acima da cabeça. • Força muscular: • Exercícios isométricos de abdominais, glúteo, quadríceps e exercícios isotônicos de tornozelo. • Sustentação de peso: • Marcha com ajuda de aparelhos, com melhora dos movimentos de braços e pernas. Fisioterapia domiciliar ou no consultório 4ª - 8ª semanas • ADM: • Nenhuma na coluna cervical até que tenha completado a consolidação. • Exercícios suaves de amplitude dos membros superiores e inferiores sem movimentos acima da cabeça. • Força muscular: • Exercícios de fortalecimento leve de MsSs, MsIs e abdômen. • Sustentação de peso: • Marcha sem ajuda de aparelhos. Fisioterapia domiciliar ou no consultório 8ª - 12ª semanas Se Raio-X sem instabilidade e com consolidação óssea: • Órteses podem ser retiradas. • ADM: • Movimentos passivos e ativos leves de cervical devem ser iniciados (10° semana). • Força: • Exercícios de fortalecimento (±12° semana ) de esternocleidomastóide e trapézio. • Sustentação de peso • Paciente independente para caminhar e fazer todas as atividades funcionais. Fisioterapia domiciliar ou no consultório 8ª - 12ª semanas Exercícios de ADM passivos Fisioterapia domiciliar ou no consultório 8ª - 12ª semanas Exercícios de ADM ativos Exercícios resistidos Fisioterapia domiciliar ou no consultório 12ª - 16ª semanas •ADM: funcional • Força Muscular: funcional •Marcha: normal Complicações • Insuficiência respiratória; • Úlceras de pressão; • Febre; • Trombose venosa profunda TVP • Complicações urinárias; • Complicações intestinais; • Ossificação ectópica; • Espasticidade; • Dor crônica. Fraturas da coluna lombar Fraturas da coluna lombar • Mecanismos de lesão: • Traumas de alta energia. • Traumas menores + osteoporose. • Lesões Associadas: • Lesões intra-abdominais. • Lesões pélvicas. • Lesões medulares comprometimento neurológico Fraturas da coluna lombar Fraturas Menores: • Processo espinhoso. • Processo transverso. • Facetas. Fraturas Maiores: • Compressão. • Explosivas. • Flexão/distração. • Fraturas/Luxações. Fraturas da coluna lombar 1. Fraturas por compressão: • Flexão anterior ou lateral. • Perda da altura da parte anterior da coluna. • Pode ter lesão ligamentar posterior. Fraturas da coluna lombar 2. Fraturas explosivas: • Aplicação de carga axial (queda de local elevado). • Envolvimento da parte anterior e média da coluna. Fraturas da coluna lombar 3. Fraturas por flexão/distração: • “Lesão do cinto de segurança”, “Lesão de Chance”. • Acidentes automobilísticos. • Flexão anterior + distração posterior. • Lesão óssea ou lesão ligamentar ou ambas. Fraturas da coluna lombar 4. Fraturas/Luxações: • Rotação + distração + compressão + cisalhamento. • Instáveis. • 75% com deficiência neurológica completa! Fraturas da coluna lombar Avaliação • O quadro neurológico do paciente deve ser cuidadosamente observado no período imediatamente subsequente a lesão. • Avaliar a radiografia – alinhamento – conversar com a equipe de saúde! • Avaliar o curativo cirúrgico – infecções!! Fraturas da coluna lombar Avaliação 1. Avaliação motora 2. Avaliação de sensibilidade 3. Avaliação de reflexos Fraturas da coluna lombar Avaliação Motora • L2-L3: Flexores de quadril • L3-L4: Extensores de joelho • L4: dorsiflexores do tornozelo • L5: extensor do hálux • S1: Flexor plantar do tornozelo • S1-S2: Eversores do tornozelo Quadríceps (nervo femoral, L2-4) • Percutir o centro do tendão do quadríceps, com o martelo de reflexo. • Observar o movimento da perna ou contração do músculo. Gastrocnêmio - sóleo (nervo tibial posterior L5-S1). • Percutir o tendão de aquiles acima da inserção do calcâneo com o martelo de reflexo. • Observar o movimento do pé Fraturas da coluna lombar Avaliação de reflexos Fraturas da coluna lombar Avaliação de sensibilidade L2 L3 S2L4 L5 • L1: Área inguinal • L2 coxa média anterior • L3 medial do joelho • L4 medial do maléolo • L5 medial e distal do dorso do pé • S1 borda lateral do pé • S2 medial/posterior do calcâneo S1 Fraturas da coluna lombar Tratamento conservador • Indicações: fraturas estáveis sem deficiência neurológica. • Consolidação: secundária. • Órtese/Aparelho gessado (colete) • Colete de Jewett • Compartilhamento de estresse. Fraturas da coluna lombar Tratamento conservador Colete de Jewett Cinta para imobilização Colete gessado Fraturas da coluna lombar Tratamento Cirúrgico: • Indicações: fraturas por compressão, explosivas, por flexão/distração, fraturas/luxações pacientes com deficiências neurológicas. • Consolidação: secundária • Artrodese (anterior ou posterior). • Compartilhamento de estresse. Fraturas da coluna lombar Tratamento cirúrgico Fraturas da coluna lombar Tempo esperado para consolidação óssea: 8– 16 semanas Tempo esperado para reabilitação: 6 meses!! Fisioterapia Lesão até 2° semana • Evitar: flexão e rotação da coluna. • ADM: MsSs e MsIs (somente). • Força: isométricos para abdômen, glúteos e quadríceps. • Atividades funcionais: “Rolamento de tronco” na cama. • Sustentação do peso: conforme tolerância – equipamento de auxilio Estabilidade: depende Fase inflamatória Linha de fratura visível Fisioterapia 4ª - 8ª semanas • Evitar: flexão e rotação da coluna. • Força: • Exercícios resistidos para MsSs e MsIs (somente). • Exercícios isométricos para abdomen. • Atividades funcionais: “Rolamento de tronco” na cama. • Sustentação do peso: conforme tolerância - equipamento de auxilio Alguma estabilidade Fase de reparação Linha de fratura obscurecidas Calo ósseo pequeno Fisioterapia 8ª - 12ª semana • ADM: ex. ativos de flexão, extensão, flexão lateral e rotação da coluna. • Força: • Exercícios resistidos para MsSs e MsIs. • Exercícios isométricos para abdomen e paraespinhais. • Atividades funcionais: já pode ficar em DV na cama (12 semanas). • Sustentação do peso: total. Estabilidade óssea OK Fase de remodelação Linha de fratura começa a desaparecer Calo ósseo considerável Fisioterapia 12ª - 16ª semana • ADM: ex. ativos de flexão, extensão, flexão lateral e rotação da coluna. • Força: ex. resistidos para MsSs, MsIs e coluna vertebral. • Atividades funcionais: completas e independentes. •Sustentação do peso: total. • Propriocepção: ganho de equilíbrio. Estabilidade óssea OK Fase de remodelação Fratura consolidada