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Trichomonas vaginalis Profª Dr.Carolina Cella Conter INTRODUÇÃO Classificação: A cada ano 200 milhões de pessoas são infectadas no mundo, sendo a prevalência maior em pessoas com múltiplos parceiros sexuais. Causa VAGINITE em mulheres e URETRITE nos homens. MORFOLOGIA Trofozoíto Membrana ondulante Flagelos anteriores livres, desiguais MORFOLOGIA Trofozoíto HABITAT O T. vaginalis habita o trato geniturinário do homem e da mulher, onde produz a infecção e não sobrevive fora do sistema urogenital. BIOLOGIA Local da infecção: BIOLOGIA Reprodução: A multiplicação, como em todos os tricomonadídeos, se dá por divisão binária longitudinal. Não há formação de CISTOS. Fisiologia: O T. vaginalis é um organismo anaeróbio facultativo. Cresce perfeitamente bem na ausência de oxigênio em faixa de pH compreendido entre 5 e 7,5 e em temperaturas entre 20 e 400C. Como fonte de energia, utilizam glicose , frutose, maltose, glicogênio e amido. Principal enzima – piruvato ferredoxina oxirredutase TRANSMISSÃO Através da relação sexual, e pode sobreviver por mais de uma semana sob o prepúcio do homem sadio, após o coito com a mulher infectada; TRANSMISSÃO Foi demonstrado que o T. vaginalis pode sobreviver por períodos muito curtos em assentos de vasos sanitários, roupas e água de banho; instrumentos ginecológicos contaminados; PATOGENESE Aumento do pH da vagina Interação ocorre por componentes associado a superfície celular do parasito e células epiteliais do hospedeiro Aderência e a citotoxicidade exercidas pelos parasitos sobre as células do hospedeiro podem ser ditadas pelos fatores de virulência como adesinas, cisteína proteinases,integrinas e glicosidases Quatro proteínas (adesinas) têm sido identificadas como mediadoras da citoaderência: AP23, AP33, AP51 e AP65. A síntese dessas proteínas é regulada positivamente pela ligação a células epiteliais Outra classe de moléculas implicadas na adesão de T. vaginalis é representada por cisteína-proteinases, que são citotóxicas e hemolíticas e apresentam capacidade de degradar IgG, IgM e IgA presentes na vagina Problemas relacionados com a gravidez Parto prematuro e baixo peso ao nascer Grávidas infectadas por T. vaginalis têm alto risco de desenvolver complicações na gravidez. Estudos têm relatado associação entre tricomoníase e ruptura prematura de membrana, parto prematuro, baixo peso ao nascer, feto natimorto e morte neonatal. A resposta inflamatória gerada pela infecção por T. vaginalis pode conduzir direta ou indiretamente a alterações na membrana fetal ou decídua Problemas relacionados com a fertilidade O T. vaginalis está relacionado com doença inflamatória pélvica, pois infecta o trato urinário superior, causando resposta inflamatória que destrói a estrutura tubária, e danifica as células ciliadas da mucosa tubária, inibindo a passagem de espermatozóides ou óvulos através da tuba uterina. Mulheres com mais de um episódio de infecção relatado têm maior risco de infertilidade do que aquelas que tiveram um único episódio. TRANSMISSÃO DE HIV Sintomatologia na MULHER: 25% e 50% são assintomáticas, têm pH vaginal normal de 3,8 a 4,2 e flora vaginal normal A infecção vaginal provoca uma VAGINITE que se caracteriza por um corrimento vaginal, fluido abundante de cor amarelo-esverdeada, bolhoso, de odor fétido, mais freqüentemente no período pós-menstrual; Sintomatologia na MULHER: O processo infeccioso é acompanhado de prurido ou irritação vulvovaginal de intensidade variável e odores no baixo ventre; A mulher apresenta dor e dificuldade para as relações sexuais, desconforto nos genitais externos, dor ao urinar (disúria) e aumento na frequência miccional (polaciúria) Sintomatologia no HOMEM: A tricomoníase no homem é comumente ASSINTOMÁTICA. Ela se apresenta como uma uretrite com fluxo leitoso ou purulento e uma leve sensação de prurido na uretra; Nos portadores assintomáticos, o parasito permanece na uretra e talvez na próstata. Este protozoário pode se localizar ainda na bexiga, na vesícula seminal e nos testículos. DIAGNÓSTICO Clínico: Um diagnóstico clínico diferencial desta doença, tanto no homem como na mulher, dificilmente poderá ser realizado através de sintomas e sinais específicos. Parasitológico: A demonstração do parasito é essencial para um diagnóstico seguro. Em mulheres coleta-se a secreção vaginal no homem a pesquisa é feita no sedimento urinário, na secreção uretral ou prostática e no sêmen. DIAGNÓSTICO: Parasitológico: 1. Coleta do material - recomendações 2. Preservação do material (meios de cultura) 3. Métodos (preparação não corada isotônica, preparação corada, fixada e corada) Preservação do material Líquidos ou em meios de transporte. A solução salina isotônica (0,15M) glicosada a 0,2% pode ser usada como líquido de transporte e mantém os tricomonas viáveis durante várias horas a temperatura de 37°C. Meios de transporte de Stuart (1956) e de Arnies (1967) - Meios de Cultura) modificados mantêm os organismos por um período de 24 horas. A solução do fixador álcool polivinílico (fixador APV) mantém os microrganismos preservados sem que haja alterações na sua morfologia. DIAGNÓSTICO Imunológico: O imunodiagnóstico através de métodos que detectam anticorpos no soro. Os testes imunológicos não são rotineiramente usados no diagnóstico desta protozoose. EPIDEMIOLOGIA A tricomonose urogenital é transmitida sexualmente e tem ampla distribuição geográfica, incidindo nas mulheres adultas em proporções elevadas; É considerada DST, entretanto, a propagação em outras circunstâncias deve ocorrer muitas vezes, quando a promiscuidade e a falta de higiene asseguram a transferência do parasito através da água do banho, das instalações sanitária (bidês, banheiras, privadas etc.), de roupa íntima ou de cama e de banho; EPIDEMIOLOGIA Pode viver, surpreendentemente, fora do seu habitat por algumas horas sob altas condições de umidade: mais de 48 horas a 100C no exsudato vaginal; durante três horas na urina coletada; seis horas no sêmen ejaculado; 24 horas em toalhas de pano molhadas com água a 35oC; é destruído pelo calor a 44oC. PROFILAXIA As mesmas medidas profiláticas para outras DST: Controle depende do diagnóstico e tratamento da doença; Evitar multiplicidade de parceiros; Uso de preservativos; Abstinência sexual durante o tratamento. TRATAMENTO Os fármacos usados são: Metronidazol (Flagyl) Secnidazol (Secnidal) Tinidazol (Fasigyn) Ornidazol (Tiberal) Nimorazol (Nagoxin) ... Em gestantes esses medicamentos não devem ser usados via oral, somente pela aplicação local de cremes, geléias ou óvulos.