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DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 1 Aula 4 – Direito Empresarial Prof. Antonio Nóbrega Prezado candidato, prosseguindo em nosso caminho pelos institutos do Direito Empresarial, estudaremos, hoje, os títulos de crédito e temas conexos, como o protesto e ação cambial. O candidato não deve dispensar a leitura da própria legislação. A disciplina dos títulos de crédito é dispersa em vários instrumentos legais, que serão apresentados conforme formos percorrendo a matéria. ROTEIRO DA AULA – TÓPICOS 1. Títulos de Crédito. 1.1. Conceito de título de crédito. 1.2. Princípios. 1.2.1. Cartularidade. 1.2.2. Literalidade. 1.2.3. Autonomia. 1.3. Características. 1.4. Modalidades e classificação dos títulos de crédito. 1.5. Letra de câmbio e nota promissória. 1.5.1. Do saque. 1.5.2. Do aceite e do vencimento. 1.5.3. Do endosso. 1.5.4. Do aval. 1.5.5. Do pagamento. 1.5.6. Do protesto: legislação, modalidades, procedimentos, efeitos, ações judiciais envolvendo o protesto. 1.5.7. Da ação cambial; ação de regresso; inoponibilidade de exceções; responsabilidade patrimonial e fraude à execução; embargos do devedor; ação de anulação e substituição de título. 1.6. Outros títulos de crédito próprios. 1.6.1. Cheque. 1.6.2. Duplicata. 1.7. Títulos de crédito impróprios: 1.7.1. Títulos de financiamento da atividade econômica: notas e cédulas de crédito (industrial, rural, comercial, à exportação, imobiliário, bancário e de produto rural). 1.7.2. Warrant e conhecimento de depósito. 1.7.3. Letra de arrendamento mercantil. 2. Exercícios. DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 2 1. Títulos de crédito 1.1. Conceito de título de crédito Título de crédito é o documento necessário para o exercício do direito, literal e autônomo nele mencionado. Esta definição foi formulada pelo mestre italiano Cesare Vivante e acabou positivada no Código Civil de 2002: Art. 887. O título de crédito, documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele contido, somente produz efeito quando preencha os requisitos da lei. Contudo, muito antes desta positivação, a definição já era aceita pela doutrina como a melhor descrição de um título de crédito. Nela estão contidos todos os princípios formuladores do Direito Cambiário: os princípios da cartularidade, literalidade e autonomia. Esta definição é tão perfeita que, por si só, já basta para conceituar os títulos de crédito, e o aprofundamento desta definição será feito quando estudarmos os princípios e características dos títulos de crédito a seguir. Uma observação, porém. O crédito referido na definição é uma quantia pecuniária. Embora haja certos títulos de créditos, classificados como impróprios, cujo direito nele constante refira-se a obrigações de fazer ou dar coisa diferente de dinheiro. A doutrina entende que o crédito constante em um título de crédito próprio é sempre dinheiro. Outro ponto que merece ser mencionado refere-se ao objetivo dos títulos de crédito. Estes são instrumentos de circulação de riquezas, o que se tornará mais claro quando estudarmos os tópicos a seguir. 1.2. Princípios 1.2.1. Cartularidade Como podemos ver na definição supra, os títulos de crédito são documentos. Ademais, são documentos necessários para o exercício de um direito. Desta necessidade aduz-se o princípio da cartularidade: somente DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 3 quem possui a cártula — o documento — pode pretender que o direito nela contido seja satisfeito. Este princípio irá gerar várias regras a respeito dos títulos de crédito, assim como dele emanará várias de suas características. Um exemplo é a obrigatoriedade de se instruir a petição inicial de execução com o original do título de crédito a ser cobrado. Vejamos o seguinte artigo do Código de Processo Civil: Art. 614. Cumpre ao credor, ao requerer a execução, pedir a citação do devedor e instruir a petição inicial: I - com o título executivo extrajudicial [...]. Os títulos de créditos, classificados como próprios — a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata e o cheque —, são títulos executivos extrajudiciais, como determina o Código de Processo Civil: Art. 585. São títulos executivos extrajudiciais: I - a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debênture e o cheque [...]. Em síntese, o princípio da cartularidade implica que os títulos de crédito devem ser materializados em um documento tangível, isto é, físico. Embora a doutrina e a lei, com o objetivo de atualizar-se diante dos avanços tecnológicos, a questão dos títulos de créditos virtuais é algo que ainda é debatido. A lei não obriga que o título de crédito materialize-se em um documento necessariamente de papel, mas deve ser algo que, por exemplo, possa ser anexado a uma petição inicial; que possa ser entregue ao devedor, quando este quitar a dívida; que possa ser entregue a terceiro, quando o título for negociado. Esta exigência, como se vê, está intimamente ligada à circulação de riquezas. Se o título de crédito não for um documento que possa circular, seu objetivo não será atendido. A partir do momento em que se possa circular títulos de créditos virtuais com segurança, estes poderão ser considerados como tais, pois atenderão ao objetivo do Direito Cambiário. DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 4 1.2.2. Literalidade O princípio da literalidade, embora seja autônomo, guarda certa relação com o princípio da cartularidade. Se o título de crédito é o documento necessário para a satisfação de um crédito, neste documente devem estar contidos todos os dados para a satisfação deste crédito. Desta inferência lógica surge o princípio da literalidade. Um credor não pode exigir mais do que está descrito em um título de crédito, assim como um devedor não pode pagar menos. Caso a quitação seja parcial, esta deverá ser descrita no próprio título. Da mesma forma, endossos, avais e aceites — institutos que veremos no decorrer de nossa aula — também deverão estar contidos no documento que materializa o título de crédito. Disto infere-se que o título de crédito não é apenas um documento necessário, mas suficiente para o exercício de um direito creditício. Como todo este direito está descrito na cártula, nada mais é necessário para que ele seja exercido. Em síntese, a melhor frase que exemplifica este princípio é vale o que está no título. Assim como se diz, no direito processual, que o que não está nos autos não está no mundo, podemos dizer que o que não está no título não está no mundo, pelo menos, no mundo jurídico. O título pode até conter disposições sobre a incidência de juros e correção monetária, mas estas correções devem ser feitas por meros cálculos aritméticos, não necessitando a consulta de qualquer outro documento. Mais uma vez, este princípio guarda relação com o objetivo dos títulos de crédito: a circulação de riquezas. Se para isto fosse necessário outro documento ou obter dados contidos em algum outro lugar, a circulação de riquezas estaria prejudicada. 1.2.3. Autonomia Também de acordo com a suficiência dos títulos de crédito, surge o princípio da autonomia. Isto significa que cada obrigação cambiária é autônoma — independente — de qualquer outra obrigação cambiária — mesmo que contidas na mesma cártula —, assim como é independente dequalquer outro tipo de obrigação como, por exemplo, uma obrigação civil. DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 5 Em sentido estrito, a autonomia significa que as obrigações contidas em um mesmo título — endossos e avais —, mesmo que invalidadas, não prejudicam as demais. Em sentido amplo, surgem dois subprincípios: o da abstração e o da inoponibilidade. Segundo o princípio da abstração, uma obrigação cambiária torna-se autônoma — independente — da obrigação que deu ensejo ao título de crédito. Por exemplo, imaginemos que A venda o bem X para B a crédito e este emite uma nota promissória em favor de A no valor da venda, documentando a dívida. Esta nota é transferida para C que passa a ser seu titular. Pelo subprincípio da abstração, mesmo que a venda seja invalidada, a obrigação cambial persiste e C poderá cobrar a dívida de B. O subprincípio da inoponibilidade decorre desta mesma situação. Quando C propuser ação de execução contra B, se aquele estava de boa-fé, este não poderá alegar que o contrato de compra e venda com A foi desfeito. Por isso, alguns doutrinadores chamam este subprincípio por um nome mais completo: inoponibilidade a terceiros de boa-fé. Isto significa que, em uma ação de execução, o devedor não pode opor exceções no que tange terceiros alheios a ela, diferentemente, como ocorre em uma cessão civil de crédito. Por questões de economia processual, um devedor poderá até opor exceções diretas àquele que lhe cobra — por exemplo, caso C fosse devedor de B em alguma outra relação jurídica —, mas isto é uma questão muito mais processual civil do que cambiária. Princípios dos títulos de crédito Cartularidade O título de crédito deve materializar-se em um documento tangível e concreto. Literalidade O direito contido em um título de crédito deve ser expresso literalmente, não podendo o credor exigir mais do que isto nem o devedor pretender pagar menos. Autonomia As obrigações contidas em um título de crédito são autônomas entre si e a invalidade de uma não afeta outra. As obrigações contidas em um título de crédito são independentes de qualquer outra obrigação do mundo jurídico. O devedor não pode opor exceções pessoas que tenha contra o emitente do título de DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 6 crédito ao terceiro credor de boa-fé. 1.3. Características Prezado candidato, destes princípios e do objetivo central dos títulos de crédito decorrem várias características. A primeira decorre diretamente do objetivo de circular riqueza: a negociabilidade. Um título de crédito é negociável, por seu portador, a qualquer pessoa capaz de efetuar negócios jurídicos. Por isso são chamados títulos de circulação. Esta característica não é exclusiva dos títulos de crédito. Qualquer bem que não seja personalíssimo ou haja vedação em lei pode ser negociado, mas os princípios da cartularidade, literalidade e autonomia fazem com que estes títulos tenham outra característica que facilita a circulação dos mesmos: a executividade. Mais uma vez, a executividade não é exclusiva dos títulos de crédito. O art. 585 do CPC contém oito incisos sobre títulos executivos extrajudiciais e os títulos de crédito constam em apenas um deles. Contudo, devido aos seus outros princípios, os títulos cambiários são muito mais facilmente executados pelo fato de que as defesas contra eles são muito mais limitadas. Outra característica, como já vimos, pelo menos no que tange os títulos executivos próprios, é o fato do direito estar sempre expresso em um crédito pecuniário — o que também facilita a executividade. Neste sentido, são também chamados títulos de resgate. Também podemos citar como características o fato dos títulos de crédito serem documentos formais. A lei sempre irá ditar certas características que o documento que materializa a obrigação cambiária deve conter, sem os quais será inválido. A obrigação poderá até ser cobrada, mas será necessário ajuizar processo de conhecimento e o documento não será considerado um título de crédito, mas apenas uma prova documental. Os títulos de crédito também possuem a característica de bens móveis, como se aduz dos arts. 82 e 83 do Código Civil. Outra importante característica é o fato dos títulos de crédito serem obrigações quesíveis, nas quais é dever do credor cobrar do devedor a importância devida, ao contrário das obrigações portáveis. Pelo princípio da autonomia, os títulos de crédito, em regra, têm natureza pro solvendo, ou seja, não extinguem a obrigação originária que deu ensejo ao título. Caso contrário, seriam pro soluto. DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 7 Em razão do princípio da cartularidade, são chamados de títulos de apresentação, pois esta é necessária para o exercício do direito contido na cártula. Por último, a doutrina considera que os títulos de crédito possuem natureza essencialmente comercial, embora isto seja discutível, pois qualquer particular pode, por exemplo, documentar um empréstimo em uma nota promissória, mesmo que não sejam comerciantes ou empresários. Características dos títulos de crédito Negociabilidade: são títulos de circulação. Executividade: são títulos executivos. Obrigações creditícias, expressas em dinheiro: são títulos de resgate. Documentos formais. Bens móveis. Obrigações quesíveis. Natureza pro solvendo. Títulos de apresentação. Natureza comercial. 1.4. Modalidades e classificação dos títulos de crédito A doutrina apresenta quatro modalidades ou critérios de classificação dos títulos de crédito: quanto ao modelo, quanto à estrutura, quanto à circulação e quanto às hipóteses de emissão. A isto podemos somar a divisão entre títulos próprios e impróprios. Os títulos impróprios são os que não estampam obrigações pecuniárias ou não possuem natureza estritamente cambiária. A doutrina mais radical considera como títulos próprios somente a letra de câmbio e a nota promissória, mas, hoje em dia, principalmente pelo que dispõe a lei, o cheque e a duplicata também são considerados títulos de créditos próprios. Quanto ao modelo, embora os títulos de crédito sejam documentos formais, em relação a alguns deles, fora as características impostas pela lei, seus modelos podem tomar qualquer forma. Já outros devem obedecer a um modelo específico definido pela ou algum órgão ou entidade regulamentador. DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 8 São de modelo livre a nota promissória e a letra de câmbio, enquanto possuem modelo vinculado o cheque e a duplicata. No que diz respeito à estrutura, esta se divide em ordens de pagamento e promessas de pagamento. A nomenclatura é autoexplicativa: na ordem de pagamento, quem saca o título de crédito determina que um terceiro efetue o pagamento em favor do beneficiário; na promessa de pagamento, o próprio sacador promete efetuar o pagamento ao beneficiário, nas condições expressas no título. Quanto às hipóteses de circulação, esta classificação divide-se em ao portador, nominais à ordem, nominais não à ordem e nominativas. O título ao portador é aquele cujo possuidor é o titular do direito nele expresso, ou seja, quem detém o título é o titular de seus direitos. Esta modalidade está em desuso no Direito Brasileiro. Teoricamente, o cheque pode ser um título ao portador, mas a lei limita esta possibilidade ao valor máximo de cem reais. O título nominal é mais comum, dividindo-se em dois tipos,que são estabelecidos por cláusulas no próprio título. O nominal à ordem é o título é o padrão e pode circular por endosso, instrumento de circulação cambiária. O título não à ordem veda o endosso e perde a característica de circulação cambiária, podendo circular apenas por meio de cessão de crédito civil. Os títulos nominativos são previstos no Código Civil, em seu art. 921, e estabelece que são títulos cujo beneficiário consta em um livro de registro, o que faria o título perder sua autonomia. Para a cessão de crédito, esta só poderia ocorrer por termo no livro de registro, assinado pelo emitente e pelo adquirente. Os dispositivos do Código Civil, porém, não são utilizados na prática. Parte da doutrina sequer considera esta classificação, por não haver nenhum título de crédito próprio que se enquadre nela. Como a mesma doutrina que adota esta posição considera que os títulos de crédito impróprios, na verdade, não são títulos de crédito, a classificação é ignorada. No que tange às hipóteses de emissão, os títulos dividem-se em causais e abstratos. Esta classificação, porém, confunde-se com o subprincípio da abstração e é preferível a discriminação entre títulos de emissão condicionada e de emissão não condicionada. Esta condição refere-se às hipóteses em que a lei autoriza a emissão do título. Desta forma, o não condicionado pode ser emitido livremente, enquanto o condicionado só pode ser emitido nas hipóteses permitidas pela lei. Alguns autores DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 9 acrescentam a esta classificação o conceito de títulos limitados, que são aqueles que podem ser emitidos em qualquer hipótese, exceto as vedadas em Lei. Dos títulos de crédito próprio, somente a duplicata tem sua emissão condicionada. Este título só pode ser emitido para a documentação de crédito oriundo de compra e venda mercantil, daí o seu nome. A letra de câmbio, por sua vez, sofre limitação, pois a Lei das Duplicatas veda a emissão deste título nas hipóteses em que é possível a emissão de duplicata. Vistas estas modalidades de classificação, agora podemos sintetizar estes conceitos em uma tabela classificatória dos títulos de crédito. Excluímos desta tabela a divisão entre títulos de crédito próprios e impróprios, já que não faz parte da classificação doutrinária padrão. Basta o candidato lembrar que os títulos próprios são a letra de câmbio, a nota promissória, o cheque e a duplicata. Nesta tabela não serão tratados os títulos impróprios, pois ela tornar-se-ia muito extensa. As peculiaridades deste título serão tratadas na seção própria. Classificações dos títulos de crédito Quanto ao modelo Livres Nota promissória e letra de câmbio Vinculados Cheque e duplicata Quanto à estrutura Ordem de pagamento Letra de câmbio, cheque e duplicata Promessa de pagamento Nota promissória Quanto à circulação Ao portador Cheque até o limite de R$ 100,00 (transmissão por tradição) Nominal à ordem Todos, em regra (transmissão por tradição + endosso) Nominal não à ordem Todos, quando expressa (transmissão por cessão de crédito civil) Nominativos Nenhum (parte da doutrina não considera esta modalidade aplicável) Quanto à emissão Abstratos (não condicionados) Nota promissória e cheque Limitados Letra de câmbio Causais (condicionados) Duplicata 1.5. Letra de câmbio e nota promissória DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 10 O prezado aluno deve estar se perguntando a razão de iniciarmos o estudo dos títulos de crédito em espécie pela nota promissória e pela letra de câmbio. Ainda mais, se tem alguma vivência prática com títulos de crédito, deve saber que este último título está em desuso no Brasil. Ocorre que, por questões didáticas, a letra de câmbio é o melhor título de crédito para se estudar estes títulos em espécie por ser o mais completo e o mais tradicional. A razão de agruparmos estes dois títulos ocorre pelo fato deles estarem regulados pelo mesmo instrumento normativo conhecido como Lei Uniforme de Genebra (doravante, LUG). Esta Lei é, na verdade, um tratado internacional e, por isso, possui uma estrutura diferente da qual o prezado candidato está acostumado a encontrar. Primeiro, temos o Decreto 57.662/1966 que é a Lei que incorpora o tratado ao ordenamento jurídico nacional. Esta Lei não possui nada sobre os títulos de crédito, mas apenas manda que o tratado seja obedecido no país. Apensado a este decreto há o tratado em si e dois anexos. O tratado é apenas o acordo internacional e não importa ao nosso estudo. O primeiro anexo é a regulamentação, em si, das letras de câmbio e das notas promissórias. Sempre que não fizermos nenhuma outra referência, caro amigo, estaremos tratando dos artigos contidos neste anexo. O segundo anexo regula reserves que o País pode adotar ao incorporar a Lei em seu ordenamento pátrio, e o Brasil fez as seguintes reservas: arts. 2º, 3º, 5º ao 7º, 9º, 10, 13, 15 ao 17, 19 e 20. A estrutura destes anexos difere de como as leis são normalmente publicadas no Brasil. Neles há apenas artigos e seus parágrafos. Estes parágrafos são chamados de alíneas, começando do primeiro (este é a 1ª alínea e não o caput). Há também itens numerados e não numerados. Estes não contam como alíneas. Anteriormente, o Brasil havia regulado as letras de câmbio e as notas promissórias pelo Decreto 2.044/1908. Este Decreto não foi revogado e, no que não conflitar com a LUG, será válido. Porém, informaremos quando alguma regra relevante deste decreto deverá ser observada. Outra razão de agruparmos em um mesmo tópico o estudo das letras de câmbio e das notas promissórias é o fato de que esta última possui apenas quatro artigos e no mais é regulada tal e qual as letras de câmbio, de modo que é mais fácil apontarmos apenas as diferenças do que dividirmos o estudo em dois tópicos. Vejamos o que diz o art. 77 do anexo I da LUG (como já DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 11 alertamos, sempre que se tratar do anexo I da LUG, omitiremos esta menção, por questões de brevidade): Art. 77. São aplicáveis às notas promissórias, na parte em que não sejam contrárias à natureza deste título, as disposições relativas às letras e concernentes: endosso (artigos 11 a 20); vencimento (artigos 33 a 37); pagamento (artigos 38 a 42); direito de ação por falta de pagamento (artigos 43 a 50 e 52 a 54); pagamento por intervenção (artigos 55 e 59 a 63); cópias (artigos 67 e 68); alterações (artigo 69); prescrição (artigos 70 e 71); dias feriados, contagem de prazos e interdição de dias de perdão (artigos 72 a 74). São igualmente aplicáveis às notas promissórias as disposições relativas às letras pagáveis no domicílio de terceiro ou numa localidade diversa da do domicílio do sacado (artigos 4º e 27), a estipulação de juros (artigo 5º), as divergências das indicações da quantia a pagar (artigo 6º), as conseqüências da aposição de uma assinatura nas condições indicadas no artigo 7º, as da assinatura de uma pessoa que age sem poderes ou excedendo os seus poderes (artigo 8º) e a letra em branco (artigo 10). São também aplicáveis às notas promissórias as disposições relativas ao aval (artigos 30 a 32); no caso previsto na última alínea do artigo 31, se o aval não indicar a pessoa por quem é dado, entender-se-á ser pelo subscritor da nota promissória. O amigo não precisa entender, neste momento, toda a terminologia do artigo supra. Apresentamo-lo, agora, apenas para que se possa perceber como a nota promissória merece serestudada em conjunto com a letra de câmbio, visto a uniformidade de várias normas que as regulam. Observe, ademais, a estrutura do artigo. Nele, há três alíneas — o primeiro e os dois últimos parágrafos — e uma lista de itens entre a primeira alínea e a segunda. Assim, neste exemplo, se nos referíssemos à segunda alínea, estaríamos nos referindo ao parágrafo que se inicia por “são igualmente aplicáveis...”; se referíssemos ao terceiro item da primeira alínea, estaríamos nos referindo ao item “pagamento (arts. 38 a 42)”. Caso a alínea não seja mencionada, presume-se que estamos falando da primeira do artigo. Entendido isto, vamos falar um pouco da história destes títulos de crédito. Ela inicia-se na Itália, durante a Idade Média, quando o poder político era bastante descentralizado. Em razão disso, a pluralidade de moedas era DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 12 imensa. Além disso, não era muito seguro viajar de um local para o outro, pois, como não havia nenhum policiamento como há nos dias de hoje. Assim, formulando um exemplo, vamos imaginar que um comerciante de Veneza foi até Florença realizar negócios. Chegando lá, vende suas mercadorias e recebe pagamento na moeda local — que chamaremos de florim. O florim não é utilizado em Veneza, pois a moeda de lá, que chamaremos de lira. O que faz o comerciante de Veneza? Ele vai até um banco florentino e troca seus florins por dois documentos: uma littera cambii (letra de câmbio) e uma cautio (caução, antecessora da nota promissória). Esta littera cambii era uma ordem de pagamento a um banqueiro de Veneza para que entregasse a quantia descrita no documento ao seu possuidor. Já a cautio era promessa de pagamento ao banqueiro de Veneza, que o banqueiro de Florença pagar-lhe-ia a quantia descrita. Assim temos as duas modalidades clássicas de títulos de crédito: a ordem de pagamento e a promessa de pagamento. Quanto às outras características, tanto a letra de câmbio como a nota promissória, por padrão, são de modelo livre e circulam de forma nominal à ordem, devendo a cláusula não à ordem ser expressa. Tradicionalmente, quanto à emissão, são abstratos. Porém, a letra de câmbio, no ordenamento pátrio, possui limitação feita pela Lei das Duplicatas Mercantis. Feita esta introdução, estudaremos a estrutura das ordens de pagamento e das promessas de pagamento, e como são emitidas, isto é, sacadas. 1.5.1. Do saque A ordem de pagamento diz respeito a uma estrutura de título de crédito no qual há três partes: a) aquele que emite o título (sacador); b) o beneficiário que irá receber a quantia (tomador); e c) aquele que deve pagar (sacado). Estas três partes não precisam, necessariamente, ser constituídas de pessoas diferentes. O art. 3º da LUG dispõe que: A letra pode ser à ordem do próprio sacador. Pode ser sacada sobre o próprio sacador. Pode ser sacada por ordem e conta de terceiro. DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 13 Precisam, por óbvio, ter ao menos duas pessoas, tendo em vista que seria inútil alguém sacar uma letra de câmbio, em benefício dela mesma, ordenando que ela própria se pague. Igualmente, o tomador e o sacado devem ser pessoas distintas, pois seria absurdo alguém ordenar que uma pessoa pague a si mesma. Todavia, há duas possibilidades em que duas partes se confundem em uma ordem de pagamento. A primeira é quando a letra é sacada em nome à ordem do próprio sacador, como na primeira alínea do art. 3º. Neste caso, quem emite a nota é próprio beneficiário da mesma, ou seja, está ordenando que o sacado lhe pague. Como veremos quando tratarmos das duplicatas, nos contratos de compra e venda mercantis, a Lei das Duplicatas veda que sejam sacadas letras de câmbio neste modo — à ordem do próprio sacador. Porém, mesmo que não fosse vedado, a estrutura das duplicatas é muito mais eficaz, nesta situação, do que a das letras de câmbio, como veremos. O segundo modo de emissão de uma letra de câmbio — sacada sobre o próprio sacador — fará com que esta assemelhe-se a uma promessa de pagamento e, por consequência, a uma nota promissória. Assim sendo, sobra o modo de emissão no qual todas as partes são distintas: sacador, sacado e tomador. O qual será enfatizado em nosso estudo. Quanto à estrutura das promessas de pagamento, como podemos perceber pelo que acabamos de dizer, nesta só haverá duas partes: a) o sacador ou promitente (ou, ainda, subscritor, na terminologia utilizada pela LUG), que promete pagar uma quantia; b) o tomador, que será a quem a quantia deverá ser paga. Como se vê, nas notas promissórias, o sacador é a mesma pessoa que o sacado, tal como na segunda alínea do art. 3º da LUG, contudo, receberá a denominação de subscritor. Estrutura dos títulos de crédito Letra emitida à ordem do próprio sacador Letra emitida sobre o próprio sacador Sacador / Tomador SacadoManda pagar ecobra de... Paga a... Emite letra em benefício próprio Sacador / Sacado Tomador Emite letra em benefício de... Cobra de... Paga a... DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 14 Letra emitida à ordem de terceiro Nota promissória Sacador Tomador Sacado Emite letra em benefício de... Cobra de... Paga a... Manda pagar ao tomador Subscritor TomadorEmite nota embenefício de... Cobra de... Paga a... Como se vê, a letra emitida — ou sacada — sobre o próprio sacador é idêntica, em efeitos, à nota promissória. Apesar da LUG não vedar a modalidade, ela é totalmente redundante, para não dizer inócua. Uma observação que deve ser feita sobre a figura do sacador de uma letra de câmbio é que, conforme o art. 9º, ele é garante tanto da aceitação como do pagamento da mesma. Em outras palavras, isto significa que, caso o sacado recuse-se a pagar a letra, o sacador passa a ser o devedor e a letra funcionará tal qual uma nota promissória. Prosseguindo, como visto anteriormente, os títulos de crédito são documentos formais — devem obedecer a certos requisitos determinados em Lei. Sendo assim, na falta de um dos requisitos, tanto a letra de câmbio (art. 2º) como a nota promissória (art. 76) não serão consideradas títulos de crédito. Na realidade, nem poderão ser consideradas como letra de câmbio ou nota promissória. Vejamos estes requisitos como manda a LUG. Requisitos das letras de câmbio (art. 1º) Requisitos das notas promissórias (art. 75) 1. A palavra “letra” (ou a expressão “letra de câmbio”) inserta no próprio texto do título e expressa na língua empregada para a redação desse título. 1. Denominação "nota promissória" inserta no próprio texto do título e expressa na língua empregada para a redação desse título. 2. O mandato puro e simples de pagar uma quantia determinada. 2. A promessa pura e simples de pagar uma quantia determinada. 3. O nome daquele que deve pagar (sacado). —x— 4. A época do pagamento. 3. A época do pagamento. 5. A indicação do lugar em que se deve efetuar o pagamento. 4. A indicação do lugar em que se efetuar o pagamento. 6. O nome da pessoa a quem ou à ordem de quem deve ser paga. 5. O nome da pessoa a quem ou à ordem de quem deve ser paga. 7. A indicação da data em que, e do lugar 6. A indicação da data em que e do lugar onde DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 15 onde a letra é passada. a nota promissória é passada. 8. A assinatura de quem passa a letra (sacador). 7. A assinatura dequem passa a nota promissória (subscritor). Podemos perceber que os requisitos são quase idênticos, exceto pelo fato da letra de câmbio exigir a figura do sacado. Este requisito não existe na nota promissória, pois quem deve pagar é o próprio subscritor. No que concerne a regra da obrigatoriedade dos requisitos, há exceções, considerando que, em certos casos, a ausência do requisito criará uma presunção. Não havendo época do pagamento (itens nº 4 da letra de câmbio e nº 3 da nota promissória), entender-se-á que o título de crédito deve ser pago a vista (art. 2º, segunda alínea, e art. 76, idem). Na ausência de indicação do lugar do pagamento (itens nº 5 da letra de câmbio e nº 4 da nota promissória), este será o mesmo do domicílio do sacado ou do subscritor, conforme o caso (mesmo artigo, supra, terceira alínea). Igualmente, não havendo o lugar do saque (itens nº 7 da letra de câmbio e nº 6 da nota promissória), considerar-se-á, respectivamente, o local aposto ao lado do nome do sacador ou do subscritor. O local do pagamento pode ser em domicílio de terceiro, em qualquer localidade (art. 4º). Conforme o princípio da autonomia, caso haja assinaturas de pessoas incapazes, causando anulação desta obrigação, esta não afetará as outras obrigações (art. 7º). Ainda, sem alguém apuser sua assinatura como representante de outrem e não tiver ou exceder tais poderes, obrigar-se-á pessoalmente (art. 8º). Além disso, como já mencionado antes, poderá haver uma estipulação de juros a serem pagos (art. 5º). Porém, não será em qualquer situação que isto será permitido. Detalharemos este tópico quando tratarmos do vencimento. Uma última observação sobre os requisitos do saque é que, mesmo sendo obrigatórios, eles só precisam estar preenchidos na ocasião da cobrança, do protesto ou do ajuizamento de uma ação de cobrança. Este entendimento é firmado tanto na jurisprudência como na própria legislação. DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 16 Art. 3º do D. 2.044/1908: esses requisitos são considerados lançados ao tempo de emissão da letra. A prova em contrário será admitida no caso de má-fé do portador. Art. 891. do Código Civil: o título de crédito, incompleto ao tempo da emissão, deve ser preenchido de conformidade com os ajustes realizados. Sum. 387, STF: a cambial emitida ou aceita com omissões ou em branco, pode ser completada pelo credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto. 1.5.2. Do aceite e do vencimento O sacado, de início, é uma pessoa estranha a relação cambiária. Caso não fosse, a letra de câmbio poderia ser um instrumento muito perigoso, pois qualquer pessoa poderia emiti-la, obrigando um estranho a um pagamento qualquer, em uma relação que não lhe diria respeito. Sendo assim, nas letras de câmbio existe um elemento chamado aceite, que, de forma sintética, significa que o sacado, ao dar o aceito, concorda em pagar a letra de câmbio e, a partir deste momento, torna-se aceitante. O aceitante deve escrever na própria letra a palavra “aceite” ou qualquer outra equivalente, porém, a mera assinatura do sacado no anverso — parte posterior da letra — basta como aceite (art. 25). Na nota promissória, não existe o aceite, e a primeira alínea do art. 78 dispõe que: O subscritor de uma nota promissória é responsável da mesma forma que o aceitante de uma letra. As condições do aceite serão muito influenciadas pelas condições de vencimento, daí estudarmos estes dois elementos em conjunto. Existem quatro possibilidades de vencimento, conforme o art. 33: Uma letra pode ser sacada: à vista; DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 17 a um certo termo de vista; a um certo termo de data; pagável num dia fixado. A letra — assim como uma nota promissória — à vista vence no dia de apresentação ao sacado; a a um certo termo de vista vence após determinado prazo, estipulado pelo sacador, após o aceite; a a um certo termo de data vence após certo prazo a ser contado da emissão; e a pagável num dia fixado vence em uma data certa. Como se pode deduzir, a letra a um certo termo de data e a pagável num dia fixado acabam por ter o mesmo efeito. Por exemplo, tanta faz sacar uma letra, no dia 21 de junho, com vencimento fixo para 21 de dezembro, como sacar uma, na mesma data, com termo de seis meses. O art. 36 da LUG esclarece como é feita a contagem dos termos e não traz nenhum mistério, bastando a leitura do mesmo. No caso da nota promissória a um certo termo de vista, como não existe o aceite, este será substituído por um visto dado pelo subscritor, como determina a segunda alínea do art. 78. Tendo data fixa, seja em qualquer destas duas modalidades, todavia, no caso de uma letra, esta pode ser apresentada para aceite antes do vencimento (art. 21). Dado o aceite, o sacado obriga-se a pagá-la (art. 28), mas só na data de vencimento. Porém, havendo recusa ao aceite, ocorrerá vencimento antecipado e o tomador poderá cobrá-la do sacador (art. 43). Caso o sacador queira limitar a possibilidade de vencimento antecipado, ele poderá estipular data fixa ou prazo, a partir do saque, para a apresentação ao aceite (art. 22, 1ª e 3ª alíneas). Assim, mesmo que o tomador procure o sacado, antes da data estipulada, e este já lhe avise que irá recusar a letra, o vencimento antecipado só ocorrerá a partir daquela data. O sacador pode, ainda, estipular o que é chamado de cláusula não aceitável (art. 22, 2ª alínea), de modo que a letra só poderá ser apresentada no próprio dia de vencimento. Esta cláusula, porem, não pode ser utilizada quando a letra dever ser paga em domicílio de terceiro ou qualquer outro localidade diferente da do sacado. No caso das letras a certo termo de vista e à vista, por regra, o tomador tem o prazo de um ano para apresentá-la ao sacado para aceite (art. 23 e art. 34, respectivamente). Porém, este prazo pode ser modificado por vontade do sacador (idem). DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 18 Igualmente, nestas modalidades de vencimento, é possível estipular um prazo mínimo para a apresentação das letras para aceite, porém, a letra pagável a certo termo de vista não aceita cláusula de não aceite (art. 22, 2ª alínea). O aceite pode ser total ou parcial (art. 26). O aceite parcial pode ser limitativo — quando reduz o valor — ou modificativo — quando impõe outras condições, como dilação de prazo. Todavia, em caso de aceite parcial, também ocorrerá o vencimento antecipado. A diferença é que o aceitante obriga-se nos termos de seu aceite (art. 26, 2ª alínea). Assim, o sacador poderá cobrá-lo nos termos aceitos, na data do vencimento da letra (art. 28, 2ª alínea). Sendo apresentado à letra, ele pode pedir que a mesma seja reapresentada no dia seguinte — é o chamado prazo de respiro (art. 24, 1ª alínea) — mas não poderá reter a letra (art. 24, 2ª alínea). O aceite, apesar de facultativo ao sacado, é irretratável. Contudo, uma vez aceitada a letra, o sacado não poderá voltar atrás. Antes de restituí-la, ele poderá riscar o aceite, que será considerado recusado (art. 29, 1ª alínea). Porém, se houver comunicado por escrito o portador ou qualquer outro signatário que aceitaria a letra, ficará obrigado para com estes, nos termos de seu aceite (art. 29, 2ª alínea). Vencimento Início do prazo para aceite Fim do prazo para aceite À vista Padrão: a partir do saque. Padrão: um ano. Definição: vence ao ser apresentada para aceite. Opcional: pode ser definida data certa ou prazo a partir do saquepara o início do prazo; também é possível a inclusão de cláusula não aceitável. Opcional: o prazo pode ser encurtado ou dilatado. A um certo termo de vista Padrão: a partir do saque. Padrão: um ano. Definição: vence em um prazo iniciado a partir do aceite. Opcional: pode ser definida data certa ou prazo a partir do saque para o início do prazo; NÃO é possível a inclusão de cláusula não aceitável. Opcional: o prazo pode ser encurtado ou dilatado. A um certo termo de data Padrão: a partir do saque. O mesmo do vencimento. Definição: vence em um prazo a partir da data do saque. Opcional: pode ser definida data certa ou prazo a partir do saque para o início do prazo; também é possível a inclusão de cláusula não aceitável. Pagável num dia fixado Padrão: a partir do saque. O mesmo do vencimento. DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 19 Definição: vence em uma data certa, exemplo: 01/01/2013. Opcional: pode ser definida data certa ou prazo a partir do saque para o início do prazo; também é possível a inclusão de cláusula não aceitável. 1.5.3. Do endosso O endosso é o meio cambiário de transmitir os direitos em um título de crédito a outrem. Cambiário, pois, distingue-se dos meios civis de cessão de crédito. Sendo assim, é a forma padrão pela qual os títulos de crédito circulam. Como vimos anteriormente, é possível a inclusão de cláusula não à ordem, com a qual um título de crédito será proibido de circular por endosso, embora continue sendo possível uma cessão de crédito civil. Porém, a cláusula à ordem é padrão nos títulos de crédito próprios (art. 11, 1ª alínea), enquanto que a cláusula não à ordem deve ser expressa na própria cártula (idem, 2ª alínea). Como já deve ser óbvio para o caro candidato, o endosso deve ser feito na própria cártula ou em um anexo, que não pode ser uma simples folha solta ou grampeada, mas deve ser colado ao título de crédito de modo que não se possa mais soltá-lo (art. 13). O endosso pode ser feito a qualquer pessoa capaz, inclusive ao sacado, aceitante ou não, ou ao sacador (idem, 3ª alínea), podendo ainda ser feito em branco, isto é, sem designar o beneficiário (art. 13, 2ª alínea). Neste caso, deverá ser escrito, necessariamente, no verso da cártula. Um título de crédito endossado em branco poderá circular como se ao portador fosse. O detentor de uma letra é considerado portador legitimo se justifica o seu direito por uma serie ininterrupta de endossos, mesmo se o último for em branco (art. 16). E se alguém perde ou é desapossado de sua letra de câmbio ou promissória, o detentor, demonstrando a série ininterrupta de endossos e estando de boa-fé, não é obrigado a restituí-la (art. 16, 2ª alínea). O artigo 17 traduz expressamente o princípio da autonomia: DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 20 As pessoas acionadas em virtude de uma letra não podem opor ao portador exceções fundadas sobre as relações pessoais delas com o sacador ou com os portadores anteriores, a menos que o portador ao adquirir a letra tenha procedido conscientemente em detrimento do devedor. Podem ser feitos quantos endossos forem possíveis e, no caso de um endosso em branco, o portador poderá, conforme o art. 14, 2ª alínea: 1º) preencher o espaço em branco, quer com o seu nome, quer com o nome de outra pessoa; 2º) endossar de novo a letra em branco ou a favor de outra pessoa; 3º) remeter a letra a um terceiro, sem preencher o espaço em branco e sem a endossar. O endosso transmite todos os direitos emergentes da letra (art. 14), porém, o endossante não estará desobrigado do título. Ele será, assim como o sacador, garante tanto da aceitação como do pagamento da letra (art. 15). Isto não ocorrerá caso o portador tenha recebido o título endossado em branco e transmita-o na terceira forma supra: remetendo a letra a um terceiro, sem preencher o espaço em branco e sem a endossar. Porém, mesmo que faça de outra forma, poderá desobrigar-se aplicando a cláusula sem garantia (art. 15). O endossante também poderá proibir um novo endosso (art. 15, 2ª alínea). Neste caso, deverá inserir uma cláusula não a ordem ao endossar a cártula. Esta obrigação do endossante é muito importante e merece ser mais bem distinguida da cessão de crédito civil e da solidariedade civil. Diz-se que o endossante torna-se co-obrigado pelo pagamento do título de crédito. Alguns chamam-no de devedor solidário, porém, esta classificação não é precisa, pois esta solidariedade não será a mesma que a solidariedade civil. Na solidariedade civil, quando um devedor solidário paga uma dívida, ele poderá demandar dos outros devedores somente a quota que eles deviam (art. 283, CC/2002). Na solidariedade cambial o codevedor poderá cobrar de todos aqueles que estiverem abaixo dele na cadeia cambial o valor integral do título de crédito. Para entendermos melhor isto, precisamos esclarecer o conceito de cadeia cambial. Imagine que uma nota promissória foi emitida pelo subscritor A em benefício do tomador B; este endossou a nota para C; que endossou para D; que DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 21 endossou para E; que endossou para F. Vencida a nota, F poderá cobrar de A, B, C, D ou E o valor integral expresso na nota. Digamos que F cobre a nota, com sucesso, de D. Este, como não era o devedor principal, poderá ainda cobrar o valor integral de A, B ou C, por estarem abaixo dele na cadeia cambial. Porém, não poderá cobrar o valor de E ou F por estarem acima dele, ou seja, não eram seus endossantes. Na solidariedade civil passiva, os devedores estão no mesmo plano. Se F fosse credor de A, B, C, D e E, poderia cobrar de qualquer um deles — C, por exemplo — e, neste caso, C poderia cobrar de A, B, C ou E, mas só a quota por eles devida. A solidariedade, na modalidade civil, também pode ocorrer nos títulos de crédito, mas ela é excepcional. Ocorre, por exemplo, se há dois sacadores — sendo um deles cobrado, poderá exigir do outro apenas sua quota da dívida. O mesmo acontecer com coaceitantes, coendossantes e coavalistas. No caso de uma obrigação civil, o mais semelhante a uma solidariedade cambiária que poderia ocorrer seria uma fiança. Neste caso, o fiador que pagar integralmente a dívida fica sub-rogado nos direitos do credor (art. 831, CC/2002) e terá direito de regresso pela totalidade do valor contra o afiançado. Porém, a fiança não é idêntica a uma solidariedade cambial, como veremos quando tratarmos do aval. Regime cambiário Regime civil Um codevedor, que paga uma obrigação cam-biária, pode cobrar o valor integral do devedor principal e dos codevedores que estejam abaixo dele na cadeia cambiária. O devedor que satisfez a dívida por inteiro tem direito a exigir de cada um dos codevedores a sua quota, dividindo-se igualmente por todos a do insolvente, se o houver, presumindo-se iguais, no débito, as partes de todos os codevedores. As pessoas acionadas em virtude de uma letra não podem opor ao portador exceções fundadas sobre as relações pessoais delas com o sacador ou com os portadores anteriores, a menos que o portador ao adquirir a letra tenha procedido consciente-mente em detrimento do devedor. O devedor pode opor ao cessionário as exceções que lhe competirem, bem como as que, no momento em que veio a ter conhecimento da cessão, tinha contra o cedente. Antes de adentrarmos no próximo tópico, falaremos de dois tipos de endosso que são considerados impróprios. Isto significa queeles têm forma de DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 22 endosso, mas não possuem a substância, ou seja, não transmitem o título. São o endosso-mandato e o endosso-caução. O endosso-mandato é, na prática, uma procuração passada na própria cártula, na forma de um endosso normal, acrescentada uma das expressões “valor a cobrar”, “para cobrança”, “por procuração” ou qualquer outra semelhante (art. 18). Isto dá o poder ao portador de exercer todos os direitos emergentes do título, mas apenas na qualidade de procurador. Assim, obviamente, ao cobrar o título, o devedor ou codevedor não poderá opor exceções que tenha contra o procurador, mas apenas as que possuía contra o endossante (art. 18, 2ª alínea). O outro aspecto desta procuração, por razões de segurança da circulação cambiária, é que o mandato que resulta de um endosso por procuração não se extingue por morte ou sobrevinda incapacidade legal do mandatário (art. 18, 3ª alínea). O endosso-caução é a forma de constituir um penhor sobre um título de crédito. Assim, o endossatário toma posse do título como garantia, podendo exercer todos os direitos emergentes dele, mas não podendo endossá-lo exceto como procuração (art. 19). Neste tipo de endosso, os coobrigados não poderão invocar contra o portador as exceções fundadas sobre as relações pessoais deles com o endossante, a menos que o portador, ao receber a letra, tenha procedido conscientemente em detrimento do devedor (art. 19, 2ª alínea). 1.5.4. Do aval Prezado candidato, traçando novamente uma analogia, o aval está para fiança assim como o endosso está para a cessão de crédito. Contudo, assim como há semelhanças, há também diferenças entre o instituto cambiário e o civil. O avalista — quem dá o aval — é responsável da mesma maneira que o avalizado — a pessoa que recebe o aval — (art. 32). Da mesma forma, o fiador garante satisfazer a um credor uma obrigação assumida pelo afiançado, caso este não a cumpra (art. 818, CC/2002). Ambos têm direito de regresso: o fiador contra o afiançado (art. 831, CC/2002) e o avalista contra o avalizado (art. 32, 3ª alínea). Porém, o avalista irá se inserir em uma cadeia cambiária, podendo cobrar de qualquer coobrigado que DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 23 esteja abaixo dele. Em uma fiança, isto só pode ocorrer se houver uma fiança da fiança, o que é raro. Igualmente, pode haver coavalistas, caso em que, como na fiança, se um deles pagar integralmente a dívida, só poderá demandar a cada um dos outros coavalistas pela respectiva quota. Porém, no aval, a figura do avalista do avalista — o chamado aval sucessivo — não é tão incomum quanto a do fiador do fiador. Em ambos os casos, a garantia pode ser parcial (art. 30, para o aval, e art. 823, CC/2002, para a fiança). Porém, as semelhanças param por aí. A fiança é um contrato civil acessório. Isto significa que a invalidade do contrato principal invalida a fiança (art. 824, CC/2002). No caso do aval, graças ao princípio da autonomia, a obrigação mantém-se, mesmo no caso desta ser nula por qualquer razão que não seja um vício de forma (art. 32, 2ª alínea). Ainda em razão deste princípio, o avalista não pode opor exceções relativas ao avalizado a quem o cobra. No caso da fiança, o fiador pode opor ao credor as suas exceções pessoais e as extintivas da obrigação que competem ao afiançado, se não provierem simplesmente de incapacidade pessoal, salvo o caso do mútuo feito a pessoa menor (art. 837, CC/2002). Outra característica pessoal do aval é que não há benefício de ordem. Na fiança, o fiador demandado pelo pagamento da dívida tem direito a exigir, até a contestação da lide, que sejam primeiro executados os bens do devedor (art. 827, CC/2002). No aval isto não existe, em razão também do princípio da autonomia. Quanto à constituição do aval, esta se dá na própria cártula, expressa pelas palavras “bom para aval” ou semelhante, ou, ainda, pela simples assinatura na parte frontal do título, o que não vale para o sacado ou sacador (art. 31). O aval também pode ser dado em branco e, neste caso, o avalizado será o sacador (art. 31, 4ª alínea; no caso da nota promissória, será o subscritor). Aval Fiança Não há benefício de ordem. Em regra, há benefício de ordem. O aval mantém-se mesmo no caso da obrigação que avalizou seja anulada por vício que não seja de forma. A nulidade do contrato principal anula a fiança, que é contrato acessório. O avalista não pode opor as exceções pessoais relativas ao avalizado, caso seja demandado. O fiador, em geral, pode opor as exceções pessoais relativas ao afiançado. DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 24 Prezado candidato, visto todos estes institutos, podemos visualizar, agora, com clareza, o conceito de cadeia cambiária. Analisemos o gráfico abaixo: Cadeia cambiária Cadeia de transmissão Sacador Avalistas do Sacador Sacado (aceitante ou não) Tomador original Endossante Avalista do Endossante Endossatário / Endossante Portador com endosso em branco Portador com endosso em branco A B C D E F G H I Cadeia de regresso Sacador Avalistas do Sacador Sacado/ Aceitante Tomador original Endossante Avalista do Endossante Endossatário / Endossante Portador com endosso em branco Portador com endosso em branco A B C D E F G H I DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 25 Como podemos ver na cadeia de transmissão, o título é transferido conforme as setas azuis. O sacado, aceitante ou não, não faz parte da cadeia de transmissão, pois ele é o devedor principal. Da mesma forma, os avalistas também não fazem, pois são meros garantidores do pagamento. O sacador B saca o título e entrega ao tomador original E, que o recebe de forma nominal. Ele endossa o título para G, com aval de F. A partir daí o título passa a circular em branco, primeiro para H, depois para I. De quem I pode cobrar o título? De todos que estão abaixo dele na cadeia de regresso, exceto de H que recebeu o título com o endosso em branco e transmitiu a I, sem colocar seu nome nele, apenas entregando-o. Digamos que I cobre o título de F, avalista E. F passará a ter direito de regresso contra aqueles que estiverem abaixo dele na cadeia cambial. Isto é, não poderá cobrar de G e, mesmo que H e I não tivessem recebido o título com endosso em branco, pois estão acima dele na cadeia de regresso. Suponhamos, agora, que F cobre o título de D, coavalista de B. D poderá cobrar o valor integral de B ou de A, que aceitou o título. Porém, de C, ele só poderá cobrar metade do valor, pois, como coavalista, ele possui solidariedade tal qual uma solidariedade civil passiva e não como uma solidariedade cambiária. É o chamado aval simultâneo. A situação seria diferente se D fosse avalista de C, caso em que ocorreria um aval sucessivo — C é avalista de B, e D é avalista de C. Neste caso, D poderia cobrar o valor integral, também, de C. Para uma nota promissória, basta eliminar a figura do sacado, nos gráficos acima, e tratar o sacador como o subscritor. Chegando até aqui em nossos estudos, o caro amigo já está apto a entender todas as relações possíveis em uma estrutura cambiária. Estudaremos, agora, o pagamento e as formas de cobrança. 1.5.5. Do pagamento Pelos gráficos anteriores, o prezado candidato já pode deduziruma regra a respeito do pagamento: o pagamento de uma obrigação cambiária extingue as obrigações de todos os que estão acima, na cadeia cambiária, de quem pagou. Isto significa o mesmo que dizer que as obrigações surgidas posteriormente à obrigação de quem paga extinguem-se. DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 26 Caso quem pague seja o devedor principal, todas as obrigações serão extintas, pois não há ninguém abaixo dele. O mesmo ocorre se o sacado não aceita a letra e o sacado paga. Embora seja considerado codevedor, não haverá ninguém abaixo dele ou, em outras palavras, não haverá nenhuma obrigação posterior a dele. A LUG possui uma regra, que diz que o portador de uma letra de câmbio ou nota promissória, que tenha data certa de vencimento, deve apresentá-la para pagamento no dia do vencimento ou nos dois dias úteis seguintes (art. 38). Porém, o Brasil fez reserva desta regre, valendo o art. 20 do D. 2.044/1908: A letra deve ser apresentada ao sacado ou ao aceitante para o pagamento, no lugar designado e no dia do vencimento ou, sendo este dia feriado por lei, no primeiro dia útil imediato, sob pena de perder o portador o direito de regresso contra o sacador, endossadores e avalistas. É importante notar que esta regra é válida somente para os títulos pagáveis no Brasil. Caso a nota deva ser paga em outro país, valerá a regra da LUG ou alguma outra específica, caso o país também tenha feito reserva ou não seja signatário do tratado. O portador não é obrigado a receber antes do vencimento (art. 40), porém é obrigado a aceitar o pagamento no dia e a entregar a letra e dar quitação a quem paga (art. 39). Caso o pagamento seja parcial, deverá dar quitação em separado e, também, firmá-la na letra (art. 39, 3ª alínea). O devedor, por sua vez, tem direito a depositar o pagamento junto à autoridade competente, à custa e risco do credor, caso título não seja apresentado no prazo fixado (art. 42). Quem paga tem a obrigação de verificar a regularidade de sucessão da série de endossos, mas não a assinatura dos endossantes (art. 40, 3ª alínea). A questão do pagamento não demanda mais explicações, sendo integrada pelo que já vimos sobre o vencimento e o que veremos agora sobre o protesto. 1.5.6. Do protesto: legislação, modalidades, procedimentos, efeitos, ações judiciais envolvendo o protesto O protesto é regulamentado pela Lei 9.492/1997 (doravante, LP), que em seu art. 1º define-o como: DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 27 Protesto é o ato formal e solene pelo qual se prova a inadimplência e o descumprimento de obrigação originada em títulos e outros documentos de dívida. Todavia, esta definição não é totalmente precisa. No caso de uma letra de câmbio, por exemplo, no caso do sacador recusar a letra, será necessário protestá-la por falta de aceite. Neste caso, o sacador não será inadimplente, pois não tinha nenhuma obrigação de aceitá-la, mas será necessário o protesto para efetuar a cobrança dos codevedores. Por isso costuma-se falar de protesto facultativo e protesto necessário. Para efetuar a cobrança do devedor principal, o protesto é facultativo, porém, para cobrar dos codevedores, o título deverá ser protestado necessariamente: Art. 53, LUG: Depois de expirados os prazos fixados: - para a apresentação de uma letra à vista ou a certo termo de vista; - para se fazer o protesto por falta de aceite ou por falta de pagamento; - para a apresentação a pagamento no caso da cláusula “sem despesas”. O portador perdeu os seus direitos de ação contra os endossantes, contra o sacador e contra os outros coobrigados, à exceção do aceitante [e seus avalistas]. A mencionada cláusula sem despesas ocorre quando está é mencionada na cártula e exonera o portador da necessidade de protestar o título (art. 46). Porém, não dispensa o mesmo de apresentar a o título ao sacado (art. 46, 2ª alínea). Se a cláusula é inscrita pelo sacador, o protesto é dispensado para todos os coobrigados; se inscrita por endossante ou avalista, a dispensa opera-se somente em relação a estes. Caso haja dispensa de protesto e o portador mesmo assim o fizer, as despesas serão por sua conta (art. 46, 3ª alínea). A LUG apresenta dois tipos de protestos: por falta de aceite e por falta de pagamento. O art. 21 da LP acrescenta, ainda, a modalidade por falta de devolução; e o mestre Fábio Ulhoa ainda menciona o protesto por falta de data. Este último, como aponta o ilustre professor, é raríssimo e, de certa forma, inócuo. Ele ocorreria quando, em um título a certo termo de vista, não for inscrita a data do visto ou do aceite. Porém, o portador teria, além do protesto, duas opções: preenche a data ele mesmo (S. 387/STF) ou considerar a data como o último dia do vencimento (art. 35). DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 28 O protesto por falta de aceite só pode ser feito no caso das letras de câmbio, visto que as notas promissórias não necessitam de aceite. Além disso, como mencionado, ele não indica um inadimplemento, mas apenas a recusa do sacado. Segundo a 2ª alínea do art. 44 da LUG, ele deve ser feito nos prazos fixados para a apresentação ao aceite. No caso de prazo de respiro e a apresentação fora feita no último dia, poderá ser feito no dia seguinte. O protesto por falta de pagamento, por sua vez, deve ser feito em um dos dois dias úteis seguintes àquele em que a letra é pagável. A exceção ocorre em um título à vista, que deve ser feito nas condições do parágrafo anterior (art. 44, 3ª alínea). A 4ª alínea do art. 44 dispõe que “o protesto por falta de aceite dispensa a apresentação a pagamento e o protesto por falta de pagamento”. É dever do portador avisar a falta de aceite a seu endossante e o sacador em quatro dias úteis seguintes ao protesto ou da apresentação, em caso de cláusula “sem despesas” (art. 45). Os endossantes, por sua vez, devem, em dois dias úteis após a recepção do aviso, informar o seu endossante, indicando os nomes e endereços dos que enviaram os avisos precedentes, e assim sucessivamente até se chegar ao sacador. Os prazos acima indicados contam-se a partir da recepção do aviso precedente (idem). O mesmo vale para os avalistas (idem, 2ª alínea). Caso não se possa identificar o endereço de um endossante, basta avisar ao anterior (idem, 4ª alínea) e a falta de aviso não implica na perda de direitos, mas apenas na responsabilidade pelos prejuízos (idem, 6ª alínea). O protesto por falta de devolução será explicado quando tratarmos da duplicata, pois esta modalidade é mais atinente a este título. A competência para o protesto, segundo o art. 3º da LP, é do Tabelião de Protesto de Títulos: Compete privativamente ao Tabelião de Protesto de Títulos, na tutela dos interesses públicos e privados, a protocolização, a intimação, o acolhimento da devolução ou do aceite, o recebimento do pagamento, do título e de outros documentos de dívida, bem como lavrar e registrar o protesto ou acatar a desistência do credor em relação ao mesmo, proceder às averbações, prestar informações e fornecer certidões relativas a todos os atos praticados, na forma desta Lei. DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 29 O apresentante de um título ao protesto, segundo o §1º do art. 27 da LP, deverá informar, além do nome do devedor, seu número no Registro Geral (R.G.), constante da Cédula de Identidade, ou seu número no Cadastro de Pessoas Físicas (C.P.F.), se pessoa física,e o número de inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes (C.G.C.), se pessoa jurídica. Como se vê, mesmo estes dados não sendo requisitos obrigatórios de uma letra de câmbio ou nota promissória, é importante que constem na cártula, pois são indispensáveis ao protesto, sob pena de recusa. O art. 10 da LP dispõe que: Art. 10. Poderão ser protestados títulos e outros documentos de dívida em moeda estrangeira, emitidos fora do Brasil, desde que acompanhados de tradução efetuada por tradutor público juramentado. § 1º Constarão obrigatoriamente do registro do protesto a descrição do documento e sua tradução. § 2º Em caso de pagamento, este será efetuado em moeda corrente nacional, cumprindo ao apresentante a conversão na data de apresentação do documento para protesto. § 3º Tratando-se de títulos ou documentos de dívidas emitidos no Brasil, em moeda estrangeira, cuidará o Tabelião de observar as disposições do Decreto-lei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e legislação complementar ou superveniente. Como se vê, é possível a emissão e o pagamento de títulos em moeda estrangeira, mas, em território nacional, o valor deverá ser convertido e pago em moeda nacional. Um título em moeda estrangeira não poderá ser emitido no Brasil em qualquer caso. O decreto supra mencionado dispõe que só nos seguintes casos poderão ser emitidos títulos em moeda não nacional: - Contratos e títulos referentes a importação ou exportação de mercadorias. - Contratos de financiamento ou de prestação de garantias relativos às operações de exportação de bens de produção nacional, vendidos a crédito para o exterior. - Contratos de compra e venda de câmbio em geral. DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 30 - Empréstimos e quaisquer outras obrigações cujo credor ou devedor seja pessoa residente e domiciliada no exterior, excetuados os contratos de locação de imóveis situados no território nacional. - Contratos que tenham por objeto a cessão, transferência, delegação, assunção ou modificação das obrigações referidas no item anterior, ainda que ambas as partes contratantes sejam pessoas residentes ou domiciliadas no país. Ao tabelião, caberá apenas verificar os requisitos formais do título e, faltando um deles, deverá obstar o registro do protesto (art. 9º, LP). Havendo irregularidade, o tabelião devolverá o título, mediante recibo que deverá ser arquivado (art. 35, VII, LP). Não havendo vícios, o tabelião expedirá intimação ao devedor (art. 14, LP). O art. 15 da LP ainda dispõe que: A intimação será feita por edital se a pessoa indicada para aceitar ou pagar for desconhecida, sua localização incerta ou ignorada, for residente ou domiciliada fora da competência territorial do Tabelionato, ou, ainda, ninguém se dispuser a receber a intimação no endereço fornecido pelo apresentante. Uma vez intimado, o devedor poderá pagar a dívida diretamente ao tabelião, conforme dispõe o art. 19, LP, acrescentando emolumentos e demais despesas. Feito isso, o devedor fará jus à quitação. O protesto só será registrado dentro de três dias da protocolização (art. 12, LP) e, caso a intimação seja realizada no último dia, o registro será feito no dia subsequente (art. 13, LP). O art., 16 da LP dispõe que “antes da lavratura do protesto, poderá o apresentante retirar o título ou documento de dívida, pagos os emolumentos e demais despesas”. Feito o pagamento, este pode ser cancelado do registro do protesto por qualquer interessado — presumindo que o maior interessado será sempre o devedor (art. 26, LP). Fora este caso, o protesto só poderá ser cancelado por decisão judicial (art. 26, § 3º, LP). Há duas possibilidades de ação judicial: a ação de sustação do protesto e a de cancelamento do protesto. A sustação do protesto pode ser ajuizada entre o protocolo e o registro, caso contrário, só restará a ação de cancelamento do protesto. DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 31 Ambas as ações, em regra são ordinárias, apesar do nome, porém devido à urgência, é possível o pedido de antecipação de tutela. É possível também o ajuizamento de cautelar, mas esta, se não for incidente, deverá ser preparatória de alguma outra ação, como perdas e danos por protesto indevido. Estas ações não se confundem com a ação cambial, que será o próximo tópico a ser tratado. 1.5.7. Da ação cambial; ação de regresso; inoponibilidade de exceções; responsabilidade patrimonial e fraude à execução; embargos do devedor; ação de anulação e substituição de título Caro candidato, uma ação cambial é uma ação de cobrança e uma ação de execução. Eis, como já dito, uma das vantagens da ação cambial: ela dispensa a fase de conhecimento e, por isso, os meios de defesa são mais limitados e o processo muito mais célere. Segundo o mestre Fábio Ulhoa, “a ação é cambial se o demandante, terceiro de boa-fé, tem o direito de invocar a inoponibilidade de exceções pessoais, para postular a desconsideração, pelo juiz, de matérias de defesa estranhas à sua relação com a parte demandada”. O portador de uma letra de câmbio ou uma nota promissória tem o direito de acionar o devedor principal e todos os codevedores, quantos quiser, na ordem que quiser (art. 47). Porém, como já vimos, para acionar os codevedores, deverá instruir a petição inicial com o instrumento de protesto. Conforme o pólo passivo da demanda, a prescrição será diferente. Contra o aceitante e seus avalistas, o prazo será de três anos a partir do vencimento (art. 70). Contra os codevedores, será de um ano do protesto ou do vencimento, no caso de cláusula sem despesas (art. 70, 2ª alínea). As condições de ação encontram-se no art. 43: O portador de uma letra pode exercer os seus direitos de ação contra os endossantes, sacador e outros coobrigados: no vencimento; se o pagamento não foi efetuado; mesmo antes do vencimento: 1º) se houve recusa total ou parcial de aceite [...]. DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 32 Os nºs. 2 e 3 do art. 43 foram objetos de reserva, de modo que vale o que consta no D. 2.044/1908, em seu art. 19, II: “pela falência do aceitante”. Sendo ação de execução, a peça de defesa chama-se embargos do devedor ou embargos à execução, como se pode ver no Código de Processo Civil, que trata ambos os termos como sinônimos. O prazo para oferecê-los é de quinze dias após a juntada da citação (art. 738, CPC). Conforme o art. 745 do CPC, nestes embargos, o embargante poderá alegar como defesa, somente: I - Nulidade da execução, por não ser executivo o título apresentado. II - Penhora incorreta ou avaliação errônea. III - Excesso de execução ou cumulação indevida de execuções. IV - Retenção por benfeitorias necessárias ou úteis, nos casos de título para entrega de coisa certa. V - Qualquer matéria que lhe seria lícito deduzir como defesa em processo de conhecimento. Porém, alguns itens não são aplicáveis aos embargos à execução de títulos de crédito, como o item IV. Ademais, como já visto logo no início deste tópico e também transcrito anteriormente, segundo o art. 17 da LUG: As pessoas acionadas em virtude de uma letra não podem opor ao portador exceções fundadas sobre as relações pessoais delas com o sacador ou com os portadores anteriores, a menos que o portador ao adquirir a letra tenha procedido conscientemente em detrimento do devedor. Assim, o embargante poderá alegar que já pagou, vício de forma do título, falsidade de assinatura, falsidade do título, prescrição,exceções diretas que tenha contra o exequente, etc.. Porém, não poderá alegar o mencionar o que for o que contrariar o art. 17, supra, assim como discutir a relação que deu causa ao título de crédito, nulidade de obrigação cambial que não seja a sua ou qualquer outra defesa que contrarie o princípio da autonomia. Em um processo de execução, conforme o art. 591, do CPC, “o devedor responde, para o cumprimento de suas obrigações, com todos os seus bens DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 33 presentes e futuros, salvo as restrições estabelecidas em lei”. Caso o devedor tente alienar ou onerar seus bens, estará fraudando a execução. Art. 593. Considera-se em fraude de execução a alienação ou oneração de bens: I - quando sobre eles pender ação fundada em direito real; II - quando, ao tempo da alienação ou oneração, corria contra o devedor demanda capaz de reduzi-lo à insolvência; III - nos demais casos expressos em lei. Fraude a execução é considerado ato atentatório à dignidade da justiça (art. 600, I, CPC), sendo passível de multa (art. 601, CPC) a ser revertida em favor do credor. Conforme o mestre Cássio Bueno, “o reconhecimento da fraude à execução não anula nem declara nulo o ato de alienação, mas, diferentemente, satisfaz com sua ineficácia”. Paga a dívida por algum codevedor, este terá direito de regresso contra aqueles que estiverem abaixo dele na cadeia cambiária, como já vimos. É o que diz a 3ª alínea do art. 47. Esta ação de regresso será idêntica, em todos os aspectos, a uma ação cambial. A diferença será o prazo prescricional, muito mais curto, de apenas seis meses, nos casos de ações dos endossantes uns contra os outros e contra o sacador (art. 70, 3ª alínea). A ação contra o aceitante e seus avalistas terá sempre o prazo prescricional de três anos. Após este prazo prescricional, não será mais possível propor ação cambial, porém, se a obrigação representada no título tinha origem extracambial, poderá ser proposta ação ordinária de conhecimento, ou até monitória, na qual o título será instruído como prova e não como requisito para a propositura da ação. Estas ações chamam-se ações causais, pois discutem a causa da obrigação e não o título. O prazo prescricional será de acordo com a obrigação que deu causa à ação, conforme os arts. 205 e 206 do Código Civil. No que tange os títulos de crédito, o CPC ainda prevê, em seu art. 907, a ação de anulação e substituição de título de crédito. Esta se divida na ação de anulação e substituição em sentido estrito (inciso II) e a reivindicatória de título de crédito (inciso I). Esta ação serve para as seguintes situações: perda; destruição; desapossamento injusto; ou extravio. Há um erro no CPC, onde, no art. 908 lê- se “nº II” deve-se ler “nº I”, pois só será possível identificar o detentor se o requerente souber quem ele é. DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 34 De qualquer forma, deverá ser informado na inicial a quantidade, espécie, valor nominal do título e atributos que o individualizem, a época e o lugar em que o adquiriu, as circunstâncias em que o perdeu e quando recebeu os últimos juros e dividendos (art. 908, CPC). Há severas críticas da doutrina sobre o inciso II deste artigo que determina a “intimação do devedor, para que deposite em juízo o capital, bem como juros ou dividendos vencidos ou vincendos”. Pode ocorrer que o título perdido não esteja vencido, de modo que o devedor não deverá depositar nada. Pois bem, como manda o art. 909, justificado quanto baste o alegado, ordenará o juiz a citação do réu e dos interessados. Recebida as contestações, a ação seguirá pelo rito ordinário. Há uma disposição absurda no art. 910: “só se admitirá a contestação quando acompanhada do título reclamado”. Ora, pode ser que o réu tenha sido acusado injustamente, não possuindo o título. Ele não poderá se defender? Julgada procedente a ação, o juiz declarará caduco o título reclamado e ordenará ao devedor que lavre outro em substituição, dentro do prazo que a sentença lhe assinar (art. 911). Ações relativas aos títulos de crédito Tipo de ação Prescrição Ação cambial Contra o aceitante e seus avalistas Três anos Contra os demais codevedores Um ano Ação de regresso Contra o aceitante e seus avalistas Três anos Contra os demais codevedores Seis meses Ação causal Variável (art. 205 e 206, CC) Ação de anulação e substituição Variável (art. 205 e 206, CC) 1.6. Outros títulos de crédito próprios 1.6.1. Cheque DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 35 O cheque é visto por uma minoria da doutrina como título de crédito impróprio. Porém, embora a maioria não concorde com este posicionamento, mesmo que não fosse o caso, a discussão seria bastante inócua, pois a Lei do Cheque (LC, L. 7.357/1985) é bastante detalhista. Se não fosse, a discussão ainda faria algum sentido para completar as lacunas da Lei. O cheque é uma ordem de pagamento, tal qual uma letra de câmbio. De fato, a estrutura é semelhante, pois haverá o sacado — a instituição financeira —, o sacador — o correntista da instituição financeira — e o tomador — a pessoa que recebe o cheque. No cheque, não existe o aceite (art. 6º, LC), pois a situação do sacado é diferente do que ocorre em uma letra de câmbio. Nesta, não se sabe qual a relação que existe entre o sacado e o sacador, eis a insegurança referente ao aceite. No caso do cheque, não. O sacado — isto é, o banco — sempre irá pagar, se houver fundos. Vejamos os seguintes artigos da LC (doravante, quando não for mencionada a Lei, qualquer artigo será referente à Lei do Cheque): Art. 4º O emitente deve ter fundos disponíveis em poder do sacado e estar autorizado a sobre eles emitir cheque, em virtude de contrato expresso ou tácito. A infração desses preceitos não prejudica a validade do título como cheque. § 1º - A existência de fundos disponíveis é verificada no momento da apresentação do cheque para pagamento. § 2º - Consideram-se fundos disponíveis: a) os créditos constantes de conta-corrente bancária não subordinados a termo; b) o saldo exigível de conta-corrente contratual; c) a soma proveniente de abertura de crédito. Ou seja, no cheque, a insegurança encontra-se em relação ao sacador e não ao sacado. Por isso, muitas lojas não aceitam cheques ou só aceitam cheques especiais ou de clientes cadastrados. O cheque ainda possui a garantia de ter modelo vinculado. Uma nota promissória, por exemplo, pode ser feita em qualquer papel, e quem a confecciona pode se equivocar e esquecer algum requisito, invalidando-a como título de crédito. O cheque será feito pelo banco e só faltará algum requisito se o emitente esquecer-se de preenchê-lo. O cheque, em teoria, pode ser um título ao portador (art. 8º), porém, o art. 69, da L. 9.069/95, veda a emissão de cheques ao portador em valores DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 36 superiores à R$ 100,00. Desta forma, o cheque é emitido nominalmente à ordem, por regra, ou não à ordem, quando expressamente mencionado. Quanto à última característica dos títulos de crédito, no que diz respeito à causa da emissão, o cheque é abstrato, no sentido que pode ser emitido para documentar obrigações de qualquer natureza. Vejamos então os requisitos do cheque, conforme seu art. 1º: Requisitos do cheque (art. 1º) I - A denominação “cheque’’ inscrita no contexto do título e expressa na língua em que este é redigido.II - A ordem incondicional de pagar quantia determinada. III - O nome do banco ou da instituição financeira que deve pagar (sacado). IV - A indicação do lugar de pagamento. V - A indicação da data e do lugar de emissão. VI - A assinatura do emitente (sacador), ou de seu mandatário com poderes especiais. Estes são os requisitos essenciais, sem os quais o documento não é um cheque. As exceções ficam por conta do art. 2º, que assim as define: I - na falta de indicação especial, é considerado lugar de pagamento o lugar designado junto ao nome do sacado; se designados vários lugares, o cheque é pagável no primeiro deles; não existindo qualquer indicação, o cheque é pagável no lugar de sua emissão. II - não indicado o lugar de emissão, considera-se emitido o cheque no lugar indicado junto ao nome do emitente. Como se vê, a indicação do tomador não é requisito essencial do cheque, mas condição de pagamento imposta por outra Lei. Ademais, como já visto anteriormente, o beneficiário pode preencher seu nome de boa-fé (art. 16). DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 37 Outra questão muito curiosa diz respeito ao vencimento do cheque — é sempre à vista (art. 32). Ocorre que se tornou uma prática muito comum a realização de crediários por meio de cheques pré-datados (alguns doutrinadores insistem em chamá-los de cheques pós-datados). O fato é que um cheque pré-datado depende da boa-fé de seu tomador, pois o parágrafo único do art. 32 assim determina: “o cheque apresentado para pagamento antes do dia indicado como data de emissão é pagável no dia da apresentação”. Ou seja, pré-datado apresentado antes da data indicada deve ser pago pelo banco. Porém, como a prática é muito comum, tanto a doutrina quanto a jurisprudência consideram haver uma obrigação contratual de não fazer do credor com o devedor — uma obrigação de não apresentar o cheque antes da data indicada. Assim, caso o pré-datado seja apresentado antes da data combinada, o emitente fará jus à indenização. S. 370, STJ: “Caracteriza dano moral a apresentação antecipada do cheque pré-datado.” Este situação irá se agravar, caso o emitente tenha seu nome enviado para instituições de proteção ao crédito (CCF, SPC, SERASA, etc.), na situação do cheque pré-datado apresentado antes do prazo combinado não ser pago por falta de fundos. A emissão de cheques sem fundo é tipificada como estelionato (art. 171, §2º, VI, CP), porém, apenas será crime se a emissão for dolosa e fraudulenta. Quem passar um cheque sem fundos sem a intenção de fazê-lo — como no caso do pré-datado apresentado antes do combinado — não comete crime. S. 246, STF: “Comprovado não ter havido fraude, não se configura crime de emissão de cheques sem fundos.” Caro amigo, no que diz respeito a vários institutos — como o endosso e o aval —, o cheque é muito semelhante à letra de câmbio e a nota promissória. É claro que mudam os números dos artigos, pois são instrumentos normativos distintos. Mas basta a leitura de Lei para perceber as semelhanças e as diferenças são autoexplicativas. DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 38 Daremos ênfase, então, às diferenças. A primeira delas diz respeito ao chamado prazo de apresentação, o que não existe semelhante nos outros títulos de crédito que vimos. Nestes títulos, quando pagáveis à vista, isto significa que quando apresentado o título, este deve ser pago de imediato. No caso do cheque, não. Sendo da mesma praça — isto é, do mesmo município —, o tomador terá trinta dias para apresentá-lo; sendo de outra praça, terá sessenta dias (art. 33). A perda de prazo não significa que o beneficiário não poderá apresentar mais o cheque ao banco para liquidação. O que acontecerá é que perderá o direito de ação contra os endossantes e avalistas, caso o cheque seja devolvido por insuficiência de fundos (art. 47, II). As exceções a esta regra ocorre quando o cheque é apresentado fora do prazo e o emitente não possui mais fundos, por razões alheias à sua vontade (art. 47, § 3º), e quando ocorrer a prescrição para ação cambial (art. 35, parágrafo único, contrario sensu). Em ambos os casos, o possuidor do cheque perderá o direito de propor ação cambial contra o sacador. A prescrição da ação cambial, no caso do cheque, é de apenas seis meses (art. 59), contados do fim do prazo de apresentação. A ação de regresso tem o mesmo prazo (art. 59, parágrafo único), contado a partir do pagamento. Perdida esta ação, o portador de um cheque terá direito a ação causal, igualmente como já vimos antes. Porém, há uma ação intermediária, chamada de ação por ilocupletamento sem causa, que prescreve só dois anos depois da prescrição da ação cambial principal (art. 61). No cheque, também há a figura do protesto, porém, como praticamente todos os casos de não pagamento ocorrerão por falta de fundos, neste caso, quando o cheque é devolvido, junto a ele vem declaração do banco que suprirá o protesto (art. 47, II). Um cheque pode ser sustado de duas formas: a revogação (art. 35), também chamada de contraordem; e a oposição (art. 36). A primeira só surte efeitos após o prazo de apresentação, enquanto a segunda pode ser feita a qualquer momento. Embora a lei só determine que somente na oposição o emitente deve fundamentar-se em relevantes razões de direito, Fabio Ulhoa sustenta que esta deve ser apresentada em ambos os casos. Nossa posição, no entanto, é que o candidato deve ater-se ao teor da Lei. Conforme o §2º do art. 36, “não cabe ao sacado julgar da relevância da razão invocada pelo oponente”, porém, estas razões, a princípio, somente se DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 39 fundamentam em caso de desapossamento indevido do cheque. O descumprimento da obrigação que deu razão à emissão do cheque não autoriza sua sustação, embora a jurisprudência venha relativizando o princípio da autonomia em relação a este título de crédito. O candidato deve ter em mente que a Lei Penal equipara a sustação indevida à emissão de cheques sem fundos (CP, art. 171, §2º), de modo que aquele que susta o cheque deve ter razões consistentes para tal ato, caso contrário incorrerá em conduta típica. Um último tópico a ser mencionado em relação aos cheques diz respeito às suas modalidades. Existem quatro: visado, administrativo, cruzado e para se levar em conta. No cheque visado, a pedido do emitente, o banco lança e assina no verso a declaração da existência de fundos (art. 7º). Neste caso, é obrigado a fazer a reserva desses fundos da conta do correntista, durante o prazo de apresentação (idem, parágrafo único). Um cheque, para ser visado, não pode ter sido endossado e deve ser nominal. O cheque administrativo é um cheque do próprio banco, ou seja, o emitente e o sacado são a mesma pessoa (art. 9º, III). Deve ser, igualmente, nominal, pois, caso contrário, este tipo de cheque acabaria por se tornar substitutivo da moeda. A grande vantagem deste cheque é a sua segurança — um tomador se sentirá muito mais tranquilo de receber um cheque de uma instituição bancária do que qualquer outro. Por isso, normalmente, os bancos oferecem esse serviço aos seus clientes. O cheque cruzado, como o prezado amigo já deve saber, só pode ser pago por crédito em conta (art. 45). O que o amigo talvez não saiba é que existem duas modalidades: o cruzado em branco, que é a forma usual, com dois traços transversais na face posterior do cheque; e o cruzado em preto, no qual é indicado o nome do banco a ser creditado o pagamento (art. 44, § 1º).O cheque a ser levado em conta, apesar de modalidade específica, tem como praxe inserir no cruzamento a conta a qual deverá ser creditada a quantia mencionada no cheque (art. 46). Na prática, o tipo mais comum será o cruzado em branco. Inclusive, é quase um ato mecânico cruzar os cheques ao recebê-los. O cheque administrativo é muito utilizado em situações que exigem muita segurança, como na compra de imóveis; o visado também tem sua utilidade. Já o cruzado em preto e o a ser levado em conta são muito raros e praticamente desconhecidos do público em geral. DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 40 Modalidades de cheques Cheque visado: o banco declara haver fundos e reserva a quantia da conta do correntista até o prazo de apresentação. Cheque administrativo: cheque do próprio banco a ser sacado em agência própria. Cheque cruzado em branco: cheque com dois traços transversais, em seu anverso, indicando que o valor deverá ser creditado em conta-corrente do beneficiário. Cheque cruzado em preto: igual ao cruzado em branco, mas indicando o banco no qual deverá ser credita a quantia. Cheque a ser levado em conta: cheque indicando, tal qual como no cruzado em preto, além do banco, a conta na qual deverá ser creditada a quantia. 1.6.2. Duplicata A duplicata é um título de crédito tipicamente brasileiro, cuja origem encontra-se no Código Comercial de 1850. Sua existência, inclusive, é dada como causa da letra de câmbio não ter vingado no Brasil Ela é, também, uma ordem de pagamento. Sua estrutura é idêntica a uma letra de câmbio cujo sacador é a mesma figura do tomador. Porém, ela possui uma grande vantagem em relação a este título, pois, na duplicata, o aceite é obrigatório. A duplicata é regida pela Lei 5.474/1968 (doravante, LD, e a menção de artigo sem a indicação da Lei, significará referência à LD). Como já dito, a LD proíbe que se emita letra de câmbio nos casos em que se pode emitir duplicata (art. 2º). Na verdade, a Lei proíbe que o vendedor emita qualquer outro título para documentar a dívida e, no caso, o único possível seria a letra de câmbio. Mas nada impede que um devedor emita outro título, como uma nota promissória ou um cheque. DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 41 Disto decorre que a duplicata é um título causal. Isto é, só pode ser emitido em determinadas circunstâncias. Vejamos o que diz os dois primeiros artigos da LD: Art. 1º Em todo o contrato de compra e venda mercantil entre partes domiciliadas no território brasileiro, com prazo não inferior a 30 (trinta) dias, contado da data da entrega ou despacho das mercadorias, o vendedor extrairá a respectiva fatura para apresentação ao comprador. § 1º A fatura discriminará as mercadorias vendidas ou, quando convier ao vendedor, indicará sòmente os números e valores das notas parciais expedidas por ocasião das vendas, despachos ou entregas das mercadorias. Art. 2º No ato da emissão da fatura, dela poderá ser extraída uma duplicata para circulação como efeito comercial, não sendo admitida qualquer outra espécie de título de crédito para documentar o saque do vendedor pela importância faturada ao comprador. Primeiro, precisamos alertar que estamos tratando da duplicata mercantil, que é o tipo mais comum. Há também a duplicata de prestação de serviços e a conta de serviços, que são pouco utilizadas pelas razões que falaremos no fim deste tópico. Prosseguindo, a duplicata mercantil só pode ser emitida em razão de contrato de compra e venda mercantil. É o que decorre da leitura destes dois artigos. Em segundo lugar, o contrato tem que ter prazo de pagamento igual ou superior a trinta dias. Realizado este contrato, nestas condições, o vendedor emite a fatura. No momento em que realiza este ato, da fatura poderá ser extraída uma duplicata mercantil. Desta causalidade não decorre qualquer outra limitação à circulação do crédito. Criada as condições de extração de uma duplicata, ela poderá ser endossada tal quais os outros títulos de crédito. O princípio da abstração continuará a existir. Vejamos os requisitos das duplicatas: Requisitos da duplicata (art. 2º, §1º) I - A denominação “duplicata”, a data de sua emissão e o número de ordem. DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 42 II - O número da fatura. III - A data certa do vencimento ou a declaração de ser a duplicata à vista. IV - O nome e domicílio do vendedor e do comprador. V - A importância a pagar, em algarismos e por extenso. VI - A praça de pagamento. VII - A cláusula à ordem. VIII - A declaração do reconhecimento de sua exatidão e da obrigação de pagá-la, a ser assinada pelo comprador, como aceite, cambial. IX - A assinatura do emitente. A duplicata, como já dito, é título causal e, acrescentamos a isto, que é de modelo vinculado e o modo de circulação é sempre à ordem. Suas modalidades de vencimento só poderão ser data certa ou à vista. No que diz respeito ao endosso e ao aval, a LD dispõe muito pouco e devem ser observadas as regras gerais que vimos anteriormente. Passaremos então a tratar de seu aspecto mais peculiar, que é o aceite obrigatório. A mecânica deste aceite desenvolve-se da seguinte maneira: após a emissão da duplicata, o vendedor dever remetê-la ao comprador em trinta dias (art. 6º, §1º) ou, se a remessa for feita por instituição financeira, em dez dias após o recebimento por esta (art. 6º, §2º). Sendo à vista, o comprador deverá pagá-la; sendo à data certa, deverá assiná-la e devolvê-la ao vendedor em dez dias (art. 7º). No caso de instituição financeira, com a expressa autorização desta, poderá retê-la até o vencimento, desde que comunique por escrito (idem, § 1º). Esta comunicação substitui a duplicata para fins de protesto ou execução judicial (idem, §2º). Conforme o art. 8º, o comprador só poderá não aceitar a duplicata nos seguintes casos, nos quais, as razões deverão ser encaminhadas ao vendedor por escrito: I - Avaria ou não recebimento das mercadorias, quando não expedidas ou não entregues por sua conta e risco. DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 43 II - Vícios, defeitos e diferenças na qualidade ou na quantidade das mercadorias, devidamente comprovados. III - Divergência nos prazos ou nos preços ajustados. Assim, o aceite poderá ocorrer de três modos: o já mencionado aceite por comunicação à instituição financeira (art. 7º, §2º); o aceite ordinário, no qual o comprador assina e devolve a duplicata; e o aceite presumido, quando, mesmo não devolvendo a duplicata, recebe as mercadorias, sem recusa, mediante recibo. O aceite ordinário não demanda muitas considerações. O protesto será facultativo em relação ao saco — que é o vendedor —, devendo ser feito apenas para cobrar endossantes e avalistas. O aceite por comunicação, como já dito, também supre a duplicada assinada, necessitando de protesto nas mesmas condições supra. O peculiar da duplicata ocorrerá quando houver aceite presumido, mediante recibo. Neste caso poderá ocorrer o protesto por indicações. A LD, em seu art. 13, informa que a duplicata poderá ser protestada por: falta de pagamento; falta de aceite; ou falta de devolução. Na realidade, tanto importa a modalidade, pois qualquer protesto supre o outro e as regras não variam muito do que já vimos. A exceção e protesto por indicações por falta de devolução. Se o comprador não devolve a duplicatae, ante este fato, a cobrança torna-se impossível, este título de crédito não teria tanta utilidade. Podendo protestá-la por indicações é que a faz ser de grande valia. Para o empresário que emite duplicatas, é obrigatório a escrituração do Livro de Registro de Duplicatas. Mesmo que não fosse, quem teria mais a perder seria o próprio empresário. Com os dados contidos neste livro, ele poderá extrair boleto com todas as indicações exigidas para o protesto, encaminhando-as ao cartório que as reduzirá a termo (art. 13, §1º). Na posse deste termo e do comprovante de entrega e recebimento das mercadorias, o vendedor poderá ajuizar ação de cobrança tal qual tivesse uma duplicata aceita. É o que diz o art. 15: Art. 15 - A cobrança judicial de duplicata ou triplicata será efetuada de conformidade com o processo aplicável aos títulos executivos extrajudiciais, de que cogita o Livro II do Código de Processo Civil ,quando se tratar: DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 44 l - de duplicata ou triplicata aceita, protestada ou não; II - de duplicata ou triplicata não aceita, contanto que, cumulativamente: a) haja sido protestada; b) esteja acompanhada de documento hábil comprobatório da entrega e recebimento da mercadoria; e c) o sacado não tenha, comprovadamente, recusado o aceite, no prazo, nas condições e pelos motivos previstos nos arts. 7º e 8º desta Lei. § 1º - Contra o sacador, os endossantes e respectivos avalistas caberá o processo de execução referido neste artigo, quaisquer que sejam a forma e as condições do protesto. § 2º - Processar-se-á também da mesma maneira a execução de duplicata ou triplicata não aceita e não devolvida, desde que haja sido protestada mediante indicações do credor ou do apresentante do título, nos termos do art. 14, preenchidas as condições do inciso II deste artigo. A triplicata é apenas uma segunda via da duplicata, extraída nas mesmas condições que o boleto anteriormente mencionado (art. 23). Neste caso, não será necessário um protesto por indicações, pois a triplicata é uma cópia idêntica da duplicata. Eis a grande vantagem deste título de crédito, que possui várias maneiras de efetivar a cobrança. Como já dito, a cobrança da duplicata aceita não demanda muitas discussões. Já no outro caso, na posse do protesto por indicações e do recibo, ou do protesto da triplicata por falta de aceite ou pagamento, assim como do recibo, o vendedor poderá propor ação cambial, como já vimos anteriormente. Os prazos de prescrição são os mesmos da letra de câmbio e da nota promissória, com exceção da ação de regresso, cujo prazo é de um ano (art. 18). Na perda do prazo prescricional, igualmente poderá ser intentada ação causal, como vimos anteriormente (art. 16). Cobrança de duplicatas Forma de aceite Documentos necessários DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 45 Aceite ordinário - Duplicata ou triplicata assinada pelo devedor. Aceite presumido - Duplicata ou triplicata não assinada. - Recibo de entrega das mercadorias. - Termo do protesto. Aceite por indicações - Termo do protesto por indicações. - Recibo de entrega das mercadorias. Neste ponto, devemos fazer uma nota sobre as chamadas duplicatas virtuais. De fato, a duplicata pode nem chegar a materializar-se, principalmente se a cobrança for feita por intermédio de instituição financeira. O vendedor saca a duplicata em formato digital, envia à instituição, que remeterá ao comprador um boleto. Se ele pagar, não haverá problemas. Caso não pague, o boleto, o recibo de entrega das mercadorias e o protesto por indicações suprirão o título em papel. Esta possibilidade é reconhecida pelos Tribunais Superiores e, como exemplo, temos a decisão proferida no Recurso Especial nº 1.024.691/PR, de relatoria da Ministra Nancy Andrighi, do qual transcrevemos a ementa: EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. DUPLICATA VIRTUAL. PROTESTO POR INDICAÇÃO. BOLETO BANCÁRIO ACOMPANHADO DO COMPROVANTE DE RECEBIMENTO DAS MERCADORIAS. DESNECESSIDADE DE EXIBIÇÃO JUDICIAL DO TÍTULO DE CRÉDITO ORIGINAL. 1. As duplicatas virtuais — emitidas e recebidas por meio magnético ou de gravação eletrônica — podem ser protestadas por mera indicação, de modo que a exibição do título não é imprescindível para o ajuizamento da execução judicial. Lei 9.492/97. 2. Os boletos de cobrança bancária vinculados ao título virtual, devidamente acompanhados dos instrumentos de protesto por indicação e dos comprovantes de entrega da mercadoria ou da prestação dos serviços, suprem a ausência física do título cambiário eletrônico e constituem, em princípio, títulos executivos extrajudiciais. Quanto à duplicata de prestação de serviços e a carta de serviços, elas estão reguladas nos arts. 20 a 22 da LD, não diferindo muito da duplicata mercantil. Porém, elas não obtiveram a mesma popularidade da duplicata mercantil, pois, no caso da prestação de serviços, aquele que dá recibo está disposto a pagar. No caso de um adquirente de serviços de má-fé, caso não DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 46 esteja disposto a pagar, dificilmente dará recibo de quitação da prestação, após efetuado o serviço, impossibilitando a cobrança da duplicata sem aceite ordinário. 1.7. Títulos de crédito impróprios 1.7.1. Títulos de financiamento da atividade econômica: notas e cédulas de crédito (industrial, rural, comercial, à exportação, imobiliário, bancário e de produto rural) Todos estes títulos são causais, podendo ser emitidos apenas em razão de um negócio específico — o mútuo realizado por instituições financeiras. Além disso, exceto pelas notas e cédulas de crédito bancário, ainda há a especificidade de que o financiamento recebido seja empregado na atividade que dá nome ao título (industrial, rural, comercial, etc.). Doutrinadores, como o mestre Gladston Mamede, consideram estes títulos impróprios como contratos com valor jurídico de títulos de crédito. Em razão da especificidade dos contratos e suas cláusulas, a necessidade de emprego do financiamento para a atividade fim, o princípio da autonomia, nestes títulos, fica mitigado. Estes títulos são regidos por legislação específica: � Cédulas (CR) e notas (NR) de crédito rural: Decreto-Lei nº 167/1967. � Cédulas (CI) e notas (NI) de crédito industrial e rural: Decreto-Lei nº 413/1969. � Cédulas (CC) e notas (NC) de crédito comercial: Lei nº 6.840/1990. � Cédulas (CE) e notas (NE) de crédito à exportação: Lei nº 6.313/1975. � Cédulas (CCI) de crédito imobiliário e cédulas (CCB) e notas (NCB) de crédito bancário: Lei nº 10.931/2004. � Cédulas (CPR) de produto rural: Lei nº 8.929/1994. A primeira distinção que deve ser feita é entre o conceito de cédula e de nota: o primeiro diz respeito a um título com garantia real (penhor ou hipoteca); já o segundo possui apenas privilégio especial, em caso de falência ou insolvência do devedor. Quanto aos requisitos destes títulos, embora regidos por leis diferentes, estes não variam muito e na tabela abaixo, podemos ver os itens comuns a quase todos eles: DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 47 Requisitos das cédulas e notas de crédito 1. A denominação, conforme o nome do título. 2. Data e condições de pagamento. 3. Nome do credor (instituição financeira). 4. Valor do crédito. 5. Praça de pagamento. 6. Data e lugar da emissão. 7. Assinatura do emitente.No que concerne a distinção entre notas e cédulas de crédito, estas terão como requisito a descrição do bem dado em garantia, que poderá ser hipotecária, pignoratícia ou fiduciária (esta, não aplicável a cédula rural). Poderá ainda haver um seguro obrigatório — para as cédulas industriais, comerciais e à exportação — ou opcional — para os demais. Uma característica comum é o fato que o credor só pode ser instituição financeira. Deste modo, o mestre Gladston Mamede considera que o endosso só é possível à outra instituição financeira; porém, há questões de concurso que admitem o contrário, devendo o concursando ter cautela. A cláusula à ordem deve ser expressa e os endossos não podem ser em branco. Ademais, esta é obrigatória para os títulos de finalidade específica (rural, industrial, comercial e à exportação). É possível a inserção de cláusula cobrando juros e demais encargos financeiros, e o pagamento pode ser parcelado. Os títulos de crédito rural, industrial, comercial e à exportação será necessário descrever a finalidade do financiamento, detalhadamente, sem a qual o título ficará descaracterizado. Todos estes títulos só têm validade contra terceiros quando inscritos no Cartório de Registro de Imóveis. Para as cédulas, que possuem garantia real, é preciso lembrarmo-nos do art. 1.425, CC/2002, que dispõe sobre o vencimento antecipado das dívidas assim garantidas. Art. 1.425. A dívida considera-se vencida: DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 48 I - se, deteriorando-se, ou depreciando-se o bem dado em segurança, desfalcar a garantia, e o devedor, intimado, não a reforçar ou substituir; II - se o devedor cair em insolvência ou falir; III - se as prestações não forem pontualmente pagas, toda vez que deste modo se achar estipulado o pagamento. Neste caso, o recebimento posterior da prestação atrasada importa renúncia do credor ao seu direito de execução imediata; IV - se perecer o bem dado em garantia, e não for substituído; V - se se desapropriar o bem dado em garantia, hipótese na qual se depositará a parte do preço que for necessária para o pagamento integral do credor. A cédula de produto rural destaca-se em relação aos outros títulos, pois, ao contrário do pagamento em dinheiro, o devedor deve entregar o produto da produção. A letra de crédito imobiliário, embora prevista na mesma lei da cédula de crédito imobiliário, não é um título de financiamento da atividade econômica, mas um título emitido pelas instituições financeiras — elas são as sacadoras —, lastreado nos lastreado por créditos imobiliários garantidos por hipoteca ou alienação fiduciária de coisa imóvel. Fora estas peculiaridades, estes títulos, embora impróprios, não se diferenciam muito dos outros no que tange o protesto a execução. Em relação ao protesto, todavia, ele é dispensado para assegurar o direito de regresso contra os codevedores. Quanto a outras regras, todas as Leis possuem norma informando que, no que for cabível, aplicam-se as normas de Direito Cambial (LUG), subsidiariamente. 1.7.2. Warrant e conhecimento de depósito Estes dois títulos de crédito possuem a peculiaridade de nascerem juntos. Possuem também a distinta característica de representarem uma mercadoria depositada em um armazém-geral e não uma quantia em dinheiro. De fato, estes títulos de crédito são regidos pela mesma Decreto que rege este tipo de empresa, o D. 1.102/1903. O empresário de um armazém-geral é fiel depositário dos bens lá estocados e, a pedido do depositante, poderá emitir o conhecimento de depósito DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 49 e o warrant (art. 15 do D. 1.102/1903, doravante omitido). Sendo assim, o armazém-geral é o emitente — sacador — e o depositante o beneficiário — tomador — do título. Os requisitos destes títulos são os seguintes: Requisitos do conhecimento de depósito e do warrant (art. 15, §§) 1. A denominação da empresa do armazém geral e sua sede. 2. O nome, profissão e domicílio do depositante ou de terceiro por este indicado. 3. O lugar e o prazo do depósito, facultado aos interessados acordarem, entre si, na transferência posterior das mesmas mercadorias de um para outro armazém da emitente ainda que se encontrem em localidade diversa da em que foi feito o depósito inicial. Em tais casos, far-se-ão, nos conhecimentos warrants respectivos, as seguintes anotações: a) local para onde se transferirá a mercadoria em depósito; b) para os fins do art. 26, parágrafo 2º, às despesas decorrentes da transferência, inclusive as de seguro por todos os riscos. 4. A natureza e quantidade das mercadorias em depósito, designadas pelos nomes mais usados no comércio, seu peso, o estado dos envoltórios e todas as marcas e indicações próprias para estabelecerem a sua identidade, ressalvadas as peculiaridades das mercadorias depositada a granel. 5. A qualidade da mercadoria tratando-se daquelas a que se refere o art. 12. 6. A indicação do segurador da mercadoria e o valor do seguro (art. 16). 7. A declaração dos impostos e direitos fiscais, dos encargos e despesas a que a mercadoria está sujeita, e do dia em que começaram a correr as armazenagens (art. 26, § 2º). 8. A data da emissão dos títulos e assinatura do empresário ou pessoa devidamente habilitada por este. 9. A denominação, conforme o título. 10. Cláusula à ordem. O conhecimento de depósito representa a titularidade — o domínio — das mercadorias. O warrant — que significa garantia, em inglês — representa uma garantia pignoratícia. Quando juntos, o possuidor dos títulos pode exigir a entrega de mercadorias, mas os títulos podem ser separados, por vontade do tomador (arts. 15 e 18). O meio de transmissão dos títulos é o endosso que pode ser, inclusive, em branco. Não há diferenças relevantes quanto ao que já vimos a respeito deste instituto do Direito Cambial. DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 50 Art. 18 - O conhecimento do depósito e o “warrant” podem ser transferidos, unidos ou separados, por endosso. §1º - O endosso pode ser em branco; neste caso confere ao portador do título os direitos de cessionário. §2º - O endosso dos títulos unidos confere ao cessionário o direito de livre disposição da mercadoria depositada; o do “warrant” separado do conhecimento de depósito o direito de penhor sobre a mesma mercadoria e do conhecimento de depósito a faculdade de dispor da mercadoria, salvo os direitos do credor, portador do “warrant”. Quando ainda unidos, só pode haver o endosso dos dois títulos unidos ou apenas do warrant. Havendo o endosso do warrant em separado, deverá constar no conhecimento de depósito a importância do crédito garantido pelo penhor da mercadoria, taxa de juros e a data do vencimento, assinado pelo(s) endossatário(s). A partir daí, o conhecimento de depósito poderá circular em separado, sabendo, aquele que o adquirir, que as mercadorias ali mencionadas estão gravadas em penhor. Ele até poderá retirá-las do armazém, mas terá que pagar a dívida, que ali ficará consignada (art. 22). Já o portador do warrant, no dia do vencimento de seu título, se não for pago ou não achar a importância consignada no armazém, deverá excutir o warrant. Isto significa levar à execução a garantia real, ou seja, as mercadorias. Para isto, deverá protestar o título, cujas regras são as mesmas que as da letra de câmbio, no caso de protesto por não pagamento (art. 23). Feito isto, deverá levar as mercadorias a leilão (art. 23, §1º). Caso não consiga serpago integralmente, poderá executar o devedor, igualmente, nos moldes das letras de câmbio (art. 25). Estas são as principais peculiaridades a respeito do warrant e do conhecimento de depósito que o prezado candidato precisa conhecer. 1.7.3. Letra de arrendamento mercantil A Letra de arrendamento mercantil (LAM) é um título impróprio, criado recentemente, comparado aos outros títulos de crédito, pela L. 11.882/2008. DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 51 Seu objetivo é permitir as sociedades de arrendamento mercantil captar recursos no mercado. Suas características são: Requisitos da letra de arrendamento mercantil (art. 2º) I - A denominação “Letra de Arrendamento Mercantil”. II - O nome do emitente. III - O número de ordem, o local e a data de emissão. IV - O valor nominal. V - A taxa de juros, fixa ou flutuante, admitida a capitalização. VI - A descrição da garantia, real ou fidejussória, quando houver. VII - A data de vencimento ou, se emitido para pagamento parcelado, a data de vencimento de cada parcela e o respectivo valor. VIII - O local de pagamento. IX - O nome da pessoa a quem deve ser pago. Como se pode ver, a letra pode ter garantia real, taxa de juros e pagamento parcelado. Como se aduz do §2º do art. 2º, é possível o endosso, mas, salvo expresso, este será sem garantia. A lei não é muito longa, mandando observar, no que for omissa, a legislação cambiária, isto é, a LUG (art. 4º). A peculiaridade do título é a possibilidade de ser emitido sob forma escritural, como ocorre com ações (art. 3º). É importante ressaltar que o §3º do art. 2º dispõe que “a LAM não constitui operação de empréstimo ou adiantamento, por sua aquisição em mercado primário ou secundário, nem se considera valor mobiliário para os efeitos da Lei no 6.385, de 7 de dezembro de 1976”. Esta disposição faz com que a emissão destes títulos esteja fora da regulação da CVM. Prezado amigo, a matéria de hoje foi novamente extensa. Além do que, comparado à última aula, a quantidade de instrumentos normativos foi muito maior. DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 52 Novamente recomenda-se que se revise a matéria, estude as Leis e, em caso de dúvida, utilize nosso fórum de dúvidas. Por ora, me despeço, esperando vê-los em breve na nossa próxima aula. Forte abraço. 2. Exercícios 1. (TRT - 23ª REGIÃO/MT – Juiz, 2011) Sobre a letra de câmbio é CORRETO afirmar que: a) deve ser emitida em modelo padronizado, sendo nula se emitida em qualquer papel, ainda que preenchidos os requisitos legais; b) é inadmissível sua emissão em moeda estrangeira; c) apresentada a letra ao sacado, este pode pedir nova apresentação no prazo de 10 (dez) dias, a fim de refletir sobre o lançamento ou não do aceite, o qual se denomina "prazo de respiro"; d) prescreve em 10 (dez) anos a pretensão de haver o seu pagamento, nesta condição; e) se for emitida ou aceita com omissões, ou em branco, pode ser completada pelo credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto. 2. (CESPE - 2007 - MPE-AM - Promotor de Justiça) Quanto aos títulos de crédito, assinale a opção correta. a) As relações cambiais são regidas pelos princípios da autonomia e da inoponibilidade das exceções pessoais ao terceiro de boa-fé, entre outros. Assim, quando o devedor for demandado pelo legítimo portador do título, não poderá alegar possíveis exceções pessoais que possui contra o credor originário. b) O título de crédito causal representa obrigações desvinculadas do negócio jurídico que deu origem à cártula, permitindo-se considerar, quando o título é posto em circulação, apenas a existência da obrigação cambial, representada por uma cártula e seu conteúdo. Por isso, para que seu titular exerça o direito de crédito dele emergente, basta a apresentação do título. c) Em decorrência do princípio da literalidade, o título de crédito em branco ou incompleto é ineficaz cambialmente; por isso, o seu posterior preenchimento, mesmo quando houver acordo prévio, poderá constituir motivo para que sejam DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 53 opostas ao portador as exceções que caberiam contra o primitivo credor. Assim, ainda que tenha havido a circulação desse título, será negado pagamento e o negócio jurídico que lhe deu origem será anulável. d) O meio próprio de transferência do título de crédito à ordem é o endosso seguido de sua tradição. O endosso não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a este notificado; o endossante é responsável não só pelo aceite, mas também pelo pagamento do crédito nele mencionado, isto é, ele se responsabiliza pela solvência do crédito. e) O aval é autônomo em relação à obrigação do devedor principal e se constitui no vencimento do título de crédito. Assim, a morte do avalista ocorrida antes do vencimento do título extingue a obrigação, não se transmitindo aos herdeiros, por não possuir caráter personalíssimo. 3. (BB CERT – CESPE, 2010) A respeito dos títulos de crédito, assinale a opção correta. a) Nas cédulas de crédito bancário, eventual garantia deve ser constituída necessariamente na própria cédula. b) O credor pela nota de crédito rural não possui qualquer privilégio sobre os bens do devedor. c) A duplicata é um título que documenta o crédito decorrente de um contrato de compra e venda ou de uma prestação de serviços. d) A lei veda expressamente aos cheques a cláusula à ordem, o endosso e o aval. e) A ordem de pagamento a terceiro é a principal característica da nota promissória. 4. (PGE - AM - Procurador do Estado - FCC – 2010) A respeito do regime jurídico das notas promissórias e letras de câmbio, é correto afirmar: a) O emitente de uma letra de câmbio tem a mesma responsabilidade pelo pagamento do título que o emitente de uma nota promissória. b) A cláusula "à ordem", expressa no título, define a responsabilidade solidária de todos os garantidores do direito de crédito nele mencionado. c) Para a validade do endosso é indispensável a prévia anuência do devedor original, a ser dada no próprio título ou em documento em separado. DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 54 d) O aval dado em uma nota promissória tem os mesmos efeitos da fiança prestada sem benefício de exoneração. e) A cobrança judicial do crédito mencionado em nota promissória contra o devedor principal independe do prévio protesto do título. 5. (FGV - 2012 - OAB - Exame de Ordem Unificado - 3 - Primeira Fase) Com relação ao instituto do aceite de títulos de crédito, assinale a alternativa correta. a) A duplicata pode não ser aceita, sem qualquer fundamentação pelo sacado; neste caso, ele não será responsável pelo pagamento do título. b) Para a cobrança de uma duplicata não aceita, é necessária apenas a realização de seu protesto. c) O aceite de cheque é condição essencial para que o beneficiário possa executar o sacado. d) O aceite de uma letra de câmbio torna o sacado devedor direto do título. 6. (Receita Federal - Auditor Fiscal - ESAF – 2009) Sobre a nota promissória, o cheque e a duplicata, marque a afirmativa correta. a) À exceção do cheque, a duplicata e a nota promissória constituem títulos executivos. b) A nota promissória, o cheque e a duplicata são títulos de crédito impróprios. c) O cheque e a duplicata são ordens de pagamento, e a nota promissóriaé uma promessa de pagamento. d) A nota promissória é um título causal. e) Admite-se o endosso parcial do cheque. 7. (TJ-DF – Juiz – 2011) A letra de câmbio, por expressa disposição legal: a) é transferível por endosso, somente se contiver explícita a cláusula à ordem; b) é transferível por endosso, mesmo não contendo explícita a cláusula à ordem; DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 55 c) não admite a cláusula “não à ordem”; d) nenhuma das alternativas acima (a, b, c) é correta. 8. (BB/Certificação - CESPE – 2009) Os títulos de crédito são documentos que representam o direito creditório nele inserido sendo aptos à circulação. De acordo com esse entendimento, não é título de crédito a) o cheque. b) a letra de câmbio. c) a duplicata mercantil. d) o contrato particular assinado por duas testemunhas. e) a nota promissória. 9. (TJ-DF - Juiz – 2011) Quanto à sua estrutura, constitui ordem de pagamento: a) o cheque; b) a duplicata; c) a letra de câmbio; d) todas as alternativas acima (a, b, c) são corretas. 10. (MPE - PE - Promotor de Justiça - FCC – 2008) A duplicata mercantil, enquanto título causal, a) está sujeita a regime jurídico diverso do cambial. b) sujeita-se ao regime jurídico cambial e, portanto, aos princípios da cartularidade, da literalidade e da autonomia das obrigações. c) pode ser sacada em qualquer hipótese, segundo a vontade das partes interessadas. d) não se vincula especificamente a nenhum negócio jurídico. e) não pode ser tida como um título de crédito abstrato, se examinada sua origem. DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 56 Gabarito Questão 1 - E Questão 2 – A Questão 3 – C Questão 4 – E Questão 5 – D Questão 6 – C Questão 7 – B Questão 8 – D Questão 9 – D Questão 10 – B Questão 1 Esta questão é de simples resolução, pois, como já vimos, um título pode ser completado, de boa-fé, antes da cobrança ou do protesto, sendo correta a alternativa “e”. A opção “a” está errada, tendo em vista que a letra de câmbio não é título de modelo vinculado, bastando conter os requisitos do art. 1º da LUG. Sua emissão em moeda estrangeira é admitida, como já vimos, pelo art. 10 da Lei de Protestos e nos casos permitidos pelo Decreto-lei nº 857, de 11 de setembro de 1969. Assim, a alternativa “b” está errada. A letra “c” está errada, tendo em vista que o prazo de respiro é de somente um dia, como determina o art. 24 da LUG. Igualmente, equivoca-se a alternativa “d”, pois a prescrição é de três anos, de acordo com o art. 70 da LUG. Questão 2 A alternativa correta é a letra “a”, pois está de acordo com o que já vimos sobre os princípios cambiais. A opção “b” está errada, pois inverte os termos. Os títulos causais são os que representam obrigações vinculadas ao negócio jurídico originário. Igualmente, a letra “c” está errada, tendo em vista que o título em branco pode ser completado, até a cobrança ou protesto, se feito de boa-fé. DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 57 A alternativa “d”, também, pois não é o que vimos sobre o endosso e contraria o princípio da autonomia. A opção “e” encontra-se equivocada, pois, apesar de começar afirmando uma verdade, a morte do avalista não extingue a obrigação. Isto também contrariaria o princípio da autonomia. Questão 3 A resposta certa é a opção “c”, já que, como já vimos, a duplicata é um título causal, isto é, só pode ser emitida em decorrência de Compra e Venda Mercantil ou em caso de Prestação de Serviços. A alternativa “a” está errada, pois o art. 32 da L. 10.931/2004 permite que a garantia seja feita na própria Cédula de Crédito Bancário ou em documento separado, neste caso fazendo-se, na Cédula, menção a tal circunstância. O enunciado “b” está errado. O art. 28 do D. nº 167/67, que rege os títulos de crédito rural, preleciona que a Nota de Crédito Rural terá sim privilégio especial perante os bens discriminados no Código Civil. A opção “d” está errada, tendo em vista que não há nenhuma destas vedações com relação ao cheque. A lei permite expressamente aos cheques a cláusula à ordem, o endosso e o aval. Lei nº 7.357/85 Art . 17 O cheque pagável a pessoa nomeada, com ou sem cláusula expressa ‘’ à ordem’’, é transmissível por via de endosso. Art . 29 O pagamento do cheque pode ser garantido, no todo ou em parte, por AVAL prestado por terceiro, exceto o sacado, ou mesmo por signatário do título. Por último, a alternativa “e” está errada, pois, como já vimos, a nota promissória é uma promessa de pagamento e não uma ordem de pagamento. Questão 4 Caro candidato, com o que já estudamos, a resolução desta questão é fácil. A resposta certa está na letra “e”, pois, como já vimos, contra devedor DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 58 principal da nota promissória, o protesto é dispensável para a propositura da denominada ação executiva. Pode executar de imediato. A alternativa “a” está errada. O sacador de uma letra de câmbio não tem a mesma responsabilidade, porque ela é uma ordem de pagamento (por isso há o sacador, sacado e o tomador), enquanto que a nota promissória é mera promessa de pagamento, só havendo dois sujeitos (promitente / subscritor / emitente — devedor principal — e o Tomador Beneficiário — credor da NP). A opção “b” está patentemente errada. A cláusula “à ordem” relaciona-se com a forma de circulação do título, como o prezado candidato deve saber. Igualmente, a letra “c” está errada. Há uma presunção de que o título de crédito é à ordem. Ele só passará a ser não à ordem se for inserida uma cláusula expressa no título de que ele é não à ordem. Assim, caso o devedor deseje que o título não seja endossável, deverá registrar isto no título. Caso o contrário, será livremente endossável. Sobre a opção “d”, não há dúvidas de que está errada, pois já estudamos as diferenças entre o Aval e a Fiança Questão 5 Esta questão também trata de assuntos já estudados. A resposta certa é a letra “d”. O aceite é o modo como o sacado assume a obrigação de uma letra de câmbio. A opção “a” está errada, tendo em vista que é justamente a peculiaridade da duplicata ter o aceite obrigatório, como já comentado. Assim, o sacado só poderá recusá-lo nos estritos termos do art. 8º da LD. A alternativa “b”, por sua vez, também não está certa, pois, embora o aceite seja obrigatório, a cobrança deverá ser instruída com o comprovante de entrega da mercadoria ou da prestação de serviços (art. 15, II, LD). Já o cheque não possui aceite. Isto é vedado expressamente pela Lei do Cheque, em seu art. 6º, o que faz da opção “c” errada. Questão 6 A resposta certa é a letra “c”. Já vimos que a Nota Promissória é uma simples promessa de pagamento. Contudo, o Cheque e a Duplicada são ordens de pagamento, pois guardam três situações jurídicas distintas: quem dá a ordem, a do destinatário da ordem e a do beneficiário da ordem. DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 59 A opção “a” está errada. Todos os três são títulos executivos extrajudiciais: Código de Processo Civil Art. 585. São títulos executivos extrajudiciais: I – a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debênture e o cheque; Igualmente, aopção “b” está errada. Os Títulos de Crédito Próprios exprimem uma operação de crédito entre os sujeitos envolvidos. Eles representam uma verdadeira operação de crédito, possibilitando a circulação de direitos de crédito através da negociabilidade. A pessoa se vale do título cuja importância só vai ser paga futuramente. Exemplo: Letras de câmbio, Notas Promissórias. Já os Títulos de Crédito Impróprios são aqueles que permitem a livre disposição de certas mercadorias. Não representam verdadeira operação de crédito, mas que revestidos de certos requisitos circulam com as garantias que caracterizariam os títulos. Exemplo: conhecimentos de depósito e de cargas, warrant, ações de S.A.. A alternativa “d” está errada, já que a nota promissória é um título abstrato — pode ser emitido em qualquer circunstância. A duplicata, por exemplo, é um título causal, depende de uma relação da compra e venda mercantil ou da prestação de serviços. A Nota Promissória, por outro lado, pode ser constituída pelos mais diversos motivos fáticos, não estando vinculada a uma causa específica. Poderá ser emitida pela compra de um celular, pela venda de um imóvel, pela prestação de um serviço, etc. A opção “e” está errada por razões já vistas: o endosso parcial é vedado nos títulos de crédito. Questão 7 Está questão é de fácil resolução pelo que já vimos. A resposta certa é a alternativa “b”. Questão 8 O conceito dado pela questão enfoca o aspecto da Cartularidade dos Títulos de Crédito, o de que o crédito deve estar materializado (representado) DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 60 em um documento (título), sendo apta a transferência do crédito pela transferência do título. Não há que se falar em exigibilidade do crédito sem a apresentação do documento. Cartularidade vem de cártula, que vem de “pequeno papel”. Além do endosso, é preciso entregar o título para que efetivamente ocorra a transferência do título. Para ele, a Cartularidade é uma Incorporação. O crédito está incorporado em um documento, que não precisa ser necessariamente em papel, pode ser documento eletrônico. Então, para ele, se se adotasse a incorporação e não a Cartularidade, não teria o problema da necessidade de materialização. Nesse caso, simples contrato particular assinado por duas testemunhas não representa título de crédito por sua não portabilidade (vale apenas entre as partes). A resposta é a alternativa “d”. Questão 9 A resposta certa é a letra “d”, pois todos estes títulos de crédito são ordens de pagamento, como já vimos. Questão 10 A resposta certa é a opção “b”. A Duplicata, como já debatido, sujeita-se aos três princípios bases dos Títulos de Crédito: Cartularidade, Literalidade e Autonomia A alternativa “a” está errada, já que a duplicata é um Título de Crédito como qualquer outro. As opções “c” e “d” também estão equivocadas pelos mesmos motivos. Como já vimos, a duplicata é um título causal, isto é, só pode ser emitida em decorrência de Compra e Venda Mercantil ou em caso de Prestação de Serviços. Assim, ela não poderá ser sacada em qualquer em hipótese e estará sempre vinculada a um negócio jurídico. A alternativa “e” também está errada. Continua abstrata a Duplicata, apesar de ligada a uma causa concreta. DIREITO EMPRESARIAL PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA Prof. Antonio Nóbrega www.pontodosconcursos.com.br 61 Bibliografia BORBA, José Edwaldo Tavares. Direito Societário. 8 ed. rev., aum. e atual. Rio de Janeiro: Renovar, 2003. CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 17 ed. Rio de Janeiro: ed.Lumen Júris, 2007. COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Comercial. 10 ed. rev. e atual., São Paulo: Saraiva, 2007. DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro, 2º vol.: teoria geral das obrigações. 18 ed. rev. e atual. de acordo com o novo Código Civil, São Paulo: Saraiva, 2003. GRANJEIRO. J. 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