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DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL DA PERSONALIDADE

Anotações sobre desenvolvimento psicossocial da personalidade: apresenta o modelo de traços (Big Five de McCrae & Costa) com descrição dos cinco fatores, o modelo tipológico de J. Block (subcontrolado, ego-resiliente, supercontrolado) e modelos de crises normativas/epigenéticas (Erikson).

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DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL DA PERSONALIDADE 
 
➢➢ Modelo de traços: os cinco grandes fatores (McCrae e Costa) 
 
- Cinco grandes fatores para medir a personalidade, sendo que cada fator contém um conjunto 
de traços associados. 
- Estudos baseados em traços constatam que a personalidade adulta muda muito pouco. 
- Fator I - extroversão/introversão: características dos relacionamentos interpessoais 
(afetividade, espírito gregário, assertividade, atividade, busca de excitação e emoções 
positivas) 
- Fator II - nível de socialização ou amabilidade: tendência a ser socialmente agradável, 
caloroso, dócil etc. 
- Fator III - conscienciosidade: traços que caracterizam a responsabilidade, honestidade, ou, 
no outro extremo, negligência, irresponsabilidade 
- Fator IV - neuroticismo/estabilidade emocional: envolvem o afeto positivo e o negativo, a 
estabilidade emocional e a ansiedade (pessoas altamente neuróticas são nervosas, 
medrosas, irritadiças e sensíveis a críticas e irritam-se com facilidade. podem sentir-se 
tristes, desesperançosas, solitárias, culpadas e sem valor) 
- Fator V - intelecto ou abertura para a experiência: flexibilidade, criatividade e imaginação, 
abertura para novas experiências e curiosidade 
- Os traços de personalidade servem para resumir, prever e explicar a conduta de um 
indivíduo. Ou seja, isso sugere a existência de um processo/mecanismo interno que produz o 
comportamento. 
- Os traços são características psicológicas que representam tendências relativamente 
estáveis na forma de pensar, sentir e atuar com as pessoas. Porém, existem possibilidades 
de mudanças, como produtos das interações das pessoas com seu meio social (podem 
sofrer adaptações devo a influência de aspectos motivacionais, afetivos, comportamentais e 
atitudinais - novas responsabilidades e demandas, eventos traumáticos ou transformações 
culturais importantes), mas tendências básicas permanecem iguais e influenciam o modo 
como uma pessoa adapta-se a essas novas circunstâncias. 
 
 
➢➢ Modelo tipológico (J. Block) 
 
- Personalidade como um todo operante que afeta e que reflete atitudes, valores, 
comportamentos e interações sociais. 
- 3 tipos básicos de personalidade: subcontrolado, ego resiliente, supercontrolado. 
- Os tipos diferem em termos de resiliência do ego (adaptabilidade sob fontes de estresse) e 
controle do ego (autocontrole). 
- Pessoas subcontroladas são ativas, energéticas, impulsivas, teimosas e facilmente 
distraídas. 
- Pessoas ego resilientes são bem adaptadas (autoconfiantes, independentes, articuladas, 
atenciosas, prestativas, cooperativas e focadas nas tarefas). 
- Pessoas supercontroladas são tímidas, quietas, ansiosas e confiáveis; tendem a guardar 
seus pensamentos para si mesmas, evitar conflitos e são as mais sujeitas à depressão. 
- Esses tipos semelhantes de personalidade parecem existir em ambos os sexos, em diversas 
culturas e grupos étnicos e em crianças, adolescentes e adultos. 
- Embora traços ou tipos de personalidade estabelecidos na infância possam prever trajetórias 
ou padrões de comportamento de longo prazo, alguns eventos podem mudar o curso da 
vida. 
➢➢ Modelos de crises normativas 
 
- Todas as pessoas seguem a mesma sequência básica de mudanças sociais e emocionais 
relacionadas com a idade. 
- “Normativas” porque parecem ser comuns à maioria dos membros de uma população; e 
emergem em períodos sucessivos, muitas vezes marcadas por crises emocionais que 
preparam o caminho para um maior desenvolvimento. 
- A mensagem mais importante dos modelos de crise normativa é que os adultos continuam 
mudando, desenvolvendo-se e crescendo. Independentemente de as pessoas crescerem ou 
não dos modos específicos sugeridos por esses modelos, eles questionaram a idéia de que 
quase nada de importante ocorre na personalidade após a adolescência. 
 
- Modelo epigenético (Erikson) 
- Principais crises da vida adulta e 3ª idade: intimidade x isolamento / generatividade x 
estagnação / integridade x desesperança / gerotranscendência (Joan Erikson 1988) 
- Intimidade x isolamento: gravita em torno da construção de relações profundas e duradouras 
(criar intimidade e entrega afetiva). Capacidade de comprometimento com um 
relacionamento que pode exigir sacrifício e compromisso. Para tal é necessário o 
desenvolvimento de um forte senso de identidade. Em geral, a incapacidade de entrega e de 
fidelidade a uma relação, de partilhar afetos, pode levar ao isolamento, à solidão, à sensação 
de que falta algo para ser completo, embora ficar sozinho não seja sinal de fracasso afetivo. 
A resolução dessa crise resulta na "virtude" do amor (devoção mútua entre parceiros que 
escolheram compartilhar suas vidas, ter filhos e ajudar esses filhos a realizar seu próprio 
desenvolvimento saudável). 
- Generatividade x estagnação: realização de grandes contribuições à sociedade a sua volta 
ou simplesmente dedicar-se ao próprio conforto físico e material (produzir ou estagnar-se). 
Pode ser exercida através da orientação e cuidado com o outro, trabalhos comunitários, 
novas idéias e novos produtos que sirvam a toda a comunidade. 
- Integridade x desesperança: avaliar, resumir e aceitar sua vida para poder aceitar a 
aproximação da morte. A virtude desenvolvida é a sabedoria que significa aceitar a vida que 
se viveu, sem maiores arrependimentos: sem alongar-se no que "deveria ter feito" ou em 
"como poderia ter sido“. 
- Gerotranscendência: apesar de todos os esforços do indivíduo em manter a força vital e o 
controle sobre a própria vida, o corpo continua a perder, gradativamente, sua autonomia. 
Envolve uma nova compreensão das questões existenciais fundamentais. A resolução da 
crise está relacionada à capacidade do idoso em transcender as limitações corporais 
próprias da velhice, nova compreensão sobre a vida e a morte e mudanças nos 
relacionamentos sociais e individuais do idoso. 
 
 
➢➢ Modelos de sequências de eventos 
 
- O curso do desenvolvimento depende de quando alguns eventos ocorrem na vida das 
pessoas. As crises resultam não por chegar a uma determinada idade (como nos modelos de 
crises normativas), mas pela inesperada ocorrência e pelo momento dos eventos de vida. 
- Se os eventos ocorrem como esperado, o desenvolvimento prossegue sem dificuldades. Em 
caso negativo, pode haver estresse, o qual pode resultar de um evento inesperado (como 
perder um emprego), de um evento que ocorre mais cedo ou mais tarde do que esperado 
(enviuvar aos 35 anos, ter o primeiro filho aos 45, ser forçado a se aposentar aos 55), ou da 
não-ocorrência de um evento esperado. 
- O típico momento de ocorrência dos eventos varia de cultura para cultura e de uma geração 
para outra. 
- O modelo de momento de ocorrência de eventos fez uma importante contribuição para nossa 
compreensão da personalidade adulta ao enfatizar o curso individual de vida e ao questionar 
a idéia de mudanças universais relacionadas com a idade. Entretanto, sua utilidade pode 
limitar-se a culturas e a períodos históricos em que as normas de comportamento são 
estáveis e muito difundidas. 
 
➢➢ Modelohumanista - Maslow 
 
- Ênfase no potencial para desenvolvimento positivo e saudável. Acredita-se na capacidade 
das pessoas, independente de idade ou circunstâncias, de assumirem o controle de suas 
vidas e promoverem seu próprio desenvolvimento através das capacidades humanas de 
escolha, criatividade e auto-realização. 
- Hierarquia de necessidades que motivam o comportamento humano. 
 
- Necessidades fisiológicas (somáticas): sede, fome, sexo. São preponderantes, sendo ainda 
preremptivas, pois, quando faltam, tornam as outras necessidades secundárias. 
- Necessidades de segurança: segurança, estabilidade, dependência, proteção, ausência de 
medo, necessidade de estrutura etc. São melhores observadas em bebês ou quando 
ocorrem desastres naturais ou sociais. 
- Necessidades de pertencimento e amor: amigos, família, enfim, relações afetuosas. Estão 
ligadas às tendências humanas de agrupar-se, reunir-se, pertencer a etc. A frustração 
destas, segundo Maslow, compõe o núcleo dos desajustamentos e das patologias mais 
graves. 
- Necessidades de estima: auto-estima (desejos de força, conquistas, domínio, competência, 
confiança e independência) e estima dos outros (desejos de fama, status, dominação, 
atenção e dignidade). A frustração destas produz sentimentos de inferioridade, o que pode 
resultar em neuroses. 
- Necessidades de auto-realização: é o nível mais alto, que só pode ser atendido se todas as 
outras necessidades básicas já tiverem sido satisfeitas, apesar de essa satisfação ser 
efêmera. Trata-se do desejo de nos tornamos aquilo que somos em nossa essência 
idiossincrática. Seu desenvolvimento não se dá pela falta de algo externo, mas sim pelo que 
já está no organismo (valores intrínsecos) que o motiva, paradoxalmente, a atingir um estado 
de não-motivação e de ausência de esforço. Assim, fala-se em metanecessidades, ou 
Valores-do-ser.

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