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PSI DA POERSONALIDADE unidade 2 Elementos da personalidade Sabe-se que desde o nascimento todos os seres humanos passam por etapas do desenvolvimento que influenciam de forma direta a construção da personalidade. Para a sua formação, temos elementos genéticos herdados (denominado temperamento), temos elementos ambientais/contextuais que influenciam de modo direito. Para explicar o conceito de personalidade, é necessária a junção de várias ciências, como filosofia, psicologia, sociologia, antropologia e medicina (VOLPI, 2004). Para compreender a personalidade, você precisa saber que não existe uma única explicação, além de aceitar que os diferentes modelos não excluem um ao outro, muitos são complementares. Breve história do conceito de personalidade A história da psicologia da personalidade remonta à Grécia Antiga. De fato, os filósofos desde o século IV tentam definir exatamente o que é que nos torna quem somos. Em 370 a.C., Hipócrates propôs dois pilares do temperamento: quente/frio e úmido/seco, resultando em quatro humores ou combinações dessas qualidades. A combinação quente e seca foi referida como bile amarela, fria e seca como bile preta, quente e úmido era sangue e frio e úmido era catarro. Embora grande parte do trabalho que surgisse dessa teoria dos Quatro Humores fosse de natureza medicinal, também se supunha que a personalidade de um paciente pudesse ser influenciada por desequilíbrios humorais. Essa maneira categórica de pensar sobre a personalidade permeava o pensamento antigo sobre o assunto. Platão propôs quatro agrupamentos (artístico, sensível, intuitivo, raciocínio) e Aristóteles hipotetizou quatro fatores (icônicos, ou seja, artísticos; písticos, ou seja, senso comum; noético, ou seja, intuição; e dianoético, ou seja, lógica) contribuíram para a ordem social da sociedade. Assim, pode-se definir a personalidade como a forma de se apresentar no mundo, com traços e características, adaptando-se ao logo do ciclo da vida, inclusive podendo mudar algumas características quando expostos a uma intervenção psicológica. Você já deve ter ouvido a palavra temperamento, inclusive utilizou para descrever o comportamento emocional de uma pessoa. O que talvez você desconheça é a origem desse termo, que advém do latim temperare e significa equilíbrio. Os primeiros filósofos a utilizarem tal termo foram Empédocles e Hipócrates para designar os humores e os classificados sanguíneo, fleumático, colérico e melancólico (PASQUALI, 2000). O que podemos aprender com a teoria do temperamento? O temperamento é de origem genética. As características são visíveis desde o nascimento e podem ser reconhecidas e readaptadas ao longo da vida. Temperamento humano e animal aproximados. O temperamento se relaciona a uma parte da vida das pessoas. Apresenta diferentes classificações e se apresenta com estilos pessoais individuais. As limitações da teoria do temperamento implicaram o avanço sobre a compreensão da personalidade, particularmente na ampliação do conceito para além de uma perspectiva biológica. Assim, surgiu a teoria dos traços, que aponta como se designam as diferenças individuais entre as pessoas, indicando a estabilidade da vida e possibilitando a discussão da influência ambiental/grupo na constituição da personalidade (ROBERTS; MROCZEK, 2008). Considera-se como avanço na compreensão das terminologias para descrever a personalidade o caráter, que se caracteriza por atitudes habituais de uma pessoa e seu padrão de resposta diante de uma determinada situação. Como exemplo, temos a forma do comportamento (timidez, agressividade, honestidade) e as atitudes físicas (posturas, modo de movimentar o corpo). Por fim, o caráter é designado pelos atos comportamentais da pessoa na sociedade (REICH, 1995). Outros dois fatores influenciam na personalidade de uma pessoa, como podemos ver a seguir: Figura 2 - Descrição dos fatores básicos da personalidade Fonte: Elaborado pelo autor, 2020. A definição do conceito de personalidade não é algo fácil, tendo em vista a multiplicidade de teorias e pesquisa sobre a leitura da psicologia da personalidade. Contudo, a seguir estudaremos ferramentas para avaliação da personalidade que podem clarear o tema. Ferramentas para avaliação da personalidade A personalidade é constituída por aspectos genéticos, afetivos, cognitivos e motivacionais que podem ser compartilhados, porém cada pessoa vivencia isso de forma particular. Percebe-se que com o desenvolvimento das pessoas ocorre a maturação, tornando características consideradas inadequadas, possíveis de serem revertidas, e fortalecendo características que são positivas. Contudo, você deve estar percebendo que devido à complexidade do conceito, avaliar, compreender e estudar a personalidade pode se tornar impossível. Para facilitar, os profissionais de psicologia desenvolveram métodos e técnicas com foco na avaliação de diferentes aspectos da personalidade, para tornar minimamente visível essas características, possibilitando conhecimento e amadurecimento das pessoas. Em termos de maturidade psicológica, a Alliance (2006) considerou que alguns pontos devem ser desenvolvidos, como: Quadro 1 - Características de maturidade psicológica Após refletir sobre essas características da personalidade, você deve se perguntar como psicólogas(os) conseguem descrever a personalidade de uma pessoa com segurança e confiabilidade, respeitando os preceitos científicos. Essa resposta está nos métodos e nas técnicas reconhecidos e validados ao longo de pesquisa e prática profissional. A seguir conheceremos alguns. Figura 3 - Técnicas para avaliar a personalidade Fonte: Elaborado pelo autor, 2020. A entrevista no campo da psicologia é o recurso mais utilizado, porque seu principal objetivo é coletar o maior número de informações possíveis das pessoas que procuram pelo atendimento psicológico. Caracteriza-se como uma técnica muito simples, mas se não for bem executada, poderá não conseguir obter o êxito esperado. A literatura aponta que existem três tipos de entrevistas, que serão realizadas de acordo com os objetivos da coleta de dados e contam com a experiência do entrevistador. Temos então os seguintes tipos de entrevista, segundo Tavares (2007): ESTRUTURADA: Caracterizada por diretividade, com perguntas e respostas bem planejadas, com alto nível de rigor metodológico, é utilizada para avaliação psicológica e com recurso de pesquisas. O principal foco é coletar as informações seguindo um protocolo bem planejado. SEMIESTRUTURADA: Apresenta flexibilidade, porque apresenta um misto de perguntas abertas e fechadas, contendo qualitativa. O entrevistar é responsável por fazer fluir a entrevista, com possibilidade de liberdade nas respostas. LIVRE: Exige muita experiência do entrevistador, porque as perguntas são feitas de forma espontânea, criativa, sem roteiro pré-definido. O encontro entre entrevistador e entrevistado e a capacidade de aprofundar ou não as temáticas propostas vão definir a manutenção desse espírito livre ou a retomada da entrevista como preconizada pelos modelos anteriores. Ressalta-se que para uma melhor qualidade da coleta de dados utilizando a entrevista como padrão, é preciso realizar treinamentos, pois a arte de entrevistar é uma habilidade a ser desenvolvida, particularmente experimentando e avaliando os diferentes tipos de entrevistas, sem esquecer que cada pessoa vai responder a esse instrumento de modo único e de acordo com suas características de personalidade. A observação é inerente à condição humana, ou seja, somos seres observadores e utilizamos os resultados internos dessa prática para tomar decisão sobre o que fazer, para onde ir e como reagir. À medida que as situações mudam, a resposta comportamental se altera, constituindo-se como estratégia de aprofundamento para compreender a vida. A depender do tipo de observação do comportamento e do contexto,por exemplo clínico (para fins diagnóstico laboratorial ou pesquisa experimental) ou ambiente naturalístico (mundo real), podem ser de estruturadas de duas maneiras: sistemática ou assistemática (FERREIRA; MOUSQUER, 2004). Observação sistemática: Caracteriza-se por planejamento e protocolos bem estruturados e controlados, pois devem apresentar rigoroso formato de registro e codificação, muito utilizada em pesquisa e em ambientes naturalísticos. Observação assistemática: Possibilita criatividade na estratégia, além de respeitar o advir das situações, sem estrutura rígida, o registro vai ganhando forma à medida que o processo ocorre. Testes psicológicos Na psicologia existe um campo denominado Avaliação Psicológica, que se caracteriza prioritariamente pelo uso de testes psicológicos. Todos já passaram por alguma avaliação em algum momento da vida. No Brasil, o uso dos testes psicológicos é regulado pelo Sistema de Avaliação dos Testes Psicológicos (Satepsi), órgão ligado ao Conselho Federal de Psicologia (CFP), desde 2015 existem 16 testes psicológicos para avaliação da personalidade. Veremos a seguir alguns dos mais utilizados para esse tipo de avaliação. Inventário Fatorial de Personalidade (IFP-II): É baseado na teoria das motivações de Murray e oferece uma estimativa de 13 necessidades psicológicas básicas: assistência, intracepção, afago, autonomia, deferência, afiliação, dominância, desempenho, exibição, agressão, ordem, persistência e mudança. O IFP-II também oferece informações sobre três outros fatores de ordem superior: necessidades afetivas, necessidades de organização e necessidades de controle e oposição (LEME et al., 2013). Escala de Personalidade de Comrey (CPS): É um teste baseado na teoria dos traços e fatores. Por meio desse teste, o psicólogo tem uma estimativa de oito traços da personalidade: confiança versus atitude defensiva, ordem versus falta de compulsão, conformidade social versus rebeldia, atividade versus falta de energia, estabilidade versus instabilidade emocional, extroversão versus introversão, masculinidade versus feminilidade e empatia (altruísmo) versus egocentrismo. A CPS oferece também duas medidas de validade das respostas do examinando: Escala de Validade e Escala de Tendenciosidade nas Respostas (COSTA, 2009). Inventário de Personalidade Neo Revisado (NEO-PI-R): A versão original consta de 240 itens/afirmativas de autorresposta que devem ser pontuados em uma escala Likert de cinco pontos, a qual vai de “discordo totalmente” até “concordo totalmente”. Versões da NEO foram validadas para o português de Portugal e do Brasil (FLORES-MENDONZA, 2007). Técnicas projetivas e expressivas As técnicas projetivas, ao contrário dos testes objetivos, propõem uma avaliação mais compreensiva da personalidade, apresentando material desestruturado, com foco na significação dos avaliandos diante da prova, além de as respostas poderem possuir múltiplos significados, sendo necessário treinamento e experiência clínica do avaliador para uma confiança nos resultados, para futura tomada de decisão. No SATEPSI estão disponíveis 11 técnicas projetivas para avaliação dinâmica/compreensiva da personalidade. A seguir conheceremos algumas: Pirâmides Coloridas de Pfister: O indivíduo deve selecionar as cores de sua preferência e organizá-las em uma estrutura de pirâmide. O modo de colocação, a forma de execução, o aspecto formal das pirâmides e a quantidade de cores utilizadas, entre outras variáveis, são codificadas e quantificadas de modo a oferecer um entendimento da dinâmica emocional do examinando (VILLEMOR-AMARAL, 2014). Teste de Apercepção Temática Infantil – CAT-A: Esta técnica é constituída por 10 cartões preto e branco com figuras de animais que remetem a diferentes contextos da vida familiar. As crianças são convidadas a contar histórias sobre os cartões, como as ações dos animais, e a imaginar o que poderia estar acontecendo naquela situação. O objetivo do teste é descrever de modo dinâmico as características das crianças em relação ao desenvolvimento psicossexual, mecanismo de defesa e relacionamento com as figurais parentais e familiares (BELLAK; ABRAMS, 2010). Teste de Apercepção Temática Adulto – TAT: Este instrumento é composto por 31 pranchas, divididas em estímulos para homens e mulheres. A tarefa principal é contar história sobre as imagens, de forma livre, sem receio. O teste é aplicado a partir dos 12 /13 anos. A correção proporciona ao avaliador a compreensão dos principais conflitos de personalidade, mecanismos de defesas e características mais profundas da personalidade, indicando ou não a necessidade de psicoterapia (MURRAY, 2005). Rorschach: O teste de Rorschach é constituído por 10 pranchas com borrões de tinta, sendo cinco acromáticas (preto, branco e cinza) e cinco coloridas, sendo duas em preto e vermelho e três em cores pastel. Seu objetivo é avaliar a forma como os avaliandos irão estruturar a resposta em relação ao cartão, indicando elementos constitutivos (estáveis da personalidade). É considerado um dos testes de personalidade mais completo do mundo, por seu rigor metodológico e sua confiabilidade nos resultados, porque sua correção tem dupla possibilidade: oferecer um quadro mais estatístico da personalidade e, em seguida, uma compreensão mais qualitativa, portanto, dinâmica dessa personalidade (PASIAN, 2010). Traço como elemento para personalidade Histórico do desenvolvimento da teoria dos traços Os traços de personalidade são objeto de estudo da psicologia desde a Grécia Antiga, e vários pesquisadores apresentaram uma infinidade de traços de personalidade. Porém, com a inclusão da análise fatorial (modelos matemáticos) em conjunto com as teorias psicológicas, na década de 80, foi possível definir a existência de cinco dimensões dominantes na personalidade, quais sejam: extroversão, amabilidade, conscienciosidade, neuroticismo e abertura à experiência. Esse agrupamento de traços foi chamado de cinco grandes fatores de personalidade, em inglês: a teoria do Big Five. Historicamente, o estudo da teoria dos traços teve início com Allport e Odbert na década de 1930, complementado por Cattell na década de 1940 e por Christal e Norman na década de 1960, finalizando no início da década 1980 a teoria como conhecemos atualmente. Essa ampla pesquisa resultou em um sistema de classificação de traços, como modelo alternativo e baseado em evidências para a psicologia da personalidade. Como apontam McCrae e Costa (1997), as primeiras duas dimensões encontradas foram o neuroticismo e a extroversão. Após essa descoberta, veio o traço de abertura à experiência e somente com a criação do Inventário dos Cinco Fatores da Personalidade o NEO-PI começou o uso dos grandes cinco fatores: Quadro 2 - Descrição dos cinco grandes fatores da personalidade Dimensões dos cinco grandes fatores A teoria dos traços fornece uma taxonomia parcimoniosa, porém abrangente, de personalidade. Cada dimensão da personalidade descreve um amplo domínio do funcionamento psicológico composto de um conjunto de características mais específicas e estreitas. Essa teoria reúne mais de 40 anos de pesquisa sobre o estilo emocional, interpessoal, experiencial, atitudinal e motivacional de um indivíduo. O trabalho de Costa e McCrae (1992) forneceu o que talvez seja a operacionalização mais desenvolvida. Os insights fornecidos por esse trabalho fornecem a base para o desenvolvimento a seguir. Neuroticismo: O neuroticismo representa diferenças individuais no ajuste e na estabilidade emocional. Indivíduos com alto nível de neuroticismo tendem a experimentar uma série de emoções negativas, incluindo ansiedade, hostilidade, depressão, autoconsciência, impulsividade e vulnerabilidade. As pessoas com uma pontuação baixa em neuroticismo podem ser caracterizadas como autoconfiantes, calmas e até relaxadas. Extroversão: A extroversão descreve até que ponto as pessoassão assertivas, dominantes, enérgicas, ativas, comunicativas e entusiasmadas. As pessoas com pontuação alta em extroversão tendem a se tornar alegres, como pessoas e grandes grupos, e buscam excitação e estímulo. Pessoas com baixa pontuação em extroversão preferem passar mais tempo sozinhas e são caracterizadas como reservadas, silenciosas e independentes. Abertura à experiência: É uma dimensão da personalidade que caracteriza alguém que é intelectualmente curioso e tende a conhecer novas experiências e explorar novas ideias. Alguém que está aberto à abertura pode ser descrito como criativo, inovador, imaginativo, reflexivo e não tradicional. Alguém com pouca abertura pode ser caracterizado como convencional, estreito em interesses e não analítico. A abertura está positivamente correlacionada com a inteligência, especialmente em aspectos relacionados à criatividade. Amabilidade: Avalia a orientação interpessoal. Indivíduos com muita simpatia podem ser caracterizados como confiantes, doadores, atenciosos, altruístas e ingênuos. O ponto alto da concordância representa alguém que tem valores cooperativos e preferência por relacionamentos interpessoais positivos. Alguém no final da dimensão pode ser caracterizado como manipulador, egocêntrico, desconfiado e cruel. Embora a concordância possa levar a pessoa a ser digna de confiança e possa ajudar a formar relacionamentos positivos e cooperativos de trabalho, altos níveis de concordância podem inibir a disposição de alguém para conduzir barganhas, cuidar do próprio interesse e influenciar ou manipular os outros, sua própria vantagem. Conscienciosidade: Indica o grau de organização, persistência, trabalho árduo e motivação de um indivíduo na busca do cumprimento da meta. Alguns pesquisadores viram esse construto como um indicador de vontade ou capacidade de trabalhar duro. Indica personalidade mais consistente do desempenho no trabalho em todos os tipos de trabalho e ocupações. Muitos estudiosos consideram a conscienciosidade uma ampla dimensão da personalidade, composta de duas facetas principais: motivação e confiabilidade na realização. Elementos cognitivos da personalidade Teoria social cognitiva Bandura propõe que a personalidade é permeada pela aprendizagem, particularmente pelo conceito de plasticidade, ou seja, a capacidade que o ser humano tem de flexibilizar suas respostas comportamentais, cognitivas e emocionais de acordo com o contexto social, possibilitando inúmeras respostas, sem previsibilidade. Você deve notar que podemos aprender observando outras pessoas, isso se denomina aprendizagem por modelagem. Essa capacidade possibilita amadurecimento emocional e cognitivo, porque ao observar outros, os erros nas experiências são diminuídos, além de melhorar respostas comportamentais, ambientais e pessoais na vivência no mundo real. Dessa forma, todas as pessoas podem regular suas vidas a partir do momento que você aprende e reflete a partir das experiências observadas. Sem isso, estaríamos apenas reagindo aos estímulos. Aqui temos a implicação cognitiva, ao permitir que esse tipo de aprendizagem antecipe resultados de experiências, da criação de novas ideais ou usar padrões para lidar com o futuro (FEIST; TOMI-ANN, 2015). Um conceito importante da teoria social cognitiva é a autoeficácia, que se caracteriza pela capacidade de efetivar comportamentos adequados, com confiança em determinada situação, implicando o aumento do desempenho e melhorando a performance comportamental. Os comportamentos humanos são regulados por dois fatores: Fatores internos, como capacidade de perceber a si mesmo, autojulgamento e mapeamento de sua autorreação. Fatores externos, os contextos físico e social. Aprender por modelagem significa utilizar processos cognitivos sofisticados para generalizar comportamento a partir do comportamento observado. Mas como se dá o aprendizado por modelo? Você já deve ter tido bons e maus modelos durante sua vida. Se você fizer uma avaliação pormenorizada dos seus comportamentos, notará que alguns deles foram aprendidos com outras pessoas, inclusive reações emocionais. Para isso, o modelo de aprendizado precisa de alta performance, ou seja, alguém com alta competência e habilidades será utilizado como princípio de modelo ao invés do contrário. Outra característica é que só é possível haver modelagem com pessoas que estão iniciando o treino de habilidade, por exemplo, crianças aprendem com pessoas mais velhas. Em seguida, quanto maior o valor dado a determinado comportamento, maior probabilidade de modelagem terá possibilidade de reforço (BANDURA, 1986). Quadro 3 - Componentes da modelagem da TSC Autoeficácia e personalidade Bandura (2001, p. 10) definiu autoeficácia como “crenças das pessoas em sua capacidade de exercer alguma medida de controle sobre o próprio funcionamento e sobre eventos ambientais”. A eficácia se caracteriza com a confiança das pessoas sobre a capacidade de realizar alguns comportamentos, enquanto expectativa de resultados refere-se à expectativa do que as pessoas fazem sobre as possíveis consequências de tal ação comportamental. Você não deve considerar autoestima ou autoconfiança como sinônimos de autoeficácia, porque está relacionada competências, habilidades e avaliação real sobre a forma como produz comportamento, favorecendo treino e melhora futura. O que implica é que em uma elevada autoeficácia o sujeito se sente responsivo e com garantia de sucesso, e quando a autoeficácia é baixa a pessoa se sente deprimida ao perceber que não é tão eficiente em suas tarefas quanto outras pessoas. Vamos ver agora quais componentes contribuem para melhorar a autoeficácia. Quadro 4 - Componentes da autoeficácia Elementos motivacionais da personalidade Quando pesquisamos sobre a motivação, descobrimos que ela é intrínseca, ou seja, é uma força de movimento do interno para o externo. E sua melhor explicação tende a ir na busca por compreensão holística do ser humano, na perspectiva de uma compreensão completa, ao invés de partir em pequenos pedaços e dissecar. O grande representante dessa teoria foi Abraham Maslow que defendia a tese da motivação das pessoas que buscam a satisfação de uma necessidade em seguida de outra até finalizar todas as buscas e chegar num estado de autorrealização pessoal, que significa mais disposição para crescimento e maturidade emocional (MCLEOD, 2007). Motivação e personalidade Segundo Maslow e Lewis (1987), as necessidades humanas podem ser apresentadas como uma hierarquia de cinco grupos de necessidades, a saber: fisiológicas, de segurança, de amor e pertença, de estima e de autoatualização. As quatro primeiras necessidades são referidas como necessidades de déficit ou deficiência (necessidades D) e a necessidade de autorrealização é referida como necessidades de crescimento ou de necessidade (necessidades B). Quando uma necessidade de ordem inferior é atendida em certa medida, surge a necessidade adjacente na hierarquia. A deficiência, portanto, motiva o comportamento. Por outro lado, o envolvimento com as necessidades de crescimento alimenta o desejo de se tornar um indivíduo mais autorrealizado. A satisfação adequada de uma necessidade resulta no surgimento de uma necessidade de ordem superior, culminando na busca pela autorrealização. De maneira inversa, as necessidades de ordem superior não surgem quando as necessidades básicas de um indivíduo não foram adequadamente satisfeitas. Figura 4 - Pirâmide de necessidades de Maslow Como você pode perceber, a hierarquia de necessidades de Maslow é mais frequentemente exibida no formato de pirâmide. Os níveis mais baixos da pirâmide são compostos das necessidades mais básicas, enquanto às necessidades mais complexas estão localizadas no topo da pirâmide. As necessidades na parte inferior da pirâmide são requisitos físicos básicos, incluindo a necessidade decomida, água, sono e calor. Uma vez que essas necessidades de nível inferior são atendidas, as pessoas podem passar para o próximo nível de necessidades, que é segurança e proteção. À medida que as pessoas progridem na pirâmide, as necessidades se tornam cada vez mais psicológicas e sociais. Logo, a necessidade de amor, amizade e intimidade se torna importante. Mais adiante na pirâmide, a necessidade de estima pessoal e sentimentos de realização têm prioridade. Maslow enfatizou a importância da autorrealização, que é um processo de crescimento e desenvolvimento como pessoa para atingir o potencial individual. Maslow acreditava que essas necessidades são semelhantes aos instintos e desempenham um papel importante na motivação do comportamento. Necessidades fisiológicas, de segurança, sociais e de estima são necessidades de deficiência, o que significa que elas surgem devido à privação. A satisfação dessas necessidades de nível inferior é importante para evitar sentimentos ou consequências desagradáveis. Ele denominou o nível mais alto da pirâmide como necessidades de crescimento (ou necessidades). As necessidades de crescimento não decorrem da falta de algo, mas do desejo de crescer como pessoa (CAO et al., 2013): Necessidades fisiológicas: Inclui as necessidades mais básicas, que são vitais para a sobrevivência, como a necessidade de água, ar, comida e sono. Maslow acreditava que essas necessidades são as mais básicas e instintivas da hierarquia, porque todas as necessidades se tornam secundárias até que essas necessidades fisiológicas sejam atendidas. Necessidades de segurança: Inclui necessidades de proteção. As necessidades de segurança são importantes para a sobrevivência, mas não são tão exigentes quanto as necessidades fisiológicas. Exemplos de necessidades de segurança incluem o desejo de emprego estável, assistência médica, bairros seguros e abrigo do meio ambiente. Necessidades sociais: Inclui necessidades de pertencimento, amor e carinho. Maslow descreveu essas necessidades como menos básicas do que as necessidades fisiológicas e de segurança. Relacionamentos como amizades, apegos românticos e famílias ajudam a atender essa necessidade de companhia e aceitação, assim como o envolvimento em grupos sociais, comunitários ou religiosos. Necessidades de estima: Depois de satisfeitas as três primeiras necessidades, as necessidades de estima tornam-se cada vez mais importantes. Isso inclui a necessidade de coisas que reflitam sobre autoestima, valor pessoal, reconhecimento social e realização. Necessidades de autorrealização: Este é o nível mais alto da hierarquia de necessidades de Maslow. As pessoas autorrealizadoras são autoconscientes, preocupadas com o crescimento pessoal, menos preocupadas com as opiniões dos outros e interessadas em realizar seu potencial. Nível avançado de maturidade emocional Localizado no pico da hierarquia de Maslow (1987), ele descreveu essa necessidade de alto nível da seguinte maneira: O que um homem pode ser, ele deve ser. Essa necessidade podemos chamar de autorrealização, pois refere-se à tendência de ele se tornar realizado no que ele é potencialmente. Essa tendência pode ser expressa como o desejo de tornar-se cada vez mais o que somos, tornar-nos tudo o que somos capazes de se tornar. Embora a teoria seja geralmente retratada como uma hierarquia bastante rígida, Maslow (1987) observou que a ordem em que essas necessidades são atendidas nem sempre segue esse padrão de progressão. Por exemplo, ele observa que, para alguns indivíduos, a necessidade de autoestima é mais importante que a necessidade de amor. Para outros, a necessidade de a realização criativa pode substituir até as necessidades mais básicas. Além de descrever o que se entende por autorrealização em sua teoria, Maslow (1987) também identificou algumas das principais características das pessoas autorrealizadas: Aceitação e realismo: Pessoas autorrealizadas têm percepções realistas de si mesmos, dos outros e do mundo ao seu redor. Centralização de problemas: Indivíduos autorrealizados estão preocupados em resolver problemas fora de si mesmos, incluindo ajudar os outros e encontrar soluções para problemas no mundo externo. Essas pessoas são frequentemente motivadas por um senso de responsabilidade pessoal e ética. Espontaneidade: As pessoas autorrealizadas são espontâneas em seus pensamentos e comportamento externo. Enquanto elas podem estar em conformidade com as regras e sociais expectativas, elas também tendem a ser abertas e não convencionais. Autonomia e solidão: Outra característica das pessoas autorrealizadas é a necessidade de independência e privacidade. Esses indivíduos precisam de tempo para se concentrar no desenvolvimento de seu próprio potencial individual. Continuidade da apreciação: Pessoas autorrealizadas tendem a ver o mundo com um sentimento contínuo de apreciação e admiração. Até experiências simples continuam sendo uma fonte de inspiração e prazer. Experiências de pico: Indivíduos que são autorrealizados geralmente têm o que Maslow denominou de experiências de pico ou momentos de intensa alegria, admiração e êxtase. Após essas experiências, as pessoas se sentem inspiradas, fortalecidas, renovadas ou transformadas. Maslow acreditava que a única razão pela qual as pessoas não se moveriam bem na direção da autorrealização é por causa de obstáculos colocados em seu caminho pela sociedade. Ele afirmava que a educação é um desses obstáculos e recomendava algumas maneiras pelas quais a educação poderia mudar suas táticas habituais para auxiliar no crescimento das pessoas. Aqui estão listados os dez pontos que educadores devem abordar, segundo Maslow (1987): Ensinar as pessoas a serem autênticas, conscientes de si mesmas e a ouvir suas vozes de sentimento interior. Ensinar as pessoas a transcender seu condicionamento cultural e tornar-se cidadãos e cidadãs comprometidas com as mudanças sociais. Ajudar as pessoas a descobrir sua vocação na vida, seu chamado, seu destino. Isso é especialmente focado em encontrar a carreira certa e o parceiro certo. Ensinar as pessoas que a vida é preciosa, que há alegria a ser experimentada na vida e se as pessoas estão abertas a ver o bem e a alegria em todos os tipos de situações, vale a pena viver a vida. Aceitar a pessoa como ela é e ajudá-la a aprender sobre suas características interior. A partir do conhecimento real de aptidões e limitações, podemos saber o que construir e que potenciais realmente existem. Ver que as necessidades básicas das pessoas são satisfeitas. Isso inclui segurança, pertencimento e necessidades de estima. Refrescar a consciência, ensinando a pessoa a apreciar a beleza e outras coisas boas da natureza e da vida. Ensinar às pessoas que os controles são bons e o abandono completo é ruim. Levar ao autocontrole para melhorar a qualidade de vida em todas as áreas. Ensinar as pessoas a transcender os problemas insignificantes e a lidar com os graves problemas na vida. Isso inclui os problemas de injustiça, dor, sofrimento e morte. Ensinar as pessoas a fazer boas escolhas. Elas devem ter prática em fazer boas escolhas.