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PSI DA POERSONALIDADE unidade 2 
Elementos da personalidade 
Sabe-se que desde o nascimento todos os seres humanos passam por etapas do 
desenvolvimento que influenciam de forma direta a construção da personalidade. Para a sua 
formação, temos elementos genéticos herdados (denominado temperamento), temos 
elementos ambientais/contextuais que influenciam de modo direito. Para explicar o conceito 
de personalidade, é necessária a junção de várias ciências, como filosofia, psicologia, 
sociologia, antropologia e medicina (VOLPI, 2004). Para compreender a personalidade, você 
precisa saber que não existe uma única explicação, além de aceitar que os diferentes 
modelos não excluem um ao outro, muitos são complementares. 
Breve história do conceito de personalidade 
 
A história da psicologia da personalidade remonta à Grécia Antiga. De fato, os filósofos desde 
o século IV tentam definir exatamente o que é que nos torna quem somos. Em 370 a.C., 
Hipócrates propôs dois pilares do temperamento: quente/frio e úmido/seco, resultando em 
quatro humores ou combinações dessas qualidades. A combinação quente e seca foi referida 
como bile amarela, fria e seca como bile preta, quente e úmido era sangue e frio e úmido 
era catarro. Embora grande parte do trabalho que surgisse dessa teoria dos Quatro Humores 
fosse de natureza medicinal, também se supunha que a personalidade de um paciente 
pudesse ser influenciada por desequilíbrios humorais. 
Essa maneira categórica de pensar sobre a personalidade permeava o pensamento antigo 
sobre o assunto. Platão propôs quatro agrupamentos (artístico, sensível, intuitivo, raciocínio) 
e Aristóteles hipotetizou quatro fatores (icônicos, ou seja, artísticos; písticos, ou seja, senso 
comum; noético, ou seja, intuição; e dianoético, ou seja, lógica) contribuíram para a ordem 
social da sociedade. 
Assim, pode-se definir a personalidade como a forma de se apresentar no mundo, com traços 
e características, adaptando-se ao logo do ciclo da vida, inclusive podendo mudar algumas 
características quando expostos a uma intervenção psicológica. 
Você já deve ter ouvido a palavra temperamento, inclusive utilizou para descrever o 
comportamento emocional de uma pessoa. O que talvez você desconheça é a origem desse 
termo, que advém do latim temperare e significa equilíbrio. Os primeiros filósofos a 
utilizarem tal termo foram Empédocles e Hipócrates para designar os humores e os 
classificados sanguíneo, fleumático, colérico e melancólico (PASQUALI, 2000). 
O que podemos aprender com a teoria do temperamento? 
 O temperamento é de origem genética. 
 As características são visíveis desde o nascimento e podem ser reconhecidas e 
readaptadas ao longo da vida. 
 Temperamento humano e animal aproximados. 
 O temperamento se relaciona a uma parte da vida das pessoas. 
 Apresenta diferentes classificações e se apresenta com estilos pessoais individuais. 
As limitações da teoria do temperamento implicaram o avanço sobre a compreensão da 
personalidade, particularmente na ampliação do conceito para além de uma perspectiva 
biológica. Assim, surgiu a teoria dos traços, que aponta como se designam as diferenças 
individuais entre as pessoas, indicando a estabilidade da vida e possibilitando a discussão da 
influência ambiental/grupo na constituição da personalidade (ROBERTS; MROCZEK, 2008). 
Considera-se como avanço na compreensão das terminologias para descrever a 
personalidade o caráter, que se caracteriza por atitudes habituais de uma pessoa e seu 
padrão de resposta diante de uma determinada situação. Como exemplo, temos a forma do 
comportamento (timidez, agressividade, honestidade) e as atitudes físicas (posturas, modo 
de movimentar o corpo). Por fim, o caráter é designado pelos atos comportamentais da 
pessoa na sociedade (REICH, 1995). 
Outros dois fatores influenciam na personalidade de uma pessoa, como podemos ver a 
seguir: 
 
Figura 2 - Descrição dos fatores básicos da personalidade 
Fonte: Elaborado pelo autor, 2020. 
A definição do conceito de personalidade não é algo fácil, tendo em vista a multiplicidade de 
teorias e pesquisa sobre a leitura da psicologia da personalidade. Contudo, a seguir 
estudaremos ferramentas para avaliação da personalidade que podem clarear o tema. 
 
Ferramentas para avaliação da personalidade 
A personalidade é constituída por aspectos genéticos, afetivos, cognitivos e motivacionais 
que podem ser compartilhados, porém cada pessoa vivencia isso de forma particular. 
Percebe-se que com o desenvolvimento das pessoas ocorre a maturação, tornando 
características consideradas inadequadas, possíveis de serem revertidas, e fortalecendo 
características que são positivas. 
Contudo, você deve estar percebendo que devido à complexidade do conceito, avaliar, 
compreender e estudar a personalidade pode se tornar impossível. Para facilitar, os 
profissionais de psicologia desenvolveram métodos e técnicas com foco na avaliação de 
diferentes aspectos da personalidade, para tornar minimamente visível essas características, 
possibilitando conhecimento e amadurecimento das pessoas. Em termos de maturidade 
psicológica, a Alliance (2006) considerou que alguns pontos devem ser desenvolvidos, como: 
 
Quadro 1 - Características de maturidade psicológica 
Após refletir sobre essas características da personalidade, você deve se perguntar como 
psicólogas(os) conseguem descrever a personalidade de uma pessoa com segurança e 
confiabilidade, respeitando os preceitos científicos. Essa resposta está nos métodos e nas 
técnicas reconhecidos e validados ao longo de pesquisa e prática profissional. A seguir 
conheceremos alguns. 
 
Figura 3 - Técnicas para avaliar a personalidade 
Fonte: Elaborado pelo autor, 2020. 
A entrevista no campo da psicologia é o recurso mais utilizado, porque seu principal objetivo 
é coletar o maior número de informações possíveis das pessoas que procuram pelo 
atendimento psicológico. Caracteriza-se como uma técnica muito simples, mas se não for 
bem executada, poderá não conseguir obter o êxito esperado. 
A literatura aponta que existem três tipos de entrevistas, que serão realizadas de acordo com 
os objetivos da coleta de dados e contam com a experiência do entrevistador. Temos então 
os seguintes tipos de entrevista, segundo Tavares (2007): 
 
ESTRUTURADA: Caracterizada por diretividade, com perguntas e respostas bem planejadas, 
com alto nível de rigor metodológico, é utilizada para avaliação psicológica e com recurso de 
pesquisas. O principal foco é coletar as informações seguindo um protocolo bem planejado. 
 
SEMIESTRUTURADA: Apresenta flexibilidade, porque apresenta um misto de perguntas 
abertas e fechadas, contendo qualitativa. O entrevistar é responsável por fazer fluir a 
entrevista, com possibilidade de liberdade nas respostas. 
 
LIVRE: Exige muita experiência do entrevistador, porque as perguntas são feitas de forma 
espontânea, criativa, sem roteiro pré-definido. O encontro entre entrevistador e 
entrevistado e a capacidade de aprofundar ou não as temáticas propostas vão definir a 
manutenção desse espírito livre ou a retomada da entrevista como preconizada pelos 
modelos anteriores. 
Ressalta-se que para uma melhor qualidade da coleta de dados utilizando a entrevista como 
padrão, é preciso realizar treinamentos, pois a arte de entrevistar é uma habilidade a ser 
desenvolvida, particularmente experimentando e avaliando os diferentes tipos de 
entrevistas, sem esquecer que cada pessoa vai responder a esse instrumento de modo único 
e de acordo com suas características de personalidade. A observação é inerente à condição 
humana, ou seja, somos seres observadores e utilizamos os resultados internos dessa prática 
para tomar decisão sobre o que fazer, para onde ir e como reagir. 
À medida que as situações mudam, a resposta comportamental se altera, constituindo-se 
como estratégia de aprofundamento para compreender a vida. A depender do tipo de 
observação do comportamento e do contexto,por exemplo clínico (para fins diagnóstico 
laboratorial ou pesquisa experimental) ou ambiente naturalístico (mundo real), podem ser 
de estruturadas de duas maneiras: sistemática ou assistemática (FERREIRA; MOUSQUER, 
2004). 
Observação sistemática: Caracteriza-se por planejamento e protocolos bem estruturados e 
controlados, pois devem apresentar rigoroso formato de registro e codificação, muito 
utilizada em pesquisa e em ambientes naturalísticos. Observação assistemática: Possibilita 
criatividade na estratégia, além de respeitar o advir das situações, sem estrutura rígida, o 
registro vai ganhando forma à medida que o processo ocorre. 
Testes psicológicos 
Na psicologia existe um campo denominado Avaliação Psicológica, que se caracteriza 
prioritariamente pelo uso de testes psicológicos. Todos já passaram por alguma avaliação em 
algum momento da vida. No Brasil, o uso dos testes psicológicos é regulado pelo Sistema de 
Avaliação dos Testes Psicológicos (Satepsi), órgão ligado ao Conselho Federal de Psicologia 
(CFP), desde 2015 existem 16 testes psicológicos para avaliação da personalidade. Veremos 
a seguir alguns dos mais utilizados para esse tipo de avaliação. 
Inventário Fatorial de Personalidade (IFP-II): É baseado na teoria das motivações de Murray 
e oferece uma estimativa de 13 necessidades psicológicas básicas: assistência, intracepção, 
afago, autonomia, deferência, afiliação, dominância, desempenho, exibição, agressão, 
ordem, persistência e mudança. O IFP-II também oferece informações sobre três outros 
fatores de ordem superior: necessidades afetivas, necessidades de organização e 
necessidades de controle e oposição (LEME et al., 2013). 
Escala de Personalidade de Comrey (CPS): É um teste baseado na teoria dos traços e fatores. 
Por meio desse teste, o psicólogo tem uma estimativa de oito traços da personalidade: 
confiança versus atitude defensiva, ordem versus falta de compulsão, conformidade social 
versus rebeldia, atividade versus falta de energia, estabilidade versus instabilidade 
emocional, extroversão versus introversão, masculinidade versus feminilidade e empatia 
(altruísmo) versus egocentrismo. A CPS oferece também duas medidas de validade das 
respostas do examinando: Escala de Validade e Escala de Tendenciosidade nas Respostas 
(COSTA, 2009). 
Inventário de Personalidade Neo Revisado (NEO-PI-R): A versão original consta de 240 
itens/afirmativas de autorresposta que devem ser pontuados em uma escala Likert de cinco 
pontos, a qual vai de “discordo totalmente” até “concordo totalmente”. Versões da NEO 
foram validadas para o português de Portugal e do Brasil (FLORES-MENDONZA, 2007). 
Técnicas projetivas e expressivas 
 
As técnicas projetivas, ao contrário dos testes objetivos, propõem uma avaliação 
mais compreensiva da personalidade, apresentando material desestruturado, com foco na 
significação dos avaliandos diante da prova, além de as respostas poderem possuir múltiplos 
significados, sendo necessário treinamento e experiência clínica do avaliador para uma 
confiança nos resultados, para futura tomada de decisão. No SATEPSI estão disponíveis 11 
técnicas projetivas para avaliação dinâmica/compreensiva da personalidade. A seguir 
conheceremos algumas: 
Pirâmides Coloridas de Pfister: O indivíduo deve selecionar as cores de sua preferência e 
organizá-las em uma estrutura de pirâmide. O modo de colocação, a forma de execução, o 
aspecto formal das pirâmides e a quantidade de cores utilizadas, entre outras variáveis, são 
codificadas e quantificadas de modo a oferecer um entendimento da dinâmica emocional do 
examinando (VILLEMOR-AMARAL, 2014). 
Teste de Apercepção Temática Infantil – CAT-A: Esta técnica é constituída por 10 cartões 
preto e branco com figuras de animais que remetem a diferentes contextos da vida familiar. 
As crianças são convidadas a contar histórias sobre os cartões, como as ações dos animais, e 
a imaginar o que poderia estar acontecendo naquela situação. O objetivo do teste é 
descrever de modo dinâmico as características das crianças em relação ao desenvolvimento 
psicossexual, mecanismo de defesa e relacionamento com as figurais parentais e familiares 
(BELLAK; ABRAMS, 2010). 
Teste de Apercepção Temática Adulto – TAT: Este instrumento é composto por 31 pranchas, 
divididas em estímulos para homens e mulheres. A tarefa principal é contar história sobre as 
imagens, de forma livre, sem receio. O teste é aplicado a partir dos 12 /13 anos. A correção 
proporciona ao avaliador a compreensão dos principais conflitos de personalidade, 
mecanismos de defesas e características mais profundas da personalidade, indicando ou não 
a necessidade de psicoterapia (MURRAY, 2005). 
Rorschach: O teste de Rorschach é constituído por 10 pranchas com borrões de tinta, sendo 
cinco acromáticas (preto, branco e cinza) e cinco coloridas, sendo duas em preto e vermelho 
e três em cores pastel. Seu objetivo é avaliar a forma como os avaliandos irão estruturar a 
resposta em relação ao cartão, indicando elementos constitutivos (estáveis da 
personalidade). É considerado um dos testes de personalidade mais completo do mundo, por 
seu rigor metodológico e sua confiabilidade nos resultados, porque sua correção tem dupla 
possibilidade: oferecer um quadro mais estatístico da personalidade e, em seguida, uma 
compreensão mais qualitativa, portanto, dinâmica dessa personalidade (PASIAN, 2010). 
Traço como elemento para personalidade 
Histórico do desenvolvimento da teoria dos traços 
 
Os traços de personalidade são objeto de estudo da psicologia desde a Grécia Antiga, e vários 
pesquisadores apresentaram uma infinidade de traços de personalidade. Porém, com a 
inclusão da análise fatorial (modelos matemáticos) em conjunto com as teorias psicológicas, 
na década de 80, foi possível definir a existência de cinco dimensões dominantes na 
personalidade, quais sejam: extroversão, amabilidade, conscienciosidade, neuroticismo e 
abertura à experiência. Esse agrupamento de traços foi chamado de cinco grandes fatores de 
personalidade, em inglês: a teoria do Big Five. 
Historicamente, o estudo da teoria dos traços teve início com Allport e Odbert na década de 
1930, complementado por Cattell na década de 1940 e por Christal e Norman na década de 
1960, finalizando no início da década 1980 a teoria como conhecemos atualmente. Essa 
ampla pesquisa resultou em um sistema de classificação de traços, como modelo alternativo 
e baseado em evidências para a psicologia da personalidade. Como apontam McCrae e Costa 
(1997), as primeiras duas dimensões encontradas foram o neuroticismo e a extroversão. 
Após essa descoberta, veio o traço de abertura à experiência e somente com a criação do 
Inventário dos Cinco Fatores da Personalidade o NEO-PI começou o uso dos grandes cinco 
fatores: 
 
Quadro 2 - Descrição dos cinco grandes fatores da personalidade 
Dimensões dos cinco grandes fatores 
A teoria dos traços fornece uma taxonomia parcimoniosa, porém abrangente, de 
personalidade. Cada dimensão da personalidade descreve um amplo domínio do 
funcionamento psicológico composto de um conjunto de características mais específicas e 
estreitas. Essa teoria reúne mais de 40 anos de pesquisa sobre o estilo emocional, 
interpessoal, experiencial, atitudinal e motivacional de um indivíduo. O trabalho de Costa e 
McCrae (1992) forneceu o que talvez seja a operacionalização mais desenvolvida. Os insights 
fornecidos por esse trabalho fornecem a base para o desenvolvimento a seguir. 
Neuroticismo: O neuroticismo representa diferenças individuais no ajuste e na estabilidade 
emocional. Indivíduos com alto nível de neuroticismo tendem a experimentar uma série de 
emoções negativas, incluindo ansiedade, hostilidade, depressão, autoconsciência, 
impulsividade e vulnerabilidade. As pessoas com uma pontuação baixa em neuroticismo 
podem ser caracterizadas como autoconfiantes, calmas e até relaxadas. 
Extroversão: A extroversão descreve até que ponto as pessoassão assertivas, dominantes, 
enérgicas, ativas, comunicativas e entusiasmadas. As pessoas com pontuação alta em 
extroversão tendem a se tornar alegres, como pessoas e grandes grupos, e buscam excitação 
e estímulo. Pessoas com baixa pontuação em extroversão preferem passar mais tempo 
sozinhas e são caracterizadas como reservadas, silenciosas e independentes. 
Abertura à experiência: É uma dimensão da personalidade que caracteriza alguém que é 
intelectualmente curioso e tende a conhecer novas experiências e explorar novas ideias. 
Alguém que está aberto à abertura pode ser descrito como criativo, inovador, imaginativo, 
reflexivo e não tradicional. Alguém com pouca abertura pode ser caracterizado como 
convencional, estreito em interesses e não analítico. A abertura está positivamente 
correlacionada com a inteligência, especialmente em aspectos relacionados à criatividade. 
Amabilidade: Avalia a orientação interpessoal. Indivíduos com muita simpatia podem ser 
caracterizados como confiantes, doadores, atenciosos, altruístas e ingênuos. O ponto alto da 
concordância representa alguém que tem valores cooperativos e preferência por 
relacionamentos interpessoais positivos. Alguém no final da dimensão pode ser 
caracterizado como manipulador, egocêntrico, desconfiado e cruel. Embora a concordância 
possa levar a pessoa a ser digna de confiança e possa ajudar a formar relacionamentos 
positivos e cooperativos de trabalho, altos níveis de concordância podem inibir a disposição 
de alguém para conduzir barganhas, cuidar do próprio interesse e influenciar ou manipular 
os outros, sua própria vantagem. 
Conscienciosidade: Indica o grau de organização, persistência, trabalho árduo e motivação 
de um indivíduo na busca do cumprimento da meta. Alguns pesquisadores viram esse 
construto como um indicador de vontade ou capacidade de trabalhar duro. Indica 
personalidade mais consistente do desempenho no trabalho em todos os tipos de trabalho 
e ocupações. Muitos estudiosos consideram a conscienciosidade uma ampla dimensão da 
personalidade, composta de duas facetas principais: motivação e confiabilidade na 
realização. 
Elementos cognitivos da personalidade 
Teoria social cognitiva 
 
Bandura propõe que a personalidade é permeada pela aprendizagem, particularmente pelo 
conceito de plasticidade, ou seja, a capacidade que o ser humano tem de flexibilizar suas 
respostas comportamentais, cognitivas e emocionais de acordo com o contexto social, 
possibilitando inúmeras respostas, sem previsibilidade. Você deve notar que podemos 
aprender observando outras pessoas, isso se denomina aprendizagem por modelagem. Essa 
capacidade possibilita amadurecimento emocional e cognitivo, porque ao observar outros, 
os erros nas experiências são diminuídos, além de melhorar respostas comportamentais, 
ambientais e pessoais na vivência no mundo real. 
Dessa forma, todas as pessoas podem regular suas vidas a partir do momento que você 
aprende e reflete a partir das experiências observadas. Sem isso, estaríamos apenas reagindo 
aos estímulos. Aqui temos a implicação cognitiva, ao permitir que esse tipo de aprendizagem 
antecipe resultados de experiências, da criação de novas ideais ou usar padrões para lidar 
com o futuro (FEIST; TOMI-ANN, 2015). 
Um conceito importante da teoria social cognitiva é a autoeficácia, que se caracteriza pela 
capacidade de efetivar comportamentos adequados, com confiança em determinada 
situação, implicando o aumento do desempenho e melhorando a performance 
comportamental. Os comportamentos humanos são regulados por dois fatores: 
Fatores internos, como capacidade de perceber a si mesmo, autojulgamento e mapeamento 
de sua autorreação. Fatores externos, os contextos físico e social. 
Aprender por modelagem significa utilizar processos cognitivos sofisticados para generalizar 
comportamento a partir do comportamento observado. Mas como se dá o aprendizado por 
modelo? Você já deve ter tido bons e maus modelos durante sua vida. Se você fizer uma 
avaliação pormenorizada dos seus comportamentos, notará que alguns deles foram 
aprendidos com outras pessoas, inclusive reações emocionais. 
Para isso, o modelo de aprendizado precisa de alta performance, ou seja, alguém com alta 
competência e habilidades será utilizado como princípio de modelo ao invés do contrário. 
Outra característica é que só é possível haver modelagem com pessoas que estão iniciando 
o treino de habilidade, por exemplo, crianças aprendem com pessoas mais velhas. Em 
seguida, quanto maior o valor dado a determinado comportamento, maior probabilidade de 
modelagem terá possibilidade de reforço (BANDURA, 1986). 
 
Quadro 3 - Componentes da modelagem da TSC 
Autoeficácia e personalidade 
 
Bandura (2001, p. 10) definiu autoeficácia como “crenças das pessoas em sua capacidade de 
exercer alguma medida de controle sobre o próprio funcionamento e sobre eventos 
ambientais”. A eficácia se caracteriza com a confiança das pessoas sobre a capacidade de 
realizar alguns comportamentos, enquanto expectativa de resultados refere-se à 
expectativa do que as pessoas fazem sobre as possíveis consequências de tal ação 
comportamental. 
Você não deve considerar autoestima ou autoconfiança como sinônimos de autoeficácia, 
porque está relacionada competências, habilidades e avaliação real sobre a forma como 
produz comportamento, favorecendo treino e melhora futura. O que implica é que em uma 
elevada autoeficácia o sujeito se sente responsivo e com garantia de sucesso, e quando 
a autoeficácia é baixa a pessoa se sente deprimida ao perceber que não é tão eficiente em 
suas tarefas quanto outras pessoas. Vamos ver agora quais componentes contribuem para 
melhorar a autoeficácia. 
 
Quadro 4 - Componentes da autoeficácia 
 
Elementos motivacionais da personalidade 
Quando pesquisamos sobre a motivação, descobrimos que ela é intrínseca, ou seja, é uma 
força de movimento do interno para o externo. E sua melhor explicação tende a ir na busca 
por compreensão holística do ser humano, na perspectiva de uma compreensão completa, 
ao invés de partir em pequenos pedaços e dissecar. 
O grande representante dessa teoria foi Abraham Maslow que defendia a tese da motivação 
das pessoas que buscam a satisfação de uma necessidade em seguida de outra até finalizar 
todas as buscas e chegar num estado de autorrealização pessoal, que significa mais 
disposição para crescimento e maturidade emocional (MCLEOD, 2007). 
Motivação e personalidade 
 
Segundo Maslow e Lewis (1987), as necessidades humanas podem ser apresentadas como 
uma hierarquia de cinco grupos de necessidades, a saber: fisiológicas, de segurança, de amor 
e pertença, de estima e de autoatualização. As quatro primeiras necessidades são referidas 
como necessidades de déficit ou deficiência (necessidades D) e a necessidade de 
autorrealização é referida como necessidades de crescimento ou de necessidade 
(necessidades B). 
Quando uma necessidade de ordem inferior é atendida em certa medida, surge a 
necessidade adjacente na hierarquia. A deficiência, portanto, motiva o comportamento. Por 
outro lado, o envolvimento com as necessidades de crescimento alimenta o desejo de se 
tornar um indivíduo mais autorrealizado. A satisfação adequada de uma necessidade resulta 
no surgimento de uma necessidade de ordem superior, culminando na busca pela 
autorrealização. De maneira inversa, as necessidades de ordem superior não surgem quando 
as necessidades básicas de um indivíduo não foram adequadamente satisfeitas. 
 
Figura 4 - Pirâmide de necessidades de Maslow 
Como você pode perceber, a hierarquia de necessidades de Maslow é mais frequentemente 
exibida no formato de pirâmide. Os níveis mais baixos da pirâmide são compostos das 
necessidades mais básicas, enquanto às necessidades mais complexas estão localizadas no 
topo da pirâmide. As necessidades na parte inferior da pirâmide são requisitos físicos básicos, 
incluindo a necessidade decomida, água, sono e calor. Uma vez que essas necessidades de 
nível inferior são atendidas, as pessoas podem passar para o próximo nível de necessidades, 
que é segurança e proteção. 
À medida que as pessoas progridem na pirâmide, as necessidades se tornam cada vez 
mais psicológicas e sociais. Logo, a necessidade de amor, amizade e intimidade se torna 
importante. Mais adiante na pirâmide, a necessidade de estima pessoal e sentimentos de 
realização têm prioridade. Maslow enfatizou a importância da autorrealização, que é um 
processo de crescimento e desenvolvimento como pessoa para atingir o potencial individual. 
Maslow acreditava que essas necessidades são semelhantes aos instintos e desempenham 
um papel importante na motivação do comportamento. Necessidades fisiológicas, de 
segurança, sociais e de estima são necessidades de deficiência, o que significa que elas 
surgem devido à privação. A satisfação dessas necessidades de nível inferior é importante 
para evitar sentimentos ou consequências desagradáveis. 
Ele denominou o nível mais alto da pirâmide como necessidades de crescimento (ou 
necessidades). As necessidades de crescimento não decorrem da falta de algo, mas do desejo 
de crescer como pessoa (CAO et al., 2013): 
Necessidades fisiológicas: Inclui as necessidades mais básicas, que são vitais para a 
sobrevivência, como a necessidade de água, ar, comida e sono. Maslow acreditava que essas 
necessidades são as mais básicas e instintivas da hierarquia, porque todas as necessidades 
se tornam secundárias até que essas necessidades fisiológicas sejam atendidas. 
Necessidades de segurança: Inclui necessidades de proteção. As necessidades de segurança 
são importantes para a sobrevivência, mas não são tão exigentes quanto as necessidades 
fisiológicas. Exemplos de necessidades de segurança incluem o desejo de emprego estável, 
assistência médica, bairros seguros e abrigo do meio ambiente. 
Necessidades sociais: Inclui necessidades de pertencimento, amor e carinho. Maslow 
descreveu essas necessidades como menos básicas do que as necessidades fisiológicas e de 
segurança. Relacionamentos como amizades, apegos românticos e famílias ajudam a atender 
essa necessidade de companhia e aceitação, assim como o envolvimento em grupos sociais, 
comunitários ou religiosos. 
Necessidades de estima: Depois de satisfeitas as três primeiras necessidades, as 
necessidades de estima tornam-se cada vez mais importantes. Isso inclui a necessidade de 
coisas que reflitam sobre autoestima, valor pessoal, reconhecimento social e realização. 
Necessidades de autorrealização: Este é o nível mais alto da hierarquia de necessidades de 
Maslow. As pessoas autorrealizadoras são autoconscientes, preocupadas com o crescimento 
pessoal, menos preocupadas com as opiniões dos outros e interessadas em realizar seu 
potencial. 
Nível avançado de maturidade emocional 
 
Localizado no pico da hierarquia de Maslow (1987), ele descreveu essa necessidade de alto 
nível da seguinte maneira: O que um homem pode ser, ele deve ser. Essa necessidade 
podemos chamar de autorrealização, pois refere-se à tendência de ele se tornar realizado no 
que ele é potencialmente. Essa tendência pode ser expressa como o desejo de tornar-se cada 
vez mais o que somos, tornar-nos tudo o que somos capazes de se tornar. 
Embora a teoria seja geralmente retratada como uma hierarquia bastante rígida, Maslow 
(1987) observou que a ordem em que essas necessidades são atendidas nem sempre segue 
esse padrão de progressão. Por exemplo, ele observa que, para alguns indivíduos, a 
necessidade de autoestima é mais importante que a necessidade de amor. 
Para outros, a necessidade de a realização criativa pode substituir até as necessidades mais 
básicas. Além de descrever o que se entende por autorrealização em sua teoria, Maslow 
(1987) também identificou algumas das principais características das pessoas 
autorrealizadas: 
Aceitação e realismo: Pessoas autorrealizadas têm percepções realistas de si mesmos, dos 
outros e do mundo ao seu redor. 
 
Centralização de problemas: Indivíduos autorrealizados estão preocupados em resolver 
problemas fora de si mesmos, incluindo ajudar os outros e encontrar soluções para 
problemas no mundo externo. Essas pessoas são frequentemente motivadas por um senso 
de responsabilidade pessoal e ética. 
Espontaneidade: As pessoas autorrealizadas são espontâneas em seus pensamentos e 
comportamento externo. Enquanto elas podem estar em conformidade com as regras e 
sociais expectativas, elas também tendem a ser abertas e não convencionais. 
Autonomia e solidão: Outra característica das pessoas autorrealizadas é a necessidade de 
independência e privacidade. Esses indivíduos precisam de tempo para se concentrar no 
desenvolvimento de seu próprio potencial individual. 
Continuidade da apreciação: Pessoas autorrealizadas tendem a ver o mundo com um 
sentimento contínuo de apreciação e admiração. Até experiências simples continuam sendo 
uma fonte de inspiração e prazer. 
Experiências de pico: Indivíduos que são autorrealizados geralmente têm o que Maslow 
denominou de experiências de pico ou momentos de intensa alegria, admiração e êxtase. 
Após essas experiências, as pessoas se sentem inspiradas, fortalecidas, renovadas ou 
transformadas. 
Maslow acreditava que a única razão pela qual as pessoas não se moveriam bem na direção 
da autorrealização é por causa de obstáculos colocados em seu caminho pela sociedade. Ele 
afirmava que a educação é um desses obstáculos e recomendava algumas maneiras pelas 
quais a educação poderia mudar suas táticas habituais para auxiliar no crescimento das 
pessoas. Aqui estão listados os dez pontos que educadores devem abordar, segundo Maslow 
(1987): 
 Ensinar as pessoas a serem autênticas, conscientes de si mesmas e a ouvir suas vozes 
de sentimento interior. 
 Ensinar as pessoas a transcender seu condicionamento cultural e tornar-se cidadãos e 
cidadãs comprometidas com as mudanças sociais. 
 Ajudar as pessoas a descobrir sua vocação na vida, seu chamado, seu destino. Isso é 
especialmente focado em encontrar a carreira certa e o parceiro certo. 
 Ensinar as pessoas que a vida é preciosa, que há alegria a ser experimentada na vida e 
se as pessoas estão abertas a ver o bem e a alegria em todos os tipos de situações, vale 
a pena viver a vida. 
 Aceitar a pessoa como ela é e ajudá-la a aprender sobre suas características interior. A 
partir do conhecimento real de aptidões e limitações, podemos saber o que construir 
e que potenciais realmente existem. 
 Ver que as necessidades básicas das pessoas são satisfeitas. Isso inclui segurança, 
pertencimento e necessidades de estima. 
 Refrescar a consciência, ensinando a pessoa a apreciar a beleza e outras coisas boas 
da natureza e da vida. 
 Ensinar às pessoas que os controles são bons e o abandono completo é ruim. Levar ao 
autocontrole para melhorar a qualidade de vida em todas as áreas. 
 Ensinar as pessoas a transcender os problemas insignificantes e a lidar com os graves 
problemas na vida. Isso inclui os problemas de injustiça, dor, sofrimento e morte. 
 Ensinar as pessoas a fazer boas escolhas. Elas devem ter prática em fazer boas 
escolhas.

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