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Capítulo
16 MANUSEIO DAS VIAS AÉREAS
Robin A. Stackhouse e Andrew lnfosino
ANATOMIA E FISIOLOGIA DAS VIAS AÉREAS
SUPERIORES
Nariz e Boca
Faringe
Laringe
Traqueia
AVALIAÇÃO DAS VIAS AÉREAS
História e Exame Anatômico
Membrana Cricotireóidea e Cricotirotomia
TÉCNICAS DE MANUSEIO DE VIAS AÉREAS
Ventilação com Máscara Facial
lntubação Endotraqueal
LARINGOSCOPIA COM FIBRA ÓTICA FLEXfVEL
lntubação da Traqueia com Fibra Ótica Nasal
lntubação da Traqueia com Fibra Ótica Oral em
Paciente Acordado
lntubação da Traqueia com Fibra Ótica Oral/Nasal
em Paciente Dormindo
LARINGOSCÓPIOS DE FIBRA ÓTICA RfGIDA/
VIDEOLARINGOSCÓPIOS
Sistema WuScope®
Laringoscópio de Bullard®
UpsherScope®
GlideScope®
McGrath Scope®
Pentax-AWS®
Airtraq®
INTUBAÇÃO TRAQUEAL RETRÓGRADA
Técnica
INTUBAÇÃO NASOTRAQUEAL ÀS CEGAS
Técnica
DISPOSITIVOS DE VIAS AÉREAS SUPRAGLÓTICOS
Máscara Laríngea Clássica
204
ML Fastrach®
MLCTrach®
MLProSeal®
1-Gel®
Air-Q®
Combitube Esôfago-Traqueal
Tubo Laríngeo
Pharingeal Airway Xpress®
Glottic Aperture Seal Airway®
Cuffed Oropharyngeal Airway®
TÉCNICAS TRANSTRAQUEAIS
Cricotirotomia
Ventilação a )ato Transtraqueal
EXTUBAÇÃO TRAQUEAL
Técnica
Complicações
MANUSEIO DE VIAS AÉREAS EM E CRIANÇAS
Diferenças entre as Vias Aéreas de Crianças
e Adultos
Manuseando as Vias Aéreas Normai.s em Bebês
e Crianças
Medicação Pré-anestésica
Indução Anestésica
Laringoscopia Direta e lntubação Traqueal
Equipamentos de Vias Aéreas
Manuseando as Vias Aéreas Difíceis em Bebês
e Crianças
Extubação Traqueal em Bebês e Crianças
Extubação após lntubação Difícil
PERGUNTAS DO DIA
A competência no manuseio das vias é uma habili-dade crítica para uma administração segura da anestesia.
Manobras das vias aéreas difíceis ou falhas são a maior
causa de morbidade relacionada à anestesia (danos dentais,
aspiração pulmonar, trauma das vias aéreas, traqueostomia
inesperada, dano cerebral por anóxia, parada cardíopul-
monar) e morte. ' A incidência de ventilaçao com máscara
difícil, definida como a incapacidade de manter a saturação
de oxigênio (SpO) maior que goqiJ ou a incapacidade de
previnir ou reverter os sinais da ventilaçao Inadequada,
varia de 0,07% a 5%.u Jntubações traqueais/larlngoscopias
difíceis (com mais que três tentativas ou que levam mais
que lO minutos) ocorrem em I, 1% a 8,5% dos pacientes.'"'
Falha completa da intubação traqueal ocorre com incidência
de o. o 1 'lb a 0,03'lb . ._, ..
A competência nas manobras de vias aéreas requer ( 1) o
conhecimento da anatomia e da fisiologia das vias aéreas,
(2) a habilidade em se avaliar as características anatõmicas
das vias aéreas do paciente que estão co=lacionadas com as
dificuldades no gerenciamento das vias aéreas, (3) a habilidade
com os diversos aparatos de gerenciamento de vias aéreas e
(4) aplicação apropriada do algoritmo da American Society o f
Anestheslologists (ASA) para o gerenciamento de vias aéreas
difíceis (J1ig. 16-1).'
ANATOMIA E FISIOLOGIA DAS VIAS AÉREAS
SUPERIORES
Nariz e Boca
O ar é umidificado e aquecido à medida que passa arravés das
narinas durante a respiração nonnal. A resistência do fluxo de
ar arravés das vias aéreas é duas vezes maior que a do fluxo
que passa pela boca e contribtri para aproximadamente dois
terços da resistência total das vias aéreas. As divisões oftálmica
e maxilar do nervo trigêmeo (nervo craniano V) fornecem a
inervaçao da mucosa nasal, como os nervos etmoidal anterior,
nasopa latlno e esfenopalatino (Fig. 16-2).'
Os nervos pa latinos se ramificam do gânglio esfenopalatino
para lnervar o palato duro e mole. A divisão mandibular do
nervo trigêmeo fonna o nervo lingual, que fornece sensibilidade
aos dois terços anteriores da língua. O terço posterior da língua,
o palato mole e a orofarínge são inervados pelo nervo glos-
sofaríngeo (nervo craniano IX) (Fig. 16-3)."'
Faringe
cavidades nasal e oral são conectadas à laringe e ao esô-
fago pela faringe. A faringe é um tubo musculofacial que
pode ser dividido em nasofarínge, orofaringe e hipofaringe.
A nasofaringe é separada da orofarínge pelo palato mole. A
epiglote demarca o limite entre a oro faringe e a hipofaringe.
A inervaçao ocorre pelos nervos crania is IX (glossofaringeo) e
X (vago) (Figs. 16-4 e 16-5)." O nervo vago fornece sensibili-
dade à hlpofarínge pelos ramos internos dos nervos Jaríngeos
superiores (J1íg. 16-5).11
A das vias aéreas pode ser aumemada pelo tecido
linfoide proeminente na nasofaringe. A língua ê a causa predo-
minante de resistência na orofaringe. A obstrução causada pela
Capítulo 16 Manuseio das Vias Aéreas
língua é aumentada pelo relaxamento do músculo genioglosso
durante a anestesia.
Laringe
A laringe de um adulto se enconrra entre a terceira e a sexta
vértebra cervical." Ela contribui para a modulação dos sons e
separa a rraque.ia do esôfago durante a deglutição. Esse meca-
nismo protetor, quando exacerbado, torna -se o laríngoespasmo.
A laringe é composta de musculos, ligamentos e cartilagens
(tireóidea, cricóidea, aritenoide, comiculada e epiglótica). As
cordas vocais são forn1adas pelos ligamentos tireoaritenoides e
são a porção mais estreita das vias aéreas adultas. A dimensão
anteroposterior das cordas vocais é de aproximadamente 23 mm
em homens e de 17 mm em mulheres. As cordas vocais meden1
de 6 a 9 mm no plano rransversal, mas podem se expandir a
12 mm. Esses cálculos são para uma abertura glótica de 60
a 100 mm. O entendimento da inervação motora e sensorial das
estruturas Jaríngeas ê importante para a realização da anestesia
das vias aéreas superiores (rabela 16-1).
Traqueia
A traqueia começa na sexta vértebra cervical e se estende à
carina, a qual se sobrepõe a quinta vértebra torácica. Ela mede
10 a 15cm de comprimento e é sustentada por 16 a 20 carti -
lagens no forn1ato de ferradura de cavalo. A cartilagem mais
cefálica, a cricóidea, é a U.nica que tem a estrutura do anel
completa. Ela tem formato de anel, mais larga posteriormente
na sua dimensão cefalocaudal.
AVAUAÇÃO DAS VIAS AÉREAS
História e Exame Anatômico
A história das vias aéreas do paciente deve ser avaliada para
detenn inar se existem fatores médicos, cirúrgicos ou anesté-
sicos que têm implicações no manuseio das vias aéreas. Pa-
cientes que apresentaram problemas prévios no gerenciamento
das vias aéreas devem ser informados do problema, das razões
aparentes das dificuldades, de como a intubação traqueal foi
efetuada e das implicações de futuras anestesias. O registro
anestésico prévio deve conter a descrição das dificuldades
das vias aéreas, quais gerenciamentos de vias aéreas foram
feitos e se estes foram bem-sucedidos.' Pacientes com histó-
ria de dificuldades no manuseio das vias aéreas podem ser
registrados no Medic Alen system (sistema de alerta médico
americano), que permite acesso às informações pertinentes
24 horas por dia.
Estudos de variáveis anatõmicas e suas implicações em
gerenciamentos de vias aéreas difíceis têm demonstrado sen-
sibilidade, especificidade e valor preditivo positivo baixos
para qualquer teste único (Tabela 16-2);" todavia, a correla-
ção é melhor com uma combinação de Esses testes
são baseados no exame do espaço orofaringeo, mobilidade
do pescoço, espaço submandibular e complacência subman-
dibular. Vários estados de doenças congênitas e adquiridas
têm uma correlação com gerenciamento de vias aéreas dificeis
(Tabelas 16-3 e 16-4).
20S
111
Seção 111 PREPARAÇÃO PRt-OPERATÓRIA E GERENCIAMENTO INTRAOPERATÓRIO
I
ALGORITMO DAS VIAS AÉREAS DIFÍCEIS
1. Avalie a probabilidade e o impacto cl inico dos problemas básicos de manuseio.
A. Ventilação dilicil
8 . lntubação díficil
C. Paciente com dificuldade de cooperação ou consentimento
O. Traqueostomiadiflcil
2. Procure ativamente meios de fornecer oxigênio durante o processo de manuseio
de vias aéreas diliceis.
3. Considere os méritos relativos e a viabilidade dEI escolhas básicas dEI manuseio:
A I lntubação traqueal acordada I versus I de intubação após I · 1ncluçao da anestesia geral
8 I Técnica não invasiva para aboldagem versus I Técnica invasiva pa!S abordagem I · inicial da intubação traqueal IniCial da 1ntubaçao traqueal
C I Preservação da ventilação I Interrupção da ventilação I . versus .... _ .....
4. Desenvolva as estratégias primárias e alternativas
B TENTATIVAS OE INTU8AÇÃO
APÓS INOUÇÃO DE ANESTESIA GERAL
A INTU8AÇÃO EM PACIENTE ACORDADO
' l Abordagem das v ias aéreas Via aérea assegurad a por acesso invasivo• ' l por intubaçào não invasiva Tentativa de intubação
inicial
bem-sucedida •
Tentativa inicial de intubação
Oeste ponto
Sucesso· FALHA em diante, considere:
Cancelar caso
t
Considerar Acesso invasivo
viabilidade de vias aéreas
de outras opções (a) (b)'
+ +
1. Pedi r ajuda
2. Retornar
à ventilação
espontânea
3 . Despertar o paciente
I
Ventilação sob máscara facial adequada Ventilaç-ão sob máscara facial inadequada
+ Co nsiderar/te ntar
+
ML adequada' ML não adequada
Via não emergencial. T ou não viável
Ventilação inadequada, . Via
intubação malsucedida Inadequada, 1ntubaçao malsuced1da Q Se tanto a máscara Q J . Abordagens facial quanto a ventilação Chame por ajUda--------,
alternativas para I
in tubarão (c) por ML se tomarem . _ l _ . . inadequadas Ventllaçao nao 10vasava
- de emergência n i I
lntubação FALHA após J
bem-sucedida' múltiplas tentativas"] L Ventilação bem -sucedida"
J T l
Acesso invasivo Considerar a viabilidade Despertar
de vias aéreas (b)' de outras opções (a) o paciente (d)
I
FALHA L Pt;esso invasivo de vias aéreas
(b)'
' Confirmar a intubação traqueal ou colocação da ML com capnografia (exalação do C02l ·
Figura 16-1 Diretrizes de ge renciamento de uma via aé rea difícil. ML, máscara la ríngea . (De Caplan RA, Benumof JL, Berry FA, et aL Practice
guidelines for management of the difficult airway. Anesthesiology 2003;98:1 269-1277, utilizado com permissão.)
206
Figura 16-2 lnervação da cavidade nasal. O diagrama da parede
lateral da cavidade nasal ilustra o suprimento nervoso sensorial.
O nervo etmoidal anterior. um ramo da divisão oftálmica do nervo
trigêmeo, inerva o terço anterior do septo e a parede lateral (A).
A divisão maxilar do nervo trigêmeo via gânglio esfenopalatino
inerva os dois terços posteriores do septo e a parede lateral (8). (De
Ovassapian A. Fiberoptic Endoscopy in Anesthesia and Criticai Care.
Nova lork, Raven Press, 1990, pp 57-59, utilizado com permissão.)
)
Ramo laríngeo interno
do nervo larfngeo
superior
Nervo glossofa ríngeo
--l---Nervo lingual
e chorda tympani'
' Nota da Revisão Cientmca: Cllol'd<l tympani é um ramo do nervo faCial,
que atravessa a cavidade do ouvido médio e a fossa infratemporal.
supre fibras autonOmlcas para as glandulas subllnguaiS
e submandibulares, e librds sensoriais pá ra a par1e anle rior da língua.
Figura 16-3 lnervação sensorial da língua. (De Stackhouse RA.
Fiberoptic airway management. Anesthesiol Clin North Am 2002;
20:933-951.)
Capítulo 16 Manuseio das Vias Aéreas
;?
IX I (/· _,.,..- =-
(/
Figura 16 -4 Distribuição sensorial do nervo glossofaríngeo. (De Patil
VU, Stehling LC, Zauder H L. Fiberoptic Endoscopy in Anesthesia. St
Louis, CV Mosby, 1983.)
Figura 16-5 Distribuição sensorial do nervo vago. (De Patil VU,
Stehling LC, Zauder H L. Fiberoptic Endoscopy in Anesthesia. St. Louis,
CV Mosby, 1983.)
207
111
Seção 111 PREPARAÇÃO PRt-OPERATÓRIA E GERENCIAMENTO INTRAOPERATÓRIO
Tabela 16-1 lnervação Motora e Sensorial da Laringe
Nervo Sensorial Motora
Epiglote Nenhuma Laringeo superior,
d ivisão interna Base da língua
Mucosa
supragl6tica
Articulação
tireoepigl6tica
Articulação
cricotir6idea
Laringeo superior,
divisão externa
Mucosa supragl6tica
anterior
M. cricotireoideo
Laringeo recorrente Mucosa
supragl6tica
Fusos musculares
M. tireoaritenoide
M. cricoaritenoide
lateral
M. interaritenoide
M. cricoaritenoide
posterior
Tabela 16-2 Componentes do Exame Físico Pré-operatório
das Vias Aéreas
Componentes do Exame
das Vias A.!reas
Comprimento dos incisivos
superiores
Relação dos incisivos
maxilares e mandibulares
durante o fechamento
normal das maxilas
Relação dos incisivos
maxilares e mandibulares
durante a protusão
voluntária da mandlbula
Distância interindsivos
Visibilidade da úvula
Formato do palato
Complacência do espaço
mandibular
Distância tireomental
Comprimento do pesçoco
Espessura do pescoço
Extensão do movimento do
pescoço e da cabeça
208
Achados não Reconfortantes
Relativamente longo
Mordedura proeminente
(incisivos maxilares anteriores
em relação aos incisivos
mandibulares)
O paciente não consegue trazer
os incisivos mandibulares
anteriores para (em frente aos) os
incisivos maxilares
Menor que 3 em
Não visfvel quando a língua
está protuzida com o paciente
na posição sentada (classe de
Mallampati maior que 11)
Muito arqueado ou muito
estreito
Firme, endurecido, ocupado por
massa, ou não complacente
Menor que a largura de três
dedos
Curto
Grosso
O paciente não consegue tocar
a ponta do queixo com o tórax
ou não consegue estender o
pescoço
Tabela 16-3 Síndromes Congênitas Associadas a lntubações
Endotraqueais Difíceis
Sfndrome
Trissomia do 21
Goldenhar (anomalias
oculoauriculovertebrais)
Klippei-Feil
Pierre Robin
Treacher-Collins (disostose
mandibular)
Turner
ESPAÇO OROFARÍNGEO
Descrição
LJngua grande e boca pequena
dificultam a laringoscopia
Diâmetro subgl6tico pequeno
possfvel
Laringoespasmo é comum
Hipoplasia mandibular e
espinha cervical anormal
dificultam a laringoscopia
Rigidez de pescoço causada
pela fusão vertebral cervical
Boca pequena, língua grande
e anomalias mandibulares
laringoscopia é diffcil
Probabilidade alta de
intubação traqueal diffcil
Mallampati propôs um sistema de classificação (escore de
Mallampati) para correlacionar o espaço orofaríngeo com a
facilidade da laringoscopia direta e intubação traqueal." Com
o obsetvador no nível dos olhos, o paciente mantém a cabeça
na posição neutra, abre a boca ao máximo e projeta a língua
sem emitir fonação. vias aéreas são classificadas de acordo
com a visibilidade das estruturas (Fig. 16-6)."
Classe 1: O palato mole, a passagem da boca para a faringe
(fau.ces}, a úvula e os pilares amigdalianos são visíveis.
Classe IJ: O palato mole, a passagem da boca para a faringe
e a úvula são visíveis.
Classe m: O palato mole e a base da úvula são visíveis.
Classe IV: O palato mole não é visível.
Existe uma correlação entre o escore de Malla.mpati, o que
pode ser visto por laringoscopia direta e a facilidade na in-
tuba.ção. A visão la.ringoscópica é classificada de acordo com
o escore de Cormack e Lehane (Fig. 16-7).'._,.,
Grau I: A maior parte da glote é visível.
Grau 1J: Apenas a porção posterior da glote é visível.
Grau ill: A epiglote, mas nenhuma porção da glote, pode ser
visualizada.
Grau IV: Nenhuma estrutura das vias aéreas pode ser visua-
lizada.
Em conjunção com a classificaçã.o de Mallampati, o espaço
interincisivo, o t amanho e a posição dos dentes maxilares e
mandibulares e a conformação do palato são parâmetros que
devem ser avaliados.• Uma distância entre os dentes incisivos
menor que 3 a 4,5cm se correlaciona com uma dificuldade em
se conseguir uma linha de visão na laringoscopia direta:'·" ·•• A
proeminência maxilar ou o retrognatismo da mandíbulatam-
bém se correlaciona com uma visão pobre na laringoscopia.
Capítulo 16 Manuseio das Vias Aéreas
Tabela 16-4 Estados Patológicos que Influenciam no Manejo de Vias Aéreas
Estados Patológicos
Epigtotites (infecciosas)
Abcessos (submandibulares,
retrofaríngeos, angina de Ludwig)
Crupe, bronquite, pneumonia
Papilomatose
Tétano
Corpo estranho traumático
Lesão espinhal cervical
Fratura na base do crânio
Lesão maxilar ou mandibular
Fratura laríngea
Edema de laringe (após intubação)
Lesão no tecido mole do pescoço
(edema, sangramento, enfisema
subcutâneo)
Tumores neoplásicos de vias aéreas
superiores (faringe e laringe)
Tumores de vias aéreas inferiores
(traqueia, brônquios, mediastino)
Radioterapia
Artrite reumatoide inflamatória
Espondilite anquilosante
Sfndrome da articulação
temporomandibular
Escleroderma
Sarcoidose
Angioedema
Acromegalia endócrina ou metabólica
Diabetes melito
Hipotireoidismo
Tireomegalia
Obesidade
Dificuldades
A laringoscopia pode piorar a obstrução
Disto rção das vias aéreas faz com que a ventilação por máscara facial ou por intubação traqueal
seja extremamente d iffci l
lrritabilidade das vias aéreas com à tosse, laringoespasmo, broncoespasmo
Obstrução das vias aéreas
Trismo torna a intubação traqueal impossível
Obstrução das vias aéreas
A manipulação do pescoço pode traumatisar a medula espinhal
Tentativas de intubação nasotraqueal podem resultar em posicionamento intracranial do tubo
Obstrução das vias aéreas, ventilação por máscara facial e intubação traqueal diffceis
Cricotirotomia pode ser necessária com lesões combinadas
Obstrução das vias aéreas pode piorar du rante a instrumentação
Tubo endotraqueal pode ser deslocado para fora da laringe e piorar o dano
Vias aéreas irritadas
Entrada laríngea estreitada
Distorção anatômica da via aérea superior
Obstrução das vias aéreas
Obstrução inspiratória na ventilação espontânea
Obstrução das vias aéreas pode não ser revertida pela intubação traqueal
Vias aéreas inferiores distorcidas
A fibrose pode distorcer as vias aéreas ou tornar a manipulação difíci l
Hipoplasia mand ibular, artrite na junta temporomandibular, vértebra cervical imóvel, rotação
laríngea e artrite cricoaritenoide podem tornar a intubação t raqueal difíci l
Fusão da espinha cervical pode tornar impossível a laringoscopia d ireta
Impedimento severo da abertura da boca
Pele esticada (rígida) e envolvimento da articulação temporomandibular tornam a abertura
da boca diffcil
Obstrução das vias aéreas (tecido linfoide)
Inchaço obstrutivo torna difíci l a ventilação e a intubação t raqueal
Língua grande
Supercrescimento ósseo
Podem apresentar mobilidade diminuída da articulação atlanto-occipital
Língua grande e tecido mole anormal (mixedema) tomam a ventilação e a intubação traqueal diffceis
Sócio pode produzir compressão ou desvios das vias aéreas extr(nsecas
Obstrução das vias aéreas superiores com perda de consciência
Massa tecidual to rna a ventilação por máscara facial difícil
Uma mordedura proeminente [incisivos superiores em posi-
ção anterior aos incisivos inferiores) também resulta em uma
redução no espaço interincisivo efetivo quando a cabeça e o
pescoço do paciente estão posicionados de maneira ideal para
a laringoscopia direta. A micrognatia limita o espaço faringeo
[posicionamento da língua mais posterior) e o espaço no qual
os tecidos moles serão deslocados durante a laringoscopia
d i reta. Isso faz com que as estruturas g lóticas fiquem mais
anteriores à linh a de visão durante a laringoscopia direta.
Diversas sindromes genéticas e estados de doenças adquiridas
lim itam o espaço faríngeo e são difíceis de avaliar durante o
exame físico.
209
111
Seção 111 PREPARAÇÃO PRt-OPERATÓRIA E GERENCIAMENTO INTRAOPERATÓRIO
Classe 1 aasse 11 Classe 111 Classe IV
Figura 16-6 Classificação de Mallampati. (De Samsoon GLT, Young )RB. Difficult tracheal intubation: A retrospective study. Anesthesia 1987;
42:487-490, utilizado com permissão.)
Grau I Grau 11 Grau 11 1 Grau IV
Figura 16-7 Quatro graus de visão laringoscópica. Grau I é a visualização da abertura laringea completa, grau 11 é a visualização apenas da porção
posterior da abertura laríngea, grau 11 1 é a visualização apenas da epiglote e grau IV é a visualização apenas do palato mole. (De Cormack RS,
Lehane j. Difficult tracheal intubation in obstetrics. Anaesthesia 1984;39:11 05-1111; e Williams KN, Carli F, Cormack RS. Unexpected, difficult
laringoscopy: A prospective survey in routine ge neral surgery. Br J Anaesth 1991 ;66:38-44, utilizado com permissão.)
A extensão da habilidade de um individuo de prognatar a
mandíbula é outro fator correlacionado com a visibilidade das
estruturas glóticas na laringoscopia direta. O sistema de clas-
sificação do teste da mordida do lábio superior (TMLS) se dá
da seguinte maneira:
Classe I: Incisivos inferiores conseguem morder acima da mar-
gem vermelha do lábio superior.
Classe TI: Os incisivos inferiores não conseguem atingir a mar-
gem vermelha.
Classe ID: Os incisivos inferiores não conseguem morder o
lábio superior. ' ·19
EXTENSÃO ATLANTO-OCCIPITAUMOBILIDADE DO PESCOÇO
A flexão do pescoço pela elevação da cabeça em aproxima-
damente IOcm alinha os eixos da laringe e da faringe. A ex-
tensão da cabeça na articulaçã.o atla.nto-occipital é importante
para o alinhamento dos eixos oral e faringeo para obter uma
linha de visão durante a laringoscopia direta (Fig. 16-8). Essas
manobras colocam a cabeça na posição de "olfação" (sniffing}
e trazem os três eixos a um alinhamento ideal. A extensão
atlanto-occipital é quantificada pelo ângulo transverso pela
210
superficie oclusa dos dentes maxilares quando a cabeça está
totalmente estendida da posição neutra. Uma limitação ma ior
que 30'\b da extensão da articulação atlanto-occipital a partir
de uma nom1al de 35 graus, ou menos de 80 graus de extensão{
flexão está associada a uma incidência aumentada de intubação
traqueal dificil. '9•20
DISTÂNCIA TIROMENTAL/ESTERNOMENTAL
Uma distância tiromental (do mento à cartilagem tireóidea)
menor que 6 a 7 em pode estar correlacionada a uma visão
laringoscópica pobre. Isto é observado tipicamente em pacientes
com a mandíbula retrocedente ou o pescoço pequeno. Isto cria
um ângulo ma.is agudo entre o eixo oral e o fa.ringeo, e limita
a capacidade de colocá-los em alinhamento. Esta distâ.ncia
muitas vezes é estimada em largura de dedos, sendo de aproxi-
madamente três dedos de largura. Se a distância estemomental
é usada, ela deve medir mais que 12,5 a 13,5cm
COMPLACÊNCIA SUBMANDIBULAR
O espaço submandibular é a área dentro da qual os tecidos
moles da faringe devem ser deslocados pa.ra se obter uma linha
Capítulo 16 Manuseio das Vias Aéreas
./
B
c
Figura 16-8 Diagrama esquemático mostrando o alinhamento do eixo oral (EO). do eixo faríngeo (EF) e do eixo laríngeo (El) em quatro posições
diferentes da cabeça. Cada posição da cabeça está acompanhada por uma inserção que amplia as vias aéreas superiores (a cavidade oral, a faringe
e a laringe) e sobrepõe, como uma linha pontilhada em negrito, a continuidade desses três eixos com as vias aéreas superiores. A. A cabeça na
posição neutra com um grau considerável de desalinhamento dos eixos EO, EF e E L. B. A cabeça descansando sobre um travesseiro que flexionao
pescoço no peito e o EL com o E F. C. A cabeça descansando sobre um travesseiro (que flexionao pescoço no peito) com extensão concomitante da
cabeça no pescoço, fazendo com que os três eixos sejam alinhados (posição de olfação - sniffing). D, Extensão da cabeça no pescoço sem elevação
concomitante da cabeça.
de visão durante a laringoscopia direta. Qualquer coisa que
limite o tamanho desse espaço ou a complacência do tecido irádiminuir a quantidade de deslocamento anterior que pode ser
alcançado. Angina de Ludwig, tumores, escaras pós-radiotera-
pia, queimaduras e cirurgias prévias de pescoço são condições
que podem diminuir a complacência subma.ndibular. '
HÁBITOS CORPORAIS
A obesidade tem sido associada a um aumento da incidência
de vias aêreas difíceis. O posicionamento apropriado, com um
apoio em forma de cunha nas costas do paciente, resulta em
uma posição de sniffi.ng mais idea l. Todavia, o problema da
capacidade residual funcional [CRF) diminuída, com subsequen-
te tempo diminuído de dessaturação da oxigenação arterial e
ventilação por máscara mais difícil secundária à complacência
reduzida ainda persiste. '·13
Membrana Cricotireóidea e Cricotirotomia
Quando as têcnicas rotineiras de manuseio de vias aéreas
falham, o ponto final do algoritmo da ASA para vias aéreas di-
fíceis diz que se deve manter o controle das vias aéreas
de acessos invasivos de emergência [Fig. 16-1).' Os dispositivos
que estão disponíveis para essas têcnicas de emergência são
elaborados para acessar as vias aêreas atravês da membra.na
cricotireóidea [cricotirotomia). A membrana cricotireóidea pode
ser identificada primeiramente localizando-se a cartilagem
tiróidea e então deslizando-se os dedos pelo pescoço ate a
membrana, que se encontra Jogo a baixo. Uma alternativa, em
pacientes que não possuem uma cartilagem tireóidea proe-
minente, é a identificação da cartilagem cricóidea através da
palpação do pescoço primeiramente na fürcula do esterno,
deslizando-se os dedos pelo pescoço, para cima, até se encon-
trar uma cartilagem que ê mais espessa e mais alta [cartilagem
cricóidea) que as demais mais abaixo.
TÉCNICAS DE MANUSEIO DE VIAS AÉREAS
Ventilação com Máscara Facial
Muita atençã.o tem sido dada aos aparatos utilizados para preve-
nir os problemas de intubação traqueal díficil. Erros em se posi-
cionar o tubo endotraqueal não são as causas reais dos eventos
adversos severos relacionados ao gerenciamento de vias aéreas
difíceis. O principal problema é a incapacidade de se oxigenar,
ventilar, prevenir a aspiração, ou a combinação desses fatores.
Identificar precocemente os pacientes com risco de ventilação
com máscara facial difícil, garantindo a capacidade de ventilar
os pulmões do paciente antes de se administrar anestésicos de
longa duração e fá.rmacos bloqueadores neuromusculares, e
211
111
Seção 111 PREPARAÇÃO PRt-OPERATÓRIA E GERENCIAMENTO INTRAOPERATÓRIO
desenvolver as habilidades de ventilação competente com más-
cara facial são críticos para a prática da anestesia.
PREDITORES DE UMA VENTILAÇÃO COM MÁSCARA FACIAL
DÍFICIL
Variáveis independentes associadas à ventilação com máscara
facial dificil são (I) idade maior que 55 anos, (2) índice de massa
corporal maior que 26 kg/m', (3) presença de barba, (4) falta
de dentes, (5) histórico de roncos, (6) repetidas tentativas de
laringoscopía, [7) Classe de Mallampati de I1J a N, (8) radiação
de (9) sexo masculino e (10) habilidade limitada de
projetar a mandíbula.""''·" Idade avançada, obesidade, múlti-
plas laringoscopias, classe de Mallampatí de I1J a N, radiação
de e ronco são indicadores de complacência reduzida
e resistência aumentada durante a ventilação com máscara
facial. Uma máscara facia l e cânulas de ventilação orais ou
nasais com tamanho apropriado podem ajudar a atenuar
fatores. A presença de barba ou a falta de dentes pode resultar
na incapacidade de desenvolver a pressão positiva adequada
para o circuito de anestesia respiratória. O cuidado de checar
se a dentadura do paciente está bem aderida, pem1ítindo que
os dentes permaneçam durante a indução anestésíca, pode ser
vantajoso. Alternativamente, uma cânula orofaríngea (Guedel)
pode muitas vezes fornecer estrutura suficente para que os
tecidos orais pemlitam a ventilação com máscara facial em
pacientes desdentados.
CARACTERÍSTICAS DA MÁSCARA FACIAL
Máscaras faciais estão disponíveis em tamanhos diversos. Más-
caras transparentes têm a vantagem de permitir a visualização
de vapores, da cor da pele e de sinais de regurgitação. A más-
cara facial deve recobrir a ponte nasa I com a borda superior
alinhada às pupilas. Os lados devem estar selados lateralmente
aos sulcos nasolabiais, e a parte inferior da máscara facial deve
posicionada entre o lábio inferior e o queixo. A maioria
das máscaras faciais vem com um aro ao redor do de
l 5 a 22 mm que se liga ao circuito de respiração do aparelho
de anestesia. Esse aro permite que uma presilha seja utilizada
para manter a máscara posicionada quando o paciente respira
ou para melhorar a selagem durante a venti-
lação com a máscara facial.
TÉCNICA
Previamente à indução anestêsica, a respiração de 100'\b de o,
pernlite uma duração prolongada da apneia sem dessaturação
(DASD) (duration of apnea without desaturarion. - DAWD,
em inglês). A ventilação minuto de oxigênio (\{M02) em um
adulto com peso corporal ideal é de aproximadamente 3 mL/
kg/min. DASD é uma função do VM0 2 e o reservatório de
oxigêncio é uma função da capacidade residual funciona l
(CRF), aproximadamente de 30 a 35 mL/kg. Diversas técnicas
de respiração de oxigênio no inicio da anestesia existem com
o objetivo de se conseguir um nível de oxigênio corrente final
acima de 90'\b. Três minutos de volume corrente respirando-se o, a 100'\b tem sido relatado como melhor do que quatro ins-
pirações profundas em 30 segundos. Oito profundas
em 60 segundos sâo equivalentes a respirar oxigênio a 100'\b
por 3 minutos. Um paciente que não é obeso e não apresenta
disfunções pulmonares pode manter a Sao, maior que 90'\b
212
por aproximadamente 8,5 minutos. A obesidade pode diminuir
severamente a DASD. A respiração de oxigênio a 10oq;, e uma
elevação da cabecei ra de 25 a 90 graus, assim como uma
pressão positiva continua das vias aêreas positive
airway pressure - CPAP) de 10 em seguida de ventilação em
modo pressão (pico de pressão em I 4 em, pico de pressão po-
sitiva de final de expiração de lO em) aumentam a DASD ( 45
a 50 segundos acima da linha de base de 2 a 2,5 minutos) em
pacientes obesos pela diminuição da atelectasia e melhora do
equilíbrio ventilação-perfusão.12-2'
A máscara facial deve ser mantida na face do paciente com
os dedos da mão esquerda do anestesista levantando a man-
díbula [queixo levantado e mandíbulas impulsionadas) para a
máscara facial. Pressão no tecido mole submandibular deve
ser evitada porque pode causar a obstrução das vias aéreas. O
polegar e o dedo indicador do anestesista devem apli-
car contrapressão na máscara. O da mandíbula,
a extensão da articulação atlanto-occipital, o queixo levantado
e o maxilar impulsionado combinam-se para aumentar o es-
paço faríngeo. Aplicações diferentes de pressão com dedos
individuais podem aumentar o selamento da máscara. A mão
direita do anestesista é usada para gerar positiva pela
compressão da bolsa reservatório do circuito respiratório do
aparelho de anestesia. A pressão de ventilação deve ser menor
que 20cm H,O para evitar a insuflação do estômago.
Em casos em que o fluxo de ar não pode ser mantido apenas
com uma mão na máscara facia l, uma técnica de máscara
facial com duas ou três mãos deve ser utilizada [Fig. l 6-9).
Se o assistente não for treinado em manuseio de vias aéreas,
o mesmo pode ajudar no esvaziamento da bolsa
enquanto o anestesista usa a mão direita para espelhar a posi-
ção da mão esqueda e melhorar o selamento da máscara facial.
Quando a segunda pessoa é treinada, o anestesista mantém a
posição padrão da mão e o assistente usa as duas mãos para
gerar um selamento ideal.
ADJUNTOS DE VIAS AÉREAS
Os adjuntos de vias aéreas devem ser utilizados se for difí-
cil gerar pressão posit iva suficiente para a ventilação ade-
quada com o circuito respi ratório de Cânulasoro
e nasofaríngeas são projetadas para cria r uma passagem de
ar pelo deslocamento da língua para a parede posterior da
faringe. O alinhamento da via aêrea com o perfil do paciente e
a aproximação do caminho anatômico que irá tomar pode ser
utilizado para estimar o tamanho apropriado. A ponta distai
da cânula deve estar no ângulo da mandíbula quando o final
proximal estiver anterior à boca [via aêrea oral) ou ao nariz (via
aérea nasal). Uma cânula orofaríngea pode gerar um reflexo
faríngeo ou causar laringoespasmo em um paciente acordado
ou levemente anestesiado. Cânulas nasofaríngeas são mais
toleradas em planos mais leves de Todavia, cânulas
nasofaríngeas são relativamente contraindicadas em pacientes
com distúrbios de coagulação e de plaquetas, e naqueles que
apresentam fraturas de base de crânio.
lntubação Endotraqueal
A intubação endotraqueal pode ser considerada em qualquer
paciente que receba anestesia geral (Tabela 16-5). A intubação
Capítulo 16 Manuseio das Vias Aéreas
Figura 16-9 Ventilação ideal com máscara facial. A. Duas pessoas contribuindo para a ventilação com máscara facial, quando a segunda pessoa
sabe como empurrar a mandíbula. B, Duas pessoas contribuindo para a ventilação, quando a segunda contribui apenas comprimindo a bolsa
rese rvatório de gases. (De Benumof ). Airway Management Principies and Practice. St. Louis, Mosby-Year Book, 1996, pp 143-156.)
Tabela 16-5 Indicações para lntubação Endot raqueal
• Fornecer uma via aérea patente
• Previnir inalação (aspiração) de conteúdos gástricos
• Necessidade de sucção frequente
• Facilita r a ventilação com pressão positiva dos pu lmões
• Posição operat6ria diferente da supinação
• Local de operação pn6ximo ou envolvendo via aérea superior
• Manutenção das vias aéreas com máscara facial diffcil
orotraqueal por laringoscopia direta em pacientes anestesiados
é rotineiramente escolhida, a não ser que por circunstâncias
especificas seja ditada uma abordagem diferente. Equipamentos
e fàrmacos utilizados para intubação traqueal incluem tubo
endotraqueal com tamanho apropriado, laringoscópio, cate-
ter de sucção funcional, fármacos de anestesia apropriados e
equipamentos pa.ra fornecer ventilação de pressão positiva nos
pulmões com oxigênio.
A elevação da cabeça do paciente de 8 a IOcm com almofada
embaixo do occipicio (com os ombros mantidos na mesa) e a
extensão da cabeça na articulação atlanto-occipital servem
para alinhar os eixos oral, laringeo e faríngeo, de maneira que
a passagem e a linha de visão dos lábios à abertura glótica
sejam mais próximos de uma linha reta. A altura da mesa de
operação deve ser ajustada de maneira que a face do paciente
esteja próxima ao nível da cartilagem xifoide do anestesista.
Se não aberta pela extensão da cabeça, a boca do paciente
deve ser manualmente aberta por contrapressão do polegar
direito nos dentes mandibula.res e dedo indicador direito nos
dentes maxilares. Simultaneamente com a inserção da lâmina
do laringoscópio, o lábio inferior do paciente deve ser deslocado
para baixo com o dedo indicador esquerdo do anestesista para
evitar agressão pela lâmina do laringoscópio.
PRESSÃO CRICÓIDEA
A pressão cricóidea (manobra de Sellick) pode ser apliacada por
um assistente exercendo pressão externa para baixo com o dedo
polegar e o indicador na cartilagem cricóidea para deslocar o
anel cartilaginoso cricóideo posteriormente e entã.o comprimir
o esôfago subjacente contra a vértebra cervical (Fig. 16- 10).
Conceitualmente, essa manobra deve previnir o derramamento
do conteúdo gástrico na faringe durante o período da indu-
ção a.nestésica (inconsciência) para colocação exitosa de um
tudo endotraqueal com balonete. A magnitude da pressão ex-
terna para baixo (30 newtons, aproximadamente 3 kg, é reco-
mendada) que precisa ser exercida na cartilagem cricóidea para
ocluir de maneira confiável o esôfago é dificil de ser julgada.
Além disso, a estimulação da faringe pela pressão externa na
cartilagem cricóidea pode provocar um reflexo de via aérea
superior caracterizado pela diminuição da pressão do esfincter
esofagiano, o que pode favorecer a passagem do conteúdo gás-
trico pa.ra o esôfago.'-' Por esta razão, a pressão cricóidea deve
ser aplicada provavelmente antes da indução anestésica nos
Figura A pressão cricóidea é fornecida através de um
assistente que exerce uma pressão para baixo com os dedos polegar
e indicador na cartilagem cricóidea (pressão aproximadamente
de 5 kg} de maneira que o anel cricotireóideo cartilaginoso seja
deslocado posteriormente e o esôfago seja comprimido (ocluído}
contra a vértebra cervical subjacente.
213
111
Seção 111 PREPARAÇÃO PRt-OPERATÓRIA E GERENCIAMENTO INTRAOPERATÓRIO
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Figura 16-1 1 Exemplos de lâminas laringoscópicas removíveis que
podem ser colocadas no mesmo cabo, incluindo a lâmina reta (A), a
lâmina reta com ponta distai curva (B) e a lâmina curva (C).
pacientes selecionados. Apesar de a aplicação da pressão cri -
cóidea ser frequentemente efetuada, a aspiração gástrica ainda
ocorre durante essa aplicação. A ef1cácia da pressão cricóidea
não está clara.'" Além disso, a pressão externa para baixo na
cartilagem cricóidea pode deslocar o esôfago lateralmente, em
de resultar em compressão do esôfago.,.,
USO DO LARINGOSCÓPIO
O laringoscópio consiste em um cabo que contém uma bateria à
qual lâminas com uma fonte luminosa (lâmpada ou fibra ótica)
podem ser acopladas e removidas alternadamente (Fig. 16-ll).
O la.ringoscópio é segurado pela mão esquerda do anestesista
perto da junção entre o cabo e a lâmina do laringoscópio. A
lâmina é então inserida no canto direito da boca do paciente
de maneira que os dentes insisivos são evitados e a lingua é
desviada para a esquerda, longe do lúmen da lâmina. Pressão
nos dentes ou gengivas deve ser evitada à medida que a lâmina
avança centralmente em direção à epiglote. O pulso do anes-
tesista é mantido rigido confom1e o laringoscópio é levantado no
eixo do cabo para provocar o deslocamento interno dos tecidos
moles e para trazer à vista as estruturas laringeas. O cabo não
deve ser girado à medida que é levantado para previnir que os
dentes superiores do paciente ou a gengiva sejam usados como
um fulcro e a lâmina do laringoscópio como uma alavanca.
lâmina Curva (Macintosh)
A ponta da lâmina curva é direcionada no espaço entre a base
da língua e a superfície faringea da epiglote (Fig. 16- 12A).
Movimentos da lâmina para frente e para cima, exercidos ao
longo do eixo do cabo do laringoscópio, forçam o ligamento
hioepiglótico, elevam a epiglote e expõem a abertura glótica.
lâmina Reta (Miller)
A ponta da lâmina reta é passada embaixo da superficie la-
ringea da epiglote (Fig. 16-12B). Movimentos da lâmina para
frente e para cima exercidos ao longo do eixo do cabo do
laringoscópio elevam diretamente a epiglote, expondo a aber-
tura glótica. Depressão ou movimento lateral da cartilagem
tireóidea do paciente externamente no pescoço (conhecida
como manipulação laringeal externa ideal [oprima./ exte:mal
laryngealma11ipulatiot4 OElM] ou pressão para trás, para cima
e para a direita [backtuard 11p·ward rightward pressure, BURP])
com a mão direita do laringoscopista pode facilitar a exposição
da abertura glótica.'
lâmina de Ponta Flexível (Heine, CLM)
Esta lâmina é similar à lâmina de Macintosh, mas tem uma
ponta articulada que é controlada por uma alavanca-engati-
lhada pelo polegar da mão esquerda do anestesista durante a
laringoscopia direta. O laringoscópio é inserido na valécula,
e então a alavanca é arrnada para aumentar a elevação do
ligamento hioepiglótico.
Figura 16-1 2 Diagrama esquemático demonstrando a posição apropriada da lâmina do laringoscópio para a exposição da abertura glótka.
A, O final distai da lâmina curva avança no espaçoentre a base da língua e a superfície faríngea da epiglote. B, O final distai da lâmina reta avança
embaixo da superfície laríngea da epigfote. Independentemente do desenho da lâmina, os movimentos para frente e para cima exercidos ao longo
do eixo do cabo do laringoscópio, como demonstrado pelas setas, serve para elevar a epiglote e expor a abertura gfótica.
214
Escolha da Lâmina do Laringoscópio
A escolha da lâmina do laringoscópio muitas vezes é baseada
na preferência pessoal. As vantagens citadas para a lâmina
curva incluem menores traumas para os dentes com maior es-
paço para passagem do tubo endotraqueal e menor ag-ressão
da epiglote porque a ponta da lâmina não eleva diretamente
essa estrutura. A vantagem citada para a lâmina reta é a me-
lhor exposição da abertura glótica. As lâminas Jaringoscópicas
são numeradas de acordo com seu comprimento. A lâmina
Macintosh 3 ou 4, ou a Miller 2 ou 3 são as lâminas padrão
para intubação de pacientes adultos.
TAMANHOS DE TUBOS ENDOTRAQUEAIS
Os tamanhos de tubos endotra.queais são especificados de acor-
do com o seu diâmetro interno (Dij, o qual é marcado em cada
tubo (Tabela 16-6). Os tubos traqueais est ão disponíveis em
acréscimemos de DI de 0,5 nun. O tubo endotraqueal também
tem marcações em centímetros de comprimento que começam
da extremidade traqueal distai para pennitir uma determinação
acurada do comprimento inserido até os lábios do paciente.
Os tubos traqueais são mais frequentemente feitos de plástico
transparente de cloreto de polivinila inerte que se molda ao
contorno da via aérea após se tomar mais amolecido com a
temperatura corporal do paciente. O material do tubo tra.queal
deve também ser radiopaco para garantir a posição da ponta
dista] relativa à carina e deve ser transparente para pem1itir a
visualização de secreções ou tluxo de ar como evidenciado por
condensação de vapores no Júmen do tubo ["neblina respirató-
ria") durante a exalação.
TÉCNICA
O tubo endotraqueal é segurado pela mão direita do anestesista
como um lápis e é introduzido na lateral direita da boca do
paciente com a curva natural direcionada anteriormente. Ele deve
avançar em direção à glote a partir do lado direito da boca já que
a inserção media] geralmente atrapalha a visualização da aber-
tura glótica. O tubo avança até que o final proximal do balonete
tenha passado em 1 a 2cm das cordas vocais, que deve acomodar
o final distai do tubo a meio caminho entre as cordas vocais e
Capítulo 16 Manuseio das Vias Aéreas
a carina. Neste ponto, a lânúna do laringoscópio é removida da
boca do paciente. O balonete do tubo endotraqueal é inflado
com ar para se criar um selo contra a mucosa da traqueia. Esta
vedação facilita a ventilação com pressão positiva dos pulmões
e dinúnui a probabilidade de aspiração dos conteúdos faringeos
ou gástricos. O uso do volume mínimo de ar em um balonete de
baixa pressão e alto volume que previne vazamentos durante
a ventilação de pressão positiva (20 a 30 em H, O) minimiza
a probabilidade de isquemia de mucosa resultante de pressão
prolongada na parede traqueal. Porém, todos os aspectos da
intubação tra.queal podem produzir algum tipo de dano laringo-
traqueal. Por exemplo, sabe-se que a desnudação ciliar ocorre
predominantemente nos anéis traqueais, subjacente ao local do
balonete após apenas 2 horas de intubação e com pressão
na parede traqueal abaixo de 25 mm Hg." Outras complicações
sérias atribuíveis às pressões do balonete endotraqueal incluem
a traqueal, a ruptura de traqueia, fistulas
fageanas, fístulas traqueocarotideas e fistula da traqueia para
a artéria inominada."' Após confinnaç.ão do posicionamento
correto (CO, de corrente final, ausculta bilateral dos sons de
respiração, palpação do balonete na chanfradrura supraestemal),
o tubo endotraqueal é fixado na posição com fita adesiva.
ESTILETES DE TUBOS ENDOTRAQUEAIS
Uma variedade de estiletes de tubos endotraqueais pode ser
usada em pacientes selecionados para facili tar a intubação
endotraqueal.
Gum Elastic Bougie
Um Gum Elastic Bougie é um de 15-french de 60 em de
comprimento, com uma curvatura de 40 graus, a aproximada-
mente 3,5 em da ponta distal. Esse estilete tem sido utilizado
com sucesso em com uma visão Jaringocópica pobre.
Ele passa abaixo da epiglote e dentro do canal de ventilação.
Um choque ou um clique característico é sentido em 90'\1> das
colocações tra.queais à medida que o bougie avança ao longo
das cartilagens traqueais, mas não é sentido nas colocações
esofageanas. O bougie irá tipicamente parar em 24 a 40 em
quando ele entra nos brônquios menores.'
Tabela 16-6 Tamanho do Tubo Endotraqueal, do Cateter de Sucção e do Estilete Baseado na Idade e no Peso
Idade (Anos) Peso(kg) DI do Tubo Endotraqueal (mm) Cateter de Sucção (French) Estilete (French)
Prematuro <1,5 2,5 6 6
Prematuro 1,5-2,5 3,0 6 6
Recém-nascido 3,5 3,5 8 6
10 4,0 8 6
2-3 15 4,5 10 6
4-6 20 5,0 10 10
7-9 30 5,5 12 10
10-12 40 6,0 14 10
13-15 50 6,5 14 14
>16 > 60 7,0 18 14
DI, diâmetro interno
215
111
Seção 111 PREPARAÇÃO PRt-OPERATÓRIA E GERENCIAMENTO INTRAOPERATÓRIO
Estilete Schroeder
O estilete Schroeder é um estilete articulado de plástico des-
cartável que permite que o ângulo do tubo endotraqueal seja
ajustado no ângulo correto enquanto a laringoscopia direta e
a intubação traqueal são feitas. Ele pode ser usado tanto para
intubação oral quanto nasal.
Estilete de lntubação de Frova
(Prova. lntubate
O Frova lntubating lntroducer® é um estilete de 65 em com uma
ponta angulada distai e um canal interno para acomodar um
estilete rigido ou pem1itir um jato de ventilação. Está disponível
em tamanhos adulto e pediátrico (Fig. l6- 13).'0
Estiletes Luminosos
Estiletes luminosos (rrachlight®) consistem em bastões maleáveis
com uma luz na ponta distai. O tubo endotraqueal é montado
sobre estilete, e uma curva no fom1ato de "bastão de hóquei"
é feita terço distai do tubo (rabela 16-7, Fig. 16-14).'0 O dis-
positivo devidamente montado avança na linha média da via
aérea até que um brilho bem circunscrito seja visto através
da superfície anterior do pescoço. À medida que o dispositivo
avança, a luz deve permanecer nítida ao longo do pescoço, até
que desapareça embaixo na chantradura do estemo. Um brilho
difuso indica que há mais tecido mole sendo transiluminado e
que o dispositivo está no esôfago, e não na traqueia.
Estiletes luminosos não requerem movimento da cabeça ou
do pescoço e podem ser usados em pacientes com abertura de
boca limitada. Esses dispositivos têm sido úteis em pacientes
com instabilidade de espinha cervical, espaço interincisivo
limitado, dentição pobre, mordedura proeminente severa, e
trauma facial. Estiletes luminosos são relativamente contrain-
dicados em pacient es com patologias orofaringeas (traturas
laringeas, massas faríngeas ou abcessos, corpos estranhos)
porqu e têm uma passagem às cegas e podem causar dan os.
Existe uma taxa mais f requente de erros quando estilet es
luminosos são usados em pacientes com pescoço espesso e
de pele negra.'•
B
Tabela 16-7 Est iletes Luminosos Apropriados para os
Tamanhos de Tubos Endotraqueais
Tamanho
do Tubo
Traqueal- Trachlight
DI (mm) (laerdal)®
2,5
3,0 Lactente
3,5 Lactente
4,0 Lactente
4,5 Criança
5,0 Criança
5,5 Criança
6,0 Adulto
6,5 Adulto
7,0 Adulto
7,5 Adulto
DI. diâmetro interno
htilete com Fibra Ótica
(Seeing OpticaJ Stylet®)
Estilete para
lntubação
com Fibra
ótica (Sun
Medicai)®
Pediátrico
Pediárico
Pediátrico
Adulto
Adulto
Adulto
Adulto
Adulto
Estilete
Luminoso
Maleável para
Fibra Ótica
(Anesthesia
Associastes)®
Pediátrico
Pediátrico
Pediátrico
Pediátrico
Adulto
Adulto
Adulto
Adulto
Adulto
Adulto
O Seeing Optical Styler® (SOS)é um endoscópio de fibra ótica
de alta resolução semimaleável, de aço in oxidável, que
disponível em tamanhos pediátrico e adulto (Fig. 16-l5).'0 O
tubo endotraqueal é montado sobre o SOS, e ele avança através
das vias aéreas superiores assim como o estilete iluminado. O
SOS oferece a vantagem da visualização das estruturas das
vias aéreas à medida qu e ele avança. Assim como qua lquer
dispositivo de fibra ótica, a visão é dependente do tamanho do
espaço disponível. Manobras que aumentam o espaço faringeo
Figura 16-13 A, O estilete Schroeder direcional (cortesia de Parker Medicai, Englewood, CO) e B, O Frova lntubating lntroducer (cortesia de Cook
Criticai Care, Bloomington, IN). (De Hagberg CA. Special devices and techniques. Anesthesiol Clin North Am 2002; 20:907-932.)
216
Figura 16-14 O Trachlight (cortesia de laerdal Medicai Corp.,
long Beach, CA). (De Hagberg CA Spec ia l devices and techniques.
Anesthesiol Clin North Am 2002; 20 :907-932.)
Figura 16-15 Seeing Optical Stylet system. (Cortesia de Clarus
edical, Minneapolis, MN).
[elevação do pescoço, empurrar a mand1bula, tração da língua)
aumentam o campo de visão quando se utiliza o SOS. O SOS de
tamanho adulto requer um tubo endotraqueal de DI de 5,5 mm
ou maior. O SOS de tamanho pediátrico pode ser usado com
tubos endotraqueais de 3,0 a 5,0mm de DI. O SOS não requer
movimento de cabeça ou pescoço, ou um espaço interincisivo
grande ..
CONFIRMAÇÃO DA INTUBAÇÃO ENDOTRAQUEAL
A confmnação da colocação do tubo na traqueia é verificada
através da avaliação clínica e da identi ficação de dióxido de
carbono no volume corrente exalado pelo paciente. A presença
de dióxido de carbono nos gases exalados do tubo endotraqueal
detectados pela capnografia [corrente final Pco, > 30mm Hg por
três a cinco respirações consecutivas) deve ser imediata e sus-
tentada. Dióxido de carbono pode esta r inicialmente presente
em baixas concentrações, mas não persistirá nos exalados
de tubos acidentalmente colocados no esôfago.
Movimentos simétricos bilaterais no peito com ventilação
manual, combinados com a presença de sons de respi ração
bilaterais na auscultação apical ou midaxila.r dos pulmões são
Capítulo 16 Manuseio das Vias Aéreas
confirmados após intubação traqueal. Um aspecto caracterís-
tico da bolsa, associado à complacência nom1al dos pulmões
durante a intl ação manual e a presença de repreenchimento
expiratório da bolsa são parâmetros a serem avaliados. A
condensação de água no lúmen do tubo [respiração nublada)
durante a exalação é uma evidência de colocação traqueal do
tubo. Diminuições progressivas na saturação de oxigênio de
hemoglobina arterial, como evidente no oximetro de pulso,
podem alertar o anestesista sobre uma intubação esofágica
não identificada previamente.
INTUBAÇÃO ENDOTRAQUEAL COM FIBRA ÓTICA
Indicações
A intubação endotraqueal com fibra ótica é mais frequente-
mente escolhida quando uma intubação traqueal di fícil por
laringoscopia direta é antecipada. Essa técnica se adequa a
situações porque pode ser executada antes de se induzir
anestesia geral, eliminando então o risco de intubação traqueal
falha e de ventilação falha em pacientes anestesiados.
A intubação endotraqueal com fibra ótica é recomendada
para pacientes com espinhas cervicais instáveis. A técnica não
requer movimento do pescoço do paciente e pode ser executada
antes da anestesia geral, pennitindo, desse modo, uma avaliação
da função neurológica do paciente após a intubação traqueal e
um posicionamento cirúrgico.
Pacientes que sofreram lesão nas vias aéreas superiores por
um trauma cego ou penetrante apresentam riscos para o tubo
endotraqueal criando uma passagem falsa que sai das vias
aéreas através do tecido lesionado durante a laringoscopia
direta. Com a execução da laringoscopia direta com fibra ótica,
a injúria tecidual não só pode ser ava liada., mas também o
tubo traqueal pode ser colocado além do nível do dano e assim
eliminar o risco de causar enfisema subcutâneo, que poderia
comprimir, e mais tarde comprometer, as vias aéreas.
Contraindicações
Uma conuaindicação absoluta à intubação endotraqueal com
fibra ótica é a falta de tempo. Esta técnica requer tempo para
adequar o equipamento e preparar as vias aéreas do paciente
para a intubação traqueal. Portanto, se um manejo de vias
aéreas imediato é requerido, outra técnica deve ser utilizada.
Várias circunstâncias fazem a intubação endotraqueal com
fibra ótica ser relativamente contraindicada, seja porque a
chance de sucesso é reduzida ou por impor certos riscos ao
paciente. Como o campo de visão através do broncoscópio de
fibra ótica Oaringoscópio) depende da presença do espaço em
volta do dispositivo, qualquer coisa que oclua as vias aéreas
superiores [edema de faringe ou de lingua, infecção, hematoma,
massas infiltrantes) tomará a intubação traqueal mais difícil.
Inflar o balonete do tubo endotraqueal para manter as paredes
faringeas abertas pode ser útil. Sangue e secreções facilmente
sujam a ótica de um broncoscópio de fibra ótica. Uma incapaci-
dade de manter a ponta limpa pode resultar em falha. Adminis-
trar um antissialagogo ao paciente antes de iniciar a intubação
com f1bra ótica, succionando e mantendo o espaço faringeo,
pode minimizar a ocorrência de sujeiras que prejudiquem a
visibilidade. Outra contraindicação relativa da intubação com
fibra ótica é a presença de abcessos faringeos que podem ser
rompidos à medida que o tubo endotraqueal avança, resultando
em aspira.ção de material purulento.
217
111
Seção 111 PREPARAÇÃO PRt-OPERATÓRIA E GERENCIAMENTO INTRAOPERATÓRIO
Té<.mca
A intubação traqueal com fibra ótica pode ser feita com uma
abordagem ora l ou nasal, com o paciente acordado ou anes-
tesiado. Em geral, a rota nasal é mais fácil porque o ângulo
de curvatura do tubo endotraqueal naturalmente se aproxima
ao das vias aéreas superiores do paciente. Quando se executa
uma intubação traqueal oral com fibra ótica, uma curvatura
mais anterior é requerida, o que pode ser conseguido com o
auxilio de uma cânula de ventilação de intubação oral dis-
ponível no mercado. A intubação traqueal com fibra ótica nasal
tende a ter menos estimulos para um reflexo de sufocaçã.o. O
reflexo de sufocação pode ser superado com anestesia tópica
e bloqueios anestésicos locais. Todavia, o risco de se induzir
sangramentos é maior quando a rota nasal é utilizada, e por isso
ela é relativamente contraindicada em pacientes com anomalias
nas plaquetas ou distúrbios de coagulação. A intubação com
fibra ótica oral é mais indicada para pacientes que possuem
contraindicações a vasoconstritores requeridos para a intuba -
ção nasal (mulheres grávidas e alguns pacientes com doenças
coronarianas).
A decisão de executar uma intubação traqueal com fi -
bra ótica ern paciente acordado versus paciente anestesiado
depende do risco de se perder o controle das vias aéreas. É
usualmente mais seguro manter a respiração espontânea se há
algum dilema sobre a capacidade de lidar com as vias aéreas
do paciente.
Preparação do Paciente
O procedimento deve ser explicado ao paciente com convicção
de que ele estará o mais confortável possível. Um antissialagogo
(glicopirolato 0,2 mg IV) deve ser administrado pa ra inibi r a
formação de secreções que podem obscurecer a visualização
com a fibra ótica. As opções de sedação são inúmeras, mas
a profundidade da sedação deve ser t irulada para refletir as
necessidades individuais do paciente, com a advertência de
que, quanto mais tênue for a via aérea, menos sedaçã.o deve
ser administrada. Bloqueios nervosos adequados são então
executados, e antibióticos tópicos são aplicados.
Nariz e Nasofaringe
A mucosa nasal deve ser anestesiada e vasoconstrita, o que é
tipicamente feito tanto com uma solução de coca.ina a4q'o ou
com uma combinação de lidocaina a 3q'o e fenilefrina 0,25%.
Soluções anestésicas locais podem ser aplicadas em suabes com
pontas de algodão embebidas ou compressas.
língua e Orofaringe
A topicalização pode ser conseguida com anestésicos locais
aerossolizados ou bloqueios bilatera is do nervo glossofarin -
geo na base de cada pilar tonsilar anterior podem ser feitos.
Aproximadamente 2 ml de lidocaina a 2qb injetada em uma
profundidade de 0,5 em são suficientes para bloquear os ner-
vos glossofaríngeos. Aspiração com seringa antes de injetar
a solução com anestésico local é necessária para se certificar
de que a agulha não está em posição intravascular ou através de
um pilar tonsilar.
Laringe e Traqucia
Topicalização ou bloqueio dos nervos podem ser usados para a
laringe e para a traqueia. Anestésicos locais podem ser borri-
fados, aerossolizados ou nebulizados nas vias aéreas. Deve ser
218
observado que quanto maior o tamanho da particula de uma
borrifada, maior a tendência de esta se depositar na faringe, com
uma pequena porção se depositando na traqueia. Contraria -
mente, quanto menor o tamanho de uma particula nebulizada,
mais eficientemente esta será levada á traqueia e também ás
vias aéreas menores, onde o anestésico não é necessário e tem
absorção sistêmica maior e mais rápida. A lidocaína é o anes-
tésico local de preferência por conta da sua janela terapêutica
ampla. A benzoca.ina pode causar metemoglobinemia até mesmo
em doses terapêuticas. A tetracaina tem uma janela terapêutica
bem estreita, e a dose máxima admissível ( 1,2 mg/kg) pode ser
facilmente excedida. A cetacaina é uma mistura de benzocaína
e tetracaina e tem a desvantagem de ambos os anestésicos
locais.
Bloqueio do Nervo Laríngeo Superior
A injeção da solução anestésica local de maneira bilateral, na
vizinhança dos nervos superiores laringeos, onde eles repou-
sam entre o como maior do osso hioide e o como superior
da cartilagem tireóidea conforme atravessam a membrana
tireo -hióidea até a submucosa do seio piriforme, bloqueia o
ramo interno do nervo laringeo superior. A pele subjacente é
limpa com álcool ou iodeto-povidona (Betadine®). Os cornos
do osso hioide ou a cartilagem tireóidea podem ser usados
como referência. Uma agulha de calibre 22 a 25 é "passeada"
até a extremidade superior da cartilagem t ireóidea ou até a
extremidade caudal do osso hioide, e aproximadamente 2 n!l.
da solução anestésica local é injetada.
Bloqueio Transtraqueal
Para o bloqueio transtraqueal, a pele é preparada e um catéter
IV de calibre 20 é inserido na membrana cricotireóidea, en-
quanto simultaneamente se aspira uma seringa acoplada que
contém 4 n!l. da solução anestésica local. Quando ar é aspirado,
o cateter avança até a traqueia e a agulha é removida. A seringa
é reacoplada ao cateter, a aspiração do ar é reconfmnada e o
anestésico local é rapidamente injetado.
LARINCOSCOPIA COM FIBRA ÓTICA FLEXÍVEL
A laringoscopia com fibra ótica revolucionou a habilidade do
anestesista em cuidar de maneira segura dos pacientes em risco
para gerenciamento de vias aéreas difkeis e efeitos colaterais
associados diversos (hipoxemia arteria l, hipoventilação, as-
piração do conteúdo gástrico). Tubos endotraqueais podem ser
colocados na traqueia com a ajuda do laringoscópio com fibra
ótica através de uma abordagem nasal ou oral em pacientes
acordados, sedados ou anestesiados.
lntubação da Traqueia com Fibra Ótica Nasal
A intubação da traqueia com fibra ótica nasal envolve o uso
de um tubo endotraqueal lubrificado que tem o diâmetro
pelo menos l,5mm maior que o de um broncoscópio com
fibra ótica. O amolecimento do tubo endotraqueal com água
quente antes do uso diminui o risco de trauma na mucosa
ou de tunelização submucosa. O tubo endotraquea l avança
através do nariz até a faringe de modo perpendicular ao plano
da face do paciente exatamente acima da borda inferior da
margem alar nasal. Se for encontrada resistência na parte
de trás da nasofaringe, uma rotação de 90 graus no sentido
anti-horário permite que o tubo endotraqueal pa.sse de modo
menos traumático, porque o bisei ftcará de frente para a pa-
rede posterior da faringe.
Secreções devem ser succionadas antes de se inserir bron-
coscópio de fibra ótica através do tubo endotraqueal. É es-
sencial que o broncoscópio de fibra órica saia pela ponta do
tubo endotraqueal e não pelo olho de Murphy.• O broncos-
cópia de fibra ótica e o tubo endotraqueal são manipulados
para trazer a laringe à vista, e o broncoscópio é inserido na
rraqueia.
Inflar o balonete do tubo endotraqueal durante o avanço da
broncoscopia de ftbra ótica na faringe permite que se aumente
o espaço furingeo. Como as secreções tendem a se aderir às
paredes furingeas, inflar o balonete do tubo endotraqueal ajuda
a evitar a falta de visão com broncoscópio de fibra ótica. O
halonete inflado também visa manter a ponta do tubo endo-
traqueal anteriormente.
O alvo deve sempre ser mantido no centro do campo de visão
do anestesista através de tlexao ou rotação do broncoscópio
de tibra ótica à medida que ele avança lentJ!mente. Confomte
o broncoscópio de tibra ótica passa através das cordas vocais,
os anéis traqueais tomar-se-Ao visíveis. O broncoscópio avança
para acima da carina, e então o tubo endotraqueal é deslizado
sobre o broncoscópio. Se alguma resistência for encontrada
quando se avança com o tubo endotraqueal, não se deve exercer
força porque a ftbra ótica do broncoscópio pode ser torcida,
resultando em desvio do tubo endotraqueal para dentro do
esôfago e em dano na ftbra ótica do broncoscópio. A resistência
no avanço muitas vezes significa que o tubo endotraqueal está
inpactando as cordas vocais. Isto pode ser aliviado através da
rotação gentil do tubo traqueal à medida que ele é avançado.
A profundidade apropriada da colocação do tubo endorraqueal
pode ser verificada através da observação da distância entre a
carina e a ponta do tubo endotraqueal, conforme o broncoscópio
de fibra ótica é retirado. Se aistir alguma resistência quando o
broncoscópio de fibra ótica for removido, ele está através do
olho de Murphy ou enroscado na furinge. Em ambos os casos,
o rubo endotraqueal e o broncoscópio devem ser retirados juntos
para evitar danos no broncoscópio de fibra ótica.
lntubação da Traqueia com Fibra Ótica Oral
em Paciente Acordado
Quando se executa a intubação com ftbra ótica oral em paciente
acordado, as vias aéreas superiores do paciente estão anes-
tesiadas (anestésico local tópico, bloqueio do nervo laríngeo
superior ou bloqueio transtraqueal), com topicalização nasal
omitida. A utilizaçiio de uma inrubação oral facilita o dire-
cionamento do broncoscóplo. O procedimento está na
seção anterior.
:Nota da Revisüu Cicntiftca: O o lho de Murphy é a prc.<ença de uma
J<.me h.J ovalada, disposta direita, próximo :) extremidade distai do
tubo endotr.aqucal. Sua é pcnnitir a ventilação do lobo
apical direito se o tubo cndotr.aqucal for posicionado mais profun-
damente e, deste modo, ocluir aqucln :irc:1 pu.lmonar.
Capítulo 16 Manuseio das Vias Aéreas
lntubação da Traqueia com Fibra Ótica Oral/Nasal
em Paciente Dormindo
A intubação com fibra ótica em pacientes submetidos à
anestesia geral deve ser considerada apenas se oxigenação
e ventilação adequadas puderem ser mantidas. Ambas as
intubações nasal e oral são possíveis, e a técnica pode ser
feita com o paciente respirando espontaneamente ou sob
ventilação controlada. Uma via aérea nasal pode ser colocada
e conectada ao circuito de anestesia respiratório com um
conectar de 15 rum. Quando se fornece uma via aéru
maneira, é preferível que se utilize uma técnica inrravenosa
de anestesia para evitar a exposiçiio de outras pessoas que
estejam na sala de cirurgia aos vapores do anestésico durante
a insultlação.Uma diferença importante em se realizar a laringoscopia
com tibra óóca em paciente anestesiado é que os tecidos moles
da faringe, ao contrário do que ocorre no paciente acordado,
tendem a se relaxar e limitam o espaço para visualização com
o broncoscópio de tibra ótica. Empurrando-se a mandíbula
usando a retração de amígdala, expandindo o balonete do tubo
endotraqueal na furinge ou aplicando traçiio na língua, pode-se
superar este problema. É aconselhável que se tenha uma segunda
pessoa treinada em anestesia para ajudar quando a intubação
com tibra ótica é realizada em paciente submetido à anestesia
geral, porque é dificil manter a passagem de ar no paciente, ter
atenção aos monitores e realizar a intubação com fibra óóca
sozinho.
Quando se utiliza uma abordagem nasal, a anestesia tópica
para a mucosa nasal não é necessária, mas uma vasocontrição
é necessária para aumentar o diâmetro da passagem e para
diminuir o risco de sangramento. Para a abordagem nasal ou
oral, a anestesia tópica ou bloqueios que inibam os reflexos
da faringe, das cordas vocais e da traqueia são úteis porque os
reflexos das vias aéreas ainda estão intactos e o paciente pode
tossir, desenvolver laringoespasmo ou refluxo do conteúdo
gástrico.
A curvatura do tubo endotraqueal não é a ideal para inruba-
çào traqueal oral, e uma cânula de ventilação oral de tamanho
apropriado serve como um canal mais eficaz. Deve-se tomar
cuidado para se manter a cânula posicionada no meio. Em
alternativa, uma máscara clássica laringea (laringtal ma.slt
airway - LMA) fornece um excelente canal para inrubação com
tibra ótica ora] em paciente acordado.
MÁSCARA PATIL-SYRACUSE®
A máscara PATIL-SYRACUSE"' é projetada com uma portJI que
irá acomodar um tubo endotraqueal e um broncoscópio de
tibraótica através de um diafragma. Esse dispositivo permite
ventilação espontânea ou controlada enquanto a intubaçlio com
tibra ótica nasal ou oral é feita.
CATETER DE TROCA
O cateter Aintree<l'l é um cateter de troca aérea com conectores
que permitem uma ventilação com um circuito de respiração
anestésico ou ventilação em jato. Ele se difere de outros ca-
teteres de troca porque tem um lúmem de tamanho adequado
para acomodar o broncoscópio de tibra ótica.
219
111
Seção 111 PREPARAçlO PRt-OPERATÓRIA E GERENCIAMENTO INTRAOPERATÓRIO
LARINGOSCÓPIOS DE FIBRA ÓTICA RÍGIDA/
VIDEOLARINGOSCÓPIOS
Os laringoscópios de f1bra ótica rigida incluem o laringoscópio
de Bullard3 , o UpsherScope*, o sistema WuScope*,
(Fig. 16-6), MacGrarh e Pentax Airway (AWS).
O Airtraq* é um laringoscópio ótico, mas funciona de maneira
semelhante aos videolaringoscópios. Estes dispositivos são
laringoscópios com fibra ótica rigida com formato anatômico,
uma fonte luminosa para uso em pacientes com condições
que tomam a laringoscopia tradicional e a intubaçâo traqueal
dificeis ou impossíveis (abertura de boca limitada, incapacidade
de flexionar o pescoço). Todas as técnicas com fibra ótica são
impossibilitadas se as secreções das vias aéreas superiores obs-
curecem a ótica, enfatizando assim a importância da adminis-
tração prévia do antisialagogo.
Sistema WuScope®
O WuScope-8 está disponível em dois tamanhos adultos e consis-
te em um laringoscópio bivalvar com três partes que pode ser
desmontado para remoçao após intubação traqueal (Fig. 16-
16A). A lâmina laringoscópica é tubular, o que ajuda a gerar
espaço na faringe para aumenta r o campo de visão enquanto
minimiza o contato do sistema de f1bra ótica com as secreções
faríngeas. Ele tem um canal que permite a instilaçâo de medi-
cações ou a insuflação de oxig!nio.
Um tubo endotraqueal é inserido no canal do laringoscópio.
A intubação traqueal é realizada da mesma maneira usada com
outros laringoscópios rígidos, seguida pela liberação e remoção
da porção anterior da bivalva e então remoção da porção pos-
terior e do cabo, seguindo-se a curvatura da via aérea."'
L.aringoscópio de Bullard®
O laringoscópio de Bullards está disponível em tamanhos adul-
to e pediátrico (Fig. 16-168). Os feixes de fibras óticas estão
220
posteriores à lâmina, a 26 mm de distância da ponta distai,
e criam um campo de visão com ângulo de 55 graus. Este
laringoscópio tem foco aju.<;tável na lente. A lâmina laringos-
cópica contém um canal de 3, 7 mm para injeção de fármacos
ou insuflação de oxigênio.
O laringoscópio de Bullards pode ser usado com um cabo
com baterias ou com um cabo luminoso de fibra ótica. Existem
diversos estiletes intercambiáveis para esse laringoscópio. O
laringoscópio, com u.m tubo endotraqueal inserido em um
estilete, é avançado na linha média da faringe do paciente
até que a abertura glótica seja vista, e o tubo endorraqueal
é então inserido com visu.aliz.ação direta. Como resultado do
posicionamento do estilete no lado direito do dispositivo, a
cartilagem aritenoide direita pode inibir a passagem do tubo
endotraqueal. Quando isto ocorre, a posição do laringoscópio
e do estilete precisam ser para o melhor alinhamento
do tubo endotraqueal com a via aérea do paciente."'
UpsherScope®
A lâmina do UpsherScope& tem um desenho semicircular que serve
como um guia para o tubo endotraqueal e permite uma remoção
fácil do laringoscópio após a intubação traquea I (Fig. 16- 16C).
Ele pode ser usado com um cabo com baterias ou com um cabo
luminoso de fibra ótica. Ele tem lentes com dlóptro ajustável
que pode ser imerso durante a limpeza. A técnica para o uso
do UpsherScope'l' é semelhante à descrita para o laringoscópio
de Bullard*. ••
GlideScope®
O GlideScope® é u.m laringoscópio com fom1ato anatômico,
com lâmina com ângulo fixo (60 graus) feira de plástico com
grau médico. Ele possui uma câmera em miniatura resistente
ao vapor encaixada na superficie inferior da lâmina e que
transmite a imagem digital com alta resolução, em um monitor
Figura 16·16 l.aringoscópios de fibra ótica rrgida.
A, WuScope®. B, l.aringoscópio de Bullard<l!>.
C, UpsherScope®. (De Stackhouse RA, Bainton C R.
Difficult airway management. In Hughes SC, Levinson
G, Rosen MA [eds]. Shnider e Levinson's Anesthesia for
Obstetrics, 41" ed. Philadelphia. Lippincott Williams &
Wilkins 2001, pp 375-389.)
colorido que pode ser montado em uma haste. Sistemas com
lâminas reutilizáveis (GVL) e descartáveis (Cobalt) estão dispo-
níveis, assim como um dispositivo portátil (Ranger). O GVL vem
em tamanhos 2 (82 mm de comprimento, 14,5 mm de largura,
para pacientes de 1,8 a lO kg) 5 ( 102 mm de comprimento,
14 mm de largura, para pacientes bariâtricos). Os tamanhos
dos Cobalt vão de I ( <3.6 kg. 38 mm de comprimento, 8,7 mm
de largura) até 4 (40 kg até obeso mórbido, 95 mm de com-
primento, 16 mm de largura). O dispositivo Ranger reutilizâvel
vem em tamanhos 3 e 4. enquanto as lâminas descartáveis vêm
em tamanhos de I a 4.
Assim como os demais laringoscópios rígidos, ele não
requer uma linha de visão e pode ser inserido no lado ou no
meio. A ponta da lâmina laringoscópica pode ser colocada
na valécula ou pode ser utilizada para levantar a epiglote
diretamente. Um tubo endotraqueal com um estilete angulado
para mimetizar o presente na ponta distai do GlideScope* é
inserido usando visualização direta até que ele seja visto no
monitor, sendo em seguida Inserido na traqueia com base na
imagem na tela do monitor. Apesar de a visualização glótica
com o GlideScope<ll> ter melhorado o escore de Connack e de
Lehane em aproximadamente 1,7 grau comparado à visuali-
zação direta com o laringoscóplo padrão, a taxa de intubação
falha com esse dispositivo tem sido estimada de 2,5% a 3%.""'
Além d isso, falhas em lnbubaçlles com GlideScope* têm sido
correlacionadas com visualização pobre na laringoscopia
direta."
Estudos para avaliar o grau de moção da espinha cervical
com o GlideScope<B> têm demonstradoque, quanto se utiliza a
estabilização da espinha cervical, a maior quantidade de flexão
(8 a 12 graus) foi da região occipital até a terceira vértebra
cervical (CJ) (8 a 12 graus), e a maior flexão (8 graus) foi da
C5 a T 1. A maior angulação ocorreu no momento em que o
tubo endotraqueal (TE11 foi inserido e foi equivalente à causada
pela laringoscopia direta com a lã mina de Macintosh usando a
mesma in1obilização da espinha cervical.».."
McGrath Scope®
O videolaringoscópio de McGrath• consiste em uma lâmina
ajustável Macintosh acoplada a uma alça que contém uma ba-
teria ligada a um monitor colorido que pode girar para otimizar
o ângulo de visão. Ele é usado com uma lâmina descartável e a
técnica de intubação é a mesma descrita para o
Pentax-AWS®
O videolaringoscópio Pentax-AWS• é ajustado com um estojo
descartável que funciona como um tubo guia que alinha o TET
com as estruturas no centro do a Ivo na tela. Um estudo demons-
trou que as taxas de sucesso com este dispositivo são de 95%
a
Airtraq®
O Airtraq<B> é um laringoscópio ótico descartâvel que requer uma
abertura oral mínima de 2 em. A intubação com este dispositivo
foi bem-sucedida em 80% dos pacientes após intuhaçâo falha
com laringoscópio de Macintosh."
Capítulo 16 Manuseio das Vias Aéreas
lNTUBAÇÃO TRAQUEAL RETRÓGRADA ____ ___.
A intubação traqueal retrógrada tem sido usada em casos de
manuseio de vias aéreas dificeis, particularmente quando há
sangramento, abertura bucal diminuída ou movimento limitado de
pescoço. Ela deve ser utilizada quando a membrana cricóidea
do paciente não é identificável ou quando há alguma patologia
de aspecto anterior no pescoço (tumores, infecções, estenoses)
ou coagulopatia."
Técnica
Colocar o paciente na posição de olfilção (srr!ffing) otimiza a habi-
lidade de se identificar a membrana cricóidea. Kits para intubação
retrógrada são comercialmente disponíveis. A membrana cricóidea
é perfurada com uma agulha enquanto se aspira com uma seringa
acoplada. Uma mudança na resistência é sentida na forma de um
estalo quando a agulha entra na traqueia e o ar pode ser aspirado.
A seringa é desacoplada e um fio é enfiado na agu.lha na dire-
ção cefálica. Ele é então recuperado pelo nariz ou pela boca. Um
tubo endotraqueal, com ou sem um laringoscópio de fibra ótica
é então enf1ado sobre o fio até que ele pare com o impacto da pare-
de anterior da traqueia. A tensão do fio guia pode ser diminuída de
maneira a permitir que o tubo endotraqueal passe além da traqueia
antes de se remover o fio. K'its disponiveis comercialmente têm
melhorado a técnica através da adição de cateteres guias que se
avistam sobre fio guia para dentro do tubo endotraqueal.
INTUBAÇÃO NASOTRAQUEAL ÀS CEGAS ____ ___.
O uso de intubação nasotraqueal às cegas tem diminuído ao
longo dos anos com a introdução de outros dispositivos para
manuseio de vias aéreas díficeis. Entretanto, ainda existem
situações clinicas em que esta técnica pode salvar vidas.
Técnica
Se o tempo pennitir, a mucosa nasal deve ser anestesiada e vaso-
constritada para que se minimize o desconforto e o sangramento.
Um tubo endotraqueal de 6,0mm a 7,0mm de o tubo es-
colhido para um adulto. Um tubo Endotrol, com uma polia para
ajustar o ângulo de curvatura do tubo pode filcüitar a intubação
nasotraqueal às cegas. O tubo endotraqueal avança do
nariz até a faringe, quando se escuta os sons de respiração no final
distai do tubo endotraqueal. Em alternativa, o tubo endotraqueal
pode ser encaixado em um circuito de anestesia respiratória,
e o movimento da bolsa reservatório e o dióxido de carbono
poden1 ser monitorados para verificar se o tubo endorraqueal está
avançando até a traqueia. Se uma retração é vista na superficie
a11terior do pescoço do paciente, o tubo endotraqueal está
na valécula. Quando isto ocorre, é necessá rio girar o tubo para
libertá-lo da epiglote antes que avançar possa ser vantajoso. Se as
evidências de respiração pelo tubo endotraqueal sumirem, o tubo
endotraqueal está sendo avançado no esôfago porque ele não está
atravessando de modo anterior o suficiente para entrar na tra-
queia. Quando isto ocorre, o tubo endotraqueai deve ser retirado
e colocado em uma profundidade na qual a respiração continue
através do tubo endotraqueal. Se um tubo endotraqueal padrão é
221
111
Seção 111 PREPARAÇÃO E GERENCIAMENTO INTRAOPERATÓRIO
utilizado, o balonete pode ser inflado com ar para levantá-lo para
fora da parede faringea posterior. O tubo endotraqueal é então
avançado até que uma resistencia leve seja sentida, o balonete é
desinllado e então o tubo avança até a traqueia.
DISPOSITIVOS DE VIAS AÉREAS
SUPRAGLÓTICOS
Máscara Laríngea Clássica
A máscara laríngea clássica - Ml - Mnslt Ai11IJIJ}I,
LMA) tem se tomado um dispositivo de via aérea supraglótica
de valor inestimável para a rotina de gerenciamento de vias
aéreas difíceis. Fatores relacionados à intubação de vias aéreas
difíceis na laríngoscopia direta não estão correlacionados com
aqueles que tomam a colocação da Ml diticil. Assim, a in-
cidência de experimentar dificuldades com ambas- intubação
endotraqueal e com a colocação da Ml - é bem baixa." Os
manuais da ASA para manuseio de vias aéreas diticeis incluen1
o uso de Ml.' O algoritmo da via aérea dificil volta para o
caminho não emergencia I se via aérea e ventilação adequadas
puderem ser estabelecidas com a Ml.
Uma Ml consiste em um a haste tlex:ivel de DI de 12mm
conectada a uma máscara de borracha de silicone que é selada
com ar na hipofari nge {l'lg. 16- 17). A ponta dista i do balonete
deve estar no sentido contrá rio ao esfíncter esofagiano superior
(músculo cricofaringeo), as extremidades laterais ficam sobre
os seios nasais piriformes e o fmal proximal fica sob a base da
lingua. O tamanho da Ml é selecionado com base no peso do
paciente (Tabela 16-8).
Figura 16-17 Máscaras lanngeas clássicas.
Tabela 16-8 Tamanho Apropriado da Máscara L.arrngea (Ml)
Baseado no Peso do Paciente
Tamanho da ML
1,5
2
2,5
3
4
5
6
222
Peso (kg)
<5
5-1 O
10-20
20-30
30-50
50-70
70-100
>100
Volume a Ser Inflado
no Balonete (ml de Ar)
4
7
10
14
20
30
40
50
ML Fastrach®
A máscara laríngea de intubação Fnstrnch• (Tntubating LMA,
TLMA) foi desenhada para solucionar os problemas encontrados
na intubação traqueal às cegas com a Ml clássica." A TLMA
consiste em um tubo com formato anatõmico de aço inoxidável
conectado a uma máscara laringea. Ela tem uma alça acoplada
que permite a inserção do dispositivo e facilita a otimização
do seu posicionamento para aumentar a probabilidade de
sucesso da intubação traqueal às cegas com o dispositivo.
Um conecto r de 15 rum permite a ventilação dos pulmões do
paciente (Fig. 16-18)." A TlMA é projetada para ser utilizada
com um rubo endotraqueal de siücone Euromedicinal (de DI
tamanho 7,0 ou 7,5 ou 8,0). Esses tubos traqueais saem da
máscara laringea em um ângulo diferente dos demais tubos
endotraqueais comuns e resultam en1 um melhor alinhamento
com a via aérea. A TlMA avança para a faringe seguindo a
curvatura natural das vias aéreas superiores do pacieme.
TÉCNICA
Com o paciente respirando oxigênio, a manobra de Chan-
dy (elevação e rotação posterior) é utilizada para melhorar
a posição da TLMA antes de se tentar a lntubação traq ueal.
Um tubo endotraqueal lubrificado e inserido na TLMA. Como
os tubos Euromedica l têm balonetes de ba ixo volume e a lta
pressão, é recomendado que o taman ho maior adequado para
o paciente seja usado para minimizar a pressão da mucosa
pelo balonete.
Uma resistência pequena no avanço do tubo endotraqueal
pode ser sentida à medida que a marca horizontal no tubo se
alinha ao final prox:imal da TLMA. Esta posição marca a pro-
fundidade em que o tubo impactaa barra de eievaçl!o epiglótica
no fundo da máscara. O rubo endotraqueal deve avançar sem
resistência à abertura glótica e à traquela. Se uma resistência é
sentida além do ponto em que a Hnha horizontal passa dentro
da TlMA, a causa desta resistência depende da profundidade
que o tubo tenha avançado. Resistência Imediata significa que
a TlMA é muito grande. Uma resistência encontrada em 2 em
de mstância da linba horizontal pode ser devido à epiglote
Figura 16-18 Máscara laríngea Fastrach®. (De Bogea MS. Using
the laringeal mask airway to manage the difficult airway. Anesthesiol
Clin North Am 2002;20:863-870.)
dobrada para baixo. Se a llMA é muito pequena, a resistência
é sentida a 3 em distais. Resisténcia encontrada de 4 a 5 em
distais geralmente indica que uma IlMA muito grande foi es-
colhida. Após verificaçao do tubo endotraqueal, o balonete da
IlMA é esvaziado, o conector de 15 mm do tubo endotraqueal
é desconectado e a ILMA é removida através do uso de uma
barra estabilizadora para empurrar o tubo endotraqueal através
da II..MA Um conecto r de 15 mm é reencaixado ao tubo e ao
circuito respiratório do aparelho de anestesia, e os pulmões do
paciente são ventilados.
MLCTrach®
A ML CTrach• é uma LMA Fastrach modificada. Ela possui o
mesmo tubo anatomicamente curvado de aço inoxidável e está
disponível em trés tamanhos (3, 4 e 5). A barra de elevação
da epiglote foi modificada para permitir a visualização da
laringe por meio de feixes de fibra ótica localizados dentro da
concavidade da mascara. Um visor luminoso se acopla magne-
ticamente após o aparelho ser inserido." A escolha do tamanho,
da inserção (sem pressão crlcóidea) e da ventilação são as mes-
mas da ML Fastrach•. A Ml Fastrach• tem sido demonstrada
com uma alta taxa de sucesso na primeira tentativa para se
conseguir venti lação; entretanto, existem relatos amplamente
dispares (de 25'11> a 98%) de sucesso na intubação traqueal às
cegas na primeira tentativa.'• A Ml CTrach• tem por objetivo
ser mais rápida e menos complicada tecnicamente que a ML
Fastrach"'. Assim como com a llMA, a colocação bem-sucedida
da ML crrach• requer uma distância interincisiva de 3 em. A
seleção adequada do tamanho é necessária para alinhar pro-
priamente o dispositivo com a via aérea. Um estudo recente
demonstrou uma incidência de 4% de visualização pobre e
falha na intubaçAo."' Um estudo para avaliar a adequação da
MI. crrach• em pacientes com espinha cervical instável mos-
trou que o dispositivo exerceu pressao significativa e resultou
em deslocamento posterior da espinha cervical em um modelo
cadavérico de rompimento do demento posterior da CJ.••
MLProSea l®
A ML ProSeaP é uma modificação da MI. (Fig. 16-19).•
O balonete da MI. ProSeai<S se estende sobre a pan e posterior da
máscara, o que resulta em um sdamento da via aérea melhorado
sem aumentar a pressão da mucosa. Ela tem um segundo lúmen
que fica paralelo ao da via aérea, mas se abre na ponta distai da
máscara para atuar como uma passagem para o esôfago. Quando
idealmente vedada, a ML ProSeal• isola a traqueia do esôfago de
maneira eficiente, protegendo os pu.lmôes da aspiração quando
um minimo de lO mL de ar foi colocado no balonete da Ml.. 42
A colocação de sucesso na primeira tentativa da ML Pro-
Seal"' varia com a técnica de inserção (84% com a femamenta
introdutória, 88% com a inserção digital, e LOO% com a técnica
bougie).43 É provável que a pressão cricóidea, assim como com
a ML clássica, interlira na colocação adequada da ML ProSeal"'.
Especificamente, a pressão cricóidea irá preven ir a ML de se
acomodar de modo dista i ao músculo cricofaringeo porque o
esôfago está ocluido no nfvel da cartilagem cricó idea. A ML
ProSeal• protege da aspiração somente se colocada de maneira
adequada .
Capítulo 16 Manuseio das Vias Aéreas
Balonete
'
Conoclor
de 15 mm ----""!!11"'
Bloqueador
integral
da mordida
VIa aê Balão piloto
da onftação
Correia oniiOdutóna - Vélwla
Orifício do tubo de drenagem
Figura 16-19 Máscara laríngea ProSeal®. (De Brimacombe J. Keller
C: lhe ProSeallaryngeal mask airway. Anesthesiol O in North Am
2002;20:871-891.)
1-Gel®
A é uma máscara laringea de via aérea supraglótica dis-
potúvel nos tamanhos de 1 a 5 (incluindo L,S e 2,5). Ela possui
um balonete não inflável, um tubo de passagem gástrico, um
descanso glótico embutido, um bloqueio integral de mordida
e um conecto r de 15 mm. Ela pode ser usada como uma via
aérea primária ou como um cana l para a lntubação. Ela tem
o diâmetro adequado para passar um TET 6.0 através de um
tamanho 3, TET 7.0 através de um tamanho 4, e um TET 8.0
através de um tamanho 5. Não é recomendada em pacientes
que estão em risco de aspiração, e deve permanecer in situ por
menos que 4 horas.
Air-Q®
O Air-Q& é outro dispositivo de máscara laringea que pode ser
utilizado tanto como uma via aérea primária quanto como um
canal intennediário de intubaçAo. Está disponívd em 4 tama-
nhos (1,5 a 4,5). Os tamanhos máximos de tubos recomendáveis
s.ão 5,5 ETI para Air-o- 1,5, 6,5 TET para Air-Q• 2,5, 7,5 TET
para o Air-Q$ 3,5, e um 8,5 TET para um 4,5.
Combitube Esôfago-Traqueal
O Combitube Esõfago-Traqueal (CET) (Esophageal- Tracheal
Combitube) é um dispositivo com lumen duplo que pode fim-
cionar tanto como dispositivo esofágico quanto como um obtu-
rador esofágico (Fig. 16-20) ... Dois tamanhos est.Ao disponíveis.
O CET pequeno para adulto pequeno de 37 -French pode ser
usado em pacientes entre 120 e 180cm de a ltura. e o CET de
41 -French em pacientes mais altos que 180cm.
TÉCNICA
O CET é passado às cegas enquanto se levant.a a mandlbula do
paciente com a outra mão. Em altemativa, um la ringoscópio
pode ser usado para ajudar a inserção. Qualquer que a téc-
nica usada, o CET deve ser inserido sem o uso de força, porque
isto pode resultar em corte ou ruptura do esôfago. O balonete
orofaringeo é inflado primeiro com uma seringa previamente
preenchida acoplada ao balonete piloto azul. Isto faz com que
223
111
Seção 111 PREPARAçlO E GERENCIAMENTO INTRAOPERATÓRIO
Figura 16-20 Combitube E.s6fago-Traqueal. (De Gaitni LA, Vaida 5),
Agro F. The Esophageai-Tracheal Combitude. Anesthesiol Clin North
Am 2002:20:893-906.)
ocorra a selagem e a ancoragem do CET. O balonete distai é
então inflado e a ventilação é iniciada através do Júmen mais
comprido (azul), o que resulta em fenestrações entre os dois
balonetes. Se não há sons de respiração, a ventilação deve ser
tentada pelo outro lúmen." Se a ventilação ainda não é detec-
tada, o tubo provavelmente esrá colocado muito profundamente
no esôfago e deve ser puxado de volta, e a ventilação tentada
através do lúmen azul novamente.
USOS CÚNICOS
O CET tem sido usado com sucesso na manobras médicas de
emergência e requer treinamento mini mo. Ventilação com pres-
são positiva pode ser usada com este dispositivo. É recomendável
que os reflexos de via aérea não estejam intactos durante o uso
do CET. O CET protege contra a aspiração quando posicionado
corretamente. Este dispositivo. no entanto, não é projetado para
manobra de via aérea de longo prazo, e deve ser removido em
poucas horas para diminuir o risco de isquemia de língua e sub-
sequente formação de edema."' Um caso de resolução demorada
de disfunção bilateral do nervo glossofaringeo e de disfunção
unilateral do nervo causado por altas pressões no ba-
Jonete fa ringeo com uso um CET por três horas foi relatado.""
Tubo Laríngeo
O tubo laringeo é um tubo de silicone multiuso de lúmen único
com um sistema de balonete dual (um balonete faríngeo e um
balonete esofageal cego distai) (Fig. 16-21).'" A ventilação dos
224
Figura 16-21 Tubo laringeo. (Cortesia de VBM Medizintechnik
GmbH, Sulz.)
pulmões do paciente se dá através de uma fenesrraçao entreos dois balonetes. Os balonetes estão conectados a um balão
piloto único. O tubo la.ringeo est.á disponfvel em tamanhos de
I a 5. Ele é passado às cegas na faringe.
Pharingeal AiJWay Xpress®
O Pltaringeal Airway Xpress* é um dispositivo descartável
com um tubo rígido encurvado e uma extremidade termina l
com guelras que se acomodam no músculo cricofaríngeo
(Fig. 16-22).'0 Ele tem um balonete far!ngeo de a lto volume
e baixa pressão e é inserido às cegas. O lúmen é grande o
bastante para acomodar um tubo endotraqueal de 7,5 mm se
uma intubação traqueal é desejada.
Glott.ic Aperture Seal Airway®
O Glottic Aperture Seal é um tubo descartável de
lúmen único que gera uma via aérea selada com uma ponta dis-
tai semelhante a uma esponja. Uma lâmina plástica de inserção
levanta a epiglote à medida que o tubo é inserido.
Cuffed Oropharyngeal AiJWay®
O Cuffed Oropltaryngeal Ainuay• consiste em uma cânula
orofaringea convencional (tipo Guedel) modificada com um
Figura 16-22 Pharyngeal Airway Xpress. (Cortesia de Vital Signs,
Totowa, N).)
balonete na sua extremidade distai. Quando o balonete é in-
flado, ele desloca a base da lingua do paciente anteriormente
e eleva passivamente a epiglote da parede laríngea posterior. O
final proximal do balonete do canal de ventilação orofaríngeo
tem um conector padrão de 15 mm que permite o encaixe no
circuito de anestesia respiratória.
TÉCNICAS TRANSTRAQUEAIS
Cricotirotomia
A crícotirotomia pode ser executada em menos de 30 segun-
dos e tem vantagens significativas sobre o jato de ventila-
ção transtraqueal porque estabelece um canal de ventilação
definitivo que pode ser usado por até 72 horas. Após este
período, a incidência de disfunção de cordas vocais e es-
tenose suhglótica aumenta." •• Um diâmetro maior de um
tubo de crícotirotornia permite que ocorra tanto inalação
quanto exalação através deste dispositivo, e ele não conta
com uma via aérea nativa patente corno o jato de ventilação
transtraqueal. Por esta razão. o laringoespasmo durante o
jato de ventilação transtraqueal pode causar a superinflação
dos pulmões do paciente de modo rápido e resulta r em baro-
trauma pulmonar.
O kit de cricorirotomia requer mini ma ou nenhuma monta-
gem porque esta técnica é sempre executada sob circunstâncias
eme.rgenciais. O sistema deve ser projetado de modo que se a
via aérea é inicialmente identificada (geralmente por aspiração
do ar através de uma agulha), o dispositivo final não pode
ser forçado para dentro de outro plano tecidual. A técnica de
Seldinger é ideal para evitar este problema. O dispositivo final
deixado na via aérea deve ser de calibre adequado (preferen-
cialmente >4mm). Se o kit de cricotirotomia possui um tubo
com balonete, a pulmonar é uma questão menos
importante e a via aérea é protegida da aspiração.
Ventilação a jato Transtraqueal
Produtos comerciais para ventilação a jato transtraqueal pre-
vinem a necessidade de produtos automontáveis que contam
com conexões de fricção e podem facilmente se desconectar
quando sob ventilação de alta pressão (50 psi). O petfil de
risco para ventilação a jato transtraqueal é semelhante àquele
para cricotirotomia e inclui pneumotórax, pneumomediastino,
sangramento, infecção e enfisema subcutâneo. Como resultado
de uma alta pressão de oxigênio usada para ventilação a jato
transtraqueal, essas complicações podem se tomar ameaças à
vida muito rapidamente. Contra indicações absolutas ao jato de
ventilação transtraqueal silo a obstrução de via aérea superior
ou qualquer ruptura de via aêrea.!i(J·"
EXTUBAÇÃO TRAQUEAL
A extubação traquea l após anestesia gera l requer hab ilida-
des e julgamento aprendidos através da experiência. O pa-
ciente deve estar profundamente anestesiado ou totalmente
acordado no período da extubação traqueal. A extubação
traqueal durante um período de anestesia leve (olhar des-
Capítulo 16 Manuse io das Vias Aé reas
conjugado, respiração presa ou tosse e não responsividade
aos comandos) aumenta o risco de laringoespasmo. Um
paciente levando a mão ao tubo endotraqueal pode indicar
uma resposta localizadora à estimulação nociva na ausência
de consciência suftciente para acordar da anestesia e seguir
comandos.
A extubação traqueal antes do retomo dos reflexos prote-
tores da via aérea (extubação traqueal profunda) é geralmente
associada a menos tosse e efeitos hemodinãmicos atenuados
na emergência. Isto pode ser preferivel em pacientes com risco
de aumento de pressão inrracraniana ou intraocular, sangra-
menta em feridas cirúrgicas ou deiscência de feridas. Todavia,
ventilação com máscara facial ou intubação endotraqueal
prévia difícil, risco de aspiração e um procedimento cirúrgico
que pode ter resultado em edema de via aérea ou aumento de
irritabilidade de via aérea são contraindicações para extubação
traqueal profunda.
Técnica
Respiração espontânea com oxigênio a 100% e estabelecida
antes da extuhação traqueal. Assim corno na lntubação tra-
queal, um FRC preenchido com oxigênio permite que por um
período maior de segurança o aprisionamento da respiração
ou o lari ngospasmo ocorram imediatamente após a extubação
traq ueal. Os efeitos de fármacos bloqueadores neuromus-
culares devem ser revertidos por completo. A orofaringe e
succionada logo antes da extubação. O balonete do tubo
endotraqueal é desintlado e o tubo traquea l rapidamente
removido da rraqueia do paciente e das vias aéreas superiores,
enquanto um dispositivo de respiração com pressão positiva
é colocado para ajudar a expelir secreções. O balonete não
deve permanecer esvaziado por um período significativo de
ten1po antes da exrubação traqueal porque as cordas vocais
não podem se fechar em volta do tubo endotraqueal e as
secreções supraglóticas serem aspiradas. Cronometrar a ex-
tubação traqueal com o pico de inspiração é pretendido para
a exalação ou tosse a fim de eliminar a aspiração de secreções
da traqueia. Após exrubação traqueal, oxigtnio é fornecido
por máscara facial.
Se a intubação rraqueal foi difícil no começo do procedi-
mento, é recomendada a extubação com o paciente acordado
para assegurar que o paciente seja capaz de respirar esponta-
neamente e de manter a oxigenação e a ventilação. A extubação
traqueal com um broncoscópio de fibra ótica ou com cateter de
troca de tubo endotraqueal de modo que a reintubação endo-
traqueal possa ser executada também é uma opção.
Complicações
Complicações com intubação traquea l são raras e não devem
intluenciar na decisão de se colocar o tubo traqueal. Cert.amen-
te, os benefícios da colocação adequada de um tubo traquea l
excedem os riscos da intubação traquea l. Complicações de
uma intubação traqueal podem ser caregorizadas como aquelas
que ocorrem (1] durame a laringoscopia direta e intubação
traqueal, (2] enquanto o tubo traqueal est.á colocado e (3) após
extubação traqueal, tanto imediatamente ou depois de um
atraso de diversos dias (Tabela 16-9).
225
111
Seção 111 PREPARAÇÃO PRt-OPERATÓRIA E GERENCIAMENTO INTRAOPERATÓRIO
Tabela 16-9 Complicações da lntubação Traqueal
Durante a Laringoscopia Direta e lntubação Taqueal
Trauma de dentes e tecidos moles
Hipertensão sistêmica e taquicardia
Disritmias cardfacas
lsquemia miocárdica
Inalação (aspiração) de conteúdo gástrico
Enquanto o Tubo Traqueal Está Colocado
Obstrução do tubo traqueal
lntubação endobrônquica
lntubação esofágica
Vazamento do balonete do tubo traqueal
Barotrauma pulmonar
Distensão nasogástrica
Desconecção acidental do circuito de respiração anestésico
lsquemia da mucosa traqueal
Extubação acidental
Complicações Imediatas e Tardias após Extubação Traqueal
Laringoespasmo
Inalação (aspiração) de conteúdo gástrico
Faringite (dor de garganta)
laringite
Edema larfngeo ou subglótico
Ulceração larfngea comou sem formação de granuloma
Traquefte
Estenose traqueal
Paralisia de cordas vocais
Deslocamento de cartilagem aritenoide
COMPLICAÇÕES DURANTE LARINGOSCOPIA DIRETA
E INTUBAÇÃO TRAQUEAL
Trauma dental é o tipo de dano mais frequente na laringoscopia
direta. É estimado que um em cada 4.500 pacientes submetidos
a manobras de vias aéreas superiores durante anestesia é aco-
metido por um dano dental que requer tratamento futuro ou
extração. 02 Pacientes mais propensos ao risco de dano dental
incluem aqueles que possuem dentição pobre preexistente e
aqueles com anatomias de vias aéreas superiores que tomam a
laringoscopia direta ou a intubação traqueal difíceis. O uso de
protetores plásticos sobre os dentes superiores e prevenção do
uso da lâmina laringoscópica como uma alavanca nos dentes
pode minimizar a probabilidade de dano dental. Se o dano
dental ocorrer, uma consulta rápida ao dentista é indicada.
Um dente desalojado deve ser recuperado, mas se a procura
for sem sucesso, radiografias apropriadas da cabeça/pescoço,
peito e abdome devem ser feitas para se ter certeza de que o
dente não passou pela abertura glótica até a traqueia ou até
vias aéreas mais distais."
Hipertensão sistêmica e taquicardia muitas vezes acompa-
nham a laringoscopia direta (independentemente do tipo de
lâmina laringoscópica utilizado) e a intubação traqueal. Estas
respostas são usualmente tra.nsientes e inócuas. Em pacientes
com hipertensão sistêmica preexistente ou doença isquêmica
coronariana, todavia, estas alterações podem exacerbar ou
pôr em perigo o ba lanço entre as necesidades de oxigênio
no coração e o seu aporte. Nestes pacientes, a duração da la-
ringoscopia direta deve ser a mais curta possível. Arritmias
sérias ou persistentes dura.nte a inrubação traqueal são menos
226
prováveis se o tempo de apneia é minimizado e a oxigenação
e a desnitrogenação adequadas são feitas."'
Os traumas diretos de vias aéreas superiores ocorrem mais
frequentemente com intubações traqueais devido à apli-
cação de mais força física nesses pacientes do que em pacientes
normais, assim como a necessidade de diversas tentativas de
intubação. A consequência mais comum é um dente lascado
ou quebrado. Lacerações de faringe posterior e lábios, assim
como machucados são mais comuns com intubações tra.queais
difíceis. Em casos extremos, interrupção da oxigenação e da
ventilação prolongadas pode resultar em parada cardíaca e
dano cerebral."'
COMPLICAÇÕES ENQUANTO O TUBO TRAQUEAL ESTÁ
COLOCADO
Obstrução do tubo traqueal pode ocorrer como resutado de
secreções espessadas ou dobras. A chance de intubação endo-
brônquica pode ser minimizada pelo cálculo do comprimento
do tubo endotraqueal para o paciente e então a anotação da
marca em centímetros no tubo no ponto de fixação nos lábios
do paciente. Em adultos, pregar o tubo nos lábios do paciente
nas marcas correspondentes de 21 a 23 em do tubo traqueal
geralmente coloca o final distai do tudo endotraqueal no meio
da traqueia. A flexão da cabeça do paciente pode avançar o
tubo em até 1,9 em e converter um posicionamento traqueal
em endobrônquico do tubo, especialmente em crianças. Con-
trariamente, extensão da cabeça pode retirar o tubo em até
1,9 em e resultar em posicionamento faringeo do tubo. A rota-
ção lateral da cabeça move o final distai do tubo traqueal em
aproximadamente 0,7 em."'
COMPLICAÇÕES IMEDIATAS E TARDIAS APÓS EXTUBAÇÃO
TRAQUEAL
Laringoespasmo e inalação de conteúdo gástrico são as duas
potenciais complicações mais severas após extubação tra -
queal. Laringoespasmo é menos frequente se a profundidade da
anestesia é suficiente durante a extubação traqueal (supressão
de reflexos laríngeos) ou o paciente é despertado antes da
extubação traqueal (reflexos laringeos intactos). Um paciente
que está levemente anestesiado no momento da extubação
traqueal (reflexos laringeos nem devidamente suprimidos, nem
completamente recuperados) possui maior risco. Se ocorre
laringoespasmo, o oxigênio enviado com pressão positiva pela
máscara facial e o deslocamento para a frente da mandíbula
com o dedos indicadores do anestesista aplicando pressão nas
articulações tempomandibulares podem ser o tratamento su-
ficiente. A administração de succinilcolina colina (0,1 mg/kg
IV} ou uma indução com agente anestésico são indicadas se o
laringoespasmo persiste .. "'
Faringites são as reclamações mais frequentes após ex-
tubação, particularmente em mulheres, presumivelmente em
razão da cobertura da mucosa que recobre as cordas voca is
posteriores ser mais fina que em homens. Mialgia do músculo
esquelético associada à administração de succinilcolina pode se
manisfestar em músculos perifaringeos como "dor de garganta"
pós-operatória, que é muitas vezes atribuída incorretamente
à intubação traqueal. O uso de tubos traqueais grandes (8,5 a
9,0mm de Dij versus tubos traqueais pequenos (6,5 a 7,0nun on pode resultar em aumento da probabilidade de ocorrência
de faringites. Independentemente do mecanismo. a faringite
geralmente desaparece espontaneamente sem nenhum trata-
mento em 48 a 72 horas. Algum grau de incompetência laringea
pode estar presente nas primeiras 4 a 8 após a extubação
traquea I."
A maior complicação de intubação traqueal prolongada
(>48 horas) é o dano da mucosa traqueal, que pode progredir
para destruição dos anéis cartilagenosos e subsequente forma-
ção de escara cicatricial e estenose traqueal. A estenose se toma
sintomática quando o lúmen da traqueia do adulto e diminuída
em menos que 5 mm."
MANUSEIO DE VIAS AÉREAS EM BEBÊS
E CRIANÇAS (CAPS. 33 E 34)
Diferenças entre as V ias Aéreas de Crianças
e Adultos
O entendimento das diferenças anatômicas enrre as vias aéreas
de crianças e adultos é um ponto critico das manobras de vias
aéreas em pediatria (Tabela '16- 10). Todas essas diferenças entre
as vias aéreas de crianças e adultos desaparecem à medida que
a criança cresce, e geralmente por volta dos lO anos de idade
da criança. as vias aéreas superiores adquirem características
mais semelhantes às das vias aéreas de um adulto.
A laringe infantil é localizada mais elevada no pescoço no
nível da C3-C4 que em adultos, nos quais a laringe esta locali-
zada no nfvel de C4-C5. Isto causa um deslocamento na língua
mais superior, mais próxima ao pa.lato. A língua se contrapõe
mais facilmente ao palato, o que pode causar obstrução das vias
aéreas em situações como a de indução anestésica inalatória.
A língua de um lactente também é maior em proporção ao
tamanho da boca do que a língua do adulto. O tamanho maior
relativo da lingua toma mais difícil a laringoscopla direta e
pode contribuir para a obstrução das vias aéreas superiores du-
rante a sedação, indução de anestesia inalatória ou emergência
em anestesia. Pressão anterior no ângulo da mandíbula para
desloca r a língua para uma posição mais anterior geralmente
resolve este problema. Um cânula oro ou nasof'aríngea pode
ser úti l nestas situações.
A epiglote em crianças é geralmente descrita como maior,
mais rígida e com formato de Omega mais acentuado que em
adultos. E, o mais importante. a epiglote de uma criança é tipi-
camente angulada em uma posição mais posterior, bloqueando
desta forma a visualização das cordas durante a larin-
gosc:opia direta. Em lactentes e crianças pequenas geralmente é
necessario levantar a epiglote com a ponta da lâmina do larin-
goscópio para visualizar as cordas vocais e intubar com êxito a
Tabela 16-10 Vias Aéreas de Crianças vmus Vias Aéreas
de Adulto
• Laringe é localizada mais elevada no pescoço
• Lfngua maior relacionada ao tamanho da boca
• Epigfote maior, mais r(gida e mais angulada posteriormente
• Cabeça e região ocipitaf maiores em relação ao tamanho
corporal
• Pescoço curto
• Narinas estreitas
• Anel cricóideo estálocalizado na região mais estreita
Capítulo 16 Manuseio das Vias Aéreas
traqueia. Lâminas laringoscópicas retas, as quais possuem um
perfil menor que as curvas, cabem mais facilmente na boca de
lactentes. Lâminas laringoscópicas retas, com a ponta mais es-
treita, também são mais efacientes no levantamento da epiglote,
pernútindo urna visualização melhor das cordas vocais.
As vias aéreas de crianças geralmente são descritas como
tendo um formato de funil, com uma cartilagem tireóidea
relativamente grande em c ima e uma cartilagem cricóidea
estreita em baixo. A porção mais estreita da via aérea infan -
til é a cartilagem cricóidea, enquanto a porção mais estreita
em adultos é a das cordas vocais. A cartilagem cricóidea tem
formato circular permitindo que tubos endotraqueais não
inflados sejam selados exitosamente e protejam a via aérea
da aspiração. O tamanho correto do tubo endotraqueal sem
balonete é aquele que resulta em escapamento de ar ao redor
do tudo endorraqueal com aplicação de 20 a 25 em de H O de > pressão positiva. Tubos endotraqueais com balonete podem
ser usados em bebês e crianças se a inflação do balonete é
cuidadosamente ajustada e monitorada de modo que o esca-
pamento de pressão mantido de 20 a 25cm de H,O. Se o
óxido nitroso é utilizado durante a anestesia, irá se difundir
no balonete inflado aumentando tanto o seu volume quanto a
sua pressão na mucosa traquea l subjacente. Se o escapamento
da pressão for muito a lto ta nto com o balonete não inflado
quanto intlado, a mucosa traquea l será comprimida causando
edema subglótico no nível da cartilagem cricóidea ou abaixo.
Essa complicação pode resultar em crupe pós-extubação ou
estridor en1 casos mais leves, e estenose traque.al en1 casos mais
severos envolvendo intubação traqueal prolongada.
A cabeça de uma criança e o occipital são relativamente
maiores que em adultos. A posição apropriada para laringos-
copia direta e intubação traqueal em um adulto é frequente-
mente descrita como a posição de olfação c·sniffing") com a
cabeça elevada e o pescoço flexionado em C6-C7 e estendido
em CI-C2. Já em uma criança, um rolete de ombros ou no
pescoço é necessário para estabelecer uma posição ideal para
a máscara facial de ventilação e para a lari ngoscopia direta.
As narinas de uma criança são relativamente menores que em
adultos e geralmente podem o ferecer resistência significativa
ao fluxo de ar e aumentar o trabalho da respiração, especial-
mente quando secreções, edema e sangramentos as deixan1
mais estreitas.
Manuseando as Vias Aéreas Normais em Bebês
e Crianças
Uma história e um exame flsico completos da criança são os
primeiros passos no manuseio pediátrico de vias aéreas.
HISTÓRIA
A história deve incluir quaisquer problemas com anestesias
prévias, e registros anestésicos prévios devem ser revisados
se disponíveis. Uma história de roncos deve provocar ques-
tionamento adiciona l sobre a possibilidade de a criança ter
apneia do sono obstrutiva e deve alertar o anestesista que uma
obstrução respiratória pode se desenvolver durante a indução
e fases de eme.rgência da anestesia, assim como no período
pós-operatório, especialmente se opioides forem dados para
o tratamento de dores.
227
111