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Renata Valadão Bittar – Medicina Unit MAMA NORMAL As glândulas mamárias são glândulas tubuloalveolares constituídas por 15 a 20 lobos, que se irradiam do mamilo e estão separados uns dos outros por tecido adiposo e conjuntivo. São glândulas sudoríparas apócrinas modificadas que se desenvolvem pela ação dos hormônios sexuais. O lactogênio placentário e os estrógenos estimulam o desenvolvimento da glândula mamária. Este envolve interações entre o mesênquima e o epitélio e consiste em 2 fases: FORMAÇÃO DO MAMILO e DESENVOLVIMENTO DA GLÂNDULA MAMÁRIA. O mamilo é visível por volta da 6ª sexta semana como um acúmulo de células epiteliais ectodérmicas ao longo da linha láctea, formando uma depressão, o mamilo invertido. Após o nascimento, o mamilo faz saliência e a aréola se torna elevada conforme as glândulas areolares se desenvolvem ao redor do mamilo. O mamilo contém tecido conjuntivo e células musculares lisas, formando um esfíncter circular. Fibras nervosas simpáticas são observadas entre as células musculares lisas. O estroma é formado por tecidos conjuntivo denso não- modelado com abundantes fibras colágenas que envolvem os ductos e os alvéolos e tecido adiposo. Após a gravidez, o tecido adiposo substitui o tecido lobular alveolar. Um lóbulo é formado por um ducto lactífero e vários alvéolos. O ducto lactífero se abre em um seio lactífero. Cada alvéolo (unidade secretora alveolar) é formado por células epiteliais cúbicas a cilíndricas, células mioepiteliais e uma lâmina basal. Uma glândula mamária contém cerca de 10 a 20 lobos separados. Na puberdade, os estrógenos circulantes (na presença de prolactina) estimulam o desenvolvimento dos ductos lactíferos e o crescimento do tecido adiposo circunjacente. As células epiteliais que revestem os ductos lactíferos contêm receptores nucleares e citossólicos para estrógenos. A progesterona estimula a formação de novos brotamentos alveolares, em substituição aos antigos que regrediram, que finalmente desaparecem ao final do ciclo ovariano. O ducto lactífero é revestido por um epitélio com 2 camadas de células que variam de cúbicas a cilíndricas baixas, apresenta esparsas células mioepiteliais e uma lâmina basal. As células mioepiteliais estão vacuolizadas durante a fase luteínica (devido ao acúmulo de glicogênio) Renata Valadão Bittar – Medicina Unit A glândula mamária contém um sistema de ductos, lobos e lóbulos. Cada lóbulo é imerso em tecido conjuntivo intralobular frouxo e muito celularizado, sendo que é separado dos vizinhos por tecido conjuntivo intralobular denso pouco celularizado e por muito tecido adiposo; Cada lobo contém um ducto lactífero ramificado que se estende até o tecido fibroadiposo da glândula mamária; Cada ducto lactífero é revestido por epitélio simples cilíndrico ou cúbico e por uma camada externa descontínua de células mioepiteliais; Cada ducto é envolvido por tecido conjuntivo frouxo e uma rede de capilares; O tecido conjuntivo que cerca os alvéolos contém muitos linfócitos e plasmócitos. ESTÁGIO NÃO-GRAVÍDICO OU EM REPOUSO A glândula mamária consiste em ductos lactíferos, cada um terminando em um grupo de evaginações saculares em fundo-cego; Nesse estágio não são observados lóbulos e lobos. ESTÁGIO GRAVÍDICO E LACTAÇÃO Crescimento por ação sinérgica de vários hormônios (estrógeno, progesterona e lactogênio placentário humano); Os ductos se ramificam e terminam em aglomerados de sáculos (alvéolos: unidades secretoras), formando um lóbulo; 4 a 6 células mioepiteliais de forma estrelada envolvem cada alvéolo; Um lobo é formado por um grupo de lóbulos drenados por um ducto lactífero. A quantidade de tecido conjuntivo e adiposo diminui em relação ao parênquima. Na lactação, as células secretoras se tornam cuboides pequenas e baixas, e o seu citoplasma contém gotículas esféricas que contém lipídio e são liberadas no lúmen envolvidas por uma porção apical da célula. Há também na porção apical das células secretoras, vacúolos que contém caseína s e outras proteínas do leite; O leite produzido pelas células epiteliais dos alvéolos se acumula no lúmen dos alvéolos e dentro dos ductos lactíferos. Renata Valadão Bittar – Medicina Unit SUCÇÃO DURANTE A LACTAÇÃO O estímulo neural no mamilo, resultante da sucção, determina: 1) A ejeção do leite pela liberação de oxitocina. A oxitocina causa contração das células mioepiteliais ao redor dos alvéolos. 2) A inibição do fator de liberação do hormônio luteinizante pelo hipotálamo, resultando na interrupção temporária da ovulação. Renata Valadão Bittar – Medicina Unit FIBROADENOMA O fibroadenoma é de longe a neoplasia benigna mais comum da mama feminina. Muitos ocorrem em mulheres entre 20 e 30 anos e são frequentemente múltiplos e bilaterais. Mulheres jovens geralmente apresentam uma massa palpável e mulheres idosas, uma densidade mamográfica ou calcificações mamográficas. O epitélio do fibroadenoma é hormonalmente responsivo e um aumento do tamanho devido às alterações lactacionais durante a gestação, que pode ser complicada por enfarto ou inflamação, pode memetizar um carcinoma. O estroma com frequência torna-se densamente hialinizado após a menopausa e pode calcificar. Grandes calcificações lobuladas (“pipocas”) têm aspecto mamográfico característico, mas calcificações pequenas podem aparecer agrupadas e requerem biópsia para excluir a possibilidade de carcinoma. Pensa-se que um aumento absoluto ou relativo do estrogênio contribui para o seu desenvolvimento. Além disso, os fibroadenomas podem aumentar tardiamente no ciclo menstrual e durante a gravidez; após a menopausa, eles podem regredir e calcificar. MACROSCOPIA Geralmente manifestam-se como massas móveis, isoladas e distintas. Nódulos esféricos que são, em geral, pronunciadamente circunscritos e livremente móveis. Eles variam em tamanho de menos de 1cm a tumores grandes, que podem ocupar a maior parte da mama. Os tumores são bem circunscritos, elásticos em forme de nódulos branco-acinzentados que abaúlam o tecido circundante e frequentemente contêm fendas. Uma seção de corte mostra cor branco-acastanhada uniforme, pontuada por manchas rosa-amareladas mais moles, que representam as áreas glandulares. MICROSCOPIA O exame histológico mostra um estroma fibroblástico frouxo que contém espaços revestidos por epitélio, como ductos, de várias formas e tamanhos. É um tumor bifásico composto de estroma fibroblástico e glândulas revestidas por epitélio; no entanto, apenas as células do estroma são clonais e verdadeiramente neoplásicas. Como no tecido mamário normal, esses espaços glandulares são revestidos por células luminais e mioepiteliais com membrana basal bem definida e intacta. O estroma delicado, celular e frequentemente mixoide, assemelha-se ao estroma intralobular normal. O epitélio pode ser circundado por estromaou comprimido e distorcido por ele. Em mulheres idosas, o estroma tipicamente se torna densamente hialinizado e o epitélio atrófico. Renata Valadão Bittar – Medicina Unit Alguns fibroadenomas são hiperplasias policlonais do estroma lobular, devido a alguns tipos de estímulo. Por exemplo, quase a metade das mulheres que recebem Ciclosporina A depois de um transplante renal desenvolvem fibroadenomas. Nessa situação, os tumores são frequentemente múltiplos e bilaterais. A regressão pode ocorrer depois da suspensão do uso. Outros fibroadenomas são neoplasmas benignos associados a aberrações clonais citogenéticas, que estão confinadas ao componente estromal. Os fibroadenomas são originalmente agrupados com outras “alterações proliferativas sem atipia” por conferirem aumento mediano do risco de câncer subsequente. Entretanto, em um estudo, o risco aumentado estava limitado aos fibroadenomas associados a cistos maiores que 0,3cm, adenose esclerosante, calcificações epiteliais, ou alteração apócrina papilífera (“fibroadenomas complexos”). Renata Valadão Bittar – Medicina Unit CARCINOMA DE MAMA É A MALIGNIDADE NÃO DA PELE MAIS COMUM EM MULHERES E A SEGUNDA QUE MAIS MATA, FICANDO ATRÁS APENAS DO CA DE PULMÃO. Uma mulher que vive até os 90 anos tem uma chance em 8 de desenvolver câncer de mama. Em 2007, mais de 40.000 mulheres morreram de câncer de mama. Espera-se que o número de mulheres com câncer de mama aumente cerca de 1/3 nos próximos 20 anos. SOMENTE O CÂNCER DE PULMÃO CAUSA MAIS MORTES POR CÂNCER EM MULHERES NOS EUA. Há tempos tem-se enfatizado que o câncer de mama é uma doença heterogênea com largo arranjo de aspectos histológicos. Estudos recentes do perfil genético tem têm confirmado que existem muitos tipos de cânceres, mas também mostram que muitos carcinomas agrupam-se em vários grupos principais com importantes diferenças biológicas e clínicas. A maioria dos carcinomas tem RECEPTOR ESTROGÊNICO POSITIVO (RE) e é caracterizada por uma assinatura genética denominada pelas dúzias de genes sob o controle do estrogênio. Sobre os TUMORES RE NEGATIVOS, muitos caem em um grupo distinto “basal-símile”. Carcinomas RE-positivos e RE-negativos mostram conflitantes diferenças no que diz respeito às características do paciente, características patológicas, resposta terapêutica e sobrevida. INCIDÊNCIA E EPIDEMIOLOGIA A incidência começou a aumentar em mulheres idosas devido ao screening mamográfico no início dos anos 80. As taxas de screening gradualmente aumentaram, mas recentemente alcançaram um platô de 60% a 80% das mulheres elegíveis. O BENEFÍCIO PRINCIPAL DO SCREENING É A DETECÇÃO DE PEQUENOS, PREDOMINANTEMENTE RE-POSITIVOS, CARCINOMAS INVASIVOS E CARCINOMAS IN SITU. O CDIS é quase que exclusivamente detectado pela mamografia, promovendo uma explicação para o rápido aumento no seu diagnóstico desde 1980. Pequenos carcinomas nódulo-negativos (estágio I), que são mais bem detectados pela mamografia, aumentaram em frequência, assim como o número de carcinomas mamários grandes, de estágios avançados (estágios II e IV), diminuiu modestamente. No mesmo período de tempo, a incidência de carcinoma mamário em mulheres jovens, para as quais o screening não foi recomendado, não se alterou. De 2001 a 2004 diminuiu a incidência de câncer invasivo RE- positivo e possui razões multifatoriais. Renata Valadão Bittar – Medicina Unit Em 2002 muitas mulheres pararam de usar terapia de reposição hormonal pós-menopausa após mostrarem que esse tratamento tem benefícios limitados e poderia estimular o crescimento ou desenvolvimento dos carcinomas RE positivos. A incidência de câncer de mama em mulheres afro- americanas permaneceu estável e aumentou o número de cânceres RE-negativos, sugerindo que estes cânceres não são afetados pela reposição hormonal. Desde 1994, as taxas de mortalidade do câncer de mama para todas as mulheres têm declinado lentamente de 30% a 20%. O decréscimo é atribuído à detecção de cânceres clinicamente significativos em um estágio de cura, devido ai screening, assim como às melhores e mais efetivas modalidades de tratamento. A mortalidade é maior nos grupos de mulheres afro- americanas, mulheres de outros grupos étnicos e mulheres com cânceres RE-negativos, apesar de ter uma incidência menor. FATORES DE RISCO O fator de risco mais importante é o SEXO; somente 1% dos casos de câncer de mama ocorrem em homens. Esses são os fatores usados no cálculo BRCAT: 1. IDADE 2. IDADE DA MENARCA 3. IDADE DO PRIMEIRO PARTO VIVO 4. PARENTES EM PRIMEIRO GRAU COM CÂNCER DE MAMA 5. HIPERPLASIA ATÍPICA 6. RAÇA/ETNIA 7. EXPOSIÇÃO ESTROGÊNICA 8. DENSIDADE MAMÁRIA 9. EXPOSIÇÃO À RADIAÇÃO 10. CARCINOMA DA MAMA CONTRALATERAL OU DE ENDOMÉTRIO 11. INFLUÊNCIA GEOGRÁFICA 12. DIETA 13. OBESIDADE 14. EXERCÍCIOS 15. AMAMENTAÇÃO 16. TOXINAS AMBIENTAIS 17. TABACO IDADE A incidência aumenta durante a vida da mulher, com pico na idade entre 75-80 anos, depois declinando suavemente. A idade média no diagnóstico é de 61 anos para mulheres brancas, 56 anos para mulheres hispânicas e 46 anos para mulheres afro-americanas. Somente 20% das mulheres brancas não-hispânicas são diagnosticadas antes dos 50 anos, em comparação com 35% Da mulheres afro-americanas e 31% das mulheres hispânicas. O câncer de mama é muito raro em todos os grupos antes dos 25 anos de idade. Apesar de os carcinomas serem incomuns em mulheres jovens, quase metade deles são RE-negativos ou receptores 2 do fator de crescimento epidérmico humano (EHR2/neu) positivo, levando em consideração que esses cânceres perfazem menos de 1/3 dos cânceres em mulheres acima dos 40 anos. IDADE DA MENARCA Mulheres que atingem a menarca antes dos 11 anos de idade têm um risco 20% maior, comparado ao de mulheres que tiveram a menarca acima de 14 anos de idade. A menopausa tardia também aumenta o risco. IDADE DO PRIMEIRO PARTO VIVO As mulheres que vivenciam a 1ª gestação a termo antes dos 20 anos de idade têm metade do risco de mulheres nulíparas ou das mulheres acima dos 35 anos de idade no seu primeiro parto. Supõe-se que a gestação resulte em uma diferenciação terminal das células luminais produtoras de leite, removendo-as do conjunto potencial de precurssores cancerígenos. Esse efeito protetor pode ser obscurecido em mulheres idosas pela estimulação precoce, na gravidez, da proliferação das células que já sofreram alterações pré- neoplásicas. Também é possível que as alterações no Renata Valadão Bittar – Medicina Unit estroma que permitem o crescimento e expansão dos lóbulos durante a gestação facilitem a transição entre o carcinoma in situ e invasivo. Essas alterações relacionadas à gravidez podem explicar o AUMENTO TRANSITÓRIO DO RISCO QUE SE SEGUE A UMA GRAVIDEZ, um efeito que é mais pronunciado em mulheres mais velhas. PARENTES EM PRIMEIRO GRAU COM CÂNCER DE MAMA O risco de câncer de mama aumentacom o número de parentes em primeiro grau afetados (mãe, irmã ou filha), especialmente SE O CÂNCER OCORREU EM IDADE JOVEM. Mais de 87% das mulheres com história familiar não desenvolverão câncer. Muitos riscos familiares são provavelmente devidos à interação de genes de baixo risco susceptíveis e fatores não genéticos. O BRCAT não foi designado para calcular o risco de mulheres com mutação em um gene de alto risco para câncer de mama, como o BRCA1 ou BRCA2. HIPERPLASIA ATÍPICA Uma história anterior de biópsias mamárias, especialmente se revelam hiperplasia atípica, aumentam o risco de carcinoma invasivo. Existe um pequeno aumento de risco associado a alterações mamárias proliferativas sem atipia. RAÇA/ETNIA Mulheres brancas não hispânicas têm as mais altas taxas de câncer de mama. Fatores sociais como, como acesso limitado ao sistema de saúde e baixo uso da mamografia, podem contribuir bastante para essas disparidades, mas as diferenças biológicas também desempenham um importante papel. As mulheres hispânicas e afro-americanas tendem a desenvolver cânceres e idade mais jovem, antes da menopausa, que são mais presumivelmente pouco diferenciados e RE negativos. Mutações no p53 são mais comuns em mulheres afro- americanas, mas menos comuns em mulheres hispânicas, quando comparadas a mulheres brancas não-hispânicas. Suspeita-se que a variação nos genes de risco para o câncer de mama através dos grupos étnicos seja responsável, ao menos em parte, por essas diferenças. A incidência de mutações no BRCA1 e BRCA2 ocorrem em diferentes frequências nos diferentes grupos étnicos. EXPOSIÇÃO ESTROGÊNICA A terapia de reposição hormonal pós-menopausa aumenta o risco de câncer de mama em 1,2 a 1,7 vez, e adicionando-se a progesterona aumenta o risco adiante. Muitos cânceres excedentes são carcinomas RE-positivos, incluindo carcinomas lobulares invasivos, que tendem a ser de tamanho pequeno quando detectados. Os contraceptivos orais não foram convincentemente demonstrados em afetar o risco de câncer de mama, mas diminuem o risco de carcinomas endometriais e ovarianos. Reduzindo o estrogênio endógeno pela ooforectomia (remoção dos ovários), o risco de desenvolvimento de câncer de mama diminui em até 75%. Fármacos que bloqueiam os efeitos estrogênicos (tamoxifeno) ou a formação de estrogênio (aromatases inibidoras) também diminuem o risco de câncer de mama RE- positivo. DENSIDADE MAMÁRIA A alta radiodensidade mamária é um forte fator de risco para o desenvolvimento do câncer. A alta densidade está correlacionada com idade jovem e exposição hormonal, e acumula-se em famílias. Altas densidades mamárias podem estar relacionadas com menor involução completa dos lóbulos no final de cada ciclo menstrual, que, em retorno, pode aumentar o número de células potencialmente suscetíveis à transformação neoplásica. Renata Valadão Bittar – Medicina Unit Mamas densas também fazem a detecção de câncer mais difícil pela mamografia. Outras modalidades, como a RM, podem ser úteis nesses casos. EXPOSIÇÃO À RADIAÇÃO A radiação torácica, se devida à terapia de câncer, exposição à bomba atômica ou acidentes nucleares, resulta em taxas mais altas de câncer de mama. O risco é maior com a exposição em idade jovem e altas doses de radiação. Os riscos de exposição à radiação acima dos 25 anos de idade são substancialmente menores. O SCREENING MAMOGRÁFICO CORRENTE UTILIZA MENORES DOSES DE RADIAÇÃO E PARECE NÃO AFETAR O RISCO DE CÂNCER DE MAMA. CARCINOMA DE MAMA CONTRALATERAL OU DE ENDOMÉTRIO Aproximadamente 1% das mulheres com câncer de mama desenvolvem um segundo contralateral. O risco é maior em mulheres com mutações germinativas nos genes BRCA1 e BRCA2, que frequentemente desenvolvem múltiplos cânceres. Carcinomas mamários e endometriais têm fatores de risco em comum, dos quais o mais importante é a exposição prolongada à estimulação estrogênica. INFLUÊNCIA GEOGRÁFICA As taxas de incidência de CA de mama nos EUA e Europa são 4 a 7x maiores que a dos outros países. As taxas estão crescendo mundialmente e em 2020 estima- se que 70% dos casos ocorrerão em países em desenvolvimento. O risco de câncer de mama aumenta em imigrantes nos EUA a cada geração devido a vários fatores de risco: história reprodutiva (número e tempo das gestações), amamentação, dieta, obesidade, atividade física e fatores ambientais. DIETA O consumo de cafeína pode diminuir o risco de câncer de mama. O consumo moderado ou pesado de álcool aumenta o risco. Altos níveis de estrogênio + baixos níveis de folato podem ser a base dessa assoaição. OBS: Folatos O folato é uma vitamina do complexo B. É necessário para a síntese, reparação e funcionamento do DNA e RNA, os suportes da vida. Esta vitamina é necessária para a produção e manutenção das novas células e é especialmente importante durante os períodos de crescimento rápido, como na infância e gravidez. Tanto os adultos como as crianças necessitam de folato para uma produção normal de glóbulos vermelhos e prevenir a anemia1. Uma deficiência ligeira de folato está associada a níveis elevados do aminoácido homocisteína no sangue, o que constitui um factor de risco para a doença cardíaca e trombose2. Uma vez que o folato previne a danificação do DNA, existem algumas evidências de que este pode prevenir certos cancros, em particular o cancro do cólon. Alguns dos alimentos que contem folato são: sumo de laranja, vegetais de folha verde, amendoim, leguminosas secas e miudezas. Para evitar a deficiência em folato, devemos ter um hábito regular de consumir 3 a 5 porções de fruta e vegetais por dia. OBESIDADE Existe um risco diminuído em mulheres obesas abaixo dos 40 anos, como resultado da associação a ciclos anovulatórios e baixos níveis de progesterona na fase tardia do ciclo. Em contraste, o risco aumenta para mulheres obesas pós- menopausadas, o que é atribuído à síntese de estrogênio nos depósitos de gordura. EXERCÍCIOS Existe um pequeno efeito protetor para mulheres fisicamente ativas. A diminuição é maior em mulheres na pós- menopausa, mulheres que não são obesas e que tiveram gestações a termo. Renata Valadão Bittar – Medicina Unit AMAMENTAÇÃO Quanto mais tempo a mulher amamentar, maior a redução do risco. A lactação suprime a ovulação e pode desencadear a diferenciação das células luminais. Países em desenvolvimento maior frequência e duração da amamentação TOXINAS AMBIENTAIS Existe a preocupação de que os contaminantes ambientais, como os pesticidas organoclorados. Tenham efeito estrogênicos em humanos. TABACO O fumo não está claramente associado ao câncer de mama, mas está associado ao desenvolvimento de mastite periductal (abscesso sybareolar). ETIOLOGIA E PATOGENIA Os principais fatores de risco são HORMONAIS e GENÉTICOS. Carcinomas mamários A herança de um gene ou genes susceptíveis é a causa primária de aproximadamente 12% dos cânceres de mama. A probabilidade de uma etiologia hereditária aumenta com múltiplas parentas de primeiro grau afetadas, quando as mulheres são afetadas antes da menopausa e/ou têm múltiplos cânceres, ou existem outros membros familiares com outros cânceres específicos.Em algumas famílias, o risco aumentado é resultante de uma ÚNICA MUTAÇÃO em um gene de câncer mamário altamente penetrante. Mutações no BRCA1 e BRCA2 são os principais responsáveis pela maioria dos cânceres atribuídos a mutações únicas e cerca de 3% de todos os cânceres de mama. Mutações no BRCA1 aumentam acentuadamente o risco de desenvolver carcinoma ovariano, que ocorre em cerca de 20 a 40% das portadoras. O BRCA2 confere um risco um pouco menor para o desenvolvimento de carcinoma de ovário, mas está associado frequentemente ao câncer de mama masculino. Portadores BRCA1 e BRCA2 estão também em alto risco para outros cânceres epiteliais, como os carcinomas prostático e pancreático. O teste genético para identificação desses genes é difícil e está geralmente restrito a indivíduos com uma forte história familiar ou àqueles pertencentes a certos grupos étnicos (descendência judia asquenaze carreiam 2 mutações no BRCA1 e uma no BRCA2). A identificação dos portadores é importante, já que o aumento da sobrevida, a mastectomia profilática e a ooforectomia podem reduzir a morbidade e mortalidade associada ao câncer. CÃNCERES MAMÁRIOS BRCA1 associados são comumente: POUCO DIFERENCIADOS, Tem “alterações medulares” NÃO EXPRESSAM RECEPTORES HORMONAIS ou superexpressam HER2/neu (fenótipo “triplo negativo”). Sua assinatura genética é característica muito similar à dos cânceres mamários basalsímile. Demonstram PERDA DO CROMOSSOMO X INATIVO E REDUPLICAÇÃO DO X ATIVO (ausência de corpúsculo de Barr) CÃNCERES MAMÁRIOS BRCA2 associados são comumente: POUCO DIFERENCIADOS São mais RE positivos que os cânceres BRCA1 OUTROS GENES SUSCETÍVEIS (10% carcinomas): 1. p53: síndrome Li-Fraumeni 2. CHEK2: variantes da Li-Fraumeni 3. PTEN: síndrome de Cowden 4. LKBI/STK11: síndrome de Peutz-Jeghers 5. ATM: ataxia telangiectasia Casos Esporádicos (exposição hormonal) Casos Hereditários (mutações germinativas) CÂNCER DE MAMA HEREDITÁRIO Renata Valadão Bittar – Medicina Unit A expressão diminuída do BRCA1 e CHEK2 é comum nos cânceres esporádicos, particularmente nos “triplo-negativos” ou pouco diferenciados. Os maiores fatores de risco para o câncer de mama esporádico estão relacionados à EXPOSIÇÃO HORMONAL: Sexo Idade da menarca Idade da menopausa História reprodutiva Amamentação Estrogênios exógenos A maioria ocorre em mulheres pós-menopausadas e são RE positivos. A exposição hormonal aumenta o número de células alvo em potencial, pela estimulação do crescimento mamário durante a puberdade, ciclos menstruais e gravidez. A exposição aos hormônios também guia ciclos de proliferação que colocam células em risco para dano de DNA. Uma vez que células malignas ou pré-malignas estejam presentes, os hormônios podem estimular o seu crescimento, assim como o crescimento das células epiteliais e estromais normais que podem ajudar a favorecer o desenvolvimento do tumor. Ou seja, durante esses períodos de pico hormonal, há estimulação do crescimento mamário (aumento de células alvo em potencial). A mulheres que tem a menarca mais cedo, antes dos 14 anos e a menopausa mais tarde estarão mais tempo expostas aos hormônios e, consequentemente, têm maior risco de desenvolver câncer de mama. O ESTROGÊNIO pode, também, desempenhar um PAPEL MAIS DIRETO NA CARCINOGÊNESE OS METABÓLITOS DO ESTROGÊNIO PODEM CAUSAR MUTAÇÕES OU GERAR RADICAIS LIVRES CAUSADORES DE DANO NO DNA EM CÉLULAS. Variantes genes envolvidos na síntese e metabolismo do estrogênio podem aumentar o risco de câncer de mama. Essas variantes podem ser análogas aos alelos citocromo P450 que alteram o metabolismo do tamoxifeno em algumas mulheres. CARCINOGÊNESE E PROGRESSÃO TUMORAL As diversas características histológicas dos carcinomas e supostas lesões precursoras são as manifestações exteriores das complexas mudanças genéticas e epigenéticas que guiam a carcinogênese. Um modelo de carinogênese postula que uma célula normal deve adquirir várias novas capacidades para se tornar maligna. Populações de células que abrigam algumas mudanças genéticas e epigenéticas necessárias para a carcinogênese dão origem às lesões mamárias que estão associadas ao aumento do risco de progressão do câncer. Essas alterações são mudanças proliferativas, as quais podem provir da perda dos sinais de inibição do crescimento, aumentos aberrantes nos sinais pró-crescimento, ou decréscimo da apoptose. EXEMPLO: Muitas lesões iniciais como a Hiperplasia Ductal Atípica e a Hiperplasia Lobular Atípica mostram aumento da expressão de receptores hormonais e regulação anormal da proliferação há aumento do risco de malignização. O tipo celular mais comum de origem da maioria dos CARCINOMAS é a CÉLULA LUMINAL RE-EXPRESSIVA, já que em sua maioria dos cânceres RE-positivos e lesões precursoras, como as hiperplasias atípicas, são mais similares a este tipo de célula. Carcinomas RE-negativos podem nascer de células mioepiteliais RE-negativas. CARCINOMAS INVASIVOS DE BAIXO/MODERADO GRAU (RE-POSITIVOS) podem se originar de doenças proliferativas que evoluam para Hiperplasias atípicas. CARCINOMAS INVASIVOS DE ALTO GRAU (RE- NEGATIVOS) têm precursor indefinido. CÂNCER DE MAMA ESPORÁDICO Renata Valadão Bittar – Medicina Unit O passo final da carcinogênese, a transição de carcinoma in situ para carcinoma invasivo, é o mais importante e o último entendimento. A estrutura e função de uma mama normal dependem de um complexo interligado entre células luminais, mioepiteliais e estromais. O mesmo mecanismo (eventos moleculares) que faz com que haja surgimento de ductos e lóbulos durante a puberdade e gravidez, é recapitulado durante a carcinogênese: 1. Violação da membrana basal 2. Proliferação aumentada 3. Escape da inibição do crescimento 4. Angiogênese 5. Invasão do estroma A remodelação da mama, que envolve reações tissulares inflamatórias do tipo “cura de ferimentos”, podem explicar o aumento transitório dos cânceres mamários durante e logo após a gravidez, já que estas alterações podem facilitar a transição de carcinoma in situ para carcinoma invasivo. CA DE MAMA x GRAVIDEZ Durante a puberdade e gravidez, apresentamos um alto nível de hormônios que estimulam o crescimento mamário, aumentado a quantidade de células e levando ao surgimento e desenvolvimento de ductos e lóbulos, sendo na gravidez o único momento de expansão e desenvolvimento completo destes. Esse mesmo mecanismo fisiológico utilizado para desenvolver as mamas (ductos e lóbulos) pode ser usado para a carcinogênese. Essa remodelação da mama desencadeia reações inflamatórias que facilitam a transição do carcinoma in situ para o invasivo. CLASSIFICAÇÃO DO CARCINOMA MAMÁRIO Renata Valadão Bittar – Medicina Unit Mais de 95% das malignidades mamárias são ADENOCARCINOMAS que são divididos em carcinomas in situ e carcinomas invasivos. CARCINOMA IN SITU Neoplasia que está limitada aos ductos e lóbulos pela membrana basal. CARCINOMA INVASIVO Infiltrante. Penetrou da membrana basal para o estroma. Aqui as células têm potencial para invadir os vasos sanguíneos e, consequentemente, atingir os linfonodos regionais e sítiosdistantes. APESAR DA EVIDÊNCIA DE QUE TODOS OS CARCINOMAS MAMÁRIOS SE ORIGINAM DAS CÉLULAS DA UNIDADE TERMINAL DUCTAL LOBULAR, persiste o uso dos termos LOBULAR e DUCTAL para descrever ambos os tipos de carcinoma. LOBULAR = CARCINOMA DE UM TIPO ESPECÍFICO DUCTAL = ADENOCARCINOMAS QUE NÃO TÊM OUTRA DESIGNAÇÃO Carcinoma Ductal in situ ou Intraductal (CDIS) O seu diagnóstico aumentou devido ao screening mamográfico. Quase metade dos cânceres detectados através da mamografia são CDIS. Muitos são detectados como resultado das calcificações, menos comumente, a fibrose periductal que circunda o CDIS forma uma densidade mamográfica ou uma massa palpável vaga. Raramente o CDIS produz descarga papilar ou é detectado como um achado incidental em biópsia para outras lesões. CDIS = população clonal maligna de células limitadas aos ductos e lóbulos pela membrana basal. As células mioepiteliais estão preservadas, apesar de poderem estar em menor quantidade. Podem se espalhar pelos ductos e lóbulos e produzir lesões extensas envolvendo um setor inteiro da mama. Quando o CDIS envolve lóbulos, os ácinos estão usualmente distorcidos e abertos, e adquirem aspecto de pequenos ductos. MICROSCOPIA Possui 5 tipos histopatológicos: 1. Comedocarcinoma Massas sólidas de células pleomórficas com núcleo hipercromático de “alto grau” e áreas de necrose central, microcalcificações das membranas, fibrose periductal e inflamação crônica. NÃO-COMEDO: células monomórficas com graus nucleares de baixo a alto grau. 2. Sólido: preenche completamente os espaços envolvidos 3. Cribiforme: espaços intraepiteliais são uniformemente distribuídos e regulares 4. Papilífero: cresce nos espaços ao longo dos eixos fibrovasculares que tipicamente carecem do revestimento mioepitelial normal 5. Micropapilífero: protrusões bulbares sem eixos fibrovasculares, arranjadas em complexos padrões intraductais A maioria dos carcinomas mostra uma mistura de padrões. CARCINOMA IN SITU Renata Valadão Bittar – Medicina Unit CDIS não comedo. A: CDIS cribiforme composta por células que formam espaços arredondados e regulares. Os lúmens estão preenchidos por material necrótico calcificado. B: CDIS sólido quase preencheu completamente e distorceu este lóbulo, restando poucas células luminais normais. Este CDIS não está usualmente associado a calcificações e pode estar clinicamente oculto. CDIS não comedo. A: CDIS papilífero – eixos fibrovasculares se projetam num ducto e estão preenchidos por altas células colunares. B: CDIS micropapilífero – as papilas estão conectadas à parede do ducto por uma base estreita e tem grande crescimento bulhoso. As papilas são sólidas e pobres em feixes fibrovasculares. *Doença de Paget do mamilo: rara manifestação do câncer de mama e se apresenta como uma erupção eritematosa unilateral como uma crosta escamosa. Prurido é comum e a lesão pode ser confundida com eczema. Células malignas (células de Paget) se estendem do CDIS dentro do sistema ductal, vias seios lactíferos, para a pele do mamilo, sem atravessar a membrana basal. Mulheres não tratadas com CDIS pequeno e de baixo grau desenvolvem carcinoma invasivo em 1% dos casos ao ano. Mulheres com CDIS de alto grau ou extensos progridem para carcinoma invasivo em maiores taxas. A mastectomia para CDIS é curativa em 95% dos casos. A conservação da mama é apropriada para muitas mulheres com CDIS, mas resulta em um leve aumento de risco de recorrência. Os principais fatores de risco para recorrência são: Grau Tamanho Margens A radioterapia pós-operatória e o tamoxifeno também reduzem o risco de recorrência. O benefício do tamoxifeno pode estar restrito a mulheres com CDIS RE-POSITIVO. As mortes por câncer de mama são muito incomuns, ocorrendo em 2% das mulheres com CDIS. Renata Valadão Bittar – Medicina Unit CARCINOMA LOBULAR IN SITU O CLIS é sempre um achado incidental de biópsia, já que NÃO ESTÁ ASSOCIADO A CALCIFICAÇÕES ou REAÇÕES ESTROMAI que produzam densidades mamográficas. Logo, sua incidência não tem sido afetada pelo screening mamográfico como o CDIS. O CLIS é mais comum bilateralmente enquanto o CDIS, unilateralmente quando biopsiados. MAIS COMUM EM MULHERES JOVENS: 80 a 90% dos casos ocorrem ANTES DA MENOPAUSA. As células do CLIS e do carcinoma lobular invasivo são idênticas e possuem anormalidades genéticas como a PERDA DE EXPRESSÃO DA E-CADERINA, uma proteína celular transmebrana que contribui para a adesão das células epiteliais mamárias. MICROSCOPIA Células arredondadas e “soltas” ou discoesas pela ausência da proteína de adesão CADERINA-E Células em anel de sinete (mucino-positivas) Raramente distorce a arquitetura presente O ácino envolvido permanece reconhecido como lóbulo Quase sempre RE-positivo Na ausência de screening mamográfico, o carcinoma invasivo quase sempre se apresenta como uma massa palpável. Tumores palpáveis estão associados a metástases linfonodais axilares em mais de 50% dos pacientes. Carcinomas grandes podem estar fixos na parede torácica ou causas reentrâncias na pele. Quando o tumor ocupa a porção central da mama, pode haver retração do mamilo. Os linfáticos podem estar tão envolvidos que bloqueiam a área local de drenagem da pele e causam linfedema e espessamento da pele. Nesses casos, aderências da pele à mama pelos ligamentos de Cooper mimetizam o aspecto casca de laranja. Em mulheres idosas que fazem mamografia, os carcinomas invasivos mais comumente se apresentam como massas radiodensas. Cânceres mamograficamente detectados têm, na média, metade do tamanho dos cânceres palpáveis. Menos de 20% terão metástases linfonodais. Os carcinomas invasivos que apresentam calcificações mamográficas sem associação com densidade são muito pequenos em tamanho e as metástases são incomuns. CARCINOMAS INFLAMATÓRIOS Tumores que se apresentam com uma MAMA INTUMESCIDA e ERITEMATOSA. Essa aparência é causada por extensa invasão e obstrução dos linfáticos dérmicos pelas células tumorais. O carcinoma subjacente é frequentemente difusamente infiltrativo e tipicamente não forma massa palpável discreta. Prognóstico pobre. CARCINOMA INVASIVO (INFILTRANTE) Renata Valadão Bittar – Medicina Unit Raramente, o câncer de mama se apresenta como uma metástase linfonodal axilar ou metástases a distância antes de ser detectado na mama. CARCINOMA INVASIVO, NENHUM TIPO ESPECÍFICO (NTE; CARCINOMA DUCTAL INVASIVO) Representam a maioria dos carcinomas invasivos (70 a 80%). MACROSCOPIA Tumores são firmes a endurecidos e têm borda irregular, quando cortados ou raspados produzem som irritante característico como cortar uma castanha devido ao pequeno foco central em ponta de alfinete, ou raias de estroma elástico branco-calcário e pequenos focos de calcificação ocasionais. MICROSCOPIA Vasta gama de características histológicas. Carcinomas bem diferenciados mostram formação tubular proeminente, núcleos pequenos arredondados e raras figuras mitóticas. Carcinomas moderadamente diferenciados podem ter formações tubulares, mas agrupamentos sólidosou infiltrantes também estão presentes. Carcinomas pouco diferenciados frequentemente invadem como ninhos desorganizados ou lâminas sólidas de células com núcleo aumentado e irregular. Áreas de necrose tumoral. CLASSIFICAÇÃO MOLECULAR DO CARCINOMA INVASIVO DUCTAL PADRÕES DE EXPRESSÃO MOLECULAR: 1. Luminal A 2. Luminal B 3. Normal 4. Basal-símile 5. HER2 positivo Renata Valadão Bittar – Medicina Unit CARCINOMA LOBULAR INVASIVO Usualmente se apresentam como uma massa palpável ou uma densidade mamográfica com bordas irregulares. ¼ dos casos infiltra-se difusamente no tecido e causa pequena desmoplasia. Estes tumores são difíceis de serem detectados pela palpação e podem causar somente alterações mamográficas muito sutis. Carcinomas que apresentam uma maior incidência de bilateralidade. MICROSCOPIA Peculiaridade Células tumorais infiltrativas incoesas, frequentemente arranjadas em fileiras simples ou em aglomerados discoesos, ou em lâminas. NÃO HÁ FORMAÇAO TUBULAR. Células idênticas às da Hiperplasia Lobular Atípica e CLIS. Células em anel de sinete contendo uma gotícula de mucina. Desmoplasia mínima ou ausente. Carcinomas pouco, moderado ou muito diferenciados. Os carcinomas lobulares invasivos bem diferenciados são usualmente diploides RE-positivos, associados ao CLIS e não causam superexpressão HER2/neu. Os carcinomas lobulares invasivos pouco diferenciados são geralmente aneuploides, muitas vezes desprovidos de receptores hormonais e podem superexpresser HER2/neu. OS CARCINOMAS LOBULARES TÊM UM DIFERENTE PADRÃO DE METÁSTASES Peritônio Retroperitônio Leptomeninges (carcinoma meníngeo) TGI Ovários Útero Carcinoma lobular invasivo e adenocarcinoma gástrico apresentam perda da E-CADERINA, bem como a presença de células em anel de sinete (adenocarcinoma gástrico do tipo difuso). A perda da CADERINA-E também é vista na Hiperplasia Lobular Atípica e CLIS, o que mostra que esse é um evento precoce no desenvolvimento do carcinoma lobular. RESUMINHO CDIS DLIS C. Ductal Invasivo C. Lobular Ivasivo Screening mamográfico aumentou diagnóstico Screening mamográfico NÃO aumentou diagnóstico Screening mamográfico aumentou diagnóstico Screening mamográfico aumentou diagnóstico - difícil diagnóstico pela palpação Metade dos cânceres detectados pela mamografia SEMPRE um achado incidental da biópsia Na ausência de screening, o carcinoma quase sempre é massa palpável Alterações mamográficas sutis Calcificações e fibrose periductal (produzem densidade mamográficas) Não apresenta calcificações e fibrose periductal (sem densidades mamográficas) Formam túbulos, ductos, ninhos celulares, maior pleomorfismo, necrose Mais tipos. Fileiras únicas de células soltas, anel de sinete, NÃO HÁ FORMAÇÃO TUBULAR, desmoplasia 5 tipos histológicos/aus ência de células em anel de sinete Células soltas e em anel de sinete 5 padrões de expressão molecular/ bem, moderado ou pouco diferenciados Bem diferenciados são RE- positivo, pouco diferenciados são RE- negativo x Mais comum em mulheres jovens antes da menopausa x x Não há falta de expressão da Caderina-E Falta da Caderina-E Não há falta de expressão da Caderina-E Falta da Caderina-E RE-positivos e RE-negativos Quase sempre RE-positivo Metástases para peritônio, retroperitõnio, leptomeninges , TGI, ovários e útero Renata Valadão Bittar – Medicina Unit PROGNÓSTICO É determinado por 2 fatores: Exame patológico do carcinoma primário Exame patológico dos linfonodos axilares Exceções: CARCINOMA COM METÁSTASES A DISTÂNCIA e CARCINOMA INFLAMATÓRIO Prognóstico pobre FATORES PROGNÓSTICOS 1. Carcinoma invasivo x Carcinoma in situ: carcinomas invasivos têm pior prognóstico que os carcinomas in situ. 2. Metástases a distância: a cura é improvável. O tipo de tumor influencia o tempo e a localização das metástases 3. Metástases linfonodais: o status dos LINFONODOS AXILARES é o FATOR PROGNÓSTICO MAIS IMPORTANTE para o carcinoma invasivo na ausência de metástases a distância. Necessária biópsia do linfonodo sentinela. Sem envolvimento linfonodal: sobrevida de 70 a 80% em 10 anos 1 ou 3 linfonodos envolvidos: sobrevida de 35 a 40% em 10 anos Mais de 10 linfonodos: sobrevida cai para 10 a 15% 4. Tamanho do tumor: o TAMANHO DE UM CARCINOMA INVASIVO é o segundo mais importante fator prognóstico. O risco de metástases linfonodais aumenta com o tamanho do tumor primário. Tumor < 1cm: sobrevida > 90% em 10 anos Tumores > 2cm: sobrevida 77% 5. Doença local avançada: carcinomas que invadem a pele ou a musculatura esquelética são usualmente grandes e podem ser difíceis de tratar cirurgicamente. 6. Carcinoma inflamatório: prognóstico particularmente pobre. A taxa de sobrevida em 3 anos é de 3 a 10%. Mais comuns em mulheres jovens e afroamericanas. OBS: AUTOEXAME O autoexame das mamas não diminui a mortalidade do câncer de mama, sugerindo que na época que o câncer se torna palpável (tipicamente quando tem no mínimo 2 a 3cm) a capacidade tumoral de metastatização já ocorreu. Cânceres mamograficamente detectados são menores e menos comuns de terem metastatizado. PROGNÓSTICO E FATORES PREDITIVOS MENORES 1. Subtipo histológico: carcinoma ductal tem pior prognóstico 2. Grau histológico: pouco diferenciados tem pior prognóstico (grau nuclear, formação tubular e taxa mitótica) 3. Receptores de estrogênio e progesterona: cânceres RE-positivos tem menos chance de responder à quimioterapia 4. HER2/neu: superexpressão do HER2/neu mostra prognóstico pobre 5. Invasão linfovascular: se presente, apresenta prognóstico pobre 6. Taxa proliferativa: altas taxas proliferativas têm prognóstico pobre 7. Conteúdo de DNA: tumores aneuploides tem índices de DNA anormais e pior prognóstico Renata Valadão Bittar – Medicina Unit 8. Resposta à terapia neoadjuvante: tumores pouco diferenciados, RE-negativos e com áreas de necrose possuem melhor resposta à terapia 9. Perfil de expressão genética Os carcinomas lobulares invasivos bem diferenciados são usualmente diploides RE-positivos, associados ao CLIS e não causam superexpressão HER2/neu. Os carcinomas lobulares invasivos pouco diferenciados são geralmente aneuploides, muitas vezes desprovidos de receptores hormonais e podem superexpresser HER2/neu. PREVENÇÃO E DIAGNÓSTICO PRECOCE As formas mais eficazes para detecção precoce do câncer de mama são o exame clínico da mama e a mamografia. O Exame Clínico das Mamas (ECM) Quando realizado por um médico ou enfermeira treinados, pode detectar tumor de até 1 (um) centímetro, se superficial. A sensibilidade do ECM varia de 57% a 83% em mulheres com idade entre 50 e 59 anos, e em torno de 71% nas que estão entre 40 e 49 anos. A especificidade varia de 88% a 96% em mulheres com idade entre 50 e 59 e entre 71% a 84% nas que estão entre 40 e 49 anos. A mamografia A mamografia é a radiografia da mama que permite a detecção precoce do câncer, por ser capaz de mostrar lesões emfase inicial, muito pequenas (de milímetros). Estudos sobre a efetividade da mamografia sempre utilizam o exame clínico como exame adicional, o que torna difícil distinguir a sensibilidade do método como estratégia isolada de rastreamento. A sensibilidade varia de 46% a 88% e depende de fatores tais como: tamanho e localização da lesão, densidade do tecido mamário (mulheres mais jovens apresentam mamas mais densas), qualidade dos recursos técnicos e habilidade de interpretação do radiologista. A especificidade varia entre 82%, e 99% e é igualmente dependente da qualidade do exame. O autoexame das mamas O INCA não estimula o autoexame das mamas como estratégia isolada de detecção precoce do câncer de mama. A recomendação é que o exame das mamas pela própria mulher faça parte das ações de educação para a saúde que contemplem o conhecimento do próprio corpo. As evidências científicas sugerem que o autoexame das mamas não é eficiente para o rastreamento e não contribui para a redução da mortalidade por câncer de mama. Além disso, o autoexame das mamas traz consigo consequências negativas, como aumento do número de biópsias de lesões benignas, falsa sensação de segurança nos exames falsamente negativos e impacto psicológico negativo nos exames falsamente positivos.