Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Renata Valadão Bittar – Medicina Unit 
 
MAMA NORMAL 
 
As glândulas mamárias são glândulas tubuloalveolares 
constituídas por 15 a 20 lobos, que se irradiam do mamilo 
e estão separados uns dos outros por tecido adiposo e 
conjuntivo. 
 
São glândulas sudoríparas apócrinas modificadas que se 
desenvolvem pela ação dos hormônios sexuais. 
 
O lactogênio placentário e os estrógenos estimulam o 
desenvolvimento da glândula mamária. Este envolve 
interações entre o mesênquima e o epitélio e consiste em 2 
fases: FORMAÇÃO DO MAMILO e DESENVOLVIMENTO DA 
GLÂNDULA MAMÁRIA. 
 
O mamilo é visível por volta da 6ª sexta semana como um 
acúmulo de células epiteliais ectodérmicas ao longo da linha 
láctea, formando uma depressão, o mamilo invertido. Após o 
nascimento, o mamilo faz saliência e a aréola se torna 
elevada conforme as glândulas areolares se desenvolvem ao 
redor do mamilo. 
 
O mamilo contém tecido conjuntivo e células musculares 
lisas, formando um esfíncter circular. Fibras nervosas 
simpáticas são observadas entre as células musculares lisas. 
 
O estroma é formado por tecidos conjuntivo denso não-
modelado com abundantes fibras colágenas que envolvem os 
ductos e os alvéolos e tecido adiposo. Após a gravidez, o 
tecido adiposo substitui o tecido lobular alveolar. 
 
Um lóbulo é formado por um ducto lactífero e vários alvéolos. 
O ducto lactífero se abre em um seio lactífero. Cada alvéolo 
(unidade secretora alveolar) é formado por células epiteliais 
cúbicas a cilíndricas, células mioepiteliais e uma lâmina basal. 
Uma glândula mamária contém cerca de 10 a 20 lobos 
separados. 
 
Na puberdade, os estrógenos circulantes (na presença de 
prolactina) estimulam o desenvolvimento dos ductos 
lactíferos e o crescimento do tecido adiposo circunjacente. 
 
As células epiteliais que revestem os ductos lactíferos contêm 
receptores nucleares e citossólicos para estrógenos. A 
progesterona estimula a formação de novos brotamentos 
alveolares, em substituição aos antigos que regrediram, que 
finalmente desaparecem ao final do ciclo ovariano. 
 
 
 
O ducto lactífero é revestido por um epitélio com 2 
camadas de células que variam de cúbicas a cilíndricas 
baixas, apresenta esparsas células mioepiteliais e uma 
lâmina basal. As células mioepiteliais estão vacuolizadas 
durante a fase luteínica (devido ao acúmulo de glicogênio) 
 
 
 
Renata Valadão Bittar – Medicina Unit 
 
A glândula mamária contém um sistema de ductos, lobos e 
lóbulos. 
 
Cada lóbulo é imerso em tecido conjuntivo intralobular frouxo 
e muito celularizado, sendo que é separado dos vizinhos por 
tecido conjuntivo intralobular denso pouco celularizado e por 
muito tecido adiposo; 
 
Cada lobo contém um ducto lactífero ramificado que se 
estende até o tecido fibroadiposo da glândula mamária; 
 
Cada ducto lactífero é revestido por epitélio simples cilíndrico 
ou cúbico e por uma camada externa descontínua de células 
mioepiteliais; 
 
Cada ducto é envolvido por tecido conjuntivo frouxo e uma 
rede de capilares; 
 
O tecido conjuntivo que cerca os alvéolos contém muitos 
linfócitos e plasmócitos. 
 
ESTÁGIO NÃO-GRAVÍDICO OU EM REPOUSO 
A glândula mamária consiste em ductos lactíferos, cada um 
terminando em um grupo de evaginações saculares em 
fundo-cego; 
 
Nesse estágio não são observados lóbulos e lobos. 
 
 
 
ESTÁGIO GRAVÍDICO E LACTAÇÃO 
Crescimento por ação sinérgica de vários hormônios 
(estrógeno, progesterona e lactogênio placentário humano); 
 
Os ductos se ramificam e terminam em aglomerados de 
sáculos (alvéolos: unidades secretoras), formando um 
lóbulo; 
 
4 a 6 células mioepiteliais de forma estrelada envolvem cada 
alvéolo; 
 
Um lobo é formado por um grupo de lóbulos drenados por um 
ducto lactífero. 
 
A quantidade de tecido conjuntivo e adiposo diminui em 
relação ao parênquima. 
 
Na lactação, as células secretoras se tornam cuboides 
pequenas e baixas, e o seu citoplasma contém gotículas 
esféricas que contém lipídio e são liberadas no lúmen 
envolvidas por uma porção apical da célula. 
 
Há também na porção apical das células secretoras, vacúolos 
que contém caseína s e outras proteínas do leite; 
 
O leite produzido pelas células epiteliais dos alvéolos se 
acumula no lúmen dos alvéolos e dentro dos ductos lactíferos. 
 
 
 
Renata Valadão Bittar – Medicina Unit 
 
SUCÇÃO DURANTE A LACTAÇÃO 
O estímulo neural no mamilo, resultante da sucção, 
determina: 
 
1) A ejeção do leite pela liberação de oxitocina. A 
oxitocina causa contração das células mioepiteliais 
ao redor dos alvéolos. 
2) A inibição do fator de liberação do hormônio 
luteinizante pelo hipotálamo, resultando na 
interrupção temporária da ovulação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Renata Valadão Bittar – Medicina Unit 
 
FIBROADENOMA 
 
O fibroadenoma é de longe a neoplasia benigna mais comum 
da mama feminina. Muitos ocorrem em mulheres entre 20 e 
30 anos e são frequentemente múltiplos e bilaterais. 
 
Mulheres jovens geralmente apresentam uma massa 
palpável e mulheres idosas, uma densidade mamográfica ou 
calcificações mamográficas. 
 
O epitélio do fibroadenoma é hormonalmente responsivo e 
um aumento do tamanho devido às alterações lactacionais 
durante a gestação, que pode ser complicada por enfarto ou 
inflamação, pode memetizar um carcinoma. 
 
O estroma com frequência torna-se densamente hialinizado 
após a menopausa e pode calcificar. Grandes calcificações 
lobuladas (“pipocas”) têm aspecto mamográfico 
característico, mas calcificações pequenas podem aparecer 
agrupadas e requerem biópsia para excluir a possibilidade de 
carcinoma. 
 
Pensa-se que um aumento absoluto ou relativo do estrogênio 
contribui para o seu desenvolvimento. Além disso, os 
fibroadenomas podem aumentar tardiamente no ciclo 
menstrual e durante a gravidez; após a menopausa, eles 
podem regredir e calcificar. 
 
MACROSCOPIA 
Geralmente manifestam-se como massas móveis, isoladas 
e distintas. 
 
Nódulos esféricos que são, em geral, pronunciadamente 
circunscritos e livremente móveis. Eles variam em tamanho 
de menos de 1cm a tumores grandes, que podem ocupar a 
maior parte da mama. 
 
Os tumores são bem circunscritos, elásticos em forme de 
nódulos branco-acinzentados que abaúlam o tecido 
circundante e frequentemente contêm fendas. 
 
 
Uma seção de corte mostra cor branco-acastanhada 
uniforme, pontuada por manchas rosa-amareladas mais 
moles, que representam as áreas glandulares. 
 
 
 
MICROSCOPIA 
O exame histológico mostra um estroma fibroblástico 
frouxo que contém espaços revestidos por epitélio, como 
ductos, de várias formas e tamanhos. 
 
É um tumor bifásico composto de estroma fibroblástico e 
glândulas revestidas por epitélio; no entanto, apenas as 
células do estroma são clonais e verdadeiramente 
neoplásicas. 
 
Como no tecido mamário normal, esses espaços glandulares 
são revestidos por células luminais e mioepiteliais com 
membrana basal bem definida e intacta. 
 
O estroma delicado, celular e frequentemente mixoide, 
assemelha-se ao estroma intralobular normal. O epitélio pode 
ser circundado por estromaou comprimido e distorcido por 
ele. 
 
Em mulheres idosas, o estroma tipicamente se torna 
densamente hialinizado e o epitélio atrófico. 
 
 
 
Renata Valadão Bittar – Medicina Unit 
 
Alguns fibroadenomas são hiperplasias policlonais do 
estroma lobular, devido a alguns tipos de estímulo. 
 
Por exemplo, quase a metade das mulheres que recebem 
Ciclosporina A depois de um transplante renal desenvolvem 
fibroadenomas. Nessa situação, os tumores são 
frequentemente múltiplos e bilaterais. A regressão pode 
ocorrer depois da suspensão do uso. 
 
Outros fibroadenomas são neoplasmas benignos associados 
a aberrações clonais citogenéticas, que estão confinadas ao 
componente estromal. 
 
Os fibroadenomas são originalmente agrupados com outras 
“alterações proliferativas sem atipia” por conferirem aumento 
mediano do risco de câncer subsequente. Entretanto, em um 
estudo, o risco aumentado estava limitado aos fibroadenomas 
associados a cistos maiores que 0,3cm, adenose 
esclerosante, calcificações epiteliais, ou alteração apócrina 
papilífera (“fibroadenomas complexos”). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Renata Valadão Bittar – Medicina Unit 
 
 
CARCINOMA DE MAMA 
 
É A MALIGNIDADE NÃO DA PELE MAIS COMUM EM 
MULHERES E A SEGUNDA QUE MAIS MATA, FICANDO 
ATRÁS APENAS DO CA DE PULMÃO. 
 
Uma mulher que vive até os 90 anos tem uma chance em 8 
de desenvolver câncer de mama. 
 
Em 2007, mais de 40.000 mulheres morreram de câncer de 
mama. 
 
Espera-se que o número de mulheres com câncer de mama 
aumente cerca de 1/3 nos próximos 20 anos. 
 
SOMENTE O CÂNCER DE PULMÃO CAUSA MAIS 
MORTES POR CÂNCER EM MULHERES NOS EUA. 
 
Há tempos tem-se enfatizado que o câncer de mama é uma 
doença heterogênea com largo arranjo de aspectos 
histológicos. 
 
Estudos recentes do perfil genético tem têm confirmado que 
existem muitos tipos de cânceres, mas também mostram que 
muitos carcinomas agrupam-se em vários grupos principais 
com importantes diferenças biológicas e clínicas. 
 
A maioria dos carcinomas tem RECEPTOR ESTROGÊNICO 
POSITIVO (RE) e é caracterizada por uma assinatura 
genética denominada pelas dúzias de genes sob o controle 
do estrogênio. 
 
Sobre os TUMORES RE NEGATIVOS, muitos caem em um 
grupo distinto “basal-símile”. 
 
Carcinomas RE-positivos e RE-negativos mostram 
conflitantes diferenças no que diz respeito às características 
do paciente, características patológicas, resposta terapêutica 
e sobrevida. 
 
INCIDÊNCIA E EPIDEMIOLOGIA 
 
A incidência começou a aumentar em mulheres idosas devido 
ao screening mamográfico no início dos anos 80. 
 
As taxas de screening gradualmente aumentaram, mas 
recentemente alcançaram um platô de 60% a 80% das 
mulheres elegíveis. 
 
O BENEFÍCIO PRINCIPAL DO SCREENING É A 
DETECÇÃO DE PEQUENOS, PREDOMINANTEMENTE 
RE-POSITIVOS, CARCINOMAS INVASIVOS E 
CARCINOMAS IN SITU. 
 
 
 
O CDIS é quase que exclusivamente detectado pela 
mamografia, promovendo uma explicação para o rápido 
aumento no seu diagnóstico desde 1980. 
 
Pequenos carcinomas nódulo-negativos (estágio I), que são 
mais bem detectados pela mamografia, aumentaram em 
frequência, assim como o número de carcinomas mamários 
grandes, de estágios avançados (estágios II e IV), diminuiu 
modestamente. 
 
No mesmo período de tempo, a incidência de carcinoma 
mamário em mulheres jovens, para as quais o screening não 
foi recomendado, não se alterou. 
 
De 2001 a 2004 diminuiu a incidência de câncer invasivo RE-
positivo e possui razões multifatoriais. 
Renata Valadão Bittar – Medicina Unit 
 
Em 2002 muitas mulheres pararam de usar terapia de 
reposição hormonal pós-menopausa após mostrarem que 
esse tratamento tem benefícios limitados e poderia estimular 
o crescimento ou desenvolvimento dos carcinomas RE 
positivos. A incidência de câncer de mama em mulheres afro-
americanas permaneceu estável e aumentou o número de 
cânceres RE-negativos, sugerindo que estes cânceres não 
são afetados pela reposição hormonal. 
 
Desde 1994, as taxas de mortalidade do câncer de mama 
para todas as mulheres têm declinado lentamente de 30% a 
20%. 
 
O decréscimo é atribuído à detecção de cânceres 
clinicamente significativos em um estágio de cura, devido ai 
screening, assim como às melhores e mais efetivas 
modalidades de tratamento. 
 
A mortalidade é maior nos grupos de mulheres afro-
americanas, mulheres de outros grupos étnicos e mulheres 
com cânceres RE-negativos, apesar de ter uma incidência 
menor. 
 
FATORES DE RISCO 
O fator de risco mais importante é o SEXO; somente 1% dos 
casos de câncer de mama ocorrem em homens. Esses são 
os fatores usados no cálculo BRCAT: 
 
1. IDADE 
2. IDADE DA MENARCA 
3. IDADE DO PRIMEIRO PARTO VIVO 
4. PARENTES EM PRIMEIRO GRAU COM CÂNCER 
DE MAMA 
5. HIPERPLASIA ATÍPICA 
6. RAÇA/ETNIA 
7. EXPOSIÇÃO ESTROGÊNICA 
8. DENSIDADE MAMÁRIA 
9. EXPOSIÇÃO À RADIAÇÃO 
10. CARCINOMA DA MAMA CONTRALATERAL OU 
DE ENDOMÉTRIO 
11. INFLUÊNCIA GEOGRÁFICA 
12. DIETA 
13. OBESIDADE 
14. EXERCÍCIOS 
15. AMAMENTAÇÃO 
16. TOXINAS AMBIENTAIS 
17. TABACO 
 
 IDADE 
A incidência aumenta durante a vida da mulher, com pico na 
idade entre 75-80 anos, depois declinando suavemente. 
 
A idade média no diagnóstico é de 61 anos para mulheres 
brancas, 56 anos para mulheres hispânicas e 46 anos para 
mulheres afro-americanas. 
 
Somente 20% das mulheres brancas não-hispânicas são 
diagnosticadas antes dos 50 anos, em comparação com 35% 
Da mulheres afro-americanas e 31% das mulheres 
hispânicas. 
 
O câncer de mama é muito raro em todos os grupos antes 
dos 25 anos de idade. 
 
Apesar de os carcinomas serem incomuns em mulheres 
jovens, quase metade deles são RE-negativos ou receptores 
2 do fator de crescimento epidérmico humano (EHR2/neu) 
positivo, levando em consideração que esses cânceres 
perfazem menos de 1/3 dos cânceres em mulheres acima dos 
40 anos. 
 
 IDADE DA MENARCA 
Mulheres que atingem a menarca antes dos 11 anos de idade 
têm um risco 20% maior, comparado ao de mulheres que 
tiveram a menarca acima de 14 anos de idade. 
 
A menopausa tardia também aumenta o risco. 
 
 IDADE DO PRIMEIRO PARTO VIVO 
As mulheres que vivenciam a 1ª gestação a termo antes dos 
20 anos de idade têm metade do risco de mulheres nulíparas 
ou das mulheres acima dos 35 anos de idade no seu primeiro 
parto. 
 
Supõe-se que a gestação resulte em uma diferenciação 
terminal das células luminais produtoras de leite, 
removendo-as do conjunto potencial de precurssores 
cancerígenos. 
 
Esse efeito protetor pode ser obscurecido em mulheres 
idosas pela estimulação precoce, na gravidez, da 
proliferação das células que já sofreram alterações pré-
neoplásicas. Também é possível que as alterações no 
Renata Valadão Bittar – Medicina Unit 
 
estroma que permitem o crescimento e expansão dos 
lóbulos durante a gestação facilitem a transição entre o 
carcinoma in situ e invasivo. Essas alterações relacionadas 
à gravidez podem explicar o AUMENTO TRANSITÓRIO DO 
RISCO QUE SE SEGUE A UMA GRAVIDEZ, um efeito que é 
mais pronunciado em mulheres mais velhas. 
 
 PARENTES EM PRIMEIRO GRAU COM 
CÂNCER DE MAMA 
O risco de câncer de mama aumentacom o número de 
parentes em primeiro grau afetados (mãe, irmã ou filha), 
especialmente SE O CÂNCER OCORREU EM IDADE 
JOVEM. 
 
Mais de 87% das mulheres com história familiar não 
desenvolverão câncer. 
 
Muitos riscos familiares são provavelmente devidos à 
interação de genes de baixo risco susceptíveis e fatores não 
genéticos. 
 
 O BRCAT não foi designado para calcular o risco de 
mulheres com mutação em um gene de alto risco para câncer 
de mama, como o BRCA1 ou BRCA2. 
 
 HIPERPLASIA ATÍPICA 
Uma história anterior de biópsias mamárias, especialmente 
se revelam hiperplasia atípica, aumentam o risco de 
carcinoma invasivo. Existe um pequeno aumento de risco 
associado a alterações mamárias proliferativas sem atipia. 
 
 RAÇA/ETNIA 
Mulheres brancas não hispânicas têm as mais altas taxas de 
câncer de mama. 
 
Fatores sociais como, como acesso limitado ao sistema de 
saúde e baixo uso da mamografia, podem contribuir bastante 
para essas disparidades, mas as diferenças biológicas 
também desempenham um importante papel. 
 
As mulheres hispânicas e afro-americanas tendem a 
desenvolver cânceres e idade mais jovem, antes da 
menopausa, que são mais presumivelmente pouco 
diferenciados e RE negativos. 
 
Mutações no p53 são mais comuns em mulheres afro-
americanas, mas menos comuns em mulheres hispânicas, 
quando comparadas a mulheres brancas não-hispânicas. 
 
Suspeita-se que a variação nos genes de risco para o câncer 
de mama através dos grupos étnicos seja responsável, ao 
menos em parte, por essas diferenças. A incidência de 
mutações no BRCA1 e BRCA2 ocorrem em diferentes 
frequências nos diferentes grupos étnicos. 
 
 EXPOSIÇÃO ESTROGÊNICA 
A terapia de reposição hormonal pós-menopausa aumenta o 
risco de câncer de mama em 1,2 a 1,7 vez, e adicionando-se 
a progesterona aumenta o risco adiante. 
 
Muitos cânceres excedentes são carcinomas RE-positivos, 
incluindo carcinomas lobulares invasivos, que tendem a ser 
de tamanho pequeno quando detectados. 
 
Os contraceptivos orais não foram convincentemente 
demonstrados em afetar o risco de câncer de mama, mas 
diminuem o risco de carcinomas endometriais e ovarianos. 
 
Reduzindo o estrogênio endógeno pela ooforectomia 
(remoção dos ovários), o risco de desenvolvimento de câncer 
de mama diminui em até 75%. 
 
Fármacos que bloqueiam os efeitos estrogênicos 
(tamoxifeno) ou a formação de estrogênio (aromatases 
inibidoras) também diminuem o risco de câncer de mama RE-
positivo. 
 
 DENSIDADE MAMÁRIA 
A alta radiodensidade mamária é um forte fator de risco para 
o desenvolvimento do câncer. 
 
A alta densidade está correlacionada com idade jovem e 
exposição hormonal, e acumula-se em famílias. 
 
Altas densidades mamárias podem estar relacionadas com 
menor involução completa dos lóbulos no final de cada ciclo 
menstrual, que, em retorno, pode aumentar o número de 
células potencialmente suscetíveis à transformação 
neoplásica. 
 
Renata Valadão Bittar – Medicina Unit 
 
Mamas densas também fazem a detecção de câncer mais 
difícil pela mamografia. Outras modalidades, como a RM, 
podem ser úteis nesses casos. 
 
 EXPOSIÇÃO À RADIAÇÃO 
A radiação torácica, se devida à terapia de câncer, exposição 
à bomba atômica ou acidentes nucleares, resulta em taxas 
mais altas de câncer de mama. 
 
O risco é maior com a exposição em idade jovem e altas 
doses de radiação. 
 
Os riscos de exposição à radiação acima dos 25 anos de 
idade são substancialmente menores. 
 
O SCREENING MAMOGRÁFICO CORRENTE UTILIZA 
MENORES DOSES DE RADIAÇÃO E PARECE NÃO 
AFETAR O RISCO DE CÂNCER DE MAMA. 
 
 CARCINOMA DE MAMA 
CONTRALATERAL OU DE 
ENDOMÉTRIO 
Aproximadamente 1% das mulheres com câncer de mama 
desenvolvem um segundo contralateral. 
 
O risco é maior em mulheres com mutações germinativas nos 
genes BRCA1 e BRCA2, que frequentemente desenvolvem 
múltiplos cânceres. 
 
Carcinomas mamários e endometriais têm fatores de risco em 
comum, dos quais o mais importante é a exposição 
prolongada à estimulação estrogênica. 
 
 INFLUÊNCIA GEOGRÁFICA 
As taxas de incidência de CA de mama nos EUA e Europa 
são 4 a 7x maiores que a dos outros países. 
 
As taxas estão crescendo mundialmente e em 2020 estima-
se que 70% dos casos ocorrerão em países em 
desenvolvimento. 
 
O risco de câncer de mama aumenta em imigrantes nos EUA 
a cada geração devido a vários fatores de risco: história 
reprodutiva (número e tempo das gestações), amamentação, 
dieta, obesidade, atividade física e fatores ambientais. 
 
 DIETA 
O consumo de cafeína pode diminuir o risco de câncer de 
mama. 
 
O consumo moderado ou pesado de álcool aumenta o risco. 
 
Altos níveis de estrogênio + baixos níveis de folato podem 
ser a base dessa assoaição. 
 
OBS: Folatos 
O folato é uma vitamina do complexo B. É necessário para a 
síntese, reparação e funcionamento do DNA e RNA, os 
suportes da vida. Esta vitamina é necessária para a produção 
e manutenção das novas células e é especialmente 
importante durante os períodos de crescimento rápido, como 
na infância e gravidez. Tanto os adultos como as crianças 
necessitam de folato para uma produção normal de glóbulos 
vermelhos e prevenir a anemia1. Uma deficiência ligeira de 
folato está associada a níveis elevados do aminoácido 
homocisteína no sangue, o que constitui um factor de risco 
para a doença cardíaca e trombose2. Uma vez que o folato 
previne a danificação do DNA, existem algumas evidências 
de que este pode prevenir certos cancros, em particular o 
cancro do cólon. Alguns dos alimentos que contem folato são: 
sumo de laranja, vegetais de folha verde, amendoim, 
leguminosas secas e miudezas. Para evitar a deficiência 
em folato, devemos ter um hábito regular de consumir 3 a 5 
porções de fruta e vegetais por dia. 
 
 OBESIDADE 
Existe um risco diminuído em mulheres obesas abaixo dos 40 
anos, como resultado da associação a ciclos anovulatórios e 
baixos níveis de progesterona na fase tardia do ciclo. 
 
Em contraste, o risco aumenta para mulheres obesas pós-
menopausadas, o que é atribuído à síntese de estrogênio nos 
depósitos de gordura. 
 
 EXERCÍCIOS 
Existe um pequeno efeito protetor para mulheres fisicamente 
ativas. A diminuição é maior em mulheres na pós-
menopausa, mulheres que não são obesas e que tiveram 
gestações a termo. 
 
 
 
Renata Valadão Bittar – Medicina Unit 
 
 AMAMENTAÇÃO 
Quanto mais tempo a mulher amamentar, maior a redução do 
risco. A lactação suprime a ovulação e pode desencadear a 
diferenciação das células luminais. 
 
Países em desenvolvimento  maior frequência e duração da 
amamentação 
 
 TOXINAS AMBIENTAIS 
Existe a preocupação de que os contaminantes ambientais, 
como os pesticidas organoclorados. Tenham efeito 
estrogênicos em humanos. 
 
 TABACO 
O fumo não está claramente associado ao câncer de mama, 
mas está associado ao desenvolvimento de mastite periductal 
(abscesso sybareolar). 
 
ETIOLOGIA E PATOGENIA 
Os principais fatores de risco são HORMONAIS e 
GENÉTICOS. 
 
Carcinomas mamários 
 
 
 
 
 
A herança de um gene ou genes susceptíveis é a causa 
primária de aproximadamente 12% dos cânceres de mama. 
 
A probabilidade de uma etiologia hereditária aumenta com 
múltiplas parentas de primeiro grau afetadas, quando as 
mulheres são afetadas antes da menopausa e/ou têm 
múltiplos cânceres, ou existem outros membros familiares 
com outros cânceres específicos.Em algumas famílias, o risco aumentado é resultante de uma 
ÚNICA MUTAÇÃO em um gene de câncer mamário 
altamente penetrante. 
 
Mutações no BRCA1 e BRCA2 são os principais 
responsáveis pela maioria dos cânceres atribuídos a 
mutações únicas e cerca de 3% de todos os cânceres de 
mama. 
 
Mutações no BRCA1 aumentam acentuadamente o risco 
de desenvolver carcinoma ovariano, que ocorre em cerca 
de 20 a 40% das portadoras. 
 
O BRCA2 confere um risco um pouco menor para o 
desenvolvimento de carcinoma de ovário, mas está 
associado frequentemente ao câncer de mama masculino. 
 
Portadores BRCA1 e BRCA2 estão também em alto risco 
para outros cânceres epiteliais, como os carcinomas 
prostático e pancreático. 
 
O teste genético para identificação desses genes é difícil e 
está geralmente restrito a indivíduos com uma forte história 
familiar ou àqueles pertencentes a certos grupos étnicos 
(descendência judia asquenaze carreiam 2 mutações no 
BRCA1 e uma no BRCA2). 
 
A identificação dos portadores é importante, já que o aumento 
da sobrevida, a mastectomia profilática e a ooforectomia 
podem reduzir a morbidade e mortalidade associada ao 
câncer. 
 
CÃNCERES MAMÁRIOS BRCA1 associados são 
comumente: 
 POUCO DIFERENCIADOS, 
 Tem “alterações medulares” 
 NÃO EXPRESSAM RECEPTORES HORMONAIS 
ou superexpressam HER2/neu (fenótipo “triplo 
negativo”). Sua assinatura genética é característica 
muito similar à dos cânceres mamários basalsímile. 
 Demonstram PERDA DO CROMOSSOMO X 
INATIVO E REDUPLICAÇÃO DO X ATIVO 
(ausência de corpúsculo de Barr) 
 
CÃNCERES MAMÁRIOS BRCA2 associados são 
comumente: 
 POUCO DIFERENCIADOS 
 São mais RE positivos que os cânceres BRCA1 
 
OUTROS GENES SUSCETÍVEIS (10% carcinomas): 
1. p53: síndrome Li-Fraumeni 
2. CHEK2: variantes da Li-Fraumeni 
3. PTEN: síndrome de Cowden 
4. LKBI/STK11: síndrome de Peutz-Jeghers 
5. ATM: ataxia telangiectasia 
 
Casos Esporádicos 
(exposição hormonal) 
 
Casos Hereditários 
(mutações germinativas) 
 
CÂNCER DE MAMA HEREDITÁRIO 
 
Renata Valadão Bittar – Medicina Unit 
 
A expressão diminuída do BRCA1 e CHEK2 é comum nos 
cânceres esporádicos, particularmente nos “triplo-negativos” 
ou pouco diferenciados. 
 
 
 
 
Os maiores fatores de risco para o câncer de mama 
esporádico estão relacionados à EXPOSIÇÃO HORMONAL: 
 Sexo 
 Idade da menarca 
 Idade da menopausa 
 História reprodutiva 
 Amamentação 
 Estrogênios exógenos 
 
A maioria ocorre em mulheres pós-menopausadas e são RE 
positivos. 
 
A exposição hormonal aumenta o número de células alvo em 
potencial, pela estimulação do crescimento mamário durante 
a puberdade, ciclos menstruais e gravidez. 
 
A exposição aos hormônios também guia ciclos de 
proliferação que colocam células em risco para dano de DNA. 
 
Uma vez que células malignas ou pré-malignas estejam 
presentes, os hormônios podem estimular o seu crescimento, 
assim como o crescimento das células epiteliais e estromais 
normais que podem ajudar a favorecer o desenvolvimento do 
tumor. 
 
Ou seja, durante esses períodos de pico hormonal, há 
estimulação do crescimento mamário (aumento de células 
alvo em potencial). A mulheres que tem a menarca mais cedo, 
antes dos 14 anos e a menopausa mais tarde estarão mais 
tempo expostas aos hormônios e, consequentemente, têm 
maior risco de desenvolver câncer de mama. 
 
O ESTROGÊNIO pode, também, desempenhar um PAPEL 
MAIS DIRETO NA CARCINOGÊNESE  OS 
METABÓLITOS DO ESTROGÊNIO PODEM CAUSAR 
MUTAÇÕES OU GERAR RADICAIS LIVRES 
CAUSADORES DE DANO NO DNA EM CÉLULAS. 
Variantes genes envolvidos na síntese e metabolismo do 
estrogênio podem aumentar o risco de câncer de mama. 
Essas variantes podem ser análogas aos alelos citocromo 
P450 que alteram o metabolismo do tamoxifeno em algumas 
mulheres. 
 
CARCINOGÊNESE E PROGRESSÃO 
TUMORAL 
As diversas características histológicas dos carcinomas e 
supostas lesões precursoras são as manifestações exteriores 
das complexas mudanças genéticas e epigenéticas que 
guiam a carcinogênese. 
 
Um modelo de carinogênese postula que uma célula normal 
deve adquirir várias novas capacidades para se tornar 
maligna. 
 
Populações de células que abrigam algumas mudanças 
genéticas e epigenéticas necessárias para a carcinogênese 
dão origem às lesões mamárias que estão associadas ao 
aumento do risco de progressão do câncer. 
 
Essas alterações são mudanças proliferativas, as quais 
podem provir da perda dos sinais de inibição do crescimento, 
aumentos aberrantes nos sinais pró-crescimento, ou 
decréscimo da apoptose. 
 
EXEMPLO: Muitas lesões iniciais como a Hiperplasia Ductal 
Atípica e a Hiperplasia Lobular Atípica mostram aumento da 
expressão de receptores hormonais e regulação anormal da 
proliferação  há aumento do risco de malignização. 
 
O tipo celular mais comum de origem da maioria dos 
CARCINOMAS é a CÉLULA LUMINAL RE-EXPRESSIVA, já 
que em sua maioria dos cânceres RE-positivos e lesões 
precursoras, como as hiperplasias atípicas, são mais 
similares a este tipo de célula. 
 
Carcinomas RE-negativos podem nascer de células 
mioepiteliais RE-negativas. 
 
CARCINOMAS INVASIVOS DE BAIXO/MODERADO GRAU 
(RE-POSITIVOS) podem se originar de doenças proliferativas 
que evoluam para Hiperplasias atípicas. 
 
CARCINOMAS INVASIVOS DE ALTO GRAU (RE-
NEGATIVOS) têm precursor indefinido. 
 
CÂNCER DE MAMA ESPORÁDICO 
 
Renata Valadão Bittar – Medicina Unit 
 
O passo final da carcinogênese, a transição de carcinoma 
in situ para carcinoma invasivo, é o mais importante e o 
último entendimento. 
 
A estrutura e função de uma mama normal dependem de um 
complexo interligado entre células luminais, mioepiteliais e 
estromais. 
 
O mesmo mecanismo (eventos moleculares) que faz com que 
haja surgimento de ductos e lóbulos durante a puberdade e 
gravidez, é recapitulado durante a carcinogênese: 
1. Violação da membrana basal 
2. Proliferação aumentada 
3. Escape da inibição do crescimento 
4. Angiogênese 
5. Invasão do estroma 
 
A remodelação da mama, que envolve reações tissulares 
inflamatórias do tipo “cura de ferimentos”, podem explicar o 
aumento transitório dos cânceres mamários durante e logo 
após a gravidez, já que estas alterações podem facilitar a 
transição de carcinoma in situ para carcinoma invasivo. 
 
CA DE MAMA x GRAVIDEZ 
Durante a puberdade e gravidez, apresentamos um alto nível 
de hormônios que estimulam o crescimento mamário, 
aumentado a quantidade de células e levando ao surgimento 
e desenvolvimento de ductos e lóbulos, sendo na gravidez o 
único momento de expansão e desenvolvimento completo 
destes. 
 
Esse mesmo mecanismo fisiológico utilizado para 
desenvolver as mamas (ductos e lóbulos) pode ser usado 
para a carcinogênese. Essa remodelação da mama 
desencadeia reações inflamatórias que facilitam a transição 
do carcinoma in situ para o invasivo. 
 
CLASSIFICAÇÃO DO CARCINOMA MAMÁRIO 
 
 
 
 
 
 
 
 
Renata Valadão Bittar – Medicina Unit 
 
Mais de 95% das malignidades mamárias são 
ADENOCARCINOMAS que são divididos em carcinomas in 
situ e carcinomas invasivos. 
 
CARCINOMA IN SITU 
Neoplasia que está limitada aos ductos e lóbulos pela 
membrana basal. 
 
CARCINOMA INVASIVO 
Infiltrante. 
Penetrou da membrana basal para o estroma. 
Aqui as células têm potencial para invadir os vasos 
sanguíneos e, consequentemente, atingir os linfonodos 
regionais e sítiosdistantes. 
 
APESAR DA EVIDÊNCIA DE QUE TODOS OS 
CARCINOMAS MAMÁRIOS SE ORIGINAM DAS CÉLULAS 
DA UNIDADE TERMINAL DUCTAL LOBULAR, persiste o 
uso dos termos LOBULAR e DUCTAL para descrever ambos 
os tipos de carcinoma. 
 
LOBULAR = CARCINOMA DE UM TIPO ESPECÍFICO 
DUCTAL = ADENOCARCINOMAS QUE NÃO TÊM OUTRA 
DESIGNAÇÃO 
 
 
 
Carcinoma Ductal in situ ou Intraductal (CDIS) 
O seu diagnóstico aumentou devido ao screening 
mamográfico. 
 
Quase metade dos cânceres detectados através da 
mamografia são CDIS. 
 
Muitos são detectados como resultado das calcificações, 
menos comumente, a fibrose periductal que circunda o 
CDIS forma uma densidade mamográfica ou uma massa 
palpável vaga. 
 
Raramente o CDIS produz descarga papilar ou é detectado 
como um achado incidental em biópsia para outras lesões. 
 
CDIS = população clonal maligna de células limitadas 
aos ductos e lóbulos pela membrana basal. 
 
As células mioepiteliais estão preservadas, apesar de 
poderem estar em menor quantidade. 
 
Podem se espalhar pelos ductos e lóbulos e produzir lesões 
extensas envolvendo um setor inteiro da mama. 
 
Quando o CDIS envolve lóbulos, os ácinos estão usualmente 
distorcidos e abertos, e adquirem aspecto de pequenos 
ductos. 
 
MICROSCOPIA 
Possui 5 tipos histopatológicos: 
1. Comedocarcinoma 
Massas sólidas de células pleomórficas com núcleo 
hipercromático de “alto grau” e áreas de necrose central, 
microcalcificações das membranas, fibrose periductal e 
inflamação crônica. 
 
NÃO-COMEDO: células monomórficas com graus nucleares 
de baixo a alto grau. 
 
2. Sólido: preenche completamente os espaços 
envolvidos 
3. Cribiforme: espaços intraepiteliais são 
uniformemente distribuídos e regulares 
4. Papilífero: cresce nos espaços ao longo dos eixos 
fibrovasculares que tipicamente carecem do 
revestimento mioepitelial normal 
5. Micropapilífero: protrusões bulbares sem eixos 
fibrovasculares, arranjadas em complexos padrões 
intraductais 
 
A maioria dos carcinomas mostra uma mistura de padrões. 
 
 
 
CARCINOMA IN SITU 
 
Renata Valadão Bittar – Medicina Unit 
 
 
CDIS não comedo. A: CDIS cribiforme composta por células que 
formam espaços arredondados e regulares. Os lúmens estão 
preenchidos por material necrótico calcificado. B: CDIS sólido quase 
preencheu completamente e distorceu este lóbulo, restando poucas 
células luminais normais. Este CDIS não está usualmente associado 
a calcificações e pode estar clinicamente oculto. 
 
CDIS não comedo. A: CDIS papilífero – eixos fibrovasculares se 
projetam num ducto e estão preenchidos por altas células colunares. 
B: CDIS micropapilífero – as papilas estão conectadas à parede do 
ducto por uma base estreita e tem grande crescimento bulhoso. As 
papilas são sólidas e pobres em feixes fibrovasculares. 
 
*Doença de Paget do mamilo: rara manifestação do câncer 
de mama e se apresenta como uma erupção eritematosa 
unilateral como uma crosta escamosa. Prurido é comum e a 
lesão pode ser confundida com eczema. Células malignas 
(células de Paget) se estendem do CDIS dentro do sistema 
ductal, vias seios lactíferos, para a pele do mamilo, sem 
atravessar a membrana basal. 
 
 
 
 
 
Mulheres não tratadas com CDIS pequeno e de baixo grau 
desenvolvem carcinoma invasivo em 1% dos casos ao ano. 
Mulheres com CDIS de alto grau ou extensos progridem para 
carcinoma invasivo em maiores taxas. 
A mastectomia para CDIS é curativa em 95% dos casos. 
 
A conservação da mama é apropriada para muitas mulheres 
com CDIS, mas resulta em um leve aumento de risco de 
recorrência. Os principais fatores de risco para recorrência 
são: 
 Grau 
 Tamanho 
 Margens 
 
A radioterapia pós-operatória e o tamoxifeno também 
reduzem o risco de recorrência. 
 
O benefício do tamoxifeno pode estar restrito a mulheres 
com CDIS RE-POSITIVO. 
 
As mortes por câncer de mama são muito incomuns, 
ocorrendo em 2% das mulheres com CDIS. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Renata Valadão Bittar – Medicina Unit 
 
CARCINOMA LOBULAR IN SITU 
O CLIS é sempre um achado incidental de biópsia, já que 
NÃO ESTÁ ASSOCIADO A CALCIFICAÇÕES ou 
REAÇÕES ESTROMAI que produzam densidades 
mamográficas. 
 
Logo, sua incidência não tem sido afetada pelo screening 
mamográfico como o CDIS. 
 
O CLIS é mais comum bilateralmente enquanto o CDIS, 
unilateralmente quando biopsiados. 
 
MAIS COMUM EM MULHERES JOVENS: 80 a 90% dos 
casos ocorrem ANTES DA MENOPAUSA. 
 
As células do CLIS e do carcinoma lobular invasivo são 
idênticas e possuem anormalidades genéticas como a 
PERDA DE EXPRESSÃO DA E-CADERINA, uma proteína 
celular transmebrana que contribui para a adesão das células 
epiteliais mamárias. 
 
MICROSCOPIA 
 Células arredondadas e “soltas” ou discoesas pela 
ausência da proteína de adesão CADERINA-E 
 Células em anel de sinete (mucino-positivas) 
 Raramente distorce a arquitetura presente 
 O ácino envolvido permanece reconhecido como 
lóbulo 
 Quase sempre RE-positivo 
 
 
 
 
 
 
 
 
Na ausência de screening mamográfico, o carcinoma invasivo 
quase sempre se apresenta como uma massa palpável. 
 
Tumores palpáveis estão associados a metástases 
linfonodais axilares em mais de 50% dos pacientes. 
 
Carcinomas grandes podem estar fixos na parede torácica ou 
causas reentrâncias na pele. 
 
Quando o tumor ocupa a porção central da mama, pode haver 
retração do mamilo. 
 
Os linfáticos podem estar tão envolvidos que bloqueiam a 
área local de drenagem da pele e causam linfedema e 
espessamento da pele. 
 
Nesses casos, aderências da pele à mama pelos ligamentos 
de Cooper mimetizam o aspecto casca de laranja. 
 
Em mulheres idosas que fazem mamografia, os carcinomas 
invasivos mais comumente se apresentam como massas 
radiodensas. 
 
Cânceres mamograficamente detectados têm, na média, 
metade do tamanho dos cânceres palpáveis. 
 
Menos de 20% terão metástases linfonodais. 
 
Os carcinomas invasivos que apresentam calcificações 
mamográficas sem associação com densidade são muito 
pequenos em tamanho e as metástases são incomuns. 
 
CARCINOMAS INFLAMATÓRIOS 
Tumores que se apresentam com uma MAMA 
INTUMESCIDA e ERITEMATOSA. 
 
Essa aparência é causada por extensa invasão e obstrução 
dos linfáticos dérmicos pelas células tumorais. O carcinoma 
subjacente é frequentemente difusamente infiltrativo e 
tipicamente não forma massa palpável discreta. 
 
Prognóstico pobre. 
 
CARCINOMA INVASIVO 
(INFILTRANTE) 
 
Renata Valadão Bittar – Medicina Unit 
 
Raramente, o câncer de mama se apresenta como uma 
metástase linfonodal axilar ou metástases a distância antes 
de ser detectado na mama. 
 
CARCINOMA INVASIVO, NENHUM TIPO 
ESPECÍFICO (NTE; CARCINOMA DUCTAL 
INVASIVO) 
 
Representam a maioria dos carcinomas invasivos (70 a 80%). 
 
MACROSCOPIA 
Tumores são firmes a endurecidos e têm borda irregular, 
quando cortados ou raspados produzem som irritante 
característico como cortar uma castanha devido ao pequeno 
foco central em ponta de alfinete, ou raias de estroma elástico 
branco-calcário e pequenos focos de calcificação ocasionais. 
 
MICROSCOPIA 
Vasta gama de características histológicas. 
Carcinomas bem diferenciados mostram formação tubular 
proeminente, núcleos pequenos arredondados e raras figuras 
mitóticas. 
Carcinomas moderadamente diferenciados podem ter 
formações tubulares, mas agrupamentos sólidosou 
infiltrantes também estão presentes. 
Carcinomas pouco diferenciados frequentemente invadem 
como ninhos desorganizados ou lâminas sólidas de células 
com núcleo aumentado e irregular. 
Áreas de necrose tumoral. 
 
 
 
 
 
 
CLASSIFICAÇÃO MOLECULAR DO CARCINOMA 
INVASIVO DUCTAL 
 
PADRÕES DE EXPRESSÃO MOLECULAR: 
1. Luminal A 
2. Luminal B 
3. Normal 
4. Basal-símile 
5. HER2 positivo 
Renata Valadão Bittar – Medicina Unit 
 
CARCINOMA LOBULAR INVASIVO 
Usualmente se apresentam como uma massa palpável ou 
uma densidade mamográfica com bordas irregulares. 
 
¼ dos casos infiltra-se difusamente no tecido e causa 
pequena desmoplasia. 
 
Estes tumores são difíceis de serem detectados pela 
palpação e podem causar somente alterações mamográficas 
muito sutis. 
 
Carcinomas que apresentam uma maior incidência de 
bilateralidade. 
 
MICROSCOPIA 
Peculiaridade  Células tumorais infiltrativas incoesas, 
frequentemente arranjadas em fileiras simples ou em 
aglomerados discoesos, ou em lâminas. 
 
NÃO HÁ FORMAÇAO TUBULAR. 
 
Células idênticas às da Hiperplasia Lobular Atípica e CLIS. 
 
Células em anel de sinete contendo uma gotícula de 
mucina. 
 
Desmoplasia mínima ou ausente. 
 
Carcinomas pouco, moderado ou muito diferenciados. 
 
Os carcinomas lobulares invasivos bem diferenciados são 
usualmente diploides RE-positivos, associados ao CLIS e não 
causam superexpressão HER2/neu. 
 
Os carcinomas lobulares invasivos pouco diferenciados são 
geralmente aneuploides, muitas vezes desprovidos de 
receptores hormonais e podem superexpresser HER2/neu. 
 
OS CARCINOMAS LOBULARES TÊM UM DIFERENTE 
PADRÃO DE METÁSTASES 
 Peritônio 
 Retroperitônio 
 Leptomeninges (carcinoma meníngeo) 
 TGI 
 Ovários 
 Útero 
 
Carcinoma lobular invasivo e adenocarcinoma gástrico 
apresentam perda da E-CADERINA, bem como a presença 
de células em anel de sinete (adenocarcinoma gástrico do 
tipo difuso). 
 
A perda da CADERINA-E também é vista na Hiperplasia 
Lobular Atípica e CLIS, o que mostra que esse é um 
evento precoce no desenvolvimento do carcinoma 
lobular. 
 
 
RESUMINHO 
 
CDIS 
 
DLIS 
C. Ductal 
Invasivo 
C. 
Lobular 
Ivasivo 
Screening 
mamográfico 
aumentou 
diagnóstico 
Screening 
mamográfico 
NÃO aumentou 
diagnóstico 
Screening 
mamográfico 
aumentou 
diagnóstico 
Screening 
mamográfico 
aumentou 
diagnóstico - 
difícil 
diagnóstico 
pela palpação 
Metade dos 
cânceres 
detectados pela 
mamografia 
SEMPRE um 
achado 
incidental da 
biópsia 
Na ausência 
de screening, 
o carcinoma 
quase sempre 
é massa 
palpável 
Alterações 
mamográficas 
sutis 
Calcificações e 
fibrose 
periductal 
(produzem 
densidade 
mamográficas) 
Não apresenta 
calcificações e 
fibrose 
periductal (sem 
densidades 
mamográficas) 
Formam 
túbulos, 
ductos, ninhos 
celulares, 
maior 
pleomorfismo, 
necrose 
Mais tipos. 
Fileiras únicas 
de células 
soltas, anel de 
sinete, NÃO 
HÁ 
FORMAÇÃO 
TUBULAR, 
desmoplasia 
5 tipos 
histológicos/aus
ência de células 
em anel de 
sinete 
Células soltas e 
em anel de 
sinete 
5 padrões de 
expressão 
molecular/ 
bem, 
moderado ou 
pouco 
diferenciados 
Bem 
diferenciados 
são RE-
positivo, pouco 
diferenciados 
são RE-
negativo 
 
x 
Mais comum em 
mulheres jovens 
antes da 
menopausa 
 
x 
 
x 
Não há falta de 
expressão da 
Caderina-E 
Falta da 
Caderina-E 
Não há falta de 
expressão da 
Caderina-E 
Falta da 
Caderina-E 
RE-positivos e 
RE-negativos 
Quase sempre 
RE-positivo 
 
 Metástases 
para peritônio, 
retroperitõnio, 
leptomeninges
, TGI, ovários 
e útero 
 
Renata Valadão Bittar – Medicina Unit 
 
 
 
 
PROGNÓSTICO 
 
É determinado por 2 fatores: 
 Exame patológico do carcinoma primário 
 Exame patológico dos linfonodos axilares 
 
Exceções: 
CARCINOMA COM METÁSTASES A DISTÂNCIA e 
CARCINOMA INFLAMATÓRIO  Prognóstico pobre 
 
FATORES PROGNÓSTICOS 
1. Carcinoma invasivo x Carcinoma in situ: 
carcinomas invasivos têm pior prognóstico que os 
carcinomas in situ. 
2. Metástases a distância: a cura é improvável. O tipo 
de tumor influencia o tempo e a localização das 
metástases 
3. Metástases linfonodais: o status dos 
LINFONODOS AXILARES é o FATOR 
PROGNÓSTICO MAIS IMPORTANTE para o 
carcinoma invasivo na ausência de metástases a 
distância. Necessária biópsia do linfonodo 
sentinela. 
 Sem envolvimento linfonodal: sobrevida de 
70 a 80% em 10 anos 
 1 ou 3 linfonodos envolvidos: sobrevida de 
35 a 40% em 10 anos 
 Mais de 10 linfonodos: sobrevida cai para 
10 a 15% 
4. Tamanho do tumor: o TAMANHO DE UM 
CARCINOMA INVASIVO é o segundo mais 
importante fator prognóstico. O risco de metástases 
linfonodais aumenta com o tamanho do tumor 
primário. 
 Tumor < 1cm: sobrevida > 90% em 10 anos 
 Tumores > 2cm: sobrevida 77% 
5. Doença local avançada: carcinomas que invadem 
a pele ou a musculatura esquelética são usualmente 
grandes e podem ser difíceis de tratar 
cirurgicamente. 
6. Carcinoma inflamatório: prognóstico 
particularmente pobre. A taxa de sobrevida em 3 
anos é de 3 a 10%. Mais comuns em mulheres 
jovens e afroamericanas. 
 
 
 
OBS: AUTOEXAME 
O autoexame das mamas não diminui a mortalidade do 
câncer de mama, sugerindo que na época que o câncer se 
torna palpável (tipicamente quando tem no mínimo 2 a 3cm) 
a capacidade tumoral de metastatização já ocorreu. Cânceres 
mamograficamente detectados são menores e menos 
comuns de terem metastatizado. 
 
PROGNÓSTICO E FATORES PREDITIVOS 
MENORES 
 
1. Subtipo histológico: carcinoma ductal tem pior 
prognóstico 
2. Grau histológico: pouco diferenciados tem pior 
prognóstico (grau nuclear, formação tubular e taxa 
mitótica) 
3. Receptores de estrogênio e progesterona: 
cânceres RE-positivos tem menos chance de 
responder à quimioterapia 
4. HER2/neu: superexpressão do HER2/neu mostra 
prognóstico pobre 
5. Invasão linfovascular: se presente, apresenta 
prognóstico pobre 
6. Taxa proliferativa: altas taxas proliferativas têm 
prognóstico pobre 
7. Conteúdo de DNA: tumores aneuploides tem 
índices de DNA anormais e pior prognóstico 
Renata Valadão Bittar – Medicina Unit 
 
8. Resposta à terapia neoadjuvante: tumores pouco 
diferenciados, RE-negativos e com áreas de necrose 
possuem melhor resposta à terapia 
9. Perfil de expressão genética 
 
 
Os carcinomas lobulares invasivos bem diferenciados são 
usualmente diploides RE-positivos, associados ao CLIS e não 
causam superexpressão HER2/neu. 
 
Os carcinomas lobulares invasivos pouco diferenciados são 
geralmente aneuploides, muitas vezes desprovidos de 
receptores hormonais e podem superexpresser HER2/neu. 
 
PREVENÇÃO E DIAGNÓSTICO PRECOCE 
As formas mais eficazes para detecção precoce do câncer 
de mama são o exame clínico da mama e a mamografia. 
 
O Exame Clínico das Mamas (ECM) 
Quando realizado por um médico ou enfermeira treinados, 
pode detectar tumor de até 1 (um) centímetro, se superficial. 
A sensibilidade do ECM varia de 57% a 83% em mulheres 
com idade entre 50 e 59 anos, e em torno de 71% nas que 
estão entre 40 e 49 anos. A especificidade varia de 88% a 
96% em mulheres com idade entre 50 e 59 e entre 71% a 
84% nas que estão entre 40 e 49 anos. 
A mamografia 
A mamografia é a radiografia da mama que permite a 
detecção precoce do câncer, por ser capaz de mostrar 
lesões emfase inicial, muito pequenas (de milímetros). 
Estudos sobre a efetividade da mamografia sempre utilizam 
o exame clínico como exame adicional, o que torna difícil 
distinguir a sensibilidade do método como estratégia isolada 
de rastreamento. 
A sensibilidade varia de 46% a 88% e depende de fatores 
tais como: tamanho e localização da lesão, densidade do 
tecido mamário (mulheres mais jovens apresentam mamas 
mais densas), qualidade dos recursos técnicos e habilidade 
de interpretação do radiologista. A especificidade varia entre 
82%, e 99% e é igualmente dependente da qualidade do 
exame. 
O autoexame das mamas 
O INCA não estimula o autoexame das mamas como 
estratégia isolada de detecção precoce do câncer de mama. 
A recomendação é que o exame das mamas pela própria 
mulher faça parte das ações de educação para a saúde que 
contemplem o conhecimento do próprio corpo. 
As evidências científicas sugerem que o autoexame das 
mamas não é eficiente para o rastreamento e não contribui 
para a redução da mortalidade por câncer de mama. Além 
disso, o autoexame das mamas traz consigo consequências 
negativas, como aumento do número de biópsias de lesões 
benignas, falsa sensação de segurança nos exames 
falsamente negativos e impacto psicológico negativo nos 
exames falsamente positivos.

Mais conteúdos dessa disciplina