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Modelo Burocrático de Organização - ênfase na estrutura 
Capítulo 11 
 
 A teoria da Burocratização surgiu devido à falta de uma teoria da organização sólida e 
abrangente e que servisse de orientação para o trabalho do administrador (após as críticas feitas à 
Teoria Clássica e a Teoria das Relações Humanas). 
Essa teoria se desenvolveu ao longo dos anos em função principalmente de alguns aspectos, a saber: 
a) A fragilidade e parcialidade tanto da Teoria Clássica como da Teoria das Relações Humanas, a 
necessidade de um enfoque mais amplo e completo, tanto da estrutura como dos participantes da 
organização; 
b) Tornou-se necessário um modelo de organização racional capaz de caracterizar todas as variáveis 
envolvidas e o comportamento dos membros envolvidos, sendo aplicadas não somente à fábrica, 
mas também as organizações humanas e empresas; 
c) O crescente tamanho e complexidade das empresas passou a exigir modelos organizacionais mais 
bem definidos; 
d) O ressurgimento da Sociologia da Burocracia, a partir de Max Weber, seu criador. 
Origens da Burocracia 
 A burocracia é uma forma de organização humana que se baseia na racionalidade, isto é, na 
adequação dos meios aos objetivos (fins) pretendidos, a fim de garantir a máxima eficiência possível 
no alcance desses objetivos. 
 Para conhecimento, Weber distingue três tipos de sociedades com suas respectivas autoridades 
legítimas: 
a) Sociedade tradicional, onde predominam características patriarcais; Autoridade tradicional, quando os 
subordinados aceitam ordens dos superiores como justificadas, porque essa sempre foi a maneira pela 
qual as coisas foram feitas. 
b) Sociedade carismática, onde predominam características personalísticas; Autoridade carismática, 
quando os subordinados aceitam as ordens do superior como justificadas, por causa da influencia da 
personalidade e da liderança do superior com o qual se identificam. 
c) Sociedade legal, racional ou burocrática, onde predominam normas impessoais e racionalidade na 
escolha dos meios e dos fins; Autoridade legal, racional ou burocrática, quando os subordinados aceitam 
as ordens dos superiores como justificadas, porque concordam com um conjunto de preceitos ou normas 
que consideram legítimos e dos quais deriva o comando. 
Autoridade x Poder 
 Autoridade represente o poder institucionalizado e oficializado, significa a probabilidade de 
que um comando ou ordem especifica seja obedecido. Poder significa a probabilidade de impor a própria 
vontade dentro de uma relação social, mesmo contra qualquer forma de resistência e qualquer que 
seja o fundamento dessa probabilidade. 
 
Weber identifica três fatores principais que favorecem o desenvolvimento da moderna burocracia: 
1. O desenvolvimento de uma economia monetária; 
2. O crescimento quantitativo e qualitativo das tarefas administrativas do Estado Moderno; 
3. A superioridade técnica - em termos de eficiência - do tipo burocrático de administração. 
Características da Burocracia segundo Weber 
 Segundo o conceito popular, a burocracia é visualizada geralmente como uma empresa ou 
organização onde o papelório se multiplica e se avoluma, impedindo as soluções rápidas ou eficientes. O 
leigo passou a dar o nome de burocracia aos defeitos do sistema (disfunções) e não ao sistema 
em si mesmo. 
 Para Weber, o conceito de Burocracia é totalmente o contrário. Ela é uma organização eficiente 
por excelência e para conseguir essa eficiência, ela precisa detalhar antecipadamente e nos 
mínimos detalhes como as coisas deverão ser feitas. 
1. Caráter legal das normas e regulamentos: a burocracia é uma organização ligada por normas e 
regulamentos previamente estabelecidos (antes mesmo de fazer, as pessoas sabem exatamente o 
que devem fazer) 
2. Caráter formal das comunicações: a burocracia é uma organização ligada por comunicações 
escritas. 
3. Caráter racional e divisão do trabalho: a burocracia é uma organização que se caracteriza por 
sistemática divisão do trabalho, atendendo a uma racionalidade, isto é, ela é adequada aos 
objetivos a serem atingidos: a eficiência da organização. Cada participante deve saber qual sua 
tarefa, sua capacidade e os limites, direito e poder de suas tarefas. 
4. Impessoalidade nas relações: Esta distribuição de atividades é feita impessoalmente, ou seja, é 
feita em termos de cargos e funções e não de pessoas envolvidas. Daí o caráter impessoal da burocracia. 
5. Hierarquia da autoridade: a burocracia é uma organização que estabelece os cargos segundo o 
principio da hierarquia. Cada cargo inferior deve estar sob o controle e supervisão de um posto superior. 
6. Rotinas e procedimentos estandardizados: a burocracia é uma organização que fica as regras e 
normas técnicas para o desempenho de cada cargo. O funcionário deve fazer o que as regras e 
normas técnicas regulam, de acordo com as rotinas e procedimentos fixados por elas para obter a 
máxima produtividade. 
7. Competência técnica e meritocracia: A burocracia é uma organização na qual a escolha das pessoas 
é baseada no mérito e na competência técnica e não em preferências pessoais. 
8. Especialização da administração: a burocracia é uma organização que se baseia na separação entre a 
propriedade e a administração (o administrador não necessariamente é o dono do negócio e sim 
apenas um funcionário com seu cargo cumprindo normas e regulamentos). 
9. Profissionalização dos participantes: cada funcionário da burocracia é um profissional por diversas 
razões, são elas: é um especialista, assalariado, ocupante de cargo nomeado pelo superior 
hierárquico, tem mandato por tempo indeterminado, segue carreira dentro da organização, não possui 
propriedade dos meios de produção e administração e é fiel ao cargo. 
10. Completa previsibilidade do funcionamento: A consequência desejada é que todos os funcionários 
deverão comporta-se de acordo com as normas e regulamentos da organização, a fim de que esta atinja 
a máxima eficiência possível. A organização informal aparece como um fator de imprevisibilidade 
das burocracias e impossibilitadas de padronização (como Weber não estudou/considerou as 
organizações informais no seu trabalho). 
 
 
Vantagens da Burocracia 
Para Weber, as vantagens são: 
1. Racionalidade em relação ao alcance dos objetivos da organização (saber dos objetivos e os 
caminhos para "chegar lá"). 
2. Precisão na definição do cargo e na operação. 
3. Rapidez nas decisões, pois cada um conhece o que deve ser eito e por quem e as ordens e papeis 
tramitam através de canais preestabelecidos. 
4. Univocidade de interpretação (informações diretas, sem deixar dúvidas). 
5. Uniformidade de rotinas e procedimentos que favorece a padronização, redução de custos e de 
erros, pois os procedimentos são definidos por escrito. 
6. Continuidade da organização através da substituição do pessoal que é afastado. 
7. Redução do atrito entre as pessoas, pois cada funcionário conhece aquilo que é exigido dele e 
quais são os limites entre suas responsabilidades e as dos outros ("cada um no seu quadrado"). 
8. Constância (as decisões são tomadas cumprindo procedimentos regulares, transmitindo segurança e 
confiança). 
9. Subordinação dos mais novos aos mais antigos. 
10. Confiabilidade 
11. Benefícios sob o prisma das pessoas, visto que elas são treinadas para se tornarem especialistas e 
seus campos particulares, podendo encarreirar-se na organização em função de se mérito pessoal e 
competência técnica. 
 
 
Disfunções da Burocracia 
 Ao estudar as consequências previstas ou desejadas da burocracia que a conduzem à máxima 
eficiência, Merton notou também as consequências imprevistas ou indesejadas e que a levam à 
ineficiência e às imperfeições.A estas consequências imprevistas, Merton deu o nome de disfunções da 
burocracia, para designar as anomalias de funcionamento responsáveis pelo sentido pejorativo que 
o termo burocracia adquiriu junto aos leigos no assunto. 
* Cada disfunção é o resultado de algum desvio, exagero ou consequências não-previstas em cada uma 
das características do modelo burocrático explicado por Weber. 
1. Internalização das regras e exagerado apego aos regulamentos: o funcionário esquece o motivo 
porque está trabalhando, mas fica bitolado no cumprimento dos regulamentos. As normas e 
regulamentos passam a se transformar de meios em objetivos. 
2. Excesso de formalismo e de papelório: amontoado de papeis sem organização e sem serventia. 
3. Resistência a mudanças: atendendo às normas e regulamentos impostos pela burocracia, o 
funcionário torna-se simplesmente um executor das rotinas e procedimentos, os quais passa a 
dominar com plena segurança e tranquilidade com o passar do tempo. Quando surge a possibilidade 
de mudança dentro da empresa, o funcionário a interpreta como ameaça. 
4. Despersonalização do relacionamento: devido a impessoalidade, enfatiza os cargos e não as pessoas 
que os ocupam. 
5. Categorização como base no processo decisorial: categorizar significa uma maneira de classificar as 
coisas, a fim de lidar com elas com mais facilidade. Quanto mais se lançar mão da categorização no 
processo decisorial, menor será a procura de alternativas diferentes de solução. 
6. Superconformidade às rotinas e procedimentos: o impacto dessas exigências burocráticas sobre a 
pessoa provoca profunda limitação em sua liberdade e espontaneidade pessoal, alem da crescente 
capacidade de compreender o significado de suas próprias tarefas e atividades dentro da organização 
como um todo. 
7. Exibição de sinais de autoridade: utilização intensiva de símbolos ou sinais de status para 
demonstrar a posição hierárquica dos funcionários. 
8. Dificuldade no atendimento a clientes e conflitos com o publico: o funcionário está completamente 
voltado para dentro da organização, os clientes são atendidos de forma padronizada devido às 
normas e regulamentos, o que gera insatisfação pela pouca atenção e descaso. 
 
IMPORTANTE: As causas das disfunções da burocracia residem basicamente no fato de que a 
burocracia não leva em conta a chamada organização informal que existe fatalmente em qualquer 
tipo de organização. 
 
As dimensões da burocracia (RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS) 
Hall selecionou seis dimensões da estrutura organizacional, a saber: 
1. Divisão do trabalho baseado na especialização funcional; 
2. Hierarquia de autoridade; 
3. Sistema de regras e regulamentos; 
4. Formalização das comunicações; 
5. Impessoalidade no relacionamento entre as pessoas; 
6. Seleção e promoção baseada na competência técnica. 
 
Críticas à Teoria da Burocracia 
1. Excessivo racionalismo da burocracia: não leva em conta a natureza organizacional. 
2. Mecanicismo e as limitações da "Teoria da Máquina": especialização das tarefas, padronização das 
funções, unidade de comando e centralização da tomada de decisão, uniformidade de práticas 
institucionalizadas (maneira de lidar com as pessoas são uniformes para cada nível ou status). 
3. Conservantismo da burocracia: contrário à inovação. 
4. Abordagem de sistema fechado 
5. Abordagem descritiva e explicativa: abordagem normativa e prescritiva é a melhor maneira de se lidar 
com as organizações. 
6. Críticas multivariadas à burocracia: não inclusão da organização informal; distinção entre as 
autoridades é exagerada; e o conflito interno é tido como indesejável. 
Algumas comparações entre as Teorias já estudadas 
1. A Teoria Clássica preocupou-se com detalhes, como amplitude de controle, alocação de autoridade e 
responsabilidade, número de níveis hierárquicos, agrupamento de funções etc., enquanto Weber 
preocupou-se mais com os grandes esquemas de organização e sua explicação. 
2. Quanto ao método, os autores clássicos utilizaram uma abordagem dedutiva, enquanto Weber é 
essencialmente indutivo. 
3. A Teoria Clássica refere-se à organização industrial, enquanto a teoria de Weber integra uma teoria 
geral da organização social e econômica. 
4. A Teoria Clássica apresenta uma orientação normativa e prescritiva, enquanto a orientação de Weber é 
descritiva e explicativa. 
 
Comparando a teoria de Weber com a de Taylor e Fayol, conclui-se: 
1. Taylor procurava meios e métodos científicos para realizar o trabalho rotineiro das organizações. Sua 
maior contribuição foi para a gerência. 
2. Fayol estudava as funções de direção. Sua contribuição foi para a direção. 
3. Weber preocupava-se com as características da burocracia. Sua contribuição foi para a 
organização, considerada como um todo. 
 
Todos os três se preocuparam com os componentes estruturais da organização.

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