Prévia do material em texto
CULTURA CLÁSSICA
AULA 1 – HISTÓRIA DA FORMAÇÃO DA GRÉCIA E DE ROMA
Seja bem-vindo à Disciplina Cultura Clássica Contribuições Linguísticas!
Nesta aula, conheceremos as origens das duas mais importantes civilizações da antiguidade: Grécia e
Roma. Elas são importantes em dois sentidos. Primeiro, por seu desenvolvimento, sua cultura e inventos, sua
literatura e idiomas, por suas guerras e conquistas, por seus valores e mitos.
Segundo, porque este legado dos gregos e dos romanos permanece entre nós, através da arte, da
literatura, da mitologia, das tragédias, da poesia, das línguas.
Nas memórias destas duas civilizações construiu-se o Ocidente, a Europa e, em consequência das
colonizações nas Américas, este legado greco-romano tornou-se também uma fonte para a formação da
literatura e da arte no Brasil.
LOCALIZAÇÃO E POVOAMENTO DA GRÉCIA
O Mundo Grego Antigo, ou Hélode, como era chamado pelos próprios gregos (Grécia é uma
nomenclatura romana), ocupava a parte sul da península bakânica, as ilhas do mar Egeu. As costas da Ásia
Menor e o sul da Itália.
A Grécia setentrional (norte) tinha três importantes regiões: Tessália, Fócida e Etólia (ou Epiro). Na
Grécia peninsular, ligada central pela faixa de terra chamada Corinto, estavam a Lacônia e a Messênia. Na
Grécia central, encontravam se a Beócia e a Ática. Fora do continente, havia a Grécia insular. Ao final do período
Neolítico, a região já era habitada por povos sedentários de língua não grega, chamados pelasgos. A partir
de 2000 a.C., aproximadamente, povos de origem indo-europeia, chamados helenos, começaram a chegar à
região.
Os primeiros helenos a alcançar a Grécia foram os aqueus (1950 a.C., originários das estepes russas,
que, em busca de melhores pastagens para seus rebanhos, espalharam-se por quase toda a Grécia, parte da
Ásia Menor e pelo sul da Itália.
O contato dos aqueus com os cretenses deu origem à civilização micênica. A seguir, chegaram os jônios
e os eólios (1500 a.C.), que se estabeleceram na Ática e na Ásia Menor. A última leva foi a dos dórios (1200 a.C.
que se estabeleceram no Peloponeso, destruindo parte da civilização micênica. A invasão dórica não chegou a
atingir a região da Ática.
AS CIVILIZAÇÓES PRÉ-GREGAS: CRETENSES E MICÊNICOS
Entre 2500 e 1400 a.C., desenvolveu-se no Mediterrâneo uma cultura bastante importante para a
História, cujo principal centro era a Ilha de Creta. Essa civilização expandiu-se. chegando à costa da Ásia Menor,
as llhas do mar Egeu e parte da penínsuta balcânica Grécia).
A civilização cretense distinguiu-se por sua intensa produção artesanal, de caráter luxuoso, o que indica
que já dominava técnicas de fabricação mais sofisticadas. Essa produção era comercializada através de
estradas que ligavam suas cidades-palácios e também era exportada ao Oriente Médio.
Na civilização cretense as cidades-palácios que mais se destacaram foram Cnossos e Faestos que eram
governadas por reis e funcionavam como se fossem pequenos Estados independentes. Como vimos
anteriormente, foi do contato dos aqueus com os cretenses que surgiu a civilização micênica.
Os aqueus estabeleceram-se em pequenos Estados independentes, governados por príncipes ou chefes
militares religiosos. Esses governantes tinham suas cortes de nobres guerreiros sustentados pelo trabalho dos
camponeses servis. Construíram castelos fortificados em locais bastante altos; para facilitar a defesa. Eram as
Acrópoles, Isto é, cidades altas. As mais famosas dessas cidades foram Tirinto e Micenas, esta quase inacessível.
Por volta de 1400 a.C., os micêncos invadiram Creta e destruiram Cnossos. Micenas passou a ocupar o lugar de
Creta no comércio e na produção artesanal. A civilização micênica tinha várias características da civilização
grega: sua língua era semelhante ao grego, por exemplo.
No entanto, a existência de uma forte burocracia e de um poder central que controlava a economia
dava à civilização micênica – características das civilizações orentais. A religião micênica era uma fusão de
deuses indo-europeus com deuses cretenses. Alguns transformaram-se em deuses gregos. Zeus e Poséidon são
dois exemplos. Mesmo com o desaparecimento da civilização micênica, notamos que os gregos preservaram
várias raízes dessa cultura: a língua, os principais deuses e a herança dos feitos históricos da Guerra de Tróia.
O PERÍODO HOMÉRICO
A principal fonte histórica para o estudo da Grécia nos períodos anterior e posterior à invasão dórica
tem sido os poemas épicos Ilíada e Odisseia, ambos atribuídos a Homero.
As duas obras parecem ter sido produzidas em épocas diferentes. Pois na Odisseia há muitas menções a
armas, ferramentas e instrumentos de ferro, enquanto na Ilíada não se faz referência a esse material. Isso indica
que a Odisseia é mais recente que Ilíada.
A Ilíada descreve a Guerra de Tróia, cidade que representava parte de uma civilização pré-helênica que
entrou em choque com os aqueus (chamados gregos).
Já a Odisseia descreve as peripécias de Ulisses. Nobre grego, com suas viagens de volta para Ítaca, na
Grécia, através do Mediterrâneo. Foi o estudo da Odisseia que forneceu as mais ricas informações para a
compreensão da sociedade e da economia da Grécia do período homérico.
A FORMAÇÃO DA CIVILIZAÇÃO GREGA NO PERÍODO HOMÉRICO
Com a invasão dos dórios, a ascendente civilização micênica sofreu violento impacto. Seguiu-se um
período de acentuado declínio da produção material e intelectual que ficou conhecido como a Idade Média
Grega ou Idade das Trevas.
Nesse período, a sociedade retrocedeu para um tipo de organização política e econômica relativamente
simples. Formaram-se os clãs ougénos: grupos de parentes consanguíneos descendentes de um mesmo
antepassado. Formavam uma aristocracia que controlava os meios de produção (as melhores terras, escravos e
ferramentas). Toda a produção era fruto do trabalho dos escravos e dos servidores. No entanto, esses escravos
gozavam da proteção de seus senhores e não eram submetidos a maus tratos. Também os membros do
ougénos trabalhavam junto a seus escravos.
O PERÍODO ARCAICO
A Grécia antiga não era um país centralizado e unificado como o de hoje. Era formada por um grande
número de pequenos Estados independentes entre si que ficaram conhecidos com o nome de cidades-Estados
ou, em grego, pólis.
O NASCIMENTO DA PÓLIS.
Depois da invasão dos dórios, a Grécia foi aos poucos se transformando.
Surgiram construções no alto dos morros para melhor defesa de possíveis ataques. As casas e templos
se aglomeravam e formaram o que ficou conhecido como pólis, que pode ser grosseiramente traduzida por
cidade.
Nas cidades Estados da Grécia antiga na parte mais alta habitava a aristocracia liderada pelo basileu,
espécie de rei-sacerdote. Nas partes mais baixas, localizava-se o mercado e nelas moravam os comerciantes,
artesãos e trabalhadores em geral.
A acrópole era a parte da pólis onde ficavam as fortificações militares e os templos religiosos. Um
exemplo famoso desse tipo de construção é a Acrópole de Atenas.
AS TRANSFORMAÇÕES DA SOCIEDADE GREGA
A consolidação da cidade-Estado iniciou-se no século VII, mas a sociedade grega já apresentava
problemas:
O aumento da população, a escassez de terras férteis e o monopólio das maiores e melhores terras pela
aristocracia que enriquecia sempre mais. O pequeno camponês tinha que recorrer ao grande proprietário para
obter empréstimos de sementes e alimentos que sua propriedade não produzia (por ser pequena); em troca,
tinha que dar uma parte do que produzisse ao rico proprietário.
Nessa relação o camponês era conhecido como hectemoro e o grande proprietário, era chamado
eupótrida. Quando o hectemolo no conseguia pagar suas dívidas ao eupátrida, tinha suas terras confiscadas por
este e,na maioria das vezes, o próprio camponês era vendido como escravo.
Na Grécia, no início do século VIII, não havia terras para todos e os alimentos eram escassos para uma
população crescente. As melhores terras ficavam em mãos de poucos, que também eram os donos do poder
político.
Entre os séculos VIII e VII a.C, os gregos saíram em busca de terras fora da Grécia.
Ocuparam várias regiões do Mediterrâneo, como o sul da Itália e a Sicília. A organização dessas colônias
era semelhante a das cidades-Estados, com as quais mantinham estreitos vínculos culturais e religiosos. A
colonização ajudou a diminuir um pouco as tensões na Grécia, mas não resolveu as questões principais.
Para suprir o problema da falta de alimentos, foram criadas colônias nas regiões férteis do mar Negro,
que produziam o trigo. Para pagar a importação, desenvolveu-se na Grécia a cultura da uva e da oliveira para
produzir vinho e azeite que, por sua vez, eram trocados pelo trigo. Para o armazenamento e transporte desses
produtos, eram utilizados potes e vasos produzidos por uma dinâmica manufatura de cerâmica.
Surgiu então uma nova camada na sociedade grega: a dos proprietários de terra que produziam e
comerciavam o azeite e o vinho. Essa nova camada social, embora rapidamente enriquecida, era impedida de
qualquer participação política. A situação dos camponeses pobres continuava a mesma, enquanto a aristocracia
mantinha seus privilégios e aumentava suas propriedades, oprimindo os pobres. O descontentamento era geral
e crescente.
O PERÍODO CLÁSSICO: A PÓLIS DE ATENAS
A região da Ática havia sido pouco atingida pelas invasões dóricas. Isso contribuiu para que as pequenas
aldeias que formavam essa região se agrupassem pacificamente sob a hegemonia de uma delas: Atenas. A esse
processo de união das aldeias deu-se o nome de sinecismo. E foi desse fenômeno que se formou a cidade-
Estado de Atenas. As transformações econômicas trouxeram também transformações sociais a Grécia, Atenas
tomou-se um dos principais centros exportadores de vinho e azeite e grande produtora de cerâmica. As
diferenças entre as classes sociais se acentuavam.
Com o surgimento de duas novas classes:
- a dos novos ricos, proprietários que se beneficiavam da expansão econômica e,
- a dos escravos, que aumentavam em número - a situação tornou-se mais e mais tensa.
Os eupátridas oprimiam os camponeses pequenos proprietários, enquanto aumentavam sua riqueza e
monopolizavam o poder político. Era preciso encontrar uma solução. A aristocracia propôs, então, uma reforma
na sociedade, que foi planejada sucessivamente por dois Legisladores:
- Drácon limitou-se a escrever as Leis, que até então eram orais, tirando a justiça das mãos dos eupátridas e
passando-a para o Estado. Mesmo assim, a situação dos pobres era aflitiva.
- Sóton, em 594 a.C, iniciou as seguintes reformas: nenhum cidadão grego poderia ser vendido como escravo;
assim, os hectemoros que haviam sido vendidos como escravos puderam voltar às suas terras; realizou uma
reforma sociaI, dividindo a sociedade em quatro classes:
As duas primeiras classes eram as que tinham renda anual entre 300 e 500 medidas de trigo, azeite ou
vinho e participavam dos cargos mais importantes do governo;
A terceira classe era a dos guerreiros de Infantaria (zeugitos, cuja renda tinha que ser suficiente para a
compra de um escudo e uma lança.
A quarta classe era a dos thétos, camponeses e artesãos pobres, que somente participavam da
assembleia popular; criou a eclêslo, assembleia popular que opinava sobre os assuntos de interesse geral;
estabeleceu o bulé, conselho de 400 membros formado por 100 representantes de cada uma das quatro tribos
que existiam na Ática; o poder executivo estava nas mãos do Areópago, que era monopólio das duas camadas
mais ricas.
HISTÓRIA DE ROMA - DA MONARQUIA À REPÚBLICA
ROMA: FUNDAMENTOS
Principais períodos da história de Roma. Situada na planície do Lácio, às margens do rio Tibre e próxima
ao litoral (mar Tirreno), a cidade de Roma originou-se a partir da fusão de dois povos:
Inicialmente, uma aldeia pequena e pobre, numa data difícil de precisar. Roma foi conquistada pelos
seus vizinhos do norte, os etruscos, que dela fizeram uma verdadeira cidade. Os romanos eram também
vizinhos dos gregos, que, ao sul, haviam criado a chamada Magna Grécia, onde habitavam desde a época da
fundação de Roma. Dos etruscos e dos gregos, os romanos receberam importantes influências e, com base
nelas, elaboraram a sua própria civilização.
A sociedade romana, como a grega, é exemplo de sociedade escravista, embora difira desta em alguns
aspectos fundamentais. O processo de concentração de terras pela aristocracia patrícia jamais foi bloqueado, e
o poder e a influência daquela camada social permaneceram praticamente inalterados até o fim.
O elemento central da grande estabilidade desfrutada por Roma foi a instituição do latifúndio
escravista, que, estabelecido ali, mina escala desconhecida pelos gregos, proporcionou aos patrícios o controle
sobre os rumos da sociedade.
A solidez econômica e política da situação dos patrícios, somou-se o talento militar dos romanos, que
fez de Roma uma cidade-Estado, a sede de um poderoso império.
Os gregos e os romanos iniciaram sua história sob o regime monárquico (fundado por Rômulo, segundo
a Lenda), experimentaram a república e terminaram os seus dias sob o domínio de um Império universal
despótico e muito parecido com os modelos orientais.
São os três períodos em que se costuma dividir a história de Roma:
MONARQUIA - PATRÍCIOS E PLEBEUS
Desde o tempo da Monarquia, a sociedade romana encontrava-se dividida em patrícios e plebeus. Os
patrícios pertenciam à camada superior da sociedade, e os plebeus, a camada inferior. O que distinguia a ambos
era a gens, uma instituição análoga ao genos grego. Somente os patrícios pertenciam às gentes (pluraL de gens).
Lima gens congregava os indivíduos que descendiam, pela linha masculina, de um antepassado comum.
Portanto, a gens nada mais era do que familia em sentido amplo.
Em outras palavras, gens era o nome que os romanos davam àquilo que conhecemos como clã, e como
qualquer clã, a gens era composta de várias famílias individuais. Uma gens distinguia-se de outra pelo nome:
gens Lívia, gens Fábia etc. e todos os seus membros traziam o nome da gens. O nome dos patrícios era
composto de três elementos: o prenome, o nome gentílico, ou da gens, e o cognome ou designação especial,
uma espécie de apelido. Exemplos: Lúcio Cornélio Sita, Caio Júlio César etc. Quer dizer: Sua era membro da gens
Cornélia, e Cêsar, da gens Júlia.
A palavra senado deriva do Latim senex, que significa “velho”. O Senado era, pois, um conselho de
anciãos, uma instituição muito comum na Antiguidade. Seu equivalente, na Grécia, era a Gerúsia, em Esparta.
Inicialmente composto de cem membros, o Senado passou a ter, depois, trezentos e, mais tarde, seiscentos
membros.
Os que não pertenciam a nenhuma gens eram plebeus e, por esse motivo, estavam excluídos da vida
política, sem direitos políticos, eram considerados cidadãos de segunda classe. Mas, atenção, ser plebeu não
significava ter uma condição econômica inferior ou de pobreza.
AS REFORMAS SERVIANAS
Sérvio Túlio, o segundo rei etrusco, é tido como o realizador de diversas reformas que favoreceram os
plebeus.
Ele criou várias gentes, promovendo famílias plebeias à condição de nobres, organizou assembleias
militares, os comícios centuriatos, e estimulou o comércio e o artesanato visando fortalecer economicamente
os plebeus.
Essas medidas, que a tradição atribuiu a Sérvio Túlio, ficaram conhecidas como reformas servianas. O
objetivo do rei, entretanto, não era propriamente beneficiar os plebeus, mas fortalecer o poder monárquico.
A criação de uma classe plebeiavigorosa tinha por fim a neutralização do poder dos patrícios, ou seja,
algo semelhante ao pretendido pelos tiranos, como Pisístrato, na Grécia, Mas em Roma, essa política não teve o
mesmo efeito.
A QUEDA DA MONARQUIA
Foi um movimento dos patrícios desejosos de manter seus privilégios contra a política popular de Sérvio
Túlio, Tarquínio, chamado de “O Soberbo”, deu continuidade à política de seu antecessor. Os patrícios reagiram
em 509 aC. contra aquela política destronando Tarquínio e dando fim a Monarquia. Para a felicidade dos
patrícios, o êxito do movimento foi assegurado em boa parte pelo declínio da civilização etrusca, que não
conseguiu realizar uma intervenção pronta e eficaz em Roma. Assim nasceu a República romana.
A REORGANIZAÇÃO DOS PODERES NA REPÚBLICA
Vitoriosos, os patrícios fizeram algumas modificações nas instituições de poder. O Senado e os
comidos curlotos e centurlotos permaneceram como estavam. Mas o poder antes exercido pelo rei foi dividido
e entregue a dois cônsules, que permaneciam apenas um ano no cargo. Desse modo, os patrícios tentaram
eliminar o risco de retorno da Monarquia.
Nos anos que se seguiram a vitória contra Marco Antônio. Otávio, através de títulos e mudanças no
próprio nome, foi cumulado de honrarias, a última delas como fundador do Império. Em 40 a.C., ele recebeu do
exército o título de Imperador, que transformou em seu prenome, para ressaltar a sua relação de parentesco
com César, divinizado após a morte, e para significar que dele havia adquirido o direito de comando do exército,
Otávio conservou para si a denominação César. O nome que adotou foi, “Imperador Caesar Divi Filius,
significando imperador Filho de César Divino”.
Depois de ter exercido o governo com poderes excepcionais desde a guerra contra Marco Antônio,
Otávio executou, em 27 a.C.. uma manobra política bem-sucedida: renunciou aos seus poderes numa sessão do
Senado e declarou restaurada a República. Nessa mesma reunião, o Senado não apenas reafirmou seus
poderes, como concedeu-lhe novos títulos, como prénceps, que significava “primeiro cidadão romano”. AIém
disso, conferiu-lhe o título Augusto, dado apenas aos deuses. Otávio, que dai em diante passou a ser conhecido
por Augusto, saiu, portanto, mais fortalecido desse episódio.
Os quatro primeiros imperadores que sucederam Augusto eram todos parentes entre si e fizeram parte
da dinastia conhecida como Júlio-Cláudia, e foi sucedida pelas dinastias:
A crescente influência do exército na vida política foi a principal característica do Principado. Sua
primeira intervenção ocorreu no remado de Calígula, um imperador cujo comportamento mostrava claros sinais
de desequilíbrio mental, morto em decorrência de um complô dirigido contra ele pelos oficiais da guarda
pretoriana.
Apesar dessa tendência, o Principado conheceu uma fase de grande estabilidade com a dinastia
Antonina, durante a qual vigorou a chamada Pax Romaria (paz romana), que perdurou por quase cem anos.
Com a chegada dos Severos ao poder imperial, teve início outro período de turbulência, que chegou ao auge em
235 d.C. Esse foi o ano em que começou a mais profunda crise do Império Romano, da qual ele saiu
completamente transformado cinquenta anos depois. Nesse conturbado período conhecido como “anarquia
militar”, de 235 a 285, Roma conheceu uma rápida sucessão de mais de vinte imperadores, dos quais apenas
um morreu de morte natural. Em constantes motins, o exército romano estava dividido em facções rivais, que
proclamavam os imperadores com a mesma facilidade com que os assassinavam.
AS DUAS FASES DO IMPÉRIO
O Principado (27 a.C.. 235 d.C.) e o Dominato (284 476) constituem as duas fases do Império, separadas
uma da outra por um período conhecido como “anarquia militar” (235 - 284). O primeiro período é também
chamado de Alto Império e o segundo, de Baixo Império.
O Império começou com Augusto tendo nas mãos os poderes civil, militar e religioso. Ele vinculou a
posição social do indivíduo à renda e restringiu a competência do Senado e das magistraturas aos assuntos civis
relativos a Roma e à Itália. Por fim, reorganizou o exército profissional e tomou-o permanente. A intervenção
dos militares na política foi o traço marcante do Principado e continuou a sê-lo ainda mais no Baixo Império.
AULA 2 – A MITOLOGIA GREGA E LATINA
Nesta aula, você irá avançar no conhecimento dos aspectos que identificam as culturas grega e romana
(ou latina) na Antiguidade Clássica. Vamos estudar a sua literatura oral através das lendas e dos mitos de
formação, das festas, cultos religiosos e invenção da historiografia na Grécia e em Roma.
A RELIGIÃO, MITO E LITERATURA NA CULTURA GREGA
Uma literatura difere de outra, posterior ou anterior, menos pelo texto que pela maneira de ser lida; se
pudéssemos ler qualquer página atual da maneira como será lida no ano dois mil, saberíamos como será a
literatura no ano dois mil. Entre os gregos, a tradição religiosa era transmitida oralmente por poetas como
Homero e Hesíodo, que viveram entre os séculos IX a.C. e VIII a.C., inspirados por divindades ligadas à música e
à poesia, as Musas. Seus relatos foram retomados por dramaturgos dos séculos V a.C. e IV a.C. (BORGES, J. L.
Outras inquisições - ensaios: 1937-1952. In: Obras completas. Rio de Janeiro: Globo, 2000.)
Os gregos, e a maioria dos povos antigos, desenvolveram um sistema relioso politeísta, ou seja, eles
cultivavam a crença simultânea na existência de vários deuses. Esta plêiade de deuses dava origem a diversas
crenças, a cultos e práticas religiosas que constituíam a vida publica na Grécia antiga. A natureza em sua
linguagem ora fascinante, ora aterrorizante era uma das fontes das construções sofre a existência e a função
divina dos personagens do Pantheon grego. Esta concepção da natureza como fonte da religião foi estudada
com sucesso, já no século XIX, por Rudolf Otto (1869-1937), um eminente estudioso em religiões comparadas e
criador do termo numinous, o qual exprime um importante conceito. Segundo Otto, dois sentimentos
dominaram a humanidade diante da Natureza, de um lado, o Terror, do outro a Fascinação (Tremans et
Foscinans).
A obra que deu destaque a Rudolf Otto foi “O Sagrado - Os aspectos irracionais na noção do divino e sua
relação com o racional” e foi publicada em 1917, durante a primeira guerra mundial. Otto entendia o conceito
de Sagrado corno categoria essencial para compreender as religiões, mesmo não sendo um elemento
racionalizável, era o elo da natureza com o divino. O Sagrado era uma ideia ou uma noção complexa, sendo
formado por dois aspectos opostos:
• Racional: os elementos passíveis de serem claramente comunicados pela linguagem. Por exemplo: narrativas,
doutrinas, ética e moral religiosa.
• Irracional: o oposto, os elementos que não se dobram à linguagem, fugindo a uma apreensão conceitual.
Aqui surge o conceito de NUMINOSO. Esse termo tem sua origem no termo (atino Numen, significa deus
ou divino. E implica que haja uma manifestação (Téoffania divina na experiência do furor ou da beleza da
Natureza. O numinoso, entretanto, não se manifesta de uma forma simples, mas, complexa, Otto propôs uma
fórmula básica para expressar essa complexidade. Segundo Otto, o numinoso é o “mysterlum tremendum et
fascinans” (mistério é terrível e fascinante).
O mysterium corresponde à forma como o numinoso se manifesta. É o mistério, o desconhecido,
incompreensível, que quando manifesto, se faz perceber como algo distinto da realidade que experimentamos,
é o totalmente outro. Desta noção temos a noção de mytho, narrativas sobre os deuses e heróis.
O Tremendum é o aspecto negativo ou repulsivo do sagrado, onde a manifestação nos impele para trás,
que nos impõem o temor. Ele pode ser percebido sob três formas: Tremendum, majestas e orgé.
O Tremendumé o terrível no sagrado; é o que nos faz tremer, que causa calafrios, que traz a sensação
de risco à nossa integridade. O Majestas está relacionado com o poder ou a majestade com a qual a experiência
se apresenta. O terceiro aspecto é o Orgê, que é a energia do numinoso. Este se faz manifestar na “vivacidade,
paixão, natureza emotiva, vontade, força, comoção[ii]” gerados no indivíduo pelo contato com o objeto
numinoso. O Fascinans é o aspecto positivo ou atrativo do sagrado, que é formado por dois aspectos,
o augustus que impacta o indivíduo com a sensação de pureza, santidade; e o sebastus que se manifesta
impondo a prudência, reverência, veneração.
O relâmpago era resultado da ação de Zeus, e por isso os lugares atingidos pelos raios eram
considerados sagrados, diferenciados dos outros lugares em que não havia manifestação dos deuses, os lugares
comuns, ou profanos. Os gregos acreditavam que a água causava os tremores de terra e, como tudo o que se
relacionava à água era relativo a Posêidon, então o deus do mar era chamado sacudidos de terra. Além da
Natureza, outro campo da experiência do sagrado, ou da religião, era a memória dos mortos. As almas dos
antepassados também eram cultuadas pelas famílias, através de uma série de rituais que ficavam a cargo das
mulheres.
Havia ainda os seres imortais, com poderes extraordinários e considerados deuses; alguns inclusive
eram ‘estrangeiros’, originários de tradições de outros povos, com os quais os gregos tiveram algum contato.
Alguns exemplos:
Deméter: deusa da terra. Era semelhante às antigas deusas da fertilidade, muito comuns no período Neolítico.
Afrodite: deusa do amor. Era uma deusa da tradição mesopotâmica
Astarté, Dioniso e Hefesto. Deuses do vinho e da técnica. Seriam originários do Oriente, talvez da Índia.
Acreditava-se que esses deuses habitavam o monte Olimpo, na Tessália, embora algumas versões
localizassem sua morada no céu. São doze os principais:
Os mitos são relatos aceitos, entendidos e sentidos como tais (...). Comportam assim, em sua origem,
uma dimensão de ‘fictício’, demonstrado pela evolução semântica do termo ‘mythos’, que acabou por designar,
em oposição ao que é da ordem do real por um lado, e da demonstração argumentada por outro, o que é do
domínio da ficção pura: a fábula. Este aspecto relaciona o mito grego ao que chamamos religião’. (VERNANT,
2001, p. 230.)
O teatro do mundo ordenado pelo relato mítico está pronto para a entrada em cena de atores divinos
de tipos diferentes. Com a descendência de Urano (céu) e Gaia (a terra), estão dados os atores que
desempenharão o último episódio do processo cosmogônico. Nesta gênesis, percebe-se o mundo que se
organiza pela mescla dos contrários, num universo de mistos em conflito para além das linhas divisórias do bem
e do mal. De fato, Homero ouve o canto das musas. Elas cantam a verdade, isto é, na análise da linguagem
mítica para além dos sistemas religiosos, a ‘alétheia’ defini-se como uma potência, solidária de todo um sistema
de entidades religiosas que lhe são ao mesmo tempo associadas e opostas.
Próxima da diké, a alétheia articula-se à Memória cantada (Mousa), Luz, Louvor, e, assim, opõe-se ao
esquecimento (Lethê), silêncio e escuridão, censura. Ela não se refere a um saber, a um objeto ao qual deveria
conformar-se, que lhe seria anterior e que continuaria estrangeiro a ela. Trata-se da verdade assertória
enraizada logo de início no real no sentido mais forte, no sentido religioso do termo, porque a palavra da
verdade é em si, como potência eficaz, criadora do ser.
A formulação do verdadeiro envolve uma instauração ou restauração da ordem. Como palavra
pronunciada por personagens que têm o poder e a função de dizer o verdadeiro, a palavra reta é um aspecto ou
um momento do jogo das forças que compõem e ordenam o mundo humano. Mas qual seria então o lugar do
erro, da ilusão, da palavra ineficaz? Em outras palavras, se a palavra e o ser coincidem de certa forma, se o dito
de verdade é criador do que enuncia, por onde se pode insinuar entre as palavras e as coisas esta distância que
permite à linguagem dizer tanto o falso como o verdadeiro?
Léthê e Alétheia, em vez de se excluírem, constituem os dois polos complementares de uma única
potência religiosa, onde a negatividade arremata a verdade, é sua sombra inseparável. Porque detém a
potência ambígua da persuasão, sem a qual a palavra seria ineficaz, os profetas e os poetas são mestres da
verdade e do logro.
Assim não tanto o falso que vale, mas a mentira e o fingimento. Para mentir, é também preciso, antes
de mais nada, saber a verdade; para enganar, é preciso saber mais do aquele que é enganado.
O domínio de Zeus marca a terceira geração de deuses. Ele repartiu o mundo com seus irmãos.
Posêidon ficou com os mares, Hades com o mundo subterrâneo, e a ele próprio coube o céu. Essa geração
também teve muitos filhos. De Zeus e Deméter nasceu Perséfone: de sua união com Memória nasceram as
Musas; com Leto, Apolo e Ártemis; com Hera, Ares, Hebe e Ílitia; com Maia, Hermes; com Sêmele, Dioniso. Mas
a primeira esposa de Zeus, Métis, a astúcia, foi engolida por ele, porque estava destinada a dar à luz dois filhos:
um era Atena, e o outro seria aquele que destronaria seu pai. Zeus engoliu Métis e ficou astucioso, e gerou
Palas Atena, que nasceu de sua cabeça. (Hesíodo, Teogonia)
Assim como a do mundo, a origem do homem é relatada por inúmeros mitos que falam de seus
antepassados: em algumas regiões eram considerados filhos da Terra, em outras eram formigas transformadas,
ou seres feitos a partir do barro ou da areia. Num fragmento atribuído a Hesíodo, encontra-se uma história
sobre a origem dos habitantes da ilha de Egina, segundo a qual a deusa Egina teve um filho com Zeus, Éaco, que
ficou inteiramente só na ilha. Ao tornar-se adulto, a solidão o aborrecia. Para acabar com essa solidão, Zeus
converteu as formigas da ilha em homens e mulheres, concedendo a Éaco um povo chamado urirmidões.
Havia também mitos sobre relações entre pais e filhos. Um exemplo é o mito de Édipo, que foi tratado
pelo dramaturgo Sófocles na tragédia Édipo-Rei. Édipo era filho do rei de Tebas, Laio, e sem saber matou seu
próprio pai, casando-se com sua mãe, Jocasta, que ele não conhecia. Tudo isso aconteceu porque quando Édipo
nasceu, seus pais foram informados de uma profecia que relatava seu destino. Para evitá-lo, ordenaram a um
criado que matasse o menino. Porém, penalizado com a sorte de Édipo, ele o entregou a um casal de
camponeses que morava longe de Tebas para que o criassem. Édipo soube da profecia quando se tornou adulto.
Saiu então da casa de seus pais adotivos para evitar a tragédia, ignorando que aqueles não eram seus legítimos
genitores. Eis que, perambulando pelos caminhos da Grécia, encontrou-se com Laio e seu séquito, que,
insolentemente, ordenou que saísse da estrada. Édipo reagiu e matou os integrantes do grupo, sem saber que
estava matando seu verdadeiro pai. Continuou a viagem até chegar a Tebas, dominada por uma Esfinge, que
devorava as pessoas que não decifrassem seu enigma: “Qual o animal que anda com quatro patas ao
amanhecer, duas ao meio dia e três ao entardecer?”. Édipo decifrou o enigma, respondendo: o homem. A
Esfinge morreu, Édipo tornou-se herói de Tebas e casou-se com a rainha, Jocasta, a mãe que desconhecia.
Prometeu era um titã, portanto, descendente de Urano, como Cronos, e derrotado por Zeus, conforme
a história de Hesíodo. Titãs, segundo o mesmo Hesíodo, seriam “aqueles que por presunção teriam tentado
realizar uma grande obra porém foram punidos”. Essa grande obra foi partilhar a audácia do plano divino com
os homens. O que aconteceu da seguinte maneira:
O titã Jápeto, irmão de Cronos, tinha dois filhos que se tornaram o elo entre os deuses e os humanos:
Prometeu (que quer dizer “o astuto”) e Epimeteu (que quer dizer “o que só aprendedepois do erro”). Segundo
Platão, depois que os deuses fizeram as criaturas com uma mistura de terra e fogo, deram aos irmãos Prometeu
e Epimeteu a incumbência de dar a cada uma delas a capacidade que lhe fosse mais adequada. Para essa tarefa
eles tinham um certo prazo, ao fim do qual as criaturas sairiam das trevas do centro da terra para a luz.
Eles combinaram que Epimeteu faria o serviço e Prometeu o verificaria. E assim foi feito. Epimeteu
distribuiu força, alimentos, velocidade, proteção a todos, de tal forma que as criaturas pudessem sobreviver; no
entanto, deixou o homem nu, sem nenhum atributo que o protegesse. Quando Prometeu foi verificar o trabalho
de seu irmão, percebeu perplexo, a situação do homem. Resolveu roubar as artes de Hefesto e Atena - a
metalurgia e a tecelagem - e o fogo, que deram ao homem a sabedoria e as condições para enfrentar os
problemas da vida cotidiana. Por isso os homens têm uma maior proximidade com os deuses do que as outras
criaturas. Mas também por isso Prometeu foi castigado.
Ficou acorrentado por trinta mil anos no pico mais alto do Cáucaso, tendo o fígado picado por um
pássaro, até que Hércules, o semideus filho de Zeus, o libertou. Segundo alguns, sua libertação deveu-se ao fato
de Zeus querer tornar seu filho famoso, porém outros interpretam-na como recompensa por Prometeu ter
guardado o segredo da deposição de Zeus. Segundo as várias versões da história de Prometeu, sua libertação
exigiu que ele deixasse um outro imortal sofrendo em seu lugar. Quem tomou para si o sofrimento de Prometeu
foi o centauro Quíron, que fora ferido acidentalmente por Hércules. Quíron passou a ser identificado com a
invenção da arte de curar.
O MITO DA CRIAÇÃO DA MULHER
A primeira mulher surgiu como uma represália de Zeus contra o roubo do fogo por Prometeu, segundo
o relato de Hesíodo.
Filho de Jápeto, sobre todos hábil em tuas tramas, apraz-te furtar o fogo fraudando-me as entranhas;
/grande praga para ti e para os homens vindouros/Para esses em lugar do fogo eu darei um mal e/todos se
alegrarão no ânimo, mimando muito este mal. Disse assim e gargalhou o pai dos homens e dos deuses;/
ordenou então ao ínclito Hefesto muito velozmente/terra à água misturar e aí pôr humana voz e/força, e
assemelhar de rosto às deusas imortais/esta bela e deleitável forma de virgem; e a Atena/ensinar os trabalhos I
em seu peito, Hermes Mensageiro/ mentiras, sedutoras palavras e dissimulada conduta/forjou, por designios de
Zeus (... E a esta mulher chamou /Pandora porque todos os que têm olímpica morada/deram-lhe um dom, um
mal aos homens que comem pão. (Hesiodo, Os trabalhos e os dias.)
Essa mulher foi dada de presente ao irmão de Prometeu, Epimeteu (o que vê depois), e trouxe consigo,
em uma caixa (em algumas versões, num jarro), todos os dons maléficos que os deuses lhe deram. Proibiu-lhe
abri-Ia, mas ele, cada vez mais curioso, não aguentou e, vendo-se sozinho, abriu-a. De dentro saíram as
doenças, as infelicidades, todos os males que os homens não conheciam até então. Desde esse dia os homens
passaram a sofrer, e os longos e despreocupados festins que tinham com os deuses nunca mais aconteceram.
As divindades gregas, como as de todas as religiões, são consideradas seres dotados de consciência
como o homem, porém com poderes superiores aos humanos. Uma vez que as divindades são seres
conscientes, os homens pretendem relacionar-se com tal poder superior atingindo suas consciências da mesma
forma como fazem entre si: através de laços afetivos e de trocas, que se realizam por sacrifícios, preces,
oferendas e por sistemas de consultas, - os oráculos -, que muitas vezes são realizadas nos templos.
OS SACRIFÍCIOS
Os sacrifícios eram uma forma de repetir os banquetes dos deuses com os homens, quando ambos
partilhavam da vítima do sacrifício, seguindo um ritual no qual um animal doméstico era conduzido em
procissão, ao som de flautas, até o altar exterior do templo; os participantes e o animal eram ornados com
coroas de flores. A solenidade acontecia no exterior do templo, e poucos podiam nele entrar, pois era a casa do
deus. Acreditavam que o deus efetivamente morava ali, senão sempre, pelo menos de vez em quando.
OS ORÁCULOS
Entre os gregos havia templos dedicados aos vários deuses, e em alguns deles existiam oráculos,
sistemas de interpretação da sabedoria dos deuses, que se comunicavam com os homens que vinham pedir
conselhos ou saber do futuro.
Um exemplo disso era o que ocorria no oráculo de Zeus, em Dodona, onde sacerdotes interpretavam o
balançar das folhas dos carvalhos sagrados como a fala do deus.
A consulta ao oráculo era uma ocasião solene, como uma visita ao próprio deus, e exigia vários rituais,
como podemos ler neste relato de Pausânias, que descreveu, em suas viagens pela Grécia, como era o oráculo
de Trofônio, uma divindade local absorvida por Zeus.
Muitas vezes a consulta não era pessoal, envolvia uma cidade inteira, sobretudo em épocas de guerra
ou de peste. As maneiras de os deuses responderem às perguntas variavam. Por exemplo, em Delfos, no
oráculo de Apolo, o deus respondia pela boca de uma sacerdotisa, a Pítia ou Pitonisa, que entrava em transe e
incorporava o deus. Em outros templos, o homem podia ocupar a função de intermediário entre os homens e os
deuses.
O que acontece no oráculo é o seguinte: quando uma pessoa está decidida a descer ao oráculo de
Trofônio, deve se alojar num certo lugar por alguns dias. Nos sacrifícios, um adivinho está presente, e olha nas
entranhas da vítima para ver se Trofônio vai receber a pessoa que desce.
Agamedes, parceiro de Trofônio. Se as entranhas da ovelha indicarem, ele pode ir. Primeiro ele é levado
ao rio Hercyna por dois meninos de treze anos, que o banham. Depois é levado por sacerdotes até algumas
fontes, das quais ele deve beber a água do esquecimento e da memória, para se livrar de seus pensamentos e
para se lembrar do que aconteceu durante sua descida ao oráculo. Há uma imagem que só é mostrada aos que
vão visitar o deus, que é então reverenciada. Daí se pode entrar no oráculo, que fica numa caverna na
montanha, na qual se entra por uma escada. Lá dentro, o suplicante encontra um buraco, no qual deve entrar
passando primeiro os pés.
Depois que seus joelhos passam ele é puxado como que por um fio. Lá dentro fica sabendo do futuro,
ouvindo ou vendo, conforme o caso. Quando volta, é levado pela mão dos sacerdotes até a cadeira da memória,
onde conta tudo aquilo que soube pelo oráculo. Depois é levado ao alojamento, paralisado pelo terror.
Gradualmente vai melhorando, e recupera a faculdade de rir. [...] O que eu conto não é de ouvir dizer; eu
mesmo consultei o oráculo de Trofônio. (Pausânias.). Além dos oráculos, os gregos acreditavam em presságios,
sinais significativos que eram interpretados como um aviso dos deuses, como o voo das aves, que em certas
ocasiões eram identificados como bons ou maus.
Na Guerra de Troia, por exemplo, os troianos foram intimidados por uma águia que voava com uma
serpente nas suas garras, ensanguentada, ainda viva, que picou a ave perto do pescoço, e eles acreditaram que
era um presságio de Zeus.
AS FESTAS: O CONVÍVIO DE DEUSES E HOMENS NA VIDA DA CIDADE
As Panateneias, festas em homenagem a Atena, realizadas todos os anos, começavam com uma
procissão que partia do bairro dos ceramistas (o Cerâmico) e atravessavam o centro de Atenas para levar
solenemente à Acrópole o peplo (manto), bordado todos os anos por jovens previamente escolhidas. Ele se
destinava a vestir a estátua do culto de Atena.
Ou festas das sementeiras celebradas em honra de Apolo. Nesta ocasião, se ofereciam um prato de
favas e vários outros legumes, misturados com farinha de trigo a Apolo. Depois levavam em procissão um ramo
de oliveira envolvido em lã e carregado de frutos da primeira safra, o que consideravamum talismã de
fertilidade. Neste período, os gregos desenvolveram, por causa das festas, uma gama de diversidades de
atividades culturais e cívicas. Daí se entende que o sistema religioso não pode ser divorciado do conjunto da
vida social.
As festas eram pretexto para o exercício de ‘areté’ (educação) dos jovens e das crianças em várias
atividades: atlética, lírica, musical, dramática (tragédia ou comédia). Os festivais eram as únicas ocasiões em que
havia representações dramáticas, que tinham sempre o intuito de mostrar a conduta humana e refletir sobre
ela. Havia três gêneros de espetáculos teatrais: as tragédias, as sátiras e as comédias.
As tragédias apontavam as consequências terríveis de um comportamento desmedido, ao qual davam o
nome de hybris. As sátiras e as comédias também tinham função educativa, apontando o ridículo da condição
humana através de personagens estereotipados e ridículos. Falaremos mais detalhadamente sobre os três
gêneros literários gregos (a poesia épica, lírica e a tragédia).
RELIGIÃO E MITOLOGIA ROMANA
Primeiramente, deve-se dizer que a cultura latina, destarte, as suas características próprias, sua língua,
suas manifestações artístico-literárias, sua mentalidade, nunca negou sua vinculação e fascínio que eles
devotavam à cultura denominada: a grega.
Em outras palavras, os romanos tiveram vida própria e identidade, que na verdade correspondem à
recepção criativa da cultura e da identidade dos gregos. No campo da Religião, Roma Antiga, capital do Império,
caracterizou-se como uma sociedade na qual as pessoas seguiam uma religião politeísta, ou seja, acreditavam
em vários deuses.
Conheça abaixo uma relação das principais divindades da Roma Antiga e suas características:
]
A mitologia romana pode ser dividida em duas partes:
A primeira, tardia e mais literária, consiste na quase total apropriação da mitologia grega.
Foi antiga e ritualística. Nesta fase, percebem-se mudanças em relação ao modelo grego. Neste período,
segundo os estudiosos, os romanos desenvolvem dois conceitos religiosos: uma cultura religiosa pública e
social, a ‘Pax deorum’ (A paz dos deuses) e outra privada, doméstica, um respeito escrupuloso pelo rito religioso
— o Pax deorum — que consistia muitas vezes em danças, invocações ou sacrifícios. Ao lado dos deuses
domésticos, os romanos possuíam diversas tríades divinas, adaptadas várias vezes ao longo das várias fases da
História de Roma.
A tríade primitiva:
Júpiter (senhor do Universo)
Marte (deus da guerra)
Quirinus (deus da fecundidade),
A Influência dos Etruscos:
Minerva (deusa da inteligência e sabedoria)
Juno Regina (rainha dos céus e esposa de Júpiter).
O período da República Romana (Estado romano e suas províncias desde o fim do Reino de Roma em
509 a. C. ao estabelecimento do Império Romano em 27 a.C.):
Ceres (deusa da Terra e dos cereais),
Liber e Libera.
A influência grega:
Hermes (deus do comércio e da eloquência – Mercúrio para os Gregos)
Dionísio (deus do vinho – o deus grego Baco).
O sistema mitológico dos romanos, obviamente influenciado pelos gregos, foi sistema bastante
desenvolvido de rituais, escolas de sacerdócio e grupos relacionados a deuses. Também apresentava um
conjunto de mitos históricos em torno da fundação e glória de Roma.
SINOPSE DA MITOLOGIA GRECO-ROMANA
AULA 3 – A LITERATURA GREGA ANTIGA
HOMERO E OS GÊNEROS LITERÁRIOS DA ANTIGUIDADE
Nesta aula, vamos conhecer a maior e mais duradoura das muitas contribuições das culturas antigas,
grega e romana, a literatura e a arte. Os gregos são os criadores dos modelos literários que ainda se
desenvolvem no Ocidente: a poesia épica, a lírica e a tragédia. Em prosa e verso os gregos possuem o mérito de
ter influenciado os rumos das letras ocidentais.
Nesta aula, surge o nome de Homero, pai das letras gregas e ocidentais, com suas famosíssimas obras, a
Odisseia e a Ilíada, que chegarão a Roma, inaugurando a arte latina, com o mestre Virgílio, em Eneida. Vamos às
letras antigas?
A LITERATURA GREGA ANTIGA: HOMERO E OS GÊNEROS LITERÁRIOS DA ANTIGUIDADE
Os gregos são os criadores dos modelos literários que ainda se desenvolvem no Ocidente: a poesia épica
e lírica e a tragédia. Em prosa e verso, os gregos possuem o mérito de ter influenciado os rumos das letras
ocidentais.
Nesta aula, surge o nome de Homero, pai das letras gregas e ocidentais, com suas famosíssimas obras, a
Odisseia e a Ilíada, que chegarão a Roma, inaugurando a arte latina, com o mestre Virgílio, em Eneida.
Segundo Jorge Piqué (2009), para entendermos a importância capital da obra homérica é preciso
contextualizar as características mais relevantes das sociedades greco-latinas do período clássico:
O Legado Clássico, ou Herança Clássica, que recebemos da Antiguidade greco-latina poderia ser sintetizado em
quatro grandes temas:
1. Os gregos e romanos criaram e aperfeiçoaram os maiores gêneros da literatura ocidental e
influenciaram fortemente muitas literaturas posteriores, especialmente a partir do
Renascimento.
2. Criaram sistemas políticos e jurídicos que desenvolveram os princípios da justiça, liberdade
política e democracia.
3. A filosofia grega é o fundamento do pensamento ocidental; especialmente por meio de Platão e
Aristóteles.
4. Suas artes plásticas (pintura, cerâmica, escultura) e arquitetura continuam a atrair a admiração
depois de mais de 2.000 anos.
A obra homeriana da Odisseia e da Ilíada é o parâmetro do poema épico antigo, por causa de sua
vinculação às raízes primitivas e populares da Grécia arcaica.
Os gregos narraram suas memórias ao Longo dos tempos, de modo anônimo, até que o poeta e
cantador Homero as colecionasse e as compendiasse, fazendo também com que elas, citadas por filósofos e
poetas, se tornassem obra escrita.
Por isso mesmo, a poesia épica possui os traços das narrativas de fundo histórico. Um ensaio previsto na
obra do grande Heródoto, como ciência do discurso de fatos e da memória da civilização grega.
Os poemas homêricos possuem tom eloquente em seus versos (hexâmetros) e duração das vogais,
como se tivessem sido leitos para serem falados em voz alta. Pois até o período helenístico, a ritmação própia
da poesia indicava que estavam associados á literatura e música, que depois do III. séc. a. C tomarão rumos
diversos.
Nos festivais religiosos e nos folgedos populares estariam escondidas as suas raízes? Pela alta qualidade
literária, Odisseia e Ilíada representavam a culminância de uma longa tradição de composições poéticas orais.
E, mesmo referindo-se em linhas gerais aos traços da sociedade micênica, estes poemas foram, provavelmente,
compostos durante o século -VIII, no fim da Idade das Trevas. Para os gregos e também para nós, os dois mais
importantes autores de epopeias (poemas em versos épicos) foram Homero (c. -750) e Hesíodo (c. -700).
Segundo Piquet (2008), pode-se dividir em três períodos o desenvolvimento literário na Grécia.
As obras da literatura grega antiga são datadas entre o séc. VIII a.C. e o séc. IV d. C., ou seja,
aproximadamente 1200 anos de tradição literária ininterrupta. No curso nos concentraremos especificamente
no período arcaico, quando foi composta a Ilíada.
No período arcaico da história grega, surgem dois importantes gêneros literários, que terão
continuidade até os dias de hoje, a poesia épica e a poesia Lírica:
A poesia "Lírica" (séc. VII e VI a.C.): Representada por autores como Alceu, Safo, Estesícoro, Alcmano,
etc... Surge junto com a filosofia dos pré-socráticos (Tales, Heráclito, Parmênides,Demócrito, etc...). Estas são as
primeiras obras em prosa, embora alguns filósofos também utilizassem a poesia. A poesia era a única forma de
expressão literária.
A Poesia Épica (séc. VIII a.C): se conservamnela reminiscências que remontam à Guerra de Troia e à
época micênica (séc. XII a.C.). É poesia épica a epopeia homérica, representada nos dois poemas,
a Ilíada e Odisseia. Tradicionalmente vinculada à poesia épica está também a Teogonia, de Hesíodo, e seu
poema didático, Os Trabalhos e os Dias.
PERÍODO CLÁSSICO (SÉC. V-IV A.C.)
Tradicionalmente, o período é delimitado por dois acontecimentos marcantes.
Se inicia em 480 a.C., com a vitória dos gregos sobre os persas e finaliza em 338 a.C., com Filipe da
Macedônia, o pai de Alexandre, conquistando Atenas.
O chamado "Século de Péricles", quando Atenas é a mais importante cidade e grande centro cultural da
Grécia. Temos nas letras o desenvolvimento do Teatro (tragédia), com os três grandes autores, Ésquilo,
Sófocles, Eurípides, e da História, com Heródoto e Tucídides.
O séc. IV a.C: É quando surge a filosofia de Platão e Aristóteles, a Comédia chega ao seu ápice com
Aristófanes e a Oratória ganha destaque com Ésquines e Demóstenes.
PERÍODO HELENÍSTICO (338 A.C - 30 A.C) E GRECO-ROMANO
Inicia-se com a hegemonia macedônica sobre a Grécia, devido às conquistas de Alexandre, o Grande.
Outros centros de atividade, como Alexandria e Pérgamo, substituem Atenas.
Novos gêneros são criados, como a novela. Roma conquista a Grécia e recebe sua influência, que
retransmite para o mundo, especialmente nas regiões orientais. Autores como Apolodoro (mitógrafo),
Menandro (comediógrafo), Calímaco (poeta lírico), são representativos dessa época.
A épica ressurge com Apolônio de Rodes, autor da Argonautica. É nesse período que, primeiro, o Velho
Testamento é traduzido do hebraico para o grego e, mais tarde, o Novo Testamento é escrito em grego koiné,
um dialeto derivado do grego ático.
Sobre o nome de Homero, não há consenso de que ele tenha realmente existido ou de que tenha
escrito qualquer uma das duas epopeias, tradicionalmente chamadas de poemas homéricos. Para o historiólogo
Heródoto (484-425 a.C.), Homero teria vivido 400 anos antes dele (Hdt. 2.53).
Os estudos recentes, porém, situam a data de composição da Ilíada e da Odisseia no fim da Idade das
Trevas (c. -750) ou no início do Período Arcaico (-750/-713).
O uso predominante do dialeto iônico sugere que o autor dos poemas veio provavelmente da Iônia. Que
ele era um aedo cego nascido especificamente em Quios ou em outro lugar da região e se chamava Homero,
porém, não tem qualquer comprovação histórica.
A autoria dos poemas homéricos que permanece ‘quaestio disputatae’ (discussão irresoluta), desde o
Período Helenístico, pode ser resumida assim:
Qual dos poemas é o mais antigo?
Teriam sido criadas a partir da união de vários poemas isolados?
Seriam a Ilíada e a Odisseia obras de um só poeta?
Seria "Homero" o nome atribuído a algum poeta anônimo que organizou uma extensa e antiga tradição
oral?
Teria sido "Homero" um poeta genial que simplesmente se baseou em temas da tradição oral de
diversas épocas?
Seriam os dois poemas, como os conhecemos, modificações tardias dos poemas originalmente
compostos?
É indiscutível, no entanto, sua influência sobre toda a literatura ocidental. A Eneida, de Virgílio (-30/-19),
Os Lusíadas, de Camões (1572) e o Ulisses, de Joyce (1921) são apenas alguns dos numerosos exemplos de
influência direta.
OS GÊNEROS LITERÁRIOS DA ANTIGUIDADE CLÁSSICA GREGA
POESIA ÉPICA
Cantada por gerações inumeráveis de poetas cantores, os ‘aedos’, discutida por Filósofos como Platão, a
obra homérica representa uma potente memória da nação grega.
Naquele momento, a poesia grega não era o que atualmente chamamos de "poesia". Não havia rimas e
sim uma estruturação do verso em sílabas longas e breves, de tal modo que a declamação adquiria uma
musicalidade muito própria à língua grega.
E os versos eram sempre acompanhados de música, pois para os gregos a poesia e a música andavam
sempre juntas.
• Homero (séc. VIII a.C.) - Ilíada, Odisseia.
• Hesíodo (c. 700 a.C.) - Teogonia, Os Trabalhos e os Dias.
A ODISSEIA
Segundo Janko, 1982, a Odisseia foi composta, possivelmente, entre 743 e 713 a.C., alguns anos depois
da Ilíada. O título do poema deriva do nome do principal protagonista, Odisseu, herói grego mais conhecido
entre nós pelo nome romano, Ulisses.
Enquanto a Ilíada é uma história de guerra, a Odisseia é basicamente uma história de viagens
fantásticas. Nela, [Homero] relata as aventuras de Odisseu após a Guerra de Troia. Durante dez anos o herói
tenta retornar a Ítaca, seu reino, onde o aguardam ansiosos, o pai Laerte, a esposa Penélope e o filho Telêmaco;
numerosas aventuras, porém, retardam sua volta. Em Ítaca, a esposa (Penélope) e o filho (Telêmaco) são
constantemente pressionados por pretendentes ao trono e à esposa de Odisseu, tido como desaparecido.
O poema começa no vigésimo ano de sua partida para Troia (dez anos de guerra, mais dez anos de
viagens), e as aventuras dos anos anteriores são contadas pelo próprio Odisseu. No final, é claro, Odisseu
consegue retornar ao lar e à família, matar todos os pretendentes e recuperar seu reino.
A POESIA LÍRICA
Esta forma literária nasceu da fusão do poema épico com o instrumento que a acompanhava, a lira. As
formas foram então se diversificando; variedades e novas técnicas surgiram, como: a ode, a elegia, os epitáfios,
as canções, as baladas e outras mais que se desenvolveriam posteriormente como o soneto e o madrigal.
A primeira característica da poesia lírica é a maior liberdade quanto ao número de sílabas dos versos.
Ela também foi de grande influência sobre a poesia dramática, que se apresentava com duplo caráter: épico e
lírico (objetivo/subjetivo).
HESÍODO
Hesíodo (gr. 'HσÍοδος) é o mais antigo poeta grego no início do Período Arcaico. A sua obra poética
pode ser considerada como poesia épica. Na Antiguidade, Hesíodo era tão considerado quanto Homero.
Através de “Os Trabalhos e os Dias”, sabe-se que ele viveu em Ascra, na Beócia, no final do século - VIII
ou início do século - VII (c. -700), período de crise agrícola e social. Filho de um imigrante de Cime, na Ásia
Menor, que se tornou agricultor e vivia com dificuldade em uma pequena propriedade rural próxima do Monte
Hélicon.
A exemplo do pai, Hesíodo viveu de sua pequena propriedade rural, mas parece ter recebido
treinamento de rapsodo e, certamente, conhecia os poemas homéricos. Como os poemas homéricos, sua obra
parece ser uma coletânea de mitos e tradições conservados oralmente — no caso, tradições da Beócia, região
em que viveu. Hesíodo foi, no entanto, o primeiro a utilizar suas próprias experiências como tema de poesia e a
cantar a vida simples do homem do campo.
Rapsodo (em grego clássico ραψῳδός / rhapsôidós) é o nome dado a um artista popular ou cantor que,
na antiga Grécia, ia de cidade em cidade recitando poemas (principalmente epopeias).
AS CARACTERÍSTICAS DA POESIA ÉPICA LATINA
VIRGÍLIO
Uma epopeia por encomenda
Bucólicas (poema pastoril) e Geórgicas (poema agrícola) haviam dado fama a Virgílio. Por isso, o
imperador Augusto encomendou-lhe a composição de um poema épico que cantasse a glória e o poder de
Roma. Um poema que rivalizasse e, quiçá, superasse Homero, e também que cantasse, indiretamente, a
grandeza de César Augusto.
Assim, Virgílio elaborou um trabalho que, além de labor linguístico e conteúdo poético, é também
propaganda política.
ENEIDA
Muitos dos episódios na Eneida, que narra um tempo mitico, têm uma correspondência síncrona com a
atualidade de Augusto.
Por exemplo, o escudo de Eneias, simbolizando a batalha do Ácio, quando Otávio
Augusto derrotou Marco Antônio em 36 a.C. e a previsão de Anquises, no Hades, sobre as glórias de Marcelo,
filho de Otávia, irmã do imperador.
Virgílio concluiu a Eneida em 19 a.C.. A obra está completa mas não está ainda prontasegundo o seu
criador. Virgílio gostaria ainda de visitar os Lugares que aparecem no poema e revisar os versos dos cantos
finais. Mas adoeceu e, às portas da morte, pediu a dois amigos que queimassem a obra por não estar ainda
perfeita.
O grande poema, já conhecido de alguns amigos coevos, não foi destruído para nossa felicidade e
fortuna literária. Sem a epopeia virgiliana, não haveria Orlando Furioso, O Paraíso Perdido, Os Lusíadas, dentre
outros grandes clássicos da literatura mundial.
Composta por 12 cantos, num total de 9826 versos, a Eneida, a maior obra do poeta Virgílio (Publius
Virgilius Maro, 70-19 a.C.) é considerada, simultaneamente, uma obra de tom mitológico e histórico.
Mitológico, porque narra a história do herói Eneias, utilizando-se de lendas tradicionais do povo
romano. Histórico, porque utiliza este argumento para exaltar Roma e Augusto, procurando valorizar tanto os
feitos do imperador quanto os feitos mais remotos do seu povo.
Desta forma, o poeta conseguiu realizar a tarefa que Augusto lhe incumbira, compondo a epopeia latina
por excelência, capaz de equiparar-se à Ilíada e à Odisseia, consagradas epopeias homéricas.
Todavia, esta não era a única preocupação da Eneida: Virgílio procurou retratar, também, os valores e
virtudes que fundamentavam a sociedade latina, fazendo, assim, uma síntese das correntes de pensamento em
difusão em Roma, e as práticas religiosas que prevaleceram de 44 a.C. a 14 d. C., época de Augusto, considerada
a de maior prosperidade para a religião romana.
A POESIA TRÁGICA GREGA
A POESIA LÍRICA NA GRÉCIA ANTIGA
A poesia lírica foi a expressão literária mais marcante do Período Arcaico, ligada diretamente ao
desenvolvimento social da pólis e ao florescimento cultural que acompanhou o processo de migração grega
para a Ásia Ocidental e para as ilhas do Egeu.
A qualificação "lírica", usada até hoje, foi criada durante o Período Helenístico; na época clássica era
correntemente usada a palavra "mélica" (gr. μελικn), que vem de μελος, "canto acompanhado de música", de
onde se formou a palavra portuguesa melodia.
Recorria-se também com frequência à palavra "ode" (gr. wιδn), que significa canto. Havia dois tipos
principais: a lírica monódica, declamada em geral pelo próprio poeta acompanhado pela música de um só
instrumento (a lira, por exemplo); e a lírica coral, apresentada por um coro, com ou sem acompanhamento
musical.
Os mais importantes viveram entre a primeira metade do século -VII e a primeira metade do século -V,
nas primeiras décadas do Período Clássico. Segundo os eruditos alexandrinos, havia um cânone de nove poetas
líricos, cujos nomes foram conservados pela Antologia Palatina (AP 9.571):
Muitos outros poetas importantes têm sido estudados e divulgados nos últimos anos, graças a
descobertas papirológicas. Com exceção das odes triunfais de Píndaro e de Baquílides, no entanto, somente uns
poucos poemas completos e outros tantos fragmentos chegaram até nós.
A ELEGIA
É uma das formas mais antigas. Conservou fortes ligações com a poesia épica, sua antecessora, e deve
ter sido em sua origem um canto litúrgico acompanhado de música para, entre outras coisas, enterros e
banquetes fúnebres. O metro utilizado era o dístico elegíaco. Havia vários tipos de poesia elegíaca:
O declamador era, em geral, acompanhado por um tocador de aulos. Entre os principais representantes
estão Calino de Éfeso, Tirteu de Esparta, Mimnermo de Cólofon, Sólon de Atenas e Teógnis de Mégara.
O IAMBO
A poesia iâmbica é também bastante antiga e se caracterizava pelo tom pessoal, pela alegria de viver e
pela sátira, o que a distancia significativamente da poesia épica. O acompanhamento habitual era também o
aulos; esse gênero, no entanto, nem sempre era apresentado com acompanhamento musical.
O metro mais usado era o trímetro iâmbico, embora nas sátiras em geral também se usasse o dístico
elegíaco com certa frequência. Principais representantes: Arquíloco de Paros, Semônides de Amorgos e Hipônax
de Éfeso. O mais antigo e o mais considerado pelos antigos foi Arquíloco.
A CANÇÃO
A poesia cantada com acompanhamento musical, também conhecida por ode ligeira e mélica, muitas
vezes se confunde com a própria denominação genérica "lírica monódica".
Os poetas mélicos cantavam principalmente o amor e os prazeres da vida e, além de cantar, tocavam
geralmente também o bárbitos, instrumento semelhante à lira, mas com sete cordas ao invés de quatro.
A métrica desses poemas era muito variada e habitualmente característica de cada autor. Os versos
eram agrupados em estrofes[1] e cada tipo de estrofe recebeu, em geral, o nome do poeta que a utilizava:
sáfica (Safo de Lesbos), alcaica (Alceu de Mitilene), e anacreôntica (Anacreonte de Teos).
ELEMENTOS ESSENCIAIS DA TRAGÉDIA GREGA
HIBRIS - Sentimento que conduz os heróis da tragédia à violação da ordem estabelecida através de uma
ação ou comportamento que se assume como um desafio aos poderes instituídos (leis dos deuses, leis da
cidade, leis da família, leis da natureza).
PATHOS - Sofrimento, progressivo, do(s) protagonista(s), imposto pelo Destino (Anankê) e executado
pelas Parcas (Cloto, que presidia ao nascimento e sustinha o fuso na mão; Láquesis, que fiava os dias da vida e
os seus acontecimentos; Átropos, a mais velha das três irmãs, que, com a sua tesoura fatal, cortava o fio da
vida), como consequência da sua ousadia.
ÁGON - Conflito (a alma da tragédia) que decorre da hybris desencadeada pelo(s) protagonista(s) e que
se manifesta na luta contra os que zelam pela ordem estabelecida.
ANANKÉ - É o Destino. Preside às Parcas e encontra-se acima dos próprios deuses, aos quais não é
permitido desobedecer-lhe.
PERIPÉCIA - Segundo Aristóteles, "Peripécia é a mutação dos sucessos no contrário". Assim, poderemos
considerar um acontecimento imprevisível que altera o normal rumo dos acontecimentos da ação dramática, ao
contrário do que a situação até então poderia fazer esperar.
ANAGNÓRISE (RECONHECIMENTO) - Segundo Aristóteles, "o reconhecimento, como indica o próprio
significado da palavra, é a passagem do ignorar ao conhecer, que se faz para a amizade ou inimizade das
personagens que estão destinadas para a dita ou a desdita." Aristóteles acrescenta: "A mais bela de todas as
formas de reconhecimento é a que se dá juntamente com a peripécia, como, por exemplo, no Édipo." O
reconhecimento pode ser a constatação de acontecimentos acidentais, trágicos, mas, quase sempre, se traduz
na identificação de uma nova personagem, como acontece com a figura do Romeiro no Frei Luís de Sousa.
CATÁSTROFE - Desenlace trágico, que deve ser indiciado desde o início, uma vez que resulta do conflito
entre a hybris (desafio da personagem) e a anankê (destino), conflito que se desenvolve num crescendo de
sofrimento (pathos) até ao clímax (ponto culminante). Segundo Aristóteles, a catástrofe "é uma ação perniciosa
e dolorosa, como o são as mortes em cena, as dores veementes, os ferimentos e mais casos semelhantes."
KATHARSIS - Purificação das emoções e paixões (idênticas às das personagens), efeito que se pretende
da tragédia, através do terror (phobos) e da piedade (eleos) que deve provocar nos espectadores.
TRAGÉDIA
A tragédia, a mais antiga obra literária representada por atores em espaço especializado, o teatro, é um
dos mais importantes gêneros literários legados pela Grécia Antiga. Do século -IV em diante, a tragédia entrou
em franco declínio e só iria recuperar parte de seu antigo esplendor dois milênios depois - mas as obras de
Shakespeare (1564/1616), de Racine (1639/1699) e de outros autores são, na realidade, formas evoluídas da
tragédia.
“Ter inventado a tragédia é um glorioso mérito, e esse mérito pertence aos gregos”.
(ROMILLY, 1998)
O gênero trágico, em suaforma mais pura, só subsiste na obra dos três grandes poetas atenienses:
Ésquilo (-525/-456)
Sófocles (-496/-405)
Eurípides (-485/-406)
Das oitenta tragédias compostas por Ésquilo restam-nos, desgraçadamente, apenas sete; das cento e
vinte de Sófocles, temos igualmente apenas sete; dentre as oitenta obras dramáticas de Eurípides, somente
dezessete tragédias e um drama satírico sobreviveram.
OS GRANDES TRAGIÓGRAFOS GREGOS
“Ésquilo foi o primeiro a elevar de um para dois o número dos atores; diminuiu a importância do coro e
fez do diálogo protagonista”
(ARISTÓTELES, PO. 1449 A.15)
O mais antigo dos poetas trágicos cuja obra chegou até nossos dias. Aristóteles sustentava que foi ele o
verdadeiro criador da tragédia ática e, para os atenienses, era uma verdadeira instituição.
Embora somente tragédias inéditas fossem habitualmente admitidas nos festivais de Atenas, depois da
morte de Ésquilo suas obras eram frequentemente reapresentadas — às custas da cidade — e chegaram a ser
premiadas várias vezes nos concursos.
As mais importantes fontes de informações sobre a vida de Ésquilo são a ‘Vita anônima’. Sabe-se de
certo apenas que nasceu em -525 em Elêusis, perto de Atenas, e que morreu em -456 na Sicília, em Gela.
Era provavelmente de família aristocrática e seu pai chamava-se Eufórion. Segundo a tradição, lutou
contra os persas em Maratona (-490) e em Salamina (-480).
Já em vida, seu prestígio era grande. A tradição registra pelo menos duas e talvez três viagens à Sicília,
sede de algumas das mais poderosas poles da época, para apresentar suas peças: a primeira em -476/-475, a
segunda provavelmente entre -471 e -456 e, com certeza, lá estava ele em -456, quando morreu.
Seu túmulo tornou-se local de peregrinação e, em meados do século -IV, uma estátua sua foi colocada
no centro do teatro de Dioniso, em Atenas.
Ésquilo reduziu a primitiva importância do coro e acrescentou um segundo ator, tornando possível o
diálogo entre os personagens e a ação dramática. É provável que tenha também introduzido aperfeiçoamentos
no vestuário e nos cenários, a julgar pela dificuldade técnica de algumas de suas encenações.
Em As Rãs, comédia representada em -405, Aristófanes compara Ésquilo e Eurípides, com vantagem
para o primeiro. Apesar do tom jocoso, várias características da obra esquiliana são reconhecidas e
mencionadas. É um raro testemunho da impressão que o poeta causou naqueles que viveram (quase) em sua
época.
SÓFOCLES
Sófocles, o segundo dos poetas trágicos canônicos, foi ainda em vida o mais bem sucedido autor de
tragédias do século -V. Consta que obteve o maior número de vitórias nos concursos dramáticos de Atenas.
Os atenienses veneravam Ésquilo e compreendiam apenas em parte Eurípides; mas amavam Sófocles
apaixonadamente.
Desde sua primeira vitória, aos 28 anos, Sófocles foi festejado e homenageado como o maior dos poetas
trágicos. De acordo com a tradição biográfica, participou ativamente da vida pública de Atenas.
Nasceu perto de Atenas, em Colono, por volta de -496; era de família abastada, mas não aristocrática; o
pai chamava-se Sófilos. Viveu sempre em Atenas e lá morreu, nonagenário, em -406/-405.
Era bem apessoado e afável; consta que foi amigo de Péricles e de Heródoto e que Íofon, seu filho, e
Áriston, seu neto, foram tragediógrafos de renome. Diz-se que, meses antes de sua morte, ao saber que
Eurípides morrera, vestiu o coro de preto e, em lágrimas, deu ao público a notícia.
CARACTERÍSTICAS DA OBRA
A poesia de Sófocles é simples e elegante, nobre mas sem pompa; algumas das mais belas linhas da
poesia grega são de sua autoria.
O personagem sofocliano é um ser humano ideal, dotado dos mais elevados atributos humanos. Seu
caráter, habilmente delineado pelo poeta, frequentemente contrasta com o de outros personagens. Como se
costuma dizer, ao teocentrismo de Ésquilo opunha-se o antropocentrismo de Sófocles.
Das tragédias sobreviventes, apenas o Filoctetes pôde ser datado com precisão. Note-se que Édipo
Tirano é mais conhecida pela tradução incorreta, Édipo Rei.
Édipo Rei (mais corretamente: Édipo Tirano) — de Sófocles é, entre nós, a mais célebre e a mais
representada das tragédias gregas. Tanto o filósofo Aristóteles, na Antiguidade, quanto os dramaturgos
franceses do século XVII consideravam-na a mais bem construída das tragédias gregas.
A data exata desta tragédia de 1530 versos não é conhecida; estima-se a primeira apresentação entre -
429 e -425. Sabe-se que Sófocles foi contemplado em segundo lugar no concurso dramático e que o primeiro
lugar coube a um certo Filocles, possivelmente sobrinho de Ésquilo.
Na poderosa cidade de Tebas reinavam Édipo, o matador da Esfinge, e a rainha Jocasta. Diante de uma
grave epidemia, o rei consulta o Oráculo de Delfos e descobre que a causa da peste é a presença na cidade do
desconhecido assassino de Laio, rei anterior e primeiro marido de Jocasta.
Ao investigar a morte do antigo rei, ocorrida anos antes, Édipo acaba descobrindo que Laio era seu pai;
que ele, Édipo, o havia matado e que estava, portanto, casado com a própria mãe. Jocasta, desesperada, se
mata; Édipo cega a si mesmo e parte para o exílio.
MEDEIA
A tragédia Medeia foi representada pela primeira vez nas Dionísias Urbanas de -431, ano em que
começou a Guerra do Peloponeso. Nesta tragédia, Eurípides nos transmitiu um dos mais interessantes e mais
emocionantes retratos das forças antagônicas que governam a alma humana.
Medeia, a personagem principal, luta com todas as forças e todas as armas contra as adversidades que a
acometem. Jasão e Medeia, expulsos de Iolco após a morte de Pélias, vivem agora em Corinto com seus dois
filhos.
O rei de Corinto, Creonte, convence Jasão a abandonar Medeia e se casar com sua filha; para tanto,
expulsa Medeia e os dois filhos da cidade. Egeu, rei de Atenas, concede asilo a Medeia, mas a feiticeira decide
se vingar de Jasão. Primeiro, através de um ardil, mata Creonte e a filha dele; a seguir, mata os próprios filhos e
foge, finalmente, em um carro alado cedido pelo deus Hélio, seu avô.
A IMITAÇÃO TRÁGICA
J.P. Vernant, em seus estudos sobre tragédia, diz que seu domínio próprio: “situa-se nessa zona
fronteiriça em que os atos humanos articulam-se com as potências divinas... pode bem continuar a escrever
peças, inventando ele mesmo a trama segundo um modelo que crê conforme às obras de seus grandes
predecessores...” , mas não haverá mais o especificamente trágico após essa época.
No século III a.C, Aristóteles, na Poética, texto cuja intenção é expor a essência da tragédia, irá defini-la
como uma arte (téchne) entre muitas outras, e sendo a arte, imitação (mímesis), diz: “... A tragédia é imitação
de uma ação nobre e completa (práxeos spoudaías kaì teleías) tendo uma certa grandeza (mégethos)...
A imitação de uma ação é mito (mýthos). Nomeio mito (mýthos) a síntese de ações (sýnthesin tôn
pragmáton); nomeio caráter (éthe) as ações que permitem que qualifiquemos aqueles que agem; e afinal, digo
que pensamento (diánoian) é o que nas palavras ditas traz um exposto ou exprime um conhecimento
(gnómen)...”.
A palavra teatro tem derivação dos verbos theatrídzo (expor para todos verem, daí, expor em cena) e
theáomai (contemplar). O substantivo theatós significa o que é visível, digno de ser contemplado.
AULA 4 – OS MESTRES DA FILOSOFIA ANTIGA
PLATÃO E ARISTÓTELES
Nesta aula, estudaremos as condições da aparição do pensamento filosófico de Platão e o Mundo das
Ideias, de Aristóteles, de Epicuro e o Estoicismo, terminando com as tendências ecléticas de Marco Túlio Cícero.
Filosofia é uma forma de saber que até hoje influencia a maneira de pensar e agir nas culturas
contemporâneas.
A FILOSOFIA GREGA
Na Grécia antiga, em tomo do século VI a.C, nascia uma forma depensar e agir que modificou a história
da humanidade. Trata-se da filosofia grega, originária em Atenas, em contraste com o ‘pensamento mítico’ e
suas ‘explicações’ do universo cósmico e social na Grécia antiga, até então, regras para a convivência social na
sociedade arcaica.
Neste sentido, a Filosofia representa a causa das profundas mudanças sociais ocorridas em
consequência de sua recepção pela sociedade grega, mas ao mesmo tempo, é a consequência de processos
sociais e culturais, verdadeiras metamorfoses na mentalidade grega que abandonava definitivamente a fase
arcaica.
Então, como explicar o surgimento e a função do pensamento filosófico?
Quais foram as relações entre o pensamento racional e o mítico?
“Uma sociedade é um sistema de relações entre homens, atividades práticas que se organizam no plano
da produção, da troca, do consumo, em primeiro lugar, e depois em todos os outros níveis e em todos os outros
setores. E na concretude de sua existência, os homens também se definem pela rede de práticas que os ligam
uns aos outros e da qual eles aparecem, em cada momento da história, ao mesmo tempo como autores e como
produtos”. (VERNANT, 2002, p.54).
Entre os estudiosos deste fenômeno está Jean-Pierre Vernant (1914-2007). Ele enfatizou em seus
estudos a questão das condições históricas que possibilitaram o nascimento da Filosofia; este ‘milagre’
evolutivo, um fenômeno ímpar entre as sociedades antigas:
Além disso, ele irá influenciar o pensamento moderno, convencido erroneamente de que o pensamento
filosófico fora a derrocada do mito e da religião na sociedade grega.
Vernant iniciou suas pesquisas sobre a antiguidade grega buscando reformular as bases sobre quais
eram colocadas a questão sobre a emergência do pensamento racional no âmbito da cultura grega antiga.
Até então, ela era colocada sobre o signo do “milagre grego”, no qual a irrupção do pensamento
racional era vista como manifestação da genialidade, sendo expressão do espírito, de uma capacidade
completamente nova que não possuiria pontos de contato com a materialidade religiosa, mítica, pré-lógica que
a teria antecedido. A ideia de milagre reforçava a concepção de mudança abrupta que não guardaria relações
com as condições sociais, econômicas e políticas.
Assim, o milagre grego não seria a contrapartida de condições sociais objetivas, mas um fenômeno
vindo de fora das relações sociais concretas. Era a racionalidade grega vista como manifestação de um espírito
absoluto, existente fora da história, de suas lutas reais e concretas, que se manifestava pelos homens e não
como uma criação sua.
Foi essa explicação a-histórica da irrupção do racionalismo grego que Vernant buscou reformular em
seu trabalho “As Origens do Pensamento Grego”, pois para ele a história do espírito não seria uma história
puramente individual, nem uma história no ar: ela teria raízes na vida material e social dos homens, excluindo
tanto o acaso quanto a predestinação.
Segundo Vernant. a racionalidade grega, como se manifestou no período clássico, não poderia ser
tomada como obra de um ‘espírito metafísico’ e ‘a-histórico’ que existisse fora das relações humanas, mas sim
como uma obra humana.
PERIODIZAÇÃO DA FILOSOFIA GREGA NA ANTIGUIDADE
Neste sentido, a Filosofia como forma de pensamento histórico pode ser objeto de uma investigação
material, em forma de cronologia, que estabeleça os passos de seu desenvolvimento e seus principais atores: os
filósofos.
1º PERÍODO: PRÉ-SOCRÁTICO
O primeiro período (-600/-400) é marcado pela reflexão sobre a estrutura do mundo natural pelo
desenvolvimento da argumentação filosófica. Ou cosmologia (cosmos = mundo racionalizado, a natureza
entendida como conjunto de leis que regem a realidade. Sua interpretação através dos fenômenos ‘naturais’ é
chamada de Filosofia do mundo ou ciência do mundo).
A reflexão sobre a origem e a organização do universo é denominada Cosmologia (do gr. κoσμος,
"ordem").
Os filósofos pré-socráticos, os mais antigos pensadores a lidar com esse tema, procuravam um princípio
lógico e racional que explicasse como a s coisas surgem e desaparecem ciclicamente enquanto a Natureza
permanece a mesma, e acreditavam que esse "elemento" atuava tanto no mundo físico como nos seres
humanos.
A COSMOLOGIA E CIVILIZAÇÃO GREGAS
Os gregos antigos começaram a desenvolver o ‘método científico’ de investigação. A ciência passou a ter
uma forte conotação experimental e o cientista passou a ser um investigador.
Como vimos anteriormente, por Vernant, vários fatores culturais e históricos específicos presentes na
civilização grega permitiram que o método científico pudesse se instalar entre os filósofos da Grécia antiga.
Podemos destacar alguns destes fatores:
A estrutura da ‘ecclesia’ que permitia um ‘Fórum’ Social de franca discussão.
Economia marítima desenvolvida pelos gregos evitava o isolamento e o provincianismo o tempo
todo, assim a sociedade grega dispunha de influências multiculturais.
A difusão da língua grega que propiciava aos eruditos e cientistas gregos grande circulação pelo
mundo ao redor.
Embora a filosofia tenha nascido e se desenvolvido nas prósperas ‘Poleis’ (Cidades-Estado), localizadas
fora do continente grego, o mais importante personagem da Filosofia Grega foi o ateniense Sócrates (469/-399).
Ele foi contemporâneo do político Péricles, do poeta trágico Eurípides e do médico Hipócrates de Cós.
Sua contribuição à Filosofia foi tão importante que é costume dividir historicamente os pensadores
gregos em "pré-socráticos" e "pós-socráticos".
Seguem-se os filósofos pré-socráticos mais destacados:
OS PITAGÓRICOS:
Por ter sido um filósofo da fase não escrita da história da Filosofia grega, Pitágoras e seus seguidores, os
pitagóricos, estão envolvidos em tamanha quantidade de lendas que é muito difícil separar a realidade do mito.
O PENTAGRAMA ERA O SÍMBOLO DA ESCOLA PITAGÓRICA.
Independentemente de provarmos ou não a sua existência histórica, destaca-se a importância do
"pitagorismo": A doutrina desenvolvida no final do século VI constituída por um complexo amálgama de
números, matemática e música, misticismo e cosmologia, e ética.
Nome: Pitágoras de Samos
Nasceu: no V° século a.C o "mais hábil filósofo grego" (Hdt. 4.95), é considerado o fundador do
pitagorismo.
Cidade natal: Pitágoras nasceu c. -570 em Samos, no litoral da Ásia Menor; seu pai era Mnesarco, um
mercador fenício, e sua mãe era samiana.
Discípulo: de Ferécides de Siros (D.L. 1.118), de acordo com Diógenes Laércio.
Vida: Consta, finalmente, que emigrou entre -540 e -522 para a cidade de Crotona, na península italiana,
por discordar da tirania de Polícrates.
Dedicação: Dedicou-se também à matemática e à teoria musical.
Morreu: No fim da vida, desentendimentos políticos obrigaram-no a emigrar para Metaponto, ao norte
de Crotona, onde morreu por volta de -495.
A CONFRARIA PITAGÓRICA
Ele criou uma confraria ou irmandade em Crotona que reunia cerca de trezentos jovens, que viviam
separadamente dos outros cidadãos e mantinham os bens em comum. A irmandade era aparentemente um
"clube" de pessoas que cultivavam um estilo de vida particular e exclusivo, com seus rituais e segredos.
Exercícios físicos, música e estudos referentes à teoria musical e à matemática, assim como sua
aplicação à natureza do Universo, aparentemente também faziam parte do "currículo".
Atribuía-se aos números um significado místico e, para eles, a τετρακτύς, "número quaternário" (o
número 10, formado pela adição dos quatro primeiros números: 1+2+3+4) era o fundamento de todas as coisas.
A despeito de algumas oposições nem sempre pacíficas, os discípulos e seguidores de Pitágoras
continuaram difundindo sua doutrina e desenvolvendo atividades políticas em várias cidades do sul da Itáliaaté
fins do século -IV, pelo menos. Diversos tratados sob o nome de Pitágoras restaram até os nossos dias, mas sua
autenticidade é discutível.
2° PERÍODO: SOCRÁTICO
Este segundo período no desenvolvimento da Filosofia grega é marcado pela descoberta antropológica.
da Natureza Cósmica para a Humana. O princípio de Delphos (“Conhece-te a ti mesmo!”) torna-se uma técnica
de conhecimento e de ação ética (a maiêutica) da recuperação do conhecimento (“Sei que nada sei”).
SÓCRATES
Nascido em Atenas, no século V. O pai, Sofronisco, escultor; a mãe, Fenarete, parteira. Na juventude,
esteve interessado na Filosofia da Natureza e chegou a estudar algum tempo com Arquelau (séc. -V), discípulo
de Anaxágoras de Clazômenas (-500/-428). Lutou bravamente na Guerra do Peloponeso em Potideia (-432/-
430), Délio (-424) e Anfípolis (-422).
Em 423, com mais de quarenta anos, Sócrates já figura popular em Atenas, tanto que Aristófanes fez sua
caricatura em As Nuvens.
Feio e de pequena estatura tinha, porém, a mente aguçada, lógica e analítica. Argumentador rigoroso,
bem-humorado, costumava submeter todos os que se dispunham a ouvi-lo a uma série de perguntas muito bem
dirigidas até chegar a uma conclusão satisfatória que, em geral, punha em relevo a fragilidade das opiniões de
seus interlocutores (o método maiêutico).
Em 399, acusado de não cultuar os deuses da cidade e corromper a juventude, foi julgado e condenado
à morte. Bebeu cicuta, veneno usado em Atenas nas execuções, diante de amigos e discípulos.
PENSAMENTO E OBRA
Platão, Xenofonte e a caricatura de Aristófanes são nossas únicas fontes, pois Sócrates nada escreveu.
O princípio socrático era "só sei que nada sei". Ele acreditava que a virtude e os mais altos valores éticos
estavam profundamente arraigados no inconsciente das pessoas e comparava seu trabalho de "extrair" as ideias
ao de uma parteira (maiêutica socrática).
A CIDADE E O TEMPLO DE DELPHOS:
Para que seus interlocutores recuperassem o conhecimento "adormecido" e abandonassem as ideias
falsas, recorria à ironia: alegando nada saber, conduzia habilmente o interlocutor até que ele mesmo,
refletindo, chegasse à conclusão correta.
Para Sócrates, o conhecimento conduz naturalmente à sabedoria.
Mas a injustiça e a maldade eram apenas o resultado da ignorância; o mal nada mais era que a falta de
conhecimento do bem (tema retomado séculos depois por Santo Agostinho em “Confissões”).
Durante o século -IV, o desenvolvimento e a popularização da filosofia alcançam o seu apogeu.
A FILOSOFIA DE PLATÃO E DE ARISTÓTELES
PLATÃO
No século IV surgem as duas maiores figuras do pensamento grego: Platão e Aristóteles. Neste período,
a Filosofia se organiza em torno de Instituições escolásticas. Platão funda a Academia e Aristóteles o Liceu, um
marco na história da educação. Platão foi, certamente, o mais importante dos discípulos de Sócrates.
DOUTRINA PLATÔNICA:
O MUNDO DAS IDEIAS
Segundo Platão, toda a realidade é mutável, ela "flui". O mundo dos sentidos está sujeito à corrosão do
tempo. Ao mesmo tempo, tudo é formado a partir de uma forma eterna e imutável. Desta dimensão de
mudança (meta-morfose=mudança de forma) causada pelo tempo, ele extrai ‘a essência’ (ousia) das coisas. A
universalidade de tudo, os elementos em comum.
Apesar das coisas não serem exatamente iguais, existe algo que é comum a todos, algo que garante que
nós jamais teremos problemas para reconhecer algo, a verdadeira forma das coisas é eterna e imutável. A
Filosofia garante que entre as coisas singulares e mutáveis existe um denominador comum, fundamento
estável.
Ele postula a partir desta afirmação a possibilidade que as coisas na ‘Natureza’ tenham uma origem
comum: que "por cima" ou "por trás" de tudo o que vemos à nossa volta há um número limitado de formas.
Platão as nomeou As Ideias.
Por trás de todos as coisas (humanas ou não) existe a "ideia, uma forma de matrix”. Fonte de identidade
entre a diversidade de formas existentes.
Platão pleiteava uma realidade autônoma por trás do mundo dos sentidos. A esta realidade ele deu o
nome de mundo das ideias. Nele estão as "imagens padrão", as imagens primordiais, eternas e imutáveis, que
encontramos na natureza. Esta concepção é chamada por nós de a Teoria das Ideias de Platão.
DUALISMO COGNITIVO DE PIATÃO
Para Platão, a realidade era composta por dois níveis.
1) O mundo dos sentidos: Que nos fornece, pelos nossos cinco sentidos, a impressão das coisas, um
conhecimento aproximado ou imperfeito. Neste mundo dos sentidos, tudo flui e, consequentemente, nada e
perene, as coisas simplesmente surgem e desaparecem.
2) O mundo das Ideias: É a fonte de conhecimento seguro (racional e científico). Este conhecimento
tem como fonte o uso de nossa razão, e não pode ser conhecido através dos sentidos. Nestas perspectivas, as
coisas são conhecidas por suas ideias (ou formas), que são eternas e imutáveis.
Segundo Platão, a Filosofia era o conhecimento das ‘essências’ das coisas, e, portanto, do eterno e
imutável. A realidade racional e verdadeira pertence às ideias perfeitas, que estão acima do mundo sensorial.
Esta filosofia passou a ser denominada pelos estudiosos como ‘Idealismo Platônico’.
ARISTÓTELES
Nasceu em Estagira, na Calcídica, em 384; era filho de Nicômaco, médico pessoal de Arnintas, rei da
Macedônia (-3931-370), pai de Felipe II (-3821-336) e avô de Alexandre III (-3561-323).
Viveu em Atenas, onde estudou Filosofia na Academia de Platão (367 e •347 a.C). Permaneceu por três
anos em Atarneus (ou Assos), perto de Traia, juntamente com Teofrasto (.371 I•287) e outros ex-alunos da
Academia, onde casou-se com Pítias, filha de Hérmias, tirano local e também ex-aluno de Platão.
Em -345 foi para Mitilene, em Lesbos, onde, ao lado de Teofrasto, realizou a maior parte de suas
famosas Investigações biológicas. Em 343. aceitou tornar-se preceptor de Alexandre, filho de Felipe
II, então com treze ou quatorze anos; nessa época, ficou amigo de Antipatro (3971-319), um dos futuros
diádocos.
Ele permaneceu em Pela, até .335, na corte macedônica, ocasião da coroação de Alexandre. Em 335,
construiu uma escola de filosofia, o Lykelos (Liceu) próximo a um bosque consagrado a ApoIo. AristóteLes dirigiu
o Liceu até 323, e depois, retirou-se para Cálcis, na Eubeia, morrendo no ano seguinte, -322.
CRÍTICA LITERÁRIA RETÓRICA, POÉTICA.
Em 1994, o especialista Luce propõe uma sinopse dos textos:
Lógica, Categorias da Interpretação, Primeiros Analíticos, Segundos Analíticos, Tópicos,
Refutações sofísticas.
Ciências Naturais
(“Física) do Céu, da Geração e Corrupção, Meteorologia, Física (sc. “o mundo natural),
Metafísica.
Ética a Eudemo, Ética a Nicômaco, Magna moralia
Psicologia da alma, da sensação e do sensíveL+, da memória+, do sono e da vigília+, dos
sonhos+, da adivinhação pelos sonhos+, da extensão e brevidade da vida+, da juventude e da
velhice, da vida e da morte, da respiração+.
Biologia, investigações sobre os animais, das partes dos animais, do movimento dos animais, do
modo de andar dos animais, da geração dos animais.
Política, Constituição dos atenienses.
Crítica literária retórica, poética.
Os textos de lógica são conhecidos, em conjunto, por Organon, que significa “instrumento, ferramenta”.
Metafísica não é uma palavra aristotética; originalmente, designa os livros do tratado que vêm logo
depois da Física, nas antigas edições do corpus aristotelicum, e apenas em nossos dias assumiu a conotação de
“estudo da realidade do ser e da existência”.
O PENSAMENTO DE ARISTÓTELES
Aristóteles era um realista. por Isso, ele refutou a teoria das “ideias” de Platão, pois para ele, existem
apenas seres e objetos concretos e reais, que podem serpercebidos pelos sentidos e analisados em termos de
forma, constituição,construção e finalidade.
Platão, ao contrário, afirmava que não existe nada na natureza que não tivesse existido antes no mundo
das ideias. Para o Estagirita, todas as nossas ideias e pensamentos tinham entrado em nossa consciência através
do que víamos e ouvíamos.
Para Aristóteles, as formas estavam dentro das próprias coisas; as formas das coisas eram suas
características próprias. Ele ressalta o fato de que não existe nada na consciência que já não tenha sido
experimentado antes pelos sentidos.
Porém, Aristóteles considerava nossa capacidade inata de ordenar em diferentes grupos e classes todas
as nossas impressões sensoriais. Para ele, a razão era precisamente a característica mais importante do homem.
Só que nossa razão permanece totalmente vazia enquanto não percebemos nada. Uma pessoa, portanto, não
possui ideias inatas (tabula rasa). Ideia cada vez mais desmentida pelas ciências modernas da cognição.
Equivale à dominação romana (100 a 529 d.C) e teve como marca a erudição e sincretismo, entendido
como esforço na elaboração da unificação do pensamento a partir de diversas doutrinas filosóficas (gregas) do
passado.
Esta etapa do pensamento filosófico é denominada de decadente, pois coincide com a própria
decadência do mundo grego, após a conquista romana. Destacam-se entre as diversas formas de pensamento
na última etapa do pensamento filosófico antigo: Os sistemas do Estoicismo e do Epicurismo, os filósofos
Plotino e Séneca.
ESTOICISMO
O termo aludia aos que ficavam às portas da cidade pregando sua doutrina. Diante das crises profundas
que enfrenta o Império Romano Ocidental, os deuses e a “póIis não são mais referência de segurança e
credibilidade, por isso, o estoico volta-se para seu mundo interior, sobre si mesmo.
Através da exaltação da universalidade da Razão, ele propõe uma fórmula de superação para as crises
geradas pela imensa e conflituosa miscigenação de identidades culturais e raciais da póIis destruída.
O Estoicismo desenha um cidadão universal, sem família, pátria ou obrigações. A busca da sabedoria
(filosofia) da-se pela completa autonomia individual - autárquica e na prática das virtudes. Tudo Isso se dá, na
medida em que se suprima todas as paixões, fontes da do, engano e confusão, pelo domínio de sua natureza
interior, o completo domínio das paixões leva as pessoas à Ataraxia’, a indiferença dos sentidos, à completa
contemplação interior. O estoicismo é, portanto, um subjetivismo moral, e individualmente se toma o refúgio
do grego dominado.
EPICURISMO
Abre uma outra perspectiva, embora igualmente era moralizante e individualista. Afirma que o fim
único da existência é o prazer,isto é, o completo ajustamento as leis naturais.
O homem deve fugir de todas as situações de dor e sofrimento até atingir a completa
imperturbabidade (apatia • não sofrer), o cultivo da amizade universal - filia - e a fuga da religião e a política.
fontes de sofrimento
Epicuro classifica os prazeres em:
Classifica as formas de prazer, dos sentidos, do gosto. dos sons e do apetite, do amor e da
contemplação que fazem a felicidade (eudaimonia) do homem.
PLOTINO E O NEOPLATONISMO
Pensamento que surge e amadurece no inicio do século IV. em meio à decadência do Império Romano,
o neoplatonismo tornou- se uma das mais importantes correntes filosóficas da época e foi a última contribuição
do pensamento grego à filosofia Ocidental.
Plotino (205-270 d.C.) retoma o pensamento de Platão sobre as ideias e a anterioridade do mundo ideaI
sobre o sensível. No entanto, o conceito de “Nous” acrescenta ao universo de Platão uma estrutura mística. O
“Nous” é uma Inteligência organizadora do mundo e a ideia de um emanacionismo divino da matéria. É o último
dos grandes filósofos gregos.
Convém assinalar que neoplatônico não implica somente a retomada do pensamento platônico do
século -IV; Plotino fundiu conceitos de Parménides (c. -515). PIato (-428!-347), Arístóteles (-3841-322) e dos
estolcos com ideias misticas de origem oriental. O neopitagorismo, que sobrevivera desde o século -IV como um
modo de vida verdadeiramente religioso, também acabou por se fundir com o neoplatonismo.
Os seguidores de Plotino tomariam, posteriormente, diversos caminhos; a doutrina neoplatônica básica
estipulava, porém, o abandono do mundo material para que o espírito pudesse unir-se a uma entidade superior,
incompreensivel e autossuficiente, o “Uno”, que permeava toda a existência.
Na Filosofia, os romanos não produziram nenhuma corrente de pensamento original. Sua principal
orientação voltou-se para a moral, com a adoção de valores éticos gregos e da filosofia helenística.
É um conjunto de escolas e seitas filosóficas no período de transição do paganismo ao cristianismo. Seu
elemento é a Koiné”, que realiza o sincretismo grego romano judaico oriental.
Destacamos:
O estoicismo - ascese cívica e política;
O epicurismo - a busca da ataraxia e da aponia;
O prazer é fim da vida.
SÊNECA
Lucius Aneus Sêneca nasceu em Córdoba, na Espanha, no ano de 4 a.C. Conhecido como Sêneca, o
Jovem, era filho de Sêneca filho de Lúcio Aneu Sêneca, o Velho, célebre orador. Devido à sua origem ilustre foi
enviado a Roma para estudar oratória e filosofia. Por problemas de saúde viajou para o Egito, onde ficou até se
curar. Quando regressou a Roma, iniciou sua carreira como orador e advogado, participando ativamente da vida
política e logo chegou ao Senado. Por causa de um processo Ligação com Júlia Livila, sobrinha do imperador
Cláudio) foi exilado na Córsega durante os anos de 41 a 49.
No exílio, dedicou-se aos estudos e redigiu vários de seus principais tratados filosóficos, entre eles
‘Consolationes’, em que expôs os ideais estoicos clássicos de renúncia aos bens materiais e busca da
tranquilidade da alma mediante o conhecimento e a contemplação.
Voltou para Roma no ano de 49 e, no ano seguinte, foi nomeado pretor. Com a morte de Cláudio em 54.
Escreveu a obra-prima das sátiras romanas, Apocolocyntosis divi Claudii, contra o ex-imperador. Com Nero, filho
de Agripina, nomeado imperador, tornou-se seu principal conselheiro e orientador político.
Retirou-se da vida pública em 62, passando a se dedicar exclusivamente a escrever e defender sua
filosofia.
No ano de 65, foi acusado de participar na conjuração de Pisão e recebeu de Nero a ordem de suicidar-
se, que executou em Roma, no mesmo ano.
Sêneca escreveu oito tragédias, que foram uma espécie de modelo do Renascimento e inspirou o
desenvolvimento da tragédia na Europa.
Os tratados de moral que se destacaram na obra de Sêneca:
AULA 5 – A HERANÇA LEXICAL DOS GREGOS
Nesta aula, estudaremos a história da língua de Homero, dos filósofos e poetas gregos antigos, que já
conhecemos das aulas anteriores. Não há dúvidas de que essa cultura não terminou seus efeitos a partir do
momento em que os gregos antigos desapareceram, mesmo depois da conquista dos Romanos. Hoje, graças às
ciências, qualquer ambulatório de saúde, no mundo inteiro, nos reserva uma memória da língua grega, pois a
medicina, como todas as outras ciências, é um dicionário da língua grega, com seus termos próprios.
Por isso, será útil conhecer os rudimentos desse idioma, já que a civilização helênica nos deixou tanta arte e
sabedoria e que ainda persiste atualmente. Civilização e Língua são congêneres. Somos e permanecemos aquilo
que comunicamos aos outros. Pois bem, conheçamos essa língua de gente tão interessante e que nos comove
até os dias de hoje.
A LÍNGUA GREGA: UMA INTRODUÇÃO
"O grego vale apena?" Não, não se você for capaz de fazer essa pergunta. O grego é comunicação com
gênios, é uma experiência estética, é, para falar simplesmente, fruição(...) (Compilador - séc. V d.C.).
Com essa questão retórica, iniciamos esta aula sobre a língua dos Gregos, da civilização que inventou a
Filosofia, a argumentação, a mitologia, e deixou-nos uma extensa lista de vocabulários das ciências, além de
inumeráveis contribuições estéticas.
Por isso, vale a pena conhecer as contribuições linguísticas da língua grega para as civilizações
modernas, nas quais vivemos. Para isso, aprofundaremos as suas características gerais, de ordem filológica,
gramatical e semântica.
I - A POSIÇÃO DO GREGO NA FAMÍLIA DAS LÍNGUAS INDO-EUROPEIAS
Desde o Renascimento (século XIV), mas especialmente a partir do século passado, o incremento dos
estudos clássicos mostrou a semelhança entre uma série de línguas diferentes, tanto do ponto de vista do
vocabulário, como da morfologia. Tomemos como exemplo o termo "pai" em diversas línguas:
A Hipótese das ‘origens indo-arábicas’: A concordância levou os estudiosos a levantar a hipótese que
todas essas línguas, que se tornaram diferentes com o tempo, são originárias de um mesmo idioma antigo, que,
tradicionalmente, chamamos de indo-europeu.
Segundo o Professor Jorge Piqué: “Na verdade, não temos qualquer testemunho escrito direto dessa
língua, que deu origem a todas as línguas que hoje agrupamos na chamada família indo-europeia". Portando, o
que supomos desse "povo indo-europeu" tem como ponto de partida as "línguas-filhas" que conhecemos,
principalmente, pelo estudo do vocabulário comum.
Dessa forma, supõe-se que, antes do V milênio a.C., existia um conjunto de tribos que falavam dialetos
estreitamente relacionados e que tinham os seguintes traços comuns:
A vogal é tônica quando a voz eleva-se ou demora mais sobre esta sílaba.
Em latim, palavras de duas sílabas terão o acento na penúltima. Deus, templum, dare, amo.
Em palavras de mais de duas sílabas, o acento coloca-se:
1º) sobre a penúltima se for longa: deorum, templorum, dabuntur, amari,
2ª) sobre a antepenúltima, se a penúltima for breve: dominus, amavero.
Há exceções quando se introduz nas palavras enclíticas que (=et), ve (ou), met, dum, te, pte, ce,
ne(=interrogativo), que têm acento tônico na antepenúltima sílaba atraem este acento tônico para última, seja
esta breve ou longa: scelera, sceleraque; omnia, ominiaque; homines, hominesque. Quando essas enclíticas se
acrescentam a uma palavra com acento tônico na penúltima sílaba, ele permanece na mesma sílaba se ela for
breve: honore, honoreque, rosa, rosaque. Se a última for longa, por natureza ou posição, desloca-se para ela o
acento: rosa, rosaque.
II - OS DIALETOS GREGOS
Mas, e a língua dos Gregos, de onde veio? Quais teriam sido as suas origens? Para o Professor Jorge
Piqué, duas seriam as maneiras de explicar as origens dos diversos dialetos que originam o idioma de Homero,
Platão e Alexandre Magno. Na primeira hipótese, “As tribos indo-europeias, que desceram pela Península
Balcânica, deram origem ao grego”.
Segundo uma tradicional teoria, os indo-europeus não chegaram à Grécia numa única leva. Foram, na
verdade, ondas sucessivas de tribos que vinham do Norte, a partir aproximadamente de 2000 a.C., na seguinte
sequência:
Cada conjunto de tribos ao chegar conquistava e forçava a assimilação ou a emigração, e cada um falava
uma variante diferente do grego, um "dialeto". Como resultado, temos que a Grécia antiga transformou-se em
uma verdadeira colcha de retalhos de dialetos.
Outra possibilidade baseia-se na diferenciação dialetal ocorrida já em território grego. Uma mutação
desenvolvida pelo contato entre os diversos povos radicados na Península grega.
Outra teoria mais recente minimiza as ondas sucessivas de tribos como explicação da diferenciação
dialetal, que de fato encontramos nos tempos históricos. Ela procura explicar essa situação por uma
diferenciação dialetal ocorrida já em território grego.
Assim, o eólico e o dórico não corresponderiam a ondas de tribos eólicas e dóricas que chegaram
depois, mas a um processo de diferenciação a partir das formas dialetais já existentes na Grécia. De qualquer
forma, ambas as teorias tentam explicar um fato bem conhecido, que a língua grega por seus primeiros
testemunhos escritos se apresenta sob múltiplas formas.
Cada região, cada cidade, têm um falar próprio. Cada gênero literário tem seu dialeto particular e cada
autor trata este dialeto de uma maneira especial. (Meillet) Os dialetos locais são agrupados em dialetos
regionais e estes em grupos de dialetos.
Grupos dialetais:
1. Jônico-ático
2- Arcado-cipriota
3- Eólico
4- Grupo ocidental (grego do noroeste e dórico)
1 - O DIALETO ÁTICO
Dentre os diversos dialetos em curso, destaca-se, do ponto de vista cultural, o dialeto ático, chamado
ático clássico ou grego clássico. Esse dialeto, pertencente ao grupo dialetal jônico-ático, é falado na cidade de
Atenas.
Do ponto de vista da Literatura Clássica, este dialeto constitui testemunha da produção extraordinária
desse período. Foi usado por importantes autores como os seguintes, em verso: Ésquilo, Sófocles, Eurípides,
Aristófanes, Menandro, etc. na prosa: Tucídides, Xenofonte, Platão, Aristóteles, Isócrates, Lísias, Demóstones,
Ésquines, etc. Ou seja, os principais textos de História, Filosofia, Oratória, Tragédia e Comédia foram escritos
basicamente nesse dialeto. A maioria dos cursos de Grego antigo ensina na verdade o ático clássico.
Além disso, existiam também dialetos literários. Um dialeto além de estar associado a uma determinada
região, podia estar associado a um determinado gênero literário, independentemente do dialeto falado por seu
autor. Assim, por exemplo, a poesia lírica de autores como Alceu, Safo, etc., era composta em dialeto eólico. A
poesia épica (Homero, Hesíodo, etc.) era composta em dialeto jônico, assim como a obra de Heródoto, a poesia
de Arquíloco, a filosofia pré-socrática e os escritos médicos da escola de Hipócrates.
Na origem da língua grega, em seu desenvolvimento literário, está Homero. Em sua literatura, não
encontramos os dialetos dos falantes gregos, trata-se de uma “língua especial”, poética. Esse "dialeto homérico"
foi utilizado pelos poetas líricos que compunham elegias e iambos e, no período helenístico, pela "nova épica",
como na poesia de Apolônio de Rodes. O dialeto ático desenvolveu-se do jônico e, por isso, apresenta grandes
semelhanças, pertencendo ao mesmo grupo dialetal jônico-ático.
III. PEQUENA HISTÓRIA DA LÍNGUA GREGA
A língua grega do período de Alexandre Magno (período helenístico 330 a.C.-330 d.C) experimenta,
graças à constituição de um novo Império, uma larga difusão na Bacia do Mediterrâneo.
Nascia assim o chamado grego ‘Koiné’, uma espécie de língua internacional, comum (gr. koiné) a todos.
O dialeto Koiné foi na época algo como o latim e o francês já foram, e como o inglês é hoje em dia. Esse dialeto
foi o veículo para a tradução das escrituras do Velho Testamento feita em Alexandria por volta de 280 a.C. por
um grupo de setenta eruditos judeus (por isso, essa tradução recebe o nome tradicional de Septuaginta).
Em referência ao dialeto Koiné, não nos esqueçamos que também o Cristianismo usufruirá do mesmo,
para, com sucesso, difundir-se por todo o mundo antigo.
Todos os livros do Novo Testamento foram escritos originalmente também nessa língua comum, o
dialeto grego Koiné, justamente para que tivessem a maior divulgação possível. Esse é quadro geral do que
chamamos de "Grego antigo", uma língua cujos registros escritos vão desde o séc. XV a.C. (grego micênico) até o
séc. VI d.C.
Com o enfraquecimento do Império Romano ocidental, com capital em Roma, nascia outra forma de
grego, Grego bizantino (o novo centro político e cultural era agora Bizâncio), entre os séculos V d.C. e XV, e que
era uma espécie de continuação da Koiné. A partirdo séc. XVI, com a tomada de Constantinopla (ex-Bizâncio)
pelos turcos em 1453, surge o Grego pouco a pouco moderno, que é o falado até os dias de hoje na Grécia.
Grego antigo e moderno, portanto, são duas línguas diferentes, no entanto muito parecidas em função
de uma originar-se da outra.
PRINCÍPIOS DA LÍNGUA GREGA
1. AS DIFERENTES PRONÚNCIAS DO GREGO ANTIGO
O HUMANISMO E ERASMO DE ROTTERDAM (1467-1536) - SÉCULO XIV
Quando a cultura clássica foi revalorizada durante o Renascimento europeu no século XIV, a única
maneira de aprender grego, para ter acesso aos originais, era através de professores gregos, porém não havia
métodos de ensino. Havia, no entanto, dificuldade na leitura de textos antigos, por questões fonéticas, e uma
série de incongruências ao se utilizar a pronúncia moderna.
A dificuldade na leitura de textos gregos antigos só é solucionada por um grande humanista da época,
Erasmo de Rotterdam, que pesquisou e propôs uma nova pronúncia para substituir a moderna. Mesmo assim,
não há, entre os estudiosos e professores, consenso sobre isso.
Duas vertentes caracterizam o ensino da língua de Homero:
A Pronúncia Reconstruída ou Antiga é atualmente utilizada na Europa e Estados Unidos no ensino do
Grego antigo. Assim, estamos ainda no final da transição entre duas pronúncias. Enquanto os novos estudantes
de Grego antigo aprendem diretamente a pronúncia reconstruída, muitos estudiosos e professores ainda usam
a pronúncia erasmiana, por força do hábito.
GREGO MODERNO X GREGO ANTIGO
Vejamos os primeiros 11 versos do Auto da Barca do Inferno, do português Gil Vicente, datada de 1517:
Um falante moderno do português, que vive quase 600 anos depois do autor dos versos, conseguirá
distinguir as palavras de grafia arcaica e até o sentido geral dos versos, mas terá, certamente, dificuldade com
palavras e expressões como "a caro" ("em frente"), "atesa aquele palanco" ("estica aquela corda") e "asinha"
("depressa"). Imagine, agora, a diferença entre um texto em grego moderno e um texto em grego antigo, escrito
há mais de 2.500 anos...
Á barca, á barca, hou lá, que temos gentil maré. Ora venha a caro a ré: feito, feito, bem está. Vae alli
muitieramá, e atesa aquelle palanco, e despeja aquelle banco, pera a gente que virá. Á barca, á barca, hu!
Asinha, que se quer ir.
CARACTERÍSTICAS DA LÍNGUA GREGA
A maioria dos conceitos da morfossintaxe portuguesa é aplicável ao grego antigo, haja vista que tanto o
português como o grego são línguas indo-europeias. Eis algumas características comuns às línguas dessa família:
1- A quantidade de palavras de forma variável excede, de longe, a das palavras invariáveis;
2- As palavras variáveis têm radical, onde reside a noção básica, e a desinência, que muda de
acordo com a flexão;
3- A flexão de gênero comporta dois tipos, o animado (masculino, feminino) e o inanimado
(neutro);
4- A numeração é decimal e os numerais menores de "5" têm flexão;
5- O nome, que identifica seres e objetos, é sempre distinto do verbo, que marca a ação;
6- Verbos podem ser formados a partir de noções nominais;
7- O verbo não tem conjugação completa e constante e muitos são constituídos por mais de um
radical.
Quanto mais antiga a língua, mais marcadas são essas características; quanto mais recente, menos
marcadas. O grego, naturalmente, é exemplo de língua indo-europeia antiga; o português, de língua indo-
europeia recente....
FONEMAS E ESCRITA ALFABÉTICA
Assim, nas palavras portuguesas "faz" e "fiz", são os fonemas /a/ e /i/ que permitem o reconhecimento
sonoro das duas formas verbais. A escrita nada mais é do que "a contrapartida gráfica do discurso" (Diringer,
1985) e envolve, portanto, a representação dos sons da fala através de uma série de sinais.
No fim do século VIII, os gregos adaptaram os sinais inventados séculos antes pelos fenícios e criaram,
para seu uso, o alfabeto grego. Esse alfabeto, com modificações, é usado até hoje pelos gregos modernos e se
tornou a base do alfabeto latino usado pela maioria das línguas modernas.
II. LETRAS E SONS
O alfabeto grego, básico com suas consoantes, vogais e ditongos, é o mesmo para todos os dialetos,
uma vez que a tradição que transmitiu os textos gregos da Antiguidade até o presente unificou a escrita.
No alfabeto grego, são dois sons vocálicos pronunciados na mesma emissão de voz. Em grego, temos
basicamente os seguintes ditongos:
Com o tempo, os ditongos de base longa foram desaparecendo da língua grega, notadamente a partir
do século IV; o -ι-, por exemplo, deixou de ser pronunciado. Em gramáticas mais antigas, fala-se no iota
adscrito e no iota subscrito, representações gráficas desse fenômeno nos manuscritos do século XII em diante.
O uso do "iota subscrito" nas edições modernas de textos gregos, apesar da forte tradição, é muito
artificial e está rapidamente caindo em desuso; consequentemente, nessas sinopses não é usado o iota
subscrito — o iota é adscrito, como em
No século IV, igualmente, dois ditongos de base breve, -ει- e -ου-, começaram a simplificar-se e
acabaram se tornando falsos ditongos, pronunciados respectivamente como /e/ fechado longo (= "êê") e como
/o/ fechado longo (= "ôô"); mas isso praticamente não afetou a escrita.
II. 1 – ASPIRAÇÃO
Existe em grego um som oriundo diretamente da laringe, conhecido por aspiração, produzido pela
passagem um tanto forçada da coluna de ar pela glote aberta. O som resultante é mais ou menos rude, áspero,
semelhante ao "r" da palavra rato (rrato).
Todos os sons vocálicos no início de palavras podem ser emitidos com aspiração. Em grego, usa-se um
sinal gráfico, o espírito (do latim spiritus, "sopro"), para marcar a presença ou ausência de aspiração:
- - ou - - = lê-se "rra" (é o -α- com espírito "rude" ou "áspero");
- - ou - - = lê-se "a" (é o -α com espírito "doce").
O -υ- inicial tem sempre espírito áspero: - -. Nos ditongos, o espírito recai no segundo elemento: - -.
Dentre as consoantes, o -ρ- inicial sempre leva espírito áspero: - - (= "rrato"). Algumas consoantes
podem ser também "aspiradas", como se verá adiante.
Na transcrição para o português, coloca-se um "h" antes da vogal: , hósos.
II. 2 – CONSOANTES
Os sons consonânticos são determinados pela imposição de diferentes tipos de dificuldade à passagem
da coluna de ar pela cavidade bucal ou pelos lábios.
Em nosso caso, interessa agrupar as consoantes de acordo com os seguintes critérios: modo de
articulação, ponto de articulação, presença de vibrações glotais e presença de ressonância da cavidade nasal.
Essa produzida pelo abaixamento do véu palatino (os palatos, o "céu da boca"):
Quanto ao modo de articulação:
• oclusivas = obstrução completa e momentânea da coluna de ar;
• espirantes = fechamento parcial da cavidade bucal, com "estreitamento" contínuo da coluna
de ar;
Quanto ao ponto de articulação:
labiais = na altura dos lábios;
dentais = na altura dos dentes;
velares = na altura do véu palatino (também chamadas, impropriamente, de guturais);
líquidas = com fechamento parcial, provocado pela posição da ponta da língua, mas a coluna de
ar "escorre" pelos lados;
sibilantes = com fechamento parcial, entre a ponta da língua e a parte da frente do palato duro
(som contínuo, de atrito);
Quanto à presença de vibrações glotais:
mudas = vibrações ausentes;
sonoras = vibrações presentes;
Quanto à presença ou não de aspiração: aspiradas;
Quanto à presença de ressonância nasal: nasais.
A partir da visão dos critérios classificatórios das consoantes, verifica-se que eles não são mutuamente
exclusivos e, em geral, as consoantes se enquadram em mais de um critério. Do ponto de vista eminentemente
prático,faz-se emgeral o seguinte arranjo:
As consoantes duplas, não colocadas na tabela acima, devem ser encaradas como a representação
gráfica de dois sons consonânticos consecutivos:
(*) As consoantes aspiradas representam também dois sons sucessivos, o da consoante e o da aspiração:
III. O ENUNCIADO EM GREGO
"O enunciado é uma palavra ou um conjunto delas que exprime um pensamento inteiro, acabado"
(Murachco, 2001).
No grego antigo, encontraremos as mesmas classes de palavras do português: GREGO ANTIGO
AULA 6 – SISTEMA DE FORMAÇÃO DA LÍNGUA LATINA
Nesta aula, estudaremos a história da língua latina. Isto significa que iremos conhecer uma civilização,
sua literatura, seu pensamento, sua arte e poesia, sua história. Não se estudam idiomas, senão porque por
detrás deles estão as vidas comunicadas de outra forma humana de cultura e civilização que pode nos
enriquecer.
O estudo da língua latina nos remete imediatamente ao Império Romano e, depois, a toda a Idade
Média e Moderna. As origens do Brasil, sua literatura e cultura estão também ancorados nesta língua, da qual
Camões nos trouxe o sabor de nosso idioma.
Breve história do latim
Para o estudo do latim, é mister, antes de afrontar as agruras e abstrações linguísticas das questões
gramaticais, que se estude a gênese e o desenvolvimento histórico da língua. Pois não existem língua e
literatura fora da realidade sociopolítica e cultural de uma sociedade em estágio avançado de organização.
Neste caso, a língua latina está profundamente relacionada à sorte, à ascensão e à queda do legendário Império
Romano.
Sua fortuna pela expansão imensa e pela sofisticada organização dos romanos, porém, não termina com
o fim da forma político-geográfica do Império no V século d.C. O Cristianismo, a partir do IV século, pela
promulgação do ‘Edito Constatini’ garante ao latim, pela sua nova condição de ‘Religião Oficial do Estado
Romano’, um futuro que deverá permanecer incólume, ao menos, até meados do século XVIII.
Princípio
Com o esfacelamento do Império Romano, o latim que era falado em seu vasto território, passou a se
desenvolver independentemente em cada região, sem ter mais o poder centralizador e unificador de Roma. Ele
transformou-se, enfim, em outras línguas novas, sendo, deste modo, os próprios latins continuados e
transformados através do tempo e do espaço. Denominavam-se línguas românicas ou neolatinas, cujas
principais hoje são: o português, o espanhol, o francês, o provençal, o italiano, e o romeno (FARIA, 1957, p. 39).
LATIM
Originariamente, o Latim era apenas o dialeto dileto de Roma, restrito à margem do Rio Tibre.
Língua de camponeses e pastores, era rude, concreta e sem refinamento de qualquer espécie. Pertence à
família ‘Indo-europeia’ e, dentro dela, ao grupo ‘Kentum’. Juntamente com o osco dos samnitas, o sabélico, o
volsco, o umbro e o falisco, o latim forma o grupo chamado ‘itálico’.
O primeiro documento que testifica a existência do latim data do ano 600 a.C., a ‘Fíbula de Preneste’,
um documento isolado, que, no entanto, representa bem um ponto referencial inicial para a história do latim.
Nessa fase das origens, afirma Bassetto (2005), “o latim devia ser relativamente uniforme, tendo como
foco irradiador de influência o ‘sermo urbanus’ de Roma” (p. 89).
1=.“Fibula Praenestina é um broche de ouro, que dataria do século VII a. C. Foi encontrado em
Praeneste, na Itália, e contém a seguinte inscrição, gravada da direita para a esquerda: MANIOS: MED:
FHEFHAKED: NUMASIOI. Seria latim arcaico. A tradução é: "Mânio me fez para Numério". Mânio seria o nome
do ourives, Numério, a pessoa que encomendou o broche, e é como se o próprio broche estivesse dizendo isso”.
Quando os romanos começaram a se projetar, a Itália era um mosaico de raças. Os mais notos foram os
etruscos (auge no VI século a.C), que dominaram Roma até o ano 500, quando Roma consegue expulsá-los de
seus territórios, implantando a República Romana. Logo depois, em 275, consolida-se a expansão interna de
Roma, por todo o território da Península, na guerra contra Pirro, rei do antigo Epiro nos Bálcãs, com um
território que se estendia da Sicília até a planície do Rio Pó.
Datam dessa época também as primeiras colônias romanas nos territórios conquistados na Itália,
importante fator de ‘latinização’ da própria península. Em 272, todo o território da Itália faz parte da
confederação romana e praticamente todos os povos se submetem ao direito romano, pagando impostos e
obrigando-se ao serviço militar (BASSETTO, 2005, p. 88).
A expansão romana fora da Península se dá inicialmente pelas três guerras púnicas travadas pela
conquista de Cartago, o coração da antiga África do Norte. Os romanos dominam desde 269 a.C., o sul da
Península (Sicilia e Sardenha) e, por fim, em 218-201 a.C., o mediterrâneo torna-se ‘mare nostrum’. A destruição
de Cartago em 149-146 a.C torna a África setentrional província romana.
Sua expansão se desenvolve até o início da era cristã: a Hispânia em 197 a.C., a Grécia (Achaia) em 146
a.C., a Ásia Menor em 129 a.C., a Gália Narbonensis em 120 (...), Mesopotâmia, Armênia, Assíria entre 114 -117,
o Egito em 30 a.C., a Britânia em 43. O Império Romano no auge de sua expansão possuía um total de 301
Províncias.
Mas o que significa esta expansão militar para o desenvolvimento do latim, senão que este processo
ocorreu de modo muito irregular, em graus diversos, de acordo com a região colonizada?
Duas línguas – o clássico e o vulgar
A princípio, o que existia era simplesmente o latim. Depois, o idioma romano se estiliza, transformando-
se num instrumento literário. Passa então a apresentar dois aspectos que, com o correr do tempo, se tornaram
cada vez mais distintos: o clássico e o vulgar (COUTINHO, 1962, p. 32).
Mas para acedermos às línguas românicas ou neolatinas é preciso conhecer sua origem, o ‘latim’. Para
isto, o conhecimento do latim ‘vulgar’ é muito importante. Sua reconstrução é árdua, por diversos fatores e,
sobretudo, pela dispersão e incompletude das fontes, dispersas em diversos gêneros e com uma documentação
que não trata diretamente do argumento, como elemento de análise filológica.
Não eram duas línguas diferentes, mas dois aspectos da mesma língua. Um surgiu do outro, como a
árvore da semente. Essas duas modalidades do latim, a literária e a popular, receberam dos romanos a
denominação respectivamente de ‘sermo urbanus’ e ‘sermo vulgaris’.
LATIM CLÁSSICO/LITERÁRIO
A tradição literária começa em Roma no século III a.C (fim da dominação Etrusca), com o aparecimento
dos primeiros escritórios: Lívio Andrônico; Cneu Névio, Ênio. (COUTINHO, 1962, p. 33).
Antes, o que havia eram simples inscrições de nulo valor literário. O período de ouro do latim clássico é
representado pela época de Cícero (prosa clássica - 106-43 a.C.) e de Augusto (Vergílio poesia épica - 70 -19 a.C).
Neste período, aparecem os grandes artistas da prosa do verso.
LATIM VULGAR
Chama-se Latim Vulgar o latim falado pelas classes inferiores da sociedade romana inicialmente e
depois de todo o Império Romano. Nestas classes estava compreendida a imensa multidão de pessoas incultas
que eram de todo indiferentes às criações do espírito (...) (COUTINHO, 1962, p.33).
Muito ficou por ser dito sobre o latim dito “vulgar” e suas peculiaridades e transformações que deram
origem às línguas românicas modernas. Contudo, tempo e espaço tornam-se limitados e insuficientes, pois
faltaria uma análise de como estas línguas se constituíram desde o latim até suas formas modernas. Apesar
disso, acreditamos que, com o que foi apresentado, seja possível identificar a “eternidade” do latim, a qual se
mencionou na introdução deste trabalho.
Com o pouco que foi dito, pudemos notar as diferenças entre o latim clássico e o latim dito “vulgar”:É mais ou menos como se deu a dialetação deste último, que o descaracterizou e, ao mesmo tempo, o
tornou produtivo: foi graças à dinâmica desse aspecto que poucos vestígios concretos de sua existência foram
deixados, tornando-se possível toda a cultura ocidental hoje existente.
Também foi possível notar que alguns processos linguísticos já adotados pelos falantes da época no que
constitui a homogeneidade do latim dito “vulgar” ainda são produtivos na dinâmica das línguas, como a
tendência à simplificação e o uso de formas analíticas, sem falar da produtividade dos empréstimos linguísticos.
E assim, como a Cidade Eterna, a língua eterna, de uma forma ou de outra, prevalece, e até o presente
não há indícios de que o seu futuro seja diferente.
LATIM CRISTÃO
A incorporação do estudo do latim cristão, ou latim dos cristãos, às pesquisas que se tem feito para
melhorar a elucidação da base linguística sobre a qual se apoiam as conclusões da Filologia Românica é um dos
ganhos mais positivos que recentemente a Linguística Histórica trouxe para o campo da ciência da linguagem
(ELIA, 1979, p. 59).
INTRODUÇÃO: ESTUDOS DA ESCOLA HOLANDESA (DÉCADA DE 30/40)
O grande fato histórico-social do Cristianismo, que praticamente inexistia para os filólogos positivistas,
foi-se aos poucos insinuando na trama dos estudos romanísticos e, hoje, a presença do latim cristão é fator
impreterível para a correta compreensão dos fenômenos que conduziriam à formação das línguas românicas
(ELIA, 1979, p. 53).
Em 1879, apareceu em Breslau um opúsculo da lavra de M.G. Koffmane, intitulado ‘Entestehung und
Entwicklung der Kirchelateins’ (Origem e Evolução do Latim Eclesiástico), de onde se parte da ideia justa de que
a língua dos povos cristãos deve refletir a vida dos povos cristãos.
Coube a Jos. Schrijnen estudar pela primeira vez o idioma dos cristãos como um sistema, como um
fenômeno autônomo no quadro do latim em geral.
Surge, assim, a escola holandesa, que encontrou em Jos. Schrijnen e em sua admirável discípula Cristina
Mohrmann os seus nomes mais eminentes.
Para Schrijnen e seus discípulos, é o latim cristão uma língua especial, Sondersprachen, no dizer dos
alemães.
Não é mais possível querer traçar os lineamentos dos idiomas sem colocar, na base de tais pesquisas, a
contribuição vigorosa trazida pelo Cristianismo.
DISTINÇÕES ENTRE VULGAR/CRISTÃO
Não se deve, no entanto, identificar sumariamente o latim cristão com o latim vulgar.
Latim vulgar
O latim vulgar desenvolve tendências ancestrais, que remontam ao indo-europeu e com as quais pouco
tem a ver o latim cristão.
LATIM CRISTÃO
E o próprio latim cristão popularizante, como nota Devoto (Storia della Lingua di Roma, p.256), não é ao
pé da letra ‘popularizante’ e sim um sistema onde abundam as construções simples, realistas, adaptadas a
quem, tendo uma convicção, deve atentar primeiro nas coisas, depois nas palavras. (ELIA, 1979, p. 54).
Segundo C. Mohrmann: ‘Depois do período revolucionário, segundo século, no decurso do qual o latim
dos cristãos se formou e se estabilizou, verifica-se certo enfraquecimento no ritmo da evolução, o que
representa ao mesmo tempo consolidação. Depois, pela segunda metade do século IV, após a paz
Constantiniana, pôde-se observar de novo uma atividade criadora bastante viva, mas agora de um caráter antes
erudito.
O quarto e quinto século se caracterizam por certa aproximação entre o latim cristão e a língua comum,
por certo retorno às tradições da língua e da cultura.
FONTES E PRINCÍPIOS DE MODIFICAÇÃO DO LATIM
Os aspectos mais característicos do latim cristão se encontram, naturalmente, no vocabulário, mas
alguma coisa se poderá dizer em relação quer à formação das palavras, quer à sintaxe (ELIA, 1979, p. 56).
No que toca ao vocabulário, ensina C. Mohrmann que três processos foram utilizados para traduzir
novas ideias:
- o empréstimo puro e simples do grego
- formação de neologismos latinos
- transferência de significado
Quanto aos do primeiro grupo (empréstimos), podemos citar apóstata, apostolus, baptisma, charisma,
ecclesia, elemosyna, evangelium, martyr, anathema, angelus... São palavras do vocabulário técnico, referentes
às coisas concretas.
O neologismo foi o processo usado principalmente para a cunhagem de termos abstratos: sarkikós foi
traduzido por carnalis, pneumatikós por spiritalis, sotér por salvator, apokalipsis por revelatio, logos por
verbum, entre outros.
Os desvios de significação se processaram ora por influxo do grego, ora autonomamente. São exemplos:
fides (fé e não lealdade), lavacrum (batismo e não banho), spiritus (espírito e não sopro), peccare (pecar e não
errar), virtus, utis (virtude e não valor).
CRISTIANISMOS: DIRETOS E INDIRETOS
Uma importante distinção que faz a escola do latim cristão é a que se estabelece entre ‘cristianismos
diretos’ e ‘cristianismos indiretos’ (ELIA, 1979, p. 57).
Cristianismos diretos são as formações vocabulares que designam ‘coisas cristãs’, em sentido lato:
ideias, usos, instituições, etc. Assim, para ideia de ‘revelação’, os cristãos aproveitam o termo apokálypsis, o
exemplo será de cristianismo direto léxico, na categoria ‘empréstimo’. Mas, para essa ideia, os cristãos cunham
o termo revelatio, nesse caso teremos um cristianismo direto léxico, na categoria ‘neologismo’.
No exemplo de cristianismo direto semântico, sirva o termo confiteri, que no lat. Clássico quer dizer
‘reconhecer’, mas que para os cristãos significava confessar a fé e também confessar pecados.
Segundo C. Mohrmann, a gênese desses cristianismos diretos ocorreu quando o Cristianismo fazia sua
entrada na sociedade romana, a doutrina nova devia ser formulada em latim. Devia adaptar-se a essa nova
função. E aqui constatamos uma influência direta exercida pelo Cristianismo sobre a língua; e nós chamamos as
transformações linguísticas que resultam da necessidade de exprimir as ideias cristãs em latim por um termo,
forjado por Mgr. Schrijnen, ‘Cristianismos diretos’.
A esse grupo pertencem os nomes das instituições eclesiásticas, da hierarquia e das coisas mais ou
menos concretas, que foram trazidas para o Ocidente pelo Cristianismo, os quais são em grande parte de
origem grega (empréstimos).
Entre os cristianismos semânticos ainda podemos citar: salus, bem-estar, mas no lat. Cristão ‘a salvação
da alma’ (e daí ‘salvador’ que corresponde ao grego sotér); spiritus, correspondente ao gr. Pneuma ‘sopro’, mas
no lat. cr. com sentido imaterial, caro, ‘a carne’, mas agora em oposição a spiritus; peccare, não no sentido de
cometer erro e sim religioso de ‘ofender a Deus’; pax, não entendida a paz dos pagãos, que se opunham à
bellum, e sim, a dos cristãos, que tinha seu antônimo na ‘persecutio’ .
Não menos importantes são os ‘Cristianismos indiretos’, ou seja, aqueles que por sua natureza não
estão associados ao Cristianismo, e que, portanto, não estão em relação direta com a doutrina cristã. Estes são
quase todos de formação latina.
Esses Cristianismos têm especial significação: São principalmente esses fatos linguísticos que dão o
direito de falar de uma língua especial dos cristãos, já que são os testemunhos irrefutáveis de uma diferenciação
social a operar uma diferenciação linguística. Não são especificamente cristãs.
PRINCÍPIOS DA GRAMÁTICA LATINA
NOÇÕES PRELIMINARES
POSIÇÃO DO LATIM ENTRE AS LÍNGUAS INDO-EUROPEIAS
Alfabeto: No período clássico compreendia 23 letras. Comparando com português: não existe J=I; a
existência de letras que não fazem parte do nosso alfabeto K e Y (Em nosso vocabulário são derivados de nomes
estrangeiros).
Vogais, são breves/longas ou comum (dois modos). As consoantes dividem-se em mudas, líquidas,
sibilantes e duplas.
As sílabas são longas ou breves de acordo com a natureza/posição de suasvogais.
SÍLABA LONGA
A sílaba pode ser longa por natureza: todos os ditongos e vogais derivadas de ditongos ou por
contração.
A sílaba pode ser longa por posição: toda vogal seguida de duas consoantes ou de x, z torna-se longa.
SÍLABA BREVE
Quando seguida de outra vogal é breve, as terminações em consoante, que não sejam S, são breves.
As sílabas são a unidade sonora da palavra (morfema/fonema). São fonemas pronunciados de uma só
vez. Se dois fonemas são vogais, a sílaba chama-se ditongo.
Divisão:
Uma consoante entre duas vogais forma sílaba com a segunda: pa-ter, ma-ter, do-le-mus.
Duas ou mais consoantes postas entre duas vogais pertencem à segunda vogal, se constituírem um
grupo que possa ser inicial de uma palavra latina: pa-tris (do pai); ho-spi-tis (do hóspede).
A consoante dupla x constitui sílaba com a primeira vogal: vix-i (vivi); ax-is (eixo).
As consoantes geminadas pertencem uma à vogal precedente e outra à seguinte: bel-lum (guerra).
ACENTO TÔNICO:
O acento tônico do latim (prosódia) é convencional.
Notemos que ch soa como k.
Os grupos ph, th, rh (de origem grega) têm som de f,t e r.
As sílabas im, am, em, nunca têm som nasal no fim dos vocábulos.
A letra t é a única que apresenta dificuldades na pronúncia: Soa como sibilante no grupo ti (vogal breve)
seguido de vogal: propitius, amicitia, exceção feita para se for precedido por s, t, x: hóstia, mixtio, justior e para
os vocábulos gregos e estrangeiros: Boetia, Aegyptius (Dengue). Seguida de i longo soa como em português:
totius, peiteram.
A vogal é tônica quando a voz eleva-se ou demora mais sobre esta sílaba.
Em latim, palavras de duas sílabas terão o acento na penúltima. Deus, templum, dare, amo.
Em palavras de mais de duas sílabas, o acento coloca-se:
1º) sobre a penúltima se for longa: deorum, templorum, dabuntur, amari,
2ª) sobre a antepenúltima, se a penúltima for breve: dominus, amavero.
Exceções:
Há exceções quando se introduz nas palavras enclíticas que (=et), ve (ou), met, dum, te, pte, ce,
ne(=interrogativo), que têm acento tônico na antepenúltima sílaba atraem este acento tônico para última, seja
esta breve ou longa: scelera, sceleraque; omnia, ominiaque; homines, hominesque. Quando essas enclíticas se
acrescentam a uma palavra com acento tônico na penúltima sílaba, ele permanece na mesma sílaba se ela for
breve: honore, honoreque, rosa, rosaque. Se a última for longa, por natureza ou posição, desloca-se para ela o
acento: rosa, rosaque.
Espécie de Palavras: As partes do discurso são as mesmas em português como em latim. Não existe,
porém, artigos definidos/indefinidos em latim: rosa = a rosa, ou uma rosa, rosa. Una rosa = uma rosa ou a rosa
só.
OS CASOS
Depois da fonética/morfologia estuda-se a sintaxe (o arranjo ou ordem das palavras entre si, nas
orações e a ordem das orações entre si, nos períodos.).
Os Casos: São as diversas formas ou desinências assumidas pelo nome, pronome, adjetivo e particípio,
conforme o papel (sintático) que desempenha na frase.
Em latim não há um lugar determinado para cada papel na frase. Entretanto, existem algumas regras de posição
(Seis são indicativas).
NOMINATIVO: (nominare=nomear): responde às perguntas: Quem é? O que é? Umbra est amoena – A sombra é
amena!
VOCATIVO (de vocare=chamar): serve para interpelar o objeto ou pessoa a quem nos dirigimos: Umbra ubi est?
Sombra, onde estás? Genitivo (de gignere=gerar): designa a coisa ou a pessoa a quem pertence um objeto,
responde às perguntas: De quem? De quê? Nigro umbrae. O negrume da sombra.
DATIVO (de dare):designa o objeto/pessoa a quem a ação aproveita ou desaproveita. Responde às perguntas: a
quem? Para quem? Para quê? Lucem reddamus umbrae. Demos luz à sombra/para a sombra.
Acusativo (de accusare=acusar, a que se refere):
designa o objeto de uma ação. Responde às perguntas: Quem? O quê? Lux fugat umbram. A luz afugenta a
sombra! Creo te regem faço-te rei!
ABLATIVO (de auferre=tirar): designa a pessoa ou objeto com, em, de ou por quem e por que uma ação é
praticada: Umbra veniunt frigora! Da sombra vem o frescor (adjuntos adverbiais em geral!)
Em latim distinguem-se dois números: singular/plural. E três gêneros: masculino, feminino e neutro.
Este último gênero designa objetos inanimados.
Declinar um nome é dar todos os casos. Em latim existem cinco declinações que se distinguem pela
terminação do genitivo singular:
ae na 1ª declinação – rosae.
i na 2ª Declinação – Dominus.
is na 3ª Declinação – Vúlturis.
us na 4ª Declinação – manus.
ei na 5ª Declinação – diei.
Nas palavras variáveis distinguem-se três elementos:
RAIZ - Sentido geral.
RADICAL OU TEMA: É o que resta do vocábulo depois de se suprimir a desinência.
DESINÊNCIA- Letras colocadas no fim das palavras variáveis para indicar o caso, gênero, número,
pessoa e voz.
Nas palavras declináveis, é o caso genitivo plural que dá sem alteração o radical e o tema. Por isso basta
suprimir a desinência um (=3a e 4a declinações) e rum (das outras):
O Radical de rosarum (1ª Declinação) é rosa.
O Radical de dominorum (2ª Declinação) é domino.
O Radical de vulturum (3ª Declinação) é vultur.
O Radical de manuum (4ª Declinação) manu.
O Radical de diérum (5ª declinação) die.
AULA 7 – SISTEMA NOMINAL LATINO
Nesta aula estudaremos os aspectos mais importantes da formação das sentenças latinas. Como as
palavras se tornam categorias gramaticais, com uma função específica na construção de sentido (semântica) do
discurso.
O latim está associado à formação da retórica, isto é, a arte da argumentação, da defesa dos direitos.
Por isso, entender seus mecanismos devolve ao estudo da língua um sentido sempre atual: Se pudermos nos
defender das injustiças, do mal, dos enganos pela palavra reta (ortodoxia), seremos,pela palavra que dizemos,
homens e mulheres livres. Uma sociedade sem a palavra que argumenta, torna-se uma sociedade escrava das
aparências ou da força. Entre as heranças romanas está o Código de Direito Romano que tanto encantou os
povos vencidos e os adversários. Este código é um ponto alto na construção de civilidade no Ocidente.
PRINCÍPIOS GRAMATICAIS
Nesta aula, continuaremos a estudar o sistema nominal da língua latina.
Vogais, são breves/longas ou comum (dois modos). As consoantes dividem-se em mudas, líquidas, sibilantes e
duplas.
As sílabas são longas ou breves de acordo com a natureza/posição de suas vogais. A sílaba pode ser
longa por natureza: todos os ditongos e vogais derivadas de ditongos ou por contração; ou por posição: toda
vogal seguida de duas consoantes ou de x, z torna-se longa. Quando seguida de outra vogal é breve, as
terminações em consoante, que não sejam S, são breves.
As sílabas são a unidade sonora da palavra (morfema/fonema). São fonemas pronunciados de uma só
vez. Se dois fonemas são vogais, a sílaba chama-se ditongo.
Divisão
Nesta aula, continuaremos a estudar o sistema nominal da língua latina.
Uma consoante entre duas vogais forma sílaba com a segunda: pa-ter, ma-ter, do-le-mus.
Duas ou mais consoantes postas entre duas vogais pertencem à segunda vogal, se constituírem um
grupo que possa ser inicial de uma palavra latina: pa-tris (do pai); ho-spi-tis (do hóspede).
A consoante dupla x constitui sílaba com a primeira vogal: vix-i (vivi); ax-is (eixo).
As consoantes geminadas pertencem uma à vogal precedente e outra à seguinte: bel-lum (guerra).
O acento tônico do latim (prosódia) é convencional. Notemos que ch soa como k. Os grupos ph, th, rh
(de origem grega) têm som de f, t e r. As sílabas im, am, em, nunca têm som nasal no fim dos vocábulos. A letra
t é a única que apresenta dificuldades na pronúncia: Soa como sibilante no grupo ti (vogal breve) seguido de
vogal: propitius, amicitia, exceção feita se for precedido por s, t, x: hóstia,mixtio, justior e para os vocábulos
gregos e estrangeiros: Boetia, Aegyptius (Dengue). Seguida de i longo, soa como em português: totius, peiteram.
A vogal é tônica quando a voz eleva-se ou demora mais sobre esta sílaba. Em latim, palavras de duas
sílabas terão o acento na penúltima. Deus, templum, dare, amo. Em palavras de mais de duas sílabas, o acento
coloca-se:
Sobre a penúltima se for longa: deorum, templorum, dabuntur, amari.
Sobre a antepenúltima, se a penúltima for breve: dominus, amavero. Há exceções quando se introduz
nas palavras enclíticas que (=et), ve (ou), met, dum, te, pte, ce, ne(=interrogativo), que têm acento tônico na
antepenúltima sílaba e atraem este acento tônico para última, seja esta breve ou longa: scelera, sceleraque;
omnia, ominiaque; homines, hominesque.
Quando essas enclíticas se acrescentam a uma palavra com acento tônico na penúltima sílaba, ele
permanece na mesma sílaba se ela for breve: honore, honoreque, rosa, rosaque. Se a última for longa, por
natureza ou posição, desloca-se para ela o acento: rosa, rosaque.
ESPÉCIE DE PALAVRAS
As partes do discurso são as mesmas em português como em latim. Não existe, porém, artigos
definidos/indefinidos em latim: rosa= a rosa, ou uma rosa, rosa. Una rosa= uma rosa ou
a rosa só. Os casos. Depois da fonética/morfologia estuda-se a sintaxe (o arranjo ou ordem das palavras entre si,
nas orações e a ordem das orações entre si, nos períodos.). Os casos:
São as diversas formas ou desinências assumidas pelo nome, pronome, adjetivo e particípio, conforme o
papel (sintático) que desempenha na frase. Em latim, não há um lugar
determinado para cada papel na frase. Entretanto, existem algumas regras de posição (Seis são indicativas):
. O genitivo, se não for enfático,vem atrás do substantivo: corona reginae.
II. O dativo (objeto indireto) precede o acusativo (objeto direto) agricola puellis(dat.) viam(ac.) monstrat.
III. A preposição e o nome precedem o verbo: regina cum ancillis(prep.+dat.) ambulat.
IV. O adjetivo vai depois do nome qualificado: Puer bonus et amicus amicos habent.
V. O adjetivo que pertence a um nome regido por preposição coloca-se, muitas vezes, antes da preposição:
Paulus magnum ad oppidum veniat.
NOMINATIVO: (nominare=nomear): responde às perguntas: quem é? O que é? Umbra est amoena – A sombra é
amena!
VOCATIVO (de vocare=chamar): serve para interpelar o objeto ou pessoa a quem nos dirigimos: Umbra ubi est?
Sombra, onde estás?
GENITIVO (de gignere=gerar): designa a coisa ou a pessoa a quem pertence um objeto, responde às perguntas:
De quem? De quê? Nigro umbrae. O negrume da sombra.
DATIVO (de dare): designa o objeto/pessoa a quem a ação aproveita ou desaproveita. Responde às perguntas: a
quem? Para quem? Para quê? Lucem reddamus umbrae. Demos luz à sombra/para a sombra.
ACUSATIVO (de accusare=acusar, a que se refere): designa o objeto de uma ação. Responde às perguntas:
quem? O que? Lux fugat umbram. A luz afugenta a sombra! Creo te regem faço-te rei!
ABLATIVO (de auferre=tirar): designa a pessoa ou objeto com, em, de ou por quem e por que uma ação é
praticada: Umbra veniunt frigora! Da sombra vem o frescor (adjuntos adverbiais em geral!)
Em latim, distinguem-se dois números: singular/plural. E três gêneros: masculino, feminino e neutro.
Este último gênero designa objetos inanimados.
OS PRONOMES
O estudo dos pronomes relativos sempre despertou a curiosidade dos pesquisadores. O emprego deste
pronome apresenta-se bastante diversificado na língua latina. Este fato é observado não apenas quando a sua
declinação aproxima-se dos demonstrativos, mas também diante da ligação com o pronome interrogativo-
indefinido e da mudança que o reduz a um elemento de relação. A escolha do pronome relativo e de suas
relações de emprego justifica-se pela necessidade de interpretar as diversas situações da sua ocorrência e
analisar os processos de gramaticalização deste elemento, na língua latina.
Os processos de gramaticalização que se verificam na formação e no desenvolvimento do relativo têm
como consequência, na sua história, mudanças linguísticas sintático-semânticas funcionais. Este pronome é
recategorizado, gramaticalizando-se em complementizador ou subordinante adverbial, podendo ser, também,
analisado como relativo universal ou conjunção universal, estando, desta forma, justificada, a sua
multifuncionalidade.
Pronome é a palavra que ocupa o lugar do nome. Há em Latim seis espécies de pronomes. Como os
adjetivos, eles são declináveis em consonâncias com a função sintática das palavras que substituem.
Com exceção dos pessoais, todos eles podem ser empregados como adjetivos.
PRONOMES PESSOAIS: EGO, TU, NOS, VOS
A primeira pessoa do pronome pessoal é utilizada somente para destacar ou dar ênfase: audio, ego
audio!
Como em português me ora é objeto direto como indireto, assim como nos: me laudat, (ele louva-me),
mihi paret (ele obedece).
A segunda pessoa é sempre de tratamento.
Nostrum e vestrum são empregados como genitivo partitivo (dentre nós, dentre vós), enquanto nostri e vestri
significam simplesmente nós e vós: unus nostrum (um dentre vós); misere nobis (tende misericórdia de nós!).
A preposição cum (com) requer o ablativo e não se coloca antes de pronomes pessoais, porém
acrescenta-se a eles: comigo, contigo, consigo: mecum, tecum, secum, conosco, convosco, nobiscum, vobiscum.
Não há, em latim, pronome pessoal da terceira pessoa. Usa-se comumente o demonstrativo: is, eas, id, ille, illa,
illud. No entanto, o pronome reflexivo é utilizado como complemento e para designar a mesma pessoa que o
do sujeito do verbo.
Veja abaixo algumas conjugações:
"Aliena nobis, nostra plus aliis placent". (Publilius Syrus)
(O que é dos outros é mais agradável para nós; o que nosso, para os outros)
tū
tu
"Tu quoque Brute filii mihi?". (Júlio César)
Tu também, Brutus, meu filho?
Tibi non credo.
Não acredito em ti.
is m.; (f. ea, n. id, pl. ei)
ele
Id est. (i.e.)
Isto é.
Id est mihi, id non est tibi!
Isto é meu, não teu!
Cuius regio, eius religio.
Non est ei similis.
Não existe ninguém similar a ele.
"Olim habeas eorum pecuniam, numquam eam reddis" (Primeira regra de aquisição Ferengi)
Uma vez que tenha seu dinheiro, nunca o devolva.
hic m, haec f, hoc n
este, esta, isto, aqui
Hic habitat felicitas.
Aqui mora a felicidade.
Post hoc ergo propter hoc.
Depois disto, logo por causa disto.
In hoc signo vinces.
Por este signo vencerás.
ille m, illa f, illud n
aquele, aquela, aquilo (em alguns casos, fica melhor traduzido como ele/ela)
PRONOMES RELATIVOS
quī m, quae f, quod n
quem, o que, qual
Qui rogat, non errat.
Quem pergunta não erra.
Beati hispani, quibus vivere bibere est.
Sorturdos espanhóis, para os quais viver é beber. (Referência à pronúncia hispânica do Latim).
Quo vadis?
Como vai?
Quod erat demonstrandum.
O que estava para ser demonstrado. Geralmente aparece no fim de demonstrações geométricas, sob a
sigla Q.e.d.
Quod erat faciendum.
O que estava para ser feito. Geralmente aparece sob a sigla Q.e.f.
"Difficile est tenere quae acceperis nisi exerceas". (Plínio, o jovem)
É difícil reter o que se aprende a não ser pela prática.
PRONOMES POSSESSIVOS MEUS, TUUS, SUUS, NOSTER, VESTER, SUUS.
Observações:
Os pronomes possessivos correspondem aos pronomes pessoais. São observáveis sintaticamente:
O emprego de suus se traduz de dois modos: emprega-se suus quando o sujeito da oração é o
possuidor: Paulo ama seu pai – Paulus amat patrem suum. Ou emprega-se ejus, dele eorum deles, earum delas
quando o possuidor não é o sujeito da oração: Seu pai faleceu – Pater ejus mortuus est.
PRONOMES DEMONSTRATIVOS
1a) Hic, heac, hoc: este, esta, isto.
2a) Iste,ista, istud: este, esta, isto.
3a) Ille, illa, illud: aquele, aquela, aquilo.
4a) Is, ea, id: ela, este, esta.
5a) Idem, eadem, idem: o mesmo, a mesma, a mesma coisa.
6a) Ipse, ipsa, ipsum: mesmo, eu mesmo, tu mesmo, ele mesmo, ela mesma.
Observações:
I. Hic e iste (este) designam objeto presente ou próximo, o que se mostra, ille e is (aquele, esse)
designam objeto ausente ou afastado. Ipse significa: eu mesmo, tu mesmo, conforme se refere à 1a/2a/3a
pessoas.
II. Idem é somente o pronome is (suprimido o s) seguido de dem.
Pronomes interrogativos
O principal pronome interrogativo é Quis: Quem? Qual? Quê?
Emprega-se uter para indicar duas pessoas ou coisas: qual dos dois, qual das coisas?
Entre os mais utilizados pronomes interrogativos:
Qualis? Quale? Qual, de que espécie, de que natureza?
Quantus, a, um? Quão grande? De que tamanho?
Quotos, a, um? Em que número, em que lugar, quanto?
Quot? (indeclinável): Quão numerosos? Quantos?
Pronomes relativos
Qui, quae, quod.
Em vez de cum quo, cum qua, cum quibus emprega-se quocum, quacum, quibuscum.
O relativo e seu antecedente. Em latim, o cuius concorda não com o substantivo que lhe segue, mas
com o que lhe antecede, isto é, com aquele que ele representa:
Pater, cuius filium uidi, o pai, cujo filho vi;
Pater cuius filiam uidi; Filii, quorum matrem uidi; Mater, cuius filios uidi.
O pronome relativo tem o mesmo número e o mesmo gênero que seu antecedente, que ele substitui.
Não tem sempre o mesmo caso, uma vez que não tem sempre a mesma função:
Timeo uirum qui uenit. Temo o homem que veio.
Quot? (indeclinável): Quão numerosos? Quantos?
PRONOMES RELATIVOS
O relativo que tem por antecedentes:
a) dois nomes de pessoas de gênero diferente vai para o masculino plural: Pater et mater, quisunt boni...
b) dois nomes de coisas de gênero diferente vai para o neutro plural: Virtus et uitium, quae sunt contraria...
Por vezes, o relativo concorda com seu predicativo e não com seu antecedente: Alesia, quodest
oppidum Mandubiorum..
Omnes, quos cupies, libros tibi dabo.
AULA 8
Seja bem-vindo a nossa aula de hoje!
A partir deste texto introdutório, você será capaz de entender melhor os conceitos estudados nesta
aula, sendo capaz de relacionar o conteúdo que será aprendido ao contexto em que está inserido.
SISTEMA NOMINAL LATINO (II)
O latim é uma língua reconhecidamente flexível, isto é, uma língua cujos substantivos, adjetivos e
demais classes variáveis apresentam muitas possibilidades de declinação (flexão, ou ainda, conjugação
nominal).
A flexão nominal foi perdida em todas as línguas derivadas, à exceção do romeno e incluindo o
português, motivo pelo qual o aluno brasileiro precisa, ao enfrentar o estudo do latim ou outra língua
flexionada qualquer (como ocorre com o alemão), aprender inicialmente o conceito de casos gramaticais e
depois aprender (pela memorização) a sua aplicação prática.
Considero em seis os casos latinos, posto que o caso locativo é defectível e seu uso é grandemente
limitado. São eles:
1) O NOMINATIVO
Ele serve para indicar que a palavra em questão é o sujeito da oração, o agente absoluto, livre de
qualquer ação por outro agente qualquer. É por isso que, quando um nome está no nominativo, ele não sofre
alteração de qualquer tipo.
Observe a oração que segue:
Paulus te amat= Paulo te ama.
Paulus foi o agente, quem exerceu a atividade de amar, sobre alguém.
2) O ACUSATIVO
É usado para marcar o nome como o objeto direto do verbo. Diz-se ligado, pois para que haja um verbo
agindo sobre um objeto (que pode ser um indivíduo, uma coisa etc.), é preciso que haja o autor (ou agente).
Por exemplo:
Paulus te amat Paulus foi o autor da ação de amar, enquanto a coisa sobre quem a ação foi exercida,
que aqui sabemos foi o próprio interlocutor, é o objeto direto do verbo amo, amare.
Continuando, já com o exemplo:
Reginam laudamus = louvamos a rainha.
O agente seria nos (“nós”, que ficou omitido sem prejuízo do entendimento por conta da conjugação
própria, como ocorre em português).
A ação de louvar estaria expressa pelo próprio verbo e o objeto que sofreu a ação de louvar foi a rainha,
que por isso ficou declinada no acusativo.
3) O DATIVO
Serve para indicar o objeto indireto do verbo. Sempre que se quiser usar corretamente o acusativo e o
dativo, já que sua função é praticamente idêntica, basta atentar para que caso o verbo rege (o que é válido não
só para o latim como para qualquer outra língua flexionada; sempre que aprender um verbo, é muitíssimo
importante saber que caso ele governa).
Por exemplo:
Reginæ regique pecuniam demus = Daremos o dinheiro à rainha e ao rei.
O verbo latino dare (dar) rege o dativo e o acusativo. O agente é nos, que está omitido mas explicitado
pela conjugação de, dare.
Já a palavra pecúniam (dinheiro) é o que será dado, a coisa objeto direto ação de dar, aquilo que será
dado, os substantivos regina e rex estão ambos no dativo, pois são a coisa a quem o objeto será dado. Eles são o
objeto indireto desta oração.
4) O GENITIVO,
É o caso que expressa o valor de posse.
Ex: Fiat voluntas Dei. (Faça-se a Vontade de Deus.)
5) O ABLATIVO,
Detém a função de locução adverbial, acompanhado ou não, de preposição.
Exemplo:
Nunc in Italia sum, sed cras ad patrem ibo = agora estou na Itália, mas amanhã vou à casa de meu pai.
O substantivo Italia está no ablativo, precedido da preposição in (“em”), expressando localização.
Outros usos próprios do caso ablativo são: acompanhamento, separação, tempo, lugar, modo, instrumento.
6) O VOCATIVO
Refere-se à função do discurso direto na frase. Em geral, em caso de saudação:
Exemplo:
Salve, amice! = Olá, amigo!
Nesse caso amicus, amici (amigo), da segunda declinação, recebe no vocativo a terminação – e.
Para os substantivos que não se alteram no vocativo, basta usá-los “no nominativo”:
Exemplo:
Quomodo vales, amica? = Como vais, amiga?
Em latim, distinguem-se dois números: singular/plural. E três gêneros: masculino, feminino e neutro. Este
último gênero designa objetos inanimados.
Declinar um nome é dar todos
os casos. Em latim existem cinco declinações que se distinguem pela terminação do genitivo singular:
ae na 1a declinação – rosae;
i na 2a Declinação – Dominus;
is na 3a Declinação – Vúlturis;
us na 4a Declinação – manus.
ei na 5a Declinação – diei.
Nas palavras variáveis distinguem-se três elementos: raiz (sentido geral), radical ou tema (é o que resta
do vocábulo depois de se suprimir a desinência) e desinência (letras colocadas no fim das palavras variáveis para
indicar o caso, gênero, número, pessoa e voz.). Nas palavras declináveis, é o caso do genitivo plural que dá sem
alteração o radical e o tema. Por isso, basta suprimir a desinência um (=3a e 4a Declinações) e rum (das outras):
O Radical de rosarum (1a Declinação) é rosa.
O Radical de dominorum (2a Declinação) é domino.
O Radical de vulturum (3a Declinação) é vultur.
O Radical de manuum (4a Declinação) manu.
O Radical de diérum (5a declinação) die.
SEGUNDA DECLINAÇÃO
N. – Dominus (o senhor); domini (os senhores)
V. – Domine (ó Senhor!); Domini (ó Senhores!)
G. – Domini (do Senhor); Dominorum (dos Senhores)
D. – Domino (ao Senhor); Dominis (aos Senhores)
Abl. – Domino (pelo Senhor); Dominis (pelos Senhores)
Ac. – Dominum (o Senhor); Dominos (os Senhores)
Observações: A maior parte dos nomes em ‘US’ são masculinos. Pertencem ao gênero feminino todos os
nomes de árvores, cidades, ilhas, vários nomes de países como Aegyptus. Os nomes em ‘IUS’ têm vocativo
singular em i: Virgilius, Virgili. Os nomes em ER (masc.) perdem, nos outros casos, o E do nominativo e do
vocativo com exceção de alguns poucos que se declinampor PUER.
ADJETIVOS (1/2ADECLINAÇÕES):
Os adjetivos em us pertencem a ambas as declinações. No masculino, declinam-se como Dominus; no
feminino como rosa; no neutro como templum: bonus, bona, bonum (=bom)
TERCEIRA DECLINAÇÃO
A terceira declinação tem o genitivo singular em IS. Esta declinação compreende nomes masculinos,
femininos e neutros. Alguns são ‘parissilábicos’, isto tem tantas sílabas no nominativo singular quanto no
genitivo, outros são ‘imparassilábicos’, tem no genitivo singular uma sílaba a mais do que no nominativo.
Os parassilábicos têm o genitivo plural em UM, enquanto os parassilábicos em IUM.
ADJETIVOS (1/2ADECLINAÇÕES):
Os adjetivos em us pertencem a ambas as declinações. No masculino, declinam-se como Dominus; no
feminino como rosa; no neutro como templum: bonus, bona, bonum (=bom)
Nomes IMPARASSILÁBICOS (Gen. Plural em UM)
Os nomes terminados em um, ditos imparassilábicos, terminam em geral por consoante. O radical é,
normalmente, alterado no nominativo singular. Ora a desinência é s, ora não há nenhuma desinência (o que
ocorre sempre nos nomes neutros).
Os nomes sem desinência geralmente terminam por uma consoante líquida: l, n. r = ex: Nome
masc/fem.: vúltur, is (o abutre), nome neutro: fúlgur, is (o relâmpago).
Os nomes em or são masculinos, mas são femininos: sóror, sóris (a irmã), úxor, uxóris (a esposa), arbor, arboris
(a árvore). São neutros: cor, córdis (o coração), mármor, marmóris (mármore).
Já as palavras abstratas em io, ionis, derivadas geralmente de verbos, são também femininas: actio, actionis
(ação), legio, legionis (legião).
Masc/Femininos: (Vultur)
N. – vúltur (o abutre); Vúltures (os livros)
V. – vúltur (ó abutre!); vultures (ó abutres!)
G. – vúlturis (do abutre); vúlturum (dos abutres)
D. – vúlturi (ao abutre); vúlturibus (aos abutres)
Abl. – vúlture (pelo abutre); vúlturibus (pelos abutres)
Ac. – vúlturem (o abutre ); vúltures (os abutres)
Neutros:
N. – fúlgur (o relâmpago); fúlgura (os relâmpagos)
V. – fúlgur (ó relâmpago!); fulgura (ó relâmpagos!)
G. – fúlguris(do relâmpago); fúlgurum (dos relâmpagos)
D. – fúlguri (ao relâmpago); fúlguribus (aos relâmpagos)
Abl. – fúlgure (pelo relâmpago); vúlturibus (pelos relâmpagos)
Ac. – fúlgur (o relâmpago); fúlgura (os relâmpagos)
Nomes com nominativo em S terminam geralmente muda. No nominativo, as labiais (b,p,m) subsistem
antes do s: princeps, es (Chefe). As guturais (g,c) combinam-se com s para formar x: dux, ducis (general), as
dentais (d,t,n) lápis, lápides (pedra).
Existem exceções para o enÍtivo plural em lum:
l) Nomes lmparassitábcos terminados por duas consoantes: dens, dentis, (o dente), urbs, urbis, (a cidade), nox,
noctis, (a noite). mons, montis, (a montanha), os, ossis (o osso).
2) Nos seguintes monossíLabos: fraus, fraudis (a fraude). nix, nivis (a neve), dos, dotis (o dote), trabs, trabis (a
trave), lis, litis (a demanda), mus, muns (o rato).
II. Nomes parassilábicos (Gen. plural em IUM).
O genitivo plural em UM nos parassilábicos são exceções em:
Accipiter, accipitris, m, (o gavião), apis, apis, f. (a abelha), canis, canis, m/f, (o cão), frater, fratris, m, (o irmão),
juvenis, juvenis, m, (o moço), mater, matris, f. (a mãe), pater, patris, m, (o pai), senex, senis, m, (o ancião),
vates, vatis, m, (o advinho).
III. Gênero na 3a Declinação
Nomes terminados em or, os, er, ex são masculinos. Entretanto:
1o) são neutros: cor, aequor (a planície), marmor, e são femininos: arbor.
2o) são masculinos: as (a moeda), vas, vadis (o fiador), mas (o macho) e todos os nomes estrangeiros.
3o) são masculinos: fons (a fonte), mons (o monte), pons (a ponte), oriens (o oriente), torrens (a torrente),
princeps (o príncipe), dens (o dente), rudens (a amarra), occidens (o ocidente).
4o) são femininos: lex, legis (a lei), nex (morte violenta), faex (o lodo), prex, precis (a prece).
NB: Uma regra importante da sintaxe: quando duas palavras seguidas designam a mesma pessoa, a segunda
segue no mesmo caso da primeira:
Pedro, imperador do Brasil.
Petrus, Imperator Brasiliae (nominativo).
A Pedro, imperador do Brasil!
Petro, Imperator brasiliae. (dativo)
4ª DECLINAÇÃO TEMA EM U
Masc/Femininos: (Manus, f.)
N. – manus (a mão); manus (as mãos)
V. – manus (ó mão); manus(ó mãos!)
G. – manus (da mão); manuum/manibus (das mãos)
D. – manui (à mão); manibus (às mãos)
Abl. – manu (pela mão); manibus(pelas mãos)
Ac. – manum (a mão); manus (as mãos)
Neutros:
N. – cornu (o chifre); cornua (os chifres)
V. – cornu (ó chifre!); cornua (ó chifres!)
G. – cornui (do chifre); cornuum (dos chifres)
D. – cornui (ao chifre ); cornibus (aos chifres )
Abl. – cornu (pelo chifre); cornibus (pelos chifres)
Ac. – cornu (o chifre); cornua (os chifres)
A maior parte dos nomes em us é masculina. Tem gênero feminino os nomes de mulheres e de árvores e
também, manus, domus (casa), porticus (porta), tribus, idos, acus, (agulha).
5ª DECLINAÇÃO TEMA EM E
O genitivo singular em ei, abrange nomes femininos/masculinos em es.
AULA 9 – SISTEMA VERBAL LATINO
Seja bem-vindo à nossa aula de hoje!
A partir deste texto introdutório, você será capaz de entender melhor os conceitos estudados nesta
aula, sendo capaz de relacionar o conteúdo que será aprendido ao contexto em que está inserido.
CONJUGAÇÃO VERBAL
Nesta aula, iremos estudar a formação do sistema verbal da língua. E sabemos, por nossa própria língua,
da importância capital que possui o verbo na estrutura e no funcionamento de uma sentença.
INTRODUÇÃO
O latim clássico possuía cinco formas nominais do verbo:
Estas formas
têm dupla função: primeiramente como verbo, elas podiam também desempenhar função substantiva e/ou
adjetiva e até adverbial, apresentando sistema próprio de declinação e características inerentes ao verbo.
(exceto o infinitivo que é indeclinável).
O português guarda muitas características em comum com o latim. Como já é de seu conhecimento, o
português derivou-se de uma forma popular de latim falado na região de Portugal, sendo uma de várias outras
línguas neolatinas, como o italiano, o espanhol, o francês, o romeno, para citar as mais conhecidas.
Também o sistema verbal português guardou uma íntima relação com o latino, não sendo os dois, no entanto,
perfeitamente equivalentes. Durante este curso veremos exatamente onde os dois divergem. As diferenças
devem ser bem aprendidas para uma boa tradução: nem sempre a forma latina terá uma tradução fixa,
principalmente no caso do subjuntivo.
I. O sistema verbal latino possui as seguintes características:
As formas verbais do latim indicam a pessoa que fala, se a primeira (eu, nós), a segunda (tu, vós) ou a terceira
(ele/ela, eles/elas), sem que necessariamente postulem a presença do pronome pessoal referente para indicar
qual seja.
Assim, ao dizer em português "amas", sabe-se que se trata da segunda pessoa do singular (tu amas).
Em latim se dá o mesmo: "amas" significa "tu amas", ou simplesmente "amas".
2. Número:
As formas verbais latinas indicam se o sujeito é singular ou plural:
amas (tu amas, singular);
amatis (vós amais, plural).
3. Tempo:
As formas verbais latinas indicam o tempo da ação: passado, presente ou futuro. Mas como existe a
preocupação de se distinguir se a ação foi completada ou se está em curso no momento pedido, o latim como o
português vai dividir seus tempos, passado e futuro.
Note as diferenças: "amavi", eu amei; "amabam", eu amava; "amàveram", eu amara (ou eu havia amado).
4. Voz:
Nas formas verbais latinas se distinguem dois tipos de voz:
a) ativa
Indica que o sujeito realiza a ação.
b) passiva
Indica que o sujeito de alguma forma sofre ou recebe a ação.Amo = eu amo. (ativa)
Ámor= eu sou amado (passiva).
5. Modo:
Entre as formas verbais latinas distinguem-se três modos verbais. O ‘modo’ verbal é a maneira como o sujeito
concebe a ação verbal.
1) O modo indicativo é o modo do fatual, utilizado para se fazer afirmações e perguntas.
2) O modo subjuntivo expressa ideia, intenção, desejo, potencialidade ou suposição.
3) O modo imperativo é usado em ordens ou comandos.
II. Os tempos do indicativo
O indicativo quase não apresentará problemas na tradução, e a cada um de seus tempos podemos atribuir uma
forma equivalente em português.
Os tempos são:
Dentre estes tempos, alguns serão chamados de tempos primários:
a) presente,
b) futuro e
c) futuro perfeito.
Outros serão chamados de tempos secundários:
a) imperfeito,
b) perfeito e
c) mais-que-perfeito.
Quando o perfeito representar uma ação começada no passado e que perdura no presente (chamado de
perfeito lógico), ele será considerado tempo primário. Por ora, basta saber o seguinte: o presente e os futuros
são primários, e todos os passados secundários.
C. O infinitivo
As formas do indicativo são chamadas de finitas. Em latim, "finis" significa "fronteira, limite". Mas o que limita
ou caracteriza as formas verbais? São formas marcadas pelas categorias de: pessoa, número, tempo, voz e
modo.
Ao contrário destas formas, o infinitivo não é limitado por pessoa, número e modo, mas por tempo e voz.
Nem sempre todo infinitivo nos textos latinos deve ser necessariamente traduzido por uma dessas formas, uma
vez que existe uma construção muito importante em latim, chamada oração infinitiva, onde o significado do
infinitivo depende do tempo do verbo principal. Isto será estudado mais adiante.
Uma tabela de Verbos em Latim:
D. Sobre as quatro conjugações
Todos os verbos latinos pertencem a uma das quatro conjugações abaixo:
A única exceção é o verbo ser:
a) Primeira CONJUGAÇÃO
Nesta lista estão todos os verbos com o presente do infinitivo em -àre: amare, ambulare, cogitare...
b) Segunda CONJUGAÇÃO
A lista dos verbos com o presente do infinitivo em -ère: implère, perdere, vendere...
c) Terceira CONJUGAÇÃO
A lista dos verbos com o presente do infinitivo em -ere: incìpere.
D) Segunda CONJUGAÇÃO:
A lista de verbos com o presente do infinitivo em -ìre: sentìre, audire.
Uma importante diferença entre a segunda e a terceira conjugações: na segunda, o penúltimo e é longo e, por
isso, recebe o acento tônico; na terceira, o e é sempre breve e, por isso, o acento tônico recua. Como se vê, à 4ª
conjugação latina pertencem os verbos cujo infinitivo apresenta terminação em IRE (longo) AUD-IRE = ouvir
(pronúncia: audíre). Eis ainda outras características desta conjugação:
- a 1ª pessoa do singular do presente do indicativo termina em –io (audio).
A vogal característica da conjugação é i, que se conserva em todas as formas verbais.
- as terminações do futuro imperfeito e do presente do subjuntivo são as mesmas da 3ª conjugação.
A língua portuguesa não possui uma 4ª conjugação verbal. Por muito tempo, associou-se o verbo pôr (e seus
derivados) a uma pretensa conjugação cujo infinitivo terminaria em or, segundo a ordem mesma das vogais. O
latim, no entanto, desconhece terminação verbal em ore, não havendo, portanto, motivo para tirar tal
conclusão. O verbo pôr, da língua portuguesa, é, na verdade, derivado de pónere, da 3ª conjugação latina,
obedecendo ao seguinte processo evolutivo: ponere > poner > poer >pôr. Somente este verbo e seus derivados
passaram por tal evolução.
E. Os tempos primitivos
Dos chamados ‘Tempos Primitivos’ derivam os demais tempos, por isso, estes são os tempos fundamentais.
Com o seu conhecimento, todos os demais tempos podem ser formados. Por exemplo, o verbo "amar" tem os
seguintes tempos primitivos:
Amo: a primeira pessoa do singular do presente do indicativo (eu amo).
Amavi: a primeira pessoa do singular do perfeito (eu amei).
Amatum: o supino (amado).
Amare: o infinitivo presente, (amar).
Cada um destes tempos servirá de base para formação de uma série de outros tempos, cujo conjunto formará a
conjugação completa do verbo. Apenas guarde que esse fato: de apenas quatro tempos os outros todos podem
ser formados.
Ao utilizar seu dicionário de Latim, você deverá procurar sempre pela primeira pessoa do presente do indicativo
(amo). Nunca busque em amare, como costumamos fazer em português, ao procurar o significado de um verbo
pelo infinitivo em nossos dicionários!
Além disso, nas páginas dos dicionários latinos, você encontrará sempre a enunciação de seus tempos primitivos
de forma abreviada:
Por exemplo: o verbo amo, -as, -avi, -atum, -are.
A partir daí, você formará amo, amas (a segunda pessoal do singular do presente do indicativo, "tu amas",
embora não seja um tempo primitivo), amavi, amatum, amare. E assim com todos os outros verbos.
Infinitivo
O infinitivo latino, um substantivo verbal com esse nome por possuir traços que o identificavam
simultaneamente com o verbo e com o substantivo. Como verbo, representava além de um sujeito, a noção de
tempo e voz. Esta forma antiga possuía duas formas distintas:
a) Seu sujeito era o mesmo do verbo principal, ao qual ele se ligava, na condição de objeto direto, ou o próprio
acusativo da forma verbal regente.
No primeiro caso, construía-se o infinitivo com verbos do tipo possum, debeo, queo, scio, disco, coepi, incipio,
soleo, assuesco, uolo, nolo, malo, cupio, desidero, metuo, dubito, statuo, gaudeo, postulo, studeo, laboro,
festino, propero, persevero, mitto, abstineo, etc.
b) No segundo, o infinitivo integrava uma oração subordinada substantiva infinitiva, na qual dependia de verbos
que tinham como complemento um acusativo que lhe servia de sujeito, idêntico ou não ao da proposição
principal.
Agora veremos alguns exemplos do que foi estudado.
Exemplo:
continuo meum cor coepit in pectus
emicare = imediatamente meu coração começou a saltar em (meu) peito.
uolo facere = “desejo fazer”,
nunc domum properare propero = agora me apresso em voltar correndo para casa.
bona publicari iubet = ordena que os bens sejam confiscados.
cupio me esse clementem = desejo ser eu clemente.
Em nossa língua, depois dos verbos sensitivos “ver”, “ouvir”, “sentir” e causativos “fazer”, “mandar”, “deixar”,
com os quais o infinitivo não forma locução verbal.
Vejamos alguns exemplos nas obras de Machado de Assis:
a) “vi assomar, à distância, uma mulher esplêndida” (Brás Cubas, L),
b) “Virgília deixou-se estar de pé” (idem, VI), “o cocheiro fez parar o cavalo” (Quincas Borba, LXXXVI),
c) “fez-me aprender em casa primeiras letras, latim e doutrina” (Dom Casmurro, XI).
Esta estrutura latina do infinitivo que funciona como complemento direto de verbos de possibilidade, obrigação,
conhecimento, vontade, temor, passou ao português. No entanto, nossos gramáticos veem aí um caso de
locução verbal. (=o infinitivo é considerado verbo principal e não objeto direto do verbo auxiliar), tido, em latim,
como regente.
Exemplos:
Não posso sair amanhã.
Devo partir hoje.
Ele não sabe estudar sozinho.
Quero viajar.
Desejo sair.
Temo de sair à noite.
Em outros contextos, o infinitivo podia ter um sujeito. Isso ocorria nas situações em que ele era usado com valor
histórico, jussivo (= adj. “Diz-se das proposições que exprimem ordem ou comando”) e exclamativo.
Exemplos:
tum mater orare, hortari, iubere, quoquo modo fugerem = então (minha) mãe pedia, exortava, mandava-me
que eu fugisse de qualquer modo.
tu socios adhiberesacris = reúne tu os companheiros para os sacrifícios.
mene incepto desistere uictam! = eu desistir vencida do começado!
O Jussivo:
Ocorre principalmente em ordens militares: “apontar, atirar, fogo!”, formar! - ordenou o comandante
O histórico, em narrativas: “o pai nos cabarés, gastando comprostitutas. A mãe a fenecer em casa, a ouvir e a
obedecer” (Jorge Amado, apud Cunha & Cintra, 1997:474);
O exclamativo, nas exclamações: “eu trair!” (Garret, Catão, 17), “ela aturar crianças!” (Castilho, As sabichonas,
33).
As categorias de tempo e voz, como verbo, possuíam o infinitivo sendo, nesse particular, dividido em três
modalidades: presente, perfeito e futuro, empregados com sentido ativo ou passivo. Como substantivo, podia o
infinitivo desempenhar, dentre outras funções, o papel de sujeito, objeto direto e predicativo, casos em que
equivalia a um nominativo ou acusativo.
Exemplo:
Vivere est cogitare = viver é pensar.
Hic vereri perdidit = ele perdeu o respeito.
Meque hoc ipsum nihil agere delectat = e este próprio fazer nada me deleita.
meum intellegere nulla pecuniauendo = não vendo meu saber por nenhum dinheiro.
E mais: era possível ser construído, à semelhança do substantivo, com adjetivos determinativos e qualificativos,
na qualidade de núcleo do sujeito ou do predicado. Tais empregos do infinitivo podem ser observados nos
seguintes trechos:
O valor nominal do infinitivo, na condição de sujeito, é ainda frequente nas construções em que ele vem
subordinado a verbos impessoais e expressões Impessoais: orotorem irasci minime decet (Cic., Tusc., 4, 54) “de
modo algum, convém ao orador irar•se”, mihi necesse estire (P1., Amph., 501) “para mim, é necessário partir”.
Todos esses os do infinitivo latino, com valor de substantivo, foram herdados pela lingua
portuguesa. Dão-nos testemunho desse fato frases como: comer é bom”, “viver é lutar”, “náo Ignoro o saber
dos filósofos”, “meu pesar é grande, “o
próprio sofrer o IncomOda”, “quero levar aos alunos meu saber”, “convém estudar”, “é necessário partir’.
O infinitivo podia iguaLmente ser usado com significação de finalidade, Em português, a herança do infinitivo de
finalidade sobrevive também em locuções formadas com verbos de movimento ou
fossilizadas,
Exemplo:
1. Pedro veio conhecer o Rio de Janeiro.
2. A avó deu de beber e comer à neta.
No primeiro exemplo, o valor de finalidade torna-se mais enfático se acrescentarmos a preposição “para”,
marcador sintático usado frequentemente para indicar fim: Pedro veio para conhecer o Rio de Janeiro.
Gerúndio
O gerúndio é caracterizado morfologicamente pelo sufixo -nd-.
Era um substantivo verbal neutro, ativo. Este possuía apenas as terminações de acusativo, ablativo, dativo e
genitivo singular, para as quatro conjugações latinas. Com as características dos nomes neutros da segunda
declinação.
Eis a sua declinação:
acus. laudandum, abl. laudando, dat. laudando, gen. laudandi (1ª conj.)
acus. docendum, abl. docendo, dat. docendo, gen. docendi (2ª conj.)
acus. regendum, abl. regendo, dat. regendo, gen. regendi (3ª conj.)
acus. capiendum, abl. capiendo, dat. capiendo, gen. capiendi (3ª conj.)
acus. audiendum, abl. audiendo, dat. audiendo, gen. audiendi (4ª conj.)
O gerúndio caracterizava-se por sua natureza anfíbia: uma voltada para o nome e, outra, para o verbo.
O antigo gerúndio latino foi a única forma preservada em português e equivale ao ablativo sem preposição.
Porém, mais amplo que sua matriz latina, o gerúndio português pode expressar ideia de causa, concessão,
condição, consequência, finalidade e tempo. Nossa literatura é rica em bons exemplos:
“Custódio interrompeu-o, batendo uma palmada no joelho” (Machado de Assis, “O empréstimo”, Papéis
avulsos).
“Passava os dias no quarto, chorando” (Machado de Assis, Memórias de Aires, 10/2/1888).
“Temendo não vencer a resistência da moça, dava-me por incapaz de amar” (idem, 25/1/1888).
“Não indo Aguiar, quem há de cuidar dele?” (Machado de Assis, Idem, 26/5/1889).
“Rita escreveu-me pedindo informações de um leiloeiro” (Machado de Assis, idem, 18/5/1888).
“falando ou calando, tinha intervalos de melancolia” (Machado de Assis, idem, 22/5/1888).
“minha mulher, embora querendo simular descontentamento, não pôde deixar de sorrir” (Carlos Drummond de
Andrade, Contos de aprendiz, p. 17).
“os ventos brandamente respiravam, das naus as velas côncavas inchando” (Camões, Lusíadas, I, 19).
Gerundivo
O gerundivo, mesmo sendo marcado do mesmo modo pelo sufixo nd-, era, ao contrário do gerúndio, um
adjetivo verbal, de valor passivo, terminado em -us, -a, -um. Declinava-se, portanto, como qualquer adjetivo de
primeira classe, em todos os casos do singular e plural, concordando sempre em gênero e número com seu
complemento, que, por sua vez, harmonizava-se com ele em caso.
Este possuía um importante papel na sintaxe latina: o de substituir o gerúndio, quando este deveria vir no
dativo, acusativo ou ablativo regido de preposição e acompanhado de objeto direto.
Contudo, o gerundivo não legou ao português nenhum traço de sua antiga acepção verbal. Herdou-se apenas
seu valor nominal, representado em nossa língua por substantivos (oferenda, propaganda, agenda, etc.) e
adjetivos (nefando, venerando, moribundo, etc.).
Coutinho (1969:276) menciona a criação em português de formas terminadas em -ndo, com valor de
substantivo verbal, numa série de palavras cultas: “educando”, “graduando”, “doutorando”.
Agora vamos estudar um pouco de Particípio:
Particípio
O particípio latino era também uma forma ambivalente, que participava a um só tempo da natureza do verbo e
do adjetivo. Sua natureza verbal residia no fato de poder, à semelhança do verbo, exprimir ações, possuir
tempos e vozes e admitir complementos, ao passo que, enquanto adjetivo, sofria flexão de gênero, número,
caso e grau. Este último fato ocorre nos dois sintagmas nominais seguintes: amantissimi fratres e
dessideratissima nomina. O particípio expressa tempo: particípios presente, passado e futuro.
Vamos conhecer os particípios:
PRESENTE - Caracterizava-se pelo sufixo -nt- como um adjetivo de segunda classe uniforme, declinava-se como
prudens (= a terceira declinação).
PASSADO - O particípio passado, declinando-se em tus e -tum, pela segunda, e os terminados em -ta, pela
primeira.
FUTURO- O particípio futuro com as formas ativas (urus, -ura, -urum) e passivas (ndus, -nda, -ndum) seguindo,
portanto, uma e outra, como o particípio passado, os adjetivos de primeira classe.
Todas essas formas do particípio eram usadas com valor atributivo ou predicativo, isto é, ora vinham
determinando um substantivo, no papel de adjunto adnominal, ora, mais comumente, complementando ou
qualificando um nome, em função predicativa, formulando-se, por isso, em nominativo ou acusativo.
A formação da passiva dos tempos compostos em português, com dois particípios do tipo “Pedro tem sido
elogiado por todos” e “a lição havia sido estudada pelo aluno”, não é uma herança da sintaxe clássica latina,
mas é o resultado da conversão para a passiva de perífrases ativas: todos têm elogiado Pedro, o aluno havia
estudado a lição, presentes no latim arcaico e clássico, e predominantes no latim vulgar.
Esse duplo papel do antigo particípio presente foi assumido no português pelo gerúndio, em emprego atributivo
ou predicativo. Exemplo: água fervendo e vi a flautista tocando.
O particípio futuro ativo, com função atributiva, de adjunto adnominal, sobrevive, em nosso idioma: dias
vindouros ou ação futura.
VOCE SABIA?
Supino
O supino, com sufixo em to ou -so, foi a única forma verbo-nominal latina que se perdeu completamente
em português.
Seja bem-vindo à nossa aula de hoje.
A partir deste texto introdutório, você será capaz de entender melhor os conceitos estudados nesta aula, sendo
capaz de relacionar o conteúdo que será aprendido ao contexto em que está inserido.
Noções Preliminares:
Iniciemos esta aula com uma breve revisão e aprofundamento dos pontos fundamentais da gramática latina
acerca do sistema verbal.
Verbo é a palavra que serve para exprimir estado ou ação na sentença. Em Latim há três vozes, ativa, passiva edepoente:
1. Os verbos da voz ativa são aqueles cujo sujeito faz ação. Podemos cLassificá-los em:
1) Verbos transitivos diretos e exigem acusativo:
ExempLo: Amo Deum! (amo Deus). 9 D°
2) Verbos transitivos indiretos e exigem o dativo:
ExempLo Nemici noceo! (Não prejudico a ninguém!),
3) Verbos intransitivos, mas podem vir seguidos de advérbios.
ExempLo: taceo (calo).
GRAMÁTICA VERBO
II. Verbos de voz passiva são aqueles cujo sujeito sofre a ação.
Exemplo: Amor a Deo’ (Sou amado por Deus!) III. São verbos depoentes os que depuseram a significação passiva
para assumir a ativa, conservando, no entanto, a forma passiva.
Em Latim, há seis tempos: Três principais:
presente, perfeito, futuro; e três secundários:
Imperfeito, mais-que-perfeito, futuro anterior.
Assim COmO são três os modos pessoais:
a) indicativo.
b subjuntivo.
c) particípio.
E existem quatro impessoais:
a) infinitivo,
b) particípio,
c)gerundioe
d) supino.
O gerundo e o supino são formas especiais e, em certos casos, substituem o infinitivo ativo. Em Latim, não
existe o condicional. Estudamse no sistema verbal Latino as quatro conjugações. Dois eLementos pnncipais
identificam cada conjugação:
a) terminação do infinitivo presente
b) da primeira pessoa do indicativo presente
Ou ainda pela supressão, no infinitivo, da sílaba re, na terceira conjugação pela supressão da vogal breve e que
precede esta silaba, chamada por isso vogaL de ligação.
A única a apresentar aLgtma dificuldade é a terceira conjugação por ser também
a única a terminar com consoante (como a terceira declinação. lemba•se?).
Já o verbo sum (eu Sou), não pertence a nenhwna das quatro conjugações. Mas
serve de auxiLiar de outros, principalmente na voz passiva.
Regra Geral da Formação dos Tempos Ativos:
Todos os diCiOnáriOs de Latim identificam uma forma verbal fornecendo ao leitor os tempos de um verbo:
a) V e a ZS pessoas do presente indicativo;
b) la pessoa do perfeito indicativo;
c) o supino;
d) o infinitivo.
Assim, aparece em qualquer página de dicionário a forma verbal latina:
amo, amas, amavi, amatum, amare.
Contudo, na forma verbal de infinitivo presente. o radical aprece mais claramente:
Exemplo: ama, dele, Leg, audi. Se acrescentarmos a vogal o ao Presente Indicativo: deteo, lego, audio. INa
pnmeira conjugação, a vogal a do radical cai antes deste da vogal o: amo e não ‘amao’). Já se adicionarmos vi
ou 1 (3a conjugacão), obtemos o perfeito:
amavi, legi, audivi, delevi.
Acrescentando tum, obtemos os supinos: amaturn, deletum, lectum, auditum.
Dos tempos principais, como o presente indicativo, formam-se outros tempos (secundários).
1) Imperfeito Indicativo: acresccntando•se abam
(1’) bam: amabam;
(2) ou ebam;
(3’ e 4’): detebam; capiebam.
2’) Futuro Indicativo: peLo acréscmo de abo
(1’) amabo; bo;
(2’) delebo ou am;
(3’ e 4’) capiam.
No sistema do presente de todas as quatro conjugações latinas, destaca-se mais uma distinção entre os verbos
latinos em dois grupos por suas conjugações:
a) De um lado, o grupo formado pela primeira e pela segunda conjugação; b) Do outro, o grupo formado pela
terceira e pela quarta conjugação. Este último forma os tempos do sistema do presente, em alguns casos, de
maneira diferente dos tempos da primeira e da segunda conjugação. Através de uma atenciosa comparação
entre cada um deles evita-se confusões.
PRESENTE DO INDICATIVO
Daremos a conjugação completa. Antes de passarmos às observações, sugerimos que você mesmo tente
descobrir as regras de formação da terceira e da quarta conjugação.
opto impleo duco sentio -o
optas imples ducis sentis -s
optat imptet ducit sentit -t
optamus implemus ducimus sentimus -mus optatis impletis ducitis sentitis -tis
optant implent ducunt sentiunt -nt
Note bem ao menos três questões:
1) Na terceira conjugação, seguindo as mesmas regras que dadas para a formação da primeira e da segunda.
deveríamos
esperar um -e Logo antes das terminações costumeiras. No entanto, em seu Lugar temos uni -i.
2) ALém disso, a terceira pessoa do plural muda o-i para -u.
3) Um grupo de verbos da terceira conjugação (e seus compostos se conjugam como se fossem verbos da
quarta:
capio, cupio, fado, fugio,iacio, rapio, rupio.
PRESENTE DO SUBJUNTIVO
As vogais (chamadas temáticas em poituguês) são os sinais das conjugações entre os verbos no tempo presente
do modo sidjuntivo:
1) A vogal e é o sinal do presente do sjuntivo da primeira
conjugaço.
2) A vogal a é o sinal do presente subjuntivo para a terceira
e a quarta conjugações.
Com os paradigmas escolhidos antes, eis a conjugação dos verbos com suas terminações:
optem Impleam ducam sentiam -m
optes Impleas ducas sentias -s
optet lmpLeat ducat sentlat -t
optemus Impleamiz ducamus sentiamus -mus optetis Impleatis ducatis sentiatis -tis
optent lmpleant ducant sentlant -nt
Pode ser útil comparar essas formas com as do presente do indicativo.
É aconseLháveL também que você se Lembre de como se focma os mesmos tempos em português, para cada
conjugação, o que pode ajudar bastante.
IMPERFEITO DO INDICATIVO
Destaca-se aqui a terceira e a quarta conjugações, nas quais a silaba -ba também é acrescentada ao radicaL da
paLavra.
1 2 3 4 terminações.
optabam imptebam ducebam sentiebam -m
optabas implebas ducebas sentiebas -s
optabat imptebat ducebat sentiebat -t
optabamus Implebamus
ducebamus sentiebamus -mus
optabatis implebatis ducebatis sentiebatis -tis
optabant imptebant ducebant sentiebant -nt
FUTURO DO INDICATIVO
Note também que o futixo do indicativo da terceira e da quarta conjugação não têm o -b da
primeira e da seguida! Sendo assim, tem-se Liii campo minado, exige-se atenção as diferenças. Pode ser
conftmdído,
principalmente na terceira e na quarta conjugação, com os
presentes, tanto do indicativo quanto do siÁjuitivo.
optabo implebo ducam sentiam -m
optabis impLebis duces senties •s optabit impLebit ducet sentlet t optabimus implebimus ducemus sentiemus
•mus
optabitis Implebitis ducetis
sentietis -tis
optabunt impLebunt ducent
sentient -nt
O sistema do presente PASSIVO de todas as conjugações
ATIVA PASSIVA
amo sou amado
amarei serei amado
amei fui amado
tinha amado tinha sido amado
tivesse amado tivesse sido amado
etc.
Duas caracteristicas na voz passiva saltam aos olhos:
1) temos o acréscimo do verbo ser, em uma de suas formas,
2) e a transformaçào do verbo principal para seu partlciplo passado, conforme o gênero do
substantivo exija.
No mais, aproveite para recordar as regras da voz passiva em português:
Em latim, nos tempos do sistema do presente, trocamos as terminações da voz ativa por outras, características
da passiva:
ATIVA PASSIVA
-o (-m) -or, •r
-s -ris (-re)
com-t -tur
-mus -mur
-tis -mmi
-nt -ntur
PRESENTE DO INDICATIVO
FUTURO PERFEITO PASSIVO DO INDICATIVO
Foi-ma-se com o particípio mais o FUTURO do verbo sum:
amatus, -a, um ero
terás sido amado
sido amado
amati, -ae, -i erimus
amati, -ae, •i
teremos sido amados
PERFEITO PASSIVO DO SUBJUNTIVO
Procede do particípio mais o PRESENTE do subjuntivo do verbo sum:
amatus, -a, -um sim tenha sido amado
amatus, -a, -um sis tenhas sido amado
amati, •ae, •i tenham sido amados
Não confunda, porém, a preposição a com o aitigo definido em português ‘a. Mais uma vez, essa preposição se
transforma em ab se a palavra seguinte come a por vogal: ab incola. ‘pelo habitante”.